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2 INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ANTIGA – INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ANTIGA E PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO QUESTÃO 01 (Unesp 2020) Em 4 de julho de 2012, foi detectada uma nova partícula, que pode ser o bóson de Higgs. Trata-se de uma partícula elementar proposta pelo físico teórico Peter Higgs, e que validaria a teoria do modelo padrão, segundo a qual o bóson de Higgs seria a partícula elementar responsável pela origem da massa de todas as outras partículas elementares. (Jean Júnio M. Pimenta et al. “O bóson de Higgs”. In: Revista brasileira de ensino de física , vol. 35, no 2, 2013. Adaptado.) O que se descreve no texto possui relação com o conceito de arqué, desenvolvido pelos primeiros pensadores pré-socráticos da Jônia. A arqué diz respeito A) à retórica utilizada pelos sofistas para convencimento dos cidadãos na pólis. B) a uma explicação da origem do cosmos fundamentada em pressupostos mitológicos. C) à investigação sobre a constituição do cosmos por meio de um princípio fundamental da natureza. D) ao desenvolvimento da lógica formal como habilidade de raciocínio. E) à justificação ética das ações na busca pelo entendimento sobre o bem. QUESTÃO 02 (Uel 2019) Leia o texto a seguir. Os corcéis que me transportam, tanto quanto o ânimo me impele, conduzem-me, depois de me terem dirigido pelo caminho famoso da divindade [...] E a deusa acolheu-me de bom grado, mão na mão direita tomando, e com estas palavras se me dirigiu: [...] Vamos, vou dizer-te – e tu escuta e fixa o relato que ouviste – quais os únicos caminhos de investigação que há para pensar, um que é, que não é para não ser, é caminho de confiança (pois acompanha a realidade): o outro que não é, que tem de não ser, esse te indico ser caminho em tudo ignoto, pois não poderás conhecer o não-ser, não é possível, nem indicá- lo [...] pois o mesmo é pensar e ser. (PARMÊNIDES. Da Natureza, frags. 1-3. Trad. José Trindade Santos. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2009. p. 13- 15.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Parmênides, assinale a alternativa correta. A) Pensar e ser se equivalem, por isso o pensamento só pode tratar e expressar o que é, e não o que não é – o não ser. B) A percepção sensorial nos possibilita conhecer as coisas como elas verdadeiramente são. C) O ser é mutável, eterno, divisível, móvel e, por isso, a razão consegue conhecê-lo e expressá-lo. D) A linguagem pode expressar tanto o que é como o que não é, pois ela obedece aos princípios de contradição e de identidade. E) O ser é e o não ser não é indica que a realidade sensível é passível de ser conhecida pela razão. 3 QUESTÃO 03 (Uece 2019) “É no plano político que a Razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se e formou-se. A experiência social só pôde tornar- se entre os gregos objetos de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O declínio do mito data do dia em que os primeiros Sábios puseram em discussão a ordem humana, procuraram defini-la em si mesma, traduzi-la em fórmulas acessíveis à sua inteligência, aplicar-lhe a norma do número e da medida.” VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1989, p. 94. Com base nessa citação, é correto afirmar que a filosofia nasce A) após o declínio das ideias mitológicas, não havendo nenhuma linha de continuidade entre estas últimas e as novas ciências gregas. B) das representações religiosas míticas que se transpõem nas novas representações cosmológicas jônicas. C) da experiência do espanto, a maravilha com um mundo ordenado e, portanto, belo. D) da experiência política grega de debate, argumentação e contra-argumentação, que põe em crise as representações míticas. QUESTÃO 04 (Uece 2019) “Como se sabe, a palavra mythos raramente foi empregada por Heródoto (apenas duas vezes). Caracterizar um logos (narrativa) como mythos era para ele um meio claro de rejeitá-lo como duvidoso e inconvincente. [...] Situado em algum lugar além do que é visível, um mythos não pode ser provado.” HARTOG, F. Os antigos, o passado e o presente. Brasília, Editora da UnB, 2003, p. 37. Sobre a diferença entre mythos e logos acima sugerida, é INCORRETO afirmar que A) o problema do mythos era limitar-se ao que é visível e, por isso, não podia ser pensado. B) filosofia e história nasceram, na Grécia clássica, com base numa mesma reivindicação do logos contra o mythos. C) o mythos não poderia ser submetido à clarificação argumentativa e à prova — demonstração — discursiva. D) em contraposição ao mythos, o logos era um uso argumentativo da linguagem, capaz de criar as condições do convencimento. QUESTÃO 05 (Ufu 2018) "Para as almas, morrer é transformar-se em água; para a água, morrer é transformar-se em terra. Da terra, contudo, forma-se a água e da água, a alma” Heráclito. Fragmentos, extraído de: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. Tradução do autor. Em relação ao excerto acima, podemos afirmar que ele ilustra 4 A) a concepção heraclitiana que valoriza a importância do movimento na descrição da realidade. B) a concepção dialética do pensamento heraclitiano, segundo a qual o movimento é uma ilusão dos sentidos. C) a concepção heraclitiana da realidade, segundo a qual a multiplicidade dos fenômenos subjaz uma realidade única. D) o pensamento religioso de Heráclito, segundo o qual a morte é a libertação da alma. QUESTÃO 06 (Enem PPL 2018) Demócrito julga que a natureza das coisas eternas são pequenas substâncias infinitas, em grande número. E julga que as substâncias são tão pequenas que fogem às nossas percepções. E lhes são inerentes formas de toda espécie, figuras de toda espécie e diferenças em grandeza. Destas, então, engendram-se e combinam-se todos os volumes visíveis e perceptíveis. SIMPLÍCIO. Do Céu (DK 68 a 37). In: Os pré- socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1996 (adaptado). A Demócrito atribui-se a origem do conceito de A) porção mínima da matéria, o átomo. B) princípio móvel do universo, a arché. C) qualidade única dos seres, a essência. D) quantidade variante da massa, o corpus. E) substrato constitutivo dos elementos, a physis. QUESTÃO 07 (Upe-ssa 1 2018) Observe o texto a seguir sobre a gênese do pensamento filosófico: Entre o fim do VII século e o começo do VI a.C., o problema cosmológico é o primeiro a destacar-se claramente como objeto de pesquisa sistemática diferente do impreciso complexo de problemas que já ocupavam a mente dos gregos ainda antes do surgir de uma reflexão filosófica verdadeira e própria. (MONDOLFO, Rodolfo. O Pensamento Antigo, São Paulo: Mestre Jou, 1966, p. 31.) O texto retrata, com clareza, o problema cosmológico, objeto de estudo da filosofia A) Socrática. B) Platônica. C) Pré-socrática. D) Mítica. E) Pós-socrática. QUESTÃO 08 (Ufu 2018) "Pois pensar e ser é o mesmo" Parmênides, Poema, fragmento 3, extraído de: Os filósofos pré-socráticos. Tradução de Gerd Bornheim. São Paulo: Cultrix, 1993. A proposição acima é parte do poema de Parmênides, o fragmento 3. Considerando-se o que se sabe sobre esse filósofo, que viveu por volta do século VI a.C., assinale a afirmativa correta. A) Para compreender a realidade, é preciso confiar inteiramente no que os nossos sentidos percebem. B) O movimento é uma característica aparente das coisas, a verdadeira realidade está além dele. C) O verdadeiro sentido da realidade só pode ser revelado pelos deuses para aquelesque eles escolhem. D) Tudo o que pensamos deve existir em algum lugar do universo. 5 QUESTÃO 09 (Upe-ssa 1 2018) Sobre o Pensamento Mítico, considere o texto a seguir: Mito e Razão se complementam mutuamente. No entanto, o mito, recuperado no cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com a abrangência que se fazia sentir no homem primitivo. (ARANHA, Maria Lúcia Arruda. Filosofando – Introdução à Filosofia, São Paulo: Moderna, 1993, p. 59.) Com relação ao contexto da reflexão sobre o pensamento mítico, no que se refere ao cotidiano do homem contemporâneo, assinale a alternativa CORRETA. A) O Mito e a Razão continuam em justaposição, na forma compreensiva da realidade existencial. B) O Mito tem a representatividade da verdade na sua narrativa. C) O Mito e a Razão alicerçam os valores da condição humana na sua inteireza. D) O Mito passa por um reducionismo e retoma o valor do herói como legitimação com o intuito de se compreender a realidade. E) O Mito propõe o verdadeiro sentido para a compreensão do ser humano na sua humanização. QUESTÃO 10 (Upe-ssa 1 2018) Em relação ao pensamento mítico, leia o texto a seguir: O homem, admirado e perplexo, diante da natureza que o cerca, sem entender o dia, a noite, o frio, o calor, o sol, a chuva, os relâmpagos, os trovões, a terra fértil ou árida, sem entender a origem da vida, a morte e o seu destino eterno, a dor, o bem e o mal, recorre aos mitos. (SOUZA, Sônia Maria Ribeiro. Um outro olhar – filosofia. São Paulo: FTD, 1995, p. 39.) A narrativa mítica tem significância para a existência humana no mundo. O mito tem uma representatividade singular para transmitir e comunicar o conhecimento acerca da realidade. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. A) Os relatos míticos são narrações fantasiosas, desvinculados de sentido da realidade. B) O mito está privado de coerência, e sua narrativa prende-se à existência humana no mundo. C) O pensamento mítico está desligado do desejo de dominação do mundo, e sua narrativa impõe o medo e a insegurança. D) Os mitos devem ser acolhidos na sua significância como base para a compreensão do homem na sua existência e convivência. E) A mitologia se traduz em relato ilógico sem fundamento emotivo e tenta explicar a realidade concreta. QUESTÃO 11 (Ufu 2017) Leia o fragmento de autoria de Heráclito. Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, abundância e fome. Mas toma formas variadas assim como o fogo, quando misturado com essências, toma o nome segundo o perfume de cada uma delas. BORNHEIM, G. (Org.). Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1998, p. 40. 6 Conforme o exposto, “Deus”, no pensamento de Heráclito, significa: A) A unidade dos contrários. B) O fundamento da religião monoteísta do período arcaico. C) Uma abstração para refutar o logos. D) A impossibilidade da harmonia no mundo. QUESTÃO 12 (Enem 2017) A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em que um infinitamente múltiplo é a origem; mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si. Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece como figura. HEGEL. G. W. F. Crítica moderna. In: SOUZA, J. C. (Org.). Os pré-socrática: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural. 2000 (adaptado). O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensamento de Demócrito, segundo o qual o “princípio constitutivo das coisas” estava representado pelo(a) A) número, que fundamenta a criação dos deuses. B) devir, que simboliza o constante movimento dos objetos. C) água, que expressa a causa material da origem do universo. D) imobilidade, que sustenta a existência do ser atemporal. E) átomo, que explica o surgimento dos entes. QUESTÃO 13 (Upe-ssa 2017) Leia o texto a seguir: A Grécia é considerada o berço da Filosofia. O pensamento grego tem a singularidade do intelecto, privilegiando, acima de tudo, a dimensão conceitual e discursiva. De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural do pensar filosófico grego é conhecida como período pré-socrático. Sendo assim, é CORRETO afirmar que A) filosofia pré-socrática enfatiza, principalmente, a explicação da liberdade. B) no período pré-socrático da filosofia, o pensar crítico retrata o valor da história dos deuses. C) o período pré-socrático da filosofia é denominado essencialmente de período naturalista. D) no período pré-socrático, o enfoque da Filosofia é denominado de período ético. E) o período pré-socrático da filosofia enaltece a confiança na religiosidade das ideias e no problema da vida. 7 QUESTÃO 14 (Enem Libras 2017) Alguns pensam que Protágoras de Abdera pertence também ao grupo daqueles que aboliram o critério, uma vez que ele afirma que todas as impressões dos sentidos e todas as opiniões são verdadeiras, e que a verdade é uma coisa relativa, uma vez que tudo o que aparece a alguém ou é opinado por alguém é imediatamente real para essa pessoa. KERFERD, G. B. O movimento sofista. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado). O grupo ao qual se associa o pensador mencionado no texto se caracteriza pelo objetivo de A) alcançar o conhecimento da natureza por meio da experiência. B) justificar a veracidade das afirmações com fundamentos universais. C) priorizar a diversidade de entendimentos acerca das coisas. D) preservar as regras de convivência entre os cidadãos. E) analisar o princípio do mundo conforme a teogonia QUESTÃO 15 (Upe-ssa 1 2017) Observe o texto a seguir sobre a gênese do pensamento filosófico. Com a filosofia, novo critério de verdade se impunha: o critério da logicidade. Verdade é aquilo, que concorda com as leis do lógos (pensamento, razão). É a razão, que nos dá garantia da verdade, porque o real é racional. LARA, Tiago Adão. A Filosofia nas suas origens gregas, 1989, p. 54. Sobre a gênese do pensamento filosófico, está CORRETO afirmar que A) a evidência da verdade com o crivo da racionalidade tem resposta no mito. B) o critério da logicidade está presente na adesão à crença e ao mito. C) a gênese do pensar filosófico e a inspiração criadora de sentidos consistem na fantasia. D) a origem do pensamento filosófico surge entre os gregos, no século VI a.C., na busca por explicação do sobrenatural com a força do divino. E) o despertar da filosofia grega surge na verdade argumentada da razão com o critério da interpretação. QUESTÃO 16 (Upe-ssa 1 2017) Sobre o Mito no mundo atual, considere o texto a seguir: Os meios de comunicação (televisão, jornais, etc.) utilizam a palavra Mito com um significado diferente, quando se referem a artistas, que, num determinado momento, ganham destaque por causa de um filme ou música de sucesso. Mas, mesmo nesse caso, os “Mitos” do mundo artístico são assim chamados, porque atribuímos a eles qualidades que consideramos dignas de um deus. CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. 2002, p. 23. Disponível em: www.4hd.com.br 8 Assim, é CORRETO afirmar que no mundo atual A) o Mito narra as habilidades divinas, transmitidas aos homens pelos deuses. B) o Mito retrata tanto a significância quanto a primeira atribuição de sentido ao mundo. C) o Mito tem importância pelo fato de ser a primeira forma de dar significado ao mundo. D) o Mito na totalidade do real, não apresenta mais abrangência nem o distintivo existencialque havia na sua origem, isto é, no Mito primitivo. E) o Mito possibilita ao homem lutar e viver criticamente contra tudo o que lhe é adverso. QUESTÃO 17 (Enem PPL 2016) Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo – terra, água ar e fogo e as outras coisas que se manifestam neste mundo –, se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, misturar-se umas às outras, nem fazer bem ou mal umas às outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir à existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa. DIÓGENES, In: BORNHEIM, G. A. Os filósofos pré- socráticos. São Paulo, Cultrix, 1967. O texto descreve argumentos dos primeiros pensadores, denominados pré-socráticos. Para eles, a principal preocupação filosófica era de ordem A) cosmológica, propondo uma explicação racional do mundo fundamentada nos elementos da natureza. B) política, discutindo as formas de organização da pólis ao estabelecer as regras de democracia. C) ética, desenvolvendo uma filosofia dos valores virtuosos que tem a felicidade como o bem maior. D) estética, procurando investigar a aparência dos entes sensíveis. E) hermenêutica, construindo uma explicação unívoca da realidade. QUESTÃO 18 (Enem 2016) Texto I Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne. HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado). Texto II Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se? PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado). Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das A) investigações do pensamento sistemático. B) preocupações do período mitológico. C) discussões de base ontológica. D) habilidades da retórica sofística. E) verdades do mundo sensível. 9 QUESTÃO 19 (Upe-ssa 1 2016) Sobre o conhecimento mitológico, atente ao texto a seguir: Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, 1996, p. 28). Sobre esse aspecto do conhecimento mitológico, é CORRETO afirmar que A) a função do mito é obscura, e o discurso a ele referente, pronunciado pela autoridade, está fundado na realidade e não explica a existência. B) o mito retrata um tipo de compreensão não significativa, possibilitando ao homem viver e lutar contra tudo o que lhe é contraditório. C) na narrativa mitológica, proferida para os ouvintes, está presente o puro delírio da fantasia e a confiabilidade na pessoa do narrador. D) a narrativa do mito é baseada na lógica da abstração e deixa, à margem, o desejo de dominação do mundo. E) o mito revela alguma coisa que é aceita sem contestação nem questionamento. Trata-se, portanto, de uma primeira narrativa que atribui sentido ao mundo. QUESTÃO 20 (Upe-ssa 1 2016) A mente humana é naturalmente inquiridora: quer conhecer as razões das coisas; basta ver uma criança fazendo perguntas aos pais. Mas às mesmas perguntas podem ser dadas diversas respostas: míticas, científicas, filosóficas. MONDIN, Batista. Curso de filosofia. São Paulo: Paulus, 1981. (Adaptado) O pensamento mítico na atualidade reflete- se naquelas respostas que estão repletas de explicações valorativas sobre a personalidade do super-herói, a exaltação do cientificismo, valorando o ‘desejo desenfreado’ e dando primazia ao poder midiático. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA. A) A verdadeira função do mito, na atualidade, é orientar a ação humana. B) O papel atual do mito é dar sentido ao mundo humano. C) O pensamento mítico, no mundo atual, identifica-se como uma resistência às invenções científicas e tecnológicas. D) Nos dias atuais, a função fabuladora presente nos contos e nas estórias populares remetem aos valores arquetípicos. E) O mito, na atualidade, promove o desenvolvimento do homem no seu cotidiano, pela eficácia na linguagem das formas ideológicas. QUESTÃO 21 (Upe-ssa 1 2016) Sobre a gênese da filosofia entre os gregos, observe o texto a seguir: Seja como termo, seja como conceito, a filosofia é considerada pela quase totalidade dos estudiosos como uma criação própria do gênio dos gregos. Quem não levar isso em conta não poderá compreender por que, sob o impulso dos gregos, a civilização ocidental tomou uma direção completamente diferente da oriental. (ANTISERI, Dario e RELAE, Giovanni. História da Filosofia, 1990, p. 11). 10 Sobre a gênese do pensamento filosófico entre os gregos, é CORRETO afirmar que A) a experiência concreta da racionalidade estava isenta da vida política na Pólis Grega. B) a prática político-democrática, atrelada ao enfoque irracional da vida em sociedade, foi o terreno fértil para a gênese do pensamento filosófico. C) sob o impulso dos gregos, a dimensão racional se impõe como critério de verdade. A filosofia é fruto desse projeto da razão. D) a filosofia é fruto do momento cultural em que a sensibilidade e a fantasia impõem-se sobre a razão. E) na gênese do pensamento filosófico grego, na civilização ocidental, a forma de sabedoria que se sobrepunha à ciência filosófica, eram as convicções religiosas fundamentadas na razão pura. QUESTÃO 22 (Enem 2015) A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um. NIETZSCHE. F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural. 1999 O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos? A) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais. B) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas. C) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes. D) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas. E) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real. QUESTÃO 23 (Uema 2015) Leia a letra da canção a seguir. Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo [...] Fonte: SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Como uma onda. In: Álbum MTV ao vivo. Rio de Janeiro: Sony-BMG. Da mesma forma como canta opoeta contemporâneo, que vê a realidade passando como uma onda, assim também pensaram os primeiros filósofos conhecidos como Pré- socráticos que denominavam a realidade de physis. A característica dessa realidade representada, também, na música de Lulu Santos é o(a) A) fluxo. B) estática. C) infinitude. D) desordem. E) multiplicidade. 11 RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [C] A filosofia pré-socrática é marcada pela busca do entendimento do fundamento primeiro do cosmo, ou seja, o elemento que dá origem a todas as coisas que existem no universo, também chamada de arque. Por isso, a partícula descrita no texto como a partícula elementar, isto é, que origina todas as outras partículas, se relaciona com a investigação filosófica dos pré-socráticos. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [A] [A] Correta. De acordo com Parmênides, o pensamento pode expressar as coisas como são, com base nos princípios da razão, como o princípio de identidade e o de não contradição. [B] Incorreta. Os sentidos, segundo Parmênides, não são seguros para conhecermos algo, apenas a razão, pois ela possui princípios que contrastam com a percepção sensorial. [C] Incorreta. O ser, para Parmênides, é imutável, imóvel, e a razão pode afirmá-lo via linguagem, embora contradiga ao que experimentamos via sensação. [D] Incorreta. Por obedecer aos princípios de identidade e contradição – ou não contradição –, a razão consegue apenas expressar o ser, e este é imutável, imóvel, eterno, perfeito, segundo Parmênides. [E] Incorreta. A razão só consegue expressar, segundo Parmênides, o que é, ou seja, o ser; ela não consegue tratar do não ser, que é identificado com a realidade sensível, contraditória com os princípios racionais, por sofrer mudanças e ser móvel. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [D] A partir da leitura do texto e dos conhecimentos acerca do processo de passagem do mito ao logos, o aluno deve identificar que o surgimento da filosofia está relacionado ao desenvolvimento da pólis grega, que envolveu uma experiência política muito ligada à argumentação racional e ao debate público. Essa nova perspectiva política que surge, leva à uma ruptura com os modos de pensar e interpretar o mundo, colocando em crise as representações míticas, tal como afirma o item [D]. RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [A] A única alternativa que apresenta uma afirmação incorreta é a letra [A], haja vista que o mythos pode ser pensado na medida em que é uma forma de interpretar e explicar a realidade, na tentativa de compreendê-la. O mythos, entretanto, é uma narrativa que não se submete à prova, muitas vezes se fundamentando na autoridade de quem narra ou nas tradições de determinado grupo social. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [A] Para Heráclito, o universo é marcado pela transformação ou mudança constante, ou seja, pelo devir. Assim, a realidade seria um fluxo permanente de mudanças, pensamento expresso na sua famosa frase “é impossível entrar no mesmo rio duas vezes”, pois, uma vez que a realidade está em constante mudança, nem o rio seria o mesmo, nem o indivíduo permaneceria igual ao que era. Nessa perspectiva, a ideia do devir concebida por Heráclito para explicar as mudanças incorpora a ideia de movimento na descrição da realidade. 12 RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [A] O pensamento filosófico de Demócrito, como descrito no texto, caracteriza-se pela interpretação da natureza das coisas a partir de leis mecânicas. Para ele, todas as coisas seriam compostas por unidades indestrutíveis e indivisíveis, combinadas entre si, em quantidade infinita. Por essa concepção, que descreve uma porção mínima da matéria, atribui-se a Demócrito a formulação do conceito de átomo, sendo a descrição feita por ele bastante próxima do modelo moderno de átomo. RESPOSTA DA QUESTÃO 07: [C] A investigação filosófica cosmológica, tratada no texto, é característica do período conhecido como pré-socrático, uma vez que nesse contexto a cosmologia era o principal objeto de reflexão dos filósofos. Os filósofos pré-socráticos buscavam formular explicações acerca da origem (arche) de todas as coisas, da natureza (physis) e dos fenômenos naturais a partir do uso da razão, não mais fazendo uso das narrativas míticas que até então predominavam. Por formularem juízos sobre o universo e sobre as leis que explicam seu funcionamento, essa filosofia é conhecida como cosmológica. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [B] Para Parmênides, a verdade se confunde com o pensamento, sendo o ser aquilo que pode ser pensado, ou seja, o pensamento se identifica com o ser. A concepção de ser proposta por Parmênides, por sua vez, é a de um ser uno, imutável e, portanto, imóvel. Assim, tudo que é e que pode ser pensado, é imóvel e eterno. Com efeito, o movimento seria apenas ilusório, pois seria contrário a essência do ser, estando a proposição correta contida na alternativa [B]. A questão apresenta o conteúdo de uma maneira pouco reflexiva, o que requer do aluno um conhecimento memorialístico pouco eficiente do ponto de vista avaliativo. RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [D] O pensamento mítico é um modelo de paradigma acerca da existência humana e do mundo, ou seja, é uma forma de explicação e interpretação da realidade que cerca os indivíduos. Nas sociedades contemporâneas, nas quais predominam modelos de paradigmas científicos, baseados na racionalidade, o pensamento mítico perde espaço como fonte de explicações sobre a realidade humana, passando por um reducionismo. No entanto, o mito ainda se faz presente nas mentalidades contemporâneas, sobretudo nas imagens e padrões de comportamento representados pelas mídias através de personagens de heróis, que possuem grande popularidade nos dias atuais. Assim, percebe-se que a figura dos heróis representa, na atualidade, uma releitura dos mitos adaptada à época e à cultura contemporâneas, configurando uma forma de interpretação da realidade em que os indivíduos representam a si mesmos e o mundo que os cerca. 13 RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [D] O mito pode ser entendido, de acordo com a ideia expressa no texto, como uma forma de explicação e interpretação da realidade e dos acontecimentos, a partir de uma narrativa baseada no sobrenatural. No entanto, a narrativa mítica, ao contrário do que muitas vezes é pensado pelo senso comum, não existe desprovida de lógica e desvinculada de qualquer relação com a realidade, mas como uma representação vinculada à sociedade que a produziu, de modo que faça sentido para os indivíduos que a compõem. Nesse sentido, os mitos devem ser considerados em sua importância como modos de representação da realidade, uma vez que expressam a significação que os indivíduos atribuem a sua existência e ao mundo que os cerca. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [A] Para Heráclito, a existência do universo é marcada pelo “devir”, ou seja, pela permanente transformação. Assim, tudo o que existe está em um fluxo constante de mudança, de modo que nada permanece igual a si mesmo. Esse fluxo de mudança se daria, segundo Heráclito, a partir da força dos opostos, uma vez que a concepção da realidade de Heráclito é dialética, de modo que tudo que existe é o “vir-a-ser” de todas as coisas, que existem a partir da “unidade dos contrários”. O aluno deve identificar que o texto, ao identificar Deus como “dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, abundância e fome”, faz referência à essa dialética de todos os seres existentes. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [E] Demócrito é considerado um dos pensadores pré-socráticos, que, em linhas gerais, buscavam compreender a natureza e sua origem. Para ele, a origem das coisas está no átomo, o menor e indivisível elemento dos entes. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [C] Tomandoo texto como base, o aluno deve identificar a alternativa [C] como correta, pois o pensamento filosófico característico do período conhecido como pré-socrático é marcado pela tentativa de interpretar os fenômenos naturais do mundo, a partir da observação e da empiria. Devido a esse enfoque da filosofia pré- socrática, esse período é denominado de naturalista. RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [C] O grupo ao qual Protágoras é associado é o dos sofistas, que consideravam não existir verdade absoluta, mas uma diversidade de pontos de vista acerca da verdade, ou seja, existiriam apenas verdades relativas. RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [E] Como apontado pelo texto, o pensamento filosófico, originado na Grécia Antiga, encontra suas raízes na mudança de perspectiva da interpretação da realidade e dos fenômenos do mundo sensível, que passa da fabulação mítica para o pensamento racional. Nesse sentido, a realidade passa a ser identificada como razão, sendo a racionalidade a forma necessária para entendê-la e expressá-la. 14 RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [D] O mito nos dias atuais, como indicado pelo texto, perdeu o sentido tal como ele era construído no passado, que consistia na construção de um sentido para a existência a partir de referenciais universais, perdendo, assim, o aspecto existencial amplo e assumindo os referenciais da Indústria Cultural, que são associados, muitas vezes, a indivíduos aos quais se atribuem características extraordinárias. Como essa atribuição é ilusória, a comparação da mídia como construtora de figuras míticas na contemporaneidade com a caverna de Platão, que também apresenta uma ideia ilusória da realidade, é justificada, sendo a alternativa [D] a que expressa corretamente essa perspectiva RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [A] Pode-se dizer que os pré-socráticos tinham em comum uma preocupação em compreender os fenômenos naturais ou cosmológicos, desenvolvendo reflexões sobre a natureza e sobre as coisas. RESPOSTA DA QUESTÃO 18: [C] Heráclito e Parmênides apresentam visões opostas sobre uma mesma questão: “o que é o ser?”. Enquanto o primeiro defende a volatilidade, o segundo afirma a imutabilidade. Tal questionamento ontológico é a base das discussões pré-socráticas, ainda que as respostas para essa pergunta sejam diversas. RESPOSTA DA QUESTÃO 19: [E] Para responder à questão, o aluno deve compreender a função explicativa da realidade que o mito possui. Ao possibilitar uma interpretação acerca do mundo e dos indivíduos, o mito atribui também um sentido a essas interpretações. Um outro elemento característico do mito, destacado pelo texto, é a autoridade da narrativa em si mesma e de quem narra, de modo que a revelação apresentada pelo mito não questionada. A partir dessas considerações, a alternativa [E] é a que apresenta a resposta correta. RESPOSTA DA QUESTÃO 20: [E] Ao pensar a forma que o mito adquire nas sociedades contemporâneas, como apontado pelo texto e pelo enunciado da questão, o aluno deve perceber que as explicações míticas são potencializadas pelo poder midiático, que dispõe de uma linguagem facilmente assimilável. Entretanto, diferente do mito nas sociedades antigas, o mito contemporâneo não exerce mais o papel de explicação do mundo e da realidade, uma vez que esse “lugar” foi ocupado pela ciência, estando mais ligado, como apontado pela alternativa [E], ao desenvolvimento do homem no seu cotidiano. RESPOSTA DA QUESTÃO 21: [C] Como apontado pela alternativa [C], o processo que envolveu o desenvolvimento da filosofia entre os gregos envolveu a mudança do critério de verdade mítico, baseado na fé e na autoridade narrativa, para o critério da razão, fundamento da prática filosófica iniciada a partir de então. RESPOSTA DA QUESTÃO 22: [C] Pode-se dizer que a filosofia grega, em seu início, esteve preocupada com a origem das coisas, em especial da natureza. É essa uma das características que Nietzsche diagnostica e que está bem destacada na afirmativa [C]. 15 RESPOSTA DA QUESTÃO 23: [A] Os filósofos Pré-socráticos eram conhecidos como os pensadores da “physis” (natureza), pois tentavam encontrar na própria realidade o “arché” (princípio) que lhes permitisse formular explicações pela qual pudessem compreender a mutabilidade observada na realidade. Assim para alguns destes pensadores a natureza é um fluxo constante que esta sempre em transformação. Assim como na música de Lulu Santos a mutabilidade, a transformação, o fluxo se expressa nas passagens: “Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia [...]” e “Tudo que se vê não é/ Igual ao que a gente/ Viu há um segundo/ Tudo muda o tempo todo/ No mundo [...]”. Filósofos que corroboram estas teses são: Tales de Mileto que afirmava que a água era o princípio da realidade, pois estava em constante fluxo; Anaxímenes que afirmava que o ar era o princípio vital, pois estava em constante movimento; e Heráclito que colocava o fogo como elemento central, pois ele representava transformação constante de realidade. Em relação às demais as concepções expressas nas alternativas restantes: a estática era defendida por Zenão: a infinitude era defendida por Anaximandro, a desordem era defendida por Empédocles e a multiplicidade era defendida por Empédocles. Estas concepções não se relacionavam com o conceito de mutabilidade. 16 FILOSOFIA ANTIGA – SÓCRATES QUESTÃO 01 (Ufu 2017) A respeito do método de Sócrates, assinale a alternativa que apresenta a definição correta de maiêutica. A) Um método sintético, que ignora a argumentação dos interlocutores e prontamente define o que é o objeto em discussão. B) Uma estratégia sofística, que é empregada para educar a juventude na prática da retórica, visando apenas ao ornamento do discurso. C) Um método analítico, que interroga a respeito daquilo que é tido como a verdadeira justiça, o verdadeiro belo, o verdadeiro bem. D) Uma iluminação divina, que deposita na mente do filósofo o conhecimento profundo das coisas da natureza. QUESTÃO 02 (Upe-ssa 1 2017) O exemplo dos filósofos gregos nos deixou uma grande lição: nunca se conformar com as estruturas existentes como se fossem as únicas possíveis. Quem quer ser criativo no seu momento histórico deve refletir atenta e criticamente: é preciso filosofar. Filosofar é preciso para participar criativamente da luta pela humanização. CORDI, Cassiano e Outros. Para Filosofar, 2000, p. 18. No tocante ao pensamento grego, assinale a alternativa CORRETA. A) No pensamento grego, o diálogo foi o exercício da filosofia de Sócrates para expandir um projeto de humanização. B) No pensamento grego, a busca pelo bem na vida em sociedade estaria dissociada da criticidade. C) Filosofar é refletir as estruturas existentes; o bem e a verdade seriam separáveis do ato de humanização. D) No pensamento grego, o conhecimento deve estar atrelado às impressões sensoriais; ser criativo é permanecer na esfera da opinião. E) A dimensão relacional entre o conceito e a realidade tem valor secundário na esfera crítica da filosofia. 17 QUESTÃO 03 (UCS 2017) Sócrates, um dos maiores expoentes da Filosofia, não deixou nada escrito. Foram as obras de Platão, seu principal discípulo, as responsáveis por quase tudo que se sabe sobre suas ideias e sua personalidade. Sócrates foi o primeiro dos três grandes filósofos gregos que estabeleceu as bases do pensamento ocidental (os outros dois foram Platão e Aristóteles). Sócrates nasceu em Atenas, porvolta de 470 a.C., e conduziu a transição do pensamento dos antigos cosmologistas gregos, que viviam refletindo sobre a origem do universo, para preocupações maiores com a ética e a existência humana. <http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem- foi-socrates/>. Acesso em: 27 mar. 17. Sobre os filósofos citados no texto, assinale a alternativa correta. A) Sócrates não concorda com a ação dos sofistas para os quais a verdade dependia de como se falava e convencia-se. Para ele, a prática sofista criava apenas uma aparência de conhecimento (doxa) não recordando a verdade (alétheia). B) Sócrates entende que o homem produz, ou seja, cria a verdade e o conhecimento através do uso da palavra. Daí sua proposta ser conhecida como maiêutica (maieutiké). C) Aristóteles afirma que o ser humano, por ser dotado de sentidos, busca a realização dos prazeres e da felicidade (eudaimonia), ou seja, do Bem, e, para isso, os sentidos têm função fundamental, pois é somente por meio da sensibilidade que o homem pode atingir o Bem. D) Platão acredita que existe um mundo além deste, um mundo metafísico, ao qual deu o nome de Mundo Ideal. Para ele, os sentidos informam a respeito do Mundo Ideal, enquanto que o pensamento revela sobre o Mundo Material. E) Platão mostra uma desvalorização do Mundo Inteligível, colocando-o como secundário em relação ao Mundo Sensível. Para ele, as ideias podem deixar de existir, uma vez que mudanças no mundo Material/Sensível também as afetam. QUESTÃO 04 (Uea 2014) O sofista é um diálogo de Platão do qual participam Sócrates, um estrangeiro e outros personagens. Logo no início do diálogo, Sócrates pergunta ao estrangeiro, a que método ele gostaria de recorrer para definir o que é um sofista. Sócrates: – Mas dize-nos [se] preferes desenvolver toda a tese que queres demonstrar, numa longa exposição ou empregar o método interrogativo? Estrangeiro: – Com um parceiro assim agradável e dócil, Sócrates, o método mais fácil é esse mesmo; com um interlocutor. Do contrário, valeria mais a pena argumentar apenas para si mesmo. (Platão. O sofista, 1970. Adaptado.) É correto afirmar que o interlocutor de Sócrates escolheu, do ponto de vista metodológico, adotar A) a maiêutica, que pressupõe a contraposição dos argumentos. B) a dialética, que une numa síntese final as teses dos contendores. C) o empirismo, que acredita ser possível chegar ao saber por meio dos sentidos. D) o apriorismo, que funda a eficácia da razão humana na prova de existência de Deus. E) o dualismo, que resulta no ceticismo sobre a possibilidade do saber humano. 18 QUESTÃO 05 (Unicamp 2013) A sabedoria de Sócrates, filósofo ateniense que viveu no século V a.C., encontra o seu ponto de partida na afirmação “sei que nada sei”, registrada na obra Apologia de Sócrates. A frase foi uma resposta aos que afirmavam que ele era o mais sábio dos homens. Após interrogar artesãos, políticos e poetas, Sócrates chegou à conclusão de que ele se diferenciava dos demais por reconhecer a sua própria ignorância. O “sei que nada sei” é um ponto de partida para a Filosofia, pois A) aquele que se reconhece como ignorante torna-se mais sábio por querer adquirir conhecimentos. B) é um exercício de humildade diante da cultura dos sábios do passado, uma vez que a função da Filosofia era reproduzir os ensinamentos dos filósofos gregos. C) a dúvida é uma condição para o aprendizado e a Filosofia é o saber que estabelece verdades dogmáticas a partir de métodos rigorosos. D) é uma forma de declarar ignorância e permanecer distante dos problemas concretos, preocupando-se apenas com causas abstratas. QUESTÃO 06 (Ufu 2013) O diálogo socrático de Platão é obra baseada em um sucesso histórico: no fato de Sócrates ministrar os seus ensinamentos sob a forma de perguntas e respostas. Sócrates considerava o diálogo como a forma por excelência do exercício filosófico e o único caminho para chegarmos a alguma verdade legítima. De acordo com a doutrina socrática, A) a busca pela essência do bem está vinculada a uma visão antropocêntrica da filosofia. B) é a natureza, o cosmos, a base firme da especulação filosófica. C) o exame antropológico deriva da impossibilidade do autoconhecimento e é, portanto, de natureza sofística. D) a impossibilidade de responder (aporia) aos dilemas humanos é sanada pelo homem, medida de todas as coisas. 19 QUESTÃO 07 (Ufu 2012) Leia o trecho abaixo, que se encontra na Apologia de Sócrates de Platão e traz algumas das concepções filosóficas defendidas pelo seu mestre. Com efeito, senhores, temer a morte é o mesmo que se supor sábio quem não o é, porque é supor que sabe o que não sabe. Ninguém sabe o que é a morte, nem se, porventura, será para o homem o maior dos bens; todos a temem, como se soubessem ser ela o maior dos males. A ignorância mais condenável não é essa de supor saber o que não se sabe? Platão, A Apologia de Sócrates, 29 a-b, In. HADOT, P. O que é a Filosofia Antiga? São Paulo: Ed. Loyola, 1999, p. 61. Com base no trecho acima e na filosofia de Sócrates, assinale a alternativa INCORRETA. A) Sócrates prefere a morte a ter que renunciar a sua missão, qual seja: buscar, por meio da filosofia, a verdade, para além da mera aparência do saber. B) Sócrates leva o seu interlocutor a examinar- se, fazendo-o tomar consciência das contradições que traz consigo. C) Para Sócrates, pior do que a morte é admitir aos outros que nada se sabe. Deve-se evitar a ignorância a todo custo, ainda que defendendo uma opinião não devidamente examinada. D) Para Sócrates, o verdadeiro sábio é aquele que, colocado diante da própria ignorância, admite que nada sabe. Admitir o não-saber, quando não se sabe, define o sábio, segundo a concepção socrática. QUESTÃO 08 (Unicentro 2012) Sobre o pensamento socrático, analise as afirmativas e marque com V, as verdadeiras e com F, as falsas. ( ) Sócrates é autor da obra Ética a Nicômaco. ( ) O pensamento socrático está escrito em hebraico. ( ) A ironia e a maiêutica são as bases de sua filosofia. ( ) Sócrates não criticou o saber dogmático, sendo, por isso, conselheiro dos governantes de Atenas. ( ) Os diálogos platônicos são importantes textos filosóficos que relatam, na maioria, o pensamento de Sócrates. A partir da análise dessas afirmativas, a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é a A) F V F V V B) V F V V F C) F F V F V D) V F F F V E) F V V V F 20 QUESTÃO 09 (Uncisal 2011) Na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates ficou famoso por interpelar os transeuntes e fazer perguntas aos que se achavam conhecedores de determinado assunto. Mas durante o diálogo, Sócrates colocava o interlocutor em situação delicada, levando-o a reconhecer sua própria ignorância. Em virtude de sua atuação, Sócrates acabou sendo condenado à morte sob a acusação de corromper a juventude, desobedecer às leis da cidade e desrespeitar certos valores religiosos. Considerando essas informações sobre a vida de Sócrates, assim como a forma pela qual seu pensamento foi transmitido, pode-se afirmar que sua filosofia A) transmitia conhecimentos de natureza científica. B) baseava-se em uma contemplação passiva da realidade. C) transmitia conhecimentos exclusivamente sob a forma escrita entre a população ateniense. D) ficou consagrada sob a forma de diálogos, posteriormente redigidos pelo filósofo Platão. E) procurava transmitir às pessoas conhecimentos de naturezamitológica. QUESTÃO 10 (Unimontesl 2011) Lembremos a figura de Sócrates. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, exercia estranho fascínio. Podemos atribuir a Sócrates duas maneiras de se chegar ao conhecimento. Essas duas maneiras são denominadas de A) doxa e ironia. B) ironia e maiêutica. C) maiêutica e doxa. D) maiêutica e episteme. QUESTÃO 11 (Unicentro 2010) Após as primeiras discussões dos filósofos “pré-socráticos” no século VI a.C. (período cosmológico), surge outro movimento muito importante na história da filosofia. Passa a ser abordado uma nova modalidade de problemas e discussões (período antropológico), e assim teremos não só as figuras principais do novo cenário da filosofia grega, mas de toda a história da razão ocidental: Sócrates, Platão e Aristóteles. Com Sócrates, a filosofia ganha uma nova “roupagem”. Sócrates viveu em Atenas no momento de apogeu da cultura grega, o chamado período clássico (séculos V e IV a.C.), fase de grande expressão na política, nas artes, na literatura e na filosofia. O que há de mais forte na filosofia de Sócrates é o seu método e a maneira pela qual ele buscava discutir os problemas relacionados à filosofia. A partir desta informação, e de seus conhecimentos sobre a filosofia socrática, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas. I. Sócrates sempre buscava pessoas em praça pública para dialogar e questionar sobre a realidade de seu tempo. II. A célebre frase de Sócrates, que caracterizava parte de seu método é: “só sei que nada sei”, por isso questionava as ideias de seus interlocutores. III. Sócrates oferecia grande importância às experiências sensíveis, o que caracterizou fortemente o seu método filosófico. IV. Para fazer com que os seus interlocutores enxergassem a verdade por si próprios, Sócrates elaborou um método composto de duas partes centrais: a ironia e a maiêutica. A) Apenas I e II estão corretas. B) Apenas I, II e IV estão corretas. C) Apenas III e IV estão corretas. D) Apenas I, II e III estão corretas. E) Apenas I e IV estão corretas. 21 QUESTÃO 12 (Ueg 2010) A Grécia foi o berço da filosofia, destacando- se pela presença dos filósofos que pensaram o mundo em que viveram utilizando a ferramenta da razão. O período da história grega e o filósofo que afirmou que “só sei que nada sei” foram respectivamente o A) período pós-clássico e Sócrates. B) período helenístico e Platão. C) período clássico e Sócrates. D) período clássico e Platão. QUESTÃO 13 (Ufu 2010) Em um importante trecho da sua obra Metafísica, Aristóteles se refere a Sócrates nos seguintes termos: Sócrates ocupava-se de questões éticas e não da natureza em sua totalidade, mas buscava o universal no âmbito daquelas questões, tendo sido o primeiro a fixar a atenção nas definições. Aristóteles. Metafísica, A6, 987b 1-3. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2002. Com base na filosofia de Sócrates e no trecho supracitado, assinale a alternativa correta. A) O método utilizado por Sócrates consistia em um exercício dialético, cujo objetivo era livrar o seu interlocutor do erro e do preconceito − com o prévio reconhecimento da própria ignorância −, e levá-lo a formular conceitos de validade universal (definições). B) Sócrates era, na verdade, um filósofo da natureza. Para ele, a investigação filosófica é a busca pela “Arché”, pelo princípio supremo do Cosmos. Por isso, o método socrático era idêntico aos utilizados pelos filósofos que o antecederam (Pré-socráticos). C) O método socrático era empregado simplesmente para ridicularizar os homens, colocando-os diante da própria ignorância. Para Sócrates, conceitos universais são inatingíveis para o homem; por isso, para ele, as definições são sempre relativas e subjetivas, algo que ele confirmou com a máxima “o Homem é a medida de todas as coisas”. D) Sócrates desejava melhorar os seus concidadãos por meio da investigação filosófica. Para ele, isso implica não buscar “o que é”, mas aperfeiçoar “o que parece ser”. Por isso, diz o filósofo, o fundamento da vida moral é, em última instância, o egoísmo, ou seja, o que é o bem para o indivíduo num dado momento de sua existência. 22 QUESTÃO 14 (Unioeste 2010) O Oráculo de Delfos teria declarado que Sócrates (470-399 a.C.) era o mais sábio dos homens. Essa profecia marcou decisivamente a concepção socrática de Filosofia, pois sua verdade não era óbvia: “Logo ele, sem qualquer especialização, ele que estava ciente de sua ignorância? Logo ele, numa cidade [Atenas] repleta de artistas, oradores, políticos, artesãos? Sócrates parece ter meditado bastante tempo, buscando o significado das palavras da pitonisa. Afinal concluiu que sua sabedoria só poderia ser aquela de saber que nada sabia, essa consciência da ignorância sobre as coisas que era sinal e começo da autoconsciência.” (J. A. M. Pessanha) Sobre a filosofia de Sócrates, é incorreto afirmar que A) a filosofia de Sócrates consiste em buscar a verdade, aceitando as opiniões contraditórias dos homens; quanto mais importante era a posição social de um homem, mais verdadeira era sua opinião. B) a sabedoria de Sócrates está em saber que nada sabe, enquanto os homens em geral estão impregnados de preconceitos e noções incorretas, e não se dão conta disso. C) o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo para a sabedoria, pois, assim, podemos nos livrar dos preconceitos e abrir caminho para a verdade. D) após muito questionar os valores e as certezas vigentes, Sócrates foi acusado de não respeitar os deuses oficiais (impiedade) e corromper a juventude; foi julgado e condenado à morte por ingestão de cicuta. E) o caminho socrático para a sabedoria deve ser trilhado pelo próprio indivíduo, que deve por ele mesmo reconhecer seus preconceitos e opiniões, rejeitá-los e, através da razão, atingir a verdade imutável. QUESTÃO 15 (Ufu 2009) Marque a alternativa que expressa corretamente o pensamento de Sócrates. A) Sócrates estabelece uma ligação muito estreita entre o conhecimento da virtude e a ação humana, a ponto de sustentar que aquele que conhece o que é o correto não pode agir erroneamente, visto que o erro de conduta é fruto da ignorância sobre a verdade. B) O fim último do método dialético socrático era a refutação do seu interlocutor. Assim sendo, é legítimo afirmar que o reconhecimento da própria ignorância equivale à constatação de que a verdade é relativa a cada indivíduo. C) Sócrates é considerado um divisor de águas na Filosofia graças a sua teoria ética sobre a imobilidade do Ser. Por isso, sua missão sempre foi a investigação de um fundamento absoluto da moral. D) Sócrates fazia uso de um método refutativo de investigação, o que significa que seu principal intento era levar o interlocutor à contradição, independentemente se o último estivesse ou não com a razão. 23 QUESTÃO 16 (Enem PPL 2009) Tomemos o exemplo de Sócrates: é precisamente ele quem interpela as pessoas na rua, os jovens no ginásio, perguntando: “Tu te ocupas de ti?” O deus o encarregou disso, é sua missão, e ele não a abandonará, mesmo no momento em que for ameaçado de morte. Ele é certamente o homem que cuida do cuidado dos outros: esta é a posição particular do filósofo. FOUCAULT, M. Ditos e escritos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. O fragmento evoca o seguinte princípio moral da filosofia socrática, presente em sua ação dialógica: A) Examinar a própria vida. B) Ironizar o seu oponente. C) Sofismar com a verdade. D) Debater visandoa aporia. E) Desprezar a virtude alheia. QUESTÃO 17 (Uel 2018) Sócrates, Giordano Bruno e Galileu foram pensadores que defenderam a liberdade de pensamento frente às restrições impostas pela tradição. Na Apologia de Sócrates, a acusação contra o filósofo é assim enunciada: Sócrates [...] é culpado de corromper os moços e não acreditar nos deuses que a cidade admite, além de aceitar divindades novas (24b- c). Ao final do escrito de Platão, Sócrates diz aos juízes: Mas, está na hora de nos irmos: eu, para morrer; vós, para viver. A quem tocou a melhor parte, é o que nenhum de nós pode saber, exceto a divindade. (42a). (PLATÃO. Apologia de Sócrates. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2001. p. 122-23; 147.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a disputa entre filosofia e tradição presente na condenação de Sócrates, assinale a alternativa correta. A) O desprezo socrático pela vida, implícito na resignação à sua pena, é reforçado pelo reconhecimento da soberania do poder dos juízes. B) A aceitação do veredito dos juízes que o condenaram à morte evidencia que Sócrates consentiu com os argumentos dos acusadores. C) A acusação a Sócrates pauta-se na identificação da insuficiência dos seus argumentos, e a corrupção que provoca resulta das contradições do seu pensamento. D) A crítica de Sócrates à tradição sustenta-se no repúdio às instituições que devem ser abandonadas em benefício da liberdade de pensamento. E) A sentença de morte foi aceita por Sócrates porque morrer não é um mal em si e o livre pensar permite apreender essa verdade. QUESTÃO 18 (Upe-ssa 2 2017) Sobre Filosofia e Reflexão, considere o texto a seguir: Sobre a Filosofia e Reflexão Exprimir-se-á bem a ideia de que a filosofia é procura e não posse, definindo o trabalho filosófico como um trabalho de reflexão. O modelo de reflexão filosófica – e ao mesmo tempo seu exemplo mais acessível – é a “ironia” socrática. HUISMAN, Denis; VERGEZ, André. Compêndio Moderno de Filosofia, 1987, p. 25. O autor acima enfatiza o exemplo sobre Filosofia e Reflexão: 24 A) no ato de interrogar os interlocutores, Sócrates expressava sua atitude reflexiva. B) a reflexão filosófica se inicia na consciência e na posse do saber. C) a reflexão filosófica nos faz refletir ao ensinar sua opinião com certeza irrefutável. D) na reflexão filosófica, Sócrates expressava sua opinião como verdadeira. E) ao perguntar, Sócrates delimitava o modelo e a posse da sabedoria. QUESTÃO 19 (Enem 2017) Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. E sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação. BRÉHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977. O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na A) contemplação da tradição mítica. B) sustentação do método dialético. C) relativização do saber verdadeiro. D) valorização da argumentação retórica. E) investigação dos fundamentos da natureza. QUESTÃO 20 (Upe-ssa 2 2017) Sobre a temática da Filosofia na História, analise o texto a seguir: Há, pois, uma inseparável conexão entre filosofia e história da filosofia. A filosofia é histórica, e sua história lhe pertence essencialmente. E, por outra parte, a história da filosofia não é uma mera informação erudita acerca das opiniões dos filósofos. Senão que é a exposição verdadeira do conteúdo real da filosofia. É, pois, com todo rigor, filosofia. A filosofia não se esgota em nenhum de seus sistemas, senão que consiste na história efetiva de todos eles. MARIAS, Julián. Historia de la Filosofia. Madrid, 1956, p. 5. Assim, é CORRETO afirmar que, na tradição histórica da filosofia, A) o racionalismo e o empirismo têm estritas relações com a solução integral do problema da vida na religião. B) os naturalistas pré-socráticos se preocuparam exclusivamente com a subjetividade e a matéria religiosa. C) o famoso lema “conhece-te a ti mesmo – torna-te consciente de tua ignorância” caracterizou o pensamento filosófico de Sócrates. D) o período da filosofia moderna é conhecido por se preocupar com as verdades reveladas. E) o período medieval teve como preocupação central a singularidade em relação ao sujeito do conhecimento. 25 QUESTÃO 21 (PUC PR 2017) Na primeira parte da Apologia de Sócrates, escrita por Platão, Sócrates apresenta a sua defesa diante dos cidadãos atenienses, afirmando que: “(...) considerai o seguinte e só prestai atenção a isto: se o que digo é justo ou não. Essa de fato é a virtude do juiz, do orador (...)” (PLATÃO, 2000\2003, p.4). A partir da análise do fragmento, qual é, segundo Sócrates, a virtude do juiz, do orador, a que se refere o texto em questão? A) Lidar com a mentira. B) Dizer a verdade. C) Tergiversar a verdade. D) Convencer-se das acusações. E) É deixar-se guiar somente pela defesa. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [C] Para Sócrates, a prática da maiêutica consistia na busca pela verdade através do diálogo, em forma de perguntas. Para se chegar à verdadeira compreensão sobre qualquer coisa, o primeiro passo seria o reconhecimento da própria ignorância sobre aquilo que se deseja refletir, sendo o conhecimento verdadeiro construído a partir de perguntas e respostas. A maiêutica, então, seria um método analítico baseado na investigação de conceitos tradicionalmente aceitos como verdadeiros, à exemplo da justiça, do belo e do bem. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [A] Para Sócrates, o diálogo era o caminho racional para se chegar ao conhecimento da verdade, livrando os indivíduos dos males e inconsistências que caracterizavam a existência comum, uma vez que levaria à moralidade e à elevação da “alma” humana. Nesse sentido, o projeto de humanização proporcionada pela filosofia, na perspectiva socrática, passa pelo diálogo filosófico. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [A] Segundo Sócrates, a ideia é o princípio da realidade, sendo ela universal, conceitual e abstrata, o que a tornaria também única e imutável, enquanto a materialidade seria aparente, ou seja, seria uma “sombra” ilusória da sua verdadeira essência. Desse modo, o pensamento socrático considera que a opinião é individual e relativa, enquanto os conceitos são universais, ou seja, são válidos em qualquer situação. Esse pensamento vai de encontro ao posicionamento dos sofistas, para os quais não existiria nenhuma verdade absoluta, não sendo possível conhecer nada com certeza. Assim, para eles, a retórica assumia uma importância fundamental nos debates. RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [A] Platão, influenciado fortemente por Sócrates, apresenta em seus diálogos a metodologia de seu mestre para empreender a busca da verdade. O método socrático constrói- se a partir de perguntas e respostas (dialética) que levam o interlocutor, que não possua conhecimento e coerência sobre o que está falando, a contradizer-se e acabar por revelar sua ignorância. A partir deste momento inicia- se outra construção que conduz o interlocutor a descobrir a verdade de forma gradativa e coerente. Este método que busca a construção da verdade por meio da contraposição de argumentos é conhecido como maiêutica. 26 RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [A] Primeiramente, o ponto de partida da filosofia socrática não é a afirmação“sei que nada sei”, mas sim a palavra do oráculo de Delfos (dedicado a Apolo) que afirmou para Sócrates ser ele o homem mais sábio de todos. Sócrates não duvidou da palavra do Deus e partiu em busca da compreensão das palavras divinas. Interrogando outras pessoas, Sócrates percebeu que apesar de ele não possuir conhecimento sobre as coisas, possuía conhecimento sobre sua própria ignorância, algo que todos os outros homens não possuíam. A ignorância sobre o que significava a palavra divina o fez ir atrás do conhecimento sobre si mesmo. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [A] É um tanto complicado dizer que Sócrates ministrava aulas com a finalidade de transmissão dos seus conhecimentos, pois como é sabido o filósofo se gabava de ser um parteiro de ideias (cf. Teeteto). Isso nos leva necessariamente à consideração de que o conhecimento era do interlocutor e o seu trabalho consistia em fazer isto ser concebido. Esta afirmação: “a busca pela essência do bem está vinculada a uma visão antropocêntrica da filosofia”, necessita de referência precisa, pois há uma mistura de termos antigos e modernos que cria um anacronismo inaceitável. Todavia, até onde conseguimos percebemos, a intenção da alternativa é ressaltar que os pré- socráticos mantinham pesquisas preocupadas com o conhecimento da natureza, enquanto Sócrates possuía como grande tema o conhecimento de si. Essa noção é parcialmente verdadeira, pois nem os pré-socráticos eram simplesmente preocupados com o “mundo objetivo”, nem Sócrates era simplesmente preocupado com o “mundo subjetivo”. A natureza, o cosmos, possui enorme importância para a filosofia desenvolvida por Platão; podemos observar isso na leitura da República (Livro VI, por exemplo). RESPOSTA DA QUESTÃO 07: [C] O lema da filosofia socrática é: conheça-te a ti mesmo; e como o próprio Sócrates diz na sua Apologia: “a vida sem inspeção não vale a pena ser vivida pelo homem”. Seguindo esse lema e essas palavras, podemos dizer que o pensamento de Sócrates se desenvolve como uma investigação metódica cuja única finalidade é esclarecer através deste exame minucioso a ignorância daquele que diz saber sem, todavia, saber realmente. O segredo dessa investigação metódica (a dialética) de Sócrates está no conceito de ironia que garante para cada interlocutor um discurso particular a respeito das suas suposições sobre seu próprio conhecimento. Por esse discurso, o filósofo esclarece seu interlocutor sobre sua ignorância e o faz assumir, ou pelo menos considerar a possibilidade de uma postura distinta da inicial, mais elevada, mais sábia e, portanto, capaz de se reconhecer a si mesmo. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [C] A sequência correta está apresentada na alternativa [C]. Quem escreveu Ética a Nicômaco foi Aristóteles e não Sócrates. O pensamento socrático está escrito em grego, língua dos filósofos do período. Sócrates criticou sim o saber dogmático. Ele o fez através da sua prática de indagar as pessoas a respeito de suas certezas. Sendo assim, as afirmativas falsas são a primeira, a segunda e a quarta. RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [D] O método socrático de interpelar seus interlocutores cria um diálogo que os conduzirá ao “parto das ideias” (maiêutica). Sendo assim, somente a alternativa [D] está correta. 27 RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [B] O método socrático em busca da verdade constituía-se de duas fases. Em um primeiro momento (ironia), Sócrates questionava seu interlocutor a fim de fazê-lo cair em contradição e fazê-lo perceber a limitação de seus pré- conceitos. No segundo momento (maiêutica), Sócrates procurava induzir o interlocutor ao conhecimento mediante o parto de novos conceitos, que seriam estes sim verdadeiros. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [B] Questão muito bem formulada. O método socrático tem como objetivo que seus interlocutores cheguem à maiêutica, ou seja, ao “parto das ideias”. Para isso, Sócrates parte da ironia, para que os interlocutores tomem conta da falsidade de suas crenças. Tal método era utilizado por Sócrates em praça pública, como bem afirma a assertiva I. Sendo assim, podemos dizer que todas as assertivas estão corretas, com exceção da III. Sócrates atenta para o perigo das ideias sensíveis. Isso pode ser percebido no “Mito da Caverna”, onde Sócrates, discutindo com Glauco, afirma que os objetos conhecidos pelos homens podem ser, na realidade, sombras de objetos reais. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [C] Somente a alternativa C é correta. A frase é de Sócrates, um pensador do período clássico grego. A afirmação “só sei que nada sei” relaciona-se com a aporia do método socrático, que é o momento no qual o interlocutor se dá conta de sua ignorância. Para Sócrates, este autoconhecimento era essencial para a construção do conhecimento. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [A] O método dialético de Sócrates levava, em linhas gerais, seus interlocutores a darem conta de si mesmos a ponto de muitas vezes Sócrates fingir acolher como próprios os métodos do interlocutor, especialmente quando eram homens de cultura para assim, derrubá-los com a mesma lógica que lhes oferecia a fim de agarrá-los em contradição. Reconhecendo-se sempre ignorante – “só sei que nada sei” – fazia-se uma espécie de parteiro das almas trazendo sempre à luz aquilo que seus interlocutores não sabiam. RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [A] A alternativa [A] contraria todas as outras. A verdade em nada se relaciona com a importância de determinados homens. Para os homens se tornarem sábios, devem trilhar o caminho da filosofia, perceber a contradição de suas ideias e passar a buscar a verdade. RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [A] O objetivo do pensamento socrático é conduzir o interlocutor à verdade, e não somente refutá-lo ou fazê-lo chegar à consciência da própria ignorância. A ideia de imobilidade do Ser é de Parmênides, e não de Sócrates. Sendo assim, somente a alternativa [A] é correta. RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [A] O cuidado de si está vinculado ao princípio da moral socrática de exame da própria vida, expresso na alternativa [A]. 28 RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [E] De acordo com a filosofia socrática, a vida no mundo sensível afasta a alma do conhecimento verdadeiro e imutável, apenas disponíveis no mundo das ideias puras. Para Sócrates, os filósofos estão preparados para o processo da morte, pois desejam atingir o conhecimento na sua forma pura, o que só seria possível a partir do afastamento do mundo material, ideia presente na alternativa [E]. RESPOSTA DA QUESTÃO 18: [A] Ao identificar a prática filosófica como o processo de busca pelo conhecimento através da atividade reflexiva, o autor do texto enfatiza o método socrático da “ironia” como um modelo fundamental dessa perspectiva da prática filosófica, uma vez que esse método consistia na indução da reflexão a partir de questionamentos direcionados aos interlocutores. RESPOSTA DA QUESTÃO 19: [B] O método socrático é também conhecido como método dialético. Fazendo perguntas a seu interlocutor, Sócrates tinha a intenção que de que este chegasse a um estado de aporia, para depois poder gerar às suas próprias ideias das coisas. RESPOSTA DA QUESTÃO 20: [C] O aluno deve identificar que apenas a alternativa [C] apresenta uma informação correta, a partir do conhecimento acerca da filosofia socrática, cujos fundamentos do autoconhecimento e do reconhecimento da própria ignorância como condições para a obtenção do verdadeiro conhecimento são centrais RESPOSTA DA QUESTÃO 21: [B] Para Sócrates, a ação virtuosa tem como pressuposto a consciência do agente moral. Ou seja, é virtuoso e ético o indivíduo que conhece a origem de suas ações e da finalidade das mesmas. Assim, aquele que conhece o que é bom e justo, só pode agir virtuosamente. Nessesentido, a virtude do juiz seria, segundo Sócrates, avaliar se o que está sendo defendido é justo ou não, dizendo, a partir dessa percepção, a verdade. 29 FILOSOFIA ANTIGA – PLATÃO QUESTÃO 01 (Uepa 2015) Leia o texto para responder à questão. Platão: A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente. (Citado por: CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17) Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à: A) oligarquia. B) república. C) democracia. D) monarquia. E) plutocracia. QUESTÃO 02 (Uece 2019) Atente para as seguintes citações: “Temos assim três virtudes que foram descobertas na nossa cidade: sabedoria, coragem e moderação para os chefes; coragem e moderação para os guardas; moderação para o povo. No que diz respeito à quarta, pela qual esta cidade também participa na virtude, que poderá ser? É evidente que é a justiça” (Platão, Rep., 432b). “O princípio que de entrada estabelecemos que se devia observar em todas as circunstâncias quando fundamos a cidade, esse princípio é, segundo me parece, ou ele ou uma de suas formas, a justiça. Ora, nós estabelecemos, segundo suponho, e repetimo- lo muitas vezes, se bem te lembras, que cada um deve ocupar-se de uma função na cidade, aquela para a qual a sua natureza é mais adequada” (Platão, Rep., 433a). Considerando a teoria platônica das virtudes, escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir: ( ) Nessa teoria das virtudes, cada grupo desenvolve a(s) virtude(s) que lhe é (ou são) própria(s). ( ) Só pode ser justa a cidade em que os grupos que dela participam e nela agem o fazem de acordo com sua natureza. ( ) Quando sabedoria, coragem e moderação se realizam de modo adequado, temos a justiça. ( ) Existe uma relação entre a natureza dos indivíduos, o grupo de que devem fazer parte na cidade, as virtudes que lhes são adequadas e, em consequência, a função que nela devem desempenhar. A sequência correta, de cima para baixo, é: A) V, V, V, V. B) V, F, F, V. C) F, F, V, F. D) F, V, F, F. 30 QUESTÃO 03 (Ueg 2019) Considerando a história contada por Platão no livro VII da República, mais conhecida como Mito da Caverna, podemos deduzir que: A) o homem, apesar de nascer bom, puro e de posse da verdade, pode desviar-se e passar a acreditar em outro mundo mais perfeito de puras ideias. B) não podemos confiar apenas na razão, pois somente guiados pelos sentimentos e testemunhos dos sentidos poderemos alcançar a verdade. C) a caverna, na alegoria platônica, representa tudo aquilo que impede o surgimento da consciência filosófica, que possibilitaria uma ascensão para o mundo inteligível. D) a razão deve submeter-se aos testemunhos dos sentidos, pois a verdade que está no mundo inteligível só será atingida mediante a sensibilidade. E) os homens devem se libertar da crença na existência em outro mundo e buscar resolver seus conflitos aprofundando-se em sua interioridade. QUESTÃO 04 (Uel 2019) Leia o texto a seguir: Os melhores de entre nós, quando escutam Homero ou qualquer poeta trágico a imitar um herói que está aflito e se espraia numa extensa tirada cheia de gemidos, ou os que cantam e batem no peito, sabes que gostamos disso, e que nos entregamos a eles, e os seguimos, sofrendo com eles, e com toda seriedade elogiamos o poeta, como sendo bom, por nos ter provocado até o máximo, essas disposições. [...] Mas quando sobrevém a qualquer de nós um luto pessoal, reparaste que nos gabamos do contrário, se formos capazes de nos mantermos tranquilos e de sermos fortes, entendendo que esta atitude é característica de um homem [...]? PLATÃO. A República. 605 d-e. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. 12. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. p. 470. Com base no texto, nos conhecimentos sobre mimesis (imitação) e sobre o pensamento de Platão, assinale a alternativa correta: A) A maneira como Homero constrói seus personagens retratando reações humanas deve ser imitada pelos demais poetas, pois é eticamente aprovada na Cidade Ideal platônica. B) O fato de mostrar as emoções de maneira exagerada em seus personagens faz de Homero e de autores de tragédia excelentes formadores na Cidade Ideal pensada por Platão. C) Reagir como os personagens homéricos e trágicos é digno de elogio, pois Platão considera que a descarga das emoções é benéfica para a formação ética dos cidadãos. D) Poetas como Homero e autores de tragédia provocam emoções de modo exagerado em quem os lê ou assiste, não sendo bons para a formação do cidadão na Cidade Ideal platônica. E) A imitação de Homero e dos trágicos das reações humanas difere da dos pintores, pois, segundo Platão, não estão distantes em graus da essência, por isso podem fazer parte da cidade justa. 31 QUESTÃO 05 (Uece 2019) “Talvez [...] a verdade nada mais seja do que uma certa purificação das paixões e seja, portanto, a temperança, a justiça, a coragem; e a própria sabedoria não seja outra coisa do que esse meio de purificação.” PLATÃO. Fédon, 69b-c, adaptado. Nessa fala de Sócrates, a “purificação” das paixões ocorre na medida em que a alma se afasta do corpo pela “força” da sabedoria. Com base nisso, assinale a afirmação FALSA. A) As virtudes são a eliminação das paixões através da sabedoria. B) Temperança, justiça e coragem resultam da purificação das paixões. C) A sabedoria é a potência da alma pela qual as virtudes se constituem. D) A alma atinge a verdade através da virtude da sabedoria. QUESTÃO 06 (Ufu 2018) Considere o seguinte trecho "No diálogo Mênon, Platão faz Sócrates sustentar que a virtude não pode ser ensinada, consistindo-se em algo que trazemos conosco desde o nascimento, defendendo uma concepção, segundo a qual temos em nós um conhecimento inato que se encontra obscurecido desde que a alma encarnou-se no corpo. O papel da filosofia é fazer-nos recordar deste conhecimento" MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. p. 31. Nesse trecho, o autor descreve o que ficou conhecido como A) a teoria das ideias de Platão. B) a doutrina da reminiscência de Platão. C) a ironia socrática. D) a dialética platônica. QUESTÃO 07 (Uel 2018) Leia o texto a seguir. Eis com efeito em que consiste o proceder corretamente nos caminhos do amor ou por outro se deixar conduzir: em começar do que aqui é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências até que das ciências acabe naquela ciência, que de nada mais é senão daquele próprio belo, e conheça enfim o que em si é belo. (PLATÃO. Banquete, 211 c-d. José Cavalcante de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Os Pensadores) p. 48). Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Platão, é correto afirmar que A) a compreensão da beleza se dá a partir da observação de um indivíduo belo,no qual percebemos o belo em si. B) a percepção do belo no mundo indica seus vários graus que visam a uma dimensão transcendente da beleza em si. C) a compreensão do que é belo se dá subitamente, quando partimos dele para compreender os belos ofícios e ciências. D) a observação de corpos, atividades e conhecimentos permite distinguir quais deles são belos ou feios em si. E) a participação do mundo sensível no mundo inteligível possibilita a apreensão da beleza em si. 32 QUESTÃO 08 (Upe-ssa 2 2018) Leia o texto a seguir sobre o tema Filosofia na História: A filosofia antiga grega e greco-romana tem uma história mais que milenar. Partindo do século VI a.C., chega até o ano de 529 d.C., ano em que o imperador Justiniano mandou fechar as escolas pagãs e dispersar os seus seguidores. Nesse arco de tempo, podemos distinguir o momento das grandes sínteses de Platão e Aristóteles. (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 25-26). O autor na citação acima sinaliza a significância do período sistemático da filosofia antiga. No que tange à filosofia de Platão, assinale a alternativa CORRETA. A) Platão propõe a existência das ‘essências ou formas’, que estão presentes no mundo das ideias e são modelos eternos das coisas sensíveis. B) A filosofia de Platão salienta as essências do mundo sensível que são modelos para o mundo das ideias. C) O pensamento de Platão não teve papel decisivo do desenvolvimento da mística, da teologia e da filosofia cristã. D) As ideias de Platão têm a confiança absoluta no poder dos sentidos e desconfiam do conhecimento racional. E) O pensamento filosófico de Platão tem como finalidade a descoberta do mundo físico, declinando do campo da metafísica. QUESTÃO 09 (Unioeste 2018) Segundo a conhecida alegoria da caverna, que aparece no Livro VII da República, de Platão, há prisioneiros, voltados para uma parede em que são projetadas as sombras de objetos que eles não podem ver. Esses prisioneiros representam a humanidade em seu estágio de mais baixo saber acerca da realidade e de si mesmos: a doxa, ou “opinião”. Um desses prisioneiros é libertado à força, num processo que ele quer evitar e que lhe causa dor e enormes dificuldades de visão (conhecimento). Gradativamente, ele é conduzido para fora da caverna, a um estágio em que pode ver as coisas em si mesmas, isto é, os fundamentos eternos de tudo o quê, antes, ele via somente mediante sombras. Esses fundamentos são as Formas. Para além das Formas, brilha o Sol, que representa a Forma das Formas, o Bem, fonte essencial de todo ser e de todo conhecer e unicamente acessível mediante intuição direta. Com base nisso, responda à seguinte questão: se chegamos ao conhecimento das Formas mediante a dialética, que é o estabelecimento de fundamentos que possibilitam o conhecimento das coisas particulares (sombras), é CORRETO dizer: A) para Platão, a dialética é o conhecimento imediato (doxa) dos objetos particulares. B) o Bem é um objeto particular, que pode ser conhecido sensivelmente, de modo imediato e indolor, por todos os seres humanos. C) as Formas são somente suposições teóricas, sem realidade nelas mesmas. D) a dialética, que não é o último estágio do ser e do conhecer, permite chegar, mediante um processo difícil, que exige esforço, às coisas em si mesmas (Formas). E) a dialética, último estágio do ser e do conhecer, permite chegar, mediante um processo difícil, ao conhecimento do Bem. 33 QUESTÃO 10 (Upe-ssa 1 2018) Leia o texto a seguir sobre o pensamento grego: Platão escreveu diálogos filosóficos, verdadeiros dramas em prosa. Foi um dos maiores escritores de todos os tempos, e ninguém conseguiu, como ele, unir as questões filosóficas à tamanha beleza literária. As ideias filosóficas de Platão é a primeira grande síntese do pensamento antigo. (Adaptado)(REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia, Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 46.) No tocante a essa temática, assinale a alternativa CORRETA sobre o pensamento de Platão. A) Enfatiza as ideias no mundo sensível, buscando a verdade na natureza. B) Retrata a doutrina das ideias e salienta a existência do mundo ideal para fazer possível a verdadeira ciência. C) Prioriza a verdade do mundo concreto com a confiança no conhecimento dos sentidos. D) Sinaliza o valor dos sentidos como condição para o alcance da verdade. E) Atenta para o significado da razão no plano da existência da realidade sensível. QUESTÃO 11 (Uel 2017) Leia a tirinha e o texto a seguir para responder à questão. Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende o que é preciso conhecer para te iniciares na política; antes, não. Então, primeiro precisarás adquirir virtude, tu ou quem quer que se disponha a governar ou a administrar não só a sua pessoa e seus interesses particulares, como a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o que precisas alcançar não é o poder absoluto para fazeres o que bem entenderes contigo ou com a cidade, porém justiça e sabedoria. PLATÃO, O primeiro Alcebíades. Trad. Carlos Alberto Nunes.Belém: EDUFPA, 2004. p. 281-285. Com base na tirinha, no texto e nos conhecimentos sobre a ética e a política em Platão, assinale a alternativa correta. A) A virtude individual terá fraca influência sobre o governo da cidade, já que a administração da cidade independe da qualidade de seus cidadãos. B) Justiça, sabedoria e virtude resultam da opinião do legislador sobre o que seria melhor para a cidade e para o indivíduo. C) O indivíduo deve possuir a virtude antes de dirigir a cidade, pois assim saberá bem governar e ser justo, já que se autogoverna. D) Para se iniciar em política, primeiro é necessário o poder absoluto para fazer o bem para a cidade e a si próprio. E) Todo conflito desaparece em uma cidade se a virtude fizer parte da administração, mesmo que o dirigente não a possua. 34 QUESTÃO 12 (Upe-ssa 3 2017) Leia o texto a seguir sobre a Filosofia e a Ética. Toda a obra de Platão tem um profundo sentido ético. Três poderiam ser os eixos centrais, que comandam a ética platônica: primeiro, a justiça na ordem individual e social; segundo, a transcendência do Bem; terceiro, as virtudes humanas e a ordem política presididas pela justiça. PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 25- 26. (Adaptado). O autor acima demarca alguns pontos singulares dos temas centrais da ética de Platão. Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que A) as virtudes humanas estão em conexão com a transcendência do bem e desvinculadas da ordem política, presidida pela justiça. B) o sentido ético-político na filosofia de Platão prioriza a ordem individual em detrimento do plano social. C) Platão defende um ideal ético, centrado na sabedoria, declinando da ordem política presidida pela justiça. D) a justiça e o bem se realizam na ordem individual, e a virtude, na ordem política. E) na ética de Platão, a virtude é prática da justiça. QUESTÃO 13 (UCS 2017) Sócrates, um dos maiores expoentes da Filosofia, não deixou nada escrito. Foram as obras de Platão, seu principal discípulo, as responsáveis por quase tudo que se sabe sobre suas ideias e sua personalidade. Sócrates foi o primeiro dos três grandes filósofos gregos que estabeleceu as bases do pensamento ocidental (os outros dois foram Platão e Aristóteles). Sócrates nasceu em Atenas, por volta de 470 a.C., e conduziu a transição do pensamento dos antigos cosmologistas gregos, que viviam refletindo sobre a origem do universo, para preocupações maiores coma ética e a existência humana. <http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-foi- socrates/>. Acesso em: 27 mar. 17. (Parcial e adaptado.) Sobre os filósofos citados no texto, assinale a alternativa correta. A) Sócrates não concorda com a ação dos sofistas para os quais a verdade dependia de como se falava e convencia-se. Para ele, a prática sofista criava apenas uma aparência de conhecimento (doxa) não recordando a verdade (alétheia). B) Sócrates entende que o homem produz, ou seja, cria a verdade e o conhecimento através do uso da palavra. Daí sua proposta ser conhecida como maiêutica (maieutiké). C) Aristóteles afirma que o ser humano, por ser dotado de sentidos, busca a realização dos prazeres e da felicidade (eudaimonia), ou seja, do Bem, e, para isso, os sentidos têm função fundamental, pois é somente por meio da sensibilidade que o homem pode atingir o Bem. D) Platão acredita que existe um mundo além deste, um mundo metafísico, ao qual deu o nome de Mundo Ideal. Para ele, os sentidos informam a respeito do Mundo Ideal, enquanto que o pensamento revela sobre o Mundo Material. E) Platão mostra uma desvalorização do Mundo Inteligível, colocando-o como secundário em relação ao Mundo Sensível. Para ele, as ideias podem deixar de existir, uma vez que mudanças no mundo Material/Sensível também as afetam. 35 QUESTÃO 14 (Enem 2ª aplicação 2016) Os andróginos tentaram escalar o céu para combater os deuses. No entanto, os deuses em um primeiro momento pensam em matá-los de forma sumária. Depois decidem puni-los da forma mais cruel: dividem-nos em dois. Por exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta forma, até hoje as metades separadas buscam reunir-se. Cada um com saudade de sua metade, tenta juntar-se novamente a ela, abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, desejando formar um único ser. PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987. No trecho da obra O banquete, Platão explicita, por meio de uma alegoria, o A) bem supremo como fim do homem. B) prazer perene como fundamento da felicidade. C) ideal inteligível como transcendência desejada. D) amor como falta constituinte do ser humano. E) autoconhecimento como caminho da verdade. QUESTÃO 15 (Enem PPL 2016) Estamos, pois, de acordo quando, ao ver algum objeto, dizemos: "Este objeto que estou vendo agora tem tendências para assemelhar- se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não consegue ser tal como o ser em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior". Assim, para podermos fazer estas reflexões, é necessário que antes tenhamos tido ocasião de conhecer esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda que imperfeitamente. PLATÃO, Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972. Na epistemologia platônica, conhecer um determinado objeto implica A) estabelecer semelhanças entre o que é observado em momentos distintos. B) comparar o objeto observado com uma descrição detalhada dele. C) descrever corretamente as características do objeto observado. D) fazer correspondência entre o objeto observado e seu ser. E) identificar outro exemplar idêntico ao observado. QUESTÃO 16 (Uepa 2015) Leia o texto para responder à questão. Platão: A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente. (Citado por: CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17) Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à: A) oligarquia. B) república. C) democracia. D) monarquia. E) plutocracia. 36 QUESTÃO 17 (Uel 2019) Os melhores de entre nós, quando escutam Homero ou qualquer poeta trágico a imitar um herói que está aflito e se espraia numa extensa tirada cheia de gemidos, ou os que cantam e batem no peito, sabes que gostamos disso, e que nos entregamos a eles, e os seguimos, sofrendo com eles, e com toda seriedade elogiamos o poeta, como sendo bom, por nos ter provocado até o máximo, essas disposições. [...] Mas quando sobrevém a qualquer de nós um luto pessoal, reparaste que nos gabamos do contrário, se formos capazes de nos mantermos tranquilos e de sermos fortes, entendendo que esta atitude é característica de um homem [...]? PLATÃO. A República. 605 d-e. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. 12. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. p. 470. Com base no texto, nos conhecimentos sobre mimesis (imitação) e sobre o pensamento de Platão, assinale a alternativa correta: A) A maneira como Homero constrói seus personagens retratando reações humanas deve ser imitada pelos demais poetas, pois é eticamente aprovada na Cidade Ideal platônica. B) O fato de mostrar as emoções de maneira exagerada em seus personagens faz de Homero e de autores de tragédia excelentes formadores na Cidade Ideal pensada por Platão. C) Reagir como os personagens homéricos e trágicos é digno de elogio, pois Platão considera que a descarga das emoções é benéfica para a formação ética dos cidadãos. D) Poetas como Homero e autores de tragédia provocam emoções de modo exagerado em quem os lê ou assiste, não sendo bons para a formação do cidadão na Cidade Ideal platônica. E) A imitação de Homero e dos trágicos das reações humanas difere da dos pintores, pois, segundo Platão, não estão distantes em graus da essência, por isso podem fazer parte da cidade justa. QUESTÃO 18 (Upe-ssal 2018) Leia o texto a seguir sobre o pensamento grego: Platão escreveu diálogos filosóficos, verdadeiros dramas em prosa. Foi um dos maiores escritores de todos os tempos, e ninguém conseguiu, como ele, unir as questões filosóficas à tamanha beleza literária. As ideias filosóficas de Platão é a primeira grande síntese do pensamento antigo. (Adaptado) (REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia, Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 46.) No tocante a essa temática, assinale a alternativa CORRETA sobre o pensamento de Platão. A) Enfatiza as ideias no mundo sensível, buscando a verdade na natureza. B) Retrata a doutrina das ideias e salienta a existência do mundo ideal para fazer possível a verdadeira ciência. C) Prioriza a verdade do mundo concreto com a confiança no conhecimento dos sentidos. D) Sinaliza o valor dos sentidos como condição para o alcance da verdade. E) Atenta para o significado da razão no plano da existência da realidade sensível. QUESTÃO 19 (Uell 2018) Leia o texto a seguir. Eis com efeito em que consiste o proceder corretamente nos caminhos do amor ou por outro se deixar conduzir: em começar do que aqui é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências até que das ciências acabe naquela ciência, que de nada mais é senão daquele próprio belo, e conheça enfim o que em si é belo. (PLATÃO. Banquete, 211 c-d. José Cavalcante de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Os Pensadores) p. 48). 37 Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Platão, é correto afirmar que A) a compreensão da beleza se dá a partir da observação de um indivíduo belo, no qual percebemos o belo em si. B) a percepção do belo no mundo indica seus vários graus que visama uma dimensão transcendente da beleza em si. C) a compreensão do que é belo se dá subitamente, quando partimos dele para compreender os belos ofícios e ciências. D) a observação de corpos, atividades e conhecimentos permite distinguir quais deles são belos ou feios em si. E) a participação do mundo sensível no mundo inteligível possibilita a apreensão da beleza em si. QUESTÃO 20 (Enem 2ª aplicação 2016) Os andróginos tentaram escalar o céu para combater os deuses. No entanto, os deuses em um primeiro momento pensam em matá-los de forma sumária. Depois decidem puni-los da forma mais cruel: dividem-nos em dois. Por exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta forma, até hoje as metades separadas buscam reunir-se. Cada um com saudade de sua metade, tenta juntar-se novamente a ela, abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, desejando formar um único ser. PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987. No trecho da obra O banquete, Platão explicita, por meio de uma alegoria, o A) bem supremo como fim do homem. B) prazer perene como fundamento da felicidade. C) ideal inteligível como transcendência desejada. D) amor como falta constituinte do ser humano. E) autoconhecimento como caminho da verdade. QUESTÃO 21 (Enem PPL 2016) Estamos, pois, de acordo quando, ao ver algum objeto, dizemos: "Este objeto que estou vendo agora tem tendências para assemelhar- se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não consegue ser tal como o ser em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior". Assim, para podermos fazer estas reflexões, é necessário que antes tenhamos tido ocasião de conhecer esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda que imperfeitamente. PLATÃO, Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972. Na epistemologia platônica, conhecer um determinado objeto implica A) estabelecer semelhanças entre o que é observado em momentos distintos. B) comparar o objeto observado com uma descrição detalhada dele. C) descrever corretamente as características do objeto observado. D) fazer correspondência entre o objeto observado e seu ser. E) identificar outro exemplar idêntico ao observado. QUESTÃO 22 (Enem PPL 2015) Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da fachada; eles estão lá desde a infância, as pernas e o pescoço presos por correntes, de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ascendente; ao longo do caminho, imagine um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre os quais exibem seus prestígios. PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007. 38 Essa narrativa de Platão é uma importante manifestação cultural do pensamento grego antigo, cuja ideia central, do ponto de vista filosófico, evidencia o(a) A) caráter antropológico, descrevendo as origens do homem primitivo. B) sistema penal da época, criticando o sistema carcerário da sociedade ateniense. C) vida cultural e artística, expressa por dramaturgos trágicos e cômicos gregos. D) sistema político elitista, provindo do surgimento da pólis e da democracia ateniense. E) teoria do conhecimento, expondo a passagem do mundo ilusório para o mundo das ideias. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [C] Na concepção platônica, a busca pelo conhecimento verdadeiro permeia todo seu sistema filosófico. Neste sistema, Platão estabelece que existem dois mundos, o mundo sensível (representa a matéria e as sensações ao qual estamos inseridos) e o mundo inteligível (representa as ideias, a razão). Neste sentido, para Platão somos ligados às sensações pessoais e isto nos conduzem ao erro pois não podemos confiar nelas. Somente podemos obter a verdade por meio do mundo da inteligível. Contudo, isto não é para qualquer um, somente para os filósofos, pois eles buscam o verdadeiro saber, assim estes sabem qual é o melhor caminho para a ampliação do conhecimento, por conseguinte, qual o melhor caminho para fazer com que todas as pessoas da cidade possam desenvolver seu pleno potencial. Assim, os filósofos são os únicos capazes de conhecer a verdade e devem decidir o destino da cidade, neste contexto a democracia é um empecilho, pois não produz um consenso absoluto, verdadeiro. Portanto, Platão estabelece uma severa crítica ao sistema democrático grego. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [A] Para Platão, a efetivação da justiça está relacionada às virtudes dos membros da pólis, sendo os governantes qualificados para exercer sua função pelo uso da razão na decisão de suas ações. Segundo o pensamento platônico, as virtudes da sabedoria, em conjunto com as da coragem e da moderação, levaria ao fortalecimento da justiça, como se observa no primeiro trecho apresentado pela questão. Ademais, em sua Teoria das Virtudes, Platão entende que os indivíduos possuem inclinações, ou seja, possuem uma “natureza” mais adequada a determinada virtude, de modo que a função de cada indivíduo na sociedade deva desenvolver a virtude que lhe é característica. Assim, o desempenho da função que seria própria à natureza de cada indivíduo seria também uma condição necessária para uma sociedade justa. Considerando essas ideias, o aluno deve identificar que todas as afirmações estão corretas. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [C] Na alegoria platônica, a caverna é a representação das “sombras” do mundo sensível, que remetem às opiniões ilusórias dos homens e impedem o desenvolvimento do pensamento racional, ou seja, da consciência filosófica, que possibilitaria a aproximação com o mundo inteligível das ideias. 39 RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [D] [A] Incorreta. A maneira como Homero e poetas semelhantes retratam as reações de seus personagens é reprovada por Platão para a formação ética dos cidadãos, pois não é desejada uma reação descontrolada na “vida real”, parecida com as que os poetas descrevem em suas obras. Este é um dos motivos da reprovação de Platão da poesia tradicional. [B] Incorreta. Ao exagerarem na descrição de uma reação emocional dos personagens, os poetas tradicionais como Homero e autores de tragédia, fazem um desserviço à formação dos cidadãos, porque a reação emotiva deve ser equilibrada, não excessiva, por mais que admiremos isso nos poemas homéricos e trágicos. [C] Incorreta. As emoções/paixões exageradas não devem ser incitadas por parte dos poetas, pois isso não auxilia a formação ética dos cidadãos e uma “descarga das emoções” não serve para a formação ética pensada por Platão na cidade ideal. [D] Correta. Entre as várias críticas de Platão aos poetas, encontramos essa a respeito das emoções, a de valorizar aspectos irracionais da natureza humana prejudicando a formação ética dos cidadãos. Na cidade ideal, os poetas e artistas devem incitar boas reações que sejam equilibradas e temperantes, evitando excessos. [E] Incorreta. Mesmo que Platão não considere a imitação (mimesis) dos poetas como a dos pintores, distante da verdade em graus da essência (Ideia), ela não é benéfica à cidade ideal, pois incita reações emotivas excessivas, especialmente naqueles que devem ser paradigma de comportamento, os heróis e os deuses. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [A] A partir da análise do texto, percebe-se que a letra [A] apresenta uma afirmativa incorreta, haja vista que o desenvolvimento da razão e a sabedoria levaria, não à eliminação das paixões, mas a um uso comedido delas. Portanto, asvirtudes levariam à “purificação” das paixões mencionadas no texto, mas não à sua eliminação, como proposto pelo item. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [B] Segundo a filosofia platônica, antes de habitar o corpo material no mundo sensível, a alma humana encontrava-se no mundo inteligível, ou mundo das ideias, onde os conceitos existiriam em sua forma pura. Para Platão, o conhecimento verdadeiro contemplado pela alma no mundo inteligível permanece “adormecido” nos indivíduos, sendo a filosofia o meio pelo qual seria possível recordar esse conhecimento, ideia que ficou conhecida como Teoria da Reminiscência, opção apresentada pela alternativa [B]. Nessa teoria, o conhecimento é concebido como um processo de recordação, ou seja, em uma perspectiva inatista. RESPOSTA DA QUESTÃO 07: [B] Para Platão, a percepção da beleza no mundo sensível estaria relacionada à uma maior reminiscência do mundo das ideias puras, onde a beleza existiria em sua forma plena. Dessa forma, algumas almas seriam mais aptas a perceberem a beleza que, em sua forma pura, transcende o mundo sensível. 40 RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [A] Para responder à questão, o aluno deve conhecer o pensamento filosófico platônico, segundo o qual o verdadeiro conhecimento humano se daria a partir da passagem do “mundo das aparências” para o “mundo das essências” ou “mundo das ideias”. Para Platão, as formas e conceitos só existiriam em suas formas puras e imutáveis no plano das ideias, o que possibilitaria um conhecimento autêntico de todas as coisas. As impressões advindas dos sentidos, por sua vez, levariam a ideias ilusórias, de modo que no mundo sensível estariam presentes cópias imperfeitas e mutáveis dos conceitos, tal como indicado pela alternativa [A]. RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [D] De acordo com o pensamento de Platão, a dialética é o instrumento que possibilita ao indivíduo o alcance da verdade. A dialética platônica serve para mostrar as contradições e falhas fundamentais das ideias do senso comum. Assim, o método dialético admite as contradições para poder superá-las, através do questionamento das ideias pré-concebidas, para, a partir de então, poder buscar o conhecimento verdadeiro. RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [B] Segundo a filosofia platônica, o conhecimento humano se dá a partir da passagem do mundo das aparências para o mundo das essências. Platão explica as essências a partir da doutrina das ideias, segundo a qual os conceitos puros somente existiriam no plano das ideias, atingível por meio da razão. Assim, o verdadeiro conhecimento só seria possível no mundo das ideias, ou mundo ideal, transcendente às percepções sensoriais. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [C] Na filosofia política de Platão, a noção de justiça está associada fundamentalmente à alma humana, sendo o Estado justo uma expressão da alma virtuosa e justa. Para ele, a alma humana está relacionada com a racionalidade, de modo que o conhecimento seria uma condição para que o indivíduo tenha virtude e possa agir virtuosamente. Com efeito, os homens sábios e virtuosos seriam os mais bem preparados para administrar e governar não só a si mesmos e aos seus interesses privados, mas também, por extensão, para exercer de maneira justa a administração da pólis e a condução da vida política em prol do bem coletivo, como propõe a alternativa [C]. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [E] Para Platão, como apontado no texto, a concepção de ética não está desvinculada da ação pública, incluindo a gestão da vida coletiva. Com efeito, as ações virtuosas, tanto no âmbito privado como no coletivo, tornariam o governante apto para conduzir a política de forma justa, de modo que a virtude seria a prática da justiça. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [A] Segundo Sócrates, a ideia é o princípio da realidade, sendo ela universal, conceitual e abstrata, o que a tornaria também única e imutável, enquanto a materialidade seria aparente, ou seja, seria uma “sombra” ilusória da sua verdadeira essência. Desse modo, o pensamento socrático considera que a opinião é individual e relativa, enquanto os conceitos são universais, ou seja, são válidos em qualquer situação. Esse pensamento vai de encontro ao posicionamento dos sofistas, para os quais não existiria nenhuma verdade absoluta, não sendo possível conhecer nada com certeza. Assim, para eles, a retórica assumia uma importância fundamental nos debates. 41 RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [D] A alegoria descrita no texto remete à ideia do amor como uma busca permanente pela completude, ou pela “parte que falta” para reestabelecer o “todo” original da alma. Assim, o amor seria o desejo daquilo que não se tem, uma falta constituinte do ser humano. RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [D] Os objetos, segundo Platão, existem de forma perfeita no mundo das ideias. Assim, tudo aquilo que vemos e sentimos são coisas que têm correspondência a algo que existe nesse plano. RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [C] [Resposta do ponto de vista da disciplina de História] Somente a proposição [C] está correta. A questão remete ao pensamento político de Platão. Este filósofo ateniense foi um grande crítico da democracia. Acreditava que a maioria não tinha condições de participar do debate político na ágora, pois estava vinculada ao mundo sensível, o mundo do corpo, da opinião, da doxa e não sabia o que era justiça. Platão defendeu a Sofocracia, isto é, o governo dos sábios, dos reis filósofos. [Resposta do ponto de vista da disciplina de Filosofia] Na concepção platônica, a busca pelo conhecimento verdadeiro permeia todo seu sistema filosófico. Neste sistema, Platão estabelece que existem dois mundos, o mundo sensível (representa a matéria e as sensações ao qual estamos inseridos) e o mundo inteligível (representa as ideias, a razão). Neste sentido, para Platão somos ligados às sensações pessoais e isto nos conduzem ao erro pois não podemos confiar nelas. Somente podemos obter a verdade por meio do mundo da inteligível. Contudo, isto não é para qualquer um, somente para os filósofos, pois eles buscam o verdadeiro saber, assim estes sabem qual é o melhor caminho para a ampliação do conhecimento, por conseguinte, qual o melhor caminho para fazer com que todas as pessoas da cidade possam desenvolver seu pleno potencial. Assim, os filósofos são os únicos capazes de conhecer a verdade e devem decidir o destino da cidade, neste contexto a democracia é um empecilho, pois não produz um consenso absoluto, verdadeiro. Portanto, Platão estabelece uma severa crítica ao sistema democrático grego. O único sistema que corresponde às críticas estabelecidas por Platão é o descrito na alternativa [C]. RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [D] [A] Incorreta. A maneira como Homero e poetas semelhantes retratam as reações de seus personagens é reprovada por Platão para a formação ética dos cidadãos, pois não é desejada uma reação descontrolada na “vida real”, parecida com as que os poetas descrevem em suas obras. Este é um dos motivos da reprovação de Platão da poesia tradicional. [B] Incorreta. Ao exagerarem na descrição de uma reação emocional dos personagens, os poetas tradicionais como Homero e autores de tragédia, fazem um desserviço à formação dos cidadãos, porque a reação emotiva deve ser equilibrada, não excessiva, por mais que admiremos isso nos poemas homéricos e trágicos. [C] Incorreta. As emoções/paixões exageradas não devem ser incitadas por parte dos poetas, pois isso não auxilia a formação ética dos cidadãos e uma “descarga das emoções” não serve para a formação ética pensada por Platão na cidade ideal. [D] Correta. Entre as várias críticas de Platão aos poetas, encontramos essa a respeito das emoções, a de valorizar aspectos irracionais da natureza humana prejudicando a formação ética dos cidadãos. Na cidade ideal,os poetas e artistas devem incitar boas reações que sejam equilibradas e temperantes, evitando excessos. 42 [E] Incorreta. Mesmo que Platão não considere a imitação (mimesis) dos poetas como a dos pintores, distante da verdade em graus da essência (Ideia), ela não é benéfica à cidade ideal, pois incita reações emotivas excessivas, especialmente naqueles que devem ser paradigma de comportamento, os heróis e os deuses. RESPOSTA DA QUESTÃO 18: [B] Segundo a filosofia platônica, o conhecimento humano se dá a partir da passagem do mundo das aparências para o mundo das essências. Platão explica as essências a partir da doutrina das ideias, segundo a qual os conceitos puros somente existiriam no plano das ideias, atingível por meio da razão. Assim, o verdadeiro conhecimento só seria possível no mundo das ideias, ou mundo ideal, transcendente às percepções sensoriais. RESPOSTA DA QUESTÃO 19: [B] Para Platão, a percepção da beleza no mundo sensível estaria relacionada à uma maior reminiscência do mundo das ideias puras, onde a beleza existiria em sua forma plena. Dessa forma, algumas almas seriam mais aptas a perceberem a beleza que, em sua forma pura, transcende o mundo sensível. RESPOSTA DA QUESTÃO 20: [D] A alegoria descrita no texto remete à ideia do amor como uma busca permanente pela completude, ou pela “parte que falta” para reestabelecer o “todo” original da alma. Assim, o amor seria o desejo daquilo que não se tem, uma falta constituinte do ser humano. RESPOSTA DA QUESTÃO 21: [D] Os objetos, segundo Platão, existem de forma perfeita no mundo das ideias. Assim, tudo aquilo que vemos e sentimos são coisas que têm correspondência a algo que existe nesse plano. RESPOSTA DA QUESTÃO 22: [E] A alegoria da caverna de Platão expressa uma concepção do processo de conhecimento no qual o indivíduo deveria superar as aparências ilusórias do mundo sensível para chegar às verdades puras, apenas disponíveis no mundo das ideias e alcançáveis através da reflexão filosófica. 43 FILOSOFIA ANTIGA – ARISTÓTELES QUESTÃO 01 (Unisc 2017) Aristóteles, na obra Etica a Nicômaco, procura o fim último de todas as atividades humanas, uma vez que tudo o que fazemos visa alcançar um bem, ou o que nos parece ser um bem. Pergunta-se, então, pelo “sumo bem”, aquele que em si mesmo é um fim, e não um meio para o que quer que seja. Para Aristóteles, na Ética a Nicômaco, o sumo bem está A) na honra. B) na riqueza. C) na fama. D) na vida feliz. E) na lealdade. QUESTÃO 02 (Enem 2017) Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Gunman 1991 (adaptado). Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que A) o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses. B) o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade. C) a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade. D) a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente. E) a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum. 44 QUESTÃO 03 (Enem 2ª aplicação 2016) Ninguém delibera sobre coisas que não podem ser de outro modo, nem sobre as que lhe é impossível fazer. Por conseguinte, como o conhecimento científico envolve demonstração, mas não há demonstração de coisas cujos primeiros princípios são variáveis (pois todas elas poderiam ser diferentemente), e como é impossível deliberar sobre coisas que são por necessidade, a sabedoria prática não pode ser ciência, nem arte: nem ciência, porque aquilo que se pode fazer é capaz de ser diferentemente, nem arte, porque o agir e o produzir são duas espécies diferentes de coisa. Resta, pois, a alternativa de ser ela uma capacidade verdadeira e raciocinada de agir com respeito às coisas que são boas ou más para o homem. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1980. Aristóteles considera a ética como pertencente ao campo do saber prático. Nesse sentido, ela difere-se dos outros saberes porque é caracterizada como A) conduta definida pela capacidade racional de escolha. B) capacidade de escolher de acordo com padrões científicos. C) conhecimento das coisas importantes para a vida do homem. D) técnica que tem como resultado a produção de boas ações. E) política estabelecida de acordo com padrões democráticos de deliberação. QUESTÃO 04 (Enem PPL 2016) Enquanto o pensamento de Santo Agostinho representa o desenvolvimento de uma filosofia cristã inspirada em Platão, o pensamento de São Tomás reabilita a filosofia de Aristóteles – até então vista sob suspeita pela Igreja –, mostrando ser possível desenvolver uma leitura de Aristóteles compatível com a doutrina cristã. O aristotelismo de São Tomás abriu caminho para o estudo da obra aristotélica e para a legitimação do interesse pelas ciências naturais, um dos principais motivos do interesse por Aristóteles nesse período. MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. A Igreja Católica por muito tempo impediu a divulgação da obra de Aristóteles pelo fato de a obra aristotélica A) valorizar a investigação científica, contrariando certos dogmas religiosos. B) declarar a inexistência de Deus, colocando em dúvida toda a moral religiosa. C) criticar a Igreja Católica, instigando a criação de outras instituições religiosas. D) evocar pensamentos de religiões orientais, minando a expansão do cristianismo. E) contribuir para o desenvolvimento de sentimentos antirreligiosos, seguindo sua teoria política. 45 QUESTÃO 05 (Uel 2015) Leia o texto a seguir. É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa diz-se em quatro sentidos: no primeiro, entendemos por causa a substância e a essência (o “porquê” reconduz-se pois à noção última, e o primeiro “porquê” é causa e princípio); a segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira é a de onde vem o início do movimento; a quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para que” e o bem (porque este é, com efeito, o fim de toda a geração e movimento). Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. p.16. (Coleção Os Pensadores.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica,corretamente, a ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras. A) Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal. B) Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente. C) Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final. D) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final. E) Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente. QUESTÃO 06 (Enem PPL 2015) Ambos prestam serviços corporais para atender às necessidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre de forma diferente. O escravo tem corpo forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o homem livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho braçal, porém apto à vida do cidadão. ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985. O trabalho braçal é considerado, na filosofia aristotélica, como A) indicador da imagem do homem no estado de natureza. B) condição necessária para a realização da virtude humana. C) atividade que exige força física e uso limitado da racionalidade. D) referencial que o homem deve seguir para viver uma vida ativa. E) mecanismo de aperfeiçoamento do trabalho por meio da experiência. 46 QUESTÃO 07 (Uea 2014) A sabedoria do amo consiste no emprego que ele faz dos seus escravos; ele é senhor, não tanto porque possui escravos, mas porque deles se serve. Esta sabedoria do amo nada tem, aliás, de muito grande ou de muito elevado; ela se reduz a saber mandar o que o escravo deve saber fazer. Também todos que a ela se podem furtar deixam os seus cuidados a um mordomo, e vão se entregar à política ou à filosofia. (Aristóteles. A política, s/d. Adaptado.) O filósofo Aristóteles dirigiu, na cidade grega de Atenas, entre 331 e 323 a.C., uma escola de filosofia chamada de Liceu. No excerto, Aristóteles considera que a escravidão A) é um empecilho ao florescimento da filosofia e da política democrática nas cidades da Grécia. B) permite ao cidadão afastar-se de obrigações econômicas e dedicar-se às atividades próprias dos homens livres. C) facilita a expansão militar das cidades gregas à medida que liberta os cidadãos dos trabalhos domésticos. D) é responsável pela decadência da cultura grega, pois os senhores preocupavam-se somente em dominar os escravos. E) promove a união dos cidadãos das diversas pólis gregas no sentido de garantir o controle dos escravos. QUESTÃO 08 (Enem PPL 2014) Ao falar do caráter de um homem não dizemos que ele é sábio ou que possui entendimento, mas que é calmo ou temperante. No entanto, louvamos também o sábio, referindo-se ao hábito; e aos hábitos dignos de louvor chamamos virtude. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova CuIturaI, 1973. Em Aristóteles, o conceito de virtude ética expressa a A) excelência de atividades praticadas em consonância com o bem comum. B) concretização utilitária de ações que revelam a manifestação de propósitos privados. C) concordância das ações humanas aos preceitos emanados da divindade. D) realização de ações que permitem a configuração da paz interior. E) manifestação de ações estéticas, coroadas de adorno e beleza. 47 QUESTÃO 09 (Uel 2014) A figura mostra Atenas na atualidade. Observam-se as ruínas da Acrópolis – onde ficavam os templos como o Parthenon –, o Teatro de Dionísio e a Asthy – com a Ágora (Mercado/Praça Pública) e as casas dos moradores. Leia o texto a seguir. Para Aristóteles, a boa convivência entre os habitantes da cidade ideal não seria nunca obtida com a mera apathia (ausência de paixões) platônica, mas somente através de uma boa medida entre razão e afetividade. Enfim, a arte não apenas é capaz de nos trazer saber, ela tem também uma função edificante e pedagógica. (FEITOSA, C. Explicando a filosofia com arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, p.123.) Com base na figura, no texto, nos conhecimentos sobre Aristóteles e na ideia de que os espaços do Teatro, da Ágora, dos Templos na cidade de Atenas foram imprescindíveis para a vocação formativa da arte na Grécia Clássica, considere as afirmativas a seguir. I. A catarse propiciada pelas obras teatrais trágicas apresentadas na cidade grega operava uma transformação das emoções e tornava possível que os cidadãos se purificassem e saíssem mais elevados dos espetáculos. II. A obra poética educava e instruía o cidadão da cidade grega, e isso acontecia por consequência da satisfação que este sentia ao imitar os atos dos grandes heróis que eram encenados no teatro. III. O poeta demonstrava o universal como possível ao criar modelos de situações exemplares, que permitem fortalecer o sentimento de comunidade. IV. O belo nas diversas artes, como nos poemas épicos, na tragédia e na comédia, desvinculava--se dos laços morais e sociais existentes na polis, projetando-se em um mundo idealizado. Assinale a alternativa correta. A) Somente as afirmativas I e II são corretas. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 48 QUESTÃO 10 (Unioeste 2013) “... a função própria do homem é um certo modo de vida, e este é constituído de uma atividade ou de ações da alma que pressupõem o uso da razão, e a função própria de um homem bom é o bom e nobilitante exercício desta atividade ou a prática destas ações [...] o bem para o homem vem a ser o exercício ativo das faculdade da alma de conformidade com a excelência, e se há mais de uma excelência, em conformidade com a melhor e a mais completa entre elas. Mas devemos acrescentar que tal exercício ativo deve estender-se por toda a vida, pois uma andorinha só não faz verão (nem o faz um dia quente); da mesma forma, um dia só, ou um curto lapso de tempo, não faz um homem bem-aventurado e feliz”. Aristóteles. Considerando o texto citado e o pensamento ético de Aristóteles, seguem as afirmativas abaixo: I. O bem mais elevado que o ser humano pode almejar é a eudaimonia (felicidade), havendo uma concordância geral de que o bem supremo para o homem é a felicidade, e que bem viver e bem agir equivale a ser feliz. II. A eudaimonia (felicidade) é sempre buscada por si mesma e não em função de outra coisa, pois o ser humano escolhe o viver bem como a mais elevada finalidade e por nada além do próprio viver bem. III. Definindo a eudaimonia (felicidade) a partir da função própria da alma racional e do exercício ativo das faculdades da alma em conformidade com a excelência (virtude) conclui-se que, aos seres humanos, só é possível levar uma vida constituída por momentos de felicidade decorrentes da satisfação dos desejos e paixões que não se subordinam à atividade racional. IV. A eudaimonia (felicidade) é um certo modo de vida constituído de uma atividade ou de ações por via da razão e conforme a ela, sendo o bem melhor para o homem o exercício ativo das faculdades da alma em conformidade com a excelência (virtude), que deve estender-se por toda a vida. V. A excelência (virtude) humana, como realização excelente da tarefa humana, reside no exercício ativo da racionalidade, pois a função própria de um homem bom é o bom e nobilitante exercício desta atividade ou na prática destas ações em conformidade com a virtude, sendo este o bem humano supremo e a última finalidade desiderativa humana. Das afirmativas feitas acima A) somente a afirmação I está incorreta. B) somente a afirmação III está incorreta.C) as afirmações III e V estão corretas. D) as afirmações I e III estão corretas. E) as afirmações II, III e IV estão corretas. QUESTÃO 11 (Enem 2013) A felicidade é portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade. ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010. Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como 49 A) busca por bens materiais e títulos de nobreza. B) plenitude espiritual a ascese pessoal. C) finalidade das ações e condutas humanas. D) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. E) expressão do sucesso individual e reconhecimento público. QUESTÃO 12 (Enem PPL 2013) O termo injusto se aplica tanto às pessoas que infringem a lei quanto às pessoas ambiciosas (no sentido de quererem mais do que aquilo a que têm direito) e iníquas, de tal forma que as cumpridoras da lei e as pessoas corretas serão justas. O justo, então, é aquilo conforme à lei e o injusto é o ilegal e iníquo. ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural: 1996 (adaptado). Segundo Aristóteles, pode-se reconhecer uma ação justa quando ela observa o A) compromisso com os movimentos desvinculados da legalidade. B) benefício para o maior número possível de indivíduos. C) interesse para a classe social do agente da ação. D) fundamento na categoria de progresso histórico. E) princípio de dar a cada um o que lhe é devido. QUESTÃO 13 (UFU 2013) [...] após ter distinguido em quantos sentidos se diz cada um [destes objetos], deve-se mostrar, em relação ao primeiro, como em cada predicação [o objeto] se diz em relação àquele. Aristóteles, Metafísica. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2002. De acordo com a ontologia aristotélica, A) a metafísica é “filosofia primeira” porque é ciência do particular, do que não é nem princípio, nem causa de nada. B) o primeiro entre os modos de ser, ontologicamente, é o “por acidente”, isto é, diz respeito ao que não é essencial. C) a substância é princípio e causa de todas as categorias, ou seja, do ser enquanto ser. D) a substância é princípio metafísico, tal como exposto por Platão em sua doutrina. 50 QUESTÃO 14 (Uem 2013) Na Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma: “Então, quando a amizade é por prazer ou por interesse mesmo, duas pessoas más podem ser amigas, ou então uma pessoa boa e outra má, ou uma pessoa que não é nem boa nem má pode ser amiga de outra qualquer espécie; mas pelo que são em si mesmas é óbvio que somente pessoas boas podem ser amigas. Na verdade, pessoas más não gostam uma da outra a não ser que obtenham algum proveito recíproco” (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: Filosofia. Vários autores. Curitiba: SEED-PR, 2006, p. 123). A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A amizade comporta uma esfera de interesses particulares. 02) A amizade, em alguns casos, é consequência de condicionantes pessoais dos amigos. 04) As amizades desinteressadas não existem, visto que alguém sempre tem a ganhar na relação. 08) A amizade interessada entre pessoas más também é amizade. 16) A amizade é falsa quando não há interesse ou prazer na relação. QUESTÃO 15 (Enem PPL 2012) Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último. ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002. Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à A) adoção da experiência do senso comum como critério de verdade. B) incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas. C) pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade. D) defesa de que a honestidade condiciona a possibilidade de se pensar a verdade. E) compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente. QUESTÃO 16 (Enem PPL 2009) Vimos que o homem sem lei é injusto e o respeitador da lei é justo; evidentemente todos os atos legítimos são, em certo sentido, atos justos, porque os atos prescritos pela arte do legislador são legítimos e cada um deles é justo. Ora, nas disposições que tomam sobre todos os assuntos, as leis têm em mira a vantagem comum, quer de todos, quer dos melhores ou daqueles que detêm o poder ou algo desse gênero; de modo que, em certo sentido, chamamos justos aqueles atos que tendem a produzir e a preservar, para a sociedade política, a felicidade e os elementos que a compõem. ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado). De acordo com o texto de Aristóteles, o legislador deve agir conforme a A) moral e a vida privada. B) virtude e os interesses públicos. C) utilidade e os critérios pragmáticos. D) lógica e os princípios metafísicos. E) razão e as verdades transcendentes. 51 QUESTÃO 17 (Uel 2018) Leia o texto a seguir: Alguns julgam que a grandeza de uma cidade depende do número dos seus habitantes, quando o que importa é prestar atenção à capacidade, mais do que ao número de habitantes, visto que uma cidade tem uma obra a realizar. [...] A cidade melhor é, necessariamente, aquela em que existe uma quantidade de população suficiente para viver bem numa comunidade política. [...] resulta evidente, pois, que o limite populacional perfeito é aquele que não excede a quantidade necessária de indivíduos para realizar uma vida autossuficiente comum a todos. Fica, assim, determinada a questão relativa à grandeza da cidade. (ARISTÓTELES, Política 1326b6-25 Edição bilíngue. Tradução e notas de António C. Amaral e Carlos C. Gomes. Lisboa: Vega, 1998. p. 495- 499.) Com base no texto e considerando o papel da cidade-estado (pólis) no pensamento ético- político de Aristóteles, assinale a alternativa correta. A) As dimensões da pólis determinam a qualidade de seu governo: quanto mais cidadãos, maior e melhor será a sua participação política. B) A pólis não é natural, por isso é importante organizá-la bem em tamanho e quantidade de cidadãos para que a sociedade seja autossuficiente. C) O ser humano, por ser autossuficiente, pode prescindir da pólis, pois o bem viver depende mais do indivíduo que da sociedade. D) A pólis realiza a própria obra quando possui um número suficiente de cidadãos que possibilite o bem viver. E) O ser humano, como animal político, tende a realizar-se na pólis, mesmo que esta possua quantidade excessiva de cidadãos. QUESTÃO 18 (Ufu 2018) "O filósofo natural e o dialético darão definições diferentes para cada uma dessas afecções. Por exemplo, no caso da pergunta "O que é a raiva?", o dialético dirá que se trata de um desejo de vingança, ou algo deste tipo; o filósofo natural dirá que se trata de um aquecimento do sangue ou de fluidos quentes do coração. Um explica segundo a matéria, o outro, segundoa forma e a definição. A definição é o "o que é" da coisa, mas, para existir, esta precisa da matéria." Aristóteles. Sobre a alma, I,1 403a 25-32. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010. Considerando-se o trecho acima, extraído da obra Sobre a Alma, de Aristóteles (384-322 a.C.), assinale a alternativa que nomeia corretamente a doutrina aristotélica em questão. A) Teoria das categorias. B) Teoria do ato-potência. C) Teoria das causas. D) Teoria do eudaimonismo. E) Teoria da relatividade. QUESTÃO 19 (Enem PPL 2017) Dado que, dos hábitos racionais com os quais captamos a verdade, alguns são sempre verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, como a opinião e o cálculo, enquanto o conhecimento científico e a intuição são sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro gênero de conhecimento é mais exato que o conhecimento científico, exceto a intuição, e, por outro lado, os princípios são mais conhecidos que as demonstrações, e dado que todo conhecimento científico constitui-se de maneira argumentativa, não pode haver conhecimento científico dos princípios, e dado que não pode haver nada mais verdadeiro que o conhecimento científico, exceto a intuição, a intuição deve ter por objeto os princípios. ARISTÓTELES. Segundos analíticos. In: REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994. 52 Os princípios, base da epistemologia aristotélica, pertencem ao domínio do(a) A) opinião, pois fazem parte da formação da pessoa. B) cálculo, pois são demonstrados por argumentos. C) conhecimento científico, pois admitem provas empíricas. D) intuição, pois ela é mais exata que o conhecimento científico. E) prática de hábitos racionais, pois com ela se capta a verdade. QUESTÃO 20 (Upe-ssa 3 2017) Leia o texto a seguir sobre o Estado Democrático. Para Aristóteles, o motivo pelo qual nasce o Estado é o de tornar possível a vida e também uma vida feliz. De fato, a meta final da vida humana é a felicidade. Por isso, a razão de ser do Estado é facilitar o acesso a essa meta. MONDIN, B. O homem, quem é ele? São Paulo: Edições Paulinas, 1980, p. 157. Na citação acima, o autor faz uma reflexão filosófica sobre a dimensão do Estado, afirmando que A) o Estado é a felicidade da vida humana, e a razão tem valor secundário nessa meta. B) a meta final da vida humana é a felicidade, e o sentido do Estado é obstar o acesso a essa meta. C) o Estado tem significância na meta da felicidade, e a vida humana é, por natureza, social. D) na esfera do Estado, a questão democrática é prescindível. E) a democracia é condição secundária na razão de ser do Estado. QUESTÃO 21 (Upe-ssa 2 2017) Sobre o problema político e social, atente ao texto a seguir: O homem verdadeiramente político também goza a reputação de haver estudado a virtude acima de todas as coisas, pois que ele deseja fazer com que os seus concidadãos sejam bons e obedientes às leis. Mas a virtude que devemos estudar é, fora de qualquer dúvida, a virtude humana; porque humano era o bem e humana a felicidade que buscávamos. Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, 1973, p. 263. Na citação acima, Aristóteles retrata que A) a virtude humana é a busca da felicidade e não diz respeito à dimensão política que é da esfera do social. B) o verdadeiro homem prudente no âmbito político busca e faz uso do equilíbrio da vida pessoal e social. C) os cidadãos são bons e obedientes às leis, isto é, declinam do valor da virtude humana. D) o homem verdadeiramente político deve buscar o bem e a felicidade na esfera individual. E) a virtude humana é um projeto individual e indiferente no âmbito da convivência político-social. 53 QUESTÃO 22 (Enem PPL 2017) A definição de Aristóteles para enigma é totalmente desligada de qualquer fundo religioso: dizer coisas reais associando coisas impossíveis. Visto que, para Aristóteles, associar coisas impossíveis significa formular uma contradição, sua definição quer dizer que o enigma é uma contradição que designa algo real, em vez de não indicar nada, como é de regra. COLLI, G. O nascimento da filosofia. Campinas: Unicamp, 1996 (adaptado). Segundo o texto, Aristóteles inovou a forma de pensar sobre o enigma, ao argumentar que A) a contradição que caracteriza o enigma é desprovida de relevância filosófica. B) os enigmas religiosos são contraditórios porque indicam algo religiosamente real. C) o enigma é uma contradição que diz algo de real e algo de impossível ao mesmo tempo. D) as coisas impossíveis são enigmáticas e devem ser explicadas em vista de sua origem religiosa. E) a contradição enuncia coisas impossíveis e irreais, porque ela é desligada de seu fundo religioso. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [D] Na obra citada pelo texto da questão, Aristóteles defende que a eudaimonia é a finalidade da vida e de todas as ações humanas, ou seja, todas as atividades humanas seriam motivadas pela busca da eudaimonia, que em grego é o equivalente à “felicidade”. A questão, no entanto, não traz textos ou análises de casos a partir dos quais o aluno possa identificar o conceito cobrado ou levantar reflexões sobre o mesmo, fazendo com que, para responder a questão, o aluno precise fazer uso apenas da memorização. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [C] O texto deixa claro o pensamento aristotélico, segundo o qual a política abrange as outras ciências por ter como finalidade o sumo bem humano. A única alternativa que está de acordo com tal concepção é a [C]. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [A] A ética, dentro do pensamento filosófico aristotélico, constitui uma prática racional e livre, sendo por isso diferente dos demais saberes apontados no texto. RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [A] O pensamento aristotélico era mais difícil de ser conjugado com o pensamento cristão uma vez que valorizava a investigação científica e não pressupunha a existência de um plano superior. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [C] A teoria do conhecimento em Aristóteles busca explicar a mutabilidade da realidade. Para este filósofo, para que se desenvolva um conhecimento verdadeiro, deve-se compreender as etapas que constituem a realidade, objetivando com isto, compreender o processo como um todo. Os conceitos desenvolvidos por ele buscam conhecer a mutabilidade da realidade através da potencialidade (potência), a capacidade para se transformar em um determinado objeto e o processo de transformação (ato), a realização da transformação. Soma-se a isto a relação estabelecida pelo filósofo entre matéria e forma. Assim, quanto maior for a compreensão da relação entre ato e potência e matéria e forma, maior será a compreensão da verdade. No livro “Metafísica” para ele descreve a teoria das 4 causas como sendo: causa formal - a forma, os contornos, a aparência, aquilo que a coisa vai ser; causa material - do que a coisa é 54 feita; causa eficiente - aquilo que produz a coisa; e causa final - a finalidade, aquilo para o qual a coisa é feita. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [C] A partir da associação entre a estrutura corporal de indivíduos escravizados, o trabalho braçal realizado por eles e a suposta inaptidão para o exercício da cidadania, Aristóteles considera esse tipo de trabalho um trabalho puramente físico que dispensa o uso de atividade intelectual, legitimando, dessa forma, um aspecto de natureza cultural da ordem social vigente em sua época a partir do uso de argumentos de natureza biológica. RESPOSTA DA QUESTÃO 07: [B] Aristóteles era pertencente à aristocracia e com isto defendia um sistema de pensamento que considerava a escravidão algo natural. Para ele, cada ser, somente poderia realizar-seem plenitude, seguindo suas aptidões naturais, isto é, seguindo uma natureza que lhes seria própria, assim, Aristóteles realizou a divisão da sociedade em classes. Nesta sociedade idealizada: a classe dos comerciantes era responsável por prover a cidade daquilo que fosse necessário para a sobrevivência; a classe dos guerreiros era responsável por proteger a cidade e a classe dos administradores que tinha como função determinar os melhores rumos para a realização de todos os habitantes da cidade de acordo com suas aptidões naturais. Assim, Aristóteles comparava o escravo a um bem, um instrumento, não sendo diferenciado dos animais, não sendo nem ao menos enquadrados em seu sistema de classes. Uma vez que a escravidão estava garantida, segundo a concepção deste autor, o senhor, o dono do escravo, poderia dedicar-se a atividades próprias aos cidadãos, aos homens livres, ou seja, colaborar para o desenvolvimento pleno da cidade. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [A] De acordo com o pensamento aristotélico, as virtudes éticas se desenvolvem a partir do hábito, ou seja, de uma prática constante de ações moralmente boas, condizentes, portanto, com o bem comum. RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [D] Inicialmente, vale lembrar que Platão não nunca afirmou que o cidadão deveria ser apático, o filósofo afirmava que o cidadão e a cidade ideais eram aqueles cuja razão dominava a parte da alma relativa aos desejos. Se Platão triparte a alma, e uma dessas partes é a parte desiderativa, então como ele poderia negar a existência dessa parte dizendo que o homem deve ser apático? O homem deveria amputar sua alma? E, também, Platão nunca negou a importância do amor e o seu páthos. Em segundo lugar, lembremos que a teoria política de Aristóteles não preconiza exatamente uma cidade ideal, pois ele argumenta que cada agrupamento possui suas peculiaridades próprias e necessita das leis mais convenientes segundo a ciência política. RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [B] A felicidade é a atividade da alma conforme a mais elevada virtude, conforme a excelência da atividade racional. Esta virtude é adquirida através do hábito bem dirigido pela ciência política. Consequentemente, a felicidade é algo divino, pois ela é o que de melhor existiria no mundo, afinal, ela é a realização da felicidade de todos os cidadãos – felicidade atingida através da boa direção da alma de cada um deles. Esse hábito bem dirigido, o pensador adiciona, deve ser persistente de tal modo que o acaso não interfira no todo da vida fazendo do homem feliz apenas em ocasiões fortuitas e brevíssimas. 55 RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [C] Aristóteles parte do senso comum para afirmar que todas as atividades humanas, pragmáticas ou teóricas, miram um bem qualquer, de modo que o bem pode ser definido como aquilo a que todas as ações tendem. Todavia, nem todas as atividades do homem tendem para o bem da mesma maneira, pois algumas ações são seus próprios fins e outras são meios através dos quais se atinge alguma finalidade desejada. O homem é capaz de muitas atividades e, por conseguinte, é capaz de atingir muitos fins. Alguns destes fins estão subordinados a outros – por exemplo, a finalidade da agricultura é a alimentação – e, consequentemente, se não podemos dizer que cultivamos apenas por cultivarmos, ao contrário podemos dizer que nos alimentamos apenas por nos alimentarmos. Entretanto, a questão é que poderíamos considerar todas as nossas atividades, até a alimentação, em função de outras, e o fim visado pela primeira tornar-se-ia o começo da segunda. Se assim considerássemos, a sequência seguiria infinitamente, nos fazendo transitar de uma ação para outra nunca nos tranquilizando. Ora, a atividade humana deve visar o bem tendo em vista aquela atividade mais excelente, o sumo bem. Conhecer tal sumo é, então, de grande importância, pois afetaria a maneira como agimos e facilitaria a realização da nossa felicidade nos dando um bom termo para nossas ações. Segundo o filósofo grego, a política é a arte mestra, pois é decisiva para a determinação dos conteúdos de todas as ciências, isto é, todos os conhecimentos se subordinam à finalidade da política; se considerarmos que o bem é a felicidade e o sumo bem é a felicidade de todos, então a política se torna a mais decisiva das ciências por ser a atividade que realiza o último fim, o sumo bem. Portanto, se a felicidade é a atividade da alma em conformidade com a virtude perfeita, e esta virtude perfeita é adquirida através de um bom hábito dirigido pela ciência política, então a felicidade é algo divino, pois ela é o que de melhor existe no mundo, ou seja, ela é a felicidade de todos os cidadãos atingida pela boa direção da alma de cada um. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [E] A ideia de justiça é fundamental dentro da filosofia aristotélica, sendo, na concepção desse filósofo, uma virtude associada às relações entre os indivíduos da polis. Para Aristóteles, a justiça é relativa à ação correta de um indivíduo em relação à outro a partir da noção de uma justiça distributiva baseada na equidade, cujo fundamento básico é a distribuição à cada um daquilo que lhe é proporcional de acordo com seu mérito individual. Dessa forma, justo é aquilo que é proporcional, sendo tudo o que recebido em excesso ou em pobreza, injusto. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [C] Em Categorias, Aristóteles concebe a substância apenas como indivíduos e define distinções lógicas importantes entre tipos de atributos que se referem a estas substâncias, já em Metafísica, o filósofo engendra uma análise fundante sobre a substância mesma e a posiciona diferentemente como um complexo de matéria e forma. De maneira geral podemos tomar a substância como o ser dito de várias maneiras: 1) ela é o princípio da realidade e do conhecimento, 2) é a causa por excelência sendo em todos os sentidos causa formal, material, eficiente e final, 3) é o suporte de propriedades essenciais e 4) é a essência, ou seja, aquilo sem o qual a coisa deixa de ser o que é. 56 RESPOSTA DA QUESTÃO 14: 01 + 02 + 08 = 11. Seguindo a noção fundamental aristotélica de que o ser é dito de várias maneiras, a amizade é basicamente uma reciprocidade de boas intenções. Porém, as intenções de desejar bem a outro não necessariamente provém do amor, elas podem provir do interesse. Nesse sentido, há boas intenções na direção de outro por amor e por interesse e em ambos os casos há amizade, porém apenas a boa intenção recíproca baseada no amor é realmente amizade. “Os amigos cuja afeição é baseada no interesse não amam um ao outro por si mesmos, e sim por causa de algum proveito que obtêm um do outro. O mesmo raciocínio se aplica àqueles que se amam por causa do prazer; não é por seu caráter que gostamos das pessoas espirituosas, mas porque as achamos agradáveis. Logo, as pessoas que amam as outras por interesses amam por causa do que é bom para si mesmas, e aquelas que amam por causa do prazer amam por causa do que lhes é agradável, e não porque a outra pessoa é a pessoa que ama, mas porque ela é útil ou agradável”. (ARISTÓTELES, 2001p. 155) RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [E] Depois de Platão e Aristóteles devemos compreender que a simples aceitação de uma crença qualquer é uma escolha, é um procedimento arbitrário e não mais uma posição mística agraciada por deus ou deuses misteriosos. A respeito do surgimento da filosofia e seu relacionamento com o discurso mítico podemos dizer que existe sempre uma tensão tanto estabelecida pela oposição quanto pelo confronto – pensando a oposição como estabelecimento de métodos e temas absolutamente distintos e o confronto como embate sobre os temas similares. Os filósofos não eram sacerdotes e nem defensores de explicações misteriosas sobre os fenômenos naturais. É importante compreender quese iniciava nessa época uma reflexão sistemática empenhada em estabelecer um conhecimento que não proviesse da inspiração divina, porém da argumentação pública e da comprovação factual dos argumentos – e a modificação da maneira através da qual as comunidades gregas se estabeleciam (a passagem de uma grande organização fundada em um líder para a pluralidade de líderes de comunidades menores) contribuiu muito para a valorização desse método dialógico de argumentação que exigia a responsabilização do manifestante e, por conseguinte, uma sensatez, que não era prioridade em uma explicação mítica. Enfim, vale indicar por último que apesar de a passagem do mito para o lógos ter sido gradual, afinal é muito difícil que aquilo que sustenta uma comunidade seja alterado rapidamente, esta morosidade da substituição não é necessariamente devida a uma proximidade entre poesia e filosofia. A relação entre ambas existe, porém ela é sempre problemática e instaurada através da tensão. RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [B] O legislador deve, segundo Aristóteles, agir em função do bem comum, perseguindo, portanto, o exercício da virtude. RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [D] Questão filosófica que envolve a grandeza de uma cidade onde o texto destaca que uma cidade melhor para se viver é aquela em que existe uma quantidade de população suficiente que não excede a quantidade necessária para realizar uma vida autossuficiente comum a todos. A alternativa que mantém a ideia central do texto é da letra [D]. A partir das considerações do texto e do conhecimento acerca da ideia de justa-medida formulada por Aristóteles, o aluno deve identificar que, para esse filósofo, a quantidade de habitantes necessários à pólis a mínima necessária para exercer as funções que garantam a autossuficiência e a condução efetiva e justa da vida coletiva. 57 RESPOSTA DA QUESTÃO 18: [C] Segundo a metafísica aristotélica, a aparência dos objetos diz respeito a como os objetos estão em determinado momento. Para compreender o que as coisas são em sua essência seria preciso investigar os princípios que fazem as coisas serem como são. Assim, Aristóteles formulou a Teoria das causas, segundo a qual existiriam princípios fundamentais, ou seja, causas primeiras, que constituiriam o ser enquanto ser, ou a essência que faz o objeto ser tal como ele é. RESPOSTA DA QUESTÃO 19: [D] Aristóteles atribui, para as formas racionais de apreensão da realidade destacadas no texto - o cálculo, a opinião, o conhecimento científico e a intuição - uma hierarquização que classifica as duas últimas como sendo sempre verdadeiras. Dentre essas formas de conhecimento racional que somente admitem o que é verdadeiro, ele atribui, ainda, maior grau de exatidão à intuição, sendo essa, portanto, a única forma de conhecimento adequada para formular juízos acerca dos princípios. RESPOSTA DA QUESTÃO 20: [C] A partir do texto e do conhecimento acerca de filosofia aristotélica, o aluno deve identificar que o Estado tem como função primordial o gerenciamento da vida humana em sociedade. Ao considerar, ainda, que as ações humanas são direcionadas à finalidade da eudaimonia, ou seja, da felicidade, infere-se que também o Estado toma para si esse papel, qual seja, o de tornar possível a realização dessa finalidade, ideia expressa corretamente pela alternativa [C]. RESPOSTA DA QUESTÃO 21: [B] Para Aristóteles, ao homem apto à condução da vida política, é fundamental o domínio da virtude, que, para esse filósofo, se relaciona à justa medida, ou seja, ao equilíbrio tanto na vida pessoal quanto na pública. RESPOSTA DA QUESTÃO 22: [C] Para o autor do texto, a inovação da reflexão filosófica aristotélica acerca do enigma é a admissão do caráter paradoxal inerente a ele, na medida em que associa coisas impossíveis, em uma relação de contradição, para formular algo sobre coisas reais, sendo a alternativa [C] a única que expressa essa ideia. 58 FILOSOFIA HELENÍSTICA QUESTÃO 01 (Enem 2018) A quem não basta pouco, nada basta. EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985. Remanescente do período helenístico, a máxima apresentada valoriza a seguinte virtude: A) Esperança, tida como confiança no porvir. B) Justiça, interpretada como retidão de caráter. C) Temperança, marcada pelo domínio da vontade. D) Coragem, definida como fortitude na dificuldade. E) Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão. QUESTÃO 02 (Enem 2016) Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos. LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988. O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por: A) Desprezar quaisquer convenções e obrigações da sociedade. B) Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz. C) Defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza. D) Aceitar o determinismo e ocupar-se com a esperança transcendente. E) Agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o homem bom e belo. QUESTÃO 03 (Enem 2014) Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano. EPICURO DE SAMOS. “Doutrinas principais”. In: SANSON, V. F. Textos de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974. No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim A) alcançar o prazer moderado e a felicidade. B) valorizar os deveres e as obrigações sociais. C) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação. D) refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade. E) defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber. 59 QUESTÃO 04 (UFSM 2013) A economia verde contém os seguintes princípios para o consumo ético de produtos: a matéria-prima dos produtos deve ser proveniente de fontes limpas e não deve haver desperdício dos produtos. O Estado, entretanto, não impõe, até o presente momento, sanções àqueles cidadãos que não seguem esses princípios. Considere as seguintes afirmações: I. Esses princípios são juízos de fato. II. Esses princípios são, atualmente, uma questão de moralidade, mas não de legalidade. III. A ética epicurista, a exemplo da economia verde, propõe uma vida mais moderada. Está(ão) correta(s) A) apenas I. B) apenas I e II. C) apenas III. D) apenas II e III. E) I, II e III. QUESTÃO 05 (Uem 2013) “Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade. Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo, portanto, quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera.”(Epicuro, Carta sobre a felicidade [a Meneceu]. São Paulo: ed. Unesp, 2002, p. 27. In: COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia. SP: Saraiva, 2006, p. 97). A partir do trecho citado, identifique a soma das alternativas corretas: 01) a morte, por ser um estado de ausência de sensação, não é nem boa, nem má. 02) a vida deve ser considerada em função da morte certa. 04) o tolo não espera a morte, mas vive apoiado nas suas sensações e nos seus prazeres. 08) a certeza da morte torna a vida terrível. 16) a espera da morte é um sofrimento tolo para aquele que a espera. QUESTÃO 06 (Unisc 2012) Nas suas Meditações, o filósofo estoico Marco Aurélio escreveu: “Na vida de um homem, sua duração é um ponto, sua essência, um fluxo, seus sentidos, um turbilhão, todo o seu corpo, algo pronto a apodrecer, sua alma, inquietude, seu destino, obscuro, e sua fama, duvidosa. Em resumo, tudo o que é relativo ao corpo é como o fluxo de um rio, e, quanto á alma, sonhos e fluidos, a vida é uma luta, uma breve estadia numa terra estranha, e a reputação, esquecimento. O que pode, portanto, ter o poder de guiar nossos passos? Somente uma única coisa: a Filosofia. Ela consiste em abster-nos de contrariar e ofender o espírito divino que habita em nós, em transcender o prazer e a dor, não fazer nada sem propósito, evitar a falsidade e a dissimulação, não depender das ações dos outros, aceitar o que acontece, pois tudo provém de uma mesma fonte e, sobretudo, aguardar a morte com calma e resignação, pois ela nada mais é que a dissolução dos elementos pelos quais são formados todos os seres vivos. Se não há nada de terrível para esses elementos em sua contínua transformação, por que, então, temer as mudanças e a dissolução do todo?” 60 Considere as seguintes afirmativas sobre esse texto: I. Marco Aurélio nos diz que a morte é um grande mal. II. Segundo Marco Aurélio, devemos buscar a fama, a riqueza e o prazer. III. Segundo Marco Aurélio, conseguindo fama, podemos transcender a finitude da vida humana. IV. Para Marco Aurélio, a filosofia é valiosa porque nos permite compreender que a morte é parte de um processo da natureza e assim evita que nos angustiemos por ela. V. Para Marco Aurélio, só a fé em Deus e em Cristo pode libertar o homem do temor da morte. VI. Para Marco Aurélio, o homem participa de uma realidade divina. Assinale a alternativa correta. A) Somente as afirmativas I e V estão corretas. B) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. C) Somente as afirmativas IV e VI estão corretas. D) Todas as afirmativas estão corretas. E) Somente a afirmativa IV está correta. QUESTÃO 07 (UFMG 2012) Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja diferente deles. EPICURO. Carta sobre a felicidade (a Meneceu). Trad. de A. Lorencini e E. del Carratore. Com base na leitura desse trecho e considerando outros elementos contidos na obra citada, explique em que medida a representação que se faz dos deuses influência na busca da felicidade. QUESTÃO 08 (UFSJ 2012) Sobre a ética na Antiguidade, é CORRETO afirmar que A) o ideal ético perseguido pelo estoicismo era um estado de plena serenidade para lidar com os sobressaltos da existência. B) os sofistas afirmavam a normatização e verdades universalmente válidas. C) Platão, na direção socrática, defendeu a necessidade de purificação da alma para se alcançar a ideia de bem. D) Sócrates repercutiu a ideia de uma ética intimista voltada para o bem individual, que, ao ser exercida, se espargiria por todos os homens. QUESTÃO 09 (UFSJ 2011) Sobre o ceticismo, é CORRETO afirmar que A) os céticos buscaram uma mediação entre “o ser” e o “poder-ser”. B) o ceticismo relativo tem no subjetivismo e no relativismo doutrinas manifestamente apoiadas em seu princípio maior: toda interatividade possível. C) Protágoras (séc. V a.C.), relativista, afirmou que “o Homem só entende a natureza porque o conhecimento emana dela e nela se instala”. D) Górgias (485-380 a.C.) e Pirro (365-275 a.C.) são apontados como possíveis fundadores do ceticismo absoluto. 61 QUESTÃO 10 (Uenp 2011) Julgue as afirmações sobre a filosofia helenista. I. É o último período da filosofia antiga, quando a polis grega desaparece em razão de invasões sucessivas, por persas e romanos, sendo substituída pela cosmopolis, categoria de referência que altera a percepção de mundo do grego, principalmente no tocante à dimensão política. II. É um período constituído por grandes sistemas e doutrinas que apresentam explicações totalizantes da natureza, do homem, concentrando suas especulações no campo da filosofia prática, principalmente da ética. III. Surgem nesse período a filosofia estoica, o epicurismo, o ceticismo e o neoplatonismo. Estão corretas as afirmativas: A) Todas elas. B) Apenas I e II. C) Apenas III. D) Apenas II e III. E) Apenas I. QUESTÃO 11 (Ueg 2011) Em meados do século IV a.C., Alexandre Magno assumiu o trono da Macedônia e iniciou uma série de conquistas e, a partir daí, construiu um vasto império que incluía, entre outros territórios, a Grécia. Essa dominação só teve fim com o desenvolvimento de outro império, o romano. Esse período ficou conhecido como helenístico e representou uma transformação radical na cultura grega. Nessa época, um pensador nascido em Élis, chamado Pirro, defendia os fundamentos do ceticismo. Ele fundou uma escola filosófica que pregava a ideia de que: A) seria impossível conhecer a verdade. B) seria inadmissível permanecer na mera opinião. C) os princípios morais devem ser inferidos da natureza. D) os princípios morais devem basear-se na busca pelo prazer. QUESTÃO 12 (Uem 2010) A filosofia de Epicuro (341 a 240 a.c.) pode ser caracterizada por uma filosofia da natureza e uma antropologia materialista; por uma ética fundamentada na amizade e a busca da felicidade nos princípios de autarquia (autonomia e independência do sujeito) e de ataraxia (serenidade, ausência de perturbação, de inquietação da mente). Sobre a filosofia de Epicuro, identifique a soma das alternativas corretas: 01) A filosofia de Epicuro fundamenta-se no atomismo de Demócrito. Epicuro acredita que a alma humana é formada de um agrupamento de átomos que se desagregam depois da morte, mas que não se extinguem, pois são eternos, podendo reagrupar-se infinitamente. 02) Para Epicuro, a amizade se expressa, sobretudo, por meio do engajamento político como forma de amar todos os homens representados pela pátria. 04) Epicuro, como seu mestre Demócrito, foi ateu, considera que a crença nos deuses é o resultado da fantasia humana produzida pelo medo da morte. 08) Epicuro critica os filósofos que ficavam reclusos no jardim das suas academias e ensinavam apenas para um grupo restrito de discípulos. Acredita que a filosofia deve ser ensinada nas praças públicas. 16) Para Epicuro, não devemos temer a morte, pois, enquanto vivemos, a morte está ausente e quando ela for presente nós não seremos mais; portanto, a vida e a morte não podem encontrar-se. Devemos exorcizar todo temorda morte e sermos capazes de gozar a finitude da nossa vida. 62 QUESTÃO 13 (UFF 2010) O mundo me condena, e ninguém tem pena Falando sempre mal do meu nome Deixando de saber se eu vou morrer de sede Ou se vou morrer de fome Mas a filosofia hoje me auxilia A viver indiferente assim Nesta prontidão sem fim Vou fingindo que sou rico Pra ninguém zombar de mim Não me incomodo que você me diga Que a sociedade é minha inimiga Pois cantando neste mundo Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo Quanto a você da aristocracia Que tem dinheiro, mas não compra alegria Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente Que cultiva hipocrisia. Assinale a sentença do filósofo grego Epicuro cujo significado é o mais próximo da letra da canção “Filosofia”, composta em 1933 por Noel Rosa, em parceria com André Filho. A) É verdadeiro tanto o que vemos com os olhos como aquilo que apreendemos pela intuição mental. B) Para sermos felizes, o essencial é o que se passa em nosso interior, pois é deste que nós somos donos. C) Para se explicar os fenômenos naturais, não se deve recorrer nunca à divindade, mas se deve deixá-la livre de todo encargo, em sua completa felicidade. D) As leis existem para os sábios, não para impedir que cometam injustiças, mas para impedir que as sofram. E) A natureza é a mesma para todos os seres, por isso ela não fez os seres humanos nobres ou ignóbeis, e, sim suas ações e intenções. 63 QUESTÃO 14 (Uenp 2010) Sobre as escolas éticas do período helenístico, da antiguidade clássica da Filosofia Grega, associe a primeira com a segunda coluna e assinale e alternativa correta. I. Epicurismo II. Estoicismo III. Ceticismo IV. Ecletismo A - É uma moral hedonista. O fim supremo da vida é o prazer sensível; o critério único de moralidade é o sentimento. Os prazeres estéticos e intelectuais são como os mais altos prazeres. B - Visa sempre um fim último ético-ascético, sem qualquer metafísica, mesmo negativa. C - Se nada é verdadeiro, tudo vale unicamente. D - A paixão é sempre substancialmente má, pois é movimento irracional, morbo e vício da alma. A) I – A, II – B, III – C, IV – D. B) I – A, II – B, III – D, IV – C. C) I – A, II – D, III – C, IV – B. D) I – A, II – D, III – B, IV – C. E) I – D, II – A, III – B, IV – C. QUESTÃO 15 (Uem 2008) O Período Helenístico inicia-se com a conquista macedônica das cidades-estados gregas. As correntes filosóficas desse período surgem como tentativas de remediar os sofrimentos da condição humana individual: o epicurismo ensinando que o prazer é o sentido da vida; o estoicismo instruindo a suportar com a mesma firmeza de caráter os acontecimentos bons ou maus; o ceticismo de Pirro orientando a suspender os julgamentos sobre os fenômenos. Sobre essas correntes filosóficas, identifique a soma das alternativas corretas: 01) Os estoicos, acreditando na ideia de um cosmo harmonioso governado por uma razão universal, afirmaram que virtuoso e feliz é o homem que vive de acordo com a natureza e a razão. 02) Conforme a moral estoica, nossos juízos e paixões dependem de nós, e a importância das coisas provém da opinião que delas temos. 04) Para o epicurismo, a felicidade é o prazer, mas o verdadeiro prazer é aquele proporcionado pela ausência de sofrimentos do corpo e de perturbações da alma. 08) Para Epicuro, não se deve temer a morte, porque nada é para nós enquanto vivemos e, quando ela nos sobrevém, somos nós que deixamos de ser. 16) O ceticismo de Pirro sustentou que, porque todas as opiniões são igualmente válidas e nossas sensações não são verdadeiras nem falsas, nada se deve afirmar com certeza absoluta, e da suspensão do juízo advém a paz e a tranquilidade da alma. 64 QUESTÃO 16 (Enem PPL 2017) XI. Jamais, a respeito de coisa alguma, digas: “Eu a perdi”, mas sim: “eu a restituí”. O filho morreu? Foi restituído. A mulher morreu? Foi restituída. “A propriedade me foi subtraída”, então também foi restituída. “Mas quem a subtraiu é mau”. O que te importa por meio de quem aquele que te dá a pede de volta? Na medida em que ele der, faz uso do mesmo modo de quem cuida das coisas de outrem. Do mesmo modo como fazem os que se instalam em uma hospedaria. EPICTETO. Encheirídion. In: DINUCCI, A. Introdução ao Manual de Epicteto. São Cristóvão: UFS, 2012 (adaptado). A característica do estoicismo presente nessa citação do filósofo grego Epicteto é A) explicar o mundo com números. B) identificar a felicidade com o prazer. C) aceitar os sofrimentos com serenidade. D) questionar o saber científico com veemência. E) considerar as convenções sociais com desprezo. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [C] O epicurismo, corrente filosófica criada por Epicuro na Grécia antiga, apresenta uma concepção moral hedonista, a partir da qual a finalidade das ações humanas seria a busca pelo prazer. No entanto, a busca pelo prazer humano, segundo a moral epicurista, deve se assentar no uso da razão, de modo que o indivíduo não seja escravizado pelo desejo, o que levaria a um estado de sofrimento permanente. Seria, portanto, uma postura temperante – ou seja, moderada – diante dos prazeres que tornaria possível ao indivíduo não sofrer por prazeres que não pode obter. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [C] O ceticismo pode ser caracterizado como a consciência da impossibilidade humana de encontrar verdades universais. Assim é que o filósofo não mais se preocupa em buscá-la, preferindo uma vida fundada na dúvida. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [A] A filosofia de Epicuro tem como um de seus princípios a moderação dos desejos e dos prazeres, tal como afirma a alternativa [A], única correta. RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [D] Um juízo de fato é um juízo que diz respeito à disposição da realidade, isto é, se o enunciado estivesse descrevendo a situação atual do consumo: “consumimos produtos de origens de fontes sujas segundo a informação ‘x’ e pela estatística ‘y’ demonstramos que desperdiçamos exageradamente nossa produção”, então ele seria um juízo de fato. No caso, o enunciado expõe um juízo de valor, isto é, de acordo com o que se constata nos fatos deveríamos garantir fontes limpas como matéria-prima da produção e evitar o desperdício desta produção. Como esse juízo de valor ainda não foi avaliado e regulado pelo Estado, então ele é um juízo meramente moral, que reflete unicamente a escolha do sujeito sobre a melhor maneira de organizar seus hábitos. A ética aristotélica, a ética epicurista, basicamente toda a ética antiga, defendia, cada uma a sua maneira, a moderação como uma virtude muitíssimo importante. 65 RESPOSTA DA QUESTÃO 05: 01 + 16 = 17. O pensamento de Epicuro é marcado pela identificação do bem soberano com o prazer, todavia não se pode derivar dessa relação à liberação para uma vida dos prazeres. Os epicuristas determinavam que a felicidade se encontra em uma vida regrada definida segundo uma inteligência prática capaz de ter as paixões como normais, e não como inimigas. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [C] Marco Aurélio foi um imperador que reinou durante um período muito conturbado de guerras e pestes, mas durante sua vida conseguiu escrever a sua peculiar obra e: “Escreveu apenas para si mesmo – o título original dos doze livros, conhecido como Meditações (ou Pensamentos), é O imperador Marco Aurélio para si mesmo. Isso deu à obra uma singularidade inovadora, não pertencendo a nenhum dos gêneros literários conhecidos pela filosofia, pois não assume a forma do tratado doutrinário, nem das confissões, nem dodiário: o exame da consciência. Seu estilo é das sentenças e das fulgurações”. (M. Chaui. Introdução à história da filosofia; As escolas helenísticas, vol. II. São Paulo: Companhia das Letras, 2010). RESPOSTA DA QUESTÃO 07: Segundo a filosofia epicurista, o homem chega à felicidade por meio da ataraxia, que corresponde ao estado de tranquilidade da alma. Tal estado só é possível de ser alcançado se os homens deixam de temer a morte e os deuses. Uma vez que os deuses são indiferentes aos homens e existem somente em uma dimensão que não pode influenciá-los, a falsa crença de que os deuses “causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons” cria no homem um estado de angústia, que o impede de chegar à ataraxia. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [A] Há aqui a necessidade de esclarecer que sistematicamente a ética estoica é enunciada de acordo com a física, quer dizer, dado que o estoicismo constrói uma física da causalidade necessária (as leis da natureza são necessárias e de certo evento ocorrerá uma consequência inevitável), a ética lida com a ideia de destino e, por conseguinte, não há contingência caso um evento seja, e se faça, sempre verdadeiro. Isto estabelecido, temos: “De acordo com Diógenes de Laércio, os estoicos distinguiam na ética, enquanto parte da filosofia, “lugares” ou objetos de estudos: o impulso ou tendência, hormé; os bens e males; as paixões, páthé; a virtude, areté; o sumo bem, télos; as ações; as condutas conveniente, kathekonta; e o que convém aconselhar ou impedir. A ética é elaborada em dois movimentos: um que vai da psicologia da tendência aos valores (bem e mal) que orientam positiva ou negativamente as ações, passa pelas perturbações que podem afetá-las (paixões) e chega à perfeição (virtude, bem) e às especificações concretas ações morais (convenientes); e outro, que vai do ideal do sábio às especificações concretas de conduta e à pedagogia moral. Toda ação ética é orientada por um fim único (télos), em vista do qual todo o resto é meio ou fim parcial. O fim último é a felicidade (eudaimonía) daquele que vive bem porque realiza plenamente sua natureza. Os estoicos consideram que a virtude basta para a felicidade, da qual ela é a causa, mas não é ela o télos ou o sumo bem, que é viver em conformidade (homología) com a natureza, isto é, consigo mesmo e com o mundo. A infelicidade, portanto, é o desacordo ou o conflito consigo mesmo e com a natureza”. (M. Chaui. Introdução à história da filosofia: as escolas helenísticas, vol. II. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 156) 66 RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [D] Todas as alternativas, com exceção da [D] estão incorretas. O ceticismo admite a impossibilidade de um conhecimento absoluto das coisas. Dentre os filósofos que podem ser relacionados a esse modo de pensar estão justamente Górgias e Pirro. RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [A] Sobre o helenismo, Marilena Chaui afirma: “Nesse longo período, que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros Padres da Igreja, a Filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus”. (Chaui, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 9ª ed. 1997, p. 34.) Por meio dessa citação verifica-se como as afirmações I e II são verdadeiras. Por fim, pode- se dizer que a terceira também é verdadeira, uma vez que apresenta justamente as escolas filosóficas que surgiram nesse contexto. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [A] Também chamado de ceticismo prático, o pirronismo baseia-se na ideia de que é impossível conhecer a realidade, que é sempre contingente e mutável. Assim, o que restaria ao homem seria renunciar a busca pela verdade, exatamente como se afirma na alternativa A. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: 01 + 16 = 17 As afirmativas [02], [04] e [08] são falsas. A amizade, para Epicuro, estava relacionada com a prática filosófica e não com a prática política. A vida política seria não natural. A amizade se daria entre semelhantes, que viveriam reclusos da multidão. Epicuro também nunca negou a existência de deuses, ainda que pensasse ser improvável a preocupação destes com os problemas dos homens. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [B] De forma resumida, a doutrina de Epicuro é uma filosofia do prazer. Achar o caminho de maior felicidade e tranquilidade, evitando a dor, era a máxima epicurista. No entanto, não se trata da busca de qualquer prazer, que é evidente na canção de Noel Rosa quando exalta sua vida de sambista e nela encontrar indiferença para os que vivem em função do “dinheiro que não compra alegria”. Para Epicuro, a música era um dos prazeres no qual o ser humano ao encontrar, não devia jamais se separar. Epicuro não faz uma defesa do carpe diem ou da libertinagem irresponsável. O prazer em questão não é nunca trivial ou vulgar. Na carta a Meneceu, Epicuro afirma que “nem todo o prazer é digno de ser desejado”, da mesma forma que nem toda dor deve ser evitada incondicionalmente. A deturpação do conceito de prazer usado por Epicuro foi algo que ocorreu durante a sua vida, e ele teve, portanto, a oportunidade de rebater: “Quando dizemos então, que o prazer é a finalidade da nossa vida, não queremos referir-nos aos prazeres dos gozadores dissolutos, para os quais o alvo é o gozo em si. É isso que creem os ignorantes ou aqueles que não compreendem a nossa doutrina ou querem, maldosamente, não entender a sua verdade. Para nós, prazer significa: não ter dores no âmbito físico e não sentir falta de serenidade no âmbito da alma”. Em outras palavras, a ataraxia, a quietude, a ausência de dor, a serenidade e a imperturbabilidade da alma. 67 RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [D] O epicurismo é muito conhecido como a filosofia da amizade. Por considerar como um bem a procura por prazeres, o epicurismo é muitas vezes considerado como uma manifestação filosófica hedonista. O estoicismo se relaciona com o estado de apathea (apatia), considerado como um estado de indiferença em relação às emoções e paixões. O ceticismo se relaciona com uma moral que questiona a metafísica. Por fim, o ecletismo pode ser considerado como uma corrente de síntese filosófica. A expressão maior desse modelo de pensamento é “Se nada é verdadeiro, tudo vale unicamente”. RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [01 + 02 + 04 + 08 + 16 = 31] Todas as afirmativas são corretas a respeito dessas três correntes helenísticas. Todas essas correntes fazem parte daquela que é também chamada de Filosofia cosmopolita. Nesse 68 FILOSOFIA MEDIEVAL – INTRODUÇÃO/SANTO AGOSTINHO (PATRÍSTICA) QUESTÃO 01 (Eece 2019) Em diálogo com Evódio, Santo Agostinho afirma: “parecia a ti, como dizias, que o livre- arbítrio da vontade não devia nos ter sido dado, visto que as pessoas servem-se dele para pecar. Eu opunha à tua opinião que não podemos agir com retidão a não ser pelo livre-arbítrio da vontade. E afirmava que Deus no-lo deu, sobretudo em vista desse bem. Tu me respondeste que a vontade livre devia nos ter sido dada do mesmo modo como nos foi dada a justiça, da qual ninguém pode se servir a não ser com retidão”. AGOSTINHO. O livre-arbítrio, Introdução, III, 18, 47. Com base nessa passagem acerca do livre- arbítrio da vontade, em Agostinho, é correto afirmar que A) o livre-arbítrio é o que conduz o homem ao pecado e ao afastamento de Deus. B) o poder de decisão ‒ arbítrio ‒ da vontade humana é o que permite a ação moralmente reta. C) é da vontade de Deus que o homem não tenha capacidade de decidir pelo pecado, já que o Seu amor pelo homem é maior do que o pecado. D) a ação justaé aquela que foi praticada com o livre-arbítrio; injusta é aquela que não ocorreu por meio do livre-arbítrio. QUESTÃO 02 (Eece 2019) “O maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Manes ou Maniqueu, filósofo cristão do século III, que divide o mundo simplesmente entre Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.” Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manique%C3%AD smo. Contra o maniqueísmo, Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) afirmava que A) Deus é o Bem absoluto, ao qual se contrapõe o Mal absoluto.] B) as criaturas só são más numa consideração parcial, mas são boas em si mesmas C) toda a criação era boa e tornou-se má, pois foi dominada pelo pecado após a Queda. D) a totalidade da criação é boa em si mesma, mas singularmente há criaturas boas e más. 69 QUESTÃO 03 (ufu 2018) Agostinho, em Confissões, diz: "Mas após a leitura daqueles livros dos platônicos e de ser levado por eles a buscar a verdade incorpórea, percebi que 'as perfeições invisíveis são visíveis em suas obras' (Carta de Paulo aos Romanos, 1, 20)". Agostinho de Hipona. Confissões, livro VII, cap. 20, citado por: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. Tradução do autor. Nesse trecho, podemos perceber como Agostinho A) se utilizou da Bíblia para conhecer melhor a filosofia platônica. B) utiliza a filosofia platônica para refutar os textos bíblicos. C) separa nitidamente os domínios da filosofia e da religião. D) foi despertado para o conhecimento de Deus a partir da filosofia platônica. QUESTÃO 04 (Uem 2017) “Embora o cristianismo não seja uma filosofia, ele afeta de forma profunda o pensamento filosófico da época [Idade Média], uma vez que o filósofo cristão se depara com o problema da sua realidade finita e imperfeita diante da divindade infinita e perfeita.” ARANHA, M. L. de A. Temas de filosofia. 3ª. ed. rev. São Paulo: Moderna, 2005, p.110. Sobre a patrística e a escolástica, identifique a soma das alternativas corretas: 01) A filosofia medieval assume a herança dos filósofos gregos, sobretudo Platão (na patrística) e Aristóteles (na escolástica), de forma submissa e dogmática. 02) Santo Agostinho (354-430) é o maior representante da filosofia patrística. A patrística preocupava-se em encontrar justificativas racionais para as verdades reveladas. 04) Segundo a filosofia patrística, a revelação divina ensina quem tem fé a utilizar corretamente o conhecimento sensível. 08) Tomás de Aquino (1225-1274) considera a filosofia como conhecimento racional e tem como um dos seus principais temas filosóficos a adequação entre as coisas e o entendimento. 16) O problema de maior relevância para a filosofia do século XIII é a querela dos universais, doutrina filosófica segundo a qual os realistas preponderam sobre os nominalistas. 70 QUESTÃO 05 (Uem 2017) “Isto agora é límpido e claro: nem as coisas futuras existem, nem as coisas passadas, nem dizemos apropriadamente ‘existem três tempos: o passado, o presente e o futuro’. Mas talvez pudéssemos dizer apropriadamente ‘existem três tempos: o presente das coisas passadas, o presente das coisas presentes, o presente das coisas futuras’. Pois os três estão de alguma maneira na alma e eu não os vejo em outro lugar: o presente das coisas passadas é a memória, o presente das coisas presentes é o olhar, o presente das coisas futuras é a expectativa”. SANTO AGOSTINHO, Confissões, in: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 43. A partir do texto citado, identifique a soma das alternativas corretas: 01) O tempo é algo compreendido pela alma, e não algo presente nas coisas. 02) Para Santo Agostinho, existem três tempos distintos: passado, presente e futuro. 04) O futuro é um tempo de expectativa para a alma. 08) O presente é algo que se põe diante do olhar da alma. 16) O passado é visto em outro lugar, e nós o acessamos pela memória. QUESTÃO 06 (Ufu 2013) A fé ajuda o conhecimento e o amor de Deus, não no sentido de que no-lo faça conhecer e amar porque antes de fato não o conhecíamos ou não o amávamos, mas nos ajuda a conhecê-lo de modo mais luminoso e a amá-lo com amor mais firme. Agostinho, A Trindade, VIII, 9, 13. A) Para Agostinho, a fé não tem um caráter a- racional ou metarracional, e sim um preciso valor cognoscitivo. Assim, qual é, para ele, a relação entre razão e fé? B) Em qual teoria Agostinho se baseia para afirmar os critérios de conhecimento imutáveis e necessários que vêm de Deus? QUESTÃO 07 (Ufu 2019) Não foram poucos, porém, aqueles que dispensaram até mesmo essa comprovação racional da fé. Foi o caso de religiosos que desprezavam a filosofia grega. Mas houve também aqueles que defenderam o conhecimento da filosofia grega, percebendo a possibilidade de utilizá-la como instrumento a serviço do cristianismo. Conciliando com a fé cristã, esse estudo permitiria à Igreja enfrentar os descrentes e derrotar os hereges, empregando as armas da argumentação lógica. COTRIM, Gilberto e FERNANDES, Mirna. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 241. (Adaptado) A) Disserte sobre os motivos que levaram à rejeição da filosofia grega por parte dos primeiros cristãos. B) Cite e explique, pelo menos, um conceito filosófico grego que foi apropriado e reelaborado por Santo Agostinho. 71 QUESTÃO 08 (Enem 2012) TEXTO I Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras. BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado). TEXTO II Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha”. GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado). Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que: A) eram baseadas nas ciências da natureza. B) refutavam as teorias de filósofos da religião. C) tinham origem nos mitos das civilizações antigas. D) postulavam um princípio originário para o mundo. E) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas. QUESTÃO 09 (Uem-pas 2012) As questões religiosas influenciaram diversos aspectos da sociedade europeia medieval. No universo político, por exemplo, perante um poder diluído em virtude da organização feudal da sociedade, a Igreja Católica representavauma instituição com poder unificador. Nos âmbitos cultural e artístico, a construção e a decoração de igrejas, as músicas e os ritos litúrgicos e a exegese dos textos sagrados contribuíram para o florescimento de uma arte sacra. Até mesmo no campo da Filosofia, as discussões eram pautadas por questões religiosas, pois a principal preocupação dos filósofos medievais era conciliar fé e razão. A respeito desses aspectos da sociedade medieval, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A Patrística foi a filosofia e a teologia desenvolvidas pelos padres da Igreja para encontrar justificativas racionais para as verdades reveladas. 02) A Escolástica dedicou-se, preponderantemente, a produzir teses e discussões inaugurais sobre filosofia, uma vez que, sob a supervisão da Igreja, os filósofos não tinham acesso a textos de autores clássicos. 04) O Barroco, estilo artístico que reflete o sentimento humano de conflito entre si e a divindade, apareceu no período medieval. 08) A seita dos Cátaros e a dos Albigenses foram consideradas heréticas porque defendiam doutrinas dualistas que conflitavam com a doutrina católica da ressurreição e o modo de vida levado pelos membros eclesiásticos. 16) Em A Divina Comédia, o poeta florentino Dante Alighieri resumiu a visão filosófica e o espírito religioso da sociedade medieval. Nessa obra, Alighieri descreve uma viagem imaginária e cheia de simbolismo, por meio do inferno, do purgatório e do paraíso. 72 QUESTÃO 10 (Ufu 2012) Na medida em que o Cristianismo se consolidava, a partir do século II, vários pensadores, convertidos à nova fé e, aproveitando-se de elementos da filosofia greco-romana que eles conheciam bem, começaram a elaborar textos sobre a fé e a revelação cristãs, tentando uma síntese com elementos da filosofia grega ou utilizando-se de técnicas e conceitos da filosofia grega para melhor expor as verdades reveladas do Cristianismo. Esses pensadores ficaram conhecidos como os Padres da Igreja, dos quais o mais importante a escrever na língua latina foi santo Agostinho. COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia: Ser, Saber e Fazer. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 128. (Adaptado) Esse primeiro período da filosofia medieval, que durou do século II ao século X, ficou conhecido como A) Escolástica. B) Neoplatonismo. C) Antiguidade tardia. D) Patrística. QUESTÃO 11 (Ufu 2012) Segundo Agostinho de Hipona (354-430), as ideias ou formas originárias de todas as coisas, razões estáveis e imutáveis das coisas de nosso mundo, estão contidas na mente divina e não nascem nem morrem, e tudo o que, em nosso mundo, nasce e morre é formado a partir delas. Essas ideias eternas não são criaturas, antes, participam da Sabedoria eterna, mediante a qual Deus criou todas as coisas e são idênticas a Ele. Assim, conhecemos verdadeiramente quando nos voltamos para tais ideias; sendo o fundamento da natureza das coisas são também o fundamento para o conhecimento dessas mesmas coisas; assim, por meio delas podemos formar juízos verdadeiros sobre elas. INÁCIO, Inês. C. & LUCA, Tânia R. de. O Pensamento Medieval. São Paulo, São Paulo: Ática, 1988, p. 26. Levando em consideração o texto acima e a teoria da iluminação de Agostinho, responda: O que são as ideias eternas? Qual o seu papel ou função em nosso conhecimento do mundo? 73 QUESTÃO 12 (UFMG 2011) Leia este trecho: Ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais que o movimento do sol, da lua e dos astros. Não concordei. Por que não seria antes o movimento de todos os corpos? Se os astros parassem e continuasse a mover-se a roda do oleiro, deixaria de haver tempo para medirmos suas voltas? [...] Ou, ao dizermos isto, não falamos nós no tempo, e não há nas nossas palavras sílabas longas e sílabas breves, assim chamadas, porque umas ressoam durante mais tempo e outras durante menos tempo? SANTO AGOSTINHO. Confissões (Livro XI: O Homem e o Tempo). Tradução de J. Oliveira Santos e Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 286. Nesse trecho, o autor argumenta contra a identificação do tempo ao movimento dos astros. Apresente o argumento proposto por Santo Agostinho. QUESTÃO 13 (UFU 2011) Segundo o texto abaixo, de Agostinho de Hipona (354-430 d. C.), Deus cria todas as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou razões seminais, como também são chamadas, não existem em um mundo à parte, independentes de Deus, mas residem na própria mente do Criador, [...] a mesma sabedoria divina, por quem foram criadas todas as coisas, conhecia aquelas primeiras, divinas, imutáveis e eternas razões de todas as coisas, antes de serem criadas [...]. Sobre o Gênese, V Considerando as informações acima, é correto afirmar que se pode perceber: A) que Agostinho modifica certas ideias do cristianismo a fim de que este seja concordante com a filosofia de Platão, que ele considerava a verdadeira. B) uma crítica radical à filosofia platônica, pois esta é contraditória com a fé cristã. C) a influência da filosofia platônica sobre Agostinho, mas esta é modificada a fim de concordar com a doutrina cristã. D) uma crítica violenta de Agostinho contra a filosofia em geral. 74 QUESTÃO 14 (UFU 2010) A filosofia de Agostinho (354 – 430) é estreitamente devedora do platonismo cristão milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino que leu os textos de Plotino e de Porfírio, cujo espiritualismo devia aproximá-lo do cristianismo. Ouvindo sermões de Ambrósio, influenciados por Plotino, que Agostinho venceu suas últimas resistências (de tornar-se cristão). PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística ocidental. In: CHÂTELET, François (org.) A Filosofia medieval. Rio de Janeiro Zahar Editores: 1983, p. 77. Apesar de ter sido influenciado pela filosofia de Platão, por meio dos escritos de Plotino, o pensamento de Agostinho apresenta muitas diferenças se comparado ao pensamento de Platão. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma dessas diferenças. A) Para Agostinho, é possível ao ser humano obter o conhecimento verdadeiro, enquanto, para Platão, a verdade a respeito do mundo é inacessível ao ser humano. B) Para Platão, a verdadeira realidade encontra- se no mundo das Ideias, enquanto para Agostinho não existe nenhuma realidade além do mundo natural em que vivemos. C) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto para Platão a alma não é imortal, já que é apenas a forma do corpo. D) Para Platão, o conhecimento é, na verdade, reminiscência, a alma reconhece as Ideias que ela contemplou antes de nascer; Agostinho diz que o conhecimento é resultado da Iluminação divina, a centelha de Deus que existe em cada um. QUESTÃO 15 (Ueg 2010) Os primeiros séculos da era cristã são os da constituição dos dogmas cristãos. A tarefa da filosofia desenvolvida pelos padres da Igreja nesta época é a de encontrar justificativas racionais para as verdades reveladas, ou seja, conciliar fé e razão. Santo Agostinho é o principal representante deste período que ficou conhecido como A) racionalismo. B) escolástica. C) fideísmo. D) patrística. QUESTÃO 16 (Enem 2019) De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usarpara pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada? AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a) A) desvio da postura celibatária. B) insuficiência da autonomia moral. C) afastamento das ações de desapego. D) distanciamento das práticas de sacrifício, E) violação dos preceitos do Velho Testamento. 75 QUESTÃO 17 (Enem 2018) Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e nada realizava”, dizem eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda ação? Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criara, como pode haver verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma vontade que antes não existia?” AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril Cultural, 1984. A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo da reflexão filosófica sobre a(s) A) essência da ética cristã. B) natureza universal da tradição. C) certezas inabaláveis da experiência. D) abrangência da compreensão humana. E) interpretações da realidade circundante. QUESTÃO 18 (Unesp 2016) Não posso dizer o que a alma é com expressões materiais, e posso afirmar que não tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou larga, ou dotada de força física, e não tem coisa alguma que entre na composição dos corpos, como medida e tamanho. Se lhe parece que a alma poderia ser um nada, porque não apresenta dimensões do corpo, entenderá que justamente por isso ela deve ser tida em maior consideração, pois é superior às coisas materiais exatamente por isso, porque não é matéria. É certo que uma árvore é menos significativa que a noção de justiça. Diria que a justiça não é coisa real, mas um nada? Por conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material? (Santo Agostinho. Sobre a potencialidade da alma, 2015. Adaptado.) No texto de Santo Agostinho, a prova da existência da alma A) desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões objetivas. B) antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das ideias. C) serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento escolástico. D) é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial. E) é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da moralidade. 76 QUESTÃO 19 (Enem PPL 2015) Se os nossos adversários, que admitem a existência de uma natureza não criada por Deus, o Sumo Bem, quisessem admitir que essas considerações estão certas, deixariam de proferir tantas blasfêmias, como a de atribuir a Deus tanto a autoria dos bens quanto dos males. Pois sendo Ele fonte suprema da Bondade, nunca poderia ter criado aquilo que é contrário à sua natureza. AGOSTINHO. A natureza do Bem. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2005 (adaptado). Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal porque A) o surgimento do mal é anterior à existência de Deus. B) o mal, enquanto princípio ontológico, independe de Deus. C) Deus apenas transforma a matéria, que é, por natureza, má. D) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal. E) Deus se limita a administrar a dialética existente entre o bem e o mal. QUESTÃO 20 (Uncisal 2012) A filosofia de Santo Agostinho é essencialmente uma fusão das concepções cristãs com o pensamento platônico. Subordinando a razão à fé, Agostinho de Hipona afirma existirem verdades superiores e inferiores, sendo as primeiras compreendidas a partir da ação de Deus. Como se chama a teoria agostiniana que afirma ser a ação de Deus que leva o homem a atingir as verdades superiores? A) Teoria da Predestinação. B) Teoria da Providência. C) Teoria Dualista. D) Teoria da Emanação. E) Teoria da Iluminação. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [B] Segundo o pensamento de Agostinho, o livre-arbítrio é uma dádiva divina dos indivíduos racionais que possibilita a liberdade de agir segundo a própria vontade. Para ele, o livre arbítrio é o uso consciente da própria liberdade, de modo que implica a escolha da retidão ou do pecado. Com efeito, sendo o livre agir um “dom” concedido por Deus, ação moralmente correta só poderia ser aquela que, conscientemente, o indivíduo, no uso da sua liberdade de decisão, escolheu seguir. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [B] Para Agostinho de Hipona, todas as coisas que existem teriam origem divina, o que levava a um conflito em relação à origem do mal. Nesse sentido, Agostinho critica o maniqueísmo e a separação rigorosa entre bem e mal, pois, para ele, a essência dos indivíduos só poderia ser boa, haja vista que Deus só criaria aquilo que é bom. Assim, o mal só existiria em uma consideração parcial, o que se relaciona com o livre arbítrio humano. Com efeito, o aluno deve identificar a alternativa [B] como a única correta. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [D] O trecho abordado demonstra que o processo de sistematização da doutrina cristã elaborado por Agostinho de Hipona teve sua base teórica na filosofia clássica grega, mais especificamente na filosofia platônica. Assim, observa-se que o pensador reinterpreta a obra de Platão segundo os valores cristãos, adaptando seu conteúdo à análise dos temas teológicos. 77 RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [02 + 04 + 08 = 14] A filosofia desenvolvida no período medieval, que teve grande influência da filosofia grega, teve como principal característica a busca pela racionalização da fé cristã, a partir da premissa de que a relação entre a fé e a razão levaria ao aperfeiçoamento humano. A filosofia patrística, que tem como principal representante Agostinho de Hipona, predominou nos primeiros séculos do período medieval e buscou formular uma argumentação racional e ontológica para a existência do Deus cristão e para a doutrina cristã, defendendo a fé como principal fundamento para direcionar a vida e a moral humanas a partir do conhecimento sensível. Nessa perspectiva, o aluno deve identificar os itens [02] e [04] como corretos. A filosofia escolástica teve como expoente mais importante Tomás de Aquino, que, através da leitura e da reinterpretação dos textos aristotélicos, enfatizou o uso da razão para o entendimento da doutrina cristã, buscando justificar a existência de Deus e das verdades reveladas através da sistematização dos argumentos e da superação das contradições através do pensamento lógico. Com base nisso, o aluno deve apontar o item [08] como correto. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [01 + 04 + 08 = 13] Ao apresentar sua concepção de tempo, Agostinho destaca uma noção de tempo fora das coisas materiais, presente na alma, como se observa no trecho “pois os três estão de alguma maneira na alma e eu não os vejo em outro lugar”, em que ele se refere aos três tempos, de modo que o item [01] pode ser considerado correto. As afirmações dos itens [04] e [08] também podem ser identificadas no texto, no fragmento “o presente das coisas presentes é o olhar, o presente das coisas futuras é a expectativa”. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: a) A fé, para Agostinho, é consolidadae feita inteligível pela razão, e a razão é orientada e feita compreensão pela fé. Para o filósofo cristão, o mais importante era que a fé fosse a principal busca da razão, que o homem acreditasse realmente para, então, poder compreender. b) Com relação ao conceito de ideias eternas na filosofia de Agostinho, podemos dizer que as ideias eternas são os modelos ou formas originárias a partir das quais Deus cria todas as coisas; elas mesmas, porém, não são criadas por Deus nem têm uma existência independente dEle, mas são coeternas com Ele, estão na mente divina. Com relação à função dessas ideias em nosso conhecimento, podemos afirmar que, sendo os modelos para a criação das coisas, as ideias eternas também são os modelos para o nosso conhecimento; assim, nós conhecemos as coisas voltando-nos para essas ideias, que contemplamos em nós por causa da iluminação divina. A teoria agostiniana é influenciada, podemos dizer de modo geral, pelo pensamento de Platão e dos filósofos neoplatônicos. 78 RESPOSTA DA QUESTÃO 07: Entre os primeiros cristãos, são observados diversos elementos e referências à filosofia grega, mostrando uma conciliação entre a filosofia e o cristianismo. Contudo, alguns pensadores cristãos assumem uma postura de rejeição e ruptura com a herança filosófica grega. Esses cristãos buscaram defender uma diferenciação da sabedoria divina em relação à produção de conhecimento do mundo dos homens, uma vez que essa última estaria fundamentada na razão e na arte discursiva da oratória. Assim, para eles, as tentativas de explicar as verdades da fé através da razão levaria a um processo de racionalização distorcida do que foi criado e revelado por Deus, resultando em um pensamento herético. Entretanto, apesar da rejeição por parte de alguns dos primeiros cristãos, a tentativa de conciliar fé e razão a partir da aproximação entre filosofia e cristianismo foi a postura predominante. b) Na filosofia agostiniana, a fé é precedente da razão, de modo que o conhecimento verdadeiro não pode ser alcançado no mundo sensível, mas apenas em Deus, em um plano divino. Assim, a mente humana e a capacidade de pensamento racional, que possibilita o entendimento acerca das questões divinas, teriam sido criadas por Deus. Agostinho formula, então, a Teoria da Iluminação, segundo a qual as capacidades racionais seriam provenientes de um “resquício” divino. Essa teoria resgata a Teoria da Reminiscência de Platão, segundo a qual haveria “resquícios” do mundo das ideias na alma humana, que possibilitariam o exercício da razão. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [D] Anaxímenes de Mileto (585–528 a.C.) é um filósofo pré-socrático preocupado com a cosmologia, isto é, preocupado com a ordenação das coisas que compões o mundo. Desse modo, a sua filosofia posiciona princípios dos quais ele pensa poder derivar de maneira coerente e coesa o sentido da existência de tudo que há na natureza. Já São Basílio Magno (329–379 d.C.) é um teólogo preocupado com a propagação da verdade revelada pela Bíblia, o livro que já oferece toda a ordenação das coisas que compõem o mundo. Desse modo, Deus não é exatamente um princípio do qual se origina o mundo, mas sim o próprio criador desse mundo, o seu dono e conhecedor de todas as suas regras cosmológicas. 79 RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [01 + 08 + 16 = 25] A Patrística é o estudo dos chamados "Patronos da Igreja", ou seja, é o estudo dos escritos daqueles primeiros escritores dos primórdios do cristianismo. Esse período é geralmente delimitado entre o fim do Novo Testamento ou o final da Era Apostólica até a data do Concílio da Calcedónia (451 d.C.) ou até o século VIII d.C. no segundo Concílio de Niceia. Basicamente, estes escritos pretendem justificar, defender e propagar as verdades da fé cristã. A Escolástica era o estilo de reflexão teológica que buscava conciliar a filosofia aristotélica aos dogmas da Igreja. A filosofia medieval é movida por querelas intelectuais nas quais de um lado encontramos os teólogos e de outro os filósofos, ou de um lado os defensores do conhecimento pela fé e de outro os defensores do conhecimento pela razão, ou de um lado a revelação bíblica e de outro a investigação dos filósofos gregos. A partir do século XII, com as traduções feitas pela escola de Toledo das obras de Aristóteles, essas disputas se acirraram. À primeira vista, o aristotelismo era incompatível com a doutrina cristã. No aristotelismo, por exemplo, não havia nenhuma noção de deus criador, de providência divina, de alma imortal, de queda e redenção do homem – todas estas noções caras à doutrina cristã. Essa incompatibilidade levou à censura da obra de Aristóteles. Porém, a capacidade intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua inabalável fé cristã resolveram tais incompatibilidades com uma cristianização efetiva da filosofia aristotélica. RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [D] A Patrística é o estudo dos chamados "Patronos da Igreja", ou seja, é o estudo dos escritos daqueles primeiros escritores dos primórdios do cristianismo. Esse período é geralmente delimitado entre o fim do Novo Testamento ou o final da Era Apostólica até a data do Concílio da Calcedónia (451 d.C.) ou até o século VIII d.C. no segundo Concílio de Niceia. Basicamente, esses escritos pretendem justificar, defender e propagar as verdades da fé cristã. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: Com relação ao conceito de ideias eternas na filosofia de Agostinho, podemos dizer que as ideias eternas são os modelos ou formas originárias a partir das quais Deus cria todas as coisas; elas mesmas, porém não são criadas por Deus nem têm uma existência independente dEle, mas são coeternas com Ele, estão na mente divina. Com relação à função dessas ideias em nosso conhecimento, podemos afirmar que, sendo os modelos para a criação das coisas, as ideias eternas também são os modelos para o nosso conhecimento; assim, nós conhecemos as coisas voltando-nos para essas ideias, que contemplamos em nós por causa da iluminação divina. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: Agostinho (354 – 430), nascido em Tagaste, província romana situada na África, utiliza-se no trecho em questão do argumento de que um corpo ao ser utilizado para medir o tempo é descartado como referência. Como cristão Agostinho toma os corpos celestes apenas como criação divina. 80 RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [C] A concepção de Deus para Platão era de um Deus do intelecto, para Agostinho este conceito cai totalmente, para ele, Agostinho, Deus pode estar nos dois lugares ao mesmo tempo; tanto no intelecto, quanto criador do mundo da natureza como ser criador de todas as coisas. Tal concepção do homem provinha de Platão, para o qual o homem é definido como uma alma que se serve de um corpo. Agostinho mantém esse conceito com todas as consequências lógicas que ele comporta. Assim, o verdadeiro conhecimento não seria a apreensão de objetos exteriores ao sujeito, devido à sua variabilidade, e sim, a descoberta de regras imutáveis, como o princípio ético segundo o qual é necessário fazer o bem e evitar o mal. Tal conhecimento se refere às realidades não sensíveis cujo caráter fundamental seria a necessidade, pois são o que são e não podiam ser diferentes. Agostinho supera o ceticismo mediante o iluminismo platônico. Inicialmente, ele conquista a certeza da própria existência espiritual, e deste conceito tira uma verdade particular, de que Deus enquanto verdade onipotente, onisciente pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Embora desvalorize o conhecimento platônico da sensibilidade em relação ao conhecimento intelectual, admite Agostinho que os sentidos, como o intelecto são fonte de conhecimento.Para Agostinho, a fé e a razão complementam-se na busca da felicidade e da graça. A graça, para ele, não é alcançada por procedimento intelectual, mas por ato de intuição e fé. Mas a razão se relaciona com a fé no sentido de provar a sua correção. Ou seja, a fé é precedida por certo trabalho da razão e, após obtê-la, a razão a sedimenta. A razão relaciona-se, portanto, duplamente com a fé. É necessário compreender para crer, e crer para compreender. Aqui se percebe que, para Agostinho, a filosofia é apenas um instrumento destinado a um fim que transcende seus próprios limites. RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [D] Agostinho faz das Ideias os pensamentos de Deus e rejeita a doutrina da reminiscência que supõe a preexistência da alma que exclui a possibilidade do criacionismo, típico da teoria agostiniana que segundo alguns autores é a doutrina platônica transformada no criacionismo com aquela luz de que falam nas Sagradas Escrituras que orientam a inteligência humana que é dom de Deus e em Platão, é uma lembrança da alma enquanto contempladora do mundo das essências. RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [D] Somente a alternativa D está correta, pois é conhecida como “filosofia patrística” o período filosófico dominado pelas ideias desenvolvidas por padres católicos – durante a fase final do Império Romano - e que dariam origem à escolástica (por volta dos séculos VIII-IX). Tem em Santo Agostinho seu maior expoente, cujo pensamento se voltava aos problemas de Deus e da alma, tentando conciliar o ensinamento da Bíblia com a filosofia platônica. RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [B] A ideia de livre-arbítrio é o mais conhecido conceito de Agostinho de Hipona. Segundo ele, o ser humano foi criado de forma livre. No entanto, quando se utiliza dessa liberdade para se distanciar do seu fim, ele peca, ou seja, comete o mal e pode ser punido por isso. 81 RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [D] O trecho da obra destacado aborda, a partir da óptica de Agostinho, o questionamento da ideia do caráter eterno de Deus a partir da reflexão sobre o ato da Criação. Trata-se, portanto, de uma compreensão humana sobre o dogma da eternidade divina. Como se infere a partir do trecho ”estão ainda cheios de velhice espiritual” em que Agostinho se refere àqueles que questionam o dogma cristão, o pensador apresenta uma crítica à interpretação das ações divinas a partir do intelecto humano. O aluno deve perceber, partindo dessas considerações, que a postura de Agostinho e a dos homens que ele critica reflete um conflito acerca da abrangência do intelecto humano para 82 FILOSOFIA MEDIEVAL – SÃO TOMÁS DE AQUINO/ESCOLÁSTICA QUESTÃO 01 (Uece 2019) “Portanto, deve-se dizer que como a lei escrita não dá força ao direito natural, assim também não pode diminuir-lhe nem suprimir- lhe a força; pois, a vontade humana não pode mudar a natureza. Portanto, se a lei escrita contém algo contra o direito natural, é injusta e não tem força para obrigar. Pois, só há lugar para o direito positivo, quando, segundo o direito natural, é indiferente que se proceda de uma maneira ou de outra, como já foi explicado acima. Por isso, tais textos não hão de chamar leis, mas corrupções da lei, como já se disse. E portanto, não se deve julgar de acordo com elas.” Tomás de Aquino, Suma Teológica, II, Questão 60, Art. 5. Com base na passagem acima, é correto afirmar que A) a lei escrita só é legítima se for baseada no direito natural. B) o direito positivo não é a lei escrita, mas dos costumes. C) o direito natural só é legítimo se expresso na lei escrita. D) não há diferença entre direito natural e direito positivo. QUESTÃO 02 (Uem 2018) Considere os trechos selecionados abaixo. Texto 1: “Todavia, mais do que para qualquer outro animal, é natural para o ser humano ser um animal social e político, ou seja, viver junto a muitos, como o demonstra a necessidade natural. Com efeito, no caso dos demais animais, a natureza preparou-lhes a comida; como vestimento, proveu-os de pelos; [...]. Mas a natureza não dotou o ser humano dessas coisas. Ao invés disso, foi-lhe dada a razão que o habilita a preparar tudo isso com suas mãos. Porém, como um único ser humano não é suficiente para fazer todas essas coisas, então um ser humano sozinho não pode levar, de maneira suficiente, sua vida. Logo, é natural ao ser humano que ele viva em sociedade junto a muitos.” TOMÁS DE AQUINO. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 667). Texto 2: “[...] durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra, e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Pois a guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida.” (HOBBES, T. Leviatã, São Paulo: Abril, 1988, p. 54). A partir dos textos acima e de teses do pensamento político de Tomás de Aquino e de Thomas Hobbes, indique a soma das alternativas corretas. 83 01) A cidade, para Tomás de Aquino, é forma superior de organização natural e visa ao bem viver do homem. 02) Hobbes não considera que haja uma disposição natural à socialização dos homens, sendo necessária a intervenção artificial para congregá-los em sociedade. 04) Para Tomás de Aquino, não é possível pensar a noção de autoridade como meio de alcançar o bem comum para todos aqueles que vivem em sociedade. 08) Para Hobbes, a autoridade coercitiva do Estado é o único meio de assegurar a boa convivência em sociedade. 16) O pensamento político de Tomás de Aquino tem origem comunitária, e o de Hobbes, origem individualista. QUESTÃO 03 (Ufu 2018) Considere o trecho abaixo, extraído da Suma de Teologia de Tomás de Aquino (1224-1274), texto em que ele apresenta uma das célebres cinco vias pelas quais se pode provar a existência de Deus. “A quinta via é assumida a partir do governo das coisas. Vemos, com efeito, que aquilo que carece de inteligência, ou seja, os corpos naturais, opera em vista de um fim, o que se percebe pelo fato de sempre ou frequentemente operarem do mesmo modo a fim de atingir o que é o melhor. Daí fica claro que não é por acaso, e sim intencionalmente que atingem este fim. Mas o que não tem inteligência não tende a um fim se não for dirigido por algo cognoscente e inteligente, assim como a flecha pelo arqueiro. Portanto, há algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas a seu fim, e este dizemos que é Deus.” AQUINO, Tomás de. Suma de Teologia, questão 2, artigo 3. A) Segundo Tomás de Aquino, a prova sobre a existência de Deus não é uma demonstração de fato (caso em que seria evidente), e sim uma prova a partir dos efeitos. Explique por que essa quinta via é uma prova a partir dos efeitos. B) Descreva como Tomás de Aquino se utiliza da filosofia de Aristóteles na elaboração dessa prova. QUESTÃO 04 (Uem 2017) “Embora o cristianismo não seja uma filosofia, ele afeta de forma profunda o pensamento filosófico da época [Idade Média], uma vez que o filósofo cristão se depara com o problema da sua realidade finita e imperfeita diante da divindade infinita e perfeita.” ARANHA, M. L. de A. Temas de filosofia. 3ª. ed. rev.São Paulo: Moderna, 2005, p.110. Sobre a patrística e a escolástica, indique a soma das alternativas corretas: 01) A filosofia medieval assume a herança dos filósofos gregos,sobretudo Platão (na patrística) e Aristóteles (na escolástica), de forma submissa e dogmática. 02) Santo Agostinho (354-430) é o maior representante da filosofia patrística. A patrística preocupava-se em encontrar justificativas racionais para as verdades reveladas. 04) Segundo a filosofia patrística, a revelação divina ensina quem tem fé a utilizar corretamente o conhecimento sensível. 08) Tomás de Aquino (1225-1274) considera a filosofia como conhecimento racional e tem como um dos seus principais temas filosóficos a adequação entre as coisas e o entendimento. 16) O problema de maior relevância para a filosofia do século XIII é a querela dos universais, doutrina filosófica segundo a qual os realistas preponderam sobre os nominalistas. 84 QUESTÃO 05 (Uem-pas 2017) Tomás de Aquino foi um filósofo e teólogo do século XIII que se dedicou a escrever sobre questões de teologia cristã, de exegese bíblica, de metafísica, de ética e também de política. Tomás de Aquino afirma: “Duas coisas são necessárias para a vida de um homem. Uma principal, que é o agir de acordo com a virtude, uma vez que a virtude é aquilo pelo que se vive bem. A outra é secundária e como que instrumental, a saber, a existência suficiente daqueles bens necessários ao agir virtuoso. A unidade do ser humano é causada pela natureza, ao passo que a unidade da coletividade, que é denominada paz, deve ser produzida pela ação do governante.” TOMÁS DE AQUINO. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: MARÇAL, J. (org.). Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED, 2009, p. 690. Sobre a filosofia política de Tomás de Aquino, indique a soma das alternativas corretas. 01) Segundo Tomás de Aquino, o rei deverá ser educado de acordo com a lei divina, de forma que busque garantir os meios pelos quais os súditos possam viver bem. 02) Porque o ser humano é racional, ao contrário dos demais animais, ele é capaz de viver isoladamente e não depende da coletividade para o viver bem e alcançar sua felicidade. 04) A melhor forma de governo é aquela em que a autoridade está nas mãos de uma única pessoa, que deve agir de modo que o bem comum seja alcançado por todos os cidadãos. 08) As regras para a cooperação entre os cidadãos são definidas por meio de eleições populares. 16) Para Tomás de Aquino, a violência é o maior perigo à paz social, porque afasta as pessoas e produz grupos que não são mais capazes de cooperar em favor do bem comum. QUESTÃO 06 (Ufu 2013) Com efeito, existem a respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe, que há um só Deus etc. AQUINO, Tomás de. Súmula contra os Gentios. Capítulo Terceiro: A possibilidade de descobrir a verdade divina. Tradução de Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 61. Para São Tomás de Aquino, a existência de Deus se prova A) por meios metafísicos, resultantes de investigação intelectual. B) por meio do movimento que existe no Universo, na medida em que todo movimento deve ter causa exterior ao ser que está em movimento. C) apenas pela fé, a razão é mero instrumento acessório e dispensável. D) apenas como exercício retórico. 85 QUESTÃO 07 (Unesp 2013) Texto 1 Para santo Tomás de Aquino, o poder político, por ser uma instituição divina, além dos fins temporais que justificam a ação política, visa outros fins superiores, de natureza espiritual. O Estado deve dar condições para a realização eterna e sobrenatural do homem. Ao discutir a relação Estado-Igreja, admite a supremacia desta sobre aquele. Considera a Monarquia a melhor forma de governo, por ser o governo de um só, escolhido pela sua virtude, desde que seja bloqueado o caminho da tirania. Texto 2 Maquiavel rejeita a política normativa dos gregos, a qual, ao explicar “como o homem deve agir”, cria sistemas utópicos. A nova política, ao contrário, deve procurar a verdade efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”. O método de Maquiavel estipula a observação dos fatos, o que denota uma tendência comum aos pensadores do Renascimento, preocupados em superar, através da experiência, os esquemas meramente dedutivos da Idade Média. Seus estudos levam à constatação de que os homens sempre agiram pelas formas da corrupção e da violência. (Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins. Filosofando, 1986. Adaptado.) Explique as diferentes concepções de política expressadas nos dois textos. QUESTÃO 08 (Ufu 2012) A teologia natural, segundo Tomás de Aquino (1225-1274), é uma parte da filosofia, é a parte que ele elaborou mais profundamente em sua obra e na qual ele se manifesta como um gênio verdadeiramente original. Se se trata de física, de fisiologia ou dos meteoros, Tomás é simplesmente aluno de Aristóteles, mas se se trata de Deus, da origem das coisas e de seu retorno ao Criador, Tomás é ele mesmo. Ele sabe, pela fé, para que limite se dirige, contudo, só progride graças aos recursos da razão. GILSON, Etienne. A Filosofia na Idade Média, São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 657. De acordo com o texto acima, é correto afirmar que A) a obra de Tomás de Aquino é uma mera repetição da obra de Aristóteles. B) Tomás parte da revelação divina (Bíblia) para entender a natureza das coisas. C) as verdades reveladas não podem de forma alguma ser compreendidas pela razão humana. D) é necessário procurar a concordância entre razão e fé, apesar da distinção entre ambas. 86 QUESTÃO 09 (UFF 2012) A grande contribuição de Tomás de Aquino para a vida intelectual foi a de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão natural, inclusive a respeito de certas questões da religião. Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas modalidades de verdade acerca de Deus. A primeira refere-se a verdades da revelação que a razão humana não consegue alcançar, por exemplo, entender como é possível Deus ser uno e trino. A segunda modalidade é composta de verdades que a razão pode atingir, por exemplo, que Deus existe. A partir dessa citação, indique a afirmativa que melhor expressa o pensamento de Tomás de Aquino. A) A fé é o único meio do ser humano chegar à verdade. B) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. C) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar certas verdades por seus meios naturais. D) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. E) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele. QUESTÃO 10 (Uem 2012) Tomás de Aquino (1225-1274), no seu livro A Realeza, afirma: “Comecemos apresentando o que se deve entender pela palavra rei. Com efeito, em todas as coisas que se ordenam a um fim que pode ser alcançado de diversos modos, faz-se necessário algum dirigente para que se possa alcançar o fim do modo mais direto. Por exemplo, um navio, que se move em diversas direções pelo impulso de ventos opostos, não chegará ao seu fim de destino se não for dirigido ao porto pela habilidade do comandante”. (AQUINO, T. de. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 667.) Conforme esse trecho, indique a soma das alternativas corretas: 01) o rei, como um dirigente, não tem um poder opressor ou dominador sobre os súditos. 02) o rei é aquele que realiza as coisas semintermediários. 04) o rei não é necessário em todas as decisões, mas somente naquelas que envolvem interesses coletivos. 08) as ações do rei não precisam levar em conta os desejos dos súditos, mas considerar aquilo que é melhor para o reino. 16) o rei ou o comandante tem a função de dirigir, orientar, o que não implica uma imposição de sua vontade aos súditos. 87 QUESTÃO 11 (Uem-pas 2012) As questões religiosas influenciaram diversos aspectos da sociedade europeia medieval. No universo político, por exemplo, perante um poder diluído em virtude da organização feudal da sociedade, a Igreja Católica representava uma instituição com poder unificador. Nos âmbitos cultural e artístico, a construção e a decoração de igrejas, as músicas e os ritos litúrgicos e a exegese dos textos sagrados contribuíram para o florescimento de uma arte sacra. Até mesmo no campo da Filosofia, as discussões eram pautadas por questões religiosas, pois a principal preocupação dos filósofos medievais era conciliar fé e razão. A respeito desses aspectos da sociedade medieval, indique a soma das alternativas corretas: 01) A Patrística foi a filosofia e a teologia desenvolvidas pelos padres da Igreja para encontrar justificativas racionais para as verdades reveladas. 02) A Escolástica dedicou-se, preponderantemente, a produzir teses e discussões inaugurais sobre filosofia, uma vez que, sob a supervisão da Igreja, os filósofos não tinham acesso a textos de autores clássicos. 04) O Barroco, estilo artístico que reflete o sentimento humano de conflito entre si e a divindade, apareceu no período medieval. 08) A seita dos Cátaros e a dos Albigenses foram consideradas heréticas porque defendiam doutrinas dualistas que conflitavam com a doutrina católica da ressurreição e o modo de vida levado pelos membros eclesiásticos. 16) Em A Divina Comédia, o poeta florentino Dante Alighieri resumiu a visão filosófica e o espírito religioso da sociedade medieval. Nessa obra, Alighieri descreve uma viagem imaginária e cheia de simbolismo, por meio do inferno, do purgatório e do paraíso. QUESTÃO 12 (UFU 2011) Considere o seguinte texto sobre Tomás de Aquino (1226-1274). Fique claro que Tomás não aristoteliza o cristianismo, mas cristianiza Aristóteles. Fique claro que ele nunca pensou que, com a razão se pudesse entender tudo; não, ele continuou acreditando que tudo se compreende pela fé: só quis dizer que a fé não estava em desacordo com a razão, e que, portanto, era possível dar-se ao luxo de raciocinar, saindo do universo da alucinação. Eco, Umberto. “Elogio de santo Tomás de Aquino”. In: Viagem na irrealidade cotidiana, p.339. É correto afirmar, segundo esse texto, que: A) Tomás de Aquino, com a ajuda da filosofia de Aristóteles, conseguiu uma prova científica para as certezas da fé, por exemplo, a existência de Deus. B) Tomás de Aquino se empenha em mostrar os erros da filosofia de Aristóteles para mostrar que esta filosofia é incompatível com a doutrina cristã. C) o estudo da filosofia de Aristóteles levou Tomás de Aquino a rejeitar as verdades da fé cristã que não fossem compatíveis com a razão natural. D) a atitude de Tomás de Aquino diante da filosofia de Aristóteles é de conciliação desta filosofia com as certezas da fé cristã. 88 QUESTÃO 13 (UFF 2010) A importância do filósofo medieval Tomás de Aquino reside principalmente em seu esforço de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão. Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz: “As verdades que professamos acerca de Deus revestem uma dupla modalidade. Com efeito, existem a respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe, que há um só Deus etc. Estas últimas verdades, os próprios filósofos as provaram por meio de demonstração, guiados pela luz da razão natural”. A partir dessa citação, identifique a opção que melhor expressa esse pensamento de Tomás de Aquino. A) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. B) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. C) A fé é o único meio de o ser humano chegar à verdade. D) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar por seus meios naturais certas verdades. E) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele. QUESTÃO 14 (UFU 2009) Santo Tomás de Aquino, nascido em 1224 e falecido em 1274, propôs as cinco vias para o conhecimento de Deus. Estas vias estão fundamentadas nas evidências sensíveis e racionais. A primeira via afirma que os corpos inanimados podem ter movimento por si mesmos. Assim, para que estes corpos tenham movimento é necessário que algo os mova. Esta concepção leva à necessidade de um primeiro motor imóvel, isto é, algo que mesmo não sendo movido por nada pode mover todas as coisas. Sobre a primeira via, que é a do movimento, marque a alternativa correta. A) Para que os objetos tenham movimento é necessário que algo os mova; dessa forma, entende-se que é necessário um primeiro motor. Logo, podemos entender que Deus não é necessário no sistema. B) Para Santo Tomás, os objetos inanimados movem-se por si mesmos e esse fenômeno demonstra a existência de Deus. C) A demonstração do primeiro motor não recorre à sensibilidade, dispensando toda e qualquer observação da natureza, uma vez que sua fundamentação é somente racional. D) Conforme o argumento da primeira via podemos concluir que Deus é o motor imóvel, o qual move todas as coisas, mas não é movido. 89 QUESTÃO 15 (Ueg 2009) A Idade Média e a Idade Moderna são duas fases da história europeia marcadas, em muitos aspectos, por visões distintas de mundo: a primeira, teocêntrica, procurava conciliar fé e razão; a segunda, antropocêntrica, se destaca pelo racionalismo. Em termos filosóficos, seus principais representantes foram, respectivamente: A) Tomás de Aquino e René Descartes. B) Santo Agostinho e Thomas Hobbes. C) Maquiavel e Bossuet. D) Cícero e Copérnico. QUESTÃO 16 Espm 2009) No século XIII surgiu a Escolástica, corrente filosófica que, a partir de então, dominou o pensamento medieval. (Rubim Santos Leão de Aquino. História das Sociedades: das Comunidades Primitivas às Sociedades Medievais) A Escolástica: A) a) teve em Santo Agostinho seu maior expoente e era teocêntrica; B) b) teve em Alberto Magno seu maior expoente e refutava o teocentrismo, pregando o antropocentrismo; C) c) teve em Tomás de Aquino seu principal expoente e foi uma tentativa de harmonizar a razão com a fé; D) d) considerava que a razão podia proporcionar uma visão completa e unificada da natureza ou da sociedade; E) e) pregava o recurso racional da força, sendo este mais importante do que o exercício da virtude ou da fé. QUESTÃO 17 (Enem PPL 2019) Tomás de Aquino, filósofo cristão que viveu no século XIII, afirma: a lei é uma regra ou um preceito relativo às nossas ações. Ora, a norma suprema dos atos humanos é a razão. Desse modo, em última análise, a lei está submetida à razão; é apenas uma formulação das exigências racionais. Porém, é mister que ela emane da comunidade, ou de uma pessoa que legitimamente a representa. GILSON, E.; BOEHNER, P. História da filosofia cristã. Petrópolis: Vozes, 1991 (adaptado). No contexto do século XIII, a visão política do filósofo mencionado retomao a) pensamento idealista de Platão. b) conformismo estoico de Sêneca. c) ensinamento místico de Pitágoras. d) paradigma de vida feliz de Agostinho. e) conceito de bem comum de Aristóteles. 90 QUESTÃO 18 (Enem 2018) Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002. O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por a) reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos. b) sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé. c) explicar as virtudes teologais pela demonstração. d) flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados. e) justificar pragmaticamente crença livre de dogmas. QUESTÃO 19 (Enem PPL 2016) Enquanto o pensamento de Santo Agostinho representa o desenvolvimento de uma filosofia cristã inspirada em Platão, o pensamento de São Tomás reabilita a filosofia de Aristóteles – até então vista sob suspeita pela Igreja –, mostrando ser possível desenvolver uma leitura de Aristóteles compatível com a doutrina cristã. O aristotelismo de São Tomás abriu caminho para o estudo da obra aristotélica e para a legitimação do interesse pelas ciências naturais, um dos principais motivos do interesse por Aristóteles nesse período. MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. A Igreja Católica por muito tempo impediu a divulgação da obra de Aristóteles pelo fato de a obra aristotélica a) valorizar a investigação científica, contrariando certos dogmas religiosos. b) declarar a inexistência de Deus, colocando em dúvida toda a moral religiosa. c) criticar a Igreja Católica, instigando a criação de outras instituições religiosas. d) evocar pensamentos de religiões orientais, minando a expansão do cristianismo. e) contribuir para o desenvolvimento de sentimentos antirreligiosos, seguindo sua teoria política. 91 QUESTÃO 20 (Enem 2015) Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim de destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim. AQUINO. T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado). No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de a) refrear os movimentos religiosos contestatórios. b) promover a atuação da sociedade civil na vida política. c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum. d) reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística. e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual. QUESTÃO 21 (Espm 2014) Seu principal objetivo era demonstrar, por um raciocínio lógico formal, a autenticidade dos dogmas cristãos. A filosofia devia desempenhar um papel auxiliar na realização deste objetivo. Por isso a tese de que a filosofia está a serviço da teologia. (Antonio Carlos Wolkmer – Introdução à História do Pensamento Político) O texto deve ser relacionado com: a) a filosofia epicurista. b) a filosofia escolástica. c) a filosofia iluminista. d) o socialismo. e) o positivismo. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [A] A partir da leitura do texto, percebe-se que, segundo o pensamento de Tomás de Aquino, a legitimidade da lei escrita reside na conformidade com o direito natural. Nesse sentido, apenas deve ser considerada válida e, portanto, justa, a lei escrita que não se oponha ou negue, de alguma maneira, o direito natural. Partindo dessa perspectiva, apenas a alternativa [A] está correta. 92 RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [01 + 02 + 08 + 16 = 27] Para Tomás de Aquino, a vida junto a seus semelhantes possui um caráter natural entre os homens, sendo a organização em sociedade um estado condicionante para que os indivíduos possam atingir as potencialidades que os distinguem dos outros animais, o que expressa uma noção comunitária dessa organização. Essa concepção se contrapõe à de Thomas Hobbes, para quem a vida em sociedade se dá em prol de um interesse individual, qual seja, o de evitar a insegurança da condição de guerra. Assim, para Hobbes, o estabelecimento da sociedade civil seria resultado de uma necessidade prática, e não da natureza humana, sendo, portanto, necessária a autoridade e a força do Estado para a efetivação da vida coletiva em harmonia. Essas ideias são expressas pelos itens [01], [02], [08] e [16]. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: A) “Há duas espécies de demonstração. Uma, pela causa, pelo por que das coisas, a qual se apoia simplesmente nas causas primeiras. Outra, pelo efeito, que é chamada a posteriori, embora se baseie no que é primeiro para nós; quando um efeito nos é mais manifesto que a sua causa, por ele chegamos ao conhecimento desta. Ora, podemos demonstrar a existência da causa própria de um efeito, sempre que este nos é mais conhecido que aquela; porque, dependendo os efeitos da causa, a existência deles supõe, necessariamente, a preexistência desta. Por onde, não nos sendo evidente, a existência de Deus é demonstrável pelos efeitos que conhecemos.” (Tomás de Aquino, Suma Teológica, questão 2, Art. 2). Assim, a quinta via toma como princípio a finalidade dos seres, ou seja, o fato de que tudo o que carece de inteligência opera em vista de um fim, que busca alcançar o que é o melhor. Essa finalidade não pode ser alcançada sem que haja uma intenção ou causa. Para Tomás de Aquino, pensar que essa finalidade possa ser alcançada sem que haja uma causa anterior é tão absurdo como querer que uma flecha possa alcançar o alvo sem ser antes arremessada por um arqueiro. Partindo-se desse princípio, o filósofo afirma que o correto uso do entendimento pode conduzir o raciocínio ao conhecimento de uma causa anterior e sucessiva, até que não se possa afirmar nenhuma outra que não seja a primeira causa, ou seja, Theós (Deus). Por isso, afirma-se que a quinta via é uma prova a partir dos efeitos, pois é a partir do conhecimento da natureza criada que podemos conhecer algo a respeito do Criador. B) De acordo com Aristóteles (Metafísica, Livro V, 1013 a 24), entende-se por causa “aquilo de que como um material imanente provém o ser de uma coisa”. Assim, é inconcebível que um ser imanente seja ele próprio a sua própria causa, dependendo ele de uma causa anterior que fundamente a sua existência. Da mesma maneira, o pensamento aristotélico valoriza a experiência como forma de acesso ao conhecimento; e a experiência nos mostra coisas múltiplas que se harmonizam ou buscam se harmonizar em vistas de um fim comum. Para Aristóteles, é forçoso que exista uma ordem anterior e primeira à qual ele denomina de primeiromotor imóvel. Portanto, tomando o estagirita como referência, e acrescentando os fundamentos da sua teologia e filosofia cristã, segundo as quais a Alma é conhecida pelos seus atos, Tomás de Aquino afirma que Deus é essa causa primeira que ordena as coisas para que elas possam realizar o seu fim. 93 RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [02 + 04 + 08 = 14] A filosofia desenvolvida no período medieval, que teve grande influência da filosofia grega, teve como principal característica a busca pela racionalização da fé cristã, a partir da premissa de que a relação entre a fé e a razão levaria ao aperfeiçoamento humano. A filosofia pratrística, que tem como principal representante Agostinho de Hipona, predominou nos primeiros séculos do período medieval e buscou formular uma argumentação racional e ontológica para a existência do Deus cristão e para a doutrina cristã, defendendo a fé como principal fundamento para direcionar a vida e a moral humanas a partir do conhecimento sensível. Nessa perspectiva, o aluno deve identificar os itens [02] e [04] como corretos. A filosofia escolástica teve como expoente mais importante Tomás de Aquino, que, através da leitura e da reinterpretação dos textos aristotélicos, enfatizou o uso da razão para o entendimento da doutrina cristã, buscando justificar a existência de Deus e das verdades reveladas através da sistematização dos argumentos e da superação das contradições através do pensamento lógico. Com base nisso, o aluno deve apontar o item [08] como correto. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [01 + 04 + 16 = 21] Para Tomás de Aquino, “o objeto das virtudes teológicas é o próprio Deus, que é a última finalidade de tudo e acima do conhecimento da nossa razão. Por outro lado, o objeto das virtudes morais e intelectuais é algo compreensível à razão humana.” Assim, para esse pensador, as leis se dividem em leis naturais, que têm como finalidade a preservação da vida humana, leis positivas, que têm como finalidade a preservação da sociedade e as leis divinas, ligadas à Deus e que levariam ao paraíso, sendo estas últimas aquelas que guiam todas as demais. O Estado, portanto, para Aquino, deve ser subordinado à moral cristã e à religião, sendo a monarquia a forma de governo defendida por ele para a condução ao bem coletivo a partir das leis divinas. Com efeito, apenas os itens [01], [04] e [16] devem ser identificados como corretos. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [B] A filosofia medieval é movida por querelas intelectuais nas quais de um lado encontramos os teólogos e de outro os filósofos, ou de um lado os defensores do conhecimento pela fé e de outro os defensores do conhecimento pela razão, ou de um lado a revelação bíblica e de outro a investigação dos filósofos gregos. A partir do século XII, com as traduções feitas pela escola de Toledo das obras de Aristóteles, essas disputas se acirraram. À primeira vista, o aristotelismo era incompatível com a doutrina cristã. No aristotelismo, por exemplo, não havia nenhuma noção de deus criador, de providência divina, de alma imortal, de queda e redenção do homem – todas estas noções caras à doutrina cristã. Essa incompatibilidade levou à censura da obra de Aristóteles. Porém, a capacidade intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua inabalável fé cristã resolveram tais incompatibilidades com uma cristianização efetiva da filosofia aristotélica. Um exemplo da capacidade de Tomás está na sua apropriação da tese de Aristóteles sobre o Primeiro Motor (para haver um móvel é necessário que exista um imóvel, para que exista a passagem da potência para o ato é necessário haver algo que seja ato puro), e transformação desta em prova da existência do Deus cristão; essa é uma das cinco provas da existência de Deus aceitas por Santo Tomás. Porém, a questão do vestibular possui um problema grave, pois a alternativa: “por meios metafísicos, resultantes de investigação intelectual”, é correta segundo esta afirmação do texto citado: “existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe”. 94 RESPOSTA DA QUESTÃO 07: A primeira concepção é por princípio uma concepção política teológica. O poder político é instituído por Deus e a finalidade da ação política é a salvação. O Estado, por conseguinte, deve se conformar de tal maneira que permita, ou melhor, condicione o homem a viver em função do fim maior, em função da eternidade representada na salvação. São Tomás é evidentemente um católico, considerando a primazia de sua religião sobre quaisquer necessidades mundanas, organizando o poder político e a ação do cidadão de tal maneira que reflita apropriadamente os dogmas da Igreja. A segunda concepção é por princípio uma concepção política moderna, ou pré-moderna. A primeira superação perpetrada por Maquiavel é a superação do discurso antigo a respeito da necessidade do homem manter um hábito guiado pelas virtudes cardiais: sabedoria, coragem, temperança e magnanimidade. Não que o homem não deva possuir tais características, todavia elas não devem de modo algum impedi-lo de realizar uma ação cruel se assim se demonstrar útil para que ele efetive o seu poder. A segunda superação perpetrada por Maquiavel é a superação do discurso escolástico que predispunha o começo, meio e fim das coisas a partir da certeza da palavra revelada. O mundo da experiência é guiado pela fortuna e não se faz sentido impedir que certas ações se realizem, pois circunstancialmente elas podem ser as melhores. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [D] Santo Tomás de Aquino separa a fé e a razão, garantindo que cada uma tenha o seu mérito. A fé é meritosa quando trata das questões relacionadas com o divino; já a razão é meritosa quando trata das questões relacionadas com a natureza. A fé não possui mérito para tratar das questões que a razão é capaz de indicar provas suficientes, do mesmo modo a razão não possui mérito para tratar daquilo que é questão de fé. Porém, Tomás de Aquino também afirma que as verdades doutrinais – aquelas que dependem da fé – são geralmente confirmadas pela razão, de tal maneira que a razão pode ser útil para o fortalecimento da fé. O uso da razão persuasiva pode, então, servir à fé, fortalecendo a crença ou convencendo o descrente da verdade revelada cristã. RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [C] Tomás de Aquino, ainda que considere a razão humana limitada, não despreza as suas possibilidades de conhecimento. Não é por acaso que ele desenvolve as cinco vias de demonstração racional da existência de Deus. Verifica-se, portanto, como a teoria do conhecimento de Tomás de Aquino está intimamente relacionada com a sua intenção de superar a dicotomia entre fé e razão. 95 RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [01 + 04 + 08 + 16 = 29] Santo Tomás, retomando a sua maneira a política de Aristóteles, distingue as formas de governo em formas injustas e formas justas: 1) dentre as injustas, estão: a tirania, a oligarquia e a democracia, sendo a primeira o uso do poder através da força de um, a segunda através da força de poucos e a terceira através da força de muitos; na oligarquia alguns poucos ricos oprimem os pobres e na democracia os muitos pobres oprimem os ricos; 2) dentre as justas, estão: a monarquia, a aristocracia e a politia; todas estas formas justas se caracterizam pelo uso do poder para o favorecimento do coletivo, sendo assim, o rei de uma monarquia usa o poder para bem guiar seus governados, os homens bons de uma aristocracia usam o poder para bem guiar a cidade e, do mesmo modo, a coletividade constituída de homens que fazem bom uso da razão. Por conseguinte, o rei é um dirigente cuja finalidade de sua ação é dirigir a cidade para o bem da coletividade e nunca para o seu próprio favorecimento. “Do quefoi dito, fica claro que pertence à noção de rei que ele é único, que governa e que é um pastor que busca o bem comum da coletividade e não o seu interesse próprio”. (AQUINO, Sto. Tomás de. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 670) RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [01 + 08 + 16 = 25] A Patrística é o estudo dos chamados "Patronos da Igreja", ou seja, é o estudo dos escritos daqueles primeiros escritores dos primórdios do cristianismo. Esse período é geralmente delimitado entre o fim do Novo Testamento ou o final da Era Apostólica até a data do Concílio da Calcedónia (451 d.C.) ou até o século VIII d.C. no segundo Concílio de Niceia. Basicamente, estes escritos pretendem justificar, defender e propagar as verdades da fé cristã. A Escolástica era o estilo de reflexão teológica que buscava conciliar a filosofia aristotélica aos dogmas da Igreja. A filosofia medieval é movida por querelas intelectuais nas quais de um lado encontramos os teólogos e de outro os filósofos, ou de um lado os defensores do conhecimento pela fé e de outro os defensores do conhecimento pela razão, ou de um lado a revelação bíblica e de outro a investigação dos filósofos gregos. A partir do século XII, com as traduções feitas pela escola de Toledo das obras de Aristóteles, essas disputas se acirraram. À primeira vista, o aristotelismo era incompatível com a doutrina cristã. No aristotelismo, por exemplo, não havia nenhuma noção de deus criador, de providência divina, de alma imortal, de queda e redenção do homem – todas estas noções caras à doutrina cristã. Essa incompatibilidade levou à censura da obra de Aristóteles. Porém, a capacidade intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua inabalável fé cristã resolveram tais incompatibilidades com uma cristianização efetiva da filosofia aristotélica. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [D] No século VIII, Carlos Magno, rei dos francos foi coroado imperador do Ocidente em 800 d.C pelo Papa Leão III. Ele organizou o ensino e fundou escolas ligadas às instituições católicas, deste modo, a cultura greco-romana protegida entre os muros dos mosteiros até então, voltou a ser divulgada e mais tarde, a partir do século XI no ambiente cultural destas escolas e com o surgimento das primeiras universidades surgiu a produção filosófico-teológica denominada escolástica (palavra derivada de escola). A partir do século XIII, o aristotelismo penetrou de forma profunda no pensamento escolástico, marcando-o definitivamente isto porque as obras de Aristóteles, desconhecidas até então, foram traduzidas diretamente do grego para o latim. 96 Tomás de Aquino é a figura mais destacada do pensamento de sua época, por isto sua filosofia parece que surgiu com o objetivo claro de não contrariar a fé de modo que sua finalidade era organizar um conjunto de argumentos para demonstrar e defender as revelações da fé cristã revivendo no pensamento aristotélico um instrumento a serviço da religião católica - o que imediatamente anula a questão B -, ao mesmo tempo em que transformou nesta filosofia a busca de argumentos para demonstrar e defender as revelações do cristianismo. Umberto Eco tem razão, pois é Tomás de Aquino quem cristianiza Aristóteles, assim, para sustentar a afirmação do mesmo o próprio Tomás de Aquino diz: “Se é correto que a verdade da fé cristã ultrapassa as capacidades da razão humana, nem por isso os princípios inatos naturalmente à razão podem estar em contradição com esta verdade sobrenatural”. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [D] A alternativa D é a que melhor exprime o pensamento de Tomás de Aquino, porque na citação fica evidente a limitação da razão humana, como demonstra a seguinte passagem: “existem a respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana”. Logo, seria incorreto afirmar que “a filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus” (alternativa A). Por outro lado, não há nada na citação e tampouco está de acordo com o pensamento de Tomás de Aquino que o conhecimento só pode ser alcançado por meio da verdade concedida por Deus (alternativa B) ou mesmo que a verdade só é alcançada por meio da fé (alternativa C). Entretanto, embora a razão humana seja limitada, ela pode atingir algumas verdades acerca de Deus, contrariando, assim, a afirmação da alternativa E. RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [D] Somente a alternativa [D] é correta. A argumentação de Tomás de Aquino pode ser resumida da seguinte forma: tudo o que se move tem uma origem. É impossível uma cadeia infinita de motores. Logo, deve existir um primeiro motor e este motor é Deus RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [A] A filosofia medieval responsável pela visão teocêntrica do mundo é chamada de Escolástica e seu principal filósofo foi Tomás de Aquino. Sua principal obra foi a Suma Teológica. Em contrapartida, o principal filósofo do racionalismo nascente na Idade Moderna foi René Descartes. Sua principal obra foi Discurso sobre o Método. RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [C] A produção filosófica escolástica está relacionada ao contexto histórico Medieval, no qual o paradigma dominante estava fundamentado nos princípios da teologia cristã. O principal nome dessa corrente filosófica, Tomás de Aquino, com forte influência da produção filosófica clássica, buscou explicar os princípios teológicos cristãos a partir de elementos do pensamento racional, harmonizando fé e razão, tal como indicado na alternativa [C]. RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [E] A visão política de Tomás de Aquino faz referência ao conceito de bem comum de Aristóteles, que valoriza o aspecto comunitário da vivência humana. 97 RESPOSTA DA QUESTÃO 18: [B] Percebe-se, no texto apresentado pela questão, a construção do argumento para a defesa da existência de Deus a partir do pensamento racional, característica da filosofia escolástica da qual Tomas de Aquino é o mais conhecido expoente. Assim, o pensador busca sustentar racionalmente uma ideia baseada na fé, como apontado pela alternativa [B]. RESPOSTA DA QUESTÃO 19: [A] O pensamento aristotélico era mais difícil de ser conjugado com o pensamento cristão uma vez que valorizava a investigação científica e não pressupunha a existência de um plano superior. RESPOSTA DA QUESTÃO 20: [C] Os homens, por si mesmos, não agem de forma homogênea. Assim, tomando a metáfora de um navio, Tomás de Aquino considera que a sociedade necessita de um piloto capaz de conduzir a todos a um mesmo fim: o bem comum. RESPOSTA DA QUESTÃO 21: [B] A relação da filosofia com os dogmas cristãos está relacionada principalmente a duas escolas de pensamento: a patrística, representada por Santo Agostinho e a escolástica cujo maior representante foi São Tomás de Aquino. A Patrística se refere aos primeiros séculos com o objetivo de formular verdades da fé contra os pagãos. A escolástica foi desenvolvida entre os séculos XI e XV dentro das universidades medievais europeias com o objetivo de conciliar a fé cristã com o sistema de pensamento racional, tendo foco na dialética como mecanismo de conciliação das teorias. Apenas a alternativa [B] possui relação com a questão da fé raciocinada, ou seja, com a filosofia escolástica. 98 FILOSOFIA MODERNA – INTRODUÇÃO/ EPISTEMIOLOGIA (DAVID HUME, RENÉ DESCARTES, IMMANUEL KANT) QUESTÃO 01 (UFMS 2019) Leia atentamente o texto a seguir: “Neste ponto, o filósofo compreendeu que havia uma crença da qual ele não podia duvidar: a crença na própria existência. Cada um de nós pensa ou diz: ‘Sou, existo’ – e, enquanto pensamos ou dizemos isso, não podemos estar errados.Quando o filósofo tentou aplicar o teste do gênio maligno a sua crença, percebeu que o gênio só podia levá-lo a acreditar que ele existe se ele, o próprio filósofo, de fato existir – como ele poderia duvidar da própria existência, se é preciso existir para ter dúvida? O axioma ‘Eu sou, eu existo’ constitui a primeira certeza desse filósofo. Em sua obra anterior, Discurso sobre o método, ele a apresentou como ‘Penso, logo existo’, mas abandonou a frase ao escrever suas Meditações, pois o uso de ‘logo’ leva a afirmação a ser lida como premissa e conclusão. O filósofo queria que o leitor – o ‘eu’ que medita – percebesse que, assim que considero o fato de que existo, sei que isso é verdadeiro. Tal verdade é instantaneamente apreendida. A percepção de que existo é uma intuição direta, não a conclusão de um argumento.” (Vários colaboradores. O livro da Filosofia. Tradução Douglas Kim. São Paulo: Globo, 2011. p. 120. Adaptado). O texto desse enunciado exprime uma vertente do pensamento racionalista de um importante filósofo ocidental. Assinale a alternativa correta que apresenta o filósofo racionalista autor das reflexões apresentadas. A) Nicolau Maquiavel. B) São Tomás de Aquino. C) René Descartes. D) Voltaire. E) Immanuel Kant. QUESTÃO 02 (Uece 2019) “[É] uma coisa bem notável que não haja homens [...] que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras e de compô-las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos; [...] os homens que, tendo nascido surdos e mudos, são desprovidos dos órgãos que servem aos outros para falar, [...] costumam inventar eles próprios alguns sinais, pelos quais se fazem entender por quem, estando comumente com eles, disponha de lazer para aprender a sua língua.” DESCARTES, R. Discurso do método, V. A passagem acima informa sobre a relação entre pensamento e linguagem no racionalismo moderno. Sobre essa relação, pode-se afirmar corretamente que A) a linguagem, quer seja sonora quer seja em sinais, tem a função de fazer o pensamento ser entendido pelos outros. B) a capacidade de produzir discursos, isto é, a linguagem, é o que permite aos homens ter pensamentos. C) o entendimento entre homens se dá através da linguagem, que, todavia, é anterior ao pensamento. D) o pensamento existe independentemente do discurso e, como ocorre entre surdos e mudos, não precisa ser entendido. 99 QUESTÃO 03 (Ueg 2019) John Locke afirmou que a mente é como uma folha em branco na qual a cultura escreve seu texto e Descartes demonstrava desconfiança em relação aos sentidos como fonte de conhecimento. A respeito desses dois filósofos, verifica-se o seguinte: A) Locke é um representante do racionalismo e Descartes é um representante do empirismo. B) Locke é um representante do empirismo e Descartes é um representante do racionalismo. C) Descartes e Locke possuíam a mesma concepção, pois ambos eram críticos do iluminismo. D) Descartes é um representante do teologismo e Locke é um representante do culturalismo. E) Descartes é um representante do materialismo e Locke é um representante do idealismo. QUESTÃO 04 (Uece 2019) “No Brasil, a tortura ganhou destaque durante o período da ditadura militar, quando foram cometidos diversos atos de tortura contra pessoas consideradas pelo governo como uma ‘ameaça’ à ordem e à paz. Após esse período turbulento, a Assembleia Constituinte se reuniu para elaborar a nova Constituição, aquela que mais tarde seria considerada como a Constituição Cidadã, pois ressalta o respeito à dignidade da pessoa humana e a garantia dos direitos essenciais”. TEIXEIRA, Adriano Mendes. Os crimes de tortura e o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Disponível em: https://adrianomendes2016.jusbrasil.com.br/a rtigos/385521311/os-crimes-de-tortura-e-o- principio-constitucionalda-dignidade-da- pessoa-humana O conceito de pessoa na expressão “dignidade da pessoa humana” se refere ao conceito A) jurídico de persona, no sentido hobbesiano, como indivíduo em sua existência legal como membro do Estado. B) religioso, no sentido agostiniano, da pessoa individual como imago dei, ou seja, criado à imagem e semelhança de Deus. C) estético-teatral, como dramatis personae, lista dos personagens principais de uma obra teatral. D) ético-moral, no sentido kantiano, em que o homem, como ser racional, é fim em si mesmo e nunca meio. QUESTÃO 05 (Ufu 2018) Na obra Discurso do método, o filósofo francês Renê Descartes descreve as quatro regras que, segundo ele, podem levar ao conhecimento de todas as coisas de que o espírito é capaz de conhecer. Quanto a uma dessas regras, ele diz que se trata de "dividir cada dificuldade que examinasse em tantas partes quantas possíveis e necessárias para melhor resolvê-las". Descartes. Discurso do método,I-II, citado por: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. Tradução de Marcus Penchel. Essa regra, transcrita acima, é denominada A) regra da análise. B) regra da síntese. C) regra da evidência. D) regra da verificação. 100 QUESTÃO 06 (Uem 2018) “De que todo o nosso conhecimento comece com a experiência, não há a mínima dúvida; pois de que outro modo a faculdade de conhecer deveria ser despertada para o exercício, se não ocorresse mediante objetos que impressionam os nossos sentidos e em parte produzem espontaneamente representações, em parte põem em movimento a nossa atividade intelectual de comparar essas representações, conectá-las ou separá-las, e deste modo transformar a matéria bruta das impressões sensíveis em conhecimento de objetos, que se chama experiência? [...] Mas, ainda que todo o nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso todo ele origina-se da experiência.” (KANT, I. Crítica da razão pura. In: MARCONDES, D. Textos básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 117). A partir do texto citado, assinale a soma das alternativas corretas: 01) O conhecimento tem seu início na experiência sensível; isso não significa, todavia, que ele esteja preso à experiência e limitado por ela. 02) A faculdade de conhecer está em repouso e é despertada pela experiência sensível, sendo essa a fonte primeira do conhecimento. 04) As representações sensíveis das coisas são espontâneas e não precisam de qualquer interferência dos sentidos. 08) A faculdade de conhecer pode produzir conhecimentos por si mesma, visto que as impressões sensíveis não são a origem de todo o conhecimento. 16) A faculdade de conhecer opera sobre as representações das coisas advindas por meio dos sentidos e produz, assim, novos conhecimentos. QUESTÃO 07 (Uem 2017) “Passemos, então, aos atributos da alma e vejamos se há alguns que existam em mim. [...] Um outro é pensar, e verifico aqui que o pensamento é um atributo que me pertence; somente ele não pode ser separado de mim. Eu sou, eu existo: isto é certo; mas por quanto tempo? Durante todo o tempo em que eu penso; pois talvez poderia acontecer que, seu eu parasse de pensar, ao mesmo tempo pararia de ser ou de existir. Nada admito agora que não seja obrigatoriamente verdadeiro: nada sou, então, a não ser uma coisa que pensa, ou seja, um espírito, um entendimento ou uma razão, que são palavras cujo significado me era anteriormente desconhecido.” DESCARTES, R. Meditações, 2ª Meditação. São Paulo: Nova Cultural, 2004, p. 260 e 261. A partir do texto citado, assinale a soma das alternativas corretas: 01) A faculdade de pensar é um atributo que não pode ser separado do sujeito, ligado intimamente ao seu eu. 02) O pensamento é um atributo ligado ao corpo do sujeito,visto que é somente por meio desse pensamento que elaboramos nossas ideias. 04) Os pensamentos são efêmeros, uma vez que desaparecem quando deixamos de pensar, não restando nada em nós. 08) Os pensamentos e o conhecimento das coisas já estão na alma humana, e é necessário rememorá-la por um ato de autorreflexão. 16) No processo de autoconhecimento, a primeira constatação a que se chega é que o homem é, prioritariamente, um ser que pensa, uma coisa pensante. 101 QUESTÃO 08 (Uem 2017) “É justo que se considere uma temeridade imperdoável julgar todo o curso da natureza a partir de um experimento singular, apesar da sua precisão e certeza. Mas quando uma espécie particular de eventos sempre esteve, em todos os casos, conjugada com outra, não temos nenhum escrúpulo em prever um desses eventos a partir da aparição do outro, empregando aquele raciocínio que, sozinho, nos assegura de qualquer fato ou existência. Então, chamamos um objeto de Causa; o outro de Efeito. Supomos que haja alguma conexão entre eles; alguma força, no primeiro, pela qual ele produz infalivelmente o segundo, operando com a maior certeza e a mais forte necessidade. Parece, então, que a ideia de uma conexão necessária entre os eventos surge de uma quantidade de situações similares, que decorrem da conjunção constante desses eventos.” HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano. In: MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 107. A partir do texto citado, assinale a soma das alternativas corretas: 01) O conhecimento da natureza não pode decorrer da consideração de eventos particulares e isolados. 02) A noção de causa é uma força que impulsiona os objetos e a noção de efeito é a ação resultante sobre esse mesmo objeto. 04) A relação de causalidade se estabelece entre objetos parecidos e não necessariamente entre eventos similares. 08) A noção de causalidade entre objetos decorre da inferência de que há uma conexão necessária entre eventos similares e constantes. 16) Não basta analisar um evento singular para emitir juízos sobre o curso da natureza, ainda que ele seja certo e preciso. QUESTÃO 09 (Ufu 2017) Hume descreveu a confiança que o entendimento humano deposita na probabilidade dos resultados dos eventos observados na natureza. Ele comparou essa convicção ao lançamento de dados, cujas faces são previamente conhecidas, porém, nas palavras do filósofo: [...] verificando que maior número de faces aparece mais em um evento do que no outro, o espírito [o entendimento humano] converge com mais frequência para ele e o encontra muitas vezes ao considerar as várias possibilidades das quais depende o resultado definitivo. HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 93. Coleção “Os Pensadores”. Esse tipo de raciocínio, descrito por Hume, conduz o entendimento humano a uma situação distinta da certeza racional, uma espécie de “falha”, representada pelo(a) A) verdade da fantasia, que é superior à certeza racional. B) crença, que ocupa o lugar da certeza racional. C) sentido visual, que é mais verídico que a certeza sensível. D) ideia inata, que atua como o a priori da razão humana. 102 QUESTÃO 10 (Unioeste 2017) Na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant apresenta uma formulação do imperativo categórico: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 129 Em relação ao pensamento de Kant, é CORRETO afirmar. A) O propósito do imperativo categórico é o de permitir que o indivíduo decida suas ações sem que tenha que se preocupar com os demais. B) O imperativo categórico tem por objetivo desfazer o conflito entre a providência divina, relacionada à cidade de Deus, e o espaço terreno. C) O imperativo categórico vincula a conduta moral a uma norma universal. D) Para Kant, não é possível que o indivíduo constitua um fim em si mesmo. Por isso mesmo, ele precisa espelhar-se na ação dos demais para a sua ação. E) O imperativo categórico corresponde à condição do estado de natureza, que é anterior à instituição do Estado civil. QUESTÃO 11 (UFU 2017) Leia a citação a seguir. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha, continuem no entanto de bom grado menores durante toda a vida. São também as causas que explicam porque é tão fácil que os outros se constituam em tutores deles. KANT, I. Resposta à pergunta: que é “Esclarecimento”? (Aufklarung). In: ______. Textos seletos. Tradução de Raimundo Vier. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 64. A menoridade de que fala Kant é a condição daqueles que não fazem o uso da razão. Essa condição evidencia a ausência A) do idealismo necessário para a ampliação dos horizontes existenciais. B) da autonomia para fazer uso próprio da razão sem a tutela de outrem. C) da religião encarregada de fazer feliz o homem indigente de pensamento. D) da ignorância, pois quem se deixa guiar pelos outros acerta sempre. 103 QUESTÃO 12 (Uel 2017) Leia os textos a seguir. Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende o que é preciso conhecer para te iniciares na política; antes, não. Então, primeiro precisarás adquirir virtude, tu ou quem quer que se disponha a governar ou a administrar não só a sua pessoa e seus interesses particulares, como a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o que precisas alcançar não é o poder absoluto para fazeres o que bem entenderes contigo ou com a cidade, porém justiça e sabedoria. PLATÃO, O primeiro Alcebíades. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2004. p. 281-285. Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outro indivíduo... Sapere Aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. KANT, I. Resposta à pergunta: que é ‘Esclarecimento’ (‘Aufklärung’) . Trad. Floriano de Souza Fernandes, 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1985. p. 100-117. Tendo em vista a compreensão kantiana do Esclarecimento (Aufklärung) para a constituição de uma compreensão tipicamente moderna do humano, assinale a alternativa correta. A) Fazer uso do próprio entendimento implica a destruição da tradição, na medida em que o poder da tradição impede a liberdade do pensamento. B) A superação da condição de menoridade resulta do uso privado da razão, em que o indivíduo faz uso restrito do próprio entendimento. C) A saída da menoridade instaura uma situação duradoura, pois as verdadeiras conquistas do Esclarecimento se afiguram como irreversíveis. D) A menoridade é uma tendência decorrente da natureza humana, sendo, por esse motivo, superada no Esclarecimento, com muito esforço. E) A condição fundamental para o Esclarecimento é a liberdade, concebida como a possibilidade de se fazer uso público da razão. QUESTÃO 13 (Uem 2017) “Que a Lógica tenha seguido desde os tempos mais remotos esse caminho seguro depreende-se do fato de não ter podido desde Aristóteles dar nenhum passo atrás. [...] Digno de nota ainda que até agora tampouco tenha podido dar um passo adiante, parecendo, portanto, ao que tudo indica, completa e acabada.” KANT, I. Crítica da razão pura. Tradução de V. Rohden e U. B. Moosburger. 2.ª ed. São Paulo: AbrilCultural, 1983, p. 9, § VIII. A partir da passagem transcrita e de conhecimentos sobre o assunto, assinale o que for correto. 01) Kant afirma que a lógica, que é um saber fundamental para a análise filosófica, é uma disciplina que foi inaugurada já perfeita e acabada por Aristóteles. 02) Segundo Kant, a lógica é uma disciplina que evolui com o tempo, a menos que não se tenha mais como ampliar sua área de conhecimentos por esta já ter alcançado sua completude. 04) Contrariando Kant, a partir do século XIX a lógica é modernizada para contemplar novas aplicações, adotando linguagem simbólica de tipo matemático para denotar termos, proposições e inferências. 08) Kant está correto porque, mesmo hoje, acréscimo significativo algum foi feito à lógica, o qual estendesse os resultados, os princípios e as leis lógicas introduzidas por Aristóteles. 16) Os três princípios fundamentais da lógica clássica, os princípios de identidade, de não contradição e do terceiro excluído, válidos na lógica aristotélica, permanecem irrestritamente aceitos, porque sistema lógico alternativo algum foi proposto até agora. 104 QUESTÃO 14 (Enem 2017) Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá. KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto A) assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa. B) garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra. C) opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal. D) materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios. E) permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas. QUESTÃO 15 (Uem 2017) “O propósito desta crítica da razão especulativa pura consiste na tentativa de reformular o procedimento habitual da metafísica, propondo-nos deste modo uma completa revolução em relação a esta segundo o exemplo dos geômetras e pesquisadores da natureza. Ela é um tratado do método e não um sistema da própria ciência; ainda assim desenha o contorno total da metafísica, tanto no que respeita seus limites quanto à estrutura interna total de seus membros”. KANT, I. Crítica da razão pura. In: MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 111. A partir do texto citado, assinale a soma das alternativas corretas sobre o projeto da crítica de Kant 01) busca ater-se apenas aos métodos das ciências teóricas, como a metafísica. 02) reformula o modo como são adquiridos os conhecimentos metafísicos. 04) volta-se para a razão especulativa, no tocante aos seus procedimentos mais recorrentes. 08) visa ser tão somente uma ciência pura, haja vista sua preocupação com a definição de um método próprio. 16) busca transformar a razão pura, a razão prática e a estética em um sistema científico. 105 QUESTÃO 16 (UFPR 2020) Nas primeiras linhas das Meditações Metafísicas, Descartes declara que “recebera muitas falsas opiniões por verdadeiras” e que “aquilo que fundou sobre princípios mal assegurados devia ser muito duvidoso e incerto”. (DESCARTES, R. Meditações Metafísicas, In: MARÇAL, J. CABARRÃO, M.; FANTIN, M. E. (org.) Antologia de textos filosóficos, Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 153.) A fim de dar bom fundamento ao conhecimento científico, Descartes entende que é preciso: a) confiar nas próprias opiniões. b) certificar-se de que os outros pensam como nós. c) seguir as opiniões dos mais sábios. d) partir de princípios seguros e proceder com método. e) aceitar que o conhecimento é duvidoso e incerto. QUESTÃO 17 (Uel 2020) Leia o texto a seguir. Dever é a necessidade de uma ação por respeito à lei. [...] devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal. KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos costumes. Trad. Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 208-209. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria kantiana do dever, assinale a alternativa correta. a) A máxima de uma ação moral universalizável pode ter como fundamento os efeitos da ação, sendo considerada moralmente boa uma ação cujos efeitos causam o bem. b) A obrigação incondicional que a lei moral impõe advém do reconhecimento da possibilidade de universalização das máximas da ação c) A mentira pode, em certas circunstâncias, ser legitimada moralmente quando dela resulta uma ação benéfica ou impede o prejuízo a outrem. d) A máxima incondicional de uma ação moral pode ter como fundamento a experiência, pois os costumes fornecem elementos suficientes para ela. e) O imperativo categórico, princípio dos imperativos do dever, escolhe, dentre os estímulos fornecidos à vontade, o que lhe é mais adequado. 106 QUESTÃO 18 (UFPR 2019) Mas, logo em seguida, adverti que enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da Filosofia que procurava. (DESCARTES. Discurso do método. Col. Os Pensadores. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1991, p. 46.) O texto citado corresponde a uma das passagens mais marcantes da filosofia de Descartes, um filósofo considerado por muitos intérpretes como o pai do racionalismo. Com base no texto e na ideia geral de racionalismo, é correto afirmar: a) O racionalismo tem como garantia de verdade a experiência. b) Descartes é um filósofo empirista, visto que faz experiências de pensamento. c) Descartes inaugura um tipo de busca pela verdade que se ampara no exercício. d) A expressão “penso, logo existo” é uma das suposições dos céticos sobre o conhecimento. e) Descartes não buscava um princípio seguro, pois duvidava de todas as coisas. QUESTÃO 19 (Uel 2019) Leia o texto a seguir. E se escrevo em francês, que é a língua de meu país, e não em latim, que é a de meus preceptores, é porque espero que aqueles que se servem apenas de sua razão natural inteiramente pura julgarão melhor minhas opiniões do que aqueles que não acreditam senão nos livros dos antigos. E quanto aos que unem o bom senso ao estudo, os únicos que desejo para meus juízes, não serão de modo algum, tenho certeza, tão parciais a favor do latim que recusem ouvir minhas razões, porque as explico em língua vulgar. DESCARTES, R. Discurso do Método. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Jr. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Coleção “Os pensadores”. p. 79. Com base nos conhecimentos sobre Descartes e o surgimento da filosofia moderna, assinale a alternativa correta. a) A língua vulgar, o francês, expressa de modo mais adequado o espírito da modernidadepor estar livre dos preconceitos da língua dos doutos, o latim. b) Redigir o Discurso do Método em francês teve propósito similar à tradução da bíblia para o alemão feita por Lutero: facilitar o acesso à sacralidade do texto em língua vulgar. c) O desencantamento do mundo, resultante da radical crítica cartesiana à tradição, teve como consequência o abandono da referência à divindade. d) As ideias expressas por Descartes em seu Discurso do Método refletem a postura tipicamente moderna de ruptura total com o passado. e) A razão natural inteiramente pura é um atributo inerente à natureza humana, independentemente da tradição ou da cultura à qual o humano se vincula. 107 QUESTÃO 20 (Enem 2019) Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da região sul-americana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes. ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado). A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica: a) Relativismo cognitivo. b) Materialismo dialético. c) Racionalismo cartesiano. d) Pluralismo epistemológico. e) Existencialismo fenomenológico. QUESTÃO 21 (Enem 2019) TEXTO I Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação deste Deus todo perfeito, ponderar totalmente à vontade seus maravilhosos atributos, considerar, admirar e adorar a incomparável beleza dessa imensa luz. DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1980. TEXTO II Qual será a forma mais razoável de entender como é o mundo? Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? Não podemos dizer que a crença em Deus é “apenas” uma questão de fé. RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009. Os textos abordam um questionamento da construção da modernidade que defende um modelo a) centrado na razão humana. b) baseado na explicação mitológica. c) fundamentado na ordenação imanentista. d) focado na legitimação contratualista. e) configurado na percepção etnocêntrica. 108 QUESTÃO 22 (Unesp 2019) A maior violação do dever de um ser humano consigo mesmo, considerado meramente como um ser moral (a humanidade em sua própria pessoa), é o contrário da veracidade, a mentira [...]. A mentira pode ser externa [...] ou, inclusive, interna. Através de uma mentira externa, um ser humano faz de si mesmo um objeto de desprezo aos olhos dos outros; através de uma mentira interna, ele realiza o que é ainda pior: torna a si mesmo desprezível aos seus próprios olhos e viola a dignidade da humanidade em sua própria pessoa [...]. Pela mentira um ser humano descarta e, por assim dizer, aniquila sua dignidade como ser humano. [...] É possível que [a mentira] seja praticada meramente por frivolidade ou mesmo por bondade; aquele que fala pode, até mesmo, pretender atingir um fim realmente benéfico por meio dela. Mas esta maneira de perseguir este fim é, por sua simples forma, um crime de um ser humano contra sua própria pessoa e uma indignidade que deve torná-lo desprezível aos seus próprios olhos. (Immanuel Kant. A metafísica dos costumes, 2010.) Em sua sentença dirigida à mentira, Kant a) considera a condenação relativa e sujeita a justificativas, de acordo com o contexto. b) assume que cada ser humano particular representa toda a humanidade. c) apresenta um pensamento desvinculado de pretensões racionais universalistas. d) demonstra um juízo condenatório, com justificação em motivações religiosas. e) assume o pressuposto de que a razão sempre é governada pelas paixões. QUESTÃO 23 (Unesp 2019) TEXTO I Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim. KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, s/d (adaptado). TEXTO II Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim. FONTELA, O. Kant (relido). In: Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015. A releitura realizada pela poeta inverte as seguintes ideias centrais do pensamento kantiano: a) Possibilidade da liberdade e obrigação da ação. b) A prioridade do juízo e importância da natureza. c) Necessidade da boa vontade e crítica da metafísica. d) Prescindibilidade do empírico e autoridade da razão. e) Interioridade da norma e fenomenalidade do mundo. 109 QUESTÃO 24 (Upe-ssa 3 2018) Considere o texto a seguir sobre o paradigma da Modernidade. Não nos esqueçamos de outra não menos importante verdade histórica: a Revolução Científica foi profetizada por Bacon, realizada por Galileu, tematizada por Descartes, mas só concluída e sistematizada por Newton. (JAPIASSU, HIlton. Como Nasceu a Ciência Moderna. Rio de Janeiro: Imago, 2007, p. 112. Adaptado.) O autor acima retrata, com singularidade, alguns dos expoentes do pensamento moderno. Sobre esse assunto, assinale a alternativa CORRETA. a) Com a revolução galileana, a teologia ganha sua autonomia, libertando-se da ciência. b) O pensamento cartesiano adota uma atitude de dúvida metódica para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências. c) Galileu Galilei foi o verdadeiro fundador do método indutivo na ciência da matemática. d) A ciência para Francis Bacon é teórica e contemplativa, tendo o filósofo profetizado o papel da religiosidade no marco da cientificidade. e) O pensamento newtoniano, com direcionamento na física e na matemática, não foi um marco essencial para a história e para a filosofia da ciência. QUESTÃO 25 (Unesp 2018) De um lado, dizem os materialistas, a mente é um processo material ou físico, um produto do funcionamento cerebral. De outro lado, de acordo com as visões não materialistas, a mente é algo diferente do cérebro, podendo existir além dele. Ambas as posições estão enraizadas em uma longa tradição filosófica, que remonta pelo menos à Grécia Antiga. Assim, enquanto Demócrito defendia a ideia de que tudo é composto de átomos e todo pensamento é causado por seus movimentos físicos, Platão insistia que o intelecto humano é imaterial e que a alma sobrevive à morte do corpo. (Alexander Moreira-Almeida e Saulo de F. Araujo. “O cérebro produz a mente?: um levantamento da opinião de psiquiatras”. www.archivespsy.com, 2015.) A partir das informações e das relações presentes no texto, conclui-se que a) a hipótese da independência da mente em relação ao cérebro teve origem no método científico. b) a dualidade entre mente e cérebro foi conceituada por Descartes como separação entre pensamento e extensão. c) o pensamento de Santo Agostinho se baseou em hipóteses empiristas análogas às do materialismo. d) os argumentos materialistas resgatam a metafísica platônica, favorecendo hipóteses de natureza espiritualista. e) o progresso da neurociência estabeleceu provas objetivas para resolver um debate originalmente filosófico. 110 QUESTÃO 26 (Unesp 2018) Sobre a consciência crítica e a filosofia, analise o texto a seguir: Como relata Descartes no Discurso sobre o método, depois de ter lançado tudo à dúvida,somente depois, tive de constatar que, embora eu quisesse pensar que tudo era falso, era preciso necessariamente que eu, que assim pensava, fosse alguma coisa. E, observando que essa verdade – ‘penso, logo sou’ – era tão firme e sólida que nenhuma das mais extravagantes hipóteses dos céticos seria capaz de abalá-la.” (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Do Humanismo a Kant. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 366). O autor do texto retrata alguns apontamentos sobre o pensamento cartesiano. Com relação a esse assunto, assinale a alternativa CORRETA. a) As ideias de Descartes enfatizam que a dúvida tem valor secundário sobre como conduzir bem sua razão. b) O pensamento cartesiano afirma que não devemos rejeitar como falso tudo aquilo do qual não podemos duvidar. c) O cartesianismo é um empirismo, ou seja, prioriza o valor dos sentidos no âmbito do conhecimento. d) O pensamento de Descartes influenciou, efetivamente, o mundo cultural francês e retratou a significância do espírito crítico na investigação do conhecimento. e) O método racionalista prioriza a verdade da fé como critério da cientificidade. QUESTÃO 27 (Enem PPL 2018) Quando analisamos nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos e sublimes que sejam, sempre descobrimos que se resolvem em ideias simples que são cópias de uma sensação ou sentimento anterior. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram, a um exame mais atento, ser derivadas dela. HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Depreende-se deste excerto da obra de Hume que o conhecimento tem a sua gênese na a) convicção inata. b) dimensão apriorística. c) elaboração do intelecto. d) percepção dos sentidos. e) realidade transcendental. 111 QUESTÃO 28 (Uel 2018) Leia o texto a seguir. Rochedos audazes sobressaindo-se por assim dizer ameaçadores, nuvens carregadas acumulando-se no céu, avançando com relâmpagos e estampidos, vulcões em sua inteira força destruidora, furacões com a devastação deixada para trás, o ilimitado oceano revolto, uma alta queda d’água de um rio poderoso etc. tornam nossa capacidade de resistência de uma pequenez insignificante em comparação com o seu poder. Mas o seu espetáculo só se torna tanto mais atraente quanto mais terrível ele é, contanto que, somente, nos encontremos em segurança; e de bom grado denominamos estes objetos sublimes, porque eles elevam a fortaleza da alma acima de seu nível médio e permitem descobrir em nós uma faculdade de resistência de espécie totalmente diversa, a qual encoraja a medir-nos com a aparente onipotência da natureza. (KANT, I. Crítica da Faculdade do Juízo. Trad. Antonio Marques e Valério Rohden. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 107.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o juízo de gosto e o sublime na estética moderna, particularmente em Kant, assinale a alternativa correta. a) O conceito de beleza, resultante da atividade do entendimento, permite apreender o sentido dos eventos ameaçadores, protegendo o sujeito da destruição. b) Os elementos da natureza compõem o núcleo da teoria kantiana do juízo de gosto, constituindo, também, parte importante da sua concepção de gênio. c) Os eventos naturais de proporções ameaçadoras provocam nosso interesse quando nos situam na possibilidade iminente de sermos por eles destruídos. d) O sublime não está contido em nenhuma coisa da natureza, e sim em nosso ânimo, quando nos tornamos conscientes de nossa superioridade à natureza. e) A faculdade de resistência à dimensão ameaçadora e destruidora dos eventos naturais de grande magnitude é a faculdade produtora do belo. QUESTÃO 29 (Unioeste 2018) O filósofo alemão Immanuel Kant formulou, na Crítica da Razão Pura, uma divisão do conhecimento e acesso da razão aos fenômenos. Fenômenos não são coisas; eles nomeiam aquilo que podemos conhecer das coisas, através das formas da sensibilidade (Espaço e Tempo) e das categorias do entendimento (tais como Substância, Relação, Necessidade etc.). Assim, Kant afirma que o conhecimento humano é finito (limitado por suas formas e categorias). Como poderia haver, então, algum conhecimento universalmente válido? Ele afirma que tal conhecimento se formula num “juízo sintético a priori”. Juízos são afirmações; o adjetivo “sintéticos” significa que essas afirmações reúnem conceitos diferentes; “a priori”, por sua vez, indica aquilo que é obtido sem acesso à experiência dos fenômenos, antes deles e para que os fenômenos possam ser reunidos em um conhecimento que tenha unidade e sentido. Com base nisso, indique a alternativa CORRETA. a) Para Kant, o conhecimento humano é diretamente dado pela experiência das coisas, acessíveis pelos sentidos (visão, audição, etc.). b) Juízos sintéticos a priori são afirmações de conhecimento cuja natureza é particular e que se altera caso a caso. c) Se a Metafísica é o conhecimento da essência das coisas elas mesmas, Kant é, na Crítica da Razão Pura, um defensor da Metafísica, e não um defensor da finitude do conhecimento. d) Para Kant, Espaço e Tempo são categorias do entendimento mediante as quais conhecemos os fenômenos. e) Juízos sintéticos a priori permitem organizar o conhecimento, dando a ele validade universal e unicidade. 112 QUESTÃO 30 (Unesp 2017) Todas as vezes que mantenho minha vontade dentro dos limites do meu conhecimento, de tal maneira que ela não formule juízo algum a não ser a respeito das coisas que lhe são claras e distintamente representadas pelo entendimento, não pode acontecer que eu me equivoque; pois toda concepção clara e distinta é, com certeza, alguma coisa de real e de positivo, e, assim, não pode se originar do nada, mas deve ter obrigatoriamente Deus como seu autor; Deus que, sendo perfeito, não pode ser causa de equívoco algum; e, por conseguinte, é necessário concluir que uma tal concepção ou um tal juízo é verdadeiro. René Descartes. Vida e Obra. Os pensadores, 2000. Sobre o racionalismo cartesiano, é correto afirmar que a) sua concepção sobre a existência de Deus exerceu grande influência na renovação religiosa da época. b) sua valorização da clareza e distinção do conhecimento científico baseou-se no irracionalismo. c) desenvolveu as bases racionais para a crítica do mecanicismo como método de conhecimento. d) formulou conceitos filosóficos fortemente contrários ao heliocentrismo defendido por Galileu. e) se tratou de um pensamento responsável pela fundamentação do método científico moderno. QUESTÃO 31 (Upe-ssa 2 2017) O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa, não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens. DESCARTES, René. Discurso do Método, 1973, p. 37. Na perspectiva de René Descartes, a) o conhecimento filosófico prioriza a sensação, deixando à margem o valor da razão, isto é, o que vale é ter bom senso. b) o conhecimento filosófico é natural em todos os homens, mesmo sem fazerem uso do bom senso. c) o conhecimento filosófico salienta a importância capital de bem conduzir a própria razão para a aquisição da ciência. d) o conhecimento filosófico delimita a faculdade de julgar o absoluto, desprezando o valor do conhecimento. e) o conhecimentofilosófico enfatiza que a essência do homem consiste nos sentidos, uma vez que o bom senso acentua o caráter relativo e particular da razão. 113 QUESTÃO 32 (Uel 2017) Leia o texto a seguir. Podemos definir uma causa como um objeto, seguido de outro, tal que todos os objetos semelhantes ao primeiro são seguidos por objetos semelhantes ao segundo. Ou, em outras palavras, tal que, se o primeiro objeto não existisse, o segundo jamais teria existido. O aparecimento de uma causa sempre conduz a mente, por uma transição habitual, à ideia do efeito; disso também temos experiência. Em conformidade com essa experiência, podemos, portanto, formular uma outra definição de causa e chamá-la um objeto seguido de outro, e cujo aparecimento sempre conduz o pensamento àquele outro. Mas, não temos ideia dessa conexão, nem sequer uma noção distinta do que é que desejamos saber quando tentamos concebê-las. Adaptado de: HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Seção VII, 29. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: UNESP, 2004. p. 115. Com base no texto e nos conhecimentos acerca das noções de causa e efeito em David Hume, assinale a alternativa correta. a) As noções de causa e efeito fazem parte da realidade e por isso os fenômenos do mundo são explicados através da indicação da causa. b) A presença do efeito revela a causa nele envolvida, o que garante a explicação de determinado acontecimento. c) A causa e o efeito são noções que se baseiam na experiência e, por meio dela, são apreendidas. d) A causa e o efeito são conhecidos objetivamente pela mente e não por hábitos formados pela percepção do mundo. e) A causa e o efeito proporcionam, necessariamente, explicações válidas sobre determinados fatos e acontecimentos. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [C] O texto apresentado exprime o pensamento filosófico elaborado por René Descartes. Filósofo moderno, Descartes fez parte da vertente epistemológica do racionalismo, de modo que tomava como pressuposto que o conhecimento puro só pode ser alcançado a partir das estruturas cognitivas inatas aos indivíduos. Descartes foi responsável por lançar as bases filosóficas da ciência moderna, e o texto da questão destaca sua conhecida passagem acerca da existência do sujeito pensante, estabelecendo que essa constatação é condição necessária para a obtenção do conhecimento, sendo, portanto, uma premissa indubitável. RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [A] A partir da leitura do texto e, principalmente, do trecho “[É] uma coisa bem notável que não haja homens [...] que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras e de compô-las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos”, infere-se que, para Descartes, a linguagem constitui um instrumento para a expressão e comunicação dos pensamentos humanos. Assim, o pensamento precede a linguagem, sendo esta última o elemento que permite ao primeiro ser entendido. Assim, a alternativa [A] é a única que deve ser identificada como correta. 114 RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [B] John Locke, ao considerar que a cultura determina o processo racional do conhecimento, sendo a mente humana uma “folha em branco” antes de qualquer experiência sensorial, se classifica como um filósofo da corrente empirista. Já Descartes considera que os sentidos podem ser falhos como fonte de conhecimento, uma vez que são ilusórios e falhos, induzindo ao erro. Para ele, o conhecimento só pode ser alcançado através de um processo abstrato, pois as estruturas cognitivas humanas seriam inatas à consciência. Assim, Descartes pertence à corrente filosófica do racionalismo. RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [D] A partir do conhecimento acerca da filosofia kantiana e do texto, que indica o aspecto da constituição cidadã que destaca a dignidade e os direitos como elementos da condição de pessoa humana, o aluno deve identificar que o texto constitucional apresenta o indivíduo como um fim em si mesmo. Ou seja, o reconhecimento da dignidade e dos direitos que devem ser respeitados e garantidos pressupõe o caráter não-pragmático, pois não se fundamenta em um valor ou preço, da condição de pessoa, de modo que a autonomia enquanto ser racional constitui, ela mesma, a fundamentação para esse reconhecimento. Para Kant, a dignidade não é concebida enquanto preço, mas como uma qualidade própria de indivíduos racionais que, no uso da sua autonomia, exercem a sua razão prática. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [A] Ao lançar as bases para as ciências modernas, Descartes cria um método científico baseado na razão para a obtenção do conhecimento. Para chegar a verdades ordenadas racionalmente, o método científico estabelece regras de investigação dedutiva. A regra apresentada pelo texto abordado envolve o processo de dividir os problemas no maior número de partes possível, a fim de melhor resolvê-los, regra que ficou conhecida como regra da análise, apresentada na alternativa [A]. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [01 + 02 + 08 + 16 = 27.] Segundo o pensamento de Kant, o conhecimento humano tem início com a experiência sensível - uma vez que esta teria a capacidade de “despertar” nos indivíduos a faculdade de conhecer através do estímulo dos sentidos - no entanto, não se confunde nem se limita à ela, como se observa no trecho “ainda que todo o nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso todo ele origina-se da experiência”, de modo que os itens [01] e [02] devem ser identificados como corretos. Ademais, para Kant, os indivíduos possuem estruturas ou faculdades cognitivas que possibilitam a experiência e o entendimento, sendo essas estruturas existentes a priori, ou seja, estariam presentes nos indivíduos desde o nascimento, não dependendo de nenhuma condição empírica de aquisição, mas operando sobre as formulações advindas dos sentidos para produzir conhecimento, sendo, portanto, corretos também os itens [08] e [16]. RESPOSTA DA QUESTÃO 07: [01 + 16 = 17] A partir do texto, verifica-se que, no pensamento cartesiano, o fundamento “penso, logo existo” é central. Para Descartes, o pensamento racional caracteriza o indivíduo e apresenta-se como uma evidência da sua existência, não podendo, portanto, ser desvinculado do mesmo. 115 RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [01 + 08 + 16 = 25] Para Hume, a noção de causalidade se forma a partir da imaginação humana que cria a relação de necessidade a partir da identificação reiterada das mesmas “cenas da natureza”. Ou seja, relaciona-se causa e efeito através da inferência de que um objeto existe pela existência de um outro antecedente, afirmando-se o efeito pela causa. No entanto, esse raciocínio conduziria ao erro, pois não haveria fundamento lógico que garantisse o mesmo efeito, ainda que a causa se repetisse. Por exemplo: não há relação necessária entre fumaça e fogo, mas, devido a percepção, em vários momentos, da existência de fogo quando se tem fumaça nos céus, passou-se a relacionar, quase que imediatamente, a existência de fogo quando se tem fumaça nos céus. Essa ideia não teria lugar diante da inconstância da natureza pois a repetição é fundamental na criação de relações entre os elementos que compõem as cenas naturais, os fenômenos. Partindo-se dessas considerações, o aluno deve identificar que apenas os itens [01], [08] e [16] contêm afirmativas corretas. RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [B] Para Hume, a noção de causalidade se forma a partir da imaginação humana que cria a relação de necessidade a partir da identificação reiterada das mesmas “cenas da natureza”. Ou seja, relaciona-se causa e efeito através da inferência de que um objeto existe pela existência de um outro antecedente,afirmando-se o efeito pela causa. No entanto, esse raciocínio conduziria ao erro, pois não haveria fundamento lógico que garantisse o mesmo efeito, ainda que a causa se repetisse. Por exemplo: não há relação necessária entre fumaça e fogo, mas, devido a percepção, em vários momentos, da existência de fogo quando se tem fumaça nos céus, passou-se a relacionar, quase que imediatamente, a existência de fogo quando se tem fumaça nos céus. Essa ideia não teria lugar diante da inconstância da natureza pois a repetição é fundamental na criação de relações entre os elementos que compõem as cenas naturais, os fenômenos. RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [C] A filosofia moral formulada por Kant se fundamenta na razão humana e no imperativo categórico, segundo o qual a ação moral tem fim e valor em si mesma e é uma norma universal. A partir dessas considerações e do trecho “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”, o aluno deve identificar a alternativa [C] como correta. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [B] A concepção de menoridade kantiana, como indicado pelo texto, se caracteriza pelo não uso da razão de forma autônoma pelo indivíduo, de modo que ele adota a razão de outrem, estando, portanto, em um estado de menoridade. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [E] Para Kant, o esclarecimento pressupõe a capacidade do indivíduo de fazer uso da sua própria razão de forma autônoma, ou seja, a partir do uso de seu próprio entendimento de maneira independente do entendimento alheio. A autonomia de pensamento característica do esclarecimento implica, por sua vez, a liberdade, o que inclui a possibilidade do indivíduo de se expressar livremente, realizando o uso público da sua razão, como constatado na alternativa [E]. 116 RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [01 + 02 + 04 = 07] A partir do texto, observa-se que, para Kant, a lógica é um instrumento fundamental para o pensamento filosófico, tendo sido pensada e elaborada por Aristóteles, em sua forma completa e acabada, de modo que sua evolução se deu até esse momento em que alcançou sua completude. Entretanto, o método de análise matemática moderno atualiza a lógica, o que contraria o pensamento kantiano. RESPOSTA DA QUESTÃO 14 [C] De acordo com a ética kantiana, o indivíduo deve guiar-se de acordo com o imperativo categórico, segundo o qual ele deve agir de forma que sua ação possa ser universalizada para todos os indivíduos. O ato de fazer uma falsa promessa de pagamento contraria esse imperativo, pois, se universalizado, criaria uma situação de total instabilidade e desconfiança. RESPOSTA DA QUESTÃO 15 [02 + 04 = 06.] Em sua obra “Crítica da Razão Pura”, Kant investiga o problema filosófico do conhecimento humano, buscando entender a possibilidade de obtenção de um conhecimento verdadeiro sobre as coisas do mundo. A proposição que formula como resposta a esse problema ficou conhecida como “revolução copernicana” na filosofia pois, de modo análogo à Copérnico, que concebeu um modelo em que o sol estaria no centro do universo, em substituição aos modelos que até então colocavam a Terra nesse centro, Kant propôs que, em substituição à ideia filosófica tradicional de que a razão se regula pelos objetos, os objetos que deveriam se regular pela razão, uma vez que o indivíduo possui as condições de conhecimento sobre qualquer coisa. Assim, Kant reformula a forma como se dão os conhecimentos metafísicos, o que está de acordo com o item [02]. Nessa perspectiva, Kant volta-se à razão especulativa, uma vez que investiga o conhecimento puro e a forma como ele opera em seus procedimentos mais recorrentes, como apontado pelo item [04]. RESPOSTA DA QUESTÃO 16 [D] Descartes defende que o conhecimento é bem fundamentado quando parte de princípios seguros e da prática metódica. Ele parte, então, da dúvida metódica, que o leva a questionar todas as prenoções, duvidando de tudo que até então foi considerado como certo. Junto à dúvida, é necessário também um ordenamento desse “caminho” investigativo da verdade, que constitui o que Descartes chama de método. O método seria, então, a organização do processo da dúvida. RESPOSTA DA QUESTÃO 17 [B] Segundo o pensamento filosófico formulado por Kant, a ação moral é fundamentada no dever. Seria, para ele, o uso autônomo da razão pelo sujeito o princípio que articula a ação por dever, de modo que sem a liberdade do sujeito não pode haver ação verdadeiramente moral. A doutrina ética proposta por Kant, baseada nesses preceitos, segue o imperativo categórico, a partir do qual se estabelece que a ação moral deve ser executada de acordo com a “máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. Assim, tal como apontado pelo item [B], o dever imposto pela lei moral advém do reconhecimento da possibilidade de universalização das máximas da ação. 117 RESPOSTA DA QUESTÃO 18 [C] A filosofia de Descartes marca as bases epistemológicas da ciência moderna, estabelecendo um novo método de investigação baseado na dúvida sistemática de todas as noções preestabelecidas, excerto uma: a de que o sujeito pensante existe. Por meio da dúvida metódica seria possível, segundo Descartes, chegar a princípios seguros. Assim, Descartes inaugurou um novo sistema de busca pela verdade que fundamenta epistemologicamente a ciência moderna RESPOSTA DA QUESTÃO 19 [E] [A] Incorreta. Não é a língua por si só que abriga o preconceito, mas sim a adesão irrefletida à autoridade motivada pela fé cega. Por essa razão, a criticidade não é garantida pelo mero abandono do latim em favor do francês. [B] Incorreta. Redigir o Discurso do Método em francês não teve por objetivo dar acesso à sacralidade de um texto. Ao contrário, deslocou a suposta legitimidade de um texto simplesmente por ter sido escrito em latim. Além disso, instaurou um gesto crítico com relação à autoridade das explicações da natureza e do humano, vinculadas à supremacia explicativa dos autores antigos, principalmente de Aristóteles e dos aristotélicos medievais. Além disso, o gesto cartesiano, na medida em que apela para uma “razão natural inteiramente pura”, possui um espírito completamente distinto do gesto de Lutero, pois, diferentemente deste, não há a sacralidade do texto. Existe, sim, a apresentação do método por meio do qual é possível chegar à verdade, baseado não na fé, mas na razão. [C] Incorreta. Descartes, além de não abandonar a ideia de Deus, apreende-a como uma ideia perfeita que surge ao pensamento, por meio da qual garante a objetividade do mundo exterior ao pensamento. [D] Incorreta. Embora haja uma crítica à tradição, ou mais precisamente, às práticas históricas que sustentam determinados pressupostos, muito mais por hábito e crença do que por razões sustentadas em argumentos, no Discurso do Método, Descartes apresenta uma “moral provisória”, que valeria enquanto não se chegasse a estabelecer novos fundamentos para o conhecimento. A primeira máxima dessa moral consistia em “obedecer às leis e aos costumes do meu país”. [E] Correta. A novidade do pensamento de Descartes, que faz com que ele seja definido na posteridade como o filósofo que inaugurou a modernidade filosófica, consiste em submeter a validação e legitimação de qualquer teoria, não mais à fé ou à crença religiosa, e sim, aos poderes da “razão natural inteiramente pura”. O famoso “Eu, eu penso, eu, eu existo”, ou “penso, logo existo”, é a primeira verdade que inaugura a série de verdades posteriores, sendo algo a que se chega pelo pensamento, não mais por meio da revelação. RESPOSTA DA QUESTÃO 20 [C] De acordo com uma visão cartesiana, a natureza deve ser compreendida pela razão, podendo servir às necessidades humanas. Essaconcepção é, em certo sentido, próxima àquela descrita no texto da questão. RESPOSTA DA QUESTÃO 21 [A] Os dois textos, em momentos históricos distintos, apresentam questionamentos bastante modernos: a utilização da racionalidade como ferramenta de escrutínio da realidade. RESPOSTA DA QUESTÃO 22 [B] Para Kant, pensador iluminista, a filosofia moral estaria fundamentada em princípios racionais, sendo a razão o único fundamento que daria validade à moral humana. Com efeito, a ação moral estaria condicionada ao sujeito epistemológico, ou seja, à estrutura cognitiva 118 que é universal e necessária, e não ao sujeito subjetivo, individual. Por ser racional, portanto, o indivíduo deveria agir segundo uma razão pura prática de validade universal, ideia expressa na conhecida frase de Kant: “age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. A partir do exemplo da mentira, Kant aponta que a mesma não poderia ser usada sem cair em uma autocontradição moral, pois o indivíduo particular representaria uma moral geral, de toda a humanidade, como aponta a alternativa [B]. RESPOSTA DA QUESTÃO 23 [E] Essa famosa formulação de Kant diz respeito tanto ao imperativo categórico (lei moral em mim) e ao seu conceito de fenômeno (o céu estralado sobre mim). RESPOSTA DA QUESTÃO 24 [B] No contexto abordado pelo texto da questão, Descartes criou um método científico assentado na razão para a obtenção do conhecimento, que estabeleceu regras de investigação dedutiva para chegar a verdades ordenadas racionalmente. Descartes, ao defender a dúvida metódica como base para o pensamento filosófico, inaugura um novo princípio a partir do qual as ciências são pensadas. Com efeito, o racionalismo cartesiano, fundamentado na dúvida sistemática e na certeza da existência de um sujeito pensante, rompe com o pensamento científico clássico e fornece as bases para as ciências modernas. RESPOSTA DA QUESTÃO 25 [B] René Descartes, através dos conceitos de res cogitans (coisa pensamente) e res extensa (coisa extensa) já apresentava o dualismo que mais tarde se definiu entre mente e cérebro. O debate acerca da neurociência contemporânea baseia-se majoritariamente nessa questão. RESPOSTA DA QUESTÃO 26 [D] O pensamento cartesiano, que introduz as bases para as ciências modernas, apresenta como fundamentação do conhecimento a dúvida metódica, a partir da qual todo conhecimento seria posto em dúvida, eliminando, dessa forma, as falsas percepções tomadas erradamente como certezas, condição a partir da qual seria possível chegar a um conhecimento indubitável. A partir disso, Descartes cria um método científico baseado na razão para a obtenção do conhecimento, o que influenciou o pensamento cultural francês, como corretamente indicado pela alternativa [D]. RESPOSTA DA QUESTÃO 27 [D] Para Hume, pensador empirista, o conhecimento humano tem origem na experiência sensível, que pode ser dividida em impressões e ideias, sendo as impressões relativas aos sentidos humanos, tais como olfato, tato e visão, e as ideias as representações mentais derivadas das impressões sensíveis. Hume concebe, assim, as ideias como provenientes das impressões sensíveis, de modo que as impressões seriam a causa das ideias, rejeitando, portanto, o inatismo. Com efeito, toda ideia corresponderia à uma impressão e seria uma “cópia” da impressão que a originou. RESPOSTA DA QUESTÃO 28 [D] Para Kant, a sublimidade das coisas da natureza não está contida na própria natureza, mas sim no indivíduo, uma vez que ele possui consciência da sua superioridade em relação à natureza. Para ele, não existe faculdade que provoca a sublimidade, sendo esse sentimento 119 provocado quando a faculdade responsável pela imaginação, diante da contemplação de eventos naturais de grande magnitude, reconhece o domínio próprio da natureza humana, a partir do reconhecimento que eventos naturais provocam. Não seria, assim, o reconhecimento do medo, uma vez que não se estaria em uma situação de real ameaça, mas o reconhecimento da força humana enquanto seres racionais. RESPOSTA DA QUESTÃO 29 [E] Para Kant, os juízos são estruturas que formulam o processo do conhecimento, sendo alguns juízos necessários e universais e, portanto, puros e a priori. Esses juízos, para ele, possibilitam o conhecimento denominado puro, ou seja, o conhecimento que está relacionado à estrutura cognitiva humana a priori, independentemente da experiência empírica. RESPOSTA DA QUESTÃO 30 [E] Descartes, ao defender a dúvida metódica como base do pensamento filosófico, inaugura um novo princípio para fundamentar as ciências. Assim, o racionalismo cartesiano, baseado na dúvida sistemática e na certeza da existência de um sujeito pensante, rompe com o pensamento científico clássico e fornece as bases das ciências modernas RESPOSTA DA QUESTÃO 31 [C] Para Descartes, o conhecimento filosófico não se limita à abstração teórica, mas se aplica ao conhecimento prático científico, fundamentando o uso correto da razão humana de forma a possibilitar a obtenção do conhecimento. RESPOSTA DA QUESTÃO 32 [C] David Hume tem como uma das questões centrais em sua teoria filosófica a relação entre causa e efeito. Para ele, essa relação fornece a base para todos os raciocínios, e consiste na inferência de que um objeto existe pela existência de um outro antecedente, ou seja, afirma-se o efeito pela causa. Para Hume, essa relação causal entre objetos é baseada na experiência, sendo, portanto, a posteriori, pois inferir o efeito pela causa só é possível porque existe uma ligação entre os objetos que é percebida empiricamente. 120 FILOSOFIA MODERNA: POLÍTICA – NICOLAU MAQUIAVEL, THOMAS HOBBES, JOHN LOCKE, JEAN-JACQUES ROSSEAU, CHARLES MONTESQUISTEU QUESTÃO 01 (Uemg 2013) O Absolutismo como forma de governo esteve presente na península Ibérica, na França e na Inglaterra, tendo impactado e influenciado as maiores economias de seu tempo. Seus pensadores mais conhecidos e suas teorias foram: A) Nicolau Maquiavel e sua teoria de que o indivíduo estava subordinado ao Estado; Thomas Hobbes, criador da teoria do Contrato; Jacques Bossuet e Jean Bodin, que defenderam que o Rei era um representante divino. B) Nicolau Maquiavel e a teoria do Contrato; Thomas Hobbes e a teoria da supremacia do Rei como representante divino; Jacques Bossuet e Jean Bodin, que defenderam a subordinação do indivíduo ao Estado. C) Maquiavel, Jacques Bossuet e Jean Bodin, cujas teorias só se diferenciaram na aplicabilidade teológica, bem como Thomas Hobbes, que preconizou o indivíduo como senhor de seus direitos. D) Maquiavel e Thomas Hobbes, que conceberam o Contrato Social, Jacques Bossuet, que estabeleceu o conceito de individualismo primordial, e Jean Bodin, que defendeu a primazia da esfera governamental. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: “O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais escravo do que eles. (...) A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. (...) Haverá sempre uma grande diferença entre subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens isolados, quantos possam ser submetidos sucessivamente a um só, e não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum considerando-os um povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de uma agregação, mas não de uma associação; nela não existe bem público, nem corpo político.” (Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social. [1762]. São Paulo: Ed. Abril, 1973, p. 28,36.) QUESTÃO02 (Unicamp 2012) Sobre Do Contrato Social, publicado em 1762, e seu autor, é correto afirmar que: A) Rousseau, um dos grandes autores do Iluminismo, defende a necessidade de o Estado francês substituir os impostos por contratos comerciais com os cidadãos. B) A obra inspirou os ideais da Revolução Francesa, ao explicar o nascimento da sociedade pelo contrato social e pregar a soberania do povo. C) Rousseau defendia a necessidade de o homem voltar a seu estado natural, para assim garantir a sobrevivência da sociedade. D) O livro, inspirado pelos acontecimentos da Independência Americana, chegou a ser proibido e queimado em solo francês. 121 QUESTÃO 03 (Unicamp 2012) No trecho apresentado, o autor A) argumenta que um corpo político existe quando os homens encontram-se associados em estado de igualdade política. B) reconhece os direitos sagrados como base para os direitos políticos e sociais. C) defende a necessidade de os homens se unirem em agregações, em busca de seus direitos políticos. D) denuncia a prática da escravidão nas Américas, que obrigava multidões de homens a se submeterem a um único senhor. QUESTÃO 04 (Uel 2020) Leia o texto a seguir. A “Querela do luxo” foi um dos mais intensos debates do século XVIII na França e consistiu em defender o luxo como sinal do progresso da humanidade, ou em atacá-lo como signo de decadência. Rousseau, partidário da segunda via, num dos seus textos, afirma: A vaidade e a ociosidade, que engendram nossas ciências, também engendram o luxo. [...] Eis como o luxo, a dissolução e a escravidão foram [...] o castigo dos esforços orgulhosos que fizemos para sair da ignorância feliz na qual nos colocara a sabedoria eterna. [...] Creem embaçar-me terrivelmente perguntando-me até onde se deve limitar o luxo. Minha opinião é que absolutamente não se precisa dele. Para além da necessidade física, tudo é fonte de mal. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre as ciências e as artes. Trad. Lourdes Santos Machado, 3ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p.395; 341; 410. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria política e antropológica de Rousseau e a compreensão do autor acerca das ciências, das artes e do luxo, considere as afirmativas a seguir. I. A crítica de Rousseau às ciências e às artes e, por extensão, ao luxo, resulta da sua compreensão da natureza humana, na qual a necessidade física é o critério decisivo sobre o que é bom para a humanidade. II. Em sua teoria política, Rousseau dirige a crítica às ciências, às artes e ao luxo, por identificar neles a vigência de um princípio que sacrifica a possibilidade da criação de uma sociedade minimamente justa. III. A vaidade e a ociosidade, que engendram o luxo, são uma constante da natureza humana, razão pela qual também as ciências e as artes são expressões necessárias da natureza humana. IV. A defesa da feliz ignorância, na qual nasce cada ser humano, leva Rousseau a legitimar formas de governo caracterizadas pelo sacrifício da inteligência e da crítica e pela obediência a um poder soberano Assinale a alternativa correta. A) Somente as afirmativas I e II são corretas. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 122 QUESTÃO 05 (Uece 2019) Leia atentamente o seguinte excerto: “A liberdade do homem em sociedade consiste em não estar submetido a nenhum outro poder legislativo senão àquele estabelecido no corpo político mediante consentimento, nem sob o domínio de qualquer vontade ou sob a restrição de qualquer lei afora as que promulgar o poder legislativo, segundo o encargo a este confiado”. LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. Martins Fontes, 1998, p. 401-402. Adaptado. Considerando a definição de liberdade do homem em sociedade, de John Locke, atente para as seguintes afirmações: I. A concepção de liberdade do homem em sociedade de Locke elimina totalmente o direito de cada um de agir conforme a sua vontade. II. A concepção de liberdade do homem em sociedade de Locke consiste em viver sob a restrição das leis promulgadas pelo poder legislativo. III. A concepção de liberdade do homem em sociedade de Locke consiste em viver segundo uma regra permanente e comum que todos devem obedecer. É correto o que se afirma em A) I e II apenas. B) I e III apenas. C) II e III apenas. D) I, II e III. QUESTÃO 06 (Uece 2019) No Brasil, na Argentina e em outros países da América Latina, os governos estão promovendo mudanças econômicas e de políticas públicas, mudanças essas conhecidas como liberais ou neoliberais. Nessas mais recentes políticas governamentais, o poder público transfere à economia de mercado a satisfação de determinadas carências dos cidadãos, que devem provê-las a partir do próprio esforço individual em uma economia mais fortemente caracterizada pela concorrência entre os indivíduos e por menos direitos sociais. Em seu tempo, o filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau, em seu Do Contrato Social, afirma que quanto menos felicidade a República é capaz de proporcionar aos cidadãos, mais eles terão que buscar, individualmente, a felicidade. A consequência é uma sociedade cada vez mais egoísta, desinteressada pela política e, por fim, agrilhoada por um déspota qualquer ou pela cobiça. O texto acima apresenta duas opiniões conflitantes sobre a condução das políticas públicas. Considerando essas opiniões, assinale a afirmação verdadeira. A) O governo brasileiro defende uma posição socialista, que consiste no provimento estatal daquilo que é necessário para a felicidade geral, enquanto Rousseau apresenta uma ideia liberal de economia e livre-iniciativa. B) Rousseau é um contumaz representante do marxismo cultural, que produz suas críticas ao governo Bolsonaro com o único objetivo de desestabilizar o Brasil e inviabilizar as reformas econômicas liberalizantes. C) Rousseau apresenta um argumento contrário ao individualismo liberal, uma vez que o indivíduo, despreocupado com a política e engajado nos ganhos econômicos, se distancia dos assuntos públicos e corre risco de perder sua liberdade. D) A posição do governo brasileiro, ao apresentar um menor aporte para as universidades públicas, quando amplia a rede de universidades privadas, é condizente com o pensamento de Rousseau, que tem em foco o bem público e não a busca individualizada por felicidade. 123 QUESTÃO 07 (URPR 2019) Quando se conquistam Estados habituados a reger-se por leis próprias e em liberdade, há três modos de manter a sua posse: primeiro, arruiná-los; segundo, ir habitá-los; terceiro, deixá-los viver com suas leis, arrecadando um tributo e criando um governo de poucos, que se conserve amigos. [...] Quem se torna senhor de uma cidade tradicionalmente livre e não a destrói será destruído por ela. Tais cidades têm sempre por bandeira, nas rebeliões, a liberdade e suas antigas leis, que não esquecem nunca, nem com o correr do tempo, nem por influência dos benefícios recebidos. Por muito que se faça, quaisquer que sejam as precauções tomadas, se não se promovem o dissídio e a desagregação dos habitantes, não deixam eles de se lembrar daqueles princípios e, em toda oportunidade, em qualquer situação, a eles recorrem [...]. Assim, para conservar uma república conquistada, o caminho mais seguro é destruí- la ou habitá-la pessoalmente. (MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 21-22.) Com base nessa passagem, extraída da obra O Príncipe, de Maquiavel, assinale a alternativa correta. A) O poder emanado do príncipe deveter a capacidade de não apenas levar a cabo os planos de expansão de seu próprio governo, mas sobretudo criar condições para que esse poder mantenha-se de forma plena e garanta a legitimidade da própria dominação. B) A passagem refere-se em especial às repúblicas que ainda não passaram por um processo de amadurecimento de suas instituições democráticas. Repúblicas que dependem de orientação externa e de outras nações na formação da sua própria identidade política, a fim de suplantar o ódio típico dessas repúblicas. C) Para Maquiavel, “habitar” a república conquistada é uma possibilidade mais condizente com a posição do Príncipe. Considerando que o autor tinha laços com o pensamento humanista, “destruir” uma república conquistada implicaria lançar mão da força militar, com a qual Maquiavel não concordava. D) No mundo moderno e contemporâneo, o Príncipe, garantidor da ordem e da segurança pública, pode e deve intervir com o argumento de preservar as instituições democráticas e republicanas, mesmo que para isso seja necessário o uso da força. E) O Príncipe pode, por meio de pleito eleitoral, plebiscito ou consulta popular, agir em nome do povo e garantir a soberania de seu Estado. Pode invadir as nações que coloquem em risco a sua própria liberdade. Pode combater o ódio das outras repúblicas, e que essa nação seja destruída ou habitada pelo Príncipe, a fim de assegurar a ordem democrática. 124 QUESTÃO 08 (Uece 2019) “Quando um cidadão, não por suas crueldades ou outra qualquer intolerável violência, e sim pelo favor dos concidadãos, se torna príncipe de sua pátria – o que se pode chamar principado civil (e para chegar a isto não é necessário grandes méritos nem muita sorte, mas antes uma astúcia feliz) –, digo que se chega a esse principado ou pelo favor do povo ou pelo favor dos poderosos. É que em todas as cidades se encontram estas duas tendências diversas e isto nasce do fato de que o povo não deseja ser governado nem oprimido pelos grandes, e estes desejam governar e oprimir o povo.” MAQUIAVEL. O Príncipe. Coleção “Os Pensadores” - adaptado. Considerando a questão da política em Maquiavel, analise as seguintes afirmações: I. Maquiavel rompe com a tradição política ao não admitir qualquer fundamento anterior e exterior à política. II. Maquiavel considera a cidade uma comunidade homogênea nascida da ordem natural ou da razão humana. III. Maquiavel considera que a política nasce das lutas sociais e é obra da própria sociedade para dar a si mesma unidade e identidade. É correto o que se afirma em A) I e II apenas. B) I e III apenas. C) II e III apenas. D) I, II e III. QUESTÃO 09 (Enem 2019) Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco a própria integridade física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado, os critérios pessoais não são mais adequados para decidir sobre ações cujas consequências se tornam tão amplas, já que o prejuízo não será apenas individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o melhor para o bem comum seja mentir. ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo: Moderna, 2006 (adaptado). O texto aponta uma inovação na teoria política na época moderna expressa na distinção entre A) idealidade e efetividade da moral. B) nulidade e preservabilidade da liberdade. C) ilegalidade e legitimidade do governante. D) verificabilidade e possibilidade da verdade. E) objetividade e subjetividade do conhecimento 125 QUESTÃO 10 (UFU 2018) Com relação à noção de estado de natureza, que é o estado em que os seres humanos se achavam antes da formação da sociedade, podem-se identificar, na filosofia política moderna, três tendências: 1. Os seres humanos são naturalmente egoístas e, no estado de natureza, se achavam numa guerra de todos contra todos daí que, por medo uns dos outros, aceitam renunciar à liberdade e constituir um Soberano, o estado, que garanta a paz. 2. Não é por medo uns dos outros, e sim para garantir o direito à propriedade e à segurança que os seres humanos consentem em criar uma autoridade que possa tornar isso possível. 3. No estado de natureza, os seres humanos eram felizes e foi o advento da propriedade privada e da sociedade civil que tornou alguns escravos de outros. Podem-se atribuir essas três concepções, respectivamente, a A) Hobbes, Rousseau e Maquiavel. B) Hobbes, Locke e Rousseau. C) Maquiavel, Hobbes e Locke. D) Rousseau, Maquiavel e Locke. QUESTÃO 11 (Unioeste 2018) “Um príncipe prudente deve, portanto, conduzir-se de uma terceira maneira escolhendo no seu Estado homens sábios, e só a esses deve dar o direito de falar-lhe a verdade a respeito, porém apenas das coisas que ele lhes perguntar. Deve consultá-los a respeito de tudo e ouvir-lhes a opinião e deliberar depois como bem entender e com conselhos daqueles; conduzir-se de tal modo que eles percebam que com quanto mais liberdade falarem, mais facilmente as suas opiniões serão seguidas” (MAQUIAVEL, 1973, p. 105). Considerando-se o seguinte fragmento de Maquiavel, indique qual das alternativas abaixo está CORRETA. A) De acordo com Maquiavel, o príncipe, na direção do seu Estado, não deve consultar ninguém ao tomar decisões. B) Maquiavel considera que todos têm o direito de criticar as ações do príncipe. C) Maquiavel afirma que homens sábios podem falar ao príncipe o que quiserem, e na hora que bem entenderem, sendo obrigação do príncipe acatá-los. D) Conforme Maquiavel, o príncipe deve cercar- se de conselheiros sábios, mas eles nunca devem ter liberdade para falar a verdade. E) Maquiavel defende que, como o príncipe precisa da opinião livre dos sábios, deve dar- lhes o direito de falar-lhes a verdade, mas apenas das coisas que ele lhe perguntar. 126 QUESTÃO 12 (Espm 2017) Cícero e os humanistas afirmavam que "nada é mais eficaz para defender e manter o poder do que ser amado e nada é mais danoso do que ser temido”. Um importante pensador moderno contrapôs: "Seria desejável ser uma coisa e outra (amado e temido), mas, como é quase impossível obter ambas as coisas ao mesmo tempo, é muito mais seguro ser temido que amado, quando se deve escolher uma dessas condições." Eugenio Garin. Dal Rinascimento all Illuminismo . O importante pensador moderno mencionado no enunciado é: A) Thomas Hobbes; B) Nicolau Maquiavel; C) Jean Bodin; D) Jacques Bossuet; E) John Locke. QUESTÃO 13 (Unioeste) Texto 1 “[...] Quando um homem deseja professar a bondade, natural é que vá à ruína, entre tantos maus. Assim, é preciso que, para se conservar, um príncipe aprenda a ser mau, e que se sirva ou não disso de acordo com a necessidade”. MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Nova Cultural, 2004, p. 99. Texto 2 “[...] Assim deve o príncipe tornar-se temido, de sorte que, se não for amado, ao menos evite ódio, pois é fácil ser, a um só tempo, temido e não odiado, o que ocorrerá uma vez que se prive da posse dos bens e das mulheres dos cidadãos e dos súditos, e, mesmo quando forçado a derramar o sangue de alguém, poderá fazê-lo apenas se houver justificativa apropriada e causa manifesta” [...]. Idem, p. 106-7. Considerando o pensamento de Maquiavel e os textos citados, assinale a alternativa CORRETA. A) O pensamento de Maquiavel volta-se à realidade e busca alternativas para estabelecer um Estado estávelonde a ordem possa reinar. B) Maquiavel, assim como Platão, revela-se um idealista ao estabelecer padrões ao governante fundamentados na bondade natural do homem. C) O príncipe deve ser um homem dotado de boas virtudes (virtù) e dinheiro (fortuna) para que todos o respeitem e ele possa fazer reinar a estabilidade. D) Estado e Igreja se fundem, de acordo com o filósofo. De nada adianta ao príncipe tentar estabelecer a ordem, já que ela depende de um estado natural das coisas e de uma força extraterrena, tornando todo seu esforço em vão. E) O objetivo último do pensamento político de Maquiavel é o de evitar a guerra a todo custo, pois as atrocidades da guerra desafiam os valores éticos que determinam a ação política. 127 QUESTÃO 14 (Unicamp 1016) Quanto seja louvável a um príncipe manter a fé, aparentar virtudes e viver com integridade, não com astúcia, todos o compreendem; contudo, observa-se, pela experiência, em nossos tempos, que houve príncipes que fizeram grandes coisas, mas em pouca conta tiveram a palavra dada, e souberam, pela astúcia, transtornar a cabeça dos homens, superando, enfim, os que foram leais (...). Um príncipe prudente não pode nem deve guardar a palavra dada quando isso se lhe torne prejudicial e quando as causas que o determinaram cessem de existir. (Nicolau Maquiavel, O Príncipe. São Paulo: Nova Cultural, 1997, p. 73-85.) A partir desse excerto da obra, publicada em 1513, é correto afirmar que: A) O jogo das aparências e a lógica da força são algumas das principais artimanhas da política moderna explicitadas por Maquiavel. B) A prudência, para ser vista como uma virtude, não depende dos resultados, mas de estar de acordo com os princípios da fé. C) Os princípios e não os resultados é que definem o julgamento que as pessoas fazem do governante, por isso é louvável a integridade do príncipe. D) A questão da manutenção do poder é o principal desafio ao príncipe e, por isso, ele não precisa cumprir a palavra dada, desde que autorizado pela Igreja. QUESTÃO 15 (Uema 2015) De acordo com a historiadora Maria Lúcia de Arruda Aranha, a Revolução Francesa derrubou o antigo regime, ou seja, o absolutismo real fundamentado no direito divino dos reis, derivado da concepção teocrática do poder. O término do antigo regime se consuma quando a teoria política consagra a propriedade privada como direito natural dos indivíduos. Fonte: ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003. Esse princípio político que substitui a antiga teoria do direito divino do rei intitula-se A) Contratualismo. B) Totalitarismo. C) Absolutismo. D) Liberalismo. E) Marxismo. 128 QUESTÃO 16 (Enem 2ª aplicação 2014) Outro remédio eficiente é organizar colônias, em alguns lugares as quais virão a ser como grilhões impostos às províncias, porque isto é necessário que se faça ou deve-se lá ter muita força de armas. Não é muito que se gasta com as colônias, e, sem despesa excessiva, podem ser organizadas e mantidas. Os únicos que terão prejuízos com elas serão os de quem se tomam os campos e as moradias para se darem aos novos habitantes. Entretanto, os prejudicados serão a minoria da população do Estado, e dispersos e reduzidos à penúria, nenhum dano trarão ao príncipe, e os que não foram prejudicados terão, por isso, que se aquietarem, temerosos de que o mesmo lhes suceda. MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2010. Em O príncipe, Maquiavel apresenta conselhos para a manutenção do poder político, como o deste trevo, que tem como objeto a a) transferência dos inimigos da metrópole para a colônia. b) substituição de leis, costumes e impostos da região dominada. c) implantação de um exército armado, constituído pela população subjugada. d) expansão do principado, com migração populacional para o território conquistado. e) distribuição de terras para a parcela do povo dominado, que possui maior poder político. QUESTÃO 17 (Enem PPL 2012) O homem natural é tudo para si mesmo; é a unidade numérica, o inteiro absoluto, que só se relaciona consigo mesmo ou com seu semelhante. O homem civil é apenas uma unidade fracionária que se liga ao denominador, e cujo valor está em sua relação com o todo, que é o corpo social. As boas instituições sociais são as que melhor sabem desnaturar o homem, retirar-lhe sua existência absoluta para dar-lhe uma relativa, e transferir o eu para a unidade comum, de sorte que cada particular não se julgue mais como tal, e sim como uma parte da unidade, e só seja percebido no todo. ROUSSEAU, J. J. Emílio ou da Educação. São Paulo: Martins Fontes, 1999. A visão de Rousseau em relação à natureza humana, conforme expressa o texto, diz que a) o homem civil é formado a partir do desvio de sua própria natureza. b) as instituições sociais formam o homem de acordo com a sua essência natural. c) o homem civil é um todo no corpo social, pois as instituições sociais dependem dele. d) o homem é forçado a sair da natureza para se tornar absoluto. e) as instituições sociais expressam a natureza humana, pois o homem é um ser político 129 QUESTÃO 18 (Unesp 2020) Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o seu poder sob a direção suprema da vontade geral, e recebemos, enquanto corpo, cada membro como parte indivisível do todo. [...] um corpo moral e coletivo, composto de tantos membros quantos são os votos da assembleia [...]. Essa pessoa pública, que se forma, desse modo, pela união de todas as outras, tomava antigamente o nome de cidade e, hoje, o de república ou de corpo político, o qual é chamado por seus membros de Estado [...]. (Jean-Jacques Rousseau. Os pensadores, 1983. O texto, produzido no âmbito do Iluminismo francês, apresenta a doutrina política do a) coletivismo, manifesto na rejeição da propriedade privada e na defesa dos programas socialistas de estatização. b) humanismo, presente no projeto liberal de valorizar o indivíduo e sua realização no trabalho. c) socialismo, presente na crítica ao absolutismo monárquico e na defesa da completa igualdade socioeconômica. d) corporativismo, presente na proposta fascista de unir o povo em torno da identidade e da vontade nacional. e) contratualismo, manifesto na reação ao Antigo Regime e na defesa dos direitos de cidadania. QUESTÃO 19 (UFPR 2020) Considere a passagem abaixo: A substituição do reino do dever ser, que marca a filosofia anterior, pelo reino do ser, da realidade, leva Maquiavel a se perguntar: como fazer reinar a ordem, como instaurar um Estado estável? O problema central de sua análise política é descobrir como pode ser resolvido o inevitável ciclo de estabilidade e caos. Ao formular e buscar resolver esta questão, Maquiavel provoca uma ruptura com o saber repetido pelos séculos. Trata-se de uma indagação radical e de uma nova articulação sobre o pensar e fazer política, que põe fim à ideia de uma ordem natural eterna. A ordem, produto necessário da política, não é natural, nem a materialização de uma vontade extraterrena, e tampouco resulta do jogo de dados do acaso. Ao contrário, a ordem tem um imperativo: deve ser construída pelos homens para se evitar o caos e a barbárie, e, uma vez alcançada, ela não será definitiva, pois há sempre, em germe, o seu trabalho em negativo, isto é, a ameaça de que seja desfeita. (SADEK, Maria Tereza. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù. In: WEFFORT, Francisco (org.). Clássicos da política, vol. 01. São Paulo: Ática, 2001. p. 17-18.) Considerandoo argumento de Maria Tereza Sadek, em seu texto intitulado Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù, é correto afirmar: a) Os estudos de Maquiavel sobre o reino do ser na política levam em consideração a tradição idealista de Platão, Aristóteles e São Tomás de Aquino e rejeitam as interpretações de historiadores antigos, como Tácito, Políbio, Tucídides e Tito Lívio. b) Em sua obra, Maquiavel coloca em relevo a dimensão efetivamente social, histórica e política das relações humanas, explicitando que sua regra metodológica implica o exame da realidade tal como ela é e não como se gostaria que ela fosse. c) A política, segundo Maquiavel, tem correspondência com as ideias inatistas, ou seja, de que os indivíduos são predestinados a um tipo de condição que lhes é inerente, não havendo possibilidade de mudança ou qualquer outra forma de alterar as estruturas de poder, por ele denominada de “maquiavélicas”. d) Segundo Sadek, ao formular uma explicação sobre essa questão, Maquiavel não rompeu com os paradigmas que fundavam a política de seu tempo, por conseguinte, favorecendo a perpetuação de tiranias nos séculos XV e XVI. e) Para Maquiavel, o problema central da política foi a democracia, e sua construção implicava o fortalecimento de governos descentralizados, o que aproximava seus estudos de liberais como John Locke e Thomas Hobbes. 130 QUESTÃO 20 (Unesp 2020) Do nascimento do Estado moderno até a Revolução Francesa, ou seja, do século XVI aos fins do século XVIII, a filosofia política foi obrigada a reformular grande parte de suas teses, devido às mudanças ocorridas naquele período. O que se buscou na modernidade iluminista foi fortalecer a filosofia em uma configuração contrária aos dogmas políticos que reforçavam a crença em uma autoridade divina. (Thiago Rodrigo Nappi. “Tradição e inovação na teoria das formas de governo: Montesquieu e a ideia de despotismo”. In: Historiæ, vol. 3, no 3, 2012. Adaptado.) O filósofo iluminista Montesquieu, autor de Do espírito das leis, criticou o absolutismo e propôs a) a divisão dos poderes em executivo, legislativo e judiciário. b) a restauração de critérios metafísicos para a escolha de governantes. c) a justificativa do despotismo em nome da paz social. d) a obediência às leis costumeiras de origem feudal. e) a retirada do poder político do povo. QUESTÃO 21 (Uel 2019) Leia o texto a seguir. Por que só o homem é suscetível de tornar- se imbecil? [...] O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens . Trad. Lourdes Santos Machado, 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. pp. 243; 259. Com base nos conhecimentos sobre sociedade civil, propriedade e natureza humana no pensamento de Rousseau, assinale a alternativa correta. a) A instauração da propriedade decorre de um ato legítimo da sociedade civil, na medida em que busca atender às necessidades do homem em estado de natureza. b) A instauração da propriedade e da sociedade civil cria uma ruptura radical do homem consigo mesmo e de distanciamento da natureza. c) A fundação da sociedade civil é legitimada pela racionalidade e pela universalidade do ato de instauração da propriedade privada. d) O sentimento mais primitivo do homem, que o leva a instituir a propriedade, é o reconhecimento da necessidade da propriedade para garantir a subsistência. e) A sociedade civil e a propriedade são expressões da perfectibilidade humana, ou seja, da sua capacidade de aperfeiçoamento. 131 QUESTÃO 22 (Enem PPLl 2019) TEXTO I Eu queria movimento e não um curso calmo da existência. Queria excitação e perigo e a oportunidade de sacrificar-me por meu amor. Sentia em mim uma superabundância de energia que não encontrava escoadouro em nossa vida. TOLSTÓI, L. Felicidade familiar. Apud KRAKAUER, J. Na natureza selvagem. São Paulo: Cia. das Letras, 1998. TEXTO II Meu lema me obrigava, mais que a qualquer outro homem, a um enunciado mais exato da verdade; não sendo suficiente que eu lhe sacrificasse em tudo o meu interesse e as minhas simpatias, era preciso sacrificar-lhe também minha fraqueza e minha natureza tímida. Era preciso ter a coragem e a força de ser sempre verdadeiro em todas as ocasiões. ROUSSEAU, J.-J. Os devaneios do caminhante solitário. Porto Alegre: L&PM, 2009. Os textos de Tolstói e Rousseau retratam ideais da existência humana e defendem uma experiência a) lógico-racional, focada na objetividade, clareza e imparcialidade. b) místico-religiosa, ligada à sacralidade, elevação e espiritualidade. c) sociopolítica, constituída por integração, solidariedade e organização. d) naturalista-científica, marcada pela experimentação, análise e explicação. e) estético-romântica, caracterizada por sinceridade, vitalidade e impulsividade. QUESTÃO 23 (Unesp 2018) Posto que as qualidades que impressionam nossos sentidos estão nas próprias coisas, é claro que as ideias produzidas na mente entram pelos sentidos. O entendimento não tem o poder de inventar ou formar uma única ideia simples na mente que não tenha sido recebida pelos sentidos. Gostaria que alguém tentasse imaginar um gosto que jamais impressionou seu paladar, ou tentasse formar a ideia de um aroma que nunca cheirou. Quando puder fazer isso, concluirei também que um cego tem ideias das cores, e um surdo, noções reais dos diversos sons. (John Locke. Ensaio acerca do entendimento humano , 1991. Adaptado.) De acordo com o filósofo, todo conhecimento origina-se a) da reminiscência de ideias originalmente transcendentes. b) da combinação de ideias metafísicas e empíricas. c) de categorias a priori existentes na mente humana. d) da experiência com os objetos reais e empíricos. e) de uma relação dialética do espírito humano com o mundo. 132 QUESTÃO 24 (Enem PPL 2016) A importância do argumento de Hobbes está em parte no fato de que ele se ampara em suposições bastante plausíveis sobre as condições normais da vida humana. Para exemplificar: o argumento não supõe que todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma suposição discutível que possibilitaria a conclusão pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O que torna o argumento assustador e lhe atribui importância e força dramática é que ele acredita que pessoas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de situação, que resvalará, então, em um estado de guerra. RAWLS, J. Conferências sobre a história da filosofia política. São Paulo: WMF, 2012 (adaptado). O texto apresenta uma concepção de filosofia política conhecida como a) alienação ideológica. b) microfísica do poder. c) estado de natureza. d) contrato social. e) vontade geral. QUESTÃO 25 (Enem 2015) A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar. HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins Fontes, 2003 Para Hobbes, antes da constituição dasociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles a) entravam em conflito. b) recorriam aos clérigos. c) consultavam os anciãos. d) apelavam aos governantes. e) exerciam a solidariedade. 133 QUESTÃO 26 (Uema 2015) Para Thomas Hobbes, os seres humanos são livres em seu estado natural, competindo e lutando entre si, por terem relativamente a mesma força. Nesse estado, o conflito se perpetua através de gerações, criando um ambiente de tensão e medo permanente. Para esse filósofo, a criação de uma sociedade submetida à Lei, na qual os seres humanos vivam em paz e deixem de guerrear entre si, pressupõe que todos renunciem à sua liberdade original. Nessa sociedade, a liberdade individual é delegada a um só dos homens que detém o poder inquestionável, o soberano. Fonte: MALMESBURY, Thomas Hobbes de. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Trad. João Paulo Monteiro; Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Editora NOVA Cultural, 1997. A teoria política de Thomas Hobbes teve papel fundamental na construção dos sistemas políticos contemporâneos que consolidou a (o) a) Monarquia Paritária. b) Despotismo Soberano. c) Monarquia Republicana. d) Monarquia Absolutista. e) Despotismo Esclarecido. QUESTÃO 27 (Uel 2014) Leia o texto a seguir. A República de Veneza e o Ducado de Milão ao norte, o reino de Nápoles ao sul, os Estados papais e a república de Florença no centro formavam ao final do século XV o que se pode chamar de mosaico da Itália sujeita a constantes invasões estrangeiras e conflitos internos. Nesse cenário, o florentino Maquiavel desenvolveu reflexões sobre como aplacar o caos e instaurar a ordem necessária para a unificação e a regeneração da Itália. (Adaptado de: SADEK, M. T. “Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú”. In: WEFORT, F. C. (Org.). Clássicos da política. v.2. São Paulo: Ática, 2003. p.11-24.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia política de Maquiavel, assinale a alternativa correta. a) A anarquia e a desordem no Estado são aplacadas com a existência de um Príncipe que age segundo a moralidade convencional e cristã. b) A estabilidade do Estado resulta de ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie, mesmo que a realidade seja móvel e a ordem possa ser desfeita. c) A história é compreendida como retilínea, portanto a ordem é resultado necessário do desenvolvimento e aprimoramento humano, sendo impossível que o caos se repita. d) A ordem na política é inevitável, uma vez que o âmbito dos assuntos humanos é resultante da materialização de uma vontade superior e divina. e) Há uma ordem natural e eterna em todas as questões humanas e em todo o fazer político, de modo que a estabilidade e a certeza são constantes nessa dimensão. 134 QUESTÃO 28 (Unesp 2014) A China é a segunda maior economia do mundo. Quer garantir a hegemonia no seu quintal, como fizeram os Estados Unidos no Caribe depois da guerra civil. As Filipinas temem por um atol de rochas desabitado que disputam com a China. O Japão está de plantão por umas ilhotas de pedra e vento, que a China diz que lhe pertencem. Mesmo o Vietnã desconfia mais da China do que dos Estados Unidos. As autoridades de Hanói gostam de lembrar que o gigante americano invadiu o México uma vez. O gigante chinês invadiu o Vietnã dezessete. (André Petry. O Século do Pacífico. Veja, 24.04.2013. Adaptado.) A persistência histórica dos conflitos geopolíticos descritos na reportagem pode ser filosoficamente compreendida pela teoria a) iluminista, que preconiza a possibilidade de um estado de emancipação racional da humanidade. b) maquiavélica, que postula o encontro da virtude com a fortuna como princípios básicos da geopolítica. c) política de Rousseau, para quem a submissão à vontade geral é condição para experiências de liberdade. d) teológica de Santo Agostinho, que considera que o processo de iluminação divina afasta os homens do pecado. e) política de Hobbes, que conceitua a competição e a desconfiança como condições básicas da natureza humana. QUESTÃO 29 (Enem 2013) Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se. MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem como um ser a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros. b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política. c) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes. d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais. e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares. 135 QUESTÃO 30 (UFPA 2013) Ao pensar como deve comportar-se um príncipe com seus súditos, Maquiavel questiona as concepções vigentes em sua época, segundo as quais consideravam o bom governo depende das boas qualidades morais dos homens que dirigem as instituições. Para o autor, “um homem que quiser fazer profissão de bondade é natural que se arruíne entre tantos que são maus. Assim, é necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade”. Maquiavel, O Príncipe, São Paulo: Abril cultural, Os Pensadores, 1973, p.69. Sobre o pensamento de Maquiavel, a respeito do comportamento de um príncipe, é correto afirmar que a) a atitude do governante para com os governados deve estar pautada em sólidos valores éticos, devendo o príncipe punir aqueles que não agem eticamente. b) o Bem comum e a justiça não são os princípios fundadores da política; esta, em função da finalidade que lhe é própria e das dificuldades concretas de realizá-la, não está relacionada com a ética. c) o governante deve ser um modelo de virtude, e é precisamente por saber como governar a si próprio e não se deixar influenciar pelos maus que ele está qualificado a governar os outros, isto é, a conduzi-los à virtude. d) o Bem supremo é o que norteia as ações do governante, mesmo nas situações em que seus atos pareçam maus. e) a ética e a política são inseparáveis, pois o bem dos indivíduos só é possível no âmbito de uma comunidade política onde o governante age conforme a virtude. RESOLUÇÕES RESPOSTA DA QUESTÃO 01: [A] Maquiavel e Hobbes se utilizam de argumentos racionais – não religiosos – em suas teorias; o primeiro defendendo a autoridade do “Príncipe”, ou seja, do governante sobre a sociedade, enquanto o segundo, autor do Leviatã, que parte da ideia de que “o homem é o lobo do homem” e para viver em sociedade os homens devem estabelecer um contrato social, no qual cada indivíduo renuncia a uma parte de sua liberdade e de seus direito a um governante, responsável por gerir o conjunto da sociedade. Importante destacar que a ideia de “contrato social” de Hobbes antecede ao livro de mesmo nome de Rousseau (que defenderá o fim do absolutismo).RESPOSTA DA QUESTÃO 02: [B] Rousseau, um dos teóricos mais importantes do Iluminismo, apresenta uma teoria baseada no contrato social entre os homens e na igualdade natural entre todos eles. Seu pensamento apresenta uma crítica ao Antigo Regime, inspirando ideais que culminaram na Revolução Francesa. RESPOSTA DA QUESTÃO 03: [A] Rousseau enxerga no contrato social o estabelecimento e a garantia da liberdade civil. Nesse sentido, ele rejeita tanto um governo que subjugue os homens, quanto as agregações que se originam dessa subjugação por não constituírem-se como corpo político. Deve-se considerar que os direitos políticos e sociais, para Rousseau, não são baseados em direitos sagrados, sendo, na verdade, a ordem social a base de todos os direitos. 136 RESPOSTA DA QUESTÃO 04: [A] A partir do texto apresentado pela questão o aluno obtém todas as informações para responder aos itens propostos. No trecho apresentado, Rousseau faz uma crítica às ciências e às artes, que seriam fundamentados na ociosidade e na vaidade, daí explicando sua crítica ao luxo, defendendo que não se faz necessária em nenhuma instância a sua existência, pois que nada além daquilo que é fisicamente necessário é desejável. Assim, a existência do luxo faz parte de uma lógica que inviabiliza a formação de uma sociedade justa. Rousseau, então, denuncia o luxo como um castigo pela ignorância vigente. A partir da identificação desses elementos no texto, o aluno deve assinalar os itens [I] e [II] como corretos e os itens [III] e [IV] como falsos. RESPOSTA DA QUESTÃO 05: [C] Segundo o pensamento de John Locke, a liberdade do indivíduo é um aspecto fundamental para a sua existência, sendo também a base da vida do cidadão. Locke afirma que os indivíduos se juntam em sociedade civil com a finalidade de preservar seus direitos naturais, submetendo-se a um governo. Assim, o Estado seria soberano, no entanto, a legitimação da sua autoridade nasceria do contrato social estabelecido entre os cidadãos, que aceitariam a instituição de leis comum a todos, de modo que, para Locke, a liberdade do indivíduo em sociedade consiste na obediência às leis oriundas do Poder Legislativo. Por conseguinte, apenas os itens [II] e [III] estão corretos. RESPOSTA DA QUESTÃO 06: [C] A partir do texto da questão, observa-se que Rousseau faz uma crítica ao individualismo liberal, entendendo que este leva ao afastamento da política, de modo que uma sociedade na qual a lógica do individualismo prevalece, torna-se mais suscetível à opressão dos déspotas. Tal ideia deve ser identificada pelo aluno no trecho “quanto menos felicidade a República é capaz de proporcionar aos cidadãos, mais eles terão que buscar, individualmente, a felicidade. A consequência é uma sociedade cada vez mais egoísta, desinteressada pela política e, por fim, agrilhoada por um déspota qualquer”. RESPOSTA DA QUESTÃO 07: [A] A partir do texto da questão, o aluno deve identificar que a filosofia política proposta por Maquiavel trata da questão da manutenção do poder. No trecho “para conservar uma república conquistada, o caminho mais seguro é destruí-la ou habitá-la pessoalmente”, identifica-se que as ações defendidas por Maquiavel, frente à conquista de Estados republicanos integram a discussão levantada por ele acerca das condições e das ações que o príncipe deve executar para garantir não apenas a obtenção do poder, mas para tornar possível mantê-lo legitimamente. RESPOSTA DA QUESTÃO 08: [B] A teoria política formulada por Maquiavel representa uma ruptura com a filosofia política que predominava até então. Isso se dá porque, para Maquiavel, a política se fundamenta em si mesma, ou seja, os elementos que compõem e justificam a política são interiores ao próprio processo político e decorrem dos conflitos sociais. Nessa perspectiva, apenas os itens [I] e [III] estão corretos. O item [II] está incorreto pois, para Maquiavel, as sociedades humanas não são fruto de um processo natural, mas social, além de não apresentarem homogeneidade, sendo marcadas por conflitos de interesses. 137 RESPOSTA DA QUESTÃO 09: [A] Nicolau Maquiavel foi inovador ao separar a moral religiosa das suas reflexões políticas. Assim, ele inaugura uma nova concepção ética baseada nas relações políticas concretas entre os homens, e não em ideais e valores em abstrato. RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [B] A primeira proposição apresenta uma ideia da natureza humana que condiz com o pensamento de Thomas Hobbes, segundo o qual os homens seriam naturalmente egoístas e violentos. Para ele, no estado de natureza, os conflitos de interesses levavam a um estado de guerra permanente em que não poderia haver a garantia de direitos, de maneira que os indivíduos se organizam em sociedade civil, abdicando da sua liberdade em prol de um Estado forte e autoritário que possibilite a vida em sociedade e garanta a paz. A segunda proposição apresenta uma perspectiva em que a motivação para o advento da organização civil seria a necessidade de garantia de direitos que seriam naturais dos homens, como o direito à propriedade, à segurança e à vida, através da autoridade do Estado, ideia que está presente no pensamento político de John Locke. Já na terceira proposição identifica-se as ideias do pensador francês Rousseau, segundo o qual a natureza humana seria naturalmente boa e o estado de natureza seria marcado, de um modo geral, pela harmonia, tendo os males sociais e as relações de desigualdade entre os homens se estabelecido a partir do advento da propriedade privada e da sociedade civil, corrompendo o homem, assim, de seu estado natural. A proposição que corresponde as ideias aos respectivos pensadores é apresentada pela alternativa [B]. RESPOSTA DA QUESTÃO 11: [E] No trecho da obra de Maquiavel, observa-se que o pensador defende a ideia de que a busca pela opinião dos sábios, acerca das questões que o Príncipe considera ser prudente perguntar, é fundamental para a boa condução do governo, devendo ele conceder plena liberdade para que os sábios expressem sua opinião. RESPOSTA DA QUESTÃO 12: [B] Nicolau Maquiavel, em seus estudos sobre a política, refletia como um governante poderia conquistar e manter o poder. Ele não fazia assim um juízo moral sobre a forma como isso se daria, sendo um dos pioneiros da moderna compreensão da política. RESPOSTA DA QUESTÃO 13: [A] A filosofia política de Maquiavel é considerada um dos pensamentos primordiais para o pensamento moderno que então se estabelecia, uma vez que o pensador analisa o Estado e o governante em uma perspectiva que se afasta da religião, voltando-se para a realidade concreta e para a forma como os indivíduos agem em sociedade. Maquiavel busca compreender as bases que sustentam o poder do Estado e de seu governante, analisando a conduta que o príncipe deve ter para manter-se no poder. RESPOSTA DA QUESTÃO 14: [A] Em sua teoria política, Nicolau Maquiavel estabelece que o príncipe – o governante – deve fazer uso do jogo das aparências de modo que sua figura seja associada à religiosidade, à virtude, à ética, à fidelidade e à compassividade. Para Maquiavel, no entanto, o príncipe não deve fazer uso dessas qualidades quando não lhe for conveniente, mas deve aparentar que faz esse uso sempre, a fim de garantir a manutenção do poder, ideia que é contemplada pela alternativa [A]. 138 RESPOSTA DA QUESTÃO 15: [D] O filósofo que inaugura a o conceito de propriedade privada como direito natural é John Locke. Segundo este pensador, os princípios de sua filosofia são: a liberdade (ação por deliberação pessoal, sem nenhuma influência); a propriedade privada (iniciando a partir do próprio corpo que se possui e por aquilo que se consegue pelo trabalho);e a igualdade (mesmas condições para que todos possam usufruir dos recursos e leis da natureza). Por meio destes referenciais, Locke estabelece que se vivemos em natureza e seguimos as suas leis, estas mesmas leis devem servir de modelo para a constituição do Estado. O papel do governo consiste exclusivamente em fazer respeitar o direito natural de cada indivíduo determinado em conformidade com as leis da natureza. Portanto, o governo civil é o remédio apropriado para os inconvenientes do estado de natureza que pode se tornar um estado de guerra. Ele não deve ser um ditador ou alguém que deva ser obedecido, mas alguém que administra um empreendimento social onde os interesses e liberdades individuais determinam os rumos que a sociedade deve seguir, sendo que seu poder é temporal e limitado. Daí o governo não deve estabelecer aquilo que acredita ser melhor no modo de condução, mas deve concordar em servir a um interesse maior a garantia dos direitos de igualdade, liberdade e propriedade privada. A liberdade é o fundamento da vida em sociedade, servindo como justificativa para a disposição como se aprouver da propriedade privada que os indivíduos estabelecem. Esta é garantida pela igualdade entre todos para que pela apropriação dos recursos da natureza possam adquirir condições de sobreviverem segundo a melhor maneira que lhes aprouver. Esta concepção exposta, com mínima interferência do governo nos rumos, com a valorização da liberdade e propriedade privada garantida pela igualdade é conhecida como liberal. RESPOSTA DA QUESTÃO 16: [D] A preocupação ética do pensamento de Maquiavel, descrito em sua obra O príncipe, é a constituição de um Estado e de um governo forte. Assim, as sugestões práticas se dão exatamente nesse sentido estritamente político. RESPOSTA DA QUESTÃO 17: [A] [Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia] Somente a alternativa [A] está correta. O homem civil, segundo o texto de Rousseau, corresponde àquele que, desviando de sua própria natureza, se torna um indivíduo relacional à comunidade política. [Resposta do ponto de vista da disciplina de Filosofia] Se fizéssemos um exercício de completa abstração e pensássemos unicamente a partir do ponto de vista do “homem natural”, então poderíamos dizer que a sua “transformação” em homem civil seja um desvio. Porém, Rousseau não dá a entender que tal passagem para a vida civil seja simplesmente um artifício, um desvio da rota natural. Segundo um trecho de sua obra, Contrato Social, a passagem é inevitável para a própria conservação do homem e, portanto, um tanto natural, isto é, ela se cria pelo movimento da própria natureza do homem. “Esse estado primitivo não pode mais subsistir, e o gênero humano pereceria se não mudasse sua maneira de ser. Ora, como é impossível aos homens engendrar novas forças, mas apenas unir e dirigir as existentes, não lhes resta outro meio para se conservarem senão formar, por agregação, uma soma de forças que possa vencer a resistência, pô-los em movimento por um único móbil e fazê-los agir em concerto”. (J-J. Rousseau. Contrato social. In Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED- PR, 2009, p. 602). 139 RESPOSTA DA QUESTÃO 18: [E] Rousseau está entre os pensadores classificados como “contratualistas”, haja vista que a teoria filosófica política formulada por ele se baseia no estabelecimento de um contrato social como fundamento da organização política da vida coletiva, estabelecendo os direitos e deveres dos cidadãos e a finalidade e os limites das instituições políticas. Essa produção se dá no contexto histórico de reação contra o Antigo Regime, baseado nas monarquias absolutistas modernas. RESPOSTA DA QUESTÃO 19: [B] Maquiavel faz parte de uma tradição teórica da filosofia política denominada “realismo político”, marcada por uma reflexão que busca entender a realidade, a partir da qual se constroem as relações políticas, por meio das formas que ela se apresenta, renegando as análises que se pautam a partir de entendimentos idealistas sobre como a realidade deveria ser. Em outras palavras, Maquiavel se propõe a entender a realidade como ela é e não como se pensa que ela deveria ser. Com efeito, é fundamental o exame das relações históricas e políticas que estruturam as relações humanas. RESPOSTA DA QUESTÃO 20: [A] Montesquieu, em sua obra “Do espírito das leis”, propõe a divisão dos poderes no Sistema de tripartição, no qual o Poder Legislativo seria a instância responsável pela elaboração, aperfeiçoamento ou revogação das leis; o Poder Executivo se ocuparia da execução das leis e da garantia da segurança; e o Poder Judiciário teria a atribuição de fiscalizar a ordem, julgando os litígios. Para Montesquieu, essa divisão de poderes tem como objetivo evitar a concentração dos poderes, o que tenderia ao abuso de poder. RESPOSTA DA QUESTÃO 21: [B] [A] Incorreta. A propriedade não resulta de um ato tardio da sociedade civil, sendo antes o ato de inauguração da própria sociedade civil. Além disso, a instauração da propriedade não busca satisfazer necessidades naturais, e sim busca satisfazer o excesso, tudo aquilo que no humano excede o natural. Além disso, estado de natureza e sociedade civil são conceitos antagônicos. [B] Correta. Para Rousseau, a condição biológica e espiritual natural, na qual o homem existiria antes do surgimento da sociedade civil, caracteriza o seu estado de natureza, no qual as ações humanas estariam baseadas nos seus instintos de sobrevivência, de modo que elas não seriam nem boas nem más, ou seja, não seriam guiadas a partir de uma moral. A passagem da condição natural para a condição social, segundo Rousseau, teria ocasionado a corrupção da pureza humana característica da primeira condição, levando ao surgimento de novas necessidades para a manutenção da vida coletiva, como a adequação das ações humanas a um padrão de comportamento social, vinculado à uma moral, criando uma ruptura radical do indivíduo com o seu estado natural, afastando-o do mesmo. [C] Incorreta. Se para Rousseau a sociedade civil foi primitivamente fundada na propriedade e se a fundação da propriedade é ilegítima, resultando de astúcia, coerção ou força, o ato de instauração da propriedade privada não é legitimado racionalmente. Não há legitimação racional possível de algo fundado em arbítrio privado, razão pela qual também não é possível sustentar sua suposta universalidade, tendo em vista que as motivações são particulares. [D] Incorreta. Para Rousseau, “O primeiro sentimento do homem foi o de sua existência, sua primeira preocupação a de sua conservação” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos... p. 260). Assim, a defesa incondicional e irrestrita da propriedade como um fato inerente à 140 própria natureza humana já expressa uma perversão da própria compreensão da natureza humana. Antes de pensar: “isso é meu”, o homem sente: “eu existo”. Além disso, uma parte significativa disso que chamamos “necessidades” resulta, não de uma disposição natural, e sim do arbítrio, do supérfluo, instaurado justamente pelo excesso produzido pela propriedade privada. [E] Incorreta. A perfectibilidade, a “faculdade humana de aperfeiçoar-se” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos..., p. 243), restringe-se a operações muito elementares, tais como “[...] querer e não querer, desejar e temer” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos..., p. 244), as quais “serão as primeiras e quase que as únicas operações de sua alma” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos..., p. 244) em estado de natureza, e é precisamente isso que a instauração da propriedade e da sociedade civil subverterão, irremediavelmente. Portanto, a instauração da sociedade civil e da propriedade civil não expressa a perfectibilidadehumana, mas um modo avançado de decadência. RESPOSTA DA QUESTÃO 22: [E] A forma de vida defendida tanto por Rousseau quanto por Tolstói está vinculada a uma experiência estético-romântica, na medida em que valoriza atributos como a sinceridade, a impulsividade e a coragem. RESPOSTA DA QUESTÃO 23: [D] John Locke é um dos principais representantes do empirismo. Segundo ele, as ideias são resultado da experiência humana, exatamente como apresenta a alternativa [D]. RESPOSTA DA QUESTÃO 24: [C] Thomas Hobbes é um dos filósofos contratualistas, exatamente por considerar que toda comunidade política é fundada em um pacto social. A ausência dessa pacto faz com que os indivíduos estejam em um estado de natureza, na qual haveria a guerra de todos contra todos. RESPOSTA DA QUESTÃO 25: [A] Segundo Hobbes, os homens, em seu estado de natureza, permanecem em um constante conflito. É a constituição da cidade civil que irá por fim a esse estado de guerra de todos contra todos. RESPOSTA DA QUESTÃO 26: [D] Segundo Hobbes uma vez que os homens encontram-se num estado de guerra de “todos contra todos”, a construção da sociedade somente pode ocorrer quanto todos os membros rendem sua liberdade natural para uma única figura capaz de garantir a paz e a segurança a todos. Esta figura é entendida pelo autor como um mal necessário (um leviatã) que deve possuir poder inquestionável, não estando rendido a qualquer atrelamento, seja ele partidário ou republicano. Para que esta figura possa governar de forma a cuidar dos interesses de todos sem estar ligado a nenhum condicionamento, ela deve possuir um poder e uma autoridade inquestionável. Embora Hobbes não fosse um defensor árduo do absolutismo, suas teses serviram de base para justificar a monarquia como forma mais viável de garantir a todos um estado de paz. Portanto, a monarquia absolutista é o remédio para garantir a coexistência dos homens em sociedade. O despotismo esclarecido vai no sentido contrário, sendo inspirado pela filosofia iluminista, cria uma abertura não existente na filosofia de Hobbes, na qual o monarca não é mais visto como absoluto, mas sim como alguém que ainda exerce o poder, mas sem o 141 caráter divino e inquestionável dos seus antecessores. RESPOSTA DA QUESTÃO 27: [B] Maquiavel é considerado fundador da filosofia política moderna, pois muitas das suas afirmações se contrapõem à filosofia política clássica. Basicamente, a sua reflexão se preocupa muito mais com problemas efetivos, e muito menos com reflexões utópicas. De modo que a eficiência deve ser buscada na pobreza mesma das nossas cidades como elas são, e não na possível riqueza das nossas cidades como elas poderiam ser. Sendo assim, o papel político do Príncipe é o de constituir um poder superior capaz de mantê-lo no poder. O Príncipe também tem por tarefa cuidar da manutenção e conservação desse poder superior. Conforme Maquiavel, o Príncipe pode se utilizar de todos os meios disponíveis para a consecução de seus objetivos. Desde que as circunstâncias assim o exijam, o Príncipe poderá se utilizar inclusive da mentira, da violência e da força, porém, deve logicamente ser astuto e assim evitar ser odiado pelos súditos. “Resta ver agora como deve comportar-se um príncipe com os súditos ou com os amigos. Como sei que sobre isso muitos escreveram, receio, fazendo-o eu também, ser considerado presunçoso, principalmente porque, ao tratar deste assunto, me afasto das regras estabelecidas pelos outros. Mas sendo minha intenção escrever coisa útil, destinada a quem por ela se interessar, pareceu-me mais conveniente ir diretamente à efetiva verdade do que comprazer-me em imaginá-la. Muita gente imaginou repúblicas e principados que jamais foram vistos ou de cuja real existência jamais se teve notícia. E é tão diferente o como se vive do como se deveria viver, que aquele que desatende ao que se faz e se atém ao que se deveria fazer aprende antes a maneira de arruinar-se do que a de preservar-se. Assim, o homem que queira em tudo agir como bom acabará arruinando-se em meio a tantos que não são bons”. (N. Maquiavel. O Príncipe. São Paulo: Círculo do livro, p. 101) RESPOSTA DA QUESTÃO 28: [E] Obviamente, é muito difícil compreender a persistência histórica dos conflitos geopolíticos através dessa teoria política hobbesiana, pois a grande obra do filósofo britânico não se resume à definição do estado de natureza do homem, no qual todos estão em guerra contra todos. Além disso, não faz qualquer sentido confundir tal estado de natureza com a nossa realidade, que ao se chamar geopolítica já impede uma relação direta com a suposta condição primária da civilização. Nem nós, nem a Inglaterra de Hobbes representamos o estado de natureza, pois tal premissa é um postulado da especulação filosófica do autor, e não um fato constatado. Ora, nós vivemos em uma sociedade global, e não estamos em vivendo no caos absoluto de um confronto geral de vida ou morte. Se fôssemos compreender a persistência história dos conflitos geopolíticos através da teoria política hobbesiana, então deveríamos tomar tais constantes disputas como resultado da incapacidade dos homens de instituírem um governo global forte o suficiente que obrigasse os cidadãos a honrarem o pacto social. 142 RESPOSTA DA QUESTÃO 29: [C] Maquiavel é considerado fundador da filosofia política moderna, pois muitas das suas afirmações se contrapõem à filosofia política clássica. Basicamente, a sua reflexão se preocupa muito mais com problemas efetivos, e muito menos com reflexões utópicas sobre o dever ser. De modo que a eficiência deve ser buscada na pobreza mesma das nossas cidades como elas são, e não na possível riqueza das nossas cidades como elas poderiam ser. “Resta ver agora como deve comportar-se um príncipe com os súditos ou com os amigos. Como sei que sobre isso muitos escreveram receio, fazendo-o eu também, ser considerado presunçoso, principalmente porque, ao tratar deste assunto, me afasto das regras estabelecidas pelos outros. Mas sendo minha intenção escrever coisa útil, destinada a quem por ela se interessar, pareceu-me mais conveniente ir diretamente à efetiva verdade do que comprazer-me em imaginá-la. Muita gente imaginou repúblicas e principados que jamais foram vistos ou de cuja real existência jamais se teve notícia. E é tão diferente o como se vive do como se deveria viver, que aquele que desatende ao que se faz e se atém ao que se deveria fazer aprende antes a maneira de arruinar-se do que a de preservar-se. Assim, o homem que queira em tudo agir como bom acabará arruinando-se em meio a tantos que não são bons”. (N. Maquiavel. O Príncipe. São Paulo: Círculo do livro, p. 101). RESPOSTA DA QUESTÃO 30: [B] O pensamento de Maquiavel sobre o comportamento do príncipe estabelece uma ética fundada a partir de um princípio distinto da ética clássica. No pensamento clássico, a ética tinha a finalidade de formar um homem com um comportamento baseado em certas virtudes, como a sabedoria, a coragem, a temperança, a prudência. Já a ética maquiavélica não busca refletir sobre a formação dos hábitos de um homem, no caso o príncipe, tendo em vista tais virtudes, mas sim tendo em vista a sua manutenção no poder. Portanto, os hábitos do príncipe não podem ser pensados de acordo com virtudes cardeais, mas sim de acordo com a experiência comum através da qual se observa homens agindo de maneira desleal sem qualquer pudor ou respeito para com atitudes magnânimas. 143 FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: KARL MARX QUESTÃO 01 (UFU 2012) Em uma passagem de As aventuras do Barão de Munchausem, personagem do folclore alemão,ele e seu cavalo encontram-se atolados em um pantanal e, para sair dessa situação, o Barão puxa a si mesmo pelo cabelo, levantando- se, com sua montaria, do terreno movediço. Em mais de uma ocasião, os sociólogos usaram essa metáfora para aludir ao modo pelo qual os positivistas procuravam um método objetivo, neutro, livre das ideologias. Em oposição a essa suposta objetividade, Marx criticou veementemente os positivistas, uma vez que, para o autor, A) o método possui uma objetividade parcial, pois na escolha do objeto entra em ação a ideologia do autor, que não interfere, entretanto, na análise dos acontecimentos. B) a análise social, a partir da perspectiva do operariado, deve contribuir para a harmonia das relações sociais de produção. C) a análise das condições de vida do proletariado europeu do século XIX deve incidir sobre a crítica social, com vistas à reforma da sociedade burguesa. D) o método deve contribuir não só para a interpretação, mas igualmente para a transformação social. QUESTÃO 02 (Interbits 2012) Segundo Karl Marx, a sociedade capitalista conhece basicamente duas classes: a burguesia e o proletariado. Na abordagem marxista, como se dá a relação entre elas? A) As duas classes estão em harmonia. Ambas se complementam em um processo produtivo: os burgueses oferecem empregos, enquanto os proletários trabalham contribuindo para o progresso da civilização. B) Elas estão em constantes disputas políticas. Tais disputas aparecem, no Brasil, na polarização entre PT e PSDB, sendo o PT o partido dos trabalhadores (proletários) e o PSDB o partido dos empresários (burgueses). A alternância entre esses dois partidos no poder é o que definirá o modelo econômico da nação. C) Essas duas classes estão em luta. Enquanto os burgueses tentam exercer sua dominação sobre o proletariado, estes procuram resistir e fugir dessa relação de opressão. D) As duas classes estão em relação de solidariedade orgânica. O capitalismo surge em uma sociedade moderna, marcada por uma complexa divisão do trabalho. Longe de produzir desagregações, essa complexidade favorece a coesão social devido à dependência mútua de todos os indivíduos. E) As classes sociais estão em processo de fusão. Devido à mundialização do capital, não haverá mais classes sociais. Todos serão híbridos de empreendedores e trabalhadores, em uma sociedade regulada pelo mercado. 144 QUESTÃO 03 (Unimontes 2012) A questão das classes sociais ocupa um papel fundamental na teoria de Karl Marx. Para ele, existem condicionantes e determinantes na complexa relação entre indivíduo e sociedade e entre consciência e existência social. Considerando as reflexões de Karl Marx sobre esse tema, marque a alternativa incorreta. A) A luta de classes desenvolve-se no modo de organizar o processo de trabalho e no modo de se apropriar do resultado do trabalho humano. B) A luta de classes está presente em todas as ações dos trabalhadores quando lutam para diminuir a exploração e a dominação. C) Em meio aos antagonismos e lutas sociais, o indivíduo pode repensar a realidade, reagir e até mesmo transformá-la, unindo-se a outros em movimentos sociais e políticos. D) As classes sociais sustentam-se em equilíbrios dinâmicos e solidários, sendo a produção da solidariedade social o resultado necessário à vida em sociedade. QUESTÃO 04 (Interbits 2012) – Nasceu em 1818, na Alemanha, e morreu em 1883, na Inglaterra. – Utilizou-se de importantes conceitos da filosofia hegeliana. – Sua principal obra é O Capital. – Desenvolveu o que se chamou de materialismo histórico. As informações acima dizem respeito a qual cientista social? A) Max Weber. B) Émile Durkheim. C) Karl Marx. D) Friedrich Hegel. E) Friedrich Nietzsche. QUESTÃO 05 (Interbits 2012) “A ideologia, como consciência invertida, teria o papel de amparar o domínio de uma classe ou grupo social sobre as demais. Por meio da ideologia, essa classe ou grupo social se faria hegemônica, como que convencendo as outras de que seus interesses e valores seriam universais”. RICUPERO, Bernardo. Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, 2008, p. 32-33. A partir da definição acima e dos seus conhecimentos sobre classe social no sentido pensado por Karl Marx, quais das frases abaixo podem ser consideradas de cunho ideológico? I. “Todo homem tem seu preço”. II. “Antes tarde do que nunca”. III. “Quem não trabalha também não deve comer”. IV. “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. V. “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. A) Somente I e II. B) Somente I e III. C) Somente III e IV. D) Somente IV e V. E) Somente I, II e III. 145 QUESTÃO 06 (Ufu 2011) Segundo Marx, o fator fundamental do desenvolvimento social assenta-se nas contradições da vida material, na luta entre as forças produtivas da sociedade e as relações sociais de produção que lhe correspondem. Analisando a frase acima, assinale a alternativa correta sobre as relações sociais de produção e forças produtivas em Marx. A) Dizem respeito às relações sociais que os homens estabelecem entre si para utilizar os meios de produção, transformando a si mesmos e a natureza. B) Correspondem às relações entre os homens no âmbito estritamente econômico posto que a esfera econômica determina a estrutura social. C) Dizem respeito às ações individuais dos homens no livre mercado, o qual é marcado pelas leis de oferta e procura. D) Correspondem a uma relação social definida pela lógica do mercado, na qual os homens orientam individualmente suas ações em um determinado sentido. QUESTÃO 07 (Unimontes 2011) “Todos os nossos inventos e progressos parecem dotar de vida intelectual as forças produtivas materiais, enquanto reduzem a vida humana ao nível de uma força material bruta. Este antagonismo entre a indústria moderna e a ciência, por um lado, e a miséria e a decadência, por outro, este antagonismo entre as forças produtivas e as relações sociais de nossa época é um fato palpável, abrumador e incontrovertido. (...) não nos enganemos a respeito da natureza desse espírito maligno que se manifesta constantemente em todas as contradições que acabamos de assinalar”. Com base no texto de Karl Marx, julgue os itens a seguir: I. Pertence ao debate em torno da questão da alienação na sociedade capitalista, alertando para a consciência alienada e contraditória que atribui à realidade histórica uma aparência mágica, enfeitiçada. II. Reforça a explicação de que a realidade histórica tem uma aparência ideal, pois as ideias, as concepções, os gostos, as crenças, as categorias do conhecimento humano são construídos e partilhados harmonicamente dentro da sociedade. III. Diz respeito ao processo em que as máquinas, dotadas da propriedade maravilhosa de encurtar e fazer mais frutífero o trabalho humano, contraditoriamente, provocam a fome e o esgotamento do trabalhador, convertendo- se em fonte de privação social e econômica. Está(ão) correto(s) o(s) item(ns) A) I e II, apenas. B) I, II e III. C) II, apenas. D) I e III, apenas. 146 QUESTÃO 08 (Uema 2011) Uma das condições imprescindíveis, em Karl Marx, para que a mercadoria como força de trabalho possa ser vendida e comprada no mercado é: A) A separação entre os meios de produção e o produtor direto. B) A unidade entre o meio de produção e o produtor direto. C) A relação entre a produção, consumo e distribuição. D) O intercâmbio entre homem e natureza. E) A separação entre campo e cidade. QUESTÃO 09