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RESUMO CRÍTICO COM FICHAMENTO Discentes: Hildinara Mourão do Rêgo, Maria da Conceição Borges dos Santos e Veronilde Lima Oliveira. Livro: Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal, 6ª Edição. Lincoln Taiz, Eduardo Zeiger, Ian Max Moller. Angus Murphy, 2017. Tradução: Eliane Romanato Santarém, Doutora em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Resumo crítico do Capítulo 07: Fotossíntese: Reações Luminosas, p. 172- 200. A fotossíntese consiste no principal processo que gera entrada de energia na biosfera, ela ocorre por meio da conversão de luz solar em atividade química, impactando dessa maneira a síntese de compostos orgânicos. O termo fotossíntese significa ‘’síntese utilizando a luz’’, ela é realizada por organismos fotossintetizantes, onde os mesmos utilizam da energia solar para produção da matéria orgânica e sintetização de organismos carbonatos complexos. Dentre os tecidos fotossintéticos das plantas superiores o mais ativo é o mesofilo, pois possuem muitos cloroplastos e consequentemente pigmentos verdes que auxiliam na absorção de luz. O processo de fotossíntese utiliza a energia solar, para oxidar a água, impactando na liberação de oxigênio e redução do dióxido de carbono. A fotossíntese é atrelada a utilização de conceitos como, por exemplo, a natureza da luz, as propriedades dos pigmentos e os papéis que esses realizam. No que diz respeito à luz, sabe-se que a taxa da fotossíntese aumenta progressivamente com o aumento desta, ela possui características tanto de partículas como de ondas. Uma onda é qualificada pelo comprimento de onda, que compreende a distância entre picos de onda sucessivos. A frequência corresponde o número de picos de onda que passam por um observador em determinado tempo. A luz também é chamada de fóton, sendo que cada fóton contém uma quantidade de energia, chamada de quantum. Ao absorver ou emitir luz as moléculas alteram seu estado eletrônico; ao olho humano a clorofila surge na cor verde, e isso ocorre porque são absorvidas pelo espectro de cores, as porções azul e vermelha. A luz solar é como uma chuva de fótons de diferentes frequências. A radiação global emitida pelo sol, junto com a densidade de energia que chega à superfície da Terra. Um espectro de absorção fornece informações sobre a quantidade de energia luminosa captada e absorvida por uma molécula ou substância em função do comprimento de onda da luz. No entanto a clorofila parece ao olho humano parece verde, devido ela absorve luz principalmente nas porções vermelha e azul do espectro. Desse modo, apenas uma parte da luz enriquecida nos comprimentos de onda do verde é refletida para o olho humano. A absorção da luz é representada pela Equação 7.3, na qual a clorofila (Chl) em seu estado mais baixo de energia, ou estado de base, absorve um fóton (representado por hν) e faz a transição para um estado de maior energia, ou estado excitado (Chl*): Chl + hν → Chl* (7.3) Percebe-se que a absorção da luz azul excita a clorofila a um estado energético mais elevado do que a absorção de luz vermelha, pois a energia dos fótons é maior quando seus comprimentos de onda são mais curtos. Dessa maneira ela consegue canalizar a energia da luz solar em energia química através do processo de fotossíntese. A energia da luz solar é absorvida primeiro pelos pigmentos da planta. Todos os pigmentos ativos na fotossíntese são encontrados nos cloroplastos. A estrutura e o espectro de absorção de vários pigmentos fotossintetizantes, respectivamente. As clorofilas e as bacterioclorofilas são pigmentos típicos de organismos fotossintetizantes. Todas as células fotossintetizantes, exceto as bacterianas, contêm 2 tipos de clorofila, e um deles sempre é a clorofila a. O segundo tipo de clorofila geralmente é a clorofila b (nos vegetais superiores) ou a clorofila c (em muitas algas). Esses diversos tipos de clorofila diferem quanto à faixa do espectro da luz visível na qual cada uma delas capta luz com mais eficiência. Todas as clorofilas têm uma complexa estrutura em anel, que é quimicamente relacionada com os grupos do tipo porfirina encontrados na hemoglobina e nos citocromos. Uma longa cauda de hidrocarbonetos quase sempre está ligada à estrutura do anel. A cauda âncora a clorofila à porção hidrofóbica de seu ambiente. A estrutura em anel contém alguns elétrons frouxamente ligados, e é a parte da molécula envolvida nas transições eletrônicas e nas reações redox. Um exemplo simples é a cor das cenouras, deve-se ao -caroteno, um carotenoide cuja estrutura e espectro de absorção. Os carotenoides são encontrados em todos os organismos fotossintetizantes naturais. Eles são constituintes integrais das membranas dos tilacoides e, em geral, estão intimamente associados às proteínas que formam o aparelho fotossintetizante. Os carotenoides têm papel assessório na fotossíntese, pois, assim como a clorofila b, transfere energia para a clorofila a, aumentando o aproveitamento da luz no processo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia https://pt.wikipedia.org/wiki/Sol https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_qu%C3%ADmica https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_qu%C3%ADmica https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_qu%C3%ADmica https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_qu%C3%ADmica https://pt.wikipedia.org/wiki/Fotoss%C3%ADntese Uma porção da energia da luz absorvida pelas clorofilas e pelos carotenoides é no final armazenada como energia química via formação de ligações químicas. Essa conversão de energia de uma forma para outra é um processo complexo que depende da cooperação entre muitas moléculas de pigmentos e um grupo de proteínas de transferência de elétrons. A maior parte dos pigmentos serve como um complexo antena, coletando luz e transferindo a energia para o complexo dos centros de reação, onde acontecem as reações químicas de oxidação e redução que levam ao armazenamento de energia a longo prazo. Em cloroplastos funcionais mantidos sob iluminação fraca, a produtividade quântica da fotoquímica é de cerca de 0,95, a produtividade quântica da fluorescência é de 0,05 ou menos, e as produtividades quânticas para outros processos são insignificantes. Produtos da fotossíntese como O2 necessitam de mais do que um único evento fotoquímico para serem formados e, dessa forma, possuem uma menor produtividade quântica de formação do que a produtividade quântica fotoquímica. A produtividade quântica de um processo em particular pode variar de 0 a 1,0. Embora a produtividade quântica fotoquímica sob condições ótimas seja de quase 100%, a eficiência da conversão da luz em energia química é muito menor. Assim, a eficiência de conversão de energia luminosa, no comprimento de onda ideal, em energia química é de cerca de 27%. A maior parte dessa energia armazenada é utilizada em processos de manutenção celulares; a quantidade direcionada à formação de biomassa é muito menor. Não há conflito com o fato de a eficiência quântica fotoquímica ser de cerca de 1,0, a eficiência de conversão de energia ser de apenas 27% e a eficiência total de conversão da energia solar ser de apenas uns poucos pontos percentuais. O processo global da fotossíntese é uma reação química redox, na qual elétrons são removidos de uma espécie química, oxidando-a, e adicionados a outra espécie, reduzindo-a. Esses compostos servem como oxidantes no lugar do CO2, conforme mostrada na seguinte equação: 4 Fe3+ + 2 H2O 4 Fe2+ + O2 + 4 H+ Os compostos atuam como receptores artificiais de elétrons no que ficou conhecido como reação de Hill. A utilização de aceptores artificiais de elétrons tem sido valiosa na elucidação das reações que precedem a redução do carbono. A demonstração da liberação do oxigênio ligada à redução de aceptores artificiais de elétrons forneceu as primeiras evidências de que a liberação de oxigênio poderia ocorrer na ausência de dióxidode carbono. Além disso, ela levou à ideia, agora aceita e comprovada, de que o oxigênio na fotossíntese se origina da água, e não do dióxido de carbono. Hoje, sabe-se que, durante o funcionamento normal dos sistemas fotossintéticos, a luz reduz a nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato, que, por sua vez, serve com agente redutor para a fixação do carbono no ciclo de Calvin-Benson. A produtividade quântica é medida nos comprimentos de onda em que a clorofila absorve luz, os valores encontrados ao longo de quase toda a faixa são bastante constantes, indicando que qualquer fóton absorvido pela clorofila ou outro pigmento é tão efetivo para impulsionar a fotossíntese quanto qualquer outro fóton. Ele mediu a taxa de fotossíntese separadamente com luz de dois comprimentos de onda e em seguida usou os dois feixes de luz ao mesmo tempo. No entanto quando luz no vermelho e luz no vermelho-distante foram fornecidas juntas, a taxa de fotossíntese foi maior que a soma das taxas com cada um dos comprimentos de onda separadamente, uma observação surpreendente. Já o redutor produtivo pelo PSII reduz a oxidante produzido pelo PSI. Já nos eucariotos fotossintetizantes, a fotossíntese ocorre na organela subcelular conhecida como cloroplasto. A estrutura do cloroplasto é seu extenso sistema de membranas internas conhecidas como tilacoides. Sendo que a clorofila está contida nesse sistema membranas, local das reações luminosas da fotossíntese. O cloroplasto contém seus próprios DNA, RNA e ribossomos. Algumas das proteínas do cloroplasto são produtos da transcrição e da tradução dentro do próprio cloroplasto, enquanto a maioria das outras é codificada por DNA nuclear, sintetizada nos ribossomos citoplasmáticos e, após, importada para o interior dos cloroplastos. Percebe-se que as clorofilas e os pigmentos são essenciais na captação de luz localizados nas membranas dos tilacoides estão sempre associados a proteínas de maneira não covalente, entretanto altamente específica, desse modo formando, os complexos pigmento-proteicos. A proteínas essenciais à fotossíntese está inserida nas membranas dos tilacoides. Em muitos casos, porções dessas proteínas estendem-se para as regiões aquosas em ambos os lados dos tilacoides. Os centros de reação, os complexos pigmento-proteicos das antenas e muitas das proteínas de transporte de elétrons são proteínas integrais de membrana. Em todos os casos conhecidos, as proteínas integrais de membrana dos cloroplastos possuem uma orientação específica dentro da membrana. As clorofilas e os pigmentos acessórios de captação de luz localizados nas membranas dos tilacoides estão sempre associados a proteínas de maneira não covalente, porém altamente específica, formando, assim, os complexos pigmento-proteicos. Organismos não produtores de oxigênio contêm apenas um fotossistema similar ao PSI ou PSII. Tais organismos mais simples foram muito úteis para estudos estruturais e funcionais detalhados que contribuíram para uma melhor compreensão da fotossíntese oxigênica. Parte da energia do fóton é conservada como força motriz de prótons e é utilizada para fabricar ATP. Entretanto os centros de reação das bactérias purpúreas fotossintetizantes consistir em as primeiras proteínas integrais de membrana a ter a estrutura determinada em alta resolução. A estrutura do centro de reação das bactérias purpúreas é considerada similar, sob muitos aspectos, àquela encontrada no PSII de organismos fotossintetizantes produtores de oxigênio, em especial na porção receptora de elétrons da cadeia. Já os sistemas antenam das diferentes classes de organismos fotossintetizantes são extraordinariamente variados, ao contrário dos centros de reação, que parecem ser similares mesmo entre organismos distantemente relacionados. A diversidade de complexos antena reflete a adaptação evolutiva aos ambientes diferentes nos quais os organismos vivem, bem como a necessidade, para alguns organismos, de equilibrar a entrada de energia aos dois fotossistemas. A sequência de pigmentos dentro da antena que canaliza a energia absorvida em direção ao centro de reação possui máximos de absorção, que são progressivamente desviados em direção a comprimentos de onda mais longos no vermelho. A consequência desse arranjo, ocorre quando a excitação é transferida, por exemplo, de uma molécula de clorofila b com uma absorção máxima a 650 nm para uma molécula de clorofila a com uma absorção máxima a 670 nm, a diferença em energia entre as duas clorofilas excitadas é perdida para o ambiente sob forma de calor. A probabilidade de transferência reversa é, portanto, menor, simplesmente porque a energia térmica não é suficiente para superar o déficit entre pigmentos de baixa e alta energia. Esse efeito dá ao processo de apreensão de energia um grau de direcionalidade, ou irreversibilidade, e torna a entrega da excitação ao centro de reação mais eficiente. Sabemos que todos os organismos eucarióticos fotossintetizantes que contêm as clorofilas a e b, as proteínas antena mais abundantes são membros de uma grande família de proteínas estruturalmente relacionadas. Esses complexos antena conhecidos como proteínas antenas clorofilas a/b. Onde a estrutura de uma das proteínas do LHCII já foi determinada. A estrutura das proteínas do LHCI em geral é similar à das proteínas do LHCII. Por isso, todas essas proteínas têm uma similaridade de sequência significativa e quase todos certamente descendem de uma proteína ancestral comum. A luz absorvida por carotenoides ou clorofila b nas proteínas do LHC é rapidamente transferida para a clorofila a e, após, para outros pigmentos antena intimamente associados ao centro de reação. Geralmente são discutidas a excitação da clorofila pela luz e a redução do primeiro aceptor de elétrons, o fluxo de elétrons através dos fotossistemas II e I, a oxidação da água como fonte primária de elétrons e a redução do aceptor final de elétrons. Entretanto os fótons excitam as clorofilas especializadas dos centros de reação (P680 para o PSII; P700 para o PSI), e um elétron é ejetado. O elétron passa, então, por uma série de carregadores e, por fim, reduz o P700 ou o NADP+. O PSII oxida a água a O2 no lume do tilacoide e, nesse processo, libera prótons no lume. O produto reduzido do PSII é a plasto- hidroquinona. O citocromo b6f oxida moléculas de PQH2 que foram reduzidas pelo PSII e entrega elétrons ao PSI por intermédio da proteína cúprica solúvel plastocianina. Podemos dizer que a função da luz é excitar uma clorofila especializada no centro de reação, por absorção direta ou, mais frequentemente, via transferência de energia de um pigmento antena. Ocorre que esse processo de excitação pode ser visualizado como a promoção de um elétron do orbital completo de mais elevado nível de energia da clorofila ao orbital incompleto de menor energia. No qual o elétron no orbital superior está apenas fracamente ligado à clorofila e é facilmente perdido se uma molécula capaz de aceitá-lo está por perto. O orbital de baixa energia da clorofila do centro de reação oxidado positivamente carregada, se a molécula aceptora doa seu elétron de volta para a clorofila do centro de reação, o sistema retornará ao estado existente antes da excitação pela luz, e toda a energia absorvida será convertida em calor. Entretanto, esse processo dispendioso de recombinação não parece ocorrer de maneira substancial em centros de reação funcionais. Em vez disso, o aceptor transfere seu elétron extra para um aceptor secundário e assim por diante dentro da cadeia transportadora de elétrons. Com essas cargas assim separadas, a reação reversa é muitas ordens de grandeza mais lenta e a energia foi capturada. Cada transferência secundária de elétrons é acompanhada pela perda de parte da energia, tornando, assim, o processo efetivamente irreversível.A produtividade quântica medida para a produção de produtos estáveis em centros de reação purificados de bactérias fotossintetizantes foi de 1,0; isso significa que cada fóton produz produtos estáveis e que não ocorrem reações reversas. As medições precisas das máximas de absorção foram possíveis por meio das alterações ópticas nas clorofilas dos centros de reação nos estados reduzidos e oxidados. A clorofila do centro de reação está transitoriamente em um estado oxidado após a perda de um elétron e antes de ser reduzida novamente por seu doador de elétrons. Utilizando-se essas técnicas, foi descoberto que o centro de reação do PSI, em seu estado reduzido, tem a máxima absorção no comprimento de onda de 700 nm. Por isso, essa clorofila é chamada de P700. O transiente óptico análogo do PSII está em 680 nm, de modo que a clorofila de seu centro de reação é conhecida como P680. O doador primário do PSI, P700, também é um dímero de moléculas de clorofila a. O PSII também contém um dímero de clorofilas, embora o primeiro evento do transporte de elétrons possa não ser originário desses pigmentos. No estado oxidado, as clorofilas do centro de reação contêm um elétron não pareado. Podemos dizer que o PSII está contido em um supercomplexo proteico com múltiplas subunidades. Nas plantas superiores, esse supercomplexo proteico com múltiplas subunidades possui dois centros de reação completos e alguns complexos antena. O núcleo do centro de reação consiste em duas proteínas de membrana conhecidas como D1 e D2, bem como outras proteínas. Por tanto essas proteínas que possuem alguma similaridade de sequência com os peptídeos L e M de bactérias purpúreas. Outras proteínas servem como complexos antena ou estão envolvidas na liberação do oxigênio. Clorofilas doadoras primárias, clorofilas adicionais, carotenoides, feofitinas e plastoquinonas são ligados às proteínas de membranas D1 e D2. Essas proteínas possuem alguma similaridade de sequência com os peptídeos L e M de bactérias purpúreas. Outras proteínas servem como complexos antena ou estão envolvidas na liberação do oxigênio. Alguns, como o citocromo b559, não têm função conhecida, mas podem estar envolvidos em um ciclo de proteção ao redor do PSII. A água é oxidada de acordo com a seguinte reação química: 2 H2O O2 + 4 H+ + 4, no qual essa equação indica que quatro elétrons são removidos de duas moléculas de água, gerando uma molécula de oxigênio e quatro íons hidrogênio. Para mais reações de oxidação-redução. Onde a água é uma molécula muito estável. A oxidação da água para formar oxigênio molecular é muito difícil: o complexo fotossintético de liberação de oxigênio é o único sistema bioquímico conhecido que realiza essa reação, e é a fonte de quase todo o oxigênio da atmosfera terrestre. Muitos estudos já forneceram uma quantidade substancial de informação sobre o processo. Os prótons produzidos pela oxidação da água são liberados dentro do lume do tilacoide, não diretamente no compartimento estromal. Eles são liberados dentro do lume devido à natureza vetorial da membrana e porque o complexo produtor de oxigênio está localizado próximo da superfície interna da membrana do tilacoide. Esses prótons são, por fim, transferidos do lume para o estroma por translocação pela ATP-sintase. Dessa maneira, os prótons liberados durante a oxidação da água contribuem para o potencial eletroquímico que impulsiona a formação do ATP. Estudos espectrais e de ESR revelaram o arranjo estrutural dos carregadores no complexo aceptor de elétrons. A feofitina, uma clorofila onde o íon magnésio central foi substituído por dois íons hidrogênio, atua como um aceptor inicial no PSII. Essa feofitina passa elétrons para um complexo formado por duas plastoquinonas intimamente relacionadas a um íon ferro. Os processos assemelham-se muito àqueles encontrados no centro de reação de bactérias purpúreas. As duas plastoquinonas, PQA e PQB, estão ligadas ao centro de reação e recebem elétrons da feofitina de maneira sequencial. A transferência dos dois elétrons para PQB reduz está a PQB 2–, e a PQB 2– reduzida toma dois prótons do meio no lado do estroma, produzindo uma plastohidroquinona completamente reduzida. A PQH2, então, dissocia-se do complexo do centro de reação e entra na porção hidrocarbonada da membrana, onde, por sua vez, transfere seus elétrons para o complexo citocromo b6f. Contudo o complexo citocromo b6 f é uma grande proteína dotada de múltiplas subunidades com muitos grupos prostéticos. Ele contém dois hemes do tipo b e um do tipo c. Nos citocromos do tipo c, o heme está covalentemente ligado ao peptídeo; nos citocromos do tipo b, o grupo proto-heme quimicamente similar não está covalentemente ligado. As estruturas do complexo citocromo b6f e do complexo citocromo bc1 a ele relacionado na cadeia de transporte mitocondrial de elétrons sugere um mecanismo para fluxo de elétrons e prótons. Dessa maneira precisa pela qual os elétrons e os prótons fluem pelo complexo citocromo b6f ainda não está elucidada por completo, mas um me canismo conhecido como ciclo Q é responsável pela maioria dos eventos observados. Nesse mecanismo, a PQH2 é oxidada e um dos dois elétrons é passado ao longo da cadeia linear de transporte de elétrons em direção ao PSI, enquanto o outro elétron passa por um processo cíclico que aumenta o número de prótons bombeados através da membrana. O primeiro heme do tipo b transfere seu elétron através do segundo heme do tipo b para uma molécula de plastoquinona oxidada, reduzindo-a à forma de semiquinona próximo à superfície estromal do complexo. Outra sequência similar do fluxo de elétrons reduz completamente a plastoquinona, que capta prótons do lado estromal da membrana e é liberada do complexo b6f como plasto-hidroquinona. Nesse caso o resultado global de duas reciclagens do complexo é que dois elétrons são transferidos ao P700, duas plasto-hidroquinonas são oxidadas à forma de plastoquinona, e uma plastoquinona oxidada é reduzida à forma de plasto-hidroquinona. Onde no processo de oxidação das plastoquinonas, quatro prótons são transferidos do lado estromal para o lado lumenal da membrana. Esse potencial eletroquímico é utilizado para fornecer energia à síntese de ATP. O fluxo cíclico de elétrons pelo citocromo b e plastoquinona aumenta o número de prótons bombeados por elétron para além do que poderia ser obtido em uma sequência estritamente linear. A localização dos dois fotossistemas em diferentes locais nas membranas do tilacoide exige que pelo menos um componente seja capaz de se movimentar ao longo ou no interior da membrana, a fim de entregar os elétrons produzidos pelo PSII ao PSI. Onde o complexo citocromo b6f está distribuído igualmente entre as regiões granal e estromal das membranas, porém seu tamanho grande torna-o pouco provável como carregador móvel. Porém os complexos do centro de reação PSI é um grande complexo proteico com múltiplas subunidades diferentemente do PSII, onde as clorofilas da antena estão associadas ao centro de reação, mas presentes em pigmentos proteicos separados, uma antena-núcleo consistindo em cerca de 100 clorofilas é parte integral do centro de reação PSI. No qual a antena-núcleo e o P700 estão ligados a duas proteínas, PsaA e PsaB, com massas moleculares na faixa de 66 a 70 kDa. As evidências indicam que um desses aceptores primários é uma molécula de clorofila, e outro é uma espécie de quinona, filoquinona, também conhecida como vitamina K1. Para isso os aceptores adicionais de elétrons incluem uma série de três proteínas ferro-sulfurosas associadas à membrana, também conhecidas como centros Fe-S: FeSX, FeSA e FeSB. O centro Fe-S X é parte da proteína ligante P700; os centros A e B residem em uma proteína de 8 kDa que faz parte do complexo do centro de reação PSI. No entanto o flavoproteínaassociada à membrana ferredoxina-NADP+ -redutase (FNR) reduz o NADP+ a NADPH, completando, assim, a sequência do transporte acíclico de elétrons, que inicia com a oxidação da água. Além da redução do NADP+ a ferredoxina reduzida produzida pelo PSI possui várias outras funções no cloroplasto, como o suprimento de redutores para reduzir o nitrato e a regulação de algumas das enzimas da fixação do carbono. Alguns dos complexos citocromo b6f são encontrados na região do estroma da membrana, onde está localizado o PSI. Onde o fluxo cíclico de elétrons está acoplado ao bombeamento de prótons para o lume, os quais podem ser utilizados para a síntese de ATP, mas não oxida água ou reduz NADP+. O mecanismo molecular do fluxo cíclico de elétrons ainda não é completamente compreendido. Algumas proteínas envolvidas na regulação do processo estão sendo descobertas, e está se mantém uma área ativa de pesquisas. Podemos dizer que o DCMU bloqueia o fluxo de elétrons nos aceptores quinona do PSII, competindo pelo sítio de ligação da plastoquinona que normalmente é ocupado pela PQB. O paraquat aceita elétrons dos aceptores primários do PSI e, então, reage com o oxigênio para formar superóxido, O2, uma espécie que é muito prejudicial aos componentes do cloroplasto. A quimiosmose é um aspecto unificador dos processos de membrana em todas as formas de vida. Sendo que o papel das ATPases na quimiosmose é o transporte de íons na membrana plasmática das células. O ATP utilizado pela ATPase da membrana plasmática é sintetizado pela fotofosforilação no cloroplasto e pela fosforilação oxidativa na mitocôndria. As diferenças no potencial químico de qualquer espécie molecular cujas concentrações não são as mesmas em lados opostos de uma membrana proporcionam tal fonte de energia. No entanto o acoplamento quimiosmótico ocorre em dois estágios interligados. O primeiro, os elétrons de alta energia, proveniente da quebra oxidativa de açúcares, são transferidos ao longo de uma série de transportadores de elétrons na membrana. Já no segundo estágio, o refluxo dos H+ em favor do gradiente eletroquímico através de uma enzima chamada ATP sintase, que catalisa a síntese de ATP dependente de energia a partir de ADP e fosfato inorgânico. Dessa maneira fazendo com que a enzima desempenhe um papel semelhante de uma turbina. Os prótons bombeados através da membrana pelo complexo citocromo b6f ou os prótons produzidos pela oxidação da água no meio dos grana necessitam se movimentar lateralmente várias dezenas de nanômetros para alcançar a ATP-sintase. A CFo forma um canal através da membrana, pelo qual os prótons podem passar. Diante disso existindo similaridades marcantes na forma como o fluxo de elétrons está acoplado à translocação de prótons nos cloroplastos, nas mitocôndrias e nas bactérias purpúreas. Corroborando com isso que cada subunidade pode translocar um próton através da membrana em cada rotação do complexo. Isso sugere que a estequiometria de prótons translocados para ATP formados é de 14/3, ou 4,67. Esses valores medidos desse parâmetro em geral são menores que esse valor, e as razões para essa discrepância ainda não são compreendidas. No entanto são construídos para absorver grandes quantidades de energia luminosa e transformá-la em energia química. Percebe-se que em nível molecular, a energia presente em um fóton pode ser danosa, especialmente sob condições desfavoráveis. Já à energia luminosa em excesso pode levar à produção de espécies tóxicas, sendo: superóxidos, oxigênio singleto e peróxidos, ocorrendo danos se tal energia luminosa não for dissipada com segurança. Alguns desses mecanismos regulam o fluxo de energia no sistema de antenas, a fim de evitar excesso de excitação dos centros de reação e garantir que os dois fotossistemas sejam igualmente acionados. Embora o estado excitado da clorofila não é rapidamente quenched pela transferência de excitação ou pela fotoquímica, ela pode reagir com o oxigênio molecular para formar um estado excitado do oxigênio conhecido como oxigênio singleto. Por tanto o oxigênio singleto, extremamente reativo, segue em frente, reagindo e danificando muitos componentes celulares, especialmente lipídeos. Onde esse estado excitado dos carotenoides não possui energia suficiente para formar oxigênio singleto, de modo que ele decai de volta ao estado-base enquanto perde sua energia sob forma de calor. Os organismos mutantes sem carotenoides não conseguem viver na presença de luz e oxigênio molecular – sendo uma situação difícil para organismos fotossintetizantes produtores de O2. Esses mutantes de bactérias fotossintetizantes não produtoras de O2 carentes de carotenoides podem ser mantidos em condições de laboratório, se o oxigênio for excluído do meio de cultura. O quenching não fotoquímico, é um dos principais processos que regulam a distribuição da energia de excitação para os centros de reação, e pode ser considerado como um «botão para ajuste de volume» que ajuda a regular o fluxo de excitações para o centro de reação do PSII em um nível aceitável, dependendo da intensidade luminosa e de outras condições. O processo parece ser uma parte essencial da regulação dos sistemas de antena na maioria das algas e plantas superiores. Podemos observar que o mecanismo molecular do quenching não fotoquímico não é bem compreendido, onde surgiram evidências com vários processos de quenching distintos, que podem ter diferentes mecanismos subjacentes. Está claro que o pH do lume do tilacoide e o estado de agregação dos complexos antena são fatores importantes. Pois acredita-se que a ligação de prótons e da zeaxantina às proteínas da antena de captação de luz cause alterações conformacionais que levam ao quenching e à dissipação por calor. Dessa maneira o quenching não fotoquímico parece estar preferencialmente associado ao complexo antena periférico do PSII, a proteína PsbS. Com isso as evidências recentes sugerem que o processo transitório de transferência de elétrons pode ser parte importante do mecanismo molecular de quenching, embora outras explicações moleculares também tenham sido propostas. Outro efeito que parece ser um fator importante na estabilidade do aparelho fotossintético é a fotoinibição que ocorre quando o excesso de excitação que chega ao centro de reação do PSII leva à sua inativação e danos. Portanto a fotoinibição é reversível nos estágios iniciais. O alvo principal desse dano é a proteína D1, que faz parte do complexo do centro de reação PSII. Dessa forma quando é danificada pelo excesso de luz, a proteína D1 necessita ser removida da membrana e substituída por uma molécula recém- sintetizada. Sendo que o PSI é sobretudo vulnerável aos danos provocados pelas espécies reativas de oxigênio. Isso ocorre porque o aceptor ferredoxina do PSI é um redutor muito forte, que pode reduzir com facilidade o oxigênio molecular, formando superóxido. Essa redução ocorre com a canalização normal dos elétrons para reduzir o NADP+ e outros processos. Se a taxa de envio da energia ao PSI e ao PSII não for semelhante às condições a taxa de fotossíntese é limitada pela disponibilidade de luz, a taxa de fluxo de elétrons será limitada pelo fotossistema que esteja recebendo a menor quantidade de energia. Diante disso a entrada de energia seria igual para os dois fotossistemas. Essa observação faz com que a produtividade quântica total da fotossíntese seja quase independente do comprimento de onda, sugerindo fortemente a existência desse mecanismo. Sabemos que as membranas dos tilacoides contêm uma proteína-quinase que pode fosforilar um resíduo específico de treonina na superfície do LHCII, um dos pigmentos proteicos antena ligados à membrana já descritos neste capítulo. No entanto quando o LHCII não está fosforilado, ele envia mais energia ao PSII, e quando está fosforilado,remete mais energia ao PSI. Entretanto os cloroplastos possuem seu próprio DNA, mRNA e maquinaria para a síntese de proteínas, sendo que a maior parte de suas proteínas é codificada por genes nucleares e importada para os cloroplastos. deste modo a reprodução não é uma surpresa, pois essas organelas contêm informação genética que não está presente no núcleo. Durante a divisão celular, os cloroplastos são divididos entre as duas células-filhas. Nessas plantas, o padrão normal de herança mendeliana não se aplica aos genes codificados no cloroplasto, e acontece porque a prole recebe cloroplastos de apenas um dos progenitores. As proteínas do cloroplasto podem ser codificadas pelo DNA do cloroplasto ou pelo DNA do núcleo. As proteínas codificadas no cloroplasto são sintetizadas em ribossomos do cloroplasto; as codificadas no núcleo são sintetizadas em ribossomos citoplasmáticos e daí transportadas para os cloroplastos. Alguns genes do cloroplasto são necessários para outras funções celulares, como a síntese dos hemes e de lipídeos. O controle da expressão dos genes nucleares que codificam para as proteínas dos cloroplastos é complexo e dinâmico, envolvendo regulação dependente da luz mediada pelo fitocromo e pela luz azul, bem como outros fatores. Portanto as proteínas dos cloroplastos codificadas no núcleo são sintetizadas como proteínas precursoras, envolvendo uma sequência de aminoácidos N-terminal chamada de peptídeo de trânsito. A sequência terminal conduz a proteína precursora até o cloroplasto e facilita sua passagem pelas membranas externa e interna, e depois então, eliminada. As clorofilas são moléculas complexas especialmente ajustadas para as funções de absorção de luz, transferência de energia e transferência de elétrons que realizam durante a fotossíntese. Como todas as outras moléculas biológicas, as clorofilas são construídas por uma rota biossintética em que se empregam moléculas simples para a montagem de moléculas mais complexas. Essa regulagem é essencial, pois a clorofila livre e muitos dos intermediários biossintéticos são prejudiciais aos componentes celulares. O dano resulta, em grande parte, do fato de que as clorofilas absorvem a luz de maneira eficiente; porém, na ausência das outras proteínas do sistema de transporte, elas não possuem a rota para liberar a energia, resultando na formação de singletos de oxigênio tóxicos. O complexo aparelho fotossintético visto em plantas e algas é o produto final de uma longa sequência evolutiva. Esse processo compreende a partir da análise de organismos fotossintetizantes procarióticos mais simples, incluindo as bactérias anoxigênicas e as cianobactérias. Alguns especialistas afirmam que o cloroplasto descende de uma relação simbiótica entre uma cianobactéria e uma única célula eucariótica não fotossintetizante. Corroborando com que que o cloroplasto é delimitado por três e, em alguns casos, por quatro membranas, acredita-se ser resquícios das membranas plasmáticas dos organismos precursores. Já as mitocôndrias são igualmente consideradas como originadas por endossimbiose em um evento separado, muito antes da formação dos cloroplastos.