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HISTÓRIA 
MODERNA
Empresa: Modular Criativo
Professora: Bianca Sales
Faculdade Campos Elíseos (FCE) 
São Paulo – 2023
SUMÁRIO
RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
CONCEITOS GERAIS DA HISTÓRIA MODERNA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Conceitos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Pensadores do Iluminismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Sociedade Estamental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Formação do Estado Moderno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
ANTIGO REGIME E SEUS PILARES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Introdução ao Antigo Regime . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Absolutismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Mercantilismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
PRINCIPAIS REVOLUÇÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Revolução Inglesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Revolução Industrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Revolução Francesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
BIBLIOGRAFIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3
4
R E S U M O 
Dentro de uma periodização clássica, utilizada pelos historiadores, a Idade Moderna, 
corresponde a um período relativo ao cenário pós Idade Média e que vem a anteceder e 
desenhar os moldes para a história contemporânea. 
Dentro do presente estudo, iremos abordar os conceitos gerais do que foi esse período, 
suas implicações e as formações e caminhos desenhados durante esse período de 
intensa ruptura e transição.
Trataremos acerca de um período que corresponde há 300 anos da nossa história, marcado 
pelo desenvolvimento, ideológico, social, econômico e industrial, viajaremos através dos 
séculos e dos acontecimentos que antecedem a concepção da nossa sociedade atual.
C O N C E I TO S G E R A I S DA H I S TÓ R I A M O D E R N A
Conceitos gerais
Ao falar sobre a história moderna, falamos em um período de ruptura e transição. 
Nesta disciplina falaremos há cerca de um tempo no qual o antigo passa a não ser mais 
enxergado e passamos a vislumbrar o novo. 
O período que corresponde aos séculos XV e XVIII, descreve as mudanças que 
moldaram e caracterizaram o novo mundo. Mudanças essas que englobam os mais 
diversos setores. A construção desse período é marcada por novas práticas econômicas, 
início da colonização, reformas religiosas, estabelecimento da monarquia e revoluções.
A Idade Moderna, perdura entre o período de 1453 a 1789, tendo o seu início 
marcado pela conquista de Constantinopla realizada pelos otomanos e a queda da 
Bastilha, ação que antecedeu a Revolução Francesa. Essa consolidação da modernidade 
ocorreu mediante o fim da Idade Média.
Essa separação entre medievo e modernidade, ocorreu, quando os pensadores do 
período conhecido como renascença, começaram a questionar, que o período em que 
estavam vivenciando, distinguisse, do que existia durante a Europa Medieval. Destarte, 
foi definido o conceito de Idade Média, e em decorrência, o surgimento do período 
conhecido como Idade Moderna. 
Um dos intelectuais, responsáveis por essa concepção de modernidade, foi o 
historiador Cristoph Keller, que dividiu a história em três períodos (antigo, medieval e novo 
período), através dessa divisão, estabeleceu que a Idade Média, tinha sido encerrada 
com conquista de Constantinopla. Essas divisões acerca desse período ocorrem de 
forma aproximada, uma vez que historiadores, como Le Goff, traçam semelhas entre os 
dois períodos. 
5
Acerca dessas semelhas entre os dois períodos, Le Goff, destaca a economia agrícola. 
Onde na Idade Média, a agricultura europeia foi impulsionada pelas melhorias técnicas, 
no qual, os níveis de produção permaneceram os mesmos até a Idade Moderna, 
demonstrando assim, que não houve uma mudança significativa nesse ponto.
Em contrapartida, no que se refere a economia, essa passou, por uma ampla 
transformação, uma vez que, por meio das grandes navegações e da colonização 
realizada, houve o crescimento do comércio, estabelecendo novos contornos na 
economia mundial por meio do modelo econômico conhecido como mercantilismo. 
A Idade Moderna, tornou-se, assim, um período no qual o capitalismo é estabelecido, 
ocorrendo nesse período a primeira Revolução, iniciada na Europa. Essas ações só 
foram possíveis, mediante o acúmulo de capital, por meio da amplificação do comércio. 
Ao que se refere a política desse período, também ocorreram mudanças 
significativas, dentre elas, a descentralização do poder ocorrida no período feudal, na 
Europa medieval, e do lugar ao poder centralizado. Resultando no surgimento do regime 
absolutista. 
Os acontecimentos ocorridos durante esse período, mudaram o rumo da história 
em definitivo, delineando os contornos, que permitem que a nossa sociedade atual, tenha 
a configuração que possui atualmente, por meio das conquistas realizadas durante esse 
período de transformações.
Deixamos, então, a chamada “Era das Trevas”, termo adotado pelos humanistas 
do século XVII, para retratar o que corresponde à o século IV ao século XV. Essa visão 
se deu devido aos diversos acontecimentos ocorridos nessa época, como invasões 
barbaras, epidemias, crises na agricultura, imposições da igreja católica, inquisição, caça 
aos hereges, desigualdade social e uma centralização da economia. 
 No que se refere a era de trevas, também se faz presente o estereotipo feminino e 
as implicações disso, uma enorme perseguição que perdura por cerca de quatrocentos 
anos, levando diversas mulheres a serem torturadas e queimadas vivas em fogueiras 
feitas em praça pública, pois a bruxaria era considerada assunto feminino. 
 O papel da mulher em determinados setores da sociedade como um todo é fruto de 
um processo histórico-cultural. Devido à extensão deste período histórico se torna quase 
que impossível relatar todas as possibilidades da constituição da imagem feminina. 
 Contudo, é possível notar que as mulheres assumiram papéis determinantes. A 
mulher era considerada como um ser muito próximo da carne(luxúria) e dos sentidos (por 
ter sido feita da costela do homem), devido a isso era uma pecadora em potencial. Pois 
todas elas descendiam de Eva, a culpada pela queda dos seres humanos. Eva concentra 
em si todos os vícios que trazem símbolos tidos como femininos, como a luxúria, a gula, 
a sensualidade e a sexualidade.
6
O pecado original foi um pecado de soberba, sendo o primeiro desvio da vontade. 
O arbítrio da vontade é verdadeiramente livre, em sentido pleno, quando não se faz 
mal. [...] mas depois do pecado original, a verdade se corrompeu e se enfraqueceu, 
tornando-se necessitada da graça divina. (REALE; ANTISERI, p.98, 2005).
 Na Europa Central, começaram a surgir rumores e pânico acerca de conspirações 
malignas, que teriam o intuito de destruir os cristãos através da magia e do envenenamento. 
Fala-se sobre conspirações e associações por parte dos judeus, muçulmanos, leprosos e 
as bruxas.
 Entre os anos de 1347 e 1350, a peste-negra se espalhou, devastando e vitimando 
grande parte da população europeia. Devido a estes acontecimentos, os rumores 
aumentaram os “olhares” e suspeitas recaíram sobre as supostas bruxas acusadas de 
propagar a praga. Os casos de processos por bruxaria foram crescendo gradativamente, 
até que os primeiros julgamentos em massa ocorreram no século XV.
 A Inquisição foi criada em meados do século XIII, era dirigida pela Igreja Católica 
e composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça aos 
dogmas da Igreja. Desse modo, esse período da Idade Média, fora assim chamado, por 
ser visto por muitos, como uma época de devastação e tormento. A Idade Média é vista, 
como uma época de trevas, ao adentrarmos na Idade Moderna, começamos a vivenciar 
mudanças nos campos ideológicos, filosóficos, econômicos e sociais.
As mudanças vivenciadas ocorreram não só nas formas em que as explorações 
eram realizadas, como também, nos âmbitos mais comuns das sociedades, como o modo 
de se portar a mesa. Trata-se de uma época em que as rotas passam a ser refeitas e 
os mapas a serem redesenhados, essa expansão se deu pelo novos continentes serem 
inseridos nos mapas. Essas alterações implementadas nos mapas, geram um sentimento 
de expansão, a partir da inserção dos novos continentes, como também, nos traz a 
sensação de encurtamento das distâncias, uma vez que, as novas embarcações e novas 
rotas possibilitam que essas incursões ocorram de forma mais precisa. 
As mudanças ocorridas nesse período, não transformaram apenas a vida da 
sociedade e as navegações. O pensamento ideológico também passa por um período 
transitório, de um lado a religião que sempre teve, e tem, até nos dias atuais, impacto no 
comportamento social, e abre espaço para o período conhecido chamado de a Era das 
luzes e o pensamento Iluminista que passa a semear a sociedade. 
É bem verdade, que por mais que essa época tenha sido marcada por mudanças e 
transições, alguns sentimentos não perdem totalmente a força, como a religião, que até 
os dias atuais impõe as suas doutrinas e influência sobre a nossa sociedade. Entretanto, 
saímos de um período marcado por tormentas, imposições e perseguições e adentramos 
em um período, no qual, o pensamento filosófico começa a ganhar força e permear a 
sociedade, por meio do Iluminismo. 
7
O Iluminismo foi um movimento intelectual ocorrido entre os séculos XVII e XVIII, que 
visava causar mudanças político, social e econômica para a sociedade. Seus pensadores 
acreditavam na propagação do conhecido, como uma forma de desvencilhar a razão 
do pensamento religioso. Isso não significa que os precursores desse movimento eram 
ateístas, mas, que possuíam a crença de que o homem chegaria a Deus por meio da 
razão e não somente pela religião. Segundo Falcon:
Iluminismo tanto pode significar a doutrina dos que acreditam na “Iluminação 
interior” ou mística, a qual para outros constituía uma espécie de manifestação 
“irracionalista”, quanto, justo o oposto, Iluminismo é sinônimo de “filosofia das 
luzes”, isto é, da chamada “iluminação racional”. (FALCON, 2004, p. 17). 
Acerca do Iluminismo, recomendo o presente vídeo que salienta acerca dessa corrente 
desenvolvida durante a concepção da modernidade. 
https://www.youtube.com/watch?v=WZyQyGKUlVk&t=12s 
Pensadores do Iluminismo
O Iluminismo foi formulado por vários pensadores, das mais diversas vertentes, 
mas, ambos partilhavam do mesmo pensamento, incentivar o progresso. É valido salientar 
os principais pensadores que faziam parte dessa corrente filosófica.
Figura 1: Voltaire.
 Fonte: Companhia das letras.
François Marie Arouet (1694-1778), conhecido como Voltaire, foi o filósofo 
francês, representante do Movimento Iluminista na França. Nascido em Paris, França, 
em 21 de novembro de 1694. Além de representante do Iluminismo, Voltaire, foi também 
historiador, poeta e dramaturgo. Membro da alta burguesia, foi um grande crítico do 
absolutismo dos nobres e essencialmente da Igreja.
Um dos seus escritos mais conhecidos, o qual lhe abriu as portas para o meio 
literário, foi a tragédia “Édipo”, na qual adotou o pseudônimo, pelo qual ficara conhecido, 
Voltaire. 
https://www.youtube.com/watch?v=WZyQyGKUlVk&t=12s
8
Defendia o ideal de que a monarquia constitucional inglesa e a tolerância religiosa 
deveriam ser implementadas em todas as nações europeias. Apesar de ser um grande 
crítico do Absolutismo, Voltaire, acreditava que uma monarquia centralizada na figura do 
rei, mas com a assessoria dos filósofos seria capaz de atuar em ações e reformas em 
favor da sociedade. 
Defensor das ideias liberais e dos direitos a liberdade de expressão e política. 
Mesmo sendo um grande crítico da Igreja, Voltaire não era ateísta, acreditava que Deus 
se fazia presente na natureza e no homem, e que por isso, seria possível “encontrá-lo” 
por meio da razão, e que por meio dela, o homem seria guiado para a sabedoria.
Figura 2: Denis Diderot. 
 Fonte: História Show.
Denis Diderot (1713-1784), nascido em Langres, na França, em 5 de outubro de 
1713. Foi um escritor e tradutor. Principal idealizador da “Enciclopédia”, simbolo iluminista, 
utilizado como material ideológico da Revolução Francesa. Em 1732, recebeu o título de 
mestre em Artes pela universidade de Paris, e acrescentou a sua formação o estudo de 
matemática, filosofia, leis e literatura. 
No ano de 1745, Diderot, trabalhou como tradutor da Cyclopaedia, do inglês 
Ephraim Chambers. Dela veio a sua inspiração para a escrita da “Enciclopédia”, que tinha 
como intuito, propagar os novos ideias, que iriam contra o conservadorismo do Estado e 
da Igreja, e que a partir desse manual, fosse destacado os princípios das ciências e das 
artes. 
Dedicou-se a essa obra por 16 anos e contou com a colaboração de 130 
colaboradores, dentre eles, Rousseau e Montesquieu. Durante esse período, Diderot, não 
atuou apenas como escritor, mas em grande parte, como supervisor dos colaboradores 
que atuavam com ele nessa tarefa. Essa foi publicada entre os anos de 1751 e 1772, 
contando com 28 volumes, sendo eles, 11 volumes de imagens e 17 volumes de texto.
9
Figura 3: David Hume.
 Fonte: Revista Oeste.
David Hume (1711-1776), nascido na Escócia em 7 de maio de 1711. Foi um diplomata 
escocês, historiador, filósofo e ensaísta. Conhecido pelo seu sistema filosófico radical, 
fundamentado no naturalismo, cetiscimo e empirismo. Tido como um dos representantes 
mais relevantes do empirismo radical e tendo grande destaque entre os filósofos do 
iluminismo moderno.
Hume foi acusado de heresia pela Igreja Católica, e teve suas obras elencadas aos 
livros tidos como proibidos pela Igreja. Suas teorias sofreram influência do empirista John 
Loock, criando assim a teoria filosófica que contradiz as crenças naturais do sentido comum. 
Sua teoria parte do pressuposto, que todo conhecimento só é possível por meio 
da trocade experiências, e que essas “impressões”, são obtidas por meio da consciência 
interna, que é proveniente da reunião de impressões. Em sua linha de raciocínio, questiona 
a existência da alma.
Ele questiona a crença de que existe um ser pensante dentro de cada ser humano, 
que seja idêntico a si mesmo. Segundo a sua concepção, existe apenas uma consciência 
que atua como forma de suporte, de modo que, ações provenientes da moral e da religião 
são apenas resultados dos hábitos adquiridos e que esses se baseiam no bem comum, 
que constitui o regimento social.
Figura 4: Immanuel Kant.
 Fonte: wikipedia
10
Immanuel Kant (1724-1804), nascido na Prússia Oriental, em 22 de abril de 1724. 
Foi um filósofo fundador da “Filosofia Crítica”, que visava determinar os limites da razão 
humana. 
Seu pensamento filosófico pode ser dividido em três momentos:
1. O período inicial, no qual o seu trabalho foi desenvolvido através da influência 
filosófica de nomes como Newton e Leibniz;
2. O segundo período, em que foi influenciado pela filosofia empírica de David 
Hume, onde passou a criticar a relação conhecimento e realidade;
3. E o terceiro período, onde Kant desenvolveu a sua própria filosofia, que ficou 
conhecida como “Dissertação”.
Sua corrente filosófica consiste em uma síntese, que vem a se sobrepor, sobre 
o racionalismo e empirismo, que, outrora, exerceram influência em seu pensamento 
filosófico. 
Através de Kant, surge o “Racionalismo crítico”, que visava determinar os limites 
da razão humana. Seu pensamento filosófico, ficou conhecido como “Idealismo 
Transcendental”, ou seja, aquilo que antecede a experiência. 
Figura 5: Adam Smith.
Fonte: Commons
Adam Smith (1723-1790), nascido na Escócia em 5 de junho de 1723. Foi um 
filósofo e economista, considerado o pai da economia moderna. Considero como o mais 
importante teórico do século XVIII no que condiz ao liberalismo econômico.
Para Smith, a única fonte de riqueza é o trabalho. Através de um estudo aprofundado 
acerca de investimento, formação e distribuição do capital, comprovou a sua teoria acerca 
do valor do trabalho. 
Segundo a sua concepção, em todo o sistema econômico, no qual houver uma 
livre atividade de seus indivíduos, essa se desenvolveria de forma harmônica, agindo 
conforme o modelo de crescimento, que atua de forma contínua, contribuindo para o 
crescimento geral das riquezas do país. 
11
Sua concepção teve como base, a conjuntura na qual trabalhadores e empresários 
possuíam o mesmo intuito, a busca pelo próprio interesse. Impulsionando assim, 
os trabalhadores a oferecer a sua força de trabalho aquele que ofereça uma melhor 
remuneração e ao empresário o ideal de conseguir o maior lucro, essa ação de oferta e 
demanda, vem a estabelecer assim a competição de mercado. 
Figura 6: Jean-Jacques Rousseau.
Fonte: Commons
Jean Jacques Rousseau, nascido em 28 de junho de 1712, em Genebra, Suíça. 
Foi um escritor, teórico político e filósofo social. Considerado um dos principais filósofos 
do Movimento Iluminista, no qual os ideais defendidos, influenciaram diretamente na 
Revolução Francesa. 
Rousseau, viveu no período no qual ocorria o domínio absolutista, ocupava todo 
o continente europeu e movimentos, como Iluminismo, visavam uma renovação cultural, 
defendendo uma reorganização social. 
Em seu discurso, defendia que o homem era naturalmente bom, e as condições 
as quais lhe eram impostas é que o tornava mau. Combatia a desigualdade oriunda dos 
privilégios, mas não se opunha à desigualdade natural, proveniente da inteligência, saúde 
e idade. 
Rousseau, em sua obra “Contrato Social”, defende que a única forma de garantir 
os direitos de cada indivíduo está na organização de uma sociedade, na qual os direitos 
básicos sejam cedidos a todos os membros da comunidade de forma igualitária por meio 
de um contrato entre os membros do grupo. Não implicando em uma perca da liberdade, 
essa subordinação ao Estado, fortalecia a sua liberdade. 
No que se refere ao Estado, trata-se de uma organização que represente a vontade 
geral e não ao modelo de governo já existente. Rousseau, foi um grande defensor do lema 
da Revolução Francesa: Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade).
12
Figura 7: Montesquieu
 Fonte: Commons
Charles Louis de Sécondat (1689-1755), nascido em 18 de janeiro de 1689, 
próximo de Bordeaux, França. Foi o escritor e filósofo conhecido como Montesquieu. 
Foi o teórico responsável pela doutrina, que, posteriormente, resultou na formação dos 
três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Atuou ativamente e foi um dos grandes 
representantes do movimento Iluminista. 
Montesquieu foi um dos pensadores iluministas que acreditava na tolerância 
religiosa, liberdade do indivíduo e combatia as instituições que atuavam desumanamente, 
como torturas e escravidão. Apesar de ser um grande nome do iluminismo, acabou por 
se afastar desse racionalismo, tido para ele como abstrato, para aprofundar-se na busca 
pelo conhecimento realista, cético e concreto. 
Segundo a sua concepção, o modelo de governo ideal não existia, uma vez que, 
esse não serviria todo indivíduo a qualquer momento. Em sua obra “O Espírito das Leis”, 
desenvolveu um conceito sociológico da lei e do governo, a fim de mostrar que ambas as 
estruturas dependem das condições as quais cada sociedade está inserida.
Destarte, para que ocorresse a criação de um sistema político sólido e atemporal, 
que atendesse a todas as camadas da sociedade, seria necessário levar em consideração 
o desenvolvimento socioeconômico e até mesmo as condições climáticas e geográficas. 
Para ele, a democracia era baseada na virtude, a monarquia na honra e despotismo 
no medo. Montesquieu acreditava que a democracia era viável em apenas pequenas 
repúblicas, rejeitava o despotismo e era favorável a monarquia constitucional. Sua filosofia 
influenciou o pensamento político moderno e foi de suma importância para os liberais 
que estavam à frente da Revolução Francesa, e a construção dos regimes constitucionais 
que vigoraram na Europa posteriormente. 
13
Figura 8: René Descartes.
 Fonte: Commons
O pensador iluminista René Descartes (1596-1650), filósofo, matemático e físico 
francês. Que foi considerado o pai do cartesianismo, ou pai do racionalismo, sistema que 
originou à Filosofia Moderna.
Para Descartes, a ordem e a clareza eram fundamentais, em sua filosofia, 
propôs que nunca se acreditasse no falso e que a mesma fosse sempre pautada 
única e exclusivamente, na verdade. Descartes fundou o “Pensamento Cartesiano” ou 
“Racionalismo”. Para ele, se o homem se propõe a investigar a verdade, deve começar 
pelo seu próprio intelecto.
Sua principal obra, “O discurso sobre o método”, é uma obra matemática e filosófica, 
na qual, é apresentado o seu método de raciocínio, pautado na sua celebre frase: “Penso, 
logo existo”, pela qual toda a sua filosofia é baseada. Através dessa obra, defende que 
para ocorrer a compreensão do mundo, tudo deve ser questionado. E propõe quatro 
regras para alcançar o conhecimento:
O primeiro era de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conheces-
se evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e 
prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentassem tão clara 
e tão distintamente a meu espirita, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo 
em dúvida. 
O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas 
parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las. 
O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos 
mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por 
degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem 
entre os que não se procedem naturalmente uns aos outros.E o último, o de fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão 
gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir.” (DESCARTES, René. 1944, p. 53-
54.)
Com a difusão desse pensamento passamos a vivenciar uma ruptura entre 
a sociedade e o poder absoluto da Igreja, uma vez que, a partir do momento em que 
começa a ocorrer a separação entre o pensamento e a religião, fosse de encontro ao 
que pregava a Igreja Católica e os governos que atuavam de forma autoritária. Assim, 
conforme defendido por ele, o questionamento sobre as imposições e doutrinas passam 
a ocorrer.
14
A corrente iluminista foi importante também para o desenvolvimento do humanismo 
e da ciência. Os pensadores iluministas, também foram atuantes, no que se refere aos 
questionamentos sobre os governos absolutistas, atuando assim, na defesa da liberdade 
política e individual.
A economia não fora deixada de lado, os ideais manifestados através da figura 
do pensador Adam Smith, foram utilizadas para substituir o modelo mercantilista, que 
vigorava nesse período. 
O pensamento iluminista acreditava não só no intelecto, mas, no progresso, justiça 
social, igualdade e liberdade, para que assim, não ocorresse um engessamento, de modo 
que, os mais diversos grupos possam possuir uma ascensão social, gerando, assim, a 
descentralização do poder e da economia. 
Sociedade Estamental
 Vamos fazer uma viagem sobre o tempo, e retomar a Idade Média europeia, e salientar 
acerca do seu contexto econômico e social. Esse mergulho na história é necessário para 
que façamos a compreensão do que foi a Sociedade Estamental e o que ela implica na 
concepção da formação do Estado Moderno.
A sociedade estamental é caracterizada por ser uma sociedade na qual a condição 
do seu nascimento, predestina a atribuição do status social que o indivíduo exercerá 
perante a sociedade. Dentro desse contexto, a sociedade era subdivida em estamentos, 
de acordo com a classe social a qual fazia parte e dos privilégios conquistados.
 Essa estruturação social era estabelecida a partir dos bens e dos prestígios 
adquiridos mediante as tradições familiares, o indivíduo estava predestinado a agregar 
uma determinada classe social, desde o seu nascimento, essa predestinação ocorria 
basicamente de forma imutável, ou seja, a mobilidade social era baixa nesse modelo de 
sociedade, basicamente não ocorrendo uma ascensão social.
 A simbologia trazida pelo triangulo social, acompanha diversos momentos da 
concepção da nossa história, não diferindo nesse período, ao que se refere a sociedade 
estamental, como ocorre no regime absolutista, o rei ocupa o todo de todas as pirâmides 
sociais, sendo seguido pelas demais camadas que compõem a sociedade. 
15
Figura 9: Sociedade Estamental. 
Fonte: SlidePlayer
Para Weber, a sociedade pode ser compreendida por meio do conjunto das ações 
realizadas individualmente. Sendo essa, toda e qualquer ação realizada pelo indivíduo, 
orientado pelas ações do outro, ou seja, apenas existindo ação social, quando um ocorre 
algum tipo de interação social, por meio da sua ação para com os demais. 
Segundo Weber (1974), a estratificação por estamentos tende a ser favorecida 
quando as bases da aquisição e distribuição de bens são mantidas de modo estável. 
Entretanto, quando essas transformações econômicas, advindas de processos 
tecnológicos, modificam a dinâmica de tais bases, a situação de classe passa a ser 
evidenciada em relação aos grupos de status. “E toda diminuição no ritmo de mudanças 
nas estratificações econômicas leva, no devido tempo, ao aparecimento de organizações 
estamentais e contribui para a ressurreição do importante papel das honras sociais” 
(WEBER, 1974, p.226).
Partindo dessa concepção, esse status que o indivíduo apresenta perante a 
sociedade, pode ser entendido com um prestígio social, entretanto, partindo de um 
ponto de vista sociológico, podemos entender, como o lugar que esse indivíduo vem 
a ocupar em determinado sistema social, sendo esse maior ou menor, dependendo da 
posição que o mesmo ocupa. No que se refere a sociedade estamental, esse status não 
é atribuído apenas ao sujeito, mas ao estamento que ele ocupa.
A concepção da sociedade estamental se deu em meados dos séculos V e IX, no 
período compreendido como a Alta Idade Média. Durante esse período a Europa passou 
por diversas transformações econômica e sociais em decorrência da crise ocorrida no 
Império Romano. Surgindo assim, o regime feudal, no qual a divisão social ocorria por 
classes e também por meios dos acordos realizados entre o senhor feudal e os servos. 
Esse modelo societário é característico da Idade Média, mas, estende-se a outros 
períodos da história, como a concepção atual do Estado Moderno. Algumas ações 
provenientes do regime absolutista favorecem a construção dessa sociedade estamental, 
como a divisão do trabalho social, a cobrança de impostos e a distribuição de riquezas. 
16
Mesmo ocorrendo uma baixa mobilidade social durante esse período, essa ação 
poderia ocorrer por meio de transições familiares, compra de títulos e pelo casamento 
entre membros de classes tidas como superiores, mediante a subdivisão social. É 
possível observar, por exemplo, o casamento entre membros da nobreza, que estavam 
com suas riquezas comprometidas, como membros da burguesia, favorecendo assim a 
sua ascensão social e manutenção da riqueza.
[...] percebe-se que a situação estamental, como subtipo da dominação tradicional, 
abrange uma relação entre indivíduos e grupos, os quais desfrutam privilégios 
e honra social, os quais não dependem necessariamente da hereditariedade. Os 
interesses políticos, misturados aos econômicos e, sobretudo, a perpetuação 
no poder são cada vez mais importantes para explicar o comportamento dos 
indivíduos e dos governantes. Assim, fica explicita que a situação estamental se 
desenvolve em sociedades onde as condições econômicas, sociais e políticas são 
frágeis [...] (TAVARES & FONSECA, 2009, p.62)
 A sociedade estamental está diretamente vinculada ao Estado Patrimonial, originada 
nos Estados da Europa, tipificada como uma forma organizacional, em que o que se 
refere ao poder publico e privado, no que concerne ao governante, não possui distinção, 
uma vez que o mesmo, entende como seu direito usufruir dos bens públicos, como se 
esses fossem seus, sem que ocorresse uma prestação de contas, como salienta Tavares 
& Fonseca: 
[...] o Estado patrimonial e estamental corporifica uma forma de dominação que, 
ao contrário da dinâmica da sociedade de classes, projeta-se de cima para baixo. 
Todas as camadas sociais, desde artesãos e jornaleiros aos lavradores e senhores 
de terra, assim como comerciantes e armadores, orientam suas atividades dentro 
das raias permitidas, respeitando os preceitos determinados pelo controle superior 
e submetendo-se às regras convencionais fixadas. Sintetiza Faoro: “os estamentos 
governam, as classes negociam. Os estamentos são órgãos do Estado, as classes 
são categorias sociais (econômicas).” (TAVARES & FONSECA, 2009, p. 63)
 O modelo de sociedade estamental vivenciado pela Europa, era subdividida em 
clero, nobreza e servos, onde os nobres ocupavam o primeiro estado, o clero o segundo 
e os servos, compostos pela burguesia e demais camadas da sociedade, ocupavam o 
terceiro estado. 
 Como destaca Jaguaribe, havia “os que oravam (oratores), os que lutavam 
(bellatores) e os que trabalhavam (laboratores). Ainda, segundo ele, registra-se que o 
“bispo Adelberonte de Leon constatava que a sociedade cristã estava dividida e, três 
ordens, que ele considerava necessárias e complementares, cada uma delas prestando 
serviços indispensáveis às outras duas”. (JAGUARIBE, 2001, p. 408).
 Essa subdivisão é relacionada as riquezas e ao prestígio social que esses possuíam. 
A aceitação e a designação social eram diretamente relacionadas pela Igreja como sendo 
parte da vontade de Deus, onde cada um estava no lugar predestinadopor Ele.
 Dessa forma, no topo da pirâmide encontrava-se o clero, esse era composto pelos 
líderes religiosos, categoria essencial no ponto de vista religioso, para a manutenção do 
poder ideológico, que atuava diretamente junto ao poder real. Sua função dentro desse 
estamento era zelar pela vida espiritual dos indivíduos.
17
 Os nobres possuíam o reconhecimento de que eram superiores a plebe, que 
compunha o último estamento. Seu título de nobreza e o reconhecimento do mesmo só 
ocorria com a aprovação do rei, o qual podia condecorar os indivíduos que considerasse 
merecedor de tal honraria. Esses eram os responsáveis pela defesa do reino em situações 
de batalhas. 
 A plebe, localizada na base da pirâmide, vislumbrava uma melhor condição 
de vida, diferente daquela que lhe era imposta. Estava preso ao trabalho, subordinado 
ao pagamento de impostos. Aqueles que nasciam pobres, carregavam esse estigma ao 
longo da vida, uma vez que a mudança de classe social, basicamente não ocorria.
Apenas após as transformações político, social e econômicas ocorridas, dentre 
elas, o questionamento do poder absolutista, a liberdade da expressão religiosa, como 
também o desenvolvimento do capitalismo, que permitiram o desmonte das bases 
estamentais, permitindo assim uma mobilidade social. 
É possível destacar que a sociedade estamental passa a ruir a partir do surgimento 
de uma sociedade de classes, a qual, por meio da divisão do trabalho social, permite 
que ocorra o trânsito entre as pessoas das mais diferentes classes sociais, deixando, 
assim, de ser utópica e passando a ser algo próximo à realidade. 
 Entre os fatores que contribuíram para o fim desse modelo social é o início da 
sociedade de classes. A crise ocorrida com o declínio do sistema feudal, o crescimento 
das cidades medievais, intensificação do comércio, bem como as transformações 
ocorridas no campo religioso, político, cientifico e cultural, contribuíram para o declínio 
desse modelo, influenciando diretamente no comportamento social.
 Ao longo desse processo histórico-cultural, a transição do feudalismo para o 
capitalismo, é um dos fatores determinantes, entre as causas, que estabelece o lugar 
social que o indivíduo ocupa conforme a sua condição socioeconômica. Mesmo com as 
mudanças ocorridas no modo de vida, como a possibilidade de uma mobilidade social, 
ainda ocorre a divisão de classes, estando os mais abastados no topo da hierarquia, pois 
concentra riquezas e os menos favorecidos, ocupando a classe mais baixa, sendo a sua 
maioria composta por trabalhadores. 
 Em decorrência dessa divisão de classes sociais, a desigualdade entre os 
indivíduos, por mais que pareça algo da história contemporânea, remete a esse período, 
muito embora a condição econômica seja um dos critérios determinantes no modelo de 
vida obtido pelo sujeito, não é o único fator que determina o seu lugar na nova pirâmide 
social existente.
 Ainda dentro desse contexto, muitos critérios são levados em consideração, para 
que essa definição social ocorra. Essa conceitualização da estratificação social, está 
diretamente ligada a uma série de fatores, para diferentes sujeitos, como a sua crença 
religiosa, idade, gênero, profissão, educação, dentro outros. Tomando como base o seu 
status e poder aquisitivo, mas sem deixar de lado os outros pontos que compõe a sua 
heterogeneidade.
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 Nos dias de hoje, vivenciamos esse período transitório, no qual as classes menos 
favorecidas da nossa sociedade anseiam por uma ascensão social, por mais, que não 
vivamos, em uma sociedade dividida, entre clero, nobreza e plebe, existem divisões sociais, 
em nossa sociedade atual, somos divididos em classe alta, média e baixa, em outras 
sociedades essa divisão ocorre por meio de castas. Mesmo não ocorrendo a subdivisão 
ocorrida anteriormente, essa ainda se faz presente, mas, sendo rompidas, dia após dia, 
mediante a mobilidade social existente dentro da nossa sociedade contemporânea. 
 
Recomendo o presente vídeo, que traz uma síntese sobre o que é a sociedade 
estamental e a sua ligação com os dias atuais. 
https://www.youtube.com/watch?v=dWS_57hu3W0&t=77s 
Formação do Estado Moderno
 Antes de salientarmos acerca da concepção do Estado Moderno, é valido ressaltar, 
que a ideia do que é um Estado, surge em meados do século XIII, como uma forma de 
demonstrar a soberania europeia, enquanto organização política. Com o passar das eras, 
essa configuração foi se tornando cada vez mais complexa, sofrendo modificações nos 
valores que a fundamental, conforme as necessidades do período atual.
 O Estado Moderno origina-se com o Estado Absolutista, ao apresentar uma solução 
aos problemas que surgem com desintegração do sistema feudal. Essa passagem do 
medievo para a modernidade, careceu da intervenção governamental, como meio para 
superar a crise enfrentada pela Europa no final do século XVI. 
 Como consequência do fim da unificação da Igreja Católica e da fragmentação do 
poder existente nas relações feudais, o Estado Absolutista surge como uma solução à 
vulnerabilidade criada pelas guerras religiosas e pela desintegração do feudalismo.
 Destarte, é possível constatar, que a adversidade enfrentada no processo de transição 
para a modernidade, não se limitava ao exercício do poder político, mas na imposição 
realizada com o intuito de superar a instabilidade social ocorrida em decorrência do 
declínio do feudalismo.
 Durante o seu auge, o feudalismo destacou-se por ser uma unidade organizacional 
político e econômica, mas, na qual, ocorrida uma fragmentação no poder político exercido, 
uma vez que não havia a formação de um Estado, apenas a Igreja, atuando como uma 
estrutura institucional, o que vinha favorecer a sua hegemonia, ou seja, o direito não era 
determinado pela política e sim através da tradição imemorial e por meio das instituições 
religiosas.
 Nesse período, apesar do rei ocupar o topo da pirâmide social e ser tido com o 
detentor do poder, possuindo uma simbologia importante na sociedade, como na política, 
o poder exercido pela Igreja Católica se sobressai ao poder exercido pelo monarca, uma 
vez que, essa passa a ganhar força, como também a concentrar riquezas, assumindo 
assim, um papel social importante, uma vez que cabia a igreja definir os direitos e deveres 
de cada membro da sociedade. 
https://www.youtube.com/watch?v=dWS_57hu3W0&t=77s
19
 Para Paolo Grossi, o cenário sociopolítico desse período pode ser análogo a uma 
teia, ou a uma rede de articulações, constituída por diversas articulações sociais que 
estão interligadas, como corporações religiosas, estamentais, profissionais e familiares. 
Segundo ele, “um florescer vital e virulento que impede a condensação intensíssima do 
Estado”. (Cf. GROSSI, 2010, p.49.)
 Com a formação da idade moderna, essas relações começaram a deteriorar, 
causando uma crise em toda a sua estrutura econômica, política e social do feudalismo. 
Como saliente Matteucci, esse declínio do feudalismo, se deu por diversos fatores, como 
o crescimento econômico, que vinha a favorecer o surgimento de novas classes sociais, 
causando o rompimento do equilíbrio da sociedade estamental.
 Esse processo transitório, do medievo para a era moderna, entretanto, não ocorreu de 
forma serena. No século XVI, a estrutura instituída pelo feudalismo entra em decadência, 
seguido pelo fim da hegemonia da Igreja Católica, através da reforma protestante, fez 
com que esse processo transitório fosse marcado por um período de extrema violência. 
 No decorrer desse período, o processo inquisitório foi restabelecido e reformulado 
com o intuito de combater a reforma protestante. Destarte, como salienta Francisco 
Bethencourt, entre as justificativas presentes na bula do Santo Ofício, constava a 
motivação de conter o rompimento coma unidade estabelecida pela Igreja Católica. 
 Dentro desse contexto, essa formação estatal surgiu como forma de ultrapassar a 
estrutura politico e social existente no medievo, colocando-se em um patamar superior em 
qualquer comparativo com modelo institucional existe naquele período, por meio dessa 
concepção de um estado moderno concebido através do absolutismo, tornou-se nesse 
contexto, o único sujeito político, capaz de estabelecer a ordem entre o comportamento 
do indivíduo e faz forças sociais. 
 Ofertando, assim, melhores condições para uma pacificação interna, mediante a 
instauração do seu poder. A modernidade, apresenta a concepção do Estado Moderno, 
como um meio de pacificar as relações sociais existentes e proporcionar que a política se 
sobressaísse as todas as incongruências sociais existentes durante esse período. 
 A partir dessa injunção, o Estado passa a dominar, todas as formas de poder 
existentes durante o regime feudal, instituindo uma nova ordem pública, na qual a política 
passa a atuar ativamente, sendo esse um rompimento com a antiga concepção que 
existia durante o período medieval, que fundamentava todas as ações através do divino.
 Diversos filósofos defendiam que os regimes políticos, que corroboravam com 
a garantia dos valores e costumes que esses consideravam como corretos. A exemplo 
de Maquiavel, que acreditava que para a sobrevivência e manutenção do Estado, era 
preciso que o seu soberano agisse de forma rígida, governando com punhos de ferro. De 
acordo com Maquiavel, princípios éticos, como honestidade e transparência, não eram 
aplicados aos governantes, uma vez que esses “eram livres” para governar, sem que 
houvesse uma prestação de conta. 
Outro filosofo defensor da soberania exercida pela monarquia, foi o inglês Thomas 
Hobbes, que em sua teoria, o Estado deveria ser uma entidade a ser temida pelo povo. Hobbes 
teve seu pensamento fortemente influenciado pela insegurança causada pelos conflitos 
religiosos, que dentro desse contexto ameaçavam a dissolução da organização estatal. 
20
 Essa construção de que o Estado era soberano, na crença desses pensadores, 
era fundamental para que houvesse a existência de uma sociedade harmônica. Partindo 
desse pressuposto, as bases que originaram o Estado, ansiavam por uma estrutura solida, 
que as governassem sem que esses ficassem a mercê do caos. 
Dentro desse contexto, de formação e fortalecimento do Estado, que Hobbes, criou 
a sua obra O Leviatã, sendo essa fundamental para o fortalecimento do Absolutismo, 
essa obra tinha como intuito auxiliar na compreensão da conjuntura política desse 
período. Essa formulação teórica, na qual o poder estatal deve ser exercido de forma 
absoluta, acima das contradições religiosa.
 Destarte, a relação entre o direito e a política, passa a ser alterado durante a 
modernidade, passando para o Estado, a validade do direito, a partir de uma suposta 
superação da fundamentação teológica exercida pela influência da Igreja. Durante um 
longo período, a autoridade estatal esteve diretamente ligada a divina, “justificado” assim 
a submissão aqueles que estavam no poder, uma vez que, a figura do monarca, era tida 
como uma figura ligada ao divino e que estava naquela posição segundo a vontade de 
Deus.
 Hobbes não favorece exatamente uma monarquia arbitrária, ou um poder exercido pela 
monarquia, que defende o direito divino, e sim, o fortalecimento da organização estatal, 
para que esta tivesse condições de alcançar o máximo de eficiência na pacificação social, 
já que, segundo ele, onde não houvesse a imposição do poder estatal seria praticamente 
impossível a prevalência da lei e da ordem.
 Seu pensamento foi fortemente influenciado, pelo julgamento negativo sobre a 
natureza humana, não partindo do mesmo pressuposto do pensamento medieval, mas, 
por acreditar que o ser humano é mal por natureza, naturalmente agressivo, fortemente 
ligado a carne, a soberba e o poder, que segundo ele, justificaria a imposição da política 
por meio do Leviatã, constituída como única instituição com condições de impor a pax 
social.
 Durante todo o século XVII, ele se dedicou a reflexão e a formulação de resoluções 
de problemas, que viessem a desencadear problemas ao poder exercido na sociedade 
estatal. Essa concepção foi formulada durante o período em que a Inglaterra atravessa 
uma crise sócio-política, na qual ocorriam as disputas entre o rei e os tribunais e, ao 
mesmo tempo, as disputas entre o rei e o parlamento.
 O Leviatã foi proveniente dessa conjuntura, produzido pela razão e construído 
por sujeitos que visavam preservar o maior bem existente entre os homens, que é a vida, 
já que, segundo Hobbes “[...] durante o tempo em que os homens vivem sem um poder 
comum capaz de mantê-los a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a 
que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”.
 À vista disso, a modernidade apresentou o Leviatã como um agente pacificador sobre 
as relações sociais, propiciando que a política se sobrepusesse a todas as contradições 
sociais existentes naquele período. Através dessa imposição que o Estado passou a 
subjugar todas as formas de poder existentes no regime feudal, possibilitando com que a 
21
nova ordem pública e o direito passassem a ser instituídos somente pela política, gerando 
um nítido rompimento com a antiga concepção medieval que fundamentava toda ordem 
jurídica em sua origem divina.
 O processo transitório ocorrido sobre o pensamento e teoria política consolida-se 
no decorrer dos séculos sequentes. A atuação popular e a limitação do poder exercido 
pelos monarcas, constituiu-se por um processo gradual e árduo, confirma por meios 
das lutas e revoluções. Destarte, as reivindicações populares diante dos abusos estatais 
ocorrem até os dias de hoje, de modo que, podemos evidenciar a insatisfação dos 
cidadãos mesmo em um Estado social e democrático de direito.
Em consequência dessas ações surgem as teorias da Soberania Nacional e 
Popular. A teoria popular afirma que:
A soberania popular, segundo o autor do Contrato Social e seus discípulos, é tão 
somente a soma das distintas frações de soberania, que pertencem como atributo 
a cada indivíduo, o qual, membro da comunidade estatal e detentor dessa parcela 
do poder soberano fragmentado, participa ativamente na escolha dos governantes. 
(BONAVIDES, 2004, p. 130).
Sobre o que se refere a Soberania Nacional, o poder passa para o que se entende 
por nação, esses representantes eleitos, falam em nome do povo:
A Nação surge nessa concepção com depositária única e exclusiva da autoridade 
soberana. Aquela imagem do indivíduo titular de uma fração de soberania, com 
milhões de soberanos em cada coletividade, cede lugar à concepção de uma 
pessoa privilegiadamente soberana: a Nação. Povo e Nação formam uma só 
entidade, compreendida organicamente como ser novo, distinto e abstratamente 
personificado, dotado de vontade própria, superior às vontades individuais que o 
compõem. (BONAVIDES, 2004, p. 132).
Com o fim da Idade Média e advento da Era Moderna, vimos essas teorias 
questionadas, principalmente, através dos pensadores iluministas, que buscavam a 
separação do divino para a razão. 
Ao limitar o poder do Estado e configurar a lei, racionalmente, nos Estados 
democráticos, essa configuração seria fruto da vontade dos indivíduos representados 
enquanto nação. Deixando assim de obedecer à vontade do Monarca. Através da sua 
representação de Estado, mas sim, pautado na razão. 
Desse modo, o súdito, passa agora a ser cidadão, passa a não mais obedecer a 
“vontade de Deus” através da figura do rei, mas leva a sua razão, o ser pensante, como 
principal fator. 
A formação do Estado Moderno surgiu por meio da junção dos feudos existentes 
no continente europeu. Sua formação pode ser dívida em quatro estágios: o estadomoderno, estado liberal, crise no estado liberal e estado democrático liberal. A partir do 
desenvolvimento do capitalismo mercantil é possível identificar essa configuração em 
quatro países: Portugal, França, Inglaterra e Espanha. 
Nessas nações, o Estado Moderno surge a partir da segunda metade do século 
XV, posteriormente, essa concepção vem a se alastrar por outros países da Europa, como 
a Itália. O Estado Moderno, pode ser caracterizado por:
22
● Poder único;
● Um só exército;
● Autoridade soberana do rei;
● Administração e justiça unificada;
● Criação do sistema burocrático.
 Essa constituição de poder forma o Estado Moderno, imbuído de capitalismo. 
Segundo Faoro: 
A sociedade capitalista aparece aos olhos deslumbrados do homem moderno, 
como a realização acabada da história – degradadas as sociedades pré-capitalistas 
a fases imperfeitas, num processo dialético e não mecânico, de qualquer sorte, 
substituindo o fato bruto ao fato racional, que bem pode ser o fato idealizado 
artificialmente. (FAORO, 2008, p. 869).
O Estado Moderno caracteriza-se através dos regimes já existentes no que 
antecedem as revoluções desse período, dessa forma, por qual razão explicitar essa 
configuração? Esses eventos foram apenas alguns dos responsáveis pelas mudanças 
ocorridas no Estado Moderno. A partir deles, houve a racionalização das relações sociais 
em termos jurídicos. As relações de troca e propriedade, transmissão de bens, relações 
de trabalho e o conceito de cidadão e civilidade foram, enfim, determinadas e organizadas 
pelo aparato constitucional.
Situar o problema em termos de Estado significa continuar situando-o em termos 
de soberano e soberania, o que quer dizer, em termos de Direito. Descrever 
todos esses fenômenos do poder como dependentes do aparato estatal significa 
compreendê-los como essencialmente repressivos: o exército como poder de 
morte, polícia e justiça como instâncias punitivas, etc. Eu não quero dizer que 
o Estado não é importante; o que quero dizer é que as relações de poder e, 
conseqüentemente, sua análise se estendem além dos limites do Estado. Em 
dois sentidos: em primeiro lugar, por que o Estado, com toda a onipotência do 
seu aparato, está longe de ser capaz de ocupar todo o campo de reais relações 
de poder, e principalmente porque o Estado apenas pode operar com base em 
outras relações de poder já existentes. O Estado é a superestrutura em relação 
à toda uma série de redes de poder que investem o corpo, sexualidade, família, 
parentesco, conhecimento, tecnologia, etc. (FOUCAULT, Michel, 1980, p. 122).
Quando nos referimos a construção da legitimidade do Estado e o seu papel 
perante a sociedade. A legitimidade do poder obtido pelo Estado faz com que ocorra um 
debate acerca dessa temática, desde os pensadores clássicos até os mais modernos. O 
sacrifício da liberdade individual em obediência a um ser tido como soberano.
Para compreender o processo de concepção do Estado Moderno, é necessário que 
estejamos alinhados quanto ao conceito de sociedade, e ordenar as suas conjunturas, 
salientar que esse processo pode ocorrer de forma não estatal e estatal. Realizando uma 
análise acerca dos agentes envolvidos dentro desse contexto, como sobre a manutenção 
da ordem.
Segundo Strayer, o modelo Europeu de Estado Moderno surgiu por homens que 
nada sabiam do Extremo Oriente, embora sabedores de alguns conceitos Romanos 
e Aristotélicos, criaram um Estado próprio, o tipo de Estado que criaram acabou por 
funcionar melhor do que a maioria dos antigos modelos.
23
A soberania exercida pelo Estado Moderna, não permitia qualquer outro tipo de 
autoridade quanto ao seu poder. O Estado dentro desse contexto estava atuando como 
um aparato para a sociedade, mas, não estava vinculado a ela. Distinguindo-se da relação 
com o regime feudal, no qual o senhor era detentor de tudo aquilo que estivesse em sua 
terra, no Estado Moderno, o senhor é apenas uma identidade que representa soberania, 
sendo o Estado o detentor de tudo.
O Estado se consolida assumindo a obrigação do Direito, sendo este o poder 
que será aplicado pelos representantes dele. Como explicita Held, o Estado Moderno é 
envolvido por uma ordem impessoal, legal e constitucional, regulamentado através de uma 
autoridade, o qual define uma natureza, controle e a administração de uma comunidade.
É valido ressaltar que a noção acerca de território, e algo essencial, dentro desse 
contexto, no que se refere a existência do Estado, enquanto lugar, pois, sem a existência 
de um espaço físico, o Estado não existe, ainda que dentro desse contexto, seja possível 
se falar em nação, uma vez que, ocorre o compartilhamento de uma cultura, mas sem 
a presença de um território, ainda que ocorra uma organização política, existe a nação, 
mas não o Estado.
Entende-se, então, que o Estado Moderno possui intensa relevância para estabelecer 
um governo centralizado e soberano que por mais que possua diversos princípios 
transformados por conta das revoluções burguesas e populares e pelas mudanças 
ocorridas na forma de se enxergar o mundo e o ser humano ao longo da história 
permanece até os dias atuais.
 Para que essa concepção atual existisse, o Iluminismo possuiu forte influência 
nesse processo transitório. Uma vez que, os ideais defendidos por essa corrente, fizeram 
aflorar as demandas sociais em relação ao Estado. O pensamento defendido por esses 
filósofos, abriu caminho para as demandas sociais. 
 Montesquieu, foi um dos responsáveis, pela teoria que estruturou a maneira com que 
o poder, é gerido nos Estados Modernos. O iluminismo disseminado por esses filósofos, 
foi responsável pela utilização da razão na fundamentação das diretrizes adotadas pelo 
Estado. Ao priorizar a razão, foram retiradas da conceitualização do Estado as relações 
coma religião, surgindo assim, a concepção de Estado Laico, adotada até os dias atuais, 
em diversos países.
 Essa racionalização trouxe também uma busca maior, pela formulação de 
leis e amparo legal que garantissem os valores defendidos pelo iluminismo em vigor na 
concepção atual do Estado. Princípios como felicidade e liberdade, passam a fazer parte 
da constituição, como um direito garantido, a todos os membros dessa sociedade, a qual 
tal constituição é formulada. 
 Destarte, é possível traçar uma ponte, entre a concepção do Estado Moderno em 
sua essência, e o que conhecemos nos dias atuais. Esse é resultante das mais diversas 
incursões ocorridas na política, de forma direta ou indireta, sobre as teorias realizadas 
acerca desse assunto ao longo das eras, por todos os seres que vieram a atuar dentro 
desse contexto. 
24
 É importante ressaltar, que todas essas ações ocorreram, por meio desses 
movimentos realizados pela sociedade que estavam insatisfeitas, bem como, sobre a 
necessidade de mudança, que passou a existir em decorrência dessa insatisfação 
popular, que fez com os modelos de governo absolutista viessem a decair, dando assim 
início ao Estado Moderno.
 A concepção do Estado Moderno, passou por diversos fatores que culminaram na 
sua concepção, essas mudanças, não ficaram restritas a esse período da história, essas 
alterações ocorreram e ocorrerem até hoje, gradativamente, conforme as necessidades 
e mudanças ocorridas na sociedade que fazemos parte. Essas alterações ocorrem de 
forma contínua, e vão sempre ocorrer, pois, não vivenciamos uma sociedade estática, 
vivemos em um mundo de constante transição, sendo assim, o Estado sempre será 
forjado conforme a sociedade que o compõe, para que esse venha a sempre atender, e 
garantir o bem da social.
Sobre a concepção do Estado Moderno e a sua importância, recomendo o seguinte 
vídeo, para uma síntese acerca desse período.
https://www.youtube.com/watch?v=ASWVvAyLy74 
https://www.youtube.com/watch?v=ASWVvAyLy74
25
A N T I G O R E G I M E E S E U S P I L A R E S 
Introdução ao Antigo Regime
AntigoRegime foi a denominação da estrutura do sistema político e social que 
antecedeu a Revolução Francesa. Essa expressão foi criada pelo líderes dessa revolução, 
como um termo que possuía uma conotação negativa, pois, representava o absolutismo 
e suas características, políticas e socioeconômicas. 
Esse regime não ocorreu apenas na França, mas em outros países da Europa, que 
possuíam o mesmo sistema político. O governo era aristocrático, e seu poder estava 
centralizado em um monarca, na figura do rei ou do imperador.
Para os integrantes dessa revolução, o novo regime implantado na França, 
representava tudo que poderia existir de benéfico para a sociedade, defendendo valores 
como democracia, justiça social, liberdade, participação do povo na política, liberdade 
de expressão e igualdade de direitos, valores opostos ao que faziam parte do Antigo 
Regime.
A política do Antigo Regime era caracterizada pelo Absolutismo consistindo, assim, 
em uma centralização na autoridade política. No que se refere a figura do monarca, além 
da centralização dos poderes e da riqueza, encontrava-se também a unidade religiosa. 
Acreditava-se que o rei havia sido designado por Deus para liderar a nação.
Essa crença se fortalecia a partir da convicção, de que a figura do rei era uma 
figura sagrada, que possuía poderes curativos, apenas com o seu toque seria possível 
curar uma pessoa enferma. 
No que se referia aos interesses de ambas as camadas sociais, em âmbito nacional, 
os representantes de cada parte da pirâmide social podiam reunir-se com o monarca para 
discutir essas questões. Essa ação de receber os representantes das demais classes era 
uma forma de legitimar e realizar a manutenção do seu regime, mesmo sendo dele a 
última palavra.
Figura 10: Luís XIV.
Fonte: DW
26
A formação do antigo regime, se deu em meados de 1453, após o fim da “Guerra 
de Cem Anos”. A Guerra de Cem Anos, fora um dos maiores conflitos da Idade Média, 
ocorrido entre França e Inglaterra. 
Ainda que possua esse nome, esse conflito, perdurou por mais de um século. 
Correspondendo ao período de 1337 e 1453, essa Guerra não é considerada como um 
dos maiores conflitos da época só por sua duração, mas também pelo impacto causado 
nos reinos centro desse conflito, como também em outras partes da Europa. 
Apesar de sua longa duração, não se tratou de um conflito contínuo, mas sim de 
vários embates, intercalado por diversas tréguas. Segundo Philippe Woolf, esse conflito, 
representa-se como a “fase mais dramática dos intermináveis conflitos anglo-franceses 
da Idade Média”.
A Guerra dos Cem Anos foi a última guerra do sistema feudal, tornando-se assim, 
a primeira guerra moderna. Além da disputa pelo trono francês, esse período foi marcado 
pela “Peste-negra”, que assolou grande parte da Europa. A Peste Negra, foi uma epidemia, 
que assolou a Europa, causando a morte de milhares de pessoas. Essa epidemia, durou 
cerca de seis anos, correspondendo o período de 1347 a 1353.
O surto de peste bubônica atingiu todo o continente europeu. Essa epidemia teve 
sua origem na Ásia Central e se alastrou, quando um navio contaminado atracou no porto 
da Criméia. Essa peste se espalhou por uma Europa, que se encontrava nos rastros de 
uma guerra, enfraquecida pela desnutrição que a sociedade se encontrava após as fortes 
chuvas, causando uma sequência de más colheitas.
O caos social gerado por essa enfermidade, não gerava distinção social, uma vez, 
que, todos tornavam-se vulneráveis aos efeitos causados por essa doença. Uma vez que 
a sua causa, prevenção, tratamento e cura eram desconhecidos. 
Sobre o que se refere a peste-negra, a narrativa de Decamerão constitui-se em 
um verdadeiro documento acerca da praga da peste-negra que devastou o continente 
europeu. O autor relata a doença (suas manifestações, sintomas e evolução), como 
também a forma com as pessoas encaravam a morte e a ineficácia da medicina e da 
religião católica predominante naquele período.
Desse modo, houve uma necessidade de reorganização político e social, pois, além 
da guerra e dos danos causados por ela, ainda houve a devastação causada pela peste.
Destarte, para haver uma consolidação, os monarcas do antigo regime, careciam 
de apoio político e financeiro, para consolidar as suas pretensões de expansão territorial, 
por meio da apropriação das colônias. Encontrando esse custeio através da burguesia. 
O antigo regime era constituído por três camadas principais: o clero, a nobreza e 
a burguesia.
●	 Clero, chamado Primeiro Estado, era constituído por: bispos, padres, monges, 
frades e abades. Representando cerca de 1% da sociedade, mesmo possuindo 
uma pequena porcentagem da população, esse grupo, possuía grande força, 
política e econômica. 
●	 Nobreza, conhecida como o Segundo Estado, era constituída pelos nobres 
que faziam parte da família real, ou daqueles que possuíam o título através da 
compra. Correspondendo acerca de 2% da população. 
27
●	 Burguesia, ou o Terceiro Estado, era composta por: trabalhadores do campo, 
comerciantes e profissionais liberais ou sans culotes. Essa camada correspondia 
a 97% da população. 
Figura 11: Pirâmide social.
Fonte: Zaranza (2011)
Por meio dessa separação social ocorria também a divisão no pagamento de 
impostos e do papel desenvolvido perante a sociedade. O clero e a nobreza eram isentos 
de impostos e apenas a camada ocupada pela burguesia desempenhava esse papel. 
O Primeiro Estado, controlado pelo clero, possuía não só o controle religioso, como 
também, respondiam pelos orfanatos, hospitais, maternidades e instituições de ensino, 
dessa forma, nada passava fora do controle exercido pela Igreja Católica.
Essa influência da Igreja, também se fazia presente, junto ao rei, onde seus 
conselheiros, desempenhavam funções dentro da Igreja. Os monarcas tinham os líderes 
religiosos como seus mentores espirituais e estavam sempre cercados dos altos escalões 
da Igreja Católica, como os cardeais, bispos e arcebispos. Além de conselhos espirituais, 
os monarcas aproveitavam-se para ficar cientes de que planos políticos que a Igreja 
possuía para a sociedade.
O clero era dividido pelo alto e baixo claro. Sendo o alto clero constituído pelos 
cardeais, abades, bispos e arcebispos, que atuavam como conselheiros real e era 
detentores de propriedades de terra e imóveis. E o baixo clero, formado por monges e 
padres, que atuavam nas pequenas cidades e zonas rurais, esses, não possuíam terras 
e bens. Por ser isenta de pagar impostos, a Igreja Católica, conseguia acumular riquezas 
e possuir diversos bens. 
Se de um lado tínhamos uma Igreja presente e influente no que se refere a todas as 
especificidades da sociedade, do outro, temos o rei, que se beneficiava das cerimônias 
religiosas, para reiterar o seu papel como representante de Deus na terra, valendo-se 
disso, para interferir nos assuntos eclesiásticos, fazendo sobressair-se mais uma vez, a 
sua vontade. 
28
O Segundo Estado era formado pela nobreza, ou seja, pelas pessoas que possuíam 
títulos e que ocupavam cargos junto ao governo. Essa camada pode ser dividida em dois 
grupos: a toga, composta pelos burgueses que possuíam títulos comprados da coroa, e 
o provincial, composto pelos nobres proprietários de terra. 
Os nobres exaltavam luxos e ocupavam cargos importantes no governo, mas, 
para que não viessem a criar rivalidades, mediante o poder exercido pelo rei, esse grupo 
passou a residir em Versalhes, na corte francesa, mantendo assim uma distância segura, 
mas, próximo aos olhos e poder do soberano. 
A divisão da nobreza também era realizada conforme a antiguidade do título 
recebido, pois, muitos de seus membros, possuíam títulos conquistados durantes as 
cruzadas. Nesse grupo também haviam os burgueses, que conquistaram essa condição 
por meio do casamento com nobres que estavam com baixas condições financeiras, ou 
através da compra de títulos. 
Como ocorria com o clero, esse grupo que correspondia a cerca de 2% da sociedade 
eram isentos dopagamento de impostos, e possuíam cargos junto ao governo francês. 
Entretanto, como o passar dos anos, a influência política exercida por esse grupo, passa 
a perder a força, como vem a ocorrer posteriormente com os membros do clero, com a 
ascensão do Iluminismo. 
Ao que se refere ao Terceiro Estado esse era composto pelo grupo que não se 
enquadrava nos requisitos de nobreza e que não faziam parte da Igreja Católica. O 
terceiro estado era composto por pessoas comuns, cerca de 97% da população, sendo 
esses os responsáveis pelo sustento da sociedade. 
Em sua composição estavam os burgueses, profissionais liberais, comerciantes e 
camponeses, que atuavam como os serviçais dos nobres da época. Recaia sobre eles 
a obrigação de realizar o pagamento dos impostos, ao qual, os membros do primeiros e 
segunda estado eram isentos. 
Uma tributação alta, fazia a manutenção dos três estados. Apesar de ser o único 
dos três grupos a realizar o pagamento de impostos, esses eram mal remunerados em 
suas obrigações e basicamente, não possuíam direitos, enfrentavam dificuldades para 
realizar a manutenção das condições mínimas para a sobrevivência, como a alimentação 
e vestuário. 
Cientes da constituição e divisão existente no Antigo Regime, podemos concluir 
que, esse, possuía um caráter estamental constituído pelo segmento de três pilares 
regimentais, atuando como uma forma de governo absolutista, que posteriormente, passa 
a vivenciar um caráter mercantilista e pôr fim a formação de uma sociedade estamental, 
como salientaremos a frente. 
29
Absolutismo
Quando falamos em absolutismo, logo, remetemos a um modelo de governo 
monarquista, no qual, o poder é centralizado nas mãos do monarca. Associamos 
diretamente a figura de Luís XIV, o “Rei Sol”, popularmente conhecido nos livros didáticos 
de história. 
Luís XVI, teve o reinado mais longo da história francesa. Reinando desde os 5 anos. 
O seu reinado durou por cerca de 72 anos, marcado pela centralização da monarquia e 
pela prosperidade econômica francesa. 
Por agir para que todas as coisas girassem em torno de si, segundo a sua vontade, 
conforme a frase icônica que o representa em grande maioria dos relatos acerca do seu 
reinado, “O Estado sou eu”, Luís XVI foi chamado de “O Rei Sol”. 
Nascido em 5 de setembro de 1638, filho do rei Luís XIII, com a rainha Ana da 
Áustria. O rei Sol, foi o primeiro filho do rei Luís XIII, que ansiava por um herdeiro a mais 
de dez anos. Luís XIV abriu assim, a descendência da sua família. 
Aos 5 anos de idade o seu pai vem a falecer e assim, Luís é consagrado como rei da 
França. Enquanto não completa a maior idade, para que venha a assumir as obrigações 
reais, a rainha assume a regência do país, junto com o ministro Jules Mazarin.
A maior idade foi declarada a Luís, aos 13 anos e assim, pôde assumir o seu papel, 
como de fato, rei da França. Por muitos anos, o seu reinado foi marcado pela influência 
da sua mãe e do cardeal Mazarin, que atuava como seu ministro.
Com a morte do religioso, Luís XIV, livrou-se do poder exercido pela sua mãe e 
declarou que a partir dali, governaria o país com apenas alguns ministros. Essa ação fez 
com que o seu reinado fosse marcado por um poder político centralizado.
O famoso palácio de Versalhes foi construído durante o seu reinado e é uma das 
heranças deixadas por ele para a França. Esse palácio foi construído e utilizado para a 
corte girar em torno do rei. Muitos de seus membros residiam no palácio ou em seus 
arreadores para participar das cerimônias que ocorriam em favor do soberano. 
Figura 12: Palácio de Versalhes.
 Fonte: curiosfera
30
Luís XIV, por ter recebido um programa educacional composto de aulas acerca de 
religião, línguas, geometria, história, esgrima, equitação e dança, tornou-se um admirador 
das artes. O monarca beneficiou a França com diversas academias cientificas, como: 
Academia de Pintura e Escultura, no ano de 1666 foi aberta academia de ciências, em 
1669 a de Música e em 1671 a academia de Arquitetura. 
No palácio de Versalhes também existia um jardim botânico, no qual, acomodava 
plantas oriundas de todo o mundo. A indústria do luxo, o poder centralizado, o palácio 
de Versalhes e as fronteiras existentes desde meados do século XVII e que até então 
basicamente não sofreram mudanças, fazem parte do legado deixado por Luís XIV para 
a França. 
Todas essas ações praticadas por ele, durante o seu reinado, configuram o regime 
absolutista implementado. Através do qual, não havia necessidade de realizar uma 
prestação de contas, pois, o seu reinado, havia sido designado por Deus, e por meio 
dessa concepção, acreditou-se que o tornar um grande rei, também faria com que a 
França fosse um grande país.
Seu reinado teve fim, em setembro de 1715 com a sua morte, e a sua sucessão 
foi realizada pelo seu bisneto, que veio adotar o nome de Luís XV. Essa sucessão foi 
antecedida por um conflito que perdurou por cerca de treze anos (1701-1714). Ainda 
que, o poder exercido pelo monarca tenha consolidado o poder francês na Europa, a 
vida luxuosa e os gostos ocorridos em consequência da guerra, fizeram com que o seu 
sucessor assumisse uma França a beira da falência. 
Mas, afinal, o que fora um Regime Absolutista? Diante das informações acima é 
possível vislumbrarmos brevemente o que foi esse modelo de governo. Dito isto, é possível 
entender que o absolutismo é fundamentado por um modelo de governo monarquista, no 
qual, o poder é centralizado nas mãos do monarca.
Apesar da figura de Luís XIV, ser o retrato que melhor representa o que fora o 
regime absolutista, não podemos reduzir esse regime a uma única figura. Segundo Arruda, 
“O absolutismo nasceu com as monarquias nacionais, no início dos Tempos Modernos 
(século XVI) e atingiu o auge no século XVII, com Luís XVI, da França” (ARRUDA, 1974, 
p. 61). O representante da nação, “exercia de fato o poder: baixava leis, organizava a 
justiça, arrendava a cobrança de impostos, mantinha o exército, nomeava funcionários, 
tudo em nome do estado que representava.” (ARRUDA, 1974, p. 61-62).
O sentimento de amor à pátria, oriundo da guerra, com o rei como responsável pela 
defesa do povo, faz com que ele se torne uma figura cativante para o povo. “O aumento 
do poder do rei consequência de uma necessidade social” (ARRUDA, 1974, p70). 
Assim como no iluminismo, existiram intelectuais, que ficaram conhecidos, como 
teóricos do absolutismo, que também escreveram sobre o novo regime político que estava 
sendo concebido, dentro desse contexto, podemos destacar alguns intelectuais como: 
31
Figura 13: Nicolau Maquiavel
Fonte: nationalgeographic.
Nicolau Maquiavel, filosofo político, autor da obra “O príncipe”, nascido em 03 
de maio de 1469. Defendia que o Estado, poderia utilizar de qualquer artifício, para dá 
continuidade à sua permanência no trono. Ele se afasta da corrente religiosa e defende 
que política deve está diretamente ligada ao racional. 
Figura 14: Thomas Hobbes
Fonte: Ebiografia
Thomas Hobbes, teórico político e filosofo francês, nascido em 13 de abril de 
1588, defendia que para o homem sair do estado de barbárie, deveriam se reunir e eleger 
um líder e esse, por sua vez, teria como obrigação estabelecer e manter a paz e garantir 
a prosperidade. 
Figura 15: Jean Bodin
Fonte: Ebiografia
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Jean Bodin, jurista e teórico político, nascido na França em 1530, associava o 
Estado, a família, onde a figura do rei, atua como autoridade máxima, assim como um 
chefe da família, entretanto, por sua vez, seu dever é proteger e prover.
Figura 16: Jacques-Bénigne Boussuet
Fonte: Ebiografia.
 Jacques-Bénigne Boussuet, bispo e teólogo francês, nascido em 27 de setembro 
de 1627, partia do pressuposto que o rei estava ligado diretamente ao divino, partindo da 
crença, que o poder era dado por essa entidade ao homem, sendo seu poder igualitário 
ao poder de Deus.
A disputa comercial e a concorrência pelos mercados coloniais, aflorouas 
rivalidades e colaborou para a consolidação do poder real. Destarte, “as monarquias 
absolutistas, introduziram exércitos regulares, uma burocracia permanente, o sistema 
tributário nacional, a codificação do direito e os primórdios de um mercado unificado” 
(ANDERSON, 1998, P17.).
O absolutismo, também estabeleceu, uma burocracia, capaz de auxiliar o Estado, 
isso significa, que a principal célula do governo, poderia estabelecer padrões monetários 
e fiscais, que deveriam ser incorporados, obrigatoriamente por todos, deixando assim, as 
antigas unidades de peso e medidas, oriundas do feudalismo, como “vara e onça”, sendo 
substituídos, por “quilo e metro”. 
Os principais reinos, nos quais o regime absolutista vigorou, foram França. Espanha 
e Inglaterra. Entretanto, com a propagação das vertentes iluministas e com a Revolução 
Francesa, os princípios que sustinham esse regime, culminaram com a derrocada desse 
sistema.
33
Mercantilismo
 O mercantilismo se refere a um conjunto de práticas econômicas utilizadas 
durante a Idade Moderna, pelos grupos absolutistas, durante o que podemos chamar 
de uma “transição do feudalismo para o capitalismo”. 
 Esse modelo econômico foi colocado em prática entre o período que 
corresponde aos séculos XV à XVIII. Tendo como propósito, garantir o acumulo de 
riquezas para utiliza-las em prol do favorecimento do poder exercido pelo monarca. 
Carl Hanson destaca, quatro proposições que, no seu modo de entender, os 
mercantilistas, em geral, independentemente do período, do país e da sua forma de 
inserção social, em particular, reconheceriam: 
(1) a riqueza é um meio absolutamente essencial ao poder, seja para segurança, 
seja para agressão; (2) o poder é essencial ou valioso como meio de aquisição 
ou de retenção de riqueza; (3) a riqueza e o poder representam cada um dos 
limites básicos da política nacional; e (4) existe uma harmonia a longo prazo entre 
estes extremos, apesar de, em 4 circunstâncias particulares, poder ser necessário 
fazer sacrifícios econômicos no interesse da segurança militar e também da 
prosperidade a longo prazo (HANSON, 1986, p.129).
Ao que se refere a expansão europeia, os espaços nos quais ocorreram a dominação 
colonial, o mercantilismo ou capitalismo comercial, atuavam de forma inseparável, 
não sendo possível, não os relacionar, no que concerne aos primeiros momentos que 
moldaram a economia moderna de mercado. 
Andando em paralelo com a derrocada do feudalismo, período que ficou conhecido 
como “renascimento cultural”, começou a questionar a razão que sempre era imposta 
pela igreja católica e a figura do próprio monarca, as moedas começaram a circular 
livremente nas feiras, e isso acabou se tornando um problema para o absolutismo e o 
antigo regime em paralelo, pois com o acúmulo de capital dentre entre os burgueses, 
consequentemente isso os daria mais poder para cada vez mais ir de encontro as classes 
mais elevadas como clero e nobreza, então viu rapidamente a necessidade de acumular 
cada vez mais riquezas, os metais preciosos começaram a valer cada vez mais.
 O mercantilismo concerne as práticas econômicas que prevalecem nos países 
europeus, o fortalecimento do Estado Nacional, era prática comum. Para Weber, 
Mercantilismo significa a incorporação pela política do interesse pelo lucro capitalista, 
passando o Estado a agir, especialmente em suas relações com o exterior – aonde 
gostaria de ver o seu poderio fortalecido – “como se estivesse única e exclusivamente 
integrado por empresários capitalistas”, tendo como princípio “comprar o mais barato 
possível e vender o mais caro que se pudesse” (WEBER, 1985, p. 163).
Acerca do mercantilismo, nas características que moldaram esse regime, 
podemos destacar a busca por um equilíbrio comercial favorável aos seus interesses, o 
protecionismo, o desenvolvimento manufatureiro, e até mesmo a intervenção do Estado 
na economia.
Tendo como base o comércio marítimo e a exploração colonial. Esse modelo, 
visava o crescimento econômico como forma de obter recursos, essas práticas foram 
concebidas por economistas, como Jean-Baptiste e Adam Smith. 
As expansões marítimas tiveram papel fundamental na propagação desse sistema 
econômico, as colonizações realizadas por parte de países como Portugal e Espanha, 
atuaram como agentes propagadores desse modelo econômico, que contou com o apoio 
dos reis e do financiamento da burguesia.
https://www.sinonimos.com.br/reconheceriam/
34
Um grande exemplo de sucesso nesse modelo com colônias de exploração, foi o 
Brasil, que foi ferozmente colonizado por Portugal, por volta de 1500, em uma expedição 
liderada pelo grande navegador Pedro Alvares Cabral, eram 13 embarcações, que 
transportavam em média 1500 homens, onde os navegantes acreditavam ter chegado nas 
índias, pois era o destino que eles tinham traçado ao sair de Portugal, porém, decorrente 
de ventos fortes e tempestades em alto mar, o caminho foi desviado para outro lugar, um 
continente desconhecido que ficou conhecido como “Novo mundo”.
Após os primeiros contatos com os nativos, os portugueses logo perceberam que 
não se tratava das Índias, aonde eles iam em busca de especiarias e outros produtos 
de necessidade da coroa e da burguesia holandesa, se tratava de uma terra quase que 
nunca visitada por outras culturas, a não ser os seus nativos que ali já viviam.
 O povo que ficou postumamente conhecido como indígena, após 
estabelecer conexões. Os portugueses logo trataram de avisar a coroa 
o que haviam acabado de descobrir, foi então que a tão conhecida 
certidão de nascimento do Brasil foi escrita por Pêro Vaz de Caminha. 
Figura -17 Carta de Pêro Vaz de Caminha 
Fonte: digitarq 
 Nesse momento Portugal também estava vendo as moedas cada vez mais sendo 
valorizadas e vendo a necessidade de ampliar suas riquezas, logo viu a oportunidade de 
tirar proveito e transformou o Brasil em sua colônia de exploração de onde conseguiu 
extrair metais preciosos, como também, por exemplo, o Pau Brasil, árvore que originou o 
nome do país. 
 Foi dessas colônias que as principais potências europeias da época se beneficiaram 
e fortaleceram por um certo tempo o sistema mercantilista Europeu. É válido ressaltar 
que as práticas mercantilistas eram senso comum nos países europeus, mas essas não 
ocorriam da mesma forma em todas as nações. No que se refere as nações europeias, os 
seus ideais visavam o fortalecimento da economia.
Os reis absolutistas uniram-se aos burgueses na busca por lucro, como pelos metais 
preciosos. Atuando diretamente na economia, com cobrança de impostos, unificação da 
moeda e regulação do mercado. Dessa forma, ocorria o enriquecimento das nações e de 
seus governantes e aliados, como também, o desenvolvimento do mercado.
35
Ao que se refere as características do mercantilismo podemos citar o chamado 
Colberismo, assim denominado, devido a Jean-Baptiste Colbert. O ideal era o 
desenvolvimento manufatureiro como meio de gerar riqueza, visando uma produção de 
qualidade, a fim de atrair o comércio estrangeiro. 
A balança comercial favorável, o metalismo, o protecionismo alfandegário e o 
incentivo às manufaturas, também foram características representadas através do 
mercantilismo. 
Figura 18: Mercantilismo.
Fonte: Blog Enem
O metalismo ou bulionismo, consiste no acúmulo de metais preciosos como forma 
de acumular riquezas, favorecido pela descoberta das grandes jazidas de ouro existentes 
na América, fortalecida pela crença do carecimento de um controle rigoroso sobre os 
fluxos monetários e comerciais, como um meio de coibir o escape desses matais do 
reino, através das importações. 
A balança comercial favorável, o protecionismo, a intervenção estatal e o incentivo 
às manufaturas, atuaram diretamente na defesa da necessidade de ampliação da 
importação, utilizando as taxas alfandegárias e o incentivo as manufaturas como uma 
forma de proteger a economia, mediante a intervenção do Estado como ferramenta que 
viesse a garantiros interesses comercias.
Ao que se refere ao colonialismo e o mercantilismo, podemos citar que, Espanha 
e Portugal, utilizaram os países colonizados para melhorar a sua economia, através 
da exploração agrícola, para fomentar o comércio europeu. Essa ação foi fortemente 
ameaçada pelos potencias que cresciam nesse período, através de países como: 
Inglaterra, França e Holanda. 
Neste momento, os países colonizados só podiam comercializar para as nações 
colonizadoras, esse período da história fora conhecido como Pacto Colonial. O chamado 
“Pacto Colonial”, ou “Exclusivo Metropolitano”, trata-se de uma medida administrativas 
empregada pelo Mercantilismo, ou seja, o sistema econômico assumido pelos modernos 
Estados Europeus, entre os séculos XVI e XVIII.
36
O pacto colonial favoreceu todas as vertentes do mercantilismo, através das 
colônias de exploração realizada pelos países europeus, favorecendo a sua base 
econômica, através do comércio, que pode ser abastecido, por meio da grande extração 
de matéria-prima e metais preciosos vindos do “Novo Mundo”. 
O declínio do pacto colonial ocorreu apenas após surgimento de outro modelo 
econômico da modernidade, ou seja, o capitalismo. Após essa transição, por meio do 
desenvolvimento industrial, em meados do século XVIII, ocorreu a mudança que de fato 
transformou a relação existente entre os colonizadores e suas colônias, que passaram a 
ser independentes, por meio de revoltas e guerras políticas. 
A base filosófica iluminista serve de inspiração para as mudanças ocorridas no 
modelo econômico desse período, seus ideais influenciaram todos os movimentos 
revolucionários ocorridos nesse período, essa influência culminou no desmoronamento 
do Antigo Regime, associado as aspirações da burguesia em ascensão.
Um dos principais teóricos do iluminismo, que foi responsável pela queda do 
absolutismo e consequentemente do mercantilismo, foi Voltaire, onde, defendia que 
o poder exercido pela monarquia deveria ser limitado, uma vez que, com base na sua 
filosofia, não partia do pressuposto que o monarca era ligado diretamente ao divino, 
como muitos teóricos dessa corrente, defendia a separação entre o divino e a razão, 
contestando também o poder exercido pela Igreja. 
Recomendo o presente vídeo que fornece uma síntese acerca da construção do Antigo 
Regime e dos pilares que o molda. 
https://www.youtube.com/watch?v=xsN60s72XBs 
https://www.youtube.com/watch?v=xsN60s72XBs
37
P R I N C I PA I S R E VO L U Ç Õ E S
Revolução Inglesa
Os eventos que antecederam a formação da estruturação do Estado Moderno 
foram essenciais para a sua configuração. Trataremos, aqui, acerca das três principais 
revoluções que moldaram esse período e a sua importância para a concepção do Estado 
Moderno. Segundo Ruy Ruben Ruschel, ao que se refere ao campo sociológico da 
revolução:
Não são unânimes os sociólogos, como também os cientistas políticos, em bem 
caracterizar o que seja uma revolução. Uns dela têm um conceito mais largo, 
outros, mais restrito. Juntando-se os traços mais freqüentemente admitidos pelos 
estudiosos do assunto, poder- -se-ia dizer: “revolução é o processo de mudanças 
rápidas e profundas da estrutura de uma sociedade e de seu sistema de poder, 
geralmente acompanhadas de muita violência.” (RUSCHEL, 1997, p.59).
Figura 19: Revolução Inglesa.
 Fonte: conhecimentocientifico
 
A Revolução Inglesa foi considerada a pioneira das grandes revoluções. Ocorrida 
no século XVII. Podemos dizer que fora um dos principais acontecimentos da chamada 
Idade Moderna. Essa revolução, realizada através da liderança da burguesia, tomou força 
no campo econômico, ao longo dos séculos XVI e XVII e visavam alcançar legitimidade 
política.
No que se refere a essa revolução ocorrida em 1640, ela resulta das arbitrariedades 
cometidas pelos reis das dinastias dos Tudor composta por: Henrique VII, Henrique VIII e 
Elizabeth I - sécs. XV - XVII e Stuart, composta por: Rei Jaime I, Carlos I, Carlos II, Jaime 
II, Guilherme - sécs. XVII - XVIII. 
38
Através desse vídeo, podemos entender de forma simples, ao que se refere as 
dinastias Tudor, Stuart, Governo Cromwell, retorno da dinastia Stuart e Revolução 
Gloriosa.
https://www.youtube.com/watch?v=roGZSpEe91c 
A burguesia inglesa, através da atuação do parlamento e também, por meio, de 
uma guerra civil, conseguiu extinguir o absolutismo desse país, reformulando, dessa 
forma, a estrutura política resultante no modelo da Monarquia Parlamentarista de 1688.
O surgimento de uma consciência cívica, resultante do pensamento político do 
século XVII foi fundamental para as modificações políticas modernas. Essa alteração se 
deu em decorrência da consciência da dimensão pública na vida em sociedade. 
Essa consciência se deu por meio do entendimento de que existe uma ordem 
público e social e que essas pertencem a um espaço onde o compartilhamento dos 
propósitos e problemas, se reconhecem como centro da discussão política. Dessa forma, 
o aperfeiçoamento dessa consciência cívica vem por aprimorar o pensamento político 
dominante. 
Os conflitos, político, social e religiosos enfrentados pela Inglaterra durante 
esse período, foram, sem dúvidas, um dos fatores indispensáveis, no que se refere ao 
redirecionamento dos problemas políticos existentes.
Por meio do enfraquecimento da autoridade política, como, também, por meio da 
guerra civil, é que o desenvolvimento de novas ações discursivas abriram margem para 
o surgimento dessa consciência cívica. 
Destarte, ao analisarmos essa revolução histórica ocorrida em 1640, é fundamental 
evidenciar a configuração dos exércitos que possibilitaram as campanhas militares. 
Christopher Hill, entende que:
A Guerra Civil foi uma guerra de classe, em que o despotismo de Carlos I foi 
defendido por forças reacionárias da Igreja vigente e dos proprietários de terras 
conservadores. O Parlamento venceu o Rei porque pôde apelar para o apoio 
entusiástico das classes mercantis e industriais na cidade e no campo, para os 
pequenos proprietários rurais e a pequena nobreza progressiva e para massas 
mais vastas da população, sempre que, pela livre discussão, estas se tornavam 
capazes de compreender as causas reais da luta. (HILL, Christopher, 1955, p.12).
Sabemos que diversos fatores podem influenciar no resultado de uma guerra, sejam 
elas as estratégias desenvolvidas, o armamento disponível, a quantidade de pessoas 
envolvidas diretamente no combate, posição geográfica, dentre outros a fatores, podem 
definir ou não o rumo de uma guerra. 
No que concerne a Revolução Inglesa de 1640, a estratégia desenvolvida pela 
luta de Classe e de Exército Parlamentar é segundo Christopher Hill:
A explicação da revolução do século XVII mais comum, é a que foi apresentada pelos 
leaders do Parlamento em 1640, nas suas declarações de propaganda e apelos ao 
povo. E tem sido repetida desde aí, com pormenores e enfeites adicionais, pelos 
historiadores Whigs e liberais. Esta explicação diz que os exércitos parlamentares 
lutavam pela liberdade do indivíduo e pelos seus direitos, consagrados na lei, contra 
um Governo tirânico, que o lançava para a prisão sem processo jurídico, o tributava 
sem o seu consentimento, aquartelava soldados na sua casa, lhe saqueava os bens 
e procurava destruir as suas estimadas instituições parlamentares. Ora, tudo isto é 
https://www.youtube.com/watch?v=roGZSpEe91c
39
verdade, por agora. Os Stuarts procuravam realmente impedir o povo de se reunir 
e de participar de discussões, cortavam as orelhas dos que criticavam o governo, 
cobravam arbitrariamente as taxas, desiguais na sua incidência, tentaram fechar 
o Parlamento e nomear funcionários para governarem o país. Tudo isto é verdade; 
E, se bem que no século XVII o Parlamento fosse ainda menos genuinamente 
representativo do comum das pessoas do que é hoje, contudo a sua vitória era 
importante, na medida em que punha alguns limites aogoverno autônomo das 
classes mais ricas da sociedade. (HILL, 1955, p.13-14).
O poder exercido pelo monarca, vinha a muito, perdendo força política e econômica 
na Inglaterra e nos territórios anexados. Essa ação ocorreu devido a um governo tirano, 
como centralizado, por meio do absolutismo real. Dessa forma, a baixa burguesia ansiava 
por uma maior participação, como, também vislumbrava uma ascensão social. Segundo 
Hill: 
Não obstante, produzia-se mais riqueza: a alternativa teria sido a estagnação 
econômica ou a retrogressão. A Espanha dos séculos XVIII e XIX mostra o que 
essa estagnação teria significado para a vida política e cultural da comunidade. 
A longo prazo, a criação de uma nova riqueza, com a ascensão do capitalismo 
em Inglaterra, abriu a possibilidade de uma distribuição mais equitativa em novos 
moldes, tal como os horrores da revolução industrial, no século XIX, criaram a base 
económica para uma transição para o socialismo. (HILL, 1955, p.9).
Uma das estratégias utilizadas durante o período da Revolução Inglesa, por ambas 
as partes, fora a propaganda. Em sua obra, Christopher Hill, salienta o que foram essas 
revoluções, segundo ele:
A explicação da revolução do século XVII mais comum, é a que foi apresentada pelos 
leaders do Parlamento em 1640, nas suas declarações de propaganda e apelos ao 
povo. E tem sido repetida desde aí, com pormenores e enfeites adicionais, pelos 
historiadores Whigs e Liberais. (HILL, Christopher, 1955, p.13).
Norteados através da Teoria Marxista, o proletariado apresenta diversas 
artimanhas, no que concerne a luta de classes, com o intuito de obter a vitória, ou seja, 
nesse contexto, entendesse por vitória, a ascensão do comunismo e do socialismo. 
Dentro desse contexto, Marx afirma que a propaganda, é realizada como parte de 
uma estratégia ideológica. Sobre essa tática ideológica de desenvolvida pelas classes 
em conflitos, Karl Marx, entende que:
No lugar da atividade social, aparece necessariamente sua atividade inventiva, 
pessoal; no lugar das condições históricas da libertação, apenas condições 
fantasiosas; no lugar da organização paulatina do proletariado até se constituir 
em classe, apenas a organização de uma sociedade inventada por eles. A história 
futura do mundo resume-se à pura propaganda e à execução prática de seus 
planos sociais. (MARX, Karl, 2008, p.61).
Durante esse período de conflitos, além das estratégias, já citadas, foram utilizadas 
também, estratégias que usaram o campo astrológico. Além dos atentados terroristas 
realizados por parte dos milicianos, que também foram utilizados como estratégia durante 
esse período de impasses. Esses ataques coordenados, ficaram conhecidos como “A 
conspiração da pólvora”, tendo o rei Jaime I seus súditos da alta burguesia como alvos.
40
Essa guerra, travada entre o rei e o parlamento, teve o seu ápice por meios das 
manifestações populares, contra a conduta tirana exercida pelo rei. Este, por sua vez, 
por meio da utilização da força militar, desativou o parlamento e só vem a reativá-lo 
com o intuito de obter recursos, a fim de acabar com os conflitos ocorridos nas religiões 
escocesas. 
O regresso do Parlamento, é também marcado, pelo surgimento da figura de Oliver 
Cromwell, que foi a defender o parlamento contra as ações do rei Carlos I. Junto ao 
Parlamento, Cromwell, organizou as causas religiosas e as tributações. 
A figura de Oliver Cromwell, foi crucial para as ações que atuaram para a derrocada 
de Carlos I e com isso, o fim da Revolução Inglesa. Sobre esse momento, Sousa concluiu 
que: 
[...] A ação dos revolucionários foi liderada por um pequeno proprietário de terras 
puritano chamado Oliver Cromwell. Liderando o Exército de Novo Tipo, esse novo 
líder promoveu a organização de tropas organizadas por meio da incorporação 
de soldados que poderiam ascender militarmente graças ao bom desempenho de 
suas funções. Naquela região, onde sua figura era pouco apreciada, acabou sendo 
entregue às forças revolucionárias por meio da denúncia do próprio Parlamento 
escocês. Logo em seguida, Carlos I conseguiu fugir das mãos dos revolucionários, 
possibilitando uma rápida reorganização das tropas antirrevolucionárias. 
Entretanto, os realistas não conseguiram bater os exércitos revolucionários que 
conseguiram recapturar Carlos I. Em meio às agitações do processo revolucionário, 
o rei foi decapitado e a República foi proclamada na Inglaterra. Com isso, Oliver 
Cromwell chegou ao poder dando fim à hegemonia monárquica em solo britânico. 
A revolução puritana chegou ao seu fim, abrindo novas possibilidades políticas 
dentro da Inglaterra. (SOUSA, Rainer, 2014, p. 79).
Destarte, é possível concluir que a Revolução Inglesa, ocorrida entre o período de 
1640 a 1649, foi consequência do absolutismo de Carlos I, que mesmo em condições 
favoráveis acabou por ser derrotado, através das forças, da luta revolucionária, realizada 
pela baixa burguesia. Ocorrendo assim, em 31 de janeiro de 1649, a decapitação do rei, 
exigida pelo Parlamento, sendo essa, a primeira vez, que um monarca é decapitado em 
praça pública. 
Por meio da Revolução Inglesa, o poder do monarca foi restringido, mesmo com 
a preservação da monarquia. Os confrontos religiosos que influenciaram diretamente 
esse período foram cessados com a Declaração dos direitos de 1689, que garantiu aos 
ingleses a liberdade da crença, não sendo mais está imposta pelo rei e a economia pode 
garantir a consolidação do poder da burguesia. 
Foram criadas leis que beneficiam a burguesia e abrir margem para implementação 
das primeiras indústrias em território inglês. Resultando assim, na limitação do poder 
exercido pela realeza, uma vez que, a coroa não poderia mais interferir na economia, o 
livre mercado tornava-se, assim, uma realidade. 
41
Revolução Industrial
A Revolução Industrial trata-se de um processo de transformações econômicas 
e sociais ocorridas na Inglaterra no século XVIII. Nesse contexto, esta não deve ser 
reduzida apenas as inovações técnicas, maquinários e novos mecanismos de produção, 
mas, deve ser levado em consideração toda a alteração estrutural sobre a sociedade, a 
substituição das ferramentas de trabalho pelas máquinas em um processo que consolidou 
o capitalismo como modelo dominante. 
O surgimento da produção em larga escala foi o ponto de partida para as mudanças 
ocorridas nos países da Europa e da América do Norte. Transformando essas nações 
em hegemonicamente industriais, provocando, assim, o êxodo rural, causando uma 
concentração crescente nas grandes cidades. Desse modo, a revolução industrial, é 
comumente caracterizada, como o período em que ocorreu a transição das ferramentas 
pelas máquinas, do trabalho humano, pelo motriz e a da produção artesanal, pela fabril.
Figura 20: Revolução Industrial.
 Fonte: gestaoeducacional
Esse processo revolucionário foi o responsável pela consolidação do trabalho 
assalariado, a separação entre o trabalho e o capital, o controle exercido pela burguesia 
capitalista e a constituição de uma nova classe social, o proletariado. 
Podemos encontrar as raízes da revolução industrial, entre os séculos XVI e XVII, 
através do mercantilismo, empregado pelas monarquias absolutistas, que possuíam 
grandes imprescindibilidades monetárias, em virtude da manutenção dos exércitos, e em 
função dos conflitos bélicos, dentro da Europa, como também, dentro das suas colônias. 
A Revolução Industrial foi, portanto, consequência de um processo histórico-
cultural. Marcado pela transição da mão de obra animal, humana e hidráulica, para 
uma energia motriz, por meio da produção social, foi também, o ápice de uma extensa 
transformação econômica, social e tecnológica, que vinha operando desde a Baixa Idade 
Média. 
Para que essa pudesse ocorrer, eram necessários que três cenários ocorressem: 
 1) Uma renovação técnica do aparato de produção;
 2) Um incremento do capital líquido monetário e físico;
 3) Uma oferta maiorde trabalho. 
42
Segundo Hobsbawm, nenhuma outra sociedade havia sido capaz, até então, de 
transpassar a barreira que uma estrutura social pré-industrial, uma tecnologia e uma 
ciência deficientes, a fome e a morte periódicas, impunham à produção. Desse modo 
resume a percepção e a relevância das transformações que ocorreram na Inglaterra a 
partir do século XVIII:
A Revolução Industrial assinala a mais radical transformação da vida humana já 
registrada em documentos. Durante um breve período ela coincidiu com a história 
de um único país, a Grã-Bretanha. Assim, toda uma economia mundial foi edificada 
com base na Grã-Bretanha, ou antes, em torno desse país. Houve um momento 
na história do mundo em que a Grã-Bretanha podia ser descrita como sua única 
oficina mecânica, seu único importador e exportador em grande escala, seu 
único transportador, seu único país imperialista e quase que seu único investidor 
estrangeiro; e, por esse motivo, sua única potência naval e o único país que 
possuía uma verdadeira política mundial. Grande parte desse monopólio devia-se 
simplesmente à solidão do pioneiro, soberano de tudo quanto se ocupa por causa 
da ausência de outros ocupantes”. (HOBSBAWN, Eric, 1983, p. 9).
Essa transformação na vida humana, originou o trabalhador “livre”, dispondo apenas 
da sua força de trabalho, a qual torna-se obrigado a vender, em troca de trabalho, para 
garantir um salário, para prover a sua subsistência e da sua família. Em detrimento da 
pobreza, em decorrência dos cercamentos e da falta de empregos, uma grande massa, 
passou a vagar pelas ruas e paróquias em busca de auxílio, uma vez que por meio das 
leis inglesas, é de responsabilidade das paróquias o amparo aos pobres, esse amparo, 
acarreta o aumento da acumulação de impostos necessários para mantê-los.
Com o crescimento da miséria, houve uma revisão na legislação dos pobres de 
1601. Essa legislação, tornou-se cada vez mais coercitiva, todo aquele indivíduo que 
não possuísse trabalho ou ocupação poderia ser preso, ou até mesmo chicoteado. 
Em caso de furtos, mesmo que com o intuito de alimentar-se, esse poderia ter a mão 
decepada, marcada a ferro, ou até mesmo ser enforcado. As paroquias valeram-se da 
Lei do Domicílio (1662) que determinava que todo indivíduo que mudasse de paróquia 
pode ria ser expulso, privando, assim, o cidadão da liberdade de locomoção, essa ação 
favoreceu a exploração realizada pelos grandes proprietários, que exploravam ao máximo 
os camponeses das suas paróquias, ou das paróquias próximas. 
A consolidação das grandes propriedades, fez com que muitos camponeses, 
ficassem desprovidos de trabalhos e sem ligação a nenhum senhor, tornando-os assim, 
uma mão de obra individual. Essa ação favoreceu os grandes empresários, que ofertaram 
grande cargas de trabalho, péssimas condições de trabalho, baixa remuneração com o 
intuito de acentuar a mais-valia, investindo na produção, garantindo assim, uma crescente 
dos lucros. Em contrapartida, os trabalhadores tinham carga horária que ultrapassava 15 
horas diárias, sem direito a férias ou descanso, até mesmo nos domingos. Nesse cenário 
de trabalho, encontravam-se homens, mulheres e crianças, que exerciam essas funções 
e possuíam as mesmas péssimas condições de trabalho. 
A entrada e saída nas fábricas ocorria mediante o toque dos sinos, que em algumas 
cidades, começavam por volta das quatro e meia da manhã. Dentro das fábricas, o 
operário exercia, basicamente, as mesmas atividades, no mesmo ritmo das máquinas, 
sempre sobre a supervisão de um contramestre, que realizava constantes ameaças 
43
de cobrança de multa ou até mesmo de demissão por erros cometidos, por menor que 
esses sejam. Em decorrência das péssimas condições de trabalho, baixa remuneração 
e ausência dos direitos como férias e descanso, os trabalhadores passaram então a se 
associar a sindicatos e organizações trabalhistas, a fim de reivindicar melhores salários 
e diminuição da carga horária.
A Revolução Industrial, que traria o triunfo do capitalismo, teve o seu início, portanto, 
na Inglaterra do século XVIII, alastrando-se, no século seguinte, por grande parte da Europa 
continental. Para Fernand Braudel, isso se deu devido à superioridade de suas instituições 
(as bolsas e as diversas formas de crédito, que facilitaram o desenvolvimento do capital 
comercial). Ainda ao que se refere aos ingleses, é possível adicionar o pioneirismo na 
constituição do Estado Moderno, que não realizou uma extorsão diretas dos súditos, 
por meio da força, mas que o fez, através da tributação definida pelas leis e costumes, 
regulamentando assim os impostos, dando dessa forma segurança aos capitalistas. 
Dentro desse contexto, podemos salientar, algumas vantagens da Inglaterra, que 
corroboraram, para o advento da revolução industrial em seu território:
1. Vasta disponibilidade de mão de obra para indústrias estarem sendo criadas;
2. A Revolução Gloriosa de 1689, que consentiu a supremacia do Parlamento sobre 
a monarquia, significando assim, o fim do absolutismo, e consentido a burguesia 
uma maior participação das decisões;
3. Disponibilidade de matéria-prima, uma vez que a Inglaterra, possuía livre acesso 
às matérias-primas consideradas primordiais para seu desenvolvimento industrial;
4. Sua formação geográfica que lhe proporcionava facilidades naturais para 
estabelecer um sistema de transportes eficientes que propiciava o escoamento 
da produção para seus portos;
5. Dispor da maior e mais forte força marítima do período, proporcionando assim o 
controle do comércio marítimo;
6. Controle de um grande império colonial, que lhe servia como mercado consumidor 
e fornecedor de matéria-prima.
A Revolução Industrial foi compreendida, inicialmente, como uma alteração 
social e econômica do mundo medieval. Partindo do pressuposto, que essa teria sido 
a substituição do mercantilismo pelo princípio de laissez-faire (expressão francesa que 
significa “deixe fazer”, que foi utilizada para identificar um modelo político e econômico 
de não-intervenção estatal.), posteriormente, foi relacionada as relações já existentes 
entre as sociedades, desde o século XIV, sendo a revolução o auge de movimentos já 
iniciados, não a concepção de algo novo. 
Essa revolução foi dividida pelos historiadores em três períodos:
O primeiro período que correspondeu a Primeira Revolução Industrial, ocorrida em 
meados de 1760 a 1860. Tendo seu início a partir da indústria têxtil com o uso do tear 
mecânico.
44
Figura 21: Tear mecânico.
 Fonte: invencoesseculoxix
A segunda etapa ocorreu no período de 1860 a 1900, diferentemente da primeira 
que ficou limitada a Inglaterra, nessa nova etapa, países como Alemanha, França, Rússia 
e Itália também se industrializaram. Esse período foi marcado uso do aço, energia elétrica, 
invenção do motor, uso de combustíveis derivados do petróleo, desenvolvimento de 
produtos químicos e locomotiva a vapor, foram inovações que marcaram esse período.
Figura 22: Locomotiva a vapor.
Fonte: história em cartaz
Para alguns historiadores, a terceira etapa da Revolução Industrial iniciou 
em meados do século XX, por volta de 1950, com o desenvolvimento da eletrônica. Esta 
permitiu o desenvolvimento da informática e a automação das indústrias.
Figura 23: Tecnologia
Fonte: infobae
Destarte, a Revolução Industrial, refere-se, portanto, ao conjunto de inovações 
tecnológicas e econômicas que ocorreram na Inglaterra no século XVIII e que se estende 
até os dias atuais.
45
Revolução Francesa
Ocorrida em junho de 1789, a Revolução Francesa, foi um marco revolucionário, 
inspirado pelos ideais iluministas. Provocada pela crise que a França enfrentava no final 
do século XVIII. Marcada pelo início da derrocada do absolutismo na Europa e pelas 
profundas transformações ocorridas em todos os âmbitos da sociedade. Impulsionada 
pela burguesia e pela participação das pessoas que se encontravam em situação de 
miséria, como também,pelos camponeses. 
Para Hobsbawn, “nos sessenta anos históricos entre 1789 – quando Luís XVI ainda 
reinava – e 1848 – quando Marx e Engels elaboravam o Manifesto Comunista – uma dupla 
revolução se realizava na Europa, causando a maior transformação social que o mundo 
conheceu desde a antiguidade”. Seu estopim se deu em 14 de junho de 1789, a partir da 
queda da Bastilha.
A população se armava. A pobreza e a fome faziam-se presentes em Paris, e os 
franceses mais necessitados já incendiavam as barreiras da cidade em que se 
cobrava imposto sobre os alimentos. Aqueles movimentados dias eram uma prévia 
de um fato marcante que viria a ocorrer e que seria considerado um dos mais 
importantes da história francesa. Em 14 de julho de 1789, manifestantes em armas 
realizavam a tomada da prisão política da Bastilha, fortaleza vista como símbolo 
do absolutismo, apesar de quase não ser mais utilizada em 1789. O episódio 
passou a ser chamado de Segunda Jornada Revolucionária. A importância desse 
acontecimento reside no fato de que, a partir desse momento, o movimento 
contaria também com a presença das massas trabalhadoras. Data oficialmente 
desse dia o início da Revolução Francesa”. (Costa e Mello, 2008, p. 331).
A França do século XVIII, possuía ainda uma estrutura social baseada no feudalismo, 
embora as finanças, o comércio e a indústria estivessem sobre o controle da burguesia, o 
poder político concentrava-se no rei e em seus ministros, monopolizando, assim, os altos 
cargos e gozando de privilégios que não eram alcançados pelas burguesias e demais 
membros da população. Dessa forma, para a burguesia e também para alguns membros 
da nobreza, era fundamental, acabar com o poder absoluto exercido pelo monarca.
A burguesia crescia em número, em poder econômico, em participação política 
e, principalmente, em consciência de si mesma como classe social. Isso explica 
a difusão das teorias iluministas, enfraquecendo os fundamentos ideológicos 
justificadores da ordem estabelecida e afirmando, ao mesmo tempo, os novos 
valores burgueses. Classe em ascensão, acreditando no progresso, a burguesia 
julgava-se representante do interesse geral da população, exercendo, por suas 
propostas transformadoras, forte atração sobre as camadas populares. Contudo, os 
burgueses pretendiam também inverter uma ordem na organização da sociedade, 
de forma a legitimar sua própria tomada do poder. (Costa e Mello, 2008, p. 327).
Enquanto a França vivenciava esse momento, na Inglaterra, sua rival, a Revolução 
Industrial, começava a dar os seus primeiros passos. Esse pioneirismo inglês, aflorou, 
também, o anseio por mudanças e desenvolvimento, por parte dos franceses. A burguesia, 
consumida pela aspiração do desenvolvimento industrial do país, visava extinguir as 
barreiras que coibiam o comércio internacional. Destarte, segundo os burgueses, era 
necessário que a França adotasse o liberalismo econômico. Os burgueses reivindicavam, 
também, os seus direitos políticos, uma vez que, como já salientamos anteriormente, era 
ela quem supria o Estado, visto que, a nobreza e o clero, eram isentos do pagamento de 
impostos. Embora fosse economicamente falando, a classe dominante, sua posição nos 
âmbitos jurídico e político, era limitada. 
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A Revolução Francesa, usada para assinalar o início da história contemporânea, 
pode, a rigor, ser dividida em três fases. A inicial inspirasse no parlamentarismo 
inglês: as camadas mais altas da burguesia francesa, que elegeram seus 
representantes para os Estados Gerais, aliadas a um setor da nobreza, pedem 
apenas algumas reformas. A segunda fase se inicia com a tomada da Bastilha. 
Como a monarquia não quis fazer qualquer concessão, a plebe de Paris toma a 
iniciativa: amotina-se e termina por trazer o rei virtualmente prisioneiro a Paris. A 
intervenção da plebe insurreta intimida os nobres e setores superiores da classe 
média, mas encoraja os inferiores. Serão estes – no momento em que o rei for 
socorrido pelos outros soberanos europeus – que proclamarão a República. Estava 
inaugurada a fase da ditadura jacobina, que culminaria em 1793 com o período 
conhecido como o Terror.” (Grandes Personagens da História Universal, vol. IV, 
1972, p. 775).
Os ideais iluministas, desenvolvidos por Voltaire, Rousseau, Diderot, Montesquieu 
e Adam Smith, foram imprescindíveis para esse movimento revolucionário. O Iluminismo 
propagou-se entre os burgueses e estimulou o início da Revolução Francesa. Esse 
movimento realiza críticas severas às práticas econômicas mercantilistas, aos privilégios 
ofertados, ao clero, a nobreza e sobretudo ao absolutismo. 
A Revolução Francesa fez-se contra o despotismo, contra os privilégios em nome 
da liberdade e da igualdade. Ora, no século XVIII, a Europa inteira é vítima do 
despotismo e dos privilégios. A Revolução é, portanto, susceptível de ser imitada 
em qualquer parte. É o que faz dela um acontecimento capital da história universal 
(Nicolle, 1963, p. 119).
A situação econômica que a França se encontrava, no que antecedeu a revolução 
de 1789, na qual, havia um clamor por reformas, desencadeou uma crise política, agravada 
quando, por sugestão dos ministros, foi levantada a hipótese de ocorrer a cobrança de 
impostos para o clero e para a nobreza. Gerando, assim, uma pressão sobre o monarca, que 
se viu obrigado a convocar uma assembleia entre os três Estados. Conforme salientamos 
anteriormente, a sociedade francesa era dividida em três estamentos, compostos por 
clero, nobreza e burguesia/camponeses e sans culotes. 
O terceiro Estado, composto por cerca de 97% da população, pressionava que as 
votações das leis ocorressem individualmente e não por Estados, uma vez que, mesmo 
representando um menor número, o clero e a nobreza, possuíam interesses em comum, 
como a manutenção dos seus privilégios, fazendo com que assim, o terceiro Estado 
não conseguisse passar normas que viesse a lhes favorecer. Mesmo com essa pressão 
ocorreu a recusa por parte do primeiro e do segundo Estado e as votações continuaram 
a ocorrer com a mesma configuração, ou seja, voto por Estado.
Em 26 de agosto de 1789 foi aprovada pela Assembleia a Declaração dos Direitos 
do Homem e do Cidadão.
Os representantes do povo francês, constituídos em Assembleia nacional, 
considerando que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos 
do homem são as causas únicas das infelicidades e públicas e da corrupção 
dos governos, resolvem expor, numa declaração solene, os direitos naturais, 
inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, constantemente 
presente a todos os membros do corpo social, lhes lembre sem cessar seus direitos 
e seus deveres, a fim de que os atos do poder legislativo e os do poder executivo, 
podendo ser a cada instante comparados com a meta de toda instituição política, 
sejam mais respeitados, a fim de que as reclamações dos cidadãos, fundadas de 
agora em diante sobre princípios simples e incontestáveis, se destinem sempre à 
manutenção da constituição e à felicidade de todos. (Mattoso, 1977, p. 14).
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Figura 24 – Lema da Revolução Francesa:
Fonte: infobae
Esta Declaração assegurava os princípios da liberdade, da igualdade, da fraternidade 
(“Liberté, égalité, fraternité” - lema da Revolução), além do direito à propriedade. O rei 
Luís XVI recusa aprovação dessa Declaração acarreta novas manifestações populares. 
Os bens do clero foram confiscados e muitos padres e nobres fugiram para outros 
países, essas ações culminaram em uma grande instabilidade na França, de modo que, 
a Constituição só ficou pronta em setembro de 1791. Sobre essa Constituição, podemos 
destacar que:
1. Houve a transformação do governo em uma monarquia constitucional;
2. O rei responderia pelo poder executivo, sendo limitado através do legislativo 
instituído pela Assembleia; 
3. Instituição do voto censitário, ou seja, seria necessário possuir uma renda mínima, 
para possuir direito ao voto;
4. Ocorreu a conservação da escravidão nas colônias;5. Revogação dos privilégios e as antigas ordens sociais.
Entre o período de 1792 e 1795 a Assembleia legislativa foi substituída pela 
Convenção Nacional, que aboliu monarquia e implantou a República. Com essa ação 
os jacobinos tornaram-se maioria no parlamento, com isso, o rei Luís XVI foi julgado, 
sentenciado e acuado de traição, sendo condenado à morte por guilhotina e executado 
em janeiro de 1793. A rainha Maria Antonieta foi sentenciada meses depois ao mesmo 
destino.
Nesse período de dez anos que correspondeu a Revolução Francesa, 1789-1799, 
as modificações ocorridas na França, nos âmbitos social, político e econômico, foram 
profundas. Os vínculos com o feudalismo foram rompidos, retirando assim da burguesia 
a limitação existente, gerando assim um mercado com extensão nacional. A Revolução 
Francesa fez com que a França saltasse do estágio feudal para o capitalista e mostrou 
que a população era capaz de condenar um rei. Ocorrendo também a separação dos 
poderes e a Constituição, ficando assim um legado para as várias nações do mundo. 
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De modo geral, pode-se afirmar que as principais contribuições da Revolução 
Francesa para o mundo, incluindo o período napoleônico, foram: 1. Sociais – liquidação 
do que restava do feudalismo, reconhecimento da igualdade de direitos perante 
a lei, afirmação do direito das minorias. 2. Econômicas – abolição dos privilégios 
das corporações no exercício do comércio; anulação dos monopólios comerciais 
concedidos pelo Estado, que tinham sido a base da revolução comercial no século 
anterior. 3. Políticas – destruição da teoria do direito divino dos governantes. Na 
França foi tentada a primeira experiência de governo democrático, com sufrágio 
popular, liberdade de palavra, imprensa e reunião. 4. Religiosas – tolerância para 
todos os cultos e separação entre Estado e Igreja. 5. Culturais – instrução pública 
reconhecida como obrigação do Estado. O estabelecimento de uma ampla rede 
educacional – do ensino primário à organização de universidades e institutos 
estatais de pesquisa – criou o sistema de educação em massa, básico para que 
a Revolução Industrial pudesse depois progredir. Esse elenco faz perceber que a 
Revolução Francesa criou os fundamentos da moderna sociedade civil”. (Ibidem)
49
C O N S I D E R AÇ Õ E S F I N A I S
No presente estudo podemos vislumbrar o desenho que ocorreu desde o fim da 
chamada “Era das Trevas”, ou seja, como a Idade Média ficou popularmente conhecida, 
a entrada a “Era das Luzes”, nomenclatura utilizada inspirada no Iluminismo, que moldou, 
instruiu e foi ferramenta de mudanças e rupturas ocorridas durante esse período.
Através desse estudo podemos entender a concepção da História Moderna, 
com base nos acontecimentos que marcaram e moldaram esse período, por meio do 
pensamento ideológico, ruptura com a religião, transição do feudalismo para o capitalismo 
e a porta de entrada para a modernidade e suas revoluções. 
E por fim a construção do que foi o Estado Moderno, que desencadeou e foi berço 
para tantas mudanças ocorridas em nosso meio social, passeamos por um período, que 
por mais que se distancie da nossa realidade atual, tanto nos acrescenta e nos ensina 
sobre a construção que possuímos hoje. 
Espero que vocês tenham gostado da nossa disciplina e que possamos nos 
encontrar em breve.
50
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	RESUMO 
	Conceitos gerais da História Moderna
	Conceitos gerais
	Pensadores do Iluminismo
	Sociedade Estamental
	Formação do Estado Moderno
	Antigo Regime e seus pilares 
	Introdução ao Antigo Regime
	Absolutismo
	Mercantilismo
	Principais Revoluções
	Revolução Inglesa
	Revolução Industrial
	Revolução Francesa
	Considerações finais
	Bibliografia

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