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CÁLCULO I Equipe de Professores do Projeto Newton Aula nº 16: Teorema de Rolle e Teorema do Valor Médio. Objetivos da Aula � Enunciar os Teoremas de Rolle e do Valor Médio; � Apresentar algumas aplicações do Teorema do Valor Médio. Teorema do Valor Médio Para enunciarmos o Teorema do Valor do Médio, precisamos do seguinte resultado: Teorema 1 (de Rolle). Seja f uma função contínua que satisfaça as seguintes hipóteses: 1. f é contínua no intervalo fechado [a, b]; 2. f é derivável no intervalo aberto (a, b); 3. f(a) = f(b). Então, existe um número c em (a, b) tal que f ′(c) = 0. A �gura a seguir mostra o grá�co de três funções que satisfazem o resultado anterior. Em cada um dos casos há pelo menos um ponto (c, f(c)) onde a tangente é horizontal e, portanto, f ′(c) = 0. Vejamos alguns exemplos de utilização desse resultado. Exemplo 1. Demonstre que a equação x3 + x− 1 = 0 tem exatamente uma raiz real. Solução: Pelo Teorema do Anulamento existe uma raiz. De fato, f(x) = x3 + x − 1 é contínua, pois é uma função polinomial, f(0) = −1 e f(1) = 1, logo existe um a entre 0 e 1 tal que f(a) = 0. Para veri�car que a equação dada não possui outra raiz real, vamos usar o Teorema de Rolle. Suponha, por contradição, que a equação dada tenha duas raízes a e b, então f(a) = f(b) = 0. Como f é uma função polinomial, então f é derivável em (a, b) e contínua em [a, b]. Assim, pelo Teorema de Rolle, existe um c entre a e b, tal que f ′(c) = 0. Mas, f ′(x) = 3x2 + 1 > 0, ∀ x. Portanto, f ′(x) nunca pode ser zero, o que contradiz o Teorema de Rolle. Logo, a equação não pode ter duas raízes. � 1 Cálculo I Aula nº 16 Exemplo 2. Dois corredores começam uma disputa de corrida ao mesmo tempo e terminam empatados. Mostre que em algum instante, durante a corrida, eles correram com a mesma velocidade. Solução: Sejam f a função que descreve a posição do corredor 1 e g a do corredor 2. A cada instante t durante a corrida, associamos a posição f(t) e g(t) aos respectivos corredores 1 e 2. Consideremos a função h(t) = f(t) − g(t) e [t0, tf ] o intervalo de tempo que durou a corrida. Como f e g são deriváveis em (t0, tf ) e contínuas em [t0, tf ] então h também é. E além disso, h(t0) = f(t0)− g(t0) = 0 e h(tf ) = f(tf )− g(tf ) = 0, pois eles começaram e terminaram juntos a corrida. Segue do Teorema de Rolle que existe algum instante t1 entre t0 e tf tal que h′(t1) = 0. Logo, f ′(t1) = g′(t1). � Teorema 2 (do Valor Médio). Seja f uma função que satisfaz as seguintes hipóteses: 1. f é contínua no intervalo fechado [a, b]; 2. f é derivável no intervalo aberto (a, b). Então, existe um número c em (a, b) tal que f ′(c) = f(b)− f(a) b− a (1) ou, de maneira equivalente, f(b)− f(a) = f ′(c)(b− a). Geometricamente, temos que, dados dois pontos A = (a, f(a)) e B = (b, f(b)) sobre o grá�co de uma função derivável. Neste caso, a inclinação da reta secante AB é: mAB = f(b)− f(a) b− a , que é a mesma expressão mostrada no lado direito da equação (1). Uma vez que f ′(c) é a inclinação da reta tangente no ponto (c, f(c)), o Teorema do Valor Médio, nos garante, pela equação (1) que há, pelo menos, um ponto P = (c, f(c)) sobre o grá�co onde a inclinação da reta tangente é igual à inclinação da reta secante. Em outras palavras, estamos dizendo que a reta tangente no ponto P é paralela à reta secante AB. Observe gra�camente: Equipe de Professores do Projeto Newton 2 Cálculo I Aula nº 16 Exemplo 3. Determine c ∈ (0, 4) para o qual a reta tangente ao grá�co da função f(x) = x2 − 5x+ 6 no ponto P = (c, f(c)) seja paralela à reta secante que passa pelos pontos A = (0, f(0)) e B = (4, f(4)). Solução: Como f é uma função polinomial, então é contínua e derivável em todo o seu domínio. O Teorema do Valor Médio garante a existência de c ∈ (0, 4), tal que f ′(c) = f(b)− f(a) b− a ⇒ 2c− 5 = f(4)− f(0) 4− 0 ⇒ c = 2. � Exemplo 4. Se um objeto move-se em uma linha reta com uma função posição s(t). Então a velocidade média entre t = a e t = b é s(b)− s(a) b− a , e a velocidade em t = c é s′(c). Assim, o Teorema do Valor Médio nos diz que, em algum instante t = c entre a e b, a velocidade instantânea f ′(c) é igual a velocidade média. Por exemplo, se um carro percorrer 180 km em duas horas, então o velocímetro deve ter passado pela marca dos 90 km/h pelo menos uma vez. � Observação 1. Em geral, o Teorema do Valor Médio pode ser interpretado como se dissesse que existe um número no qual a taxa de variação instantânea é igual a taxa de variação média em um intervalo. Exemplo 5. Suponha que f(0) = 3 e f ′(x) ≤ 5 para todos os valores de x. Quão grande f(2) pode ser? Solução: Pelos dados do problema, temos que f é derivável (e, portanto, contínua) para todo x. Em particular, vamos aplicar o Teorema do Valor Médio no intervalo [0, 2]. Então, existe um número c tal que f(2)− f(0) = f ′(c)(2− 0), logo f(2) = f(0) + 2f ′(c) = 3 + 2f ′(c). Sabemos que f ′(c) ≤ 5 para todo x. Assim, multiplicando ambos os membros dessa desigualdade por 2, temos que 2f ′(c) ≤ 10, logo f(2) = 3 + 2f ′(c) ≤ 3 + 10 = 13. Portanto, o maior valor possível para f(2) é 13. � Exemplo 6. Suponha que em uma rodovia reta há dois carros de patrulha da Polícia Rodoviária que estão distantes 5 quilômetros um do outro. Suponha também que um caminhão passou pelo primeiro carro da patrulha com velocidade de 55 km/h, e sem parar, 4 minutos depois passou pelo segundo carro da patrulha com velocidade de 50 km/h. Mostre que em algum instante entre os carros da Polícia Rodoviária, o caminhão ultrapassou o limite de velocidade dessa rodovia que era de 55km/h. Solução: Consideremos s(t) a função posição do caminhão no instante t. Note que o trajeto considerado foi feito no intervalo [ 0, 1 15 ] , onde t = 0 é o instante em que o caminhão passa pelo primeiro carro da patrulha, e o instante 4 60 = 1 15 h é o instante em que ele passa pelo segundo carro. Desse modo, s(0) = 0 e s ( 1 15 ) = 5. Equipe de Professores do Projeto Newton 3 Cálculo I Aula nº 16 Logo, a velocidade média do caminhão nesse trajeto é de s( 1 15)− s(0) 1 15 − 0 = 5− 0 1 15 = 75km/h. Supondo que s é derivável no intervalo ( 0, 1 15 ) e contínua em [ 0, 1 15 ] , segue do Teorema do Valor Médio que existe um instante entre t = 0 e t = 1 15 tal que a velocidade do caminhão foi igual à velocidade média do trajeto. Portanto, em algum instante t∗ temos que s′(t∗) = 75, logo o caminhão ultrapassou o limite de velocidade. � Os resultados a seguir são também consequências do Teorema do Valor Médio e serão utilizadas posteriormente. Corolário 1. Se f ′(x) = 0 para todo x em um intervalo (a, b), então f é constante em (a, b). Corolário 2. Se f ′(x) = g′(x) para todo x em um intervalo (a, b), então f − g é constante em (a, b), isto é, f(x) = g(x) + c, em que c é uma constante. Resumo Relembre as hipóteses de cada um dos teoremas apresentados na aula. Quais são as interpretações geométrica e cinemática do TVM? Aprofundando o conteúdo Leia mais sobre o conteúdo desta aula na seção 4.2 do livro texto. Sugestão de exercícios Resolva os exercícios da seção 4.2 do livro texto. Equipe de Professores do Projeto Newton 4