Prévia do material em texto
https://www.eumedicoresidente.com.br/ facebook.com/Eu-Medico-Residente instagram.com/eumedicoresidente/ YouTube/eumedicoresidente WhatsApp: 55 (81) 98276-3620 contato@eumedicoresidente.com.br www.eumedicoresidente.com.br ISBN: 978-65-81704-00-1 É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo, sem a expressa autorização do autor e das edições criadas pelo Eu Médico Residente ©. A violação dos direitos autorais dessa obra caracteriza crime descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis. https://www.eumedicoresidente.com.br/ Entenda os ícones que traremos durante sua leitura e qual o objetivo de cada um para seu aprendizado. Este símbolo indica um detalhe do assunto. O intuito é complementar seu aprendizado, aprofundando seu conhecimento naquele tema. Este símbolo indica um trecho que trará, de maneira simples e rápida, conceitos para ajudar na sua memorização. Este símbolo indica um trecho do assunto que vale a pena ser relembrado. Nossa intenção é indicar os pontos mais importantes para sua prova. Este símbolo indica uma sugestão de resposta para o caso clínico que traremos no início de cada apostila. Este símbolo indica que selecionamos uma questão direcionada para aquele trecho que você acabou de ler, para que você entenda como determinados conceitos são cobrados nas provas. E SE FOSSE VOCÊ NESTE PLANTÃO ......................................................................................................................................... 7 ARBOVIROSES ......................................................................................................................................................................... 8 1 DENGUE............................................................................................................................................................................. 9 1.1 CONCEITOS GERAIS .................................................................................................................................................. 9 1.2 EPIDEMIOLOGIA ..................................................................................................................................................... 10 1.3 FISIOPATOLOGIA..................................................................................................................................................... 10 1.4 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA ........................................................................................................................... 11 1.4.1 FASE FEBRIL .......................................................................................................................................................... 11 1.4.2 FASE CRÍTICA ........................................................................................................................................................ 11 1.4.3 FASE DE RECUPERAÇÃO ....................................................................................................................................... 11 1.5 QUADRO CLÍNICO ................................................................................................................................................... 11 1.6 DIAGNÓSTICO (EXAMES CONFIRMATÓRIOS) ......................................................................................................... 16 1.7 VACINA ................................................................................................................................................................... 17 1.8 CONDUTA E TRATAMENTO .................................................................................................................................... 17 1.9 PREVENÇÃO ............................................................................................................................................................ 20 2 FEBRE AMARELA (FA) ...................................................................................................................................................... 20 2.1 CONCEITOS GERAIS ................................................................................................................................................ 20 2.2 EPIDEMIOLOGIA ..................................................................................................................................................... 21 2.3 FISIOPATOLOGIA..................................................................................................................................................... 22 2.4 CLÍNICA ................................................................................................................................................................... 22 2.5 RESUMINDO ........................................................................................................................................................... 22 2.6 EXAMES LABORATORIAIS ....................................................................................................................................... 22 2.7 DIAGNÓSTICO ......................................................................................................................................................... 23 2.8 CONDUTA E TRATAMENTO .................................................................................................................................... 23 2.9 ALTA HOSPITALAR .................................................................................................................................................. 24 2.10 PREVENÇÃO ............................................................................................................................................................ 24 3 ZIKA ................................................................................................................................................................................. 25 3.1 CONCEITOS GERAIS: ............................................................................................................................................... 25 3.2 EPIDEMIOLOGIA ..................................................................................................................................................... 26 3.3 QUADRO CLÍNICO ................................................................................................................................................... 26 3.4 EXAMES LABORATORIAIS ....................................................................................................................................... 26 3.5 DIAGNÓSTICO ......................................................................................................................................................... 26 3.6 CONDUTA E TRATAMENTO .................................................................................................................................... 27 4 FEBRE CHIKUNGUNYA ..................................................................................................................................................... 30 4.1 CONCEITOS GERAIS ................................................................................................................................................ 30 4.2 EPIDEMIOLOGIA ..................................................................................................................................................... 30 4.3 FISIOPATOLOGIA..................................................................................................................................................... 30 4.4 QUADRO CLÍNICO ...................................................................................................................................................30 4.5 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ............................................................................................................................... 32 4.6 CONDUTA E TRATAMENTO .................................................................................................................................... 33 5 RESUMINDO (DEFINIÇÃO DE CASO) ............................................................................................................................... 34 6 FEBRE DO NILO OCIDENTAL (FEBRE DO OESTE DO NILO) ............................................................................................. 34 7 FEBRE MAYARO ............................................................................................................................................................... 35 8 RESUMINDO (ARBOVIROSES) .......................................................................................................................................... 35 9 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................................... 36 https://www.eumedicoresidente.com.br/ file:///D:/André%20Luiz/Trabalhos/EMR/EMR/Apostilas%20Extensivas/2022/Clínica%20Médica/Clínica%20Médica%20(Aula01%20-%20Final)%20Arboviroses.docx%23_Toc93483181 10 QUESTÕES EXTRAS .......................................................................................................................................................... 37 10.1 COMENTÁRIOS & GABARITOS ................................................................................................................................ 45 https://www.eumedicoresidente.com.br/ Paciente de 28 anos, sem comorbidades, com história de febre alta (39oC) iniciada há 6 dias, associada a cefaleia “atrás dos olhos”, mialgia intensa e náuseas. Procurou o PSF no terceiro dia, quando foi orientado acerca dos sinais de alarme da doença e sobre a necessidade de hidratação oral. No sexto dia da doença, decidiu procurar a emergência, porque estava apresentando dor abdominal intensa, que não melhorava com analgésicos comuns. Ao exame físico: estado geral regular, afebril, corado, desidratado (+/+4). Ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Abdome: fígado palpável 2 cm abaixo do rebordo costal direito, doloroso. Extremidades: sem edemas. PA = 110 x 60 mmHg. FC 100 bpm. FR: 18 ipm; foram solicitados exames: Hb 14g/dL, Ht 50%, leucócitos: 4500/mm3, plaquetas: 150.000/mm3, TGO 70 U/L, TGP 67 U/L, Cr 1,1 mg/dL, Ur 56 mg/dL, K 4,5 mEq/L, Na 125 mEq/L. Baseado no caso clínico, responda às seguintes perguntas. EMR – Eu Médico Residente Ensino Ltda © 2022 Todos os direitos reservados. CNPJ: 34.730.954/0001-71 1. Diante do quadro clínico, qual a principal suspeita diagnóstica? 2. Com o quadro apresentado, o paciente preenche critérios de gravidade? Qual a classificação clínica do paciente? 3. Qual exame deve ser solicitado para confirmar sua suspeita diagnóstica? 4. Baseado no grupo em que o paciente foi classificado, qual seria a conduta mais adequada no atendimento? 5. O paciente tem indicação de internamento? Se sim, após adequado tratamento, quais os critérios de alta hospitalar? https://www.eumedicoresidente.com.br/ • A classificação de arbovírus engloba todos os vírus transmitidos por artrópodes, principalmente mosquitos. As arboviroses são doenças causadas pelos chamados Arbovírus e incluem: dengue, zika, febre chikungunya, febre amarela etc. • O termo arbovírus não está incluso na classificação taxonômica, o que significa que os vírus de famílias – e até mesmo ordens – diferentes poderão ser classificados como tal. Já foram identificadas mais de 50 espécies patogênicas ao homem. Esses vírus podem ter morfologia esférica ou em bastonete e, geralmente, são vírus de RNA. • Dentre os arbovírus, os principais causadores de doenças no homem são do gênero Flavivírus (vírus da dengue, zika vírus e vírus da febre amarela) e Alphavirus (vírus da chikungunya), comumente transmitidos por fêmeas do gênero Aedes (A. aegypti e A. albopictus). • A ampla distribuição dos mosquitos vetores associados ao fenômeno da urbanização e mudanças climáticas são alguns dos fatores que facilitam a cocirculação desses agentes pelos hemisférios. Os arbovírus estão presentes em mais de 120 países das regiões tropicais e subtropicais, emergindo principalmente em áreas urbanas pobres e porções periféricas do mundo. Estima-se que cerca de 4 bilhões de pessoas estejam expostas ao risco de infecção por esses vírus. • As principais arboviroses de interesse para o nosso estudo e que serão discutidas nesta apostila são: − Dengue; − Febre amarela; − Zika; − Febre Chikungunya; − Febre do Nilo Ocidental; − Febre Mayaro. Figura 1 – Mosquito Aedes aegypti. UNCISAL-AL 2020 ACESSO DIRETO. Qual das opções abaixo contém apenas Flavivirus? A. Hepatite C, Hepatite D, Dengue. B. Coxsakie, Mayaro, Febre Amarela. C. Dengue, Zika, Chikungunya. D. Dengue, Zika, Febre Amarela. E. NDA. COMENTÁRIO: Entre os arbovírus, os principais gêneros causadores de doenças no homem são Flavivírus (vírus da dengue, zika vírus e vírus da febre amarela) e Alphavirus (vírus chikungunya), comumente transmitidos por fêmeas do gênero Aedes (A. aegypti e A. albopictus). RESPOSTA: Letra D. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • A dengue é a mais importante das arboviroses, pelo fato de ser a mais frequente (estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas contraem a doença anualmente) e pelo seu impacto na produtividade econômica, afastando do trabalho o indivíduo afetado por cerca de 10 dias, após o início da doença. − Definição: doença febril aguda que, quando sintomática, é sistêmica, dinâmica e de amplo espectro clínico. − Período de incubação: 2 a 15 dias. − Agente transmissor (vetor): ✓ No Brasil, a fêmea do mosquito Aedes aegypti (cujo hábito é diurno e vespertino) é o vetor e pode transmitir todas as outras doenças virais vistas neste capítulo; ✓ O mosquito tem autonomia de voo limitada, afastando-se não mais de 200 metros do local de oviposição; ✓ Aedes albopictus: vetor asiático da doença; ✓ Existem relatos de transmissão vertical do vírus e há a possibilidade da transmissão por transfusão sanguínea (caso o indivíduo infectado doe sangue na fase virêmica). Não há transmissão de pessoa a pessoa, nem por contato com secreções. • Ciclo de Transmissão: − A fêmea do Aedes aegypti adquire o vírus se alimentando do sangue de um indivíduo infectado na fase de virêmica, que começa um dia antes do aparecimento da febre e vai até o sexto dia de doença. − Após 8-12 dias (período no qual o vírus se multiplica nas glândulas salivares da fêmea do mosquito), surge a capacidade de transmissão. − A fêmea faz a oviposição em coleções de água parada (poços, pneus velhos, vasos de plantas etc.), onde se desenvolvem as larvas. − Após a oviposição, os ovos são capazes de resistir ao dessecamento durante transporte para outro local. Em uma eventual exposição, a chuva reidrata os ovos, que eclodem suas larvas já no ambiente de destino. Os ovos podem permanecer viáveis por até um ano. Figura 2 – Ciclo de Transmissão do Vírus da Dengue. Fonte: http://repocursos.unasus.ufma.br/atencaobasica_20152/modulo_14/und1/23.html A dengue acompanha de perto a distribuição do mosquito transmissor e, como consequência, sua incidência tende a ser maior no verão (período quente e úmido), que favorece a proliferação do vetor. A água parada e limpa é o ambiente ideal para a fêmea do mosquito da dengue (Aedes aegypti) depositar os seus ovos. Após atingir a fase adulta, o mosquito da dengue tem cerca de 45 dias de vida. Água Parada. Ovos. Larva. Mosquito. Ao picar uma pessoa infectada, o mosquito contrai o vírus e, em seu ciclo devida, pode contaminar até 300 pessoas. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • A dengue havia sido praticamente erradicada na década de 1920, quando se erradicou o Aedes aegypti com os programas de combate à febre amarela urbana. Infelizmente, décadas depois, o mosquito retorna e a dengue se torna endêmica, com epidemias recorrentes, intercalando ao longo dos anos. • O vírus da dengue (ou DenV), é um vírus de RNA e pertence à família Flaviviridae, uma família de vírus que inclui o vírus da febre amarela, da encefalite japonesa, da Febre do Nilo Ocidental (FNO) e o vírus da encefalite do carrapato (TBE). É um vírus de RNA que apresenta 5 sorotipos: − DenV 1: era o sorotipo mais isolado no Brasil; − DenV 2: tornou-se o mais comum no Brasil; − DenV 3: juntamente ao DenV 2, considerado o mais grave; − DenV 4: voltou a circular em 2010 (> 50% dos casos de 2013); − DenV 5: em 2013, foi identificado no material coletado durante um surto, em 2007, em Sarawak, Malásia (ainda não foi identificado no Brasil; circula apenas na Ásia); − Em termos de virulência, em ordem decrescente, temos os sorotipos: 2,3,4 e 1. A infecção por um sorotipo não cria anticorpos definitivos contra os demais. Na primeira infecção, o sistema imune do paciente produz anticorpos neutralizantes contra esse sorotipo (ex.: sorotipo 1), denominados anticorpos homólogos, que provavelmente permanecerão pelo resto da vida do paciente. Os anticorpos também oferecem proteção contra outros sorotipos (imunidade cruzada ou heteróloga), porém, de curta duração (de meses a poucos anos). Se o mesmo indivíduo for infectado por outro sorotipo anos depois, eles não serão capazes de neutralizá-lo – pelo contrário, a ligação deles ao novo sorotipo facilitará a penetração do vírus nos macrófagos, pelo mecanismo de opsonização. Teoricamente, só se pode contrair dengue 5 vezes na vida. A dengue grave geralmente ocorre em pacientes que já se infectaram por algum sorotipo do vírus e, anos depois, novamente se infectam por outro sorotipo. Essa chance de gravidade é maior quando a segunda infecção é causada pelo sorotipo 2. • O vírus da dengue infecta células, como: − Macrófagos/Monócitos: Liberação de citocinas, como IL-6 (causa febre, sintoma cardinal da dengue) e TNF-alfa. − Miócitos (tecido muscular estriado esquelético): Mialgia e dor retro-orbitária. • A resposta imunológica começa a surgir já na primeira semana de doença. A imunidade humoral e a celular participam do controle da infecção. • Os linfócitos T CD8+ citotóxicos são capazes de destruir as células infectadas pelo vírus, por intermédio da ação de anticorpos específicos. O vírus também pode ser neutralizado diretamente pelos anticorpos. • A liberação maciça de fatores pró-inflamatórios leva ao aumento súbito e generalizado da permeabilidade capilar, o que, por sua vez, leva à transferência de líquido do intravascular ao interstício, que pode culminar em hipovolemia, hemoconcentração e até choque. Já ouviu falar na teoria da multicausalidade? Essa teoria preconiza que a dengue grave seria um conjunto de fatores que interagem levando ao quadro clínico final: ✓ Fatores Individuais: Predisposição genética, crianças menores de 15 anos, sexo feminino, raça branca, enfermidades crônicas (diabetes, hipertensão), preexistência de anticorpos heterólogos, entre outros. ✓ Fatores Virais: Sorotipos circulantes e virulência das cepas. ✓ Fatores Epidemiológicos: População suscetível, vetor eficiente, alta densidade vetorial, sequência de infecções, entre outros. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • Em resumo, são três fases: 1. Fase febril (2 a 7 dias); 2. Fase crítica (3º ao 7º dia de doença; pode sobrepor-se à fase febril); 3. Fase de recuperação (após a fase crítica). • É marcada por febre, que pode durar de 2 a 7 dias. Associadas a ela, é possível haver cefaleia, dor retro-orbitária, artralgias e mialgias. • Pode haver sintomas gastrointestinais, tais como: diarreia pastosa (costuma ser branda), vômitos, náuseas, anorexia. • Até 50% dos doentes podem desenvolver um rash, que tende a aparecer no fim da febre; esse rash é maculopapular e acomete face, tronco e membros (não poupa plantas dos pés ou palmas das mãos). O prurido não é obrigatório. • Pode ocorrer linfadenopatia. • Apenas alguns pacientes passam da fase febril à fase crítica. Nessa fase, predominam sinais e sintomas relacionados ao fenômeno de extravasamento plasmático. • Inicia com a defervescência (redução da febre), que ocorre entre o 3º e o 7º dia do início da doença. Aqui aparecem os sinais de alarme (serão definidos logo mais), que podem evoluir para dengue grave. • Nessa fase, podemos ter o choque, que ocorre quando um volume crítico de plasma é perdido através do extravasamento. Isso geralmente ocorre entre 4-5 dias de doença, comumente precedido de sinais de alarme. • Fase da doença caracterizada pela melhora dos sintomas. No entanto, é uma fase que ainda requer vigilância. • Ocorre reabsorção do conteúdo extravasado para o intravascular, com aumento de débito urinário. • Importante estar atento à possibilidade de complicações relacionadas à hiper-hidratação, como a hipervolemia (ex. hipertensão arterial sistêmica; edema agudo de pulmão). • Infecções bacterianas oportunistas poderão aparecer. Em crianças pequenas (principalmente em menores de dois anos), a dengue pode se manifestar com sinais e sintomas inespecíficos, como febre, choro persistente, adinamia e irritabilidade. Como esses pacientes não verbalizam, isso pode ser indício de dor intensa, mialgias e artralgias. Desse modo, o médico pode não suspeitar e os sinais de alarme podem passar despercebidos, com o paciente evoluindo para a forma grave da doença. • No Brasil, em 2014, houve uma importante mudança na classificação do quadro clínico da dengue adotado pelo Ministério da Saúde (MS), visando a uniformização com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Nela, a dengue clássica, febre hemorrágica da dengue e dengue com complicações deram lugar à classificação atual: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave. • Dengue (equivalente à antiga “dengue clássica”): Síndrome Febril Aguda (2 a 7 dias), acompanhada de dois ou mais dos seguintes sinais/sintomas: − Petéquias/prova do laço positiva; − Rash; − Dor retro-orbitária; − Leucopenia; − Cefaleia; − Êmese ou náusea; − Mialgia; − Artralgia. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • O achado laboratorial mais comum é a leucopenia com linfocitose relativa e eventuais atipias linfocitárias. • Pode haver trombocitopenia leve (não inferior a 100.000/mm3). • As transaminases podem subir, principalmente a TGO, com valores de 2 até 3x maiores que o de referência. A Prova do Laço deve ser feita em todos os casos suspeitos de dengue que não apresentam sangramentos espontâneos. Ela consiste na insuflação do manguito do esfigmomanômetro (não realizar torniquete ou garrote) até o valor médio da pressão arterial (PA) previamente aferida, de acordo com a fórmula (PA sistólica + PA diastólica) / 2. Note que não estamos nos referindo à “pressão arterial média”, cuja fórmula é (PAS + 2 PAD) / 3. Um quadrado com 2,5 cm de lado deve ser desenhado na face anterior do antebraço do paciente, devendo ser observado o surgimento de petéquias ou equimoses dentro desse quadrado. No adulto: o teste é realizado em até 5 minutos e é positivo, com o surgimento de 20 ou mais petéquias no antebraço. Na criança: o teste é realizado em até 3 minutos e é positivo, com o surgimento de 10 ou mais petéquias no antebraço. Quando positiva, a prova deve ser interpretada como um indício de fragilidade capilar e já indica hidratação em regime de observação. A prova positiva não significa, necessariamente, diagnóstico de dengue, como também não deve modificar a conduta (isto é, se um paciente já apresenta outro tipo de sangramento, mas tem aprova do laço negativa, não devemos valorizar esse resultado). A prova negativa também não significa, necessariamente, ausência da doença. Figura 3 – Exemplo de uma Prova do Laço Positiva em um paciente adulto. Lembra do caso clínico que apresentamos no início da apostila? 1. Diante do quadro clínico, qual a principal suspeita diagnóstica? Paciente com quadro clínico de febre alta, associada a dois dos seguintes sinais e sintomas: petéquias/prova do laço positiva; rash; dor retro-orbitária; leucopenia; cefaleia; êmese ou náusea; mialgia ou artralgia, deve ter dengue como principal consideração diagnóstica. SES-PE 2018.2 ACESSO DIRETO. A prova do laço deverá ser realizada obrigatoriamente, durante o exame físico, em todos os casos suspeitos de dengue. Sobre essa prova, analise os itens abaixo: I. A propedêutica envolve desenhar um quadrado de 2,5cm de lado no antebraço. II. Deve ser calculado o valor médio da Pressão Arterial. III. O manguito deve ser insuflado até o valor médio da pressão arterial e, em adulto, mantém-se insuflado por dez minutos. IV. A prova será positiva, se houver 20 ou mais petéquias em adultos na área circunscrita pelo quadrado. V. Torniquete com garrote pode substituir o esfigmomanômetro no momento da contagem de petéquias. Assinale a alternativa CORRETA: A. Todos estão corretos. B. Existem, apenas, quatro corretos. C. Existem, apenas, três corretos. D. Existem, apenas, dois corretos. E. Existe, apenas, um correto. 2,5 cm https://www.eumedicoresidente.com.br/ COMENTÁRIO: A prova do laço deve ser realizada em todos os casos suspeitos de dengue que não apresentam sangramentos espontâneos. A técnica consiste na insuflação do manguito do esfigmomanômetro (não realizar com torniquete ou garrote – item V, incorreto) até o valor médio da pressão arterial previamente aferida, de acordo com a fórmula (PA sistólica + PA diastólica) / 2 (item II, correto). No adulto, deve ser mantido por 5 minutos; na criança, por 3 minutos (item III, incorreto). Um quadrado com 2,5 cm de lado deve ser desenhado na face anterior do antebraço do paciente (item I, correto); depois, avaliamos o surgimento de petéquias ou equimoses dentro dele. No adulto, o resultado é considerado positivo se houver ≥ 20 petéquias; nas crianças, ≥ 10 petéquias (item IV, correto). Quando positiva, a prova deve ser interpretada como um indício de fragilidade capilar e já coloca o paciente no grupo B. Desse modo, I, II, IV estão corretas e III e V estão incorretas. RESPOSTA: Letra C. • Dengue com Sinais de Alarme: Na doença, ocorre agressão das plaquetas (causando plaquetopenia) e das paredes dos vasos. Por volta do 3º ao 4º dia (período da defervescência, isto é, redução da febre) ocorre piora do quadro, caracterizando a antiga “febre hemorrágica” da dengue – apesar da denominação, o paciente não morre por hemorragia, mas sim por extravasamento plasmático, que leva à hemoconcentração (por essa razão, esse termo caiu em desuso). Os sinais de alarme que a caracterizam podem ser classificados em 3 grandes grupos: disfunção de órgãos, plaquetopenia e hemoconcentração. Tabela 1 –Sinais de Alarme para a Dengue. Disfunção leve de órgãos: Plaquetopenia (fenômenos hemorrágicos): Hemoconcentração: − Dor abdominal intensa e contínua à palpação. − Vômitos persistentes. − Hepatomegalia > 2 cm. − Letargia ou irritabilidade (principalmente em crianças). − Relacionada com o TNF-alfa: sangramento de mucosas (gengivorragia, metrorragia etc.). − Redução dos fatores de coagulação: hematoma, hemartrose. − Aumento da permeabilidade relacionado à histamina. − Aumento progressivo do hematócrito. − Hipotensão postural (lipotimia). − Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural e derrame pericárdico). Sempre internar o doente na presença de sinais de alarme. • Dengue Grave: Avaliar sinais de choque e sinais de sangramentos graves. − Choque: ✓ Choque (hipotensão) – PAS < 90 mmHg ou PAM < 70mmHg; ✓ Pressão convergente; ✓ Pulso filiforme (fino e rápido); ✓ Extremidades frias, enchimento capilar > 2 segundos; ✓ Insuficiência respiratória; ✓ Oligúria (débito urinário < 1,5 mL/kg/h). − Sangramento grave: hematêmese, melena, hemorragia no sistema nervoso central (SNC), metrorragia volumosa etc. − Comprometimento grave de órgãos: encefalite, hepatite (AST ou ALT > 1000 U/L), miocardite etc. − O choque na dengue é de rápida instalação e curta duração. Pode levar o paciente a óbito em um intervalo de 12 a 24 horas, ou a sua recuperação rápida após terapia apropriada. Em casos de dengue grave, recomenda-se um leito de terapia intensiva. As formas graves da dengue ocorrem, basicamente, via dois mecanismos: extravasamento plasmático (mediado pela histamina) e fenômenos hemorrágicos (por plaquetopenia, devido ao TNF-alfa). https://www.eumedicoresidente.com.br/ Fatores de risco para a dengue grave: ✓ História de dengue prévia (de preferência, confirmada); ✓ Infecção atual pelo sorotipo 2; ✓ Lactentes de mães com passado de dengue; ✓ Crianças < 12 anos; ✓ Idosos > 60 anos; ✓ Outros: sexo feminino, raça branca, marcadores genéticos. Figura 4 – Formas Clínicas da Dengue. Fonte: OMS. Lembra do caso clínico que apresentamos no início da apostila? 2. Com o quadro apresentado, o paciente preenche critérios de gravidade? Qual a classificação clínica do paciente? A presença de dor abdominal intensa e contínua, além de hepatomegalia dolorosa e hemoconcentração (identificada pelo hematócrito elevado) constituem os sinais de alarme dessa doença. Diante dos achados, baseado na classificação mais atual, podemos classificar em: dengue com sinais de alarme. Como o paciente tem sinais de alarme, ele será classificado no Grupo C. SURCE-CE 2022 ACESSO DIRETO. A fase crítica da infecção pelo vírus da Dengue pode se seguir à fase febril, em alguns pacientes, que podem evoluir para as formas graves. O aparecimento dos sinais de alarme deve ser rotineiramente pesquisado nos casos suspeitos. Dentre os principais sinais de alarme, destacam-se: dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico); hipotensão postural e/ou lipotimia; hepatomegalia > 2 cm abaixo do rebordo costal; sangramento de mucosa; letargia e/ou irritabilidade; aumento progressivo do hematócrito. O que traduzem esses sinais de alarme? A. Esses sinais podem traduzir o aumento da pneumonia causada pelo vírus, edema agudo de pulmão e evolução para o agravamento clínico do paciente com derrame pleural. B. Esses sinais podem traduzir a instalação de insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, permitindo a evolução para o agravamento clínico do paciente com o potencial de choque ou derrame pericárdico. C. Esses sinais podem traduzir o aumento da permeabilidade vascular acarretando hipertensão arterial, o agravamento clínico do paciente para o choque ou derrames cavitários pelo extravasamento plasmático. D. Esses sinais podem traduzir o aumento da permeabilidade vascular e evolução para o agravamento clínico do paciente, com o potencial de evoluir para o choque ou derrames cavitários pelo extravasamento plasmático. Choque; Sangramento grave; Disfunção orgânica grave. Dor abdominal intensa; Hepatomegalia > 2 cm; Derrames cavitários; Hipotensão postural; Sangramento mucoso; Aumento do hematócrito; Letargia; Vômitos incoercíveis. Febre alta; Exantema; Mialgias/artralgias; Cefaleia; Dor retro-orbitária; Leucopenia; Prova do laço positiva. Grave Sinais de Alarme Clássica https://www.eumedicoresidente.com.br/ COMENTÁRIO: A questão pede o que os sinais de alarme traduzem no contexto da dengue, doença que pode evoluir para a fase crítica, momento no qual há extravasamento de líquido para o espaço extravascular, diminuindoo volume corrente dentro do vaso e cursando com as manifestações mais graves da doença. Os sinais de alarme são assim denominados, porque evidenciam o início do processo de extravasamento vascular por aumento da permeabilidade vascular. Analisando cada alternativa: A. INCORRETA. Não há correlação entre o aumento da pneumonia causada pelo vírus com os sinais de alarme. B. INCORRETA. Não há correlação dos sinais de alarme e o aumento da insuficiência cardíaca ou da hipertensão arterial. Lembrando que os pacientes que evoluem para dengue grave podem apresentar hipotensão postural precedendo o quadro de extravasamento ou durante a fase crítica. A hipertensão arterial não é um achado comum nos casos mais graves. C. INCORRETA. O aumento da permeabilidade vascular causa hipotensão arterial, e não hipertensão arterial. D. CORRETA. Traduzem o aumento da permeabilidade vascular e evolução para o agravamento do paciente, podendo evoluir para choque e derrames cavitários. RESPOSTA: Letra D. SES-PE 2017.2 ACESSO DIRETO. Em relação à dengue, é INCORRETO afirmar que: A. A prova do laço não deve ser realizada no paciente com suspeita de dengue devido a sua baixa sensibilidade diagnóstica. B. A primeira manifestação é a febre, que tem duração de dois a sete dias, geralmente alta (39ºC a 40ºC), de início abrupto, associada a cefaleia, adinamia, mialgia, artralgias e dor retro-orbitária. C. O exantema está presente em 50% dos casos, é predominantemente do tipo maculopapular, atingindo face, tronco e membros de forma aditiva, não poupando plantas dos pés e palmas das mãos. D. A diarreia está presente em percentual significativo dos casos; habitualmente não é volumosa, cursando apenas com fezes pastosas, numa frequência de três a quatro evacuações por dia. E. O choque na dengue é de rápida instalação, tendo curta duração. Pode levar o paciente a óbito, em um intervalo de 12 a 24 horas, ou à sua recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada. COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: A. Incorreta. A prova do laço deve ser feita em todos os casos suspeitos de dengue que não apresentam sangramentos espontâneos. Quando positiva, deve ser interpretada como um indício de fragilidade capilar, já indicando hidratação em regime de observação. A prova positiva não significa o diagnóstico de dengue, visto que qualquer condição que leve à fragilidade capilar pode positivar o exame. B. Correta. A febre alta é critério obrigatório para caso suspeito de dengue e costuma surgir logo no início do quadro. C. Correta. O exantema maculopapular está presente em 50% dos pacientes e surge com o período de defervescência, diferentemente do zika, em que o exantema aparece junto à febre. D. Correta. Na dengue, a diarreia é habitualmente não volumosa, apenas com fezes pastosas, o que a diferencia de outras condições, como as enteroviroses, que comumente levam à diarreia mais volumosa, líquido-pastosa e com sinais de invasividade (muco, sangue ou pus nas fezes). E. Correta. O reconhecimento precoce de sinais de alarme possíveis de predizer a evolução para choque é essencial, de modo que uma terapia agressiva de hidratação mais precoce pode diminuir a mortalidade desses pacientes. RESPOSTA: Letra A. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • Na fase aguda, até o 5º dia, mas idealmente até o 3º, podemos “procurar o vírus” (no período de viremia): − Isolamento Viral: 1º ao 5º dia; mais específico, sendo considerado o padrão-ouro. Pode ser realizado em amostras de sangue, líquor e fragmentos de vísceras (fígado, baço, coração, pulmão, entre outros). − Pesquisa do Antígeno NS1: 1º ao 3º dia; método imunoenzimático (ELISA de captura), que permite detecção de antígenos virais específicos de dengue do tipo NS1. Com especificidade alta (82-100%) e sensibilidade moderada (34- 72%). − Reação em Cadeia da Polimerase (PCR): Permite detecção de quantidades reduzidas de ácido nucleico viral presente em espécimes biológicas, através da amplificação do c-DNA, obtido a partir do RNA viral. Tem elevada sensibilidade e especificidade, mas está restrito a situações em que métodos mais simples foram insuficientes para o diagnóstico (principalmente em situações de óbitos e urgências, por se tratar de uma técnica dispendiosa). • Após a soroconversão (que ocorre somente a partir do 5º-6º dia), podemos “procurar o anticorpo”: − Sorologia: MAC-ELISA (IgM) do 6º ao 29º dia; OBS.: A grande questão é: quando solicitar esses exames diagnósticos? Antes, devemos considerar a presença ou não de epidemia. Figura 5 – Representação Esquemática dos Métodos Diagnósticos da Dengue. Fonte: Adaptado de http://www.denguevirus.com.br/ A proteína NS1 é essencial para a viabilidade do vírus, expressando-se na superfície de células infectadas e solúvel na circulação. Ela se comporta como marcador de infecção aguda ativa (viremia). Quando o paciente já possui história prévia de dengue, a sensibilidade do NS1 diminui. Isso acontece por causa da memória imunológica. Desse modo, a resposta de anticorpos que clareia o NS1 tende a ser mais precoce nessa situação. SURCE-CE 2015 R3 CLÍNICA MÉDICA. Paciente avaliado por febre e dor no corpo há 3 dias. Baseado em dados clínicos e laboratoriais, é aventada a possibilidade de dengue. Qual dos exames abaixo é capaz de realizar confirmação laboratorial de dengue, de forma rápida? A. Cultura viral. B. IgG específico. C. IgM específico. D. Antigenemia NS1. COMENTÁRIO: Na fase aguda, até o 5º dia (idealmente até o 3º dia), podemos identificar o vírus no período de viremia. Dentre as opções, temos o isolamento viral que, apesar de ser mais específico e considerado o padrão-ouro, leva um tempo maior ao resultado (e o enunciado nos pede algo rápido). A pesquisa do antígeno NS1 do 1º ao 3º dia permite a detecção de antígenos virais específicos de dengue do tipo NS1, possui boa especificidade (82-100%) e o resultado pode sair em poucas horas, sendo, então, a melhor resposta para a questão. Por fim, a procura dos anticorpos, idealmente deve ser realizada após o 5º dia (o paciente está no 3º dia), o que torna incorretas as alternativas B e C. RESPOSTA: Letra D. Infecção Primária Sintomas Vírus NS1 IgM 0 10 20 30 40 50 TI TU LA Ç Ã O IgG DIAS https://www.eumedicoresidente.com.br/ http://www.denguevirus.com.br/ Lembra do caso clínico que apresentamos no início da apostila? 3. Qual exame deve ser solicitado para confirmar sua suspeita diagnóstica? Após o quinto dia de doença, já podemos pedir a sorologia IgM para dengue, visando a confirmação diagnóstica da doença. • A vacina tetravalente YF 17/D, de vírus vivo atenuado, não mostrou resultados favoráveis em relação à eficácia. • A vacina TAK-003, de vírus vivo atenuado, apresentou resultados favoráveis, porém, ainda não foi avaliada como medida de saúde pública. • A doença deverá ser notificada em todas as situações – sendo imediata ou semanal, a depender da gravidade: − Dengue Grave ou Óbito: Notificação Imediata; − Caso Habitual: Notificação Semanal. • No Brasil, há mortes, sobretudo, devido ao despreparo das equipes de saúde ou ao atraso no atendimento inicial. Portanto, a medida mais importante para diminuir a mortalidade da doença é a realização de um bom atendimento inicial. Não há antiviral específico para a dengue e o tratamento é de suporte. Deverão ser oferecidos a todos os pacientes: − Hidratação; − Sintomáticos: Analgésicos (dipirona e/ou paracetamol), antieméticos (metoclopramida, bromoprida), anti-histamínicos (dexclorfeniramina, hidroxizina, entre outros); − Contraindicar: Anti-inflamatórios (AINES) e salicilatos, pelo risco de agravamento dos sintomas. Outras drogas com potencial hemorrágico também não devem ser utilizadas;− De acordo com a gravidade do quadro, os pacientes são classificados em grupos que devem seguir orientações específicas de avaliação laboratorial e hidratação. Veja abaixo: Tabela 2 – Classificação da Dengue. Fonte: Ministério da Saúde. HAS = hipertensão arterial sistêmica.; DM2 = diabetes mellitus tipo 2; DPOC = doença pulmonar obstrutiva crônica; IV = intravenosa. Classificação: Características: Regime de Tratamento e Medidas: Grupo A − Paciente com prova do laço negativa; − Sem sinais de alarme; − Sem risco social ou comorbidades. − Tratamento ambulatorial; exames complementares a critério médico: ✓ Hidratação VO: 60 mL/kg/dia (soro de reidratação oral – SRO → 1/3 + outros líquidos caseiros → 2/3), sendo que 1/3 do montante total deve ser ingerido nas primeiras 4 a 6 horas. Manter essa hidratação até 48 horas sem febre; ✓ Retorno para reavaliação clínica entre o 3º e o 5º dia da doença (fase crítica), ou quando a febre recrudescer; ✓ Não interromper a amamentação. Grupo B − Sangramento de pele; − Prova do laço positiva; − Comorbidades: HAS, DM2, DPOC, hepatopatias, doenças hematológicas crônicas (ex.: anemia falciforme); − Gestantes; − Risco social (ex.: etilista); − Extremos de idade (< 2 anos ou > 65 anos). − Internar em leito de observação. Solicitar hemograma (obrigatório): ✓ Hidratação semelhante à do Grupo A; ✓ Hematócrito normal (M: 40%; H: 45%) → acompanhamento ambulatorial; ✓ Aumento do hematócrito/indício de hemoconcentração (↑ Ht > 10%) ou hematócrito na mulher > 44% e no homem > 50% → internação hospitalar + hidratação via oral supervisionada (80 mL/kg/dia, sendo 1/3 em 4 horas) ou intravenosa (se não for possível a oral - 40 mL/kg em 4 horas). Reavaliar hematócrito. Grupo C − Dengue com sinais de alarme. − Internação hospitalar – período mínimo de 48 horas: ✓ Pedir novo hematócrito e reavaliar na segunda hora; ✓ Hidratação IV: expansão com cristaloide (SF ou RL), 10 mL/kg/h na 1ª hora; o total máximo de cada fase de expansão é de 20mL/kg em duas horas; ✓ Reavaliação clínica a cada hora; ✓ Depois de melhora: manutenção com 25 mL/kg a cada 6-8 horas; ✓ Se não houver melhora, conduzir como Grupo D. Grupo D − Dengue grave; − Choque. − Internação em emergência ou UTI: ✓ Hidratação endovenosa: cristaloide (SF ou RL), 20 mL/kg em 20 minutos, até 3x; ✓ Reavaliação clínica a cada 15-30 minutos; hematócrito a cada 2/2 horas; ✓ Depois de melhora: 25 mL/kg a cada 6-8 horas → retornar para Grupo C; ✓ Se não houver melhora: coloide e, se necessário, drogas vasoativas; ✓ Concentrado de hemácias se hemorragia com instabilidade; se coagulopatias avaliar necessidade de plasma fresco congelado, vitamina K e crioprecipitado; ✓ Transfusão de plaquetas, se com valores < 50.000/mm3, com suspeita de sangramento do sistema nervoso central ou locais de risco (hematêmese ou enterorragia). https://www.eumedicoresidente.com.br/ PARA A PROVA: Os pacientes do GRUPO A ou do GRUPO B, que foram encaminhados para o tratamento ambulatorial, devem ser orientados para retorno à unidade básica no momento da defervescência (3- 6 dias de doença), pela possibilidade de evolução para a fase crítica. O retorno deverá ser mais precoce, caso surjam os sinais de alarme. • Exames Inespecíficos: Exames laboratoriais solicitados para melhor seguimento do suporte ao paciente: − Grupo B: hemograma; − Grupos C e D: hemograma e exame confirmatório (obrigatórios), AST, ALT, albumina, radiografia de tórax em PA, perfil e Laurell (pesquisa de derrame pleural), ultrassonografia (USG) de abdome (para ascite) e outros exames a critério médico (ex.: função renal). • Critérios de Alta Hospitalar: Todos os critérios abaixo devem ser preenchidos: − Ausência de febre por 48 horas; − Melhora visível do quadro clínico; − Hematócrito normal e estável por 24 horas; − Plaquetas em elevação e acima de 50.000/mm3; − Estabilização hemodinâmica durante 48 horas; − Derrames cavitários em reabsorção e sem repercussão clínica. Os pacientes que fazem uso contínuo de ácido acetilsalicílico (quando estão em profilaxia secundária de eventos trombóticos ou aqueles que implantaram stent coronariano) deverão ter suas plaquetas avaliadas, para a decisão de mantê-lo ou não. Caso a plaquetometria seja superior a 30.000⁄mm³, deve ser mantido o AAS. Caso seja inferior a esse número, a medicação deverá ser suspensa, admitindo-se o paciente para observação, até que o número de plaquetas seja superior a 50.000⁄mm³ (reintroduzindo-se, então, a medicação). Aqueles com plaquetometrias intermediárias serão admitidos em uso de AAS para observação, até que os valores sejam superiores a 50.000⁄mm³. Observem abaixo os fluxogramas mais detalhados sobre o assunto. Figura 6 – Conduta em Pacientes em Uso de Antiplaquetários. Suspender o AAS e o Clopidogrel. Admitir em leito de observação e realizar contagem diária de plaquetas. Manter o AAS e o Clopidogrel. Admitir em leito de observação e realizar contagem diária de plaquetas. Manter o AAS e o Clopidogrel. Realizar contagem diária de plaquetas conforme protocolo de Grupo B. Plaquetas abaixo de 30x10 9 /L Plaquetas entre 30x10 9 /L e 50x10 9 /L Plaquetas acima de 50x10 9 /L Stent farmacológico com menos de seis meses e Stent convencional com menos de um mês em uso de AAS e clopidogrel. Suspender o AAS. Admitir em leito de observação e realizar contagem diária de plaquetas. Manter o AAS. Admitir em leito de observação e realizar contagem diária de plaquetas. Manter o AAS. Realizar contagem diária de plaquetas conforme protocolo de Grupo B. Plaquetas abaixo de 30x10 9 /L Plaquetas entre 30x10 9 /L e 50x10 9 /L Plaquetas acima de 50x10 9 /L Stent farmacológico com mais de seis meses e Stent convencional com mais de um mês em uso de AAS. Profilaxia secundária de doença coronariana e cerebrovascular. https://www.eumedicoresidente.com.br/ SES-PE 2018 ACESSO DIRETO. No Brasil, a transmissão da dengue vem ocorrendo de forma continuada, desde 1986, intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas com a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente indenes ou alteração do sorotipo predominante. O maior surto no Brasil ocorreu em 2013, com aproximadamente 2 milhões de casos notificados. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA. A. Em crianças pequenas, o início da doença pode passar despercebido, e o quadro grave ser identificado como a primeira manifestação clínica. B. Em relação a outras arboviroses, mostra menos artralgia que a chikungunya e mais sangramento que a zika. C. Pacientes sem sinais de alarme (grupos A e B) devem receber hidratação oral com volume calculado a depender do peso, sendo indicado que 1/3 desse volume seja soro de reidratação oral e o restante oferecido pela oferta de água, sucos e chás D. A presença de qualquer sinal de alarme indica reposição volêmica venosa imediata com SF 0,9% 20 mL/kg em 2 horas com reavaliação clínica e laboratorial (hematócrito) ao término. E. Pacientes com sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgãos devem receber imediatamente expansão rápida parenteral com solução salina isotônica 20 mL/kg em até 20 minutos que pode ser repetida até três vezes. COMENTÁRIO: Em crianças pequenas (principalmente menores de dois anos), a dengue pode se manifestar com sinais e sintomas inespecíficos, como febre, choro persistente, adinamia e irritabilidade. O médico pode não suspeitar e o sinais de alarme podem passar despercebidos, com o paciente evoluindo para forma grave da doença, como primeira manifestação da dengue: A. Correta. Chikungunya é, das arboviroses, a que tem maior incidência de formas sintomáticas, com predomínio das manifestações articulares. Na zika, os assintomáticos podem chegar a 80%. Ela se caracteriza como uma ‘’dengue com sintomas leves”, na maioria dos pacientessintomáticos. É característico da doença o neurotropismo, que pode estar associado a complicações neurológicas graves, apesar de raras. B. Correta. A chikungunya tem, caracteristicamente, maior acometimento articular, inclusive com queixas crônicas. A dengue tem maior risco de sangramento que a zika. C. Correta. A questão traz o conceito de hidratação para os grupos A e B, que deve ser de 60 mL/kg/dia, com 1/3 desse volume composto por soro de reidratação oral. D. Incorreta. Deve ser feita hidratação venosa com soro fisiológico ou ringer lactato, 10 mL/kg/h na sua 1ª hora. O máximo de cada fase de expansão é de 20mL/kg em 2 horas, conforme foi dito na questão. A “pegadinha” estava na reavaliação clínica, que deve ser feita a cada hora, e a avaliação do hematócrito na segunda hora. E. Correta. Nos pacientes do grupo D, deve ser feita a hidratação venosa com soro fisiológico ou ringer lactato, na dose de 20 mL/kg em 20 minutos, que pode ser repetida até 3 vezes. O paciente deve ser reavaliado a cada 15-30 minutos, além de ter avaliação laboratorial com hematócrito sendo feita a cada 2 horas. RESPOSTA: Letra D. Lembra do caso clínico que apresentamos no início da apostila? 4. Baseado no grupo em que o paciente foi classificado, qual seria a conduta mais adequada no atendimento? Os pacientes classificados no Grupo C devem ser internados por um período mínimo de 48 horas; também devem ser submetidos a expansão volêmica com cristaloides (SF0,9% ou SRL), na dose de 10mL/kg/h na primeira hora. Além disso, devem ser reavaliados clinicamente a cada 1 hora; se houver melhora, manter uma hidratação de manutenção de 25mL/kg a cada 6-8 horas. Deve ser solicitado novo hematócrito de 2 em 2 horas, para avaliar a melhoria da “hemoconcentração”. O tratamento é basicamente de suporte, sendo a hidratação a conduta realizada mais importante em todos os grupos vistos. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 5. O paciente tem indicação de internamento? Se sim, após adequado tratamento, quais os critérios de alta hospitalar? Sim, o paciente do Grupo C tem indicação de internamento. Os principais critérios a serem considerados no momento da alta hospitalar são: 1. Ausência de febre por 48 horas; 2. Melhora visível do quadro clínico; 3. Hematócrito normal e estável por 24 horas. • Homem: Não existem medidas específicas direcionadas ao homem: − Não temos antiviral ou vacina para dengue; − Não é necessário isolamento (não há transmissão por secreções ou fômites); − Vigilância: notificar casos suspeitos, investigar local provável de infecção e realizar busca ativa de casos. • Mosquito: É o único vulnerável na cadeia de transmissão. Para o controle vetorial, temos duas estratégias: − Vigilância Entomológica: Reunir informações do vetor, tais como sua distribuição geográfica, índice de infestação e depósitos predominantes. − Combate ao Vetor: O período não epidêmico é o ideal para a adoção de medidas, visando impedir novas epidemias. Figura 7 – Recomendações para o Controle do Vetor Aedes aegypti. Fonte: Ministério da Saúde (2007-2008). • Doença febril aguda, de curta duração e gravidade variável. • Agente Transmissor (Vetor): − Ciclo Silvestre: Haemagogus (mais comum no Brasil) e Sabethes. ✓ Hospedeiro: primatas não humanos (principalmente os macacos do gênero Cebus, Alouatta, Ateles e Callithrix). ✓ Macaco → Mosquito Silvestre → Homem. − Ciclo Urbano: Aedes aegypti. ✓ Hospedeiro: homem. ✓ Homem → Aedes aegypti → Homem. https://www.eumedicoresidente.com.br/ Figura 8 – Ciclos Epidemiológicos da Febre Amarela. Como o Clico de Infecção se comporta tanto em Ambientes Urbanos quanto em Ambientes Silvestres/Rurais. Fonte: http://www.jornaldocampus.usp.br/wp-content/uploads/2019/05/febre.png • Agente Causador: Arbovírus do gênero Flavivírus (RNA), pertencente à família Flaviviridae; • Incubação no Homem: Média 3 a 6 dias (podendo chegar a 10-15 dias); • Viremia (Transmissibilidade): 48 horas antes da febre, até 5 dias após o início dos sintomas. Todo macaco morto encontrado deve ser encaminhado para a realização de exames. • Forma urbana erradicada desde 1942. • Após erradicação da forma urbana, em 1942, sinais de reinfestação pelo A. aegypti começaram a aparecer inicialmente no Pará (1967) e, depois, na Bahia e Rio de Janeiro. Mesmo sem FA urbana, há o risco de reurbanização. • A FA silvestre é uma doença endêmica nas regiões tropicais da África, América do Sul e no Caribe, com pequeno número de casos registrados habitualmente. São entremeados por surtos que acontecem em intervalos de 5 a 7 anos, que se iniciam nos macacos e posteriormente chegam ao homem. • Os mais acometidos pela FA silvestre são: aqueles que mais se expõem e acabam se tornando hospedeiros acidentais do vírus ao entrarem nas matas (exposição profissional – entre 15-40 anos de idade); pessoas não vacinadas que vivem próximas aos ambientes silvestres. • Em 2014, houve um surto da febre amarela silvestre, um dos maiores surtos na história do Brasil. Foram atingidas as regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste, Sul e Bahia. Não ocorre transmissão pelo contato direto ou através de objetos contaminados. Pessoa saudável é picada e infectada. Mosquito pica a pessoa e passa a carregar o vírus. Aedes aegypti Pessoa infectada. Pessoa saudável vai para uma área de mata e é picado e infectado. Mosquito pica o macaco e passa a carregar o vírus. Haemagogus ou Sabethes Macaco infectado. Á R EA U R B A N A Á R EA S IL V ES TR E https://www.eumedicoresidente.com.br/ • O vírus da febre amarela, após inoculado, replica-se nos linfonodos locais, células musculares e fibroblastos. • Dissemina-se para grandes vísceras (fígado, baço, medula óssea e coração) → comportamento viscerotrópico. • O principal órgão afetado é o fígado, em que ocorre apoptose de hepatócitos (necrose médio-zonal), com alterações menos exuberantes do que nas hepatites virais. • Os casos, em sua maioria, são assintomáticos/oligossintomáticos (90%). Dos sintomáticos, 15-60% evoluem para a forma grave ou maligna; essa forma tem letalidade entre 20-50%. • Pode ser dividida em formas leves/moderada, grave ou maligna. • O quadro clínico é bifásico, sendo as duas fases separadas por um curto período de remissão: − 1° fase (período de infecção): é quando ocorre a viremia. Quadro clínico inespecífico, corresponde às formas leves a moderadas; tem duração em torno de 3 dias. − Remissão: declínio de temperatura e diminuição dos sintomas, sensação de melhora do paciente; dura poucas horas a, no máximo, um a dois dias. − 2° fase (período toxêmico): corresponde às formas graves e malignas; o paciente pode evoluir para óbito, após 6º ao 7º dia do início dos sintomas. • Caso Suspeito: Indivíduo com exposição em área afetada recentemente (em surto) ou em ambientes rurais e/ou silvestres, com até 7 dias de quadro febril agudo, acompanhado de dois ou mais dos seguintes sinais e sintomas: cefaleia (principalmente de localização supraorbitária), mialgia, lombalgia, mal-estar, calafrios, náuseas, icterícia e/ou manifestações hemorrágicas + residente ou procedente de área de risco para febre amarela nos 15 dias anteriores, que não tenha comprovante de vacinação para febre amarela ou tenha recebido o comprovante há menos de 30 dias. Tabela 3 – Manifestações Clínicas e Laboratoriais Comuns da Febre Amarela. Fonte: SAS/MS. Forma: Sinais e Sintomas: Alterações Laboratoriais: Leve/Moderado: Febre, cefaleia, mialgia, náuseas, icterícia ausente ou leve. Sinal de Faget; Plaquetopenia, elevação moderada de transaminases, bilirrubina normal ou discretamente elevada (predomínio de direta). Grave: Todos os supracitados, icterícia intensa, manifestações hemorrágicas (melena, hematêmese, entre outras), oligúria, diminuição de consciência. Plaquetopenia intensa,aumento de creatinina, elevação importante para transaminases. Maligna: Todos os sintomas clássicos da forma grave intensificados. Todos os supracitados + coagulação intravascular disseminada. • Forma autolimitada: síndrome febril com “sinais de dengue” + sinal de Faget (dissociação pulso-temperatura: paciente febril com frequência cardíaca normal ou baixa → não é um achado obrigatório). Em 2-4 dias, os sintomas são aliviados. • Forma grave: hepatite/insuficiência hepática + insuficiência renal aguda + hemorragias. Lembrar sempre da tríade: icterícia + oligúria + hemorragia. • Forma maligna: a forma grave pode entrar em um período de remissão dos sintomas após o 3º a 5º dia. Essa remissão pode durar de 6 a 48 horas e evoluir para a forma maligna (atenção nesse período). Duas doenças que geralmente cursam com Sinal de Faget: febre amarela e febre tifoide. Além delas, tularemia, brucelose e pneumonia por Legionella e Micoplasma também podem cursar com dissociação pulso-temperatura. • Alterações laboratoriais são mais comuns nas formas graves e maligna. • Leucograma: Leucopenia (1.500-2.500/mm3) com neutropenia; a leucopenia tende a surgir rapidamente após o início da doença. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • Transaminases bastante aumentadas (> 1000 U/L) com padrão de TGO > TGP (pelo acometimento muscular e cardíaco); aumento de bilirrubinas, às custas de direta, de colesterol e fosfatase alcalina. • Elevação dos níveis de ureia e creatinina, sumário de urina com proteinúria, cilindrúria e hematúria (necrose tubular aguda por hipofluxo renal). • Aumento do tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial e tempo de coagulação (diminuição dos fatores de coagulação sintetizados pelo fígado – II, V, VII, IX e X). • Biologia Molecular (RT-PCR) / Isolamento Viral: Até o 5º dia de doença. • Sorologia IgM (MAC-ELISA): A partir do 5º dia de doença, podendo persistir até 60-90 dias do início dos sintomas. • Solicitar sorologia para outras hepatites. Sempre notificar – Febre Amarela → Notificação COMPULSÓRIA E IMEDIATA (Portaria nº 204/2016). • Forma Leve a Moderada: − Plaquetopenia acima de 150.000/mm3; hemoconcentração < 10%; transaminases < 2x normalidade; bilirrubina < 1,5x normalidade; sem proteinúria. − Manejo ambulatorial com sintomáticos para febre e dor; hidratação oral, se houver contexto social favorável. − Orientar retorno, se houver piora do quadro ou sinais de alarme. • Forma Moderada a Grave: − Desidratação moderada a intensa; vômitos; sem hemorragias ativas; leucopenia; plaquetopenia < 150.000/mm3; hemoconcentração 10%-20%; transaminases entre 2 a 10x normalidade; bilirrubina 1,5 a 5x normalidade; proteinúria até 2+. − Internação em enfermaria; sintomáticos para febre e dor; hidratação oral. Considerar hidratação parenteral. − Avaliação clínica a cada 4h.; exames laboratoriais diários ou de imediato, caso haja piora clínica/sinais de alarme. • Forma Grave a Maligna: − Internação em Unidade de Terapia Intensiva (todos com sinais de alerta). − Terapia de Suporte: infusão de vitamina K; transfusão de hemácias ou plasma fresco congelado (se houver coagulopatia). Tabela 4 – Sinais de Alerta para Formas Graves de Febre Amarela. Fonte: SAS/MS. Clínicos: Laboratoriais: − Icterícia (pele ou escleras amareladas); − Hemorragias; − Colúria – “urina cor de Coca-Cola”; − Oligúria – diminuição do volume urinário; − Vômitos constantes; − Diminuição do nível de consciência; − Dor abdominal intensa. − Hematócrito em elevação (20% acima do valor basal prévio ou valor de referência); − Transaminases acima de 10 vezes o valor de referência (TGO é, em geral, mais elevada que TGP, diferentemente de hepatite aguda); − Creatinina elevada; − Coagulograma alterado (ex.: tempo de coagulação > 20 minutos). SUS-SP 2018 ACESSO DIRETO. Sobre a febre amarela, é correto afirmar: A. As manifestações trombóticas podem ocorrer no 3º ou 4º dia após melhora clínica parcial e piora da função hepática. B. Na forma moderada, os sintomas são de febre, cefaleia, náuseas, vômitos, icterícia, e o sinal de Faget pode estar presente. C. O seu agente etiológico é um vírus DNA pertencente à família Flaviridae. D. A letalidade da forma grave é baixa após a preconização de terapia de substituição renal precoce. https://www.eumedicoresidente.com.br/ COMENTÁRIO: O erro da letra A está em afirmar que se trata de manifestações trombóticas, quando na verdade são hemorrágicas. O Sinal de Faget é de extrema importância nas questões de febre amarela: ele não é muito sensível nem específico para essa doença, porém, pode estar presente e é bastante característico da doença (lembrar que pode estar presente em outras doenças). Lembre-se de que o vírus é de RNA (letra C, incorreta), a letalidade da forma grave é muito alta (letra D, incorreta) e o período de incubação é curto (3 a 6 dias). RESPOSTA: Letra B. • Deve ser considerada alta hospitalar após dez dias de doença, para pacientes sem febre nas últimas 24 horas, com aspectos clínicos melhorados e exames laboratoriais com índices decrescentes das transaminases e estabilização das plaquetas OU após três dias sem febre, independentemente do tempo de doença, com índices decrescentes das transaminases e estabilização das plaquetas. Deve-se orientar, caso os sintomas voltem, o retorno ao posto de atendimento. • Além de medidas de vigilância epidemiológica (redução da incidência de FA silvestre, impedir transmissão urbana), controle de doença (controle vetorial) e educação em saúde, há uma vacina eficaz para prevenção no homem. • Vacina Antiamarílica: Vacina de vírus vivo atenuado, da cepa 17 DD, derivado de amostra africana do vírus: − Confere proteção individual e coletiva, bloqueando a propagação geográfica da doença, prevenindo epidemias; − Altamente imunogênica, com resultados adequados em até 95% dos indivíduos, a partir do 10° de aplicação; − Indicações: Rotina para todo o território nacional, incluindo a região Nordeste, que não fazia parte do calendário de vacinação. A partir dos 9 meses de idade até os 59 anos; − Reações Adversas: De forma geral, é uma vacina segura. Dor local, mal-estar, cefaleia, dores musculares e febre baixa podem acontecer. Reações adversas graves, como doença viscerotrópica pelo vírus da vacina, são raras. Tabela 5 – Indicações e Doses da Vacina de Febre Amarela. Fonte: Adaptada do Ministério da Saúde, 2019. POPULAÇÃO-ALVO: INDICAÇÃO: Crianças com 9 meses de vida. Uma dose. Crianças com 4 anos de idade. Dose de reforço. Crianças a partir de 5 anos de idade, que receberam uma dose da vacina até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Dose de reforço, com intervalo mínimo de 30 dias entre a dose e o reforço. Pessoas com 5 a 59 anos de idade, nunca vacinadas ou sem comprovante de vacinação. Dose única. Um assunto bastante cobrado em provas são as contraindicações para a vacina da febre amarela. • Contraindicações: − Crianças menores de 6 meses de idade; − Pessoas com história de eventos adversos graves em doses anteriores; − Pessoas com história de anafilaxia comprovada em doses anteriores ou relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina ou a outras); − Pacientes com imunodepressão grave, de qualquer natureza: ✓ Imunodeficiência devido a um câncer ou imunossupressão terapêutica; ✓ Pacientes infectados pelo HIV com imunodepressão grave, com a contagem de células CD4 < 200 células/mm3 ou menor de 15% do total de linfócitos para crianças menores de 13 anos; ✓ Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia, radioterapia, imunomoduladores). − Pacientes submetidos a transplante de órgãos; − Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica); https://www.eumedicoresidente.com.br/− Gestantes (a administração deve ser analisada caso a caso na vigência de surtos); − Pacientes portadores de lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças autoimunes, tendo em vista a possibilidade de imunossupressão. A vacina não deve ser administrada simultaneamente às vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) ou varicela, estabelecendo intervalo mínimo de 28-30 dias. Figura 9 – Mnemônico TILO-6 das contraindicações clássicas da vacina da febre amarela (*contraindicações relativas). Fonte: Os Autores. • O vírus zika (ZIKAV) é um flavivírus (RNA). • Agente: Flaviviridae. • Foi isolado pela primeira vez em primatas não humanos na floresta Zika, em Uganda. Tem neurotropismo maior que outras arboviroses. • Vetores: Aedes aegypti (principal), Aedes albopictus. • Modos de transmissão: mosquitos (vetores). Também já foram descritas transmissão sexual, por transfusão sanguínea (em investigação) e transmissão transplacentária. • Período de incubação: 2 a 14 dias. Figura 10 – Formas de transmissão do Zika vírus. Fonte: Adaptado de: https://portugues.cdc.gov/zika/prevention/transmission-methods.html 6 meses Gravidez* 6 Ovos O Lúpus L Timo T Imunossupressão Idosos* I 5 4 3 2 1 POR TRANSFUSSÃO DE SANGUE: O vírus pode ser transmitido por meio da transfusão de sangue. PELO SEXO: O vírus da Zika pode ser transmitido através do sexo de uma pessoa infectada para seus parceiros. DURANTE A GRAVIDEZ: Uma mulher grávida pode transmitir o vírus Zika ao feto durante a gravidez. A infecção por Zika durante a gravidez pode causar defeitos congênitos graves e está associada a outros problemas de gravidez. Mais pessoas são infectadas pelos mosquitos. Outros mosquitos picam essas pessoas e são infectados. O mosquito pica outras pessoas infectando-as com o vírus da Zika. O mosquito se contaminada. O mosquito pica uma pessoa infectada com o vírus da Zika. Outras maneiras pelas quais as pessoas contraem Zika: A maioria das pessoas pega Zika por meio de uma picada do mosquito: https://www.eumedicoresidente.com.br/ • O primeiro grande surto foi em 2015, na região Nordeste (Rio Grande do Norte e Bahia foram os pioneiros). Em 2016, a Organização Mundial da Saúde declarou estado de emergência em saúde pública. • Mais de 80% das pessoas infectadas são assintomáticas. • Autolimitada (3 a 7 dias). • Febre, mal-estar, cefaleia leve, conjuntivite não purulenta (hiperemia conjuntival), poliartralgia, edema articular. • Rash maculopapular pruriginoso, que aparece no período da febre (na dengue, geralmente ocorre na defervescência). • Quadro semelhante uma “dengue mais branda” e com menor potencial de gravidade. • Complicações: Associação com a microcefalia (perímetro cefálico: ♂ < 31,9 cm; ♀ < 31,5 cm), Síndrome de Guillain- Barré e Encefalite. • Inespecíficos: São relatados de discreta a moderada leucopenia e trombocitopenia, ligeira elevação da dosagem de desidrogenase láctica sérica, γ-glutamiltransferase e de marcadores de atividade inflamatória (proteína, fibrinogênio e ferritina). Durante a gestação, a identificação de feto com alteração de SNC é uma condição de notificação compulsória. Em gestante, síndrome febril aguda (pode ser dengue, zika, chikungunya ou STORCH - sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes vírus) já indica notificação na suspeita, antes mesmo da investigação. SURCE-CE 2017 R3 PEDIATRIA. Uma criança de 3 anos de idade chega ao pronto-socorro por apresentar febre baixa seguida de exantema pruriginoso e dores articulares leves. Ao exame, o médico detecta olhos vermelhos e irritados. Qual a principal suspeita diagnóstica? A. Zika. B. Dengue. C. Herpangina. D. Chikungunya. COMENTÁRIO: A questão traz uma criança de 3 anos de idade com febre baixa + conjuntivite não purulenta (olhos vermelhos e irritados) + exantema pruriginoso que aparece junto com a febre. A principal hipótese diagnóstica é zika! Na dengue, esperamos febre alta e exantema que aparece após defervescência (letra B, incorreta). Na Chikungunya, é caraterística a dor articular intensa, e não leve, como descrito (letra D, incorreta). A herpangina classicamente apresenta lesões vesiculares e ulcerativas na mucosa da orofaringe (letra C, incorreta). RESPOSTA: Letra A. • Isolamento do RNA viral (do 1º ao 4º dia): pesquisa do vírus em sangue, urina ou LCR (líquido cefalorraquidiano). • Sorologia: IgM após o 4º dia até a 12ª semana e IgG após o 12º dia. • RT-PCR até o 5º dia no sangue e 15º dia na urina. https://www.eumedicoresidente.com.br/ Figura 11 – Diagnóstico Laboratorial por RT-PCR e Sorologia (IgM e IgG) p/ Zika. Fonte: Adaptado de: Sullivan Nicolaides Pathology, 2014. A identificação do vírus na urina, leite materno, saliva e sêmen, à luz do conhecimento atual, apresenta potencial utilidade no diagnóstico da doença, não sendo possível afirmar eventual relevância para transmissão do vírus para outra pessoa. • O Ministério da Saúde recomenda a coleta obrigatória de exames confirmatórios nas seguintes situações: − Áreas com primeiros casos, se ZIKAV sem confirmação laboratorial; − Gestantes suspeitas; − Óbitos suspeitos; − Pacientes internados com manifestações neurológicas em Unidades “Sentinela”, com suspeita de infecção viral prévia (zika, dengue e chikungunya). • Notificação (imediata em gestantes e em casos de óbito). • Tratamento de suporte. Evitar AAS e AINEs. • Não há vacina contra o ZIKAV. • Recomendação: mulheres grávidas, em qualquer trimestre, adiar viagens a áreas com transmissão do vírus. A identificação de feto com alterações do sistema nervoso central durante a gestação, segundo a orientação do Ministério da Saúde, é de notificação obrigatória. • Definição: − O feto apresenta as seguintes alterações ao exame ultrassonográfico (podem ser detectados a partir da 18a semana de gestação): ✓ Presença de calcificações cerebrais E/OU; ✓ Presença de alterações ventriculares E/OU; ✓ Pelo menos, dois dos seguintes sinais de alterações de fossa posterior: hipoplasia de cerebelo, hipoplasia do vermis cerebelar, alargamento da fossa posterior maior que 10 mm e agenesia/hipoplasia de corpo caloso. − Achados na ultrassonografia transfontanela (exame de triagem inicial) e tomografia de crânio do recém-nascido: ✓ Calcificações cerebrais, principalmente periventricular, no parênquima, áreas talâmicas e gânglio basal; ✓ Ventriculomegalia; ✓ Lisencefalia (“cérebro liso”, ou seja, faltam sulcos e reentrâncias observados em um cérebro normal). − Outros achados ultrassonográficos: artrogripose (contraturas que dificultam a movimentação); retardo do crescimento intrauterino; alterações do fluxo arterial nas artérias cerebral ou umbilical; oligoidrâmnio ou anidrâmnio. +1 +2 +3 +4 +5 +6 +7 +8 +9 +10 +11 +12 +13 +14 +15 +16 | | | | | | | | | | | | | | | | Tempo em dias. -4 -3 -2 -1 | | | | 0 Infecção. Aparecimento dos Sinais e Sintomas. IgM IgG Período de Incubação. RNA Viral. https://www.eumedicoresidente.com.br/ Figura 12 – Recomendações para diagnóstico específico de Zika em gestantes. Fonte: SBI – Guia de Manejo da Infecção pelo Zika Vírus (2016). Figura 13 – Resumo de recomendações a diagnóstico específico de Zika no recém-nascido. Fonte: SBI – Guia de Manejo da Infecção do Zika Vírus (2016). Figura 14 – Representação das manifestações da síndrome congênita do zika em fetos e recém-nascidos; Figura A e B: bebês com 1 semana da idade com microcefalia desproporcional grave e dismorfismo craniano; Figura C: ultrassonografia Fetal de feto com infecção pelo ZIKAV, mostrando a presença de calcificações lineares (Cal), ventriculomegalia (V) e afinamento cortical (C); Figura D: ultrassonografiafetal de feto com infecção pelo ZIKAV mostrando aumento dos espaços pericerebrais (S) e ventriculomegalia (V). Fonte: N. Engl. J. Med. 2019; 381: 1444- 1457. SURCE-CE 2017 ACESSO DIRETO. Gestante de 29 anos, parda, casada, procedente do bairro Aldeota, em Fortaleza, iniciou o pré-natal com 8 semanas de gestação, logo que descobriu a gravidez. Na consulta de 20 semanas, relatou ter apresentado febre há 4 dias, acompanhada de manchas na pele com prurido, dor leve e edema nas articulações de quirodáctilos e pododáctilos. Ao realizar o exame clínico, estava consciente e orientada, temperatura axilar de 37 °C, pulso de 80 bpm e PA deitada de 110 x 70 mmHg. Quais os procedimentos mais adequados para o seguimento inicial do caso? A. Solicitar sorologia para dengue, zika e chikungunya, notificar a vigilância epidemiológica municipal, após resultado dos exames. B. Solicitar sorologia para zika, dengue, chikungunya, USG obstétrica e encaminhar a gestante para pré-natal de alto risco na maternidade de referência. C. Solicitar sorologia para zika no soro e na urina, USG morfológico em torno da 22 semana e notificação de caso suspeito para a vigilância epidemiológica. D. Solicitar exames específicos para zika, dengue, chikungunya e STORCH e notificar o caso como suspeito para vigilância epidemiológica municipal. COMENTÁRIO: A questão traz uma gestante com febre, manchas na pele e prurido; logo, podemos levantar a hipótese de uma síndrome febril aguda, que pode ser zika, dengue, chikungunya ou STORCH. Grupo Gestantes com possíveis infecções por Zika durante a gravidez. Exame laboratorial (outros agentes infecciosos) Sorologia ou RT PCR: − Dengue; − Chikungunya; − STORCH. Exame laboratorial específico para a Zika RT PCR até o 5º dia – sangue. RT PCR após o 5º dia – urina. Sorologia – 3º ao 5º dia após o início dos sintomas. Sorologia – 2º à 4ª semana após a primeira sorologia. Sorologia – microcefalia. Sorologia – 2 a 4 semanas após a primeira sorologia. Sorologia e RT PCR – sangue de cordão, placenta, líquor - parto. Sorologia da mãe – dengue, Chikungunya, STORCH. Recém-nato com o envolvimento de SNC provavelmente relacionado à infecção pelo Zika vírus, infecção durante a gestação – USG ou TC (microcefalia, calcificações etc.). Grupo D C B A https://www.eumedicoresidente.com.br/ Síndrome febril aguda em gestante já indica notificação na suspeita, antes mesmo da investigação (Letra A, incorreta). Após a investigação e elucidação diagnóstica, uma notificação negativa ou positiva deverá ser enviada. Inicialmente, precisamos fazer a investigação diagnóstica laboratorial (zika, dengue, chikungunya e STORCH) – (Letras B e C, incorretas). RESPOSTA: Letra D. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • Doença causada pelo vírus da chikungunya (CHIKV) e que pode infectar humanos por meio da picada do mosquito transmissor. • A palavra chikungunya vem de um dialeto da Tanzânia e significa “aqueles que se dobram” ou “andar encurvado”. • Agente: Vírus CHIKV (RNA de fita simples): Alphavirus (família Togaviridae). É um vírus encontrado em regiões tropicais e subtropicais da África, nas ilhas do Oceano Índico, no sul e sudeste da Ásia. Foi isolado pela primeira vez em 1952, na Tanzânia. • Vetor: Aedes aegypti e Aedes albopictus (como na dengue). • Transmissão: Dá-se pela picada do mosquito infectado, havendo raramente contágio interpessoal, transmissão vertical ou transfusão sanguínea. O mosquito pode adquirir o vírus CHIKV picando um indivíduo infectado durante o período de viremia, que vai de dois dias antes do início dos sintomas até o oitavo dia de doença. OBS.: Há relatos de transmissão nosocomial e vertical. Não é transmitido por via sexual. − Período de Incubação: 1 a 12 dias (média: 1 a 4 dias); − Há imunidade duradoura após a infecção. • No Brasil, a letalidade pelo vírus é alta, quando comparada ao restante da América. Chegou ao Brasil em 2014. Média de idade de óbitos: 68 anos. • Maior letalidade em extremos de idades. A região com maior concentração de casos e óbitos foi o Nordeste, com destaque para o Ceará. • O vírus se replica nos tecidos articulares; é essa replicação que recruta células inflamatórias, como monócitos, macrófagos e células natural-killers. A artralgia crônica pode ser devido à persistência viral. • Pode cursar com 3 fases clínicas distintas: a fase aguda (7 dias), a fase subaguda (a partir do 10º dia) e a fase crônica (a partir do 60º dia): Figura 15 – Espectro Clínico Chikungunya. Fonte: SVS/MS, 2017. • Infecções sintomáticas em quase 90% dos pacientes (diferentemente das outras arboviroses, em que a forma assintomática predomina). • Fase aguda ou febril: − Febre alta, súbita e de curta duração (até 5 a 7 dias) + poliartralgia intensa; − Cefaleia, mialgia (lombalgia); − Náuseas e vômitos; − Exantema em 50% dos casos, que se inicia no 2º ao 5º dia, após início da febre, acomete principalmente o tronco e as extremidades (incluindo palmas e plantas), podendo atingir a face (diferentemente da dengue). O prurido é presente apenas em 25% dos pacientes; Infecção Casos Assintomáticos Casos Sintomáticos Formas Típicas Fase Aguda Formas Típicas Fase Subaguda Fase Crônica Casos Graves https://www.eumedicoresidente.com.br/ − Poliartrite simétrica (90%): principalmente em mãos, punhos e tornozelos (prefere as articulações de maior carga), de intensidade maior que a dengue, podendo ser assimétrica; − Pode haver edema e tenossinovite; − Pode manter sintomas articulares até 1 a 3 anos (em alguns casos, pode durar pelo resto da vida). Figura 16 – Lesões Articulares de Pacientes com Chikungunya. Fotos: Evolução do mesma paciente no 1º e 5º dias. Fonte: SVS/MS, 2017- Foto: Kleber Giovani Luz. A chikungunya é parecida com a dengue, porém, menos grave e com maior sintomatologia articular. • Fase subaguda: Após 7 a 10 dias, o quadro agudo regride. Na fase subaguda, podem ocorrer: − Febre desaparece; − Poliartrite distal; − Exacerbação das dores articulares; − Tenossinovite hipertrófica subaguda em mãos, punhos e tornozelos (pode haver síndrome do túnel do carpo). • Fase Crônica: 2 a 3 meses do quadro agudo. Caracteriza-se por: − Poliatrite distal (nas mesmas articulações acometidas durante as fases aguda e subaguda); − Alguns pacientes apresentam artropatia grave e deformante; − Síndrome do túnel do carpo – dormência e formigamento em áreas inervadas pelo nervo mediano; − Síndrome vascular periférica; − Depressão e cansaço. • A incidência da fase crônica pode variar com o repouso feito durante a fase aguda. Há relatos da duração de até 6 anos dessa fase. • São fatores de risco para cronificação: − Idade acima de 45 anos; − Sexo feminino (incidência significativamente maior); − Patologia articular preexistente. SES-PE 2017.2 ACESSO DIRETO. Em relação à chikungunya, é INCORRETO afirmar que: A. Os sinais e sintomas são clinicamente parecidos com os da dengue – febre de início agudo, dores articulares e musculares, cefaleia, náusea, fadiga e exantema. B. As drogas de escolha para o tratamento da chikungunya na fase aguda são corticoides e AINEs. C. A doença pode evoluir em três fases: aguda, subaguda e crônica. D. A poliartralgia tem sido descrita em mais de 90% dos pacientes com chikungunya na fase aguda. Essa dor normalmente é poliarticular, bilateral e simétrica, mas pode haver assimetria. E. A prevalência da fase crônica é muito variável entre os estudos, podendo atingir mais da metade dos pacientes. A https://www.eumedicoresidente.com.br/ COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: − Letra A: correta. Os sinais e sintomas são parecidos com a dengue, mas a chikungunya tem como característica a presença de dor articular muito mais intensa. − Letra B: incorreta. Na fase aguda da doença, devemos evitaranti-inflamatórios não hormonais e corticoides, devido ao risco de sangramentos. − Letras C e E: corretas. Dentre as arboviroses, é a única que pode cronificar, podendo acontecer em mais de 50% dos pacientes, de acordo com alguns estudos). − Letra D: correta. A poliartralgia geralmente é simétrica, bilateral e pode acometer mais de 90% dos pacientes (principalmente em mãos, punhos e tornozelos, ou seja, poliarticular). Pode ser assimétrica em alguns casos. RESPOSTA: Letra B. • PARA A PROVA: Gestantes e Doença Neonatal: − A infecção pelo CHIKV, no período gestacional, não está relacionada aos efeitos teratogênicos; há raros relatos de abortamento espontâneo. − Para neonatos de mães infectadas, há um risco de transmissão vertical de aproximadamente 50% no período intraparto. Entretanto, não há evidências de que a cesariana altere o risco de transmissão. O vírus não é transmitido pelo aleitamento materno. − As formas graves são frequentes nessa faixa etária (> 90% dos casos). • Formas atípicas: − Estima-se que compreendam 2% dos casos, sendo decorrentes de efeitos diretos do vírus, resposta imunológica e/ou toxicidade dos medicamentos. Envolve sinais e sintomas neurológicos, oculares, cardiovasculares, renais etc. Tabela 6 – Formas atípicas de Chikungunya. Fonte: Adaptado de RAJAPAKSE; RODRIGO; RAJAPAKSE, 2010. Sistemas/Órgãos: Manifestações: Nervoso Meningoencefalite, encefalopatia, convulsão, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias. Olhos Neurite óptica, iridociclite, episclerite, retinite e uveíte. Cardiovascular Miocardite, pericardite, insuficiência cardíaca, arritmia, instabilidade hemodinâmica. Pele Hiperpigmentação por fotossensibilidade, dermatoses vesiculobolhosas, ulcerações aftosa-like. Rins Nefrite e insuficiência renal aguda. Outros Discrasia sanguínea, pneumonia, insuficiência respiratória, hepatite, pancreatite, síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético, insuficiência adrenal. − As formas graves da infecção pelo CHIKV acometem, com maior frequência, pacientes com comorbidades prévias (história de convulsão febril, diabetes, asma, insuficiência cardíaca, alcoolismo, doenças reumatológicas, anemia falciforme, talassemia e hipertensão arterial sistêmica), crianças, pacientes acima de 65 anos e aqueles que estão em uso de alguns fármacos (aspirina, anti-inflamatórios e paracetamol em altas doses). • Laboratório inespecífico: linfopenia (<1000/mm3 – achado mais frequente) e plaquetopenia (rara); VHS e PCR elevadas; elevação discreta de enzimas hepáticas, da creatinina e CPK. • Laboratório específico: − Sorologia IgM (aguda – após 5º dia de doença) e IgG (a partir do 6º dia, sendo ideal 2 a 3 semanas); − PCR em tempo real (RT-PCR) e isolamento viral (a coleta não é confiável quando feita depois do 8º dia de doença). https://www.eumedicoresidente.com.br/ Exames laboratoriais confirmatórios só são obrigatórios nos pacientes com sinais de gravidade / critérios de internação. • Notificação Obrigatória (imediata nos casos em áreas sem transmissão e em casos de óbito). • Suporte Clínico: Hidratação oral, analgésicos, repouso e compressas frias na fase aguda; opioides para os refratários. Casos com sinais de gravidade requerem internação. • Pacientes sem sinais de gravidade/critérios de internação e que não fazem parte do grupo de risco podem ser tratados ambulatorialmente. • Se pertencer ao grupo de risco, o tratamento pode ser ambulatorial, mas supervisionado. • Grupos de Risco: Gestantes, maiores de 65 anos, menores de 2 anos (neonatos - considerar critério de internação), pacientes com comorbidades. • Sinais de gravidade e critérios de internação: − Acometimento neurológico (raro); − Sinais de choque; − Dispneia; − Dor torácica; − Vômitos persistentes; − População neonatal; − Descompensação da doença de base; − Sangramento de mucosa. Evitar anti-inflamatórios não hormonais e corticoides na fase aguda da doença, devido ao risco de sangramentos. • Manejo da dor: Na fase aguda, a analgesia pode ser guiada pela escala analógica visual (EVA) de dor. LEVE MODERADA INTENSA 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Figura 17 – Escala Analógica Visual (EVA) de Dor. • EVA 1 a 3 = dipirona ou paracetamol; • EVA 4 a 6 = dipirona e paracetamol em horários alternados; • EVA ≥ 4 = pode necessitar de medicação IV; se houver manutenção da dor, deve-se avaliar a necessidade de opioide; • EVA 7 a 10 = dipirona + paracetamol e prescrever um opioide (tramadol, codeína ou oxicodona). OBS.: Cerca de 30% dos pacientes podem apresentar dor neuropática. Nesses casos, podemos avaliar o uso de medicamentos moduladores da dor (ex.: amitriptilina, gabapentina etc.). https://www.eumedicoresidente.com.br/ • Na forma subaguda/crônica: − Podem ser utilizados analgésicos comuns, AINES, opioides e corticoides sistêmicos; − Corticoterapia na dose equivalente de prednisona (0,5 mg/kg/dia), por até 21 dias; − Após esse período, considerar medicações poupadoras de corticoide: metotrexate, sulfassalazina e hidroxicloroquina. • Caso Suspeito de Dengue: Doença febril aguda com até 7 dias de febre, associada a ≥ 2 dos seguintes sintomas: cefaleia; dor retro-orbitária; mialgias; artralgias; prostração ou exantema; associados ou não à presença de hemorragias, leucopenia e qualquer sinal de alarme. Coleta: NS1 (do 1º ao 3º dia), isolamento (do 1º ao 5º dia) e sorologia (do 7º ao 29º dia); • Caso Suspeito de Chikungunya: Paciente com febre de início súbito, acima de 38,5oC, e artralgia ou atrite intensa de início agudo, não explicada por outras condições, sendo residente em (ou tendo visitado) áreas endêmicas ou epidêmicas até 2 semanas antes do início dos sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com caso confirmado. Coleta: PCR (1º a 8º dia) e sorologia (do 1º ao 7º dia e do 16º ao 45º dia, não sendo oportuna a coleta entre o 8º e o 15º dia); • Caso Suspeito de Zika: Pacientes que apresentem exantema maculopapular pruriginoso, acompanhado de, pelo menos, 2 dos seguintes sinais e sintomas: febre e/ou hiperemia conjuntival sem secreção e prurido e/ou poliatralgia e/ou edema articular. Coleta: período dos sintomas. Tabela 7 – Diagnóstico Diferencial entre Dengue x Chikungunya x Zika. Fonte: BRITO; CORDEIRO, 2016. Sinais/Sintomas: Dengue: Zika: Chikungunya: Febre: Duração: > 38 C. 4 a 7 dias. Sem febre ou subfebril (≤38 C). 1-2 dias subfebril. Febre alta > 38 C. 2-3 dias. Rash: Frequência: Surge a partir do quarto dia 30% a 50% dos casos. Surge no 1º ou 2º dia 90% a 100% dos casos. Surge de 2-5 dias 50% dos casos. Mialgia (Frequência) +++ ++ + Artralgia (Frequência) + ++ +++ Intensidade da Dor Articular Leve. Leve/moderada. Moderada/intensa. Edema de Articulação Raro. Frequente e leve intensidade. Frequente e de moderada a intensa. Conjuntivite Raro. 50% a 90% dos casos. 30%. Cefaleia +++ ++ ++ Hipertrofia ganglionar + +++ + Discrasia hemorrágica ++ Ausente. + Risco de morte +++ + ++ Acometimento neurológico + +++ ++ Leucopenia +++ +++ +++ Linfopenia Incomum. Incomum. Incomum. Trombocitopenia +++ Ausente (raro). ++ • Vírus: Flavivírus. • Vetor: Culex (também Aedes e Anopheles). • Epidemiologia: o caso pioneiro, no Brasil, foi em 2014 (no Piauí). • Doença de notificação compulsória. • Hospedeiros acidentais: aves, cavalos e humanos. • Transmite por amamentação e contato direto com aves, mas não há comprovação de pessoa para pessoa. https://www.eumedicoresidente.com.br/ • A maioria é assintomática: − Casos Suspeitos: Indivíduo com quadro de doença febril aguda inespecífica, acompanhada de manifestações neurológicas de provável etiologia viral, compatíveis com meningite e encefalite, e paralisia flácida aguda, de etiologia desconhecida. − Na suspeita, realizar confirmaçãopor exames laboratoriais: LCR e sangue. • A forma mais grave é a neurológica (encefalite/meningite), sendo mais comum em idosos. Provoca sequelas motoras e psiquiátricas. • Diagnóstico: Sorologia e Isolamento Viral. • Tratamento: Suporte (similar ao da dengue). • Vírus: Gênero Alphavirus (MayV), Família togaviridae. • Vetor: Haemagogus (possivelmente: Aedes e Culex). • Epidemiologia: O primeiro surto foi em 1955. Endêmico na região Amazônica do Brasil. 2014-2016 em Goiás, Pará e Tocantins. • Doença de notificação compulsória. • Hospedeiros acidentais: roedores, marsupiais e pássaros. • Hospedeiro amplificador: primata. • Transmitida por amamentação e contato direto com aves, porém, não há comprovação de pessoa para pessoa. • Quadro clínico: a maioria é assintomática. • Quando sintomática, é semelhante ao da chikungunya. As dores articulares são menos intensas, mas cronificam também. Casos graves podem evoluir para encefalite (autolimitada na maioria dos casos). • Caso Suspeito: Indivíduo com quadro de doença febril aguda inespecífica, advindo de área de risco nos 15 dias que antecedem o início dos sintomas. Na suspeita, realizar confirmação por exames laboratoriais. • Diagnóstico: Sorologia e isolamento viral. • Tratamento: Suporte e manejo da dor (similar ao da chikungunya). Tabela 8 – Resumo das Arboviroses. Fonte: Os Autores Eu Médico Residente ©. Gênero: Transmissão: Características: Tratamento: Comentários: Dengue: Flavivírus. Aedes aegypti. Febre alta, sangramento. SUPORTE Não usar AINEs nem corticoides na fase aguda. Grupo C: 10 mL/kg/h Grupo D: 20 mL/kg/20 min Febre Amarela: Flavivírus. Haemagogus Sabethes. Mialgia intensa, icterícia. NOTIFICAÇÃO IMEDIATA. Zika: Flavivírus. Aedes aegypti, vertical. Febre baixa, rash pruriginoso. COMPLICAÇÕES NEUROLÓGICAS. Chikungunya: Alphavirus. Aedes aegypti. Febre alta, dor articular. 3 FASES: Aguda, subaguda e também crônica. https://www.eumedicoresidente.com.br/ ✓ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Dengue: Diagnóstico e Manejo Clínico: Adultos e Criança [recurso eletrônico]. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. ✓ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vírus Zika no Brasil: A Resposta do SUS [recurso eletrônico]. Brasília: MS, 2017. ✓ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Chikungunya: Manejo Clínico. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. ✓ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Febre Amarela: Guia para Profissionais de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. ✓ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ofício Circular nº. 136/2019/SVS/MS. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 17 dez. 2019. ✓ LUNA, E. J. A.; SILVA JR., J. B. Doenças Transmissíveis, Endemias, Epidemias e Pandemias. In: FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. A Saúde no Brasil em 2030 Prospecção Estratégica do Sistema de Saúde Brasileiro: População e Perfil Sanitário [on-line]. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. v. 2. p. 123-176, 2013. ✓ RAJAPAKSE, S.; RODRIGO, C.; RAJAPAKSE, A. Atypical Manifestations of Chikungunya Infection. EPUB, Ago., 2009. ✓ SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA. Guia de Manejo da Infecção pelo Zika Vírus. 2016. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 1. UFRJ-RJ 2020 ACESSO DIRETO. Adolescente, 12 anos, é levado à emergência por apresentar febre, exantema generalizado e dores no corpo. Mãe relata que o quadro teve início há dois dias, mas, desde a véspera, apresentava fortes dores nas mãos e pés, inclusive em repouso. Exame físico: fácies de dor, febril (38,0ºC), PA= 90 x 60 mmHg, eupneico, exantema discreto com edema dos dedos das mãos e pés, deambula com o auxílio da mãe, queixa-se de artralgia. Exames laboratoriais: SaO2 = 98%, hemograma normal. A hipótese diagnóstica mais provável é: A. Chikungunya. B. Febre amarela. C. Leptospirose. D. Dengue hemorrágico. 2. UFPR-PR 2019 ACESSO DIRETO. Arbovírus são vírus transmitidos por artrópodes (Arthropod-Borne Vírus) e são assim designados não somente pela sua veiculação através de artrópodes, mas, principalmente, pelo fato de parte de seu ciclo replicativo ocorrer nos insetos. As arboviroses têm se tornado importantes e constantes ameaças em regiões tropicais, devido às rápidas mudanças climáticas, desmatamentos, migração populacional, ocupação desordenada de áreas urbanas e precariedade das condições sanitárias, que favorecem a amplificação e transmissão viral. A respeito do assunto, considere as seguintes afirmativas: 1. No continente africano, o ciclo da Chikungunya (CHIKV) ocorre, essencialmente, em áreas florestadas, envolvendo: mosquitos, vetores silvestres do gênero Aedes e primatas não humanos. Já no continente asiático, o ciclo de transmissão de CHIKV esteve geralmente associado ao mosquito urbano Aedes aegypti e ao homem. 2. A maioria dos pacientes infectados com febre do oeste do Nilo é assintomática, mas os sintomas, quando presentes, incluem febre, dor de cabeça, enjoo e vômito. 3. Em 2015, o Brasil registrou os primeiros casos humanos autóctones de Zika, confirmando a entrada desse arbovírus no país. Os primeiros estados brasileiros a registrar casos de infecção por ZIKV foram Paraná e Rio Grande do Sul. 4. A principal forma de infecção pelo ZIKV é pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes, sendo A. albopictus o principal vetor no Brasil. Assinale a alternativa correta: A. Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. B. Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras. C. Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. D. Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. E. As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. 3. UERN-RN 2016 ACESSO DIRETO. Paciente feminina, 66 anos, procura unidade de saúde referindo retorno à Palmas, após viagem em Feira de Santana, por 15 dias, com queixa de febre de início súbito, maior que 39° C, e dor articular intensa há aproximadamente 5 dias. Associa outros sintomas como cefaleia, mialgia, náusea e erupção cutânea. Ao exame clínico, apresenta hiperemia conjuntival e hipotensão arterial. Considerando a hipótese diagnóstica de infecção pelo vírus Chikungunya, qual a conduta apropriada: A. Coleta de exame diagnóstico somente por método sorológico, tratamento inicial com paracetamol, hidratação e acompanhamento ambulatorial. B. Coleta de exame diagnóstico somente por método virológico, tratamento inicial com paracetamol, hidratação e internação hospitalar. C. Coleta de exame diagnóstico por método sorológico e virológico, tratamento inicial com paracetamol, hidratação e internação hospitalar. D. Coleta de exame diagnóstico por método sorológico e virológico, tratamento inicial com paracetamol, aspirina, hidratação e internação hospitalar. 4. SES-PB 2016 ACESSO DIRETO. Analise as assertivas abaixo: I- Febre por mais de 24 horas com melhora clínica; II- Presença de mialgia febre baixa e rash cutâneo; III- Contagem plaquetas <130.000, cefaleia e mialgia; IV- Dor abdominal, hipotensão postural, vômitos e letargia; V- Cefaleia, prostração, exantema, prova do laço negativa. Aquela(s) em que todos os achados são sinais que denotam risco de dengue hemorrágica são: A. Apenas III. B. Apenas IV. C. I e IV. D. Todas. E. IV e V. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 5. UESPI-PI 2015 ACESSO DIRETO. A infecção por dengue causa uma doença com amplo espectro clínico, podendo apresentar-se como uma infecção inaparente ou evoluir rapidamente para um quadro de hemorragia e choque. Sobre o diagnóstico laboratorial da doença, é correto afirmar que: A. O aumento do hematócrito em 20% do valor basal, leucocitose e trombocitopenia comprovam a doença. B. A coletado sangue para o diagnóstico sorológico deve ser realizada o mais cedo possível, porém não é específico para dengue. C. O isolamento viral realizado após o quinto dia ou após o término dos sintomas é o método mais específico para confirmação da doença. D. O hemograma completo é o único exame disponível para diagnóstico no sistema único de saúde. E. A sorologia é utilizada para a detecção de anticorpos antidengue e deve ser solicitada a partir do sexto dia do início dos sintomas. 6. SES-PE 2020 R3 CLÍNICA MÉDICA. Em relação à Dengue, é INCORRETO afirmar que: A. Indivíduos, por ocasião de reinfecção por outro sorotipo diferente do responsável pela primo-infecção e que nela tenham produzido anticorpos, são capazes de inativar os vírus. B. As principais doenças a serem consideradas no diagnóstico diferencial da dengue são: gripe, rubéola, sarampo e outras infecções virais, bacterianas e exantemáticas. C. Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica, sendo imediata a notificação das formas graves da doença. D. Sinais de alarme na dengue são aumento repentino do hematócrito e queda abrupta das plaquetas. E. A prova do laço deve ser realizada na triagem, obrigatoriamente, em todo paciente com suspeita de dengue e que não apresente sangramento espontâneo. 7. SURCE-CE 2021 R1 MEDICINA INTENSIVA. Paciente atendido na Unidade de Pronto Atendimento, com história de febre há 72h (temperatura axilar 39°C), dor muscular difusa e cefaleia com muita dor retro-orbitária, sem sintomas gripais aparente. Realizou prova do laço, sendo positiva. Ao exame físico, apresenta hipotensão postural, fígado palpável a 3cm do rebordo costal, sangramento gengival leve. Realizou Rx com derrame pleural discreto à direita. Assinale a alternativa correta: A. Deve ser realizada hidratação oral e acompanhamento ambulatorial. B. Deve ser realizada hidratação oral e internado em leito de observação até melhor elucidação de quadro clínico. C. Deve ser realizada hidratação venosa e internamento clínico pelo risco de complicações. D. Deve ser realizada hidratação venosa e internado em leito de terapia intensiva pelo alto risco de sangramento. 8. SES-PE 2019 R3 CLÍNICA MÉDICA. Em relação à febre amarela, é INCORRETO afirmar que: A. O tratamento específico para febre amarela nas formas graves consiste no uso de imunoglobulina humana. B. O período de transmissibilidade (tempo em que um indivíduo com febre amarela possui vírus no sangue e pode infectar um mosquito vetor se for picado) vai de 24 a 48 horas antes até 3 a 5 dias após o início dos sintomas. C. O quadro clínico clássico caracteriza-se pelo surgimento súbito de febre alta, geralmente contínua, cefaleia intensa e duradoura, inapetência, náuseas e mialgia. D. O Sinal de Faget (bradicardia acompanhando febre alta) pode ou não estar presente. E. A vacinação contra febre amarela (VFA – atenuada) é a medida mais importante e eficaz para a prevenção e o controle da doença. 9. SUS-BA 2018 ACESSO DIRETO. Homem, 30 anos de idade, caminhoneiro, dá entrada no Pronto-Socorro. Há uma semana, iniciou febre diária com calafrios, mialgia difusa, náuseas e prostração que duraram cerca de quatro dias. Apresentou melhora temporária por cerca de 24h, que associou a uso de analgésicos, mas há dois dias, voltou a ter febre diária, cefaleia, vômitos, epistaxes e diarreia com aspecto em borra de café. Mantém prostração intensa. Nega transfusões ou cirurgias prévias, tatuagens, piercings ou uso de drogas. Divorciado, nega relações sexuais nos últimos três meses. Veio do Acre, viajando por estradas, há cerca de duas semanas. Ao exame físico, apresenta-se lúcido, orientado, descorado 2+/4, ictérico 3+/4, com temperatura: 39°, FC: 60bpm, PA: 90X60mmHg. Ausculta cardiorrespiratória sem alterações. Abdome sem alterações. Exames laboratoriais apresentam Hb: 11g/dL, leucócitos: 4100cel/mm³, plaquetas: 95mil cel/mm³, Cr: 3,8mg/dL, Ur: 150mg/dL, K: 4,8mEq/L, BT: 7mg/dL (D 5,5mg/dL), AST: 2500U/L, ALT: 1450U/L, FA:228U/L, RNI: 2,2, PCR: 10mg/dL. Diante desse quadro, indique: A. A principal suspeita diagnóstica e a forma de transmissão. B. O teste de escolha para confirmação do diagnóstico, nesse momento, segundo o Ministério da Saúde. C. A principal medida individual de prevenção dessa doença. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 10. SES-PE 2017 R3 CLÍNICA MÉDICA. Paciente com diagnóstico de Chikungunya procura consulta ambulatorial com queixa de dores articulares há três meses. Queixa-se de dor em queimação com formigamento. A dor é de moderada intensidade e desencadeada ao toque das articulações que estão levemente edemaciadas. Vem fazendo uso de AINEs com melhora parcial. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, qual é a conduta mais adequada para o caso? A. Prescrever gabapentina 300mg 2x ao dia. B. Prescrever prednisona 0,5mg/kg/dia. C. Prescrever prednisona 0,5mg/kg/dia e gabapentina 300mg 2x ao dia. D. Prescrever hidroxicloroquina 6mg/kg/dia e amitriptilina 25-50mg/dia. E. Prescrever metotrexato 15-25mg semanal e amitriptilina 25-50mg/dia. 11. SES-PE 2018.2 ACESSO DIRETO. A maior parte do território brasileiro é considerada região endêmica ou área de risco para febre amarela, com exceção das regiões litorâneas de variada extensão. A respeito da febre amarela, assinale a alternativa CORRETA: A. O período de incubação varia entre 30 a 45 dias. B. Entre as alterações laboratoriais frequentes, observamos leucocitose intensa, com desvio à esquerda. C. A maior parte dos casos apresenta regressão dos sintomas e se recupera após a fase de remissão. D. A taxa de letalidade para os pacientes que evoluem para fase tóxica chega até 10%. E. A vacina de febre amarela pode ser administrada simultaneamente com a tríplice viral ou tetra viral. 12. UNIFESP-SP 2019 R3 CLÍNICA MÉDICA. Qual achado NÃO é considerado sinal de alarme em paciente com dengue? A. Derrame pleural. B. Febre persistente. C. Hipotensão postural. D. Vômitos persistentes. E. Hepatomegalia dolorosa. 13. SES-PE 2016 R3 CLÍNICA MÉDICA. Em relação à dengue, é INCORRETO afirmar que: A. O agravamento do quadro clínico da dengue acontece após a segunda semana da doença. B. O paciente com dengue pode evoluir para choque, sem evidência de sangramento espontâneo. C. No exame laboratorial, a elevação das enzimas hepáticas de pequena monta ocorre em 50% dos pacientes. D. Na gestante com dengue, há risco aumentado de aborto e baixo peso ao nascer. E. São sinais de alarme da dengue: aumento repentino do hematócrito e queda abrupta de plaquetas. 14. UNICAMP-SP 2018 ACESSO DIRETO. Mulher, 43a, procura o Pronto-Socorro queixando-se de mal-estar geral, inapetência, cefaleia e febre (38 ~ 38,5°C) há dois dias. Nega vômito ou alterações do hábito intestinal ou urinário. Mora na divisa Campinas/Sumaré (SP), chegou há 5 dias de Diamantina (MG), onde havia permanecido também por cinco dias. Exame físico: regular estado geral, descorada ++/4+, desidratada ++/4+, ictérica +++/4+, FC= 120 bpm, FR= 23irpm, PA = 100 x 70 mmHg. Pele: sem lesões, abdome: plano, flácido, fígado a 10 cm da borda costal direita, superfície lisa, consistência diminuída e doloroso à palpação; baço palpável a 5 cm da borda costal esquerda. A conduta além da coleta de exames laboratoriais e de reposição volêmica é solicitar: A. Líquido cefalorraquidiano (citologia, bioquímica e cultura). B. Teste rápido e exame parasitológico para malária. C. Teste rápido para dengue e MAC-ELISA para febre amarela. D. Sorologias para Chikungunya e Zika Vírus. 15. SURCE-CE 2016 ACESSO DIRETO. Ao atender uma criança de 5 anos de idade na Emergência, o médico percebe um quadro clínico grave de Dengue. Assinale a alternativa que contém os critérios que o médico utilizou para chegar a essa conclusão: A. Hemorragia conjuntival. B. Vômitos e dor abdominal. C. Queda lenta das plaquetas. D. Diminuição repentina da temperaturacorpórea ou hipotermia. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 16. UFPB-PB 2019 ACESSO DIRETO. Paciente de 12 anos de idade, previamente hígido, após excursão em área de mata para acampamento de escoteirismo, apresenta febre intensa, três dias de evolução, prurido cutâneo leve, poliartrite, com edema de mãos e pés, mialgia e exantema inespecífico. Com base nos dados citados, o diagnóstico mais provável e a evolução possível são: A. Zika e evolução para cronicidade. B. Dengue com evolução para dengue hemorrágica. C. Chikungunya e evolução para cronicidade. D. Zika sem risco de evolução para cronicidade. E. Chikungunya com risco de hemoconcentração. 17. SURCE-CE 2015 R3 PEDIATRIA. Escolar de 8 anos vem comparecendo à Unidade de Pronto Atendimento já com diagnóstico presumido de dengue. Retorna apresentando dor abdominal intensa e episódio de melena. Está orientado e consciente. Em que grupo e plano terapêutico esse paciente se encaixa? A. Grupo A – acompanhamento ambulatorial. B. Grupo B – em observação até resultado de exames. C. Grupo C – leito de internação por período mínimo de 48 horas. D. Grupo D – leito de terapia intensiva. 18. SUS-BA 2015 R3 CLÍNICA MÉDICA. Paciente, sexo feminino, 23 anos de idade, moradora de bairro de periferia em Salvador, deu entrada na emergência com relato de cefaleia intensa, adinamia, artralgia difusa, mialgia intensa, 2 episódios de vômitos não borráceos e febre de 39° C há 5 dias. Nega sintomas respiratórios. Informa casos semelhantes no bairro onde mora e que sua irmã está com os mesmos sintomas há 2 dias. Ao exame físico encontra- se lúcida e auto orientada, PR: 100bpm rítmico e cheio, PA: 110/80mmHg, FR: 24inr/min, temperatura axilar: 39oC, extremidades quentes e coradas, bulhas regulares em dois tempos, MVBD sem RA ou sinais de desconforto respiratório. A prova do laço foi negativa. Diante desse quadro, indique: A. A principal suspeita diagnóstica. B. A alteração fisiopatológica verificada com a realização da prova do laço. C. A estratégia terapêutica apropriada ao caso. 19. SURCE-CE 2020 R3 PEDIATRIA. Um recém-nascido a termo se apresenta, ao nascimento, com perímetro cefálico de 28 cm. Sua mãe apresentou, durante a gestação, quadro febril e exantema inespecífico. Nos exames de imagem, do bebê, algumas alterações são encontradas: presença de calcificações, dilatação ventricular, atrofia cerebral e lisencefalia. Essa situação é característica de que condição? A. Toxoplasmose congênita. B. Citomegalovirose congênita. C. Síndrome da Zika congênita. D. Síndrome da rubéola congênita. 20. SURCE-CE 2013 R3 CLÍNICA MÉDICA. Mulher de 23 anos, previamente saudável, é avaliada no serviço de emergência por queixas de febre e dores musculares. Refere que os sintomas se iniciaram há ́3 dias associados a dor retro-orbital e prostração. Nega sintomas respiratórios atuais ou prévios. Ao exame físico, evidencia-se pulso de 120/minuto, frequência cardíaca de 130 bpm, temperatura de 37,6ºC, pressão arterial deitada = 95 x 80mmHg, pressão arterial em pé = 70 x 55 mmHg. Demais aspectos do exame físico estão normais. Exames laboratoriais evidenciam Hb=12 g/dL, Ht=28%, leucócitos = 3400 (diferencial normal), plaquetas = 45.000, creatinina=1 mg/dL, eletrólitos normais, AST=120UI/L, ALT=115UI/L. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual dos exames abaixo é recomendado para a paciente? A. IgG/IgM para dengue. B. IgM para febre amarela. C. Sorologia para leptospira. D. IgG/IgM para citomegalovírus. E. Elisa para NS1 (proteína não estrutural 1). 21. SURCE-CE 2019 R3 PEDIATRIA. A equipe da Estratégia de Saúde da Família atende um menino que iniciou quadro de febre alta e dores articulares intensas há duas semanas. Medicado com sintomáticos, retornou alguns dias depois com exantema maculopapular. Apesar de estar sem febre agora, duas semanas depois do início, queixa-se das dores articulares que, segundo ele, não cedem com a medicação. Que doença apresenta esse quadro clínico e que sinal ou sintoma a caracteriza? https://www.eumedicoresidente.com.br/ A. Dengue – febre de início súbito. B. Zika – exantema maculo-papular. C. Sarampo – febre + exantema maculo-papular. D. Chikungunya – persistência das dores articulares. 22. SES-PE 2010 ACESSO DIRETO. Em relação à dengue, é incorreto afirmar que: A. O período de incubação pode variar de 2 a 15 dias. B. A dengue clássica geralmente se manifesta com febre de início súbito, cefaleia, dor retro orbitária e prostração. C. A prova do laço não tem nenhuma importância na avaliação do paciente com dengue. D. O acompanhamento com hemograma diário é fundamental na suspeita de dengue hemorrágica. E. A dor abdominal intensa e contínua e o aumento repentino do hematócrito são sinais de gravidade da doença. 23. SUS-SP 2019 ACESSO DIRETO. Infecção que pode ser assintomática, mas que a primeira manifestação é febre alta (39° a 40° C), de início abrupto, com duração de 2 a 7 dias, acompanhada de cefaleia, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e prurido na pele. Perda de massa corporal, náuseas e vômitos são comuns. Na fase febril inicial da doença, pode ser difícil diferenciá-la. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. Sem tratamento específico. São aspectos que se referem à arbovirose: A. Malária, doença de notificação compulsória imediata, apenas, na região extra-amazônica. B. Leptospirose, doença de notificação compulsória semanal. C. Dengue, doença de notificação compulsória semanal. D. Chikungunya, doença de notificação compulsória imediata. E. Febre amarela, doença de notificação compulsória, apenas, em caso de Sinal de Faget positivo. 24. SUS-SP 2017 ACESSO DIRETO. A seguinte arbovirose pode ser transmitida por via sexual: A. Rocio. B. Zica. C. Dengue. D. Oropuche. E. Mayaro. 25. SES-PE 2016 R3 CLÍNICA MÉDICA. Diante do surto de microcefalia no estado, houve um alerta do Ministério da Saúde da possível relação do zika vírus com a microcefalia. Em relação ao zika vírus, é INCORRETO afirmar que: A. Ele é um flavivírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. B. Os sinais e sintomas da febre por esse vírus em comparação a outras doenças exantemáticas apresentam mais exantema e hiperemia conjuntival e menos alteração nos leucócitos e trombócitos. C. A febre no zika vírus geralmente é alta: 39°C e contínua. D. Estima-se que apenas 18% das infecções humanas resultem em manifestações clínicas, sendo, portanto, mais frequente a infecção assintomática. E. Assim como acontece com a dengue, não é recomendado o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) devido ao risco de síndrome hemorrágica. 26. HIAE-SP 2019 ACESSO DIRETO. O vírus da Febre Amarela Silvestre (FA), uma zoonose endêmica, é mantido em ambiente natural por transmissão entre primatas não humanos (PNH) e mosquitos silvestres arbóreos. No município de Rio do Norte, no mês de janeiro, houve crescimento da população suscetível de PNH e aumento da densidade de vetores nas matas formando-se condições ideais para transmissão da FA, resultando em número maior de PNH doentes e mortos (epizootia). Esse evento sentinela desencadeou ações de vacinação com vírus atenuado, em curto espaço de tempo, na população do Município, como medida de prevenção primária e com a finalidade de diminuir a possibilidade de expansão da doença para áreas urbanas. Nesse contexto, ERROS: A. Existem na afirmação referente à relação entre vacinação e diminuição de possibilidade da expansão da doença para áreas urbanas, visto que, os vetores da febre amarela urbana diferem daqueles da FA. B. Existem quanto à composição (vírus atenuado) da vacina a ser aplicada na população do município, que deveria ser isenta de vírus. C. Não existem quanto à classificação da FA, às condições ideais para transmissão, ocorrênciade epizootia e evento sentinela; porém, a ação prioritária seria a eliminação da transmissão do vírus. D. Não existem, pois estão corretas: a classificação da FA, a descrição das condições ideais para sua transmissão, a ocorrência de epizootia e evento sentinela, bem como, a ação desencadeada. E. Existem apenas na ação de vacinação, em curto espaço de tempo, na população do Município, desde que, não havia ocorrência de casos humanos de FA. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 27. PSU-MG 2015 ACESSO DIRETO. Na abordagem clínica da dengue, é ERRADO afirmar: A. A realização de prova do laço está indicada em todo caso suspeito da doença. B. Nos pacientes com comorbidades, nos menores de cinco anos, nos maiores de 60 anos e nas gestantes é obrigatório a realização de hemograma. C. O sangue para realizar a sorologia para pesquisa de anticorpos específicos deve ser coletado a partir do sexto dia do início dos sintomas. D. A presença de dor abdominal intensa e contínua é indicativo de necessidade de internação do paciente. 28. SURCE-CE 2014 ACESSO DIRETO. Em casos de dengue hemorrágica, quais os sinais clínicos que podem ser indicativos de alarme para formas clínicas graves? A. Cefaleia intensa, hematúria, exantema. B. Persistência da febre alta, diarreia, gengivorragia. C. Recusa alimentar, dor retro orbitária, plaquetopenia. D. Vômitos persistentes, dor abdominal intensa, melena. 29. AMRIGS-RS 2020 ACESSO DIRETO. No diagnóstico diferencial clínico da dengue, é correto afirmar que: A. O desenvolvimento de síndrome de Guillain-Barré é uma complicação séria mais comum na dengue do que na infecção por zika vírus. B. A plaquetopenia na dengue é mais pronunciada do que na chikungunya. C. Sangramentos são mais comuns na zika do que na dengue. D. A artrite crônica é mais frequentemente desenvolvida em decorrência da dengue em comparação à chikungunya. 30. SURCE-CE 2022 ACESSO DIRETO. Mulher de 50 anos, moradora de Fortaleza, sem comorbidades, procura pronto- socorro referindo quadro iniciado há 5 dias de febre alta, cefaleia, mialgia e dor retro orbitária. Embora a febre tenha desaparecido, após o terceiro dia de doença, desde esta manhã relata exantema difuso e pruriginoso e dor abdominal mal definida, que não cede com analgésicos comuns. Ao exame: estado geral regular; peso: 75 Kg. Pele: exantema maculopapular difuso com ilhas de pele normal; pressão arterial: deitada = 130 x 80 mmHg, sentada = 118 x 76 mmHg; prova do laço: positiva; abdome: semigloboso, flácido, moderadamente doloroso à palpação profunda em epigástrio, mesogástrio e hipocôndrio direito. Ruídos hidroaéreos presentes. Extremidades: boa perfusão periférica, sem edemas. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, que conduta terapêutica imediata deve ser tomada? A. Soro fisiológico a 0,9% 750 ml, endovenoso, em 1 hora. B. Soro fisiológico a 0,9% 1500 ml, endovenoso, em 20 minutos. C. Soro de reidratação oral 1500 ml + Líquidos diversos 3000 ml, por via oral, em 24 horas. D. Soro glicosado a 5% 3000 ml + Soro fisiológico a 0,9% 1500 ml, endovenoso, em 24 horas. 31. SCM-SP 2022 ACESSO DIRETO. A dengue é a arbovirose mais frequente do mundo. O aumento crescente de casos nas áreas endêmicas e a possível expansão da área de risco de infecção caracterizam um grave problema de saúde pública nos países. Em relação à única vacina contra a dengue (Dengvaxia®), atualmente licenciada para uso contra a doença, assinale a alternativa correta. A. A vacina é indicada para todos os indivíduos de nove a sessenta anos de idade que vivem em áreas endêmicas da doença, com restrição apenas para gestantes. B. A vacina tetravalente de vírus atenuados é indicada para indivíduos da faixa etária entre nove e 45 anos de idade que vivam em áreas endêmicas da doença e que sejam soropositivos para dengue. C. A vacina é recomendada para indivíduos entre nove e 45 anos de idade que morem em área de alta transmissão de dengue, independentemente de histórico prévio de exposição ao vírus causador da doença. D. A vacina tetravalente de vírus inativados usa como estrutura básica o vírus vacinal da febre amarela (Cepa 17 D). E. A imunização completa inclui três doses da vacina, com intervalos de dois meses entre as doses e com indicação de reforço a cada cinco anos para os que vivam em zonas endêmicas da doença. 32. SURCE-CE 2019 R3 PEDIATRIA. Menino de 5 anos, atendido há 1 dia na Unidade de Pronto Atendimento, retorna para reavaliação. Iniciou quadro de febre há 4 dias, dores de cabeça, articulares e musculares, tendo recebido diagnóstico de dengue. Os pais referem que, embora a febre tenha diminuído, o filho está mais prostrado, com dor abdominal contínua e vômitos. Esse quadro clínico traduz que situação? https://www.eumedicoresidente.com.br/ A. O diagnóstico de febre de Chikungunya. B. A evolução habitual da dengue com a defervescência da febre. C. A diminuição da permeabilidade vascular e o agravamento clínico do paciente. D. O aumento da permeabilidade vascular e a possível evolução para o agravamento clínico do paciente. 33. SES-PE 2021 R3 CLÍNICA MÉDICA. Paciente com 30 anos procura o ambulatório com um quadro de artrite com forte suspeita diagnóstica de chikungunya. As manifestações articulares que são observadas na febre chikungunya têm as características citadas abaixo, EXCETO: A. O início dos sintomas articulares ocorre 1 a 2 dias antes do início da febre. B. A presença de dor articular sem edema ou rigidez foi associada à maior probabilidade de recuperação. C. Acomete grandes e pequenas articulações e abrange com maior frequência as regiões mais distais. D. Os principais fatores de risco para a cronificação são: idade acima de 45 anos, significativamente maior no sexo feminino, doença articular preexistente e maior intensidade das lesões articulares na fase aguda. E. A poliartralgia tem sido descrita em mais de 90% dos pacientes com chikungunya na fase aguda. Essa dor normalmente é poliarticular, bilateral e simétrica. 34. HUOL-RN 2020 ACESSO DIRETO. O extravasamento plasmático é um dos principais eventos fisiopatológicos na dengue e está relacionado à maior gravidade da doença. Clinicamente, a presença de vômitos persistentes, dor abdominal, hipotensão postural, entre outros sinais clínicos, são considerados sinais de alarme que traduzem o referido evento. São exames que confirmam o extravasamento plasmático na dengue: A. Hematócrito, albumina e ultrassonografia. B. Leucograma, PCR e radiografia do tórax. C. Dosagem de plaquetas, TGP e sorologia. D. Hemograma, VSH e tomografia. 35. SES-PE 2019 R3 CLÍNICA MÉDICA. Em relação à chikungunya, é INCORRETO afirmar que: A. É uma arbovirose causada pelo vírus chikungunya (CHIKV), da família Togaviridae e do gênero Alphavirus. B. A principal manifestação clínica que a difere das outras arboviroses são as fortes dores nas articulações, que, muitas vezes, podem estar acompanhadas de edema. C. A minoria dos indivíduos infectados pelo CHIKV desenvolve sintomas; alguns estudos mostram que apenas 30% apresentam infecção sintomática. D. Dor articular, edema e maior duração da febre são mais prevalentes quanto maior for a idade do paciente. E. As alterações laboratoriais de chikungunya, durante a fase aguda, são inespecíficas, sendo a leucopenia com linfopenia menor que 1.000 cels/mm3 uma alteração encontrada geralmente nesses pacientes. 36. SES-PE 2021 R3 PEDIATRIA. A febre amarela é uma doença febril aguda, que apresenta elevada letalidade nas formas graves. Em 2020, o Ministério da Saúde do Brasil definiu que a vacinação contra a febre amarela fosse ampliada para todo o País, fazendo atualmente parte do Calendário Nacional de Vacinação. Sobre a vacina da febre amarela, é CORRETO afirmar que: A. A idade universal preconizada para a vacinação é a partir dos 9 meses até os 69 anos. B. A partir dos 2 anos de idade, é indicada a administraçãoem um esquema de dose única. C. Está indicado um reforço da vacina aos 6 anos de idade para as crianças que tomaram a primeira dose com menos de 2 anos de idade. D. Está contraindicada em pessoas com história pregressa de doenças do timo. E. Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade devem suspender a amamentação por 30 dias após a vacinação, se esta não puder ser evitada. 37. UFS-SE 2020 ACESSO DIRETO. A infecção pelo zika vírus constitui-se uma preocupação no acompanhamento pré-natal no Brasil, devido à sequela da microcefalia no recém-nascido causada pela infecção, o que constitui um grave problema de Saúde Pública. Diante do exposto é importante que o médico tenha conhecimento sobre a infecção pelo vírus na gestação, então, das questões abaixo, qual a afirmação VERDADEIRA? A. Embora o zika seja encontrado no leite materno no caso de infecção aguda, a amamentação não é contraindicada. B. O uso de repelentes ambientais do tipo spray é eficaz contra o mosquito vetor da zika. C. O repelente a base de Icaridina e a ingestão de tiamina pela gestante são eficazes na proteção contra o mosquito vetor da zika e aprovados pela ANVISA. D. Para um correto diagnóstico ultrassonográfico da microcefalia fetal é necessário apenas saber a data da última menstruação da gestante. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 38. UERJ-RJ 2020 ACESSO DIRETO. Idoso de 72 anos chegou à UBS com queixa de febre alta, mialgia e poliartralgia intensa há três dias. Após receber o diagnóstico de chikungunya, a conduta mais recomendada, em relação ao manejo do quadro álgico, é: A. Prescrever paracetamol 500mg de 6/6h ou dipirona 500mg a 1g de 6/6h, que pode ser associado à codeína 30mg de 4/4h ou tramadol 50mg de 4/4h, caso a dor persista. B. Prescrever prednisona 40mg por dia, durante 5 dias, podendo chegar a 3 semanas, caso a dor persista, associar ao ibuprofeno 600mg de 8/8h. C. Prescrever ibuprofeno 600mg de 8/8h, durante 5 dias, associado ao paracetamol 500mg de 6/6h, em caso de dor ou febre. D. Prescrever amitriptilina 50mg por dia ou gabapentina 300mg de 12/12h, associado à prednisona 20mg por dia. 39. SES-PE 2019 ACESSO DIRETO. Você e o médico da unidade básica de saúde de uma cidade que está enfrentando um surto de febre amarela. Qual das pessoas abaixo NÃO deverá receber a vacina? A. Idoso de 70 anos que não apresenta comorbidades significativas. B. Paciente soropositivo para o HIV, em uso de terapia antirretroviral, com última contagem de CD4 de 350 células/mm³. C. Mulher que está amamentando seu filho de sete meses. D. Mulher no curso da 25ª semana de gestação. E. Paciente portador de artrite psoriática em uso de infliximab. 40. SES-PE 2021 MEDICINA INTENSIVA. Paciente de 30 anos, G2P1, gestante no curso de 10 semanas de gravidez, com história de febre baixa, de início agudo há sete dias, associada a rash cutâneo maculopapular pruriginoso, dor na articulação das mãos e dos pés. Apresenta ainda cefaleia, astenia, mialgia e dor retro-orbitária. Traz exame que demonstra discreta plaquetopenia com leucopenia e ligeira elevação da DHL. De acordo com o descrito acima, qual a conduta adequada? A. Realizar PCR para detectar RNA viral no soro. B. Solicitar o teste rápido antizika IgM/IgG apenas se USG for alterada. C. O teste de ELISA antizika só é solicitado a partir da 20ª sem. D. O padrão-ouro, nesse caso, é a biópsia de vilosidade corial. E. As avaliações propedêuticas serão iniciadas a partir da 28ª sem. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 1. COMENTÁRIO: A questão traz um adolescente de 12 anos com quadro de febre, exantema generalizado e dores no corpo, sintomas comuns às arboviroses. Nesse caso, o que nos chama atenção é um quadro articular importante, com edema e dor de mãos e pés, a ponto de o paciente deambular apenas com auxílio, devido à artralgia. Qual a arbovirose que caracteristicamente tem um acometimento articular mais importante? A Chikungunya! RESPOSTA: Letra A. 2. COMENTÁRIO: Vamos analisar cada afirmativa: Afirmativa 1: Verdadeira. Descreve a tendência da CHIKV nos continentes. É um vírus encontrado em regiões tropicais e subtropicais da África, nas ilhas do Oceano Índico, no sul e sudeste da Ásia. Afirmativa 2: Verdadeira. Reflete a tendência normal da Febre do Nilo Ocidental (FNO): geralmente assintomática e, quando sintomática, com os sintomas descritos acima (lembre-se de que uma minoria faz as formas neurológicas graves). Afirmativa 3: Falsa. A zika iniciou seu quadro no Nordeste, sendo os primeiros casos na Bahia e no Rio Grande do Norte. Afirmativa 4: Falsa. O erro está em tirar o “crédito” da transmissão da doença do mosquito mais cosmopolita, o Aedes aegypti. RESPOSTA: Letra A. 3. COMENTÁRIO: Paciente em contexto de síndrome febril aguda, com intensa dor articular, fala fortemente a favor de chikungunya. Especialmente, considerando-se que ela visitou recentemente uma área com transmissão documentada da doença. Nessa situação, podemos solicitar exames para confirmação do diagnóstico (que, pelo tempo de doença, pode ser virológico – até o 8º dia – ou sorológico – a partir do 5º dia) e iniciar o tratamento com analgésicos para dor, hidratação e internação hospitalar. A paciente está hipotensa e, em qualquer situação, isso confere um alerta para gravidade. RESPOSTA: Letra C. 4. COMENTÁRIO: A questão pergunta sobre sinais que denotam risco de dengue hemorrágica. Entretanto, esse termo caiu em desuso, sendo usado atualmente o termo dengue com sinais de alarme. Então, o que a questão quer saber? Quais os sinais de alarme para dengue! Dor abdominal intensa e contínua, vômitos incoercíveis, hipotensão postural, letargia, sangramentos de mucosa, hemoconcentração, dentre outros. É importante lembrar que a prova do laço positiva não é sinal de alarme, apenas denota fragilidade capilar. As outras alternativas trazem sinais e sintomas comuns na dengue clássica, mas que não são considerados sinais de alarme. RESPOSTA: Letra B. 5. COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: − Letras A, B e D: incorretas. Para comprovação da doença, precisamos de exames confirmatórios específicos de detecção do vírus (isolamento viral, antígeno NS1) ou de anticorpos (sorologias). Exames inespecíficos, como hemograma, podem ajudar na análise clínica do paciente (leucopenia, trombocitopenia e hemoconcentração), mas não confirmam o diagnóstico da doença. Exames para confirmação diagnóstica estão disponíveis no SUS. Na fase aguda, até o 5º dia (idealmente até o 3º dia), podemos detectar o vírus no período de viremia. Dentre as opções, temos o isolamento viral que, apesar de ser mais específico e considerado o padrão-ouro, demoraria muito tempo, não sendo uma boa opção após o 5º dia de doença. − Letra C: Incorreta. A pesquisa do antígeno NS1 do 1º ao 3º dia permite a detecção de antígenos virais específicos de dengue do tipo NS1, possui boa especificidade (82-100%) e o resultado pode sair em poucas horas. A procura dos anticorpos, idealmente deve ser realizada após o 5º - 6º dia. RESPOSTA: Letra E. 6. COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: A. Incorreta. A infecção por um sorotipo não cria anticorpos definitivos contra os demais. Na primeira infecção, o sistema imune do paciente produz anticorpos neutralizantes contra o primeiro sorotipo (ex.: sorotipo 1), denominados anticorpos homólogos, que provavelmente permanecerão pelo resto da vida do paciente. Esses anticorpos também oferecem proteção contra outros sorotipos (imunidade cruzada ou heteróloga), porém, de curta duração (meses a poucos anos). Se o mesmo indivíduo for infectado por outro sorotipo anos mais tarde, eles não serão capazes de neutralizá-lo – pelo contrário, a ligação deles ao novo sorotipo facilitaria a penetração do vírus nos macrófagos, através do mecanismo de opsonização. B. Correta. Todas as doenças descritas são síndromes febris agudas que fazem parte do diagnóstico diferencial.C. Correta. A dengue é doença de notificação compulsória, sendo semanal na maioria das situações e imediata nas formas graves e em casos de óbito. D. Correta. Os sinais de alarme da dengue devem ser pesquisados e indagados para todos os pacientes com suspeita de dengue, pela possibilidade de maior evolução para formas graves. A banca de Pernambuco considerou a queda abrupta de plaquetas como sinal de alarme. Entretanto, essa informação não está contida no Manual do Ministério da Saúde. E. Correta. A prova do laço deve ser feita em todos os casos suspeitos de dengue que não apresentam sangramentos espontâneos. Quando positiva, deve ser interpretada como um indício de fragilidade capilar e já pede hidratação em regime de observação. A prova positiva não significa necessariamente diagnóstico de dengue. RESPOSTA: Letra A. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 7. COMENTÁRIO: A questão traz um paciente com quadro clínico de síndrome febril aguda, apresentando febre há 72 horas, mialgia, cefaleia retro-orbitária e prova do laço positiva. Logo, tem-se um caso suspeito de dengue. O paciente em questão é classificado no grupo C por possuir sinais de alarme (hipotensão, hepatomegalia, sangramento gengival e derrame pleural). Por se tratar de paciente do grupo C, é necessário internamento, solicitação de exames e hidratação venosa por, pelo menos, 48 horas. Avaliando as alternativas: − Letras A e B: Incorretas. Deve ser realizado internamento e hidratação venosa. − Letra C: Correta. Deve ser realizada hidratação venosa com 10 mL/kg/hora, em 2 horas, e internamento clínico com reavaliação clínica, a cada hora, e de hematócrito, a cada 2 horas. − Letra D: Incorreta. Não há indicação de internamento em leito de terapia intensiva. RESPOSTA: Letra C. 8. COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: A. Incorreta. O tratamento da febre amarela é de suporte; não existe terapia específica para a doença. B. Correta. O período de viremia (transmissibilidade) ocorre 48 horas antes da febre e até 5 dias após o início dos sintomas. C. Correta. O quadro clínico inicial é de uma síndrome febril aguda, que faz diagnóstico diferencial com outras doenças com o mesmo quadro. Para pensar em febre amarela na prova, devemos lembrar da síndrome íctero-hemorrágica. D. Correta. O sinal de Faget não é específico da febre amarela; outras doenças podem cursar com o mesmo, por exemplo, febre tifoide, tularemia, brucelose e pneumonia por Legionella e micoplasma. E. Correta. A vacinação é a medida mais importante e eficaz para prevenção e controle da doença. Ela confere proteção individual e coletiva, bloqueando a propagação geográfica da doença na prevenção de epidemias e é altamente imunogênica, com resultados adequados em até 95% dos indivíduos, a partir do 10° dia de aplicação. RESPOSTA: Letra A. 9. COMENTÁRIO: A questão traz o caso clínico de um paciente do sexo masculino, de 30 anos, com quadro de síndrome febril aguda há cerca de quatro dias, com melhora temporária nas últimas 24 horas, retorno posterior da febre, epistaxe, diarreia em borra de café. O paciente em questão teve viagem para o Acre. No exame físico, os dados mais relevantes são a icterícia e a dissociação pulso-temperatura (Sinal de Faget). Avaliando as alternativas: A. Por se tratar de síndrome febril com icterícia e Sinal de Faget, temos a principal hipótese como sendo a febre amarela. A principal forma de transmissão urbana se dá pela picada do mosquito Aedes aegypti. B. Nas fases mais iniciais, comumente até o quinto dia, é possível realizar o PCR com detecção de antígeno viral. Para o caso em questão, o paciente apresenta o quadro há 4 semanas, assim o teste de escolha para confirmação diagnóstica deve ser a sorologia IgM para febre amarela OU MAC-ELISA para febre amarela OU pesquisa de anticorpos IgM para febre amarela. C. Vacinação OU imunização ativa. 10. COMENTÁRIO: A questão traz um paciente com diagnóstico de Chikungunya, que evoluiu com dor articular a 3 meses (artralgia crônica). Pacientes com febre chikungunya podem ter muita dor articular no momento inicial e podem evoluir com a cronificação do quadro articular, principalmente pacientes acima de 45 anos com comorbidades ou que tenham uma dor ou acometimento articular prévio. É importante lembrar que, para esses pacientes, é contraindicado o uso de anti-inflamatórios e corticosteroides na fase aguda da doença, pois essas medicações aumentam o risco de sangramentos e evolução para doença grave. Na fase crônica pode-se lançar mão de anti-inflamatórios e de corticoterapia. Caso o paciente não melhore e tenha associado sintomas neurológicos, como formigamento e queimação, podemos fazer medicações moduladoras da dor e que podem melhorar os sintomas neurológicos, a exemplo dos antidepressivos tricíclicos. É importante salientar ainda que o uso de corticoide por longos períodos é contraindicado, devido às complicações inerentes ao seu uso. Sendo assim, o próximo passo para o paciente em questão é fazer hidroxicloroquina 6mg/kg/dia e amitriptilina 25-50 mg/kg/dia. RESPOSTA: Letra D. 11. COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: A. INCORRETA. O período de incubação no homem é em média de 3 a 6 dias (podendo chegar de 10 a 15 dias). B. INCORRETA. Na forma grave e maligna, os primeiros dias da doença podem cursar com leucocitose e neutrofilia com intenso desvio à esquerda, não sendo comum nas outras formas da doença. Não é, portanto, um achado frequente. C. CORRETA. A maioria dos pacientes tem melhora após a fase de remissão. D. INCORRETA. A letalidade dos pacientes que evoluem para a forma tóxica varia entre 20-50 %. E. INCORRETA. A vacina não deve ser administrada simultaneamente às vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola, varicela) ou varicela, devendo ser estabelecido o intervalo mínimo de 28-30 dias. RESPOSTA: Letra C. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 12. COMENTÁRIO: Na dengue, por volta do 3º ao 7º dia (período de defervescência) pode ocorrer piora do quadro, caracterizando a antiga “febre hemorrágica” da dengue (apesar da denominação, o paciente não vinha a óbito por hemorragia, e sim por extravasamento plasmático que causa hemoconcentração e, por essa razão, o termo caiu em desuso). Os sinais de alarme que a caracterizam podem ser classificados em 3 grandes grupos: disfunção orgânica, fenômenos hemorrágicos e hemoconcentração. Disfunção orgânica: dor abdominal intensa e contínua à palpação, vômitos persistentes, hepatomegalia > 2 cm, letargia ou irritabilidade. Fenômenos hemorrágicos: sangramento de mucosas (gengivorragia, metrorragia etc.). Redução dos fatores de coagulação: hematoma, hemartrose. Hemoconcentração: aumento da permeabilidade relacionado à histamina, aumento progressivo do hematócrito, hipotensão postural e derrames cavitários. A letra B está errada e traz a resposta da questão; a febre alta (39-40 graus) faz parte do quadro de dengue clássica, assim como mialgia, cefaleia, dor retro-orbitária e artralgias, mas não é sinal de alarme da doença. As demais alternativas trazem sinais de alarme da dengue. RESPOSTA: Letra B. 13. COMENTÁRIO: Avaliando as alternativas: A. Incorreta. O possível agravamento da doença se inicia com a defervescência, que ocorre entre o 3º e o 7º dias do início da doença. Nesse momento, aparecem os sinais de alarme, que podem levar à dengue grave. B. Correta. Na fase crítica, podemos ter o choque, que ocorre quando um volume crítico de plasma é perdido através do extravasamento, o que geralmente ocorre entre os 4-5 dias de doença, comumente precedido de sinais de alarme. Entretanto, existem casos que evoluem para choque, sem apresentar sinais de alarme ou sangramentos prévios. C. Correta. As alterações laboratoriais são inespecíficas e o aumento de transaminases podem ocorrer, com valores máximos de até 2-3x o valor de referência. D. Correta. Além do risco maior de aborto ebaixo peso ao nascer, complicações hemorrágicas são comuns durante o parto. E. Correta. A queda abrupta de plaquetas não está entre os sinais de alarme do Ministério da Saúde, mas a banca de Pernambuco o coloca como tal. RESPOSTA: Letra A. 14. COMENTÁRIO: A questão aborda uma paciente com quadro agudo de hepatoesplenomegalia febril, sendo residente da divisa Campinas/Sumaré (SP) e tendo retornado há cinco dias, de uma viagem a Diamantina (MG), onde passou também cinco dias. Dessa forma, a fim de obter a conclusão do caso, seguem possíveis abordagens diagnósticas. Avaliando as alternativas: A. INCORRETA. Já que a paciente não apresenta sintomas neurológicos ou sinais de irritação meníngea, não há necessidade de solicitar estudo do LCR. B. INCORRETA. Considerando a resolução de provas, diante de caso de malária, é comum que o paciente tenha viajado para região endêmica, concentrada no norte do país, principalmente o Amazonas. Como não há relato de área endêmica ou algum sinal clínico específico de malária, essa afecção não pode ser admitida como principal hipótese diagnóstica. C. CORRETA. Como existem menos de cinco dias de evolução da doença, solicita-se teste rápido para dengue e MAC-ELISA (IgM) para febre amarela, pois são exames que podem positivar nessa fase mais precoce. D. INCORRETA. No caso da Chikungunya, seria esperado maior acometimento articular, enquanto a Zika estaria relacionada à febre mais baixa e às lesões de pele, que são descartadas no enunciado. RESPOSTA: Letra C. 15. COMENTÁRIO: Quando o enunciado fala em quadro clínico de dengue grave, temos que pensar em três possibilidades: sangramento importante com risco de vida, disfunção orgânica grave ou choque. As letras A, B e C não contemplam essas possibilidades – entretanto, a hipotermia é considerada sinal de gravidade em praticamente todas as doenças e, na dengue, pode ser uma pista de que o paciente está evoluindo para choque. Devemos lembrar que consideramos sinais de alarme vômitos INCOERCÍVEIS e dor abdominal INTENSA. RESPOSTA: Letra D. 16. COMENTÁRIO: Em questões com síndromes febris nas provas, você deve sempre buscar sinais ou sintomas característicos de cada uma das condições clássicas. Veja que a dengue é marcada por mialgia intensa e dor retro- orbitária (letra B, incorreta). Zika, por sua vez, se caracteriza por rash pruriginoso e conjuntivite não purulenta (letras A e D, incorretas). Dentre as síndromes febris mais comuns no Brasil, aquela cujo comportamento articular é mais marcante é a chikungunya. Apesar de raro na pediatria, adolescentes constituem o principal grupo populacional pediátrico com quadros de cronificação. Diferentemente da dengue, a hemoconcentração não é a principal complicação da chikungunya, mas sim a descompensação de doenças de base. RESPOSTA: Letra C. 17. COMENTÁRIO: Criança de 8 anos com quadro presumido de dengue, apresentando dor abdominal intensa e contínua (sinal de alarme clássico) e episódio de melena. O sangramento grave, como a melena, leva-nos a considerar a hipótese de dengue grave. Desse modo, o paciente deveria ser classificado como pertencente ao grupo D, assim, necessitando de leito de terapia intensiva (lembrar: dengue grave = choque ou disfunção orgânica grave ou sangramento grave). Nessa questão, a banca considerou o paciente como hemodinamicamente estável, razão pela qual classificou o paciente como grupo C. RESPOSTA DA BANCA: Letra C. RESPOSTA EMR: Letra D. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 18. COMENTÁRIO: A questão traz paciente do sexo feminino, jovem, com síndrome febril aguda há 2 dias, apresentando prova do laço negativa. Respondendo às alternativas: A. A principal hipótese é a dengue, principalmente arbovirose em nosso meio, já que temos um quadro de febre há menos de 7 dias, mialgia intensa, cefaleia e artralgia, sem sintomas respiratórios. B. Avaliação da fragilidade capilar/lesão endotelial, avaliando maior ou menor risco de hemorragias. C. A paciente em questão não apresenta sinais de gravidade, nessa situação, a estratégia terapêutica deve ser a hidratação oral vigorosa em domicílio, uso de antitérmicos (indicando evitar aspirina/AAS ou anti-inflamatórios não hormonais). Orientação para observação de manifestações hemorrágicas espontâneas e outros sinais de alarme (dor abdominal, dispneia, síncope). 19. COMENTÁRIO: Durante a gestação, a mãe teve uma síndrome exantemática e a criança nasceu com microcefalia, onde (♂ < 31,9 cm; ♀ < 31,5 cm), o que indica a possibilidade de zika congênita. A microcefalia é a manifestação mais comum do SNC em bebês infectados pelo zika. Além da microcefalia, a criança pode apresentar calcificações cerebrais, principalmente periventriculares, no parênquima, em áreas talâmicas e gânglio basal; ventriculomegalia e lisencefalia (“cérebro liso”, ou seja, faltam os sulcos e reentrâncias observados em um cérebro devidamente normal). RESPOSTA: Letra C. 20. COMENTÁRIO: Em um contexto de síndrome febril aguda com mialgia, febre alta, dor retro-orbitária e hipotensão postural (lembrar do aumento da permeabilidade vascular), temos que pensar em dengue. A paciente em questão tem 3 dias de doença. Na fase aguda, até o 5º dia (ideal: até o 3º), podemos procurar o vírus (no período de viremia). Dentre as opções, temos o isolamento viral que, apesar de ser mais específico e considerado o padrão-ouro, demoraria muito tempo – e o enunciado pede algo rápido; a pesquisa do antígeno NS1, que possui boa especificidade (82-100%) e o resultado pode sair em poucas horas e, por fim, a procura dos anticorpos, que idealmente deve ser realizada após o 5º dia (o paciente está no 3º dia). RESPOSTA: Letra E. 21. COMENTÁRIO: A diferenciação entre as arboviroses é bastante cobrada em provas, sendo importante saber a característica principal de cada uma delas. A dengue apresenta febre alta associada a dores articulares, cefaleia retro- orbitária, mialgia, exantema maculopapular, artralgia – essa última, após passada a fase febril, não se estende (observe que a criança em questão tem artralgia 2 semanas após o quadro inicial). A zika classicamente apresenta febre baixa, conjuntivite não purulenta e rash maculopapular. Artralgia pode acontecer, mas também não se estende. O quadro clínico descrito é típico de chikungunya, que é semelhante à dengue, porém, menos grave e com maior sintomatologia articular (podendo ser persistente e até cronificar). O sarampo pode apresentar febre, rash maculopapular e sintomas de vias aéreas superiores (tosse seca e coriza), entretanto, artralgia não é sintoma característico e não cronifica. RESPOSTA: Letra D. 22. COMENTÁRIO: A questão traz alguns conceitos importantes sobre a dengue. É um vírus de RNA e pertence à família Flaviridae, transmitido pela fêmea do mosquito Aedes aegypti. Tem período de incubação que varia de 2 a 15 dias. A fase inicial é marcada por febre, que pode durar de 2 a 7 dias. Associada a ela, pode haver cefaleia, dor retro-orbitária, artralgias e mialgias. A prova do laço deve ser realizada em todos os casos suspeitos de dengue que não apresentam sangramentos espontâneos. A técnica consiste na insuflação do manguito do esfigmomanômetro (não realizar com torniquete ou garrote) até o valor médio da pressão arterial previamente aferida, de acordo com a fórmula (PAS + PAD) / 2. Deve ser mantido por 5 minutos no adulto e por 3 minutos na criança. Um quadrado com 2,5 cm de lado deve ser desenhado na face anterior do antebraço do paciente; depois, avaliamos o surgimento de petéquias ou equimoses dentro dele. O resultado é considerado positivo no adulto, se houver ≥ 20 petéquias e, nas crianças, ≥ 10 petéquias. Quando positiva, a prova deve ser interpretada como um indício de fragilidade capilar e já coloca o paciente no grupo B. Letra C – Incorreta. Vamos chamar atenção para o fato de que houve uma mudança na classificação da dengue desde 2014, não usamos mais o termo dengue hemorrágica. A novaclassificação, de acordo com a OMS, abrange: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave. Os exames complementares serão realizados de acordo com o grupo de tratamento do paciente, podendo ser necessário hematócrito até de 2/2 horas no grupo D. São sinais de alarme: dor abdominal intensa, hepatomegalia > 2 cm, derrames cavitários, hipotensão postural, sangramento mucoso, aumento do hematócrito, letargia e vômitos incoercíveis. Dengue grave é aquela que apresenta choque, sangramento grave e disfunção orgânica grave. RESPOSTA: Letra C. 23. COMENTÁRIO: O enunciado descreve claramente as formas sem sinais de alarme, com sinais de alarme e grave da dengue, que é uma doença de notificação semanal; a resposta CORRETA é LETRA C. Avaliando as demais alternativas: A. INCORRETA. A malária é uma doença febril aguda, mas que tem um quadro clínico cíclico, com os ciclos de febre dependentes do agente etiológico específico, é de notificação compulsória nas áreas extra-amazônicas e tem tratamento específico com os antimaláricos. https://www.eumedicoresidente.com.br/ B. INCORRETA. A leptospirose é uma doença de notificação imediata, tem tratamento específico com o uso de antibióticos e NÃO é uma arbovirose. C. INCORRETA. A Chikungunya é outra arbovirose, mas que apresenta em seu quadro clínico importante acometimento articular, é ainda uma doença de notificação compulsória semanal, só apresentando notificação imediata quando fora das áreas endêmicas e em casos de morte. D. INCORRETA. A febre amarela também é uma doença febril aguda, mas é de notificação imediata SEMPRE, independente do Sinal de Faget. RESPOSTA: Letra C. 24. COMENTÁRIO: Das arboviroses apresentadas nas alternativas, a zica é a única que possui tripla via de transmissão: via vetor (mosquito), transmissão vertical (com quadros de microcefalia associados) e sexual. RESPOSTA: Letra B. 25. COMENTÁRIO: O zika vírus é um arbovírus, do gênero Flavivírus e da família Flaviviridae. A maioria dos pacientes infectados são assintomáticos, mas, quando apresentam sintomas, estes se caracterizam por um quadro de febre baixa, hiperemia conjuntival não purulenta e exantema maculopapular pruriginoso, que se inicia junto com a febre. O tratamento é de suporte e não está indicado o uso de AAS, devido ao aumento do risco de sangramento. RESPOSTA: Letra C. 26. COMENTÁRIO: A questão traz um enunciado com conceitos sobre a febre amarela, a sua transmissão e a vacinação para diminuir a expansão da doença e pede que façamos uma avaliação dos erros nas alternativas. Vamos avaliar cada uma: A. INCORRETA. Se mais gente é vacinada, menos gente adoece e, consequentemente, a doença circula menos, diminuindo a chance de expansão da doença para a zona urbana. De fato, os vetores da febre amarela urbana diferem daqueles da FA, porém, na prática, isso não influencia diretamente na transmissão, visto que a presença de indivíduo doente na área urbana é suficiente para a possibilidade de expansão da doença nessa área. B. INCORRETA. A vacina da febre amarela de fato é feita com vírus vivo atenuado, não existindo a possibilidade de aplicação de vacina isenta de vírus. C. INCORRETA. Na realidade, é praticamente impossível eliminar a transmissão do vírus, pois, além da possibilidade de o vírus sofrer mutações, teríamos que eliminar todos os vetores e os PNH que servem de reservatório para o vírus. D. CORRETA. Todos os conceitos trazidos pelo enunciado estão corretos. E. INCORRETA. A vacinação em curto espaço de tempo é uma forma de bloquear a propagação da doença, é uma medida correta e eficaz; quanto mais precoce a sua realização, mais efetiva será. RESPOSTA: Letra D. 27. COMENTÁRIO: Questão abordando a dengue e que nos pede a alternativa INCORRETA; avaliando as alternativas: A. INCORRETA. A prova do laço é realizada através da insuflação do esfigmomanômetro na média da pressão arterial do paciente (cuidado para não confundir média da pressão arterial com pressão arterial média) + desenho de um quadrado de 2,5 x 2,5 cm e deixando o esfigmomanômetro inflado por 5 minutos, nos adultos, e 3 minutos, nas crianças. Caso apareçam ≥ 20 petéquias, no adulto, ou ≥ 10 petéquias, na criança, a prova é dita como positiva. O incorreto desta alternativa é que não vamos fazer em todos os pacientes. Nos pacientes que já apresentam sangramento espontâneo, não vamos realizar a prova do laço; só vamos realizar nos pacientes que não tem sangramento espontâneo. B. CORRETA. Esses pacientes têm maior risco de evolução para forma grave da doença, por isso, já são classificados como grupo B. Logo, é obrigatória a realização de hemograma para avaliar hemoconcentração. C. CORRETA. A sorologia para dengue pode ser pesquisada a partir do sexto dia de doença; antes disso, pode ser pesquisado o antígeno NS1 ou isolamento viral. D. CORRETA. Dor abdominal intensa e contínua é sinal de alarme; todo paciente com sinal de alarme é classificado como grupo C; todo paciente do grupo C, precisa ser internado. RESPOSTA: Letra A. 28. COMENTÁRIO: Por volta do 3º ao 7º dia (período da defervescência) ocorre piora do quadro, caracterizando a antiga “febre hemorrágica” da dengue (apesar da denominação, o paciente não morre por hemorragia, mas sim por extravasamento plasmático que leva à hemoconcentração). Por essa razão, o termo caiu em desuso. Os sinais de alarme que a caracterizam podem ser classificados em 3 grandes grupos: disfunção de órgãos, fenômenos hemorrágicos e hemoconcentração. Disfunção orgânica: dor abdominal intensa e contínua à palpação, vômitos persistentes, hepatomegalia > 2 cm, letargia ou irritabilidade. Fenômenos hemorrágicos: sangramento de mucosas (gengivorragia, metrorragia etc.). Redução dos fatores de coagulação: hematoma, hemartrose. Hemoconcentração: aumento da permeabilidade relacionado à histamina, aumento progressivo do hematócrito, hipotensão postural e derrame cavitário. Cefaleia, exantema, febre alta e dor retro-orbitária fazem parte do quadro clínico da dengue clássica e não são considerados sinais de alarme. RESPOSTA: Letra D. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 29. COMENTÁRIO: As arboviroses, em geral, apresentam quadro clínico bastante semelhante (febre e sintomas inespecíficos, como mialgia, prostração, cefaleia), o que dificulta sua diferenciação, considerando apenas esse aspecto. Entretanto, algumas características são mais relevantes em algumas e menos em outras, vamos revisá-las: − Chikungunya: O acometimento articular é mais importante e acomete mais de 90% dos pacientes infectados. − Zika: O exantema maculopapular é bastante pruriginoso e também pode ser observado o desenvolvimento de conjuntivite não purulenta. Caracteristicamente, a febre é mais baixa que nas demais. É importante estar atento à associação com as complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré e microcefalia. − Dengue: O risco de sangramento é mais intenso que nas demais, devido ao aumento importante da permeabilidade vascular, podendo cursar com plaquetopenia. Um comentário bastante recorrente em provas é o manejo de hidratação no grupo C (10 mL/Kg/h) e no grupo D (20 mL/Kg/20min). − Febre Amarela: Paciente apresenta icterícia e mialgia intensa, sendo comum referir que o paciente é procedente de região com maior risco de acometimento da doença. Deve-se atentar para a notificação imediata desse agravo. Vale lembrar que, embora a dengue, a febre amarela e a zika sejam causadas por flavivírus (vírus da família Flaviridae), a chikungunya é ocasionada por um Alphavirus, da família Togaviridae. Além disso, quanto ao tratamento, deve-se frisar que o uso de AAS e de AINES é contraindicado na suspeita de arboviroses ou na fase aguda das doenças, pois pode elevar o risco de sangramento. Especificamente em relação à Chikungunya, como é uma afecção trifásica e as manifestações articulares costumam ser intensas nas fases subaguda e crônica, o uso de AINES e corticoidespassa a ser permitido, a partir de duas ou, preferencialmente, três semanas da doença, visando o controle da dor. No que diz respeito à transmissão, diferente das demais, a febre amarela não é transmitida pelo Aedes aegypti e a zika possui o destaque para a transmissão vertical. RESPOSTA: Letra B. 30. COMENTÁRIO: A questão traz uma paciente de 50 anos, sem comorbidades, com quadro de síndrome viral aguda e características que nos levam a pensar em caso suspeito de dengue, apresentando ainda exantema difuso e pruriginoso na defervescência, associado a dor abdominal importante, essa última caracterizando sinal de alarme da doença. É importante lembrar que a prova do laço positiva apresentada pela paciente não caracteriza sinal de alarme. A paciente em questão é classificada no grupo C, visto que apresenta sinal de alarme para a doença, sendo necessário internamento, solicitação de hemograma para avaliação de hematócrito e reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% 20mL/kg, em 2 horas. É importante lembrar que o hematócrito deve ser reavaliado com 2 horas após a reposição; já a reavaliação clínica deve ser realizada após 1 hora, ou seja, após a administração de 10mL/kg/hora. Avaliando as alternativas: A. CORRETA. A paciente em questão pesa 75kg, logo, a reposição com soro fisiológico 0,9% deve ser realizada com 750 mL, IV, em 1 hora, e 1500 mL IV em 2 horas. B. INCORRETA. O volume de 20mL/kg em 20 minutos é realizado apenas nos pacientes do grupo D (choque ou disfunção orgânica ou hemorragia grave). C. INCORRETA. O soro de reidratação oral é opção terapêutica para os pacientes do grupo B. D. INCORRETA. Não é prescrito esquema com soro glicosado 5%. RESPOSTA: Letra A. 31. COMENTÁRIO: A vacina contra a dengue não faz parte do calendário vacinal do Ministério da Saúde, sendo disponibilizada apenas na rede privada; é uma vacina tetravalente de vírus atenuado, que possui os quatro principais sorotipos (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4), sendo aplicada em três doses com intervalos de seis meses. A recomendação atual é para os pacientes entre 9 e 45 anos, previamente infectados por algum vírus da dengue (soropositivos com ou sem história da doença). Avaliando as alternativas: A. INCORRETA. A vacina é indicada para indivíduos de 9 a 45 anos de idade, previamente infectados por algum vírus da dengue. É contraindicada em gestantes, imunodeprimidos, lactantes, soronegativos para dengue ou história de anafilaxia com algum componente vacinal. B. CORRETA. É uma vacina tetravalente de vírus atenuado, indicada para indivíduos de 9 a 45 anos que sejam soropositivos para a dengue. C. INCORRETA. É necessária evidência sorológica de contato com o vírus; em indivíduos vacinados não infectados previamente, foi observado maior risco de hospitalização e dengue com sinais de alarme. D. INCORRETA. É uma vacina atenuada, composta pelos quatro sorotipos do vírus. E. INCORRETA. O intervalo vacinal é de 6 meses. RESPOSTA: Letra B. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 32. COMENTÁRIO: Criança de 5 anos, com quadro de dengue já diagnosticada que, apesar da defervescência (redução da febre), começa a apresentar prostração, dor abdominal intensa e contínua (sinal de alarme clássico da dengue). Estamos diante da fase crítica da dengue, que se inicia com a defervescência ocorrida entre o 3º e o 7º dias do início da doença. Nesse momento, aparecem os sinais de alarme, que podem evoluir para dengue grave. Nessa fase, predominam sinais e sintomas relacionados ao fenômeno de extravasamento plasmático, por aumento da permeabilidade vascular. Ela pode evoluir para choque, que ocorre quando um volume crítico de plasma é perdido através do extravasamento (o que geralmente ocorre entre 4-5 dias de doença, comumente precedido de sinais de alarme). RESPOSTA: Letra D. 33. COMENTÁRIO: A questão aborda as características das manifestações articulares na febre chikungunya. Avaliando as alternativas: A. INCORRETA. Geralmente, o primeiro sintoma é uma febre alta de início abrupto e, logo após, surgem as queixas articulares, não costumam preceder a febre. B. CORRETA. Quanto menor a intensidade dos sintomas na fase aguda, menor o risco de cronificação da doença. C. CORRETA. Traz exatamente as características do acometimento articular contidas no texto do protocolo do Ministério da Saúde. D. CORRETA. Os principais fatores de risco para cronificação são os expostos na alternativa; é válido pontuar que esse tema é recorrente em provas. E. CORRETA. Texto retirado do protocolo do Ministério da saúde e traz mais uma vez características do comprometimento articular da chikungunya. RESPOSTA: Letra A. 34. COMENTÁRIO: Questão sobre extravasamento plasmático na dengue com sinais de alarme. O extravasamento plasmático está relacionado ao aumento da permeabilidade vascular, gerado por aumento de interleucina-6 e histamina, por exemplo, que gera sinais de alarme, podendo evoluir para choque. O hematócrito, albumina (hipoalbuminemia), ultrassom de abdome, tórax e ecocardiograma (achados de derrames cavitários) são formas de avaliar a presença de extravasamento do plasma. RESPOSTA: Letra A. 35. COMENTÁRIO: A chikungunya, dentre todas as arboviroses, é a única na qual a maioria dos indivíduos são sintomáticos (chegando até 90% dos pacientes). O quadro clínico é caracterizado por intensa dor articular, que pode vir acompanhado de edema e febre alta. Pacientes com mais de 45 anos e doença articular prévia possuem maior risco de cronificação. Os exames laboratoriais são inespecíficos, sendo linfopenia (comumente <1000) o achado mais frequente. RESPOSTA: Letra C. 36. COMENTÁRIO: Questão sobre a vacina da febre amarela. Avaliando as alternativas: A. ALTERNATIVA A – INCORRETA. A vacinação universal contra febre amarela é de 9 meses até os 59 anos; a partir dos 60 anos é necessário avaliar o risco e o benefício da vacinação. B. ALTERNATIVA B – INCORRETA. O esquema em dose única é indicado a partir dos 5 anos de idade. C. ALTERNATIVA C – INCORRETA. A recomendação pelo calendário do PNI é de que seja feita a primeira dose da vacina aos 9 meses e o reforço aos 4 anos de idade. D. ALTERNATIVA D – CORRETA. Pacientes com miastenia gravis, timoma e passado de timectomia não podem ser vacinados contra a febre amarela. E. ALTERNATIVA E – INCORRETA. A amamentação deve ser suspensa por um período de 10 dias, e não 30. RESPOSTA: Letra D. 37. COMENTÁRIO: A questão nos pede a alternativa correta quanto ao zika vírus. Revisando alguns conceitos sobre essa infecção viral, é importante lembrar que o diagnóstico é dado a partir do RT-PCR para RNA do zika vírus ou por teste sorológico. Se estivermos diante de paciente gestante com evidência de infecção ou testes positivos, devemos realizar USG para avaliação de defeitos do sistema nervoso central. A taxa de transmissão vertical do zika vírus é de 65%. Com relação à amamentação, o vírus é encontrado no leite materno, porém, isso não contraindica a amamentação; o parto é realizado no baixo risco e a prevenção baseada em evitar a exposição com o auxílio do uso de repelentes (o DEET e a Icaridina são os principais, porém, há os ambientais na forma de espirais, líquidos e pastilhas para aparelhos elétricos, com o intuito de afastar os mosquitos). Avaliando as alternativas: A. CORRETA. O zika vírus é encontrado no leite materno, porém, isso não contraindica a amamentação. B. INCORRETA. Não há evidência do uso de repelente ambiental do tipo spray. C. INCORRETA. A ingestão de tiamina não é eficaz contra o zika vírus. D. INCORRETA. Para o correto diagnóstico ultrassonográfico de microcefalia fetal, é necessário saber corretamente a idade gestacional. RESPOSTA: Letra A. https://www.eumedicoresidente.com.br/ 38. COMENTÁRIO: Questão que busca a melhor conduta para paciente que recebeu diagnóstico recente (há três dias) de chikungunya. Vale lembrar que nenhuma arbovirose possuitratamento específico, sendo apenas realizadas medidas de suporte. É importante salientar que, na fase aguda dessas doenças, deve ser evitado o uso de AINES, AAS e corticoides, a fim de evitar o aumento no risco de sangramento. Especificamente em relação à chikungunya, como é uma afecção trifásica e as manifestações articulares costumam ser intensas nas fases subaguda e crônica, o uso de AINES e corticoides passa a ser permitido, a partir de duas ou, preferencialmente, três semanas de acometimento, visando o controle da dor. Caso a corticoterapia seja iniciada na fase crônica da doença, deve-se evitá-la em hipertensos e diabéticos descontrolados ou portadores de osteoporose, que apresentaram fraturas prévias. A fase aguda pode ser manejada utilizando-se analgésicos simples, como paracetamol e dipirona, que podem ser associados a algum opioide fraco, caso não haja resolução, como a codeína. Casos refratários podem ser escalonados para um opioide mais forte, seguindo as estratégias de tratamento da escala de dor. Vale lembrar que, em casos de dor neuropática, opta-se pelo uso de amitriptilina ou gabapentina, que são medicações que, preferencialmente, devem ser evitadas no idoso. Caso realmente haja necessidade do uso, a gabapentina está mais bem indicada para essa faixa etária, que a amitriptilina. RESPOSTA: Letra A. 39. COMENTÁRIO: A questão aborda as contraindicações para a vacina da febre amarela. A partir de 2020, a vacina para febre amarela passou a ser recomendada em todo território nacional, sendo indicado vacinar as crianças aos 9 meses, repetindo a vacina aos 4 anos e, caso o paciente já tenha se vacinado após os 5 anos de idade, não é necessário repetir a dose. Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, observa-se algumas contraindicações, sendo a principal a imunossupressão. Vamos avaliar as alternativas: A. INCORRETA. A vacinação em idoso é uma contraindicação relativa; em casos de surto e paciente idoso sem comorbidades, poderia ser indicada. B. INCORRETA. Pacientes com HIV só têm contraindicação à essa vacina quando a contagem de CD4 < 350 e especialmente quando < 200. Logo, esse paciente, por estar em tratamento e com CD4 de 350, não tem uma contraindicação absoluta. C. INCORRETA. Amamentação é uma contraindicação relativa quando o lactente for < 6 meses. Caso o risco de contrair a doença seja grande (como o surto em questão), a vacina pode ser aplicada. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a mulher tem que suspender a amamentação por 10 dias, após a vacinação, se lactente < 6 meses, porém, se o lactente for > 6 meses (como na alternativa), a vacina não está contraindicada. Para o MS, a gestante tem que suspender a amamentação 28 dias antes e 28 dias depois da vacina. D. INCORRETA. A vacinação em gestantes é de contraindicação relativa; em situações de risco, pode ser aplicada. E. CORRETA. Pacientes que fazem uso de imunobiológicos (como o Infliximab), pacientes que fazem transplante de órgãos sólidos e pacientes com imunodeficiências primárias são de contraindicações absolutas para a vacina da febre amarela. RESPOSTA: Letra E. 40. COMENTÁRIO: A questão traz uma gestante de 30 anos, no curso de 10 semanas de gravidez, com quadro de síndrome viral aguda (sete dias de doença), ou seja, quadro suspeito de arbovirose, e pergunta qual a conduta mais adequada. Avaliando as alternativas: A. CORRETA. Na fase aguda de uma arbovirose, podemos idealmente lançar mão de testes que identifiquem o vírus no período de viremia, a exemplo do PCR viral no soro. B. INCORRETA. Não é necessário aguardar alteração ultrassonográfica para fazer a investigação de arbovirose na gestante. C. INCORRETA. É solicitado quando a paciente possui o quadro clínico, não existindo limitação de idade gestacional. D. INCORRETA. A biópsia de vilosidade corial é um método extremamente invasivo, não indicado para diagnóstico da infecção viral. E. INCORRETA. Não há essa indicação; é investigado a partir do momento que há alteração ou quadro clínico. RESPOSTA: Letra A. https://www.eumedicoresidente.com.br/ https://www.eumedicoresidente.com.br/