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O aparelho reprodutor feminino consiste em órgãos internos e externos: 2 ovários – interno. 2 tubas uterinas – interno. Útero – interno. Vagina – interno. Vulva – pequenos e grandes lábios e clitóris – externo. Ovários: São gônadas femininas com formato e tamanho semelhantes aos de uma amêndoa, nos quais se desenvolvem os oócitos (gametas ou células germinativas femininas). São glândulas endócrinas que produzem hormônios sexuais. Cada ovário é suspenso por uma curta prega peritoneal ou mesentério, o mesovário. O mesovário é uma subdivisão de um mesentério maior do útero, o ligamento largo. Nas mulheres pré-púberes, a cápsula de tecido conjuntivo (túnica albugínea do ovário) que forma a superfície do ovário é coberta por uma lâmina lisa de mesotélio ovariano ou epitélio superficial (germinativo), uma única camada de células cúbicas que confere à superfície uma aparência acinzentada, fosca, que contrasta com a superfície brilhante do mesovário peritoneal adjacente com o qual é contínua.** Depois da puberdade, há fibrose e distorção progressiva do epitélio superficial ovariano, em razão da repetida ruptura de folículos ovarianos e liberação de oócitos durante a oocitação. A fibrose é menor em usuárias de contraceptivos orais Os vasos sanguíneos e linfáticos e os nervos ovarianos cruzam a margem da pelve, entrando e saindo da face superolateral do ovário dentro de uma prega peritoneal, o ligamento suspensor do ovário, que se torna contínuo com o mesovário do ligamento largo. Medialmente no mesovário, um ligamento útero-ovárico curto fixa o ovário ao útero. Consequentemente, os ovários costumam ser encontrados lateralmente entre o útero e a parede lateral da pelve durante um exame manual ou ultrassonográfico da pelve. O ligamento útero-ovárico é um remanescente da parte superior do gubernáculo ovariano do feto. O ligamento útero-ovárico une a extremidade proximal (uterina) do ovário ao ângulo lateral do útero, imediatamente inferior à entrada da tuba uterina. Como o ovário está suspenso na cavidade peritoneal e sua superfície não é coberta por peritônio, o oócito expelido na ovulação passa para a cavidade peritoneal. Entretanto, sua vida intraperitoneal é curta porque geralmente é aprisionado pelas fímbrias do infundíbulo da tuba uterina e conduzido para a ampola, onde pode ser fertilizado. ** O ovário é dividido entre porção medular e cortical. A porção medular, que é mais centralizada, é basicamente composta de tecido conjuntivo frouxo vascularizado e a porção cortical, que é mais periférica, contém as estruturas funcionais dos ovários (folículos ovarianos e corpos lúteos). Sua superfície é revestida de epitélio cúbico simples (epitélio superficial ou germinativo), sob o qual, encontra-se uma camada de tecido conjuntivo denso não modelado, a túnica albugínea. Folículos ovarianos: Encontrados no estroma da porção cortical do ovário, os folículos são compostos pelo ovócito e pelas células foliculares que o envolvem. De acordo com o grau de desenvolvimento desses folículos, eles podem ser classificados em: o Folículos primordiais: Ao nascimento, todos os folículos, até então, denominados primordiais, já estão formados e presentes nos ovários. Os folículos primordiais não secretam ou respondem à ação hormonal, e consistem em um ovócito primário envolvido por uma única camada de células foliculares pavimentosas. A partir da puberdade, a cada ciclo um pequeno grupo de folículos primordiais inicia um processo de crescimento e desenvolvimento folicular. o Folículos primários: Uma vez recrutados, a partir da puberdade e de maneira cíclica (a cada ciclo um grupo de folículos primordiais é ativado para entrar em crescimento), os folículos primordiais se desenvolvem e crescem dando origem aos folículos primários. Estes são constituídos por um ovócito primário circundado por uma única camada de células foliculares cúbicas, seguidas de células do estroma de tecido conjuntivo. o Folículos secundários: Na sequência do desenvolvimento folicular, as células foliculares iniciam uma fase de proliferação por mitose aumentando o número de camadas celulares, quando então o ovócito primário passa a ser circundado por um epitélio cúbico estratificado (2 ou mais camadas de células foliculares), sendo agora classificado como folículo secundário. As células foliculares são chamadas de células da granulosa. Nos folículos secundários, algumas células do tecido conjuntivo que circundam externamente o folículo formam a camada de células alongadas chamada de teca interna. Além disso, neste estágio ocorre a formação da zona pelúcida, uma fina camada de glicoproteínas produzidas pelas células da granulosa e que envolve o ovócito primário (é observada entre o ovócito e suas células da granulosa), responsável por garantir a penetração de somente um único espermatozoide e evitar a polispermia durante o processo de fertilização. A zona pelúcida também protege o embrião na fase livre do desenvolvimento inicial (clivagem a blastocisto), enquanto se desloca pela tuba uterina até chegar ao útero. Alguns dias após a chegada ao útero, o embrião perde a zona pelúcida (eclosão) para poder realizar o processo de implantação com sua fixação na parede do útero materno. Os folículos secundários podem ser estimulados pelo Hormônio Folículo Estimulante (FSH) da adenohipófise para seu crescimento e para a produção de estradiol. Ao longo do desenvolvimento folicular, a secreção das células do folículo irá se acumulando no interior do mesmo. o Folículos terciários (de Graaf ou maduros): Á medida que as células secretam fluido no interior do folículo, esse fluido folicular vai se acumulando e separando as células formando pequenas cavidades (antros) preenchidas com esse fluido. Na medida em que os folículos crescem e acumulam fluidos, os vários pequenos antros coalescem (se juntam), constituindo um único e grande antro. A partir do momento que o folículo ovariano acumula fluido apresentando antro, ele é chamado de folículo antral ou terciário (os estágios anteriores do primordial ao secundário são chamados coletivamente de folículos pré-antrais). A camada da Teca será dividida em teca externa (fibrosa) e teca interna (com células secretoras de esteroides). No final desse estágio de desenvolvimento, o folículo resultante contará com um grande antro repleto de líquido ou fluido folicular, contendo o ovócito primário deslocado para a periferia do mesmo. As várias camadas de células da granulosa agora se dividem em duas populações, as células da granulosa murais (revestem internamente o antro folicular e têm função de secretar estradiol e outras substâncias) e as células do cumulus oophorus (circundam diretamente o ovócito e têm função de secretar substâncias importantes para o desenvolvimento do ovócito). Nesta fase, a primeira camada de células do cumulus que envolve diretamente o ovócito, apresenta células com prolongamentos de sua membrana plasmática que atravessam a zona pelúcida e formam junções comunicantes diretamente com a membrana plasmática do gameta feminino. Essa parte das células do cumulus recebe o nome de corona radiata. As demais células do cumulus também apresentem junções comunicantes entre si, incluindo aquelas da corona radiata. o Folículos atrésicos: Ao longo de um ciclo estral, os folículos que iniciam seu desenvolvimento, mas que não chegam à ovulação, entram em um processo de morte celular chamada de atresia. Os folículos atrésicos, portanto, correspondem a folículos em qualquer estágio (I, II ou III) em processo de degeneração. Quanto ao desenvolvimento do ovócito, enquanto os folículos ovarianos se diferenciam e crescem, passando pelas diferentes fases, os gametas femininos também crescem em tamanho até o início da fase de folículo terciário, quando então o ovócito para de crescer, mas o folículo continuacrescendo. Ao longo do crescimento ovocitário e folicular, os gametas encontram-se bloqueados na primeira divisão meiótica (ovócitos primários em Prófase I, mantidos neste bloqueio meiótico desde a vida fetal, quando são também chamados de ovócitos em estágio de vesícula germinativa (apresentam um grande núcleo em prófase I). Nos ovócitos dos folículos ovarianos já maduros (de Graaf), havendo estímulo pelo Hormônio Luteinizante (LH) da adenohipófise, ocorre a retomada da meiose I e inicia-se a meiose II até a fase de metáfase II (processo de maturação ovocitária), quando então se dá o segundo bloqueio meiótico. A meiose II, só será reiniciada e completada após a ovulação, mediante o processo de ativação do ovócito que é estimulada pela fertilização do mesmo pelo espermatozoide. Ovulação: Consiste na liberação do ovócito a partir da ruptura da parede do folículo maduro. O ovócito, até então bloqueado em prófase I da meiose, irá completar sua primeira divisão meiótica pouco antes da ovulação. A ovulação é estimulada por um pico de LH, liberado pela adenohipófise em resposta aos altos níveis de estrógeno produzidos pelos folículos ovarianos em crescimento. Com a ruptura da parede folicular, o ovócito deixa o ovário (juntamente com as células do cumulus, sendo essa estrutura chamada de complexo cumulus-oócito) em direção à tuba uterina onde pode ser fertilizado. Caso não ocorra fertilização, o ovócito degenera e é fagocitado. Corpo Hemorrágico: Resultante do rompimento folicular (ovulação), inicialmente se forma o corpo hemorrágico que é um ‘coágulo’ no interior do folículo ovulado e que depois dará origem ao corpo lúteo. Tal estrutura não está presente em ovinos e aves e dura pouco tempo no ovário, sendo logo convertido em Corpo Lúteo (corpo amarelo). Corpo Lúteo: Responsável pela produção de progesterona, o corpo lúteo (corpo amarelo) é uma estrutura resultante da proliferação e diferenciação das células da teca interna e da granulosa murais que restaram no interior do folículo após a ovulação. A proliferação e diferenciação dessas células para formar o corpo lúteo ocorrem por estímulo do LH (hormônio luteinizante). O corpo lúteo apresenta-se como uma grande estrutura amarelada no ovário. Sua duração é variável; sem ocorrência de gestação, o corpo lúteo tem vida curta e passa pelo processo de regressão (morte celular do corpo lúteo), restando em seu lugar uma cicatriz de tecido conjuntivo chamada de corpo albicans (corpo branco). Embora o ovário contenha num dado momento folículos em diferentes estágios do desenvolvimento (primordial a terciário), assim como corpo lúteo, há algumas variações histológicas que refletem o estado funcional do ovário. O ciclo estral (intervalos entre dois estros ou cios) pode ser dividido em duas fases gerais de acordo com o hormônio produzido em maior quantidade pelo ovário, correspondendo à estrutura ovariana predominante. A fase folicular corresponde ao período pré-ovulatório com predomínio de folículos em crescimento e com alta secreção de estradiol (hormônio importante para levar à manifestação do estro, cuja secreção pelas células da granulosa murais dos folículos é estimulada pelo FSH). Já a fase luteal corresponde ao período pósovulatório com a presença de um corpo lúteo desenvolvido produzindo progesterona (hormônio importante para manutenção da gestação, cuja secreção é estimulada nas células do corpo lúteo pelo LH). Tubas Uterinas: As tubas uterinas (trompas de Falópio) conduzem o ovócito, que é liberado mensalmente de um ovário durante a vida fértil, da cavidade peritoneal A parede das tubas (ovidutos) é composta de três camadas: uma mucosa, uma camada muscular (músculo liso) e uma serosa. A mucosa do oviduto, formada por um epitélio colunar simples com lâmina própria submucosa de tecido conjuntivo frouxo, possui dois tipos de células: as ciliadas e as secretoras. Os cílios movimentarão uma camada de muco (produto das células secretoras). Esta secreção possui funções nutritivas e protetoras para o ovócito e promoverá a ativação (capacitação) dos espermatozoides, possibilitando a ocorrência do processo de fertilização (união dos gametas feminino e masculino) e formação do zigoto (embrião unicelular). A contração da camada muscular e a atividade das células ciliadas são responsáveis pelo transporte do ovócito, ou do embrião se ocorrer a fertilização, ao longo do infundíbulo e do restante do oviduto em direção ao útero. Durante o trajeto do embrião resultante da fertilização ocorrem as divisões mitóticas embrionárias. periovariana para a cavidade uterina. Também são o local habitual de fertilização. As tubas estendem-se lateralmente a partir dos cornos uterinos e se abrem na cavidade peritoneal perto dos ovários. As tubas uterinas (cerca de 10 cm de comprimento) estão em um mesentério estreito, a mesossalpinge, que forma as margens livres anterossuperiores dos ligamentos largos. Na disposição “ideal”, tipicamente mostrada pelas ilustrações, as tubas estendem-se simetricamente em direção posterolateral até as paredes laterais da pelve, onde se curvam anterior e superiormente aos ovários no ligamento largo em posição horizontal. Na realidade, observadas à ultrassonografia, muitas vezes as tubas estão dispostas assimetricamente e uma delas está em posição superior e até mesmo posterior em relação ao útero. As tubas uterinas podem ser divididas em quatro partes, da região lateral para a medial: Infundíbulo: a extremidade distal afunilada da tuba que se abre na cavidade peritoneal através do óstio abdominal. Os processos digitiformes da extremidade fimbriada do infundíbulo (fímbrias) abrem-se sobre a face medial do ovário; uma grande fímbria ovárica está fixada ao polo superior do ovário. Ampola: a parte mais larga e mais longa da tuba, que começa na extremidade medial do infundíbulo; a fertilização do ovócito geralmente ocorre na ampola. Istmo: a parte da tuba que tem parede espessa e entra no corno uterino. Parte uterina: o segmento intramural curto da tuba que atravessa a parede do útero e se abre, através do óstio uterino, para a cavidade do útero no corno do útero. Útero: O útero tem como principais funções o transporte dos espermatozoides em direção ao oviduto, a regulação da função do corpo lúteo, a implantação e gestação do embrião/feto e o parto. O útero é um órgão muscular oco, piriforme, com paredes espessas. O embrião e o feto se desenvolvem no útero. As paredes musculares adaptam-se ao crescimento do feto e garantem a força para sua expulsão durante o parto. O útero não grávido geralmente está localizado na pelve menor, com o corpo sobre a bexiga urinária e o colo entre a bexiga urinária e o reto. O útero é uma estrutura muito dinâmica, cujo tamanho e proporções modificam-se durante as várias fases da vida. Na mulher adulta, o útero geralmente encontra-se antevertido (inclinado anterossuperiormente em relação ao eixo da vagina) e antefletido (fletido ou curvado anteriormente em relação ao colo, criando o ângulo de flexão), de modo que sua massa fica sobre a bexiga urinária. Sendo assim, quando a bexiga urinária está vazia, o útero tipicamente situa-se em um plano quase transversal. A posição do útero muda com o grau de enchimento da bexiga urinária e do reto, e também com a evolução da gravidez. Embora seu tamanho varie muito, o útero tem cerca de 7,5cm de comprimento, 5cm de largura e 2cm de espessura e pesa cerca de 90g. O útero pode ser dividido em duas partes principais: o corpo e o colo. O corpo do útero, que forma os dois terços superiores do órgão, inclui o fundo do útero, a parte arredondada situada superiormente aos óstios uterinos. O corpo está situado entre as lâminas do ligamento largo e é livremente móvel. Tem duas faces: anterior (relacionada com a bexiga urinária) e posterior (intestinal). O corpodo útero é separado do colo pelo istmo do útero, um segmento relativamente estreitado, com cerca de 1cm de comprimento. O colo do útero é o terço inferior cilíndrico e relativamente estreito do útero, que tem comprimento aproximado de 2,5cm em uma mulher adulta não grávida. Para fins descritivos, é dividido em duas porções: uma porção supravaginal entre o istmo e a vagina, e uma porção vaginal, que se projeta para a parte superior da parede anterior da vagina. A porção vaginal arredondada circunda o óstio do útero e, por sua vez, é circundada por um recesso estreito, o fórnice da vagina. A porção supravaginal é separada da bexiga urinária anteriormente por tecido conjuntivo frouxo e do reto posteriormente pela escavação retouterina. A cavidade do útero, semelhante a uma fenda, tem cerca de 6cm de comprimento do óstio uterino até a parede do fundo do útero. Os cornos do útero são as regiões superolaterais da cavidade do útero, onde penetram as tubas uterinas. A cavidade do útero continua inferiormente como o canal do colo do útero. O canal fusiforme estende-se de um estreitamento no interior do istmo do corpo do útero, o óstio anatômico interno, atravessa as porções supravaginal e vaginal do colo, comunicando-se com o lúmen da vagina através do óstio uterino. A cavidade do útero (em particular, o canal do colo do útero) e o lúmen da vagina juntos constituem o canal de parto que o feto atravessa ao fim da gestação. A parede do corpo do útero é formada por três camadas ou lâminas: Perimétrio — a serosa ou revestimento seroso externo — consiste em peritônio sustentado por uma fina lâmina de tecido conjuntivo. Miométrio — a camada média de músculo liso — é muito distendido (mais extenso, porém muito mais fino) durante a gravidez. Os principais ramos dos vasos sanguíneos e nervos do útero estão localizados nessa camada. Durante o parto, a contração do miométrio é estimulada hormonalmente a intervalos cada vez menores para dilatar o óstio do colo do útero e expelir o feto e a placenta. Durante a menstruação, as contrações do miométrio podem causar cólica. Endométrio — a camada mucosa interna — está firmemente aderido ao miométrio subjacente. O endométrio participa ativamente do ciclo menstrual, sofrendo modificações de sua Também é conhecido como cérvix uterina, separa o corpo do útero da vagina. Sua mucosa é revestida por epitélio colunar simples secretor de muco seguido de lâmina própria submucosa de tecido conjuntivo com fibras elásticas (em suínos e pequenos ruminantes podem existir glândulas exócrinas tubulares). Apresenta ainda uma túnica muscular (liso) e uma serosa. A secreção do muco cervical é importante para a fertilização e gestação. Durante a ovulação, essas secreções serão mais fluidas, facilitando a penetração do esperma no útero; na fase luteal ou na gestação, serão mais viscosas, prevenindo a passagem de esperma e de microrganismos para o interior do útero. estrutura a cada estágio do ciclo. Se houver concepção, o blastocisto implanta-se nessa camada; se não houver concepção, a face interna dessa camada é eliminada durante a menstruação. A quantidade de tecido muscular no colo do útero é bem menor do que no corpo. O colo do útero é, em sua maior parte, fibroso e consiste principalmente em colágeno com uma pequena quantidade de músculo liso e elastina. Vagina: A vagina, um tubo musculo membranáceo distensível (7 a 9 cm de comprimento), estende-se do meio do colo do útero até o óstio da vagina, a abertura na sua extremidade inferior. O óstio da vagina, o óstio externo da uretra e os ductos da glândula vestibular maior e as glândulas vestibulares menores abrem-se no vestíbulo da vagina, a fenda entre os lábios menores do pudendo. A parte vaginal do colo do útero está localizada anteriormente na parte superior da vagina. A vagina: Serve como canal para o líquido menstrual. Forma a parte inferior do canal de parto. Recebe o pênis e o ejaculado durante a relação sexual. Comunica-se superiormente com o canal do colo do útero e inferiormente com o vestíbulo da vagina. A vagina geralmente encontra-se colapsada. O óstio costuma estar colapsado em direção à linha mediana, de modo que suas paredes laterais ficam em contato de cada lado de uma fenda anteroposterior. Superiormente ao óstio, porém, as paredes anterior e posterior estão em contato a cada lado de uma cavidade virtual transversal, que tem formato de H em corte transversal, com exceção de sua extremidade superior, na qual o colo do útero as mantém afastadas. A vagina situa-se posteriormente à bexiga urinária e à uretra, sendo que esta se projeta ao longo da linha mediana de sua parede anteroinferior. A vagina situa-se anteriormente ao reto, passando entre as margens mediais do músculo levantador do ânus (puborretal). O fórnice da vagina, o recesso ao redor do colo, tem partes anterior, posterior e lateral. A parte posterior do fórnice da vagina é a mais profunda e tem íntima relação com a escavação retouterina. Quatro músculos comprimem a vagina e atuam como esfíncteres: pubovaginal, esfíncter externo da uretra, esfíncter uretrovaginal e bulboesponjoso. A vagina está relacionada: Anteriormente com o fundo da bexiga e a uretra. Lateralmente com o músculo levantador do ânus, a fáscia visceral da pelve e os ureteres. Posteriormente (da parte inferior para a superior) com o canal anal, o reto e a escavação retouterina. Sua parede é composta por três camadas: mucosa, muscular e adventícia. O epitélio da mucosa vaginal é do tipo pavimentoso estratificado e sua lâmina própria-submucosa é composta de tecido conjuntivo. A camada muscular é dada por fibras musculares lisas, seguida pela túnica adventícia de tecido conjuntivo denso rico em fibras elásticas, responsáveis pela elasticidade da vagina. Sob estímulo de estrógenos, o epitélio vaginal poderá ainda sintetizar e acumular glicogênio, que será metabolizado pelas bactérias vaginais em ácido láctico, responsável pelo pH baixo da vagina, agindo como uma barreira protetora contra alguns microrganismos patogênicos. A vagina se abre caudalmente no vestíbulo com organização similar à da vagina, mas com presença de glândulas exócrinas mucosas na sua lâmina própria-submucosa. Na camada muscular também aparecem fibras de músculo estriado esquelético além do liso. Na genitália externa apresenta-se a vulva com lábios revestidos de pele (epiderme e derme) com glândulas sebáceas e finos pelos, e algumas fibras de músculo estriado esquelético na hipoderme. Também se observa a presença do clitóris constituído de tecido erétil cavernoso e elevada quantidade de terminações nervosas. O sistema hormonal feminino, assim como o masculino, consiste em 3 hierarquias de hormônio: Hormônio de liberação hipotalâmica, chamado hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Hormônios sexuais hipofisários anteriores, o hormônio folículo estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), ambos secretados em resposta à liberação de GnRH do hipotálamo. o FSH: estimula a produção de gametas. o LH: estimula a produção de hormônios sexuais e é necessário para a maturação genética. Hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, secretados pelos ovários, em resposta aos 2 hormônios sexuais femininos da hipófise anterior. o Estrogênios (estradiol): proliferação e crescimento de células específicas do corpo, responsáveis pelo desenvolvimento da maioria das características sexuais secundárias da mulher. Na mulher não grávida normal, os estrogênios são secretados em quantidades significativas apenas pelos ovários, embora quantidades mínimas também sejam secretadas pelos córtices adrenais. Durante a gravidez, uma quantidade enorme de estrogênios também é secretada pela placenta. o Progesterona: preparação do útero para a gravidez e asmamas para a lactação. Na mulher não grávida, geralmente a progesterona é secretada em quantidades significativas, apenas durante a segunda metade de cada ciclo ovariano, pelo corpo lúteo. Na gravidez, grande quantidade de progesterona também é secretada pela placenta, especialmente depois do 4º mês de gestação. Ciclo Ovariano: Fase folicular (Inicial e tardia): A primeira parte do ciclo ovariano, é um período de crescimento folicular no ovário. Essa fase é a que tem duração mais variável, de 10 a 21 dias. Fase ovulatória: Quando um ou mais folículos amadurecem, o ovário libera o(s) ovócito(s) durante a ovulação. Fase lútea: A fase do ciclo ovariano que segue a ovulação é conhecida como pós-ovulatória ou fase lútea. O segundo nome tem origem na transformação do folículo rompido em um corpo lúteo, assim denominado devido ao pigmento amarelo e aos depósitos de lipídeos. O corpo lúteo secreta hormônios que continuam a preparação para a gestação. Se a gestação não ocorre, o corpo lúteo para de funcionar após cerca de duas semanas, e o ciclo ovariano é reiniciado. A degeneração do corpo lúteo ocorre 14 dias após a ovulação. Ciclo Uterino: Menstruação: O começo da fase folicular no ovário corresponde ao sangramento menstrual do útero. Descamação do endométrio. Fase proliferativa: A parte final da fase folicular do ovário corresponde à fase proliferativa no útero, durante a qual o endométrio produz uma nova camada de células em antecipação à gestação. Fase secretora: Após a ovulação, os hormônios liberados pelo corpo lúteo convertem o endométrio espessado em uma estrutura secretora. Assim, a fase lútea do ciclo ovariano corresponde à fase secretora do ciclo uterino. Se não ocorrer gravidez, as camadas superficiais do endométrio secretor são perdidas durante a menstruação, quando o ciclo uterino inicia novamente. O óvulo permanece viável e capaz de ser fertilizado depois de ser expelido do ovário por período provavelmente não superior a 24 horas. Portanto, é preciso haver espermatozoide disponível logo depois da ovulação para haver fertilização. Alguns espermatozoides podem permanecer férteis no aparelho reprodutor feminino por até cinco dias. Portanto, para que ocorra a fertilização, o intercurso deve ocorrer entre 4 e 5 dias antes da ovulação até algumas horas depois da ovulação. Assim, o período de fertilidade feminina durante cada mês é curto, em torno de 4 a 5 dias. Comportamentais: Coito interrompido: retirada do pênis de dentro da vagina antes do início da ejaculação – alto índice de falha. Tabelinha: determinação do período fértil, com abstinência de relações sexuais, exigindo, para seu cálculo, a análise de 6 a 12 ciclos menstruais espontâneos – não é muito eficaz na adolescência. Método do muco cervical ou método Billings: aspecto do muco e da vulva – a cada fase do ciclo menstrual as características variam – sendo possível perceber cada fase Barreira: Preservativos masculino e feminino: são os 2 únicos métodos que oferecem comprovadamente dupla proteção contra gravidez e ISTs – devem ser encorajados na adolescência. Espermicidas Hormonais: Anticoncepcionais hormonais orais combinados (ACHO): a ação contraceptiva baseia-se primariamente na inibição da ovulação pela supressão de liberação clínica dos hormônios folículo- estimulante (FSH) e luteinizante (LH), tornando ainda o muco cervical mais espesso. O uso pode ser iniciado em qualquer momento do ciclo menstrual, desde que se tenha certeza que não existe gravidez, mas recomenda-se iniciar no primeiro dia do ciclo menstrual, garantindo a eficácia contraceptiva desde a primeira cartela. Os anticoncepcionais hormonais utilizados preferencialmente na adolescência são compostos à base de etinilestradiol de baixa dosagem (15 a 35 mg), associados a diferentes progestógenos, utilizado, em sua grande maioria, em compostos monofásicos (mesma dosagem de esteroides em todas as pílulas) e em regimes tradicionais de 21 dias com intervalos de pausa de 7 dias. o Cartela com 21 comprimidos ativos: após tomar o último comprimido da cartela, esperar 7 dias e reiniciar nova cartela, continuando assim ininterruptamente. Nesse intervalo ocorrerá a menstruação. o Cartela com 24 comprimidos ativos: após tomar o último comprimido da cartela, esperar 4 dias e reiniciar nova cartela, continuando assim ininterruptamente. Nesse intervalo ocorrerá a menstruação. o Cartela com 24 comprimidos ativos e 4 placebos: os comprimidos devem ser ingeridos na sequência, ininterruptamente, sem intervalo entre as cartelas. Durante a tomada do placebo, ocorrerá a menstruação o Para evitar a menstruação, existe a opção de escolha do uso de ACHO monofásico, com doses de 20 ou 30 mcg de etilestradiol, em regime estendido para situações específicas (viagens, apresentações, competições). São utilizadas uma cartela seguida da outra, sem interrupção, por períodos de 3 meses ou mais, ou ainda com pausas a cada 2 ou 3 meses, previamente programadas. Anticoncepcionais orais apenas com progestógeno Anticoncepcional combinado injetável Anticoncepcional injetável apenas com progestógeno Implante subdérmico Anticoncepcional combinado vaginal (anel vaginal) Anticoncepcional combinado transdérmico (adesivo) Contracepção de emergência: Deve ser utilizado somente em situações excepcionais, como após uma relação sem proteção, falha potencial de um método anticoncepcional utilizado ou em casos de violência sexual. Os métodos mais utilizados são o Yuzpe e os com progestógenos. – Podem ser utilizados até 5 dias após a relação sexual e sua eficácia varia em função do tempo entre a relação e sua administração, porém quanto antes for utilizada, maior a eficácia. O mecanismo de ação varia conforme o momento do ciclo menstrual em que é administrado. Se é utilizado na primeira fase do ciclo menstrual, antes do pico de LH, impede ou retarda a ovulação. Na segunda fase do ciclo menstrual, atua na modificação do muco cervical, além de interferir no transporte dos espermatozoides e do óvulo nas trompas. Dispositivos intrauterinos (DIU): O DIU de cobre promove uma resposta inflamatória intrauterina de ação de espermicida, não interferindo na ovulação. O DIU com progestógeno libera 20 mg de levonogestrel por dia, inibindo o crescimento endometrial e aumentando o muco cervical, além de promover melhora da dismenorreia e diminuição do fluxo menstrual, podendo levar a amenorreia. – Usuárias devem ser selecionadas pelo risco de IST (múltiplos parceiros, dependência de álcool/drogas, não estar em um relacionamento estável), e não por idade/paridade. Métodos cirúrgicos permanentes: vasectomia e laqueadura tubária. Puberdade significa o início da fase adulta, e menarca significa o primeiro ciclo de menstruação. O período da puberdade é causado por aumento gradual na secreção dos hormônios gonadotrópicos pela hipófise, começando em torno dos 8 anos de idade, e normalmente culminando no início da puberdade e da menstruação, entre 11 e 16 anos de idade, nas meninas (em média, aos 13 anos). Na mulher, assim como nos homens, a hipófise infantil e os ovários são capazes de funcionar completamente, se estimulados apropriadamente. Entretanto, assim como também é verdadeiro para os homens e por motivos ainda não entendidos, o hipotálamo não secreta quantidades significativas de GnRH durante a infância. Experimentos revelaram que o hipotálamo é capaz de secretar esse hormônio, mas o sinal apropriado de alguma outra área do cérebro para desencadear a secreção está ausente. Portanto, acredita-se, hoje, que o início da puberdade se dê por algum processo de amadurecimento que ocorre em alguma outra parte do cérebro, talvez em algum ponto do sistema límbico. Entre 40 e 50 anos de idade, o ciclo sexual geralmentetorna-se irregular, e a ovulação muitas vezes não ocorre. Depois de alguns meses a alguns anos, o ciclo cessa totalmente. O período durante o qual o ciclo cessa e os hormônios femininos caem a quase zero é denominado menopausa. A causa da menopausa é o “esgotamento” dos ovários. Durante toda a vida reprodutiva da mulher, cerca de 400 dos folículos primordiais crescem em folículos maduros e ovulam, e centenas de milhares de óvulos degeneram. Em torno dos 45 anos de idade, apenas uns poucos folículos primordiais continuam a ser estimulados por FSH e LH e a produção de estrogênios pelos ovários diminui à medida que o número de folículos primordiais se aproxima de zero. Quando a produção de estrogênio cai abaixo de nível crítico, os estrogênios não conseguem mais inibir a produção das gonadotropinas FSH e LH. Em vez disso, as gonadotropinas FSH e LH (principalmente FSH) são produzidas depois da menopausa em quantidades elevadas e contínuas, mas, como os folículos primordiais remanescentes ficam atrésicos, a produção de estrogênios pelos ovários cai quase a zero. Se o pico pré-ovulatório de LH não tiver grandeza suficiente, a ovulação não ocorrerá, e diz-se que o ciclo é “anovulatório”. As fases do ciclo sexual continuam, mas são alteradas das seguintes maneiras: primeiro, a ausência de ovulação leva ao não desenvolvimento do corpo lúteo, de maneira que não há quase nenhuma secreção de progesterona, durante a última porção do ciclo. Em segundo lugar, o ciclo é encurtado por vários dias, mas o ritmo continua. Por isso, é provável que a progesterona não seja necessária à manutenção do ciclo em si, muito embora possa alterar seu ritmo. Os primeiros ciclos depois do início da puberdade geralmente são anovulatórios, assim como os ciclos que ocorrem alguns meses a anos antes da menopausa, talvez porque o pico de LH não seja potente o bastante, nessas épocas, para provocar ovulação. Na época da menopausa, a mulher precisa reajustar sua vida de uma que era fisiologicamente estimulada pela produção de estrogênio e progesterona para uma desprovida desses hormônios. A perda dos estrogênios geralmente causa mudanças fisiológicas acentuadas, incluindo (1) “fogachos”, caracterizados por rubor extremo da pele; (2) sensações psíquicas de dispneia; (3) irritabilidade; (4) fadiga; (5) ansiedade; e (6) diminuição da resistência e da calcificação dos ossos no corpo inteiro. Esses sintomas são de magnitude considerável em apenas 15% das mulheres e necessitam de tratamento. A administração diária de estrogênio, em pequenas quantidades, normalmente reverte os sintomas, e, ao diminuir a dose gradativamente, é provável que as mulheres na pós-menopausa possam evitar sintomas graves. * *Grandes ensaios clínicos têm fornecido evidências de que a administração de estrogênios após a menopausa, embora melhore muitos dos sintomas desta, pode aumentar os riscos de doença cardiovascular. Consequentemente, o tratamento de substituição hormonal com estrogênios já não é prescrito sistematicamente nas mulheres pós-menopáusicas. No entanto, alguns estudos sugerem que o tratamento com estrogênios pode realmente reduzir o risco de doença cardiovascular caso seja iniciado precocemente, nos primeiros anos após a menopausa. Portanto, neste momento, recomenda-se que as mulheres na pós-menopausa, que desejam receber tratamento de substituição hormonal, falem com seus médicos para saber se os benefícios superam os riscos.