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Victor Velloso – FASAI 23.2 1 ➜ Pneumonia adquirida na comunidade - Definição ⇀ As pneumonias são definidas por infecções causadas por agentes patogênicos que gera uma resposta inflamatória no parênquima pulmonar. Adquirida na comunidade – infecção que começa fora do hospital ou 48h após internação. Existem outros tipos de pneumonia, como a nosocomial na qual os agentes etiológicos e a mortalidade serão diferentes. Existe também a pneumonia broncoaspirativa e a pneumonite broncoaspirativa. Inalação de fumaça irritante também causa pneumonite. Pneumonia associada à ventilação mecânica. ➜ Epidemiologia e fatores de risco ⇀ 8º maior causa de morte por doença infecciosa ⇀ 1,25 milhões de internações ⇀ Possui alta incidência até os 3 anos de idade, diminui com o avançar da idade e volta a aumentar após os 50 anos – imunidade, diminuição do reflexo. AIDS – incidência 100x maior. ⇀ Média de hospitalização – 7 dias. Mortalidade após 7d = 7% e após 30 dias +7%. Mortalidade total 15%. [Na UTI ou nosocomial 50%] Aumento da mortalidade após 4 horas de diagnóstico da entrada na emergência. Em função da demora da hemocultura e falso-negativos. Diretriz de sepse preconiza 1 hora, apenas 20% inicia nas primeiras 4 horas, a maioria demora pelo menos 10 horas para iniciar. ⇀ Internações por pneumonia chegam a dobrar no inverno. ⇀ DPOC, fibrose cística e bronquiectasia ou outras anormalidades estruturais do pulmão predispõem à pneumonia bacteriana, especialmente em pacientes que também estão em uso de corticosteroides. Fatores que aumentam a incidência nos últimos anos: uso de antibióticos de espectro cada vez mais amplos, procedimentos invasivos, imunodeficiência. ➜ Etiologia ⇀ A pneumonia adquirida na comunidade pode ser causada por alguns agentes bacterianos, virais e fúngicos. ⇀ As pneumonias típicas resultam da infecção por bactérias que se multiplicam fora das células alveolares e causam inflamação e exsudação de líquidos para os espaços aéreos dos alvéolos. As pneumonias atípicas são causadas por vírus e Mycoplasma que afetam o septo alveolar e o interstício pulmonar. ⇀ As bactérias que mais comumente causam pneumonia são a Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus (presente na pele), e Haemophilus influenzae, sendo que a infecção por esse ultimo aumenta a incidência de pneumonia por outros patógens. ⇀ Vírus influenza, vírus sincicial respiratório e rinovírus. Naqueles com infecção pelo HIV/ AIDS há risco aumentado para infecção por Aspergillus (Fungo), Cryptococcus species, Histoplasma capsulatum, Haemophilus influenzae e Pneumocystis jiroveci. Broncoaspiração ou M. tuberculosis má dentição – cândida sp ⇀ Síndrome de Loeffler – Pneumonia eosinofílica causada por helmintos - Strongyloides stercoralis causa strongiloidose e promove autoinfecção em função das larvas que são eliminadas nas fezes penetrarem na mucosa do cólon e na região perianal e retornar à circulação sanguínea, podendo atingir os pulmões. Lavagem broncoalveolar permite identificar o tipo de pneumonia ou isso se dá pelo hemograma? Victor Velloso – FASAI 23.2 2 ⇀ Pneumonia por aspiração – Broncoaspiração aguda e broncoaspiração crônica Redução do nível de consciência ou reflexo de tosse Doenças no esfíncter esofágico inferior ou fístulas traqueobrônquicas; Cândida sp. ➜ Fisopatologia ⇀ Os mecanismos fisiopatológicos envolvidos na pneumonia estarão relacionados ao agente que está infectando o pulmão e à imunidade do hospedeiro. Microoganismos são capturados pelas fímbrias e cílios, reflexo de tosse, Imunoglobulina A, ⇀ Na pneumonia lobar, o agente infeccioso pode infectar um lobo ou segmento pulmonar, causando extravasamento de exsudato inflamatório para dentro dos alvéolos da região afetada. Isso diminui a pervidade das vias aéreas distais, onde ocorre a troca gasosa. ⇀ Na broncopneumonia há múltiplos focos de infecção que podem confluir. Nesse caso o exsudato e as enzimas líticas liberadas pelas células de defesa destroem os septos alveolares. Porque na pneumonia lobar os septos não são destruídos e na broncopneumonia são? ⇀ A pneumonia pode, ainda, surgir na forma de abscesso. Nesse caso, uma área do pulmão irá ser degradada pelo processo infeccioso e o pus resultante daquele processo irá extravasar como exsudato para o local do abscesso. Abscessos pulmonares são importantes de serem identificados pois são fontes de bacteremia e são locais de difícil chegada dos antibióticos. Pneumonia intersticial Essa lesão e resposta inflamatória pode ser divindade em algumas fases: • Inicial: Há hiperemia dos vasos, aumento da permeabilidade capilar, ainda há pouco recrutamento de leucócitos (prcp neutrófilos). • Hepatização vermelha: Nessa fase os alvéolos adquirem a cor vermelha semelhante a do fígado (muito vascularizado) pelo extravasamento de componentes do sangue como hemácias que deveriam estar presentes dentro dos vasos. • Hepatização cinenta: Um dos compostos do sangue que extravasa para o espaço alveolar e intersticial é o fibrinogênio, que é convertido em fibrina e forma uma consolidação. O pulmão está bastante friável nessa etapa em função das enzimas líticas liberadas pelos neutrófilos. • Resolução: Há lise da fibrina extravasada e reabsorção do exsudato. Não há destruição dos septos alveolares na pneumonia lobar. Pode ocorrer extravasamento de fibrina para o espaço pleural, causando adesão entre as pleuras (fibrotorax). Victor Velloso – FASAI 23.2 3 Alveolos preenchidos por células inflamatórias. Septos intactos. Hiperemiado. A- Penumonia típica B- Pneumonia atípica (intersticial, vírus e mycoplasma) ⇀ Haemophillus influenzae: prolongamento na sua superfície que favorece a aderência ao epitélio respiratório e pela secreção de enzimas que afetam os batimentos ciliares e inativam a IgA secretória. ⇀ Vírus: Causa infiltrado de macrófagos e linfócitos, causando destruição do epitélio respiratório e secreção exacerbada de muco. Covid-19 – Mesma família do vírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS) e síndrome respiratória do oriente médio: Espículas de glicoproteínas presentes em sua camada lipoproteica ligam-se ao receptor da enzima conversora da angiotensina 2 (ECA-2), facilitando a entrada do vírus em células epiteliais do trato respiratório, incluindo pneumócitos do tipo II. Causa infiltrado intersticial. Resulta em fibrose pulmonar, dano endotelial o que promove a formação de trombo oclusivos múltiplos na circulação pulmonar, diminuindo a área de troca gasosa e alterando a relação V/Q. Tríade de virchow – lesão endotelial pelo vírus, hipercoagulabilidade pelo estado inflamatório e estase sanguínea. os mediadores químicos da inflamação excitam a vasodilatação alveolar, o que aumenta da permeabilidade histológica pulmonar do espaço alveolar, provocando o edema pulmonar, destruindo acentuadamente os pneumócitos II, acumulando secreção e inibindo a produção de sufactante, chegando ao seu produto final, que é Victor Velloso – FASAI 23.2 4 caracterizado pelo colabamento alveolar (atelectasia Leva à síndrome da angustia respiratória aguda e falência multipla dos órgãos. Há dispneia com hipoxemia. Severe covid-19 pneumonia: pathogenesis and clinical management Amy H Attaway et al 2021 ⇀ Fungo: Pneumonias por fungos são mais comuns em pacientes imunodeprimidos e se configuram como um desafio na escolha do tratamento. Isso ocorre em função da primidade filogenética entre animais e fungos, o que propicia um desafio na criação de medicamentos que sejam exclusivamente seletivos dos fungos, atuando em estruturas exclusivas deles e essenciais à sua vida.⇀ Coccidioidomicose Comum em regiões com baixo índice pluviométrico (nordeste [Bahia, Piauí, Maranhão e Ceará.] é a região prevalente) e em pessoas imunodeprimidas (todos no artigo)– semelhante a tb, causa dor torácica pleurítica, febre, sudorese noturna mas pode se manifestar como formas não pulmonares, como a cutânea ou neurológica, podendo ainda apresentar padrão miliar. ⇀ É comum infiltrado hemorrágico, os fungos podem se instalar em cavitações prévias (TB) e criar uma bola fúngica que se espalha pelos canalículos aéreos e pelos vasos sanguíneos. Manifestações clínicas Derrame parapneumonico ocorre em função do dano vascular e do aumento da permeabilidade vascular com consequente extravasamento de exsudato. Pode ser estéril (não complicado) ou infeccioso (complicado): ➜ Diagnóstico ⇀ Os sintomas são tosse, febre, dor torácica pleurítica, fadiga, anorexia, dispneia. Som macico ou submacico. Ao exame físico pode-se perceber diminuição do som respiratório e frêmito toracovocal aumentado, estertores e crepitações. Os estertores são causados pelo acúmulo de muco nas vias aéreas. São semelhantes aos sibilos (miado de gato) com a mudança de timbre ocasionada pela mudança do meio físico de origem do som Epitélio – Secreções. As crepitações são sons bolhosos resultantes da entrada de ar em alvéolos cheios de secreção ou líquido. Pode ser feita radiografia de tórax à procura de consolidações Sinal de silhueta: Ocorre quando a consolidação pulmonar se sobrepõe na linha do coração, borrando as bordas. Ajuda a identificar o local de acometimento da pneumonia. Quando a silhueta direita do coração está apagada, o lobo médio direito está sendo acometido. Quando a silhueta esquerda está apagada, o lobo esquerdo está comprometido. Quando a margem diafragmática direita está apagada, o lobo acometido foi o inferior. Victor Velloso – FASAI 23.2 5 Parábola de Demoisier Broncograma aéreo: Alvéolos cheios de líquido, mas brônquios estão sadios e cheios de ar. Elisa na urina detecta fragmentos da parede celular do pneumococo ou um polissacarídeo da cápsula. PCR positiva pode indicar colonização e não infecção, uma vez que indivíduos podem apresentar o S. pneumoniae na sua flora sem ter a infecção. Para microorganismos que não são comumente encontrados nas vias aéreas, o PCR positivo é bastante sensível e específico. ➜ Tratamento antifúngicos azólicos orais (fluconazol ou itraconazol) ou anfotericina B (sobretudo em acometimento meníngeo) Lobectomia Não é possível estabelecer um diagnóstico etiológico em mais de 50% dos casos Victor Velloso – FASAI 23.2 6 A categorização CURB65 é útil para avaliar a gravidade e a conduta em indivíduos com pneumonia. Tratamento empírico com antibioticoterapia Infectious Diseases Society of America e da American Thoracic Society preconizam um macrolídeo com uma quinolona ou um betalactamico com um macrolídeo. Corticosteroides adjuvantes Os dados em relação à eficácia dos corticosteroides (ex: metilprednisolona) no tratamento da pneumonia têm sido conflitantes. No entanto, duas metanálises recentes concluíram que 3 a 7 dias de corticosteroides conseguem reduzir as taxas de morbidade e mortalidade em pacientes com formas graves de pneumonia adquirida na comunidade. Para fins de comparação, pacientes com formas graves de CO VID-19 se beneficiam de corticosteroides sistêmicos (p. ex., dexametasona na dose de 6 mg/dia por até 10 dias ou hidrocortisona, 200 a 400 mg IV durante cerca de 7 dias), que conseguem reduzir a taxa de mortalidade em aproximadamente um terço. Macrolídeos (eritromicina e azitormicina) são bacteriostáticos se ligando à porção 50s do RNAr das bactérias. RNAt contém os códons responsáveis por formar a proteína. RNAm é formado a partir da RNA polimerase e contém a informação do que irá ser traduzido. RNAribossómico são as maquinarias celulares que produzem as proteínas. Beta lactâmicos (penicilina e amoxicilina)– Inibem a síntese da parede celular bacteriana ao se ligar à proteína trasnportadoras, expondo antígenos da sua membrana plasmática às células de defesa. Quinolonas (Ciprofloxacina e Levofloxacina): Inibem a topoisomerase IV e a DNA Girase. A topoisomerase IV e a DNA girasse (topoisomerase II) são responsáveis por desenovelar e realizar algumas quebras na dupla hélice de DNA. As quinolonas se ligam a ao complexo enzima-DNA e promove inibição dessas enzimas. O material genético, que é 15x maior que o volume da célula, começa a se desenovelar e a ser transcrito e traduzido de maneira descontrolada, provocando a morte celular. Nos fungos, o ergosterol é o principal componente da membrana celular, sendo responsável por regular sua fluidez, assim como o colesterol regula a fluidez das membranas plasmáticas animais. Os azolicos [cetoconazol e clotrimazol] (ou azois) atuam no citocromo p450 (presente no ribossomo e responsável pela oxidação de muitas moléculas), impedindo a conversão de lanosterol em ergosterol e alterando a fluidez e permeabilidade da membrana fúngica. Além disso, ao bloquear essa oxidação, ocorre acúmulo de peróxido de hidrogênio H2O2 no citoplasma, causando estresse oxidativo. São considerados fungistáticos. Os polienos (como a anfotericina B) também atuam alterando a permeabilidade da parede celular, mas ao invés de impedir sua produção, a droga se liga ao ergosterol e causa danos à membrana plasmática. A anfotericina B tem pouca seletividade entre as células humanas e fúngicas e também se liga ao colesterol da membrana plasmática das células humanas, causando efeitos colaterais. As células que possuem maior quantidade de colesterol serão afetadas, portanto o fígado e os rins são acometidos. Hepatotóxico e nefrotóxico. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciprofloxacina