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Hiperuricemia - Gota
URICEMIA NORMAL
• A uricemia resulta de um equilíbrio entre a ingesta + produção 
endógena de purinas, e a excreção urinária de uratos. 
• A uricemia normal é da ordem de 5,0 mg / 100 ml. em homens e 4,1 mg / 
100 ml. em mulheres, é relativamente estável, variando pouco com a 
ingesta. Isto porque, aumentando a ingesta, aumenta a excreção renal 
do ácido úrico.
• Hiperuricemia (> 7,0 mg/dL no homem; > 6,0mg/dL na mulher) -
está associada a um distúrbio do metabolismo das purinas.
• O ácido úrico é formado a partir do catabolismo das 
purinas (adenina e guanina).
• O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas, dos 
quais cerca de um terço provém da alimentação e o restante da 
produção endógena hepática. 
• A hiperuricemia pode ocorrer devido à redução da capacidade de 
excreção urinária ou à hiperprodução endógena.
• Cerca de 10% dos pacientes com gota produzem ácido úrico em 
excesso por razões desconhecidas, ou por algum distúrbio metabólico 
da síntese das purinas.
• Nos outros 90% dos pacientes o problema parece estar relacionado a 
uma dificuldade da excreção renal de uratos, possivelmente por 
um defeito na secreção tubular.
• Gota – distúrbio metabólico – influenciado por aspetos 
relacionados à dieta como: obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia 
e uso de álcool.
• A obesidade está associada tanto à hiperprodução como à 
hipoexcreção do ácido úrico.
• A gordura visceral, ao que parece, está relacionada com o 
metabolismo do ácido úrico e resistência à insulina, promovendo 
hiperuricemia. 
• O acúmulo de gordura leva ao aumento da resistência à insulina, 
devido ao aumento dos ácidos graxos livres e do Fator de Necrose 
Tumoral-α (TNF-α), e diminuição da adiponectina, que induz ao 
decréscimo na depuração de ácido úrico urinário, e consequentemente 
ocasionando a hiperuricemia.
• Obesidade é um dos maiores riscos para hiperuricemia e gota, ao 
reduzir a excreção de ácido úrico e aumentando a produção de 
purinas.
• Bebidas alcoólicas – apresentam forte relação com a hiperuricemia e as crises 
de gota . 
• Mecanismos –
1. estímulo à produção hepática de purina, pelo metabolismo do etanol; 
2. inibição da conversão da droga hipouricemiante alopurinol em seu 
metabólito ativo, o oxipurinol, pelo etanol; 
3. baixa adesão de etilistas crônicos às dietas e tratamentos de longo prazo; 
4. redução da excreção renal induzida pela acidose láctica, secundária à 
intoxicação alcoólica aguda. 
Das bebidas alcoólicas, a cerveja é a que parece ter maior efeito negativo sobre a 
hiperuricemia, em parte pelo seu grande conteúdo de purina (guanosina).
• Produção endógena de ácido úrico - É produzido sobretudo no fígado 
pela ação da enzima xantina-oxidase. A homeostasia do ácido úrico é 
determinada pelo seu equilíbrio entre produção e excreção renal.
• A produção endógena de ácido úrico a partir da degradação das 
purinas responde por dois terços das reservas corporais de urato, sendo 
o restante de origem dietética. Como a maior parte do ácido úrico é 
excretada pelos rins (cerca de 70%), ocorre hiperuricemia em 
consequência de uma eficiência reduzida da depuração renal de urato.
• Duas proteínas foram caracterizadas na depuração do urato: o 
transportador de urato 1 (URAT1) e o transportador de glicose e 
frutose (GLUT9). 
O URAT1 localiza-se na membrana da borda em escova do túbulo 
proximal e é responsável sobretudo pela reabsorção renal de ácido 
úrico, enquanto o GLUT9 está localizado nas membranas apical e 
basolateral do túbulo distal, onde atua como principal saída de urato 
do corpo.
• Na maioria dos indivíduos com gota, a hiperuricemia resulta de 
uma diminuição na depuração renal de urato. 
• Os cristais de urato formam-se de preferência na cartilagem e nos 
tecidos fibrosos; entretanto, podem “se desprender” desses locais, e 
transformam-se em partículas altamente imunogênicas, iniciando, 
uma resposta inflamatória que afeta a articulação. 
• Os cristais de urato atuam como “um sinal de perigo”, indicando a 
importância da imunidade na gota.
• O acúmulo persistente de cristais de urato provoca lesão articular 
por meio de efeitos mecânicos (erosão por compressão), resultando 
em sintomas crônicos de artrite. 
• Os cristais de urato podem se depositar nas pequenas articulações 
e tecidos adjacentes, produzindo episódios recorrentes de extrema 
dor, debilitação da articulação e inflamação dos tecidos moles (gota 
aguda). 
• Na gota crônica, os locais clássicos incluem o hálux, punhos e 
articulações dos dedos das mãos, cotovelo, tornozelo, joelho e 
hélice da orelha.
Tratamento
• Objetivos do tratamento: término da crise aguda, 
prevenção de crises recorrentes, e prevenção de 
complicações associadas ao depósito crônico de cristais 
de urato nos tecidos.

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