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2 
INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ANTIGA – 
INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ANTIGA E PERÍODO 
PRÉ-SOCRÁTICO 
 
QUESTÃO 01 
(Unesp 2020) 
 
Em 4 de julho de 2012, foi detectada uma 
nova partícula, que pode ser o bóson de Higgs. 
Trata-se de uma partícula elementar proposta 
pelo físico teórico Peter Higgs, e que validaria a 
teoria do modelo padrão, segundo a qual o 
bóson de Higgs seria a partícula elementar 
responsável pela origem da massa de todas as 
outras partículas elementares. 
(Jean Júnio M. Pimenta et al. “O bóson de Higgs”. In: 
Revista brasileira de ensino de física , vol. 35, no 2, 2013. 
Adaptado.) 
 
O que se descreve no texto possui relação 
com o conceito de arqué, desenvolvido pelos 
primeiros pensadores pré-socráticos da Jônia. A 
arqué diz respeito 
 
A) à retórica utilizada pelos sofistas para 
convencimento dos cidadãos na pólis. 
B) a uma explicação da origem do cosmos 
fundamentada em pressupostos mitológicos. 
C) à investigação sobre a constituição do 
cosmos por meio de um princípio 
fundamental da natureza. 
D) ao desenvolvimento da lógica formal como 
habilidade de raciocínio. 
E) à justificação ética das ações na busca pelo 
entendimento sobre o bem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Uel 2019) 
Leia o texto a seguir. 
 
Os corcéis que me transportam, tanto 
quanto o ânimo me impele, conduzem-me, 
depois de me terem dirigido pelo caminho 
famoso da divindade [...] E a deusa acolheu-me 
de bom grado, mão na mão direita tomando, e 
com estas palavras se me dirigiu: [...] Vamos, 
vou dizer-te – e tu escuta e fixa o relato que 
ouviste – quais os únicos caminhos de 
investigação que há para pensar, um que é, que 
não é para não ser, é caminho de confiança 
(pois acompanha a realidade): o outro que não 
é, que tem de não ser, esse te indico ser 
caminho em tudo ignoto, pois não poderás 
conhecer o não-ser, não é possível, nem indicá-
lo [...] pois o mesmo é pensar e ser. 
(PARMÊNIDES. Da Natureza, frags. 1-3. Trad. José 
Trindade Santos. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2009. p. 13-
15.) 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre a filosofia de Parmênides, assinale a 
alternativa correta. 
 
A) Pensar e ser se equivalem, por isso o 
pensamento só pode tratar e expressar o que 
é, e não o que não é – o não ser. 
B) A percepção sensorial nos possibilita 
conhecer as coisas como elas 
verdadeiramente são. 
C) O ser é mutável, eterno, divisível, móvel e, 
por isso, a razão consegue conhecê-lo e 
expressá-lo. 
D) A linguagem pode expressar tanto o que é 
como o que não é, pois ela obedece aos 
princípios de contradição e de identidade. 
E) O ser é e o não ser não é indica que a 
realidade sensível é passível de ser conhecida 
pela razão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
QUESTÃO 03 
(Uece 2019) 
 
“É no plano político que a Razão, na Grécia, 
primeiramente se exprimiu, constituiu-se e 
formou-se. A experiência social só pôde tornar-
se entre os gregos objetos de uma reflexão 
positiva, porque se prestava, na cidade, a um 
debate público de argumentos. O declínio do 
mito data do dia em que os primeiros Sábios 
puseram em discussão a ordem humana, 
procuraram defini-la em si mesma, traduzi-la 
em fórmulas acessíveis à sua inteligência, 
aplicar-lhe a norma do número e da medida.” 
VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio 
de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1989, p. 94. 
 
Com base nessa citação, é correto afirmar que 
a filosofia nasce 
 
A) após o declínio das ideias mitológicas, não 
havendo nenhuma linha de continuidade 
entre estas últimas e as novas ciências 
gregas. 
B) das representações religiosas míticas que se 
transpõem nas novas representações 
cosmológicas jônicas. 
C) da experiência do espanto, a maravilha com 
um mundo ordenado e, portanto, belo. 
D) da experiência política grega de debate, 
argumentação e contra-argumentação, que 
põe em crise as representações míticas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 04 
(Uece 2019) 
 
“Como se sabe, a palavra mythos raramente 
foi empregada por Heródoto (apenas duas 
vezes). Caracterizar um logos (narrativa) como 
mythos era para ele um meio claro de rejeitá-lo 
como duvidoso e inconvincente. [...] Situado em 
algum lugar além do que é visível, um mythos 
não pode ser provado.” 
HARTOG, F. Os antigos, o passado e o 
presente. Brasília, Editora da UnB, 2003, p. 37. 
 
Sobre a diferença entre mythos e logos 
acima sugerida, é INCORRETO afirmar que 
 
A) o problema do mythos era limitar-se ao que 
é visível e, por isso, não podia ser pensado. 
B) filosofia e história nasceram, na Grécia 
clássica, com base numa mesma 
reivindicação do logos contra o mythos. 
C) o mythos não poderia ser submetido à 
clarificação argumentativa e à prova — 
demonstração — discursiva. 
D) em contraposição ao mythos, o logos era um 
uso argumentativo da linguagem, capaz de 
criar as condições do convencimento. 
 
 
QUESTÃO 05 
(Ufu 2018) 
 
"Para as almas, morrer é transformar-se em 
água; para a água, morrer é transformar-se em 
terra. Da terra, contudo, forma-se a água e da 
água, a alma” 
Heráclito. Fragmentos, extraído de: MARCONDES, 
Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar Editora, 2000. Tradução do autor. 
 
Em relação ao excerto acima, podemos 
afirmar que ele ilustra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
A) a concepção heraclitiana que valoriza a 
importância do movimento na descrição da 
realidade. 
B) a concepção dialética do pensamento 
heraclitiano, segundo a qual o movimento é 
uma ilusão dos sentidos. 
C) a concepção heraclitiana da realidade, 
segundo a qual a multiplicidade dos 
fenômenos subjaz uma realidade única. 
D) o pensamento religioso de Heráclito, 
segundo o qual a morte é a libertação da 
alma. 
 
 
QUESTÃO 06 
(Enem PPL 2018) 
 
Demócrito julga que a natureza das coisas 
eternas são pequenas substâncias infinitas, em 
grande número. E julga que as substâncias são 
tão pequenas que fogem às nossas percepções. 
E lhes são inerentes formas de toda espécie, 
figuras de toda espécie e diferenças em 
grandeza. Destas, então, engendram-se e 
combinam-se todos os volumes visíveis e 
perceptíveis. 
SIMPLÍCIO. Do Céu (DK 68 a 37). In: Os pré-
socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1996 (adaptado). 
 
A Demócrito atribui-se a origem do conceito de 
 
A) porção mínima da matéria, o átomo. 
B) princípio móvel do universo, a arché. 
C) qualidade única dos seres, a essência. 
D) quantidade variante da massa, o corpus. 
E) substrato constitutivo dos elementos, a 
physis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 07 
(Upe-ssa 1 2018) 
 
Observe o texto a seguir sobre a gênese do 
pensamento filosófico: 
 
Entre o fim do VII século e o começo do VI 
a.C., o problema cosmológico é o primeiro a 
destacar-se claramente como objeto de 
pesquisa sistemática diferente do impreciso 
complexo de problemas que já ocupavam a 
mente dos gregos ainda antes do surgir de uma 
reflexão filosófica verdadeira e própria. 
(MONDOLFO, Rodolfo. O Pensamento Antigo, São 
Paulo: Mestre Jou, 1966, p. 31.) 
 
O texto retrata, com clareza, o problema 
cosmológico, objeto de estudo da filosofia 
 
A) Socrática. 
B) Platônica. 
C) Pré-socrática. 
D) Mítica. 
E) Pós-socrática. 
 
QUESTÃO 08 
(Ufu 2018) 
"Pois pensar e ser é o mesmo" 
Parmênides, Poema, fragmento 3, extraído de: Os 
filósofos pré-socráticos. Tradução de Gerd Bornheim. 
São Paulo: Cultrix, 1993. 
 
A proposição acima é parte do poema de 
Parmênides, o fragmento 3. Considerando-se o 
que se sabe sobre esse filósofo, que viveu por 
volta do século VI a.C., assinale a afirmativa 
correta. 
 
A) Para compreender a realidade, é preciso 
confiar inteiramente no que os nossos 
sentidos percebem. 
B) O movimento é uma característica aparente 
das coisas, a verdadeira realidade está além 
dele. 
C) O verdadeiro sentido da realidade só pode 
ser revelado pelos deuses para aquelesque 
eles escolhem. 
D) Tudo o que pensamos deve existir em algum 
lugar do universo. 
 
 
 
 
 
 
5 
QUESTÃO 09 
(Upe-ssa 1 2018) 
 
Sobre o Pensamento Mítico, considere o 
texto a seguir: 
 
 
 
Mito e Razão se complementam 
mutuamente. No entanto, o mito, recuperado 
no cotidiano do homem contemporâneo, não se 
apresenta com a abrangência que se fazia sentir 
no homem primitivo. 
(ARANHA, Maria Lúcia Arruda. Filosofando – 
Introdução à Filosofia, São Paulo: Moderna, 1993, p. 59.) 
 
Com relação ao contexto da reflexão sobre o 
pensamento mítico, no que se refere ao 
cotidiano do homem contemporâneo, assinale 
a alternativa CORRETA. 
 
A) O Mito e a Razão continuam em justaposição, 
na forma compreensiva da realidade 
existencial. 
B) O Mito tem a representatividade da verdade 
na sua narrativa. 
C) O Mito e a Razão alicerçam os valores da 
condição humana na sua inteireza. 
D) O Mito passa por um reducionismo e retoma 
o valor do herói como legitimação com o 
intuito de se compreender a realidade. 
E) O Mito propõe o verdadeiro sentido para a 
compreensão do ser humano na sua 
humanização. 
 
 
 
 
QUESTÃO 10 
(Upe-ssa 1 2018) 
 
Em relação ao pensamento mítico, leia o 
texto a seguir: 
 
O homem, admirado e perplexo, diante da 
natureza que o cerca, sem entender o dia, a 
noite, o frio, o calor, o sol, a chuva, os 
relâmpagos, os trovões, a terra fértil ou árida, 
sem entender a origem da vida, a morte e o seu 
destino eterno, a dor, o bem e o mal, recorre 
aos mitos. 
(SOUZA, Sônia Maria Ribeiro. Um outro olhar – 
filosofia. São Paulo: FTD, 1995, p. 39.) 
 
A narrativa mítica tem significância para a 
existência humana no mundo. O mito tem uma 
representatividade singular para transmitir e 
comunicar o conhecimento acerca da realidade. 
Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. 
 
 
A) Os relatos míticos são narrações fantasiosas, 
desvinculados de sentido da realidade. 
B) O mito está privado de coerência, e sua 
narrativa prende-se à existência humana no 
mundo. 
C) O pensamento mítico está desligado do 
desejo de dominação do mundo, e sua 
narrativa impõe o medo e a insegurança. 
D) Os mitos devem ser acolhidos na sua 
significância como base para a compreensão 
do homem na sua existência e convivência. 
E) A mitologia se traduz em relato ilógico sem 
fundamento emotivo e tenta explicar a 
realidade concreta. 
 
QUESTÃO 11 
(Ufu 2017) 
 
Leia o fragmento de autoria de Heráclito. 
 
Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e 
paz, abundância e fome. Mas toma formas 
variadas assim como o fogo, quando misturado 
com essências, toma o nome segundo o 
perfume de cada uma delas. 
BORNHEIM, G. (Org.). Os filósofos pré-socráticos. São 
Paulo: Cultrix, 1998, p. 40. 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Conforme o exposto, “Deus”, no 
pensamento de Heráclito, significa: 
 
A) A unidade dos contrários. 
B) O fundamento da religião monoteísta do 
período arcaico. 
C) Uma abstração para refutar o logos. 
D) A impossibilidade da harmonia no mundo. 
 
 
QUESTÃO 12 
(Enem 2017) 
A representação de Demócrito é semelhante 
à de Anaxágoras, na medida em que um 
infinitamente múltiplo é a origem; mas nele a 
determinação dos princípios fundamentais 
aparece de maneira tal que contém aquilo que 
para o que foi formado não é, absolutamente, o 
aspecto simples para si. Por exemplo, partículas 
de carne e de ouro seriam princípios que, 
através de sua concentração, formam aquilo 
que aparece como figura. 
HEGEL. G. W. F. Crítica moderna. In: SOUZA, J. C. 
(Org.). Os pré-socrática: vida e obra. São Paulo: Nova 
Cultural. 2000 (adaptado). 
 
O texto faz uma apresentação crítica acerca 
do pensamento de Demócrito, segundo o qual o 
“princípio constitutivo das coisas” estava 
representado pelo(a) 
 
A) número, que fundamenta a criação dos 
deuses. 
B) devir, que simboliza o constante movimento 
dos objetos. 
C) água, que expressa a causa material da 
origem do universo. 
D) imobilidade, que sustenta a existência do ser 
atemporal. 
E) átomo, que explica o surgimento dos entes. 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 13 
(Upe-ssa 2017) 
Leia o texto a seguir: 
 
 
 
A Grécia é considerada o berço da Filosofia. 
O pensamento grego tem a singularidade do 
intelecto, privilegiando, acima de tudo, a 
dimensão conceitual e discursiva. De acordo 
com a tradição histórica, a fase inaugural do 
pensar filosófico grego é conhecida como 
período pré-socrático. 
 
Sendo assim, é CORRETO afirmar que 
 
A) filosofia pré-socrática enfatiza, 
principalmente, a explicação da liberdade. 
B) no período pré-socrático da filosofia, o 
pensar crítico retrata o valor da história dos 
deuses. 
C) o período pré-socrático da filosofia é 
denominado essencialmente de período 
naturalista. 
D) no período pré-socrático, o enfoque da 
Filosofia é denominado de período ético. 
E) o período pré-socrático da filosofia enaltece 
a confiança na religiosidade das ideias e no 
problema da vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
QUESTÃO 14 
(Enem Libras 2017) 
 
Alguns pensam que Protágoras de Abdera 
pertence também ao grupo daqueles que 
aboliram o critério, uma vez que ele afirma que 
todas as impressões dos sentidos e todas as 
opiniões são verdadeiras, e que a verdade é 
uma coisa relativa, uma vez que tudo o que 
aparece a alguém ou é opinado por alguém é 
imediatamente real para essa pessoa. 
KERFERD, G. B. O movimento sofista. São Paulo: 
Loyola, 2002 (adaptado). 
 
O grupo ao qual se associa o pensador 
mencionado no texto se caracteriza pelo 
objetivo de 
 
A) alcançar o conhecimento da natureza por 
meio da experiência. 
B) justificar a veracidade das afirmações com 
fundamentos universais. 
C) priorizar a diversidade de entendimentos 
acerca das coisas. 
D) preservar as regras de convivência entre os 
cidadãos. 
E) analisar o princípio do mundo conforme a 
teogonia 
 
QUESTÃO 15 
(Upe-ssa 1 2017) 
 
Observe o texto a seguir sobre a gênese do 
pensamento filosófico. 
 
Com a filosofia, novo critério de verdade se 
impunha: o critério da logicidade. Verdade é 
aquilo, que concorda com as leis do lógos 
(pensamento, razão). É a razão, que nos dá 
garantia da verdade, porque o real é racional. 
LARA, Tiago Adão. A Filosofia nas suas origens 
gregas, 1989, p. 54. 
 
Sobre a gênese do pensamento filosófico, 
está CORRETO afirmar que 
 
 
 
 
 
A) a evidência da verdade com o crivo da 
racionalidade tem resposta no mito. 
B) o critério da logicidade está presente na 
adesão à crença e ao mito. 
C) a gênese do pensar filosófico e a inspiração 
criadora de sentidos consistem na fantasia. 
D) a origem do pensamento filosófico surge 
entre os gregos, no século VI a.C., na busca 
por explicação do sobrenatural com a força 
do divino. 
E) o despertar da filosofia grega surge na 
verdade argumentada da razão com o critério 
da interpretação. 
 
 
 
QUESTÃO 16 
(Upe-ssa 1 2017) 
 
Sobre o Mito no mundo atual, considere o 
texto a seguir: 
 
 
 
Os meios de comunicação (televisão, jornais, 
etc.) utilizam a palavra Mito com um significado 
diferente, quando se referem a artistas, que, 
num determinado momento, ganham destaque 
por causa de um filme ou música de sucesso. 
Mas, mesmo nesse caso, os “Mitos” do mundo 
artístico são assim chamados, porque 
atribuímos a eles qualidades que consideramos 
dignas de um deus. 
 
CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. 2002, p. 23. 
Disponível em: www.4hd.com.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
Assim, é CORRETO afirmar que no mundo 
atual 
 
A) o Mito narra as habilidades divinas, 
transmitidas aos homens pelos deuses. 
B) o Mito retrata tanto a significância quanto a 
primeira atribuição de sentido ao mundo. 
C) o Mito tem importância pelo fato de ser a 
primeira forma de dar significado ao mundo. 
D) o Mito na totalidade do real, não apresenta 
mais abrangência nem o distintivo existencialque havia na sua origem, isto é, no Mito 
primitivo. 
E) o Mito possibilita ao homem lutar e viver 
criticamente contra tudo o que lhe é adverso. 
 
QUESTÃO 17 
(Enem PPL 2016) 
 
Todas as coisas são diferenciações de uma 
mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é 
evidente. Porque se as coisas que são agora 
neste mundo – terra, água ar e fogo e as outras 
coisas que se manifestam neste mundo –, se 
alguma destas coisas fosse diferente de 
qualquer outra, diferente em sua natureza 
própria e se não permanecesse a mesma coisa 
em suas muitas mudanças e diferenciações, 
então não poderiam as coisas, de nenhuma 
maneira, misturar-se umas às outras, nem fazer 
bem ou mal umas às outras, nem a planta 
poderia brotar da terra, nem um animal ou 
qualquer outra coisa vir à existência, se todas as 
coisas não fossem compostas de modo a serem 
as mesmas. Todas as coisas nascem, através de 
diferenciações, de uma mesma coisa, ora em 
uma forma, ora em outra, retomando sempre a 
mesma coisa. 
 
DIÓGENES, In: BORNHEIM, G. A. Os filósofos pré-
socráticos. São Paulo, Cultrix, 1967. 
 
 
O texto descreve argumentos dos primeiros 
pensadores, denominados pré-socráticos. Para 
eles, a principal preocupação filosófica era de 
ordem 
 
 
A) cosmológica, propondo uma explicação 
racional do mundo fundamentada nos 
elementos da natureza. 
B) política, discutindo as formas de organização 
da pólis ao estabelecer as regras de 
democracia. 
C) ética, desenvolvendo uma filosofia dos 
valores virtuosos que tem a felicidade como 
o bem maior. 
D) estética, procurando investigar a aparência 
dos entes sensíveis. 
E) hermenêutica, construindo uma explicação 
unívoca da realidade. 
 
QUESTÃO 18 
(Enem 2016) 
 
Texto I 
 
Fragmento B91: Não se pode banhar duas 
vezes no mesmo rio, nem substância mortal 
alcançar duas vezes a mesma condição; mas 
pela intensidade e rapidez da mudança, 
dispersa e de novo reúne. 
HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). 
São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado). 
 
Texto II 
 
Fragmento B8: São muitos os sinais de que o 
ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, 
inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é 
agora um todo homogêneo, uno, contínuo. 
Como poderia o que é perecer? Como poderia 
gerar-se? 
PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 
(adaptado). 
 
Os fragmentos do pensamento pré-socrático 
expõem uma oposição que se insere no campo 
das 
 
A) investigações do pensamento sistemático. 
B) preocupações do período mitológico. 
C) discussões de base ontológica. 
D) habilidades da retórica sofística. 
E) verdades do mundo sensível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
QUESTÃO 19 
(Upe-ssa 1 2016) 
 
Sobre o conhecimento mitológico, atente ao 
texto a seguir: 
 
 
 
Para os gregos, mito é um discurso 
pronunciado ou proferido para ouvintes que 
recebem como verdadeira a narrativa, porque 
confiam naquele que narra; é uma narrativa 
feita em público, baseada, portanto, na 
autoridade e confiabilidade da pessoa do 
narrador. 
(CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, 1996, p. 28). 
 
Sobre esse aspecto do conhecimento 
mitológico, é CORRETO afirmar que 
 
A) a função do mito é obscura, e o discurso a ele 
referente, pronunciado pela autoridade, está 
fundado na realidade e não explica a 
existência. 
B) o mito retrata um tipo de compreensão não 
significativa, possibilitando ao homem viver e 
lutar contra tudo o que lhe é contraditório. 
C) na narrativa mitológica, proferida para os 
ouvintes, está presente o puro delírio da 
fantasia e a confiabilidade na pessoa do 
narrador. 
D) a narrativa do mito é baseada na lógica da 
abstração e deixa, à margem, o desejo de 
dominação do mundo. 
E) o mito revela alguma coisa que é aceita sem 
contestação nem questionamento. Trata-se, 
portanto, de uma primeira narrativa que 
atribui sentido ao mundo. 
 
QUESTÃO 20 
(Upe-ssa 1 2016) 
 
A mente humana é naturalmente 
inquiridora: quer conhecer as razões das coisas; 
basta ver uma criança fazendo perguntas aos 
pais. Mas às mesmas perguntas podem ser 
dadas diversas respostas: míticas, científicas, 
filosóficas. 
MONDIN, Batista. Curso de filosofia. São Paulo: 
Paulus, 1981. (Adaptado) 
 
O pensamento mítico na atualidade reflete-
se naquelas respostas que estão repletas de 
explicações valorativas sobre a personalidade 
do super-herói, a exaltação do cientificismo, 
valorando o ‘desejo desenfreado’ e dando 
primazia ao poder midiático. Sendo assim, 
assinale a alternativa CORRETA. 
 
A) A verdadeira função do mito, na atualidade, 
é orientar a ação humana. 
B) O papel atual do mito é dar sentido ao mundo 
humano. 
C) O pensamento mítico, no mundo atual, 
identifica-se como uma resistência às 
invenções científicas e tecnológicas. 
D) Nos dias atuais, a função fabuladora 
presente nos contos e nas estórias populares 
remetem aos valores arquetípicos. 
E) O mito, na atualidade, promove o 
desenvolvimento do homem no seu 
cotidiano, pela eficácia na linguagem das 
formas ideológicas. 
 
 
QUESTÃO 21 
(Upe-ssa 1 2016) 
Sobre a gênese da filosofia entre os gregos, 
observe o texto a seguir: 
Seja como termo, seja como conceito, a 
filosofia é considerada pela quase totalidade 
dos estudiosos como uma criação própria do 
gênio dos gregos. Quem não levar isso em conta 
não poderá compreender por que, sob o 
impulso dos gregos, a civilização ocidental 
tomou uma direção completamente diferente 
da oriental. 
(ANTISERI, Dario e RELAE, Giovanni. História da 
Filosofia, 1990, p. 11). 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Sobre a gênese do pensamento filosófico 
entre os gregos, é CORRETO afirmar que 
 
A) a experiência concreta da racionalidade 
estava isenta da vida política na Pólis Grega. 
B) a prática político-democrática, atrelada ao 
enfoque irracional da vida em sociedade, foi 
o terreno fértil para a gênese do pensamento 
filosófico. 
C) sob o impulso dos gregos, a dimensão 
racional se impõe como critério de verdade. 
A filosofia é fruto desse projeto da razão. 
D) a filosofia é fruto do momento cultural em 
que a sensibilidade e a fantasia impõem-se 
sobre a razão. 
E) na gênese do pensamento filosófico grego, 
na civilização ocidental, a forma de sabedoria 
que se sobrepunha à ciência filosófica, eram 
as convicções religiosas fundamentadas na 
razão pura. 
 
QUESTÃO 22 
(Enem 2015) 
 
A filosofia grega parece começar com uma 
ideia absurda, com a proposição: a água é a 
origem e a matriz de todas as coisas. Será 
mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a 
sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, 
porque essa proposição enuncia algo sobre a 
origem das coisas; em segundo lugar, porque o 
faz sem imagem e fabulação; e enfim, em 
terceiro lugar, porque nela embora apenas em 
estado de crisálida, está contido o pensamento: 
Tudo é um. 
 NIETZSCHE. F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. 
São Paulo: Nova Cultural. 1999 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza 
o surgimento da filosofia entre os gregos? 
 
A) O impulso para transformar, mediante 
justificativas, os elementos sensíveis em 
verdades racionais. 
B) O desejo de explicar, usando metáforas, a 
origem dos seres e das coisas. 
C) A necessidade de buscar, de forma racional, 
a causa primeira das coisas existentes. 
D) A ambição de expor, de maneira metódica, as 
diferenças entre as coisas. 
E) A tentativa de justificar, a partir de 
elementos empíricos, o que existe no real. 
 
QUESTÃO 23 
(Uema 2015) 
Leia a letra da canção a seguir. 
 
Nada do que foi será 
De novo do jeito que já foi um dia 
Tudo passa 
Tudo sempre passará 
A vida vem em ondas 
Como um mar 
Num indo e vindo infinito 
Tudo que se vê não é 
Igual ao que a gente 
Viu há um segundo 
Tudo muda o tempo todo 
No mundo [...] 
 
Fonte: SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Como uma 
onda. In: Álbum MTV ao vivo. Rio de Janeiro: Sony-BMG. 
 
Da mesma forma como canta opoeta 
contemporâneo, que vê a realidade passando 
como uma onda, assim também pensaram os 
primeiros filósofos conhecidos como Pré-
socráticos que denominavam a realidade de 
physis. A característica dessa realidade 
representada, também, na música de Lulu 
Santos é o(a) 
 
A) fluxo. 
B) estática. 
C) infinitude. 
D) desordem. 
E) multiplicidade. 
 
 
 
 
 
 
11 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[C] 
A filosofia pré-socrática é marcada pela 
busca do entendimento do fundamento 
primeiro do cosmo, ou seja, o elemento que dá 
origem a todas as coisas que existem no 
universo, também chamada de arque. Por isso, 
a partícula descrita no texto como a partícula 
elementar, isto é, que origina todas as outras 
partículas, se relaciona com a investigação 
filosófica dos pré-socráticos. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[A] 
[A] Correta. De acordo com Parmênides, o 
pensamento pode expressar as coisas como 
são, com base nos princípios da razão, como 
o princípio de identidade e o de não 
contradição. 
[B] Incorreta. Os sentidos, segundo Parmênides, 
não são seguros para conhecermos algo, 
apenas a razão, pois ela possui princípios que 
contrastam com a percepção sensorial. 
[C] Incorreta. O ser, para Parmênides, é 
imutável, imóvel, e a razão pode afirmá-lo 
via linguagem, embora contradiga ao que 
experimentamos via sensação. 
[D] Incorreta. Por obedecer aos princípios de 
identidade e contradição – ou não 
contradição –, a razão consegue apenas 
expressar o ser, e este é imutável, imóvel, 
eterno, perfeito, segundo Parmênides. 
[E] Incorreta. A razão só consegue expressar, 
segundo Parmênides, o que é, ou seja, o ser; ela 
não consegue tratar do não ser, que é 
identificado com a realidade sensível, 
contraditória com os princípios racionais, por 
sofrer mudanças e ser móvel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[D] 
A partir da leitura do texto e dos 
conhecimentos acerca do processo de 
passagem do mito ao logos, o aluno deve 
identificar que o surgimento da filosofia está 
relacionado ao desenvolvimento da pólis grega, 
que envolveu uma experiência política muito 
ligada à argumentação racional e ao debate 
público. Essa nova perspectiva política que 
surge, leva à uma ruptura com os modos de 
pensar e interpretar o mundo, colocando em 
crise as representações míticas, tal como afirma 
o item [D]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[A] 
 A única alternativa que apresenta uma 
afirmação incorreta é a letra [A], haja vista que 
o mythos pode ser pensado na medida em que 
é uma forma de interpretar e explicar a 
realidade, na tentativa de compreendê-la. O 
mythos, entretanto, é uma narrativa que não se 
submete à prova, muitas vezes se 
fundamentando na autoridade de quem narra 
ou nas tradições de determinado grupo social. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[A] 
 Para Heráclito, o universo é marcado pela 
transformação ou mudança constante, ou seja, 
pelo devir. Assim, a realidade seria um fluxo 
permanente de mudanças, pensamento 
expresso na sua famosa frase “é impossível 
entrar no mesmo rio duas vezes”, pois, uma vez 
que a realidade está em constante mudança, 
nem o rio seria o mesmo, nem o indivíduo 
permaneceria igual ao que era. Nessa 
perspectiva, a ideia do devir concebida por 
Heráclito para explicar as mudanças incorpora a 
ideia de movimento na descrição da realidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[A] 
 
O pensamento filosófico de Demócrito, 
como descrito no texto, caracteriza-se pela 
interpretação da natureza das coisas a partir de 
leis mecânicas. Para ele, todas as coisas seriam 
compostas por unidades indestrutíveis e 
indivisíveis, combinadas entre si, em 
quantidade infinita. Por essa concepção, que 
descreve uma porção mínima da matéria, 
atribui-se a Demócrito a formulação do 
conceito de átomo, sendo a descrição feita por 
ele bastante próxima do modelo moderno de 
átomo. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
[C] 
 A investigação filosófica cosmológica, 
tratada no texto, é característica do período 
conhecido como pré-socrático, uma vez que 
nesse contexto a cosmologia era o principal 
objeto de reflexão dos filósofos. Os filósofos 
pré-socráticos buscavam formular explicações 
acerca da origem (arche) de todas as coisas, da 
natureza (physis) e dos fenômenos naturais a 
partir do uso da razão, não mais fazendo uso 
das narrativas míticas que até então 
predominavam. Por formularem juízos sobre o 
universo e sobre as leis que explicam seu 
funcionamento, essa filosofia é conhecida como 
cosmológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[B] 
Para Parmênides, a verdade se confunde 
com o pensamento, sendo o ser aquilo que 
pode ser pensado, ou seja, o pensamento se 
identifica com o ser. A concepção de ser 
proposta por Parmênides, por sua vez, é a de 
um ser uno, imutável e, portanto, imóvel. 
Assim, tudo que é e que pode ser pensado, é 
imóvel e eterno. Com efeito, o movimento seria 
apenas ilusório, pois seria contrário a essência 
do ser, estando a proposição correta contida na 
alternativa [B]. A questão apresenta o conteúdo 
de uma maneira pouco reflexiva, o que requer 
do aluno um conhecimento memorialístico 
pouco eficiente do ponto de vista avaliativo. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[D] 
 O pensamento mítico é um modelo 
de paradigma acerca da existência humana e do 
mundo, ou seja, é uma forma de explicação e 
interpretação da realidade que cerca os 
indivíduos. Nas sociedades contemporâneas, 
nas quais predominam modelos de paradigmas 
científicos, baseados na racionalidade, o 
pensamento mítico perde espaço como fonte 
de explicações sobre a realidade humana, 
passando por um reducionismo. No entanto, o 
mito ainda se faz presente nas mentalidades 
contemporâneas, sobretudo nas imagens e 
padrões de comportamento representados 
pelas mídias através de personagens de heróis, 
que possuem grande popularidade nos dias 
atuais. Assim, percebe-se que a figura dos 
heróis representa, na atualidade, uma releitura 
dos mitos adaptada à época e à cultura 
contemporâneas, configurando uma forma de 
interpretação da realidade em que os 
indivíduos representam a si mesmos e o mundo 
que os cerca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[D] 
O mito pode ser entendido, de acordo com a 
ideia expressa no texto, como uma forma de 
explicação e interpretação da realidade e dos 
acontecimentos, a partir de uma narrativa 
baseada no sobrenatural. No entanto, a 
narrativa mítica, ao contrário do que muitas 
vezes é pensado pelo senso comum, não existe 
desprovida de lógica e desvinculada de 
qualquer relação com a realidade, mas como 
uma representação vinculada à sociedade que a 
produziu, de modo que faça sentido para os 
indivíduos que a compõem. Nesse sentido, os 
mitos devem ser considerados em sua 
importância como modos de representação da 
realidade, uma vez que expressam a 
significação que os indivíduos atribuem a sua 
existência e ao mundo que os cerca. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[A] 
Para Heráclito, a existência do universo é 
marcada pelo “devir”, ou seja, pela permanente 
transformação. Assim, tudo o que existe está 
em um fluxo constante de mudança, de modo 
que nada permanece igual a si mesmo. Esse 
fluxo de mudança se daria, segundo Heráclito, a 
partir da força dos opostos, uma vez que a 
concepção da realidade de Heráclito é dialética, 
de modo que tudo que existe é o “vir-a-ser” de 
todas as coisas, que existem a partir da 
“unidade dos contrários”. O aluno deve 
identificar que o texto, ao identificar Deus como 
“dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, 
abundância e fome”, faz referência à essa 
dialética de todos os seres existentes. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[E] 
Demócrito é considerado um dos 
pensadores pré-socráticos, que, em linhas 
gerais, buscavam compreender a natureza e sua 
origem. Para ele, a origem das coisas está no 
átomo, o menor e indivisível elemento dos 
entes. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[C] 
Tomandoo texto como base, o aluno deve 
identificar a alternativa [C] como correta, pois o 
pensamento filosófico característico do período 
conhecido como pré-socrático é marcado pela 
tentativa de interpretar os fenômenos naturais 
do mundo, a partir da observação e da empiria. 
Devido a esse enfoque da filosofia pré-
socrática, esse período é denominado de 
naturalista. 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[C] 
O grupo ao qual Protágoras é associado é o 
dos sofistas, que consideravam não existir 
verdade absoluta, mas uma diversidade de 
pontos de vista acerca da verdade, ou seja, 
existiriam apenas verdades relativas. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[E] 
Como apontado pelo texto, o pensamento 
filosófico, originado na Grécia Antiga, encontra 
suas raízes na mudança de perspectiva da 
interpretação da realidade e dos fenômenos do 
mundo sensível, que passa da fabulação mítica 
para o pensamento racional. Nesse sentido, a 
realidade passa a ser identificada como razão, 
sendo a racionalidade a forma necessária para 
entendê-la e expressá-la. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[D] 
O mito nos dias atuais, como indicado pelo 
texto, perdeu o sentido tal como ele era 
construído no passado, que consistia na 
construção de um sentido para a existência a 
partir de referenciais universais, perdendo, 
assim, o aspecto existencial amplo e assumindo 
os referenciais da Indústria Cultural, que são 
associados, muitas vezes, a indivíduos aos quais 
se atribuem características extraordinárias. 
Como essa atribuição é ilusória, a comparação 
da mídia como construtora de figuras míticas na 
contemporaneidade com a caverna de Platão, 
que também apresenta uma ideia ilusória da 
realidade, é justificada, sendo a alternativa [D] 
a que expressa corretamente essa perspectiva 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[A] 
Pode-se dizer que os pré-socráticos tinham 
em comum uma preocupação em compreender 
os fenômenos naturais ou cosmológicos, 
desenvolvendo reflexões sobre a natureza e 
sobre as coisas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18: 
[C] 
Heráclito e Parmênides apresentam visões 
opostas sobre uma mesma questão: “o que é o 
ser?”. Enquanto o primeiro defende a 
volatilidade, o segundo afirma a imutabilidade. 
Tal questionamento ontológico é a base das 
discussões pré-socráticas, ainda que as 
respostas para essa pergunta sejam diversas. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19: 
[E] 
Para responder à questão, o aluno deve 
compreender a função explicativa da realidade 
que o mito possui. Ao possibilitar uma 
interpretação acerca do mundo e dos 
indivíduos, o mito atribui também um sentido a 
essas interpretações. Um outro elemento 
característico do mito, destacado pelo texto, é 
a autoridade da narrativa em si mesma e de 
quem narra, de modo que a revelação 
apresentada pelo mito não questionada. A 
partir dessas considerações, a alternativa [E] é 
a que apresenta a resposta correta. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20: 
[E] 
Ao pensar a forma que o mito adquire nas 
sociedades contemporâneas, como apontado 
pelo texto e pelo enunciado da questão, o aluno 
deve perceber que as explicações míticas são 
potencializadas pelo poder midiático, que 
dispõe de uma linguagem facilmente 
assimilável. Entretanto, diferente do mito nas 
sociedades antigas, o mito contemporâneo não 
exerce mais o papel de explicação do mundo e 
da realidade, uma vez que esse “lugar” foi 
ocupado pela ciência, estando mais ligado, 
como apontado pela alternativa [E], ao 
desenvolvimento do homem no seu cotidiano. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21: 
[C] 
Como apontado pela alternativa [C], o 
processo que envolveu o desenvolvimento da 
filosofia entre os gregos envolveu a mudança do 
critério de verdade mítico, baseado na fé e na 
autoridade narrativa, para o critério da razão, 
fundamento da prática filosófica iniciada a 
partir de então. 
RESPOSTA DA QUESTÃO 22: 
[C] 
Pode-se dizer que a filosofia grega, em seu 
início, esteve preocupada com a origem das 
coisas, em especial da natureza. É essa uma das 
características que Nietzsche diagnostica e que 
está bem destacada na afirmativa [C]. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
RESPOSTA DA QUESTÃO 23: 
[A] 
Os filósofos Pré-socráticos eram conhecidos 
como os pensadores da “physis” (natureza), 
pois tentavam encontrar na própria realidade o 
“arché” (princípio) que lhes permitisse formular 
explicações pela qual pudessem compreender a 
mutabilidade observada na realidade. Assim 
para alguns destes pensadores a natureza é um 
fluxo constante que esta sempre em 
transformação. 
Assim como na música de Lulu Santos a 
mutabilidade, a transformação, o fluxo se 
expressa nas passagens: “Nada do que foi será/ 
De novo do jeito que já foi um dia [...]” e “Tudo 
que se vê não é/ Igual ao que a gente/ Viu há 
um segundo/ Tudo muda o tempo todo/ No 
mundo [...]”. 
Filósofos que corroboram estas teses são: 
Tales de Mileto que afirmava que a água era o 
princípio da realidade, pois estava em 
constante fluxo; Anaxímenes que afirmava que 
o ar era o princípio vital, pois estava em 
constante movimento; e Heráclito que colocava 
o fogo como elemento central, pois ele 
representava transformação constante de 
realidade. 
Em relação às demais as concepções 
expressas nas alternativas restantes: a estática 
era defendida por Zenão: a infinitude era 
defendida por Anaximandro, a desordem era 
defendida por Empédocles e a multiplicidade 
era defendida por Empédocles. Estas 
concepções não se relacionavam com o 
conceito de mutabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
FILOSOFIA ANTIGA – SÓCRATES 
 
QUESTÃO 01 
(Ufu 2017) 
 
A respeito do método de Sócrates, assinale a 
alternativa que apresenta a definição correta de 
maiêutica. 
 
A) Um método sintético, que ignora a 
argumentação dos interlocutores e 
prontamente define o que é o objeto em 
discussão. 
B) Uma estratégia sofística, que é empregada 
para educar a juventude na prática da 
retórica, visando apenas ao ornamento do 
discurso. 
C) Um método analítico, que interroga a 
respeito daquilo que é tido como a 
verdadeira justiça, o verdadeiro belo, o 
verdadeiro bem. 
D) Uma iluminação divina, que deposita na 
mente do filósofo o conhecimento profundo 
das coisas da natureza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Upe-ssa 1 2017) 
 
O exemplo dos filósofos gregos nos deixou 
uma grande lição: nunca se conformar com as 
estruturas existentes como se fossem as únicas 
possíveis. Quem quer ser criativo no seu 
momento histórico deve refletir atenta e 
criticamente: é preciso filosofar. Filosofar é 
preciso para participar criativamente da luta 
pela humanização. 
CORDI, Cassiano e Outros. Para Filosofar, 2000, p. 
18. 
 
No tocante ao pensamento grego, assinale a 
alternativa CORRETA. 
 
A) No pensamento grego, o diálogo foi o 
exercício da filosofia de Sócrates para 
expandir um projeto de humanização. 
B) No pensamento grego, a busca pelo bem na 
vida em sociedade estaria dissociada da 
criticidade. 
C) Filosofar é refletir as estruturas existentes; o 
bem e a verdade seriam separáveis do ato de 
humanização. 
D) No pensamento grego, o conhecimento deve 
estar atrelado às impressões sensoriais; ser 
criativo é permanecer na esfera da opinião. 
E) A dimensão relacional entre o conceito e a 
realidade tem valor secundário na esfera 
crítica da filosofia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
QUESTÃO 03 
(UCS 2017) 
Sócrates, um dos maiores expoentes da 
Filosofia, não deixou nada escrito. Foram as 
obras de Platão, seu principal discípulo, as 
responsáveis por quase tudo que se sabe sobre 
suas ideias e sua personalidade. Sócrates foi o 
primeiro dos três grandes filósofos gregos que 
estabeleceu as bases do pensamento ocidental 
(os outros dois foram Platão e Aristóteles). 
Sócrates nasceu em Atenas, porvolta de 470 
a.C., e conduziu a transição do pensamento dos 
antigos cosmologistas gregos, que viviam 
refletindo sobre a origem do universo, para 
preocupações maiores com a ética e a 
existência humana. 
 <http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-
foi-socrates/>. Acesso em: 27 mar. 17. 
Sobre os filósofos citados no texto, assinale a 
alternativa correta. 
 
A) Sócrates não concorda com a ação dos 
sofistas para os quais a verdade dependia de 
como se falava e convencia-se. Para ele, a 
prática sofista criava apenas uma aparência 
de conhecimento (doxa) não recordando a 
verdade (alétheia). 
B) Sócrates entende que o homem produz, ou 
seja, cria a verdade e o conhecimento através 
do uso da palavra. Daí sua proposta ser 
conhecida como maiêutica (maieutiké). 
C) Aristóteles afirma que o ser humano, por ser 
dotado de sentidos, busca a realização dos 
prazeres e da felicidade (eudaimonia), ou 
seja, do Bem, e, para isso, os sentidos têm 
função fundamental, pois é somente por 
meio da sensibilidade que o homem pode 
atingir o Bem. 
D) Platão acredita que existe um mundo além 
deste, um mundo metafísico, ao qual deu o 
nome de Mundo Ideal. Para ele, os sentidos 
informam a respeito do Mundo Ideal, 
enquanto que o pensamento revela sobre o 
Mundo Material. 
E) Platão mostra uma desvalorização do Mundo 
Inteligível, colocando-o como secundário em 
relação ao Mundo Sensível. Para ele, as ideias 
podem deixar de existir, uma vez que 
mudanças no mundo Material/Sensível 
também as afetam. 
QUESTÃO 04 
(Uea 2014) 
O sofista é um diálogo de Platão do qual 
participam Sócrates, um estrangeiro e outros 
personagens. Logo no início do diálogo, 
Sócrates pergunta ao estrangeiro, a que 
método ele gostaria de recorrer para definir o 
que é um sofista. 
 Sócrates: – Mas dize-nos [se] 
preferes desenvolver toda a tese que queres 
demonstrar, numa longa exposição ou 
empregar o método interrogativo? 
 Estrangeiro: – Com um parceiro 
assim agradável e dócil, Sócrates, o método 
mais fácil é esse mesmo; com um interlocutor. 
Do contrário, valeria mais a pena argumentar 
apenas para si mesmo. 
(Platão. O sofista, 1970. Adaptado.) 
 
É correto afirmar que o interlocutor de 
Sócrates escolheu, do ponto de vista 
metodológico, adotar 
 
A) a maiêutica, que pressupõe a contraposição 
dos argumentos. 
B) a dialética, que une numa síntese final as 
teses dos contendores. 
C) o empirismo, que acredita ser possível chegar 
ao saber por meio dos sentidos. 
D) o apriorismo, que funda a eficácia da razão 
humana na prova de existência de Deus. 
E) o dualismo, que resulta no ceticismo sobre a 
possibilidade do saber humano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
QUESTÃO 05 
(Unicamp 2013) 
 
A sabedoria de Sócrates, filósofo ateniense 
que viveu no século V a.C., encontra o seu ponto 
de partida na afirmação “sei que nada sei”, 
registrada na obra Apologia de Sócrates. A frase 
foi uma resposta aos que afirmavam que ele era 
o mais sábio dos homens. Após interrogar 
artesãos, políticos e poetas, Sócrates chegou à 
conclusão de que ele se diferenciava dos 
demais por reconhecer a sua própria 
ignorância. 
 
O “sei que nada sei” é um ponto de partida 
para a Filosofia, pois 
 
A) aquele que se reconhece como ignorante 
torna-se mais sábio por querer adquirir 
conhecimentos. 
B) é um exercício de humildade diante da 
cultura dos sábios do passado, uma vez que a 
função da Filosofia era reproduzir os 
ensinamentos dos filósofos gregos. 
C) a dúvida é uma condição para o aprendizado 
e a Filosofia é o saber que estabelece 
verdades dogmáticas a partir de métodos 
rigorosos. 
D) é uma forma de declarar ignorância e 
permanecer distante dos problemas 
concretos, preocupando-se apenas com 
causas abstratas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 06 
(Ufu 2013) 
 
O diálogo socrático de Platão é obra baseada 
em um sucesso histórico: no fato de Sócrates 
ministrar os seus ensinamentos sob a forma de 
perguntas e respostas. Sócrates considerava o 
diálogo como a forma por excelência do 
exercício filosófico e o único caminho para 
chegarmos a alguma verdade legítima. 
 
De acordo com a doutrina socrática, 
 
A) a busca pela essência do bem está vinculada 
a uma visão antropocêntrica da filosofia. 
B) é a natureza, o cosmos, a base firme da 
especulação filosófica. 
C) o exame antropológico deriva da 
impossibilidade do autoconhecimento e é, 
portanto, de natureza sofística. 
D) a impossibilidade de responder (aporia) aos 
dilemas humanos é sanada pelo homem, 
medida de todas as coisas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
QUESTÃO 07 
(Ufu 2012) 
 
Leia o trecho abaixo, que se encontra na 
Apologia de Sócrates de Platão e traz algumas 
das concepções filosóficas defendidas pelo seu 
mestre. 
 
Com efeito, senhores, temer a morte é o 
mesmo que se supor sábio quem não o é, 
porque é supor que sabe o que não sabe. 
Ninguém sabe o que é a morte, nem se, 
porventura, será para o homem o maior dos 
bens; todos a temem, como se soubessem ser 
ela o maior dos males. A ignorância mais 
condenável não é essa de supor saber o que não 
se sabe? 
Platão, A Apologia de Sócrates, 29 a-b, In. HADOT, P. 
O que é a Filosofia Antiga? São Paulo: Ed. Loyola, 1999, 
p. 61. 
 
Com base no trecho acima e na filosofia de 
Sócrates, assinale a alternativa INCORRETA. 
 
A) Sócrates prefere a morte a ter que renunciar 
a sua missão, qual seja: buscar, por meio da 
filosofia, a verdade, para além da mera 
aparência do saber. 
B) Sócrates leva o seu interlocutor a examinar-
se, fazendo-o tomar consciência das 
contradições que traz consigo. 
C) Para Sócrates, pior do que a morte é admitir 
aos outros que nada se sabe. Deve-se evitar 
a ignorância a todo custo, ainda que 
defendendo uma opinião não devidamente 
examinada. 
D) Para Sócrates, o verdadeiro sábio é aquele 
que, colocado diante da própria ignorância, 
admite que nada sabe. Admitir o não-saber, 
quando não se sabe, define o sábio, segundo 
a concepção socrática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 08 
(Unicentro 2012) 
 
Sobre o pensamento socrático, analise as 
afirmativas e marque com V, as verdadeiras e 
com F, as falsas. 
 
( ) Sócrates é autor da obra Ética a Nicômaco. 
( ) O pensamento socrático está escrito em 
hebraico. 
( ) A ironia e a maiêutica são as bases de sua 
filosofia. 
( ) Sócrates não criticou o saber dogmático, 
sendo, por isso, conselheiro dos 
governantes de Atenas. 
( ) Os diálogos platônicos são importantes 
textos filosóficos que relatam, na 
maioria, o pensamento de Sócrates. 
 
A partir da análise dessas afirmativas, a 
alternativa que indica a sequência correta, de 
cima para baixo, é a 
 
A) F V F V V 
B) V F V V F 
C) F F V F V 
D) V F F F V 
E) F V V V F 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
QUESTÃO 09 
(Uncisal 2011) 
 
Na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates ficou 
famoso por interpelar os transeuntes e fazer 
perguntas aos que se achavam conhecedores de 
determinado assunto. Mas durante o diálogo, 
Sócrates colocava o interlocutor em situação 
delicada, levando-o a reconhecer sua própria 
ignorância. Em virtude de sua atuação, Sócrates 
acabou sendo condenado à morte sob a 
acusação de corromper a juventude, 
desobedecer às leis da cidade e desrespeitar 
certos valores religiosos. Considerando essas 
informações sobre a vida de Sócrates, assim 
como a forma pela qual seu pensamento foi 
transmitido, pode-se afirmar que sua filosofia 
 
A) transmitia conhecimentos de natureza 
científica. 
B) baseava-se em uma contemplação passiva da 
realidade. 
C) transmitia conhecimentos exclusivamente 
sob a forma escrita entre a população 
ateniense. 
D) ficou consagrada sob a forma de diálogos, 
posteriormente redigidos pelo filósofo 
Platão. 
E) procurava transmitir às pessoas 
conhecimentos de naturezamitológica. 
 
 
QUESTÃO 10 
(Unimontesl 2011) 
 
Lembremos a figura de Sócrates. Dizem que 
era um homem feio, mas, quando falava, 
exercia estranho fascínio. Podemos atribuir a 
Sócrates duas maneiras de se chegar ao 
conhecimento. Essas duas maneiras são 
denominadas de 
 
A) doxa e ironia. 
B) ironia e maiêutica. 
C) maiêutica e doxa. 
D) maiêutica e episteme. 
 
 
QUESTÃO 11 
(Unicentro 2010) 
 
Após as primeiras discussões dos filósofos 
“pré-socráticos” no século VI a.C. (período 
cosmológico), surge outro movimento muito 
importante na história da filosofia. Passa a ser 
abordado uma nova modalidade de problemas 
e discussões (período antropológico), e assim 
teremos não só as figuras principais do novo 
cenário da filosofia grega, mas de toda a história 
da razão ocidental: Sócrates, Platão e 
Aristóteles. Com Sócrates, a filosofia ganha uma 
nova “roupagem”. Sócrates viveu em Atenas no 
momento de apogeu da cultura grega, o 
chamado período clássico (séculos V e IV a.C.), 
fase de grande expressão na política, nas artes, 
na literatura e na filosofia. O que há de mais 
forte na filosofia de Sócrates é o seu método e 
a maneira pela qual ele buscava discutir os 
problemas relacionados à filosofia. 
 
A partir desta informação, e de seus 
conhecimentos sobre a filosofia socrática, 
analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas. 
 
I. Sócrates sempre buscava pessoas em praça 
pública para dialogar e questionar sobre a 
realidade de seu tempo. 
II. A célebre frase de Sócrates, que 
caracterizava parte de seu método é: “só sei 
que nada sei”, por isso questionava as ideias 
de seus interlocutores. 
III. Sócrates oferecia grande importância às 
experiências sensíveis, o que caracterizou 
fortemente o seu método filosófico. 
IV. Para fazer com que os seus interlocutores 
enxergassem a verdade por si próprios, 
Sócrates elaborou um método composto de 
duas partes centrais: a ironia e a maiêutica. 
 
A) Apenas I e II estão corretas. 
B) Apenas I, II e IV estão corretas. 
C) Apenas III e IV estão corretas. 
D) Apenas I, II e III estão corretas. 
E) Apenas I e IV estão corretas. 
 
 
 
 
 
 
 
21 
QUESTÃO 12 
(Ueg 2010) 
 
A Grécia foi o berço da filosofia, destacando-
se pela presença dos filósofos que pensaram o 
mundo em que viveram utilizando a ferramenta 
da razão. O período da história grega e o 
filósofo que afirmou que “só sei que nada sei” 
foram respectivamente o 
 
A) período pós-clássico e Sócrates. 
B) período helenístico e Platão. 
C) período clássico e Sócrates. 
D) período clássico e Platão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 13 
(Ufu 2010) 
 
Em um importante trecho da sua obra 
Metafísica, Aristóteles se refere a Sócrates nos 
seguintes termos: 
Sócrates ocupava-se de questões éticas 
e não da natureza em sua totalidade, mas 
buscava o universal no âmbito daquelas 
questões, tendo sido o primeiro a fixar a 
atenção nas definições. 
Aristóteles. Metafísica, A6, 987b 1-3. 
Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: 
Loyola, 2002. 
Com base na filosofia de Sócrates e no 
trecho supracitado, assinale a alternativa 
correta. 
 
A) O método utilizado por Sócrates consistia em 
um exercício dialético, cujo objetivo era livrar 
o seu interlocutor do erro e do preconceito − 
com o prévio reconhecimento da própria 
ignorância −, e levá-lo a formular conceitos 
de validade universal (definições). 
B) Sócrates era, na verdade, um filósofo da 
natureza. Para ele, a investigação filosófica é 
a busca pela “Arché”, pelo princípio supremo 
do Cosmos. Por isso, o método socrático era 
idêntico aos utilizados pelos filósofos que o 
antecederam (Pré-socráticos). 
C) O método socrático era empregado 
simplesmente para ridicularizar os homens, 
colocando-os diante da própria ignorância. 
Para Sócrates, conceitos universais são 
inatingíveis para o homem; por isso, para ele, 
as definições são sempre relativas e 
subjetivas, algo que ele confirmou com a 
máxima “o Homem é a medida de todas as 
coisas”. 
D) Sócrates desejava melhorar os seus 
concidadãos por meio da investigação 
filosófica. Para ele, isso implica não buscar “o 
que é”, mas aperfeiçoar “o que parece ser”. 
Por isso, diz o filósofo, o fundamento da vida 
moral é, em última instância, o egoísmo, ou 
seja, o que é o bem para o indivíduo num 
dado momento de sua existência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
QUESTÃO 14 
(Unioeste 2010) 
 
O Oráculo de Delfos teria declarado que 
Sócrates (470-399 a.C.) era o mais sábio dos 
homens. Essa profecia marcou decisivamente a 
concepção socrática de Filosofia, pois sua 
verdade não era óbvia: “Logo ele, sem qualquer 
especialização, ele que estava ciente de sua 
ignorância? Logo ele, numa cidade [Atenas] 
repleta de artistas, oradores, políticos, 
artesãos? Sócrates parece ter meditado 
bastante tempo, buscando o significado das 
palavras da pitonisa. Afinal concluiu que sua 
sabedoria só poderia ser aquela de saber que 
nada sabia, essa consciência da ignorância 
sobre as coisas que era sinal e começo da 
autoconsciência.” 
 (J. A. M. Pessanha) 
Sobre a filosofia de Sócrates, é incorreto 
afirmar que 
 
A) a filosofia de Sócrates consiste em buscar a 
verdade, aceitando as opiniões 
contraditórias dos homens; quanto mais 
importante era a posição social de um 
homem, mais verdadeira era sua opinião. 
B) a sabedoria de Sócrates está em saber que 
nada sabe, enquanto os homens em geral 
estão impregnados de preconceitos e noções 
incorretas, e não se dão conta disso. 
C) o reconhecimento da própria ignorância é o 
primeiro passo para a sabedoria, pois, assim, 
podemos nos livrar dos preconceitos e abrir 
caminho para a verdade. 
D) após muito questionar os valores e as 
certezas vigentes, Sócrates foi acusado de 
não respeitar os deuses oficiais (impiedade) e 
corromper a juventude; foi julgado e 
condenado à morte por ingestão de cicuta. 
E) o caminho socrático para a sabedoria deve 
ser trilhado pelo próprio indivíduo, que deve 
por ele mesmo reconhecer seus preconceitos 
e opiniões, rejeitá-los e, através da razão, 
atingir a verdade imutável. 
 
 
QUESTÃO 15 
(Ufu 2009) 
 
Marque a alternativa que expressa 
corretamente o pensamento de Sócrates. 
 
A) Sócrates estabelece uma ligação muito 
estreita entre o conhecimento da virtude e a 
ação humana, a ponto de sustentar que 
aquele que conhece o que é o correto não 
pode agir erroneamente, visto que o erro de 
conduta é fruto da ignorância sobre a 
verdade. 
B) O fim último do método dialético socrático 
era a refutação do seu interlocutor. Assim 
sendo, é legítimo afirmar que o 
reconhecimento da própria ignorância 
equivale à constatação de que a verdade é 
relativa a cada indivíduo. 
C) Sócrates é considerado um divisor de águas 
na Filosofia graças a sua teoria ética sobre a 
imobilidade do Ser. Por isso, sua missão 
sempre foi a investigação de um fundamento 
absoluto da moral. 
D) Sócrates fazia uso de um método refutativo 
de investigação, o que significa que seu 
principal intento era levar o interlocutor à 
contradição, independentemente se o último 
estivesse ou não com a razão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
QUESTÃO 16 
(Enem PPL 2009) 
 
Tomemos o exemplo de Sócrates: é 
precisamente ele quem interpela as pessoas na 
rua, os jovens no ginásio, perguntando: “Tu te 
ocupas de ti?” O deus o encarregou disso, é sua 
missão, e ele não a abandonará, mesmo no 
momento em que for ameaçado de morte. Ele é 
certamente o homem que cuida do cuidado dos 
outros: esta é a posição particular do filósofo. 
FOUCAULT, M. Ditos e escritos. Rio de Janeiro: 
Forense Universitária, 2004. 
 
O fragmento evoca o seguinte princípio 
moral da filosofia socrática, presente em sua 
ação dialógica: 
 
A) Examinar a própria vida. 
B) Ironizar o seu oponente. 
C) Sofismar com a verdade. 
D) Debater visandoa aporia. 
E) Desprezar a virtude alheia. 
 
 
QUESTÃO 17 
(Uel 2018) 
 
Sócrates, Giordano Bruno e Galileu foram 
pensadores que defenderam a liberdade de 
pensamento frente às restrições impostas pela 
tradição. Na Apologia de Sócrates, a acusação 
contra o filósofo é assim enunciada: 
 
Sócrates [...] é culpado de corromper os 
moços e não acreditar nos deuses que a cidade 
admite, além de aceitar divindades novas (24b-
c). 
 
Ao final do escrito de Platão, Sócrates diz aos 
juízes: 
 
Mas, está na hora de nos irmos: eu, para 
morrer; vós, para viver. A quem tocou a melhor 
parte, é o que nenhum de nós pode saber, 
exceto a divindade. (42a). 
 
(PLATÃO. Apologia de Sócrates. Trad. Carlos Alberto Nunes. 
Belém: EDUFPA, 2001. p. 122-23; 147.) 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre a disputa entre filosofia e tradição 
presente na condenação de Sócrates, assinale a 
alternativa correta. 
 
A) O desprezo socrático pela vida, implícito na 
resignação à sua pena, é reforçado pelo 
reconhecimento da soberania do poder dos 
juízes. 
B) A aceitação do veredito dos juízes que o 
condenaram à morte evidencia que Sócrates 
consentiu com os argumentos dos 
acusadores. 
C) A acusação a Sócrates pauta-se na 
identificação da insuficiência dos seus 
argumentos, e a corrupção que provoca 
resulta das contradições do seu pensamento. 
D) A crítica de Sócrates à tradição sustenta-se 
no repúdio às instituições que devem ser 
abandonadas em benefício da liberdade de 
pensamento. 
E) A sentença de morte foi aceita por Sócrates 
porque morrer não é um mal em si e o livre 
pensar permite apreender essa verdade. 
 
QUESTÃO 18 
(Upe-ssa 2 2017) 
 
Sobre Filosofia e Reflexão, considere o texto 
a seguir: 
 
Sobre a Filosofia e Reflexão 
Exprimir-se-á bem a ideia de que a filosofia é 
procura e não posse, definindo o trabalho 
filosófico como um trabalho de reflexão. O 
modelo de reflexão filosófica – e ao mesmo 
tempo seu exemplo mais acessível – é a “ironia” 
socrática. 
HUISMAN, Denis; VERGEZ, André. Compêndio 
Moderno de Filosofia, 1987, p. 25. 
 
O autor acima enfatiza o exemplo sobre 
Filosofia e Reflexão: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
A) no ato de interrogar os interlocutores, 
Sócrates expressava sua atitude reflexiva. 
B) a reflexão filosófica se inicia na consciência e 
na posse do saber. 
C) a reflexão filosófica nos faz refletir ao ensinar 
sua opinião com certeza irrefutável. 
D) na reflexão filosófica, Sócrates expressava 
sua opinião como verdadeira. 
E) ao perguntar, Sócrates delimitava o modelo 
e a posse da sabedoria. 
 
 
QUESTÃO 19 
(Enem 2017) 
 
Uma conversação de tal natureza transforma 
o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e 
embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a 
imprimir à atenção uma direção incomum: os 
temperamentais, como Alcibíades, sabem que 
encontrarão junto dele todo o bem de que são 
capazes, mas fogem porque receiam essa 
influência poderosa, que os leva a se 
censurarem. E sobretudo a esses jovens, muitos 
quase crianças, que ele tenta imprimir sua 
orientação. 
BRÉHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre 
Jou, 1977. 
 
O texto evidencia características do modo de 
vida socrático, que se baseava na 
 
A) contemplação da tradição mítica. 
B) sustentação do método dialético. 
C) relativização do saber verdadeiro. 
D) valorização da argumentação retórica. 
E) investigação dos fundamentos da natureza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 20 
(Upe-ssa 2 2017) 
 
Sobre a temática da Filosofia na História, 
analise o texto a seguir: 
 
Há, pois, uma inseparável conexão entre 
filosofia e história da filosofia. A filosofia é 
histórica, e sua história lhe pertence 
essencialmente. E, por outra parte, a história da 
filosofia não é uma mera informação erudita 
acerca das opiniões dos filósofos. Senão que é a 
exposição verdadeira do conteúdo real da 
filosofia. É, pois, com todo rigor, filosofia. A 
filosofia não se esgota em nenhum de seus 
sistemas, senão que consiste na história efetiva 
de todos eles. 
MARIAS, Julián. Historia de la Filosofia. Madrid, 1956, 
p. 5. 
 
Assim, é CORRETO afirmar que, na tradição 
histórica da filosofia, 
 
A) o racionalismo e o empirismo têm estritas 
relações com a solução integral do problema 
da vida na religião. 
B) os naturalistas pré-socráticos se 
preocuparam exclusivamente com a 
subjetividade e a matéria religiosa. 
C) o famoso lema “conhece-te a ti mesmo – 
torna-te consciente de tua ignorância” 
caracterizou o pensamento filosófico de 
Sócrates. 
D) o período da filosofia moderna é conhecido 
por se preocupar com as verdades reveladas. 
E) o período medieval teve como preocupação 
central a singularidade em relação ao sujeito 
do conhecimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
QUESTÃO 21 
(PUC PR 2017) 
 
Na primeira parte da Apologia de Sócrates, 
escrita por Platão, Sócrates apresenta a sua 
defesa diante dos cidadãos atenienses, 
afirmando que: “(...) considerai o seguinte e só 
prestai atenção a isto: se o que digo é justo ou 
não. Essa de fato é a virtude do juiz, do orador 
(...)” 
(PLATÃO, 2000\2003, p.4). 
 
A partir da análise do fragmento, qual é, 
segundo Sócrates, a virtude do juiz, do orador, 
a que se refere o texto em questão? 
 
A) Lidar com a mentira. 
B) Dizer a verdade. 
C) Tergiversar a verdade. 
D) Convencer-se das acusações. 
E) É deixar-se guiar somente pela defesa. 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[C] 
Para Sócrates, a prática da maiêutica 
consistia na busca pela verdade através do 
diálogo, em forma de perguntas. Para se chegar 
à verdadeira compreensão sobre qualquer 
coisa, o primeiro passo seria o reconhecimento 
da própria ignorância sobre aquilo que se 
deseja refletir, sendo o conhecimento 
verdadeiro construído a partir de perguntas e 
respostas. A maiêutica, então, seria um método 
analítico baseado na investigação de conceitos 
tradicionalmente aceitos como verdadeiros, à 
exemplo da justiça, do belo e do bem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[A] 
Para Sócrates, o diálogo era o caminho 
racional para se chegar ao conhecimento da 
verdade, livrando os indivíduos dos males e 
inconsistências que caracterizavam a existência 
comum, uma vez que levaria à moralidade e à 
elevação da “alma” humana. Nesse sentido, o 
projeto de humanização proporcionada pela 
filosofia, na perspectiva socrática, passa pelo 
diálogo filosófico. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[A] 
Segundo Sócrates, a ideia é o princípio da 
realidade, sendo ela universal, conceitual e 
abstrata, o que a tornaria também única e 
imutável, enquanto a materialidade seria 
aparente, ou seja, seria uma “sombra” ilusória 
da sua verdadeira essência. Desse modo, o 
pensamento socrático considera que a opinião 
é individual e relativa, enquanto os conceitos 
são universais, ou seja, são válidos em qualquer 
situação. Esse pensamento vai de encontro ao 
posicionamento dos sofistas, para os quais não 
existiria nenhuma verdade absoluta, não sendo 
possível conhecer nada com certeza. Assim, 
para eles, a retórica assumia uma importância 
fundamental nos debates. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[A] 
 
Platão, influenciado fortemente por 
Sócrates, apresenta em seus diálogos a 
metodologia de seu mestre para empreender a 
busca da verdade. O método socrático constrói-
se a partir de perguntas e respostas (dialética) 
que levam o interlocutor, que não possua 
conhecimento e coerência sobre o que está 
falando, a contradizer-se e acabar por revelar 
sua ignorância. A partir deste momento inicia-
se outra construção que conduz o interlocutor 
a descobrir a verdade de forma gradativa e 
coerente. Este método que busca a construção 
da verdade por meio da contraposição de 
argumentos é conhecido como maiêutica. 
 
 
 
 
 
 
 
26 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[A] 
Primeiramente, o ponto de partida da 
filosofia socrática não é a afirmação“sei que 
nada sei”, mas sim a palavra do oráculo de 
Delfos (dedicado a Apolo) que afirmou para 
Sócrates ser ele o homem mais sábio de todos. 
Sócrates não duvidou da palavra do Deus e 
partiu em busca da compreensão das palavras 
divinas. Interrogando outras pessoas, Sócrates 
percebeu que apesar de ele não possuir 
conhecimento sobre as coisas, possuía 
conhecimento sobre sua própria ignorância, 
algo que todos os outros homens não possuíam. 
A ignorância sobre o que significava a palavra 
divina o fez ir atrás do conhecimento sobre si 
mesmo. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[A] 
É um tanto complicado dizer que Sócrates 
ministrava aulas com a finalidade de 
transmissão dos seus conhecimentos, pois 
como é sabido o filósofo se gabava de ser um 
parteiro de ideias (cf. Teeteto). Isso nos leva 
necessariamente à consideração de que o 
conhecimento era do interlocutor e o seu 
trabalho consistia em fazer isto ser concebido. 
Esta afirmação: “a busca pela essência do 
bem está vinculada a uma visão antropocêntrica 
da filosofia”, necessita de referência precisa, 
pois há uma mistura de termos antigos e 
modernos que cria um anacronismo inaceitável. 
Todavia, até onde conseguimos percebemos, a 
intenção da alternativa é ressaltar que os pré-
socráticos mantinham pesquisas preocupadas 
com o conhecimento da natureza, enquanto 
Sócrates possuía como grande tema o 
conhecimento de si. Essa noção é parcialmente 
verdadeira, pois nem os pré-socráticos eram 
simplesmente preocupados com o “mundo 
objetivo”, nem Sócrates era simplesmente 
preocupado com o “mundo subjetivo”. A 
natureza, o cosmos, possui enorme importância 
para a filosofia desenvolvida por Platão; 
podemos observar isso na leitura da República 
(Livro VI, por exemplo). 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
[C] 
O lema da filosofia socrática é: conheça-te a 
ti mesmo; e como o próprio Sócrates diz na sua 
Apologia: “a vida sem inspeção não vale a pena 
ser vivida pelo homem”. Seguindo esse lema e 
essas palavras, podemos dizer que o 
pensamento de Sócrates se desenvolve como 
uma investigação metódica cuja única 
finalidade é esclarecer através deste exame 
minucioso a ignorância daquele que diz saber 
sem, todavia, saber realmente. O segredo dessa 
investigação metódica (a dialética) de Sócrates 
está no conceito de ironia que garante para 
cada interlocutor um discurso particular a 
respeito das suas suposições sobre seu próprio 
conhecimento. Por esse discurso, o filósofo 
esclarece seu interlocutor sobre sua ignorância 
e o faz assumir, ou pelo menos considerar a 
possibilidade de uma postura distinta da inicial, 
mais elevada, mais sábia e, portanto, capaz de 
se reconhecer a si mesmo. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[C] 
A sequência correta está apresentada na 
alternativa [C]. Quem escreveu Ética a 
Nicômaco foi Aristóteles e não Sócrates. O 
pensamento socrático está escrito em grego, 
língua dos filósofos do período. Sócrates 
criticou sim o saber dogmático. Ele o fez através 
da sua prática de indagar as pessoas a respeito 
de suas certezas. Sendo assim, as afirmativas 
falsas são a primeira, a segunda e a quarta. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[D] 
O método socrático de interpelar seus 
interlocutores cria um diálogo que os conduzirá 
ao “parto das ideias” (maiêutica). Sendo assim, 
somente a alternativa [D] está correta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[B] 
O método socrático em busca da verdade 
constituía-se de duas fases. Em um primeiro 
momento (ironia), Sócrates questionava seu 
interlocutor a fim de fazê-lo cair em contradição 
e fazê-lo perceber a limitação de seus pré-
conceitos. No segundo momento (maiêutica), 
Sócrates procurava induzir o interlocutor ao 
conhecimento mediante o parto de novos 
conceitos, que seriam estes sim verdadeiros. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[B] 
Questão muito bem formulada. O método 
socrático tem como objetivo que seus 
interlocutores cheguem à maiêutica, ou seja, ao 
“parto das ideias”. Para isso, Sócrates parte da 
ironia, para que os interlocutores tomem conta 
da falsidade de suas crenças. Tal método era 
utilizado por Sócrates em praça pública, como 
bem afirma a assertiva I. Sendo assim, podemos 
dizer que todas as assertivas estão corretas, 
com exceção da III. Sócrates atenta para o 
perigo das ideias sensíveis. Isso pode ser 
percebido no “Mito da Caverna”, onde 
Sócrates, discutindo com Glauco, afirma que os 
objetos conhecidos pelos homens podem ser, 
na realidade, sombras de objetos reais. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[C] 
 
Somente a alternativa C é correta. A frase é 
de Sócrates, um pensador do período clássico 
grego. A afirmação “só sei que nada sei” 
relaciona-se com a aporia do método socrático, 
que é o momento no qual o interlocutor se dá 
conta de sua ignorância. Para Sócrates, este 
autoconhecimento era essencial para a 
construção do conhecimento. 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[A] 
O método dialético de Sócrates levava, em 
linhas gerais, seus interlocutores a darem conta 
de si mesmos a ponto de muitas vezes Sócrates 
fingir acolher como próprios os métodos do 
interlocutor, especialmente quando eram 
homens de cultura para assim, derrubá-los com 
a mesma lógica que lhes oferecia a fim de 
agarrá-los em contradição. Reconhecendo-se 
sempre ignorante – “só sei que nada sei” – 
fazia-se uma espécie de parteiro das almas 
trazendo sempre à luz aquilo que seus 
interlocutores não sabiam. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[A] 
A alternativa [A] contraria todas as outras. A 
verdade em nada se relaciona com a 
importância de determinados homens. Para os 
homens se tornarem sábios, devem trilhar o 
caminho da filosofia, perceber a contradição de 
suas ideias e passar a buscar a verdade. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[A] 
O objetivo do pensamento socrático é 
conduzir o interlocutor à verdade, e não 
somente refutá-lo ou fazê-lo chegar à 
consciência da própria ignorância. A ideia de 
imobilidade do Ser é de Parmênides, e não de 
Sócrates. Sendo assim, somente a alternativa 
[A] é correta. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[A] 
O cuidado de si está vinculado ao princípio 
da moral socrática de exame da própria vida, 
expresso na alternativa [A]. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[E] 
De acordo com a filosofia socrática, a vida no 
mundo sensível afasta a alma do conhecimento 
verdadeiro e imutável, apenas disponíveis no 
mundo das ideias puras. Para Sócrates, os 
filósofos estão preparados para o processo da 
morte, pois desejam atingir o conhecimento na 
sua forma pura, o que só seria possível a partir 
do afastamento do mundo material, ideia 
presente na alternativa [E]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18: 
[A] 
Ao identificar a prática filosófica como o 
processo de busca pelo conhecimento através 
da atividade reflexiva, o autor do texto enfatiza 
o método socrático da “ironia” como um 
modelo fundamental dessa perspectiva da 
prática filosófica, uma vez que esse método 
consistia na indução da reflexão a partir de 
questionamentos direcionados aos 
interlocutores. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19: 
[B] 
 O método socrático é também conhecido 
como método dialético. Fazendo perguntas a 
seu interlocutor, Sócrates tinha a intenção que 
de que este chegasse a um estado de aporia, 
para depois poder gerar às suas próprias ideias 
das coisas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20: 
[C] 
O aluno deve identificar que apenas a 
alternativa [C] apresenta uma informação 
correta, a partir do conhecimento acerca da 
filosofia socrática, cujos fundamentos do 
autoconhecimento e do reconhecimento da 
própria ignorância como condições para a 
obtenção do verdadeiro conhecimento são 
centrais 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21: 
[B] 
Para Sócrates, a ação virtuosa tem como 
pressuposto a consciência do agente moral. Ou 
seja, é virtuoso e ético o indivíduo que conhece 
a origem de suas ações e da finalidade das 
mesmas. Assim, aquele que conhece o que é 
bom e justo, só pode agir virtuosamente. Nessesentido, a virtude do juiz seria, segundo 
Sócrates, avaliar se o que está sendo defendido 
é justo ou não, dizendo, a partir dessa 
percepção, a verdade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
FILOSOFIA ANTIGA – PLATÃO 
 
QUESTÃO 01 
(Uepa 2015) 
 
Leia o texto para responder à questão. 
 
Platão: 
A massa popular é assimilável por natureza a 
um animal escravo de suas paixões e de seus 
interesses passageiros, sensível à lisonja, 
inconstante em seus amores e seus ódios; 
confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser 
incapaz da menor reflexão e do menor rigor. 
Quanto às pretensas discussões na Assembleia, 
são apenas disputas contrapondo opiniões 
subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e 
lacunas traduzem bastante bem o seu caráter 
insuficiente. 
(Citado por: CHATELET, F. História das 
Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 
17) 
 
Os argumentos de Platão, filósofo grego da 
antiguidade, evidenciam uma forte crítica à: 
 
A) oligarquia. 
B) república. 
C) democracia. 
D) monarquia. 
E) plutocracia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Uece 2019) 
Atente para as seguintes citações: 
 
“Temos assim três virtudes que foram 
descobertas na nossa cidade: sabedoria, 
coragem e moderação para os chefes; coragem 
e moderação para os guardas; moderação para 
o povo. No que diz respeito à quarta, pela qual 
esta cidade também participa na virtude, que 
poderá ser? É evidente que é a justiça” 
 (Platão, Rep., 432b). 
 
“O princípio que de entrada estabelecemos 
que se devia observar em todas as 
circunstâncias quando fundamos a cidade, esse 
princípio é, segundo me parece, ou ele ou uma 
de suas formas, a justiça. Ora, nós 
estabelecemos, segundo suponho, e repetimo-
lo muitas vezes, se bem te lembras, que cada 
um deve ocupar-se de uma função na cidade, 
aquela para a qual a sua natureza é mais 
adequada” 
(Platão, Rep., 433a). 
 
Considerando a teoria platônica das 
virtudes, escreva V ou F conforme seja 
verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir: 
 
( ) Nessa teoria das virtudes, cada grupo 
desenvolve a(s) virtude(s) que lhe é (ou 
são) própria(s). 
( ) Só pode ser justa a cidade em que os 
grupos que dela participam e nela agem o 
fazem de acordo com sua natureza. 
( ) Quando sabedoria, coragem e moderação 
se realizam de modo adequado, temos a 
justiça. 
( ) Existe uma relação entre a natureza dos 
indivíduos, o grupo de que devem fazer 
parte na cidade, as virtudes que lhes são 
adequadas e, em consequência, a função 
que nela devem desempenhar. 
 
A sequência correta, de cima para baixo, é: 
 
A) V, V, V, V. 
B) V, F, F, V. 
C) F, F, V, F. 
D) F, V, F, F. 
 
 
 
 
 
 
 
30 
QUESTÃO 03 
(Ueg 2019) 
 
Considerando a história contada por Platão 
no livro VII da República, mais conhecida como 
Mito da Caverna, podemos deduzir que: 
 
A) o homem, apesar de nascer bom, puro e de 
posse da verdade, pode desviar-se e passar a 
acreditar em outro mundo mais perfeito de 
puras ideias. 
B) não podemos confiar apenas na razão, pois 
somente guiados pelos sentimentos e 
testemunhos dos sentidos poderemos 
alcançar a verdade. 
C) a caverna, na alegoria platônica, representa 
tudo aquilo que impede o surgimento da 
consciência filosófica, que possibilitaria uma 
ascensão para o mundo inteligível. 
D) a razão deve submeter-se aos testemunhos 
dos sentidos, pois a verdade que está no 
mundo inteligível só será atingida mediante a 
sensibilidade. 
E) os homens devem se libertar da crença na 
existência em outro mundo e buscar resolver 
seus conflitos aprofundando-se em sua 
interioridade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 04 
(Uel 2019) 
Leia o texto a seguir: 
Os melhores de entre nós, quando escutam 
Homero ou qualquer poeta trágico a imitar um 
herói que está aflito e se espraia numa extensa 
tirada cheia de gemidos, ou os que cantam e 
batem no peito, sabes que gostamos disso, e 
que nos entregamos a eles, e os seguimos, 
sofrendo com eles, e com toda seriedade 
elogiamos o poeta, como sendo bom, por nos 
ter provocado até o máximo, essas disposições. 
[...] Mas quando sobrevém a qualquer de nós 
um luto pessoal, reparaste que nos gabamos do 
contrário, se formos capazes de nos mantermos 
tranquilos e de sermos fortes, entendendo que 
esta atitude é característica de um homem [...]? 
PLATÃO. A República. 605 d-e. Trad. Maria Helena da 
Rocha Pereira. 12. ed. Lisboa: Fundação Calouste 
Gulbenkian, 2010. p. 470. 
 
Com base no texto, nos conhecimentos 
sobre mimesis (imitação) e sobre o pensamento 
de Platão, assinale a alternativa correta: 
 
A) A maneira como Homero constrói seus 
personagens retratando reações humanas 
deve ser imitada pelos demais poetas, pois é 
eticamente aprovada na Cidade Ideal 
platônica. 
B) O fato de mostrar as emoções de maneira 
exagerada em seus personagens faz de 
Homero e de autores de tragédia excelentes 
formadores na Cidade Ideal pensada por 
Platão. 
C) Reagir como os personagens homéricos e 
trágicos é digno de elogio, pois Platão 
considera que a descarga das emoções é 
benéfica para a formação ética dos cidadãos. 
D) Poetas como Homero e autores de tragédia 
provocam emoções de modo exagerado em 
quem os lê ou assiste, não sendo bons para a 
formação do cidadão na Cidade Ideal 
platônica. 
E) A imitação de Homero e dos trágicos das 
reações humanas difere da dos pintores, 
pois, segundo Platão, não estão distantes em 
graus da essência, por isso podem fazer parte 
da cidade justa. 
 
 
 
 
 
 
31 
QUESTÃO 05 
(Uece 2019) 
 
“Talvez [...] a verdade nada mais seja do que 
uma certa purificação das paixões e seja, 
portanto, a temperança, a justiça, a coragem; e 
a própria sabedoria não seja outra coisa do que 
esse meio de purificação.” 
PLATÃO. Fédon, 69b-c, adaptado. 
 
Nessa fala de Sócrates, a “purificação” das 
paixões ocorre na medida em que a alma se 
afasta do corpo pela “força” da sabedoria. Com 
base nisso, assinale a afirmação FALSA. 
 
A) As virtudes são a eliminação das paixões 
através da sabedoria. 
B) Temperança, justiça e coragem resultam da 
purificação das paixões. 
C) A sabedoria é a potência da alma pela qual as 
virtudes se constituem. 
D) A alma atinge a verdade através da virtude 
da sabedoria. 
 
QUESTÃO 06 
(Ufu 2018) 
 
Considere o seguinte trecho 
 
"No diálogo Mênon, Platão faz Sócrates 
sustentar que a virtude não pode ser ensinada, 
consistindo-se em algo que trazemos conosco 
desde o nascimento, defendendo uma 
concepção, segundo a qual temos em nós um 
conhecimento inato que se encontra 
obscurecido desde que a alma encarnou-se no 
corpo. O papel da filosofia é fazer-nos recordar 
deste conhecimento" 
MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de 
Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. 
p. 31. 
 
Nesse trecho, o autor descreve o que ficou 
conhecido como 
 
A) a teoria das ideias de Platão. 
B) a doutrina da reminiscência de Platão. 
C) a ironia socrática. 
D) a dialética platônica. 
QUESTÃO 07 
(Uel 2018) 
Leia o texto a seguir. 
 
Eis com efeito em que consiste o proceder 
corretamente nos caminhos do amor ou por 
outro se deixar conduzir: em começar do que 
aqui é belo e, em vista daquele belo, subir 
sempre, como que servindo-se de degraus, de 
um só para dois e de dois para todos os belos 
corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, 
e dos ofícios para as belas ciências até que das 
ciências acabe naquela ciência, que de nada 
mais é senão daquele próprio belo, e conheça 
enfim o que em si é belo. 
(PLATÃO. Banquete, 211 c-d. José 
Cavalcante de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 
1972. (Os Pensadores) p. 48). 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre a filosofia de Platão, é correto afirmar que 
 
A) a compreensão da beleza se dá a partir da 
observação de um indivíduo belo,no qual 
percebemos o belo em si. 
B) a percepção do belo no mundo indica seus 
vários graus que visam a uma dimensão 
transcendente da beleza em si. 
C) a compreensão do que é belo se dá 
subitamente, quando partimos dele para 
compreender os belos ofícios e ciências. 
D) a observação de corpos, atividades e 
conhecimentos permite distinguir quais deles 
são belos ou feios em si. 
E) a participação do mundo sensível no mundo 
inteligível possibilita a apreensão da beleza 
em si. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
QUESTÃO 08 
(Upe-ssa 2 2018) 
 
Leia o texto a seguir sobre o tema Filosofia 
na História: 
 
 
 
A filosofia antiga grega e greco-romana tem 
uma história mais que milenar. Partindo do 
século VI a.C., chega até o ano de 529 d.C., ano 
em que o imperador Justiniano mandou fechar 
as escolas pagãs e dispersar os seus seguidores. 
Nesse arco de tempo, podemos distinguir o 
momento das grandes sínteses de Platão e 
Aristóteles. 
(REALE, Giovanni. História da Filosofia: Antiguidade e 
Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 25-26). 
 
O autor na citação acima sinaliza a 
significância do período sistemático da filosofia 
antiga. No que tange à filosofia de Platão, 
assinale a alternativa CORRETA. 
 
A) Platão propõe a existência das ‘essências ou 
formas’, que estão presentes no mundo das 
ideias e são modelos eternos das coisas 
sensíveis. 
B) A filosofia de Platão salienta as essências do 
mundo sensível que são modelos para o 
mundo das ideias. 
C) O pensamento de Platão não teve papel 
decisivo do desenvolvimento da mística, da 
teologia e da filosofia cristã. 
D) As ideias de Platão têm a confiança absoluta 
no poder dos sentidos e desconfiam do 
conhecimento racional. 
E) O pensamento filosófico de Platão tem 
como finalidade a descoberta do mundo 
físico, declinando do campo da metafísica. 
QUESTÃO 09 
(Unioeste 2018) 
 
Segundo a conhecida alegoria da caverna, 
que aparece no Livro VII da República, de 
Platão, há prisioneiros, voltados para uma 
parede em que são projetadas as sombras de 
objetos que eles não podem ver. Esses 
prisioneiros representam a humanidade em seu 
estágio de mais baixo saber acerca da realidade 
e de si mesmos: a doxa, ou “opinião”. Um 
desses prisioneiros é libertado à força, num 
processo que ele quer evitar e que lhe causa dor 
e enormes dificuldades de visão 
(conhecimento). Gradativamente, ele é 
conduzido para fora da caverna, a um estágio 
em que pode ver as coisas em si mesmas, isto é, 
os fundamentos eternos de tudo o quê, antes, 
ele via somente mediante sombras. Esses 
fundamentos são as Formas. Para além das 
Formas, brilha o Sol, que representa a Forma 
das Formas, o Bem, fonte essencial de todo ser 
e de todo conhecer e unicamente acessível 
mediante intuição direta. 
 
Com base nisso, responda à seguinte 
questão: se chegamos ao conhecimento das 
Formas mediante a dialética, que é o 
estabelecimento de fundamentos que 
possibilitam o conhecimento das coisas 
particulares (sombras), é CORRETO dizer: 
 
A) para Platão, a dialética é o conhecimento 
imediato (doxa) dos objetos particulares. 
B) o Bem é um objeto particular, que pode ser 
conhecido sensivelmente, de modo imediato 
e indolor, por todos os seres humanos. 
C) as Formas são somente suposições teóricas, 
sem realidade nelas mesmas. 
D) a dialética, que não é o último estágio do ser 
e do conhecer, permite chegar, mediante um 
processo difícil, que exige esforço, às coisas 
em si mesmas (Formas). 
E) a dialética, último estágio do ser e do 
conhecer, permite chegar, mediante um 
processo difícil, ao conhecimento do Bem. 
 
 
 
 
 
 
 
33 
QUESTÃO 10 
(Upe-ssa 1 2018) 
 
Leia o texto a seguir sobre o pensamento 
grego: 
 
Platão escreveu diálogos filosóficos, 
verdadeiros dramas em prosa. Foi um dos 
maiores escritores de todos os tempos, e 
ninguém conseguiu, como ele, unir as questões 
filosóficas à tamanha beleza literária. As ideias 
filosóficas de Platão é a primeira grande síntese 
do pensamento antigo. 
(Adaptado)(REZENDE, Antonio. Curso de 
Filosofia, Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 46.) 
 
No tocante a essa temática, assinale a 
alternativa CORRETA sobre o pensamento de 
Platão. 
 
A) Enfatiza as ideias no mundo sensível, 
buscando a verdade na natureza. 
B) Retrata a doutrina das ideias e salienta a 
existência do mundo ideal para fazer possível 
a verdadeira ciência. 
C) Prioriza a verdade do mundo concreto com a 
confiança no conhecimento dos sentidos. 
D) Sinaliza o valor dos sentidos como condição 
para o alcance da verdade. 
E) Atenta para o significado da razão no plano 
da existência da realidade sensível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 11 
(Uel 2017) 
 
 Leia a tirinha e o texto a seguir para 
responder à questão. 
 
Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende 
o que é preciso conhecer para te iniciares na 
política; antes, não. Então, primeiro precisarás 
adquirir virtude, tu ou quem quer que se 
disponha a governar ou a administrar não só a 
sua pessoa e seus interesses particulares, como 
a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o 
que precisas alcançar não é o poder absoluto 
para fazeres o que bem entenderes contigo ou 
com a cidade, porém justiça e sabedoria. 
PLATÃO, O primeiro Alcebíades. Trad. Carlos 
Alberto Nunes.Belém: EDUFPA, 2004. p. 281-285. 
 
Com base na tirinha, no texto e nos 
conhecimentos sobre a ética e a política em 
Platão, assinale a alternativa correta. 
 
A) A virtude individual terá fraca influência 
sobre o governo da cidade, já que a 
administração da cidade independe da 
qualidade de seus cidadãos. 
B) Justiça, sabedoria e virtude resultam da 
opinião do legislador sobre o que seria 
melhor para a cidade e para o indivíduo. 
C) O indivíduo deve possuir a virtude antes de 
dirigir a cidade, pois assim saberá bem 
governar e ser justo, já que se autogoverna. 
D) Para se iniciar em política, primeiro é 
necessário o poder absoluto para fazer o bem 
para a cidade e a si próprio. 
E) Todo conflito desaparece em uma cidade se 
a virtude fizer parte da administração, 
mesmo que o dirigente não a possua. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
QUESTÃO 12 
(Upe-ssa 3 2017) 
 
Leia o texto a seguir sobre a Filosofia e a 
Ética. 
 
 
 
Toda a obra de Platão tem um profundo 
sentido ético. Três poderiam ser os eixos 
centrais, que comandam a ética platônica: 
primeiro, a justiça na ordem individual e social; 
segundo, a transcendência do Bem; terceiro, as 
virtudes humanas e a ordem política presididas 
pela justiça. 
PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres 
através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 25-
26. (Adaptado). 
 
O autor acima demarca alguns pontos 
singulares dos temas centrais da ética de 
Platão. Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar 
que 
 
A) as virtudes humanas estão em conexão com 
a transcendência do bem e desvinculadas da 
ordem política, presidida pela justiça. 
B) o sentido ético-político na filosofia de Platão 
prioriza a ordem individual em detrimento do 
plano social. 
C) Platão defende um ideal ético, centrado na 
sabedoria, declinando da ordem política 
presidida pela justiça. 
D) a justiça e o bem se realizam na ordem 
individual, e a virtude, na ordem política. 
E) na ética de Platão, a virtude é prática da 
justiça. 
 
QUESTÃO 13 
(UCS 2017) 
Sócrates, um dos maiores expoentes da 
Filosofia, não deixou nada escrito. Foram as 
obras de Platão, seu principal discípulo, as 
responsáveis por quase tudo que se sabe sobre 
suas ideias e sua personalidade. Sócrates foi o 
primeiro dos três grandes filósofos gregos que 
estabeleceu as bases do pensamento ocidental 
(os outros dois foram Platão e Aristóteles). 
Sócrates nasceu em Atenas, por volta de 470 
a.C., e conduziu a transição do pensamento dos 
antigos cosmologistas gregos, que viviam 
refletindo sobre a origem do universo, para 
preocupações maiores coma ética e a 
existência humana. 
<http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-foi-
socrates/>. Acesso em: 27 mar. 17. (Parcial e adaptado.) 
 
Sobre os filósofos citados no texto, assinale a 
alternativa correta. 
 
A) Sócrates não concorda com a ação dos sofistas 
para os quais a verdade dependia de como se 
falava e convencia-se. Para ele, a prática sofista 
criava apenas uma aparência de conhecimento 
(doxa) não recordando a verdade (alétheia). 
B) Sócrates entende que o homem produz, ou seja, 
cria a verdade e o conhecimento através do uso 
da palavra. Daí sua proposta ser conhecida como 
maiêutica (maieutiké). 
C) Aristóteles afirma que o ser humano, por ser 
dotado de sentidos, busca a realização dos 
prazeres e da felicidade (eudaimonia), ou seja, do 
Bem, e, para isso, os sentidos têm função 
fundamental, pois é somente por meio da 
sensibilidade que o homem pode atingir o Bem. 
D) Platão acredita que existe um mundo além deste, 
um mundo metafísico, ao qual deu o nome de 
Mundo Ideal. Para ele, os sentidos informam a 
respeito do Mundo Ideal, enquanto que o 
pensamento revela sobre o Mundo Material. 
E) Platão mostra uma desvalorização do Mundo 
Inteligível, colocando-o como secundário em 
relação ao Mundo Sensível. Para ele, as ideias 
podem deixar de existir, uma vez que mudanças 
no mundo Material/Sensível também as afetam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
QUESTÃO 14 
(Enem 2ª aplicação 2016) 
 
Os andróginos tentaram escalar o céu para 
combater os deuses. No entanto, os deuses em 
um primeiro momento pensam em matá-los de 
forma sumária. Depois decidem puni-los da 
forma mais cruel: dividem-nos em dois. Por 
exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido 
e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta 
forma, até hoje as metades separadas buscam 
reunir-se. Cada um com saudade de sua 
metade, tenta juntar-se novamente a ela, 
abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, 
desejando formar um único ser. 
PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987. 
 
No trecho da obra O banquete, Platão 
explicita, por meio de uma alegoria, o 
 
A) bem supremo como fim do homem. 
B) prazer perene como fundamento da 
felicidade. 
C) ideal inteligível como transcendência 
desejada. 
D) amor como falta constituinte do ser humano. 
E) autoconhecimento como caminho da 
verdade. 
 
QUESTÃO 15 
(Enem PPL 2016) 
 
Estamos, pois, de acordo quando, ao ver 
algum objeto, dizemos: "Este objeto que estou 
vendo agora tem tendências para assemelhar-
se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não 
consegue ser tal como o ser em questão, e lhe 
é, pelo contrário, inferior". Assim, para 
podermos fazer estas reflexões, é necessário 
que antes tenhamos tido ocasião de conhecer 
esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda 
que imperfeitamente. 
PLATÃO, Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 
1972. 
 
Na epistemologia platônica, conhecer um 
determinado objeto implica 
 
 
A) estabelecer semelhanças entre o que é 
observado em momentos distintos. 
B) comparar o objeto observado com uma 
descrição detalhada dele. 
C) descrever corretamente as características do 
objeto observado. 
D) fazer correspondência entre o objeto 
observado e seu ser. 
E) identificar outro exemplar idêntico ao 
observado. 
 
QUESTÃO 16 
(Uepa 2015) 
 
Leia o texto para responder à questão. 
 
Platão: 
 
A massa popular é assimilável por natureza a 
um animal escravo de suas paixões e de seus 
interesses passageiros, sensível à lisonja, 
inconstante em seus amores e seus ódios; 
confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser 
incapaz da menor reflexão e do menor rigor. 
Quanto às pretensas discussões na Assembleia, 
são apenas disputas contrapondo opiniões 
subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e 
lacunas traduzem bastante bem o seu caráter 
insuficiente. 
(Citado por: CHATELET, F. História das Ideias 
Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17) 
 
Os argumentos de Platão, filósofo grego da 
antiguidade, evidenciam uma forte crítica à: 
 
A) oligarquia. 
B) república. 
C) democracia. 
D) monarquia. 
E) plutocracia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
QUESTÃO 17 
(Uel 2019) 
 
Os melhores de entre nós, quando escutam 
Homero ou qualquer poeta trágico a imitar um 
herói que está aflito e se espraia numa extensa 
tirada cheia de gemidos, ou os que cantam e 
batem no peito, sabes que gostamos disso, e 
que nos entregamos a eles, e os seguimos, 
sofrendo com eles, e com toda seriedade 
elogiamos o poeta, como sendo bom, por nos 
ter provocado até o máximo, essas disposições. 
[...] Mas quando sobrevém a qualquer de nós 
um luto pessoal, reparaste que nos gabamos do 
contrário, se formos capazes de nos mantermos 
tranquilos e de sermos fortes, entendendo que 
esta atitude é característica de um homem [...]? 
PLATÃO. A República. 605 d-e. Trad. Maria 
Helena da Rocha Pereira. 12. ed. Lisboa: Fundação 
Calouste Gulbenkian, 2010. p. 470. 
 
Com base no texto, nos conhecimentos 
sobre mimesis (imitação) e sobre o pensamento 
de Platão, assinale a alternativa correta: 
 
A) A maneira como Homero constrói seus 
personagens retratando reações humanas 
deve ser imitada pelos demais poetas, pois é 
eticamente aprovada na Cidade Ideal 
platônica. 
B) O fato de mostrar as emoções de maneira 
exagerada em seus personagens faz de 
Homero e de autores de tragédia excelentes 
formadores na Cidade Ideal pensada por 
Platão. 
C) Reagir como os personagens homéricos e 
trágicos é digno de elogio, pois Platão 
considera que a descarga das emoções é 
benéfica para a formação ética dos cidadãos. 
D) Poetas como Homero e autores de tragédia 
provocam emoções de modo exagerado em 
quem os lê ou assiste, não sendo bons para a 
formação do cidadão na Cidade Ideal 
platônica. 
E) A imitação de Homero e dos trágicos das 
reações humanas difere da dos pintores, 
pois, segundo Platão, não estão distantes em 
graus da essência, por isso podem fazer parte 
da cidade justa. 
QUESTÃO 18 
(Upe-ssal 2018) 
 
Leia o texto a seguir sobre o pensamento grego: 
 
Platão escreveu diálogos filosóficos, 
verdadeiros dramas em prosa. Foi um dos 
maiores escritores de todos os tempos, e 
ninguém conseguiu, como ele, unir as questões 
filosóficas à tamanha beleza literária. As ideias 
filosóficas de Platão é a primeira grande síntese 
do pensamento antigo. (Adaptado) 
(REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia, Rio de Janeiro: 
Zahar, 1998, p. 46.) 
 
No tocante a essa temática, assinale a 
alternativa CORRETA sobre o pensamento de 
Platão. 
 
A) Enfatiza as ideias no mundo sensível, 
buscando a verdade na natureza. 
B) Retrata a doutrina das ideias e salienta a 
existência do mundo ideal para fazer possível 
a verdadeira ciência. 
C) Prioriza a verdade do mundo concreto com a 
confiança no conhecimento dos sentidos. 
D) Sinaliza o valor dos sentidos como condição 
para o alcance da verdade. 
E) Atenta para o significado da razão no plano 
da existência da realidade sensível. 
 
QUESTÃO 19 
(Uell 2018) 
Leia o texto a seguir. 
 
Eis com efeito em que consiste o proceder 
corretamente nos caminhos do amor ou por 
outro se deixar conduzir: em começar do que 
aqui é belo e, em vista daquele belo, subir 
sempre, como que servindo-se de degraus, de 
um só para dois e de dois para todos os belos 
corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, 
e dos ofícios para as belas ciências até que das 
ciências acabe naquela ciência, que de nada 
mais é senão daquele próprio belo, e conheça 
enfim o que em si é belo. 
(PLATÃO. Banquete, 211 c-d. José Cavalcante de Souza. 
São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Os Pensadores) p. 48). 
 
 
 
 
 
 
 
37 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre 
a filosofia de Platão, é correto afirmar que 
 
A) a compreensão da beleza se dá a partir da 
observação de um indivíduo belo, no qual 
percebemos o belo em si. 
B) a percepção do belo no mundo indica seus 
vários graus que visama uma dimensão 
transcendente da beleza em si. 
C) a compreensão do que é belo se dá 
subitamente, quando partimos dele para 
compreender os belos ofícios e ciências. 
D) a observação de corpos, atividades e 
conhecimentos permite distinguir quais deles 
são belos ou feios em si. 
E) a participação do mundo sensível no mundo 
inteligível possibilita a apreensão da beleza 
em si. 
 
QUESTÃO 20 
(Enem 2ª aplicação 2016) 
 
Os andróginos tentaram escalar o céu para 
combater os deuses. No entanto, os deuses em 
um primeiro momento pensam em matá-los de 
forma sumária. Depois decidem puni-los da 
forma mais cruel: dividem-nos em dois. Por 
exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido 
e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta 
forma, até hoje as metades separadas buscam 
reunir-se. Cada um com saudade de sua 
metade, tenta juntar-se novamente a ela, 
abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, 
desejando formar um único ser. 
PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987. 
 
No trecho da obra O banquete, Platão 
explicita, por meio de uma alegoria, o 
 
A) bem supremo como fim do homem. 
B) prazer perene como fundamento da 
felicidade. 
C) ideal inteligível como transcendência 
desejada. 
D) amor como falta constituinte do ser humano. 
E) autoconhecimento como caminho da 
verdade. 
 
 
 
QUESTÃO 21 
(Enem PPL 2016) 
 
Estamos, pois, de acordo quando, ao ver 
algum objeto, dizemos: "Este objeto que estou 
vendo agora tem tendências para assemelhar-
se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não 
consegue ser tal como o ser em questão, e lhe 
é, pelo contrário, inferior". Assim, para 
podermos fazer estas reflexões, é necessário 
que antes tenhamos tido ocasião de conhecer 
esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda 
que imperfeitamente. 
PLATÃO, Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972. 
 
Na epistemologia platônica, conhecer um 
determinado objeto implica 
 
A) estabelecer semelhanças entre o que é 
observado em momentos distintos. 
B) comparar o objeto observado com uma 
descrição detalhada dele. 
C) descrever corretamente as características do 
objeto observado. 
D) fazer correspondência entre o objeto 
observado e seu ser. 
E) identificar outro exemplar idêntico ao 
observado. 
 
QUESTÃO 22 
(Enem PPL 2015) 
 
Suponha homens numa morada 
subterrânea, em forma de caverna, cuja 
entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o 
comprimento da fachada; eles estão lá desde a 
infância, as pernas e o pescoço presos por 
correntes, de tal sorte que não podem trocar de 
lugar e só podem olhar para frente, pois os 
grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de 
uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do 
terreno, brilha por detrás deles; entre a 
fogueira e os prisioneiros, há um caminho 
ascendente; ao longo do caminho, imagine um 
pequeno muro, semelhante aos tapumes que os 
manipuladores de marionetes armam entre eles 
e o público e sobre os quais exibem seus 
prestígios. 
PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste 
Gulbenkian, 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
38 
Essa narrativa de Platão é uma importante 
manifestação cultural do pensamento grego 
antigo, cuja ideia central, do ponto de vista 
filosófico, evidencia o(a) 
 
A) caráter antropológico, descrevendo as 
origens do homem primitivo. 
B) sistema penal da época, criticando o sistema 
carcerário da sociedade ateniense. 
C) vida cultural e artística, expressa por 
dramaturgos trágicos e cômicos gregos. 
D) sistema político elitista, provindo do 
surgimento da pólis e da democracia 
ateniense. 
E) teoria do conhecimento, expondo a 
passagem do mundo ilusório para o mundo 
das ideias. 
 
RESOLUÇÕES 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[C] 
Na concepção platônica, a busca pelo 
conhecimento verdadeiro permeia todo seu 
sistema filosófico. Neste sistema, Platão 
estabelece que existem dois mundos, o mundo 
sensível (representa a matéria e as sensações 
ao qual estamos inseridos) e o mundo inteligível 
(representa as ideias, a razão). Neste sentido, 
para Platão somos ligados às sensações 
pessoais e isto nos conduzem ao erro pois não 
podemos confiar nelas. Somente podemos 
obter a verdade por meio do mundo da 
inteligível. Contudo, isto não é para qualquer 
um, somente para os filósofos, pois eles buscam 
o verdadeiro saber, assim estes sabem qual é o 
melhor caminho para a ampliação do 
conhecimento, por conseguinte, qual o melhor 
caminho para fazer com que todas as pessoas 
da cidade possam desenvolver seu pleno 
potencial. Assim, os filósofos são os únicos 
capazes de conhecer a verdade e devem decidir 
o destino da cidade, neste contexto a 
democracia é um empecilho, pois não produz 
um consenso absoluto, verdadeiro. Portanto, 
Platão estabelece uma severa crítica ao sistema 
democrático grego. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[A] 
Para Platão, a efetivação da justiça está 
relacionada às virtudes dos membros da pólis, 
sendo os governantes qualificados para exercer 
sua função pelo uso da razão na decisão de suas 
ações. Segundo o pensamento platônico, as 
virtudes da sabedoria, em conjunto com as da 
coragem e da moderação, levaria ao 
fortalecimento da justiça, como se observa no 
primeiro trecho apresentado pela questão. 
Ademais, em sua Teoria das Virtudes, Platão 
entende que os indivíduos possuem inclinações, 
ou seja, possuem uma “natureza” mais 
adequada a determinada virtude, de modo que 
a função de cada indivíduo na sociedade deva 
desenvolver a virtude que lhe é característica. 
Assim, o desempenho da função que seria 
própria à natureza de cada indivíduo seria 
também uma condição necessária para uma 
sociedade justa. Considerando essas ideias, o 
aluno deve identificar que todas as afirmações 
estão corretas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[C] 
Na alegoria platônica, a caverna é a 
representação das “sombras” do mundo 
sensível, que remetem às opiniões ilusórias dos 
homens e impedem o desenvolvimento do 
pensamento racional, ou seja, da consciência 
filosófica, que possibilitaria a aproximação com 
o mundo inteligível das ideias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[D] 
[A] Incorreta. A maneira como Homero e poetas 
semelhantes retratam as reações de seus 
personagens é reprovada por Platão para a 
formação ética dos cidadãos, pois não é 
desejada uma reação descontrolada na “vida 
real”, parecida com as que os poetas 
descrevem em suas obras. Este é um dos 
motivos da reprovação de Platão da poesia 
tradicional. 
[B] Incorreta. Ao exagerarem na descrição de 
uma reação emocional dos personagens, os 
poetas tradicionais como Homero e autores 
de tragédia, fazem um desserviço à 
formação dos cidadãos, porque a reação 
emotiva deve ser equilibrada, não excessiva, 
por mais que admiremos isso nos poemas 
homéricos e trágicos. 
[C] Incorreta. As emoções/paixões exageradas 
não devem ser incitadas por parte dos 
poetas, pois isso não auxilia a formação ética 
dos cidadãos e uma “descarga das emoções” 
não serve para a formação ética pensada por 
Platão na cidade ideal. 
[D] Correta. Entre as várias críticas de Platão aos 
poetas, encontramos essa a respeito das 
emoções, a de valorizar aspectos irracionais 
da natureza humana prejudicando a 
formação ética dos cidadãos. Na cidade 
ideal, os poetas e artistas devem incitar boas 
reações que sejam equilibradas e 
temperantes, evitando excessos. 
[E] Incorreta. Mesmo que Platão não considere 
a imitação (mimesis) dos poetas como a dos 
pintores, distante da verdade em graus da 
essência (Ideia), ela não é benéfica à cidade 
ideal, pois incita reações emotivas excessivas, 
especialmente naqueles que devem ser 
paradigma de comportamento, os heróis e os 
deuses. 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[A] 
A partir da análise do texto, percebe-se que 
a letra [A] apresenta uma afirmativa incorreta, 
haja vista que o desenvolvimento da razão e a 
sabedoria levaria, não à eliminação das paixões, 
mas a um uso comedido delas. Portanto, asvirtudes levariam à “purificação” das paixões 
mencionadas no texto, mas não à sua 
eliminação, como proposto pelo item. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[B] 
Segundo a filosofia platônica, antes de 
habitar o corpo material no mundo sensível, a 
alma humana encontrava-se no mundo 
inteligível, ou mundo das ideias, onde os 
conceitos existiriam em sua forma pura. Para 
Platão, o conhecimento verdadeiro 
contemplado pela alma no mundo inteligível 
permanece “adormecido” nos indivíduos, sendo 
a filosofia o meio pelo qual seria possível 
recordar esse conhecimento, ideia que ficou 
conhecida como Teoria da Reminiscência, 
opção apresentada pela alternativa [B]. Nessa 
teoria, o conhecimento é concebido como um 
processo de recordação, ou seja, em uma 
perspectiva inatista. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
[B] 
Para Platão, a percepção da beleza no 
mundo sensível estaria relacionada à uma maior 
reminiscência do mundo das ideias puras, onde 
a beleza existiria em sua forma plena. Dessa 
forma, algumas almas seriam mais aptas a 
perceberem a beleza que, em sua forma pura, 
transcende o mundo sensível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[A] 
Para responder à questão, o aluno deve 
conhecer o pensamento filosófico platônico, 
segundo o qual o verdadeiro conhecimento 
humano se daria a partir da passagem do 
“mundo das aparências” para o “mundo das 
essências” ou “mundo das ideias”. Para Platão, 
as formas e conceitos só existiriam em suas 
formas puras e imutáveis no plano das ideias, o 
que possibilitaria um conhecimento autêntico 
de todas as coisas. As impressões advindas dos 
sentidos, por sua vez, levariam a ideias ilusórias, 
de modo que no mundo sensível estariam 
presentes cópias imperfeitas e mutáveis dos 
conceitos, tal como indicado pela alternativa 
[A]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[D] 
De acordo com o pensamento de Platão, a 
dialética é o instrumento que possibilita ao 
indivíduo o alcance da verdade. A dialética 
platônica serve para mostrar as contradições e 
falhas fundamentais das ideias do senso 
comum. Assim, o método dialético admite as 
contradições para poder superá-las, através do 
questionamento das ideias pré-concebidas, 
para, a partir de então, poder buscar o 
conhecimento verdadeiro. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[B] 
Segundo a filosofia platônica, o 
conhecimento humano se dá a partir da 
passagem do mundo das aparências para o 
mundo das essências. Platão explica as 
essências a partir da doutrina das ideias, 
segundo a qual os conceitos puros somente 
existiriam no plano das ideias, atingível por 
meio da razão. Assim, o verdadeiro 
conhecimento só seria possível no mundo das 
ideias, ou mundo ideal, transcendente às 
percepções sensoriais. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[C] 
Na filosofia política de Platão, a noção de 
justiça está associada fundamentalmente à 
alma humana, sendo o Estado justo uma 
expressão da alma virtuosa e justa. Para ele, a 
alma humana está relacionada com a 
racionalidade, de modo que o conhecimento 
seria uma condição para que o indivíduo tenha 
virtude e possa agir virtuosamente. Com efeito, 
os homens sábios e virtuosos seriam os mais 
bem preparados para administrar e governar 
não só a si mesmos e aos seus interesses 
privados, mas também, por extensão, para 
exercer de maneira justa a administração da 
pólis e a condução da vida política em prol do 
bem coletivo, como propõe a alternativa [C]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[E] 
Para Platão, como apontado no texto, a 
concepção de ética não está desvinculada da 
ação pública, incluindo a gestão da vida 
coletiva. Com efeito, as ações virtuosas, tanto 
no âmbito privado como no coletivo, tornariam 
o governante apto para conduzir a política de 
forma justa, de modo que a virtude seria a 
prática da justiça. 
 
 RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[A] 
Segundo Sócrates, a ideia é o princípio da 
realidade, sendo ela universal, conceitual e 
abstrata, o que a tornaria também única e 
imutável, enquanto a materialidade seria 
aparente, ou seja, seria uma “sombra” ilusória 
da sua verdadeira essência. Desse modo, o 
pensamento socrático considera que a opinião 
é individual e relativa, enquanto os conceitos 
são universais, ou seja, são válidos em qualquer 
situação. Esse pensamento vai de encontro ao 
posicionamento dos sofistas, para os quais não 
existiria nenhuma verdade absoluta, não sendo 
possível conhecer nada com certeza. Assim, 
para eles, a retórica assumia uma importância 
fundamental nos debates. 
 
 
 
 
 
 
41 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[D] 
A alegoria descrita no texto remete à ideia 
do amor como uma busca permanente pela 
completude, ou pela “parte que falta” para 
reestabelecer o “todo” original da alma. Assim, 
o amor seria o desejo daquilo que não se tem, 
uma falta constituinte do ser humano. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[D] 
Os objetos, segundo Platão, existem de 
forma perfeita no mundo das ideias. Assim, 
tudo aquilo que vemos e sentimos são coisas 
que têm correspondência a algo que existe 
nesse plano. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[C] 
[Resposta do ponto de vista da disciplina de 
História] 
Somente a proposição [C] está correta. A 
questão remete ao pensamento político de 
Platão. Este filósofo ateniense foi um grande 
crítico da democracia. Acreditava que a maioria 
não tinha condições de participar do debate 
político na ágora, pois estava vinculada ao 
mundo sensível, o mundo do corpo, da opinião, 
da doxa e não sabia o que era justiça. Platão 
defendeu a Sofocracia, isto é, o governo dos 
sábios, dos reis filósofos. 
 
[Resposta do ponto de vista da disciplina de 
Filosofia] 
Na concepção platônica, a busca pelo 
conhecimento verdadeiro permeia todo seu 
sistema filosófico. Neste sistema, Platão 
estabelece que existem dois mundos, o mundo 
sensível (representa a matéria e as sensações 
ao qual estamos inseridos) e o mundo inteligível 
(representa as ideias, a razão). Neste sentido, 
para Platão somos ligados às sensações 
pessoais e isto nos conduzem ao erro pois não 
podemos confiar nelas. Somente podemos 
obter a verdade por meio do mundo da 
inteligível. Contudo, isto não é para qualquer 
um, somente para os filósofos, pois eles buscam 
o verdadeiro saber, assim estes sabem qual é o 
melhor caminho para a ampliação do 
conhecimento, por conseguinte, qual o melhor 
caminho para fazer com que todas as pessoas 
da cidade possam desenvolver seu pleno 
potencial. Assim, os filósofos são os únicos 
capazes de conhecer a verdade e devem decidir 
o destino da cidade, neste contexto a 
democracia é um empecilho, pois não produz 
um consenso absoluto, verdadeiro. Portanto, 
Platão estabelece uma severa crítica ao sistema 
democrático grego. O único sistema que 
corresponde às críticas estabelecidas por Platão 
é o descrito na alternativa [C]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[D] 
[A] Incorreta. A maneira como Homero e poetas 
semelhantes retratam as reações de seus 
personagens é reprovada por Platão para a 
formação ética dos cidadãos, pois não é 
desejada uma reação descontrolada na “vida 
real”, parecida com as que os poetas 
descrevem em suas obras. Este é um dos 
motivos da reprovação de Platão da poesia 
tradicional. 
[B] Incorreta. Ao exagerarem na descrição de 
uma reação emocional dos personagens, os 
poetas tradicionais como Homero e autores 
de tragédia, fazem um desserviço à 
formação dos cidadãos, porque a reação 
emotiva deve ser equilibrada, não excessiva, 
por mais que admiremos isso nos poemas 
homéricos e trágicos. 
[C] Incorreta. As emoções/paixões exageradas 
não devem ser incitadas por parte dos 
poetas, pois isso não auxilia a formação ética 
dos cidadãos e uma “descarga das emoções” 
não serve para a formação ética pensada por 
Platão na cidade ideal. 
[D] Correta. Entre as várias críticas de Platão aos 
poetas, encontramos essa a respeito das 
emoções, a de valorizar aspectos irracionais 
da natureza humana prejudicando a 
formação ética dos cidadãos. Na cidade 
ideal,os poetas e artistas devem incitar boas 
reações que sejam equilibradas e 
temperantes, evitando excessos. 
 
 
 
 
 
 
 
42 
[E] Incorreta. Mesmo que Platão não considere 
a imitação (mimesis) dos poetas como a dos 
pintores, distante da verdade em graus da 
essência (Ideia), ela não é benéfica à cidade 
ideal, pois incita reações emotivas 
excessivas, especialmente naqueles que 
devem ser paradigma de comportamento, os 
heróis e os deuses. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18: 
[B] 
Segundo a filosofia platônica, o 
conhecimento humano se dá a partir da 
passagem do mundo das aparências para o 
mundo das essências. Platão explica as 
essências a partir da doutrina das ideias, 
segundo a qual os conceitos puros somente 
existiriam no plano das ideias, atingível por 
meio da razão. Assim, o verdadeiro 
conhecimento só seria possível no mundo das 
ideias, ou mundo ideal, transcendente às 
percepções sensoriais. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19: 
[B] 
Para Platão, a percepção da beleza no 
mundo sensível estaria relacionada à uma maior 
reminiscência do mundo das ideias puras, onde 
a beleza existiria em sua forma plena. Dessa 
forma, algumas almas seriam mais aptas a 
perceberem a beleza que, em sua forma pura, 
transcende o mundo sensível. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20: 
[D] 
A alegoria descrita no texto remete à ideia do 
amor como uma busca permanente pela 
completude, ou pela “parte que falta” para 
reestabelecer o “todo” original da alma. Assim, 
o amor seria o desejo daquilo que não se tem, 
uma falta constituinte do ser humano. 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21: 
[D] 
Os objetos, segundo Platão, existem de 
forma perfeita no mundo das ideias. Assim, 
tudo aquilo que vemos e sentimos são coisas 
que têm correspondência a algo que existe 
nesse plano. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 22: 
[E] 
A alegoria da caverna de Platão expressa 
uma concepção do processo de conhecimento 
no qual o indivíduo deveria superar as 
aparências ilusórias do mundo sensível para 
chegar às verdades puras, apenas disponíveis 
no mundo das ideias e alcançáveis através da 
reflexão filosófica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
FILOSOFIA ANTIGA – ARISTÓTELES 
 
QUESTÃO 01 
(Unisc 2017) 
 
Aristóteles, na obra Etica a Nicômaco, 
procura o fim último de todas as atividades 
humanas, uma vez que tudo o que fazemos visa 
alcançar um bem, ou o que nos parece ser um 
bem. Pergunta-se, então, pelo “sumo bem”, 
aquele que em si mesmo é um fim, e não um 
meio para o que quer que seja. Para Aristóteles, 
na Ética a Nicômaco, o sumo bem está 
 
A) na honra. 
B) na riqueza. 
C) na fama. 
D) na vida feliz. 
E) na lealdade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Enem 2017) 
 
Se, pois, para as coisas que fazemos existe 
um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o 
mais é desejado no interesse desse fim; 
evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o 
sumo bem. Mas não terá o conhecimento, 
porventura, grande influência sobre essa vida? 
Se assim é, esforcemo-nos por determinar, 
ainda que em linhas gerais apenas, o que seja 
ele e de qual das ciências ou faculdades 
constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o 
seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e 
que mais verdadeiramente se pode chamar a 
arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa 
natureza, pois é ela que determina quais as 
ciências que devem ser estudadas num Estado, 
quais são as que cada cidadão deve aprender, e 
até que ponto; e vemos que até as faculdades 
tidas em maior apreço, como a estratégia, a 
economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, 
como a política utiliza as demais ciências e, por 
outro lado, legisla sobre o que devemos e o que 
não devemos fazer, a finalidade dessa ciência 
deve abranger as das outras, de modo que essa 
finalidade será o bem humano. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São 
Paulo: Nova Gunman 1991 (adaptado). 
 
Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e 
a organização da pólis pressupõe que 
 
A) o bem dos indivíduos consiste em cada um 
perseguir seus interesses. 
B) o sumo bem é dado pela fé de que os deuses 
são os portadores da verdade. 
C) a política é a ciência que precede todas as 
demais na organização da cidade. 
D) a educação visa formar a consciência de cada 
pessoa para agir corretamente. 
E) a democracia protege as atividades políticas 
necessárias para o bem comum. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
QUESTÃO 03 
(Enem 2ª aplicação 2016) 
 
Ninguém delibera sobre coisas que não 
podem ser de outro modo, nem sobre as que 
lhe é impossível fazer. Por conseguinte, como o 
conhecimento científico envolve 
demonstração, mas não há demonstração de 
coisas cujos primeiros princípios são variáveis 
(pois todas elas poderiam ser diferentemente), 
e como é impossível deliberar sobre coisas que 
são por necessidade, a sabedoria prática não 
pode ser ciência, nem arte: nem ciência, porque 
aquilo que se pode fazer é capaz de ser 
diferentemente, nem arte, porque o agir e o 
produzir são duas espécies diferentes de coisa. 
Resta, pois, a alternativa de ser ela uma 
capacidade verdadeira e raciocinada de agir 
com respeito às coisas que são boas ou más 
para o homem. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril 
Cultural, 1980. 
 
Aristóteles considera a ética como 
pertencente ao campo do saber prático. Nesse 
sentido, ela difere-se dos outros saberes 
porque é caracterizada como 
 
A) conduta definida pela capacidade racional de 
escolha. 
B) capacidade de escolher de acordo com 
padrões científicos. 
C) conhecimento das coisas importantes para a 
vida do homem. 
D) técnica que tem como resultado a produção 
de boas ações. 
E) política estabelecida de acordo com padrões 
democráticos de deliberação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 04 
(Enem PPL 2016) 
 
Enquanto o pensamento de Santo Agostinho 
representa o desenvolvimento de uma filosofia 
cristã inspirada em Platão, o pensamento de 
São Tomás reabilita a filosofia de Aristóteles – 
até então vista sob suspeita pela Igreja –, 
mostrando ser possível desenvolver uma leitura 
de Aristóteles compatível com a doutrina cristã. 
O aristotelismo de São Tomás abriu caminho 
para o estudo da obra aristotélica e para a 
legitimação do interesse pelas ciências naturais, 
um dos principais motivos do interesse por 
Aristóteles nesse período. 
MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de 
Janeiro: Zahar, 2005. 
 
A Igreja Católica por muito tempo impediu a 
divulgação da obra de Aristóteles pelo fato de a 
obra aristotélica 
 
A) valorizar a investigação científica, 
contrariando certos dogmas religiosos. 
B) declarar a inexistência de Deus, colocando 
em dúvida toda a moral religiosa. 
C) criticar a Igreja Católica, instigando a criação 
de outras instituições religiosas. 
D) evocar pensamentos de religiões orientais, 
minando a expansão do cristianismo. 
E) contribuir para o desenvolvimento de 
sentimentos antirreligiosos, seguindo sua 
teoria política. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
QUESTÃO 05 
(Uel 2015) 
 
Leia o texto a seguir. 
 
É pois manifesto que a ciência a adquirir é a 
das causas primeiras (pois dizemos que 
conhecemos cada coisa somente quando 
julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, 
causa diz-se em quatro sentidos: no primeiro, 
entendemos por causa a substância e a essência 
(o “porquê” reconduz-se pois à noção última, e 
o primeiro “porquê” é causa e princípio); a 
segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira 
é a de onde vem o início do movimento; a quarta 
causa, que se opõe à precedente, é o “fim para 
que” e o bem (porque este é, com efeito, o fim 
de toda a geração e movimento). 
Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De 
Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. 
p.16. (Coleção Os Pensadores.) 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre o tema, assinale a alternativa que indica,corretamente, a ordem em que Aristóteles 
apresentou as causas primeiras. 
 
A) Causa final, causa eficiente, causa material e 
causa formal. 
B) Causa formal, causa material, causa final e 
causa eficiente. 
C) Causa formal, causa material, causa eficiente 
e causa final. 
D) Causa material, causa formal, causa eficiente 
e causa final. 
E) Causa material, causa formal, causa final e 
causa eficiente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 06 
(Enem PPL 2015) 
 
Ambos prestam serviços corporais para 
atender às necessidades da vida. A natureza faz 
o corpo do escravo e do homem livre de forma 
diferente. O escravo tem corpo forte, adaptado 
naturalmente ao trabalho servil. Já o homem 
livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho 
braçal, porém apto à vida do cidadão. 
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985. 
 
O trabalho braçal é considerado, na filosofia 
aristotélica, como 
 
A) indicador da imagem do homem no estado 
de natureza. 
B) condição necessária para a realização da 
virtude humana. 
C) atividade que exige força física e uso limitado 
da racionalidade. 
D) referencial que o homem deve seguir para 
viver uma vida ativa. 
E) mecanismo de aperfeiçoamento do trabalho 
por meio da experiência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
QUESTÃO 07 
(Uea 2014) 
 
A sabedoria do amo consiste no emprego 
que ele faz dos seus escravos; ele é senhor, não 
tanto porque possui escravos, mas porque deles 
se serve. Esta sabedoria do amo nada tem, aliás, 
de muito grande ou de muito elevado; ela se 
reduz a saber mandar o que o escravo deve 
saber fazer. Também todos que a ela se podem 
furtar deixam os seus cuidados a um mordomo, 
e vão se entregar à política ou à filosofia. 
(Aristóteles. A política, s/d. Adaptado.) 
 
O filósofo Aristóteles dirigiu, na cidade grega 
de Atenas, entre 331 e 323 a.C., uma escola de 
filosofia chamada de Liceu. No excerto, 
Aristóteles considera que a escravidão 
 
A) é um empecilho ao florescimento da filosofia 
e da política democrática nas cidades da 
Grécia. 
B) permite ao cidadão afastar-se de obrigações 
econômicas e dedicar-se às atividades 
próprias dos homens livres. 
C) facilita a expansão militar das cidades gregas 
à medida que liberta os cidadãos dos 
trabalhos domésticos. 
D) é responsável pela decadência da cultura 
grega, pois os senhores preocupavam-se 
somente em dominar os escravos. 
E) promove a união dos cidadãos das diversas 
pólis gregas no sentido de garantir o controle 
dos escravos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 08 
(Enem PPL 2014) 
 
Ao falar do caráter de um homem não 
dizemos que ele é sábio ou que possui 
entendimento, mas que é calmo ou 
temperante. No entanto, louvamos também o 
sábio, referindo-se ao hábito; e aos hábitos 
dignos de louvor chamamos virtude. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova 
CuIturaI, 1973. 
 
Em Aristóteles, o conceito de virtude ética 
expressa a 
 
A) excelência de atividades praticadas em 
consonância com o bem comum. 
B) concretização utilitária de ações que revelam 
a manifestação de propósitos privados. 
C) concordância das ações humanas aos 
preceitos emanados da divindade. 
D) realização de ações que permitem a 
configuração da paz interior. 
E) manifestação de ações estéticas, coroadas de 
adorno e beleza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
QUESTÃO 09 
(Uel 2014) 
 
 
A figura mostra Atenas na atualidade. 
Observam-se as ruínas da Acrópolis – onde 
ficavam os templos como o Parthenon –, o 
Teatro de Dionísio e a Asthy – com a Ágora 
(Mercado/Praça Pública) e as casas dos 
moradores. 
 
Leia o texto a seguir. 
 
 Para Aristóteles, a boa convivência entre os 
habitantes da cidade ideal não seria nunca 
obtida com a mera apathia (ausência de 
paixões) platônica, mas somente através de 
uma boa medida entre razão e afetividade. 
Enfim, a arte não apenas é capaz de nos trazer 
saber, ela tem também uma função edificante e 
pedagógica. 
(FEITOSA, C. Explicando a filosofia com arte. Rio de 
Janeiro: Ediouro, 2004, p.123.) 
 
Com base na figura, no texto, nos 
conhecimentos sobre Aristóteles e na ideia de 
que os espaços do Teatro, da Ágora, dos 
Templos na cidade de Atenas foram 
imprescindíveis para a vocação formativa da 
arte na Grécia Clássica, considere as afirmativas 
a seguir. 
 
 
 
 
 
 
I. A catarse propiciada pelas obras teatrais 
trágicas apresentadas na cidade grega 
operava uma transformação das emoções e 
tornava possível que os cidadãos se 
purificassem e saíssem mais elevados dos 
espetáculos. 
II. A obra poética educava e instruía o cidadão 
da cidade grega, e isso acontecia por 
consequência da satisfação que este sentia 
ao imitar os atos dos grandes heróis que 
eram encenados no teatro. 
III. O poeta demonstrava o universal como 
possível ao criar modelos de situações 
exemplares, que permitem fortalecer o 
sentimento de comunidade. 
IV. O belo nas diversas artes, como nos poemas 
épicos, na tragédia e na comédia, 
desvinculava--se dos laços morais e sociais 
existentes na polis, projetando-se em um 
mundo idealizado. 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
A) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
QUESTÃO 10 
(Unioeste 2013) 
 
“... a função própria do homem é um certo 
modo de vida, e este é constituído de uma 
atividade ou de ações da alma que pressupõem 
o uso da razão, e a função própria de um 
homem bom é o bom e nobilitante exercício 
desta atividade ou a prática destas ações [...] o 
bem para o homem vem a ser o exercício ativo 
das faculdade da alma de conformidade com a 
excelência, e se há mais de uma excelência, em 
conformidade com a melhor e a mais completa 
entre elas. Mas devemos acrescentar que tal 
exercício ativo deve estender-se por toda a 
vida, pois uma andorinha só não faz verão (nem 
o faz um dia quente); da mesma forma, um dia 
só, ou um curto lapso de tempo, não faz um 
homem bem-aventurado e feliz”. 
Aristóteles. 
 
Considerando o texto citado e o pensamento 
ético de Aristóteles, seguem as afirmativas 
abaixo: 
 
I. O bem mais elevado que o ser humano pode 
almejar é a eudaimonia (felicidade), havendo 
uma concordância geral de que o bem 
supremo para o homem é a felicidade, e que 
bem viver e bem agir equivale a ser feliz. 
II. A eudaimonia (felicidade) é sempre buscada 
por si mesma e não em função de outra coisa, 
pois o ser humano escolhe o viver bem como 
a mais elevada finalidade e por nada além do 
próprio viver bem. 
III. Definindo a eudaimonia (felicidade) a partir 
da função própria da alma racional e do 
exercício ativo das faculdades da alma em 
conformidade com a excelência (virtude) 
conclui-se que, aos seres humanos, só é 
possível levar uma vida constituída por 
momentos de felicidade decorrentes da 
satisfação dos desejos e paixões que não se 
subordinam à atividade racional. 
 
 
 
 
 
 
IV. A eudaimonia (felicidade) é um certo modo 
de vida constituído de uma atividade ou de 
ações por via da razão e conforme a ela, 
sendo o bem melhor para o homem o 
exercício ativo das faculdades da alma em 
conformidade com a excelência (virtude), 
que deve estender-se por toda a vida. 
V. A excelência (virtude) humana, como 
realização excelente da tarefa humana, 
reside no exercício ativo da racionalidade, 
pois a função própria de um homem bom é o 
bom e nobilitante exercício desta atividade 
ou na prática destas ações em conformidade 
com a virtude, sendo este o bem humano 
supremo e a última finalidade desiderativa 
humana. 
 
Das afirmativas feitas acima 
 
A) somente a afirmação I está incorreta. 
B) somente a afirmação III está incorreta.C) as afirmações III e V estão corretas. 
D) as afirmações I e III estão corretas. 
E) as afirmações II, III e IV estão corretas. 
 
 
QUESTÃO 11 
(Enem 2013) 
 
A felicidade é portanto, a melhor, a mais 
nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e 
esses atributos não devem estar separados 
como na inscrição existente em Delfos “das 
coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor 
é a saúde; porém a mais doce é ter o que 
amamos”. Todos estes atributos estão 
presentes nas mais excelentes atividades, e 
entre essas a melhor, nós a identificamos como 
felicidade. 
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das 
Letras, 2010. 
 
Ao reconhecer na felicidade a reunião dos 
mais excelentes atributos, Aristóteles a 
identifica como 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
A) busca por bens materiais e títulos de 
nobreza. 
B) plenitude espiritual a ascese pessoal. 
C) finalidade das ações e condutas humanas. 
D) conhecimento de verdades imutáveis e 
perfeitas. 
E) expressão do sucesso individual e 
reconhecimento público. 
 
QUESTÃO 12 
(Enem PPL 2013) 
 
O termo injusto se aplica tanto às pessoas 
que infringem a lei quanto às pessoas 
ambiciosas (no sentido de quererem mais do 
que aquilo a que têm direito) e iníquas, de tal 
forma que as cumpridoras da lei e as pessoas 
corretas serão justas. O justo, então, é aquilo 
conforme à lei e o injusto é o ilegal e iníquo. 
 
ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. São Paulo: Nova 
Cultural: 1996 (adaptado). 
 
Segundo Aristóteles, pode-se reconhecer 
uma ação justa quando ela observa o 
 
A) compromisso com os movimentos 
desvinculados da legalidade. 
B) benefício para o maior número possível de 
indivíduos. 
C) interesse para a classe social do agente da 
ação. 
D) fundamento na categoria de progresso 
histórico. 
E) princípio de dar a cada um o que lhe é devido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 13 
(UFU 2013) 
 
[...] após ter distinguido em quantos sentidos 
se diz cada um [destes objetos], deve-se 
mostrar, em relação ao primeiro, como em cada 
predicação [o objeto] se diz em relação àquele. 
Aristóteles, Metafísica. Tradução de 
Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 
2002. 
 
De acordo com a ontologia aristotélica, 
 
A) a metafísica é “filosofia primeira” porque é 
ciência do particular, do que não é nem 
princípio, nem causa de nada. 
B) o primeiro entre os modos de ser, 
ontologicamente, é o “por acidente”, isto é, 
diz respeito ao que não é essencial. 
C) a substância é princípio e causa de todas as 
categorias, ou seja, do ser enquanto ser. 
D) a substância é princípio metafísico, tal como 
exposto por Platão em sua doutrina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
QUESTÃO 14 
(Uem 2013) 
 
Na Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma: 
“Então, quando a amizade é por prazer ou por 
interesse mesmo, duas pessoas más podem ser 
amigas, ou então uma pessoa boa e outra má, 
ou uma pessoa que não é nem boa nem má 
pode ser amiga de outra qualquer espécie; mas 
pelo que são em si mesmas é óbvio que 
somente pessoas boas podem ser amigas. Na 
verdade, pessoas más não gostam uma da outra 
a não ser que obtenham algum proveito 
recíproco” (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: 
Filosofia. Vários autores. Curitiba: SEED-PR, 
2006, p. 123). A partir do trecho citado, assinale 
a(s) alternativa(s) correta(s). 
 
01) A amizade comporta uma esfera de 
interesses particulares. 
02) A amizade, em alguns casos, é consequência 
de condicionantes pessoais dos amigos. 
04) As amizades desinteressadas não existem, 
visto que alguém sempre tem a ganhar na 
relação. 
08) A amizade interessada entre pessoas más 
também é amizade. 
16) A amizade é falsa quando não há interesse 
ou prazer na relação. 
 
 
QUESTÃO 15 
(Enem PPL 2012) 
 
Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar 
crenças sem querer justificá-las racionalmente, 
pode-se desprezar as evidências empíricas. No 
entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum 
homem honesto pode ignorar que uma outra 
atitude intelectual foi experimentada, a de 
adotar crenças com base em razões e 
evidências e questionar tudo o mais a fim de 
descobrir seu sentido último. 
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio 
da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002. 
 
 
 
 
Platão e Aristóteles marcaram 
profundamente a formação do pensamento 
Ocidental. No texto, é ressaltado importante 
aspecto filosófico de ambos os autores que, em 
linhas gerais, refere-se à 
 
A) adoção da experiência do senso comum 
como critério de verdade. 
B) incapacidade de a razão confirmar o 
conhecimento resultante de evidências 
empíricas. 
C) pretensão de a experiência legitimar por si 
mesma a verdade. 
D) defesa de que a honestidade condiciona a 
possibilidade de se pensar a verdade. 
E) compreensão de que a verdade deve ser 
justificada racionalmente. 
 
QUESTÃO 16 
(Enem PPL 2009) 
 
Vimos que o homem sem lei é injusto e o 
respeitador da lei é justo; evidentemente todos 
os atos legítimos são, em certo sentido, atos 
justos, porque os atos prescritos pela arte do 
legislador são legítimos e cada um deles é justo. 
Ora, nas disposições que tomam sobre todos os 
assuntos, as leis têm em mira a vantagem 
comum, quer de todos, quer dos melhores ou 
daqueles que detêm o poder ou algo desse 
gênero; de modo que, em certo sentido, 
chamamos justos aqueles atos que tendem a 
produzir e a preservar, para a sociedade 
política, a felicidade e os elementos que a 
compõem. 
ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. das Letras, 
2010 (adaptado). 
 
De acordo com o texto de Aristóteles, o 
legislador deve agir conforme a 
 
A) moral e a vida privada. 
B) virtude e os interesses públicos. 
C) utilidade e os critérios pragmáticos. 
D) lógica e os princípios metafísicos. 
E) razão e as verdades transcendentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
QUESTÃO 17 
(Uel 2018) 
Leia o texto a seguir: 
 
Alguns julgam que a grandeza de uma cidade 
depende do número dos seus habitantes, 
quando o que importa é prestar atenção à 
capacidade, mais do que ao número de 
habitantes, visto que uma cidade tem uma obra 
a realizar. [...] A cidade melhor é, 
necessariamente, aquela em que existe uma 
quantidade de população suficiente para viver 
bem numa comunidade política. [...] resulta 
evidente, pois, que o limite populacional 
perfeito é aquele que não excede a quantidade 
necessária de indivíduos para realizar uma vida 
autossuficiente comum a todos. Fica, assim, 
determinada a questão relativa à grandeza da 
cidade. 
(ARISTÓTELES, Política 1326b6-25 Edição bilíngue. 
Tradução e notas de António C. Amaral e Carlos C. 
Gomes. Lisboa: Vega, 1998. p. 495- 499.) 
 
Com base no texto e considerando o papel 
da cidade-estado (pólis) no pensamento ético-
político de Aristóteles, assinale a alternativa 
correta. 
 
A) As dimensões da pólis determinam a 
qualidade de seu governo: quanto mais 
cidadãos, maior e melhor será a sua 
participação política. 
B) A pólis não é natural, por isso é importante 
organizá-la bem em tamanho e quantidade 
de cidadãos para que a sociedade seja 
autossuficiente. 
C) O ser humano, por ser autossuficiente, pode 
prescindir da pólis, pois o bem viver depende 
mais do indivíduo que da sociedade. 
D) A pólis realiza a própria obra quando possui 
um número suficiente de cidadãos que 
possibilite o bem viver. 
E) O ser humano, como animal político, tende a 
realizar-se na pólis, mesmo que esta possua 
quantidade excessiva de cidadãos. 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 18 
(Ufu 2018) 
 
"O filósofo natural e o dialético darão 
definições diferentes para cada uma dessas 
afecções. Por exemplo, no caso da pergunta "O 
que é a raiva?", o dialético dirá que se trata de 
um desejo de vingança, ou algo deste tipo; o 
filósofo natural dirá que se trata de um 
aquecimento do sangue ou de fluidos quentes 
do coração. Um explica segundo a matéria, o 
outro, segundoa forma e a definição. A 
definição é o "o que é" da coisa, mas, para 
existir, esta precisa da matéria." 
Aristóteles. Sobre a alma, I,1 403a 25-32. Lisboa: 
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010. 
 
Considerando-se o trecho acima, extraído da 
obra Sobre a Alma, de Aristóteles (384-322 
a.C.), assinale a alternativa que nomeia 
corretamente a doutrina aristotélica em 
questão. 
 
A) Teoria das categorias. 
B) Teoria do ato-potência. 
C) Teoria das causas. 
D) Teoria do eudaimonismo. 
E) Teoria da relatividade. 
 
QUESTÃO 19 
(Enem PPL 2017) 
 
Dado que, dos hábitos racionais com os quais 
captamos a verdade, alguns são sempre 
verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, 
como a opinião e o cálculo, enquanto o 
conhecimento científico e a intuição são 
sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro 
gênero de conhecimento é mais exato que o 
conhecimento científico, exceto a intuição, e, 
por outro lado, os princípios são mais 
conhecidos que as demonstrações, e dado que 
todo conhecimento científico constitui-se de 
maneira argumentativa, não pode haver 
conhecimento científico dos princípios, e dado 
que não pode haver nada mais verdadeiro que 
o conhecimento científico, exceto a intuição, a 
intuição deve ter por objeto os princípios. 
ARISTÓTELES. Segundos analíticos. In: REALE, G. História 
da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994. 
 
 
 
 
 
 
 
52 
Os princípios, base da epistemologia 
aristotélica, pertencem ao domínio do(a) 
 
A) opinião, pois fazem parte da formação da 
pessoa. 
B) cálculo, pois são demonstrados por 
argumentos. 
C) conhecimento científico, pois admitem 
provas empíricas. 
D) intuição, pois ela é mais exata que o 
conhecimento científico. 
E) prática de hábitos racionais, pois com ela se 
capta a verdade. 
 
QUESTÃO 20 
(Upe-ssa 3 2017) 
 
Leia o texto a seguir sobre o Estado 
Democrático. 
 
Para Aristóteles, o motivo pelo qual nasce o 
Estado é o de tornar possível a vida e também 
uma vida feliz. De fato, a meta final da vida 
humana é a felicidade. Por isso, a razão de ser 
do Estado é facilitar o acesso a essa meta. 
MONDIN, B. O homem, quem é ele? São Paulo: 
Edições Paulinas, 1980, p. 157. 
 
Na citação acima, o autor faz uma reflexão 
filosófica sobre a dimensão do Estado, 
afirmando que 
 
A) o Estado é a felicidade da vida humana, e a 
razão tem valor secundário nessa meta. 
B) a meta final da vida humana é a felicidade, e 
o sentido do Estado é obstar o acesso a essa 
meta. 
C) o Estado tem significância na meta da 
felicidade, e a vida humana é, por natureza, 
social. 
D) na esfera do Estado, a questão democrática 
é prescindível. 
E) a democracia é condição secundária na razão 
de ser do Estado. 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 21 
(Upe-ssa 2 2017) 
 
Sobre o problema político e social, atente ao 
texto a seguir: 
 
O homem verdadeiramente político também 
goza a reputação de haver estudado a virtude 
acima de todas as coisas, pois que ele deseja 
fazer com que os seus concidadãos sejam bons 
e obedientes às leis. Mas a virtude que devemos 
estudar é, fora de qualquer dúvida, a virtude 
humana; porque humano era o bem e humana 
a felicidade que buscávamos. 
Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, 1973, p. 263. 
 
Na citação acima, Aristóteles retrata que 
 
A) a virtude humana é a busca da felicidade e 
não diz respeito à dimensão política que é da 
esfera do social. 
B) o verdadeiro homem prudente no âmbito 
político busca e faz uso do equilíbrio da vida 
pessoal e social. 
C) os cidadãos são bons e obedientes às leis, 
isto é, declinam do valor da virtude humana. 
D) o homem verdadeiramente político deve 
buscar o bem e a felicidade na esfera 
individual. 
E) a virtude humana é um projeto individual e 
indiferente no âmbito da convivência 
político-social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
QUESTÃO 22 
(Enem PPL 2017) 
 
A definição de Aristóteles para enigma é 
totalmente desligada de qualquer fundo 
religioso: dizer coisas reais associando coisas 
impossíveis. Visto que, para Aristóteles, 
associar coisas impossíveis significa formular 
uma contradição, sua definição quer dizer que 
o enigma é uma contradição que designa algo 
real, em vez de não indicar nada, como é de 
regra. 
COLLI, G. O nascimento da filosofia. Campinas: 
Unicamp, 1996 (adaptado). 
 
Segundo o texto, Aristóteles inovou a forma 
de pensar sobre o enigma, ao argumentar que 
 
A) a contradição que caracteriza o enigma é 
desprovida de relevância filosófica. 
B) os enigmas religiosos são contraditórios 
porque indicam algo religiosamente real. 
C) o enigma é uma contradição que diz algo de 
real e algo de impossível ao mesmo tempo. 
D) as coisas impossíveis são enigmáticas e 
devem ser explicadas em vista de sua origem 
religiosa. 
E) a contradição enuncia coisas impossíveis e 
irreais, porque ela é desligada de seu fundo 
religioso. 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[D] 
Na obra citada pelo texto da questão, 
Aristóteles defende que a eudaimonia é a 
finalidade da vida e de todas as ações humanas, 
ou seja, todas as atividades humanas seriam 
motivadas pela busca da eudaimonia, que em 
grego é o equivalente à “felicidade”. A questão, 
no entanto, não traz textos ou análises de casos 
a partir dos quais o aluno possa identificar o 
conceito cobrado ou levantar reflexões sobre o 
mesmo, fazendo com que, para responder a 
questão, o aluno precise fazer uso apenas da 
memorização. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[C] 
O texto deixa claro o pensamento 
aristotélico, segundo o qual a política abrange 
as outras ciências por ter como finalidade o 
sumo bem humano. A única alternativa que está 
de acordo com tal concepção é a [C]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[A] 
A ética, dentro do pensamento filosófico 
aristotélico, constitui uma prática racional e 
livre, sendo por isso diferente dos demais 
saberes apontados no texto. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[A] 
O pensamento aristotélico era mais difícil de 
ser conjugado com o pensamento cristão uma 
vez que valorizava a investigação científica e 
não pressupunha a existência de um plano 
superior. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[C] 
A teoria do conhecimento em Aristóteles busca 
explicar a mutabilidade da realidade. Para este 
filósofo, para que se desenvolva um 
conhecimento verdadeiro, deve-se 
compreender as etapas que constituem a 
realidade, objetivando com isto, compreender 
o processo como um todo. Os conceitos 
desenvolvidos por ele buscam conhecer a 
mutabilidade da realidade através da 
potencialidade (potência), a capacidade para se 
transformar em um determinado objeto e o 
processo de transformação (ato), a realização 
da transformação. Soma-se a isto a relação 
estabelecida pelo filósofo entre matéria e 
forma. Assim, quanto maior for a compreensão 
da relação entre ato e potência e matéria e 
forma, maior será a compreensão da verdade. 
No livro “Metafísica” para ele descreve a teoria 
das 4 causas como sendo: causa formal - a 
forma, os contornos, a aparência, aquilo que a 
coisa vai ser; causa material - do que a coisa é 
 
 
 
 
 
 
 
54 
feita; causa eficiente - aquilo que produz a 
coisa; e causa final - a finalidade, aquilo para o 
qual a coisa é feita. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[C] 
A partir da associação entre a estrutura 
corporal de indivíduos escravizados, o trabalho 
braçal realizado por eles e a suposta inaptidão 
para o exercício da cidadania, Aristóteles 
considera esse tipo de trabalho um trabalho 
puramente físico que dispensa o uso de 
atividade intelectual, legitimando, dessa forma, 
um aspecto de natureza cultural da ordem 
social vigente em sua época a partir do uso de 
argumentos de natureza biológica. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
[B] 
Aristóteles era pertencente à aristocracia e 
com isto defendia um sistema de pensamento 
que considerava a escravidão algo natural. Para 
ele, cada ser, somente poderia realizar-seem 
plenitude, seguindo suas aptidões naturais, isto 
é, seguindo uma natureza que lhes seria 
própria, assim, Aristóteles realizou a divisão da 
sociedade em classes. Nesta sociedade 
idealizada: a classe dos comerciantes era 
responsável por prover a cidade daquilo que 
fosse necessário para a sobrevivência; a classe 
dos guerreiros era responsável por proteger a 
cidade e a classe dos administradores que tinha 
como função determinar os melhores rumos 
para a realização de todos os habitantes da 
cidade de acordo com suas aptidões naturais. 
Assim, Aristóteles comparava o escravo a um 
bem, um instrumento, não sendo diferenciado 
dos animais, não sendo nem ao menos 
enquadrados em seu sistema de classes. Uma 
vez que a escravidão estava garantida, segundo 
a concepção deste autor, o senhor, o dono do 
escravo, poderia dedicar-se a atividades 
próprias aos cidadãos, aos homens livres, ou 
seja, colaborar para o desenvolvimento pleno 
da cidade. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[A] 
De acordo com o pensamento aristotélico, as 
virtudes éticas se desenvolvem a partir do 
hábito, ou seja, de uma prática constante de 
ações moralmente boas, condizentes, portanto, 
com o bem comum. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[D] 
Inicialmente, vale lembrar que Platão não 
nunca afirmou que o cidadão deveria ser 
apático, o filósofo afirmava que o cidadão e a 
cidade ideais eram aqueles cuja razão dominava 
a parte da alma relativa aos desejos. Se Platão 
triparte a alma, e uma dessas partes é a parte 
desiderativa, então como ele poderia negar a 
existência dessa parte dizendo que o homem 
deve ser apático? O homem deveria amputar 
sua alma? E, também, Platão nunca negou a 
importância do amor e o seu páthos. Em 
segundo lugar, lembremos que a teoria política 
de Aristóteles não preconiza exatamente uma 
cidade ideal, pois ele argumenta que cada 
agrupamento possui suas peculiaridades 
próprias e necessita das leis mais convenientes 
segundo a ciência política. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[B] 
A felicidade é a atividade da alma conforme 
a mais elevada virtude, conforme a excelência 
da atividade racional. Esta virtude é adquirida 
através do hábito bem dirigido pela ciência 
política. Consequentemente, a felicidade é algo 
divino, pois ela é o que de melhor existiria no 
mundo, afinal, ela é a realização da felicidade 
de todos os cidadãos – felicidade atingida 
através da boa direção da alma de cada um 
deles. Esse hábito bem dirigido, o pensador 
adiciona, deve ser persistente de tal modo que 
o acaso não interfira no todo da vida fazendo do 
homem feliz apenas em ocasiões fortuitas e 
brevíssimas. 
 
 
 
 
 
 
 
55 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[C] 
Aristóteles parte do senso comum para 
afirmar que todas as atividades humanas, 
pragmáticas ou teóricas, miram um bem 
qualquer, de modo que o bem pode ser definido 
como aquilo a que todas as ações tendem. 
Todavia, nem todas as atividades do homem 
tendem para o bem da mesma maneira, pois 
algumas ações são seus próprios fins e outras 
são meios através dos quais se atinge alguma 
finalidade desejada. O homem é capaz de 
muitas atividades e, por conseguinte, é capaz 
de atingir muitos fins. Alguns destes fins estão 
subordinados a outros – por exemplo, a 
finalidade da agricultura é a alimentação – e, 
consequentemente, se não podemos dizer que 
cultivamos apenas por cultivarmos, ao contrário 
podemos dizer que nos alimentamos apenas 
por nos alimentarmos. Entretanto, a questão é 
que poderíamos considerar todas as nossas 
atividades, até a alimentação, em função de 
outras, e o fim visado pela primeira tornar-se-ia 
o começo da segunda. Se assim 
considerássemos, a sequência seguiria 
infinitamente, nos fazendo transitar de uma 
ação para outra nunca nos tranquilizando. Ora, 
a atividade humana deve visar o bem tendo em 
vista aquela atividade mais excelente, o sumo 
bem. Conhecer tal sumo é, então, de grande 
importância, pois afetaria a maneira como 
agimos e facilitaria a realização da nossa 
felicidade nos dando um bom termo para 
nossas ações. Segundo o filósofo grego, a 
política é a arte mestra, pois é decisiva para a 
determinação dos conteúdos de todas as 
ciências, isto é, todos os conhecimentos se 
subordinam à finalidade da política; se 
considerarmos que o bem é a felicidade e o 
sumo bem é a felicidade de todos, então a 
política se torna a mais decisiva das ciências por 
ser a atividade que realiza o último fim, o sumo 
bem. Portanto, se a felicidade é a atividade da 
alma em conformidade com a virtude perfeita, 
e esta virtude perfeita é adquirida através de 
um bom hábito dirigido pela ciência política, 
então a felicidade é algo divino, pois ela é o que 
de melhor existe no mundo, ou seja, ela é a 
felicidade de todos os cidadãos atingida pela 
boa direção da alma de cada um. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[E] 
 A ideia de justiça é fundamental dentro da 
filosofia aristotélica, sendo, na concepção desse 
filósofo, uma virtude associada às relações 
entre os indivíduos da polis. Para Aristóteles, a 
justiça é relativa à ação correta de um indivíduo 
em relação à outro a partir da noção de uma 
justiça distributiva baseada na equidade, cujo 
fundamento básico é a distribuição à cada um 
daquilo que lhe é proporcional de acordo com 
seu mérito individual. Dessa forma, justo é 
aquilo que é proporcional, sendo tudo o que 
recebido em excesso ou em pobreza, injusto. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[C] 
Em Categorias, Aristóteles concebe a 
substância apenas como indivíduos e define 
distinções lógicas importantes entre tipos de 
atributos que se referem a estas substâncias, já 
em Metafísica, o filósofo engendra uma análise 
fundante sobre a substância mesma e a 
posiciona diferentemente como um complexo 
de matéria e forma. De maneira geral podemos 
tomar a substância como o ser dito de várias 
maneiras: 1) ela é o princípio da realidade e do 
conhecimento, 2) é a causa por excelência 
sendo em todos os sentidos causa formal, 
material, eficiente e final, 3) é o suporte de 
propriedades essenciais e 4) é a essência, ou 
seja, aquilo sem o qual a coisa deixa de ser o 
que é. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
01 + 02 + 08 = 11. 
Seguindo a noção fundamental aristotélica 
de que o ser é dito de várias maneiras, a 
amizade é basicamente uma reciprocidade de 
boas intenções. Porém, as intenções de desejar 
bem a outro não necessariamente provém do 
amor, elas podem provir do interesse. Nesse 
sentido, há boas intenções na direção de outro 
por amor e por interesse e em ambos os casos 
há amizade, porém apenas a boa intenção 
recíproca baseada no amor é realmente 
amizade. 
 
“Os amigos cuja afeição é baseada no 
interesse não amam um ao outro por si 
mesmos, e sim por causa de algum proveito que 
obtêm um do outro. O mesmo raciocínio se 
aplica àqueles que se amam por causa do 
prazer; não é por seu caráter que gostamos das 
pessoas espirituosas, mas porque as achamos 
agradáveis. Logo, as pessoas que amam as 
outras por interesses amam por causa do que é 
bom para si mesmas, e aquelas que amam por 
causa do prazer amam por causa do que lhes é 
agradável, e não porque a outra pessoa é a 
pessoa que ama, mas porque ela é útil ou 
agradável”. (ARISTÓTELES, 2001p. 155) 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[E] 
Depois de Platão e Aristóteles devemos 
compreender que a simples aceitação de uma 
crença qualquer é uma escolha, é um 
procedimento arbitrário e não mais uma 
posição mística agraciada por deus ou deuses 
misteriosos. 
A respeito do surgimento da filosofia e seu 
relacionamento com o discurso mítico podemos 
dizer que existe sempre uma tensão tanto 
estabelecida pela oposição quanto pelo 
confronto – pensando a oposição como 
estabelecimento de métodos e temas 
absolutamente distintos e o confronto como 
embate sobre os temas similares. Os filósofos 
não eram sacerdotes e nem defensores de 
explicações misteriosas sobre os fenômenos 
naturais. É importante compreender quese 
iniciava nessa época uma reflexão sistemática 
empenhada em estabelecer um conhecimento 
que não proviesse da inspiração divina, porém 
da argumentação pública e da comprovação 
factual dos argumentos – e a modificação da 
maneira através da qual as comunidades gregas 
se estabeleciam (a passagem de uma grande 
organização fundada em um líder para a 
pluralidade de líderes de comunidades 
menores) contribuiu muito para a valorização 
desse método dialógico de argumentação que 
exigia a responsabilização do manifestante e, 
por conseguinte, uma sensatez, que não era 
prioridade em uma explicação mítica. Enfim, 
vale indicar por último que apesar de a 
passagem do mito para o lógos ter sido gradual, 
afinal é muito difícil que aquilo que sustenta 
uma comunidade seja alterado rapidamente, 
esta morosidade da substituição não é 
necessariamente devida a uma proximidade 
entre poesia e filosofia. A relação entre ambas 
existe, porém ela é sempre problemática e 
instaurada através da tensão. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[B] 
O legislador deve, segundo Aristóteles, agir 
em função do bem comum, perseguindo, 
portanto, o exercício da virtude. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[D] 
Questão filosófica que envolve a grandeza de 
uma cidade onde o texto destaca que uma 
cidade melhor para se viver é aquela em que 
existe uma quantidade de população suficiente 
que não excede a quantidade necessária para 
realizar uma vida autossuficiente comum a 
todos. A alternativa que mantém a ideia central 
do texto é da letra [D]. A partir das 
considerações do texto e do conhecimento 
acerca da ideia de justa-medida formulada por 
Aristóteles, o aluno deve identificar que, para 
esse filósofo, a quantidade de habitantes 
necessários à pólis a mínima necessária para 
exercer as funções que garantam a 
autossuficiência e a condução efetiva e justa da 
vida coletiva. 
 
 
 
 
 
 
57 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18: 
[C] 
Segundo a metafísica aristotélica, a 
aparência dos objetos diz respeito a como os 
objetos estão em determinado momento. Para 
compreender o que as coisas são em sua 
essência seria preciso investigar os princípios 
que fazem as coisas serem como são. Assim, 
Aristóteles formulou a Teoria das causas, 
segundo a qual existiriam princípios 
fundamentais, ou seja, causas primeiras, que 
constituiriam o ser enquanto ser, ou a essência 
que faz o objeto ser tal como ele é. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19: 
[D] 
Aristóteles atribui, para as formas racionais 
de apreensão da realidade destacadas no texto 
- o cálculo, a opinião, o conhecimento científico 
e a intuição - uma hierarquização que classifica 
as duas últimas como sendo sempre 
verdadeiras. Dentre essas formas de 
conhecimento racional que somente admitem o 
que é verdadeiro, ele atribui, ainda, maior grau 
de exatidão à intuição, sendo essa, portanto, a 
única forma de conhecimento adequada para 
formular juízos acerca dos princípios. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20: 
[C] 
 
A partir do texto e do conhecimento acerca 
de filosofia aristotélica, o aluno deve identificar 
que o Estado tem como função primordial o 
gerenciamento da vida humana em sociedade. 
Ao considerar, ainda, que as ações humanas são 
direcionadas à finalidade da eudaimonia, ou 
seja, da felicidade, infere-se que também o 
Estado toma para si esse papel, qual seja, o de 
tornar possível a realização dessa finalidade, 
ideia expressa corretamente pela alternativa 
[C]. 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21: 
[B] 
Para Aristóteles, ao homem apto à condução 
da vida política, é fundamental o domínio da 
virtude, que, para esse filósofo, se relaciona à 
justa medida, ou seja, ao equilíbrio tanto na 
vida pessoal quanto na pública. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 22: 
[C] 
 
Para o autor do texto, a inovação da reflexão 
filosófica aristotélica acerca do enigma é a 
admissão do caráter paradoxal inerente a ele, 
na medida em que associa coisas impossíveis, 
em uma relação de contradição, para formular 
algo sobre coisas reais, sendo a alternativa [C] a 
única que expressa essa ideia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
FILOSOFIA HELENÍSTICA 
QUESTÃO 01 
(Enem 2018) 
A quem não basta pouco, nada basta. 
EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 
1985. 
 
Remanescente do período helenístico, a 
máxima apresentada valoriza a seguinte 
virtude: 
 
A) Esperança, tida como confiança no porvir. 
B) Justiça, interpretada como retidão de 
caráter. 
C) Temperança, marcada pelo domínio da 
vontade. 
D) Coragem, definida como fortitude na 
dificuldade. 
E) Prudência, caracterizada pelo correto uso da 
razão. 
 
QUESTÃO 02 
(Enem 2016) 
Pirro afirmava que nada é nobre nem 
vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma 
maneira, nada existe do ponto de vista da 
verdade; que os homens agem apenas segundo 
a lei e o costume, nada sendo mais isto do que 
aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta 
doutrina, nada procurando evitar e não se 
desviando do que quer que fosse, suportando 
tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, 
nada deixando ao arbítrio dos sentidos. 
LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos 
ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988. 
O ceticismo, conforme sugerido no texto, 
caracteriza-se por: 
 
A) Desprezar quaisquer convenções e 
obrigações da sociedade. 
B) Atingir o verdadeiro prazer como o princípio 
e o fim da vida feliz. 
C) Defender a indiferença e a impossibilidade de 
obter alguma certeza. 
D) Aceitar o determinismo e ocupar-se com a 
esperança transcendente. 
E) Agir de forma virtuosa e sábia a fim de 
enaltecer o homem bom e belo. 
 
 
QUESTÃO 03 
(Enem 2014) 
 
Alguns dos desejos são naturais e 
necessários; outros, naturais e não necessários; 
outros, nem naturais nem necessários, mas 
nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos 
trazem dor se não satisfeitos não são 
necessários, mas o seu impulso pode ser 
facilmente desfeito, quando é difícil obter sua 
satisfação ou parecem geradores de dano. 
EPICURO DE SAMOS. “Doutrinas principais”. In: 
SANSON, V. F. Textos de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 
1974. 
 
No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o 
homem tem como fim 
 
A) alcançar o prazer moderado e a felicidade. 
B) valorizar os deveres e as obrigações sociais. 
C) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida 
com resignação. 
D) refletir sobre os valores e as normas dadas 
pela divindade. 
E) defender a indiferença e a impossibilidade de 
se atingir o saber. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
QUESTÃO 04 
(UFSM 2013) 
 
A economia verde contém os seguintes 
princípios para o consumo ético de produtos: a 
matéria-prima dos produtos deve ser 
proveniente de fontes limpas e não deve haver 
desperdício dos produtos. O Estado, 
entretanto, não impõe, até o presente 
momento, sanções àqueles cidadãos que não 
seguem esses princípios. 
 
Considere as seguintes afirmações: 
 
I. Esses princípios são juízos de fato. 
II. Esses princípios são, atualmente, uma 
questão de moralidade, mas não de 
legalidade. 
III. A ética epicurista, a exemplo da economia 
verde, propõe uma vida mais moderada. 
 
Está(ão) correta(s) 
 
A) apenas I. 
B) apenas I e II. 
C) apenas III. 
D) apenas II e III. 
E) I, II e III. 
 
QUESTÃO 05 
(Uem 2013) 
 
“Acostuma-te à ideia de que a morte para 
nós não é nada, visto que todo bem e todo mal 
residem nas sensações, e a morte é justamente 
a privação das sensações. A consciência clara de 
que a morte não significa nada para nós 
proporciona a fruição da vida efêmera, sem 
querer acrescentar-lhe tempo infinito e 
eliminando o desejo de imortalidade. Não existe 
nada de terrível na vida para quem está 
perfeitamente convencido de que não há nada 
de terrível em deixar de viver. É tolo, portanto, 
quem diz ter medo da morte, não porque a 
chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque 
o aflige a própria espera.”(Epicuro, Carta sobre a felicidade [a Meneceu]. São 
Paulo: ed. Unesp, 2002, p. 27. In: COTRIM, G. Fundamentos 
da Filosofia. SP: Saraiva, 2006, p. 97). 
A partir do trecho citado, identifique a soma 
das alternativas corretas: 
 
01) a morte, por ser um estado de ausência de 
sensação, não é nem boa, nem má. 
02) a vida deve ser considerada em função da 
morte certa. 
04) o tolo não espera a morte, mas vive apoiado 
nas suas sensações e nos seus prazeres. 
08) a certeza da morte torna a vida terrível. 
16) a espera da morte é um sofrimento tolo 
para aquele que a espera. 
 
QUESTÃO 06 
(Unisc 2012) 
 
Nas suas Meditações, o filósofo estoico 
Marco Aurélio escreveu: 
 
“Na vida de um homem, sua duração é 
um ponto, sua essência, um fluxo, seus sentidos, 
um turbilhão, todo o seu corpo, algo pronto a 
apodrecer, sua alma, inquietude, seu destino, 
obscuro, e sua fama, duvidosa. Em resumo, tudo 
o que é relativo ao corpo é como o fluxo de um 
rio, e, quanto á alma, sonhos e fluidos, a vida é 
uma luta, uma breve estadia numa terra 
estranha, e a reputação, esquecimento. O que 
pode, portanto, ter o poder de guiar nossos 
passos? Somente uma única coisa: a Filosofia. 
Ela consiste em abster-nos de contrariar e 
ofender o espírito divino que habita em nós, em 
transcender o prazer e a dor, não fazer nada 
sem propósito, evitar a falsidade e a 
dissimulação, não depender das ações dos 
outros, aceitar o que acontece, pois tudo 
provém de uma mesma fonte e, sobretudo, 
aguardar a morte com calma e resignação, pois 
ela nada mais é que a dissolução dos elementos 
pelos quais são formados todos os seres vivos. 
Se não há nada de terrível para esses elementos 
em sua contínua transformação, por que, então, 
temer as mudanças e a dissolução do todo?” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
Considere as seguintes afirmativas sobre 
esse texto: 
 
I. Marco Aurélio nos diz que a morte é um 
grande mal. 
II. Segundo Marco Aurélio, devemos buscar a 
fama, a riqueza e o prazer. 
III. Segundo Marco Aurélio, conseguindo fama, 
podemos transcender a finitude da vida 
humana. 
IV. Para Marco Aurélio, a filosofia é valiosa 
porque nos permite compreender que a 
morte é parte de um processo da natureza e 
assim evita que nos angustiemos por ela. 
V. Para Marco Aurélio, só a fé em Deus e em 
Cristo pode libertar o homem do temor da 
morte. 
VI. Para Marco Aurélio, o homem participa de 
uma realidade divina. 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
A) Somente as afirmativas I e V estão corretas. 
B) Somente as afirmativas I, II e III estão 
corretas. 
C) Somente as afirmativas IV e VI estão corretas. 
D) Todas as afirmativas estão corretas. 
E) Somente a afirmativa IV está correta. 
 
QUESTÃO 07 
(UFMG 2012) 
Os deuses de fato existem e é evidente o 
conhecimento que temos deles; já a imagem 
que deles faz a maioria das pessoas, essa não 
existe: as pessoas não costumam preservar a 
noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem 
rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim 
quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa 
maioria. Com efeito, os juízos do povo a 
respeito dos deuses não se baseiam em noções 
inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de 
que eles causam os maiores malefícios aos 
maus e os maiores benefícios aos bons. 
Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só 
aceitam a convivência com os seus semelhantes 
e consideram estranho tudo que seja diferente 
deles. 
EPICURO. Carta sobre a felicidade (a Meneceu). 
Trad. de A. Lorencini e E. del Carratore. 
Com base na leitura desse trecho e 
considerando outros elementos contidos na 
obra citada, explique em que medida a 
representação que se faz dos deuses influência 
na busca da felicidade. 
 
 
 
 
QUESTÃO 08 
(UFSJ 2012) 
 
Sobre a ética na Antiguidade, é CORRETO 
afirmar que 
 
A) o ideal ético perseguido pelo estoicismo era 
um estado de plena serenidade para lidar 
com os sobressaltos da existência. 
B) os sofistas afirmavam a normatização e 
verdades universalmente válidas. 
C) Platão, na direção socrática, defendeu a 
necessidade de purificação da alma para se 
alcançar a ideia de bem. 
D) Sócrates repercutiu a ideia de uma ética 
intimista voltada para o bem individual, que, 
ao ser exercida, se espargiria por todos os 
homens. 
 
QUESTÃO 09 
(UFSJ 2011) 
 
Sobre o ceticismo, é CORRETO afirmar que 
 
A) os céticos buscaram uma mediação entre “o 
ser” e o “poder-ser”. 
B) o ceticismo relativo tem no subjetivismo e no 
relativismo doutrinas manifestamente 
apoiadas em seu princípio maior: toda 
interatividade possível. 
C) Protágoras (séc. V a.C.), relativista, afirmou 
que “o Homem só entende a natureza porque 
o conhecimento emana dela e nela se 
instala”. 
D) Górgias (485-380 a.C.) e Pirro (365-275 a.C.) 
são apontados como possíveis fundadores do 
ceticismo absoluto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
QUESTÃO 10 
(Uenp 2011) 
 
Julgue as afirmações sobre a filosofia helenista. 
 
I. É o último período da filosofia antiga, quando 
a polis grega desaparece em razão de invasões 
sucessivas, por persas e romanos, sendo 
substituída pela cosmopolis, categoria de 
referência que altera a percepção de mundo 
do grego, principalmente no tocante à 
dimensão política. 
II. É um período constituído por grandes 
sistemas e doutrinas que apresentam 
explicações totalizantes da natureza, do 
homem, concentrando suas especulações no 
campo da filosofia prática, principalmente da 
ética. 
III. Surgem nesse período a filosofia estoica, o 
epicurismo, o ceticismo e o neoplatonismo. 
 
Estão corretas as afirmativas: 
 
A) Todas elas. 
B) Apenas I e II. 
C) Apenas III. 
D) Apenas II e III. 
E) Apenas I. 
 
QUESTÃO 11 
(Ueg 2011) 
 
Em meados do século IV a.C., Alexandre 
Magno assumiu o trono da Macedônia e iniciou 
uma série de conquistas e, a partir daí, 
construiu um vasto império que incluía, entre 
outros territórios, a Grécia. Essa dominação só 
teve fim com o desenvolvimento de outro 
império, o romano. Esse período ficou 
conhecido como helenístico e representou uma 
transformação radical na cultura grega. Nessa 
época, um pensador nascido em Élis, chamado 
Pirro, defendia os fundamentos do ceticismo. 
Ele fundou uma escola filosófica que pregava a 
ideia de que: 
 
 
 
 
A) seria impossível conhecer a verdade. 
B) seria inadmissível permanecer na mera 
opinião. 
C) os princípios morais devem ser inferidos da 
natureza. 
D) os princípios morais devem basear-se na 
busca pelo prazer. 
 
QUESTÃO 12 
(Uem 2010) 
A filosofia de Epicuro (341 a 240 a.c.) pode ser 
caracterizada por uma filosofia da natureza e 
uma antropologia materialista; por uma ética 
fundamentada na amizade e a busca da 
felicidade nos princípios de autarquia 
(autonomia e independência do sujeito) e de 
ataraxia (serenidade, ausência de perturbação, 
de inquietação da mente). 
 
Sobre a filosofia de Epicuro, identifique a soma 
das alternativas corretas: 
 
01) A filosofia de Epicuro fundamenta-se no 
atomismo de Demócrito. Epicuro acredita 
que a alma humana é formada de um 
agrupamento de átomos que se desagregam 
depois da morte, mas que não se extinguem, 
pois são eternos, podendo reagrupar-se 
infinitamente. 
02) Para Epicuro, a amizade se expressa, 
sobretudo, por meio do engajamento 
político como forma de amar todos os 
homens representados pela pátria. 
04) Epicuro, como seu mestre Demócrito, foi 
ateu, considera que a crença nos deuses é o 
resultado da fantasia humana produzida 
pelo medo da morte. 
08) Epicuro critica os filósofos que ficavam 
reclusos no jardim das suas academias e 
ensinavam apenas para um grupo restrito 
de discípulos. Acredita que a filosofia deve 
ser ensinada nas praças públicas. 
16) Para Epicuro, não devemos temer a morte, 
pois, enquanto vivemos, a morte está 
ausente e quando ela for presente nós não 
seremos mais; portanto, a vida e a morte 
não podem encontrar-se. Devemos 
exorcizar todo temorda morte e sermos 
capazes de gozar a finitude da nossa vida. 
 
 
 
 
 
 
 
62 
QUESTÃO 13 
(UFF 2010) 
 
O mundo me condena, e ninguém tem pena 
Falando sempre mal do meu nome 
Deixando de saber se eu vou morrer de sede 
Ou se vou morrer de fome 
Mas a filosofia hoje me auxilia 
A viver indiferente assim 
Nesta prontidão sem fim 
Vou fingindo que sou rico 
Pra ninguém zombar de mim 
Não me incomodo que você me diga 
Que a sociedade é minha inimiga 
Pois cantando neste mundo 
Vivo escravo do meu samba, muito embora 
vagabundo 
Quanto a você da aristocracia 
Que tem dinheiro, mas não compra alegria 
Há de viver eternamente sendo escrava 
dessa gente 
Que cultiva hipocrisia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assinale a sentença do filósofo grego Epicuro 
cujo significado é o mais próximo da letra da 
canção “Filosofia”, composta em 1933 por Noel 
Rosa, em parceria com André Filho. 
 
A) É verdadeiro tanto o que vemos com os olhos 
como aquilo que apreendemos pela intuição 
mental. 
B) Para sermos felizes, o essencial é o que se 
passa em nosso interior, pois é deste que nós 
somos donos. 
C) Para se explicar os fenômenos naturais, não 
se deve recorrer nunca à divindade, mas se 
deve deixá-la livre de todo encargo, em sua 
completa felicidade. 
D) As leis existem para os sábios, não para 
impedir que cometam injustiças, mas para 
impedir que as sofram. 
E) A natureza é a mesma para todos os seres, 
por isso ela não fez os seres humanos nobres 
ou ignóbeis, e, sim suas ações e intenções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
QUESTÃO 14 
(Uenp 2010) 
 
 
Sobre as escolas éticas do período 
helenístico, da antiguidade clássica da Filosofia 
Grega, associe a primeira com a segunda coluna 
e assinale e alternativa correta. 
 
I. Epicurismo 
II. Estoicismo 
III. Ceticismo 
IV. Ecletismo 
 
A - É uma moral hedonista. O fim supremo da 
vida é o prazer sensível; o critério único de 
moralidade é o sentimento. Os prazeres 
estéticos e intelectuais são como os mais 
altos prazeres. 
B - Visa sempre um fim último ético-ascético, 
sem qualquer metafísica, mesmo negativa. 
C - Se nada é verdadeiro, tudo vale unicamente. 
D - A paixão é sempre substancialmente má, 
pois é movimento irracional, morbo e vício 
da alma. 
 
A) I – A, II – B, III – C, IV – D. 
B) I – A, II – B, III – D, IV – C. 
C) I – A, II – D, III – C, IV – B. 
D) I – A, II – D, III – B, IV – C. 
E) I – D, II – A, III – B, IV – C. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 15 
(Uem 2008) 
O Período Helenístico inicia-se com a 
conquista macedônica das cidades-estados 
gregas. As correntes filosóficas desse período 
surgem como tentativas de remediar os 
sofrimentos da condição humana individual: o 
epicurismo ensinando que o prazer é o sentido 
da vida; o estoicismo instruindo a suportar com 
a mesma firmeza de caráter os acontecimentos 
bons ou maus; o ceticismo de Pirro orientando 
a suspender os julgamentos sobre os 
fenômenos. Sobre essas correntes filosóficas, 
identifique a soma das alternativas corretas: 
 
01) Os estoicos, acreditando na ideia de um 
cosmo harmonioso governado por uma 
razão universal, afirmaram que virtuoso e 
feliz é o homem que vive de acordo com a 
natureza e a razão. 
 
02) Conforme a moral estoica, nossos juízos e 
paixões dependem de nós, e a importância 
das coisas provém da opinião que delas 
temos. 
 
04) Para o epicurismo, a felicidade é o prazer, 
mas o verdadeiro prazer é aquele 
proporcionado pela ausência de 
sofrimentos do corpo e de perturbações da 
alma. 
 
08) Para Epicuro, não se deve temer a morte, 
porque nada é para nós enquanto vivemos 
e, quando ela nos sobrevém, somos nós que 
deixamos de ser. 
 
16) O ceticismo de Pirro sustentou que, porque 
todas as opiniões são igualmente válidas e 
nossas sensações não são verdadeiras nem 
falsas, nada se deve afirmar com certeza 
absoluta, e da suspensão do juízo advém a 
paz e a tranquilidade da alma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
QUESTÃO 16 
(Enem PPL 2017) 
 
XI. Jamais, a respeito de coisa alguma, digas: 
“Eu a perdi”, mas sim: “eu a restituí”. O filho 
morreu? Foi restituído. A mulher morreu? Foi 
restituída. “A propriedade me foi subtraída”, 
então também foi restituída. “Mas quem a 
subtraiu é mau”. O que te importa por meio de 
quem aquele que te dá a pede de volta? Na 
medida em que ele der, faz uso do mesmo modo 
de quem cuida das coisas de outrem. Do mesmo 
modo como fazem os que se instalam em uma 
hospedaria. 
 
EPICTETO. Encheirídion. In: DINUCCI, A. 
Introdução ao Manual de Epicteto. São 
Cristóvão: UFS, 2012 (adaptado). 
 
A característica do estoicismo presente 
nessa citação do filósofo grego Epicteto é 
 
A) explicar o mundo com números. 
B) identificar a felicidade com o prazer. 
C) aceitar os sofrimentos com serenidade. 
D) questionar o saber científico com veemência. 
E) considerar as convenções sociais com 
desprezo. 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[C] 
O epicurismo, corrente filosófica criada por 
Epicuro na Grécia antiga, apresenta uma 
concepção moral hedonista, a partir da qual a 
finalidade das ações humanas seria a busca pelo 
prazer. No entanto, a busca pelo prazer 
humano, segundo a moral epicurista, deve se 
assentar no uso da razão, de modo que o 
indivíduo não seja escravizado pelo desejo, o 
que levaria a um estado de sofrimento 
permanente. Seria, portanto, uma postura 
temperante – ou seja, moderada – diante dos 
prazeres que tornaria possível ao indivíduo não 
sofrer por prazeres que não pode obter. 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[C] 
O ceticismo pode ser caracterizado como a 
consciência da impossibilidade humana de 
encontrar verdades universais. Assim é que o 
filósofo não mais se preocupa em buscá-la, 
preferindo uma vida fundada na dúvida. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[A] 
A filosofia de Epicuro tem como um de seus 
princípios a moderação dos desejos e dos 
prazeres, tal como afirma a alternativa [A], 
única correta. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[D] 
Um juízo de fato é um juízo que diz respeito 
à disposição da realidade, isto é, se o enunciado 
estivesse descrevendo a situação atual do 
consumo: “consumimos produtos de origens de 
fontes sujas segundo a informação ‘x’ e pela 
estatística ‘y’ demonstramos que 
desperdiçamos exageradamente nossa 
produção”, então ele seria um juízo de fato. No 
caso, o enunciado expõe um juízo de valor, isto 
é, de acordo com o que se constata nos fatos 
deveríamos garantir fontes limpas como 
matéria-prima da produção e evitar o 
desperdício desta produção. Como esse juízo de 
valor ainda não foi avaliado e regulado pelo 
Estado, então ele é um juízo meramente moral, 
que reflete unicamente a escolha do sujeito 
sobre a melhor maneira de organizar seus 
hábitos. 
A ética aristotélica, a ética epicurista, 
basicamente toda a ética antiga, defendia, cada 
uma a sua maneira, a moderação como uma 
virtude muitíssimo importante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
01 + 16 = 17. 
O pensamento de Epicuro é marcado pela 
identificação do bem soberano com o prazer, 
todavia não se pode derivar dessa relação à 
liberação para uma vida dos prazeres. Os 
epicuristas determinavam que a felicidade se 
encontra em uma vida regrada definida 
segundo uma inteligência prática capaz de ter 
as paixões como normais, e não como inimigas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[C] 
Marco Aurélio foi um imperador que reinou 
durante um período muito conturbado de 
guerras e pestes, mas durante sua vida 
conseguiu escrever a sua peculiar obra e: 
 
“Escreveu apenas para si mesmo – o 
título original dos doze livros, conhecido como 
Meditações (ou Pensamentos), é O imperador 
Marco Aurélio para si mesmo. Isso deu à obra 
uma singularidade inovadora, não pertencendo 
a nenhum dos gêneros literários conhecidos 
pela filosofia, pois não assume a forma do 
tratado doutrinário, nem das confissões, nem dodiário: o exame da consciência. Seu estilo é das 
sentenças e das fulgurações”. 
 
(M. Chaui. Introdução à história da filosofia; As 
escolas helenísticas, vol. II. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2010). 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
 
 Segundo a filosofia epicurista, o homem 
chega à felicidade por meio da ataraxia, que 
corresponde ao estado de tranquilidade da 
alma. Tal estado só é possível de ser alcançado 
se os homens deixam de temer a morte e os 
deuses. Uma vez que os deuses são indiferentes 
aos homens e existem somente em uma 
dimensão que não pode influenciá-los, a falsa 
crença de que os deuses “causam os maiores 
malefícios aos maus e os maiores benefícios aos 
bons” cria no homem um estado de angústia, 
que o impede de chegar à ataraxia. 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[A] 
Há aqui a necessidade de esclarecer que 
sistematicamente a ética estoica é enunciada 
de acordo com a física, quer dizer, dado que o 
estoicismo constrói uma física da causalidade 
necessária (as leis da natureza são necessárias 
e de certo evento ocorrerá uma consequência 
inevitável), a ética lida com a ideia de destino e, 
por conseguinte, não há contingência caso um 
evento seja, e se faça, sempre verdadeiro. Isto 
estabelecido, temos: 
 
“De acordo com Diógenes de Laércio, os 
estoicos distinguiam na ética, enquanto parte 
da filosofia, “lugares” ou objetos de estudos: o 
impulso ou tendência, hormé; os bens e males; 
as paixões, páthé; a virtude, areté; o sumo bem, 
télos; as ações; as condutas conveniente, 
kathekonta; e o que convém aconselhar ou 
impedir. A ética é elaborada em dois 
movimentos: um que vai da psicologia da 
tendência aos valores (bem e mal) que orientam 
positiva ou negativamente as ações, passa pelas 
perturbações que podem afetá-las (paixões) e 
chega à perfeição (virtude, bem) e às 
especificações concretas ações morais 
(convenientes); e outro, que vai do ideal do 
sábio às especificações concretas de conduta e 
à pedagogia moral. 
Toda ação ética é orientada por um fim 
único (télos), em vista do qual todo o resto é 
meio ou fim parcial. O fim último é a felicidade 
(eudaimonía) daquele que vive bem porque 
realiza plenamente sua natureza. Os estoicos 
consideram que a virtude basta para a 
felicidade, da qual ela é a causa, mas não é ela 
o télos ou o sumo bem, que é viver em 
conformidade (homología) com a natureza, isto 
é, consigo mesmo e com o mundo. A 
infelicidade, portanto, é o desacordo ou o 
conflito consigo mesmo e com a natureza”. 
 
(M. Chaui. Introdução à história da filosofia: 
as escolas helenísticas, vol. II. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2010, p. 156) 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[D] 
Todas as alternativas, com exceção da [D] 
estão incorretas. O ceticismo admite a 
impossibilidade de um conhecimento absoluto 
das coisas. Dentre os filósofos que podem ser 
relacionados a esse modo de pensar estão 
justamente Górgias e Pirro. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[A] 
Sobre o helenismo, Marilena Chaui afirma: 
“Nesse longo período, que já alcança Roma e o 
pensamento dos primeiros Padres da Igreja, a 
Filosofia se ocupa sobretudo com as questões da 
ética, do conhecimento humano e das relações 
entre o homem e a Natureza e de ambos com 
Deus”. (Chaui, Marilena. Convite à Filosofia. São 
Paulo: Editora Ática, 9ª ed. 1997, p. 34.) Por 
meio dessa citação verifica-se como as 
afirmações I e II são verdadeiras. Por fim, pode-
se dizer que a terceira também é verdadeira, 
uma vez que apresenta justamente as escolas 
filosóficas que surgiram nesse contexto. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[A] 
Também chamado de ceticismo prático, o 
pirronismo baseia-se na ideia de que é 
impossível conhecer a realidade, que é sempre 
contingente e mutável. Assim, o que restaria ao 
homem seria renunciar a busca pela verdade, 
exatamente como se afirma na alternativa A. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
01 + 16 = 17 
As afirmativas [02], [04] e [08] são falsas. A 
amizade, para Epicuro, estava relacionada com 
a prática filosófica e não com a prática política. 
A vida política seria não natural. A amizade se 
daria entre semelhantes, que viveriam reclusos 
da multidão. Epicuro também nunca negou a 
existência de deuses, ainda que pensasse ser 
improvável a preocupação destes com os 
problemas dos homens. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[B] 
De forma resumida, a doutrina de Epicuro é 
uma filosofia do prazer. Achar o caminho de 
maior felicidade e tranquilidade, evitando a dor, 
era a máxima epicurista. No entanto, não se 
trata da busca de qualquer prazer, que é 
evidente na canção de Noel Rosa quando exalta 
sua vida de sambista e nela encontrar 
indiferença para os que vivem em função do 
“dinheiro que não compra alegria”. Para 
Epicuro, a música era um dos prazeres no qual 
o ser humano ao encontrar, não devia jamais se 
separar. Epicuro não faz uma defesa do carpe 
diem ou da libertinagem irresponsável. O prazer 
em questão não é nunca trivial ou vulgar. Na 
carta a Meneceu, Epicuro afirma que “nem todo 
o prazer é digno de ser desejado”, da mesma 
forma que nem toda dor deve ser evitada 
incondicionalmente. A deturpação do conceito 
de prazer usado por Epicuro foi algo que 
ocorreu durante a sua vida, e ele teve, portanto, 
a oportunidade de rebater: “Quando dizemos 
então, que o prazer é a finalidade da nossa vida, 
não queremos referir-nos aos prazeres dos 
gozadores dissolutos, para os quais o alvo é o 
gozo em si. É isso que creem os ignorantes ou 
aqueles que não compreendem a nossa doutrina 
ou querem, maldosamente, não entender a sua 
verdade. Para nós, prazer significa: não ter 
dores no âmbito físico e não sentir falta de 
serenidade no âmbito da alma”. Em outras 
palavras, a ataraxia, a quietude, a ausência de 
dor, a serenidade e a imperturbabilidade da 
alma. 
 
 
 
 
 
 
67 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[D] 
 O epicurismo é muito conhecido como a 
filosofia da amizade. Por considerar como um 
bem a procura por prazeres, o epicurismo é 
muitas vezes considerado como uma 
manifestação filosófica hedonista. O estoicismo 
se relaciona com o estado de apathea (apatia), 
considerado como um estado de indiferença em 
relação às emoções e paixões. O ceticismo se 
relaciona com uma moral que questiona a 
metafísica. Por fim, o ecletismo pode ser 
considerado como uma corrente de síntese 
filosófica. A expressão maior desse modelo de 
pensamento é “Se nada é verdadeiro, tudo vale 
unicamente”. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
 [01 + 02 + 04 + 08 + 16 = 31] 
Todas as afirmativas são corretas a respeito 
dessas três correntes helenísticas. Todas essas 
correntes fazem parte daquela que é também 
chamada de Filosofia cosmopolita. Nesse 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
FILOSOFIA MEDIEVAL – INTRODUÇÃO/SANTO 
AGOSTINHO (PATRÍSTICA) 
 
QUESTÃO 01 
(Eece 2019) 
Em diálogo com Evódio, Santo Agostinho 
afirma: “parecia a ti, como dizias, que o livre-
arbítrio da vontade não devia nos ter sido dado, 
visto que as pessoas servem-se dele para pecar. 
Eu opunha à tua opinião que não podemos agir 
com retidão a não ser pelo livre-arbítrio da 
vontade. E afirmava que Deus no-lo deu, 
sobretudo em vista desse bem. Tu me 
respondeste que a vontade livre devia nos ter 
sido dada do mesmo modo como nos foi dada a 
justiça, da qual ninguém pode se servir a não ser 
com retidão”. 
AGOSTINHO. O livre-arbítrio, Introdução, III, 
18, 47. 
Com base nessa passagem acerca do livre-
arbítrio da vontade, em Agostinho, é correto 
afirmar que 
 
A) o livre-arbítrio é o que conduz o homem ao 
pecado e ao afastamento de Deus. 
B) o poder de decisão ‒ arbítrio ‒ da vontade 
humana é o que permite a ação moralmente 
reta. 
C) é da vontade de Deus que o homem não 
tenha capacidade de decidir pelo pecado, já 
que o Seu amor pelo homem é maior do que 
o pecado. 
D) a ação justaé aquela que foi praticada com o 
livre-arbítrio; injusta é aquela que não 
ocorreu por meio do livre-arbítrio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Eece 2019) 
“O maniqueísmo é uma filosofia religiosa 
sincrética e dualística fundada e propagada por 
Manes ou Maniqueu, filósofo cristão do século 
III, que divide o mundo simplesmente entre 
Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é 
intrinsecamente má e o espírito, 
intrinsecamente bom. Com a popularização do 
termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo 
para toda doutrina fundada nos dois princípios 
opostos do Bem e do Mal.” 
Wikipédia. Disponível em: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Manique%C3%AD
smo. 
 
Contra o maniqueísmo, Agostinho de Hipona 
(Santo Agostinho) afirmava que 
 
A) Deus é o Bem absoluto, ao qual se contrapõe 
o Mal absoluto.] 
B) as criaturas só são más numa consideração 
parcial, mas são boas em si mesmas 
C) toda a criação era boa e tornou-se má, pois 
foi dominada pelo pecado após a Queda. 
D) a totalidade da criação é boa em si mesma, 
mas singularmente há criaturas boas e más. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
QUESTÃO 03 
(ufu 2018) 
Agostinho, em Confissões, diz: "Mas após a 
leitura daqueles livros dos platônicos e de ser 
levado por eles a buscar a verdade incorpórea, 
percebi que 'as perfeições invisíveis são visíveis 
em suas obras' (Carta de Paulo aos Romanos, 1, 
20)". 
Agostinho de Hipona. Confissões, livro VII, cap. 
20, citado por: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos 
de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 
2000. Tradução do autor. 
 
Nesse trecho, podemos perceber como 
Agostinho 
 
A) se utilizou da Bíblia para conhecer melhor a 
filosofia platônica. 
B) utiliza a filosofia platônica para refutar os 
textos bíblicos. 
C) separa nitidamente os domínios da filosofia e 
da religião. 
D) foi despertado para o conhecimento de Deus 
a partir da filosofia platônica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 04 
(Uem 2017) 
“Embora o cristianismo não seja uma 
filosofia, ele afeta de forma profunda o 
pensamento filosófico da época [Idade Média], 
uma vez que o filósofo cristão se depara com o 
problema da sua realidade finita e imperfeita 
diante da divindade infinita e perfeita.” 
ARANHA, M. L. de A. Temas de filosofia. 3ª. 
ed. rev. São Paulo: Moderna, 2005, p.110. 
 
Sobre a patrística e a escolástica, identifique 
a soma das alternativas corretas: 
 
01) A filosofia medieval assume a herança dos 
filósofos gregos, sobretudo Platão (na 
patrística) e Aristóteles (na escolástica), de 
forma submissa e dogmática. 
02) Santo Agostinho (354-430) é o maior 
representante da filosofia patrística. A 
patrística preocupava-se em encontrar 
justificativas racionais para as verdades 
reveladas. 
04) Segundo a filosofia patrística, a revelação 
divina ensina quem tem fé a utilizar 
corretamente o conhecimento sensível. 
08) Tomás de Aquino (1225-1274) considera a 
filosofia como conhecimento racional e tem 
como um dos seus principais temas 
filosóficos a adequação entre as coisas e o 
entendimento. 
16) O problema de maior relevância para a 
filosofia do século XIII é a querela dos 
universais, doutrina filosófica segundo a 
qual os realistas preponderam sobre os 
nominalistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
QUESTÃO 05 
(Uem 2017) 
 
 “Isto agora é límpido e claro: nem 
as coisas futuras existem, nem as coisas 
passadas, nem dizemos apropriadamente 
‘existem três tempos: o passado, o presente e o 
futuro’. Mas talvez pudéssemos dizer 
apropriadamente ‘existem três tempos: o 
presente das coisas passadas, o presente das 
coisas presentes, o presente das coisas futuras’. 
Pois os três estão de alguma maneira na alma e 
eu não os vejo em outro lugar: o presente das 
coisas passadas é a memória, o presente das 
coisas presentes é o olhar, o presente das coisas 
futuras é a expectativa”. 
SANTO AGOSTINHO, Confissões, in: 
MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. 
Curitiba: Seed, 2009, p. 43. 
A partir do texto citado, identifique a soma 
das alternativas corretas: 
 
01) O tempo é algo compreendido pela alma, e 
não algo presente nas coisas. 
02) Para Santo Agostinho, existem três tempos 
distintos: passado, presente e futuro. 
04) O futuro é um tempo de expectativa para a 
alma. 
08) O presente é algo que se põe diante do olhar 
da alma. 
16) O passado é visto em outro lugar, e nós o 
acessamos pela memória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 06 
(Ufu 2013) 
 
 A fé ajuda o conhecimento e o amor 
de Deus, não no sentido de que no-lo faça 
conhecer e amar porque antes de fato não o 
conhecíamos ou não o amávamos, mas nos 
ajuda a conhecê-lo de modo mais luminoso e a 
amá-lo com amor mais firme. 
Agostinho, A Trindade, VIII, 9, 13. 
 
A) Para Agostinho, a fé não tem um caráter a-
racional ou metarracional, e sim um preciso 
valor cognoscitivo. Assim, qual é, para ele, a 
relação entre razão e fé? 
 
B) Em qual teoria Agostinho se baseia para 
afirmar os critérios de conhecimento 
imutáveis e necessários que vêm de Deus? 
 
QUESTÃO 07 
(Ufu 2019) 
 Não foram poucos, porém, aqueles 
que dispensaram até mesmo essa comprovação 
racional da fé. Foi o caso de religiosos que 
desprezavam a filosofia grega. Mas houve 
também aqueles que defenderam o 
conhecimento da filosofia grega, percebendo a 
possibilidade de utilizá-la como instrumento a 
serviço do cristianismo. Conciliando com a fé 
cristã, esse estudo permitiria à Igreja enfrentar 
os descrentes e derrotar os hereges, 
empregando as armas da argumentação lógica. 
COTRIM, Gilberto e FERNANDES, Mirna. 
Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 
2017, p. 241. (Adaptado) 
 
A) Disserte sobre os motivos que levaram à 
rejeição da filosofia grega por parte dos 
primeiros cristãos. 
 
 
B) Cite e explique, pelo menos, um conceito 
filosófico grego que foi apropriado e 
reelaborado por Santo Agostinho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
QUESTÃO 08 
(Enem 2012) 
TEXTO I 
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o 
elemento originário de tudo o que existe, 
existiu e existirá, e que outras coisas provêm de 
sua descendência. Quando o ar se dilata, 
transforma-se em fogo, ao passo que os ventos 
são ar condensado. As nuvens formam-se a 
partir do ar por feltragem e, ainda mais 
condensadas, transformam-se em água. A água, 
quando mais condensada, transforma-se em 
terra, e quando condensada ao máximo 
possível, transforma-se em pedras. 
BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio 
de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado). 
 
TEXTO II 
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: 
“Deus, como criador de todas as coisas, está no 
princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas 
de conteúdo se nos apresentam, em face desta 
concepção, as especulações contraditórias dos 
filósofos, para os quais o mundo se origina, ou 
de algum dos quatro elementos, como ensinam 
os Jônios, ou dos átomos, como julga 
Demócrito. Na verdade, dão a impressão de 
quererem ancorar o mundo numa teia de 
aranha”. 
GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia 
Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado). 
 
Filósofos dos diversos tempos históricos 
desenvolveram teses para explicar a origem do 
universo, a partir de uma explicação racional. As 
teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de 
Basílio, filósofo medieval, têm em comum na 
sua fundamentação teorias que: 
 
A) eram baseadas nas ciências da natureza. 
B) refutavam as teorias de filósofos da religião. 
C) tinham origem nos mitos das civilizações 
antigas. 
D) postulavam um princípio originário para o 
mundo. 
E) defendiam que Deus é o princípio de todas as 
coisas. 
 
QUESTÃO 09 
(Uem-pas 2012) 
 As questões religiosas influenciaram 
diversos aspectos da sociedade europeia 
medieval. No universo político, por exemplo, 
perante um poder diluído em virtude da 
organização feudal da sociedade, a Igreja 
Católica representavauma instituição com 
poder unificador. Nos âmbitos cultural e 
artístico, a construção e a decoração de igrejas, 
as músicas e os ritos litúrgicos e a exegese dos 
textos sagrados contribuíram para o 
florescimento de uma arte sacra. Até mesmo no 
campo da Filosofia, as discussões eram 
pautadas por questões religiosas, pois a 
principal preocupação dos filósofos medievais 
era conciliar fé e razão. A respeito desses 
aspectos da sociedade medieval, assinale a(s) 
alternativa(s) correta(s). 
 
01) A Patrística foi a filosofia e a teologia 
desenvolvidas pelos padres da Igreja para 
encontrar justificativas racionais para as 
verdades reveladas. 
02) A Escolástica dedicou-se, 
preponderantemente, a produzir teses e 
discussões inaugurais sobre filosofia, uma 
vez que, sob a supervisão da Igreja, os 
filósofos não tinham acesso a textos de 
autores clássicos. 
04) O Barroco, estilo artístico que reflete o 
sentimento humano de conflito entre si e a 
divindade, apareceu no período medieval. 
08) A seita dos Cátaros e a dos Albigenses foram 
consideradas heréticas porque defendiam 
doutrinas dualistas que conflitavam com a 
doutrina católica da ressurreição e o modo 
de vida levado pelos membros eclesiásticos. 
16) Em A Divina Comédia, o poeta florentino 
Dante Alighieri resumiu a visão filosófica e o 
espírito religioso da sociedade medieval. 
Nessa obra, Alighieri descreve uma viagem 
imaginária e cheia de simbolismo, por meio 
do inferno, do purgatório e do paraíso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
 QUESTÃO 10 
(Ufu 2012) 
 
Na medida em que o Cristianismo se 
consolidava, a partir do século II, vários 
pensadores, convertidos à nova fé e, 
aproveitando-se de elementos da filosofia 
greco-romana que eles conheciam bem, 
começaram a elaborar textos sobre a fé e a 
revelação cristãs, tentando uma síntese com 
elementos da filosofia grega ou utilizando-se de 
técnicas e conceitos da filosofia grega para 
melhor expor as verdades reveladas do 
Cristianismo. Esses pensadores ficaram 
conhecidos como os Padres da Igreja, dos quais 
o mais importante a escrever na língua latina foi 
santo Agostinho. 
COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia: 
Ser, Saber e Fazer. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 128. 
(Adaptado) 
Esse primeiro período da filosofia medieval, 
que durou do século II ao século X, ficou 
conhecido como 
 
A) Escolástica. 
B) Neoplatonismo. 
C) Antiguidade tardia. 
D) Patrística. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 11 
(Ufu 2012) 
 
Segundo Agostinho de Hipona (354-430), as 
ideias ou formas originárias de todas as coisas, 
razões estáveis e imutáveis das coisas de nosso 
mundo, estão contidas na mente divina e não 
nascem nem morrem, e tudo o que, em nosso 
mundo, nasce e morre é formado a partir delas. 
Essas ideias eternas não são criaturas, antes, 
participam da Sabedoria eterna, mediante a 
qual Deus criou todas as coisas e são idênticas 
a Ele. Assim, conhecemos verdadeiramente 
quando nos voltamos para tais ideias; sendo o 
fundamento da natureza das coisas são também 
o fundamento para o conhecimento dessas 
mesmas coisas; assim, por meio delas podemos 
formar juízos verdadeiros sobre elas. 
INÁCIO, Inês. C. & LUCA, Tânia R. de. O 
Pensamento Medieval. São Paulo, São Paulo: 
Ática, 1988, p. 26. 
 
Levando em consideração o texto acima e a 
teoria da iluminação de Agostinho, responda: 
 
O que são as ideias eternas? Qual o seu papel 
ou função em nosso conhecimento do mundo? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
73 
QUESTÃO 12 
(UFMG 2011) 
Leia este trecho: 
 
 Ouvi dizer a um homem instruído 
que o tempo não é mais que o movimento do 
sol, da lua e dos astros. Não concordei. Por que 
não seria antes o movimento de todos os 
corpos? Se os astros parassem e continuasse a 
mover-se a roda do oleiro, deixaria de haver 
tempo para medirmos suas voltas? [...] Ou, ao 
dizermos isto, não falamos nós no tempo, e não 
há nas nossas palavras sílabas longas e sílabas 
breves, assim chamadas, porque umas ressoam 
durante mais tempo e outras durante menos 
tempo? 
SANTO AGOSTINHO. Confissões (Livro XI: O 
Homem e o Tempo). Tradução de J. Oliveira Santos 
e Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 
1987. p. 286. 
 
Nesse trecho, o autor argumenta contra a 
identificação do tempo ao movimento dos 
astros. Apresente o argumento proposto por 
Santo Agostinho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 13 
(UFU 2011) 
 Segundo o texto abaixo, de 
Agostinho de Hipona (354-430 d. C.), Deus cria 
todas as coisas a partir de modelos imutáveis e 
eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias 
ou razões seminais, como também são 
chamadas, não existem em um mundo à parte, 
independentes de Deus, mas residem na 
própria mente do Criador, 
 
 [...] a mesma sabedoria divina, por 
quem foram criadas todas as coisas, conhecia 
aquelas primeiras, divinas, imutáveis e eternas 
razões de todas as coisas, antes de serem 
criadas [...]. 
Sobre o Gênese, V 
Considerando as informações acima, é correto 
afirmar que se pode perceber: 
 
A) que Agostinho modifica certas ideias do 
cristianismo a fim de que este seja 
concordante com a filosofia de Platão, que 
ele considerava a verdadeira. 
B) uma crítica radical à filosofia platônica, pois 
esta é contraditória com a fé cristã. 
C) a influência da filosofia platônica sobre 
Agostinho, mas esta é modificada a fim de 
concordar com a doutrina cristã. 
D) uma crítica violenta de Agostinho contra a 
filosofia em geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
QUESTÃO 14 
(UFU 2010) 
 
A filosofia de Agostinho (354 – 430) é 
estreitamente devedora do platonismo cristão 
milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino 
que leu os textos de Plotino e de Porfírio, cujo 
espiritualismo devia aproximá-lo do 
cristianismo. Ouvindo sermões de Ambrósio, 
influenciados por Plotino, que Agostinho 
venceu suas últimas resistências (de tornar-se 
cristão). 
PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística 
ocidental. In: CHÂTELET, François (org.) A Filosofia 
medieval. Rio de Janeiro Zahar Editores: 1983, p. 
77. 
 
Apesar de ter sido influenciado pela filosofia 
de Platão, por meio dos escritos de Plotino, o 
pensamento de Agostinho apresenta muitas 
diferenças se comparado ao pensamento de 
Platão. 
 
Assinale a alternativa que apresenta, 
corretamente, uma dessas diferenças. 
 
A) Para Agostinho, é possível ao ser humano 
obter o conhecimento verdadeiro, enquanto, 
para Platão, a verdade a respeito do mundo é 
inacessível ao ser humano. 
B) Para Platão, a verdadeira realidade encontra-
se no mundo das Ideias, enquanto para 
Agostinho não existe nenhuma realidade 
além do mundo natural em que vivemos. 
C) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto 
para Platão a alma não é imortal, já que é 
apenas a forma do corpo. 
D) Para Platão, o conhecimento é, na verdade, 
reminiscência, a alma reconhece as Ideias 
que ela contemplou antes de nascer; 
Agostinho diz que o conhecimento é 
resultado da Iluminação divina, a centelha de 
Deus que existe em cada um. 
 
 
 
QUESTÃO 15 
(Ueg 2010) 
Os primeiros séculos da era cristã são os da 
constituição dos dogmas cristãos. A tarefa da 
filosofia desenvolvida pelos padres da Igreja 
nesta época é a de encontrar justificativas 
racionais para as verdades reveladas, ou seja, 
conciliar fé e razão. Santo Agostinho é o 
principal representante deste período que ficou 
conhecido como 
 
A) racionalismo. 
B) escolástica. 
C) fideísmo. 
D) patrística. 
 
QUESTÃO 16 
(Enem 2019) 
 
 De fato, não é porque o homem 
pode usar a vontade livre para pecar que se 
deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, 
portanto, uma razão pela qual Deus deu ao 
homem esta característica, pois sem ela não 
poderia viver e agir corretamente. Pode-se 
compreender, então, que ela foi concedida ao 
homem para esse fim, considerando-se que se 
um homem a usarpara pecar, recairão sobre ele 
as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a 
vontade livre tivesse sido dada ao homem não 
apenas para agir corretamente, mas também 
para pecar. Na verdade, por que deveria ser 
punido aquele que usasse da sua vontade para 
o fim para o qual ela lhe foi dada? 
 
AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: 
MARCONDES, D. Textos básicos de ética. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 2008. 
 
Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de 
Hipona sustenta que a punição divina tem como 
fundamento o(a) 
 
A) desvio da postura celibatária. 
B) insuficiência da autonomia moral. 
C) afastamento das ações de desapego. 
D) distanciamento das práticas de sacrifício, 
E) violação dos preceitos do Velho Testamento. 
 
 
 
 
 
 
75 
QUESTÃO 17 
(Enem 2018) 
 
Não é verdade que estão ainda cheios de 
velhice espiritual aqueles que nos dizem: “Que 
fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se 
estava ocioso e nada realizava”, dizem eles, 
“por que não ficou sempre assim no decurso 
dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda 
ação? Se existiu em Deus um novo movimento, 
uma vontade nova para dar o ser a criaturas que 
nunca antes criara, como pode haver 
verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma 
vontade que antes não existia?” 
AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril 
Cultural, 1984. 
 
 
A questão da eternidade, tal como abordada 
pelo autor, é um exemplo da reflexão filosófica 
sobre a(s) 
 
A) essência da ética cristã. 
B) natureza universal da tradição. 
C) certezas inabaláveis da experiência. 
D) abrangência da compreensão humana. 
E) interpretações da realidade circundante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 18 
(Unesp 2016) 
Não posso dizer o que a alma é com 
expressões materiais, e posso afirmar que não 
tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou 
larga, ou dotada de força física, e não tem coisa 
alguma que entre na composição dos corpos, 
como medida e tamanho. Se lhe parece que a 
alma poderia ser um nada, porque não 
apresenta dimensões do corpo, entenderá que 
justamente por isso ela deve ser tida em maior 
consideração, pois é superior às coisas 
materiais exatamente por isso, porque não é 
matéria. É certo que uma árvore é menos 
significativa que a noção de justiça. Diria que a 
justiça não é coisa real, mas um nada? Por 
conseguinte, se a justiça não tem dimensões 
materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a 
alma ainda parece ser nada por não ter 
extensão material? 
 
(Santo Agostinho. Sobre a potencialidade da 
alma, 2015. Adaptado.) 
 
No texto de Santo Agostinho, a prova da 
existência da alma 
 
A) desempenha um papel primordialmente 
retórico, desprovido de pretensões objetivas. 
B) antecipa o empirismo moderno ao valorizar a 
experiência como origem das ideias. 
C) serviu como argumento antiteológico 
mobilizado contra o pensamento escolástico. 
D) é fundamentada no argumento metafísico da 
primazia da substância imaterial. 
E) é acompanhada de pressupostos relativistas 
no campo da ética e da moralidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 
QUESTÃO 19 
(Enem PPL 2015) 
Se os nossos adversários, que admitem a 
existência de uma natureza não criada por 
Deus, o Sumo Bem, quisessem admitir que essas 
considerações estão certas, deixariam de 
proferir tantas blasfêmias, como a de atribuir a 
Deus tanto a autoria dos bens quanto dos 
males. Pois sendo Ele fonte suprema da 
Bondade, nunca poderia ter criado aquilo que é 
contrário à sua natureza. 
AGOSTINHO. A natureza do Bem. Rio de Janeiro: 
Sétimo Selo, 2005 (adaptado). 
 
Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus 
a origem do mal porque 
 
A) o surgimento do mal é anterior à existência 
de Deus. 
B) o mal, enquanto princípio ontológico, 
independe de Deus. 
C) Deus apenas transforma a matéria, que é, por 
natureza, má. 
D) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é 
oposto, o mal. 
E) Deus se limita a administrar a dialética 
existente entre o bem e o mal. 
 
QUESTÃO 20 
(Uncisal 2012) 
A filosofia de Santo Agostinho é 
essencialmente uma fusão das concepções 
cristãs com o pensamento platônico. 
Subordinando a razão à fé, Agostinho de Hipona 
afirma existirem verdades superiores e 
inferiores, sendo as primeiras compreendidas a 
partir da ação de Deus. Como se chama a teoria 
agostiniana que afirma ser a ação de Deus que 
leva o homem a atingir as verdades superiores? 
 
A) Teoria da Predestinação. 
B) Teoria da Providência. 
C) Teoria Dualista. 
D) Teoria da Emanação. 
E) Teoria da Iluminação. 
 
 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[B] 
Segundo o pensamento de Agostinho, o 
livre-arbítrio é uma dádiva divina dos indivíduos 
racionais que possibilita a liberdade de agir 
segundo a própria vontade. Para ele, o livre 
arbítrio é o uso consciente da própria liberdade, 
de modo que implica a escolha da retidão ou do 
pecado. Com efeito, sendo o livre agir um 
“dom” concedido por Deus, ação moralmente 
correta só poderia ser aquela que, 
conscientemente, o indivíduo, no uso da sua 
liberdade de decisão, escolheu seguir. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[B] 
Para Agostinho de Hipona, todas as coisas 
que existem teriam origem divina, o que levava 
a um conflito em relação à origem do mal. 
Nesse sentido, Agostinho critica o maniqueísmo 
e a separação rigorosa entre bem e mal, pois, 
para ele, a essência dos indivíduos só poderia 
ser boa, haja vista que Deus só criaria aquilo 
que é bom. Assim, o mal só existiria em uma 
consideração parcial, o que se relaciona com o 
livre arbítrio humano. Com efeito, o aluno deve 
identificar a alternativa [B] como a única 
correta. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[D] 
O trecho abordado demonstra que o 
processo de sistematização da doutrina cristã 
elaborado por Agostinho de Hipona teve sua 
base teórica na filosofia clássica grega, mais 
especificamente na filosofia platônica. Assim, 
observa-se que o pensador reinterpreta a obra 
de Platão segundo os valores cristãos, 
adaptando seu conteúdo à análise dos temas 
teológicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[02 + 04 + 08 = 14] 
A filosofia desenvolvida no período 
medieval, que teve grande influência da 
filosofia grega, teve como principal 
característica a busca pela racionalização da fé 
cristã, a partir da premissa de que a relação 
entre a fé e a razão levaria ao aperfeiçoamento 
humano. A filosofia patrística, que tem como 
principal representante Agostinho de Hipona, 
predominou nos primeiros séculos do período 
medieval e buscou formular uma argumentação 
racional e ontológica para a existência do Deus 
cristão e para a doutrina cristã, defendendo a fé 
como principal fundamento para direcionar a 
vida e a moral humanas a partir do 
conhecimento sensível. Nessa perspectiva, o 
aluno deve identificar os itens [02] e [04] como 
corretos. A filosofia escolástica teve como 
expoente mais importante Tomás de Aquino, 
que, através da leitura e da reinterpretação dos 
textos aristotélicos, enfatizou o uso da razão 
para o entendimento da doutrina cristã, 
buscando justificar a existência de Deus e das 
verdades reveladas através da sistematização 
dos argumentos e da superação das 
contradições através do pensamento lógico. 
Com base nisso, o aluno deve apontar o item 
[08] como correto. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[01 + 04 + 08 = 13] 
 
Ao apresentar sua concepção de tempo, 
Agostinho destaca uma noção de tempo fora 
das coisas materiais, presente na alma, como se 
observa no trecho “pois os três estão de alguma 
maneira na alma e eu não os vejo em outro 
lugar”, em que ele se refere aos três tempos, de 
modo que o item [01] pode ser considerado 
correto. As afirmações dos itens [04] e [08] 
também podem ser identificadas no texto, no 
fragmento “o presente das coisas presentes é o 
olhar, o presente das coisas futuras é a 
expectativa”. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
 
a) A fé, para Agostinho, é consolidadae feita 
inteligível pela razão, e a razão é orientada e 
feita compreensão pela fé. Para o filósofo 
cristão, o mais importante era que a fé fosse 
a principal busca da razão, que o homem 
acreditasse realmente para, então, poder 
compreender. 
 
b) Com relação ao conceito de ideias eternas na 
filosofia de Agostinho, podemos dizer que as 
ideias eternas são os modelos ou formas 
originárias a partir das quais Deus cria todas 
as coisas; elas mesmas, porém, não são 
criadas por Deus nem têm uma existência 
independente dEle, mas são coeternas com 
Ele, estão na mente divina. 
 
Com relação à função dessas ideias em 
nosso conhecimento, podemos afirmar que, 
sendo os modelos para a criação das coisas, 
as ideias eternas também são os modelos 
para o nosso conhecimento; assim, nós 
conhecemos as coisas voltando-nos para 
essas ideias, que contemplamos em nós por 
causa da iluminação divina. 
A teoria agostiniana é influenciada, 
podemos dizer de modo geral, pelo 
pensamento de Platão e dos filósofos 
neoplatônicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
 
Entre os primeiros cristãos, são observados 
diversos elementos e referências à filosofia 
grega, mostrando uma conciliação entre a 
filosofia e o cristianismo. Contudo, alguns 
pensadores cristãos assumem uma postura 
de rejeição e ruptura com a herança filosófica 
grega. Esses cristãos buscaram defender uma 
diferenciação da sabedoria divina em relação 
à produção de conhecimento do mundo dos 
homens, uma vez que essa última estaria 
fundamentada na razão e na arte discursiva 
da oratória. Assim, para eles, as tentativas de 
explicar as verdades da fé através da razão 
levaria a um processo de racionalização 
distorcida do que foi criado e revelado por 
Deus, resultando em um pensamento 
herético. Entretanto, apesar da rejeição por 
parte de alguns dos primeiros cristãos, a 
tentativa de conciliar fé e razão a partir da 
aproximação entre filosofia e cristianismo foi 
a postura predominante. 
 
b) Na filosofia agostiniana, a fé é precedente da 
razão, de modo que o conhecimento 
verdadeiro não pode ser alcançado no mundo 
sensível, mas apenas em Deus, em um plano 
divino. Assim, a mente humana e a 
capacidade de pensamento racional, que 
possibilita o entendimento acerca das 
questões divinas, teriam sido criadas por 
Deus. Agostinho formula, então, a Teoria da 
Iluminação, segundo a qual as capacidades 
racionais seriam provenientes de um 
“resquício” divino. Essa teoria resgata a 
Teoria da Reminiscência de Platão, segundo a 
qual haveria “resquícios” do mundo das 
ideias na alma humana, que possibilitariam o 
exercício da razão. 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[D] 
Anaxímenes de Mileto (585–528 a.C.) é um 
filósofo pré-socrático preocupado com a 
cosmologia, isto é, preocupado com a 
ordenação das coisas que compões o mundo. 
Desse modo, a sua filosofia posiciona princípios 
dos quais ele pensa poder derivar de maneira 
coerente e coesa o sentido da existência de 
tudo que há na natureza. Já São Basílio Magno 
(329–379 d.C.) é um teólogo preocupado com a 
propagação da verdade revelada pela Bíblia, o 
livro que já oferece toda a ordenação das coisas 
que compõem o mundo. Desse modo, Deus não 
é exatamente um princípio do qual se origina o 
mundo, mas sim o próprio criador desse mundo, 
o seu dono e conhecedor de todas as suas 
regras cosmológicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[01 + 08 + 16 = 25] 
 
A Patrística é o estudo dos chamados 
"Patronos da Igreja", ou seja, é o estudo dos 
escritos daqueles primeiros escritores dos 
primórdios do cristianismo. Esse período é 
geralmente delimitado entre o fim do Novo 
Testamento ou o final da Era Apostólica até a 
data do Concílio da Calcedónia (451 d.C.) ou até 
o século VIII d.C. no segundo Concílio de Niceia. 
Basicamente, estes escritos pretendem 
justificar, defender e propagar as verdades da 
fé cristã. 
 
A Escolástica era o estilo de reflexão 
teológica que buscava conciliar a filosofia 
aristotélica aos dogmas da Igreja. A filosofia 
medieval é movida por querelas intelectuais nas 
quais de um lado encontramos os teólogos e de 
outro os filósofos, ou de um lado os defensores 
do conhecimento pela fé e de outro os 
defensores do conhecimento pela razão, ou de 
um lado a revelação bíblica e de outro a 
investigação dos filósofos gregos. A partir do 
século XII, com as traduções feitas pela escola 
de Toledo das obras de Aristóteles, essas 
disputas se acirraram. À primeira vista, o 
aristotelismo era incompatível com a doutrina 
cristã. No aristotelismo, por exemplo, não havia 
nenhuma noção de deus criador, de providência 
divina, de alma imortal, de queda e redenção do 
homem – todas estas noções caras à doutrina 
cristã. Essa incompatibilidade levou à censura 
da obra de Aristóteles. Porém, a capacidade 
intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua 
inabalável fé cristã resolveram tais 
incompatibilidades com uma cristianização 
efetiva da filosofia aristotélica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[D] 
A Patrística é o estudo dos chamados 
"Patronos da Igreja", ou seja, é o estudo dos 
escritos daqueles primeiros escritores dos 
primórdios do cristianismo. Esse período é 
geralmente delimitado entre o fim do Novo 
Testamento ou o final da Era Apostólica até a 
data do Concílio da Calcedónia (451 d.C.) ou até 
o século VIII d.C. no segundo Concílio de Niceia. 
Basicamente, esses escritos pretendem 
justificar, defender e propagar as verdades da 
fé cristã. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
 
Com relação ao conceito de ideias eternas na 
filosofia de Agostinho, podemos dizer que as 
ideias eternas são os modelos ou formas 
originárias a partir das quais Deus cria todas as 
coisas; elas mesmas, porém não são criadas por 
Deus nem têm uma existência independente 
dEle, mas são coeternas com Ele, estão na 
mente divina. Com relação à função dessas 
ideias em nosso conhecimento, podemos 
afirmar que, sendo os modelos para a criação 
das coisas, as ideias eternas também são os 
modelos para o nosso conhecimento; assim, 
nós conhecemos as coisas voltando-nos para 
essas ideias, que contemplamos em nós por 
causa da iluminação divina. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
 
Agostinho (354 – 430), nascido em Tagaste, 
província romana situada na África, utiliza-se no 
trecho em questão do argumento de que um 
corpo ao ser utilizado para medir o tempo é 
descartado como referência. Como cristão 
Agostinho toma os corpos celestes apenas 
como criação divina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[C] 
A concepção de Deus para Platão era de um 
Deus do intelecto, para Agostinho este conceito 
cai totalmente, para ele, Agostinho, Deus pode 
estar nos dois lugares ao mesmo tempo; tanto 
no intelecto, quanto criador do mundo da 
natureza como ser criador de todas as coisas. 
Tal concepção do homem provinha de Platão, 
para o qual o homem é definido como uma alma 
que se serve de um corpo. Agostinho mantém 
esse conceito com todas as consequências 
lógicas que ele comporta. Assim, o verdadeiro 
conhecimento não seria a apreensão de objetos 
exteriores ao sujeito, devido à sua variabilidade, 
e sim, a descoberta de regras imutáveis, como 
o princípio ético segundo o qual é necessário 
fazer o bem e evitar o mal. Tal conhecimento se 
refere às realidades não sensíveis cujo caráter 
fundamental seria a necessidade, pois são o que 
são e não podiam ser diferentes. 
Agostinho supera o ceticismo mediante o 
iluminismo platônico. Inicialmente, ele 
conquista a certeza da própria existência 
espiritual, e deste conceito tira uma verdade 
particular, de que Deus enquanto verdade 
onipotente, onisciente pode estar em dois 
lugares ao mesmo tempo. Embora desvalorize o 
conhecimento platônico da sensibilidade em 
relação ao conhecimento intelectual, admite 
Agostinho que os sentidos, como o intelecto são 
fonte de conhecimento.Para Agostinho, a fé e 
a razão complementam-se na busca da 
felicidade e da graça. A graça, para ele, não é 
alcançada por procedimento intelectual, mas 
por ato de intuição e fé. Mas a razão se 
relaciona com a fé no sentido de provar a sua 
correção. Ou seja, a fé é precedida por certo 
trabalho da razão e, após obtê-la, a razão a 
sedimenta. A razão relaciona-se, portanto, 
duplamente com a fé. É necessário 
compreender para crer, e crer para 
compreender. Aqui se percebe que, para 
Agostinho, a filosofia é apenas um instrumento 
destinado a um fim que transcende seus 
próprios limites. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[D] 
Agostinho faz das Ideias os pensamentos de 
Deus e rejeita a doutrina da reminiscência que 
supõe a preexistência da alma que exclui a 
possibilidade do criacionismo, típico da teoria 
agostiniana que segundo alguns autores é a 
doutrina platônica transformada no 
criacionismo com aquela luz de que falam nas 
Sagradas Escrituras que orientam a inteligência 
humana que é dom de Deus e em Platão, é uma 
lembrança da alma enquanto contempladora do 
mundo das essências. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[D] 
Somente a alternativa D está correta, pois é 
conhecida como “filosofia patrística” o período 
filosófico dominado pelas ideias desenvolvidas 
por padres católicos – durante a fase final do 
Império Romano - e que dariam origem à 
escolástica (por volta dos séculos VIII-IX). Tem 
em Santo Agostinho seu maior expoente, cujo 
pensamento se voltava aos problemas de Deus 
e da alma, tentando conciliar o ensinamento da 
Bíblia com a filosofia platônica. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[B] 
 
A ideia de livre-arbítrio é o mais conhecido 
conceito de Agostinho de Hipona. Segundo ele, 
o ser humano foi criado de forma livre. No 
entanto, quando se utiliza dessa liberdade para 
se distanciar do seu fim, ele peca, ou seja, 
comete o mal e pode ser punido por isso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[D] 
O trecho da obra destacado aborda, a partir da 
óptica de Agostinho, o questionamento da ideia 
do caráter eterno de Deus a partir da reflexão 
sobre o ato da Criação. Trata-se, portanto, de 
uma compreensão humana sobre o dogma da 
eternidade divina. Como se infere a partir do 
trecho ”estão ainda cheios de velhice espiritual” 
em que Agostinho se refere àqueles que 
questionam o dogma cristão, o pensador 
apresenta uma crítica à interpretação das ações 
divinas a partir do intelecto humano. O aluno 
deve perceber, partindo dessas considerações, 
que a postura de Agostinho e a dos homens que 
ele critica reflete um conflito acerca da 
abrangência do intelecto humano para 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
82 
FILOSOFIA MEDIEVAL – SÃO TOMÁS DE 
AQUINO/ESCOLÁSTICA 
 
QUESTÃO 01 
(Uece 2019) 
“Portanto, deve-se dizer que como a lei 
escrita não dá força ao direito natural, assim 
também não pode diminuir-lhe nem suprimir-
lhe a força; pois, a vontade humana não pode 
mudar a natureza. Portanto, se a lei escrita 
contém algo contra o direito natural, é injusta e 
não tem força para obrigar. Pois, só há lugar 
para o direito positivo, quando, segundo o 
direito natural, é indiferente que se proceda de 
uma maneira ou de outra, como já foi explicado 
acima. Por isso, tais textos não hão de chamar 
leis, mas corrupções da lei, como já se disse. E 
portanto, não se deve julgar de acordo com 
elas.” 
Tomás de Aquino, Suma Teológica, II, 
Questão 60, Art. 5. 
 
Com base na passagem acima, é correto 
afirmar que 
 
A) a lei escrita só é legítima se for baseada no 
direito natural. 
B) o direito positivo não é a lei escrita, mas dos 
costumes. 
C) o direito natural só é legítimo se expresso na 
lei escrita. 
D) não há diferença entre direito natural e 
direito positivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Uem 2018) 
Considere os trechos selecionados abaixo. 
 
Texto 1: “Todavia, mais do que para qualquer 
outro animal, é natural para o ser humano ser 
um animal social e político, ou seja, viver junto 
a muitos, como o demonstra a necessidade 
natural. Com efeito, no caso dos demais 
animais, a natureza preparou-lhes a comida; 
como vestimento, proveu-os de pelos; [...]. Mas 
a natureza não dotou o ser humano dessas 
coisas. Ao invés disso, foi-lhe dada a razão que 
o habilita a preparar tudo isso com suas mãos. 
Porém, como um único ser humano não é 
suficiente para fazer todas essas coisas, então 
um ser humano sozinho não pode levar, de 
maneira suficiente, sua vida. Logo, é natural ao 
ser humano que ele viva em sociedade junto a 
muitos.” 
TOMÁS DE AQUINO. A realeza: dedicado ao 
rei de Chipre. In: MARÇAL, J. Antologia de 
textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 667). 
 
Texto 2: “[...] durante o tempo em que os 
homens vivem sem um poder comum capaz de 
os manter a todos em respeito, eles se 
encontram naquela condição a que se chama 
guerra, e uma guerra que é de todos os homens 
contra todos os homens. Pois a guerra não 
consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, 
mas naquele lapso de tempo durante o qual a 
vontade de travar batalha é suficientemente 
conhecida.” 
(HOBBES, T. Leviatã, São Paulo: Abril, 1988, 
p. 54). 
 
 
A partir dos textos acima e de teses do 
pensamento político de Tomás de Aquino e de 
Thomas Hobbes, indique a soma das 
alternativas corretas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
01) A cidade, para Tomás de Aquino, é forma 
superior de organização natural e visa ao 
bem viver do homem. 
02) Hobbes não considera que haja uma 
disposição natural à socialização dos 
homens, sendo necessária a intervenção 
artificial para congregá-los em sociedade. 
04) Para Tomás de Aquino, não é possível 
pensar a noção de autoridade como meio de 
alcançar o bem comum para todos aqueles 
que vivem em sociedade. 
08) Para Hobbes, a autoridade coercitiva do 
Estado é o único meio de assegurar a boa 
convivência em sociedade. 
16) O pensamento político de Tomás de Aquino 
tem origem comunitária, e o de Hobbes, 
origem individualista. 
 
 
QUESTÃO 03 
(Ufu 2018) 
 
Considere o trecho abaixo, extraído da Suma 
de Teologia de Tomás de Aquino (1224-1274), 
texto em que ele apresenta uma das célebres 
cinco vias pelas quais se pode provar a 
existência de Deus. 
 
“A quinta via é assumida a partir do governo 
das coisas. Vemos, com efeito, que aquilo que 
carece de inteligência, ou seja, os corpos 
naturais, opera em vista de um fim, o que se 
percebe pelo fato de sempre ou 
frequentemente operarem do mesmo modo a 
fim de atingir o que é o melhor. Daí fica claro 
que não é por acaso, e sim intencionalmente 
que atingem este fim. Mas o que não tem 
inteligência não tende a um fim se não for 
dirigido por algo cognoscente e inteligente, 
assim como a flecha pelo arqueiro. Portanto, há 
algo inteligente pelo qual todas as coisas 
naturais são ordenadas a seu fim, e este 
dizemos que é Deus.” 
AQUINO, Tomás de. Suma de Teologia, 
questão 2, artigo 3. 
 
 
 
 
A) Segundo Tomás de Aquino, a prova sobre 
a existência de Deus não é uma 
demonstração de fato (caso em que seria 
evidente), e sim uma prova a partir dos 
efeitos. Explique por que essa quinta via 
é uma prova a partir dos efeitos. 
 
B) Descreva como Tomás de Aquino se 
utiliza da filosofia de Aristóteles na 
elaboração dessa prova. 
 
 
QUESTÃO 04 
(Uem 2017) 
 
“Embora o cristianismo não seja uma 
filosofia, ele afeta de forma profunda o 
pensamento filosófico da época [Idade Média], 
uma vez que o filósofo cristão se depara com o 
problema da sua realidade finita e imperfeita 
diante da divindade infinita e perfeita.” 
ARANHA, M. L. de A. Temas de filosofia. 3ª. ed. 
rev.São Paulo: Moderna, 2005, p.110. 
 
Sobre a patrística e a escolástica, indique a 
soma das alternativas corretas: 
 
01) A filosofia medieval assume a herança dos 
filósofos gregos,sobretudo Platão (na 
patrística) e Aristóteles (na escolástica), de 
forma submissa e dogmática. 
02) Santo Agostinho (354-430) é o maior 
representante da filosofia patrística. A 
patrística preocupava-se em encontrar 
justificativas racionais para as verdades 
reveladas. 
04) Segundo a filosofia patrística, a revelação 
divina ensina quem tem fé a utilizar 
corretamente o conhecimento sensível. 
08) Tomás de Aquino (1225-1274) considera a 
filosofia como conhecimento racional e tem 
como um dos seus principais temas 
filosóficos a adequação entre as coisas e o 
entendimento. 
16) O problema de maior relevância para a 
filosofia do século XIII é a querela dos 
universais, doutrina filosófica segundo a 
qual os realistas preponderam sobre os 
nominalistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
QUESTÃO 05 
(Uem-pas 2017) 
Tomás de Aquino foi um filósofo e teólogo 
do século XIII que se dedicou a escrever sobre 
questões de teologia cristã, de exegese bíblica, 
de metafísica, de ética e também de política. 
Tomás de Aquino afirma: 
 
“Duas coisas são necessárias para a vida de 
um homem. Uma principal, que é o agir de 
acordo com a virtude, uma vez que a virtude é 
aquilo pelo que se vive bem. A outra é 
secundária e como que instrumental, a saber, a 
existência suficiente daqueles bens necessários 
ao agir virtuoso. A unidade do ser humano é 
causada pela natureza, ao passo que a unidade 
da coletividade, que é denominada paz, deve 
ser produzida pela ação do governante.” 
TOMÁS DE AQUINO. A realeza: dedicado ao 
rei de Chipre. In: MARÇAL, J. (org.). Antologia 
de textos filosóficos. Curitiba: SEED, 2009, p. 
690. 
 
Sobre a filosofia política de Tomás de 
Aquino, indique a soma das alternativas 
corretas. 
 
01) Segundo Tomás de Aquino, o rei deverá ser 
educado de acordo com a lei divina, de 
forma que busque garantir os meios pelos 
quais os súditos possam viver bem. 
02) Porque o ser humano é racional, ao 
contrário dos demais animais, ele é capaz de 
viver isoladamente e não depende da 
coletividade para o viver bem e alcançar sua 
felicidade. 
04) A melhor forma de governo é aquela em que 
a autoridade está nas mãos de uma única 
pessoa, que deve agir de modo que o bem 
comum seja alcançado por todos os 
cidadãos. 
08) As regras para a cooperação entre os 
cidadãos são definidas por meio de eleições 
populares. 
16) Para Tomás de Aquino, a violência é o maior 
perigo à paz social, porque afasta as pessoas 
e produz grupos que não são mais capazes 
de cooperar em favor do bem comum. 
 
QUESTÃO 06 
(Ufu 2013) 
 Com efeito, existem a respeito de Deus 
verdades que ultrapassam totalmente as 
capacidades da razão humana. Uma delas é, por 
exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, 
existem verdades que podem ser atingidas pela 
razão: por exemplo, que Deus existe, que há um 
só Deus etc. 
AQUINO, Tomás de. Súmula contra os Gentios. 
Capítulo Terceiro: A possibilidade de descobrir a 
verdade divina. Tradução de Luiz João Baraúna. São 
Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 61. 
 
Para São Tomás de Aquino, a existência de 
Deus se prova 
 
A) por meios metafísicos, resultantes de 
investigação intelectual. 
B) por meio do movimento que existe no 
Universo, na medida em que todo 
movimento deve ter causa exterior ao ser 
que está em movimento. 
C) apenas pela fé, a razão é mero instrumento 
acessório e dispensável. 
D) apenas como exercício retórico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
 QUESTÃO 07 
(Unesp 2013) 
Texto 1 
 
Para santo Tomás de Aquino, o poder 
político, por ser uma instituição divina, além dos 
fins temporais que justificam a ação política, 
visa outros fins superiores, de natureza 
espiritual. O Estado deve dar condições para a 
realização eterna e sobrenatural do homem. Ao 
discutir a relação Estado-Igreja, admite a 
supremacia desta sobre aquele. Considera a 
Monarquia a melhor forma de governo, por ser 
o governo de um só, escolhido pela sua virtude, 
desde que seja bloqueado o caminho da tirania. 
 
Texto 2 
 
Maquiavel rejeita a política normativa dos 
gregos, a qual, ao explicar “como o homem deve 
agir”, cria sistemas utópicos. A nova política, ao 
contrário, deve procurar a verdade efetiva, ou 
seja, “como o homem age de fato”. O método 
de Maquiavel estipula a observação dos fatos, o 
que denota uma tendência comum aos 
pensadores do Renascimento, preocupados em 
superar, através da experiência, os esquemas 
meramente dedutivos da Idade Média. Seus 
estudos levam à constatação de que os homens 
sempre agiram pelas formas da corrupção e da 
violência. 
(Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins. 
Filosofando, 1986. Adaptado.) 
 
Explique as diferentes concepções de 
política expressadas nos dois textos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 08 
(Ufu 2012) 
A teologia natural, segundo Tomás de 
Aquino (1225-1274), é uma parte da filosofia, é 
a parte que ele elaborou mais profundamente 
em sua obra e na qual ele se manifesta como 
um gênio verdadeiramente original. Se se trata 
de física, de fisiologia ou dos meteoros, Tomás 
é simplesmente aluno de Aristóteles, mas se se 
trata de Deus, da origem das coisas e de seu 
retorno ao Criador, Tomás é ele mesmo. Ele 
sabe, pela fé, para que limite se dirige, contudo, 
só progride graças aos recursos da razão. 
GILSON, Etienne. A Filosofia na Idade 
Média, São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 
657. 
 
De acordo com o texto acima, é correto 
afirmar que 
 
A) a obra de Tomás de Aquino é uma mera 
repetição da obra de Aristóteles. 
B) Tomás parte da revelação divina (Bíblia) para 
entender a natureza das coisas. 
C) as verdades reveladas não podem de forma 
alguma ser compreendidas pela razão humana. 
D) é necessário procurar a concordância entre 
razão e fé, apesar da distinção entre ambas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
86 
QUESTÃO 09 
(UFF 2012) 
A grande contribuição de Tomás de Aquino 
para a vida intelectual foi a de valorizar a 
inteligência humana e sua capacidade de 
alcançar a verdade por meio da razão natural, 
inclusive a respeito de certas questões da 
religião. Discorrendo sobre a “possibilidade de 
descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas 
modalidades de verdade acerca de Deus. A 
primeira refere-se a verdades da revelação que 
a razão humana não consegue alcançar, por 
exemplo, entender como é possível Deus ser 
uno e trino. A segunda modalidade é composta 
de verdades que a razão pode atingir, por 
exemplo, que Deus existe. 
 
A partir dessa citação, indique a afirmativa que 
melhor expressa o pensamento de Tomás de 
Aquino. 
 
A) A fé é o único meio do ser humano chegar à 
verdade. 
B) O ser humano só alcança o conhecimento 
graças à revelação da verdade que Deus lhe 
concede. 
C) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de 
alcançar certas verdades por seus meios 
naturais. 
D) A Filosofia é capaz de alcançar todas as 
verdades acerca de Deus. 
E) Deus é um ser absolutamente misterioso e o 
ser humano nada pode conhecer d’Ele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 10 
(Uem 2012) 
 
Tomás de Aquino (1225-1274), no seu livro A 
Realeza, afirma: 
 
“Comecemos apresentando o que se deve 
entender pela palavra rei. Com efeito, em todas 
as coisas que se ordenam a um fim que pode ser 
alcançado de diversos modos, faz-se necessário 
algum dirigente para que se possa alcançar o 
fim do modo mais direto. Por exemplo, um 
navio, que se move em diversas direções pelo 
impulso de ventos opostos, não chegará ao seu 
fim de destino se não for dirigido ao porto pela 
habilidade do comandante”. 
(AQUINO, T. de. A realeza: dedicado ao rei de 
Chipre. In: Antologia de textos filosóficos. Curitiba: 
SEED-PR, 2009, p. 667.) 
Conforme esse trecho, indique a soma das 
alternativas corretas: 
 
01) o rei, como um dirigente, não tem um poder 
opressor ou dominador sobre os súditos. 
02) o rei é aquele que realiza as coisas semintermediários. 
04) o rei não é necessário em todas as decisões, 
mas somente naquelas que envolvem 
interesses coletivos. 
08) as ações do rei não precisam levar em conta 
os desejos dos súditos, mas considerar 
aquilo que é melhor para o reino. 
16) o rei ou o comandante tem a função de 
dirigir, orientar, o que não implica uma 
imposição de sua vontade aos súditos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
QUESTÃO 11 
(Uem-pas 2012) 
As questões religiosas influenciaram 
diversos aspectos da sociedade europeia 
medieval. No universo político, por exemplo, 
perante um poder diluído em virtude da 
organização feudal da sociedade, a Igreja 
Católica representava uma instituição com 
poder unificador. Nos âmbitos cultural e 
artístico, a construção e a decoração de igrejas, 
as músicas e os ritos litúrgicos e a exegese dos 
textos sagrados contribuíram para o 
florescimento de uma arte sacra. Até mesmo no 
campo da Filosofia, as discussões eram 
pautadas por questões religiosas, pois a 
principal preocupação dos filósofos medievais 
era conciliar fé e razão. A respeito desses 
aspectos da sociedade medieval, indique a 
soma das alternativas corretas: 
 
01) A Patrística foi a filosofia e a teologia 
desenvolvidas pelos padres da Igreja para 
encontrar justificativas racionais para as 
verdades reveladas. 
02) A Escolástica dedicou-se, 
preponderantemente, a produzir teses e 
discussões inaugurais sobre filosofia, uma 
vez que, sob a supervisão da Igreja, os 
filósofos não tinham acesso a textos de 
autores clássicos. 
04) O Barroco, estilo artístico que reflete o 
sentimento humano de conflito entre si e a 
divindade, apareceu no período medieval. 
08) A seita dos Cátaros e a dos Albigenses foram 
consideradas heréticas porque defendiam 
doutrinas dualistas que conflitavam com a 
doutrina católica da ressurreição e o modo 
de vida levado pelos membros eclesiásticos. 
16) Em A Divina Comédia, o poeta florentino 
Dante Alighieri resumiu a visão filosófica e o 
espírito religioso da sociedade medieval. 
Nessa obra, Alighieri descreve uma viagem 
imaginária e cheia de simbolismo, por meio 
do inferno, do purgatório e do paraíso. 
 
 
 
 
QUESTÃO 12 
(UFU 2011) 
 
Considere o seguinte texto sobre Tomás de 
Aquino (1226-1274). 
 
 Fique claro que Tomás não 
aristoteliza o cristianismo, mas cristianiza 
Aristóteles. Fique claro que ele nunca pensou 
que, com a razão se pudesse entender tudo; 
não, ele continuou acreditando que tudo se 
compreende pela fé: só quis dizer que a fé não 
estava em desacordo com a razão, e que, 
portanto, era possível dar-se ao luxo de 
raciocinar, saindo do universo da alucinação. 
Eco, Umberto. “Elogio de santo Tomás de 
Aquino”. In: Viagem na irrealidade cotidiana, 
p.339. 
 
É correto afirmar, segundo esse texto, que: 
 
A) Tomás de Aquino, com a ajuda da filosofia de 
Aristóteles, conseguiu uma prova científica 
para as certezas da fé, por exemplo, a 
existência de Deus. 
B) Tomás de Aquino se empenha em mostrar os 
erros da filosofia de Aristóteles para mostrar 
que esta filosofia é incompatível com a 
doutrina cristã. 
C) o estudo da filosofia de Aristóteles levou 
Tomás de Aquino a rejeitar as verdades da fé 
cristã que não fossem compatíveis com a 
razão natural. 
D) a atitude de Tomás de Aquino diante da 
filosofia de Aristóteles é de conciliação desta 
filosofia com as certezas da fé cristã. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
88 
QUESTÃO 13 
(UFF 2010) 
A importância do filósofo medieval Tomás de 
Aquino reside principalmente em seu esforço 
de valorizar a inteligência humana e sua 
capacidade de alcançar a verdade por meio da 
razão. Discorrendo sobre a “possibilidade de 
descobrir a verdade divina”, ele diz: 
 
“As verdades que professamos acerca de 
Deus revestem uma dupla modalidade. Com 
efeito, existem a respeito de Deus verdades que 
ultrapassam totalmente as capacidades da 
razão humana. Uma delas é, por exemplo, que 
Deus é trino e uno. Ao contrário, existem 
verdades que podem ser atingidas pela razão: 
por exemplo, que Deus existe, que há um só 
Deus etc. Estas últimas verdades, os próprios 
filósofos as provaram por meio de 
demonstração, guiados pela luz da razão 
natural”. 
 
A partir dessa citação, identifique a opção 
que melhor expressa esse pensamento de 
Tomás de Aquino. 
 
A) A Filosofia é capaz de alcançar todas as 
verdades acerca de Deus. 
B) O ser humano só alcança o conhecimento 
graças à revelação da verdade que Deus lhe 
concede. 
C) A fé é o único meio de o ser humano chegar 
à verdade. 
D) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de 
alcançar por seus meios naturais certas 
verdades. 
E) Deus é um ser absolutamente misterioso e o 
ser humano nada pode conhecer d’Ele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 14 
(UFU 2009) 
Santo Tomás de Aquino, nascido em 1224 e 
falecido em 1274, propôs as cinco vias para o 
conhecimento de Deus. Estas vias estão 
fundamentadas nas evidências sensíveis e 
racionais. A primeira via afirma que os corpos 
inanimados podem ter movimento por si 
mesmos. Assim, para que estes corpos tenham 
movimento é necessário que algo os mova. Esta 
concepção leva à necessidade de um primeiro 
motor imóvel, isto é, algo que mesmo não 
sendo movido por nada pode mover todas as 
coisas. 
 
Sobre a primeira via, que é a do movimento, 
marque a alternativa correta. 
 
A) Para que os objetos tenham movimento é 
necessário que algo os mova; dessa forma, 
entende-se que é necessário um primeiro 
motor. Logo, podemos entender que Deus 
não é necessário no sistema. 
B) Para Santo Tomás, os objetos inanimados 
movem-se por si mesmos e esse fenômeno 
demonstra a existência de Deus. 
C) A demonstração do primeiro motor não 
recorre à sensibilidade, dispensando toda e 
qualquer observação da natureza, uma vez 
que sua fundamentação é somente racional. 
D) Conforme o argumento da primeira via 
podemos concluir que Deus é o motor 
imóvel, o qual move todas as coisas, mas não 
é movido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 QUESTÃO 15 
(Ueg 2009) 
 
A Idade Média e a Idade Moderna são duas 
fases da história europeia marcadas, em muitos 
aspectos, por visões distintas de mundo: a 
primeira, teocêntrica, procurava conciliar fé e 
razão; a segunda, antropocêntrica, se destaca 
pelo racionalismo. Em termos filosóficos, seus 
principais representantes foram, 
respectivamente: 
 
A) Tomás de Aquino e René Descartes. 
B) Santo Agostinho e Thomas Hobbes. 
C) Maquiavel e Bossuet. 
D) Cícero e Copérnico. 
 
QUESTÃO 16 
Espm 2009) 
No século XIII surgiu a Escolástica, corrente 
filosófica que, a partir de então, dominou o 
pensamento medieval. 
(Rubim Santos Leão de Aquino. História das 
Sociedades: das Comunidades Primitivas às 
Sociedades Medievais) 
 
A Escolástica: 
 
A) a) teve em Santo Agostinho seu maior 
expoente e era teocêntrica; 
B) b) teve em Alberto Magno seu maior 
expoente e refutava o teocentrismo, 
pregando o antropocentrismo; 
C) c) teve em Tomás de Aquino seu 
principal expoente e foi uma tentativa de 
harmonizar a razão com a fé; 
D) d) considerava que a razão podia 
proporcionar uma visão completa e 
unificada da natureza ou da sociedade; 
E) e) pregava o recurso racional da força, 
sendo este mais importante do que o 
exercício da virtude ou da fé. 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 17 
(Enem PPL 2019) 
Tomás de Aquino, filósofo cristão que viveu 
no século XIII, afirma: a lei é uma regra ou um 
preceito relativo às nossas ações. Ora, a norma 
suprema dos atos humanos é a razão. Desse 
modo, em última análise, a lei está submetida à 
razão; é apenas uma formulação das exigências 
racionais. Porém, é mister que ela emane da 
comunidade, ou de uma pessoa que 
legitimamente a representa. 
GILSON, E.; BOEHNER, P. História da filosofia 
cristã. Petrópolis: Vozes, 1991 (adaptado). 
 
No contexto do século XIII, a visão política do 
filósofo mencionado retomao 
 
a) pensamento idealista de Platão. 
b) conformismo estoico de Sêneca. 
c) ensinamento místico de Pitágoras. 
d) paradigma de vida feliz de Agostinho. 
e) conceito de bem comum de Aristóteles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
90 
QUESTÃO 18 
(Enem 2018) 
Desde que tenhamos compreendido o 
significado da palavra “Deus”, sabemos, de 
imediato, que Deus existe. Com efeito, essa 
palavra designa uma coisa de tal ordem que não 
podemos conceber nada que lhe seja maior. 
Ora, o que existe na realidade e no pensamento 
é maior do que o que existe apenas no 
pensamento. Donde se segue que o objeto 
designado pela palavra “Deus”, que existe no 
pensamento, desde que se entenda essa 
palavra, também existe na realidade. Por 
conseguinte, a existência de Deus é evidente. 
 
TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de 
Janeiro: Loyola, 2002. 
 
O texto apresenta uma elaboração teórica de 
Tomás de Aquino caracterizada por 
a) reiterar a ortodoxia religiosa contra os 
heréticos. 
b) sustentar racionalmente doutrina alicerçada 
na fé. 
c) explicar as virtudes teologais pela 
demonstração. 
d) flexibilizar a interpretação oficial dos textos 
sagrados. 
e) justificar pragmaticamente crença livre de 
dogmas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 19 
(Enem PPL 2016) 
Enquanto o pensamento de Santo Agostinho 
representa o desenvolvimento de uma filosofia 
cristã inspirada em Platão, o pensamento de 
São Tomás reabilita a filosofia de Aristóteles – 
até então vista sob suspeita pela Igreja –, 
mostrando ser possível desenvolver uma leitura 
de Aristóteles compatível com a doutrina cristã. 
O aristotelismo de São Tomás abriu caminho 
para o estudo da obra aristotélica e para a 
legitimação do interesse pelas ciências naturais, 
um dos principais motivos do interesse por 
Aristóteles nesse período. 
 
MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio 
de Janeiro: Zahar, 2005. 
 
 
A Igreja Católica por muito tempo impediu a 
divulgação da obra de Aristóteles pelo fato de a 
obra aristotélica 
a) valorizar a investigação científica, 
contrariando certos dogmas religiosos. 
b) declarar a inexistência de Deus, colocando 
em dúvida toda a moral religiosa. 
c) criticar a Igreja Católica, instigando a criação 
de outras instituições religiosas. 
d) evocar pensamentos de religiões orientais, 
minando a expansão do cristianismo. 
e) contribuir para o desenvolvimento de 
sentimentos antirreligiosos, seguindo sua 
teoria política. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 
QUESTÃO 20 
(Enem 2015) 
 
Ora, em todas as coisas ordenadas a algum 
fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual 
se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, 
um navio, que se move para diversos lados pelo 
impulso dos ventos contrários, não chegaria ao 
fim de destino, se por indústria do piloto não 
fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um 
fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e 
ação. Acontece, porém, agirem os homens de 
modos diversos em vista do fim, o que a própria 
diversidade dos esforços e ações humanas 
comprova. Portanto, precisa o homem de um 
dirigente para o fim. 
 
AQUINO. T. Do reino ou do governo dos 
homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de 
São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 
(adaptado). 
No trecho citado, Tomás de Aquino justifica 
a monarquia como o regime de governo capaz 
de 
a) refrear os movimentos religiosos 
contestatórios. 
b) promover a atuação da sociedade civil na 
vida política. 
c) unir a sociedade tendo em vista a realização 
do bem comum. 
d) reformar a religião por meio do retorno à 
tradição helenística. 
e) dissociar a relação política entre os poderes 
temporal e espiritual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 21 
(Espm 2014) 
Seu principal objetivo era demonstrar, por 
um raciocínio lógico formal, a autenticidade dos 
dogmas cristãos. A filosofia devia desempenhar 
um papel auxiliar na realização deste objetivo. 
Por isso a tese de que a filosofia está a serviço 
da teologia. 
(Antonio Carlos Wolkmer – Introdução à 
História do Pensamento Político) 
 
O texto deve ser relacionado com: 
a) a filosofia epicurista. 
b) a filosofia escolástica. 
c) a filosofia iluminista. 
d) o socialismo. 
e) o positivismo. 
 
 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[A] 
A partir da leitura do texto, percebe-se que, 
segundo o pensamento de Tomás de Aquino, a 
legitimidade da lei escrita reside na 
conformidade com o direito natural. Nesse 
sentido, apenas deve ser considerada válida e, 
portanto, justa, a lei escrita que não se oponha 
ou negue, de alguma maneira, o direito natural. 
Partindo dessa perspectiva, apenas a 
alternativa [A] está correta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
92 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[01 + 02 + 08 + 16 = 27] 
 
Para Tomás de Aquino, a vida junto a seus 
semelhantes possui um caráter natural entre os 
homens, sendo a organização em sociedade um 
estado condicionante para que os indivíduos 
possam atingir as potencialidades que os 
distinguem dos outros animais, o que expressa 
uma noção comunitária dessa organização. Essa 
concepção se contrapõe à de Thomas Hobbes, 
para quem a vida em sociedade se dá em prol 
de um interesse individual, qual seja, o de evitar 
a insegurança da condição de guerra. Assim, 
para Hobbes, o estabelecimento da sociedade 
civil seria resultado de uma necessidade 
prática, e não da natureza humana, sendo, 
portanto, necessária a autoridade e a força do 
Estado para a efetivação da vida coletiva em 
harmonia. Essas ideias são expressas pelos itens 
[01], [02], [08] e [16]. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
 
A) “Há duas espécies de demonstração. Uma, 
pela causa, pelo por que das coisas, a qual se 
apoia simplesmente nas causas primeiras. 
Outra, pelo efeito, que é chamada a 
posteriori, embora se baseie no que é 
primeiro para nós; quando um efeito nos é 
mais manifesto que a sua causa, por ele 
chegamos ao conhecimento desta. Ora, 
podemos demonstrar a existência da causa 
própria de um efeito, sempre que este nos é 
mais conhecido que aquela; porque, 
dependendo os efeitos da causa, a existência 
deles supõe, necessariamente, a 
preexistência desta. Por onde, não nos sendo 
evidente, a existência de Deus é 
demonstrável pelos efeitos que 
conhecemos.” (Tomás de Aquino, Suma 
Teológica, questão 2, Art. 2). Assim, a quinta 
via toma como princípio a finalidade dos 
seres, ou seja, o fato de que tudo o que 
carece de inteligência opera em vista de um 
fim, que busca alcançar o que é o melhor. 
Essa finalidade não pode ser alcançada sem 
que haja uma intenção ou causa. Para Tomás 
de Aquino, pensar que essa finalidade possa 
ser alcançada sem que haja uma causa 
anterior é tão absurdo como querer que uma 
flecha possa alcançar o alvo sem ser antes 
arremessada por um arqueiro. Partindo-se 
desse princípio, o filósofo afirma que o 
correto uso do entendimento pode conduzir 
o raciocínio ao conhecimento de uma causa 
anterior e sucessiva, até que não se possa 
afirmar nenhuma outra que não seja a 
primeira causa, ou seja, Theós (Deus). Por 
isso, afirma-se que a quinta via é uma prova 
a partir dos efeitos, pois é a partir do 
conhecimento da natureza criada que 
podemos conhecer algo a respeito do 
Criador. 
 
B) De acordo com Aristóteles (Metafísica, Livro 
V, 1013 a 24), entende-se por causa “aquilo 
de que como um material imanente provém 
o ser de uma coisa”. Assim, é inconcebível 
que um ser imanente seja ele próprio a sua 
própria causa, dependendo ele de uma causa 
anterior que fundamente a sua existência. Da 
mesma maneira, o pensamento aristotélico 
valoriza a experiência como forma de acesso 
ao conhecimento; e a experiência nos mostra 
coisas múltiplas que se harmonizam ou 
buscam se harmonizar em vistas de um fim 
comum. Para Aristóteles, é forçoso que exista 
uma ordem anterior e primeira à qual ele 
denomina de primeiromotor imóvel. 
Portanto, tomando o estagirita como 
referência, e acrescentando os fundamentos 
da sua teologia e filosofia cristã, segundo as 
quais a Alma é conhecida pelos seus atos, 
Tomás de Aquino afirma que Deus é essa 
causa primeira que ordena as coisas para que 
elas possam realizar o seu fim. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
93 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[02 + 04 + 08 = 14] 
 
A filosofia desenvolvida no período 
medieval, que teve grande influência da 
filosofia grega, teve como principal 
característica a busca pela racionalização da fé 
cristã, a partir da premissa de que a relação 
entre a fé e a razão levaria ao aperfeiçoamento 
humano. A filosofia pratrística, que tem como 
principal representante Agostinho de Hipona, 
predominou nos primeiros séculos do período 
medieval e buscou formular uma argumentação 
racional e ontológica para a existência do Deus 
cristão e para a doutrina cristã, defendendo a fé 
como principal fundamento para direcionar a 
vida e a moral humanas a partir do 
conhecimento sensível. Nessa perspectiva, o 
aluno deve identificar os itens [02] e [04] como 
corretos. A filosofia escolástica teve como 
expoente mais importante Tomás de Aquino, 
que, através da leitura e da reinterpretação dos 
textos aristotélicos, enfatizou o uso da razão 
para o entendimento da doutrina cristã, 
buscando justificar a existência de Deus e das 
verdades reveladas através da sistematização 
dos argumentos e da superação das 
contradições através do pensamento lógico. 
Com base nisso, o aluno deve apontar o item 
[08] como correto. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[01 + 04 + 16 = 21] 
Para Tomás de Aquino, “o objeto das 
virtudes teológicas é o próprio Deus, que é a 
última finalidade de tudo e acima do 
conhecimento da nossa razão. Por outro lado, o 
objeto das virtudes morais e intelectuais é algo 
compreensível à razão humana.” Assim, para 
esse pensador, as leis se dividem em leis 
naturais, que têm como finalidade a 
preservação da vida humana, leis positivas, que 
têm como finalidade a preservação da 
sociedade e as leis divinas, ligadas à Deus e que 
levariam ao paraíso, sendo estas últimas 
aquelas que guiam todas as demais. O Estado, 
portanto, para Aquino, deve ser subordinado à 
moral cristã e à religião, sendo a monarquia a 
forma de governo defendida por ele para a 
condução ao bem coletivo a partir das leis 
divinas. Com efeito, apenas os itens [01], [04] e 
[16] devem ser identificados como corretos. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[B] 
 
A filosofia medieval é movida por querelas 
intelectuais nas quais de um lado encontramos 
os teólogos e de outro os filósofos, ou de um 
lado os defensores do conhecimento pela fé e 
de outro os defensores do conhecimento pela 
razão, ou de um lado a revelação bíblica e de 
outro a investigação dos filósofos gregos. A 
partir do século XII, com as traduções feitas pela 
escola de Toledo das obras de Aristóteles, essas 
disputas se acirraram. À primeira vista, o 
aristotelismo era incompatível com a doutrina 
cristã. No aristotelismo, por exemplo, não havia 
nenhuma noção de deus criador, de providência 
divina, de alma imortal, de queda e redenção do 
homem – todas estas noções caras à doutrina 
cristã. Essa incompatibilidade levou à censura 
da obra de Aristóteles. Porém, a capacidade 
intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua 
inabalável fé cristã resolveram tais 
incompatibilidades com uma cristianização 
efetiva da filosofia aristotélica. Um exemplo da 
capacidade de Tomás está na sua apropriação 
da tese de Aristóteles sobre o Primeiro Motor 
(para haver um móvel é necessário que exista 
um imóvel, para que exista a passagem da 
potência para o ato é necessário haver algo que 
seja ato puro), e transformação desta em prova 
da existência do Deus cristão; essa é uma das 
cinco provas da existência de Deus aceitas por 
Santo Tomás. 
 
Porém, a questão do vestibular possui um 
problema grave, pois a alternativa: “por meios 
metafísicos, resultantes de investigação 
intelectual”, é correta segundo esta afirmação 
do texto citado: “existem verdades que podem 
ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus 
existe”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
94 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
 
A primeira concepção é por princípio uma 
concepção política teológica. O poder político é 
instituído por Deus e a finalidade da ação 
política é a salvação. O Estado, por conseguinte, 
deve se conformar de tal maneira que permita, 
ou melhor, condicione o homem a viver em 
função do fim maior, em função da eternidade 
representada na salvação. São Tomás é 
evidentemente um católico, considerando a 
primazia de sua religião sobre quaisquer 
necessidades mundanas, organizando o poder 
político e a ação do cidadão de tal maneira que 
reflita apropriadamente os dogmas da Igreja. 
 
A segunda concepção é por princípio uma 
concepção política moderna, ou pré-moderna. 
A primeira superação perpetrada por Maquiavel 
é a superação do discurso antigo a respeito da 
necessidade do homem manter um hábito 
guiado pelas virtudes cardiais: sabedoria, 
coragem, temperança e magnanimidade. Não 
que o homem não deva possuir tais 
características, todavia elas não devem de 
modo algum impedi-lo de realizar uma ação 
cruel se assim se demonstrar útil para que ele 
efetive o seu poder. A segunda superação 
perpetrada por Maquiavel é a superação do 
discurso escolástico que predispunha o 
começo, meio e fim das coisas a partir da 
certeza da palavra revelada. O mundo da 
experiência é guiado pela fortuna e não se faz 
sentido impedir que certas ações se realizem, 
pois circunstancialmente elas podem ser as 
melhores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[D] 
 
Santo Tomás de Aquino separa a fé e a razão, 
garantindo que cada uma tenha o seu mérito. A 
fé é meritosa quando trata das questões 
relacionadas com o divino; já a razão é meritosa 
quando trata das questões relacionadas com a 
natureza. A fé não possui mérito para tratar das 
questões que a razão é capaz de indicar provas 
suficientes, do mesmo modo a razão não possui 
mérito para tratar daquilo que é questão de fé. 
 
Porém, Tomás de Aquino também afirma 
que as verdades doutrinais – aquelas que 
dependem da fé – são geralmente confirmadas 
pela razão, de tal maneira que a razão pode ser 
útil para o fortalecimento da fé. O uso da razão 
persuasiva pode, então, servir à fé, 
fortalecendo a crença ou convencendo o 
descrente da verdade revelada cristã. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[C] 
 
Tomás de Aquino, ainda que considere a 
razão humana limitada, não despreza as suas 
possibilidades de conhecimento. Não é por 
acaso que ele desenvolve as cinco vias de 
demonstração racional da existência de Deus. 
Verifica-se, portanto, como a teoria do 
conhecimento de Tomás de Aquino está 
intimamente relacionada com a sua intenção de 
superar a dicotomia entre fé e razão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
95 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[01 + 04 + 08 + 16 = 29] 
Santo Tomás, retomando a sua maneira a 
política de Aristóteles, distingue as formas de 
governo em formas injustas e formas justas: 1) 
dentre as injustas, estão: a tirania, a oligarquia 
e a democracia, sendo a primeira o uso do 
poder através da força de um, a segunda 
através da força de poucos e a terceira através 
da força de muitos; na oligarquia alguns poucos 
ricos oprimem os pobres e na democracia os 
muitos pobres oprimem os ricos; 2) dentre as 
justas, estão: a monarquia, a aristocracia e a 
politia; todas estas formas justas se 
caracterizam pelo uso do poder para o 
favorecimento do coletivo, sendo assim, o rei 
de uma monarquia usa o poder para bem guiar 
seus governados, os homens bons de uma 
aristocracia usam o poder para bem guiar a 
cidade e, do mesmo modo, a coletividade 
constituída de homens que fazem bom uso da 
razão. 
Por conseguinte, o rei é um dirigente cuja 
finalidade de sua ação é dirigir a cidade para o 
bem da coletividade e nunca para o seu próprio 
favorecimento. 
 
“Do quefoi dito, fica claro que pertence à 
noção de rei que ele é único, que governa e que 
é um pastor que busca o bem comum da 
coletividade e não o seu interesse próprio”. 
(AQUINO, Sto. Tomás de. A realeza: dedicado ao 
rei de Chipre. In: Antologia de textos filosóficos. 
Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 670) 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[01 + 08 + 16 = 25] 
 
A Patrística é o estudo dos chamados 
"Patronos da Igreja", ou seja, é o estudo dos 
escritos daqueles primeiros escritores dos 
primórdios do cristianismo. Esse período é 
geralmente delimitado entre o fim do Novo 
Testamento ou o final da Era Apostólica até a 
data do Concílio da Calcedónia (451 d.C.) ou até 
o século VIII d.C. no segundo Concílio de Niceia. 
Basicamente, estes escritos pretendem 
justificar, defender e propagar as verdades da 
fé cristã. 
 
A Escolástica era o estilo de reflexão 
teológica que buscava conciliar a filosofia 
aristotélica aos dogmas da Igreja. A filosofia 
medieval é movida por querelas intelectuais nas 
quais de um lado encontramos os teólogos e de 
outro os filósofos, ou de um lado os defensores 
do conhecimento pela fé e de outro os 
defensores do conhecimento pela razão, ou de 
um lado a revelação bíblica e de outro a 
investigação dos filósofos gregos. A partir do 
século XII, com as traduções feitas pela escola 
de Toledo das obras de Aristóteles, essas 
disputas se acirraram. À primeira vista, o 
aristotelismo era incompatível com a doutrina 
cristã. No aristotelismo, por exemplo, não havia 
nenhuma noção de deus criador, de providência 
divina, de alma imortal, de queda e redenção do 
homem – todas estas noções caras à doutrina 
cristã. Essa incompatibilidade levou à censura 
da obra de Aristóteles. Porém, a capacidade 
intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua 
inabalável fé cristã resolveram tais 
incompatibilidades com uma cristianização 
efetiva da filosofia aristotélica. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[D] 
 
No século VIII, Carlos Magno, rei dos francos 
foi coroado imperador do Ocidente em 800 d.C 
pelo Papa Leão III. Ele organizou o ensino e 
fundou escolas ligadas às instituições católicas, 
deste modo, a cultura greco-romana protegida 
entre os muros dos mosteiros até então, voltou 
a ser divulgada e mais tarde, a partir do século 
XI no ambiente cultural destas escolas e com o 
surgimento das primeiras universidades surgiu 
a produção filosófico-teológica denominada 
escolástica (palavra derivada de escola). A partir 
do século XIII, o aristotelismo penetrou de 
forma profunda no pensamento escolástico, 
marcando-o definitivamente isto porque as 
obras de Aristóteles, desconhecidas até então, 
foram traduzidas diretamente do grego para o 
latim. 
 
 
 
 
 
 
 
 
96 
Tomás de Aquino é a figura mais destacada 
do pensamento de sua época, por isto sua 
filosofia parece que surgiu com o objetivo claro 
de não contrariar a fé de modo que sua 
finalidade era organizar um conjunto de 
argumentos para demonstrar e defender as 
revelações da fé cristã revivendo no 
pensamento aristotélico um instrumento a 
serviço da religião católica - o que 
imediatamente anula a questão B -, ao mesmo 
tempo em que transformou nesta filosofia a 
busca de argumentos para demonstrar e 
defender as revelações do cristianismo. 
 
Umberto Eco tem razão, pois é Tomás de 
Aquino quem cristianiza Aristóteles, assim, para 
sustentar a afirmação do mesmo o próprio 
Tomás de Aquino diz: “Se é correto que a 
verdade da fé cristã ultrapassa as capacidades 
da razão humana, nem por isso os princípios 
inatos naturalmente à razão podem estar em 
contradição com esta verdade sobrenatural”. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[D] 
 
A alternativa D é a que melhor exprime o 
pensamento de Tomás de Aquino, porque na 
citação fica evidente a limitação da razão 
humana, como demonstra a seguinte 
passagem: “existem a respeito de Deus 
verdades que ultrapassam totalmente as 
capacidades da razão humana”. Logo, seria 
incorreto afirmar que “a filosofia é capaz de 
alcançar todas as verdades acerca de Deus” 
(alternativa A). Por outro lado, não há nada na 
citação e tampouco está de acordo com o 
pensamento de Tomás de Aquino que o 
conhecimento só pode ser alcançado por meio 
da verdade concedida por Deus (alternativa B) 
ou mesmo que a verdade só é alcançada por 
meio da fé (alternativa C). Entretanto, embora 
a razão humana seja limitada, ela pode atingir 
algumas verdades acerca de Deus, 
contrariando, assim, a afirmação da alternativa 
E. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[D] 
 
Somente a alternativa [D] é correta. A 
argumentação de Tomás de Aquino pode ser 
resumida da seguinte forma: tudo o que se 
move tem uma origem. É impossível uma cadeia 
infinita de motores. Logo, deve existir um 
primeiro motor e este motor é Deus 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[A] 
 
A filosofia medieval responsável pela visão 
teocêntrica do mundo é chamada de Escolástica 
e seu principal filósofo foi Tomás de Aquino. Sua 
principal obra foi a Suma Teológica. Em 
contrapartida, o principal filósofo do 
racionalismo nascente na Idade Moderna foi 
René Descartes. Sua principal obra foi Discurso 
sobre o Método. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[C] 
A produção filosófica escolástica está 
relacionada ao contexto histórico Medieval, no 
qual o paradigma dominante estava 
fundamentado nos princípios da teologia cristã. 
O principal nome dessa corrente filosófica, 
Tomás de Aquino, com forte influência da 
produção filosófica clássica, buscou explicar os 
princípios teológicos cristãos a partir de 
elementos do pensamento racional, 
harmonizando fé e razão, tal como indicado na 
alternativa [C]. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[E] 
 
A visão política de Tomás de Aquino faz 
referência ao conceito de bem comum de 
Aristóteles, que valoriza o aspecto comunitário 
da vivência humana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
97 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18: 
[B] 
Percebe-se, no texto apresentado pela 
questão, a construção do argumento para a 
defesa da existência de Deus a partir do 
pensamento racional, característica da filosofia 
escolástica da qual Tomas de Aquino é o mais 
conhecido expoente. Assim, o pensador busca 
sustentar racionalmente uma ideia baseada na 
fé, como apontado pela alternativa [B]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19: 
[A] 
O pensamento aristotélico era mais difícil de 
ser conjugado com o pensamento cristão uma 
vez que valorizava a investigação científica e 
não pressupunha a existência de um plano 
superior. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20: 
[C] 
 
Os homens, por si mesmos, não agem de 
forma homogênea. Assim, tomando a metáfora 
de um navio, Tomás de Aquino considera que a 
sociedade necessita de um piloto capaz de 
conduzir a todos a um mesmo fim: o bem 
comum. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21: 
[B] 
 
A relação da filosofia com os dogmas cristãos 
está relacionada principalmente a duas escolas 
de pensamento: a patrística, representada por 
Santo Agostinho e a escolástica cujo maior 
representante foi São Tomás de Aquino. A 
Patrística se refere aos primeiros séculos com o 
objetivo de formular verdades da fé contra os 
pagãos. A escolástica foi desenvolvida entre os 
séculos XI e XV dentro das universidades 
medievais europeias com o objetivo de conciliar 
a fé cristã com o sistema de pensamento 
racional, tendo foco na dialética como 
mecanismo de conciliação das teorias. Apenas a 
alternativa [B] possui relação com a questão da 
fé raciocinada, ou seja, com a filosofia 
escolástica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
98 
FILOSOFIA MODERNA – INTRODUÇÃO/ 
EPISTEMIOLOGIA (DAVID HUME, RENÉ 
DESCARTES, IMMANUEL KANT) 
QUESTÃO 01 
(UFMS 2019) 
 
Leia atentamente o texto a seguir: 
 
“Neste ponto, o filósofo compreendeu que 
havia uma crença da qual ele não podia duvidar: 
a crença na própria existência. Cada um de nós 
pensa ou diz: ‘Sou, existo’ – e, enquanto 
pensamos ou dizemos isso, não podemos estar 
errados.Quando o filósofo tentou aplicar o 
teste do gênio maligno a sua crença, percebeu 
que o gênio só podia levá-lo a acreditar que ele 
existe se ele, o próprio filósofo, de fato existir – 
como ele poderia duvidar da própria existência, 
se é preciso existir para ter dúvida? 
 
O axioma ‘Eu sou, eu existo’ constitui a 
primeira certeza desse filósofo. Em sua obra 
anterior, Discurso sobre o método, ele a 
apresentou como ‘Penso, logo existo’, mas 
abandonou a frase ao escrever suas 
Meditações, pois o uso de ‘logo’ leva a 
afirmação a ser lida como premissa e conclusão. 
O filósofo queria que o leitor – o ‘eu’ que medita 
– percebesse que, assim que considero o fato 
de que existo, sei que isso é verdadeiro. Tal 
verdade é instantaneamente apreendida. A 
percepção de que existo é uma intuição direta, 
não a conclusão de um argumento.” 
(Vários colaboradores. O livro da Filosofia. 
Tradução Douglas Kim. São Paulo: Globo, 2011. 
p. 120. Adaptado). 
 
O texto desse enunciado exprime uma 
vertente do pensamento racionalista de um 
importante filósofo ocidental. Assinale a 
alternativa correta que apresenta o filósofo 
racionalista autor das reflexões apresentadas. 
 
A) Nicolau Maquiavel. 
B) São Tomás de Aquino. 
C) René Descartes. 
D) Voltaire. 
E) Immanuel Kant. 
QUESTÃO 02 
(Uece 2019) 
 
“[É] uma coisa bem notável que não haja 
homens [...] que não sejam capazes de arranjar 
em conjunto diversas palavras e de compô-las 
num discurso pelo qual façam entender seus 
pensamentos; [...] os homens que, tendo 
nascido surdos e mudos, são desprovidos dos 
órgãos que servem aos outros para falar, [...] 
costumam inventar eles próprios alguns sinais, 
pelos quais se fazem entender por quem, 
estando comumente com eles, disponha de 
lazer para aprender a sua língua.” 
DESCARTES, R. Discurso do método, V. 
 
A passagem acima informa sobre a relação 
entre pensamento e linguagem no racionalismo 
moderno. 
 
Sobre essa relação, pode-se afirmar 
corretamente que 
A) a linguagem, quer seja sonora quer seja em 
sinais, tem a função de fazer o pensamento 
ser entendido pelos outros. 
B) a capacidade de produzir discursos, isto é, a 
linguagem, é o que permite aos homens ter 
pensamentos. 
C) o entendimento entre homens se dá através 
da linguagem, que, todavia, é anterior ao 
pensamento. 
D) o pensamento existe independentemente do 
discurso e, como ocorre entre surdos e 
mudos, não precisa ser entendido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
99 
QUESTÃO 03 
(Ueg 2019) 
 
John Locke afirmou que a mente é como uma 
folha em branco na qual a cultura escreve seu 
texto e Descartes demonstrava desconfiança 
em relação aos sentidos como fonte de 
conhecimento. A respeito desses dois filósofos, 
verifica-se o seguinte: 
 
A) Locke é um representante do racionalismo e 
Descartes é um representante do empirismo. 
B) Locke é um representante do empirismo e 
Descartes é um representante do 
racionalismo. 
C) Descartes e Locke possuíam a mesma 
concepção, pois ambos eram críticos do 
iluminismo. 
D) Descartes é um representante do teologismo 
e Locke é um representante do culturalismo. 
E) Descartes é um representante do 
materialismo e Locke é um representante do 
idealismo. 
 
 
QUESTÃO 04 
(Uece 2019) 
 
“No Brasil, a tortura ganhou destaque 
durante o período da ditadura militar, quando 
foram cometidos diversos atos de tortura 
contra pessoas consideradas pelo governo 
como uma ‘ameaça’ à ordem e à paz. Após esse 
período turbulento, a Assembleia Constituinte 
se reuniu para elaborar a nova Constituição, 
aquela que mais tarde seria considerada como 
a Constituição Cidadã, pois ressalta o respeito à 
dignidade da pessoa humana e a garantia dos 
direitos essenciais”. 
TEIXEIRA, Adriano Mendes. Os crimes de 
tortura e o princípio constitucional da 
dignidade da pessoa humana. Disponível em: 
https://adrianomendes2016.jusbrasil.com.br/a
rtigos/385521311/os-crimes-de-tortura-e-o-
principio-constitucionalda-dignidade-da-
pessoa-humana 
O conceito de pessoa na expressão 
“dignidade da pessoa humana” se refere ao 
conceito 
 
A) jurídico de persona, no sentido hobbesiano, 
como indivíduo em sua existência legal como 
membro do Estado. 
B) religioso, no sentido agostiniano, da pessoa 
individual como imago dei, ou seja, criado à 
imagem e semelhança de Deus. 
C) estético-teatral, como dramatis personae, 
lista dos personagens principais de uma obra 
teatral. 
D) ético-moral, no sentido kantiano, em que o 
homem, como ser racional, é fim em si 
mesmo e nunca meio. 
 
 
QUESTÃO 05 
(Ufu 2018) 
 
Na obra Discurso do método, o filósofo 
francês Renê Descartes descreve as quatro 
regras que, segundo ele, podem levar ao 
conhecimento de todas as coisas de que o 
espírito é capaz de conhecer. Quanto a uma 
dessas regras, ele diz que se trata de "dividir 
cada dificuldade que examinasse em tantas 
partes quantas possíveis e necessárias para 
melhor resolvê-las". 
Descartes. Discurso do método,I-II, citado 
por: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de 
Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 
2000. Tradução de Marcus Penchel. 
Essa regra, transcrita acima, é denominada 
 
A) regra da análise. 
B) regra da síntese. 
C) regra da evidência. 
D) regra da verificação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
100 
QUESTÃO 06 
(Uem 2018) 
 
“De que todo o nosso conhecimento comece 
com a experiência, não há a mínima dúvida; pois 
de que outro modo a faculdade de conhecer 
deveria ser despertada para o exercício, se não 
ocorresse mediante objetos que impressionam 
os nossos sentidos e em parte produzem 
espontaneamente representações, em parte 
põem em movimento a nossa atividade 
intelectual de comparar essas representações, 
conectá-las ou separá-las, e deste modo 
transformar a matéria bruta das impressões 
sensíveis em conhecimento de objetos, que se 
chama experiência? [...] Mas, ainda que todo o 
nosso conhecimento comece com a 
experiência, nem por isso todo ele origina-se da 
experiência.” 
(KANT, I. Crítica da razão pura. In: MARCONDES, 
D. Textos básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 
2007, p. 117). 
A partir do texto citado, assinale a soma das 
alternativas corretas: 
 
01) O conhecimento tem seu início na 
experiência sensível; isso não significa, 
todavia, que ele esteja preso à experiência e 
limitado por ela. 
02) A faculdade de conhecer está em repouso e 
é despertada pela experiência sensível, 
sendo essa a fonte primeira do 
conhecimento. 
04) As representações sensíveis das coisas são 
espontâneas e não precisam de qualquer 
interferência dos sentidos. 
08) A faculdade de conhecer pode produzir 
conhecimentos por si mesma, visto que as 
impressões sensíveis não são a origem de 
todo o conhecimento. 
16) A faculdade de conhecer opera sobre as 
representações das coisas advindas por 
meio dos sentidos e produz, assim, novos 
conhecimentos. 
 
 
 
 
QUESTÃO 07 
(Uem 2017) 
“Passemos, então, aos atributos da alma e 
vejamos se há alguns que existam em mim. [...] 
Um outro é pensar, e verifico aqui que o 
pensamento é um atributo que me pertence; 
somente ele não pode ser separado de mim. Eu 
sou, eu existo: isto é certo; mas por quanto 
tempo? Durante todo o tempo em que eu 
penso; pois talvez poderia acontecer que, seu 
eu parasse de pensar, ao mesmo tempo pararia 
de ser ou de existir. Nada admito agora que não 
seja obrigatoriamente verdadeiro: nada sou, 
então, a não ser uma coisa que pensa, ou seja, 
um espírito, um entendimento ou uma razão, 
que são palavras cujo significado me era 
anteriormente desconhecido.” 
DESCARTES, R. Meditações, 2ª Meditação. São 
Paulo: Nova Cultural, 2004, p. 260 e 261. 
A partir do texto citado, assinale a soma das 
alternativas corretas: 
 
01) A faculdade de pensar é um atributo que 
não pode ser separado do sujeito, ligado 
intimamente ao seu eu. 
02) O pensamento é um atributo ligado ao 
corpo do sujeito,visto que é somente por 
meio desse pensamento que elaboramos 
nossas ideias. 
04) Os pensamentos são efêmeros, uma vez que 
desaparecem quando deixamos de pensar, 
não restando nada em nós. 
08) Os pensamentos e o conhecimento das 
coisas já estão na alma humana, e é 
necessário rememorá-la por um ato de 
autorreflexão. 
16) No processo de autoconhecimento, a 
primeira constatação a que se chega é que 
o homem é, prioritariamente, um ser que 
pensa, uma coisa pensante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
QUESTÃO 08 
(Uem 2017) 
 
“É justo que se considere uma temeridade 
imperdoável julgar todo o curso da natureza a 
partir de um experimento singular, apesar da 
sua precisão e certeza. Mas quando uma 
espécie particular de eventos sempre esteve, 
em todos os casos, conjugada com outra, não 
temos nenhum escrúpulo em prever um desses 
eventos a partir da aparição do outro, 
empregando aquele raciocínio que, sozinho, 
nos assegura de qualquer fato ou existência. 
Então, chamamos um objeto de Causa; o outro 
de Efeito. Supomos que haja alguma conexão 
entre eles; alguma força, no primeiro, pela qual 
ele produz infalivelmente o segundo, operando 
com a maior certeza e a mais forte necessidade. 
Parece, então, que a ideia de uma conexão 
necessária entre os eventos surge de uma 
quantidade de situações similares, que 
decorrem da conjunção constante desses 
eventos.” 
HUME, D. Uma investigação sobre o 
entendimento humano. In: MARCONDES, D. Textos 
básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 
107. 
A partir do texto citado, assinale a soma das 
alternativas corretas: 
 
01) O conhecimento da natureza não pode 
decorrer da consideração de eventos 
particulares e isolados. 
02) A noção de causa é uma força que 
impulsiona os objetos e a noção de efeito é 
a ação resultante sobre esse mesmo objeto. 
04) A relação de causalidade se estabelece 
entre objetos parecidos e não 
necessariamente entre eventos similares. 
08) A noção de causalidade entre objetos 
decorre da inferência de que há uma 
conexão necessária entre eventos similares 
e constantes. 
16) Não basta analisar um evento singular para 
emitir juízos sobre o curso da natureza, 
ainda que ele seja certo e preciso. 
 
 
 
QUESTÃO 09 
(Ufu 2017) 
 
Hume descreveu a confiança que o 
entendimento humano deposita na 
probabilidade dos resultados dos eventos 
observados na natureza. Ele comparou essa 
convicção ao lançamento de dados, cujas faces 
são previamente conhecidas, porém, nas 
palavras do filósofo: 
 
[...] verificando que maior número de faces 
aparece mais em um evento do que no outro, o 
espírito [o entendimento humano] converge 
com mais frequência para ele e o encontra 
muitas vezes ao considerar as várias 
possibilidades das quais depende o resultado 
definitivo. 
HUME, D. Investigação acerca do entendimento 
humano. Tradução de Anoar Aiex. 
São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 93. Coleção 
“Os Pensadores”. 
 
Esse tipo de raciocínio, descrito por Hume, 
conduz o entendimento humano a uma situação 
distinta da certeza racional, uma espécie de 
“falha”, representada pelo(a) 
 
A) verdade da fantasia, que é superior à certeza 
racional. 
B) crença, que ocupa o lugar da certeza 
racional. 
C) sentido visual, que é mais verídico que a 
certeza sensível. 
D) ideia inata, que atua como o a priori da razão 
humana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
102 
QUESTÃO 10 
(Unioeste 2017) 
 
Na obra Fundamentação da Metafísica dos 
Costumes, Kant apresenta uma formulação do 
imperativo categórico: “Age apenas segundo 
uma máxima tal que possas ao mesmo tempo 
querer que ela se torne lei universal”. 
KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica 
dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 
129 
Em relação ao pensamento de Kant, é 
CORRETO afirmar. 
 
A) O propósito do imperativo categórico é o de 
permitir que o indivíduo decida suas ações 
sem que tenha que se preocupar com os 
demais. 
B) O imperativo categórico tem por objetivo 
desfazer o conflito entre a providência divina, 
relacionada à cidade de Deus, e o espaço 
terreno. 
C) O imperativo categórico vincula a conduta 
moral a uma norma universal. 
D) Para Kant, não é possível que o indivíduo 
constitua um fim em si mesmo. Por isso 
mesmo, ele precisa espelhar-se na ação dos 
demais para a sua ação. 
E) O imperativo categórico corresponde à 
condição do estado de natureza, que é 
anterior à instituição do Estado civil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 11 
(UFU 2017) 
Leia a citação a seguir. 
 
A preguiça e a covardia são as causas pelas 
quais uma grande parte dos homens, depois 
que a natureza de há muito os libertou de uma 
direção estranha, continuem no entanto de 
bom grado menores durante toda a vida. São 
também as causas que explicam porque é tão 
fácil que os outros se constituam em tutores 
deles. 
KANT, I. Resposta à pergunta: que é 
“Esclarecimento”? (Aufklarung). In: ______. Textos 
seletos. Tradução de Raimundo Vier. 3. ed. 
Petrópolis: Vozes, 2005, p. 64. 
 
A menoridade de que fala Kant é a condição 
daqueles que não fazem o uso da razão. Essa 
condição evidencia a ausência 
 
A) do idealismo necessário para a ampliação dos 
horizontes existenciais. 
B) da autonomia para fazer uso próprio da razão 
sem a tutela de outrem. 
C) da religião encarregada de fazer feliz o 
homem indigente de pensamento. 
D) da ignorância, pois quem se deixa guiar pelos 
outros acerta sempre. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
103 
QUESTÃO 12 
(Uel 2017) 
Leia os textos a seguir. 
Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende 
o que é preciso conhecer para te iniciares na 
política; antes, não. Então, primeiro precisarás 
adquirir virtude, tu ou quem quer que se 
disponha a governar ou a administrar não só a 
sua pessoa e seus interesses particulares, como 
a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o 
que precisas alcançar não é o poder absoluto 
para fazeres o que bem entenderes contigo ou 
com a cidade, porém justiça e sabedoria. 
PLATÃO, O primeiro Alcebíades. Trad. Carlos 
Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2004. p. 281-285. 
 
Esclarecimento é a saída do homem de sua 
menoridade, da qual ele próprio é culpado. A 
menoridade é a incapacidade de fazer uso do 
seu entendimento sem a direção de outro 
indivíduo... Sapere Aude! Tem coragem de fazer 
uso de teu próprio entendimento, tal é o lema 
do esclarecimento. 
KANT, I. Resposta à pergunta: que é 
‘Esclarecimento’ (‘Aufklärung’) . Trad. Floriano de 
Souza Fernandes, 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1985. p. 
100-117. 
 
Tendo em vista a compreensão kantiana do 
Esclarecimento (Aufklärung) para a constituição 
de uma compreensão tipicamente moderna do 
humano, assinale a alternativa correta. 
 
A) Fazer uso do próprio entendimento implica a 
destruição da tradição, na medida em que o 
poder da tradição impede a liberdade do 
pensamento. 
B) A superação da condição de menoridade 
resulta do uso privado da razão, em que o 
indivíduo faz uso restrito do próprio 
entendimento. 
C) A saída da menoridade instaura uma situação 
duradoura, pois as verdadeiras conquistas do 
Esclarecimento se afiguram como 
irreversíveis. 
D) A menoridade é uma tendência decorrente 
da natureza humana, sendo, por esse motivo, 
superada no Esclarecimento, com muito 
esforço. 
E) A condição fundamental para o 
Esclarecimento é a liberdade, concebida 
como a possibilidade de se fazer uso público 
da razão. 
 
 QUESTÃO 13 
(Uem 2017) 
 
“Que a Lógica tenha seguido desde os 
tempos mais remotos esse caminho seguro 
depreende-se do fato de não ter podido desde 
Aristóteles dar nenhum passo atrás. [...] Digno 
de nota ainda que até agora tampouco tenha 
podido dar um passo adiante, parecendo, 
portanto, ao que tudo indica, completa e 
acabada.” 
KANT, I. Crítica da razão pura. Tradução de V. 
Rohden e U. B. Moosburger. 2.ª ed. São Paulo: AbrilCultural, 1983, p. 9, § VIII. 
 
A partir da passagem transcrita e de 
conhecimentos sobre o assunto, assinale o que 
for correto. 
 
01) Kant afirma que a lógica, que é um saber 
fundamental para a análise filosófica, é uma 
disciplina que foi inaugurada já perfeita e 
acabada por Aristóteles. 
02) Segundo Kant, a lógica é uma disciplina que 
evolui com o tempo, a menos que não se 
tenha mais como ampliar sua área de 
conhecimentos por esta já ter alcançado sua 
completude. 
04) Contrariando Kant, a partir do século XIX a 
lógica é modernizada para contemplar 
novas aplicações, adotando linguagem 
simbólica de tipo matemático para denotar 
termos, proposições e inferências. 
08) Kant está correto porque, mesmo hoje, 
acréscimo significativo algum foi feito à 
lógica, o qual estendesse os resultados, os 
princípios e as leis lógicas introduzidas por 
Aristóteles. 
16) Os três princípios fundamentais da lógica 
clássica, os princípios de identidade, de não 
contradição e do terceiro excluído, válidos 
na lógica aristotélica, permanecem 
irrestritamente aceitos, porque sistema 
lógico alternativo algum foi proposto até 
agora. 
 
 
 
 
 
 
 
104 
QUESTÃO 14 
(Enem 2017) 
 
Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade 
a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem 
que não poderá pagar, mas vê também que não 
lhe emprestarão nada se não prometer 
firmemente pagar em prazo determinado. 
Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem 
ainda consciência bastante para perguntar a si 
mesma: não é proibido e contrário ao dever 
livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo 
que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação 
seria: quando julgo estar em apuros de 
dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo 
pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá. 
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos 
costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. 
 
De acordo com a moral kantiana, a “falsa 
promessa de pagamento” representada no 
texto 
 
A) assegura que a ação seja aceita por todos a 
partir da livre discussão participativa. 
B) garante que os efeitos das ações não 
destruam a possibilidade da vida futura na 
terra. 
C) opõe-se ao princípio de que toda ação do 
homem possa valer como norma universal. 
D) materializa-se no entendimento de que os 
fins da ação humana podem justificar os 
meios. 
E) permite que a ação individual produza a mais 
ampla felicidade para as pessoas envolvidas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 15 
(Uem 2017) 
 
“O propósito desta crítica da razão 
especulativa pura consiste na tentativa de 
reformular o procedimento habitual da 
metafísica, propondo-nos deste modo uma 
completa revolução em relação a esta segundo 
o exemplo dos geômetras e pesquisadores da 
natureza. Ela é um tratado do método e não um 
sistema da própria ciência; ainda assim desenha 
o contorno total da metafísica, tanto no que 
respeita seus limites quanto à estrutura interna 
total de seus membros”. 
KANT, I. Crítica da razão pura. In: MARCONDES, 
D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 
2007, p. 111. 
 
A partir do texto citado, assinale a soma das 
alternativas corretas sobre o projeto da crítica 
de Kant 
 
01) busca ater-se apenas aos métodos das 
ciências teóricas, como a metafísica. 
02) reformula o modo como são adquiridos os 
conhecimentos metafísicos. 
04) volta-se para a razão especulativa, no 
tocante aos seus procedimentos mais 
recorrentes. 
08) visa ser tão somente uma ciência pura, haja 
vista sua preocupação com a definição de 
um método próprio. 
16) busca transformar a razão pura, a razão 
prática e a estética em um sistema 
científico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
105 
QUESTÃO 16 
(UFPR 2020) 
Nas primeiras linhas das Meditações 
Metafísicas, Descartes declara que “recebera 
muitas falsas opiniões por verdadeiras” e que 
“aquilo que fundou sobre princípios mal 
assegurados devia ser muito duvidoso e 
incerto”. 
(DESCARTES, R. Meditações Metafísicas, In: 
MARÇAL, J. CABARRÃO, M.; FANTIN, M. E. (org.) 
Antologia de textos filosóficos, Curitiba: SEED-PR, 
2009, p. 153.) 
A fim de dar bom fundamento ao 
conhecimento científico, Descartes entende 
que é preciso: 
 
a) confiar nas próprias opiniões. 
b) certificar-se de que os outros pensam como 
nós. 
c) seguir as opiniões dos mais sábios. 
d) partir de princípios seguros e proceder com 
método. 
e) aceitar que o conhecimento é duvidoso e 
incerto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 17 
(Uel 2020) 
 
Leia o texto a seguir. 
 
Dever é a necessidade de uma ação por 
respeito à lei. [...] devo proceder sempre de 
maneira que eu possa querer também que a 
minha máxima se torne uma lei universal. 
 KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica 
dos costumes. Trad. Paulo Quintela. São Paulo: Abril 
Cultural, 1974. p. 208-209. 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre a teoria kantiana do dever, assinale a 
alternativa correta. 
 
a) A máxima de uma ação moral universalizável 
pode ter como fundamento os efeitos da 
ação, sendo considerada moralmente boa 
uma ação cujos efeitos causam o bem. 
b) A obrigação incondicional que a lei moral 
impõe advém do reconhecimento da 
possibilidade de universalização das máximas 
da ação 
c) A mentira pode, em certas circunstâncias, ser 
legitimada moralmente quando dela resulta 
uma ação benéfica ou impede o prejuízo a 
outrem. 
d) A máxima incondicional de uma ação moral 
pode ter como fundamento a experiência, 
pois os costumes fornecem elementos 
suficientes para ela. 
e) O imperativo categórico, princípio dos 
imperativos do dever, escolhe, dentre os 
estímulos fornecidos à vontade, o que lhe é 
mais adequado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
106 
QUESTÃO 18 
(UFPR 2019) 
 
Mas, logo em seguida, adverti que enquanto 
eu queria assim pensar que tudo era falso, 
cumpria necessariamente que eu, que pensava, 
fosse alguma coisa. E, notando que esta 
verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e 
tão certa que todas as mais extravagantes 
suposições dos céticos não seriam capazes de 
abalar, julguei que podia aceitá-la, sem 
escrúpulo, como o primeiro princípio da 
Filosofia que procurava. 
 
(DESCARTES. Discurso do método. Col. Os 
Pensadores. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado 
Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1991, p. 46.) 
 
O texto citado corresponde a uma das 
passagens mais marcantes da filosofia de 
Descartes, um filósofo considerado por muitos 
intérpretes como o pai do racionalismo. 
 
Com base no texto e na ideia geral de 
racionalismo, é correto afirmar: 
 
a) O racionalismo tem como garantia de 
verdade a experiência. 
b) Descartes é um filósofo empirista, visto que 
faz experiências de pensamento. 
c) Descartes inaugura um tipo de busca pela 
verdade que se ampara no exercício. 
d) A expressão “penso, logo existo” é uma das 
suposições dos céticos sobre o 
conhecimento. 
e) Descartes não buscava um princípio seguro, 
pois duvidava de todas as coisas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 19 
(Uel 2019) 
 
Leia o texto a seguir. 
 
E se escrevo em francês, que é a língua de 
meu país, e não em latim, que é a de meus 
preceptores, é porque espero que aqueles que 
se servem apenas de sua razão natural 
inteiramente pura julgarão melhor minhas 
opiniões do que aqueles que não acreditam 
senão nos livros dos antigos. E quanto aos que 
unem o bom senso ao estudo, os únicos que 
desejo para meus juízes, não serão de modo 
algum, tenho certeza, tão parciais a favor do 
latim que recusem ouvir minhas razões, porque 
as explico em língua vulgar. 
DESCARTES, R. Discurso do Método. Trad. J. 
Guinsburg e Bento Prado Jr. São Paulo: Abril 
Cultural, 1973. Coleção “Os pensadores”. p. 79. 
 
Com base nos conhecimentos sobre 
Descartes e o surgimento da filosofia moderna, 
assinale a alternativa correta. 
 
a) A língua vulgar, o francês, expressa de modo 
mais adequado o espírito da modernidadepor estar livre dos preconceitos da língua dos 
doutos, o latim. 
b) Redigir o Discurso do Método em francês teve 
propósito similar à tradução da bíblia para o 
alemão feita por Lutero: facilitar o acesso à 
sacralidade do texto em língua vulgar. 
c) O desencantamento do mundo, resultante da 
radical crítica cartesiana à tradição, teve 
como consequência o abandono da 
referência à divindade. 
d) As ideias expressas por Descartes em seu 
Discurso do Método refletem a postura 
tipicamente moderna de ruptura total com o 
passado. 
e) A razão natural inteiramente pura é um 
atributo inerente à natureza humana, 
independentemente da tradição ou da 
cultura à qual o humano se vincula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
QUESTÃO 20 
(Enem 2019) 
Dizem que Humboldt, naturalista do século 
XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da 
região sul-americana, via seus habitantes como 
se fossem mendigos sentados sobre um saco de 
ouro, referindo-se a suas incomensuráveis 
riquezas naturais não exploradas. De alguma 
maneira, o cientista ratificou nosso papel de 
exportadores de natureza no que seria o mundo 
depois da colonização ibérica: enxergou-nos 
como territórios condenados a aproveitar os 
recursos naturais existentes. 
 
ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para 
imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 
(adaptado). 
 
 
A relação entre ser humano e natureza 
ressaltada no texto refletia a permanência da 
seguinte corrente filosófica: 
a) Relativismo cognitivo. 
b) Materialismo dialético. 
c) Racionalismo cartesiano. 
d) Pluralismo epistemológico. 
e) Existencialismo fenomenológico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 21 
(Enem 2019) 
TEXTO I 
Considero apropriado deter-me algum 
tempo na contemplação deste Deus todo 
perfeito, ponderar totalmente à vontade seus 
maravilhosos atributos, considerar, admirar e 
adorar a incomparável beleza dessa imensa luz. 
DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril 
Cultural, 1980. 
 
 
TEXTO II 
Qual será a forma mais razoável de entender 
como é o mundo? Existirá alguma boa razão 
para acreditar que o mundo foi criado por uma 
divindade todo-poderosa? Não podemos dizer 
que a crença em Deus é “apenas” uma questão 
de fé. 
RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: 
Gradiva, 2009. 
 
 
Os textos abordam um questionamento da 
construção da modernidade que defende um 
modelo 
a) centrado na razão humana. 
b) baseado na explicação mitológica. 
c) fundamentado na ordenação imanentista. 
d) focado na legitimação contratualista. 
e) configurado na percepção etnocêntrica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
108 
QUESTÃO 22 
(Unesp 2019) 
 
A maior violação do dever de um ser humano 
consigo mesmo, considerado meramente como 
um ser moral (a humanidade em sua própria 
pessoa), é o contrário da veracidade, a mentira 
[...]. A mentira pode ser externa [...] ou, 
inclusive, interna. Através de uma mentira 
externa, um ser humano faz de si mesmo um 
objeto de desprezo aos olhos dos outros; 
através de uma mentira interna, ele realiza o 
que é ainda pior: torna a si mesmo desprezível 
aos seus próprios olhos e viola a dignidade da 
humanidade em sua própria pessoa [...]. Pela 
mentira um ser humano descarta e, por assim 
dizer, aniquila sua dignidade como ser humano. 
[...] É possível que [a mentira] seja praticada 
meramente por frivolidade ou mesmo por 
bondade; aquele que fala pode, até mesmo, 
pretender atingir um fim realmente benéfico 
por meio dela. Mas esta maneira de perseguir 
este fim é, por sua simples forma, um crime de 
um ser humano contra sua própria pessoa e 
uma indignidade que deve torná-lo desprezível 
aos seus próprios olhos. 
 
(Immanuel Kant. A metafísica dos costumes, 
2010.) 
 
Em sua sentença dirigida à mentira, Kant 
 
a) considera a condenação relativa e sujeita a 
justificativas, de acordo com o contexto. 
b) assume que cada ser humano particular 
representa toda a humanidade. 
c) apresenta um pensamento desvinculado de 
pretensões racionais universalistas. 
d) demonstra um juízo condenatório, com 
justificação em motivações religiosas. 
e) assume o pressuposto de que a razão sempre 
é governada pelas paixões. 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 23 
(Unesp 2019) 
 TEXTO I 
Duas coisas enchem o ânimo de admiração e 
veneração sempre crescentes: o céu estrelado 
sobre mim e a lei moral em mim. 
KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 
70, s/d (adaptado). 
 
 
TEXTO II 
Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e 
o estrelado céu dentro de mim. 
FONTELA, O. Kant (relido). In: Poesia completa. 
São Paulo: Hedra, 2015. 
 
 
A releitura realizada pela poeta inverte as 
seguintes ideias centrais do pensamento 
kantiano: 
a) Possibilidade da liberdade e obrigação da 
ação. 
b) A prioridade do juízo e importância da 
natureza. 
c) Necessidade da boa vontade e crítica da 
metafísica. 
d) Prescindibilidade do empírico e autoridade 
da razão. 
e) Interioridade da norma e fenomenalidade do 
mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
109 
QUESTÃO 24 
(Upe-ssa 3 2018) 
 
Considere o texto a seguir sobre o paradigma 
da Modernidade. 
 
 
 
Não nos esqueçamos de outra não menos 
importante verdade histórica: a Revolução 
Científica foi profetizada por Bacon, realizada 
por Galileu, tematizada por Descartes, mas só 
concluída e sistematizada por Newton. 
(JAPIASSU, HIlton. Como Nasceu a Ciência 
Moderna. Rio de Janeiro: Imago, 2007, p. 112. 
Adaptado.) 
 
O autor acima retrata, com singularidade, 
alguns dos expoentes do pensamento moderno. 
Sobre esse assunto, assinale a alternativa 
CORRETA. 
a) Com a revolução galileana, a teologia ganha 
sua autonomia, libertando-se da ciência. 
b) O pensamento cartesiano adota uma atitude 
de dúvida metódica para bem conduzir a 
razão e procurar a verdade nas ciências. 
c) Galileu Galilei foi o verdadeiro fundador do 
método indutivo na ciência da matemática. 
d) A ciência para Francis Bacon é teórica e 
contemplativa, tendo o filósofo profetizado o 
papel da religiosidade no marco da 
cientificidade. 
e) O pensamento newtoniano, com 
direcionamento na física e na matemática, 
não foi um marco essencial para a história e 
para a filosofia da ciência. 
 
 
 
 
QUESTÃO 25 
(Unesp 2018) 
 
De um lado, dizem os materialistas, a mente 
é um processo material ou físico, um produto 
do funcionamento cerebral. De outro lado, de 
acordo com as visões não materialistas, a mente 
é algo diferente do cérebro, podendo existir 
além dele. Ambas as posições estão enraizadas 
em uma longa tradição filosófica, que remonta 
pelo menos à Grécia Antiga. Assim, enquanto 
Demócrito defendia a ideia de que tudo é 
composto de átomos e todo pensamento é 
causado por seus movimentos físicos, Platão 
insistia que o intelecto humano é imaterial e 
que a alma sobrevive à morte do corpo. 
 
(Alexander Moreira-Almeida e Saulo de F. Araujo. 
“O cérebro produz a mente?: um levantamento da 
opinião de psiquiatras”. www.archivespsy.com, 
2015.) 
 
 
A partir das informações e das relações 
presentes no texto, conclui-se que 
a) a hipótese da independência da mente em 
relação ao cérebro teve origem no método 
científico. 
b) a dualidade entre mente e cérebro foi 
conceituada por Descartes como separação 
entre pensamento e extensão. 
c) o pensamento de Santo Agostinho se baseou 
em hipóteses empiristas análogas às do 
materialismo. 
d) os argumentos materialistas resgatam a 
metafísica platônica, favorecendo hipóteses 
de natureza espiritualista. 
e) o progresso da neurociência estabeleceu 
provas objetivas para resolver um debate 
originalmente filosófico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
110 
QUESTÃO 26 
(Unesp 2018) 
Sobre a consciência crítica e a filosofia, 
analise o texto a seguir: 
 
Como relata Descartes no Discurso sobre o 
método, depois de ter lançado tudo à dúvida,somente depois, tive de constatar que, embora 
eu quisesse pensar que tudo era falso, era 
preciso necessariamente que eu, que assim 
pensava, fosse alguma coisa. E, observando que 
essa verdade – ‘penso, logo sou’ – era tão firme 
e sólida que nenhuma das mais extravagantes 
hipóteses dos céticos seria capaz de abalá-la.” 
 
(REALE, Giovanni. História da Filosofia: Do 
Humanismo a Kant. São Paulo: Paulinas, 1990, 
p. 366). 
 
O autor do texto retrata alguns 
apontamentos sobre o pensamento cartesiano. 
Com relação a esse assunto, assinale a 
alternativa CORRETA. 
 
a) As ideias de Descartes enfatizam que a dúvida 
tem valor secundário sobre como conduzir 
bem sua razão. 
b) O pensamento cartesiano afirma que não 
devemos rejeitar como falso tudo aquilo do 
qual não podemos duvidar. 
c) O cartesianismo é um empirismo, ou seja, 
prioriza o valor dos sentidos no âmbito do 
conhecimento. 
d) O pensamento de Descartes influenciou, 
efetivamente, o mundo cultural francês e 
retratou a significância do espírito crítico na 
investigação do conhecimento. 
e) O método racionalista prioriza a verdade da 
fé como critério da cientificidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 27 
(Enem PPL 2018) 
 
Quando analisamos nossos pensamentos ou 
ideias, por mais complexos e sublimes que 
sejam, sempre descobrimos que se resolvem 
em ideias simples que são cópias de uma 
sensação ou sentimento anterior. Mesmo as 
ideias que, à primeira vista, parecem mais 
afastadas dessa origem mostram, a um exame 
mais atento, ser derivadas dela. 
 
HUME, D. Investigação sobre o entendimento 
humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
 
Depreende-se deste excerto da obra de 
Hume que o conhecimento tem a sua gênese na 
 
a) convicção inata. 
b) dimensão apriorística. 
c) elaboração do intelecto. 
d) percepção dos sentidos. 
e) realidade transcendental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
111 
QUESTÃO 28 
(Uel 2018) 
 Leia o texto a seguir. 
 
Rochedos audazes sobressaindo-se por 
assim dizer ameaçadores, nuvens carregadas 
acumulando-se no céu, avançando com 
relâmpagos e estampidos, vulcões em sua 
inteira força destruidora, furacões com a 
devastação deixada para trás, o ilimitado 
oceano revolto, uma alta queda d’água de um 
rio poderoso etc. tornam nossa capacidade de 
resistência de uma pequenez insignificante em 
comparação com o seu poder. Mas o seu 
espetáculo só se torna tanto mais atraente 
quanto mais terrível ele é, contanto que, 
somente, nos encontremos em segurança; e de 
bom grado denominamos estes objetos 
sublimes, porque eles elevam a fortaleza da 
alma acima de seu nível médio e permitem 
descobrir em nós uma faculdade de resistência 
de espécie totalmente diversa, a qual encoraja 
a medir-nos com a aparente onipotência da 
natureza. 
 
(KANT, I. Crítica da Faculdade do Juízo. Trad. 
Antonio Marques e Valério Rohden. Rio de Janeiro: 
Forense Universitária, 1995. p. 107.) 
 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre o juízo de gosto e o sublime na estética 
moderna, particularmente em Kant, assinale a 
alternativa correta. 
a) O conceito de beleza, resultante da atividade 
do entendimento, permite apreender o 
sentido dos eventos ameaçadores, 
protegendo o sujeito da destruição. 
b) Os elementos da natureza compõem o núcleo 
da teoria kantiana do juízo de gosto, 
constituindo, também, parte importante da 
sua concepção de gênio. 
c) Os eventos naturais de proporções 
ameaçadoras provocam nosso interesse 
quando nos situam na possibilidade iminente 
de sermos por eles destruídos. 
d) O sublime não está contido em nenhuma 
coisa da natureza, e sim em nosso ânimo, 
quando nos tornamos conscientes de nossa 
superioridade à natureza. 
e) A faculdade de resistência à dimensão 
ameaçadora e destruidora dos eventos 
naturais de grande magnitude é a faculdade 
produtora do belo. 
 
QUESTÃO 29 
(Unioeste 2018) 
 
O filósofo alemão Immanuel Kant formulou, 
na Crítica da Razão Pura, uma divisão do 
conhecimento e acesso da razão aos 
fenômenos. Fenômenos não são coisas; eles 
nomeiam aquilo que podemos conhecer das 
coisas, através das formas da sensibilidade 
(Espaço e Tempo) e das categorias do 
entendimento (tais como Substância, Relação, 
Necessidade etc.). Assim, Kant afirma que o 
conhecimento humano é finito (limitado por 
suas formas e categorias). Como poderia haver, 
então, algum conhecimento universalmente 
válido? Ele afirma que tal conhecimento se 
formula num “juízo sintético a priori”. Juízos são 
afirmações; o adjetivo “sintéticos” significa que 
essas afirmações reúnem conceitos diferentes; 
“a priori”, por sua vez, indica aquilo que é 
obtido sem acesso à experiência dos 
fenômenos, antes deles e para que os 
fenômenos possam ser reunidos em um 
conhecimento que tenha unidade e sentido. 
 
Com base nisso, indique a alternativa 
CORRETA. 
a) Para Kant, o conhecimento humano é 
diretamente dado pela experiência das 
coisas, acessíveis pelos sentidos (visão, 
audição, etc.). 
b) Juízos sintéticos a priori são afirmações de 
conhecimento cuja natureza é particular e 
que se altera caso a caso. 
c) Se a Metafísica é o conhecimento da essência 
das coisas elas mesmas, Kant é, na Crítica da 
Razão Pura, um defensor da Metafísica, e não 
um defensor da finitude do conhecimento. 
d) Para Kant, Espaço e Tempo são categorias do 
entendimento mediante as quais 
conhecemos os fenômenos. 
e) Juízos sintéticos a priori permitem organizar 
o conhecimento, dando a ele validade 
universal e unicidade. 
 
 
 
 
 
 
 
112 
QUESTÃO 30 
(Unesp 2017) 
 
Todas as vezes que mantenho minha 
vontade dentro dos limites do meu 
conhecimento, de tal maneira que ela não 
formule juízo algum a não ser a respeito das 
coisas que lhe são claras e distintamente 
representadas pelo entendimento, não pode 
acontecer que eu me equivoque; pois toda 
concepção clara e distinta é, com certeza, 
alguma coisa de real e de positivo, e, assim, não 
pode se originar do nada, mas deve ter 
obrigatoriamente Deus como seu autor; Deus 
que, sendo perfeito, não pode ser causa de 
equívoco algum; e, por conseguinte, é 
necessário concluir que uma tal concepção ou 
um tal juízo é verdadeiro. 
 
René Descartes. Vida e Obra. Os pensadores, 
2000. 
 
 
Sobre o racionalismo cartesiano, é correto 
afirmar que 
a) sua concepção sobre a existência de Deus 
exerceu grande influência na renovação 
religiosa da época. 
b) sua valorização da clareza e distinção do 
conhecimento científico baseou-se no 
irracionalismo. 
c) desenvolveu as bases racionais para a crítica 
do mecanicismo como método de 
conhecimento. 
d) formulou conceitos filosóficos fortemente 
contrários ao heliocentrismo defendido por 
Galileu. 
e) se tratou de um pensamento responsável 
pela fundamentação do método científico 
moderno. 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 31 
(Upe-ssa 2 2017) 
 
O bom senso é a coisa do mundo melhor 
partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem 
provido dele que mesmo os que são mais 
difíceis de contentar em qualquer outra coisa, 
não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. 
E não é verossímil que todos se enganem a tal 
respeito; mas isso antes testemunha que o 
poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do 
falso, que é propriamente o que se denomina o 
bom senso ou a razão, é naturalmente igual em 
todos os homens. 
 
DESCARTES, René. Discurso do Método, 
1973, p. 37. 
 
Na perspectiva de René Descartes, 
 
a) o conhecimento filosófico prioriza a 
sensação, deixando à margem o valor da 
razão, isto é, o que vale é ter bom senso. 
b) o conhecimento filosófico é natural em todos 
os homens, mesmo sem fazerem uso do bom 
senso. 
c) o conhecimento filosófico salienta a 
importância capital de bem conduzir a 
própria razão para a aquisição da ciência. 
d) o conhecimento filosófico delimita a 
faculdade de julgar o absoluto, desprezando 
o valor do conhecimento. 
e) o conhecimentofilosófico enfatiza que a 
essência do homem consiste nos sentidos, 
uma vez que o bom senso acentua o caráter 
relativo e particular da razão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
113 
QUESTÃO 32 
(Uel 2017) 
 
Leia o texto a seguir. 
 
Podemos definir uma causa como um objeto, 
seguido de outro, tal que todos os objetos 
semelhantes ao primeiro são seguidos por 
objetos semelhantes ao segundo. Ou, em outras 
palavras, tal que, se o primeiro objeto não 
existisse, o segundo jamais teria existido. O 
aparecimento de uma causa sempre conduz a 
mente, por uma transição habitual, à ideia do 
efeito; disso também temos experiência. 
Em conformidade com essa experiência, 
podemos, portanto, formular uma outra 
definição de causa e chamá-la um objeto 
seguido de outro, e cujo aparecimento sempre 
conduz o pensamento àquele outro. Mas, não 
temos ideia dessa conexão, nem sequer uma 
noção distinta do que é que desejamos saber 
quando tentamos concebê-las. 
 
Adaptado de: HUME, D. Investigação sobre o 
entendimento humano e sobre os princípios da 
moral. Seção VII, 29. Trad. José Oscar de 
Almeida Marques. São Paulo: UNESP, 2004. p. 
115. 
 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
acerca das noções de causa e efeito em David 
Hume, assinale a alternativa correta. 
a) As noções de causa e efeito fazem parte da 
realidade e por isso os fenômenos do mundo 
são explicados através da indicação da causa. 
b) A presença do efeito revela a causa nele 
envolvida, o que garante a explicação de 
determinado acontecimento. 
c) A causa e o efeito são noções que se baseiam 
na experiência e, por meio dela, são 
apreendidas. 
d) A causa e o efeito são conhecidos 
objetivamente pela mente e não por hábitos 
formados pela percepção do mundo. 
e) A causa e o efeito proporcionam, 
necessariamente, explicações válidas sobre 
determinados fatos e acontecimentos. 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[C] 
O texto apresentado exprime o pensamento 
filosófico elaborado por René Descartes. 
Filósofo moderno, Descartes fez parte da 
vertente epistemológica do racionalismo, de 
modo que tomava como pressuposto que o 
conhecimento puro só pode ser alcançado a 
partir das estruturas cognitivas inatas aos 
indivíduos. Descartes foi responsável por lançar 
as bases filosóficas da ciência moderna, e o 
texto da questão destaca sua conhecida 
passagem acerca da existência do sujeito 
pensante, estabelecendo que essa constatação 
é condição necessária para a obtenção do 
conhecimento, sendo, portanto, uma premissa 
indubitável. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[A] 
A partir da leitura do texto e, 
principalmente, do trecho “[É] uma coisa bem 
notável que não haja homens [...] que não 
sejam capazes de arranjar em conjunto diversas 
palavras e de compô-las num discurso pelo qual 
façam entender seus pensamentos”, infere-se 
que, para Descartes, a linguagem constitui um 
instrumento para a expressão e comunicação 
dos pensamentos humanos. Assim, o 
pensamento precede a linguagem, sendo esta 
última o elemento que permite ao primeiro ser 
entendido. Assim, a alternativa [A] é a única que 
deve ser identificada como correta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
114 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[B] 
John Locke, ao considerar que a cultura 
determina o processo racional do 
conhecimento, sendo a mente humana uma 
“folha em branco” antes de qualquer 
experiência sensorial, se classifica como um 
filósofo da corrente empirista. Já Descartes 
considera que os sentidos podem ser falhos 
como fonte de conhecimento, uma vez que são 
ilusórios e falhos, induzindo ao erro. Para ele, o 
conhecimento só pode ser alcançado através de 
um processo abstrato, pois as estruturas 
cognitivas humanas seriam inatas à consciência. 
Assim, Descartes pertence à corrente filosófica 
do racionalismo. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[D] 
A partir do conhecimento acerca da filosofia 
kantiana e do texto, que indica o aspecto da 
constituição cidadã que destaca a dignidade e 
os direitos como elementos da condição de 
pessoa humana, o aluno deve identificar que o 
texto constitucional apresenta o indivíduo 
como um fim em si mesmo. Ou seja, o 
reconhecimento da dignidade e dos direitos que 
devem ser respeitados e garantidos pressupõe 
o caráter não-pragmático, pois não se 
fundamenta em um valor ou preço, da condição 
de pessoa, de modo que a autonomia enquanto 
ser racional constitui, ela mesma, a 
fundamentação para esse reconhecimento. 
Para Kant, a dignidade não é concebida 
enquanto preço, mas como uma qualidade 
própria de indivíduos racionais que, no uso da 
sua autonomia, exercem a sua razão prática. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[A] 
Ao lançar as bases para as ciências 
modernas, Descartes cria um método científico 
baseado na razão para a obtenção do 
conhecimento. Para chegar a verdades 
ordenadas racionalmente, o método científico 
estabelece regras de investigação dedutiva. A 
regra apresentada pelo texto abordado envolve 
o processo de dividir os problemas no maior 
número de partes possível, a fim de melhor 
resolvê-los, regra que ficou conhecida como 
regra da análise, apresentada na alternativa [A]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[01 + 02 + 08 + 16 = 27.] 
Segundo o pensamento de Kant, o 
conhecimento humano tem início com a 
experiência sensível - uma vez que esta teria a 
capacidade de “despertar” nos indivíduos a 
faculdade de conhecer através do estímulo dos 
sentidos - no entanto, não se confunde nem se 
limita à ela, como se observa no trecho “ainda 
que todo o nosso conhecimento comece com a 
experiência, nem por isso todo ele origina-se da 
experiência”, de modo que os itens [01] e [02] 
devem ser identificados como corretos. 
Ademais, para Kant, os indivíduos possuem 
estruturas ou faculdades cognitivas que 
possibilitam a experiência e o entendimento, 
sendo essas estruturas existentes a priori, ou 
seja, estariam presentes nos indivíduos desde o 
nascimento, não dependendo de nenhuma 
condição empírica de aquisição, mas operando 
sobre as formulações advindas dos sentidos 
para produzir conhecimento, sendo, portanto, 
corretos também os itens [08] e [16]. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
[01 + 16 = 17] 
A partir do texto, verifica-se que, no 
pensamento cartesiano, o fundamento “penso, 
logo existo” é central. Para Descartes, o 
pensamento racional caracteriza o indivíduo e 
apresenta-se como uma evidência da sua 
existência, não podendo, portanto, ser 
desvinculado do mesmo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
115 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[01 + 08 + 16 = 25] 
 
Para Hume, a noção de causalidade se forma 
a partir da imaginação humana que cria a 
relação de necessidade a partir da identificação 
reiterada das mesmas “cenas da natureza”. Ou 
seja, relaciona-se causa e efeito através da 
inferência de que um objeto existe pela 
existência de um outro antecedente, 
afirmando-se o efeito pela causa. No entanto, 
esse raciocínio conduziria ao erro, pois não 
haveria fundamento lógico que garantisse o 
mesmo efeito, ainda que a causa se repetisse. 
Por exemplo: não há relação necessária entre 
fumaça e fogo, mas, devido a percepção, em 
vários momentos, da existência de fogo quando 
se tem fumaça nos céus, passou-se a relacionar, 
quase que imediatamente, a existência de fogo 
quando se tem fumaça nos céus. Essa ideia não 
teria lugar diante da inconstância da natureza 
pois a repetição é fundamental na criação de 
relações entre os elementos que compõem as 
cenas naturais, os fenômenos. Partindo-se 
dessas considerações, o aluno deve identificar 
que apenas os itens [01], [08] e [16] contêm 
afirmativas corretas. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[B] 
Para Hume, a noção de causalidade se forma 
a partir da imaginação humana que cria a 
relação de necessidade a partir da identificação 
reiterada das mesmas “cenas da natureza”. Ou 
seja, relaciona-se causa e efeito através da 
inferência de que um objeto existe pela 
existência de um outro antecedente,afirmando-se o efeito pela causa. No entanto, 
esse raciocínio conduziria ao erro, pois não 
haveria fundamento lógico que garantisse o 
mesmo efeito, ainda que a causa se repetisse. 
Por exemplo: não há relação necessária entre 
fumaça e fogo, mas, devido a percepção, em 
vários momentos, da existência de fogo quando 
se tem fumaça nos céus, passou-se a relacionar, 
quase que imediatamente, a existência de fogo 
quando se tem fumaça nos céus. Essa ideia não 
teria lugar diante da inconstância da natureza 
pois a repetição é fundamental na criação de 
relações entre os elementos que compõem as 
cenas naturais, os fenômenos. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[C] 
A filosofia moral formulada por Kant se 
fundamenta na razão humana e no imperativo 
categórico, segundo o qual a ação moral tem 
fim e valor em si mesma e é uma norma 
universal. A partir dessas considerações e do 
trecho “Age apenas segundo uma máxima tal 
que possas ao mesmo tempo querer que ela se 
torne lei universal”, o aluno deve identificar a 
alternativa [C] como correta. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[B] 
A concepção de menoridade kantiana, como 
indicado pelo texto, se caracteriza pelo não uso 
da razão de forma autônoma pelo indivíduo, de 
modo que ele adota a razão de outrem, 
estando, portanto, em um estado de 
menoridade. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[E] 
Para Kant, o esclarecimento pressupõe a 
capacidade do indivíduo de fazer uso da sua 
própria razão de forma autônoma, ou seja, a 
partir do uso de seu próprio entendimento de 
maneira independente do entendimento alheio. 
A autonomia de pensamento característica do 
esclarecimento implica, por sua vez, a 
liberdade, o que inclui a possibilidade do 
indivíduo de se expressar livremente, 
realizando o uso público da sua razão, como 
constatado na alternativa [E]. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
116 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[01 + 02 + 04 = 07] 
A partir do texto, observa-se que, para Kant, 
a lógica é um instrumento fundamental para o 
pensamento filosófico, tendo sido pensada e 
elaborada por Aristóteles, em sua forma 
completa e acabada, de modo que sua evolução 
se deu até esse momento em que alcançou sua 
completude. Entretanto, o método de análise 
matemática moderno atualiza a lógica, o que 
contraria o pensamento kantiano. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14 
[C] 
De acordo com a ética kantiana, o indivíduo 
deve guiar-se de acordo com o imperativo 
categórico, segundo o qual ele deve agir de 
forma que sua ação possa ser universalizada 
para todos os indivíduos. O ato de fazer uma 
falsa promessa de pagamento contraria esse 
imperativo, pois, se universalizado, criaria uma 
situação de total instabilidade e desconfiança. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15 
[02 + 04 = 06.] 
 
Em sua obra “Crítica da Razão Pura”, Kant 
investiga o problema filosófico do 
conhecimento humano, buscando entender a 
possibilidade de obtenção de um conhecimento 
verdadeiro sobre as coisas do mundo. A 
proposição que formula como resposta a esse 
problema ficou conhecida como “revolução 
copernicana” na filosofia pois, de modo análogo 
à Copérnico, que concebeu um modelo em que 
o sol estaria no centro do universo, em 
substituição aos modelos que até então 
colocavam a Terra nesse centro, Kant propôs 
que, em substituição à ideia filosófica 
tradicional de que a razão se regula pelos 
objetos, os objetos que deveriam se regular 
pela razão, uma vez que o indivíduo possui as 
condições de conhecimento sobre qualquer 
coisa. Assim, Kant reformula a forma como se 
dão os conhecimentos metafísicos, o que está 
de acordo com o item [02]. Nessa perspectiva, 
Kant volta-se à razão especulativa, uma vez que 
investiga o conhecimento puro e a forma como 
ele opera em seus procedimentos mais 
recorrentes, como apontado pelo item [04]. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16 
[D] 
Descartes defende que o conhecimento é 
bem fundamentado quando parte de princípios 
seguros e da prática metódica. Ele parte, então, 
da dúvida metódica, que o leva a questionar 
todas as prenoções, duvidando de tudo que até 
então foi considerado como certo. Junto à 
dúvida, é necessário também um ordenamento 
desse “caminho” investigativo da verdade, que 
constitui o que Descartes chama de método. O 
método seria, então, a organização do processo 
da dúvida. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17 
[B] 
 
Segundo o pensamento filosófico formulado 
por Kant, a ação moral é fundamentada no 
dever. Seria, para ele, o uso autônomo da razão 
pelo sujeito o princípio que articula a ação por 
dever, de modo que sem a liberdade do sujeito 
não pode haver ação verdadeiramente moral. A 
doutrina ética proposta por Kant, baseada 
nesses preceitos, segue o imperativo 
categórico, a partir do qual se estabelece que a 
ação moral deve ser executada de acordo com 
a “máxima tal que possas ao mesmo tempo 
querer que ela se torne lei universal”. Assim, tal 
como apontado pelo item [B], o dever imposto 
pela lei moral advém do reconhecimento da 
possibilidade de universalização das máximas 
da ação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
117 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18 
[C] 
A filosofia de Descartes marca as bases 
epistemológicas da ciência moderna, 
estabelecendo um novo método de 
investigação baseado na dúvida sistemática de 
todas as noções preestabelecidas, excerto uma: 
a de que o sujeito pensante existe. Por meio da 
dúvida metódica seria possível, segundo 
Descartes, chegar a princípios seguros. Assim, 
Descartes inaugurou um novo sistema de busca 
pela verdade que fundamenta 
epistemologicamente a ciência moderna 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19 
[E] 
[A] Incorreta. Não é a língua por si só que abriga 
o preconceito, mas sim a adesão irrefletida à 
autoridade motivada pela fé cega. Por essa 
razão, a criticidade não é garantida pelo 
mero abandono do latim em favor do 
francês. 
[B] Incorreta. Redigir o Discurso do Método em 
francês não teve por objetivo dar acesso à 
sacralidade de um texto. Ao contrário, 
deslocou a suposta legitimidade de um texto 
simplesmente por ter sido escrito em latim. 
Além disso, instaurou um gesto crítico com 
relação à autoridade das explicações da 
natureza e do humano, vinculadas à 
supremacia explicativa dos autores antigos, 
principalmente de Aristóteles e dos 
aristotélicos medievais. Além disso, o gesto 
cartesiano, na medida em que apela para 
uma “razão natural inteiramente pura”, 
possui um espírito completamente distinto 
do gesto de Lutero, pois, diferentemente 
deste, não há a sacralidade do texto. Existe, 
sim, a apresentação do método por meio do 
qual é possível chegar à verdade, baseado 
não na fé, mas na razão. 
[C] Incorreta. Descartes, além de não 
abandonar a ideia de Deus, apreende-a 
como uma ideia perfeita que surge ao 
pensamento, por meio da qual garante a 
objetividade do mundo exterior ao 
pensamento. 
[D] Incorreta. Embora haja uma crítica à 
tradição, ou mais precisamente, às práticas 
históricas que sustentam determinados 
pressupostos, muito mais por hábito e 
crença do que por razões sustentadas em 
argumentos, no Discurso do Método, 
Descartes apresenta uma “moral provisória”, 
que valeria enquanto não se chegasse a 
estabelecer novos fundamentos para o 
conhecimento. A primeira máxima dessa 
moral consistia em “obedecer às leis e aos 
costumes do meu país”. 
[E] Correta. A novidade do pensamento de 
Descartes, que faz com que ele seja definido 
na posteridade como o filósofo que 
inaugurou a modernidade filosófica, consiste 
em submeter a validação e legitimação de 
qualquer teoria, não mais à fé ou à crença 
religiosa, e sim, aos poderes da “razão 
natural inteiramente pura”. O famoso “Eu, eu 
penso, eu, eu existo”, ou “penso, logo 
existo”, é a primeira verdade que inaugura a 
série de verdades posteriores, sendo algo a 
que se chega pelo pensamento, não mais por 
meio da revelação. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20 
[C] 
 
De acordo com uma visão cartesiana, a 
natureza deve ser compreendida pela razão, 
podendo servir às necessidades humanas. Essaconcepção é, em certo sentido, próxima àquela 
descrita no texto da questão. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21 
[A] 
Os dois textos, em momentos históricos 
distintos, apresentam questionamentos 
bastante modernos: a utilização da 
racionalidade como ferramenta de escrutínio da 
realidade. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 22 
[B] 
Para Kant, pensador iluminista, a filosofia 
moral estaria fundamentada em princípios 
racionais, sendo a razão o único fundamento 
que daria validade à moral humana. Com efeito, 
a ação moral estaria condicionada ao sujeito 
epistemológico, ou seja, à estrutura cognitiva 
 
 
 
 
 
 
 
118 
que é universal e necessária, e não ao sujeito 
subjetivo, individual. Por ser racional, portanto, 
o indivíduo deveria agir segundo uma razão 
pura prática de validade universal, ideia 
expressa na conhecida frase de Kant: “age só 
segundo máxima tal que possas ao mesmo 
tempo querer que ela se torne lei universal”. A 
partir do exemplo da mentira, Kant aponta que 
a mesma não poderia ser usada sem cair em 
uma autocontradição moral, pois o indivíduo 
particular representaria uma moral geral, de 
toda a humanidade, como aponta a alternativa 
[B]. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 23 
[E] 
Essa famosa formulação de Kant diz respeito 
tanto ao imperativo categórico (lei moral em 
mim) e ao seu conceito de fenômeno (o céu 
estralado sobre mim). 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 24 
[B] 
No contexto abordado pelo texto da 
questão, Descartes criou um método científico 
assentado na razão para a obtenção do 
conhecimento, que estabeleceu regras de 
investigação dedutiva para chegar a verdades 
ordenadas racionalmente. Descartes, ao 
defender a dúvida metódica como base para o 
pensamento filosófico, inaugura um novo 
princípio a partir do qual as ciências são 
pensadas. Com efeito, o racionalismo 
cartesiano, fundamentado na dúvida 
sistemática e na certeza da existência de um 
sujeito pensante, rompe com o pensamento 
científico clássico e fornece as bases para as 
ciências modernas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 25 
[B] 
 
René Descartes, através dos conceitos de res 
cogitans (coisa pensamente) e res extensa 
(coisa extensa) já apresentava o dualismo que 
mais tarde se definiu entre mente e cérebro. O 
debate acerca da neurociência contemporânea 
baseia-se majoritariamente nessa questão. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 26 
[D] 
O pensamento cartesiano, que introduz as 
bases para as ciências modernas, apresenta 
como fundamentação do conhecimento a 
dúvida metódica, a partir da qual todo 
conhecimento seria posto em dúvida, 
eliminando, dessa forma, as falsas percepções 
tomadas erradamente como certezas, condição 
a partir da qual seria possível chegar a um 
conhecimento indubitável. A partir disso, 
Descartes cria um método científico baseado na 
razão para a obtenção do conhecimento, o que 
influenciou o pensamento cultural francês, 
como corretamente indicado pela alternativa 
[D]. 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 27 
[D] 
Para Hume, pensador empirista, o 
conhecimento humano tem origem na 
experiência sensível, que pode ser dividida em 
impressões e ideias, sendo as impressões 
relativas aos sentidos humanos, tais como 
olfato, tato e visão, e as ideias as 
representações mentais derivadas das 
impressões sensíveis. Hume concebe, assim, as 
ideias como provenientes das impressões 
sensíveis, de modo que as impressões seriam a 
causa das ideias, rejeitando, portanto, o 
inatismo. Com efeito, toda ideia corresponderia 
à uma impressão e seria uma “cópia” da 
impressão que a originou. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 28 
[D] 
Para Kant, a sublimidade das coisas da 
natureza não está contida na própria natureza, 
mas sim no indivíduo, uma vez que ele possui 
consciência da sua superioridade em relação à 
natureza. Para ele, não existe faculdade que 
provoca a sublimidade, sendo esse sentimento 
 
 
 
 
 
 
119 
provocado quando a faculdade responsável 
pela imaginação, diante da contemplação de 
eventos naturais de grande magnitude, 
reconhece o domínio próprio da natureza 
humana, a partir do reconhecimento que 
eventos naturais provocam. Não seria, assim, o 
reconhecimento do medo, uma vez que não se 
estaria em uma situação de real ameaça, mas o 
reconhecimento da força humana enquanto 
seres racionais. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 29 
[E] 
Para Kant, os juízos são estruturas que 
formulam o processo do conhecimento, sendo 
alguns juízos necessários e universais e, 
portanto, puros e a priori. Esses juízos, para ele, 
possibilitam o conhecimento denominado puro, 
ou seja, o conhecimento que está relacionado à 
estrutura cognitiva humana a priori, 
independentemente da experiência empírica. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 30 
[E] 
Descartes, ao defender a dúvida metódica 
como base do pensamento filosófico, inaugura 
um novo princípio para fundamentar as 
ciências. Assim, o racionalismo cartesiano, 
baseado na dúvida sistemática e na certeza da 
existência de um sujeito pensante, rompe com 
o pensamento científico clássico e fornece as 
bases das ciências modernas 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 31 
[C] 
Para Descartes, o conhecimento filosófico 
não se limita à abstração teórica, mas se aplica 
ao conhecimento prático científico, 
fundamentando o uso correto da razão humana 
de forma a possibilitar a obtenção do 
conhecimento. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 32 
[C] 
David Hume tem como uma das questões 
centrais em sua teoria filosófica a relação entre 
causa e efeito. Para ele, essa relação fornece a 
base para todos os raciocínios, e consiste na 
inferência de que um objeto existe pela 
existência de um outro antecedente, ou seja, 
afirma-se o efeito pela causa. Para Hume, essa 
relação causal entre objetos é baseada na 
experiência, sendo, portanto, a posteriori, pois 
inferir o efeito pela causa só é possível porque 
existe uma ligação entre os objetos que é 
percebida empiricamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
120 
FILOSOFIA MODERNA: POLÍTICA – NICOLAU 
MAQUIAVEL, THOMAS HOBBES, JOHN LOCKE, 
JEAN-JACQUES ROSSEAU, CHARLES 
MONTESQUISTEU 
 
QUESTÃO 01 
(Uemg 2013) 
 
O Absolutismo como forma de governo 
esteve presente na península Ibérica, na França 
e na Inglaterra, tendo impactado e influenciado 
as maiores economias de seu tempo. Seus 
pensadores mais conhecidos e suas teorias 
foram: 
 
A) Nicolau Maquiavel e sua teoria de que o 
indivíduo estava subordinado ao Estado; 
Thomas Hobbes, criador da teoria do 
Contrato; Jacques Bossuet e Jean Bodin, que 
defenderam que o Rei era um representante 
divino. 
B) Nicolau Maquiavel e a teoria do Contrato; 
Thomas Hobbes e a teoria da supremacia do 
Rei como representante divino; Jacques 
Bossuet e Jean Bodin, que defenderam a 
subordinação do indivíduo ao Estado. 
C) Maquiavel, Jacques Bossuet e Jean Bodin, 
cujas teorias só se diferenciaram na 
aplicabilidade teológica, bem como Thomas 
Hobbes, que preconizou o indivíduo como 
senhor de seus direitos. 
D) Maquiavel e Thomas Hobbes, que 
conceberam o Contrato Social, Jacques 
Bossuet, que estabeleceu o conceito de 
individualismo primordial, e Jean Bodin, que 
defendeu a primazia da esfera 
governamental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
 
“O homem nasce livre, e por toda a parte 
encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos 
demais não deixa de ser mais escravo do que 
eles. (...) A ordem social, porém, é um direito 
sagrado que serve de base a todos os outros. 
(...) Haverá sempre uma grande diferença entre 
subjugar uma multidão e reger uma sociedade. 
Sejam homens isolados, quantos possam ser 
submetidos sucessivamente a um só, e não 
verei nisso senão um senhor e escravos, de 
modo algum considerando-os um povo e seu 
chefe. Trata-se, caso se queira, de uma 
agregação, mas não de uma associação; nela 
não existe bem público, nem corpo político.” 
(Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social. [1762]. 
São Paulo: Ed. Abril, 1973, p. 28,36.) 
 
 
QUESTÃO02 
(Unicamp 2012) 
 
Sobre Do Contrato Social, publicado em 
1762, e seu autor, é correto afirmar que: 
 
A) Rousseau, um dos grandes autores do 
Iluminismo, defende a necessidade de o 
Estado francês substituir os impostos por 
contratos comerciais com os cidadãos. 
B) A obra inspirou os ideais da Revolução 
Francesa, ao explicar o nascimento da 
sociedade pelo contrato social e pregar a 
soberania do povo. 
C) Rousseau defendia a necessidade de o 
homem voltar a seu estado natural, para 
assim garantir a sobrevivência da sociedade. 
D) O livro, inspirado pelos acontecimentos da 
Independência Americana, chegou a ser 
proibido e queimado em solo francês. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
121 
QUESTÃO 03 
(Unicamp 2012) 
No trecho apresentado, o autor 
 
A) argumenta que um corpo político existe 
quando os homens encontram-se associados 
em estado de igualdade política. 
B) reconhece os direitos sagrados como base 
para os direitos políticos e sociais. 
C) defende a necessidade de os homens se 
unirem em agregações, em busca de seus 
direitos políticos. 
D) denuncia a prática da escravidão nas 
Américas, que obrigava multidões de homens 
a se submeterem a um único senhor. 
 
 
QUESTÃO 04 
(Uel 2020) 
 
 
 
Leia o texto a seguir. 
A “Querela do luxo” foi um dos mais intensos 
debates do século XVIII na França e consistiu em 
defender o luxo como sinal do progresso da 
humanidade, ou em atacá-lo como signo de 
decadência. Rousseau, partidário da segunda 
via, num dos seus textos, afirma: 
 
A vaidade e a ociosidade, que engendram 
nossas ciências, também engendram o luxo. [...] 
Eis como o luxo, a dissolução e a escravidão 
foram [...] o castigo dos esforços orgulhosos que 
fizemos para sair da ignorância feliz na qual nos 
colocara a sabedoria eterna. [...] Creem 
embaçar-me terrivelmente perguntando-me até 
onde se deve limitar o luxo. Minha opinião é que 
absolutamente não se precisa dele. Para além 
da necessidade física, tudo é fonte de mal. 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre as 
ciências e as artes. Trad. Lourdes Santos Machado, 
3ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p.395; 341; 
410. 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre a teoria política e antropológica de 
Rousseau e a compreensão do autor acerca das 
ciências, das artes e do luxo, considere as 
afirmativas a seguir. 
 
I. A crítica de Rousseau às ciências e às artes e, 
por extensão, ao luxo, resulta da sua 
compreensão da natureza humana, na qual a 
necessidade física é o critério decisivo sobre o 
que é bom para a humanidade. 
II. Em sua teoria política, Rousseau dirige a 
crítica às ciências, às artes e ao luxo, por 
identificar neles a vigência de um princípio 
que sacrifica a possibilidade da criação de 
uma sociedade minimamente justa. 
III. A vaidade e a ociosidade, que engendram o 
luxo, são uma constante da natureza 
humana, razão pela qual também as ciências 
e as artes são expressões necessárias da 
natureza humana. 
IV. A defesa da feliz ignorância, na qual nasce 
cada ser humano, leva Rousseau a legitimar 
formas de governo caracterizadas pelo 
sacrifício da inteligência e da crítica e pela 
obediência a um poder soberano 
 
Assinale a alternativa correta. 
A) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
122 
QUESTÃO 05 
(Uece 2019) 
Leia atentamente o seguinte excerto: 
 
“A liberdade do homem em sociedade 
consiste em não estar submetido a nenhum 
outro poder legislativo senão àquele 
estabelecido no corpo político mediante 
consentimento, nem sob o domínio de qualquer 
vontade ou sob a restrição de qualquer lei afora 
as que promulgar o poder legislativo, segundo o 
encargo a este confiado”. 
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. 
Martins Fontes, 1998, p. 401-402. Adaptado. 
 
Considerando a definição de liberdade do 
homem em sociedade, de John Locke, atente 
para as seguintes afirmações: 
 
I. A concepção de liberdade do homem em 
sociedade de Locke elimina totalmente o 
direito de cada um de agir conforme a sua 
vontade. 
II. A concepção de liberdade do homem em 
sociedade de Locke consiste em viver sob a 
restrição das leis promulgadas pelo poder 
legislativo. 
III. A concepção de liberdade do homem em 
sociedade de Locke consiste em viver 
segundo uma regra permanente e comum 
que todos devem obedecer. 
 
É correto o que se afirma em 
 
A) I e II apenas. 
B) I e III apenas. 
C) II e III apenas. 
D) I, II e III. 
 
 
QUESTÃO 06 
(Uece 2019) 
 No Brasil, na Argentina e em outros países da 
América Latina, os governos estão promovendo 
mudanças econômicas e de políticas públicas, 
mudanças essas conhecidas como liberais ou 
neoliberais. Nessas mais recentes políticas 
governamentais, o poder público transfere à 
economia de mercado a satisfação de 
determinadas carências dos cidadãos, que 
devem provê-las a partir do próprio esforço 
individual em uma economia mais fortemente 
caracterizada pela concorrência entre os 
indivíduos e por menos direitos sociais. Em seu 
tempo, o filósofo contratualista Jean-Jacques 
Rousseau, em seu Do Contrato Social, afirma 
que quanto menos felicidade a República é 
capaz de proporcionar aos cidadãos, mais eles 
terão que buscar, individualmente, a felicidade. 
A consequência é uma sociedade cada vez mais 
egoísta, desinteressada pela política e, por fim, 
agrilhoada por um déspota qualquer ou pela 
cobiça. 
 
O texto acima apresenta duas opiniões 
conflitantes sobre a condução das políticas 
públicas. Considerando essas opiniões, assinale 
a afirmação verdadeira. 
 
A) O governo brasileiro defende uma posição 
socialista, que consiste no provimento estatal 
daquilo que é necessário para a felicidade 
geral, enquanto Rousseau apresenta uma 
ideia liberal de economia e livre-iniciativa. 
B) Rousseau é um contumaz representante do 
marxismo cultural, que produz suas críticas 
ao governo Bolsonaro com o único objetivo 
de desestabilizar o Brasil e inviabilizar as 
reformas econômicas liberalizantes. 
C) Rousseau apresenta um argumento contrário 
ao individualismo liberal, uma vez que o 
indivíduo, despreocupado com a política e 
engajado nos ganhos econômicos, se 
distancia dos assuntos públicos e corre risco 
de perder sua liberdade. 
D) A posição do governo brasileiro, ao 
apresentar um menor aporte para as 
universidades públicas, quando amplia a rede 
de universidades privadas, é condizente com 
o pensamento de Rousseau, que tem em foco 
o bem público e não a busca individualizada 
por felicidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
123 
QUESTÃO 07 
(URPR 2019) 
Quando se conquistam Estados habituados a 
reger-se por leis próprias e em liberdade, há 
três modos de manter a sua posse: primeiro, 
arruiná-los; segundo, ir habitá-los; terceiro, 
deixá-los viver com suas leis, arrecadando um 
tributo e criando um governo de poucos, que se 
conserve amigos. [...] Quem se torna senhor de 
uma cidade tradicionalmente livre e não a 
destrói será destruído por ela. Tais cidades têm 
sempre por bandeira, nas rebeliões, a liberdade 
e suas antigas leis, que não esquecem nunca, 
nem com o correr do tempo, nem por influência 
dos benefícios recebidos. Por muito que se faça, 
quaisquer que sejam as precauções tomadas, se 
não se promovem o dissídio e a desagregação 
dos habitantes, não deixam eles de se lembrar 
daqueles princípios e, em toda oportunidade, 
em qualquer situação, a eles recorrem [...]. 
Assim, para conservar uma república 
conquistada, o caminho mais seguro é destruí-
la ou habitá-la pessoalmente. 
(MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Abril 
Cultural, 1983, p. 21-22.) 
 
Com base nessa passagem, extraída da obra 
O Príncipe, de Maquiavel, assinale a alternativa 
correta. 
 
A) O poder emanado do príncipe deveter a 
capacidade de não apenas levar a cabo os 
planos de expansão de seu próprio governo, 
mas sobretudo criar condições para que esse 
poder mantenha-se de forma plena e garanta 
a legitimidade da própria dominação. 
B) A passagem refere-se em especial às 
repúblicas que ainda não passaram por um 
processo de amadurecimento de suas 
instituições democráticas. Repúblicas que 
dependem de orientação externa e de outras 
nações na formação da sua própria 
identidade política, a fim de suplantar o ódio 
típico dessas repúblicas. 
C) Para Maquiavel, “habitar” a república 
conquistada é uma possibilidade mais 
condizente com a posição do Príncipe. 
Considerando que o autor tinha laços com o 
pensamento humanista, “destruir” uma 
república conquistada implicaria lançar mão 
da força militar, com a qual Maquiavel não 
concordava. 
D) No mundo moderno e contemporâneo, o 
Príncipe, garantidor da ordem e da segurança 
pública, pode e deve intervir com o 
argumento de preservar as instituições 
democráticas e republicanas, mesmo que 
para isso seja necessário o uso da força. 
E) O Príncipe pode, por meio de pleito eleitoral, 
plebiscito ou consulta popular, agir em nome 
do povo e garantir a soberania de seu Estado. 
Pode invadir as nações que coloquem em 
risco a sua própria liberdade. Pode combater 
o ódio das outras repúblicas, e que essa 
nação seja destruída ou habitada pelo 
Príncipe, a fim de assegurar a ordem 
democrática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
124 
QUESTÃO 08 
(Uece 2019) 
 
“Quando um cidadão, não por suas 
crueldades ou outra qualquer intolerável 
violência, e sim pelo favor dos concidadãos, se 
torna príncipe de sua pátria – o que se pode 
chamar principado civil (e para chegar a isto não 
é necessário grandes méritos nem muita sorte, 
mas antes uma astúcia feliz) –, digo que se 
chega a esse principado ou pelo favor do povo 
ou pelo favor dos poderosos. É que em todas as 
cidades se encontram estas duas tendências 
diversas e isto nasce do fato de que o povo não 
deseja ser governado nem oprimido pelos 
grandes, e estes desejam governar e oprimir o 
povo.” 
MAQUIAVEL. O Príncipe. Coleção “Os 
Pensadores” - adaptado. 
 
Considerando a questão da política em 
Maquiavel, analise as seguintes afirmações: 
 
I. Maquiavel rompe com a tradição política ao 
não admitir qualquer fundamento anterior e 
exterior à política. 
II. Maquiavel considera a cidade uma 
comunidade homogênea nascida da ordem 
natural ou da razão humana. 
III. Maquiavel considera que a política nasce das 
lutas sociais e é obra da própria sociedade 
para dar a si mesma unidade e identidade. 
 
É correto o que se afirma em 
 
A) I e II apenas. 
B) I e III apenas. 
C) II e III apenas. 
D) I, II e III. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 09 
(Enem 2019) 
 
Para Maquiavel, quando um homem decide 
dizer a verdade pondo em risco a própria 
integridade física, tal resolução diz respeito 
apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo 
homem é um chefe de Estado, os critérios 
pessoais não são mais adequados para decidir 
sobre ações cujas consequências se tornam tão 
amplas, já que o prejuízo não será apenas 
individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme 
as circunstâncias e os fins a serem atingidos, 
pode-se decidir que o melhor para o bem 
comum seja mentir. 
ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. 
São Paulo: Moderna, 2006 (adaptado). 
 
O texto aponta uma inovação na teoria 
política na época moderna expressa na 
distinção entre 
 
A) idealidade e efetividade da moral. 
B) nulidade e preservabilidade da liberdade. 
C) ilegalidade e legitimidade do governante. 
D) verificabilidade e possibilidade da verdade. 
E) objetividade e subjetividade do 
conhecimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
125 
QUESTÃO 10 
(UFU 2018) 
 
 Com relação à noção de estado de natureza, 
que é o estado em que os seres humanos se 
achavam antes da formação da sociedade, 
podem-se identificar, na filosofia política 
moderna, três tendências: 
 
1. Os seres humanos são naturalmente egoístas 
e, no estado de natureza, se achavam numa 
guerra de todos contra todos daí que, por 
medo uns dos outros, aceitam renunciar à 
liberdade e constituir um Soberano, o estado, 
que garanta a paz. 
2. Não é por medo uns dos outros, e sim para 
garantir o direito à propriedade e à segurança 
que os seres humanos consentem em criar 
uma autoridade que possa tornar isso 
possível. 
3. No estado de natureza, os seres humanos 
eram felizes e foi o advento da propriedade 
privada e da sociedade civil que tornou 
alguns escravos de outros. 
 
Podem-se atribuir essas três concepções, 
respectivamente, a 
 
A) Hobbes, Rousseau e Maquiavel. 
B) Hobbes, Locke e Rousseau. 
C) Maquiavel, Hobbes e Locke. 
D) Rousseau, Maquiavel e Locke. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 11 
(Unioeste 2018) 
 
“Um príncipe prudente deve, portanto, 
conduzir-se de uma terceira maneira 
escolhendo no seu Estado homens sábios, e só 
a esses deve dar o direito de falar-lhe a verdade 
a respeito, porém apenas das coisas que ele 
lhes perguntar. Deve consultá-los a respeito de 
tudo e ouvir-lhes a opinião e deliberar depois 
como bem entender e com conselhos daqueles; 
conduzir-se de tal modo que eles percebam que 
com quanto mais liberdade falarem, mais 
facilmente as suas opiniões serão seguidas” 
(MAQUIAVEL, 1973, p. 105). 
 
Considerando-se o seguinte fragmento de 
Maquiavel, indique qual das alternativas abaixo 
está CORRETA. 
 
 
 
A) De acordo com Maquiavel, o príncipe, na 
direção do seu Estado, não deve consultar 
ninguém ao tomar decisões. 
B) Maquiavel considera que todos têm o direito 
de criticar as ações do príncipe. 
C) Maquiavel afirma que homens sábios podem 
falar ao príncipe o que quiserem, e na hora 
que bem entenderem, sendo obrigação do 
príncipe acatá-los. 
D) Conforme Maquiavel, o príncipe deve cercar-
se de conselheiros sábios, mas eles nunca 
devem ter liberdade para falar a verdade. 
E) Maquiavel defende que, como o príncipe 
precisa da opinião livre dos sábios, deve dar-
lhes o direito de falar-lhes a verdade, mas 
apenas das coisas que ele lhe perguntar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
126 
QUESTÃO 12 
(Espm 2017) 
Cícero e os humanistas afirmavam que 
"nada é mais eficaz para defender e manter 
o poder do que ser amado e nada é mais 
danoso do que ser temido”. Um importante 
pensador moderno contrapôs: "Seria 
desejável ser uma coisa e outra (amado e 
temido), mas, como é quase impossível 
obter ambas as coisas ao mesmo tempo, é 
muito mais seguro ser temido que amado, 
quando se deve escolher uma dessas 
condições." 
 
Eugenio Garin. Dal Rinascimento all Illuminismo . 
 
O importante pensador moderno 
mencionado no enunciado é: 
 
A) Thomas Hobbes; 
B) Nicolau Maquiavel; 
C) Jean Bodin; 
D) Jacques Bossuet; 
E) John Locke. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 13 
(Unioeste) 
Texto 1 
 
“[...] Quando um homem deseja professar a 
bondade, natural é que vá à ruína, entre tantos 
maus. Assim, é preciso que, para se conservar, 
um príncipe aprenda a ser mau, e que se sirva 
ou não disso de acordo com a necessidade”. 
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Nova 
Cultural, 2004, p. 99. 
Texto 2 
“[...] Assim deve o príncipe tornar-se temido, 
de sorte que, se não for amado, ao menos evite 
ódio, pois é fácil ser, a um só tempo, temido e 
não odiado, o que ocorrerá uma vez que se 
prive da posse dos bens e das mulheres dos 
cidadãos e dos súditos, e, mesmo quando 
forçado a derramar o sangue de alguém, poderá 
fazê-lo apenas se houver justificativa 
apropriada e causa manifesta” [...]. 
Idem, p. 106-7. 
 
Considerando o pensamento de Maquiavel e 
os textos citados, assinale a alternativa 
CORRETA. 
A) O pensamento de Maquiavel volta-se à 
realidade e busca alternativas para 
estabelecer um Estado estávelonde a ordem 
possa reinar. 
B) Maquiavel, assim como Platão, revela-se um 
idealista ao estabelecer padrões ao 
governante fundamentados na bondade 
natural do homem. 
C) O príncipe deve ser um homem dotado de 
boas virtudes (virtù) e dinheiro (fortuna) para 
que todos o respeitem e ele possa fazer 
reinar a estabilidade. 
D) Estado e Igreja se fundem, de acordo com o 
filósofo. De nada adianta ao príncipe tentar 
estabelecer a ordem, já que ela depende de 
um estado natural das coisas e de uma força 
extraterrena, tornando todo seu esforço em 
vão. 
E) O objetivo último do pensamento político de 
Maquiavel é o de evitar a guerra a todo custo, 
pois as atrocidades da guerra desafiam os 
valores éticos que determinam a ação 
política. 
 
 
 
 
 
 
127 
QUESTÃO 14 
(Unicamp 1016) 
 
Quanto seja louvável a um príncipe manter a 
fé, aparentar virtudes e viver com integridade, 
não com astúcia, todos o compreendem; 
contudo, observa-se, pela experiência, em 
nossos tempos, que houve príncipes que 
fizeram grandes coisas, mas em pouca conta 
tiveram a palavra dada, e souberam, pela 
astúcia, transtornar a cabeça dos homens, 
superando, enfim, os que foram leais (...). Um 
príncipe prudente não pode nem deve guardar 
a palavra dada quando isso se lhe torne 
prejudicial e quando as causas que o 
determinaram cessem de existir. 
(Nicolau Maquiavel, O Príncipe. São Paulo: Nova 
Cultural, 1997, p. 73-85.) 
 
A partir desse excerto da obra, publicada em 
1513, é correto afirmar que: 
 
A) O jogo das aparências e a lógica da força são 
algumas das principais artimanhas da política 
moderna explicitadas por Maquiavel. 
B) A prudência, para ser vista como uma 
virtude, não depende dos resultados, mas de 
estar de acordo com os princípios da fé. 
C) Os princípios e não os resultados é que 
definem o julgamento que as pessoas fazem 
do governante, por isso é louvável a 
integridade do príncipe. 
D) A questão da manutenção do poder é o 
principal desafio ao príncipe e, por isso, ele 
não precisa cumprir a palavra dada, desde 
que autorizado pela Igreja. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 15 
(Uema 2015) 
 
De acordo com a historiadora Maria Lúcia de 
Arruda Aranha, a Revolução Francesa derrubou 
o antigo regime, ou seja, o absolutismo real 
fundamentado no direito divino dos reis, 
derivado da concepção teocrática do poder. O 
término do antigo regime se consuma quando a 
teoria política consagra a propriedade privada 
como direito natural dos indivíduos. 
Fonte: ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. 
Filosofando: Introdução à filosofia. São Paulo: 
Moderna, 2003. 
Esse princípio político que substitui a antiga 
teoria do direito divino do rei intitula-se 
 
A) Contratualismo. 
B) Totalitarismo. 
C) Absolutismo. 
D) Liberalismo. 
E) Marxismo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
128 
QUESTÃO 16 
(Enem 2ª aplicação 2014) 
 
Outro remédio eficiente é organizar 
colônias, em alguns lugares as quais virão a ser 
como grilhões impostos às províncias, porque 
isto é necessário que se faça ou deve-se lá ter 
muita força de armas. Não é muito que se gasta 
com as colônias, e, sem despesa excessiva, 
podem ser organizadas e mantidas. Os únicos 
que terão prejuízos com elas serão os de quem 
se tomam os campos e as moradias para se 
darem aos novos habitantes. Entretanto, os 
prejudicados serão a minoria da população do 
Estado, e dispersos e reduzidos à penúria, 
nenhum dano trarão ao príncipe, e os que não 
foram prejudicados terão, por isso, que se 
aquietarem, temerosos de que o mesmo lhes 
suceda. 
MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Martins 
Fontes, 2010. 
 
Em O príncipe, Maquiavel apresenta 
conselhos para a manutenção do poder político, 
como o deste trevo, que tem como objeto a 
a) transferência dos inimigos da metrópole para 
a colônia. 
b) substituição de leis, costumes e impostos da 
região dominada. 
c) implantação de um exército armado, 
constituído pela população subjugada. 
d) expansão do principado, com migração 
populacional para o território conquistado. 
e) distribuição de terras para a parcela do povo 
dominado, que possui maior poder político. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 17 
(Enem PPL 2012) 
 
O homem natural é tudo para si mesmo; é a 
unidade numérica, o inteiro absoluto, que só se 
relaciona consigo mesmo ou com seu 
semelhante. O homem civil é apenas uma 
unidade fracionária que se liga ao 
denominador, e cujo valor está em sua relação 
com o todo, que é o corpo social. As boas 
instituições sociais são as que melhor sabem 
desnaturar o homem, retirar-lhe sua existência 
absoluta para dar-lhe uma relativa, e transferir 
o eu para a unidade comum, de sorte que cada 
particular não se julgue mais como tal, e sim 
como uma parte da unidade, e só seja 
percebido no todo. 
 
ROUSSEAU, J. J. Emílio ou da Educação. São 
Paulo: Martins Fontes, 1999. 
 
 
A visão de Rousseau em relação à natureza 
humana, conforme expressa o texto, diz que 
a) o homem civil é formado a partir do desvio 
de sua própria natureza. 
b) as instituições sociais formam o homem de 
acordo com a sua essência natural. 
c) o homem civil é um todo no corpo social, pois 
as instituições sociais dependem dele. 
d) o homem é forçado a sair da natureza para se 
tornar absoluto. 
e) as instituições sociais expressam a natureza 
humana, pois o homem é um ser político 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
129 
QUESTÃO 18 
(Unesp 2020) 
Cada um de nós põe em comum sua pessoa 
e todo o seu poder sob a direção suprema da 
vontade geral, e recebemos, enquanto corpo, 
cada membro como parte indivisível do todo. 
[...] um corpo moral e coletivo, composto de 
tantos membros quantos são os votos da 
assembleia [...]. Essa pessoa pública, que se 
forma, desse modo, pela união de todas as 
outras, tomava antigamente o nome de cidade 
e, hoje, o de república ou de corpo político, o 
qual é chamado por seus membros de Estado 
[...]. (Jean-Jacques Rousseau. Os pensadores, 1983. 
 
O texto, produzido no âmbito do Iluminismo 
francês, apresenta a doutrina política do 
a) coletivismo, manifesto na rejeição da 
propriedade privada e na defesa dos 
programas socialistas de estatização. 
b) humanismo, presente no projeto liberal de 
valorizar o indivíduo e sua realização no 
trabalho. 
c) socialismo, presente na crítica ao 
absolutismo monárquico e na defesa da 
completa igualdade socioeconômica. 
d) corporativismo, presente na proposta 
fascista de unir o povo em torno da 
identidade e da vontade nacional. 
e) contratualismo, manifesto na reação ao 
Antigo Regime e na defesa dos direitos de 
cidadania. 
QUESTÃO 19 
(UFPR 2020) 
Considere a passagem abaixo: 
 
A substituição do reino do dever ser, que 
marca a filosofia anterior, pelo reino do ser, da 
realidade, leva Maquiavel a se perguntar: como 
fazer reinar a ordem, como instaurar um Estado 
estável? O problema central de sua análise 
política é descobrir como pode ser resolvido o 
inevitável ciclo de estabilidade e caos. Ao 
formular e buscar resolver esta questão, 
Maquiavel provoca uma ruptura com o saber 
repetido pelos séculos. Trata-se de uma 
indagação radical e de uma nova articulação 
sobre o pensar e fazer política, que põe fim à 
ideia de uma ordem natural eterna. A ordem, 
produto necessário da política, não é natural, 
nem a materialização de uma vontade 
extraterrena, e tampouco resulta do jogo de 
dados do acaso. Ao contrário, a ordem tem um 
imperativo: deve ser construída pelos homens 
para se evitar o caos e a barbárie, e, uma vez 
alcançada, ela não será definitiva, pois há 
sempre, em germe, o seu trabalho em negativo, 
isto é, a ameaça de que seja desfeita. 
(SADEK, Maria Tereza. Nicolau Maquiavel: o 
cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù. In: 
WEFFORT, Francisco (org.). Clássicos da política, 
vol. 01. São Paulo: Ática, 2001. p. 17-18.) 
 
Considerandoo argumento de Maria Tereza 
Sadek, em seu texto intitulado Nicolau 
Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual 
de virtù, é correto afirmar: 
a) Os estudos de Maquiavel sobre o reino do ser 
na política levam em consideração a tradição 
idealista de Platão, Aristóteles e São Tomás 
de Aquino e rejeitam as interpretações de 
historiadores antigos, como Tácito, Políbio, 
Tucídides e Tito Lívio. 
b) Em sua obra, Maquiavel coloca em relevo a 
dimensão efetivamente social, histórica e 
política das relações humanas, explicitando 
que sua regra metodológica implica o exame 
da realidade tal como ela é e não como se 
gostaria que ela fosse. 
c) A política, segundo Maquiavel, tem 
correspondência com as ideias inatistas, ou 
seja, de que os indivíduos são predestinados 
a um tipo de condição que lhes é inerente, 
não havendo possibilidade de mudança ou 
qualquer outra forma de alterar as estruturas 
de poder, por ele denominada de 
“maquiavélicas”. 
d) Segundo Sadek, ao formular uma explicação 
sobre essa questão, Maquiavel não rompeu 
com os paradigmas que fundavam a política 
de seu tempo, por conseguinte, favorecendo 
a perpetuação de tiranias nos séculos XV e 
XVI. 
e) Para Maquiavel, o problema central da 
política foi a democracia, e sua construção 
implicava o fortalecimento de governos 
descentralizados, o que aproximava seus 
estudos de liberais como John Locke e 
Thomas Hobbes. 
 
 
 
 
 
 
 
130 
 
QUESTÃO 20 
(Unesp 2020) 
 
Do nascimento do Estado moderno até a 
Revolução Francesa, ou seja, do século XVI aos 
fins do século XVIII, a filosofia política foi 
obrigada a reformular grande parte de suas 
teses, devido às mudanças ocorridas naquele 
período. O que se buscou na modernidade 
iluminista foi fortalecer a filosofia em uma 
configuração contrária aos dogmas políticos 
que reforçavam a crença em uma autoridade 
divina. 
(Thiago Rodrigo Nappi. “Tradição e inovação na 
teoria das formas de governo: Montesquieu e a 
ideia de despotismo”. In: Historiæ, vol. 3, no 3, 
2012. Adaptado.) 
 
O filósofo iluminista Montesquieu, autor de 
Do espírito das leis, criticou o absolutismo e 
propôs 
a) a divisão dos poderes em executivo, 
legislativo e judiciário. 
b) a restauração de critérios metafísicos para a 
escolha de governantes. 
c) a justificativa do despotismo em nome da paz 
social. 
d) a obediência às leis costumeiras de origem 
feudal. 
e) a retirada do poder político do povo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 21 
(Uel 2019) 
Leia o texto a seguir. 
 
Por que só o homem é suscetível de tornar-
se imbecil? [...] O verdadeiro fundador da 
sociedade civil foi o primeiro que, tendo 
cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é 
meu e encontrou pessoas suficientemente 
simples para acreditá-lo. 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e 
os fundamentos da desigualdade entre os homens . Trad. 
Lourdes Santos Machado, 3. ed. São Paulo: Abril 
Cultural, 1983. pp. 243; 259. 
 
 
Com base nos conhecimentos sobre 
sociedade civil, propriedade e natureza humana 
no pensamento de Rousseau, assinale a 
alternativa correta. 
a) A instauração da propriedade decorre de um 
ato legítimo da sociedade civil, na medida em 
que busca atender às necessidades do 
homem em estado de natureza. 
b) A instauração da propriedade e da sociedade 
civil cria uma ruptura radical do homem 
consigo mesmo e de distanciamento da 
natureza. 
c) A fundação da sociedade civil é legitimada 
pela racionalidade e pela universalidade do 
ato de instauração da propriedade privada. 
d) O sentimento mais primitivo do homem, que 
o leva a instituir a propriedade, é o 
reconhecimento da necessidade da 
propriedade para garantir a subsistência. 
e) A sociedade civil e a propriedade são 
expressões da perfectibilidade humana, ou 
seja, da sua capacidade de aperfeiçoamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
131 
QUESTÃO 22 
(Enem PPLl 2019) 
 
TEXTO I 
Eu queria movimento e não um curso calmo 
da existência. Queria excitação e perigo e a 
oportunidade de sacrificar-me por meu amor. 
Sentia em mim uma superabundância de 
energia que não encontrava escoadouro em 
nossa vida. 
TOLSTÓI, L. Felicidade familiar. Apud KRAKAUER, J. 
Na natureza selvagem. São Paulo: Cia. das Letras, 1998. 
 
 
TEXTO II 
 
Meu lema me obrigava, mais que a qualquer 
outro homem, a um enunciado mais exato da 
verdade; não sendo suficiente que eu lhe 
sacrificasse em tudo o meu interesse e as 
minhas simpatias, era preciso sacrificar-lhe 
também minha fraqueza e minha natureza 
tímida. Era preciso ter a coragem e a força de 
ser sempre verdadeiro em todas as ocasiões. 
ROUSSEAU, J.-J. Os devaneios do caminhante 
solitário. Porto Alegre: L&PM, 2009. 
 
 
Os textos de Tolstói e Rousseau retratam 
ideais da existência humana e defendem uma 
experiência 
a) lógico-racional, focada na objetividade, 
clareza e imparcialidade. 
b) místico-religiosa, ligada à sacralidade, 
elevação e espiritualidade. 
c) sociopolítica, constituída por integração, 
solidariedade e organização. 
d) naturalista-científica, marcada pela 
experimentação, análise e explicação. 
e) estético-romântica, caracterizada por 
sinceridade, vitalidade e impulsividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 23 
(Unesp 2018) 
 
 
Posto que as qualidades que impressionam 
nossos sentidos estão nas próprias coisas, é 
claro que as ideias produzidas na mente entram 
pelos sentidos. O entendimento não tem o 
poder de inventar ou formar uma única ideia 
simples na mente que não tenha sido recebida 
pelos sentidos. Gostaria que alguém tentasse 
imaginar um gosto que jamais impressionou seu 
paladar, ou tentasse formar a ideia de um 
aroma que nunca cheirou. Quando puder fazer 
isso, concluirei também que um cego tem ideias 
das cores, e um surdo, noções reais dos diversos 
sons. 
(John Locke. Ensaio acerca do entendimento humano , 
1991. Adaptado.) 
 
 
De acordo com o filósofo, todo 
conhecimento origina-se 
a) da reminiscência de ideias originalmente 
transcendentes. 
b) da combinação de ideias metafísicas e 
empíricas. 
c) de categorias a priori existentes na mente 
humana. 
d) da experiência com os objetos reais e 
empíricos. 
e) de uma relação dialética do espírito humano 
com o mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
132 
QUESTÃO 24 
(Enem PPL 2016) 
 
A importância do argumento de Hobbes está 
em parte no fato de que ele se ampara em 
suposições bastante plausíveis sobre as 
condições normais da vida humana. Para 
exemplificar: o argumento não supõe que todos 
sejam de fato movidos por orgulho e vaidade 
para buscar o domínio sobre os outros; essa 
seria uma suposição discutível que possibilitaria 
a conclusão pretendida por Hobbes, mas de 
modo fácil demais. O que torna o argumento 
assustador e lhe atribui importância e força 
dramática é que ele acredita que pessoas 
normais, até mesmo as mais agradáveis, podem 
ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de 
situação, que resvalará, então, em um estado 
de guerra. 
 
RAWLS, J. Conferências sobre a história da filosofia 
política. São Paulo: WMF, 2012 (adaptado). 
 
O texto apresenta uma concepção de 
filosofia política conhecida como 
a) alienação ideológica. 
b) microfísica do poder. 
c) estado de natureza. 
d) contrato social. 
e) vontade geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 25 
(Enem 2015) 
 
A natureza fez os homens tão iguais, quanto 
às faculdades do corpo e do espírito, que, 
embora por vezes se encontre um homem 
manifestamente mais forte de corpo, ou de 
espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, 
quando se considera tudo isto em conjunto, a 
diferença entre um e outro homem não é 
suficientemente considerável para que um 
deles possa com base nela reclamar algum 
benefício a que outro não possa igualmente 
aspirar. 
 
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins 
Fontes, 2003 
 
 
Para Hobbes, antes da constituição dasociedade civil, quando dois homens desejavam 
o mesmo objeto, eles 
a) entravam em conflito. 
b) recorriam aos clérigos. 
c) consultavam os anciãos. 
d) apelavam aos governantes. 
e) exerciam a solidariedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
133 
QUESTÃO 26 
(Uema 2015) 
 
Para Thomas Hobbes, os seres humanos são 
livres em seu estado natural, competindo e 
lutando entre si, por terem relativamente a 
mesma força. Nesse estado, o conflito se 
perpetua através de gerações, criando um 
ambiente de tensão e medo permanente. Para 
esse filósofo, a criação de uma sociedade 
submetida à Lei, na qual os seres humanos 
vivam em paz e deixem de guerrear entre si, 
pressupõe que todos renunciem à sua liberdade 
original. Nessa sociedade, a liberdade individual 
é delegada a um só dos homens que detém o 
poder inquestionável, o soberano. 
 Fonte: MALMESBURY, Thomas Hobbes de. 
Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado 
eclesiástico e civil. Trad. João Paulo Monteiro; Maria 
Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Editora NOVA 
Cultural, 1997. 
 
 
A teoria política de Thomas Hobbes teve 
papel fundamental na construção dos sistemas 
políticos contemporâneos que consolidou a (o) 
a) Monarquia Paritária. 
b) Despotismo Soberano. 
c) Monarquia Republicana. 
d) Monarquia Absolutista. 
e) Despotismo Esclarecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 27 
(Uel 2014) 
 
Leia o texto a seguir. 
 
A República de Veneza e o Ducado de Milão 
ao norte, o reino de Nápoles ao sul, os Estados 
papais e a república de Florença no centro 
formavam ao final do século XV o que se pode 
chamar de mosaico da Itália sujeita a constantes 
invasões estrangeiras e conflitos internos. 
Nesse cenário, o florentino Maquiavel 
desenvolveu reflexões sobre como aplacar o 
caos e instaurar a ordem necessária para a 
unificação e a regeneração da Itália. 
(Adaptado de: SADEK, M. T. “Nicolau Maquiavel: 
o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú”. In: 
WEFORT, F. C. (Org.). Clássicos da política. v.2. São 
Paulo: Ática, 2003. p.11-24.) 
 
 
Com base no texto e nos conhecimentos 
sobre a filosofia política de Maquiavel, assinale 
a alternativa correta. 
a) A anarquia e a desordem no Estado são 
aplacadas com a existência de um Príncipe 
que age segundo a moralidade convencional 
e cristã. 
b) A estabilidade do Estado resulta de ações 
humanas concretas que pretendem evitar a 
barbárie, mesmo que a realidade seja móvel 
e a ordem possa ser desfeita. 
c) A história é compreendida como retilínea, 
portanto a ordem é resultado necessário do 
desenvolvimento e aprimoramento humano, 
sendo impossível que o caos se repita. 
d) A ordem na política é inevitável, uma vez que 
o âmbito dos assuntos humanos é resultante 
da materialização de uma vontade superior e 
divina. 
e) Há uma ordem natural e eterna em todas as 
questões humanas e em todo o fazer político, 
de modo que a estabilidade e a certeza são 
constantes nessa dimensão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
134 
QUESTÃO 28 
(Unesp 2014) 
 
A China é a segunda maior economia do 
mundo. Quer garantir a hegemonia no seu 
quintal, como fizeram os Estados Unidos no 
Caribe depois da guerra civil. As Filipinas temem 
por um atol de rochas desabitado que disputam 
com a China. O Japão está de plantão por umas 
ilhotas de pedra e vento, que a China diz que lhe 
pertencem. Mesmo o Vietnã desconfia mais da 
China do que dos Estados Unidos. As 
autoridades de Hanói gostam de lembrar que o 
gigante americano invadiu o México uma vez. O 
gigante chinês invadiu o Vietnã dezessete. 
 (André Petry. O Século do Pacífico. 
Veja, 24.04.2013. Adaptado.) 
 
 
A persistência histórica dos conflitos 
geopolíticos descritos na reportagem pode ser 
filosoficamente compreendida pela teoria 
a) iluminista, que preconiza a possibilidade de 
um estado de emancipação racional da 
humanidade. 
b) maquiavélica, que postula o encontro da 
virtude com a fortuna como princípios 
básicos da geopolítica. 
c) política de Rousseau, para quem a submissão 
à vontade geral é condição para experiências 
de liberdade. 
d) teológica de Santo Agostinho, que considera 
que o processo de iluminação divina afasta os 
homens do pecado. 
e) política de Hobbes, que conceitua a 
competição e a desconfiança como condições 
básicas da natureza humana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 29 
(Enem 2013) 
 
Nasce daqui uma questão: se vale mais ser 
amado que temido ou temido que amado. 
Responde-se que ambas as coisas seriam de 
desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito 
mais seguro ser temido que amado, quando 
haja de faltar uma das duas. Porque dos homens 
se pode dizer, duma maneira geral, que são 
ingratos, volúveis, simuladores, covardes e 
ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são 
inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os 
bens, a vida e os filhos, quando, como acima 
disse, o perigo está longe; mas quando ele 
chega, revoltam-se. 
 
MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 
1991. 
 
A partir da análise histórica do 
comportamento humano em suas relações 
sociais e políticas, Maquiavel define o homem 
como um ser 
a) munido de virtude, com disposição nata a 
praticar o bem a si e aos outros. 
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas 
para alcançar êxito na política. 
c) guiado por interesses, de modo que suas 
ações são imprevisíveis e inconstantes. 
d) naturalmente racional, vivendo em um 
estado pré-social e portando seus direitos 
naturais. 
e) sociável por natureza, mantendo relações 
pacíficas com seus pares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
135 
QUESTÃO 30 
(UFPA 2013) 
 
 
Ao pensar como deve comportar-se um 
príncipe com seus súditos, Maquiavel questiona 
as concepções vigentes em sua época, segundo 
as quais consideravam o bom governo depende 
das boas qualidades morais dos homens que 
dirigem as instituições. Para o autor, “um 
homem que quiser fazer profissão de bondade 
é natural que se arruíne entre tantos que são 
maus. Assim, é necessário a um príncipe, para 
se manter, que aprenda a poder ser mau e que 
se valha ou deixe de valer-se disso segundo a 
necessidade”. 
 
Maquiavel, O Príncipe, São Paulo: Abril cultural, 
Os Pensadores, 1973, p.69. 
 
Sobre o pensamento de Maquiavel, a 
respeito do comportamento de um príncipe, é 
correto afirmar que 
a) a atitude do governante para com os 
governados deve estar pautada em sólidos 
valores éticos, devendo o príncipe punir 
aqueles que não agem eticamente. 
b) o Bem comum e a justiça não são os 
princípios fundadores da política; esta, em 
função da finalidade que lhe é própria e das 
dificuldades concretas de realizá-la, não está 
relacionada com a ética. 
c) o governante deve ser um modelo de virtude, 
e é precisamente por saber como governar a 
si próprio e não se deixar influenciar pelos 
maus que ele está qualificado a governar os 
outros, isto é, a conduzi-los à virtude. 
d) o Bem supremo é o que norteia as ações do 
governante, mesmo nas situações em que 
seus atos pareçam maus. 
e) a ética e a política são inseparáveis, pois o 
bem dos indivíduos só é possível no âmbito 
de uma comunidade política onde o 
governante age conforme a virtude. 
 
 
 
 
 
 
RESOLUÇÕES 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 01: 
[A] 
Maquiavel e Hobbes se utilizam de 
argumentos racionais – não religiosos – em suas 
teorias; o primeiro defendendo a autoridade do 
“Príncipe”, ou seja, do governante sobre a 
sociedade, enquanto o segundo, autor do 
Leviatã, que parte da ideia de que “o homem é 
o lobo do homem” e para viver em sociedade os 
homens devem estabelecer um contrato social, 
no qual cada indivíduo renuncia a uma parte de 
sua liberdade e de seus direito a um 
governante, responsável por gerir o conjunto da 
sociedade. Importante destacar que a ideia de 
“contrato social” de Hobbes antecede ao livro 
de mesmo nome de Rousseau (que defenderá o 
fim do absolutismo).RESPOSTA DA QUESTÃO 02: 
[B] 
Rousseau, um dos teóricos mais importantes 
do Iluminismo, apresenta uma teoria baseada 
no contrato social entre os homens e na 
igualdade natural entre todos eles. Seu 
pensamento apresenta uma crítica ao Antigo 
Regime, inspirando ideais que culminaram na 
Revolução Francesa. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 03: 
[A] 
Rousseau enxerga no contrato social o 
estabelecimento e a garantia da liberdade civil. 
Nesse sentido, ele rejeita tanto um governo que 
subjugue os homens, quanto as agregações que 
se originam dessa subjugação por não 
constituírem-se como corpo político. Deve-se 
considerar que os direitos políticos e sociais, 
para Rousseau, não são baseados em direitos 
sagrados, sendo, na verdade, a ordem social a 
base de todos os direitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
136 
RESPOSTA DA QUESTÃO 04: 
[A] 
A partir do texto apresentado pela questão o 
aluno obtém todas as informações para 
responder aos itens propostos. No trecho 
apresentado, Rousseau faz uma crítica às 
ciências e às artes, que seriam fundamentados 
na ociosidade e na vaidade, daí explicando sua 
crítica ao luxo, defendendo que não se faz 
necessária em nenhuma instância a sua 
existência, pois que nada além daquilo que é 
fisicamente necessário é desejável. Assim, a 
existência do luxo faz parte de uma lógica que 
inviabiliza a formação de uma sociedade justa. 
Rousseau, então, denuncia o luxo como um 
castigo pela ignorância vigente. A partir da 
identificação desses elementos no texto, o 
aluno deve assinalar os itens [I] e [II] como 
corretos e os itens [III] e [IV] como falsos. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 
[C] 
Segundo o pensamento de John Locke, a 
liberdade do indivíduo é um aspecto 
fundamental para a sua existência, sendo 
também a base da vida do cidadão. Locke afirma 
que os indivíduos se juntam em sociedade civil 
com a finalidade de preservar seus direitos 
naturais, submetendo-se a um governo. Assim, 
o Estado seria soberano, no entanto, a 
legitimação da sua autoridade nasceria do 
contrato social estabelecido entre os cidadãos, 
que aceitariam a instituição de leis comum a 
todos, de modo que, para Locke, a liberdade do 
indivíduo em sociedade consiste na obediência 
às leis oriundas do Poder Legislativo. Por 
conseguinte, apenas os itens [II] e [III] estão 
corretos. 
RESPOSTA DA QUESTÃO 06: 
[C] 
A partir do texto da questão, observa-se que 
Rousseau faz uma crítica ao individualismo 
liberal, entendendo que este leva ao 
afastamento da política, de modo que uma 
sociedade na qual a lógica do individualismo 
prevalece, torna-se mais suscetível à opressão 
dos déspotas. Tal ideia deve ser identificada 
pelo aluno no trecho “quanto menos felicidade 
a República é capaz de proporcionar aos 
cidadãos, mais eles terão que buscar, 
individualmente, a felicidade. A consequência é 
uma sociedade cada vez mais egoísta, 
desinteressada pela política e, por fim, 
agrilhoada por um déspota qualquer”. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 07: 
[A] 
A partir do texto da questão, o aluno deve 
identificar que a filosofia política proposta por 
Maquiavel trata da questão da manutenção do 
poder. No trecho “para conservar uma 
república conquistada, o caminho mais seguro é 
destruí-la ou habitá-la pessoalmente”, 
identifica-se que as ações defendidas por 
Maquiavel, frente à conquista de Estados 
republicanos integram a discussão levantada 
por ele acerca das condições e das ações que o 
príncipe deve executar para garantir não 
apenas a obtenção do poder, mas para tornar 
possível mantê-lo legitimamente. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 08: 
[B] 
A teoria política formulada por Maquiavel 
representa uma ruptura com a filosofia política 
que predominava até então. Isso se dá porque, 
para Maquiavel, a política se fundamenta em si 
mesma, ou seja, os elementos que compõem e 
justificam a política são interiores ao próprio 
processo político e decorrem dos conflitos 
sociais. Nessa perspectiva, apenas os itens [I] e 
[III] estão corretos. O item [II] está incorreto 
pois, para Maquiavel, as sociedades humanas 
não são fruto de um processo natural, mas 
social, além de não apresentarem 
homogeneidade, sendo marcadas por conflitos 
de interesses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
137 
RESPOSTA DA QUESTÃO 09: 
[A] 
Nicolau Maquiavel foi inovador ao separar a 
moral religiosa das suas reflexões políticas. 
Assim, ele inaugura uma nova concepção ética 
baseada nas relações políticas concretas entre 
os homens, e não em ideais e valores em 
abstrato. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: 
[B] 
A primeira proposição apresenta uma ideia 
da natureza humana que condiz com o 
pensamento de Thomas Hobbes, segundo o 
qual os homens seriam naturalmente egoístas e 
violentos. Para ele, no estado de natureza, os 
conflitos de interesses levavam a um estado de 
guerra permanente em que não poderia haver a 
garantia de direitos, de maneira que os 
indivíduos se organizam em sociedade civil, 
abdicando da sua liberdade em prol de um 
Estado forte e autoritário que possibilite a vida 
em sociedade e garanta a paz. A segunda 
proposição apresenta uma perspectiva em que 
a motivação para o advento da organização civil 
seria a necessidade de garantia de direitos que 
seriam naturais dos homens, como o direito à 
propriedade, à segurança e à vida, através da 
autoridade do Estado, ideia que está presente 
no pensamento político de John Locke. Já na 
terceira proposição identifica-se as ideias do 
pensador francês Rousseau, segundo o qual a 
natureza humana seria naturalmente boa e o 
estado de natureza seria marcado, de um modo 
geral, pela harmonia, tendo os males sociais e 
as relações de desigualdade entre os homens se 
estabelecido a partir do advento da 
propriedade privada e da sociedade civil, 
corrompendo o homem, assim, de seu estado 
natural. A proposição que corresponde as ideias 
aos respectivos pensadores é apresentada pela 
alternativa [B]. 
RESPOSTA DA QUESTÃO 11: 
[E] 
No trecho da obra de Maquiavel, observa-se 
que o pensador defende a ideia de que a busca 
pela opinião dos sábios, acerca das questões 
que o Príncipe considera ser prudente 
perguntar, é fundamental para a boa condução 
do governo, devendo ele conceder plena 
liberdade para que os sábios expressem sua 
opinião. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 
[B] 
Nicolau Maquiavel, em seus estudos sobre a 
política, refletia como um governante poderia 
conquistar e manter o poder. Ele não fazia 
assim um juízo moral sobre a forma como isso 
se daria, sendo um dos pioneiros da moderna 
compreensão da política. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 13: 
[A] 
A filosofia política de Maquiavel é 
considerada um dos pensamentos primordiais 
para o pensamento moderno que então se 
estabelecia, uma vez que o pensador analisa o 
Estado e o governante em uma perspectiva que 
se afasta da religião, voltando-se para a 
realidade concreta e para a forma como os 
indivíduos agem em sociedade. Maquiavel 
busca compreender as bases que sustentam o 
poder do Estado e de seu governante, 
analisando a conduta que o príncipe deve ter 
para manter-se no poder. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 
[A] 
Em sua teoria política, Nicolau Maquiavel 
estabelece que o príncipe – o governante – 
deve fazer uso do jogo das aparências de modo 
que sua figura seja associada à religiosidade, à 
virtude, à ética, à fidelidade e à 
compassividade. Para Maquiavel, no entanto, o 
príncipe não deve fazer uso dessas qualidades 
quando não lhe for conveniente, mas deve 
aparentar que faz esse uso sempre, a fim de 
garantir a manutenção do poder, ideia que é 
contemplada pela alternativa [A]. 
 
 
 
 
 
 
 
 
138 
RESPOSTA DA QUESTÃO 15: 
[D] 
O filósofo que inaugura a o conceito de 
propriedade privada como direito natural é 
John Locke. Segundo este pensador, os 
princípios de sua filosofia são: a liberdade (ação 
por deliberação pessoal, sem nenhuma 
influência); a propriedade privada (iniciando a 
partir do próprio corpo que se possui e por 
aquilo que se consegue pelo trabalho);e a 
igualdade (mesmas condições para que todos 
possam usufruir dos recursos e leis da 
natureza). Por meio destes referenciais, Locke 
estabelece que se vivemos em natureza e 
seguimos as suas leis, estas mesmas leis devem 
servir de modelo para a constituição do Estado. 
O papel do governo consiste exclusivamente em 
fazer respeitar o direito natural de cada 
indivíduo determinado em conformidade com 
as leis da natureza. Portanto, o governo civil é o 
remédio apropriado para os inconvenientes do 
estado de natureza que pode se tornar um 
estado de guerra. Ele não deve ser um ditador 
ou alguém que deva ser obedecido, mas alguém 
que administra um empreendimento social 
onde os interesses e liberdades individuais 
determinam os rumos que a sociedade deve 
seguir, sendo que seu poder é temporal e 
limitado. Daí o governo não deve estabelecer 
aquilo que acredita ser melhor no modo de 
condução, mas deve concordar em servir a um 
interesse maior a garantia dos direitos de 
igualdade, liberdade e propriedade privada. A 
liberdade é o fundamento da vida em 
sociedade, servindo como justificativa para a 
disposição como se aprouver da propriedade 
privada que os indivíduos estabelecem. Esta é 
garantida pela igualdade entre todos para que 
pela apropriação dos recursos da natureza 
possam adquirir condições de sobreviverem 
segundo a melhor maneira que lhes aprouver. 
Esta concepção exposta, com mínima 
interferência do governo nos rumos, com a 
valorização da liberdade e propriedade privada 
garantida pela igualdade é conhecida como 
liberal. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 16: 
[D] 
A preocupação ética do pensamento de 
Maquiavel, descrito em sua obra O príncipe, é a 
constituição de um Estado e de um governo 
forte. Assim, as sugestões práticas se dão 
exatamente nesse sentido estritamente 
político. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 17: 
[A] 
[Resposta do ponto de vista da disciplina de 
Sociologia] 
 
Somente a alternativa [A] está correta. O 
homem civil, segundo o texto de Rousseau, 
corresponde àquele que, desviando de sua 
própria natureza, se torna um indivíduo 
relacional à comunidade política. 
 
[Resposta do ponto de vista da disciplina de 
Filosofia] 
 
Se fizéssemos um exercício de completa 
abstração e pensássemos unicamente a partir 
do ponto de vista do “homem natural”, então 
poderíamos dizer que a sua “transformação” 
em homem civil seja um desvio. Porém, 
Rousseau não dá a entender que tal passagem 
para a vida civil seja simplesmente um artifício, 
um desvio da rota natural. Segundo um trecho 
de sua obra, Contrato Social, a passagem é 
inevitável para a própria conservação do 
homem e, portanto, um tanto natural, isto é, ela 
se cria pelo movimento da própria natureza do 
homem. “Esse estado primitivo não pode mais 
subsistir, e o gênero humano pereceria se não 
mudasse sua maneira de ser. Ora, como é 
impossível aos homens engendrar novas forças, 
mas apenas unir e dirigir as existentes, não lhes 
resta outro meio para se conservarem senão 
formar, por agregação, uma soma de forças que 
possa vencer a resistência, pô-los em 
movimento por um único móbil e fazê-los agir 
em concerto”. (J-J. Rousseau. Contrato social. In 
Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED-
PR, 2009, p. 602). 
 
 
 
 
 
 
139 
RESPOSTA DA QUESTÃO 18: 
[E] 
Rousseau está entre os pensadores 
classificados como “contratualistas”, haja vista 
que a teoria filosófica política formulada por ele 
se baseia no estabelecimento de um contrato 
social como fundamento da organização 
política da vida coletiva, estabelecendo os 
direitos e deveres dos cidadãos e a finalidade e 
os limites das instituições políticas. Essa 
produção se dá no contexto histórico de reação 
contra o Antigo Regime, baseado nas 
monarquias absolutistas modernas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 19: 
[B] 
Maquiavel faz parte de uma tradição teórica 
da filosofia política denominada “realismo 
político”, marcada por uma reflexão que busca 
entender a realidade, a partir da qual se 
constroem as relações políticas, por meio das 
formas que ela se apresenta, renegando as 
análises que se pautam a partir de 
entendimentos idealistas sobre como a 
realidade deveria ser. Em outras palavras, 
Maquiavel se propõe a entender a realidade 
como ela é e não como se pensa que ela deveria 
ser. Com efeito, é fundamental o exame das 
relações históricas e políticas que estruturam as 
relações humanas. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 20: 
[A] 
Montesquieu, em sua obra “Do espírito das 
leis”, propõe a divisão dos poderes no Sistema 
de tripartição, no qual o Poder Legislativo seria 
a instância responsável pela elaboração, 
aperfeiçoamento ou revogação das leis; o Poder 
Executivo se ocuparia da execução das leis e da 
garantia da segurança; e o Poder Judiciário teria 
a atribuição de fiscalizar a ordem, julgando os 
litígios. Para Montesquieu, essa divisão de 
poderes tem como objetivo evitar a 
concentração dos poderes, o que tenderia ao 
abuso de poder. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 21: 
[B] 
[A] Incorreta. A propriedade não resulta de um 
ato tardio da sociedade civil, sendo antes o 
ato de inauguração da própria sociedade 
civil. Além disso, a instauração da 
propriedade não busca satisfazer 
necessidades naturais, e sim busca satisfazer 
o excesso, tudo aquilo que no humano 
excede o natural. Além disso, estado de 
natureza e sociedade civil são conceitos 
antagônicos. 
[B] Correta. Para Rousseau, a condição biológica 
e espiritual natural, na qual o homem 
existiria antes do surgimento da sociedade 
civil, caracteriza o seu estado de natureza, 
no qual as ações humanas estariam baseadas 
nos seus instintos de sobrevivência, de modo 
que elas não seriam nem boas nem más, ou 
seja, não seriam guiadas a partir de uma 
moral. A passagem da condição natural para 
a condição social, segundo Rousseau, teria 
ocasionado a corrupção da pureza humana 
característica da primeira condição, levando 
ao surgimento de novas necessidades para a 
manutenção da vida coletiva, como a 
adequação das ações humanas a um padrão 
de comportamento social, vinculado à uma 
moral, criando uma ruptura radical do 
indivíduo com o seu estado natural, 
afastando-o do mesmo. 
[C] Incorreta. Se para Rousseau a sociedade civil 
foi primitivamente fundada na propriedade 
e se a fundação da propriedade é ilegítima, 
resultando de astúcia, coerção ou força, o 
ato de instauração da propriedade privada 
não é legitimado racionalmente. Não há 
legitimação racional possível de algo 
fundado em arbítrio privado, razão pela qual 
também não é possível sustentar sua 
suposta universalidade, tendo em vista que 
as motivações são particulares. 
[D] Incorreta. Para Rousseau, “O primeiro 
sentimento do homem foi o de sua 
existência, sua primeira preocupação a de 
sua conservação” (ROUSSEAU, Discurso 
sobre a origem e os fundamentos... p. 260). 
Assim, a defesa incondicional e irrestrita da 
propriedade como um fato inerente à 
 
 
 
 
 
 
 
140 
própria natureza humana já expressa uma 
perversão da própria compreensão da 
natureza humana. Antes de pensar: “isso é 
meu”, o homem sente: “eu existo”. Além 
disso, uma parte significativa disso que 
chamamos “necessidades” resulta, não de 
uma disposição natural, e sim do arbítrio, do 
supérfluo, instaurado justamente pelo 
excesso produzido pela propriedade privada. 
[E] Incorreta. A perfectibilidade, a 
“faculdade humana de aperfeiçoar-se” 
(ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os 
fundamentos..., p. 243), restringe-se a 
operações muito elementares, tais como “[...] 
querer e não querer, desejar e temer” 
(ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os 
fundamentos..., p. 244), as quais “serão as 
primeiras e quase que as únicas operações de 
sua alma” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem 
e os fundamentos..., p. 244) em estado de 
natureza, e é precisamente isso que a 
instauração da propriedade e da sociedade civil 
subverterão, irremediavelmente. Portanto, a 
instauração da sociedade civil e da propriedade 
civil não expressa a perfectibilidadehumana, 
mas um modo avançado de decadência. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 22: 
[E] 
A forma de vida defendida tanto por 
Rousseau quanto por Tolstói está vinculada a 
uma experiência estético-romântica, na medida 
em que valoriza atributos como a sinceridade, a 
impulsividade e a coragem. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 23: 
[D] 
John Locke é um dos principais 
representantes do empirismo. Segundo ele, as 
ideias são resultado da experiência humana, 
exatamente como apresenta a alternativa [D]. 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 24: 
[C] 
Thomas Hobbes é um dos filósofos 
contratualistas, exatamente por considerar que 
toda comunidade política é fundada em um 
pacto social. A ausência dessa pacto faz com 
que os indivíduos estejam em um estado de 
natureza, na qual haveria a guerra de todos 
contra todos. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 25: 
[A] 
Segundo Hobbes, os homens, em seu estado 
de natureza, permanecem em um constante 
conflito. É a constituição da cidade civil que irá 
por fim a esse estado de guerra de todos contra 
todos. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 26: 
[D] 
Segundo Hobbes uma vez que os homens 
encontram-se num estado de guerra de “todos 
contra todos”, a construção da sociedade 
somente pode ocorrer quanto todos os 
membros rendem sua liberdade natural para 
uma única figura capaz de garantir a paz e a 
segurança a todos. Esta figura é entendida pelo 
autor como um mal necessário (um leviatã) que 
deve possuir poder inquestionável, não estando 
rendido a qualquer atrelamento, seja ele 
partidário ou republicano. Para que esta figura 
possa governar de forma a cuidar dos interesses 
de todos sem estar ligado a nenhum 
condicionamento, ela deve possuir um poder e 
uma autoridade inquestionável. Embora 
Hobbes não fosse um defensor árduo do 
absolutismo, suas teses serviram de base para 
justificar a monarquia como forma mais viável 
de garantir a todos um estado de paz. Portanto, 
a monarquia absolutista é o remédio para 
garantir a coexistência dos homens em 
sociedade. O despotismo esclarecido vai no 
sentido contrário, sendo inspirado pela filosofia 
iluminista, cria uma abertura não existente na 
filosofia de Hobbes, na qual o monarca não é 
mais visto como absoluto, mas sim como 
alguém que ainda exerce o poder, mas sem o 
 
 
 
 
 
 
141 
caráter divino e inquestionável dos seus 
antecessores. 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 27: 
[B] 
Maquiavel é considerado fundador da 
filosofia política moderna, pois muitas das suas 
afirmações se contrapõem à filosofia política 
clássica. Basicamente, a sua reflexão se 
preocupa muito mais com problemas efetivos, e 
muito menos com reflexões utópicas. De modo 
que a eficiência deve ser buscada na pobreza 
mesma das nossas cidades como elas são, e não 
na possível riqueza das nossas cidades como 
elas poderiam ser. 
Sendo assim, o papel político do Príncipe é o 
de constituir um poder superior capaz de 
mantê-lo no poder. O Príncipe também tem por 
tarefa cuidar da manutenção e conservação 
desse poder superior. Conforme Maquiavel, o 
Príncipe pode se utilizar de todos os meios 
disponíveis para a consecução de seus 
objetivos. Desde que as circunstâncias assim o 
exijam, o Príncipe poderá se utilizar inclusive da 
mentira, da violência e da força, porém, deve 
logicamente ser astuto e assim evitar ser odiado 
pelos súditos. 
 
 
“Resta ver agora como deve comportar-se 
um príncipe com os súditos ou com os amigos. 
Como sei que sobre isso muitos escreveram, 
receio, fazendo-o eu também, ser considerado 
presunçoso, principalmente porque, ao tratar 
deste assunto, me afasto das regras 
estabelecidas pelos outros. Mas sendo minha 
intenção escrever coisa útil, destinada a quem 
por ela se interessar, pareceu-me mais 
conveniente ir diretamente à efetiva verdade 
do que comprazer-me em imaginá-la. Muita 
gente imaginou repúblicas e principados que 
jamais foram vistos ou de cuja real existência 
jamais se teve notícia. E é tão diferente o como 
se vive do como se deveria viver, que aquele 
que desatende ao que se faz e se atém ao que 
se deveria fazer aprende antes a maneira de 
arruinar-se do que a de preservar-se. Assim, o 
homem que queira em tudo agir como bom 
acabará arruinando-se em meio a tantos que 
não são bons”. (N. Maquiavel. O Príncipe. São 
Paulo: Círculo do livro, p. 101) 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 28: 
[E] 
Obviamente, é muito difícil compreender a 
persistência histórica dos conflitos geopolíticos 
através dessa teoria política hobbesiana, pois a 
grande obra do filósofo britânico não se resume 
à definição do estado de natureza do homem, 
no qual todos estão em guerra contra todos. 
Além disso, não faz qualquer sentido confundir 
tal estado de natureza com a nossa realidade, 
que ao se chamar geopolítica já impede uma 
relação direta com a suposta condição primária 
da civilização. Nem nós, nem a Inglaterra de 
Hobbes representamos o estado de natureza, 
pois tal premissa é um postulado da 
especulação filosófica do autor, e não um fato 
constatado. Ora, nós vivemos em uma 
sociedade global, e não estamos em vivendo no 
caos absoluto de um confronto geral de vida ou 
morte. 
Se fôssemos compreender a persistência 
história dos conflitos geopolíticos através da 
teoria política hobbesiana, então deveríamos 
tomar tais constantes disputas como resultado 
da incapacidade dos homens de instituírem um 
governo global forte o suficiente que obrigasse 
os cidadãos a honrarem o pacto social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
142 
RESPOSTA DA QUESTÃO 29: 
[C] 
Maquiavel é considerado fundador da 
filosofia política moderna, pois muitas das suas 
afirmações se contrapõem à filosofia política 
clássica. Basicamente, a sua reflexão se 
preocupa muito mais com problemas efetivos, e 
muito menos com reflexões utópicas sobre o 
dever ser. De modo que a eficiência deve ser 
buscada na pobreza mesma das nossas cidades 
como elas são, e não na possível riqueza das 
nossas cidades como elas poderiam ser. 
 
“Resta ver agora como deve comportar-se 
um príncipe com os súditos ou com os amigos. 
Como sei que sobre isso muitos escreveram 
receio, fazendo-o eu também, ser considerado 
presunçoso, principalmente porque, ao tratar 
deste assunto, me afasto das regras 
estabelecidas pelos outros. Mas sendo minha 
intenção escrever coisa útil, destinada a quem 
por ela se interessar, pareceu-me mais 
conveniente ir diretamente à efetiva verdade 
do que comprazer-me em imaginá-la. Muita 
gente imaginou repúblicas e principados que 
jamais foram vistos ou de cuja real existência 
jamais se teve notícia. E é tão diferente o como 
se vive do como se deveria viver, que aquele 
que desatende ao que se faz e se atém ao que 
se deveria fazer aprende antes a maneira de 
arruinar-se do que a de preservar-se. Assim, o 
homem que queira em tudo agir como bom 
acabará arruinando-se em meio a tantos que 
não são bons”. (N. Maquiavel. O Príncipe. São 
Paulo: Círculo do livro, p. 101). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPOSTA DA QUESTÃO 30: 
[B] 
O pensamento de Maquiavel sobre o 
comportamento do príncipe estabelece uma 
ética fundada a partir de um princípio distinto 
da ética clássica. No pensamento clássico, a 
ética tinha a finalidade de formar um homem 
com um comportamento baseado em certas 
virtudes, como a sabedoria, a coragem, a 
temperança, a prudência. Já a ética 
maquiavélica não busca refletir sobre a 
formação dos hábitos de um homem, no caso o 
príncipe, tendo em vista tais virtudes, mas sim 
tendo em vista a sua manutenção no poder. 
Portanto, os hábitos do príncipe não podem ser 
pensados de acordo com virtudes cardeais, mas 
sim de acordo com a experiência comum 
através da qual se observa homens agindo de 
maneira desleal sem qualquer pudor ou 
respeito para com atitudes magnânimas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
143 
FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: KARL MARX 
 
QUESTÃO 01 
(UFU 2012) 
Em uma passagem de As aventuras do Barão 
de Munchausem, personagem do folclore 
alemão,ele e seu cavalo encontram-se atolados 
em um pantanal e, para sair dessa situação, o 
Barão puxa a si mesmo pelo cabelo, levantando-
se, com sua montaria, do terreno movediço. Em 
mais de uma ocasião, os sociólogos usaram essa 
metáfora para aludir ao modo pelo qual os 
positivistas procuravam um método objetivo, 
neutro, livre das ideologias. 
Em oposição a essa suposta objetividade, 
Marx criticou veementemente os positivistas, 
uma vez que, para o autor, 
 
A) o método possui uma objetividade parcial, 
pois na escolha do objeto entra em ação a 
ideologia do autor, que não interfere, 
entretanto, na análise dos acontecimentos. 
B) a análise social, a partir da perspectiva do 
operariado, deve contribuir para a harmonia 
das relações sociais de produção. 
C) a análise das condições de vida do 
proletariado europeu do século XIX deve 
incidir sobre a crítica social, com vistas à 
reforma da sociedade burguesa. 
D) o método deve contribuir não só para a 
interpretação, mas igualmente para a 
transformação social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 
(Interbits 2012) 
 
Segundo Karl Marx, a sociedade capitalista 
conhece basicamente duas classes: a burguesia 
e o proletariado. Na abordagem marxista, como 
se dá a relação entre elas? 
 
A) As duas classes estão em harmonia. Ambas 
se complementam em um processo 
produtivo: os burgueses oferecem empregos, 
enquanto os proletários trabalham 
contribuindo para o progresso da civilização. 
B) Elas estão em constantes disputas políticas. 
Tais disputas aparecem, no Brasil, na 
polarização entre PT e PSDB, sendo o PT o 
partido dos trabalhadores (proletários) e o 
PSDB o partido dos empresários (burgueses). 
A alternância entre esses dois partidos no 
poder é o que definirá o modelo econômico 
da nação. 
C) Essas duas classes estão em luta. Enquanto 
os burgueses tentam exercer sua dominação 
sobre o proletariado, estes procuram resistir 
e fugir dessa relação de opressão. 
D) As duas classes estão em relação de 
solidariedade orgânica. O capitalismo surge 
em uma sociedade moderna, marcada por 
uma complexa divisão do trabalho. Longe de 
produzir desagregações, essa complexidade 
favorece a coesão social devido à 
dependência mútua de todos os indivíduos. 
E) As classes sociais estão em processo de 
fusão. Devido à mundialização do capital, não 
haverá mais classes sociais. Todos serão 
híbridos de empreendedores e 
trabalhadores, em uma sociedade regulada 
pelo mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
144 
QUESTÃO 03 
(Unimontes 2012) 
 
A questão das classes sociais ocupa um papel 
fundamental na teoria de Karl Marx. Para ele, 
existem condicionantes e determinantes na 
complexa relação entre indivíduo e sociedade e 
entre consciência e existência social. 
Considerando as reflexões de Karl Marx sobre 
esse tema, marque a alternativa incorreta. 
 
A) A luta de classes desenvolve-se no modo de 
organizar o processo de trabalho e no modo 
de se apropriar do resultado do trabalho 
humano. 
B) A luta de classes está presente em todas as 
ações dos trabalhadores quando lutam para 
diminuir a exploração e a dominação. 
C) Em meio aos antagonismos e lutas sociais, o 
indivíduo pode repensar a realidade, reagir e 
até mesmo transformá-la, unindo-se a outros 
em movimentos sociais e políticos. 
D) As classes sociais sustentam-se em 
equilíbrios dinâmicos e solidários, sendo a 
produção da solidariedade social o resultado 
necessário à vida em sociedade. 
 
 
QUESTÃO 04 
(Interbits 2012) 
 
– Nasceu em 1818, na Alemanha, e morreu 
em 1883, na Inglaterra. 
– Utilizou-se de importantes conceitos da 
filosofia hegeliana. 
– Sua principal obra é O Capital. 
– Desenvolveu o que se chamou de 
materialismo histórico. 
 
As informações acima dizem respeito a qual 
cientista social? 
 
A) Max Weber. 
B) Émile Durkheim. 
C) Karl Marx. 
D) Friedrich Hegel. 
E) Friedrich Nietzsche. 
 
QUESTÃO 05 
(Interbits 2012) 
 
“A ideologia, como consciência invertida, teria 
o papel de amparar o domínio de uma classe ou 
grupo social sobre as demais. Por meio da 
ideologia, essa classe ou grupo social se faria 
hegemônica, como que convencendo as outras 
de que seus interesses e valores seriam 
universais”. 
RICUPERO, Bernardo. Sete lições sobre as 
interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, 2008, p. 
32-33. 
A partir da definição acima e dos seus 
conhecimentos sobre classe social no sentido 
pensado por Karl Marx, quais das frases abaixo 
podem ser consideradas de cunho ideológico? 
 
I. “Todo homem tem seu preço”. 
II. “Antes tarde do que nunca”. 
III. “Quem não trabalha também não deve 
comer”. 
IV. “Diga-me com quem andas e eu te direi 
quem és”. 
V. “Água mole em pedra dura, tanto bate até 
que fura”. 
 
A) Somente I e II. 
B) Somente I e III. 
C) Somente III e IV. 
D) Somente IV e V. 
E) Somente I, II e III. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
145 
QUESTÃO 06 
(Ufu 2011) 
Segundo Marx, o fator fundamental do 
desenvolvimento social assenta-se nas 
contradições da vida material, na luta entre as 
forças produtivas da sociedade e as relações 
sociais de produção que lhe correspondem. 
 
Analisando a frase acima, assinale a 
alternativa correta sobre as relações sociais de 
produção e forças produtivas em Marx. 
 
A) Dizem respeito às relações sociais que os 
homens estabelecem entre si para utilizar os 
meios de produção, transformando a si 
mesmos e a natureza. 
B) Correspondem às relações entre os homens 
no âmbito estritamente econômico posto 
que a esfera econômica determina a 
estrutura social. 
C) Dizem respeito às ações individuais dos 
homens no livre mercado, o qual é marcado 
pelas leis de oferta e procura. 
D) Correspondem a uma relação social definida 
pela lógica do mercado, na qual os homens 
orientam individualmente suas ações em um 
determinado sentido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 07 
(Unimontes 2011) 
 
“Todos os nossos inventos e progressos 
parecem dotar de vida intelectual as forças 
produtivas materiais, enquanto reduzem a vida 
humana ao nível de uma força material bruta. 
Este antagonismo entre a indústria moderna e a 
ciência, por um lado, e a miséria e a decadência, 
por outro, este antagonismo entre as forças 
produtivas e as relações sociais de nossa época 
é um fato palpável, abrumador e 
incontrovertido. (...) não nos enganemos a 
respeito da natureza desse espírito maligno que 
se manifesta constantemente em todas as 
contradições que acabamos de assinalar”. 
 
Com base no texto de Karl Marx, julgue os 
itens a seguir: 
 
I. Pertence ao debate em torno da questão da 
alienação na sociedade capitalista, alertando 
para a consciência alienada e contraditória 
que atribui à realidade histórica uma 
aparência mágica, enfeitiçada. 
II. Reforça a explicação de que a realidade 
histórica tem uma aparência ideal, pois as 
ideias, as concepções, os gostos, as crenças, 
as categorias do conhecimento humano são 
construídos e partilhados harmonicamente 
dentro da sociedade. 
III. Diz respeito ao processo em que as 
máquinas, dotadas da propriedade 
maravilhosa de encurtar e fazer mais 
frutífero o trabalho humano, 
contraditoriamente, provocam a fome e o 
esgotamento do trabalhador, convertendo-
se em fonte de privação social e econômica. 
Está(ão) correto(s) o(s) item(ns) 
 
A) I e II, apenas. 
B) I, II e III. 
C) II, apenas. 
D) I e III, apenas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
146 
QUESTÃO 08 
(Uema 2011) 
Uma das condições imprescindíveis, em Karl 
Marx, para que a mercadoria como força de 
trabalho possa ser vendida e comprada no 
mercado é: 
 
A) A separação entre os meios de produção e o 
produtor direto. 
B) A unidade entre o meio de produção e o 
produtor direto. 
C) A relação entre a produção, consumo e 
distribuição. 
D) O intercâmbio entre homem e natureza. 
E) A separação entre campo e cidade. 
 
QUESTÃO 09

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