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ACADEMIA NAVAL DIRECÇÃO DE ENSINO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA NAVAL MECÂNICA AVALIAÇÃO DE RISCOS AO ESTALEIRO NAVAL DA MARINHA DE GUERRA ANGOLANA: PROPOSTA DE UM SERVIÇO DE SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO 101004103 GMAR - ARMINDO MONTEIRO CHAMBASSUKU LUANDA – 2019 ACADEMIA NAVAL DIRECÇÃO DE ENSINO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA NAVAL MECÂNICA AVALIAÇÃO DE RISCOS AO ESTALEIRO NAVAL DA MARINHA DE GUERRA ANGOLANA: PROPOSTA DE UM SERVIÇO DE SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Trabalho final para a obtenção do grau académico de licenciado em Ciências Militares Navais na especialidade de Engenharia Naval, ramo Mecânica. 101004103 GMAR - ARMINDO MONTEIRO CHAMBASSUKU Orientador: TTN EN-MEC Adilson Hebo Monteiro Co-orientador: TTC EN-MEC Delson Raimundo Ganga Gonçalves LUANDA – 2019 101004103 GMAR - ARMINDO MONTEIRO CHAMBASSUKU AVALIAÇÃO DE RISCOS AO ESTALEIRO NAVAL DA MARINHA DE GUERRA ANGOLANA: PROPOSTA DE UM SERVIÇO DE SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Aprovado em Luanda, de de 2019. JÚRI DE AVALIAÇÃO: Presidente ___________________________________________________________________________ 1º Vogal (Arguente) Graduação, nome, instituição ___________________________________________________________________________ 2º Vogal (Orientador) Graduação, nome, instituição ___________________________________________________________________________ Vogal ___________________________________________________________________________ Vogal ___________________________________________________________________________ III DEDICATÓRIA À minha amada mãe Adelaide Baca Arão pelo amor, carinho e educação que me proporcionou e que sempre acreditou em mim mesmo quando nem eu acreditava. IV AGRADECIMENTO À Deus Todo Poderoso, pela vida, saúde e força que me dá todos os dias; À minha mãe e aos meus familiares no geral, pelo apoio incondicional que sempre me deram e por me terem impulsionado bastante para o sucesso da minha formação. Agradeço também ao CCV Ávido Ukuessala e à prima Jovita Kelequeta que me incentivaram a frequentar este curso e que muito ajudaram para que conseguisse ingressar na Academia Naval de Luanda, mesmo estando distante, na altura. Aos docentes da Academia Naval, que com paciência orientaram-me a seguir o rumo para o sucesso académico. Ao meu orientador TTN Adilson Hebo Monteiro que seguiu todos os passos do presente trabalho, dando sempre o seu parecer e corrigindo as falhas que foram surgindo, de igual modo ao co-orientador Delson Raimundo Ganga Gonçalves que se disponibilizou a ajudar para a concretização do trabalho. À todos colegas, amigos, trabalhadores civis da ACN, que directa ou indirectamente deram o seu apoio; aos funcionários do Estaleiro Naval da Marinha de Guerra Angolana especialmente ao Director Geral Adjunto CMG António Paulo pela simplicidade e colaboração, o meu muito obrigado do fundo do coração. V EPÍGRAFE “O que prevemos raramente ocorre; o que menos esperamos geralmente acontece.” Benjamin Disraeli VI RESUMO O presente trabalho investigativo de fim de curso tem a perspectiva de contribuir para o melhoramento das condições de segurança e saúde do trabalho no Estaleiro Naval (EN) da Marinha de Guerra Angolana (MGA), mostrando os primeiros passos para uma gestão mais sólida dos riscos profissionais. O problema da pesquisa foi o de encontrar formas de dimensionar os riscos existentes no EN, de modo a se elaborar medidas de controlo que eliminem ou minimizem os riscos para evitar a ocorrência de acidentes de trabalho ou doenças profissionais. Para procurar solucionar o problema, aplicou-se a metodologia de avaliação de risco simplificado e fez-se uma proposta de implementação de um serviço de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho (SHST) dentro do Estaleiro Naval (EN). Para a avaliação de riscos optou-se pelo método simplificado de avaliação de riscos, utilizando listas de verificação para a identificação dos perigos e para o serviço de SHST, tendo como base a orientação jurídica do Decreto nº 31/94 de 5 de Agosto e o modelo utilizado pelo Arsenal do Alfeite que presta serviços à Marinha Portuguesa . Os resultados mostram que a avaliação de riscos dão a indicação imediata do estado actual do EN a nível da magnitude dos riscos existente e dos procedimentos necessários para os controlar, solucionando o problema temporariamente, enquanto que o serviço de SHST pode, de certa forma, melhorar as condições actuais do EN em matéria de SHST e fazer a gestão contínua dos riscos profissionais. Portanto, a implementação do serviço permitirá que o cumprimento das missões do EN sejam executadas com as práticas de prevenção de riscos para a segurança e saúde do pessoal trabalhador e terceiros, contribuindo para melhor produtividade e satisfação de todos e servirá de base para uma Marinha cada vez mais preocupada com os trabalhadores e virada para uma doutrina de prevenção de acidentes e doenças profissionais, assim como o bem estar da comunidade. Palavras chave: Avaliação; Riscos; Prevenção; Serviço; Segurança. VII ABSTRACT This investigation Work of End of the Course has the perspective to contribute to the improvement of the conditions of safety and health of work in the Naval Shipyard (NS) of the Angolan Navy (AN) showing the first steps towards a more solid management of occupational risks. The research problem was to find ways of measuring the existing risks in the NS in order to develop control measures that eliminate or minimize the risks to avoid the occurrence of occupational accidents or diseases. In order to solve the problem, a methodology of risk assessment was applied and a proposal was made for the implementation of a Health and Safety at Work (HSW) service within the Naval Shipyard (NS). For risk assessment, the simplified risk assessment method was the option, using checklists to identify hazards and for the HSW service, was based on the legal orientation of the decree noº 31/94 of August 5 and the model used by Arsenal of Alfeite that provides services to the Portuguese Navy. The results show that the risk assessment gives an immediate indication of the current state of the NS in terms of the magnitude of the risks and the necessary procedures to control them temporality solving the problem, whereas the HSW service can somehow improve the current conditions of the NS in matter of HSW and to make continuous management of occupational risks. Therefore, the implementation of the service will allow the accomplishment of the missions of the NS to be carried out with the practices of prevention of risks for the safety and health of the staff and third parties, contributing for better productivity and satisfaction of all and will be the base for a Navy each more concerned with workers and towards a doctrine of prevention of accidents and occupational diseases, as well as the welfare of the community. Key words: Assessment; Risk; Prevention; Service; Safety. VIII LISTA DE FIGURAS Figura 1. Organização de serviços de SST. .............................................................................. 25 Figura 2. Avaliação e controlo de riscos. ................................................................................. 28 Figura 3. Localização geográfica do EN junto a BNL. ............................................................ 40 Figura 4. Etapas do trabalho de pesquisa. ................................................................................ 42 Figura5. Espaço de trabalho da secção de Carpintaria e Marcenaria do EN. .......................... 44 Figura 6. Meios de combate a incêndios existentes na carpintaria do EN. .............................. 45 Figura 7. Exemplos de zonas de trabalho não delimitadas e armários desarrumados. ............. 46 Figura 8. Elevador de viaturas da Secção de Mecânica Auto. ................................................. 47 Figura 9. Armazém do EN. ....................................................................................................... 48 Figura 10. Local de trabalho com pavimento esburacado. ....................................................... 50 Figura 11. Estado da instalação eléctrica do espaço de trabalho. ............................................. 50 Figura 12. Espaço de trabalho sem sinalização e com pavimento irregular. ............................ 51 Figura 13. Organograma do serviço de SHST. ......................................................................... 65 IX LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Determinação do nível de probabilidade. ................................................................ 35 Tabela 2 - Cálculo do nível de risco e de intervenção .............................................................. 37 Tabela 3 - Extracto 2 da aplicação da metodologia. ................................................................ 55 Tabela 4 - Resultados obtidos na secção de Carpintaria e Marcenaria .................................... 56 Tabela 5 - Resultados obtidos nas secções de Tornos e Mecânica Auto .................................. 57 Tabela 6 - Resultados obtidos na secção de Armazém e Ferramentaria .................................. 58 Tabela 7 - Resultados obtidos nas secções de Bate-chapa, Pintura Auto e Naval. .................. 59 Tabela 8 - Resultados obtidos nas secções de Serralharia e Soldadura .................................... 60 Tabela 9 - Resultados obtidos em termos gerais. ..................................................................... 61 Tabela 10 - Frequência dos tipos de riscos avaliados genericamente. ..................................... 62 Tabela 11 - Estimativa de custos das medidas de controlo ...................................................... 63 Tabela 12 - Prioridade das intervenções e prazo de execução. ................................................ 63 X LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Requisitos para obtenção do CAP. ......................................................................... 27 Quadro 2 - Determinação do nível de deficiência .................................................................... 34 Quadro 3 - Determinação do nível de exposição. ..................................................................... 34 Quadro 4 - Significado dos diferentes níveis de probabilidade. ............................................... 35 Quadro 5 - Determinação do nível consequências. .................................................................. 36 Quadro 6 - Significado do nível de intervenção. ..................................................................... 37 Quadro 7 - Quadro de Avaliação de riscos ............................................................................... 53 Quadro 8 - Extracto 1 da aplicação da metodologia. ............................................................... 53 Quadro 9 - Propósta de medidas de controlo do risco. ............................................................ 64 XI LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACT Autoridades para as Condições do Trabalho BNL Base Naval de Luanda CAP Certificado de Aptidão Profissional CMG Capitão de Mar e Guerra DAT Direcção de Armamento e Técnica DFA Departamento de Fabrico e Apoio DSTI Departamento de Serviços Técnicos Industriais EN Estaleiro Naval EPC Equipamento de Protecção Colectiva EPI Equipamento de Protecção Individual ETNA Escola de Tecnologias Navais FESETE Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis FMEA Análise de Modo de Falhas e Efeitos GLP Gás Liquefeito de Petróleo HAVS Hand and Arm Vibration Syndrome (Sindrome de Vibração de Mão e Braço) IEC International Electrotechnical Commission (Comissão Electrotécnica Internacional) IGM Inspecção Geral da Marinha ISO International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização) MGA Marinha de Guerra Angolana MT Médico do Trabalho NBR Norma Brazileira Reguladora NC Nível de Consequências ND Nível de Deficiência NE Nível de Exposição NP Nível de Probabilidade NR Nível de Riscos OHSAS Ocupational Health and Safety Assessment Series (Série de Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional) OIT Organização Internacional do Trabalho XII OMS Organização Mundial da Saúde PEI Plano de Emergência Interno PI Prioridade de Intervenção QE Quadro Eléctrico SGA Sistema de Gestão Ambiental SGSST Sistema de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho SHST Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho SHT Segurança e Higiene no Trabalho SNC Sistema Nervoso Central SST Segurança e Saúde no Trabalho SSTA Segurança e Saúde no Trabalho e Ambiente TSHST Técnico de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho TSST Técnico de Segurança e Saúde no Trabalho TST Técnico de Segurança no Trabalho UV Ultravioleta XIII LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (Carpintaria e Marcenaria). ............... 56 Gráfico 2. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (Tornos e Mecânica Auto). ............... 57 Gráfico 3. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (Armazém e Ferramentaria). ............. 58 Gráfico 4. Percentagens dos níveis de riscos calculados (Bate-chapa, Pintura Auto e Naval). 59 Gráfico 5. Percentagem dos níveis de riscos avaliados (secções de Serralharia e Soldadura). 60 Gráfico 6. Percentagens dos níveis de riscos avaliados no EN. ............................................... 61 Gráfico 7. Percentagem de cada tipo de risco avaliado no EN................................................. 62 XIV LISTA DE SIMBOLOS C Consequência G Geral MU Muito Urgente N Normal NC Nível de Consequências NCu Nível de Custos ND Nível de Deficiência NE Nível de Exposição NP Nível de Probabilidade NR Nível de Risco P Probabilidade R Risco R` Rotina U Urgente XV ÍNDICE DEDICATÓRIA ....................................................................................................................... III AGRADECIMENTO ............................................................................................................... IV EPÍGRAFE ................................................................................................................................ V RESUMO ................................................................................................................................. VI ABSTRACT ........................................................................................................................... VII LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................... VIII LISTA DE TABELAS ............................................................................................................. IX LISTA DE QUADROS ............................................................................................................. X LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .............................................................................. XI LISTA DE GRÁFICOS ......................................................................................................... XIIILISTA DE SIMBOLOS ........................................................................................................ XIV ÍNDICE ................................................................................................................................... XV 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1 1.1 Enquadramento do tema .................................................................................................. 1 1.2 Problemática .................................................................................................................... 1 1.3 Objectivos ........................................................................................................................ 2 1.3.1 Objectivo Geral................................................................................................................ 2 1.3.2 Objectivos específicos ..................................................................................................... 2 1.4 Justificativa ...................................................................................................................... 2 1.5 Metodologia ..................................................................................................................... 3 1.6 Organização do Trabalho de Fim de Curso ..................................................................... 4 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ......................................................................................... 5 2.1 Conceito e Âmbito da Aplicação da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho. ............. 5 2.1.1 Conceitos ......................................................................................................................... 6 2.2 Saúde do Trabalho ........................................................................................................... 7 2.2.1 Funções e Actividades dos Serviços de Saúde do trabalho ............................................. 7 2.3 Segurança do Trabalho e Riscos Associados .................................................................. 8 2.3.1 Condições de Segurança nos Locais de Trabalho ........................................................... 8 2.3.2 Riscos Relacionados com a Segurança do Trabalho ..................................................... 10 2.3.2.1 Riscos Mecânicos ......................................................................................................... 10 2.3.2.2 Riscos associados à electricidade ................................................................................. 10 2.3.2.3 Riscos de incêndios ...................................................................................................... 11 XVI 2.3.3 Factores de Riscos nos Locais de Trabalho ................................................................... 11 2.3.3.1 Movimentação Manual de Carga .................................................................................. 11 2.3.3.2 Movimentação Mecânica de Cargas ............................................................................. 12 2.3.3.3 Máquinas ...................................................................................................................... 12 2.3.3.4 Equipamentos de trabalho ............................................................................................ 13 2.3.3.5 Identificação de factores de risco das Máquinas e dos Equipamentos de Trabalho ..... 14 2.3.3.6 Ferramentas .................................................................................................................. 14 2.3.4 Elementos de Prevenção de Acidentes de Trabalho ...................................................... 15 2.3.4.1 Sinalização de Segurança ............................................................................................. 15 2.3.4.2 Plano de Emergência .................................................................................................... 16 2.3.4.3 Equipamentos de Proteção Colectiva e Individual ....................................................... 17 2.4 Higiene do Trabalho ...................................................................................................... 18 2.4.1 Agentes Físicos .............................................................................................................. 18 2.4.1.1 Ruído ............................................................................................................................ 18 2.4.1.2 Vibrações ...................................................................................................................... 19 2.4.1.3 Iluminação .................................................................................................................... 19 2.4.1.4 Ambiente Térmico ........................................................................................................ 20 2.4.1.5 Ventilação ..................................................................................................................... 21 2.4.1.6 Radiação ....................................................................................................................... 21 2.4.2 Agentes Químicos ......................................................................................................... 22 2.4.3 Agentes Biológicos ........................................................................................................ 23 2.5 A Gestão da Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho nas Organizações .................... 23 2.5.1 Serviços de SHST .......................................................................................................... 23 2.5.1.1 Organização das Atividades de SHST .......................................................................... 24 2.5.1.2 Modalidades de serviços ............................................................................................... 24 2.5.1.2.1 Serviços Internos ....................................................................................................... 25 2.5.1.2.2 Serviços Comuns ....................................................................................................... 26 2.5.1.2.3 Serviços Externos ...................................................................................................... 26 2.5.2 Recursos Humanos ........................................................................................................ 26 2.5.2.1 As Funções dos Técnicos de Segurança do Trabalho .................................................. 27 2.6 Avaliação de Riscos....................................................................................................... 28 2.6.1 Etapas da Avaliação de Riscos ...................................................................................... 29 2.6.1.1 Análise de Riscos ......................................................................................................... 29 2.6.1.1.1 Identificação do Perigo e Possíveis Consequências .................................................. 29 XVII 2.6.1.1.2 Identificação das Pessoas Expostas ........................................................................... 30 2.6.1.1.3 Estimativa do Risco ................................................................................................... 30 2.6.1.2 Valoração do Risco ....................................................................................................... 30 2.6.2 Métodos de Avaliação de Riscos ................................................................................... 31 2.6.2.1 Métodos Qualitativos .................................................................................................... 31 2.6.2.2 Métodos Quantitativos ..................................................................................................31 2.6.2.3 Métodos Semi-quantitativos ......................................................................................... 32 2.6.2.4 Método de Avaliação Simplificado .............................................................................. 33 2.6.2.5 Listas de Verificação .................................................................................................... 37 3. ANÁLISE E DISCUSÃO DOS RESULTADOS ................................................................ 39 3.1 Estado Actual do Estaleiro Naval na Garantia das Condições de Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho ............................................................................................................... 39 3.1.1 Caracterização do Estaleiro Naval da MGA.................................................................. 39 3.1.1.1 Localização ................................................................................................................... 40 3.1.2 Breve historial Sobre a SHST no Estaleiro Naval da MGA .......................................... 41 3.2 Realização da Avaliação de Riscos ao Estaleiro Naval da MGA .................................. 41 3.2.1 Selecção da Metodologia ............................................................................................... 42 3.2.2 Identificação dos Perigos existentes no Estaleiro Naval da MGA e os possíveis Riscos associados ............................................................................................................................ 43 3.2.2.1 Identificação dos perigos existentes na Secção de Carpintaria e Marcenaria e os Possíveis Riscos Associados ................................................................................................ 43 3.2.2.2 Identificação dos perigos existentes nas Secções de Tornos e Mecânica Auto e os Possíveis Riscos Associados ................................................................................................ 45 3.2.2.3 Identificação dos perigos existentes na Secção de Armazém e Ferramentaria e os Possíveis Riscos Associados ................................................................................................ 48 3.2.2.4 Identificação dos perigos existentes nas Secções de Bate-chapa Pintura Auto e Naval e os Possíveis Riscos Associados ........................................................................................... 49 3.2.2.5 Identificação dos perigos existentes nas Secções de Serralharia e Soldadura e os Possíveis Riscos Associados ................................................................................................ 51 3.2.3 Aplicação da Metodologia ............................................................................................. 52 3.2.4 Análise dos resultados Obtidos ..................................................................................... 55 3.2.4.1.1 Análise dos Resultados Obtidos na Secção de Carpintaria e Marcenaria ................. 55 3.2.4.1.2 Análise dos resultados obtidos nas Secções de Tornos e Mecânica Auto ................. 56 3.2.4.1.3 Análise dos resultados Obtidos ................................................................................. 57 XVIII 3.2.4.1.4 Análise dos Resultados Obtidos na Secção de Bate-Chapa, Pintura Auto e Naval ... 58 3.2.4.1.5 Análise dos Resultados Obtidos nas Secções de Serralharia e Soldadura ................. 59 3.2.5 Análise dos Resultados Apurados Genericamente ........................................................ 60 3.3 Proposta de Medidas de Controlo de Riscos ................................................................. 62 3.4 Criação de um Serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho no EN ................ 64 3.4.1 Organização do Serviço de SHST ................................................................................. 65 3.4.2 Atribuições do Serviço de Segurança Higiene e Saúde do Trabalho ............................ 66 3.4.2.1 Atribuições do Chefe de Serviço de SHST e dos Adjuntos ......................................... 66 3.4.3 Formação dos Elementos do Serviço e Processo de implementação ............................ 68 4. CONCLUSÕES ................................................................................................................... 70 4.1 Limitações ..................................................................................................................... 71 4.2 Trabalhos Futuros .......................................................................................................... 71 4.3 Recomendações ............................................................................................................. 71 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 73 Apêndice A - Entrevista sobre o Estaleiro Naval da MGA ...................................................... 75 Apêndice B – Tabelas de avaliação de riscos e medidas de controlo....................................... 76 Anexo A – Organograma funcional do EN .............................................................................. 84 Anexo B - Utilização de EPI. ................................................................................................... 85 Anexo C - Combinação de formas e de cores e seu significado nos sinais. ............................. 87 Anexo D - Ponto de incidência das medidas preventivas de incêndios.................................... 88 Anexo E – Listas de Verificação para determinação do nível de deficiência dos espaços de trabalho avaliados ................................................................................................................ 89 Anexo F – Exemplo de procedimentos de operação de uma máquina (torno) ....................... 101 Anexo G - Etapas para Implementação do Serviço de SHST no EN da MGA ...................... 102 Anexo H - Enquadramento legal da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho ..................... 105 1 1. INTRODUÇÃO 1.1 Enquadramento do tema O presente trabalho versa sobre avaliação de risco ao Estaleiro Naval (EN) da Marinha de Guerra Angolana (MGA) e apresenta a proposta de implementação de um serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST) nas mesmas instalações, sendo que o tema surge do facto de se ter verificado uma fraca observância às normas de segurança no trabalho por parte dos trabalhadores, assim como alguns riscos que as instalações apresentam e que carecem de melhor controlo. As condições de Segurança e Saúde no Trabalho são uma parte fundamental na aferição da qualidade de vida dos indivíduos numa sociedade. Sendo o Estaleiro Naval uma unidade de asseguramento da operacionalidade e manutenção dos equipamentos e meios navais da Marinha de Guerra Angolana, que por sua vez é garante da soberania do Estado no mar, o bem-estar dos seus trabalhadores bem como o estado técnico das suas instalações, meios e equipamentos devem ser levados em consideração, pois parte do cumprimento das missões atribuídas ao Ramo depende deles. 1.2 Problemática Durante a fase de formação, nas várias visitas feitas ao Estaleiro Naval, constatou-se que o Estaleiro Naval da MGA não possui uma organização funcional de SHST nem subcontrata serviços externos para o controlo de riscos profissionais, que respondessem pela segurança contra incêndios nas instalações, pelo Plano de Segurança Interno, pela protecção das diversas máquinas e ferramentas, pelo cumprimento rigoroso das normas de segurança estabelecidas nas diversas áreas de trabalho, entre outras situações susceptíveis de identificar com maior detalhe de avaliação. A falta de serviços de SHST no Estaleiro Naval é um aspecto relevante, tendo em conta que se constatou a ausência de medidas de SST estruturantes e organizativas fundamentais para a segurança do pessoal, das infraestruturase dos equipamentos do Estaleiro (Duarte, 2013). Dada a relevância da situação, equacionou-se a seguinte questão de partida: 2 Como avaliar os riscos inerentes às instalações e às actividades desenvolvidas no Estaleiro Naval da MGA a fim de se criar medidas de prevenção para minimizar os riscos ou reduzir as suas consequências? A pergunta de partida conduziu às seguintes questões derivadas: Quais os perigos existentes no Estaleiro Naval da MGA e os possíveis acidentes que podem advir destes? Quais as medidas preventivas e correctivas para controlar os riscos e diminuir os acidentes de trabalho e doenças profissionais no Estaleiro Naval da MGA? Qual a modalidade de serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho adequado para o Estaleiro Naval da MGA? 1.3 Objectivos 1.3.1 Objectivo Geral Avaliar os riscos inerentes às instalações e actividades do Estaleiro Naval de modo a sugerir um serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho. 1.3.2 Objectivos específicos Averiguar o estado actual do EN da MGA na garantia das condições de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho; Identificar os perigos existentes nos locais de trabalho e atividades do Estaleiro Naval da MGA; Apresentar um conjunto de medidas de controlo de riscos relacionadas aos perigos identificados de maneiras a minimizar os seus efeitos; Criar um serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho no Estaleiro Naval da MGA. 1.4 Justificativa O Estaleiro Naval é uma unidade de grande importância para a MGA, pois constitui a base da garantia da operacionalidade técnica dos meios navais e não só. Garantir que esta unidade funcione em óptimas condições deve ser uma das prioridades do Ramo. 3 Como a avaliação de riscos tem o objectivo de quantificar a gravidade que um risco pode apresentar na segurança e saúde dos trabalhadores e, assim, permitir que o empregador obtenha as informações necessárias para que possa tomar uma decisão adequada no que toca ao tipo de medidas preventivas a adoptar, a sua aplicação e, posteriormente, a implementação de um serviço de Segurança e Saúde no Trabalho e Ambiente no Estaleiro Naval da MGA seria um passo de gigante rumo ao bem-estar dos trabalhadores e à organização satisfatória dessa unidade. Tendo em conta que a SHST tem o intuito de fomentar a protecção do trabalhador no seu local de trabalho, visando a redução de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, e, de modo indirecto, fomentar a protecção das instalações e património existentes, a implementação de um serviço de SHST permitirá ao Estaleiro Naval da MGA conceder aos seus funcionários militares e civis um ambiente mais seguro e saudável e que contribua para a melhoria da sua motivação, produtividade e do seu profissionalismo. 1.5 Metodologia Para a realização da presente pesquisa usou-se o método indutivo adaptando do método para a avaliação de risco da metodologia aplicada para o presente trabalho que parte de dados particulares para se chegar a uma verdade universal. A pesquisa faz uma avaliação de riscos usando uma metodologia da matriz simplificada proposta por Kinney e posteriormente uma proposta de implementação de um serviço de SHST com base na organização usada no Arsenal do Alfeite de Lisboa seguindo um processo de implementação de acordo com a norma OHSAS 18001:2007 (implementação de sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho) adaptado por Pinto (2009). Quanto à abordagem, a análise e interpretação dos dados recolhidos foram feitas com base na análise qualitativa e quantitativa, ou seja, uma abordagem mista. Fez-se análise qualitativa aos dados relativos ao EN (estado actual e histórico), e todo um conjunto de teorias relativas à segurança e saúde no trabalho que serviram de pré-requisitos para posteriores análises quantitativas. Por outro lado, fez-se análise quantitativa dos dados estatístico referente aos perigos identificados nas actividades dos trabalhadores, a frequência de exposição dos trabalhadores aos riscos para se chegar ao grau ou nível de cada risco identificado seguindo padrões e teorias já existentes, relacionadas com a avaliação de riscos, verificando se os dados são compatíveis com as normas que regulam as actividades do género 4 e por fim sugerir melhorias e correcções para aquilo que estiver fora das normas estabelecidas. Quanto à natureza a pesquisa é aplicada, porque a avaliação feita no EN é de carácter prático dirigido a solução de um facto bastante pertinente que é a falta de um controlo mais profundo dos riscos nos processos e instalações do EN para a prevenção de acidentes e doenças profissionais contribuindo para uma MGA cada vez melhor. Quanto aos objectivos, o tipo de pesquisa utilizada foi a descritiva e explicativa: descritiva, pois teve como finalidade observar, registrar e analisar os riscos do estaleiro; explicativa, pois teve como finalidade esclarecer as vantagens de se implementar um serviço de SHST. Quanto aos procedimentos, para elaboração deste trabalho usou-se procedimentos tais como pesquisa de bibliografia e documental consultando livros, manuais, revistas, normas e leis. De realçar que os diplomas legais citados ao longo do presente trabalho são todos angolanos. No desenvolvimento do trabalho fez-se colecta de dados às instalações do EN e aos funcionários daquela mesma instituição. Dados estes relacionados com a estrutura das instalações, a organização interna (missão, objectivos), bem como históricos e actualidade do EN em matéria de SHST. 1.6 Organização do Trabalho de Fim de Curso O presente trabalho está organizado em quatro partes as quais constituem os capítulos do mesmo que são: introdução, fundamentação teórica, analise e discussão dos resultados e por fim as conclusões. O primeiro capítulo alberga todos os elementos introdutórios desde Enquadramento do Tema, Problemática, Justificativa, Hipóteses e Objetivos. A Fundamentação Teórica que constitui a base bibliográfica da pesquisa que aborda o Conceito e Âmbito de Aplicação da SHST, Segurança do Trabalho e Riscos Associados, Higiene do Trabalho, Saúde do Trabalho, a Gestão da Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho nas Organizações e Avaliação de Riscos. A Análise e Discussão dos Resultados apresenta a Caracterização do EN e o seu Estado Actual em Matéria de SHST, a Realização da Avaliação de Riscos nos Espaços de Trabalho, Propostas de Medidas de Controlo e a criação do Serviço de SHST no EN. A Conclusão apresenta os resultados alcançados, Trabalhos futuros, a resposta a pergunta de partida, os Limites e Recomendações. 5 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Conceito e Âmbito da Aplicação da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho O trabalho desempenha um papel fundamental nas vidas das pessoas, considerando que a maioria dos trabalhadores passa pelo menos oito horas por dia no local de trabalho, em plantações, escritórios, fábricas, em estaleiros e outros, os ambientes laborais devem ser seguros e saudáveis e em condições para a realização das suas atividades. Porém, a situação de muitos trabalhadores é bastante comprometedora, pois todos os dias, milhares deles em todo o mundo estão expostos à múltiplos riscos para a saúde, tais como: poeiras, gases, ruído, vibrações, temperaturas extremas e tantos outros riscos prejudiciais a saúde (Lopes, 2014). É neste contexto que os serviços de segurança higiene e saúde no local de trabalho podem ajudar a evitar acidentes e doenças profissionais, através da eliminação ou redução dos riscos e das suas consequências. Segundo Nascimento (2013), Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho (SHST) são fundamentais para uma organização devido a um número elevado de factores: Ajudam a demonstrar que uma organização é socialmente responsável; Dão mais valor à organização; Velam pela maximização da produtividade dos trabalhadores; Contribuem para que os trabalhadores estejam mais empenhados nas suas tarefas; Constroem uma força de trabalho mais competente e saudável; Incentivam os trabalhadores a ficar mais tempo no activo; Velam cumprimento da legislação e regulamentação em matéria de SHST; Garantem melhoria da saúde e do bem-estar dos trabalhadores, por diminuição dos riscos para a SST, diminuindo igualmente os custos e prejuízos a eles associados. O Ministério da Defesa Português (2016), numa publicação mais específica diz que a implementação do serviço de segurança e saúde no trabalho visa assegurar que as missões e actividades de unidades como o estaleiro sejam executadas com as melhores práticas de prevenção de riscos para a segurança e saúde do pessoal militar e civil e minimizando o impacto no ambiente, contribuindo desta forma para um desenvolvimento sustentável e equilibrado. 6 2.1.1 Conceitos Em torno da SHST existe uma vasta terminologia dos quais se conceituam alguns abaixo. A Lei nº 7/15 (2015) define local de trabalho, como o centro de trabalho onde o trabalhador exerce a sua atividade com regularidade e permanência. O Decreto n.º 53/05 de 15 de Agosto conceitua acidente de trabalho e doença profissional da seguinte forma: Acidente de trabalho - acontecimento súbito que ocorre no exercício da actividade laboral ao serviço da organização que provoque ao trabalhador lesão ou danos corporais de que resulte incapacidade parcial ou total, temporária ou permanente para o trabalho, ou ainda a morte. Doença profissional - alteração da saúde patologicamente definida, gerada por razões da actividade laboral nos trabalhadores que se expõem habitualmente a factores que produzem doenças e que estão presentes no local de trabalho. Segundo a Escola de Tecnologias Navais (ETNA, 2018), os termos, incidente, prevenção e proteção são definidos da seguinte forma: Incidente - Qualquer ocorrência inesperada que se verifique pela execução do exercício do trabalho sem que dela resultem danos para as pessoas. Prevenção - Conjunto de políticas e programas, disposições e medidas tomadas nas fases de licenciamento e de exploração da atividade da empresa, estabelecimento ou serviço que visem eliminar, ou diminuir, os riscos profissionais a que estão potencialmente expostos os trabalhadores. Proteção - Conjunto de medidas destinadas a minimizar as consequências de um acidente após o mesmo ocorrer. De acordo com o Decreto Lei n.º 31/94, os termos risco e perigo têm os seguintes conceitos: Perigo é a propriedade intrínseca de uma instalação, actividade, equipamento, um agente ou outro componente material do trabalho com potencial para provocar dano; 7 Risco é a combinação da probabilidade e da gravidade de aquisição de uma lesão ou de um dano para a saúde de acordo com a causa e efeito, o momento e a circunstância da sua ocorrência. 2.2 Saúde do Trabalho Segundo o Comité Misto Organização Internacional do Trabalho (OIT) /Organização Mundial de Saúde (OMS) como citado em Freitas (2016), a Saúde do Trabalho é uma atividade que tem entre outros os seguintes objetivos: A promoção e manutenção do mais alto grau de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores de todas as ocupações; A prevenção de desvios de saúde causados pelas condições de trabalho; A proteção dos trabalhadores contra os riscos resultantes dos factores nocivos para a saúde; A colocação e manutenção do trabalhador em função das suas aptidões físicas e psicológicas. 2.2.1 Funções e Actividades dos Serviços de Saúde do trabalho A OIT através da Recomendação nº 112 tal como citado em Freitas (2016), define as seguintes funções para os serviços de segurança do trabalho: Vigilância, na organização, de todos os factores que possam afectar a saúde dos trabalhadores; Os exames médicos de admissão e periódicos; A Participação, conjuntamente com os representantes dos trabalhadores ou outros membros do serviço de SHT, na prevenção das doenças profissionais; O Aconselhamento aos trabalhadores acerca dos desvios de saúde que se manifestam ou agravam durante o trabalho; A formação dos trabalhadores encarregados dos primeiros socorros e resposta a situações de emergência; A vigilância das condições ambientais, potencialmente desencadeadoras de doenças profissionais. Segundo Freitas (2016), os profissionais que podem exercer nesta área são: 8 Médicos – para além da licenciatura em medicina, têm de ser titulares de uma especialidade de medicina do trabalho. Enfermeiros – Possuir uma licenciatura em enfermagem e uma especialização em saúde pública. De acordo com o mesmo autor, as atividades da saúde do trabalho são as seguintes: Exames médicos; Acompanhamento e promoção da saúde; Visitas aos locais de trabalho; Articulação com o médico do trabalho; Relatórios periódicos. 2.3 Segurança do Trabalho e Riscos Associados A segurança do trabalho pode ser definida como “um conjunto de acções técnicas, administrativas, de saúde e, sobretudo, educacionais, cuja finalidade é prevenir acidentes, reduzindo as condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho” (Barsano, 2012 como citado em Santos, 2016, p. 17). A Segurança do Trabalho propõe-se, assim, a combater os acidentes de trabalho, tendo como principal objectivo eliminar as condições inseguras associadas aos componentes materiais, aos processos e espaços do trabalho, assim como sensibilizar os trabalhadores a utilizarem medidas preventivas. A prevenção é certamente o melhor processo para reduzir ou eliminar as possibilidades de ocorrerem problemas de segurança com o trabalhador (EspiralSoft, 2012 como citado em Nascimento, 2013 p. 8). 2.3.1 Condições de Segurança nos Locais de Trabalho A ocorrência de acidentes de trabalho e doenças profissionais para, indica de certa forma que as medidas de prevenção dos riscos nos locais de trabalho são insuficientes ou ineficazes. Freitas, no seu manual de segurança e saúde do trabalho (2016), faz referência a certos aspectos a ter em conta no local de trabalho tais como: 9 Estabilidade e solidez - Os edifícios que integram locais de trabalho devem possuir a estrutura e a solidez apropriada ao tipo de utilização comercial ou industrial. Espaços de trabalho - Respeitar as seguintes dimensões mínimas nos espaços de trabalho: pé direito de três metros; área útil de 1,80 m 2 por trabalhador; cubagem de ar útil por trabalhador de 11,50 m 3 podendo ser reduzida para 10,50m 3 se a renovação de ar for boa. Condições de detecção e protecção contra incêndios - Os locais de trabalho devem estar equipados com dispositivos de detecção e combate a incêndios, de acordo com as dimensões e a utilização dos edifícios, os equipamentos, as características físicas e químicas das substâncias existentes, assim como o número de pessoas que neles possam encontrar-se. Os dispositivos de detecção e alarme devem ser apropriados, e o material de combate deve estar acessível, em bom estado e sinalizado. Vias normais e de acesso – Devem estar desobstruídas, em condições de utilização, com traçado que conduza para áreas adequadas e estar sinalizadas. As que necessitam de iluminação artificial devem ter iluminação de segunda alternativa. As portas de emergência não devem estar fechadas à chave, devendo abrir para o exterior de forma fácil. Ventilação – Nos locais de trabalho fechados é necessário ar puro (com um caudal médio de 30 m 3 a 50 m 3 por hora e por trabalhador), um volume suficiente de ar, em função dos métodos de trabalho e das condições físicas impostas. Iluminação – Deve ser dada primazia a iluminação natural, com iluminação artificial complementar, evitando que constitua fator de risco. É necessário iluminação de segurança a qual deve ser independente. A iluminação não deve afectar a visão,provocando encadeamentos ou fadiga visual. Pavimentos – Devem ser estáveis e fixos, antiderrapantes, sem inclinações perigosas, saliências ou cavidades, de limpeza fácil e construídos por forma a permitir a sua manutenção. Portas e portões – A posição, o número, a dimensão e os materiais devem ter em conta a natureza e o tipo de utilização dos locais. Devem ser abertos em caso de ocupação das instalações ou do interior sem qualquer auxílio. Vias de circulação e zonas de perigo – As vias de circulação para pessoas devem ter a largura mínima de 1,20 m, iluminação adequada, piso não escorregadio e resguardos laterais, se houver perigo de queda em altura. As vias para veículos devem estar afastadas das portas, portões, passagens de peões, corredores e escadas e as zonas de perigo devem ter 10 sinalização bem visível, dispositivos que impeçam a passagem de trabalhadores não autorizados e protecção para os trabalhadores com acesso autorizado. Ordem e limpeza – As primeiras actividades a desenvolver neste sentido são as seguintes: eliminar o que é inútil no posto de trabalho e classificar o que é necessário; assegurar os meios para guardar e localizar o material facilmente decidindo as localizações mais adequadas e identificar as localizações. 2.3.2 Riscos Relacionados com a Segurança do Trabalho O trabalhador no seu local de trabalho está exposto a um conjunto de riscos os quais podem desencadear um acidente no desenvolvimento das suas actividades laborais, riscos esses que podem ser de vária ordem (Kmed Europa, 2014). 2.3.2.1 Riscos Mecânicos De acordo com a Kmed Europa, (2014) os riscos mecânicos estão relacionados com o movimento de máquinas, ferramentas e outros equipamentos de trabalho, que devido à energia mecânica que possuem ou podem originar, são suscetíveis de provocar lesões, tais riscos podem ser: Quedas (mesmo nível e em níveis diferentes); Quedas de objectos; Choques por/contra objectos; Cortes; Perfurações; Escorregadelas; Projeções; Atropelamento com veículo. 2.3.2.2 Riscos associados à electricidade A regra primordial da segurança em relação aos acidentes eléctricos com pessoas é evitar os contactos físicos com qualquer elemento dos circuitos eléctricos quer seja contacto directo ou indirecto, porém a electricidade pode causar danos materiais; normalmente 11 resultantes de incêndios e/ou explosões provocados por deficiências na instalação e danos pessoais resultantes da passagem de corrente eléctrica pelo corpo humano (Rodrigues , 2006). E os riscos mais frequentes associados à electricidade segundo Freitas (2016), são: Electrocussão; Queimaduras, na sequência de arco eléctrico; Acidente secundário (por exemplo, queda numa escada após choque eléctrico); Explosões envolvendo a electricidade; Incêndio causado pela corrente eléctrica. 2.3.2.3 Riscos de incêndios O risco de incêndio está presente em qualquer ambiente laboral independentemente do tipo de atividade que é desenvolvida tendo em conta a variedade de causas que dão origem aos incêndios, pelo que, se deve ter a sensibilidade de se prevenir situações de incêndios, pois o combate acaba por ser mais difícil e quando não controlado ou extinto nos primeiros instantes os efeitos podem ser catastróficos. Segundo Freitas (2016), as medidas de prevenção de incêndios actuam sobre os elementos que constituem o tetraedro de fogo, bem como sobre a estrutura de edifício como faz referência de forma detalhada o Quadro do anexo D. 2.3.3 Factores de Riscos nos Locais de Trabalho Os trabalhadores no desenvolvimento das suas actividades laborais ficam diante de um conjunto de perigos os quais desencadeiam uma variedade de riscos, perigos estes que devem ser conhecido por cada elemento do meio envolvente para poder controlar o risco, evitando a ocorrência de acidentes. Alguns factores de riscos frequentemente encontrados em actividades e locais de trabalho são descritos nas secções que se seguem. 2.3.3.1 Movimentação Manual de Carga O transporte manual envolve todo o corpo e a sua elevação só pode ser realizada através da tensão de muitos músculos, o que pode provocar um grande desgaste físico. Mesmo que a carga a movimentar não seja pesada ou volumosa, o transporte manual é quase 12 sempre um trabalho pesado, sobretudo quando há necessidade de elevação para plataformas ou de subir escadas, Rodrigues (2006). Os riscos inerentes à execução desta actividade que surgem na consequência de movimentos incorrectos ou esforços físicos exagerados, de grandes distâncias, de elevação bem como de períodos insuficientes de repouso são de acordo Rodrigues (2006), os seguintes: Queda de objectos sobre os pés; Ferimentos causados por marcha sobre objectos penetrantes, choques contra objectos, ou pancada por objectos penetrantes; Esforços excessivos ou movimentos incorrectos (de que pode resultar hérnia discal, rotura de ligamentos, lesões musculares e das articulações); Queda de objectos; Entalamento. 2.3.3.2 Movimentação Mecânica de Cargas A movimentação de cargas acaba por ser um dos factores onde se fazem maiores esforços, no sentido da racionalização do trabalho. Normalmente, por razões ligadas à prevenção dos riscos decorrentes da movimentação manual de cargas, aplica-se a movimentação mecânica e/ou automática, no sentido de se diminuir os tempos de deslocação, o número de pessoas e as consequências físicas da movimentação manual (Verlag Dashöfer, (s.d.), como citado em Rodrigues, 2006, p.177). A elevação, o transporte de cargas e a descarga de materiais devem, sempre que possível, fazer-se de forma mecanizada. Os equipamentos de trabalho para levantar cargas devem estar instalados de modo sólido, caso sejam fixos, ou dispor de condições que lhes asseguram a sua estabilidade durante as operações, (Freitas, 2016). Alguns riscos inerentes a equipamento de transporte mecânico de carga estão indicados no anexo G, bem como medidas preventivas. 2.3.3.3 Máquinas Segundo Rodrigues (2014), a utilização de máquinas está presente em muitos processos produtivos e de manutenção, no entanto, é essencial à existência de requisitos de segurança, e que estes sejam conhecidos por todos executantes de atividades e 13 consequentemente cumpridos. O cumprimento dos requisitos de segurança nas máquinas garante a maior segurança aos trabalhadores. De acordo com Freitas (2016) o trabalhador ao lidar com máquinas deve ter em conta algumas medidas de controlo do risco: As medidas mais relevantes são as de prevenção intrínseca, que eliminam ou reduzem os factores de riscos através de opções de concepção e fabrico ou limitam a exposição à condições perigosas, designadamente zonas de perigo. Entre as medidas complementares contam-se os dispositivos de paragem de emergência, o bloqueio de qualquer fonte de alimentação, no caso de funcionamento não controlado, os dispositivos para a manutenção, diagnósticos para a reparação de avarias em condições de segurança, entre outros. Os resguardos fixos são mais utilizados nas zonas que requerem acesso frequente e implicam a utilização de equipamento específico para a sua remoção. As máquinas ainda deverão ter sinais visuais ou auditivos de perigo e placas de instruções relativas à utilização, regulação e manutenção dos mesmos. Medidas de formação e informação dos trabalhadores sobre a utilização dos equipamentos, maior parte fornecida pelo fabricante através do manual de instruções. Medidas de manutenção preventiva e medidas de proteção individual. 2.3.3.4 Equipamentos de trabalho A responsabilidade de assegurar que os trabalhadores no exercício das suas actividades cumpram com as exigências mínimas em matéria de utilização de equipamento de trabalho é do empregador. “Entende-se por equipamento de trabalho qualquer máquina,ferramenta, instalação ou aparelho utilizado no trabalho” (Freitas, 2016, p.494). Para Freitas (2016), os equipamentos de trabalho devem respeitar os seguintes requisitos mínimos de segurança: Sistema de comando; Arranque e paragem do equipamento; Estabilidade e proteção contra a rotura; Projecção de objetos ou emanação de gases, vapores ou líquidos; 14 Riscos de contacto mecânico; Iluminação e temperatura; Dispositivos de alerta; Manutenção; Riscos eléctricos, de incêndio e explosões; Sinalização de segurança. 2.3.3.5 Identificação de factores de risco das Máquinas e dos Equipamentos de Trabalho De acordo com Freitas (2016), as máquinas e equipamentos evidenciam um conjunto de factores de risco: Contacto com partes móveis de máquinas; Contacto com matérias primas ou produtos em transformação; Defeito mecânico; Contacto com parte eléctrica; Defeito eléctrico; Ruído e vibrações; Iluminação deficiente; Ambiente térmico externo; Liberação de gases, vapores e poeiras; Espaços de trabalho; Deficiente concepção, geradora de inadaptação ao posto de trabalho; Esforços excessivos; Desconformidade de utilização relativamente às especificações. 2.3.3.6 Ferramentas “As ferramentas são utensílios de trabalho utilizados, geralmente, de forma individual, que requerem a força motriz humana – Ferramentas manuais, ou mecânicas – ferramentas motorizadas” (Freitas, 2016, p.498). 15 São ferramentas manuais, por exemplo, os serrotes, os martelos, as chaves de parafusos, os alicates, os machados ou as chaves de porcas. Os maiores perigos destas ferramentas resultam da utilização incorreta ou de uma manutenção deficiente. “As condições perigosas mais frequentes nas ferramentas manuais são as lesões oculares causadas por projecção de partículas, os golpes em diferentes partes do corpo, lesões dorsais por esforços excessivos ou gestos violentos, golpes e cortes nas mãos” (Freitas, 2016, p.499). As ferramentas mecânicas são utilizadas em quase todas as indústrias. Facilitam a execução de tarefas que, de outra forma, obrigariam a um trabalho manual extenuante. No entanto, se não forem devidamente utilizadas e conservadas, estas ferramentas do dia-a-dia podem causar lesões graves nos dedos ou nas mãos, ou mesmo nos olhos. As ferramentas elétricas defeituosas podem provocar queimaduras e choques ou mesmo a morte por eletrocussão. Algumas ferramentas pneumáticas são muito ruidosas e podem causar perda de audição. (E – FACTS, s.d.). 2.3.4 Elementos de Prevenção de Acidentes de Trabalho A prevenção é, pois, encarada como um pré-requisito para que os trabalhadores tenham uma vida digna em sociedade e as organizações alcancem sucesso entre os seus competidores, num mercado global. Nesta linha de pensamento, os elementos de prevenção que são apresentados nas secções seguintes se aplicados em locais de trabalho, constituem em larga medida valências que permitem minimização de uma multiplicidade de riscos (Freitas, 2016). 2.3.4.1 Sinalização de Segurança Rodrigues (2006) define sinalização de segurança como a sinalização relativa a um objecto, uma actividade ou uma situação determinada, que fornece uma indicação ou uma prescrição relativa à segurança ou à saúde no trabalho, ou às ambas, através de uma placa, uma cor, um sinal luminoso ou acústico, uma comunicação verbal ou um sinal gestual. No ambiente laboral dos estaleiros existem situações de perigo que devem ser sinalizadas com o objectivo de alertar os trabalhadores e, eventualmente terceiros, da iminência de uma situação de perigo e da consequente e urgente necessidade de actuar de 16 forma determinada, sempre que não possam ser evitados ou suficientemente limitados os riscos através da utilização de meios de protecção colectiva ou medidas, métodos ou processos de organização do trabalho (Pinto, 2012 como citado em Nascimento, 2013 p. 48). Deverão ser igualmente sinalizadas as vias de circulação, os equipamentos de protecção contra incêndios, os meios e equipamentos de salvamento e socorro e as zonas onde é obrigatório o uso de EPI’s específicos. O detalhe da combinação de formas e de cores e seu significado nos sinais estão indicados nos Quadros do anexo C. 2.3.4.2 Plano de Emergência O Plano de emergência tem por objectivo a preparação e organização dos meios existente para garantir a salvaguarda dos trabalhadores, em caso de ocorrência de uma situação perigosa e que obrigue uma evacuação rápida. Compete à entidade empregadora, tomar as providências que se julgam convenientes para alcançar este objectivo (Rodrigues, 2006). Segundo Freitas (2016), um plano de emergência deve conter os seguintes elementos: Plano de evacuação; Organização para a evacuação; Actuação das equipas de primeira intervenção; Instruções de segurança; Plantas de emergência; Metodologia específica para a comunicação de incêndios e outras emergências; Plano específico de primeiros socorros que defina a localização dos materiais e equipamentos de primeiros socorros. Rodrigues (2006), fala das razões para elaboração de um plano de emergência que são descritas abaixo: Identifica os riscos; Estabelece cenários de acidentes para os riscos identificados; Define princípios, normas e regras de actuação gerais face aos cenários possíveis; Organiza os meios de socorro e prevê missões que competem a cada um dos intervenientes; 17 Permite desencadear acções oportunas, destinadas a minimizar as consequências do sinistro; Evita confusões, erros, atropelos e a duplicação de actuações; Prevê e organiza antecipadamente a evacuação e a intervenção; Permite estabelecer procedimentos, os quais poderão ser testados através de exercícios de simulação. 2.3.4.3 Equipamentos de Proteção Colectiva e Individual A protecção colectiva, através dos Equipamentos de Protecção Colectiva (EPC), devem ter prioridade, uma vez que beneficiam todos os trabalhadores sem distinção. Quando não for possível adoptar medidas de segurança de ordem colectiva, para garantir a protecção contra os riscos de acidentes e doenças profissionais, devem-se utilizar os equipamentos de protecção individual (Angola uniformes, s.d.). Vejamos alguns exemplos de aplicação de EPCs: Sistema de exaustão que evacua gases, vapores ou poeiras contaminantes do local de trabalho; Enclausuramento de máquina ruidosa para o confinamento acústico e livrar o ambiente do ruído excessivo; Contenção por cabos de segurança de equipamentos suspensos sujeitos a esforços, caso venham a se desprender. “Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são dispositivos ou meios utilizados por uma pessoa quando realiza uma atividade ou tarefa, com vista à sua proteção contra um ou mais riscos suscetíveis de ameaçar a sua segurança ou saúde” (Ganço, 2014 como citado em Rodrigues, 2014 p.26). Os EPI´s devem ser utilizados nas circunstâncias em que os riscos existentes não podem ser evitados ou completamente limitados, em primeiro lugar, por medidas, métodos ou processos de prevenção inerentes à organização do trabalho (medidas administrativas) e, em segundo lugar, por meios técnicos de proteção coletiva (Rodrigues, 2014). A localização dos EPI´s deve ser bem conhecida e encontrar-se acessível, com identificação, nos procedimentos operacionais, do local respectivo. E os trabalhadores devem conhecer as potencialidades, as limitações e o método correcto de utilização e manutenção do 18 EPI, (Freitas, 2016). O anexo B do presente trabalho indica o EPI a utilizar em cada situação em função dos agentes agressores. 2.4 Higiene do Trabalho “A Higiene do trabalho abrange o conjunto de metodologias não médicas necessárias à prevenção das doenças profissionais, tendo como principal campo de acção o controlo dosagentes físicos, químicos e biológicos presentes nos locais e componentes materiais de trabalho” (Livro Verde dos Serviços de Prevenção, 1997 como citado em Freitas, 2016, p. 557). 2.4.1 Agentes Físicos Segundo Rodrigues (2006), os agentes físicos têm origem em diferentes formas de energia que, geradas por fontes concretas, podem afectar a saúde dos trabalhadores que a elas estejam submetidos. Devido às suas diferenças, dão lugar a efeitos muito distintos entre si, obrigando a métodos de medida e análise específica. Estas energias podem ser: Mecânicas (Ruído e Vibrações); Electromagnéticas: (Iluminação, Radiações); Térmicas (Ambiente térmico). 2.4.1.1 Ruído Ruído pode ser definido como um conjunto de sons desagradáveis, incomodativos ou perigosos capazes de alterar o bem-estar fisiológico ou psicológico das pessoas, sendo um obstáculo à comunicação e a concentração e que provoca lesões auditivas que podem levar à surdez e de prejudicar a qualidade e a quantidade do trabalho (Rodrigues, 2006). Os efeitos do ruído para a saúde podem dividir-se em auditivos e extra-auditivos. Nos efeitos extra-auditivos destacam-se os efeitos fisiológicos como a aceleração do ritmo cardíaco, hipertensão do ritmo respiratório, diminuição da temperatura e da resistência eléctrica da pele, abaixamento do nível de triglicérides, etc.; Efeitos no equilíbrio, tal como a vertigem; Efeitos funcionais, distúrbios do humor e manifestação de stress, tal como irritação, insatisfação, fadiga, agressividade, dores de cabeça, stress crónico, depressão, etc. (Freitas, 2016). 19 Quanto aos efeitos auditivos Freitas (2016) diz que o ruído pode desencadear uma perda parcial de audição ou efeitos auditivos permanentes. Segundo Nascimento (2013), o risco a que os trabalhadores estão sujeitos depende de: tempo de exposição (quanto mais longo, maior é o risco), tipo de ruído (contínuo, intermitente ou súbito), distância da fonte do ruído (quanto menor, maior é o risco), sensibilidade individual (varia com a idade e de indivíduo para indivíduo) e danos na audição (lesões já existentes no aparelho do indivíduo). 2.4.1.2 Vibrações “As vibrações definem-se como o movimento oscilatório de um corpo em torno do seu ponto de equilíbrio. O número de vezes que este ciclo se repete, por segundo, designa-se por frequência e é medido em Hertz (Hz).” (Nascimento, 2013 p.12). Pode-se distinguir dois tipos de vibrações, segundo Freitas (2016): As transmitidas a todo corpo (por exemplo, no assento de uma retroescavadora); As transmitidas ao sistema mão/braço, ou seja, as vibrações ou choques de ferramentas e máquinas ao nível das mãos. Conforme Soeiro (2011, como citado em Beltrami & Stumm, 2013 p.124), um indivíduo diariamente exposto à vibração de corpo inteiro poderá sofrer danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso tal como danos à coluna vertebral, ao sistema circulatório, ao sistema urológico, ao Sistema Nervoso Central (SNC). De acordo com o mesmo autor, quanto às consequências da vibração de extremidade (mão/braço), esse tipo de exposição pode dar origem a Síndrome de Vibração de Mãos e Braços, conhecida por HAVS (Hand and Arm Vibration Syndrome) e a Síndrome do Canal Cárpico incluindo, ainda, a Síndrome dos Dedos Brancos. 2.4.1.3 Iluminação A iluminação adequada nos locais de trabalho é uma condição imprescindível para a obtenção de um bom ambiente de trabalho e desta forma reduzir o absentismo e aumentar a produtividade e também reduzir os acidentes de trabalho. 20 Uma iluminação deficiente, segundo Freitas (2016), pode originar riscos para SST, designadamente: Fadiga ocular: irritação, redução da acuidade visual, menor rapidez perceptiva; Fadiga visual: menor velocidade de reação, sensação de mal-estar, cefaleia e insónias; Acidentes de trabalho; Posturas incorrectas de trabalho. A iluminância ou nível de iluminação reporta-se a quantidade de luz necessária para executar convenientemente uma tarefa. Os locais devem ser concebidos por forma a que a luz natural seja suficiente. Para a sua medição utiliza-se um luxímetro, equipamento que reflecte a quantidade de fluxo luminoso que um determinado elemento ou plano de trabalho recebe. A unidade de medida é o lux (Freitas, 2016). 2.4.1.4 Ambiente Térmico A saúde e bem-estar nos locais de trabalho dependem, entre outros factores, do ambiente térmico no local de trabalho. O nosso organismo está constantemente a utilizar parte dos seus recursos energéticos na manutenção da temperatura corporal (homeotermia). Assim, as variações térmicas ambientais, mais frias ou mais quentes, obrigam a que o nosso organismo despenda mais energia na manutenção da temperatura corporal, consequentemente, um maior cansaço e desgaste por parte do trabalhador na execução da sua actividade profissional (Gabinete de Estudos da FESETE, 2010). Freitas (2016) fala de duas situações em que se podem encontrar os locais de trabalho: as situações de conforto térmico e as situações de stress térmico. As situações de conforto térmico reportam-se aos locais de trabalho onde se verifique a exposição a ambientes térmicos moderados e de forma a obter condições de conforto aceitáveis para 80% ou mais dos ocupantes. O stress térmico pode ser encontrado em locais onde se verifica a exposição a ambientes quentes, onde haverá que avaliar o efeito do calor nos indivíduos durante períodos representativos da sua atividade. Segundo Rodrigues (2006), Stress Térmico ou Conforto Térmico depende de quatro factores: temperatura do ar, velocidade do ar, humidade do ar e o calor radiante. 21 2.4.1.5 Ventilação “A ventilação é o processo de insuflação e extração de ar através de meios naturais ou mecânicos, com o objectivo de proporcionar condições de bem-estar aos trabalhadores e demais utilizadores” (Freitas, 2016 p. 583). A ventilação permite a renovação do ar de um local, substituindo o ar viciado por ar novo. O processo de ventilação tem o objetivo de limpar e controlar as condições do ar, permitindo que homens e máquinas “convivam” no mesmo espaço sem desconforto (Oliveira, s.d., como citado em Rodrigues, 2014, p. 22). Grande parte das indústrias gera resíduos que, caso não recebam tratamento, poluem a atmosfera. O sistema de ventilação vem resolver parte desse problema. Segundo Freitas (2016), a ventilação pode ser natural ou artificial. É natural, a ventilação resultante do movimento natural do ar através das diversas aberturas existentes nas paredes e nas coberturas dos edifícios. E é artificial, a ventilação que se obtém através de meios mecânicos. 2.4.1.6 Radiação Radiação é uma forma de energia que se propaga pelo espaço por meio de ondas eletromagnéticas ou partículas e a partir de uma fonte podendo ser ionizante ou não ionizante (Freitas, 2016). Radiações ionizantes – São radiações constituídas por fotões, ou partículas com energia suficiente para ionizar os átomos e as moléculas com que interagem, as mesmas têm origem em substâncias radioactivas que emitem principalmente as partículas alfa (α), beta (β) e raios gama (γ) (ETNA, 2018). Os efeitos sobre a saúde, segundo Freitas (2016) são de vária ordem e vão desde incidências sobre o sistema reprodutor e cérebro-espinal até à pele e outros tecidos. Radiações não ionizantes são as que não possuem energia suficiente para ionizar os átomos e as moléculas com as quais interagem. Trata-se, em geral, de radiações térmicas em que uma parte é produzida pela fonte natural que é o sol, sendo a maioria emitida por fontes artificiais como lâmpadas, fornos, equipamentos com laser, etc. Freitas (2016, p.596). 22 Segundo Freitas (2016), as principais radiações não ionizantes são: raios ultravioletas (UV); radiação visível; raios infravermelhos; microondas; radiofrequências; campos eléctricos e magnéticos de muitobaixas frequências e raios laser. Os principais efeitos das radiações não ionizantes, segundo Rodrigues (2006), são as seguintes: Efeitos Carcinogênicos na pele, resultantes de exposições prolongadas, principalmente à radiação UV, com origem na luz solar e lâmpadas de UV; Queimaduras na pele, no caso de exposição a fontes particularmente intensas (lasers); Inflamações da córnea e da conjuntiva, podendo conduzir a glaucoma e cataratas; Queimaduras graves dos tecidos oculares, provocando cegueira, no caso dos lasers. 2.4.2 Agentes Químicos “Agentes químicos são substâncias, compostos ou produtos que podem penetrar no organismo pelas vias respiratórias em forma de poeira, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores. Ou que, pela natureza da atividade e exposição, podem ter contato ou ser absorvidos pelo organismo pela pele ou por absorção.” (Monica & Stumm, 2013 p.135). Certas substâncias químicas são lançadas no ambiente de trabalho através de processos de pulverização, fragmentação ou emanações gasosas. Essas substâncias podem apresentar-se nos estados sólido, líquido e gasoso (Gama, 2012 como citado em Nascimento, 2013 p.15). Segundo Freitas (2016), os agentes químicos quanto aos efeitos na saúde podem classificar-se em: Irritantes – os quais provocam a irritação dos tecidos onde actuam, como é o caso do cloro e do formaldeído; Cancerígenos – que contribuem para o surgimento de cancros, como o benzeno e o cádmio; Asfixiantes – que provocam asfixia, como o butano e o monóxido de carbono; Sensibilizantes – que produzem reacções alérgicas como os isocianatos; Corrosivos – que produzem a corrosão do tecido onde actuam, como os ácidos; Anastésicos – que afectam o sistema nervoso, como o xileno, o tolueno e a acetona; 23 Pneumoconióticos – com efeitos a nível pulmonar como o amianto, o ferro ou o alumínio; Sistémico – que afectam um órgão concreto, independentemente da via de penetração, como é o caso do mercúrio ou manganésio no sistema nervoso ou o chumbo nos rins. 2.4.3 Agentes Biológicos Agentes biológicos são microrganismos susceptíveis de provocar efeitos negativos na saúde dos trabalhadores em situação de exposição por parte destes, nomeadamente infecções, alergias ou intoxicações (Freitas, 2016). Os agentes biológicos que contaminam os ambientes ocupacionais são os vírus, as bactérias, os protozoários, os fungos, os parasitas e alguns derivados de animais e vegetais que causam alergia (por exemplo: pólen e pós de madeira). A contaminação por agentes biológicos no local de trabalho pode ocorrer pelo contato do trabalhador com materiais contaminados e pessoas portadoras de doenças contagiosas, por transmissão de vetores (roedores, baratas, mosquitos e animais domésticos), por contato com roupas e objetos de pessoas doentes, pela permanência em ambientes fechados, por acidentes com objetos pontiagudos, etc. (Brevigliero, Possebon, Spinelli, 2012, como citado em Mônica & Stumm, 2013 p. 19). 2.5 A Gestão da Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho nas Organizações 2.5.1 Serviços de SHST Os Serviços de Segurança e Higiene no Trabalho nas organizações definem-se como instrumentos através dos quais a administração da empresa assume a responsabilidade pela prevenção dos acidentes de trabalho e doenças profissionais (Decreto Executivo Angolano nº 6/96, 1996). O Decreto Lei Angolano n.º 31/94 (1994) orienta que todas as organizações que empreguem um número igual ou superior a 50 trabalhadores, ou aquelas com um elevado índice de risco, deverão criar e organizar o serviço de segurança e higiene no trabalho e dotá-lo de 24 técnicos necessários, com vista a desenvolver acções que garantem a segurança do trabalhador no seu local de trabalho. 2.5.1.1 Organização das Atividades de SHST De acordo com o Decreto n.º 31/94 (1994) os serviços de SHST deverão desenvolver dentro das organizações as seguintes: Proceder, sistematicamente, à auto-inspecções nos locais de trabalho para assegurar-se da aplicação das disposições regulamentares e normas por postos de trabalho relativas à segurança, higiene e saúde no trabalho bem como do embelezamento dos mesmos; Assessorar a Comissão de Prevenção de Acidentes de Trabalho da empresa, assim como apoiar a organização sindical neste domínio; Colaborar com a Comissão de Prevenção de Acidentes de Trabalho na investigação de acidentes de trabalho ocorridos na organização; Propor à entidade empregadora medidas necessárias para reduzir ou eliminar os efeitos nocivos detectados nos locais de trabalho; Instruir, periodicamente, os trabalhadores sobre as normas de segurança. 2.5.1.2 Modalidades de serviços Os serviços de segurança e de higiene do trabalho e de vigilância da saúde podem ser organizados a nível interno, externo ou inter - empresas, de acordo com os limites estabelecidos no Decreto Executivo nº 6/96 de 2 de Fevereiro. De acordo com Freitas (2016), para além das modalidades de serviços expostos a cima, é possível desenvolver as atividades de segurança, higiene e saúde do trabalho através de organização de emergência, trabalhador designado e empregador. 25 A Figura 1 indica as diferentes modalidades de serviços. Figura 1. Organização de serviços de SST. Fonte: Adaptado pelo autor de Freitas (2016). 2.5.1.2.1 Serviços Internos Os serviços internos são criados pela mesma empresa, abrangendo exclusivamente os trabalhadores que nela prestam serviço (Decreto Executivo nº 6/96 1996). Trata-se de departamento inserido na estrutura da organização, a funcionar sob o seu enquadramento hierárquico, com uma ou ambas a valências segurança e/ou saúde do trabalho dotado de meios consequentes com as atividades a desenvolver (Freitas, 2016). Segundo Freitas (2016), os requisitos a que deve obedecer a constituição dos serviços são os seguintes: Instalações devidamente equipadas, com condições adequadas ao exercício da atividade; Equipamentos e utensílios de avaliação das condições de segurança, higiene e saúde no trabalho nas organizações e equipamentos de proteção individual (a utilizar pelo pessoal técnico); Qualidade técnica dos procedimentos; Recurso a subcontratação de serviços apenas em relação a tarefas de elevada complexidade e pouco frequentes; Organização de serviços de SST Organização de emergência Serviços internos Serviços comuns Serviços externos Associativos Cooperativos Privados Convencionais Serviço nacional de saúde ou entidade da administração Trabalhador designado Empregador 26 Existência de recursos humanos suficientes, em função das regras, legalmente consignadas a nível de garantia mínima de funcionamento de Médicos do Trabalho (MT) e de Técnicos de Segurança do Trabalho (TST). 2.5.1.2.2 Serviços Comuns O serviço comum é instituído por acordo entre várias organizações, a maioria das quais com estabelecimentos localizados na proximidade uns dos outros (por exemplo: parques industriais), cuja dimensão, não havendo riscos graves, poderia não justificar a constituição de estrutura própria (Nascimento, 2013). Como prescrito no artigo 9º do Decreto Executivo nº 6/96 (1996), Os serviços comuns, são criados por uma pluralidade de organizações ou estabelecimentos com 50 trabalhadores, para utilização comum dos trabalhadores que neles prestam serviço. Os serviços a que se refere, serão criados e organizados numa dessas organizações ou estabelecimentos que tenham condições e instalações para o efeito. 2.5.1.2.3 Serviços Externos Serviços externos são serviços contratados pela organização a uma entidade externa, prestadora de serviços de Segurança e Higiene no Trabalho, os quais podem assumir várias modalidades (Nascimento, 2013). Devendo conter os requisitos determinados nos Artigos 10º e 11º do Decreto Executivo Angolano nº 6/96de 2 de Fevereiro. 2.5.2 Recursos Humanos No que concerne a recursos Humanos, os serviços de SHST devem possuir médicos do trabalho, enfermeiros e técnicos de segurança do trabalho. De acordo com Freitas (2016), os Técnicos de Segurança e Higiene no Trabalho (TSHT), são profissionais que organizam, coordenam, controlam (no caso de técnicos superiores) e desenvolvem as actividades de prevenção e protecção contra os riscos. O exercício da profissão de TSHT pressupõe o cumprimento de regras deontológicas estritas, devendo por isso depender da obtenção de um certificado de aptidão através de equiparação, equivalência de título ou formação (para níveis 4 e 6 de TSHT). 27 O Quadro 1 mostra os requisitos de obtenção do Certificado de Aptidão Profissional (CAP) segundo Freitas (2016). Quadro 1 Requisitos para obtenção do CAP Técnico Superior de ST (Nível 6) Técnico de ST (Nível 4) Licenciatura ou bacharelato e frequência com aproveitamento do curso de formação de TSST. 12º ano de escolaridade ou equivalente e frequência com aproveitamento de curso de formação de TST, homologado e certificado. Licenciatura em curso de SHT reconhecido pelo Ministério da Educação e homologado pela entidade certificadora 9º ano e frequência com aproveitamento de curso de TST, homologado pela entidade certificadora e inserido num sistema de formação que confira, no final, equivalência ao 12º ano de escolaridade. Fonte: Adaptação do Autor, de Freitas (2016). 2.5.2.1 As Funções dos Técnicos de Segurança do Trabalho “Os técnicos de segurança do trabalho têm um vasto conjunto de funções, a que correspondem atividades essenciais inerentes ao perfil profissional, definido em articulação entre a entidade certificadora e o Sistema Nacional de Certificação Profissional” (Freitas 2016). Segundo Santos (2011), competem aos técnicos de segurança no trabalho, entre tantas outras as seguintes atividades: Colaborar na definição da política geral da empresa relativa à prevenção de riscos e planear e implementar o correspondente sistema de gestão; Desenvolver processos de avaliação de riscos profissionais; Conceber, programar e desenvolver medidas de prevenção e de protecção; Coordenar tecnicamente as actividades de SHST, assegurando o enquadramento e a orientação técnica dos profissionais da área da segurança e higiene no trabalho; Promover a informação e a formação dos trabalhadores e demais intervenientes nos locais de trabalho; 28 Desenvolver as relações da organização com os organismos da Rede Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais. 2.6 Avaliação de Riscos A avaliação de riscos constitui a primeira abordagem de um problema de SST, fazendo um levantamento de todos os factores do sistema de trabalho Homem/Máquina/Ambiente que podem causar acidentes (Nascimento, 2013). O empregador tem a obrigação geral de assegurar a segurança em todos os espaços de trabalho e relativamente a todos os aspectos relacionados com o trabalho. Identificar e avaliar os riscos coloca o empregador em posição de tomar as medidas para proteger eficazmente os trabalhadores (Freitas, 2016). A Figura 2 indica as etapas do processo de avaliação e controlo de riscos. Figura 2. Avaliação e controlo de riscos. Fonte: Freitas (2016). 29 Em geral, a avaliação de riscos consiste, pois, na análise estruturada de todos os aspectos inerentes ao trabalho, concretizada através da identificação dos perigos, estimação e valoração dos riscos e indicação dos trabalhadores ou terceiros a eles expostos, definindo, em cada situação, as medidas de prevenção ou protecção adequadas, visando, em princípio, a eliminação do risco ou se tal não for possível, a redução das suas consequências (Freitas, 2011 como citado em Nascimento, 2013, p. 21). 2.6.1 Etapas da Avaliação de Riscos Qualquer avaliador que pretenda utilizar uma metodologia de avaliar os riscos deverá seguir duas fases distintas: a análise de risco e a valoração de risco as quais se desenvolvem também em diferentes fases. 2.6.1.1 Análise de Riscos Segundo Mendonça (2013), a análise de risco, pretende uma decomposição detalhada do objeto selecionado para alvo de avaliação (que pode ser uma simples tarefa, um local, um equipamento, uma situação, uma organização ou sistema). A concretização da análise de risco deve compreender três etapas distintas: identificação do perigo e possíveis consequências, identificação das pessoas expostas e estimativa do risco. 2.6.1.1.1 Identificação do Perigo e Possíveis Consequências Na identificação do perigo, pretende-se verificar que perigos estão presentes numa determinada situação de trabalho e as suas possíveis consequências, em termos de danos sofridos pelos trabalhadores sujeitos à exposição desses mesmos perigos (Mendonça, 2013). Na opinião de Freitas (2016), para se identificar os perigos ou factores de riscos, devem-se observar as situações que, no local de trabalho, podem causar danos, estabelecendo como prioridade aquelas que possam causar lesões de maior vulto. Deve-se também consultar os trabalhadores, os quais podem ter conhecimento de situações de desvio não perceptível de imediato. Mendonça (2013) fala de passos para concretizar a identificação de riscos: 30 Consultar e fazer participar os trabalhadores e/ou seus representantes para que comuniquem quais os perigos e efeitos adversos por eles detectados; Examinar sistematicamente todos os aspetos do trabalho, isto é: observar o que realmente sucede no local de trabalho ou durante a execução dos trabalhos; Identificar os aspetos do trabalho potencialmente causadores de danos (os perigos). 2.6.1.1.2 Identificação das Pessoas Expostas Para o conhecimento objectivo ou subjectivo da gravidade que um determinado dano pode assumir bem como da probabilidade de ocorrência do mesmo, deve-se em larga medida ao tipo de pessoas expostas, ou seja, consoante o nível de formação, sensibilização, experiência, susceptibilidade individual, entre outros. Daí a necessidade de identificação das pessoas expostas (Mendonça 2013). Freitas (2016) diz que se deve saber quem pode ser objecto de lesões e como, sem esquecer os jovens formados, grávidas e puérperas clientes, visitantes, construtores, trabalhadores de manutenção e de limpeza, assim como grupos de sujeitos que possam ser particularmente vulneráveis. 2.6.1.1.3 Estimativa do Risco Segundo Mendonça (2013), nesta fase, o objetivo consiste na quantificação da magnitude do risco, ou seja, da sua criticidade. Segundo diversos autores, a magnitude do risco é função da probabilidade de ocorrência de um determinado dano e a gravidade a ele associada, sendo representada pela seguinte fórmula: Risco (R) = Probabilidade (P) x Gravidade (G) (1) 2.6.1.2 Valoração do Risco A valoração do risco corresponde à fase final da avaliação de risco e visa comparar a magnitude do risco com padrões de referência e estabelecer o grau de aceitabilidade do mesmo. Trata-se de um processo de comparação entre o valor obtido na fase anterior (análise de risco) e um referencial de risco aceitável. Reúnem-se nesta fase informações que permitam avaliar as medidas de controlo implementadas; Priorizar as necessidades de implementação de 31 medidas de controlo e definir as ações de prevenção / correção a implementar. (Roxo, 2003 como citado em Mendonça, 2013, p. 9). 2.6.2 Métodos de Avaliação de Riscos Para a avaliação de riscos em qualquer instalação, o avaliador dispõe de uma variedade de métodos para o efeito, cabendo a ele a escolha de um destes em função do tipo de actividade, instalação, bem como o âmbito da avaliação. Segundo Nascimento (2013), estes métodos podem ser integrados em diferentes categorias de acordo com as suas características específicas, os objectivos paraque foram desenvolvidos, os meios utilizados e os factores que relacionam. Como exemplo, em função da importância relativa de cada uma das suas componentes de “identificação” e de “quantificação” do risco, é habitual distingui-los como métodos qualitativos, quantitativos e semi-quantitativos. 2.6.2.1 Métodos Qualitativos Segundo Reis (2015), os métodos qualitativos descrevem, sem chegar a uma quantificação dos riscos, os pontos perigosos de uma instalação e as medidas de segurança existentes, sejam de tipo preventivo ou de proteção. Este tipo de método é adequado para estimar situações simples, cujos perigos possam ser facilmente identificados através da observação. Os métodos qualitativos podem ser dos seguintes tipos: Estudos de movimentação; Planos de sinalização; Listas de verificação; Fluxogramas. 2.6.2.2 Métodos Quantitativos As avaliações quantitativas envolvem a quantificação objectiva dos diferentes elementos do risco, nomeadamente, da probabilidade e da gravidade das consequências. São métodos que visam chegar a uma resposta numérica do grau do risco, pelo que, o cálculo da probabilidade faz recurso às técnicas sofisticadas de cálculo que integram dados sobre o comportamento das variáveis em análise (Nascimento, 2013). 32 Segundo Cabral (2010, como citado em Reis, 2015, p. 7), estes tipos de métodos quantificam o que pode acontecer e atribuem um valor à probabilidade e à severidade, com recurso às técnicas sofisticadas de cálculo e aos modelos matemáticos. Também aqui se podem distinguir diversos tipos de análises, que se baseiam num modelo matemático, em que se atribui um valor numérico aos diversos fatores que causam ou agravam o risco, bem como aqueles que aumentam a segurança, permitindo estimar um valor numérico para o risco efetivo. De entre os métodos ditos quantitativos, podem citar-se: métodos estatísticos, métodos matemáticos e métodos pontuais. 2.6.2.3 Métodos Semi-quantitativos Na opinião de Carvalho (2007, como citado em Reis, 2015 p. 7), estes métodos atribuem índices às situações de risco identificadas e estabelecem planos de atuação tais como o método da matriz e o método de William Fine. Quando a avaliação pelos métodos qualitativos é insuficiente, é preferível optar pelos métodos semi-quantitativos, visto que os métodos quantitativos são complexos e não justificam os custos que lhes estão associados. Freitas (2016), no seu manual de segurança do trabalho, descreve uma variedade de métodos quantitativos e semi-quantitativos de avaliação dos quais se descrevem alguns abaixo: Método de avaliação simplificado; O Método Fine; Análise de segurança na execução do trabalho (Job Safety Analysis); APR – Análise Preliminar de Riscos; O Método Hazop; Matriz de Falhas; Mapa de riscos; Inspecções de segurança; Análise do modo de falhas e efeitos (FMEA); Árvore de falhas. Dos métodos descritos acima têm interesse para a presente pesquisa o método semiquantitativo de avalição simplificado e listas de verificação, desenvolvidos nas secções 2.6.2.4 e 2.6.2.5, pois, fez-se a sua aplicação nas instalações e actividades do EN. 33 2.6.2.4 Método de Avaliação Simplificado Este método, concebido originalmente por Kinney, permite quantificar a amplitude dos riscos e hierarquizar as prioridades de intervenção. O ponto de partida passa pela detecção das não conformidades nos locais de trabalho para, em seguida, se proceder à estimação da probabilidade de ocorrer um acidente e, face à magnitude, avaliar o risco associado a cada uma das consequências (Freitas, 2016). Para facilitar a sua aplicação, o modelo apresenta os níveis de risco, probabilidade e consequências, desagregadas numa escala com várias possibilidades. O nível de risco (NR) resulta do nível de probabilidade (NP) e do nível de consequências (NC), sendo expresso do seguinte modo: 𝑁𝑅 = 𝑁𝑃 x NC (2) Em que: NR – Nível de Riscos NP – Nível de Probabilidade NC – Nível de Consequências Segundo Freitas (2016), os procedimentos de actuação a seguir na avaliação são os seguintes: Definição do risco a analisar; Elaboração da lista de verificação sobre os factores que possibilitam a sua materialização; Atribuição do nível de relevância a cada um dos factores; Preenchimento do questionário no local de trabalho e estimação da exposição e consequências esperadas em condições habituais; Determinação do nível de deficiência; Estimação do NP a partir do ND e do NE; Comparação do nível de probabilidade, a partir de dados históricos disponíveis; Estimação do NR a partir do NC e do NP; Estabelecimentos dos níveis de intervenção, considerando os resultados obtidos e a sua justificação sócio-económica; Comparação dos resultados obtidos com os estimados, a partir de fontes de informação precisas e da experiência. 34 a) Nível de Deficiência Segundo Freitas (2016), o ND consiste na amplitude da articulação expectável entre o conjunto de fatores de risco considerados e a sua relação causal direta com o possível acidente. O Quadro 2 apresenta os diferentes níveis de deficiência. Quadro 2 Determinação do nível de deficiência Nível de deficiência ND Significado Muito deficiente (MD) 10 Foram detectados fatores de risco significativos que determinam a elevada probabilidade de acidente. As medidas são ineficazes. Deficiente (D) 6 Existe um fator de risco significativo, que precisa ser eliminado. A eficácia das medidas de prevenção vê-se drasticamente reduzida. Melhorável (M) 2 São constáveis fatores de risco de importância reduzida. A eficácia das medidas preventivas não é globalmente posta em causa. Aceitável (B) - Não se detectou qualquer anomalia que caiba referir. O risco está controlado. Fonte: Freitas, 2016. b) Nível de Exposição O NE é uma medida da frequência com que ocorre a exposição ao risco. Para um risco concreto, o nível de exposição pode ser estimado em função dos tempos de permanência em áreas de trabalho, operações com máquinas, etc., tal como demonstra o Quadro 3 (Freitas, 2016). Quadro 3 Determinação do nível de exposição Nível de Exposição NE Significado Continuada (EC) 4 Contínua: várias vezes ao longo do período laboral, com exposição prolongada. Frequente (EF) 3 Uma vez por dia Ocasional (EO) 2 Entre uma vez por semana e uma vez por mês Esporádica (EE) 1 Entre uma vez por mês e uma vez por ano. Fonte: Adaptado pelo autor, de Freitas, 2016. 35 c) Nível de probabilidade O nível de probabilidade (NP) é determinado em função do Nível de Deficiência (ND) das medidas de prevenção e do Nível de Exposição (NE) ao risco: NP = ND x NE. (3) A Tabela 1 mostra como determinar o nível de probabilidade e o Quadro 4 indica os significados dos vários níveis de probabilidade. Tabela 1 Determinação do nível de probabilidade Nível de Exposição (NE) 4 3 2 1 Nível de deficiência (ND) 10 MA-40 MA-30 A-20 A-10 6 MA-24 A-18 A-12 M-6 2 M-8 M-6 B-4 B-2 Fonte: Freitas, 2016. Quadro 4 Significado dos diferentes níveis de probabilidade Nível de Probabilidade NP Significado Muito alta (MA) Entre 40 e 24 Situação deficiente, com exposição continuada ou mais deficiente, com exposição frequente. A materialização deste risco ocorre com frequência. Alta (A) Entre 20 e 10 Situação deficiente, com exposição frequente ou ocasional ou situação muito deficiente, com exposição ocasional ou esporádica. A materialização do risco é possível em vários momentos do processo operacional. Média (M) Entre 8 e 6 Situação deficiente, com exposição esporádica ou situação melhorável com exposição continuada ou frequente. Existe a possibilidade de dano. Baixa (B) Entre 4e 2 Situação melhorável, com exposição ocasional ou esporádica. Não é expectável a ocorrência de risco, ainda que seja concebível. Fonte: Freitas, 2016. 36 d) Nível de consequências Para efectuar a categorização do nível de consequências (NC), são considerados quatro níveis, correspondentes a lesões e a danos materiais, como se pode observar no Quadro 5. Quadro 5 Determinação do nível de consequências Nível de consequências NC Significado Lesões Danos materiais Mortal ou Catastrófico (M) 100 1 morto ou mais. Destruição total do sistema. Muito Grave (MG) 60 Lesões graves, que podem ser irreparáveis. Destruição parcial do sistema (com reparação complexa e de custos elevados) Grave (G) 25 Lesões com incapacidade temporária absoluta ou parcial. É necessário parar o processo operativo para proceder à reparação. Leve (L) 10 Pequenas lesões que não requerem internamento. Pode proceder-se à reparação sem parar o processo. Fonte: Freitas, 2016. e) Nível de risco e nível de intervenção O nível de risco é determinado pelo produto do nível de probabilidade e do nível de consequências e que originam os níveis de intervenção. A Tabela 2 e o Quadro 6 permitem calcular o Nível de Risco (NR) e Nível de Intervenção (NI) e mostram o significado dos nível. 37 Tabela 2 Cálculo do nível de risco e de intervenção Nível de Probabilidade (NP) 40-24 20-10 8-6 4-2 Nível de consequência (NC) 100 I 4000-2400 I 2000-1200 I 800-600 II 400-200 60 I 2400-1440 I 1200-600 II 480-360 240 II 120 III 25 I 1000-600 II 500-250 II 200-150 III 100-50 10 II 400-240 200 II 100 III 100 III 80-60 40 III 20 IV Fonte: Freitas, 2016. Quadro 6 Significado do nível de intervenção NI NR Significado I 4000-600 Crítico Situação crítica. Correção urgente. II 500-150 Elevado Corrigir e adotar medidas de controlo. III 120-40 Moderado Melhorar se for possível. Seria conveniente justificar a intervenção e a sua rentabilidade. IV 20 Aceitável Não intervir, exceto se uma análise mais precisa o justificar. Fonte: Freitas, 2016. 2.6.2.5 Listas de Verificação Listas de verificação é uma técnica de identificação de riscos que consiste em listagens definidas de perigos, riscos ou falhas de controle que foram desenvolvidas normalmente a partir da experiência, como resultado de um processo de uma avaliação de riscos anterior ou como um resultado de falhas passadas (International Organization for Standardization, ISO/ International Electrotechnical Commission, IEC, 2009). 38 A lista deve servir para auxiliar os profissionais nas avaliações a efectuar e ser tão exaustiva quanto posível, facultando um conhecimento profundo de todas as situações de trabalho e a possibilidade de uma eficaz recolha de dados. As listas utilizam em geral, questões abertas, que necessitam, com frequência, de abordagem mais detalhada. (Freitas, 2016). De acordo com o mesmo autor, existem múltiplos modelos, com variáveis que dependem das especificidades dos locais de trabalho, instalações e equipamentos a analizar e que assentam, no cumprimento da legislação aplicável, de normas técnicas ou código de boas práticas. As vantagens das listas de verificação baseiam-se essencialmente na facilidade de serem utilizadas por pessoal não especialista e asseguram que os problemas comuns não sejam esquecidos (ISO/IEC, 2009). 39 3. ANÁLISE E DISCUSÃO DOS RESULTADOS 3.1 Estado Actual do Estaleiro Naval na Garantia das Condições de Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho A garantia das condições de SHST no EN da MGA está aquém daquilo que são recomendações normativas nacionais e internacionais. Segundo CMG A. Paulo (comunicação pessoal, 03 de Janeiro de 2019), “actualmente não existe no EN um sistema de gestão de riscos que vele pelas medidas de prevenção de acidentes no trabalho e doenças profissionais e que congregue os elementos indispensáveis à segurança dos trabalhadores tal como um Plano de Emergência Interno (PEI), sistemas de detecção e extinção de incêndios, sinalização de segurança e outras medidas necessárias à prevenção de acidentes de trabalho”. Ainda de acordo com o autor em referência, o que existe actualmente como medidas de SHST é a fixação de alguns meios de combate a incêndios em alguns pontos do Estaleiro bem como a distribuição de EPI´s aos trabalhadores civis da unidade. Porém, afirma também que está em curso o processo de melhoramento das condições de trabalho dos efectivos do EN/MGA, com alguns arranjos paliativos na perspectiva de revitalização e organização preconizada pelo mando superior do Ramo em particular e do Estado em geral uma vez que está prevista a construção de um estaleiro de raiz na área do Ambriz. 3.1.1 Caracterização do Estaleiro Naval da MGA O Estaleiro Naval é um o complexo oficinal da MGA que constitui uma unidade orgânica com subordinação directa do Comandante da MGA e metodológica do chefe da Direcção de Armamento e Técnica (DAT) da MGA, com objetivos virados a realização de reparações médias e correntes, manutenção e fabrico de meios de reposição para a aplicação nas unidades de superfícies do Ramo, entidades singulares e colectivas, públicas ou privadas (CMG A. Paulo, comunicação pessoal, 03 de Janeiro de 2019). Para o cumprimento dos objetivos, o EN usa um conjunto de elementos tais como máquinas, equipamentos, ferramentas, oficinas de reparação, plano inclinado, áreas de fabrico e apoio técnico e outros que proporcionam uma gama de risco elevado aos colaboradores do estabelecimento estando na categoria de indústrias de classe 2 (risco elevado) de acordo com o decreto n.º 44/05 de 6 de Julho (Regulamento de Licenciamento Industrial) que classifica as 40 indústrias de acordo ao grau de riscos para a salvaguarda da saúde pública e dos trabalhadores, a segurança de pessoas e bens, a higiene e segurança dos locais de trabalho. O EN prevê no seu quadro orgânico um efectivo físico acerca de 250 trabalhadores entre civis e militares e as suas instalações estão constituídas por 7 edifícios dos quais oficinas, armazéns e espaços administrativos com um modelo organizacional constituído de gabinetes, departamentos, repartições, serviços e secções. A organização é dirigida por um Director Geral (Oficial Almirante) coadjuvado por um Director Geral Adjunto (Oficial Superior) e Director Adjunto para a Educção Patriótica. A Figura do anexo A apresenta o organograma do EN. 3.1.1.1 Localização O EN da MGA encontra-se localizado na Base Naval de Luanda, na Avenida Murtala Mohammed, na ilha do Cabo, distrito das Ingombotas, município e província de Luanda. Encontra-se numa zona habitacional não muito favorável pelo grau de perigo que representa à comunidade circunvizinha, dadas as atividades de risco que realiza. Está limitada a Norte por residências, a Este pelo mar, a Oeste pela via pública e a Sul por outras unidades que se encontram na BNL. A Figura 3 mostra a localização geográfica do EN. Figura 3. Localização geográfica do EN junto a BNL. Fonte: Extraído de: https://www.google.com/maps/place/Base+Naval+de+Luanda/@. 41 3.1.2 Breve historial Sobre a SHST no Estaleiro Naval da MGA “O EN é uma estrutura que existe há mais de 60 anos e a princípio denominava-se Oficinas Navais Centrais. Até à independência, pelos índices de produção que apresentava em reparação de embarcações, era uma referência em Luanda e a nível nacional. Após a independência, como resultado da complexidade da situação política e socioeconómica, registou-se um declínio no âmbito produtivo devido às insuficiências materiais e humanas” (CMG A. Paulo, comunicação pessoal, 03 de Janeiro de 2019). O autor supracitado, afirma que em assuntos de SHST, o organograma do EN sempre previuum técnico de segurança no trabalho que velasse pela garantia da observância as normas de segurança no trabalho dentro do EN e que o mesmo funcionou durante algum tempo desempenhando tal função. O que está registado em termos de acções realizadas no EN no contexto de SHST são inspecções feitas neste mesmo âmbito pelos assessores portugueses no ano de 2013. A princípio foi feita uma visita para avaliação técnica das facilidades do Estaleiro Naval no mês de Maio que teve resultados muito negativos ligados à SHST e posteriormente realizou-se uma inspecção na área de SHST por um elenco constituído pela assessoria portuguesa e membros da direção do EN no mês de Julho do mesmo ano. Outro aspecto não menos importante foi o passo dado em prol da promoção das regras de prevenção de acidentes de trabalho e doenças profissionais com a distribuição de EPI´s aos trabalhadores civis do EN no ano de 2018. 3.2 Realização da Avaliação de Riscos ao Estaleiro Naval da MGA A realização da avaliação de riscos da presente pesquisa não abrange os gabinetes administrativos, balneários, cozinhas e refeitórios e que apenas fez-se a avaliação dos riscos nos locais de trabalho de algumas secções do Departamento de Serviços Técnicos Industriais (DSTI) e das secções do Departamento de Fabrico e Apoio (DFA) tendo em conta o grau de risco associado às atividades que são desenvolvidas nestas áreas, não havendo também a possibilidade de avaliar todas as áreas, pois resultaria num volume de conteúdo muito grande. Nesta senda, fez-se a avaliação do risco das seguintes secções: Carpintaria e Marcenaria, Tornos, Mecânica Auto, Armazém e Ferramentaria, Pintura Naval, Pintura Auto, 42 Bate-chapa, Serralharia e Soldadura que se constituíram em quatro zonas para a identificação dos perigos com as listas de verificação do anexo E. Os riscos avaliados no EN são os descritos nas secções 2.3.2 e 2.4 do capítulo anterior, riscos estes que proporcionam ou podem causar acidentes de trabalhos (riscos mecânicos, eléctricos, incêndios) e doenças profissionais (no caso dos agentes físicos, químicos e biológicos). Os níveis de riscos relativos aos agentes físicos não foram avaliados, dada a falta de instrumentos de medição. De referir também que os riscos psicossociais e ergonómicos não foram abordados nem avaliados tendo em conta a exigência de acompanhamento frequente das actividades que a avaliação destes tipos de riscos impõe ao avaliador para a aquisição de dados pormenorizados, mas que devem ser objecto de avaliação sempre que as condições favorecerem. A avaliação de riscos está inserida no processo de desenvolvimento do trabalho que decorreu em 4 etapas principais. A Figura 4 indica as quatro etapas principais do desenvolvimento do trabalho. Figura 4. Etapas do trabalho de pesquisa. Fonte: Autor, 2018. 3.2.1 Selecção da Metodologia Para a avaliação de riscos ao Estaleiro Naval apresentado no presente trabalho académico optou-se pelo método simplificado de avaliação de riscos proposto por Kinney 43 tendo em conta a sua facilidade e rapidez de aplicação e listas de verificação, pelo facto de terem a vantagem de serem utilizadas por pessoas não especialistas, ou seja, não dependem da experiência de quem efectua a avaliação ao contrário de outros métodos que são totalmente subjetivos (tal como se percebe na descrição do método na secção 2.6.2.5), e para o desenvolvimento do presente trabalho esta componente foi preponderante tendo em conta a falta de formação na área por parte do avaliador. 3.2.2 Identificação dos Perigos existentes no Estaleiro Naval da MGA e os possíveis Riscos associados Para a identificação dos perigos, utilizaram-se listas de verificação que ditaram o nível de deficiências dos elementos alvos de avaliação tal como descritos no anexo E, e fez-se uma entrevista a direcção do EN (ver apêndice A) para obtenção de dados referentes ao estado actual da unidade em aspectos referentes à SHST. Constam das listas de verificação os elementos alvos de avaliação dos quais alguns não são aplicáveis em certas secções, tanto pelo facto dessas secções não apresentarem deficiências suficientes em tais aspectos como pelo facto de serem elementos não constantes na secção. Os elementos alvos de avaliação e que constam das listas de verificação são os seguintes: Espaços de Trabalho (elementos estruturais, ordem e limpeza, sinalização de segurança, instalação eléctrica e prevenção e protecção contra incêndios); Máquinas/ferramentas e operações (transporte manual de cargas, transporte mecânico de cargas); Agentes químicos e Armazenagem. 3.2.2.1 Identificação dos perigos existentes na Secção de Carpintaria e Marcenaria e os Possíveis Riscos Associados A secção de Carpintaria e Marcenaria desenvolve as suas atividades num edifício de aproximadamente 930 m 2 de área com cerca de treze trabalhadores. As actividades principais desenvolvidas são: preparo da madeira e fabrico de moveis, a pintura e envernizamento dos móveis acabados. Para isso usam máquinas e equipamentos como máquina de tupia, plaina 44 eléctrica, torno eléctrico para madeira, desengraçadoura, garlopa. Usam frequentemente substâncias como madeira, vernizes, diluentes óleo lubrificante e gasóleo. Foram identificadas nesta secção as seguintes situações de perigos: a) Espaço de trabalho Elementos estruturais, ordem e limpeza e sinalização Apresenta um nível de degradação alto devido a sua antiguidade e falta de manutenção, as paredes e tecto em condições precárias; Não existe sinalização ou informação sobre o risco e sua prevenção nem marcações para delimitar a zona de trabalho e de circulação; Não existem medidas de detecção de incêndios e os meios de combate são insuficientes; Nível de desarrumação considerável, matéria prima fora dos locais de armazenamento. A Figura 5 ilustra o espaço de trabalho da secção de carpintaria e Marcenaria. Figura 5. Espaço de trabalho da secção de Carpintaria e Marcenaria do EN. Fonte: Autor, 2017. Instalações eléctricos Quadros eléctricos (QE) abertos, com acesso limitado ou obstruído, sem sinalização. Prevenção e protecção contra incêndios Não existe sistema de detecção de incêndios e meios de combate insuficiente; Não existe um plano de emergência. 45 A Figura 6 ilustra os meios de combate a incêndios existentes na secção de Carpintaria e Marcenaria. Figura 6. Meios de combate a incêndios existentes na carpintaria do EN. Fonte: Autor, 2018. b) Máquinas/ferramentas e operações Os equipamentos de trabalho são muito antigos e defeituosos; Não existem informações sobre a utilização dos equipamentos (arranque, paragem ou paragem de emergência) e dos EPI´s necessários e obrigatórios para a sua utilização; Máquinas sem protecções (resguardos); A sinalização para alerta dos perigos das máquinas ou equipamentos não existe. c) Agentes Químicos Exposição ao risco devido a utilização de vernizes e diluentes sem procedimentos adequados; Acúmulo de serradura. d) Agentes Físicos Falta de ventilação artificial ou extractores para a renovação constante do ar. 3.2.2.2 Identificação dos perigos existentes nas Secções de Tornos e Mecânica Auto e os Possíveis Riscos Associados As secções de Tornos e Mecânica Auto desenvolvem suas actividades numa nave de aproximadamente 1904m 2 de área. As principais actividades estão relacionadas com o fabrico, retificação e montagens de peças bem como intervenções em viaturas para a reparação de 46 pequenas avarias e manutenções preventivas periódicas. No total, as duas secções congregam cerca de 17 trabalhadores. Para o desenvolvimento das actividades usam nestas secções os seguintes meios: tornos, prensas hidráulicas, fresadora, limadora e tornos de bancada, no caso da secção de Mecânica Auto, desenvolvemsuas actividades usando grua, macaco, elevador de viaturas e empilhadora. Durante a visita feita ao local, ficaram identificados e registados os seguintes factores de riscos/perigos: a) Espaço de trabalho Elementos estruturais, ordem e limpeza e sinalização O espaço de trabalho não apresenta sinalização de segurança nem estão delimitadas as zonas de trabalho/perigo; Não existem sistemas automáticos de detecção de incêndios e meios de combate insuficientes; Iluminação insuficiente, falta de iluminação específica; Não existe ventilação artificial; Verificaram-se pavimentos oleosos, ferramentas desarrumadas e misturadas em armários degradados. A Figura 7 exemplifica alguns pontos citados anteriormente. Figura 7. Exemplos de zonas de trabalho não delimitadas e armários desarrumados. Fonte: Autor, 2018. Instalações eléctricas As instalações eléctricas são bastante antigas e degradadas com condutores externos e alguns não isolados; 47 Lampadas estragadas não removidas. Prevenção e protecção contra incêndios A semelhança de todos outros edifícios do EN, não existe um sistema automático de detecção de incêndios e os meios de combate e extinção de incêndios são insuficientes. b) Máquinas/ferramentas e operações Não existem resguardos de proteção contra partes móveis das máquinas nem contra projecções de partículas/material; Não apresentam instruções de operação nem informação de alerta sobre o perigo de operação e obrigatoriedade do uso específico de EPI; Ausência de marcações nos pavimentos que delimitem as máquinas, equipamentos e espaços de trabalho. A Figura 8 ilustra máquina sem instruções de operação nem sinalização dos perigos que apresenta. Figura 8. Elevador de viaturas da Secção de Mecânica Auto. Fonte: Autor, 2019. c) Agentes Químicos Contacto com substancias como óleos lubrificantes, valvolina e gasóleo sem as fichas de dados de segurança dos agentes químicos. d) Agentes Físicos Iluminação deficiente; Ambiente térmico quente (ventilação artificial inexistente); 48 Vibrações de corpo inteiro resultante do uso da empilhadora. 3.2.2.3 Identificação dos perigos existentes na Secção de Armazém e Ferramentaria e os Possíveis Riscos Associados O armazém e ferramentaria é uma secção do Departamento de Serviços Técnicos Industriais no qual estão inseridos sete trabalhadores e a mesma secção funciona em dois edifícios (o do armazém com cerca de 380 m 2 e da ferramentaria com cerca de 90 m 2 ). As tarefas desenvolvidas nesta secção estão relacionadas com a armazenagem de materiais, recepção e despacho de materiais bem como a disponibilização de ferramentas de trabalho a outras secções que solicitem as mesmas. Nesta secção foram identificados os seguintes perigos e riscos: a) Espaço de Trabalho Elementos estruturais, ordem e limpeza e sinalização Falta de sinalização de segurança, zonas de circulação não demarcadas; Ventilação insuficiente; Janelas e tectos em más condições; Arrumação deficiente. A Figura 9 ilustra o espaço do armazém do EN. Figura 9. Armazém do EN. Fonte: Autor, 2018. Instalações eléctricas Existência de cabos condutores descarnados e caixas de distribuição abertas. 49 Prevenção e protecção contra incêndios Sistemas de detecção inexistentes assim como os meios de combate a incêndios; Armazenamento de garrafas contendo fluido comprimido em espaço não ventilado. b) Agentes Químicos Armazenamento de garrafas de gás refrigerante não identificadas nem existe separação de garrafas cheias das vazias. c) Agentes Físicos Iluminação insuficiente; Ventilação inexistente. d) Transporte manual de cargas Limite de carga a transportar por pessoa não definido; Obstáculos nas vias de acesso do armazém. 3.2.2.4 Identificação dos perigos existentes nas Secções de Bate-chapa Pintura Auto e Naval e os Possíveis Riscos Associados As secções de Bate-chapa, Pintura Auto e Pintura Naval funcionam num espaço de aproximadamente 90m 2 e 80 m 2 , com um número de trabalhadores igual a 17 em todas as secções. As actividades diárias envolvem requalificação de viaturas a nível de chaparia, pinturas de chaparias de viaturas intervencionadas bem como pintura de estruturas ou anteparas de navios. Para as atividades citadas usam-se materiais como martelos, escopros, variedade de chaves, macaco hidráulico, gás de solda (oxigênio e acetileno), para a pintura usam-se as pistolas para a aplicação da tinta a ar comprimido, pinces, rolos, escovas e lixas. E durante as actividades há contatos com tintas e diluentes. Os perigos identificados nas secções em referência são os seguintes: a) Espaço de Trabalho Elementos estruturais, ordem e limpeza e sinalização Paredes e tecto em mau estado de conservação; Espaços de trabalho não delimitados ou sinalizados; 50 Espaços desarrumados; Pavimento com buraco tal como mostra a Figura 10. Figura 10. Local de trabalho com pavimento esburacado. Fonte: Autor, 2018. Prevenção e protecção contra incêndios Sistema de detecção inexistente e meios de combate insuficientes; Garrafas de acetilenos armazenadas no interior. Instalações eléctricas Instalação degradada e antiga; Cabos com passagem de corente eléctrica descarnados, caixas de derivação abertas. A Figura 11 ilustra o estado da instalção elétrica do espaço de trabalho da secção de Pintura Auto. Figura 11. Estado da instalação eléctrica do espaço de trabalho. Fonte: Autor, 2018. b) Agentes Químicos Utilização de agentes químicos (tintas e diluentes) com fichas de dados de segurança não disponível. 51 c) Agentes Físicos Exposição a radiação não ionizante e ventilação artificial inexistente. 3.2.2.5 Identificação dos perigos existentes nas Secções de Serralharia e Soldadura e os Possíveis Riscos Associados As secções de serralharia e soldadura funcionam num espaço de aproximadamente 784 m 2 com 15 funcionários, as actividades diárias destas secções resumem-se na execução de reparações e outras tarefas técnicas nas áreas da tecnologia da soldadura, de chapas e encanamentos e construção soldada em geral utilizando para o efeito, rebarbadora para cortes de chapas, máquinas de soldar para a solda, havendo contacto com eléctrodo, aço, ferro fundido e outros metais. Nestas secções foram identificados os seguintes perigos: a) Espaço de Trabalho Elementos estruturais, ordem e limpeza e sinalização Pavimento irregular, tecto e paredes em más condições de conservação; Zonas de trabalho não demarcadas ou identificadas e Falta de sinalização de segurança; Desorganização do espaço de trabalho. A Figura 12 ilustra um dos espaços de trabalho das secções. Figura 12. Espaço de trabalho sem sinalização e com pavimento irregular. Fonte: Autor, 2019. 52 Instalações eléctricas Cabos eléctricos não isolados; Máquinas de soldar degradadas e cabos remendados. Prevenção e protecção contra incêndios Sistema de detecção de incêndio inexistente; Extintores portáteis para primeira intervenção inexistentes. b) Agentes Físicos Exposição ao ruído e vibrações; Exposição a radiação não ionizante. 3.2.3 Aplicação da Metodologia Na avaliação feita para a presente pesquisa utilizou-se seis níveis numa escala de quatro possibilidades, tais níveis são os seguintes: Nível de Risco (NR), Nível de Probabilidade (NP), Nível de Consequência (NC), Nível de Deficiência (ND), Nível de Exposição (NE) e Nível de Intervenção (NI) e elaborou-se um quadro como exemplifica o Quadro 7, no qual constam os elementos resultantes dos procedimentos de actuação a seguir na avaliação de riscos com o método em referência tal como descritos na secção 2.5.2.5 e com a ideia estrutural do quadro usada por Aleixo (2015). Os elementos principais constituintesda tabela são os seguintes: Actividades/ processos/ local – actividades desenvolvidas e elementos do espaço de trabalho avaliados; Identificação do perigo – perigos identificados em actividades realizadas e nos espaços de trabalho; Identificação da consequência/ Risco – riscos resultantes dos perigos identificados; Avaliação do risco – avaliação dos riscos tendo em conta os diferentes níveis acima citados para se calcular o nível de risco. 53 Quadro 7 Quadro de Avaliação de riscos Identificação de perigos e avaliação do risco Actividades/ processos/local Carpintaria Data 29/03/2018 Responsável pela avaliação Armindo Chambassuku Processos Identificação do perigo Identificação da consequência/ Risco Avaliação do risco NP NC NR ND NE Fonte: Autor, 2019. As Tabelas das avaliações efectuadas nas secções em referência encontram-se apresentadas no apêndice B do presente trabalho onde estão explanadas as situações de perigo, as suas consequências ou riscos relativas às atividades e espaços de trabalho assim como a quantificação do risco resultante da multiplicação do nível de probabilidade e o nível de consequências. Para melhor percepção da aplicação da metodologia de avaliação de riscos aos perigos identificados, detalha-se de seguida a construção da tabela de aplicação com dados referentes à secção de Carpintaria e Marcenaria. Após a definição dos aspectos a avaliar (actividades e instalações), posteriormente a identificação dos perigos ou não conformidades nestes aspectos, elaborou-se o Quadro 8 que descreve os riscos adjacentes aos perigos identificados. Quadro 8 Extracto 1 da aplicação da metodologia Processos/ espaço de trabalho Identificação do perigo Consequência/ Risco Preparo da madeira, fabrico e montagem de móveis. Partes perfurantes e cortantes de equipamentos de trabalho (garlopa, tupia, serra, martelos, parafusadeiras, etc.). Cortes dos membros com serra, garlopa; Projecção de partículas (tupia) Entalão com martelo. 54 Processos/ espaço de trabalho Identificação do perigo Consequência/ Risco Pintura e envernizamento dos móveis montados Agentes químicos irritantes, inflamável e corrosivo. Queimaduras e irritação da pele, doenças dérmicas e cancerígenas. Elementos Estruturais Tectos e paredes degradadas. Desprendimento de partículas/objectos (inalação de pó queda de objectos sobre a cabeça). Sinalização de segurança Sinalização de segurança inexistente, zonas de trabalho não delimitadas. Quedas ao mesmo nível, choques contra objectos ou estruturas fixas. Máquinas e equipamentos Falta de resguardo de proteção e instruções de segurança sobre as máquinas. Contacto com partes móveis resultando cortes de membros, encravamento da máquina, etc. Segurança contra incêndios Medidas de detecção de incêndios inexistentes e meios insuficientes; Incêndios Instalações eléctricas Quadros eléctricos defeituosos e não sinalizados Choques elécticos/ electrocussão. Ordem e limpeza Acúmulo de serradura; Arrumação deficiente. Queda de materiais, Colisão de pessoas contra os materiais, mistura de diferentes tipos de materiais e ferramentas. Fonte: Autor, 2019. Após a identificação dos perigos, seguiu-se a avaliação dos riscos para se chegar a sua magnitude baseando-se no método simplificado. Para a obtenção do ND baseou-se nas listas de verificação e no Quadro 2 do presente trabalho, o NE a partir do Quadro 3, o NP a partir da Fórmula 3 e Quadro 4, o NC a partir do Quadro 5 enquanto que o NR e NI a partir da Fórmula 55 2 e Quadro 6. A Tabela 3 faz a avaliação dos riscos dos perigos identificados na secção de Carpintaria e Marcenaria descritos no Quadro 8. Tabela 3 Extracto 2 da aplicação da metodologia Avaliação do risco (actividades) NP NC NR ND NE 6 3 25 450 (Elevado) 6 2 10 120 (Moderado) Avaliação do risco (espaços de trabalho) NP NC NR ND NE 2 4 10 80 (Moderado) 10 2 25 500 (Elevado) 6 2 25 300 (Elevado) 6 4 60 1440 (Crítico) 10 2 25 500 (Elevado) 2 4 10 80 (Moderado) Fonte: Autor, 2019. 3.2.4 Análise dos resultados Obtidos Feita a identificação dos perigos e a aplicação da metodologia para a avaliação dos riscos, segue-se a análise dos resultados obtidos nas secções de Carpintaria e Marcenaria, Tornos, Mecânica Auto, Armazém e Ferramentaria, Pintura Naval, Pintura Auto, Bate-chapa, Soldadura e Serralharia tendo em conta o nível de risco das tabelas de avaliação de riscos do apêndice B do presente trabalho. 3.2.4.1.1 Análise dos Resultados Obtidos na Secção de Carpintaria e Marcenaria Na secção de Carpintaria e Marcenaria foram identificadas oito situações de risco sendo um de nível crítico, quatro de nível elevado e três de nível moderado. Elaborou-se a 56 Tabela 3 relativa às frequências dos níveis de riscos obtidos pela aplicação do método da qual se traçou o Gráfico 1 em percentagens. Tabela 4 Resultados obtidos na secção de Carpintaria e Marcenaria NR Frequência Crítico 1 Elevado 4 Moderado 3 Totalidade de riscos 8 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 1 apresenta os resultados obtidos em percentagens. Gráfico 1. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (secção de Carpintaria e Marcenaria). Fonte: Autor, 2018. 3.2.4.1.2 Análise dos resultados obtidos nas Secções de Tornos e Mecânica Auto Após a aplicação da metodologia para a identificação dos perigos e análise dos riscos dos processos e espaços de trabalho, conclui-se que nas secções de Tornos e de Mecânica Auto do Departamento de Fabrico e Apoio e Departamento de Serviços Técnicos Industriais existem sete situações de riscos dos quais três de nível crítico, ou seja, situações críticas que carecem de correcção imediata, dois de nível elevado, que precisam correcção e adopção de medidas de controlo e dois de nível moderado. Dos resultados obtidos, elaborou-se a tabela 5 de frequência dos níveis de riscos e consequentemente o Gráfico 2 representando em percentagens. 12,50% 50,00% 37,50% Crítico - Situação crítica. Correção urgente. Elevado - Corrigir e adotar medidas de controlo. Moderado - Melhorar se for possível. 57 Tabela 5 Resultados obtidos nas secções de Tornos e Mecânica Auto NR Frequência Crítico 3 Elevado 2 Moderado 2 Totalidade de riscos 7 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 2 apresenta os resultados obtidos em percentagens. Gráfico 2. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (secções de Tornos e Mecânica Auto). Fonte: Autor, 2018. 3.2.4.1.3 Análise dos resultados Obtidos Da avaliação feita aos riscos associados aos perigos identificados na secção de Armazém e Ferramentaria, verificou-se que dos 6 riscos avaliados, dois são de nível crítico (correção urgente), dois de nível elevado (corrigir e adotar medidas de controlo) e dois de nível moderado (melhorar se for possível). Elaborou-se a Tabela 6 em função da frequência dos níveis de riscos da qual se traçou o Gráfico 3 que apresenta em percentagens a mesma frequência. 42,9% 28,6% 28,6% Crítico - Situação crítica. Correção urgente. Elevado - Corrigir e adotar medidas de controlo. Moderado - Melhorar se for possível. 58 Tabela 6 Resultados obtidos na secção de Armazém e Ferramentaria NR Frequência Crítico 2 Elevado 2 Moderado 2 Totalidade de riscos 6 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 3 apresenta os resultados obtidos em percentagens. Gráfico 3. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (secção de Armazém e Ferramentaria). Fonte: Autor, 2018. 3.2.4.1.4 Análise dos Resultados Obtidos na Secção de Bate-Chapa, Pintura Auto e Naval Da avaliação feita nas secções em referência conclui-se que dois são de nível crítico que carecem de correcção urgente, um de nível elevado que precisa de correcção e adopção de medidas de controloe dois de nível moderado que precisam de melhoramento na medida do possível tal como nos indica a Tabela 7. 33,33% 33,33% 33,33% Crítico - Situação crítica. Correção urgente. Elevado - Corrigir e adotar medidas de controlo. Moderado - Melhorar se for possível. 59 Tabela 7 Resultados obtidos nas secções de Bate-chapa, Pintura Auto e Naval NR Frequência Crítico 2 Elevado 1 Moderado 2 Totalidade de riscos 5 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 4 mostra em percentagens os níveis dos riscos existentes avaliados. Gráfico 4. Percentagens dos níveis de riscos avaliados (secções de Bate-chapa, Pintura Auto e Naval). Fonte: Autor, 2019. 3.2.4.1.5 Análise dos Resultados Obtidos nas Secções de Serralharia e Soldadura Os resultados da avaliação mostram que nas secções de Serralharia e Soldadura existem duas situações de risco crítico que carecem de correcção urgente, uma de risco elevado e duas situações de risco moderado em que a intervenção é feita apenas assim que possível. A Tabela 8 apresenta os resultados obtidos da qual se traçou o um gráfico apresentando os mesmos resultados em percentagens. 40,00% 20,00% 40,00% Crítico - Situação crítica. Correção urgente. Elevado - Corrigir e adotar medidas de controlo. Moderado - Melhorar se for possível. 60 Tabela 8 Resultados obtidos nas secções de Serralharia e Soldadura NR Frequência Crítico 2 Elevado 1 Moderado 2 Totalidade de riscos 5 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 5 mostra em percentagens os níveis de riscos avaliados. Gráfico 5. Percentagem dos níveis de riscos avaliados (secções de Serralharia e Soldadura). Fonte: Autor, 2019. 3.2.5 Análise dos Resultados Apurados Genericamente Após a aplicação da metodologia da avaliação de riscos foi possível hierarquizar os riscos em função do seu nível para priorizar a intervenção (medidas de controlo) que permitirá de alguma forma, eliminar, minimizar ou controlar os riscos identificados e que para a sua melhoria contínua a adopção de um SGSST pelo serviço de SHST que se propõe a sua implementação no presente trabalho é totalmente indispensável. Pelos resultados da avaliação efectuada aos riscos dos perigos identificados nos espaços de trabalho e processos das secções em referência, constatou-se 31 situações de riscos 40,00% 20,00% 40,00% Crítico - Situação crítica. Correção urgente. Elevado - Corrigir e adotar medidas de controlo. Moderado - Melhorar se for possível. 61 dos quais dez de nível crítico, dez de nível elevado e onze de nível moderado tal como apresenta a Tabela 9. Tabela 9 Resultados obtidos em termos gerais NR Frequência Crítico 10 Elevado 10 Moderado 11 Totalidade de riscos 31 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 6 apresenta em percentagens os níveis de riscos dos perigos identificados a nível geral das áreas avaliadas. Gráfico 6. Percentagens dos níveis de riscos avaliados no EN. Fonte: Autor, 2019. Quanto ao tipo de risco, os identificados e avaliados variam de riscos mecânicos, riscos de incêndios/explosões, riscos eléctricos e riscos de doenças profissionais nesta ordem de frequência dos mesmos, no entanto, se avaliou riscos mecânicos em dezassete ocasiões, os riscos de incêndios seis ocasiões, riscos eléctricos cinco ocasiões e riscos de doenças profissionais em três ocasiões. De salientar que as situações de perigo identificadas, na maioria dos casos desencadeiam mais de um risco, mas para o presente trabalho, considerou- se um tipo de risco para cada situação de perigo identificada. A Tabela 10 apresenta a frequência dos tipos de riscos avaliados. 32,3% 32,3% 35,5% Crítico - Situação crítica. Correção urgente. Elevado - Corrigir e adotar medidas de controlo. Moderado - Melhorar se for possível. 62 Tabela 10 Frequência dos tipos de riscos avaliados genericamente NR Frequência Riscos mecânicos 17 Riscos de incêndios 6 Riscos eléctricos 5 Riscos de doenças profissionais 3 Totalidade de riscos 31 Fonte: Autor, 2019. O Gráfico 7 mostra em percentagens os tipos de riscos avaliados. Gráfico 7. Percentagem de cada tipo de risco avaliado no EN. Fonte: Autor, 2019. 3.3 Proposta de Medidas de Controlo de Riscos Tendo em conta os resultados da avaliação de risco efectuada, propõe-se de seguida um conjunto de medidas de controlo do risco com o objetivo de primeiramente eliminar o risco, caso não seja possível, minimizar ou limitar os seus efeitos. As medidas são de vária índole, desde medidas organizacionais ou administrativas, medidas de engenharia, medidas de formação e informação, medidas de protecção colectiva e equipamentos de protecção individual. O anexo F exemplifica uma medida administrativa de controlo do risco. 54,84% 19,35% 16,13% 9,68% Riscos Mecânicos Riscos de incêndios/explosões Riscos eléctricos Riscos de doença profissional 63 Para cada medida de controlo fez-se uma estimativa dos custos da sua execução em dólar americano (US$), não sendo valor exacto, mas apenas de aproximação aos intervalos apresentados na Tabela 11, pois não se fez orçamentos das medidas para se obter os valores, no entanto a definição dos níveis de custos teve como base a percepção do avaliador para dar uma ideia superficial do custo das medidas. Fez-se também a estima do prazo de execução e prioridade das recomendações indicadas na Tabela 12, ambas de acordo com a última inspecção feita na área de SHST no EM/MGA por Duarte (2013). Tabela 11 Estimativa de custos das medidas de controlo Nível de Custos (NCu) Estimativa do Custo 1 – Nulo Sem custos 2 – Diminuto Até 500$ 3 – Muito reduzido Entre 500 US$ e 2.500 US$ 4 – Reduzido Entre 2.500 US$ e 5.000 US$ 5 – Moderado Entre 5.000 US$ e 10.000 US$ 6 – Elevado Entre 10.000US$ e 25.000 US$ 7 – Muito elevado Entre 25.000 US$ e 100.000 US$ Fonte: Duarte, 2013. Tabela 12 Prioridade das intervenções e prazo de execução Prioridade das Recomendações (PR) Prazo de edificação Muito Urgente (MU) Até 2 dias Urgente (U) Até 10 dias Normal (N) Até 3 meses Rotina (R`) Até 1 ano Geral ou Genérica (G) Até 2 anos Fonte: Duarte, 2013. As medidas de controlo estão associadas às tabelas de avaliação do risco apresentadas no anexo F do presente trabalho, sendo para cada risco avaliado, uma recomendação. As principais medidas de controlo recomendadas para cada tipo de risco avaliado genericamente, estão descriminadas no Quadro 9. 64 Quadro 9 Propósta de medidas de controlo do risco Risco Medidas de controlo PR NC Incêndios/ Explosões Instalação de circuitos de incêndios, aquisição de extintores e inspecção periódica dos extintores existentes; Formação de equipas ou brigadas de combate a incêndios; Realização de exercícios periodicamente; Instalação de sistema de detecção de incêndios. MU 5 Quedas, cortes, esmagamentos, encravamento da máquina/ danificação, choques contra objetos, projecção de partículas. Fixação das instruções de operação das máquinas, instalação de resguardos e delimitação das zonas de trabalho. N 3 Choques eléctricos/ Electrocussão Sinalização dos QE´s, substituição de tomadas partidas, reparação/substituição dos fios condutores descarnados, substituição da instalação. U 5 Irritação/queimaduras na pele, doenças pulmonares. Formar e informar os trabalhadores relativamente aos riscos no manuseamento de agentes químicos, uso adequado do EPI. N 2 Fonte: Autor, 2019. 3.4 Criação de um Serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho no EN Nesta secção pretende-se apresentar um modelo de funcionamento de um serviço de SHST e os passos para a sua implementação adaptando os mesmos passos das etapas e procedimentos de implementação de um sistema de gestão de SST exigidos pela norma Britânica OHSAS18001. Actualmente o EN não possui um serviço funcionalque se dedique aos assuntos referentes à gestão da segurança higiene e saúde no trabalho embora esteja previsto a inserção de um técnico de segurança no trabalho no Gabinete de Pessoal e Quadro do EN, mas ainda assim a componente saúde no trabalho estaria em falta. No entanto, em função do número de trabalhadores do EN, em conformidade com o Decreto nº 31/94 de 5 de Agosto o serviço que se propõe é do tipo interno. 65 Tendo em conta o exposto no parágrafo acima, propõe-se a criação de um serviço de SHST que tenha como responsabilidade a implementação e gestão de sistemas de gestão de segurança e saúde do trabalho (segundo a norma OHSAS18001) e do ambiente (segundo a norma ISO 14001). Não sendo apenas para o cumprimento da lei, mas também como necessidade extrema de proteção dos trabalhadores do Estaleiro em primeira instância e posteriormente dos outros estabelecimentos da Marinha de Guerra Angolana, o serviço de SHST servirá de base para a resolução de aspectos inerentes a riscos nos locais de trabalho, acidentes de trabalho e doenças profissionais. A proposta do serviço de SHST é sustentada não só pelo resultado da avaliação de riscos realizada ao EN, mas também pela recomendação do histórico da inspecção realizada no EN na área de SHST em 2013 pelo elenco constituído pela Assessoria Portuguesa e a Direcção do Estaleiro Naval devido a numerosas inconformidades verificadas bem como pela legislação angolana. Consta do anexo H o enquadramento legal de assuntos referentes à SHST em Angola. 3.4.1 Organização do Serviço de SHST Sugere-se que o novo serviço esteja ao nível dos serviços de apoio e demais departamentos que actualmente constam do organograma do EN, estando assim na dependência directa do Director Geral Adjunto. Sugere-se que o serviço tenha um oficial superior a desempenhar as funções de chefe do serviço, sendo coadjuvado por dois adjuntos (oficiais subalternos) como funções acumuladas ou não. A Figura 13 apresenta a proposta da estrutura orgânica do novo serviço. Figura 13. Organograma do serviço de SHST. Fonte: Autor (2018). Chefe do serviço de SHST Adjunto para a área de segurança no trabalho Adjunto para área de saúde no trabalho 66 3.4.2 Atribuições do Serviço de Segurança Higiene e Saúde do Trabalho Para as atribuições descritas abaixo, usou-se como referência o serviço de Segurança e Saúde no Trabalho e Ambiente do Arsenal do Alfeite da Base Naval de Lisboa que presta serviços à Marinha Portuguesa que tem as mesmas funções de um estaleiro naval apesar de ter dimensões maiores se comparado ao Estaleiro da MGA bem como a recomendação nº 112 da OIT para as funções dos serviços de Saúde do Trabalho ou Medicina no Trabalho tal como citado em Freitas (2016). O serviço de SHST reporta directamente do Director Geral Adjunto do EN e caberá a esta unidade orgânica: Estudar, formular e promover medidas nas áreas da prevenção e da protecção em matéria de segurança e higiene no trabalho, acidentes em serviço, saúde, combate a sinistros e à poluição, em estreita colaboração com o serviço de Apoio Geral; Assegurar o controlo da higiene e a melhoria das condições relativas à conveniente adequação dos postos de trabalho às capacidades dos trabalhadores; Organizar os meios destinados à prevenção e protecção e coordenar as medidas a adoptar em caso de perigo grave e iminente; Coordenar inspecções internas de segurança, bem como afixar a sinalização de segurança nos locais de trabalho, e recolher e organizar os elementos estatísticos relativos à segurança e saúde na organização, mantendo actualizados os resultados das avaliações de riscos, as listas de acidentes de trabalho, das situações de baixa por doenças profissionais, entre outras; Validar tecnicamente as fichas de procedimentos de segurança, o desenvolvimento e as alterações do plano de segurança e saúde para execução de obras e verificar o cumprimento do mesmo; Verificar a coordenação das atividades das empresas que intervêm ou que solicitem e desenvolvam suas atividades dentro do EN tendo em vista a prevenção dos riscos profissionais; Informar regularmente a direcção sobre o resultado da avaliação de segurança e saúde existente no Estaleiro. 3.4.2.1 Atribuições do Chefe de Serviço de SHST e dos Adjuntos a) Chefe do serviço de SHST 67 Ao chefe de serviço cabem as seguintes funções: Gerir a equipa de segurança; Garantir a elaboração de especificações técnicas de consulta; Recolher elementos estatísticos de segurança e saúde no trabalho; Assegurar a limpeza geral do estaleiro; Assegurar o bom funcionamento do depósito de equipamentos de proteção individual; Garantir a selecção de equipamentos de proteção individual; Assegurar a existência e distribuição dos EPI´s adequados e vestiário industrial; Assegurar a revisão e manutenção periódica dos extintores; Assegurar a existência do plano de prevenção de riscos profissionais; Participar na elaboração do plano de emergência interno; Conceber e desenvolver o programa de informação e formação para a promoção de segurança e saúde no trabalho; Coordenar e acompanhar auditorias e inspecções internas; Aceder periodicamente à legislação nacional e mundial e analisar a sua aplicabilidade. b) Adjunto para a área de Segurança do Trabalho Ao adjunto para a área de segurança no trabalho compete: Informar e sensibilizar trabalhadores em matéria de SHST; Controlar os perigos e riscos profissionais, propondo e desenvolvendo medidas de prevenção; Distribuir EPI e vestuário industrial; Acompanhar, participar e coordenar as obras a serem desenvolvida no estaleiro; Elaborar relatório de estudo de segurança nos navios; Elaborar relatórios de estudo de segurança nas divisões; Acompanhar e participar nas reuniões da direcção; Elaborar e investigar os termos de acidentes; Acompanhar a revisão dos extintores; Cumprir e fazer cumprir a legislação em vigor. 68 c) Adjunto para a área da Saúde do Trabalho Para a área de saúde do trabalho competem as seguintes incumbências: Vigilância, na unidade, de todos os factores que possam afectar a saúde dos trabalhadores; Realizar ou garantir os exames médicos de admissão e periódicos; Participar conjuntamente com os representantes dos trabalhadores ou outros membros do serviço de SHST, na prevenção das doenças profissionais; Aconselhar aos trabalhadores acerca dos desvios de saúde que se manifestam ou agravam durante o trabalho; Garantir a formação dos trabalhadores encarregados dos primeiros socorros e resposta a situações de emergência. 3.4.3 Formação dos Elementos do Serviço e Processo de implementação Quanto a formação, todos os elementos que integram o serviço devem possuir como requisito, formação profissional adequada a sua função. Não existe neste momento, oferta formativa no leque de cursos da MGA adequada e que corresponda as necessidades das funções dos elementos do serviço, no entanto será possível a aplicação dos cursos a cada elemento do serviço de SHST em instituições de formação externas a MGA. Sugere-se como formação imperativa para os elementos do serviço os seguintes cursos: O chefe do serviço deverá ter a formação Técnica Superior de Segurança e Higiene do Trabalho; O adjunto para a área da ST deverá ter formação Técnico Superior de Segurança e Higiene do Trabalho, curso de aperfeiçoamento em SHST e curso de auditorias de saúde e segurança no trabalho; O adjunto da área da saúde devera ter uma especialização em Medicina no Trabalho para além de enfermagem ou Medicina Geral. O processo de implementação do serviço de SHST seguirá (como sugestão) os passos para a implementação de um sistema de gestão da SST de acordo com a norma Britânica OHSAS 18001:2007, tal como adaptado em Pinto (2009). O processodecorrerá em 10 fazes distintas descritas no anexo H do presente trabalho. Tais passos são os seguintes: 69 Levantamento da situação inicial; Sensibilização da direcção; Definição da política de SST; Definição da equipa de projecto; Formação da equipa de projecto em sistemas de gestão de SST; Definição do projecto de implementação; Planeamento; Implementação e funcionamento; Verificações e acções correctivas; Certificação. A reformulação da estrutura orgânica ou a inserção do serviço na organização do EN é uma mais valia no que diz respeito à implementação e operacionalização do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho (SGSST) que será desafio inicial do novo serviço e que garantirá a melhoria contínua das boas práticas de SHST. 70 4. CONCLUSÕES Mediante o estudo realizado, o Estaleiro Naval carece de medidas de segurança e saúde do trabalho mais sólidas, e as boas práticas neste âmbito devem ser incutidas nos trabalhadores, pois se constatou que existem situações de perigo que desencadeiam, em várias circunstâncias, riscos elevados de vária ordem aos trabalhadores. Chegou-se a conclusão acima referida ao longo da busca pelo cumprimento dos objectivos específicos propostos para o presente trabalho sendo que da averiguação feita, verificou-se que actualmente o Estaleiro Naval não em funcionamento um sistema estruturado de gestão de riscos que, de alguma forma, prevenisse as doenças profissionais e os acidentes de trabalho. E as medidas actualmente existentes que promovem a segurança dos trabalhadores baseiam-se na distribuição de equipamentos de protecção individual (EPI), bem como a instalação de meios de combate a incêndios em alguns pontos do Estaleiro Naval. Para o alcance do segundo objectivo do presente trabalho, usando listas de verificação, foram identificados nas secções de Carpintaria e Marcenaria, Tornos, Mecânica Auto, Armazém e Ferramentaria, Bate-Chapa, Pintura Naval, Pintura Auto, Serralharia e Soldadura, um total de 31 situações de perigo, dentre as quais as mais relevantes incluem a falta de sistemas de detecção de incêndios, falta de sinalização de segurança, máquinas sem proteção de segurança nem procedimentos de operação fixados, instalações eléctricas degradadas e mau estado das paredes, tectos e pavimentos. Com a avaliação de riscos dos perigos identificados (usando o método simplificado), constatou-se que dez são riscos de nível crítico, dez de nível elevado e onze de nível moderado sendo que o nível crítico representa 32,3%, nível elevado 32,3% e nível moderado 35,4% da totalidade dos riscos avaliados, entre os quais, riscos de incêndios, eléctricos, mecânicos e de doenças profissionais. Alcançou-se o terceiro objetivo, elaborando um conjunto de medidas de controlo de riscos para cada situação de perigo identificada em que os mais substanciais incluem instalação de sistemas de detecção de incêndios, substituição das instalações eléctricas, colocação da sinalização de segurança nos espaços de trabalho, colocação da protecção nas máquinas, assim como fixação dos procedidos de operação das máquinas. Por fim, fez-se a criação de um serviço interno de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho no Estaleiro Naval, o qual poderá se inserir no organograma do EN. O serviço 71 poderá ser chefiado por um Oficial Superior e integrando mais dois elementos (oficiais subalternos), um adjunto para a área de segurança e outro adjunto para área de saúde, sendo que todos poderão acumular funções. O mesmo serviço poderá estar na dependência directa do Director Geral do EN. Portanto, as ilações que a pesquisa oferece e respondendo a pergunta de partida do presente trabalho, percebe-se que a aplicação de uma metodologia de avaliação de riscos às instalações do EN deu a indicação do estado das mesmas instalações a nível dos riscos existentes e a adopção das orientações ou sugestões de medidas de controlo é uma solução imediata e temporária do problema encontrado, no entanto, a adopção de estratégias para a criação e implementação de um serviço interno de SHST é a solução mais viável, tendo em conta a continuidade e desenvolvimento de questões de SHST que o serviço poderá proporcionar ao EN em prol da segurança e saúde dos trabalhadores. 4.1 Limitações A recolha de dados no Estaleiro Naval foi dificultada pela necessidade permanente de solicitação de autorização, pois foi um processo demoroso que de certa forma contribuiu para o início dardio das investigações. Falta de instrumentos de medida de agentes físicos presentes no ambiente de trabalho, o que impediu a avaliação dos riscos que deles resultam. 4.2 Trabalhos Futuros Implementação de um Sistema integrado de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST) e Gestão Ambiental (SGA) pelo futuro serviço interno do Estaleiro Naval; Avaliação dos riscos ambientais ao Estaleiro Naval a ser efectuado pelo futuro serviço interno; Registos dos acidentes de trabalho diários que ocorrem no Estaleiro Naval. 4.3 Recomendações Tendo em conta os resultados da presente pesquisa, recomenda-se o seguinte: Implementar a cadeira de Segurança e Saúde no Trabalho no programa curricular do curso de Engenharia Naval ramo Mecânica da Academia Naval; 72 Remover os equipamentos inoperacionais que não tenham reparação possível, deixando de serem obstáculos nos locais de trabalho; Conceder formação básica aos trabalhadores do Estaleiro Naval em matéria de segurança e saúde no trabalho, prevenção e combate a incêndios e socorrismo. 73 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aleixo, T. C. (2015). Sistema de gestão da Segurança e saúde no trabalho: Proposta de implementação para a escola naval (Dissertação de mestrado). Escola Naval, Alfeite, Portugal. Angola Uniform. (s.d.). Saúde, higiene e segurança no trabalho [PDF]. Extraído de: http://www.angolauniformes.com/Catalogoseguranca_au.pdf. Duarte, M. (2013). Relatório final da inspecção na área da segurança e higiene no trabalho ao:- estaleiro da marinha de guerra angolana. Luanda: Autor. Decreto nº 44/05 de 6 de Julho. Diário da República – I Série nº 80. Luanda: Aprova o Regulamento de Licenciamento Industrial. Decreto nº 53/05 de 15 de Agosto. Diário da República - I Série nº 97. Luanda: Decreta Regime Jurídico dos Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais. Decreto executivo nº 6/96 de 2 de Fevereiro. Diário da República – I Série nº 5. Luanda: Aprova o Regulamento Geral dos Serviços de Segurança e Higiene no Trabalho nas Empresas. Decreto nº 31/94 de 5 de Agosto. Diário da República - I Série nº 31. Luanda: Estabelece os princípios que visam a promoção da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho. Escola de Tecnologias Navais (2018). Enquadramentos e fundamentos da segurança, higiene e saúde do trabalho. Lisboa: Autor. E-Facts (s.d.). Manutenção segura de ferramentas portáteis na construção [PDF]. Extraído de:http:osha.europa.eu/pt/node/6803/file_view. Freitas, L. C. (2016). Manual de segurança e saúde do trabalho (3ª ed.). Lisboa: Silabo. Gabinete de Estudos da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis (2010). Manual de avaliação de riscos. Lisboa: Autor. Extraído de: http://fesete.pt/portal/docs/pdf/manual.pdf. Gonçalves, D. R. G. (2018) Proposta de organização e gestão do estaleiro naval para a garantia da optimização da manutenção dos navios da marinha de guerra angolana (Trabalho de licenciatura). Academia Naval. Luanda, Angola. ISO/ IEC. (2009). Risk management — Risk assessment techniques. Extraído de: http://ehss.moe.gov.ir/getattachment/f7de1f2a-7559-49b5-8b97-c69b13fa17a9/31010- FDIS. Kmed Europa. (2014). Segurança, higiene e saúde no trabalho [PDF]. Extraído de: http://academia-kmedeuropa.careview.pt/ficheiros/formacao/06032015_092633.pdf.Lei nº 7/15 de 15 de Junho. Diário da República - I Série nº 87. Luanda: Aprova a Lei Geral do Trabalho – Revoga a lei nº 2/00 de 11 de Fevereiro. 74 Lopes, J. (2014). Percepção dos estudantes e profissionais de arqueologia portugueses sobre a importancia da formação em segurança e saúde no trabalho na actividade arqueológica (Trabalho de licenciatura). Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal Extraído de: em http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/8782/Disserta%C3%A7%C3%A3o_ Joana%20Lopes.pdf?sequence. Mendonça, A. L.P.V. (2013). Métodos de avaliação de riscos: Contributo para a sua aplicabilidade no setor da construção civil (Dissertação de mestrado). Universidade do Algarve, Algarve, Portugal. 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Que acções foram realizadas no EN no âmbito da segurança e saúde do trabalhador? 11. Quais as perspectivas da direcção do EN de melhoramento das condições de trabalho? 12. De que forma são cumpridas as normas de segurança e saúde no trabalho no EN? 13. Quais os acidentes de trabalho mais frequentes no EN? 14. Com que regularidade são feitos os exames médicos aos trabalhadores do EN? 15. De que forma é garantida a segurança dos trabalhadores do Estaleiro e por quem? 76 Apêndice B – Tabelas de avaliação de riscos e medidas de controlo Identificação de perigos, avaliação do risco e medidas de controlo Actividades/ processos/local Carpintaria e Marcenaria Data 29/03/2018 Responsável pela avaliação Armindo Chambassuku Processos Identificação do perigo Identificação da consequência/ Risco Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Preparo da madeira, fabrico e montagem de móveis. Partes perfurantes e cortantes de equipamentos de trabalho (garlopa, tupia, serra, martelos, parafusadeiras, etc.). Cortes dos membros com serra, garlopa; Projecção de partículas (tupia) Entalão com martelo. 6 3 25 450 Elevado Formação específica para operadores de máquinas utilizadas e sobre os riscos da atividade; Utilização de EPI; 2 U Pintura e envernizamento de móveis montados Agentes químicos irritantes, inflamável e corrosivo. Queimaduras e irritação da pele, doenças dérmicas e cancerígenas. 6 2 10 120 Moderado Redução do tempo de exposição; Formar e informar os trabalhadores relativamente aos riscos no manuseamento de agentes químicos; Utilização EPI adequado. 1 N Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação da consequência/ Risco Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Elementos Estruturais Tectos e paredes degradadas. Desprendimento de partículas/objectos (inalação de pó queda de objectos sobre a cabeça). 2 4 10 80 Moderado Reedificar as paredes e tectos. 5 N 77 Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação da consequência/ Risco Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Sinalização de segurança Sinalização de segurança inexistente, zonas de trabalho não delimitadas. Quedas ao mesmo nível, choques contra objectos ou estruturas fixas. 10 2 25 500 Elevado Instalação da sinalização de segurança. 4 U Máquinas e equipamentos Falta de resguardo de proteção e instruções de segurança sobre as máquinas. Contacto com partes móveis resultando cortes de membros, encravamento da máquina, etc. 6 2 25 300 Elevado Fixação das instruções de operação das máquinas, instalação de resquardos e delimitação das zonas de trabalho. 2 U Segurança contra incêndios Medidas de detecção de incêndios inexistentes e meios insuficientes; Incêndios 6 4 60 1440 Crítico Instalação de sistema de detecção de incêndios; Instalação de circuitos de incêndios; Aquisição de extintores e inspecção periódica dos extintores existentes; Formação de equipas ou brigadas de combate a incêndios; Realização periodica de exercícios. 5 MU Instalações eléctricas Quadros eléctricos defeituosos e não sinalizados Choques elécticos/ electrocussão. 10 2 25 500 Elevado Sinalização dos QE´s, substituição de tomadas partidas, reparação/substituição dos fios condutores descarnados. 4 U Ordem e limpeza Acúmulo de serradura; Arrumação deficiente. Queda de materiais, Colisão de pessoas contra os materiais, mistura de diferentes tipos de materiais e ferramentas. 2 4 10 80 Moderado Arrumação dos locais de trabalho, descarte de material desnecessário, criar rotinas de limpezas. 1 N 78 Identificação de perigos, avaliação do risco e medidas de controlo Actividades/ processos/ local Tornos e Mecânica Auto Data 29/03/2018 Responsável pela avaliação Armindo Chambassuku Processos Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Preparo de matéria prima (metais); Fabrico de peças; Substituição de calços e cintas; Desmontagem da caixa para substituição de discos; Substituição de correias; Elevação do motor para intervenção fora da viatura. Partes cortantes/ perfurantes dos equipamentos detrabalho (esmerilador, serrote electromecânico); Falta de inspecção periódica aos equipamentos. Projecção de materiais (fragmentos ou partículas); Corte (por materiais ou na ferramenta); Entalamentos/esmagamento s. 6 2 25 300 Elevado Uso de EPI adequado, manutenção periódica dos equipamentos. 1 U Contacto com substâncias químicas sem equipamento adequado. Queimaduras e irritação da pele. 6 2 10 120 Moderado Utilização EPI adequado 1 N Processos Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Sinalização de segurança Sinalização de segurança inexistente. Choques contra estruturas, quedas ao mesmo nível. 10 4 25 1000 Crítico Colocação da sinalização de segurança, proceder à delimitação e marcação das zonas de trabalho. 4 MU Máquinas e equipamentos Falta de resguardo de proteção e instruções de segurança sobre as máquinas. Contacto com partes móveis (elementos de transmissão, etc.) resultando cortes de membros, encravamento da máquina, esmagamento etc. 6 2 25 300 Elevado Colocação de proteção às máquinas, criação de instruções técnicas para procedimentos de operação de máquinas. 2 U 79 Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Segurança contra incêndios Medidas de detecção de incêndios inexistentes e meios insuficientes. Incêndios 6 4 60 1440 Crítico Instalação de sistema de detecção de incêndios, instalação de circuitos de incêndios, aquisição de extintores e inspenção periódica dos extintores existentes. 5 MU Instalações eléctricas Quadros eléctricos defeituosos, instalações eléctricas degradadas. Choques eléctricos/electrocussão por contactos eléctricos directos e indirectos. 10 4 60 2440 Crítico Substituição de tomadas partidas, reparação/substituição dos fios condutores descarnados, substituição da instalação completa se possível. 5 MU Ordem e limpeza Arrumação deficiente em armários de ferramentas. Queda de materiais sobre os pés, tropeços sobre objetos, mistura de diferentes tipos de materiais e ferramentas. 2 3 10 60 Moderado Arrumação dos locais de trabalho, descarte de material desnecessário, criar rotinas de limpezas, aquisição de novos armários. 1 N Identificação de perigos, avaliação do risco e medidas de controlo Actividades/ processos/ local Armazem e Ferramentaria Data 29/03/2018 Avaliador Armindo Chambassuku Processos Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Entrada e saída de material Transporte manual de carga. Entalões, queda de objectos sobre os pés, choques contra objectos, lesões musculares. 6 2 10 120 Moderado Auxílio constante do transporte mecânico, uso de EPI, definição do peso máximo a transportar por pessoa. 1 N 80 Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Armazenamento de agentes químicos Armazenamento em local não ventilado, garrafas vazias não separadas das cheias e não específicadas. Dilatação do fluido/ explosões 6 4 25 600 Crítico Ventilar o local de armazenamento dos cilindros de fluido refrigerante, identificar as garrafas e fazer a separação de garrafas cheias das vazias. 4 MU Sinalização de segurança Sinalização de segurança inexistente. Exposição a zonas de perigo, choques contra estruturas, quedas ao mesmo nível. 10 1 25 250 Elevado Colocação da sinalização de segurança, proceder à delimitação e marcação das zonas de trabalho e vias de circulação. 4 U Segurança contra incêndios Medidas de detenção de incêndios inexistentes e meios insuficientes. Incêndios/explosões 10 4 60 2400 Crítico Instalação de sistema de detecção de incêndios, Sistemas fixos de combate a incêndios, aquisição de extintores portáteis. 5 MU Instalações eléctricas Cabos eléctricos descarnados Choques eléctricos/electrocussão 10 2 25 500 Elevado Substituição de tomadas partidas, reparação/substituição dos fios condutores descarnados, substituição da instalação completa se possível. 5 U Ordem e limpeza Arrumação/armazename nto deficiente Queda de materiais sobre os pés, tropeços sobre objetos, mistura de diferentes tipos de materiais. 2 4 10 80 Moderado Arrumação dos locais de trabalho, descarte de material desnecessário, criar rotinas de limpezas. 1 N 81 Identificação de perigos, avaliação do risco e medidas de controlo Actividades/ processos/ local Bate-chapa, Pintura Auto e Naval Data 29/03/2018 Responsável pela avaliação Armindo Chambassuku Processos Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Desamolgue de estruturas, soldagem oxacetilénica; Preparo das zonas a pintar, mistura detintas em baldes e aplicação da tinta. Contactos com agentes químicos, desamolgagem das estruturas danificadas de viaturas, garrafas de oxigênio e acetileno próximas do local da soldagem. Doenças da pele, cortes nos membroos inferior, entalamento, esmagamento, explosões/ incêndios. 6 2 10 120 Moderado Uso do EPI adequado. 1 N Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Elementos estruturais e sinalização Pavimento desnivelado, paredes e tecto em mau estado, sinalização de segurança inexistente. Queda em nível diferente, inalação de particula liberadas no ambiente de trabalho. 6 3 25 450 (Elevado) Proceder à reparação do pavimento, requalificar as paredes e tecto e sinalizar o espaço de trabalho. 5 U Segurança contra incêndios Medidas de detecção de incêndios inexistentes e meios insuficientes. Incêndios/explosões. 10 4 60 2400 (Crítico) Instalação de sistema de detecção de incêndios, Sistemas de combate a incêndios, aquisição de extintores portáteis e inspeccionar os existentes. 5 MU 82 Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Instalações eléctricas Condutores eléctricos soltos e descarnados. Choques eléctricos/electrocussão 10 4 60 2400 Crítico Substituição de tomadas partidas, reparação/substituição dos fios condutores descarnados, substituição da instalação completa se possível. 5 MU Ordem e limpeza Arrumação deficiente, desorganização do espaço de trabalho. Queda de materiais; Colisão de pessoas contra os materiais. 2 4 10 80 Moderado Arrumação dos locais de trabalho, descarte de material desnecessário, criar rotinas de limpezas e aquisição de armários. 1 N Identificação de perigos, avaliação do risco e medidas de controlo Actividades/ processos/ local Serralharia e Soldadura Data 03/01/2019 Responsável pela avaliação Armindo Chambassuku Processos Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Corte de chapas e soldagem de estruturas Rebarbadeira, Exposição ao ruído, vibrações e radiações não ionizantes. Corte dos membros, surdez, doenças da pele, electrocução.2 2 25 100 Moderado Uso do EPI adequado, reparação ou substituição das máquinas de soldar degradadas. 5 N 83 Espaço de trabalho Identificação do perigo Identificação do risco/ consequência Avaliação do risco Medidas de controlo NP NC NR Medidas NCu PI ND NE Elementos estruturais e sinalização Pavimento desnivelado, paredes e tecto em mau estado de conservação. Queda ao mesmo nível, inalação de particulas liberadas no ambiente de trabalho. 6 3 25 450 Elevado Proceder à reparação do pavimento, requalificar as paredes e tecto, colocação de sinalização de segurança e delimitação da zona de trabalho. 5 U Segurança contra incêndios Medidas de detecção de incêndios inexistentes e meios de combate insuficientes. Incêndios 6 4 60 1440 Crítico Instalação de sistema de detecção de incêndios, sistemas de combate a incêndios, aquisição de extintores portáteis e inspeccionar os existentes. 5 MU Instalações eléctricas Condutores eléctricos soltos e não isolados. Choques eléctricos/electrocussão. 10 4 25 1000 Crítico Substituição de tomadas partidas, reparação/substituição dos fios condutores descarnados, substituição da instalação completa se possível. 5 MU Ordem e limpeza Arrumação deficiente, desorganização do espaço de trabalho. Queda de materiais, choques contra objectos, mistura de ferramentas/materiais. 2 4 10 80 Moderado Arrumação dos locais de trabalho, descarte de material desnecessário, criar rotinas de limpezas. 1 N 84 Anexo A – Organização funcional do EN Director Geral Departamento de Serviços Técnicos Industriais Oficina de Reparação de Armamento Oficina de Reparação de Electromecânica e Monotores Navais Oficina de Reparação Técnica Auto Oficina de Reparação de Electrónica Departamento de Fabrico e Apoio Serviço de Docagem Serviço de Caldeiraria e Vulcanização Serviço de Serralharia e Precisão Serviços de Carpintaria e Marcenaria Repartição de Administração e Finanças Secção de Pessoal e Quadro Secção de Contabilidad e e Finanças Repartição de Aprovisioname nto e Gestão de Stocks Secção de Controlo e Projecto Secção de Aprovisionamen to e Gestão de Stocks Serviços de Apoio Director Geral Adjunto Director Adjunto Para Educação Patriótica Gabinete de Estudos e Projectos Gabinete de Planeamento e Informática Gabinete De Controlo De Qualidade 85 Anexo B - Utilização de EPI em Função dos Agentes Agressores e Zonas do Corpo a Proteger Zona do corpo a proteger Agentes agressores EPI Exemplos/ sinais indicadores Mãos Mecânicos; Químicos; Eléctricos; Térmicos; Radiações. Luvas: Tecido; Couro; Borracha; PVC; Malha de aço. Pés e pernas Quedas de matérias; Esmagamento; Perfuração ou corte; Queimadura; Escorregamento. Botas antiderrapantes; Botas de borracha; Joelheira; Calçado com biqueira e palmilha de aço. Cabeça Riscos associados a: Queda de matérias; Pancadas. Capacete; Capuz; Boina; Gorro. Olhos Partículas sólidas; Líquidos corrosivos e irritantes; Radiações. Óculos; Viseira. Ouvido Ruído Auriculares; Auscultadores. Pele Sol Protectores Tronco e abdómen Substâncias nocivas; Chamas; Soldadura (projecção de metal); Calor/frio; Vidro; Facas. Avental Colete; Fato de trabalho. 86 Zona do corpo a proteger Agentes agressores EPI Exemplos/ sinais indicadores Vias respiratórias Gases; Vapores; Poeiras; Fumos. Máscaras; Dispositivos filtrantes. Corpo inteiro Protecção contra quedas: Trabalhos com risco de queda em altura; Indústria; Estaleiros temporários ou móveis. Equipamentos de protecção contra quedas: Cinto de segurança Equipamentos anti quedas; Arnês; Vestuário de protecção diverso. 87 Anexo C - Combinação de formas e de cores e seu significado nos sinais Cor Significado/finalidade Indicações e precisões Formas/exemplos Vermelho Sinal de proibição Atitude perigosa Perigo de alarme Stop, pausa, dispositivos de corte de emergência. Evacuação Material de combate a incêndios Identificação e localização Amarelo/laranja Sinal de aviso/ perigo Atenção, precaução. Verificação Azul Sinal de obrigação Comportamento ou acção específica Obrigação de utilizar equipamento de proteção individual. Informação ou instrução Verde Sinal de salvamento e socorro Portas, saídas, vias, material, posto, locais específicos. Situação de segurança Regresso à normalidade 88 Anexo D - Ponto de incidência das medidas preventivas de incêndios Pontos de incidência Medidas a adoptar Combustível Manutenção periódica das condutas de líquidos ou gases inflamáveis por forma a que não ocorram fugas perigosas; Evitar presenças de resíduos inflamáveis; Sinalização dos recipientes; Manter a temperatura do combustível abaixo do ponto de inflamação; Ventilação geral que assegure a evacuação, à medida que se produzem os gases e/ou vapores inflamáveis. Energia de activação. Energia térmica Evitar foguear ou fumar na zona de perigo; Proibição de transito nas zonas de perigo; Verificação da existência de atmosfera inflamável; Protecção dos raios solares. Energia térmica Evitar foguear ou fumar na zona de perigo; Proibição de trânsito nas zonas de perigo; Verificação da existência de atmosfera inflamável; Protecção dos raios solares. Energia mecânica, química e eléctrica. Evitar falhas mecânicas; Evitar fricções mecânicas; Isolamento e controlo de temperatura; Separação e armazenagem cuidadosas de substâncias perigosas; Dimensionamento da instalação eléctrica por forma a evitar sobrecargas; Para-raios para descargas eléctricas atmosféricas; Comburente e reação em cadeia Manutenção, em certas circunstâncias, de atmosferas com baixo conteúdo em oxigénio através de agentes inertizantes (nitrogénio, vapor de água, etc.). Estrutura de edifício Assegurar a estanqueidade às chamas e gases quentes; Isolamento térmico; Resistência adequada dos tectos, janelas e portas; Sistemas automáticos de detecção e combate a incêndios instalados. 89 Anexo E – Listas de Verificação para determinação do nível de deficiência dos espaços de trabalho avaliados ACADEMIA NAVAL DIRECÇÃO DE ENSINO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA NAVAL MECÂNICA LISTA DE VERIFICAÇÃO DE SHST - ESTALEIRO NAVAL 1 Organização dos serviços de SHST (Decreto nº 6/96) S N N/A Obs 1.1 As atividades de SHST estão organizadas por serviços: X 1.2 Serviços internos X 1.3 Serviços comuns X 1.4 Serviços externos X 1.5 Existe uma organização interna que assegure as actividades de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação de trabalhadores em situação de perigo grave? X UNIDADE/DEPARTAMENTO/SERVIÇO:___________________________________________________________________________ DATA:__/__/__ Nº Trabalhadores: Nº Militares Masculinos: Nº Militares Femininos:_______Nº Civis:____ Actividades/processos____________________________________________________________________________________________ 90 Organinização dos serviços de SHST (cont.) S N N/A Obs 1.6 Existe uma política de prevenção integrada? X 1.7 Existe algum programade prevenção de riscos profissionais? X 1.8 É realizada a análise dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais? X 1.9 Os registos clínicos e outros elementos informativos relativos a cada trabalhador estão organizados e atualizados, promovendo a vigilância da saúde? X 1.10 Os trabalhadores têm informação e formação sobre os riscos para a segurança e saúde, bem como as medidas de protecção e prevenção? X 1.11 A organização é possuidora de um procedimento para recolher reclamações dos trabalhadores relacionados com a segurança e saúde? X 1.12 O médico do trabalho assegura o número de horas necessário à realização dos atos médicos, de rotina ou de emergência, ou outros trabalhos que coordene? X Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona4 2 Espaços de Trabalho S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.1 Elementos Estruturais (Decreto nº 34/94) 2.1.1 A área útil por trabalhador é igual ou superior a 2m2? (excluindo a do posto trabalho fixo). X X X X 2.1.2 A cubicagem mínima do ar por pessoa é ≥ 11,50m3? (10,5m3 se há boa renovação ar). X X X X 2.1.3 Ventilação natural: Existe? X X X X 2.1.4 Ventilação artificial X X X X 2.1.5 Iluminação natural: Existe? X X X X 2.1.6 Iluminação artificial X X X X Tectos, pavimentos, janelas e portas 2.1.7 O tecto é concebido de modo a evitar o desprendimento de partículas? X X X X 2.1.8 O pavimento é antiderrapante, uniforme e sem obstáculos? X X X X 91 2.1.9 As janelas existem em número suficiente relativamente à área de trabalho? X X X X 2 Espaços de Trabalho Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 2.1 Elementos Estruturais (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.1.10 É de fácil limpeza? X X X X 2.1.11 Evitam acumulação de sujidade? X X X X 2.1.12 As portas têm superfícies lisas e não absorventes? X X X X 2.1.13 Encontram-se em bom estado de conservação? X X X X Nível de Deficiência ND=D(2) ND=M(2) ND=MD(2) ND=D(6) 2.2 Ordem e Limpeza S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.2.1 O espaço de trabalho encontra-se arrumado e limpo? X X X X 2.2.2 Existem meios para guardar e localizar materiais? X X X X 2.2.3 Encontram-se em bom estado de conservação? X X X X 2.2.4 Existe material inútil dentro do espaço de trabalho? X X X X 2.2.5 Os diferentes materiais e ferramentas encontram-se guardados em locais diferentes e identificados? X X X X 2.2.6 Faz-se limpezas de rotinas? X X X X Nível de Deficiência ND = M(2) ND = M (2) ND = M(2) ND =M (2) 2.3 Sinalização de segurança (Decreto nº 128/04) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.3.1 Sinalização afixada nos locais de trabalho. 2.3.2 Sinais de saída de emergência X X X X 2.3.3 Sinais de localização do material de combate a incêndios. X X X X 2.3.4 Sinais de obrigação. X X X X 2.3.5 Sinais de proibição. X X X X 92 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 2.3 Sinalização de segurança (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.3.6 Sinais de advertência de perigo. X X X X 2.3.7 Sinais de outras indicações (informação). X X X X 2.3.8 Sinalização de obstáculos. X X X X 2.3.9 Marcação das vias de circulação. X X X X 2.3.10 Marcação de perímetros de segurança (máquinas, antenas, etc.). X X X X Nível de Deficiência ND=MD(10) ND=MD(10) ND=MD(10) ND=MD(10) 2.4 Instalação eléctrica (NBR 14039) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.4.1 Os Quadros eléctricos estão sinalizados? X X X X 2.4.2 Os disjuntores encontram-se identificados? X X X X 2.4.3 Os condutores eléctricos estão devidamente isolados? X X X X 2.4.4 Existem regras de segurança afixadas? X X X X 2.4.5 As tomadas eléctricas encontram-se com ligação à terra? X X X X 2.4.6 Existe sistema de iluminação de emergência? X X X X 2.4.7 As instalações eléctricas e fios expostos com partes desfiadas ou deterioradas são reparadas prontamente? X X X X Nível de Deficiência ND=MD(10) ND=MD(10) ND=MD(10) ND=MD(10) 2.5 Prevenção e protenção contra incêncidios (Decreto nº 195/11) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.5.1 Compartimentação antifogo X X X X 2.5.2 Sistemas de detecção, alarme e extinção de incêndios. X X X X 2.5.3 Material de extinção. X X X X 2.5.4 Agentes de extinção. X X X X 93 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 2.5 Prevenção e protenção contra incêncidios (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.5.5 O número de extintores portáteis de fogo é o adequado? X X X X 2.5.6 Os trabalhadores recebem formação para o uso de extintores e procedimentos de protecção contra o fogo? X X X X 2.5.7 Existem Plantas de Emergência? X X X X 2.5.8 Em caso de evacuação dos trabalhadores: estão definidas e sinalizadas as áreas para concentração dos evacuados? (Ponto de Encontro). X X X X 2.5.9 O tipo de extintor está devidamente classificado para o tipo de classe de fogo a que está destinado? X X X X 2.4.10 Existe equipamento de Primeiros Socorros? X X X X 2.5.11 Existe um Plano de Emergência Interno? X X X X 2.5.12 Existe um sistema de extinção automática? X X X X 2.5.13 Localização e acessibilidade do material de combate. X X X X 2.5.14 Sinalização do material de combate. X X X X 2.5.15 EPI adequado (fatos, capacetes, anti-flash, ARAs). X X X X 2.5.16 Sistema de detecção e alarme fuga de gás X X X X 2.5.17 Recolha de resíduos inflamáveis. X X X X 2.5.18 Armazenagem adequada de produtos inflamáveis e/ou explosivos. X X X 2.5.19 Rotulagem e sinalização dos produtos X X X X 2.5.20 Armazenagem separada em local resistente ao fogo. X X X X 2.5.21 Proibição de fumar ou foguear. X X X X 94 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 2.5 Prevenção e protenção contra incêncidios (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 2.5.22 Reservatórios e garrafas de gás comprimido. X X X X 2.5.23 Identificação X X X X 2.5.24 Protegidos do calor e/ou do sol. X X X X 2.5.25 Exercícios regulares. X X X X Nível de Deficiência ND=D(6) ND = MD(10) ND = MD(10) ND = D(6) 3 Máquinas/Feramentas e Operações (NBR 272) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 3.1 Protesção das máquinas. X X X X 3.2 Os resguardos de protecção estão colocados? X X X X 3.3 Existem dispositivos de paragem de emergência (STOP)? X X X X 3.4 Existem sistemas de bloqueio que evitem arranques acidentais? X X X X 3.5 Os sistemas de comando encontram-se acessíveis? X X X X 3.6 Existem protecções dos elementos móveis? X X X X 3.7 Existem protecção dos elementos eléctricos? X X X X 3.8 Instruções de segurança sobre as máquinas X X X X 3.9 Manutenção periódica, em segurança, de máquinas/ferramentas. X X X X 3.10 Existe um procedimento formal tagout/lockout? X X X X 3.11 Existe e encontra-se actualizado o registo de manutenções? X X X X 3.12 As ferramentas utilizadas são adequadas? X X X X 3.13 O pessoal que operaas máquinas/ferramentas recebeu formação? X X X X 3.14 Protecção contra projecções: Existem e são adequadas? X X X X 95 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 3 Máquinas/Feramentas e Operações (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 3.15 EPI´s: Existem e estão devidamente protegidos e distribuídos? X X X X 3.16 Estão implementadas medidas de prevenção contra incêndios? X X X X 3.17 As ferramentas evidenciam a qualidade necessária? X X X X 3.18 Encontram-se em bom estado de conservação e limpeza? X X X X 3.19 Existe a quantidade necessária face ao processo de trabalho e número de utilizadores? X X X X 3.20 Existem locais específicos para a sua correcta arrumação (painéis, caixas, etc.)? X X X X Nível de Deficiência ND= D(6) ---------------------- ND = M (2) ND = M (2) 3.1 Transporte manual de cargas S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 3.1.1 A carga é demasiado pesada? (superior a 30 Kg em operações ocasionais). X X X X 3.1.2 A carga é demasiado pesada? (superior a 20 Kg em operações frequentes) X X X X 3.1.3 Limitação da frequência de movimentação de cargas pesadas. X X X X 3.1.4 Existe espaço livre, em particular na vertical, para executar a atividade? X X X X 3.1.5 O pavimento ou o local de trabalho apresenta desníveis que implicam movimentação manual de cargas em diversos níveis? X X X X 96 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 3.1 Transporte manual de cargas (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 3.1.6 Medidas em caso de altura entre a elevação e a deposição da carga X X X X Nível de Deficiência --------------------- ND = D(6) ------------------- ---------------------- 3.2 Transporte Mecânico de cargas S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 3.2.1 Aparelho de elevação ou transporte de carga (gruas/elevadores/empilhadoras, etc.). X X X X 3.2.2 Carga máxima admissível afixada? X X X X 3.2.3 Respeitada de facto? X X X X 3.2.4 Segurança na movimentação de carga X X X X 3.2.5 Respeito da zona de trajecto (não utilizada por outros trabalhos) X X X X 3.2.6 Manobras objecto de sinalização? X X X X 3.2.7 Equipamento inspeccionados periodicamente? X X X X Nível de Deficiência ND = MD(10) ND = MD(10) ---------------------- ----------------------- 4 Armazenagem (NBR 15524-2) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 4.1 Existem vias de circulação para pessoas e veículos? X X X X 4.2 As vias de circulação estão desimpedidas e devidamente sinalizadas? X X X X 4.3 O local de armazenagem dispõe de iluminação X X x X 97 natural ou artificial adequada? Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 4 Armazenagem (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 4.4 Dispõe de boas condições de ventilação? X X X X 4.5 Está dotado de equipamento adequado para extinção de incêndios em perfeito estado de funcionamento? X X X X 4.6 O equipamento para extinção de incêndios está situado em local acessível e convenientemente assinalado? X X X X 4.7 Os líquidos inflamáveis com o ponto de inflamação inferior a 21ºC, que não excedam 20 litros, são depositados em recipientes aprovados pela entidade competente? X X X X 4.8 Quando em grandes quantidades, os líquidos inflamáveis com ponto de inflamação inferior a 21ºC estão colocadas em edifícios isolados, de construção resistente ao fogo, ou em reservatórios, de preferência subterrâneos? X X X X 4.9 A alimentação dos diferentes pontos da fábrica é efectuada por meio de condutas? X X X X 4.10 As garrafas contendo gases comprimido depositadas ao ar livre estão protegidas contra as variações excessivas de temperatura, raios solares directos ou humidade persistente? X X X X 4.11 Quando as garrafas estão depositadas no interior dos edifícios, o espaço reservado está isolado por divisórias resistentes ao fogo e ao calor? X X X 98 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 4 Armazenagem (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 4.12 O acesso ao armazém de produtos químicos é limitado às pessoas autorizadas para tal? X X X X 4.13 As prateleiras estão relativamente inclinadas para evitar a queda dos recipientes? X X X X 4.14 A zona destinada ao armazenamento de produtos químicos está delimitada? X X X X 4.15 Os operadores que manuseiam os produtos químicos possuem os equipamentos de proteção adequados, nomeadamente óculos, luvas de proteção e máscaras? X X X X 4.16 A armazenagem é efetuada em locais secos, frescos e bem ventilados? X X X X Nível de Deficiência ---------------------- ND = D(6) ---------------------- ----------------------- 5 Agentes Químicos (NBR 14725) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 5.1 Existem agentes químicos na atividade? X X X X 5.2 Utilização de trabalho que minimizem a emissão de gases, vapores e fumos. X X X X 5.3 Isolamento dos processos de trabalho poluentes. X X X X 5.4 Sistema de ventilação localizada por exaustão X X X X 99 Áreas oficinais Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 5 Agentes Químicos (cont.) S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs S N N/A Obs 5.5 Rotulagem/ etiquetagem de recipientes com substâncias nocivas X X X X 5.6 Restrição de acesso a zonas de utilização de produtos nocivos X X X X 5.7 Protecção de substâncias explosivas inflamáveis X X X X 5.8 Defesa contra calor X X X X 5.9 Medidas que previnam o derramamento de líquidos corrosivos. X X X X 5.10 Limpeza de locais e equipamentos. X X X X 5.11 São utilizados equipamentos adequados para o trabalho com os agentes químicos? X X X X 5.12 Estão reduzidos ao mínimo a duração e o grau de exposição aos agentes químicos? X X X X 5.13 Existem equipamentos de proteção coletiva? (exemplo: ventilação adequada, sistemas de exaustão,…). X X X X 5.14 Existem fontes de ignição que possam provocar incêndios e explosões? X X X X 5.15 São disponibilizadas fichas de dados de segurança? X X X X Nível de Deficiência ND = D(6) ND = MD(10) ND = MD(6) ND = D(6) 100 Observações Zona 1- Secções de Carpintaria e Marcenaria, Tornos e Mecânica Auto. Zona 2 – Secção de Armazém e Ferramentaria. Zona 3 – Secções de Pintura Naval, Pintura Auto e Bate-Chapa. Zona 4 – Secções de Serralharia, Soldadura. Critério de valoração da deficiência Para a definição do nível de deficiência calculou-se a percentagem de questões deficientes utilizando a seguinte fórmula: 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡õ𝑒𝑠 𝑑𝑒𝑓𝑖𝑐𝑖ê𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡õ𝑒𝑠 × 100% 76%-100% Muito deficiente (MD, 10) 51% a 75% Deficiente (D, 6) 26% a 50% Melhorável (M, 2) 0% a 25% Aceitável (B) 101 Anexo F – Exemplo de procedimentos de operação de uma máquina (torno) Estaleiro Naval Departamento de Serviços Técnicos Industriais Secção de Tornos Procedimento de Operação Equipamento nº__ Torno Mecânico Segurança Atenção: Usar Roupa Justa Ligar o Torno Mecânico Pressionar o botão “ON” (botão direito do quadro eléctrico). Accionar o selector de velocidades (posição 1 do selector). Desligar o Torno Mecânico Colocar o selector de velocidade no modo “0”. Pressionar o botão “OFF” (botão esquerdo do quadro eléctrico). O chefe de secção de Tornos ------------------------------------------- Botões de accionamento OFF ON Selector de velocidade 1 0 2 102 Anexo G - Etapas para Implementação do Serviço de SHST no EN da MGA Passos Designação Acções a desenvolver 1º Levantamento da situação inicial Conhecer o estado actual do EN em matérias de SHST, analisar o que se faz, como faz e com quê (materiais e equipamantos, etc.) identificando todas as actividades. Realizar auditoria de diagnóstico em aspectos de SHST identificando todos os perigos, verificando também o grau de cumprimento dos requisitos legais. 2º Sensibilização da gestão Apresentar os resultados do diagnóstico inicial para sensibilizar a direcção do EN apresentando as vantagens de se implementar o serviço de SHST e posteriormente o SGSST. 3º Definição da política de SST O Estaleiro através da sua gestão de top depois de concordar com a criação do serviço traça a política para a SHST em função do resultado do diagnóstico inicial. É nesta fase que se formaliza o compromisso de garantir que a segurança e saúde no trabalho seja considerada na definição de prioridades em igualdade com todos os outros objectivos. 4º Definição da equipa de projecto Nesta fase a direcção selecciona os técnicos de segurança, e se possível médico do trabalho, ou seja, os elementos que pertencerão ao serviço que garantirão o funcionamento efectivo do serviço e dos sistemas. Em função das competências de que dispõem, decide-se também acerca da necessidade de contratar ajuda externa. 5º Formação da equipa de projecto em sistemas de gestão de SST Nesta etapa, o EN providencia formação especializada a fim de doptar a equipa de projecto de competências necessárias para o bom funcionamento do serviço/projecto tal como se sugeriu anteriormente. 103 Passos Designação Acções a desenvolver 6º Definição do projecto de implementação Definem-se nesta etapa os objectivos do serviço/projecto, a calendarização, e atribui-se as competências e responsabilidades individuais de cada elemento da equipa, a forma de monitorização dos progressos, a periodicidade das reuniões de acompanhamento com a administração... 7º Planeamento Redigir o procedimento de identificação de perigos e avaliação de riscos e aplicá-los de forma a conhecer com pormenor os níveis de risco existentes no EN e as medidas de prevenção e de protecção necessárias para os eliminar ou minimizar. Redigir o procedimento de requisitos legais e outros, efectuar o levantamento dos diplomas legais aplicáveis ao estaleiro. Estabelecer os objectivos que se pretende atingir em matéria de SHST e tendo em conta o comprometimento contido na política. Planear as acções que permitam atingir os objectivos definidos e o cumprimento dos requisitos do referencial. 8º Implementação e funcionamento Atribuem-se os recursos, responsabilidades e competências de todos os colaboradores cujo desempenho tenha relevância em matérias de SHST e comunicam-se aos respectivos colaboradores. Elaboram-se e implementam-se os procedimentos de formação, sensibilização e competência, de consulta e comunicação, de gestão e controlo de documentos e dados, de controlo operacional e de prevenção e capacidade de resposta a emergências. 104 Passos Designação Acções a desenvolver 9º Verificações e acções correctivas Elaborar e implementar procedimentos de medição e monitorização do desempenho, acidentes, incidentes, não conformidades e acções correctivas e preventivas, registos e gestão de registos e auditorias. Revisão do serviço pela direcção de topo, procedendo à análise dos resultados da monitorização de dados e indicadores sobre o desempenho da organização. Efectuar uma avaliação global da eficácia do serviço para atingir os objectivos traçados, revendo os aspectos menos bem conseguidos. 10º Certificação Meta final do processo em que uma entidade certificadora assegura que o serviço cumpre com todos os requisitos do referencial que neste caso é o Centro de Segurança e Saúde do Trabalho (CSST). 105 Anexo H - Enquadramento legal da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho Acidentes de Trabalho Decreto executivo nº 21/98 de 30 de Abril - Regulamento geral das comissões de prevenção de acidentes de trabalho que estabelece as normas que regem as comissões de prevenção de Acidentes de Trabalho. Decreto nº 53/05 de 15 de Agosto – Regime jurídico dos acidentes do trabalho e doenças profissionais. Classificação das Actividades Industriais. Decreto n.º 44/05 de 6 de Julho - Regulamento de licenciamento industrial que visa à salvaguarda da saúde pública e dos trabalhadores, a segurança de pessoas e bens, higiene e segurança dos locais de trabalho, o ordenamento industrial e a qualidade de ambiente. Decreto nº 5/04 de 7 de Setembro – Lei das atividades industriais que estabelece os princípios e as normas gerais aplicáveis às actividades industriais de qualquer natureza e a prevenção dos riscos e inconvenientes resultantes da laboração dos estabelecimentos industriais, a salvaguarda da saúde pública e dos trabalhadores, a segurança de pessoas e bens, a higiene e segurança dos locais de trabalho, o ambiente e a qualidade dos bens industriais nacionais. Equipamentos de Protecção Individual Decreto nº31/94 de 5 de Agosto – que estabelece os princípios que visem à promoção da segurança Higiene e Saúde no Trabalho. Lei do Trabalho Lei nº7/15 de 15 de Junho – Lei Geral do Trabalho Organização dos Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho Decreto executivo nº 6/96 de 2 de Fevereiro - regulamento geral dos serviços de segurança e higiene no trabalho nas empresas estabelece as normas que regerão os Serviços de Segurança e Higiene no Trabalho nas empresas. 106 Sinalização de Segurança Decreto executivo nº 128/04 de 23 de Novembro – Regulamento geral da sinalização de segurança e saúde no trabalho que estabelece as prescrições mínimas de colocação e utilização da sinalização de segurança e saúde no trabalho.