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68 C om en tá ri os e r es po st as d as a ti vi da de s R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . a) Como o enunciado central foi escrito em letras muito miúdas, o que fica implícito é que pessoas com alguma dificuldade de visão dependem dos médicos oftalmologistas para, com o auxílio de óculos ou lentes por eles prescritos, poderem ler textos independentemente do tamanho da letra com que são escritos. b) Quando se leva em consideração o implícito sobre a importância da atuação dos médicos oftalmolo- gistas para garantirem a qualidade de visão das pessoas, constata-se que entre as duas orações se estabelece uma relação de condição: a oração “Se você consegue ler esta frase” nos leva a concluir que você consultou um oftalmologista, portanto, “agra- deça ao seu oftalmologista”. A condição para que a leitura ocorra é o que fica implícito no enunciado: ter consultado um oftalmologista. c) Se, que é uma conjunção subordinativa condicional. 2 O objetivo do anúncio, patrocinado por uma ótica, é homenagear os médicos oftalmologistas no dia a eles dedicado. > O enunciado foi escrito em letras bem pequenas, que ofereceriam dificuldade de leitura, particularmente para as pessoas que têm algum problema de visão. Como se trata de uma homenagem aos médicos of- talmologistas, essa estratégia é bastante adequada, pois leva o leitor que usa óculos ou lentes de contato a constatar que só é capaz de distinguir as letras miúdas graças à qualidade do trabalho realizado por seu oftalmologista. 3 Considerando que Magali está sozinha e tem diante de si uma grande quantidade de comida, pode-se supor que a formiga e o urubu a observavam com a esperança de se alimentar das sobras deixadas pela garota. > Magali é conhecida por ser uma “comilona”. O pres- suposto se baseia exatamente nessa característica da garota. Sabendo o quanto Magali come, a formiga diz ao urubu que devem ir embora, porque não vai sobrar nada para eles. 4 O período é composto por duas orações: a primeira (co- ordenada assindética) é “S’imbora” (vamos embora); a segunda (coordenada sindética explicativa) é “que não vai sobrar nem migalha”. a) O termo é a conjunção que (= porque). b) Trata-se de uma conjunção (coordenativa explica- tiva) que fornece uma explicação para aquilo que é afirmado na oração anterior. c) É justamente o fato de saber que Magali é uma garota comilona que leva a formiga a dizer que ela e o urubu devem ir embora. O pressuposto de que a garota irá comer tudo que está diante dela é que determina que a formiga diga que não irá sobrar nem migalha. 5 No período composto por coordenação, o uso da con- junção adversativa (mas) introduz uma característica negativa (o esnobismo), que, de certa forma, restringe a caracterização positiva da mulher, feita a partir da qualificação inicial (ela é “muito interessante”). No segundo período, a posição inicial da oração subordi- nada coloca o foco na restrição como algo que pode ser superado: o esnobismo da mulher pode ser tolerado em razão de ela ser muito interessante. 6 “Porque hoje é sábado.” a) Essa oração desempenha, em relação a cada um dos fatos e comportamentos descritos, uma função explicativa. “Ser sábado” é a justificativa apresenta- da, no poema, para cada um dos comportamentos e situações apresentados. b) As afirmações e a oração “porque hoje é sábado” são coordenadas entre si. Cada uma delas é sinta- ticamente independente da oração identificada e se relaciona com ela por meio da conjunção explicativa porque. 7 “Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.” a) O eu lírico, nesse verso, deixa claro que a criação dos seres humanos não deveria ter acontecido. b) O sábado a que se refere o eu lírico, repetidas vezes, corresponde ao sexto dia da criação (retomado, no verso, por meio de um vocativo: “ó Sexto Dia da Criação”), quando Deus deu forma ao homem e à mulher (“macho e fêmea”, como afirma a epígrafe). Todos os comportamentos e situações descritos nos versos anteriores se referem aos seres hu- manos e só ocorrem, portanto, porque eles foram criados. Usos do período composto — Pratique (p. 420) O objetivo desta atividade é levar os alunos a trabalharem com a recorrência sintática como um recurso estilístico que pode contribuir muito para a construção do sentido do texto. Esse é um modo de destacar, para os alunos, a importância de saberem controlar (quando escrevem) e analisar (quando leem) a articulação sintática das orações, para garantirem que o sentido do texto será exatamente o que pretendem que seja. No momento de avaliar, não se deve esperar que os alunos saibam classificar as orações presentes na música escolhida. Eles devem, porém, explicar qual é o efeito de sentido criado pela repetição de uma dada estrutura. Se os alunos não conseguirem identificar nenhum exem- plo de recorrência, pode-se sugerir que trabalhem com Construção, de Chico Buarque de Hollanda, a seguir. Sup_P3_GRA_(061-087).indd 68 12/15/10 4:20 PM para Como talmolo pois a constatar miúdas por as pessoas se trata talmologistas, leva o constatar údas gr seu oftalmolo pessoas que trata de uma gistas, essa itor qu que só aças à oftalmolo homenagem aos médicos of- gia é bastante adequada, ulos ou lentes de contato de distinguir as letras do trabalho realizado letras alizado a) dos b) O Livro das Origens, ó eu lírico, nesse dos ser humanos sábado a que rresponde verso, deixa humanos não deveria refere o eu xto dia da claro que veria ter acontecido lírico, re iação a criação acontecido petidas vezes, etomado, R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 C om en tá ri os e r es po st as d as a ti vi da de s R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Construção Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado Disponível em: <http://www.chicobuarque.com.br>. Acesso em: 30 maio 2006. Capítulo 24 Período composto por coordenação 422 O trabalho realizadoao longo deste capítulo favorece o desenvolvimento da competência de área 8 e das habilidades H1, H18, H22 e H27. Para identificá-las, consultar a matriz do Enem 2009, que se encontra no Portal Moderna Plus. As orações coordenadas 422 1 O produto a ser consumido é o óleo diesel. > A escolha do para-choque de caminhão como imagem associada ao produto é facilmente com- preendida quando lembramos que o óleo diesel é o combustível utilizado por esse tipo de veículo. 2 Resposta pessoal. É importante que o aluno perceba, como sentido geral da frase de Benjamin Franklin, a ideia de que ouvir conselhos após beber vinho pode fazer com que quem os ouve tenha menos dificuldade em aceitá-los (o vinho diminuiria a “resistência” do indivíduo, deixando-o mais receptivo à opinião alheia). Na hora de tomar decisões, porém, é importante estar sóbrio, com a cabeça no lugar. Por isso, a recomendação de que as decisões sejam tomadas com água. a) O perfil de consumidor almejado pelos anuncian- tes é o de alguém que se considera um motorista inteligente. b) É preciso que ele saiba quem foi Benjamin Franklin. Caso contrário, não reconheceria a “autoridade” da frase e não perceberia que ela foi escolhida especial- mente para funcionar como um argumento positivo acerca da qualidade do produto anunciado. c) O que os autores do texto publicitário pretendem é estabelecer uma relação direta entre a frase de Benjamin Franklin e a imagem de um motorista inteligente. Com isso, pretendem sugerir que, se o consumidor é uma pessoa inteligente, então certa- mente decidirá utilizar o produto divulgado, porque reconhecerá seus benefícios. 3 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno reconheça, na frase de Aristóteles, a ideia de que a grandiosidade de um homem se mede pelos seus atos e não pelo reconhecimento (honras) que recebe em decorrência deles. Explicar aos alunos que, no para-choque do caminhão, há um deslize em relação à regência verbal. O verbo con- sistir é regido pela preposição em, que deveria aparecer na segunda oração coordenada (“mas em merecê-las”), para manter o paralelismo gramatical do período. 4 a) Trata-se de dois períodos compostos por coorde- nação. Eles devem ser assim classificados porque são constituídos por duas orações sintaticamente independentes (ou seja, nenhuma delas funciona como um termo da outra). b) Observa-se que há uma relação de oposição entre o que é afirmado pelas orações. c) A conjunção coordenativa mas. Atividades 429 1 Para articular essas orações em um único período, é necessário substituir o ponto final que ocorre após “Veja.” e “Ouça.” por uma vírgula. Dessa forma, os três Sup_P3_GRA_(061-087).indd 69 12/15/10 4:20 PM R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo os autores estabelecer Benjamin Fr inteligente. Com consumidor mente decidirá reconhecerá uma relação anklin e a im Com isso, pretendem uma pessoa cidirá utilizar o pr benefícios. entre agem de um pretendem inteligente oduto benefícios. frase um motorista sugerir que, se o então certa- vulgado, rque 70 C om en tá ri os e r es po st as d as a ti vi da de s R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . períodos simples passam a constituir um único período composto formado por orações coordenadas: Veja, ouça, aprenda. Professor: É possível que alguns alunos resol- vam estruturar o período acrescentando a conjunção aditiva e entre a segunda e a última oração: Veja, ouça e aprenda. > Nessa organização sintática, as três orações que constituem o período se classificariam como coor- denadas assindéticas, pois vêm separadas apenas por vírgula, sem que se faça uso de conjunções para relacioná-las. Professor: No caso da estrutura com a conjunção e, a classificação seria: “Veja,” e “ouça”, orações coordenadas assindéticas; “e aprenda”, oração coordenada sindética aditiva. 2 O anúncio tem como finalidade persuadir os leitores a fazerem as visitas guiadas do MASP. > As três orações do enunciado apresentam um ver- bo de ação e sua sequência (“veja, ouça, aprenda”) indica ao leitor a ordem dessas ações, caso se opte por uma visita guiada ao museu. Quem fizer uma visita guiada verá as obras expostas no MASP, ouvirá as informações dadas pelos guias e aprenderá com a visita. Dessa forma, o anúncio sugere ao leitor que a visita guiada ao MASP é mais proveitosa do que uma visita comum, já que ele, além de apreciar as obras expostas, irá obter informações sobre elas. 3 Nos três casos, Guilber utilizou um período composto por orações coordenadas. A segunda oração de cada período é sempre introduzida pela conjunção ou. a) Cada enunciado dos quadrinhos é formado por uma oração coordenada assindética (“Ver o filme”, “Estudar português” e “Jogar Tíbia”) seguida de uma oração coordenada sindética alternativa (“ou ler o livro?”, “ou exercitar matemática?” e “ou jogar Tíbia?”). b) Como se tratava de mostrar situações em que a personagem teria de fazer escolhas entre duas op- ções excludentes, a tira trabalha com enunciados cuja estrutura sintática é apropriada para esse fim: orações coordenadas alternativas, que deixam claro que fazer uma escolha significa abrir mão da outra possibilidade. 4 Nos dois primeiros quadrinhos, Guilber expõe alter- nativas excludentes: ver o filme implicaria não ler o livro (e vice-versa), assim como estudar português implicaria não exercitar matemática (e vice-versa). No entanto, no terceiro quadrinho, ele expõe alternativas idênticas: “Jogar Tíbia ou jogar Tíbia”. O humor da tira é construído justamente pela “falsa” alternativa apresentada: como as duas orações indicam a mesma situação, qualquer escolha que ele fizer resultará em uma única escolha: jogar Tíbia. Daí a graça da tira: quando se trata de jogar Tíbia, a decisão de Guilber já está tomada. 5 O período seria formado por duas orações: “De 1950 pra cá, o mundo mudou totalmente” e “mas nem tanto”. No caso, a segunda oração tem um verbo implícito (“mudou”), ou seja, equivale a “mas nem mudou tanto”. > A oração “De 1950 pra cá, o mundo mudou total- mente” é coordenada assindética e a oração “Mas nem tanto” (“mas nem mudou tanto”), coordenada sindética adversativa. 6 O anúncio tem por finalidade homenagear os 60 anos de lançamento da Kombi, veículo bastante popular no Brasil. a) A oração “De 1950 pra cá, o mundo mudou total- mente” sugere que, nas últimas décadas, o mundo se alterou completamente. Nesse caso, estaríamos vivendo, hoje, uma realidade inteiramente diferente daquela dos anos 1950. No entanto, ao acrescentar o enunciado “Mas nem tanto”, o anúncio criaum paradoxo, alterando a expectativa do leitor: se “o mundo mudou totalmente”, como é possível não ter mudado tanto? Essas duas ideias seriam, a princípio, excludentes: se o mundo mudou totalmente, nada continua igual; se o mundo não mudou tanto, ele não pode ter mudado totalmente. b) Ao criar esse paradoxo, o anúncio trabalha com a ideia de que apenas uma coisa no mundo permane- ce igual: a Kombi. Apesar de terem ocorrido muitas mudanças nos últimos 60 anos, não houve alteração na credibilidade desse veículo junto à população brasileira. Consequentemente, o leitor é levado a concluir que, não importa qual seja a situação ou a época, a Kombi é sempre um carro confiável. 7 Na cena, observam-se três senhores (supostamente médicos) conversando a respeito do estado de saúde do paciente, que se encontra deitado na cama. > Os senhores formulam hipóteses sobre o que pode ter causado o problema do paciente. 8 É estranho o fato de todas as hipóteses levantadas para explicar a condição do paciente relacionarem- -se a superstições. Espera-se que médicos elaborem hipóteses de natureza científica para explicar uma doença. O fato de um deles recorrer a superstições (quebrar um espelho, passar debaixo de uma escada, derramar sal) é algo totalmente inesperado e fora de contexto. a) Repetem-se as orações coordenadas sindéticas alternativas: ou passou debaixo de uma escada, ou derramou um pouco de sal. b) As orações coordenadas sindéticas alternativas têm como função enumerar diferentes opções ou possi- bilidades associadas a um determinado fato. Nesse caso específico, elas participam da construção de um sentido inesperado, porque são utilizadas para introduzir diferentes tipos de superstição como possíveis causas para a doença do paciente. Sup_P3_GRA_(061-087).indd 70 12/15/10 4:20 PM 3 obras Nos três por orações período Cada expostas, casos, orações coordenadas. é sempr enunciado xpostas, ir Guilber coordenadas. sempre intr unciado informações sobre elas. um período composto segunda oração de cada pela conjunção ou. adrinhos é formado po cada na brasileir e apenas igual: Kombi. mudanças nos úl na credibilidade brasileir Consequentemente, concluir que, não época, a Kombi Apesar timos 60 anos, desse veículo Consequentemente, importa qual sempre um não houve ículo junto à o leitor seja alteração população levado a situação a confiável. R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 .