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Área: Saúde Curso: Psicologia NAIRA VIEIRA SOUZA SILVA PATRICIA CONCEIÇÃO BORGES FRANCA FIALHO CERQUEIRA ROSEANE DE OLIVEIRA SILVA VERÔNICA MOREIRA LÔBO VITÓRIA DA COSTA BARRETO Relatório Final de Estágio Estágio Básico em Psicodiagnóstico e Técnicas Psicoterápicas Feira de Santana Dezembro/ 2023 Estágio Básico em Psicodiagnóstico e Técnicas Psicoterápicas Relatório Final de Estágio Estágio Básico em Psicodiagnóstico e Técnicas Psicoterápicas Relatório apresentado como requisito obrigatório para aprovação na disciplina de estágio básico em Psicodiagnóstico e Técnicas Psicoterápicas, sob orientação da docente Juliana Santos. Feira de Santana Dezembro/ 2023 1 INTRODUÇÃO Este relatório tem por finalidade apresentar o trabalho desenvolvido por alunos do sexto semestre do curso de Psicologia no Estágio Supervisionado Básico Psicodiagnóstico e Técnicas Psicoterápicas, realizado no Centro Estadual de Educação Aureo de Oliveira Filho CEEP . Por meio da supervisão de estágio do curso de Psicologia, da Unifacs, na pessoa da professora Juliana Santos, estabelecemos um contato com a escola e oferecemos um serviço de atendimento em Plantão Psicológico nas dependências da escola, no turno vespertino, uma vez por semana, para receber alunos que solicitassem ajuda psicológica. O Plantão Psicológico viabiliza um atendimento de tipo emergencial – compreendido como um serviço que privilegia a demanda emocional imediata do cliente – e que funciona sem necessidade de agendamento, destinado a pessoas que a ele recorrem, espontaneamente, em busca de ajuda para problemas de natureza emocional. O plantonista deve buscar facilitar a autopercepção do cliente, possibilitando mais consciência de si mesmo, de suas vivências, proporcionando condições favoráveis para o indivíduo se descobrir e percorrer seu próprio caminho, ressignificando suas escolhas e decisões. Dessa maneira, utilizamos a modalidade de Plantão Psicológico Psicanalítico no atendimento na escola. Esse se caracteriza pela escuta ativa, o acolhimento, a atenção flutuante, atenção aos detalhes, bem como a compreensão da queixa, possíveis situações de risco, o convite ao desabafo, a empatia e à retificação subjetiva. O estágio teve início no dia 14 de agosto de forma virtual síncrona para definição de horários referentes aos encontros, assim como para o desenvolvimento da parte teórica do mesmo, que ocorreu no Campus Santa Mônica nos dias 08, 14 e 21 de setembro. A realização do estágio no local escolhido aconteceu de forma presencial entre os dias 26 de outubro 09, 17 e 24 de novembro. As atividades foram desenvolvidas em formato de Plantão Psicológico, onde os discentes se encontravam disponíveis para ofertar momentos de escuta e acolhimento para alunos que se mostrassem interessados ou até mesmo em momentos de sofrimento. Os momentos de escuta ocorreram de forma voluntária onde não houve nenhuma espécie de indicação ou interferência da parte gestora escolar. O presente relatório tem por objetivo retratar a trajetória do grupo durante esse período, assim como a experiência adquirida de maneira particular vivenciada em momentos de atendimentos e momentos de troca e discussões a respeito dos casos acolhidos. Vale salientar que ao final de cada plantão, a professora Juliana Santos se reunia com as estagiárias para fazer supervisão, momento em que relatamos para ela como foi o atendimento com cada aluno e ela nos direcionava para a problematização e implicações de cada caso, bem como o direcionamento de cada um deles. 1.1 Contextualização do estágio Para executar um estágio em Psicodiagnóstico e técnicas psicoterápicas é imprescindível que conheçamos os pressupostos teóricos nos quais essas técnicas estão alicerçadas. O Psicodiagnóstico é um procedimento clínico que utiliza diversos métodos, como entrevistas, observações clínicas, testes psicológicos e técnicas projetivas, para investigar a personalidade e funções cognitivas. Ao contrário do diagnóstico psiquiátrico baseado no DSM, que se concentra na classificação operacional de comportamentos, a Psicanálise enfoca a realidade psíquica, considerando como ela molda a visão do mundo de cada indivíduo. Na Psicanálise, os instrumentos de diagnóstico não dependem apenas de sintomas observáveis, pois reconhecem a subjetividade da realidade psíquica do paciente. Freud desenvolveu suas entidades clínicas a partir da nosografia da psiquiatria clássica, com foco nas neuroses resultantes do conflito entre o ego, o superego e o ID. As psicoses, por outro lado, surgem de uma frustração grave de um desejo, levando à dissociação do ego e à criação de uma nova realidade. Tanto neuroses quanto psicoses têm em comum a referência à frustração e à dificuldade do ego em conciliar instâncias. A Psicanálise lacaniana, seguindo as referências de Freud, busca reduzir as categorias nosológicas da psiquiatria, distinguindo principalmente entre neurose, psicose e, posteriormente, perversão. Em vez de categorias descritivas, a Psicanálise considera estruturas clínicas, como a lei do desejo e a castração, que se manifestam de maneiras diversas em sintomas variados. Esses diagnósticos, ao serem levados ao extremo, passam a referir-se não apenas a transtornos psicopatológicos, mas às formas como cada indivíduo se relaciona com o mundo. É crucial destacar que, na psicanálise, o diagnóstico se concentra na realidade psíquica, não nos sintomas observáveis, pois estes podem mudar, mas as estruturas clínicas permanecem. A Constituição do sujeito, especialmente o complexo de Édipo, é um conceito fundamental ao abordar as estruturas clínicas na psicanálise. 1.2 Pressupostos teóricos Freud e Lacan abordam a importância do "tratamento de ensaio" no início da psicanálise para estabelecer a transferência e diagnosticar diferenças entre neurose e psicose. Lacan destaca as "entrevistas preliminares" como o limiar para a análise, enfatizando suas funções sintomáticas, diagnósticas, transferenciais e de retificação subjetiva. Na função sintomal, o analista busca transformar a queixa do paciente em uma demanda direcionada a ele, transformando o sintoma em uma questão a ser decifrada. A função diagnóstica visa diferenciar as estruturas clínicas (neurose, perversão e psicose) por meio do diagnóstico diferencial estrutural. Na função transferencial, destaca-se a importância da transferência desde o início da análise, com o analista utilizando habilmente a relação transferencial. A retificação subjetiva envolve questionar o motivo pelo qual o paciente busca análise, identificando a demanda implícita. A análise é considerada possível quando o analista aceita o sujeito como analisando. A associação livre é apresentada como a técnica fundamental, permitindo o acesso ao inconsciente do paciente, enquanto a transferência é crucial para a eficácia do tratamento. A técnica da associação livre é detalhada como a prática de permitir que o paciente fale livremente, acessando conteúdos inconscientes. A atenção flutuante, interpretação e domínio das técnicas são fundamentais para a prática psicanalítica. 0. OBJETIVOS 2.1 Geral: Essa prática visa inserir o estagiário de Psicologia em espaços que possibilitem o desenvolvimento de suas habilidades em Psicodiagnóstico e práticas psicoterápicas, aplicando métodos sob a perspectiva da Psicanálise. 2.2 Específicos: · Articular os saberes conceituais, procedimentais e atitudinais da psicologia para as intervenções na saúde mental nos diferentes contextos e espaços; · Compreender o processo de psicodiagnóstico e os cuidados éticos do/a profissional; · Realizar devolutivas das informações do psicodiagnóstico; · Compreender a escolha dos instrumentos e técnicas no psicodiagnóstico; · Aplicar entrevista psicológica e de anamnese no psicodiagnóstico; · Integrar dados coletados no psicodiagnóstico à elaboração de documentos; · Compreender os tipos e finalidades dos documentos produzidos pelo/a psicólogo/a decorrentes de sua atuação profissional considerando os aspectos éticose legais; · Problematizar o exame do estado mental e suas transformações. 0. CONTEXTUALIZAÇÃO DO LOCAL DO ESTÁGIO O local do estágio é um centro de educação profissional, localizado à Rua Bruxelas, SN, prédio próprio, bairro Santa Mônica, 44077-790. Feira de Santana BA. Onde são ofertados cursos profissionalizantes de Eletromecânica, Eletrotécnica, Mecânica, Logística, Informática, Manutenção e Suporte em Informática, Edificações, Química e Segurança do Trabalho. No momento estão matriculados 284 alunos e 34 professores compõem o quadro docente. A escola tem acessibilidade, dependências com acessibilidade, alimentação fornecida, água filtrada, sanitários dentro da escola, biblioteca, cozinha, laboratório de informática, laboratório de ciências, sala de leitura, quadra de esportes e sala de professores. Não tinha um local adequado para fazermos os atendimentos, portanto, os mesmos eram feitos no pátio, e isso dificultou os atendimentos, pois, nem os alunos nem nós (estagiários) não nos sentíamos à vontade para fazer acolhimento naquele local, onde transitavam pessoas constantemente. 0. DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO 4.1 NAIRA VIEIRA SOUZA SILVA, o primeiro encontro aconteceu de forma on-line síncrona no dia 14/08/23, para a apresentação do estágio, disponibilização de materiais e para definirmos o dia em que o mesmo ocorreria. No segundo encontro ainda em formato on-line síncrono recebemos orientações assim como a exposição do conteúdo referente a Psicodiagnóstico e as contribuições da Psicanálise. Durante os encontros dos dias 24/08, 31/08 e 14/09 tivemos aulas sobre Psicodiagnóstico, assim como a retomada de conteúdos referentes a Psicanálise, visto que que alguns integrantes da turma ainda não haviam cursado a referida disciplina. Foram utilizados os artigos como: Plantão Psicológico a partir de uma Escuta Psicanalítica, (Daher Ana Claudia Broza; Ortolan Maria Lucia Mantovanelli; Sei Maíra Bonafé; Victrio Kawane Chudis), O Diagnóstico em Psicanálise do Fenômeno à Estrutura, (Figueiredo Ana Cristina; Machado Ondina Maria Rodrigues), e Plantão Psicológico: Novas Possibilidades em Saúde Mental (Gomes, F. M. D), que nos proporcionou de forma clara e abrangente as técnicas e estratégia utilizadas na psicanálise para fazermos o psicodiagnóstico. Entre os dias 21/09, 28/09 e 05/10, foram discutidos possíveis campos de estágio, momentos para sanar dúvidas sobre a prática do plantão psicológico e sobre os textos que já haviam sido discutidos. Também participamos de um Workshop sobre os testes HTP, TAT e PFISTER, que nos proporcionou a oportunidade de vivenciar a logística e complexidade desses testes, podemos também neste dia fazer o teste PFISTER em sala com a professora. Por questões adversas ficou definido que iríamos atuar em modelo de plantão psicológico divididos em dois campos: AAPSUS e CEEP. O início das atividades em campo no Centro Estadual de Ensino Aureo de Oliveira Filho aconteceu no dia 26/10, onde foi realizada uma visita técnica. Apresentamos a proposta do plantão psicológico em todas as salas e ficamos disponíveis no local para possíveis atendimentos. O local infelizmente não dispõe de um lugar reservado para escuta, o que possivelmente proporcionou um certo constrangimento por parte dos estudantes em procurar por nossos serviços estando expostos a visão de outros. Desta maneira permanecemos circulando em todo o espaço escolar aguardando eventuais procuras, e de forma sútil abordamos aqueles que circulavam na área externa da escola. No dia 09/11 retornamos para o segundo dia de prática e fui procurada por uma jovem de 18 anos em busca de escuta. C. se mostrava muito agitada e era desprovida de qualquer reserva em relação a suas queixas, inquieta com inúmeros gestos e movimentos durante toda a sua fala. A jovem referiu dúvidas em relação a questões diversas como família, estudos e vida emocional e se considerava uma pessoa muito “acelerada” o que na opinião dela gerava dificuldade até mesmo no seu aprendizado. C. vive em um contexto familiar com a mãe e sua irmã mais nova e é responsável por ajudar a família financeiramente após o casamento de sua irmã mais velha. Em diversos momentos ela referiu que não tinha tempo para nada além de seus estudos e trabalho, e demonstrava desinteresse em sair com amigos e não mantinha nenhum relacionamento amoroso. Durante todo o período em que estiver promovendo escuta, a jovem trazia insatisfações relacionadas ao tipo de vida de seus familiares e por inúmeras vezes repetiu que não viveria da mesma maneira. A jovem relata sentir-se pressionada pelos familiares por não estar em nenhum relacionamento afetivo, o que traz para ela enorme aflição e descontentamento. Após um longo período de falas e diversas queixas, sem pausas para o silêncio, questionei a jovem sobre a sua opinião relacionada às cobranças e opiniões de seus familiares, assim como questionei a mesma, se realmente as cobranças partiam de sua família ou dela mesma. Finalizei o período de escuta deixando a jovem em silêncio e reflexiva após meus questionamentos. No dia 17/11 retornei para a instituição onde fui procurada pela jovem novamente. A mesma se encontrava nesta ocasião, mais tranquila, com pouca gesticulação e com o discurso mais brando sem grande agitação, como o ocorrido no primeiro encontro. Busquei conhecer outras áreas de sua vida como o que ela almeja para o futuro, seu relacionamento com sua mãe e suas impressões sobre o curso técnico que a mesma estava realizando ali naquele local. Ela relata que desde o encerramento do ensino médio, estuda sem parar para concursos e cursos técnicos, o que segundo ela tem gerado uma enorme exaustão. C. não demonstra nenhum tipo de entusiasmo relacionado ao curso e muito menos as escolhas que até hoje foi influenciada por sua mãe para seguir. Declarou que irá começar a graduação em Física no próximo ano, mas que na verdade o seu sonho é cursar Direito. Expôs também de maneira bem decidida que a sua vontade no momento era poder parar tudo e descansar por um tempo para depois decidir quais serão suas escolhas para o futuro. Mais uma vez trouxe questionamentos para a cliente sobre sua vida. Perguntei para ela o porquê de fazer uma graduação que não é de sua preferência, e qual é o sentido nisso. Também provoquei nela reflexões de como seria a vida dela se ela estivesse buscando fazer aquilo que ama, e se ela vivesse as suas próprias escolhas e decisões sem seguir com o que seus familiares fizeram ou não de suas vidas ou pensam em relação a vida dela. Novamente C. fica em silêncio de maneira reflexiva sobre os questionamentos propostos por mim. Finalizo assim mais um momento de escuta. Na tarde do dia 24/11 retornei à instituição para o último dia de plantão, porém não houve procura por atendimentos neste dia. 4.2 PATRICIA CONCEIÇÃO BORGES FRANCA FIALHO CERQUEIRA, A UC Estágio básico em Psicodiagnóstico e técnicas psicoterápicas, ministrada pela professora Juliana Santos, foi dividida em três etapas: as aulas anteriores à parte prática do estágio, que ocorreram na Unifacs – Santa Mônica; o estágio propriamente dito que ocorreu no CEEP (Centro Estadual de Ensino Aureo de Oliveira Filho), no bairro Santa Mônica, em Feira de Santana-Bahia; e as supervisões, que ocorreram após cada período de intervenção, e, também, quinzenalmente no Campus da Unifacs-Santa Mônica. Na prática, o estágio ocorreu da seguinte maneira: no dia 14/08/23, o encontro ocorreu de maneira online, a professora explicou de que maneira ocorreria o estágio, qual era o tema do estágio em Psicodiagnóstico (nessa data já foram disponibilizados um texto “O diagnóstico em Psicanálise: do fenômeno à estrutura”, e um slide “Psicodiagnóstico: contribuições da Psicanálise”, que seriam trabalhados no próximo encontro), assim como esclarecimento de dúvidas acerca dos encontros e da vestimenta durante a prática do estágio. Nos dias 24/08/23, 31/08/23, 14/09/23, os encontros ocorreram no campus da Unifacs-Santa Mônica. Os conteúdos trabalhados foram baseados nos textos anteriormentedisponibilizados e tiveram como meta discutir sobre o Psicodiagnóstico sob a perspectiva da Psicanálise, bem como a retomada de alguns conteúdos da Uc Psicanálise, visto que alguns alunos ainda não haviam cursado a mesma. Para as aulas de Psicodiagnóstico e práticas psicoterápicas, e Psicanálise foram utilizados os seguintes textos base: Plantão Psicológico a partir de uma Escuta Psicanalítica, (Daher Ana Claudia Broza; Ortolan Maria Lucia Mantovanelli; Sei Maíra Bonafé; Victrio Kawane Chudis), O Diagnóstico em Psicanálise do Fenômeno à Estrutura, (Figueiredo Ana Cristina; Machado Ondina Maria Rodrigues), e Plantão Psicológico: Novas Possibilidades em Saúde Mental (Gomes, F. M. D)Psicanálise e psiquiatria: controvérsias e convergências (Quinet, 2001). Os textos trabalhados e as explicações da professora nos esclareceram de que maneira trabalhar o Psicodiagnóstico sob uma perspectiva psicanalítica, assim como quais técnicas e estratégias podemos utilizar. Os encontros dos dias 21/09/23 e 28/09/23 foram utilizados para esclarecimento de dúvidas sobre como trabalhar com o Plantão Psicológico (como houve um impedimento em atendermos na Clínica da Unifacs-Santa Mônica, não foi possível fazer a prática em Psicodiagnóstico como fora previsto, e precisamos atender no formato de Plantão Psicológico). Também foram discutidos os possíveis campos de estágio (fiz minha escolha pelo CEEP, por motivos pessoais e de horário). No encontro do dia 05/10/23 participamos de um workshop sobre alguns testes projetivos, o que foi muito bom pois podemos experienciar e manusear alguns testes e seus manuais, a exemplo do HTP, TAT e as pirâmides coloridas de Pfister. Dia 26/10/23 foi o primeiro dia do estágio em campo, no CEEP. Nesse dia houve a visita técnica para conhecermos as dependências do colégio e o local dos atendimentos. Nos dias 09/11/23, 23/11/23 e 29/11/23 houve a prática de estágio no CEEP, porém, por motivos diversos, não havia um local reservado para os atendimentos e os mesmos eram feitos no pátio do colégio, local em que os alunos se reuniam nos intervalos das aulas. Devido à falta de um local específico para os atendimentos gerou um certo constrangimento tanto para os estagiários quanto para os estudantes e funcionários do colégio, os quais eram os alvos dos possíveis atendimentos psicológicos. Os estagiários ficavam circulando pelo pátio, se apresentando aos alunos e se colocando à disposição para um atendimento ou mesmo para uma simples conversa. Eu, particularmente, infelizmente, não atendi de maneira mais formal nenhum estudante nem funcionário do colégio, apesar das tentativas de aproximação e de me colocar à disposição para os atendimentos. O mais próximo que cheguei de atender foi quando eu e minha colega de turma, Lívia, conversamos informalmente com duas alunas que estavam no intervalo do lanche. Ambas fazem o curso de Técnico em segurança do trabalho e se mostraram cansadas e ansiosas com o curso e com o que viria após a conclusão do mesmo. No entanto, não deu para aprofundarmos a conversa pois o intervalo terminou e ambas retornaram à aula. Nos dias 31/10/23, 16/11/23 e 29/11/23 houve supervisão com a professora Juliana Santos. Nas supervisões relatamos nossas experiências no estágio e recebemos uma devolutiva e orientação da professora de como proceder nos próximos atendimentos (ou não atendimentos). Iniciei a UC do Estágio em Psicodiagnóstico com uma perspectiva psicanalítica com muita expectativa, porém, quando soube que não iríamos fazer o estágio em Psicodiagnóstico fiquei um pouco decepcionada, pois estava ansiosa para conhecer os testes e aprender a utilizá-los. E apesar de gostar muito do Plantão Psicológico já havia feito dois estágios utilizando essa prática e gostaria de ter feito algo novo. Em relação ao espaço que foi disponibilizado para os atendimentos também dificultou a prática, pela falta de privacidade. Agradeço a professora Juliana Santos, que nos deu suporte e base para atendermos ou tentarmos, mesmo em meio às dificuldades, e nos mostrou que a psicologia pode e deve existir e estar disponível mesmo nos lugares mais improváveis e difíceis de atendimento. 4.3 ROSEANE DE OLIVEIRA SILVA, o estágio inicia com aula teórica dentro da nossa instituição de ensino, previamente a professora disponibilizou os materiais de leitura, texto que foram discutidos no primeiro encontro, baseando o nosso estágio, sendo eles: O diagnóstico em psicanálise do fenômeno a estrutura; Psicodiagnóstico e contribuições da psicanálise; A ética psicanalítica do diagnóstico; Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica; Plantão psicológico, novas possibilidades em saúde mental. Seguimos com Workshop: HTP (House-Tree-Person), tradução, casa, árvore, pessoa, técnica projetiva de avaliação psicológica, utilizado como ferramenta para compreensão da personalidade, o funcionamento emocional e as dificuldades psicológicas de uma pessoa; TAT - Teste de percepção temática, um sistema de avaliação das necessidades, expectativas e medos inconscientes que regulam o comportamento e moldam a personalidade a partir da interpretação de estímulos ambíguos, utilizando-se de imagens mostrada para o paciente; PSITER - as pirâmides coloridas, teste projetivo de personalidade, que avalia a dinâmica afetiva e o nível de estruturação da personalidade e os indicadores do desenvolvimento cognitivo. Partindo então para o campo de estágio, com a visita técnica, passamos a conhecer a estrutura física da instituição, como também alguns dos profissionais que compõem o quadro de funcionários, visitamos as salas de aulas apresentando o estágio e nos colocando à disposição para a escuta ativa e acolhedora, segunda as orientações dadas pela nossa professora, ficamos a disposição no pátio da instituição e ali mesmo deveríamos fazer o atendimento, acredito que por ficar exposto ao público inibiu muitos de buscarem o atendimento. Na intervenção conversamos sobre esta primeira vivência, e os pontos positivos e negativos dessa nova experiência de ficar exposto ao público, aguardando a procura e muitas vezes indo até muitos individualmente ou em grupos que ficavam pelo pátio para tentar diálogos. Na segunda ida ao campo, obtive minha experiência de escuta e acolhimento, onde duas meninas se dirigiram perguntando-me se era psicóloga, respondi que era estudante do curso de psicologia da UNIFACS e que estávamos estagiando ali naquela instituição, e retomei com ela as orientações direcionadas pela professora, perguntei-as se gostariam do momento de escuta e acolhimento, se queriam em dupla ou individual, disseram que sim e preferiam individual, convidei a colega do estágio para atender uma das meninas. A menina que escutei, idade 18 anos, tem um irmão de 4 anos, mora com a mãe e seu irmão, iniciou falando sobre os conflitos vivenciados com sua mãe, por não permiti-la ir a lugares sozinhas e acredita que esse limite desde criança a causou grandes impactos, que atualmente a mesma não consegue ir a lugares e resolver situações sozinha, isso a incomoda e aumenta o conflito com sua mãe a culpando, afirma ter ansiedade e que não consegue dormir direito, ao mesmo tempo disse compreender sua mãe pelas experiências que a mesma vivenciou com o seu ex-marido, e então traz a situação vivenciada pela mãe de repetidas traições, com vizinhas e amigas da família, e pontuou algo que lhe causou um extremo constrangimento, o fato de seu pai os submeterem a exame de DNA, após tantos anos, a sua mãe diante de tanto sofrimento necessita fazer acompanhamento psiquiátrico e uso de medicação. Ocorre a separação de seus pais definitiva após o exame de DNA, e sua mãe procura se reestabelecer, quando percebe estar bem, encontra um novo companheiro e novamente ocorre mais uma frustração e mais conflitos, a menina afirma receber uma mensagem desse homem assediando-a, ela por vez mostra a sua mãe, que rompe o relacionamento, porém por vezes a mãe a culpa do ocorrido e sinalizava a forma que ela se vestia como sendo o motivo para o acontecimento, isso lhe causoudor. A menina ainda nesse mesmo encontro afirma ter o mesmo dom de sofrer que a mãe tem e então relata a traição do namorado para com ela, o primeiro namorado e o quanto estava frustrada. Relatou também a frustração de realizar diversas entrevistas de emprego e não ser convocada para trabalhar e pede para dizer o que ela tem?. Enquanto falava, chorava constantemente, desde o início, não dando oportunidade de intervenção, esse momento é interrompido por uma situação que ocorre dentro da instituição, com isso a mesma segue chorando, os colegas a acolhem, lhe dão água, eu permaneci lhe dando atenção até acalmar e a situação dentro da instituição ser resolvida, termina então o tempo do estágio, a mesma se reporta a mim perguntando o que ela tem, o que ela deve fazer, eu disse para ela que precisava ouvi-la mais e que ela precisaria fazer um acompanhamento psicológico, passei para mesma contatos de atendimentos socias para que busca-se essa ajuda profissional, e quanto a questão de não conseguir dormir, orientei que buscasse ouvir músicas que acalmasse-a e trouxesse tranquilidade e que refletisse em tudo que havia conversado, falei também que retornaria no próximo dia de estágio, a mesma afirmou que gostaria muito de conversar novamente. Na intervenção realizada com a professora sobre o atendimento, ela disse que o procedimento foi adequado e que precisaria mesmo ouvi-la mais, se a mesma assim quisesse. O próximo dia do estágio chega, a menina me procura, inicia a fala dizendo que não queria falar muito, estava sorridente, mas queria ouvir e que eu poderia dizer o que ela tem, sorri também para ela, perguntei sobre o feriado que antecedeu o encontro, então a mesma responde que foi péssimo e então relata mais um conflito vivenciado com sua mãe, e que isso a incomoda, perguntei se já tentou conversar com sua mãe sobre essas situações e seus sentimentos, ela diz que conversam, mas sempre ocorrem os conflitos, ela afirma amar a mãe e compreendê-la só queria que a relação fosse melhor. nesse encontro não chorou disse estar melhor depois de ter conversado pediu que a conversa ficasse entre nós, pois acreditava ter falado demais, retornei para ela a fala do sigilo e que ficasse tranquila, o importante é que estava bem. Encerrou o tempo do estágio. Na intervenção, a professora orientou a conversar com a menina caso ela procurasse no próximo dia de estágio, que a mesma tentasse ter um olhar partindo do olhar de sua mãe, se colocar como se fosse a mãe, e tentar compreender a situação vivenciada, melhorando o relacionamento. Na semana posterior, não houve a procura, a menina cumprimentou-me à distância no pátio, porém estava com um grupo de amigos, senti que queria se direcionar, mas ficou inibida, deixei-a à vontade. Nesse mesmo dia, houve um conflito dentro da sala de aula, onde a professora chamou uma das nossas colegas de estágio para intervir, a mesma chamou a nossa professora, a qual direcionou a conversa dentro da sala de aula entre estudantes e professora. Essas foram as minhas experiências e vivências nesse estágio, grande valia e aprendizado, o que só certifica a necessidade da equipe multiprofissional dentro de instituições acolhendo e intervindo para o melhor desenvolvimento do cidadão. 4.4 VERÔNICA MOREIRA LÔBO, comecei o estágio na UNIFACS com algumas aulas teóricas, e depois fomos para visitação de campo e atendimentos. No meu relato de experiência, contém apenas um atendimento feito no pátio do colégio com um dos alunos, porém, o mesmo queria tirar dúvidas a respeito da Psicologia em si, então, comecei falando sobre o que era a Psicologia, as diversas áreas de atuações, diversas abordagens que levava para um resultado eficaz, independente de qual fosse. Falei também sobre como é importante os testes de vocação, para que o aluno saiba qual área de atuação que ele mais se identifica na escolha de um curso na graduação. 4.5 VITÓRIA DA COSTA BARRETO, no dia 14/09/2023, deu-se início as aulas teóricas do Estágio de Psicodiagnóstico, na Unifacs Santa Mônica, onde foi apresentada a proposta de estágio pela supervisão da professora Juliana. A princípio, a proposta do estágio seria o psicodiagnóstico onde a professora trouxe alguns estudos teóricos, um workshop para que pudéssemos conhecer alguns testes, além orientações sobre local que iríamos e como deveríamos nos portar no ambiente. Mas, devido a alguns problemas com a clínica-escola não conseguimos fazer aquilo que foi proposto, e tivemos que optar por fazer um plantão psicológico no Centro Estadual de Ensino Aureo de Oliveira. A partir daí, as aulas começaram a ser centradas nessa abordagem onde a professora buscou sanar dúvidas e nos orientar a respeito de como conduzir. Após esse período de orientação, iniciamos as práticas no local, onde a primeira visita, dia 19/10/23 foi de forma técnica a fim de podermos conhecer o espaço e locais disponíveis para colocarmos em prática o atendimento e tudo aquilo que foi aprendido. Nos encontros seguintes após sermos orientados pela professora, os estagiários ficavam espalhados pelo pátio da escola, disponíveis para qualquer aluno ou funcionário que precisasse de atendimento. Apesar de estar sempre disponível no pátio, não consegui prestar nenhum atendimento, me senti um pouco frustrada e incapaz, principalmente depois de um caso ocorrido em que uma aluna passou por uma crise que mobilizou o colégio. Confesso também, que me senti um pouco prejudicada pois não tivemos um estágio focado no psicodiagnóstico. Já tive a oportunidade de trabalhar com o plantão psicológico anteriormente, e foi uma experiência muito boa pois atendi pessoas que precisaram naquele momento. Não me senti muito à vontade no ambiente do colégio, principalmente em abordar as pessoas, mas também compreendi que, muitas vezes, essa abordagem vai se fazer necessária. Em relação às supervisões sempre gostei de participar apesar de não ter nenhum caso para contar, gostava de ouvir a experiência dos colegas e imaginar a situação. Mesmo encerrando o estágio sem ter feito nenhum atendimento entendi que terei que melhorar em alguns aspectos, e que em muitos lugares se fará necessário uma abordagem mais invasiva. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Estágio Básico em Psicodiagnóstico e Técnicas Psicoterápicas é uma ferramenta importante para a formação do profissional psicólogo, inferir sobre as técnicas de aplicação de testes, a finalidade do uso dos mesmos, quanto a responsabilidade enquanto profissional e o paciente e as suas demandas, faz desse estágio essencial. O estágio trouxe uma experiência nova, que foi ficar exposto ao público, se apresentar ao mesmo, tentar dialogar com estudantes ou profissionais ali dispostos, ou àqueles que se direcionassem diretamente ao estudante para uma escuta ativa e acolhedora, apresentando inibição de ambos os lados, percebendo então a necessidade de um espaço mais restrito. Percebeu-se também a necessidade de integrar a teoria e a prática, pois o modelo de intervenção se associou a prática de plantão psicológico, e a prática em psicodiagnóstico e técnicas psicoterápicas ocorreu em sala de aula entre os estudantes do curso de psicologia, aplicados pela professora, com aula expositiva dos mesmos. Cunha (2000) define o psicodiagnóstico como: ...um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos, em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados, na base dos quais são propostas soluções, se for o caso. (p. 26). A experiência vivenciada é de grande valia, agregou diversos aprendizados, mesmo que não tenha atingido as expectativas, pois enquanto profissionais é necessário compreender a resistência e a exposição que serão submetidos, a professora sempre presente e disposta a trazer compreensão a cada momento vivenciado no estágio, baseado na abordagem psicanalítica, a supervisão realizada após cada dia de estágiotornou a aprendizagem mais significativa. REFERÊNCIAS CARNEIRO, Anna Barbara de Freitas; PENA, Breno Ferreira; CARDOSO, Ione Maria. Entrevistas preliminares: marcos orientadores do tratamento psicanalítico. Reverso, Belo Horizonte , v. 38, n. 71, p. 27-36, jun. 2016 . Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952016000100003&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 07 dez. 2023. CARVALHO, Vitor Orquiza; HONDA, Hélio. Fundamentos da associação livre: uma valorização da técnica da psicanálise. Analytica, vol.6, no.10. São João del Rei, jan./jun. 2017. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-51972017000100005. Acesso em: 07 dez 2023. CUNHA, J. A. e Colaboradores. Psicodiagnóstico-V. 5ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. FIGUEIREDO, Ana Cristina; Machado, Ondina Maria Rodrigues. O DIAGNÓSTICO EM PSICANÁLISE: DO FENÔMENO À ESTRUTURA. Ágora v. III n. 2 jul/dez 2000 65-86 IMANISHI, Helena Amstalden. Videoaula1: Diagnóstico em Psicanálise. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yrIlocDcaBg. Acesso em: 07 dez 2023. MORETTINI,Thais. Conhecendo as técnicas da psicanálise. Disponível em: https://ibrapsi.com.br/conhecendo-as-tecnicas-da-psicanalise/. Acesso em: 07 dez 2023. QUINET, A. Psicanálise e psiquiatria: controvérsias e convergências. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. Slides e textos fornecidos pela prof. Juliana Santos. image1.jpeg image2.jpeg