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Toxicologia veterinária Você vai conhecer os efeitos nocivos de substâncias químicas em animais não humanos, bem como os mecanismos pelos quais esses efeitos ocorrem e seus impactos na saúde humana e de outros animais. Profa. Cheryl Gouveia 1. Itens iniciais Propósito Compreender os efeitos nocivos decorrentes da interação de substâncias químicas com o organismo dos animais não humanos é fundamental para o uso seguro e eficaz dessas substâncias, prevenindo, inclusive, prejuízos à saúde humana. Preparação Tenha com você um livro de fisiologia veterinária para consultar os processos fisiológicos importantes e compreender os mecanismos de ação dos fármacos e das drogas que causam intoxicações. Tenha também um dicionário de termos médicos, como o Dicionário de termos técnicos-científicos de medicina veterinária, da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola, disponível na internet. Objetivos Reconhecer a toxicocinética e a toxicodinâmica, os fatores que interferem na toxicidade e os meios para diagnóstico de intoxicações. Identificar as drogas terapêuticas e de abuso que atuam como toxicantes, seus mecanismos de ação e efeitos nocivos. Identificar os defensivos agrícolas e domissanitários que atuam como toxicantes, seus mecanismos de ação e efeitos nocivos. Identificar as biotoxinas, bem como os seus mecanismos de ação e efeitos nocivos. Introdução O conhecimento acerca da toxicologia veterinária é fundamental para a proteção da saúde dos animais e a segurança da saúde humana, já que eles podem ser expostos a diversas substâncias tóxicas físicas, biológicas ou químicas presentes no ambiente. Essa área da ciência estuda os efeitos nocivos dessas substâncias tóxicas em animais não humanos, desde animais domésticos até espécies selvagens. Seu principal objetivo é: Identificar as substâncias que podem causar danos à saúde animal. Compreender sua toxicocinética e toxicodinâmica. Avaliar os riscos potenciais para a saúde humana decorrentes da exposição a essas substâncias por meio da cadeia alimentar ou do contato direto. Sua importância está na identificação, prevenção e tratamento de intoxicações em animais de companhia, que podem ocorrer pela ingestão acidental de plantas tóxicas, de produtos domissanitários, de medicamentos, de drogas de abuso ou de alimentos contaminados por toxinas biológicas. Além disso, substâncias como domissanitários e defensivos agrícolas, micotoxinas e metais pesados podem ser ingeridas por animais de produção por meio da alimentação ou do ambiente, podendo se acumularem nos tecidos desses animais e, consequentemente, serem ingeridas pelos humanos. Em casos como esses, a toxicologia veterinária é útil não somente para a identificação, prevenção e tratamento de intoxicações, mas também para estabelecer limites seguros de exposição e assim garantir que os produtos de origem animal não apresentem riscos para a saúde humana. Contudo, não são apenas os animais domésticos que podem sofrer intoxicações, os animais selvagens, em seus hábitats naturais, também podem ser expostos a poluentes ambientais, defensivos agrícolas e outros produtos químicos tóxicos despejados na natureza. Assim, o estudo da toxicologia também é útil para identificar, prevenir e tratar intoxicações em animais selvagens e no meio ambiente. • • • • • • • O papel do profissional médico-veterinário é garantir a proteção da saúde pública e o uso responsável de produtos químicos e de outras substâncias potencialmente perigosas, baseado no conhecimento da interação dessas substâncias com o organismo animal. 1. Toxicocinética e toxicodinâmica Fatores que influenciam a toxicidade O termo xenobiótico é usado para designar substâncias químicas estranhas ao organismo animal e que podem ou não provocar efeitos nocivos à sua saúde, como os agentes tóxicos. Um agente tóxico ou toxicante quando interage com um organismo vivo provoca um ou vários efeitos nocivos a ele e pode ser originado de alguns elementos. Vamos conferir! Substância química Composto sintético ou natural resultante de reações químicas. Substância biológica Proveniente de organismos vivos. Agente físico Representado por radiações ionizantes e ultravioleta. Os agentes tóxicos biológicos são denominados biotoxinas, as quais podem ser produzidas por diferentes organismos, como: Bactérias Toxinas bacterianas Fungos Micotoxinas Plantas Fitotoxinas Animais peçonhentos e venenosos Zootoxinas Para você, veneno e peçonha são a mesma coisa? Atenção A diferença entre veneno e peçonha é que a peçonha precisa ser inoculada no organismo para desempenhar sua ação, enquanto o veneno precisa ser ingerido ou absorvido por via tópica. A toxicidade refere-se ao potencial de um toxicante provocar um efeito nocivo por seu uso, exposição ou manipulação, sendo quantificada a partir da dose letal 50% (DL50), que é a dose necessária para provocar a morte de metade dos indivíduos expostos. O potencial letal está relacionado às seguintes condições de exposição: Dose e concentração do agente tóxico São importantes porque quanto maiores elas forem, maior o risco de provocar efeitos nocivos no organismo. Duração e frequência da exposição Estão diretamente relacionadas à toxicidade, pois quanto maiores elas forem, maior será a disponibilidade do intoxicante no organismo. Características físico-químicas Estão relacionadas a uma maior ou menor absorção ou ligação a receptores celulares; por exemplo, quanto maior for sua lipossolubilidade, maior será sua absorção pelas membranas celulares. Veja um exemplo de agente tóxico altamente lipossolúvel. O organofosforado clorpirifós é uma substância amplamente utilizada como inseticida em ambientes residenciais e agrícolas para combater pragas, como formigas, baratas e mosquitos. Sua lipossolubilidade faz com que seja rapidamente absorvido pelo organismo, podendo atravessar a barreira hematoencefálica e atingir o sistema nervoso central (SNC), promovendo efeitos nocivos. Via de exposição Está relacionada com a maior ou menor toxicidade de um agente. Veja um exemplo desse aspecto, o chumbo tem alto potencial tóxico quando inalado na forma de poeira ou de vapores ou quando ingerido, mas tem baixo potencial tóxico quando em contato com a pele. Características dos indivíduos A toxicidade pode variar de acordo com a espécie, raça, idade, peso, estado nutricional e fisiológico do animal, incluindo gestação e lactação. Confira alguns exemplos: O paracetamol apresenta maior toxicidade em gatos do que em cães. A erva de São Tiago (Jacobaea vulgaris) apresenta maior toxicidade em equídeos do que em ruminantes. A teobromina, encontrada no chocolate, apresenta maior toxicidade em filhotes de cães do que em adultos. A toxicidade pode ser classificada como aguda ou crônica, entenda a seguir. • • • Vejamos outras classificações da toxicidade! Leve Quando os efeitos da intoxicação são reversíveis e desaparecem com o fim da exposição. Moderada Quando os efeitos são reversíveis e não geram maiores prejuízos à saúde do indivíduo. Grave Quando os efeitos são irreversíveis, gerando grandes prejuízos à saúde do indivíduo ou mesmo a sua morte. Saiba mais Intoxicação: É o termo utilizado para se referir ao conjunto de sinais e sintomas provocados pelo agente tóxico no indivíduo exposto. Bases da toxicidade Assista a este vídeo e conheça os principais fatores que interferem na toxicidade de uma substância. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Toxicocinética É o campo de estudo da toxicologia que tem como objetivo conhecer todos os processos pelos quais os agentes tóxicos passam no organismo vivo, o que inclui os processos de absorção, biodistribuição, biotransformação e excreção. Aguda Manifesta-se imediatamente ou em até poucos dias após a exposição, sendo derivada de uma única exposição ou a várias exposições sofridas em menos de 24 horas. Crônica Manifesta-se tardiamente, sendo derivada de várias exposiçõesCoagulação intravascular disseminada • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Tratamento O tratamento dos acidentes ofídicos botrópicos e crotálicos deve ser realizado com a administração intravenosa de soro antiofídico de uso veterinário. Também deve ser mantido tratamento sintomático e de suporte, sendo o prognóstico desfavorável. O soro antiofídico apenas impede a progressão das lesões orgânicas por inativar as frações circulantes da peçonha, no entanto, é incapaz de reverter as lesões já estabelecidas. Por isso, sua administração deve ser realizada o mais rapidamente possível para que os danos à saúde do paciente sejam reduzidos. Cobras corais Peçonha composta por: Proteínas Carboidratos Aminoácidos Aminas biogênicas Metaloproteinases Neurotoxina pré-sináptica e neurotoxina pós-sináptica Enquanto a neurotoxina pré-sináptica interfere no metabolismo do Ca2+ na junção neuromuscular, reduzindo a liberação de acetilcolina na fenda sináptica, a neurotoxina pós-sináptica impede que a acetilcolina se ligue aos receptores colinérgicos pós-sinápticos e deflagre a contração muscular. Sinais clínicos Incluem: Vômitos Sialorreia Depressão Quadriplegia Paralisia flácida dos membros (mais comum em gatos) Depressão e paralisia respiratória Anisocoria (mais comum em gatos) Hemólise Coagulação intravascular disseminada Hemoglobinúria Hematoquezia Hipotensão Taquicardia Dispneia • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Tratamento O soro antiofídico de uso veterinário não tem ação sobre a peçonha de cobras corais, portanto, o tratamento é sintomático e de suporte, sendo o prognóstico desfavorável. Intoxicações por animais Neste vídeo, abordaremos aspectos importantes da intoxicação por animais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Um criador de gado de corte observou que um animal de seu rebanho apresentava edema no membro pélvico esquerdo, com dor intensa e presença de vesículas. Além disso, notou que o bovino apresentava sangramentos na gengiva e no nariz. Suspeitando de um acidente ofídico, qual das seguintes opções representa o grupo mais provável de serpentes responsável por esses sinais clínicos? A Surucucus B Corais verdadeiras C Cascavéis D Najas E Jararacas A alternativa E está correta. Os sinais clínicos comuns em acidentes ofídicos com jararacas são gengivorragia, epistaxe, hemoptise, inflamação aguda no local da inoculação (dor, eritema e edema) com o aparecimento de vesículas e posterior necrose tecidual. Além disso, pode ocorrer choque hipovolêmico e insuficiência renal aguda. Questão 2 Um morador de uma área rural observou que seu gato apresentava sintomas incomuns após ter acesso a uma planta ornamental de beleza exótica, conhecida como trombeta-dos-anjos (Brugmansia suaveolens). O gato apresentou um quadro de agitação, vômitos, taquicardia e polidipsia. Qual substância tóxica presente nessa planta é responsável pelos sintomas observados pelo tutor? A Atropina B Trierpenos C Andrometatoxina D Oleandrina E Diterpeno A alternativa A está correta. Todas as opções apresentam fitotoxinas, como: a andrometatoxina, toxina presente na azaleia; a oleandrina, na espirradeira; os ésteres de diterpeno, no bico de papagaio; e os triterpenos, na coroa-de- cristo. Contudo, a trombeta-dos-anjos, ou simplesmente trombeta, tem sua toxicidade relacionada à presença de atropina e de escopolamina em suas flores, folhas e sementes. 5. Conclusão Considerações finais Neste conteúdo, vimos que a toxicologia veterinária é uma ciência de grande importância na proteção da saúde animal e humana. Seus estudos permitem identificar e compreender os efeitos tóxicos de substâncias em animais não humanos, possibilitando intervenções médicas adequadas e prevenção de intoxicações. Além disso, contribui para a segurança alimentar ao estabelecer limites seguros de exposição, bem como é essencial para a conservação da vida selvagem e a saúde ambiental. Com o contínuo avanço da pesquisa nessa área, podemos esperar melhores práticas de manejo, proteção ambiental e cuidados médico-veterinários, garantindo um futuro mais saudável para todos os animais, incluindo os seres humanos. Explore + Leia o artigo Intoxicação por paracetamol em felinos, de Yasmin Cunha dos Santos e colaboradores, que mostra a gravidade desse tipo de intoxicação, publicado em 2016 nos anais do II Congresso de Ensino e Graduação da Universidade Federal de Pelotas. Para saber mais sobre como reconhecer o correto manejo de cães em casos de intoxicação por maconha, leia o artigo Intoxicação de cães domésticos por Cannabis sativa: Revisão, de Udson Rangel Ribeiro e Priscila Natália Pinto, publicado em 2023 na revista PUBVET. Aprenda mais sobre as intoxicações por inseticidas com os artigos Intoxicações causadas por pesticidas em cães e gatos. Parte I: organoclorados, organofosforados, carbamatos e piretroides e Intoxicações causadas por pesticidas em cães e gatos. Parte II: amitraz, estricnina, fluoracetado de sódio e fluoracetamida, rodenticidas anticoagulantes e avermectinas, de Marília Martins Melo e colaboradores, publicados em 2002 na revista MV&Z. Leia sobre a ocorrência de surtos por biotoxinas em Surtos de botulismo em bovinos no Brasil associados à ingestão de água contaminada, de Iveraldo S. Dutra e colaboradores, publicado em 2001 na revista Pesquisa Veterinária Brasileira. Assista à palestra do médico-veterinário Thiago Fernandes, Acidentes ofídicos em equinos, publicada em 2020 no canal do YouTube GRUPEQUI UFAL, e se atualize sobre esse assunto. Referências ANDRADE, S. F. Manual de terapêutica veterinária: consulta rápida. Rio de Janeiro: Roca, 2017. BARROS, C. M.; STASI, L. C. D. Farmacologia veterinária. São Paulo: Manole, 2012. RIVIERI, J. E.; PAPICH, M. G. Adams Booth: farmacologia e terapêutica veterinária. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. SPINOSA, H. de S.; GÓRNIAK, S. L.; BERNARDI, M. M. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. SPINOSA, H de S.; GÓRNIAK, S L.; PALERMO-NETO, J. Toxicologia aplicada à medicina veterinária. 2. ed. São Paulo: Manole, 2020. TOXTUTOR: LEARN ESSENTIAL PRINCIPLES OF TOXICOLOGY. O que é toxicocinética? (s. d.). Consultado na Internet em: 3 set. 2023. Toxicologia veterinária 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução 1. Toxicocinética e toxicodinâmica Fatores que influenciam a toxicidade Substância química Substância biológica Agente físico Bactérias Fungos Plantas Animais peçonhentos e venenosos Atenção Dose e concentração do agente tóxico Duração e frequência da exposição Características físico-químicas Via de exposição Características dos indivíduos Leve Moderada Grave Saiba mais Bases da toxicidade Conteúdo interativo Toxicocinética Atenção Absorção Biodistribuição Atenção Atenção Biotransformação Excreção Atenção Toxicodinâmica Inespecífico Específico Carbamatos e organofosforados Cianeto Chumbo Mercúrio Cocaína Toxicocinética e toxicodinâmica Conteúdo interativo Diagnóstico de intoxicações Atenção Meios para diagnóstico de intoxicações em animais Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Drogas terapêuticas e de abuso Drogas terapêuticas Cães Equinos Gatos Coelhos Paracetamol (ou acetaminofeno) Sinais de intoxicação Tratamento Anti-inflamatórios não esteroidais (Aines) Intoxicações por medicamentos Conteúdo interativo Drogas de abuso Maconha (Cannabis sp.) Sinais de intoxicação Tratamento Cocaína Sinais de intoxicação Tratamento Dietilamida do ácido lisérgico (LSD) Sinais de intoxicação Tratamento Anfetaminas Atenção Sinais de intoxicação Tratamento Intoxicações por drogas ilícitas Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Defensivos agrícolas e domissanitários Defensivos agrícolasOrganofosforados e carbamatos Organofosforados Carbamatos Mecanismo de toxicidade Sinais clínicos Tratamento Piretroides Mecanismo de toxicidade Sinais clínicos Tratamento Avermectinas, milbemicinas e fipronil Avermectinas e milbemicinas Avermectinas Milbemicinas Mecanismo de toxicidade Sinais clínicos Tratamento Fipronil Sinais clínicos Tratamento Amitraz Mecanismos de toxicidade Sinais clínicos Tratamento Intoxicações por defensivos agrícolas Conteúdo interativo Domissanitários Sabonetes e sabões Detergentes aniônicos Detergentes catiônicos Sinais sistêmicos Sinais locais Desinfetantes Formalina Desinfetantes à base de hipoclorito Antissépticos à base de iodo Etilenoglicol Destilados de petróleo Intoxicações por domissanitários Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Toxinas bacterianas, fúngicas, vegetais e animais Toxinas bacterianas e fúngicas Escherichia coli Staphylococcus aureus Clostridium perfringens Clostridium botulinum Vibrio cholerae Bacillus cereus Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus Fusarium spp. Penicillium spp. e Aspergillus ochraceus Alternaria spp. Claviceps purpurea Intoxicações por bactérias e fungos Conteúdo interativo Toxinas vegetais Plantas tóxicas Brugmansia suaveolens (trombeta) Sinais clínicos Allamanda cathartica (alamanda), Rhododendron spp. (azaleia) e Nerium oleander (espirradeira) Sinais clínicos Hydrangea macrophylla (hortênsia) Sinais clínicos Cycas revoluta (palma de ramos) Sinais clinicos Euphorbia pulcherrima (bico de papagaio) e a Euphorbia milii (coroa-de-cristo) Sinais clínicos Spathiphyllum wallisii (lírio da paz), Sansevieria trifasciata (espada-de-são-jorge), Scindapsus aureus (jiboia), Schefflera arboricola (cheflera), Dieffenbachia picta (comigo-ninguém-pode), Zantedeschia aethiopica (copo-de-leite) e Monstera deliciosa (costela-de-adão) Sinais clínicos Primula obconica (prímula ou primavera) Sinais clínicos Ricinus communis (mamona) Sinais clínicos Palicourea marcgravii (cafezinho ou bengué) Sinais clínicos Pteridium aquilinum (samambaia) Sinais clínicos Lantana camara (chumbinho, margaridinha ou camará) Sinais clínicos Amorimia pubiflora (cipó ruão) Sinais clínicos Cestrum nocturnum (dama-da-noite) Sinais clínicos Melia azedarach (Santa Bárbara ou cinamomo) Sinais clínicos Mikania glomerata (guaco) Sinais clínicos Cymbopogon nardus (citronela) Sinais clínicos Melaleuca sp. (melaleuca) Sinais clínicos Nepeta cataria sp. (catnip ou erva de gato) Sinais clínicos Potpourri Sinais clínicos Intoxicações por plantas Conteúdo interativo Toxinas animais Abelhas, vespas e marimbondos Melitina Aminas vasoativas Fosfolipase A2 Hialuronidase Apamina Fosfatase ácida Fator degranulador de mastócitos Cininas Antígeno 5 Sinais clínicos Tratamento Sapos venenosos Aminas biogênicas Derivados esteroides Sinais clínicos Tratamento Aranhas Loxosceles sp. (aranha marrom) Sinais clínicos Phoneutria sp. (aranha armadeira) Sinais clínicos Tratamento Escorpiões Sinais clínicos Tratamento Serpentes Jararacas Sinais clínicos Cascavéis Sinais clínicos Tratamento Cobras corais Sinais clínicos Tratamento Intoxicações por animais Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Explore + Referênciasque ocorrem em um longo período. Atenção Ao ser exposto a uma substância tóxica, o indivíduo pode absorvê-la pela pele, pelos pulmões ou pelo trato gastrointestinal. Com isso, a substância alcança a circulação sanguínea e é distribuída para os tecidos orgânicos, podendo formar depósitos em tecido ósseo e adiposo. Algumas dessas substâncias não são biotransformadas, mas outras passam por biotransformação hepática, o que pode gerar metabólitos ativos ou inativos (atóxicos), excretados pela urina, pelas fezes, pelo suor e/ou pelo ar expirado. A imagem a seguir apresenta um resumo das etapas toxicocinéticas. Etapas toxicocinéticas. Agora vamos entender melhor cada etapa separadamente: absorção, biodistribuição, biotransformação e excreção. Absorção Em geral, os efeitos nocivos dos agentes tóxicos ocorrem quando a velocidade de absorção é maior do que a de excreção, resultando em um aumento da disponibilidade da substância no organismo. Isso, por sua vez, amplia o potencial de interação da substância com seus alvos moleculares e, portanto, a produção de seus efeitos. A absorção dos agentes tóxicos ocorre de forma semelhante à dos fármacos e é influenciada pelos mesmos fatores, inclusive sofrendo os efeitos de primeira passagem quando absorvidos pelo trato gastrointestinal. Um ponto de atenção em relação aos toxicantes absorvidos por esse trato é a possível ocorrência do ciclo êntero- hepático, o qual prolonga sua meia vida plasmática, aumentando sua toxicidade. Ciclo êntero-hepático Ocorre quando metabólitos biotransformados por conjugação com ácido glicurônico sofrem hidrólise por uma enzima produzida pela microbiota intestinal, tornando-os absorvíveis pela mucosa intestinal e aumentando seu tempo de eliminação. Já quando a exposição é via pulmonar, os agentes tóxicos são rapidamente absorvidos por difusão passiva devido a alguns fatores. Vamos conhecê-los: Grande superfície de contato. Intensa vascularização. Barreira fina que separa o ar alveolar da corrente sanguínea. Nesse caso, agentes tóxicos compostos por partículas finas, que não são filtradas nas vias aéreas craniais, chegam com mais facilidade aos alvéolos, assim como os agentes insolúveis não são absorvidos e se depositam nos pulmões, prejudicando suas funções. A absorção de substâncias tóxicas através da pele depende da sua espessura e vascularização. Quanto mais fina for a espessura do estrato córneo e quanto mais vascularizada a região, maior será a absorção de toxicantes lipossolúveis por difusão passiva. Biodistribuição É a saída do toxicante da corrente sanguínea para os tecidos orgânicos, sendo um processo que ocorre quando ele está livre no plasma e é capaz de atravessar as membranas das células endoteliais dos capilares por difusão simples ou de penetrar pelos poros localizados nas paredes desses vasos. Atenção Os órgãos com maior fluxo sanguíneo apresentam as maiores concentrações do agente tóxico. Com o passar do tempo, o agente tende a se acumular em tecidos-alvo ou em tecidos de depósito. Isso quer dizer que, em tecidos mais vascularizados, a velocidade de distribuição é maior do que em tecidos menos vascularizados, mas a afinidade do agente tóxico pelo tecido também influencia nesse tempo. Uma vez que o toxicante deixa os vasos sanguíneos, ele permanece dissolvido nos líquidos intra e extracelular, portanto, sua concentração plasmática diminui e a tecidual aumenta. A biodistribuição de um agente tóxico pode ser medida a partir do cálculo do volume de distribuição do agente. Isso implica a divisão da quantidade de substância tóxica à qual o indivíduo foi exposto pela sua concentração plasmática. Então, podemos dizer que, quanto maior o volume de distribuição de um agente tóxico, menor será sua concentração plasmática e, portanto, maior será a sua penetração nos tecidos orgânicos. Isso depende de fatores como: A hidro ou lipossolubilidade A capacidade de ligação a proteínas plasmáticas ou teciduais Com base nesses dados, vamos a um ponto de atenção. • • • • • Atenção Animais com hipoproteinemia podem apresentar quadros mais graves de intoxicação, uma vez que a ligação a proteínas plasmáticas é reduzida e, portanto, a disponibilidade de agente tóxico livre para passar para os tecidos orgânicos é maior. O tecido adiposo é um dos principais tecidos de depósitos de agentes tóxicos lipossolúveis, o que permite que essas substâncias permaneçam no organismo por mais tempo e sejam liberadas lentamente para a corrente sanguínea, mesmo após a exposição ter cessado. Em períodos de jejum ou perda de peso, quando o organismo recorre a essas reservas de gordura para obtenção de energia, ocorre liberação das substâncias tóxicas armazenadas para a corrente sanguínea, podendo provocar novamente os efeitos tóxicos. Biotransformação Ocorre de forma semelhante à de fármacos, sendo realizada principalmente no fígado e incluindo as reações de fase I e II. Um aspecto crítico ao considerar agentes tóxicos é que esse processo pode produzir metabólitos ativos, por vezes, mais tóxicos que o agente inicial. Entenda melhor! Excreção A excreção dos agentes tóxicos também é similar a dos fármacos e ocorre principalmente pelos rins e pelo fígado, de modo que seus metabólitos são eliminados pela urina ou pelas fezes. Alguns metabólitos de agentes tóxicos são também excretados pelo leite; portanto, podem provocar intoxicação em lactentes e em humanos, caso o produto seja destinado ao consumo por essa espécie. Atenção Tanto a excreção de agentes tóxicos ou de seus metabólitos pelo leite quanto a formação de depósitos em determinados tecidos orgânicos destinados ao consumo humano podem provocar danos à saúde das pessoas. Por isso, foram estabelecidos limites máximos de resíduos (LMR), ou seja, a concentração máxima de agentes tóxicos permitida em produtos de origem animal que não causam danos à saúde humana. Além disso, também foram estabelecidos períodos de carência, ou seja, o período mínimo após a exposição que é necessário para que as concentrações do agente tóxico ou de seus metabólitos nos tecidos animais alcancem o LMR. Esse período está relacionado à meia-vida do toxicante! Toxicodinâmica Bioativação Quando são produzidos metabólitos ativos. Detoxificação Quando são produzidos metabólitos inativos. É o campo de estudo da toxicologia que investiga os mecanismos desencadeadores de uma série de eventos bioquímicos que promovem efeitos nocivos dos agentes tóxicos no organismo. O mecanismo de ação dos agentes tóxicos pode ser classificado em: Vejamos, agora, mais detalhes sobre esse assunto! Inespecífico Representa o mecanismo de ação de agentes tóxicos que agem rapidamente e indistintamente sobre qualquer tecido orgânico, mas principalmente sobre a pele, os olhos, o trato respiratório cranial e a cavidade oral, promovendo irritação, corrosão e morte celular. São eles: Ácidos Bases Fenóis Aldeídos Álcoois Destilados de petróleo Etilenoglicol Metanol Sais de metais Detergentes e solventes Específico A maior parte dos agentes toxicantes possui esse mecanismo de ação, isto é, age de forma específica, podendo atuar sobre determinadas enzimas. Vamos conferir! Carbamatos e organofosforados Atuam inibindo a enzima acetilcolinesterase, responsável pela degradação de acetilcolina na junção neuromuscular, levando a contrações musculares intensas. Cianeto Inibe a enzima citocromo C-oxidase, que participa da respiração celular, levando ao déficit de energia. Chumbo Inibe as enzimas ácido gama-aminolevulínico desidratase e ferroquelatase, que participam da formação do grupo heme presente na hemoglobina, levando à anemia. Inespecífico Acarretam lesões em diversas células do organismo. Específico Acarretam lesões em determinados tecidos orgânicos. • • • • • • • • • • Veterinárias examinando. Mercúrio Inibe a enzima glutationa peroxidase, responsável pela eliminação de espécies reativas do oxigênio geradas durante o metabolismo celular,o que leva ao estresse oxidativo das células. Outro mecanismo específico está relacionado com a atuação sobre moléculas transportadoras. Vejamos! Cocaína Inibe as moléculas transportadoras das catecolaminas (DOPamina e noradrenalina) e da serotonina tanto no sistema nervoso central quanto no periférico, impedindo sua recaptação e, portanto, provocando vasoconstrição e euforia. A inibição ou superestimulação de receptores também é um mecanismo de ação específico de alguns agentes toxicantes. A atropina, presente na planta Atropa belladonna, por exemplo, se liga aos receptores colinérgicos muscarínicos, impedindo a ação da acetilcolina, o que provoca midríase, taquicardia, constipação, retenção urinária, alucinações e até mesmo óbito. A atividade catalítica de uma substância química também é um mecanismo específico que pode desencadear o aparecimento de sinais de intoxicação. Um exemplo é a toxina botulínica, que impede a liberação de acetilcolina em neurônios colinérgicos, resultando em paralisia da musculatura esquelética. Conhecer a toxicodinâmica dos diferentes agentes toxicantes é importante tanto para identificar os sinais clínicos associados aos quadros de intoxicação quanto para determinar o tratamento adequado. Toxicocinética e toxicodinâmica Neste vídeo, falaremos sobre os principais conceitos relacionados à toxicocinética e à toxicodinâmica. Acompanhe! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Diagnóstico de intoxicações O correto diagnóstico de intoxicação é essencial para garantir o tratamento adequado do paciente na tentativa de evitar a ocorrência de lesões mais graves, sequelas e óbito. Sem a precisão diagnóstica é impossível elaborar laudos forenses e estimar riscos de danos ambientais e de potenciais agravos à saúde humana. Contudo, os sinais clínicos das intoxicações são bastante parecidos, e um bom histórico é fundamental para o diagnóstico. Em primeiro lugar, é necessário que se realize uma anamnese minuciosa para tentar obter informações sobre o contato do paciente com o agente intoxicante. Nessa etapa, é importante conhecer os seguintes aspectos: Histórico de saúde do paciente.• Uso de medicações e produtos tópicos (inclusive em banhos). Informações sobre o estado de saúde dos demais animais presentes no local e no entorno. As informações sobre o ambiente também são importantes, como: O local de permanência do animal. O possível acesso não supervisionado à rua, ao lixo, a plantas tóxicas e a produtos químicos. A potencial ocorrência de fugas. O uso de substâncias químicas e/ou a realização de obras no local. O uso de iscas para controle de vetores e pragas. A presença de alimentos estranhos. O tipo de alimentação, se industrial ou natural. A origem da água disponibilizada para o animal. A próxima etapa consiste em observar os sinais clínicos do paciente, incluindo quando iniciaram e com que velocidade evoluíram. Essa é uma etapa difícil porque intoxicações por diferentes agentes levam a sinais clínicos parecidos. Além disso, esses sinais podem ser confundidos por alguns outros provocados por enfermidades infecciosas, parasitárias, metabólicas e endócrinas, devendo-se realizar o diagnóstico diferencial sempre que for o caso. Quando ocorre morte súbita ou quando não foi possível identificar a causa da intoxicação e ocorreu óbito do paciente, pode-se realizar a necropsia e os exames histopatológicos post mortem. Atenção Em casos de intoxicação, geralmente são observados sinais de gastroenterite e de esteatose hepática, além de edema pulmonar e de congestão e hemorragia em vários órgãos. A última etapa consiste na realização da análise toxicológica laboratorial de amostra biológica. Devido à diversidade de substâncias tóxicas, há uma variedade de testes laboratoriais disponíveis. É recomendado, portanto, que o médico-veterinário entre em contato com o laboratório e informe suas suspeitas para então receber orientações específicas sobre o tipo de amostra necessária, bem como sobre os procedimento de coleta, armazenamento e envio adequados. Entre os métodos laboratoriais disponíveis estão: Análise colorimétrica Espectrofotometria Espectometria de massa Ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA) Radioimunoensaio (RIA) Cromatografia de camada delgada, gasosa ou líquida As amostras do paciente mais comumente utilizadas são sangue, urina, fezes, vômito e pelos. Também podem ser realizados testes do material suspeito de provocar a intoxicação, como água, alimentos, solo e outros. Para exames post mortem, são comumente utilizadas amostras de fígado, rins, encéfalo e tecido adiposo, além de amostras do conteúdo gástrico e intestinal. • • • • • • • • • • • • • • • • Meios para diagnóstico de intoxicações em animais Neste vídeo, falaremos sobre os principais meios de diagnóstico de intoxicações em animais. Acompanhe! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A toxicidade está relacionada às condições de exposição de um indivíduo ao agente intoxicante e está diretamente relacionada à gravidade do quadro clínico gerado pela intoxicação. Sobre as condições de exposição, avalie as afirmativas a seguir. I. Quanto menor a concentração do intoxicante, maior o risco de gerar efeitos nocivos no organismo. II. Quanto maior a frequência da exposição, maior a disponibilidade do intoxicante no organismo. III. Quanto maior a lipossolubilidade do intoxicante, menor o risco de provocar danos ao organismo. Considera-se correto o que se afirma apenas em: A I e II. B II e III. C I e III. D II. E I. A alternativa D está correta. O grau de lipossolubilidade e a concentração do intoxicante, assim como a dose, a duração e a frequência da exposição ao agente tóxico, são diretamente proporcionais ao potencial de ocorrer danos ao organismo. Questão 2 A biotransformação dos agentes tóxicos pode ocorrer em qualquer órgão ou tecido orgânico, mas a maioria das substâncias intoxicantes é biotransformada no fígado. Sobre esse processo, avalie as assertivas a seguir. I. Apresenta a função principal de eliminar os agentes tóxicos do organismo de forma direta, resultando em detoxificação. II. Tem potencial de converter os agentes tóxicos em metabólitos mais reativos, aumentando o potencial de dano celular. III. Possui função de neutralizar os agentes tóxicos por meio de reações enzimáticas, promovendo a detoxificação e a eliminação segura do organismo. IV. A biotransformação transforma os agentes tóxicos em compostos inertes que se acumulam nos tecidos, levando à bioativação. Considera-se correto o que se afirma apenas em: A I e II. B II e III. C III e IV. D I e III. E II e IV. A alternativa B está correta. A biotransformação tem por objetivo tornar os agentes tóxicos mais facilmente excretados, e não os eliminar de forma direta. Portanto, sua função principal é a de neutralizar os agentes tóxicos por meio de reações enzimáticas, promovendo a detoxificação e a eliminação segura do organismo. No entanto, tem potencial de converter esses agentes em metabólitos mais reativos, aumentando o potencial de dano celular, o que é chamado de bioativação. Ela não envolve a transformação do agente intoxicante em compostos inertes, mas sim em metabólitos ativos e potencialmente prejudiciais. 2. Drogas terapêuticas e de abuso Drogas terapêuticas As intoxicações por medicamentos podem ocorrer por ingestão acidental, por administração sem prescrição médica ou por prescrição médica incorreta, e as espécies mais afetadas são os cães e os gatos. Essas intoxicações estão relacionadas com altas doses, com toxicidade espécie-específica ou com idiossincrasias. Idiossincrasias Corresponde a uma predisposição particular que faz com que um indivíduo reaja de maneira não esperada a um medicamento. A administração de medicamentos sem prescrição médica é bastante perigosa, pois vários medicamentos são contraindicados para determinadas espéciespor possuírem alta toxicidade específica nesses animais. Vamos entender melhor o que não é indicado! Cães São contraindicados: diclofenaco, ibuprofeno e paracetamol. Equinos São contraindicados: atropina ou amitraz. Gatos São contraindicados: paracetamol, cetoconazol, ácido acetilsalicílico, escopolamina, azul de metileno e Fleet Enema. Coelhos São contraindicados diversos antibióticos, como: penicilinas e tetraciclinas. Vejamos, agora, exemplos de medicamentos tóxicos que comumente causam quadros de intoxicação em animais não humanos. Paracetamol (ou acetaminofeno) Comprimido. É um analgésico altamente tóxico para cães e gatos. Ele é absorvido principalmente pelo trato gastrointestinal após a ingestão e é distribuído rapidamente para os tecidos orgânicos, podendo atravessar a barreira hematoencefálica e alcançar o SNC. A biotransformação desse medicamento ocorre no fígado, por meio da conjugação glicurônica, da conjugação com sulfato e da oxidação mediada pelas enzimas do citocromo P450. Como a conjugação glicurônica é deficiente em gatos, ocorre saturação da conjugação com sulfato e, por vias alternativas do citocromo P450, são formados o N-acetil-p-benzoquinoneimina (NAPQI) e o para-aminofenol (PAP). Esses metabólitos são tóxicos, e cães e gatos não são capazes de inativá-los por conjugação com a glutationa, ocorrendo dano oxidativo nas células hepáticas. Isso causa necrose do fígado e formação de hemoglobina oxidada (metemoglobina), que não transporta oxigênio. A excreção por via renal complica o quadro para os gatos, uma vez que esse é um processo relativamente lento nessa espécie. Mecanismo de ação do paracetamol em cães e gatos. Na sequência, veremos alguns sinais de intoxicação e a forma adequada de tratamento. Sinais de intoxicação Incluem: Vômitos Letargia Dispneia Icterícia Taquicardia Edema facial Sialorreia Tratamento Baseia-se no uso de N-acetilcisteína, que se liga diretamente aos metabólitos, melhorando sua eliminação e minimizando o dano celular. Além disso, é um precursor da glutationa, ajuda a eliminar os radicais livres de oxigênio, podendo reduzir a extensão da metemoglobinemia, aumenta a produção endógena de óxido nítrico e promove dilatação dos vasos hepáticos, reduzindo a lesão hepática. O prognóstico é reservado. Anti-inflamatórios não esteroidais (Aines) Entre os Aines, o diclofenaco é o principal responsável por causar intoxicações em cães, mas elas também ocorrem pela ingestão de ibuprofeno. Em gatos, as intoxicações mais comuns ocorrem por ingestão de ácido acetilsalicílico. Esses anti-inflamatórios atuam inibindo as ciclo-oxigenases, glicoproteínas que atuam na transformação do ácido araquidônico em tromboxano e prostaglandinas, o que leva à redução do processo inflamatório. Contudo, a inibição das ciclo-oxigenases também causa alterações gastrointestinais, hepáticas e renais, além de promover distúrbios da coagulação por inibir a agregação plaquetária. Intoxicações por medicamentos Neste vídeo, falaremos sobre alguns aspectos importantes da intoxicação por medicamentos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Drogas de abuso Geralmente, a intoxicação por drogas ilícitas ocorre por ingestão acidental, sendo mais comum em animais de companhia, principalmente em cães. Já em animais de produção ocorre mais comumente em equinos, estando relacionada com a dopagem bioquímica, mais conhecida como doping. Maconha (Cannabis sp.) • • • • • • • Folha de maconha. É a droga ilícita que mais provoca casos de intoxicação em animais de companhia. Entre seus princípios ativos estão o tetraidrocanabinol (THC), o canabidiol e o canabinol, entre outros canabinoides. A DL50 de THC para cães é de 3 g/kg, mas a dosagem média mínima para que sinais de intoxicação ocorram é de 3 mg/kg. Esse composto é bastante lipossolúvel e, após sua ingestão oral, a absorção é facilitada por ingestão concomitante com alimentos gordurosos. Após a absorção, o THC liga-se a proteínas plasmáticas e se distribui no tecido adiposo, no fígado, no SNC e nos rins. Apresenta biotransformação hepática, e a excreção ocorre principalmente pela bile e pela urina. A principal ação do THC está relacionada à interferência no sistema endocanabinoide, que desempenha um papel crucial na regulação de diversos processos fisiológicos, como a modulação de: Dor Humor Apetite Memória Esse sistema conta com receptores do tipo CB1 no SNC e do tipo CB2 em células do sistema imune e de outros tecidos periféricos. Quando o THC se liga aos receptores CB1, ele os ativa e desencadeia uma série de respostas celulares que diminuem a liberação de noradrenalina, dopamina e glutamato, levando a alguns fatores, como: Alterações de percepção e de coordenação motora. Sensação de euforia ou de relaxamento, acompanhados de diminuição da sensação de dor. Aumento do apetite. Distorções sensoriais, como visão e audição. Mudanças de humor. Agora, vamos conferir os sinais de intoxicação e o tratamento adequado. • • • • • • • • • Sinais de intoxicação Incluem: Depressão Ataxia Midríase Desorientação Distúrbios comportamentais Hiperestesia Recumbência Dependendo da quantidade ingerida, também podem ocorrer: Estupor Tremores musculares Convulsão Irritação do trato gastrointestinal Vômito Hipotermia Bradicardia Vocalização Fome compulsiva Tratamento É sintomático, e o prognóstico é favorável para os cães. Em bovinos, pode ocorrer ingestão acidental da planta seca presente em pastos, e os sinais clínicos da intoxicação incluem tremores musculares, sialorreia, midríase, incoordenação motora e dificuldade de manter- se em estação e de caminhar. Isso também pode ocorrer com equinos. Nesse caso, os sinais incluem dispneia, tremores musculares, hipotermia, sialorreia, sudorese e recumbência. Tenha muito cuidado, pois a intoxicação por maconha em qualquer espécie pode levar o animal a óbito! Cocaína A intoxicação por ingestão acidental de cocaína em cães é mais comum que em gatos, já em equinos atletas a droga pode ser administrada intencionalmente para fins de doping. A DL50 para cães varia de 3 a 13 mg/kg e para gatos é de 7,5 mg/kg. Trata-se de uma droga bastante lipossolúvel e, portanto, facilmente absorvida. Dessa forma, é rapidamente distribuída para os tecidos orgânicos, sendo capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e alcançar o SNC. Apresenta biotransformação hepática, e a excreção ocorre pela urina. A cocaína se liga aos transportadores de dopamina, noradrenalina e serotonina nas sinapses neuronais, bloqueando a recaptação desses neurotransmissores e levando ao seu acúmulo na fenda sináptica. Esse processo resulta na estimulação prolongada dos receptores pós-sinápticos, ocorrendo efeitos estimulantes. • • • • • • • • • • • • • • • • Comprimido de LSD. Sinais de intoxicação Incluem: Hiperexcitabilidade Tremores musculares Convulsões Midríase Sialorreia Ataxia Taquicardia Hipertermia Hipertensão Vômitos Tratamento É sintomático, e o prognóstico é reservado. Dietilamida do ácido lisérgico (LSD) A intoxicação por LSD é mais comum em cães, em virtude de ingestão acidental. Não é estabelecida a DL50 para cães, mas para coelhos é de 0,3 mg/kg. Após ingerido, o LSD é rapidamente absorvido, ligando-se a proteínas plasmáticas e sendo distribuído para os tecidos orgânicos. Apresenta biotransformação hepática, e a excreção ocorre pela bile. O LSD é estruturalmente semelhante à serotonina, um neurotransmissor que participa da regulação do humor, da percepção, do sono e do apetite. Liga-se aos receptores de serotonina no cérebro, ativando-os de modo anormal e intenso. Isso desencadeia uma cascata de eventos bioquímicos que aumenta a atividade neuronal e resulta em mudanças na comunicação entre os neurônios e na modulação da liberação de neurotransmissores, promovendo alucinações visuais, distorções de percepção e pensamento desorganizado.• • • • • • • • • • Sinais de intoxicação Incluem: Desorientação Midríase Vocalização Agitação Andar compulsivo Incapacidade de reconhecer o tutor Taquicardia Taquipneia Ataxia Tratamento É sintomático, e o prognóstico é favorável. Anfetaminas A intoxicação por ingestão acidental de anfetaminas é mais comum em cães. A DL50 de anfetamina para cães é de 25 mg/kg. Atenção Anfetaminas são compostos lipossolúveis que são rapidamente absorvidos e distribuídos para rins, fígado e pulmões, sendo capazes de atravessar a barreira hematoencefálica e chegar ao SNC. Apresentam biotransformação hepática, e a excreção ocorre principalmente pela urina. As anfetaminas atuam sobre receptores α e β-adrenérgicos, estimulando a liberação de dopamina, noradrenalina e serotonina nas sinapses neuronais e inibindo sua recaptação. Isso promove o acúmulo desses neurotransmissores na fenda sináptica, resultando no aumento da atividade neuronal, o que leva a efeitos estimulantes. • • • • • • • • • Sinais de intoxicação Incluem: Midríase Hiperatividade Inquietação Tremores musculares Convulsões Comportamentos estereotipados repetitivos Hipertermia Taquicardia Hipertensão arterial Ataxia Também podem ocorrer: Hemorragias cerebrovasculares Hipoglicemia Acidose láctica Insuficiência cardíaca Tratamento É sintomático, e o prognóstico reservado. Intoxicações por drogas ilícitas Neste vídeo, abordaremos aspectos importantes da intoxicação por drogas ilícitas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 As plantas de Cannabis sp. produzem um grupo de substâncias químicas chamadas canabinoides, que causam efeitos físicos e mentais quando consumidas por humanos e por outros animais. Nesse sentido, quais são os sinais clínicos mais comuns da intoxicação por essa planta em cães? A • • • • • • • • • • • • • • Aumento da sede, vômitos e agressividade. B Vocalização, tremores musculares e constipação. C Letargia, incoordenação motora e aumento do apetite. D Febre, convulsões e prurido intenso. E Taquicardia, salivação excessiva e perda de apetite. A alternativa C está correta. Os sinais de intoxicação por Cannabis sp. incluem depressão, ataxia, midríase, desorientação, distúrbios comportamentais, hiperestesia e recumbência. Dependendo da quantidade ingerida, também podem ocorrer estupor, tremor, convulsão, irritação do trato gastrointestinal, vômito, hipotermia, bradicardia, vocalização e aumento do apetite. Agressividade, constipação, sialorreia, anorexia, taquicardia, febre e prurido não são sinais de intoxicação por maconha. Questão 2 O paracetamol, também conhecido por acetaminofeno, é um fármaco com propriedades analgésicas e antipiréticas, podendo causar quadros graves de intoxicação em gatos. Nesses casos, o principal órgão afetado é o A pulmão. B coração. C fígado. D rim. E intestino. A alternativa C está correta. A toxicidade do paracetamol em gatos está principalmente associada à incapacidade de inativação dos metabólitos tóxicos gerados pela biotransformação da droga, o que leva a danos oxidativos nos hepatócitos e resulta na necrose do fígado. 3. Defensivos agrícolas e domissanitários Defensivos agrícolas São produtos químicos, físicos ou biológicos utilizados para a eliminação, redução e/ou controle de pragas e vetores, sendo também conhecidos como agrotóxicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários. Entre os que mais provocam quadros de intoxicação na medicina veterinária estão os organofosforados, os carbamatos, os piretroides, as avermectinas, as milbemicinas e o amitraz. Confira! Organofosforados e carbamatos São comumente utilizados para o controle de roedores, mas também são utilizados em crimes envolvendo a intoxicação intencional de cães e gatos. Entenda melhor! Organofosforados Como exemplo temos o diazinon, o diclorfention, o diclorvós e o fention. Carbamatos Como exemplo temos o propoxur e o aldicarb, conhecido popularmente como chumbinho. Esses compostos são altamente lipossolúveis, sendo absorvidos pela pele e pelas mucosas. Quando ingeridos, são absorvidos pela mucosa do trato gastrointestinal e distribuídos para todos os tecidos orgânicos. Os organofosforados também são capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, transmamária e transplacentária. As substâncias referentes aos organofosforados e carbamatos podem realizar o ciclo êntero- hepático. A biotransformação é hepática, e a excreção ocorre pela urina e pela bile. A DL50 para cães está entre 1 e 4 mg/kg. Gatos e animais jovens são mais sensíveis a essas substâncias. Mecanismo de toxicidade Envolve a inibição da acetilcolinesterase, resultando no acúmulo de acetilcolina na junção neuromuscular e, portanto, na estimulação excessiva dos receptores nicotínicos, muscarínicos e do SNC. Enquanto os carbamatos inibem essa enzima de modo reversível, os organofosforados o fazem de modo irreversível, e, desta forma, os quadros de intoxicação são ainda mais graves. Sinais clínicos Síndrome aguda: em intoxicações por organofosforados, ocorrem sinais nicotínicos (hiperatividade, taquicardia, midríase, tremores musculares, tetania, fraqueza, paresia, paralisia flácida, ataxia, cianose, depressão respiratória, enrijecimento dos membros, convulsão e coma); enquanto por carbamatos ocorrem sinais muscarínicos (sialorreia, lacrimejamento, diarreia, disúria, anorexia, tosse, dispneia, angústia respiratória, bradicardia, dor abdominal, êmese e miose). Síndrome intermediária: manifesta-se de 24 a 72 horas após a aguda, podendo ocorrer anorexia, diarreia, fraqueza generalizada, tremores musculares, comportamento anormal, ventroflexão cervical, depressão e morte. Síndrome neurotóxica: manifesta-se de 2 a 3 semanas após a exposição, podendo ocorrer dores musculares, fraqueza muscular progressiva e diminuição dos reflexos tendinosos. Tratamento Inclui, além do suporte, a administração intravenosa de sulfato de atropina, um antagonista competitivo da acetilcolina pelos receptores muscarínicos. O prognóstico é desfavorável. Piretroides São compostos lipossolúveis, absorvidos por via dérmica, oral ou respiratória. São rapidamente biotransformados pelo fígado e distribuídos pelos tecidos orgânicos, sendo excretados pela urina e pela bile. Como exemplo de piretroides, temos: Cipermetrina Deltametrina Permetrina A DL50 de piretroides para gatos, que são mais sensíveis à substância do que cães, é de 100 mg/kg, por isso os produtos destinados ao uso em gatos são menos concentrados do que aqueles destinados para uso em cães. Mecanismo de toxicidade Envolve a interação com canais de sódio presentes nos axônios dos neurônios, prolongando ou impedindo seu fechamento após a transmissão do impulso nervoso. Isso faz com que ocorra um influxo excessivo de íons sódio, diminuindo o potencial de ação e gerando impulsos nervosos repetitivos. Além disso, esses compostos têm o potencial de antagonizar o ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor que diminui a atividade do SNC. • • • Sinais clínicos Dependem do tipo de piretroide que provocou a intoxicação. São classificados como: Tipo I (como a cipermetrina e a permetrina): possui a ausência de um grupo ciano ligado ao carbono alfa da molécula. Ocorre a síndrome T, que se caracteriza por tremores musculares. Tipo II (como a deltametrina): possui a presença de um grupo ciano ligado ao carbono alfa da molécula. Ocorre a síndrome CS (coreoatetose e salivação), na qual aparecem movimentos involuntários, variações do tônus muscular e sialorreia. Efeitos excitatórios, com hipertermia, anorexia, ataxia, vômitos, convulsões e dispneia, são observados em ambos os casos. Como a intensidade da interação com os canais de sódio é maior nos que possuem o grupo ciano, os do tipo II são mais tóxicos do que os do tipo I. Tratamento É sintomático, e o prognóstico é reservado. Avermectinas,milbemicinas e fipronil Avermectinas e milbemicinas São lactonas macrocíclicas lipossolúveis e, portanto, facilmente absorvidas pela pele e pela mucosa gastrointestinal quando ingeridas, sendo biotransformadas pelo fígado e excretadas principalmente pela bile. Entenda melhor! Avermectinas Como exemplo temos a ivermectina e a selamectina. Milbemicinas Como exemplo temos a moxidectina e a milbemicina. Esses compostos são capazes de atravessar a barreira transmamária, mas em algumas raças (collie, pastor de Shetland, old english sheepdog, pastor australiano, McNab, whippet, silken windhound e pastor suíço) são também capazes de atravessar a barreira hematoencefálica. A DL50 para a maioria dos cães é de 2,5 mg/kg, mas para essas raças é de 0,1 mg/kg. O que torna essas raças mais sensíveis à toxicidade das avermectinas e milbemicinas é uma mutação no gene MDR1, que leva a uma síntese anormal da glicoproteína-P. Como essa proteína é responsável pelo transporte de algumas substâncias em diversos tecidos, inclusive através da barreira hematoencefálica, sua característica afuncional permite a passagem de compostos que normalmente não passariam por ela. Mecanismo de toxicidade Envolve sua ação agonista do GABA no SNC, resultando na depressão da atividade encefálica. Sinais clínicos Incluem: Ataxia Desorientação Midríase Sialorreia Convulsão Diminuição do reflexo pupilar Hipotermia Bradicardia Coma e morte Ataxia Desorientação Midríase Sialorreia Convulsão Diminuição do reflexo pupilar Hipotermia Bradicardia Coma e morte Tratamento O tratamento é sintomático, e o prognóstico é desfavorável para as raças sensíveis. Fipronil Tem a mesma toxicocinética e toxicodinâmica que as avermectinas e milbemicinas, mas a DL50 é 640 mg/kg, sendo mais seguro. Sinais clínicos Podem se classificar em dois tipos: Intoxicação aguda: são mais leves e incluem sialorreia e vômito. Intoxicação crônica: podem levar à diminuição no tamanho e peso da prole, redução de sua sobrevivência e atraso no seu desenvolvimento. • • • • • • • • • • • • • • • • • • Cão sendo examinado. Tratamento É sintomático e de suporte, com bom prognóstico se rapidamente instituído. Amitraz Pode ser absorvido pela pele e pelas mucosas, incluindo a do trato gastrointestinal em caso de ingestão. É distribuído para vários tecidos orgânicos, sendo biotransformado por via hepática e excretado pela urina e pela bile. Cães, gatos, ruminantes e equinos podem se intoxicar, mas os cães são os mais sensíveis, principalmente os idosos, os filhotes com idade inferior a três semanas, os da raça chihuahua, os de pequeno porte e as miniaturas. A DL50 para cães é de 100 mg/kg, mas 20 mg/ kg já são suficientes para ocasionar quadro clínico. Mecanismos de toxicidade Envolve a atuação do amitraz como agonista α2-adrenérgico, inibidor da monoamino oxidase (MAO – enzima que participa da regulação da degradação metabólica de catecolaminas e serotonina), inibidor da síntese de prostaglandinas e indutor da hiperglicemia. Sinais clínicos Incluem: Miose Ataxia Depressão Hipotermia Dispneia Prostração Perda dos reflexos Mucosas hipocoradas Fraqueza Vômito Diarreia Dor abdominal Hipomotilidade intestinal Poliúria Bradicardia Hipotensão Convulsão Prurido Eritema Hemorragia, em caso de exposição dérmica Tratamento É apenas sintomático e de suporte, com prognóstico favorável se rapidamente instituído. Intoxicações por defensivos agrícolas Neste vídeo, abordaremos aspectos importantes da intoxicação por defensivos agrícolas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Domissanitários São produtos químicos utilizados para higienizar, desinfetar e desodorizar ambientes residenciais, comerciais e industriais. Fazem parte desse grupo os sabonetes, sabões, detergentes, antissépticos, desinfetantes, anticongelantes, solventes e as tintas. Vamos conhecer mais detalhes! Sabonetes e sabões • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Alguns sabonetes e sabões em pedra contêm ingredientes químicos que podem ser irritantes para o sistema gastrointestinal caso ingeridos, causando vômitos, diarreia e desconforto abdominal. Detergentes aniônicos Têm efeito cáustico provocado pela alcalinidade elevada, principalmente os utilizados em máquinas de lavar louça. A ingestão desses produtos provoca o aparecimento dos mesmos sintomas que a ingestão de sabonetes e sabões, porém são mais intensos. Detergentes catiônicos São altamente tóxicos. Eles podem gerar quadros de intoxicação tanto pela ingestão quanto pelo contato com pele ou mucosas. Vejamos alguns sinais de intoxicação! Sinais sistêmicos Sialorreia Hematêmese Fraqueza muscular Depressão Convulsões Choque Sinais locais Alopecia Ulceração em pele e mucosas No caso de contato com os olhos, essas substâncias podem provocar o aparecimento de úlcera de córnea. Desinfetantes Os fenóis, como a creolina, são capazes de desnaturar proteínas, sendo absorvidos pela pele, mucosa respiratória e gastrointestinal. Nesses locais, determinam o aparecimento de lesões pela destruição celular seguidas por insensibilidade local pela destruição de terminações nervosas. São biotransformados no fígado pela conjugação com ácido glicurônico, o que torna os gatos mais sensíveis. Seus sinais se dividem em dois tipos de intoxicação: Veremos, a seguir, outros exemplos de desinfetantes e suas características. • • • • • • • • Aguda Por ingestão de compostos fenólicos, incluindo vômitos, sialorreia, ataxia e fraqueza muscular. Crônica Ocorrem tremores musculares, arritmias cardíacas, metemoglobinemia, convulsão e coma. Formalina É um desinfetante altamente tóxico, uma vez que leva à morte celular: Quando seus vapores são inalados, podem ocorrer espasmo de laringe e edema pulmonar. Quando em contato com a pele, provoca o aparecimento de dermatite. Quando ingerida, promove necrose da mucosa gastrointestinal, com vômito, diarreia, coma e morte. Desinfetantes à base de hipoclorito A exemplo da água sanitária, são tóxicos devido à ação oxidante do cloro, que leva à destruição de células da pele e das mucosas. Em meio ácido formam o ácido hipocloroso, que é capaz de penetrar mais intensamente nas mucosas. Quando ingeridos, causam: Disfagia Sialorreia Vômitos com ou sem sangue Hipotensão Choque Antissépticos à base de iodo São capazes de precipitar proteínas. Como exemplo temos a iodopovidona. Ao serem ingeridos, causam: Manchas marrons na mucosa oral Vômitos profusos Diarreia líquida Polidipsia Anúria Uremia e torpor, podendo levar a óbito O uso de soluções muito concentradas de iodo sobre a pele promove o aparecimento local de lesões vesiculares. • • • • • • • • • • • • • • Etilenoglicol É um anticongelante que também está presente em xampus e cosméticos. É um composto altamente tóxico que é rapidamente absorvido pela mucosa respiratória e do trato gastrointestinal. A biotransformação hepática dessa substância leva à formação de ácido glicólico, responsável por promover acidose metabólica. Além disso, a biotransformação do ácido glicólico em ácido glicoxílico resulta na formação de ácido oxálico, que se combina com o cálcio, formando o oxalato de cálcio, e de ácido hipúrico, que forma cristais. Tanto o oxalato de cálcio quanto os cristais de ácido hipúrico se depositam em capilares sanguíneos nos rins. Os sinais clínicos iniciam com depressão moderada, poliúria, polidipsia, ataxia e comportamento agressivo, seguidos por taquipneia, hipotermia, miose, edema cerebral, arritmias cardíacas, edema pulmonar, pneumonia, insuficiência cardíaca congestiva e choque, terminando com falência renal, uremia, aumento da acidose metabólica e morte. Destilados de petróleo São substâncias químicas encontradas em solventes, tintas e gasolina. Esses compostos são capazes de dissolver lipídeos, sendo extremamente tóxicos. O contatodessas substâncias com a pele causa: Dermatite grave Necrose Já sua ingestão causa: Vômitos Diarreia Ataxia Sonolência Coma Pode também ocorrer pneumonia por aspiração, com: Tosse Dispneia Cianose Febre Edema pulmonar Morte O tratamento das intoxicações por domissanitários é apenas sintomático, e o prognóstico varia de favorável a desfavorável, em função do tipo e da quantidade do produto ao qual o paciente foi exposto, assim como da via de exposição e de suas características individuais. • • • • • • • • • • • • • Todos esses produtos devem ser armazenados em locais de difícil acesso pelos animais. Do mesmo modo, durante o uso, os animais devem ser retirados do local de aplicação. Intoxicações por domissanitários Neste vídeo, abordaremos aspectos importantes da intoxicação por domissanitários. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Um fazendeiro comprou amitraz para tratar suas plantações e controlar pragas. No entanto, após aplicar o composto em suas plantações, ele começou a notar que alguns animais do rebanho apresentaram sinais de intoxicação aguda. Qual dos seguintes sinais clínicos é mais provável que o fazendeiro tenha notado? A Hipertensão arterial B Taquicardia C Pupilas mióticas D Hiperatividade E Hipertermia A alternativa C está correta. Um dos sintomas característicos da intoxicação por amitraz é a constrição das pupilas, conhecida como miose ou pupilas mióticas. Outros sintomas incluem depressão do sistema nervoso central, letargia, fraqueza muscular, hipotermia, bradicardia e hipotensão. Questão 2 O cresol é um fenol obtido a partir do óleo do alcatrão do carvão negro (também chamado de hulha), sendo utilizado para a produção de desinfetantes e de outros produtos industrializados. Esse composto provoca quadros de intoxicação em animais, e o principal sistema afetado nesses casos é o A respiratório. B cardiovascular. C nervoso central. D digestório. E urinário. A alternativa D está correta. O cresol é uma substância química tóxica que pode ser encontrada em alguns produtos de limpeza e desinfetantes domésticos. A exposição ao cresol pode causar irritação severa das membranas mucosas do trato gastrointestinal, levando a sintomas como vômitos, diarreia e dor abdominal. Embora outros sistemas possam ser afetados, como o respiratório e o nervoso central, o digestório é o principal alvo da toxicidade por cresol em animais não humanos. 4. Toxinas bacterianas, fúngicas, vegetais e animais Toxinas bacterianas e fúngicas As toxinas bacterianas são substâncias que alteram o metabolismo normal das células do hospedeiro, produzindo efeitos nocivos. Vejamos, na sequência, as principais bactérias de interesse médico-veterinário que produzem toxinas responsáveis pela contaminação de alimentos. Escherichia coli As toxinas mais importantes produzidas por cepas patogênicas de E. coli são: Toxina Shiga atua inibindo a síntese de proteínas nas células endoteliais, o que leva à morte celular. A ingestão dessa toxina provoca a síndrome hemolítico-urêmica, que pode causar danos renais, anemia hemolítica, trombocitopenia e morte. Toxina de aderência difusa é produzida pela cepa enterotoxigênica. É capaz de aumentar a secreção de fluidos e íons no intestino, levando à diarreia aquosa. A ingestão dessa toxina é responsável por casos de diarreia do viajante, causando desconforto gastrointestinal significativo. Staphylococcus aureus Essa bactéria é capaz de produzir quatro diferentes toxinas: Toxina estafilocócica produz sintomas como náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia. Toxina da síndrome do choque tóxico age como um superantígeno, estimulando uma resposta imunológica intensa e desproporcional, o que causa sintomas como febre alta, erupções cutâneas, hipotensão, insuficiência de múltiplos órgãos e, em casos graves, morte. Exfoliatina decompõe as proteínas que mantêm as camadas superficiais da pele unidas, levando à formação de bolhas e descamação da pele semelhante a queimaduras, quadro conhecido como síndrome da pele escaldada estafilocócica. Leucocidina de Panton-Valentine é uma citolisina que lisa leucócitos, podendo causar na pele e nos tecidos moles infecções graves, como abscessos cutâneos, furúnculos e celulite. • • • • • • Clostridium perfringens É capaz de produzir diferentes toxinas: A α-toxina tem a capacidade de lisar as membranas celulares, resultando em danos teciduais significativos, como os que ocorrem na gangrena gasosa. A β-toxina age rompendo a membrana de células sanguíneas e de outras células. A ε-toxina é uma enterotoxina que pode causar diarreia profusa, cólicas abdominais e náuseas. A ι-toxina modifica as proteínas celulares, causando alterações nas células afetadas. A ação de todas essas toxinas pode resultar em danos teciduais graves, necrose e inflamação. Clostridium botulinum Produz a toxina botulínica, uma neurotoxina que atua inibindo a liberação de acetilcolina nas junções neuromusculares, o que resulta em paralisia muscular flácida, podendo levar à morte. A ingestão de alimentos contaminados com a toxina botulínica provoca fraqueza muscular, visão turva, ressecamento de mucosas, disfagia e parada respiratória. Vibrio cholerae Produz a toxina colérica, que promove a secreção excessiva de íons de sódio e bicarbonato pelos enterócitos, fazendo com que haja intensa saída de água e cloreto das células para a luz intestinal. Isso resulta em diarreia aquosa profusa, inflamação local e desidratação severa, o que pode levar à morte. Bacillus cereus É capaz de produzir a cereulida, uma toxina emética que induz a ocorrência de vômitos agudos, além de náuseas e diarreia leve. Essa bactéria também é capaz de produzir enterotoxinas, que são toxinas diarreicas que afetam o trato gastrointestinal, provocando a ocorrência de diarreia aquosa, cólicas abdominais e náuseas. Agora, vejamos os principais fungos que produzem toxinas responsáveis pela contaminação de alimentos. Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus Produzem aflatoxinas (toxinas que provocam hemorragias, necroses, cânceres, neurotoxidade e imunotoxidade, principalmente câncer hepático). Fusarium spp. São capazes de produzir o deoxinivalenol e a zearalenona (toxinas que afetam o sistema endócrino causando o estrogenismo). • • • • Penicillium spp. e Aspergillus ochraceus Podem produzir ocratoxinas (substâncias nefrotóxicas e carcinogênicas). Alternaria spp. Produzem o alternariol (substância imunotóxica). Claviceps purpurea Produzem a toxina ergotamina, responsável pelos graves quadros de envenenamento por ergotismo. Das toxinas apresentadas, as principais que contaminam grãos e causam intoxicações em animais de produção são: Aflatoxinas Zearalenona Ocratoxina A Intoxicações por bactérias e fungos Neste vídeo, abordaremos aspectos importantes da intoxicação por bactérias e fungos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Toxinas vegetais As toxinas produzidas por plantas são também chamadas de fitotoxinas, e as intoxicações com essas substâncias ocorrem principalmente por: Ingestão de plantas tóxicas Administração de fitoterápicos sem prescrição médica Para todos os casos, o tratamento é sintomático e de suporte, com prognóstico reservado. Veja, a seguir, algumas plantas que podem promover quadros de intoxicação. • • • • • Plantas tóxicas Brugmansia suaveolens (trombeta) Brugmansia suaveolens (trombeta). Conhecida popularmente como cartucheira, saia branca ou trombeta, é uma planta ornamental que contém em suas flores, folhas e sementes alcaloides tropanos, como a atropina e a escopolamina. Sinais clínicos Ao serem ingeridas, essas substâncias provocam diferentes sinais clínicos. Confira! Sinais neurológicos (alucinação) Sinais cardíacos (taquicardia e hipertensão arterial) Sinais digestórios (náuseas, vômitos e constipação) Sinais renais (oligúriae polidipsia) Dispneia, hipertermia, hiperemia e ressecamento de pele e mucosas • • • • • Allamanda cathartica (alamanda), Rhododendron spp. (azaleia) e Nerium oleander (espirradeira) Allamanda cathartica (alamanda). Rhododendron spp. (azaleia). Nerium oleander (espirradeira). São plantas ornamentais que contêm glicosídeos cardiotóxicos, como a andrometatoxina na azaleia e a oleandrina na espirradeira. Esses glicosídeos inibem a bomba de Na⁺/K⁺-ATPase, diminuindo a condutividade elétrica cardíaca. Sinais clínicos Incluem: Bradicardia Fibrilação atrial ou ventricular Anorexia Tenesmo Diarreia Dor abdominal Náuseas Vômito Sialorreia Além desses, pode ocorrer: Lacrimejamento Depressão Hipotensão Dispneia Hipotermia Fraqueza muscular Convulsão Estupor Coma Hydrangea macrophylla (hortênsia) Hydrangea macrophylla (hortênsia). É uma planta ornamental que contém em suas flores um glicosídeo cianogênico tóxico. • • • • • • • • • • • • • • • • • • Sinais clínicos Provoca: Cianose Dispneia Vômitos Cólica Diarreia Convulsões Coma Cycas revoluta (palma de ramos) Cycas revoluta (palma de ramos). É outra planta ornamental que pode causar quadros de intoxicação, que contém em suas folhas, raízes e sementes um glicosídeo e um ácido alfa-amino-beta-etilamino-propiônico (BMAA). Sinais clinicos A ingestão dessas substâncias causa: Vômito Diarreia Dor abdominal Polidipsia Tremores musculares Ataxia Convulsão Coma • • • • • • • • • • • • • • • Euphorbia pulcherrima (bico de papagaio) e a Euphorbia milii (coroa-de-cristo) Euphorbia pulcherrima (bico de papagaio). Euphorbia milii (coroa-de-cristo). Também são plantas ornamentais que provocam intoxicação pela presença de um látex irritante composto por ésteres de diterpeno (bico de papagaio) ou por flavonoides e triterpenos (coroa-de-cristo). Sinais clínicos Essas substâncias podem provocar intoxicações conforme o tipo de contato. Confira! Quando em contato com a pele: Pústulas Prurido intenso Quando em contato com os olhos: Úlceras de córnea Ceratite ou conjuntivite Quando ingeridas: Náuseas Vômito Gastroenterite Sialorreia Edema de língua Spathiphyllum wallisii (lírio da paz), Sansevieria trifasciata (espada- de-são-jorge), Scindapsus aureus (jiboia), Schefflera arboricola (cheflera), Dieffenbachia picta (comigo-ninguém-pode), Zantedeschia aethiopica (copo-de-leite) e Monstera deliciosa (costela-de-adão) • • • • • • • • • A - Spathiphyllum wallisii (lírio da paz), B - Sansevieria trifasciata (espada-de-são- jorge), C - Scindapsus aureus (jiboia), D - Schefflera arboricola (cheflera), E - Dieffenbachia picta (comigo-ninguém-pode), F - Zantedeschia aethiopica (copo-de- leite) e G - Monstera deliciosa (costela-de-adão). Todas elas possuem cristais de oxalato de cálcio, que podem causar intoxicações. Sinais clínicos Se forem ingeridas, causam lesão renal e hipocalcemia, com anúria e uremia. Podem desencadear sinais gastrointestinais, como: Disfagia Náuseas Vômito Diarreia Estomatite Gastroenterite Sialorreia Sinais locais, como: Glossite Dermatite Queimaduras com erupções bolhosas Edema de faringe E ainda pode ocorrer: Dispneia Depressão Fraqueza muscular Primula obconica (prímula ou primavera) • • • • • • • • • • • • • • Primula obconica (prímula ou primavera). É uma planta ornamental que possui saponinas e quinonas em suas folhas, caules e flores. Sinais clínicos Essas substâncias provocam dermatite por contato ou, quando ingeridas: Vômito Diarreia Anorexia Glossite Sialorreia Dispneia Convulsão Ricinus communis (mamona) Ricinus communis (mamona). Contém em suas sementes e folhas a toxoalbumina, além do alcaloide ricinina. • • • • • • • Sinais clínicos A ingestão das folhas provoca o aparecimento de sinais neurológicos, como: Torpor Convulsão Edema cerebral Coma A ingestão das sementes provoca o aparecimento de sinais digestivos, como: Náuseas Vômito Diarreia sanguinolenta Gastroenterite hemorrágica Dor abdominal Palicourea marcgravii (cafezinho ou bengué) Palicourea marcgravii (cafezinho ou bengué). É uma das plantas tóxicas mais importantes do país, causando intoxicação principalmente em ruminantes. • • • • • • • • • Sinais clínicos A presença de ácido monofluoracético em suas folhas interrompe a fase inicial do ciclo de Krebs, provocando, quando ingerido: Apatia Anorexia Relutância em se manter em estação Taquipneia Taquicardia Opistótono Nistagmo Movimentos de pedalagem Vocalização Dificuldade de locomoção Polaciúria Tremores musculares Morte (que pode ser súbita) Pteridium aquilinum (samambaia) Pteridium aquilinum (samambaia). É outra planta tóxica para ruminantes e equinos. Sua toxicidade decorre da ação do ptaquilosídeo, uma substância com efeitos radiomiméticos e carcinogênicos. • • • • • • • • • • • • • Sinais clínicos Ao ser ingerida, essa substância provoca hematúria enzoótica, que corresponde à formação de lesões hemorrágicas, inflamatórias e hiperplásicas na mucosa da vesícula urinária com hematúria, podendo evoluir para neoplasias malignas. Ocorre também: Aplasia de medula com redução do hematócrito e da hemoglobina Anorexia e anemia Carcinoma em orofaringe, base da língua, esôfago e rúmen Os sinais clínicos incluem: Rouquidão Disfagia Tosse Isolamento Letargia Timpanismo Halitose Hemorragia Ulcerações nas mucosas Emagrecimento progressivo Lantana camara (chumbinho, margaridinha ou camará) Lantana camara (chumbinho, margaridinha ou camará). Tem suas folhas e frutos tóxicos quando verdes, pois eles contêm triterpenos que causam lesão grave do parênquima hepático e obstrução dos ductos biliares. • • • • • • • • • • • • • Sinais clínicos Quando ingeridos, provocam: Fotossensibilização das regiões despigmentadas da pele com posterior necrose das áreas Anorexia Inquietação Icterícia Escurecimento da urina Morte dos animais Amorimia pubiflora (cipó ruão) Amorimia pubiflora (cipó ruão). Contém em suas folhas ácido monofluoracético, que interrompe a fase inicial do ciclo de Krebs. Sinais clínicos Ao ser ingerida, essa substância promove: Relutância em se levantar Andar rígido Tremores musculares Polaciúria Movimentos de pedalagem Vocalização Morte • • • • • • • • • • • • • Cestrum nocturnum (dama-da-noite) Cestrum nocturnum (dama-da-noite). Possui em seus frutos e folhas saponina. Sinais clínicos Ao ser ingerida, essa substância causa: Anorexia Náuseas Vômitos Parada ruminal Dorso arqueado Distúrbios comportamentais Midríase Ressecamento de mucosas Ranger de dentes Movimentos de pedalagem Melia azedarach (Santa Bárbara ou cinamomo) Melia azedarach (Santa Bárbara ou cinamomo). • • • • • • • • • • Contém em seus frutos meliatoxinas. Sinais clínicos A ingestão dessa substância causa: Náuseas Vômito Dor abdominal Diarreia Sialorreia Miose Ataxia Dispneia Tremores musculares Convulsão Coma Mikania glomerata (guaco) Mikania glomerata (guaco). É um fitoterápico com efeito expectorante e broncodilatador. Sinais clínicos Como contém cumarina, pode provocar: Diarreia Vômito Hemorragias • • • • • • • • • • • • • • Cymbopogon nardus (citronela) Cymbopogon nardus (citronela). É uma planta utilizada como repelente. Sinais clínicos Como contém geraniol e terpenos podem provocar: Diarreia Dispneia Dermatite de contato Melaleuca sp. (melaleuca) Melaleuca sp. (melaleuca). Também é um fitoterápico. Pode causar intoxicações, principalmente em gatos, pois sua formulação em óleo pode ser absorvida através da pele. • • • Sinais clínicos A intoxicação ocorre porque essa planta contém várias substâncias, como o cineol e o terpinol, que provocam: Irritaçãolocal Desidratação Hipotermia Ataxia Tremores musculares Coma Falência hepática Nepeta cataria sp. (catnip ou erva de gato) Nepeta cataria sp. ( catnip ou erva de gato). Contém nepetalactona. Sinais clínicos A nepetalactona pode provocar ocorrência de sinais neurotóxicos, como: Euforia Excitação Vocalização Em fêmeas gestantes, essa planta pode induzir o parto e/ou provocar abortos. • • • • • • • • • • Potpourri Potpourri . É um desodorizador de ambiente, composto por uma mistura de óleos essenciais, que são detergentes catiônicos. Sinais clínicos Quando ingeridos, esses detergentes têm ação corrosiva sobre as mucosas e podem causar: Sialorreia Depressão Hipotensão Além disso, também podem causar dermatite e úlcera de córnea caso em contato com pele e olhos, respectivamente. Intoxicações por plantas Neste vídeo, abordaremos aspectos importantes da intoxicação por plantas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Toxinas animais São também chamadas de zootoxinas, sendo os acidentes mais comuns aqueles causados por himenópteros, aranhas, escorpiões, sapos e ofídios. Vamos entender melhor! Abelhas, vespas e marimbondos Entre os himenópteros estão as abelhas, as vespas e os marimbondos, cujas toxinas podem provocar reação de hipersensibilidade tipo I e choque anafilático ou alterações neurotóxicas e hemolíticas, sendo a DL50 estimada para mamíferos de 20 ferroadas/kg. Vejamos, na sequência, do que é composta a peçonha das abelhas. • • • Melitina É hemolítica, cardiotóxica e citotóxica. Aminas vasoativas São a histamina, serotonina, dopamina e noradrenalina. Fosfolipase A2 É sinergista da melitina. Hialuronidase Facilita a entrada dos componentes do veneno na célula. Apamina É neurotóxica. Fosfatase ácida É uma espécie de alérgeno. Fator degranulador de mastócitos Estimula a liberação de grânulos de histamina por essas células. A peçonha de vespas e marimbondos possui composição similar, mas a melitina e a apamina são substituídas por: Cininas Aminas vasoativas. Antígeno 5 Alérgeno. Agora, observe os sinais clínicos e o tratamento adequado. Sinais clínicos Incluem inflamação local aguda, com: Dor Prurido Urticária Eritema Edema Também pode ocorrer: Reação anafilática com urticária Prurido Vômito e diarreia Dispneia Tosse Broncoconstrição Hipóxia Morte Outros sinais incluem: Febre Paralisia facial Ataxia Tremores musculares Convulsões Hemoglobinúria Hematoquezia Hematêmese Falência renal Tratamento É sintomático e de suporte, com prognóstico reservado, pois depende da quantidade de ferroadas e da sensibilidade do indivíduo. Sapos venenosos • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Sapo bufo ( Bufo spinosus ), com destaque para glândula paratoide. São animais que produzem toxinas por meio de suas glândulas paratoides. A DL50 desse veneno é de 1 mg/kg. Os acidentes são mais comumente observados em cães que absorvem o veneno por via oral, conjuntiva ou pela mucosa gastrointestinal quando caçam esses anfíbios. O veneno produzido pelos sapos em geral é composto por: Aminas biogênicas Adrenalina, noradrenalina, bufotenina, di- hidrobufotenina e bufotionina. Derivados esteroides Bufadienolideos e bufotoxinas. Os derivados esteroides inibem a bomba de Na⁺/K⁺-ATPase nas células do miocárdio, enquanto a bufotenina possui ação ocitócica e vasoconstritora, além de atuar no SNC, provocando alucinações. Sinais clínicos Incluem: Sialorreia Vômitos Depressão Fraqueza Ataxia com andar em círculos Bradicardia Decúbito esternal Pupilas irresponsivas Convulsão Edema pulmonar Cianose Morte Tratamento É sintomático e de suporte, com prognóstico reservado, pois depende da quantidade de veneno absorvida. Aranhas • • • • • • • • • • • • As que mais provocam intoxicações em animais são a Loxosceles sp. (aranha marrom) e Phoneutria sp. (aranha armadeira). Apesar de Latrodectus sp. (viúva negra) também ser peçonhenta, os acidentes com animais não humanos são raros. Loxosceles sp. (aranha marrom) Peçonha composta por: Hialuronidase Lipase Esterases Proteases Esfingomielinase D Esse último componente é uma proteína que exerce quimiotaxia para neutrófilos, fazendo com que eles migrem para o local da inoculação da toxina. Isso promove agregação plaquetária e resulta em coagulação intravascular ao redor da lesão, provocando necrose da pele na região. Sinais clínicos Sinais clínicos locais: Edema Dor local Com posterior necrose e ulceração. Além de: Febre Equimose Formação de vesículas Sinais clínicos sistêmicos: Anemia hemolítica Icterícia Oligúria Hemoglobinúria Anúria Insuficiência renal aguda Phoneutria sp. (aranha armadeira) Peçonha composta por: PhTx1 PhTx2 • • • • • • • • • • • • • • • • • • PhTx3 Esses elementos ativam os canais de Na+ de forma prolongada, gerando despolarização de neurônios e liberação de catecolaminas. Sinais clínicos Estão relacionados com: Dor intensa no local da inoculação da zootoxina Taquicardia Agitação Podendo ocorrer: Vômitos Sialorreia Hipotensão Hematoquezia Bradicardia Edema pulmonar Priapismo Midríase Tremores musculares Convulsão Choque Coma Tratamento Infelizmente o soro antiaracnídico tem indicação apenas para uso humano e, portanto, o tratamento é sintomático e de suporte, com prognóstico reservado. Escorpiões Toxina composta por: Proteínas Aminoácidos Sais Neurotoxina A neurotoxina atua sobre os canais de Na+ de forma prolongada, gerando despolarização de neurônios e liberação de catecolaminas e de acetilcolina. • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Sinais clínicos Incluem: Dor local intensa Bradicardia Edema pulmonar Aumento da secreção e da motilidade gastrointestinal, Tremores musculares Convulsão Choque Morte Tratamento Como não há soro antiescorpiônico, o tratamento é sintomático e de suporte, com prognóstico reservado. Serpentes Por fim, existem as toxinas produzidas por serpentes peçonhentas, como a Bothrops sp. (jararaca), a Crotalus sp.(cascavel) e a Micrurus sp. (cobra coral). Os acidentes com Lachesis sp. (surucucu) são raros. Jararacas Peçonha composta por: Proteínas Carboidratos Lipídios Metaloproteinases (causam isquemia) Aminas biogênicas Hialuronidase (facilitam a absorção das toxinas) E por toxinas não enzimáticas, como: Hemotoxina (lisa hemácias) Citolisina (lisa células) Hemorragina (lisa células endoteliais) Botrojaracina, botrombina e jararagina (substâncias coagulantes) • • • • • • • • • • • • • • • • • • Sinais clínicos As substâncias coagulantes provocam o esgotamento dos fatores de coagulação, o que leva a um quadro de hemorragia (gengivorragia, epistaxe e hemoptise), agravado pela ação da hemotoxina e da hemorragina. Nesse caso, pode ocorrer choque hipovolêmico. Além disso, ocorre inflamação aguda no local da inoculação (dor, eritema e edema), agravada pela ação da citolisina, que promove o aparecimento de vesículas e posterior necrose tecidual (facilitada pela ação das metaloproteases). Além disso, a lesão endotelial promovida pela hemorragina pode levar a um quadro de insuficiência renal aguda. Cascavéis Peçonha composta por: Enzimas Proteínas Crotoxinas A e B Crotamina Giroxina Convulxina As crotoxinas, a giroxina e a convulxina têm ação neurotóxica, interferindo na liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, o que promove paralisia respiratória. Além disso, as crotoxinas têm ação miotóxica, provocando a lise das células musculares, com liberação excessiva de mioglobina, que sobrecarrega a função renal. Sinais clínicos Incluem: Prostração Parestesias Tremores musculares Oftalmoplegia Midríase Ptose palpebral Ptialismo Incoordenação motora Hematúria Mialgia Insuficiência renal aguda Hepatopatia