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1 OAB 2ª FASE: DIREITO DO TRABALHO Disciplina: Direito do Trabalho Prof.º: André Paes Aula: 09 Monitora: Joice Bezerra MATERIAL DE APOIO - MONITORIA Anotações de aula Enunciado: Questão Prática 73 Policial Militar, fora dos horários em que servia à Corporação, prestava serviços, em caráter permanente, para determinada empresa concessionária de veículos, onde ativava-se como Chefe de Segurança, percebendo remuneração fixa mensal. Naquele local, além de prestar serviços não eventuais, assinalava cartão-ponto e cumpria ordens, ali laborando, também, quando em férias ou eventuais dispensas da atividade militar. Despedido pela aludida concessionária, postulou perante a Justiça do Trabalho o vínculo de emprego e consequentes. O Juízo de primeiro grau entendeu inexistir vínculo de emprego, tratando-se de mero vínculo de trabalho e, pois, a ação seria improcedente perante a Justiça do Trabalho, e, ademais, a situação dos autos configuraria violação disciplinar prevista no Estatuto Policial Militar. Questão: Como advogado do Policial Militar, interponha a medida judicial cabível, apresentando a devida fundamentacao. Reclamação Trabalhista – postula: vínculo de emprego Instrução processual Sentença – julgou improcedente o vínculo Cabe que recurso? Recurso ordinário Peça: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA ... VARA DO TRABALHO DE ... Processo n.º .... “Policial Militar”, já qualificado nos autos da Reclamação Trabalhista que move em face de Concessionária de veículos, por seu advogado que esta subscreve, vem à presença de Vossa Excelência interpor tempestivamente e com fulcro no artigo 895, I da CLT RECURSO ORDINÁRIO requerendo a remessa das anexas razões ao Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da ... Região, pelo que comprova, em anexo, o recolhimento das custas processuais para os devidos fins de direito. Nesses termos pede deferimento. Local e data. Advogado OAB OUTRA FOLHA 2 RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO Recorrente: “Policial Militar” Recorrido: “Concessionária de veículos” Processo n.º: ... Origem: ... Vara do Trabalho de ... Egrégio Tribunal Doutos Julgadores HISTÓRICO PROCESSUAL O Reclamante, ora Recorrente, propôs Reclamação Trabalhista em face do Recorrido pleiteando vínculo de emprego, ação esta julgada improcedente. No entanto, referida decisão não merece prosperar, pois inteiramente divorciada dos preceitos legais e jurisprudenciais. Senão vejamos: DO VÍNCULO DE EMPREGO Como mencionado, a sentença de 1º grau indeferiu o pedido de reconhecimento de vínculo de emprego argumentando, para tanto, que além do pedido constituir infração disciplinar, já que o Recorrente é policial militar, não restou configurada a relação empregatícia, existindo somente relação de trabalho, o que, aliás, não seria sequer de competência da Justiça do Trabalho analisar. Contudo, não há como concordar com nenhum fato contido no julgado recorrido por diversos motivos. Primeiro porque a atual redação do artigo 114, I da CF trazida pela EC 45/04 prevê a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar as ações decorrentes da relação de trabalho. Em seguida, porque a Súmula 386 do TST é clara ao afirmar a possibilidade de reconhecimento de vínculo de emprego de policial militar com empresa privada independentemente de eventual penalidade contida em seu Estatuto, desde que presentes os requisitos previstos no artigo 3º da CLT, fato este que inegavelmente ocorre no caso em tela. A pessoalidade está caracterizada pelo simples fato da prestação de serviço ter sempre sido realizada pelo próprio Recorrente que assim fazia de forma permanente e não eventual, o que configura habitualidade. Assinalava cartões de ponto, além de cumprir ordens e recebia remuneração fixa mensal, caracterizando assim respectivamente a subordinação e onerosidade. Assim, por qualquer lado que se analise a questão, notório nos configura o equívoco cometido no julgado inicial, tornando indispensável a reforma do julgado desde já requerida. CONCLUSÃO Pelo exposto, requer o conhecimento e consequente provimento do presente apelo, revertendo assim a decisão inicial e condenando o Reclamado às custas processuais em reversão, tudo por ser medida da mais pura e lídima JUSTIÇA! Local e data. Advogado OAB Enunciado: João Aguirre, nascido em 1935, propôs Reclamação Trabalhista em face da casa de saúde Novo Lar requerendo a integração de salários recebidos “por fora”, horas extras e férias vencidas, pois alega que as usufruiu em dois períodos nos últimos três anos. Em contestação a empresa nega os salários “por fora” e as horas extras, mas assume que as férias eram concedidas em dois períodos, porém destaca que assim era feito em razão de casos excepcionais em um período de 10 e outro de 20 dias, como a CLT permite. Em audiência, as duas únicas testemunhas do Reclamante foram indeferidas, sob protestos, já que segundo o juízo da 1ª Vara do Trabalho de Blumenau/SC, elas estavam litigando contra o mesmo Reclamado, o que caracterizou a improcedência da ação. Como advogado do prejudicado, atue: 3 Teses: Cerceamento de defesa – Súmula 357 do TST Ouvir testemunhas – juiz de 1ª Instância Como prova o salário “por fora”? por testemunha Férias: CLT. Art. 134 - As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subseqüentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. § 1º - Somente em casos excepcionais serão as férias concedidas em 2 (dois) períodos, um dos quais não poderá ser inferior a 10 (dez) dias corridos. § 2º - Aos menores de 18 (dezoito) anos e aos maiores de 50 (cinqüenta) anos de idade, as férias serão sempre concedidas de uma só vez. Súmula nº 386 do TST POLICIAL MILITAR. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO COM EMPRESA PRIVADA (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 167 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 Preenchidos os requisitos do art. 3º da CLT, é legítimo o reconhecimento de relação de emprego entre policial militar e empresa privada, independentemente do eventual cabimento de penalidade disciplinar prevista no Estatuto do Policial Militar. (ex-OJ nº 167 da SBDI-1 - inserida em 26.03.1999) Súmula nº 357 do TST TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Peça: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 1ª VARA DO TRABALHO DE BLUMENAU/SC Processo n.º ... João Aguirre, já qualificado nos autos da Reclamação Trabalhista que move em face de Casa de Saúde Novo Lar, por seu advogado que esta subscreve, vem à presença de Vossa Excelência interpor tempestivamente e com fulcro no artigo 895, I da CLT RECURSO ORDINÁRIO requerendo a remessa das anexas razões ao Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, pelo que comprova, em anexo, o recolhimento das custas processuais para os devidos fins de direito. Nesses termos Pede deferimento. Local e data Advogado OAB OUTRA FOLHA RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO Recorrente: João Aguirre Recorrido: Casa de Saúde Novo Lar 4 Processo n.º ... Origem: 1ª Vara do Trabalho de Blumenau/SC Egrégio Tribunal Doutos Julgadores HISTÓRICO PROCESSUAL O Recorrente propôs Reclamação Trabalhista em face do Recorrido pleiteando a integração de salários pagos “por fora”, horas extras e férias vencidas, ação esta que após irregular instrução processual foi julgada improcedente. No entanto referida decisão não merece prosperar pois inteiramente divorciada dos preceitos legais e jurisprudenciais. Senão vejamos: DO CERCEAMENTO DO DIREITO Na audiência de instrução realizada o Magistrado de 1º grau indeferiu a oitivadas duas testemunhas do Recorrente alegando, para tanto, que ambas estavam litigando contra o Recorrido, ocasião em que o Peticionário consignou protestos, evitando assim a preclusão consumativa do ato. Contudo, a Súmula 357 do TST não considera suspeita a testemunha que move ou até mesmo tenha movido Reclamação Trabalhista contra o mesmo Reclamado, restando evidente que o indeferimento ocorrido deve ser revisto. Tal fato é de extrema relevância no caso em tela, pois boa parte do pleito corresponde a matéria de fato, cuja oitiva testemunhal é sua única forma de comprovação. Por esta razão, requer a nulidade parcial do julgado e consequente retorno à Vara de origem para correta instrução processual e análise dos pedidos de salários pagos “por fora” e horas extras. DAS FÉRIAS Tratando-se de matéria exclusivamente de direito e sendo por conseguinte irrelevante a prova testemunhal, requer a reversão imediata do pedido em tela por este Egrégio Tribunal. Isso porque o Recorrente postula o pagamento de férias em dobro destacando que nos últimos três anos elas foram usufruídas em dois períodos, argumento este admitido pelo Recorrido, que se limita a relatar que assim foi feito em virtude de ocorrências excepcionais, o que é previsto pelo artigo 134, § 1º da CLT. Ocorre que o Recorrente possui mais de 50 anos de idade, fato que se atesta de forma simples pelo ano de seu nascimento (1935), o que, de acordo com o §2º do dispositivo mencionado, o exclui da possibilidade excepcional de divisão das férias. Por esta razão, requer a reversão da improcedência do pedido em questão. CONCLUSÃO Pelo exposto requer o conhecimento e consequente provimento do presente apelo para, num primeiro momento, acolher a nulidade apontada com o consequente retorno dos autos à instância de origem pra a correta instrução processual com a oitiva das testemunhas indeferidas e devida análise das horas extras e salários “por fora” para, em seguida, reverter de imediato o pedido referente às férias, condenando o Recorrido às custas processuais em reversão, tudo por ser medida da mais pura e lídima JUSTIÇA! Local e data. Advogado OAB 5 Enunciado: Renato Machado propôs Reclamação Trabalhista contra a Editora Arte Ltda., pleiteando a incidência do FGTS no aviso prévio indenizado e multa do artigo 477, § 8º da CLT, uma vez que as verbas rescisórias foram pagas no 1º dia útil subsequente ao término dos 30 dias do aviso prévio. Em sentença, o juiz não analisa o mérito da causa em razão de ter acolhido a preliminar de carência da ação suscitada pela Reclamada, sob o argumento de que o Sindicato do Reclamante possui Comissão de Conciliação Prévia e assim o juiz da 1ª Vara do Trabalho de Aparecida de Goiânia/GO entendeu que o Reclamante deveria cumprir o disposto no artigo 625-D da CLT. Como advogado do prejudicado, atue: Enunciado: Joana da Silva, trabalhou para a Instituição Lar Brasil desenvolvendo suas funções como Mãe Social. Seu contrato de trabalho previa descontos no seu salário caso um dos menores assistidos por ela ou ela mesma danificassem materiais da Instituição. Após uma discussão com o Diretor da Entidade Joana quebrou propositalmente um dos computadores da Instituição, cujo valor foi descontado de suas verbas rescisórias no importe de R$ 1.300,00, gerando a ela um saldo credor de R$ 180,00, já que sua demissão se deu por justa causa e levando-se em conta que seu salário era de R$ 1.500,00. Não se conformando com o desconto Joana propôs reclamação trabalhista perante o juízo da 1ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte/MG pleiteando a devolução e a reversão da demissão por justa causa, já que segundo ela não há previsão na CLT para esta falta grave. Pleiteia também reconhecimento do vínculo de emprego do período inicial, pois alega que antes de ser registrada permaneceu por 60 dias em treinamento teórico e prático por determinação da Instituição. Após a defesa e intimação da sentença que condenou o Reclamado em todos os pedidos, a empresa lhe contrata como advogado para propor o remédio cabível lhe informando sobre um fato não arguido na contestação e querendo saber se existe possibilidade de mencioná-lo agora. Fato: a demissão ocorreu no dia 20.02.2010 e esta demanda foi proposta no dia 25.02.2012. Como advogado do prejudicado, atue postulando somente o que é possível neste momento processual. Enunciado: QUESTÃO PRÁTICA 75 O empregador, ao comparecer pessoalmente, sem advogado, à audiência de uma ação em que é cobrado o pagamento de adicional de insalubridade, em grau máximo, sobre o salário efetivamente pago ao empregado, aduz simplesmente nada dever ao empregado. Encerrada a instrução, sem produção de outras provas, sob a alegação de falta de contestação específica dos fatos, é proferida sentença de acolhimento do pedido, com condenação do empregador ao pagamento do adicional de insalubridade, em grau máximo, calculado, porém, sobre o salário mínimo. O empregador, intimado da sentença e embora com ela não concorde, não a impugna. O empregado, por sua vez, oferece recurso ordinário, postulando a incidência do adicional de insalubridade sobre o salário que efetivamente recebia. Questão: Como advogado contratado pelo empregador, no momento em que recebida a intimação para oferecer sua resposta, tomar a providencia processual cabível com vistas a afastar a sucumbência do reclamado.