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e-Tec Brasil113 Aula 16 - Drogas de abuso solventes e inalantes A maioria dos solventes ou inalantes não apresentam fi nalidade médicas e apesar da maioria ser vendida livremente, seu consumo é proibido para fi ns recreacionais. O consumo dessas substâncias ocorre em várias partes do mundo, sobretudo entre crianças e adolescentes de países subdesenvolvidos ou por populações marginalizadas de países industrializados, por isso é importante o conhecimento sobre estas substâncias. Figura 16.1: Inalantes Fonte: http://www.clinicaarthurguerra.com.br Um número enorme de produtos comerciais, como esmaltes, colas, tintas, thinners, propelentes, gasolina, removedores, vernizes, etc, contém solven- tes. Eles podem ser aspirados tanto involuntariamente (por exemplo, tra- balhadores de indústrias de sapatos ou de oficinas de pintura, o dia inteiro expostos ao ar contaminado por estas substâncias) ou voluntariamente (por exemplo, a criança de rua que cheira cola de sapateiro; o menino que cheira em casa acetona ou esmalte, ou o estudante que cheira o corretivo Carbex, etc). Todos estes solventes ou inalantes são substâncias pertencentes a um grupo químico chamado de hidrocarbonetos, tais como o tolueno, xilol, n- -hexana, acetato de etila, tricloroetileno, etc. No Brasil, o cheirinho ou loló é bastante utilizado e conhecido. É produzido clandestinamente à base de clorofórmio e éter só para fins de abuso. Porém, devido à clandestinidade da produção, não se sabe ao certo quais subs- tâncias são adicionadas para fazer o loló. O que complica quando ocorrem intoxicações agudas por esta mistura. Outra substância importante no Brasil é o lança-perfume. O lança perfume é à base de cloreto de etila e sua produção está proibida no Brasil. Figura 16.2: Lança-perfume Fonte: http://2.bp.blogspot.com/ O quadro a seguir mostra as substâncias químicas utilizadas como inalantes. Figura 16.3: Substâncias Químicas Encontradas nos Solventes Fonte: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/009.pdf e-Tec Brasil 114 Farmacologia Aplicada à Dependência e-Tec Brasil115Aula 16 - Drogas de abuso solventes e inalantes 16.1. Efeitos no cérebro O início dos efeitos, após a aspiração, é bastante rápido (segundos) e em 15-40 minutos desaparecem, assim, o usuário repete as aspirações várias vezes para que as sensações durem mais tempo. Essas substâncias também interagem com o sistema de recompensa, vejam na figura abaixo: Figura 16.4: Inalantes e o Sistema de Recompensa Fonte: http://www.uniad.org.br De acordo com o aparecimento dos efeitos após inalação de solventes, eles foram divididos em quatro fases: Primeira fase: é a chamada fase de excitação e é a desejada, pois a pes- soa fica eufórica, aparentemente excitada, ocorrendo tonturas e perturba- ções auditivas e visuais. Mas pode também aparecer náuseas, espirros, tosse, muita salivação e as faces podem ficar avermelhadas. Segunda fase: a depressão do cérebro começa a predominar, com a pessoa ficando em confusão, desorientada, voz meio pastosa, visão embaçada, perda do autocontrole, dor de cabeça, palidez; a pessoa começa a ver ou ouvir coisas. Terceira fase: a depressão se aprofunda com redução acentuada do aler- ta, incoordenação ocular (a pessoa não consegue mais fixar os olhos nos objetos), incoordenação motora com marcha vacilante, a fala “engrolada”, reflexos deprimidos; já podem ocorrer evidentes processos alucinatórios. Quarta fase: depressão tardia, que pode chegar à inconsciência, queda da pressão, sonhos estranhos, podendo ainda a pessoa apresentar surtos de convulsões (“ataques”). Esta fase ocorre com frequência entre aqueles cheiradores que usam saco plástico e após certo tempo já não conseguem afastá-lo do nariz e assim a intoxicação torna-se muito perigosa, podendo mesmo levar ao coma e morte Finalmente, sabe-se que a aspiração repetida, crônica, dos solventes pode levar à destruição de neurônios (as células cerebrais) causando lesões irreversíveis do cérebro. Além disso, pessoas que usam solventes cronicamente apresentam-se apáticas, têm dificuldade de concentração e déficit de memória. Resumo Os inalantes são hidrocarbonetos altamente voláteis. Usualmente são em- pregados como solventes e combustíveis presentes em aerossóis, vernizes, tintas, propelentes, colas, esmaltes e removedores. Um dos inalantes mais conhecidos, o lança-perfume, é uma mistura de cloreto de etila, éter, cloro- fórmio e uma essência aromatizante. Doses iniciais conferem uma sensação de euforia e desinibição, associada a alterações auditivas e da fala, incoorde- nação motora e risos. Com a continuação do uso, surgem manifestações de depressão do SNC, como confusão mental, alucinações visuais e auditivas. A terceira etapa acentua a depressão central, com redução do estado de alerta, piora da incoordenação motora e das alucinações. A última fase pode alcan- çar níveis ainda mais profundos, com estado de inconsciência, convulsões, coma e morte. Atividades de Aprendizagem O éter, o clorofórmio e o halotano são utilizados na clínica médica como anestésicos gerais, enquanto que as demais substâncias não apresentam ne- nhum emprego clínico. Faça uma busca em que condições estas substâncias são utilizadas, como é o seu armazenamento e quais as complicações que podem ocorrer decor- rentes do uso. Essas substâncias podem ser melhores compreendidas no link: http://www.projetodiretrizes.org. br/projeto_diretrizes/009.pdf Assista também ao vídeo explicativo sobre inalantes; http://www.youtube.com/ watch?v=8w0fWCPLRrw e-Tec Brasil 116 Farmacologia Aplicada à Dependência