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PSICOLOGIA CONSTRUTIVISTA – NP2 UNIDADE III O MÉTODO CLÍNICO DE PIAGET ▪ Avaliação da inteligência segundo a abordagem psicométrica e a abordagem psicogenética Com a finalidade de descrever as habilidades intelectuais do indivíduo, compreender como o sujeito pensa e constrói o conhecimento, Piaget utilizou como método de investigação o método clínico. O objetivo do método clínico piagetiano é compreender como o sujeito pensa e a forma como resolve situações-problema, de que maneira responde às questões elaboradas. O enfoque está em compreender como e quando o sujeito utiliza determinado conhecimento e no processo que o leva a dar uma determinada resposta. Portanto, a resposta “errada” pode ser uma forma de raciocínio do sujeito em determinada fase de seu desenvolvimento e isso deve estar bem claro para o adulto. Dessa forma, o método clínico de Piaget tem como pressuposto uma avaliação da inteligência a partir de uma abordagem psicogenética (avaliação dos processos de desenvolvimento da inteligência), que difere da maneira mais tradicional utilizada em psicologia, à abordagem psicométrica (avaliação ou quantificação das respostas corretas dadas pelo sujeito ao exame). → Abordagem psicométrica: o primeiro teste de inteligência em uma perspectiva psicométrica foi elaborado em 1905 pelos psicólogos franceses Theodore Simon (1872-1961) e Alfred Binet (1857-1911). Esse teste, de caráter verbal e elaborado em grau crescente de dificuldade, visava obter o Quociente Intelectual (QI). Ao longo dos anos surgiram outros testes na tentativa de aperfeiçoar os critérios de medição da inteligência. O objetivo dos testes psicométricos é a mensuração das habilidades mentais. → Abordagem psicogenética: Jean Piaget (1896-1980) o objetivo é investigar a forma como o sujeito pensa e resolve determinadas situações que lhe são apresentadas. O controle está no entendimento de respostas e instruções (controle psicológico), ao invés da padronização das mesmas e das situações externas (controle fisicalista). O investigador, nessa perspectiva, está interessado em compreender o processo que leva um sujeito a esta ou àquela resposta. Para isso, deve ter amplo conhecimento da teoria piagetiana, que irá nortear as perguntas que irá fazer durante a aplicação das provas, bem como a maneira como irá avaliar as respostas dadas pela criança. ▪ Níveis de erro Nível I - corresponde ao erro em que a criança não resolve o problema nem sequer o entende, ou então responde erroneamente, mas com convicção. Nível II - corresponde ao conflito, ambivalência, dúvida, em que a criança oscila em suas respostas, apresentando flutuações. Percebe o erro somente depois de ter cometido, não sendo capaz de antecipá-lo, por isso as ações da criança se baseiam em ensaio e erro, na tentativa, na solução empírica. Nível III - corresponde ao erro em que a criança apresenta uma solução suficiente para a questão e para a compreensão do problema como é colocado. Os erros podem ocorrer, mas o que muda é a maneira como o sujeito lida com eles: podem ser antecipados, neutralizados, pré-corrigidos ou compensados. PSICOLOGIA CONSTRUTIVISTA – NP2 ▪ Relações de sujeitos - Não importismo: a criança responde qualquer coisa e de qualquer forma. - Fabulação: a criança responde à pergunta inventando uma história. - Crença sugerida: a criança busca simplesmente contentar o examinador, sem considerar sua própria reflexão. - Crença desencadeada: a criança responde depois de pensar bastante, extraindo a resposta de seus próprios recursos, sem sugestão. - Crença espontânea: a criança usa seus próprios recursos cognitivos para responder à questão, dando uma resposta imediata. O jogo em uma perspectiva psicogenética Piaget apresenta em seus estudos três grandes tipos de estruturas que caracterizam os jogos infantis: Jogo de Exercício - Estádio sensório-motor (0-2 anos): O prazer que a criança extrai de exercitar uma função. Repetir exercícios motores (gestos, movimentos) – sugar/mamar, agitar os braços, sacudir objetos, emitir sons, caminhar, pular, correr etc. Jogo Simbólico - Estádio pré-operatório (2-6 anos): O prazer em simbolizar, imaginar, criar significados para os objetos e situações. O jogo de faz de conta possibilita à criança a realização de sonhos e fantasias, revela conflitos, medos e angústias, aliviando tensões e frustrações. É a fase das brincadeiras de boneca, casinha, escolinha, personagens, super- heróis etc. Jogos de Construção: Situam-se em uma transição entre jogo e trabalho, entre jogo simbólico e imitação. Construir com blocos, peças de encaixe, montar quebra-cabeças etc. Jogo de Regra - Estádio operatório (7-15 anos): Os jogos de regras pressupõem a existência de parceiros e um conjunto de obrigações (regras), o que lhes confere um caráter eminentemente social. Assim, o que caracteriza o jogo de regras é a existência de um conjunto de leis organizadas e planejadas pelo grupo, o não cumprimento dessas regras pode levar a conflitos e, muitas vezes, à não possibilidade de vitória pelo jogador. Os jogos de regras são classificados como: jogos sensório-motores (futebol) e jogos intelectuais (xadrez, damas, baralho). ▪ Desenvolvimento moral O desenvolvimento moral ocorre em quatro períodos: 1. Anomia (0-2 anos): não existe consciência da regra pela criança. 2. Heteronomia (2-6 anos): já existe consciência da regra e a criança é governada pelo outro, por uma autoridade externa, vivendo uma condição de respeito unilateral – um manda e o outro obedece. PSICOLOGIA CONSTRUTIVISTA – NP2 3. Semiautonomia (6-12 anos): início da autonomia moral, mas a criança ainda depende das regras do meio para organizar-se, já aparecem características de autonomia, mas são mais instáveis e frágeis. 4. Autonomia (12-15 anos): construção da autonomia moral – o indivíduo obedece à regra, busca formas de adequá-la às suas necessidades sem modificá-la ou ele próprio flexibiliza seus interesses, pois valoriza a adesão e o sentido das regras para as relações humanas. A teoria do desenvolvimento moral O conceito de moralidade se relaciona basicamente com o componente condutual da personalidade, pois para se conviver no contexto social, a exigência da moralidade individual é fundamental para se manter a ordem, a disciplina, a segurança e organização da sociedade em vista do cumprimento de seus padrões convencionais socialmente aceitáveis ▪ Socialização em Piaget Respeito às regras. Para Piaget: “Toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras”. ▪ Evolução das regras Pré-estágio: As crianças de 2 ou 3 anos não têm nenhuma noção dos jogos como instituições em que todos devem seguir certas regras. Estágio egocêntrico: Crianças entre 4 e 8 anos estão no estágio egocêntrico Estágio da cooperação nascente: Após os 7 ou 8 anos de idade, a criança percebe a necessidade de todas jogarem da mesma maneira, usando as regras. Estágio da codificação das regras: entre 11 e 14 anos, as crianças estabelecem um código às regras. ▪ Evolução das atitudes infantis Em crianças pequenas, seu jogo é individual, mesmo que joguem em presença de outras crianças. A criança toma conhecimento de que todas as outras jogam de acordo com as regras e superestima sua importância e valor. Piaget chama de “heteronomia” esse exagerado respeito pelas regras. As crianças maiores, ao interagir com outras, aprendem a cooperar. PSICOLOGIA CONSTRUTIVISTA – NP2 ▪ Estágios da evolução do julgamento moral Primeiro estágio: realismo moral (obediência por ordem de outro ou para evitar o castigo). A obediência a qualquer regra é considerada desejável; A lei deve ser obedecidaao pé da letra, e não pela interpretação que lhe damos; As ações devem ser avaliadas com relação à obediência às regras, e não de acordo com sua intenção. Segundo estágio: As regras e ordens são consideradas como questões de mútuo consentimento e estão sujeitas a mudanças. ▪ Justiça e Castigo Dois tipos de castigo: Punição expiatória – consiste em infligir castigos em proporção com a gravidade de falta, mas que nada têm a ver com o delito cometido; são arbitrários. Punição por reciprocidade – consiste em aplicar o castigo não para a expiação da culpa, mas para fazer o infrator sentir de perto as consequências do seu ato. ▪ Paralelo entre o desenvolvimento moral e a evolução intelectual 1) Tanto as normas lógicas como as normas morais não são inatas na consciência individual. É pela vida social, pela interação com outras pessoas que a mente chega ao estabelecimento de normas tanto lógicas quanto morais. 2) Tanto a evolução lógica quanto a evolução moral têm início na aceitação, pela criança, da autoridade da palavra adulta. Existe tanto coação intelectual como coação moral. 3) Só o relacionamento em que predomine a igualdade levará à autonomia. No que se refere ao desenvolvimento intelectual, a convivência com seus iguais, o controle mútuo, possibilitará à criança a crítica, a discussão e, portanto, a reflexão e a verificação objetiva. ▪ Aplicações pedagógicas Trabalho em grupo Autogoverno.