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Urgência e Emergência I – Dra Josiane Cihoda 
1 
Pancreatite Aguda 
❖ Consiste em uma inflamação que 
acomete o pâncreas. A ativação 
enzimática pancreática induz a 
autodigestão do parênquima 
pancreático. Em resposta a esse 
insulto inicial, as células acinares 
liberam citosinas próinflamatórias. A 
resposta inflamatória local agrava a 
pancreatite devido ao aumento da 
permeabilidade e lesão da 
microcirculação do pâncreas. 
❖ Em casos graves, a resposta inflamatória provoca hemorragia local e necrose 
pancreática. Além disso, alguns dos mediadores inflamatórios liberados pelos neutrófilos 
agravam a lesão pancreática porque provocam a ativação enzimática pancreática. 
Isso pode evoluir com a síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e consequente 
disfunção múltipla de órgãos. 
FATORES DE RISCO 
✓ Álcool; 
✓ Cálculos biliares; 
✓ Obstrução anatômica; 
✓ Induzida por CPRE; 
✓ Fatores metabólicos. 
QUADRO CLÍNICO 
❖ Ocorre uma dor epigástrica ou periumbilical que irradia para o dorso (em faixa), náuseas, 
vômitos, taquicardia e hipotensão. Ao exame físico, pode haver distensão ou rigidez 
abdominal. Achados raros incluem equimose do flanco e da região periumbilical 
(indicativos de sangramento retroperitoneal). 
DIAGNÓSTICO 
❖ É feito de forma clínica associado a elevação das enzimas pancreáticas no sangue. Uma 
elevação de três vezes ou mais dos níveis de amilase e lipase confirma o diagnóstico. Em 
pacientes que não são atendidos na emergência nas primeiras 2448 horas após o início 
dos sintomas, a determinação dos níveis de lipase passa a ser um indicador mais sensível 
e confiável para estabelecer o diagnóstico. 
❖ Atualmente, a tomografia computadorizada (TC) com contraste é considerada o melhor 
exame para avaliar o pâncreas. 
TRATAMENTO 
❖ Independentemente da causa ou da gravidade da doença, a base do tratamento da 
PA é a reposição agressiva de líquidos e eletrólitos pelo uso de uma solução isotônica de 
cristaloides. Também é essencial estabelecer analgesia efetiva. Os sedativos opiáceos 
são geralmente utilizados, em especial a morfina. 
Urgência e Emergência I – Dra Josiane Cihoda 
2 
❖ A alimentação oral pode ser impossível em função do íleo persistente, da dor ou da 
entubação. Além disso, 20% dos pacientes com PA grave desenvolvem dor recorrente 
logo após a via oral ser reiniciada, logo, indica-se o jejum. Os antibióticos profiláticos não 
reduzem a frequência da intervenção cirúrgica, a necrose infectada nem a mortalidade 
entre pacientes com pancreatite grave, logo não se faz ATB profilático. 
NECROSE PANCREÁTICA INFECTADA 
❖ A necrose pancreática infectada deve ser suspeitada em pacientes com febre 
prolongada, contagem elevada de leucócitos ou deterioração clínica progressiva. A 
evidência de ar no interior da necrose pancreática observada em uma TC confirma o 
diagnóstico, mas é um achado raro. Se houver suspeita de necrose infectada, a 
aspiração com agulha fina (AAF) pode ser realizada se o diagnóstico for equívoco; por 
meio do aspirado, uma coloração de Gram ou cultura positiva estabelece o diagnóstico. 
❖ Uma vez que a infecção tenha sido demonstrada, os antibióticos EV devem ser 
administrados. Em função de sua penetração no pâncreas e na cobertura do espectro, 
os carbapenens constituem a primeira opção de tratamento (meropenem e imipenem). 
A terapia alternativa inclui: quinolonas, metronidazol, cefalosporinas de terceira geração 
e piperacilina.

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