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DERMATOZOONOSES ESCABIOSE · Há casos de escabiose mimetizando psoríase ou eczema · Em crianças, verificar história familiar · “Sarna” · Causada pela fêmea fecundada da Sarcoptes scabiei (ácaro) · Ectoparasita que precisa do hospedeiro para sua sobrevivência e reprodução · Penetra na camada córnea (escava túneis/sulcos no estrato córneo da epiderme) e deposita ovos durante a noite · Transmissão: contato sexual e fômites (lençol, toalha, roupas) · Distribuição universal · Mais comum em adultos de baixa renda, moradores em ambientes aglomerados e falta de higiene · Quadro clínico: · Prurido intenso (principalmente a noite e ao amanhecer) · Lesão característica: túnel de formato linear, sinuoso de coloração variável, com extremidades de pápula/vesícula chamada de eminencia acarina · Preferência por partes mais quentes do corpo · Complicações: infecções secundárias pela escoriação das lesões · Lesão: pápulas hipercrômicas em região glútea Exames complementares: · Pesquisa direta do parasito (túnel) com raspagem da eminencia carina · Dermatoscopia · Biópsia em caso exuberante ou atípico Tratamento: · Anti-histamínico para melhorar o prurido · Tópico: · Benzoato de benzila 20% · Monossulfiram 25% (não consumir álcool) · Permetrina ou deltametrina 5% (loção) · Enxofre 6-10% para crianças, gestantes e lactantes · Acometimento sistêmico: · Ivermectina de acordo com o peso 200 ug/kg (média de 2 comprimidos para o adulto) em dose única, repetir após 1 semana · Orientações: levar as roupas, toalhas e lençóis normalmente; crianças podem ir a escola no dia seguinte ao tratamento e tratar os contactantes Possibilidade de tratamento: ivermectina VO (uma tomada) + permetrina ou deltametrina 5% (loção) + anti-histamínico Dx diferenciais: · Eczema (lembrar níquel, calça jeans-umbigo) · Miliária (lactantes) - alergia do suor · Dermatite atópica - muito comum em nádegas e coxa; prurido com suor, regiões quentes do corpo SARNA NORUEGUESA: · Escabiose crostosa · Mimetiza o eczema · Causada pelo mesmo ácaro, acometendo mais desnutridos, etilistas graves e imunodeprimidos · Apresenta-se com graus variados de eritema e descamação · Prurido pode estar ausente ou ser discreto LARVA MIGRANS · “Bicho geográfico” · Causada por nematódeos do gênero Ancylostoma · Faz lesão pruriginosa pela inoculação acidental na pele de larvas de ancilóstomos de animais (cão e gato) · Endêmica em países tropicais e subtropicais · Contato com fezes, incubação de 1-5 dias · Acomete qualquer idade, mais em crianças que brincam em quintal, jardim e praia · Larva penetra a pele e se instala na epiderme, provocando uma reação inflamatória. Não tem colagenase e não consegue penetrar na derme e não caem na circulação · Quadro clínico: · Pés e nádegas mais acometidos · Lesão elementar: pápula eritematosa de alguns mm, intensamente pruriginosa · Casos mais intensos podem ter vesículas e/ou bolhas · Larva produz um túnel eritematopapuloso sinuoso, enquanto a área terminal do túnel começa a entrar em regressão, forma discretas escamas · Pápula eritematosas serpentiginosas Diagnóstico: clínico Diferenciais: psoríase plantar, tínea pedis e disidrose Tratamento: · Lesões múltiplas: tiabendazol VO 25 mg/kg 2x ao dia durante 5-7 dias OU albendazol 400 mg/dia DU por 3 dias OU ivermectina 200 ug/kg DU · Poucas lesões: tratamento tópico com tiabendazol 5% 3x ao dia durante 10 dias Orientações: proibir cães e gatos em praias, evitar arenosas e úmidas, nas escolas e creches a areia deve ser protegida de cães e gatos PEDICULOSE: · Dermatose causada pelo inseto do gênero pediculus (piolho) → pediculus capitis · São insetos hematófagos · Transmissão: forma infectante é a fêmea adulta fecundada, transmitida através do contato interpessoal ou compartilhamento de escovas · Mais comum em crianças de 3-10 anos (> fem) · Causa prurido e dermatose pelo efeito de hipersensibilidade cutânea as substâncias liberadas pela sua saliva e fezes · Quadro clínico: · Período de incubação: 7 dias a 3 semanas · Prurido · Pode ter lesões eritematosas em couro cabeludo e o paciente pode notar lêndeas · Piora ao calor · Escoriação pela coçadura pode culminar em piodermites secundárias · Pápulas hemorrágicas eritematosas com escoriações com bordos bem delimitados e irregulares Diagnóstico: · Encontro de lêndeas após o uso de pente fino, embora a sua presença não necessariamente indique infestação ativa Tratamento: · Água + vinagre: pente fino · Permetrina loção/shampoo 1%: deixar por 10 minutos e depois lavar - repetir por 1 semana · Ivermectina 200 mcg/kg - repetir em 1 semana - a partir de 15 kg FITIRÍASE: · Piolho dos pelos pubianos, barba, cílios; “chatos” · Transmissão sexual · Intenso prurido com lesões pápulo eritematosas · Dx: achado do parasita na pele e lêndeas no pelos · Tratamento: shampoo nas áreas lesadas → permetrina 5% loção ao dormir, lavar no dia seguinte. Ivermectina · Pode ter nos cílios - remover manualmente TUNGÍASE: · Bicho de pé · Agentes etiológicos: tunga penetrans · Tipo de pulga, hematófagos, fêmea fecundada é a que causa doença · Solo quente e seco · Acomete homem de todas as idades, principalmente descalços, porco, cão e gato · Quadro clínico: · Pápula amarelada pruriginosa e dolorosa com um ponto escuro central (desova) · Faz hiperceratose da pele · Lesão única ou múltiplas · Acomete mais planta do pé, pregas interdigitais e bordas periungueais Tratamento: · Retirada da pulga com agulha estéril · Verificar vacinação anti-tetânica MIÍASE: · Infestação tecidual por larvas de moscas · Dermatobia hominis · Surge uma pápula pruriginosa que evolui para um nódulo furunculoide, com orifício central dando saída a material serossanguinolento e por onde a larva pode aparecer de forma intermitente · Dor latejante, pode ter adenite espontaneamente deixando uma cicatriz · Berne pode ser expelido espontaneamente deixando uma cicatriz Tratamento: oclusão com esparadrapo + retirada da larva com pinça; uma pequena incisão no local pode facilitar a saída da larva Miíase secundária: quando as larvas penetram em feridas ou cavidades mucosas, retirar manualmente essas larvas (debridamento intenso) + ATB de amplo espectro na vigência de infecção bacteriana secundária com ivermectina image4.png image3.png image6.png image1.png image5.png image2.png