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CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA 
Thiago Domingues Stocco 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 COMPLEXO ARTICULAR DO OMBRO 
O complexo do ombro trata-se da ligação do membro superior com o esqueleto axial e, 
dessa forma, é a unidade funcional que resulta em movimentos do braço em relação ao 
tronco. Um olhar mais profundo das estruturas que compõem o ombro nos mostra um 
sistema complexo e integrado de ossos, articulações e músculos que, juntos, permitem 
ao ombro uma grande amplitude de movimentos. 
Essa grande mobilidade do complexo articular do ombro é importante, uma vez que sua 
principal função é posicionar o membro superior de forma a permitir que a mão seja 
capaz de realizar suas tarefas. Dessa forma, o ombro se torna uma das articulações mais 
importantes para a realização das nossas atividades de vida diária e ocupacionais. 
Por outro lado, essa mesma mobilidade que torna o complexo do ombro uma estrutura 
especial com relação as posições em que ele nos permite alcançar, o torna uma fonte 
importante de lesões. A grande mobilidade do ombro está frequentemente associada a 
pouca estabilidade, deixando os ombros mais susceptíveis a dores e disfunções. 
Assim, uma compreensão adequada da função e possíveis disfunções do membro 
superior requerem um entendimento adequado da interação coordenada entre as 
articulações do ombro, principalmente com relação às estruturas que proporcionam 
mobilidade e estabilidade suficientes. 
Dessa forma, neste bloco iremos apresentar os principais componentes das articulações 
que fazem parte do complexo articular do ombro, bem como descreveremos como 
acontece cada um dos seus movimentos. 
Ao final, você saberá: compreender a estrutura do complexo articular do ombro, 
descrevendo os principais componentes que compõem cada articulação corporal; 
descrever os movimentos do ombro, explicando como acontece a movimentação, 
listando todos os movimentos produzidos por cada articulação; e reconhecer as ações 
musculares, listando o movimento produzido por cada músculo que compõe o complexo 
articular do ombro. 
 
 
 
3 
 
2.1 Estruturas ósseas e articulações 
As estruturas ósseas que compõem o ombro são a clavícula, a escápula e o úmero (Figura 
2.1); além do esterno que faz ligação com a clavícula, sendo a única articulação óssea 
entre o membro superior e o tronco. 
 
Legenda: Acromion = Acrômio; Cartilage = Cartilagem; Clavicle = Clavícula; Glenoid cavity = Cavidade 
glenoide; Scapula = Escápula; Humerus = Úmero. 
Figura 2.1 – Estruturas ósseas do complexo articular do ombro. 
Se tratando das articulações, o complexo articular do ombro é composto por cinco 
articulações que trabalham em sincronia e podem ser divididas em articulações 
anatômicas (ou verdadeiras) nas quais existe a ligação entre dois ossos, e articulações 
fisiológicas (ou falsas), onde não existe ligação direta entre duas estruturas ósseas. 
• Articulações anatômicas: esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral; 
• Articulações fisiológicas: escapulotorácica e subdeltódea. 
Os detalhes sobre cada articulação estão descritos na Tabela 2.1. 
 
 
 
 
 
4 
 
Tabela 2.1 – Articulações do complexo articular do ombro. 
Articulação Formação Classificação Características 
Esternoclavicular 
 
Extremidade 
medial da 
clavícula 
e 
faceta 
clavicular no 
esterno. 
Biaxial 
(funcionalmente, 
triaxial) 
Única ligação estrutural 
do esqueleto apendicular 
com o esqueleto axial. 
Realiza movimentos 
acessórios para os 
movimentos do complexo 
do ombro, precisa de boa 
estabilidade. 
Entre a clavícula e a 
primeira costela passam 
estruturas nobres (Ex.: 
plexo braquial e artéria 
subclávia). 
Acromioclavicular 
Extremidade 
distal da 
clavícula 
e 
acrômio. 
Considerada 
uma articulação 
de ajuste 
(só realiza 
pequenos 
deslizamentos 
entre as 
superfícies). 
Base de operação da 
escápula. 
Única ligação estrutural da 
escápula com o restante 
do esqueleto. 
Glenoumeral 
Cabeça do 
úmero 
e 
cavidade 
glenóide da 
escápula. 
Triaxial 
Pouca estabilidade 
(cabeça do úmero ampla e 
convexa, e uma cavidade 
glenóide pequena e rasa). 
Tem a maior mobilidade 
das articulações do 
complexo do ombro. 
Embora muitas vezes é 
referida como sinônimo 
de ombro, essa 
articulação não consegue 
produzir sozinha a 
amplitude de movimento 
completo do ombro. 
(Continua...) 
 
 
 
 
 
 
5 
 
(...Continuação) 
Escapulotorácica 
Superfície 
anterior da 
escápula 
e 
parede 
póstero-lateral 
do tórax. 
(Não possui 
classificação por 
não ser 
considerada 
uma articulação 
verdadeira.) 
Articulação fisiológica. 
As superfícies ósseas são 
separadas pelos músculos 
serrátil anterior e 
subescapular. 
Tem papel fundamental 
na amplitude de 
movimento do ombro. 
Subdeltódea 
(Subacromial) 
Face superior 
da cabeça do 
úmero 
e 
face inferior do 
arco 
coracoacromial. 
(Não possui 
classificação por 
não ser 
considerada 
uma articulação 
verdadeira.) 
Articulação fisiológica. 
Está separada por 
estruturas importantes: 
bolsa subacromial e 
tendão do músculo 
supraespinhal. 
 
2.2 Movimentos 
Os movimentos realizados pelo complexo articular do ombro, bem como a amplitude de 
movimento normal, estão descritos na Tabela 2.2. 
Tabela 2.2 – Movimentos do ombro. 
Movimento 
Amplitude 
de 
movimento 
Imagem 
Flexão 180o 
 
(Continua...) 
 
 
 
6 
 
(...Continuação) 
Extensão 50o 
 
Abdução 180o 
 
Adução 45o 
 
(Continua...) 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
(...Continuação) 
Rotação interna 
(rotação medial) 
80o 
 
Rotação externa 
(rotação lateral) 
90o 
 
Abdução horizontal 30o 
 
(Continua...) 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
(...Continuação) 
Adução horizontal 140o 
 
Elevação e 
depressão 
- 
 
Protração e retração 
(Abdução e adução 
da escápula) 
- 
 
Fonte: figuras 1-8 de KAPANDJI, 2000; figuras 9 e 10 de SACCO e TANAKA, 2008. 
Embora não seja um movimento puro, o movimento de circundução (combinação de 
movimentos) também deve ser destacado, uma vez que frequentemente está envolvido 
em atividades funcionais (Figura 2.2). 
 
 
 
9 
 
 
Fonte: KAPANDJI (2000). 
Figura 2.2 – Movimento de circundução do ombro. 
No entanto, para que esses movimentos sejam gerados deve existir uma complexa 
sincronia entre as cinco articulações do complexo articular do ombro, através de 
pequenos movimentos entre as superfícies das articulações. Como já descrito 
anteriormente, esses micromovimentos entre as facetas articulares é estudado por um 
ramo biomecânica definido como artrocinemática e estão sumarizados na Tabela 3. 
Tabela 2.3 – Artrocinemática das articulações do ombro. 
Articulação Movimentos 
Esternoclavicular 
• Protração/retração 
• Elevação/depressão 
• Rotação anterior/posterior 
Acromioclavicular • Pequenos deslizamentos 
Glenoumeral 
• Rolamento anterior/posterior 
• Rolamento inferior/superior 
• Deslizamento anterior/posterior 
• Deslizamento inferior/superior 
• Rotações 
Escapulotorácica 
• Elevação/depressão 
• Abdução/adução 
• Rotação medial/lateral 
• Rotação anterior/posterior 
Subdeltódea 
(Subacromial) 
• Deslizamentos 
 
 
 
10 
 
Um destaque importante dessa sincronia é entre as articulações glenoumeral e 
escapulotorácica, durante os movimentos de elevação do braço (flexão e/ou abdução 
do ombro), chamada de ritmo escápulo-umeral. Esse ritmo pode ser dividido em três 
etapas durante a abdução do ombro: 
• Etapa 1: Até 30o de abdução do ombro o movimento ocorre predominantemente 
pelo movimento da articulação glenoumeral; 
• Etapa 2: A partir dessa amplitude, o movimento da glenoumeral continua, mas 
agora com a associação do movimento da articulação escapulotorácica, na qual 
realiza um movimento de rotação lateral (ou superior). Isso ocorre até 
aproximadamente 150o; 
• Etapa 3: A partir dos 150o, soma-se o movimento de inclinação lateralda coluna 
vertebral para que possamos alcançar os 180o. 
Em resumo, a articulação glenoumeral contribui com aproximadamente 90o, a 
articulação escapulotorácica com 50o e a inclinação lateral do tronco com os outros 30o. 
Além disso, é importante destacar que durante esse movimento de abdução, e mesmo 
outros movimentos do ombro, não apenas as articulações glenoumeral e 
escapulotorácica estão realizando movimento, embora esses movimentos sejam mais 
expressivos nessas articulações. Como citado anteriormente, durante a produção dos 
movimentos, as articulações esternoclavicular, acromioclavicular e subacromial 
também realizam pequenos movimentos acessórios de ajuste. É por esse motivo que 
lesões nas articulações esternoclavicular e acromioclavicular geram dificuldade nos 
movimentos do ombro, mesmo sendo articulações que contribuem pouco com 
amplitude de movimento propriamente dita. 
2.3 Estabilizadores passivos 
Embora não sejam as principais estruturas que proporcionam estabilidade, sendo pouco 
eficazes para o complexo articular do ombro, os estabilizadores passivos têm sua parcela 
de contribuição na estabilização do ombro. As principais estruturas passivas 
estabilizadoras do ombro estão descritas na Tabela 2.4. 
 
 
 
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Tabela 2.4 – Estabilizadores passivos do complexo articular do ombro. 
Articulação Estrutura Função 
Esternoclavicular 
Ligamento 
esternoclavicular 
anterior 
Restringir a retração da extremidade 
proximal da clavícula. 
Ligamento 
esternoclavicular 
posterior 
Restringir a protração da extremidade 
proximal da clavícula. 
Ligamento 
interclavicular 
Restringir a depressão da extremidade 
proximal da clavícula. 
Ligamento 
costoclavicular 
Restringir a elevação, protração e retração 
da extremidade proximal da clavícula. 
Acromioclavicular 
Ligamento 
acromioclavicular 
Manter a estabilidade horizontal da 
articulação acromioclavicular. 
Ligamento 
conoide 
Restringir a elevação da extremidade distal 
da clavícula. 
Ligamento 
trapezoide 
Restringir a elevação da extremidade distal 
da clavícula. 
Glenoumeral 
Lábio glenoidal 
Aprofundar a cavidade glenoidal, 
melhorando a estabilidade da articulação 
glenoumeral. 
Ligamento 
glenoumeral 
superior 
Restringir a adução do ombro e as 
translações anterior, posterior e inferior da 
cabeça do úmero. 
Ligamento 
glenoumeral 
médio 
Restringir a rotação externa do ombro e a 
translação anterior cabeça do úmero 
(principalmente em 45-60o de abdução). 
Ligamento 
glenoumeral 
inferior 
Restringir a rotação interna e externa 
completas a 90o de abdução, e as 
translações anterior, posterior e inferior da 
cabeça do úmero. 
Ligamento 
coracoumeral 
Restringir a extensão, rotação externa, 
adução e os últimos graus de flexão do 
ombro, além da translação inferior da 
cabeça do úmero. 
Subacromial 
Ligamento 
coracoacromial 
Forma o arco acromial que limita 
superiormente a articulação 
coracoacromial. Também auxilia na 
estabilização da cabeça do úmero na 
cavidade glenoide, evitando sua elevação 
nos movimentos acima dos 90o. 
 
 
 
 
12 
 
Vale destacar que todas as articulações verdadeiras do ombro possuem cápsula 
articular, que também auxiliam na estabilidade multidirecional das articulações. 
2.4 Ações musculares 
Para melhor didática, as ações musculares estão apresentadas de duas formas: 
Primeiramente, na Tabela 2.5, cada músculo está individualmente mostrado e quais 
suas ações no complexo articular do ombro. 
Tabela 2.5 – Músculos do complexo articular do ombro e suas ações. 
Músculo Ações principais no ombro 
Levantador da escápula 
• Elevação da escápula 
• Rotação medial da escápula 
• Adução da escápula 
Rombóides 
• Elevação da escápula 
• Rotação medial da escápula 
• Adução da escápula 
Serrátil anterior 
• Abdução da escápula 
• Rotação lateral da escápula 
• Fixação da escápula na parede do 
tórax 
Trapézio – Fibras 
superiores 
(descendentes) 
• Elevação da escápula 
• Rotação lateral da escápula 
Trapézio – Fibras médias 
(transverso) 
• Adução da escápula 
Trapézio – Fibras inferiores 
(ascendente) 
• Depressão da escápula 
• Rotação lateral da escápula 
Grande dorsal 
(Latíssimo do dorso) 
• Adução do ombro 
• Rotação medial do ombro 
• Extensão do ombro 
Deltóide acromial 
(Fibras médias) 
• Abdução do ombro 
Deltóide espinhal 
(Fibras posteriores) 
• Abdução horizontal do ombro 
• Extensão do ombro 
Deltóide clavicular 
(Fibras anteriores) 
• Adução horizontal do ombro 
• Flexão do ombro 
Infraespinhal 
• Rotação lateral do ombro 
• Adução do ombro 
• Abdução horizontal do ombro 
(Continua...) 
 
 
 
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(...Continuação) 
Supraespinhal 
• Abdução do ombro 
• Rotação lateral do ombro 
Redondo menor 
• Rotação lateral do ombro 
• Adução do ombro 
• Abdução horizontal do ombro 
Redondo maior 
• Adução do ombro 
• Rotação medial do ombro 
Subescapular 
• Adução do ombro 
• Rotação medial do ombro 
Coracobraquial 
• Adução do ombro 
• Flexão do ombro 
Bíceps braquial 
• Flexão do ombro 
• Abdução do ombro 
Tríceps braquial 
(cabeça longa) 
• Extensão do ombro 
• Adução do ombro 
Peitoral menor • Abdução da escápula 
Peitoral maior 
• Adução do ombro 
• Adução horizontal do ombro 
• Flexão do ombro 
• Rotação medial ombro 
 
Na tabela 2.6, os músculos estão divididos pelos movimentos que produzem no ombro. 
Tabela 2.6 – Ações musculares do ombro divididos por movimentos. 
Movimentos Músculos principais 
Flexão 
• Deltóide clavicular 
• Coracobraquial 
• Peitoral maior 
• Bíceps braquial 
• Subescapular 
Extensão 
• Tríceps braquial (cabeça longa) 
• Grande dorsal (latíssimo do dorso) 
• Deltoide espinhal 
Abdução 
• Deltóide acromial 
• Supraespinhal 
• Bíceps braquial (cabeça longa) 
(Continua...) 
 
 
 
 
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(...Continuação) 
Adução 
• Peitoral maior 
• Coracobraquial 
• Grande dorsal (latíssimo do dorso) 
• Infraespinhal 
• Redondo maior 
• Redondo menor 
• Subescapular 
Rotação 
interna 
(rotação 
medial) 
• Subescapular 
• Redondo maior 
• Peitoral Maior 
• Deltóide clavicular 
• Grande dorsal (latíssimo do dorso) 
Rotação 
externa 
(rotação 
lateral) 
• Infraespinhal 
• Redondo menor 
• Supraespinhal 
Abdução 
horizontal 
• Deltóide espinhal 
• Infraespinhal 
• Redondo menor 
Adução 
horizontal 
• Deltóide clavicular 
• Peitoral maior 
• Coracobraquial 
Elevação 
• Trapézio – Fibras superiores 
• Levantador da escápula 
• Rombóides 
Depressão • Trapézio – Fibras inferiores 
Protração 
(abdução 
da 
escápula) 
• Serrátil anterior 
• Peitoral menor 
Retração 
(retração 
da 
escápula) 
• Levantador da escápula 
• Rombóides 
• Trapézio (médio) 
Rotação 
lateral da 
escápula 
• Trapézio – Fibras inferiores 
• Serrátil anterior 
Rotação 
medial da 
escápula 
• Levantador da escápula 
• Rombóides 
 
 
 
 
 
 
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2.5 Tópicos especiais 
2.5.1 Estabilidade dinâmica 
Do ponto de vista ósseo e ligamentar, a articulação do ombro apresenta-se instável e 
depende diretamente das ações dos músculos para gerar estabilidade; aquela dada pela 
ação muscular é descrita como estabilidade dinâmica. 
Embora todos os músculos possam contribuir com essa estabilidade, existe um grupo 
de músculos que merece atenção especial pela sua função: o manguito rotador. Ele é 
formado pelos músculos supraespinhal, infraespinhal, redondo menor e supraespinhal, 
e, por conta do sentido de suas fibras e da sua inserção proximal e distal na escápula e 
na cabeça do úmero, respectivamente, promovem uma importante coaptação da 
cabeça do úmero contra a cavidade glenóide, melhorando assim a estabilidade da 
articulação glenoumeral (Figura 2.3). 
 
Fonte: NEUMANN (2018). 
Figura 2.3 – Movimento de circundução do ombro. 
Além disso, é importante destacar que, como os músculos do manguito rotador se 
originam na escápula, esta serve como base firme para o adequado funcionamento 
desses músculos.Por conta disso, os músculos que promovem a estabilidade dinâmica 
da escápula também participam diretamente na estabilidade da articulação 
glenoumeral. Esses músculos são o levantador da escápula, romboides, serrátil anterior, 
trapézio e peitoral menor. 
 
 
 
 
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2.5.2 Depressão da cabeça umeral 
Os músculos do manguito rotador ainda apresentam uma importante função da 
articulação glenoumeral: diminuir a tendência de elevação da cabeça umeral durante os 
movimentos de abdução do ombro, causada principalmente pelo músculo deltoide. O 
músculo supraespinhal parece executar uma restrição passiva contra a translação 
superior excessiva da cabeça do úmero, enquanto os músculos infraespinhal, redondo 
menor e subescapular exercem uma ação primária na depressão da cabeça umeral em 
razão do sentido oblíquo de suas fibras, gerando um vetor de força no sentido caudal 
durante a abdução, impedindo a elevação da cabeça do úmero. 
Conclusão 
Nesse capítulo, apresentamos a cinesiologia e a biomecânica do complexo articular do 
ombro. Inicialmente, entendemos quais estruturas ósseas fazem parte desse complexo 
(úmero, escápula, clavícula e esterno), bem como a descrição de suas articulações: 
esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral, classificadas como articulações 
anatômicas ou verdadeiras; e escapulotorácica e subdeltódea, classificadas como 
articulações fisiológicas ou falsas. 
Aprendemos os doze movimentos do ombro, assim como a circundução, que embora 
não seja um movimento puro e sim uma combinação de outros movimentos, apresenta-
-se de forma importante nas atividades de vida diária. 
Ainda, vimos que, para formar os movimentos do ombro, micromovimentos acontecem 
entre as superfícies articulares (artrocinemática) e que a movimentação do complexo 
articular do ombro se faz através de uma fina sintonia entre esses movimentos 
envolvendo todas as articulações, sendo que o ritmo escápulo-umeral tem um destaque 
dentre os movimentos do ombro. 
Apresentamos também os mais relevantes estabilizadores passivos do ombro. A partir 
de então, mostramos todos os músculos que fazem parte do complexo articular do 
ombro bem como suas ações. Também, apresentamos esses músculos divididos de 
acordo com suas principais funções. 
 
 
 
17 
 
Por fim, entendemos que o ombro depende muito dos seus músculos para gerar 
estabilidade articular, em especial um grupo de músculos chamado manguito rotador, 
formado pelos músculos supraespinhal, infraespinhal, redondo menor e subescapular. 
Esses músculos, além de melhorar a coaptação da cabeça umeral na cavidade glenóide 
e aumentar a estabilidade, funcionam como depressores da cabeça do úmero, que tem 
a tendência em se elevar excessivamente durante os movimentos de abdução do ombro 
pelo efeito do músculo deltoide, sendo um potencial risco para lesões. 
REFERÊNCIAS 
KAPANDJI, I. A. Fisiologia Articular – Volume 1. 5 ed. São Paulo: Maloine, 2000. 
NEUMANN, D. A. Cinesiologia do aparelho musculoesquelético: Fundamentos para 
reabilitação. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 
SACCO, I. C. N.; TANAKA, C. Cinesiologia e Biomecânica dos complexos articulares. Rio 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

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