Prévia do material em texto
Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Introdução O que é um linfoma? ● Neoplasia causada por linfócitos malignos que se acumulam nos linfonodos e produzem um quadro clínico semelhante à linfadenopatia. ● Pode invadir o sangue→ fase leucêmica ● Pode infiltrar órgãos fora do tecido linfóide O que diferencia o de Hodgkin do não Hodgkin? ● Presença histológica de células de Reed-Sternberg (RS) no linfoma de Hodgkin.. ○ Sugere-se que seja de linhagem linfoide B e derivada de uma célula B com um gene de imunoglobulina “aleijado”, ocasionado pela aquisição de mutações que impedem a síntese de uma imunoglobulina completa. De Hodgkin Genética ● As células do tumor costumam perder a expressão de HLA classe I, e mutações do gene de β2-microglobulina são frequentes. ● O genoma do vírus de Epstein-Barr (EBV) é detectado em mais de 50% dos casos no tecido Hodgkin, porém seu papel na patogênese é incerto Clínica Qual a população mais acometida? ● Adultos jovens→ 2 homens: 1 mulher ● Raro em crianças Quais são os sinais e sintomas comuns? ● Linfonodomegalia assimétrica→ linfonodos superficiais → firmes, indolores e separados ○ Cervicais, axilares e inguinais são os + acometidos ○ Podem diminuir e aumentar espontaneamente ○ Começa em um lugar e se espalha por contiguidade dentro do sistema linfático ○ Retroperitoneais tbm são acometidos, maaaas só consegue ver na TC ● Esplenomegalia discreta→ 50% ○ Pode ter tbm hepatomegalia ● Envolvimento mediastinal→ 10% ○ Esclerose nodular→ mulheres jovens ○ Derrame pleural e obstrução de VCS ● Cutâneo→ complicação tardia em 10% dos casos ● Sintomas sistêmicos → relacionam-se à doença disseminada ○ Febre→ contínua ou cíclica 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Prurido → quase sempre intenso, em cerca de 25% dos casos; ○ Ingestão de álcool induz dor nas regiões acometidas pela doença ○ Perda de peso ○ Sudorese profusa (principalmente à noite) ○ Fraqueza ○ Fadiga ○ Anorexia ○ Caquexia. Achados hematológicos e bioquímicos Hematológicos ● Anemia normocítica e normocrômica ○ Infiltração da medula óssea é incomum na doença incipiente, porém, se ocorrer, pode desenvolver-se insuficiência hematopoética com anemia leucoeritroblástica. ● ⅓ dos pctes tem neutrofilia ○ Eeosinofilia é/ frequente. ● Doença avançada → linfopenia e perda da imunidade celular. ● Contagem de plaquetas normal/aumentada inicialmente, diminuindo na fase tardia Bioquímicos ● Velocidade de sedimentação globular (VSG) e a pro- teína C reativa→ aumentadas; ○ VSG é útil na monitoração do progresso da doença ● DHL alta em 30-40% dos casos ● Pesquisar anti-HIV no diagnóstico! Diagnóstico ● Feito por histologia de linfonodo exciso Células características ● Célula de Reed-Sternberg ○ Multinucleada e polipóide ○ Fundamental para o diagnóstico dos quatro tipos clássicos ● Células Mononucleares de Hodgkin ● Ambas se coram com CD30 e CD15, mas são negativas para a expressão de antígenos B 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA À histologia → componentes inflamatórios → linfócitos, histiócitos, neutrófilos, eosinófilos, plasmócitos e fibrose variável. ● CD68 detecta macrócitos infiltrantes → quando fortemente positivo, é um aspecto desfavorável. ● Divide o linfoma em 4 tipos clássicos e um tipo de predominância linfocítica nodular (ñ mostra células RS) Estadiamento ● Define o tto ● Feito com base em exame clínico, laboratoriais e de imagem ○ TEP/TC, combinação de to- mografia por emissão de pósitrons (TEP) com tomografia computadorizada (TC). Se TEP não estiver disponível, usar TC apenas ○ Imagem por ressonância magnética (MRI) pode ser necessária para sítios particulares, ○ Biópsia de medula óssea é feita em alguns casos, e biópsia de fígado em casos difíceis. ○ TEP/TC é útil na monitoração da resposta ao tratamento e para a detecção de pequenos focos de doença residual ● Estágio I→ envolvimento de uma região de linfonodos ● Estágio II → 2/+ regiões de linfonodos confinadas em um lado do diafragma ● Estágio III → Doença esplênica é → quase sempre prelúdio de disseminação hematogênica da doença, os pacientes com envolvimento de linfonodos e baço são estadiados como IIIS (spleen) 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Estágio IV → envolvimento fora das regiões de linfonodos e doença difusa ou disseminada na medula óssea, no fígado e em outros locais extranodais. ● O número de todos os estágios é seguido das letras A ou B indicando ausência (A) ou presença (B) de um ou mais dos seguintes sinais→ febre inexplicável acima de 38°C, sudorese noturna, perda de mais de 10% de peso em seis meses. ● A extensão extranodal a partir de uma massa de linfonodos não avança o estágio, mas indica o subscrito E. ● Doença volumosa (alargamento do mediastino em mais de um terço ou presença de massa nodal > 10 cm de diâmetro) é relevante no tratamento em qualquer estágio PET - scan ● Tomografia por emissão de pósitrons 18F-fluorodesoxiglicose (FDG-TEP) ● Avaliação + tratamento de linfoma e de outras hemopatias malignas → células malignas, pela rápida divisão, tomam rapidamente glicose do seu ambiente. ○ Avalia tbm a resposta ao tto ● Escores → critério de 5 pontos de Deauville, o qual usa a tomada (uptake) do radiofármaco no mediastino e no fígado como um controle interno para julgar, por comparação, a atividade do tumor. ○ 1→ nenhum uptake ○ 2→ uptake ≤ mediastino ○ 3→ uptake > mediastino, mas ≤ fígado ○ 4 → uptake moderadamente aumentado > fígado ○ 5 → uptake marcadamente aumentado > fígado Tratamento ● Feito apenas com QT ou pela sua combinação com radio. ● A escolha depende do estágio, da divisão clínica em A e B e dos fatores prognósticos. ● O armazenamento de sêmen, se apropriado, deve ser feito antes do começo do tratamento. ● Para mulheres é recomendável que haja aconselhamento por especialista em fertilidade. ● Se houver necessidade de transfusão de componentes sanguíneos, é preciso irradiá-los para evitar doença enxerto versus hospedeiro devida à transfusão de linfócitos vivos, que podem se enxertar devido à diminuição da imunidade celular do paciente de LH. Doença em estágios iniciais ● Estágios iniciais (I-A e II-A) → prognóstico excelente → evitar tratamento excessivo com risco de complicações futuras. ● Duas opções são: ○ QT ou combinação com radio.→ combinação alcança melhor controle da doença a curto prazo, porém, a longo, não leva a aumento significativo da sobrevida. ● Decisões individuais de tratamento dependem de escolhas locais e da preferência do paciente. Como exemplos, casos de prognóstico favorável podem ser tratados com 2 cursos de quimioterapia ABVD (Adriamicina – doxorrubicina –, Bleomicina, 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Vimblastina, Dacarbazina) seguidos de 20 Gy de radioterapia. ○ Se as linfonodopatias não forem volumosas, a radioterapia pode ser omitida, porém, nesse caso, deverão ser feitos 3 cursos de ABVD. ● Doença mais desfavorável (I-B ou II-B) pode ser tratada com 4 a 6 cursos de ABVD seguidos de 30 Gy de radioterapia para massas volumosas. ○ De modo alternativo, os 2 primeiros cursos de ADVB podem ser substituídos por qt + intensiva Doença em estágio avançado ● Qt cíclica para estágios III e IV. ○ A mais usada consiste em 6 a 8 cursos de ADVB. ○ Seis cursos de BEACOPP podem ser feitos para atingir proporções mais altas de remissão completa, mas a expensas de maior toxicidade. ○ Se persistirem linfonodos residuais > 1,5 cm de diâmetro, ou menores, mas se mantiverem TEP positivos, faz-se radio subsequente ou são irradiados sítios originalmente de doença volumosa. Avaliação da resposta ao tratamento ● Exame clínico e de imagem ● Avaliação regular da função pulmonar é necessária em pacientes idosos e nos que receberam bleomicina. ● Pacientes frequentementemostram massas residuais após o tratamento, mas estas podem ser devidas a um elevado grau de fibrose dentro dos linfonodos. ● TEP/TC revela as áreas de doença ativa ( Casos recidivados ● Aproximadamente 25% dos pacientes sofrem recaída da doença ou são refratários ao tratamento inicial. ● Geralmente tratados com qt combinada alternativa à usada antes e, se necessário, com radio sobre os sítios de doença volumosa. ● Brentuximabe-vedotina, um anticorpo anti-CD30 ligado a um agente que desarranja os microtúbulos, pode ocasionar respostas favoráveis. ● Se a doença permanecer sensível à qt, uma em alta dose, seguida de transplante de células-tronco autólogas, melhora a perspectiva de cura em alguns casos. → recomendado para a maioria dos pacientes < 65 anos. ● O transplante alogênico também pode ser curativo na minoria de pacientes em que falham os demais métodos de tratamento. ● Uma nova terapia é o emprego de um anticorpo que bloqueia a molécula inibidora PD-1 nas células T. Efeitos tardios do linfoma de Hodgkin e do tratamento ● O acompanhamento a longo prazo de pacientes mostrou, nos anos que sucedem o tratamento, uma carga considerável de doença tardia. ● Tumores malignos secundários, como câncer de pulmão e de mama, parecem ser relacionados à radioterapia, ao passo que mielodisplasia e leucemia mieloide aguda estão mais associadas ao uso de agentes alquilantes. ● Outros linfomas e diversos tumores também ocorrem com maior frequência do que em controles. ● Complicações não malignas incluem esterilidade, problemas intestinais, doença arterial coronária e outras complicações cardíacas e pulmonares da radiação mediastinal e da quimioterapia com bleomicina. ● Vimblastina pode causar neuropatia permanente. ● Essas consequências são a principal razão para a atual pesquisa em busca de regimes de tratamento menos agressivos para a doença. Linfoma Não Hodgkin Grupo de tumores linfoides clonais, cerca de 85% originados de células B e 15% de células T ou NK (natural killer). Caracterizam-se por um padrão de disseminação irregular, com significativa proporção de pacientes desenvolvendo doença extranodal. Frequência tem aumentado de forma acentuada nos últimos 50 anos, com uma incidência de cerca de 17 por 100 mil casos por ano, e, atualmente, eles representam a quinta neoplasia mais comum em vários países desenvolvidos. Classificação AOMS reconhece a idade (pediátricos ou de idosos) e o local de en- volvimento (p. ex., pele, sistema nervoso central, intestino, baço, mediastino), bem como a histologia, o imunofenótipo e o genótipo como itens importantes para a classificação. 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Célula de origem ● Os linfomas B tendem a mimetizar as células B em diferentes estágios de desenvolvimento . ○ Podem ser divididos entre os que se assemelham a precursores de células B encontrados na medula óssea, e os que se assemelham a células dos centros germinativos (CG) e a células pós-CG nos linfonodos. ● As células dos linfomas T assemelham-se a precursores de células T da medula óssea ou do timo, ou a células T periféricas maduras. Linfomas não Hodgkin de baixo e alto graus ● Baixo grau → indolentes, respondem bem à quimioterapia, porém são muito difíceis de curar. ● Alto grau → agressivos e necessitam de tratamento imediato, mas muitas vezes são potencialmente curáveis. Patogênese ● Etiologia desconhecida na maioria dos casos ● Agentes infecciosos são importantes como causa de alguns subtipos ● Há considerável variação geográfica Anormalidades citogenéticas são frequentes→ podem envolver genes de imunoglobulina nas neoplasias de origem B. ● As translocações de oncogenes para esses loci nos cromossomos 2, 14 e 22 podem resultar em superexpressão do gene, ocasionando alteração no ciclo celular, falha na apoptose ou expressão aberrante. ● Vias específicas de sinalização podem ser afetadas, e o sequenciamento da geração subsequente tem mostrado mutações pontuais em genes envolvidos, por exemplo, em modelação da cromatina, na via NSkappa B ou na ativação e emenda de células B. 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Aspectos clínicos Linfonodopatia superficial ● Aumento assimétrico e indolor de linfonodos em uma ou mais regiões de linfonodos periféricos. → Maioria dos pcetes Sintomas sistêmicos ● Febre ● Sudorese noturna ● Perda de peso ● Menos frequentes do que no linfoma de Hodgkin. ● Presença associada com doença disseminada. Envolvimento orofaríngeo ● Em 5 a 10% dos pacientes há envolvimento das estruturas linfoides da orofaringe (anel de Waldeyer), o que pode causar queixas de dor de garganta ou de respiração ruidosa ou obstruída. Manifestações das citopenias ● Sinais e sintomas de anemia, infecções devidas a neutropenia ou púrpura com trombocitopenia podem estar presentes à apresentação em pacientes com acometimento difuso da medula óssea. ● As citopenias também podem ser autoimunes ou decorrentes de sequestração esplênica. Doença abdominal ● O fígado e o baço estão frequentemente aumentados, e o envolvimento de linfonodos retroperitoneais e mesentéricos é comum. ● O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais envolvido depois da medula óssea, e os pacientes podem apresentar-se com sintomas abdominais agudos. Outros órgãos ● Acometimento da pele, do cérebro, dos testículos e da tireoide não são incomuns. ● A pele está primariamente envolvida em dois linfomas de células T com relação estreita→ micose fungoide e síndrome de Sézary. Investigações Histologia ● Exame histopatológico de biópsia excisional ou trucut de linfonodo ou de outro tecido afetado→ definitiva. 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● A aspiração com agulha fina de linfonodo ou de tecido envolvido quase nunca é suficiente para estabelecer um diagnóstico definitivo de linfoma; o método não é seguro, e a biópsia é indispensável. ● O exame morfológico é complementado por análise imunofenotípica e, em alguns casos, por análise genética. ● No caso de linfomas de células B, a expressão de cadeias κ ou l confirma a clonalidade e distingue a doença de uma linfonodopatia reacional. Achados laboratoriais ● Doença avançada com envolvimento da medula óssea → anemia, neutropenia ou trombocitopenia. ● Células linfomatosas (p. ex., células da zona do manto, de “linfoma folicular clivado” ou “blastos”) podem ser encontradas no sangue periférico de alguns pacientes ● A biópsia da medula óssea é valiosa ● O DHL sérico se eleva em doença extensa e de proliferação rápida e é usada como marcador prognóstico ● Pode haver hiperuricemia. ● O proteinograma sérico pode mostrar pico de paraproteína. ● Deve ser feita pesquisa de anticorpos anti-HIV!!!!!!!!!!! Citogenética e análise genética Os vários subtipos de LNH são associados a translocações cromossômicas e a mutações genéticas características que têm valor diagnóstico e prognóstico. ● Translocações características são t(14;18) no linfoma folicular, t(11;14) no linfoma de células do manto, t(8;14) no infoma de Burkitt e t(2;5) no linfoma anaplástico de células grandes. A análise genética revela mutação de MYD88 em praticamente todos os casos de linfoma linfoplasmocítico. 8 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Nos linfomas de células B há rearranjo clonal dos genes de imunoglobulina, ao passo que nos linfomas de células T há rear- ranjo clonal dos genes do receptor de células T. Estadiamento ● O sistema de estadiamento é o mesmo descrito para o linfoma de Hodgkin, porém não se relaciona tão claramente com o prognóstico como o tipo histológico. ● Os procedimentos usados no estadiamento, em geral, incluem radiografia de tórax e PET-scan também é usada para acompanhar a resposta ao tratamento . ● Exames da medula óssea por aspiração e por biópsiatambém devem ser feitos. Tratamento Começado, em geral, com um programa de quimioterapia combinada com um anticorpo monoclonal dirigido contra a célula tumoral. ● Agentes orais que bloqueiam a atividade das proteínas BTK ou PI3KD, já utilizados na LLC-B ● Fármacos que inibem a atividade BCL-2. ● Fármacos que bloqueiam a atividade de quinases, como ALK, que está aumentada em pacientes com linfoma anaplástico de células grandes. Tratamento com anticorpos monoclonais ● Anti-CD20→ linfomas de células B ○ O rituximabe foi o primeiro desses agentes e pode ser usado por via intravenosa ou subcutânea. ○ Ofatumumabe e obinutuzumabe também são anticorpos com especificidade anti-CD20. ● Os anticorpos anti-CD30 são frequentemente usados no linfoma anaplástico de células grandes, como também no linfoma de Hodgkin Linfomas de baixo grau Linfoma linfocítico de células pequenas→ casos com morfologia e imunofenótipo idênticos aos da leucemia linfocítica crônica de células B (LLC-B), quando a contagem de linfócitos B no sangue periférico é < 5 × 10 3 /mL e não há citopenias por envolvimento da medula óssea. ● O tratamento é o mesmo da LLC-B. Linfoma linfoplasmocítico (macroglobulinemia de Waldenström) → incomum, visto com mais frequência em homens > 50 anos.→ Em geral, há uma paraproteína monoclonal IgM → A célula de origem é uma célula B do centro pós-germinal com as características de célula B de memória para IgM. ● Em mais de 90% dos casos há uma mutação do gene MYD88. ● Pode ser diagnosticada por acaso em pacientes assintomáticos. ● Início insidioso, com fatigabilidade e perda de peso. ● A complicação comum é a síndrome de hiperviscosidade → paraproteína IgM aumenta a viscosidade sanguínea mais do que concentrações equivalentes de IgG ou IgA. ● Distúrbios visuais são frequentes → retina pode mostrar alterações, como veias ingurgitadas, hemorrágias, exsudatos e borramento da papila . 9 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Se a macroglobulina for uma crioglobulina, podem surgir aspectos de crioprecipitação, como o fenômeno de Raynaud. ● Anemia é um problema significativo, e suscetibilidade a hemorragias pode resultar de interferência da macroglobulina na função plaquetária. ● Sintomas neurológicos, dispneia e insuficiência cardíaca podem ser os sintomas iniciais. ● Linfonodomegalia, esplenomegalia e hepatomegalia são frequentes. ● Diagnóstico pelo achado do pico sérico de IgM monoclonal com infiltração da medula ou dos linfonodos por células linfoplasmocíticas. ● A mutação do gene MYD88 está presente em quase todos os casos. ● VHG muito aumentada e pode haver linfocitose, às vezes com células linfoplasmocíticas identificáveis. ● Os pacientes assintomáticos não precisam de tratamento, porém este deve ser indicado quando houver organomegalias significativas, anemia significativa ou hiperviscosidade. ● Em geral, é feito um tratamento com qt associada a um anticorpo anti-CD20 ● O transplante de células-tronco autólogas ou alogênicas deve ser considerado para doença avançada. Eritropoetina ou transfusões regulares podem ser necessárias para anemia crônica. Linfoma da zona marginal → se originam de células B da zona marginal dos folículos germinais. → hiperplasia linfoide em resposta a antígeno ou inflamação → células adquirem dano genético secundário e evoluem para linfoma. ● A análise citogenética pode revelar translocações envolvendo os locus de imunoglo- bulina, e os testes moleculares mostram mutações pontuais, principalmente envolvendo a via NF-κB. ● São classificados de acordo com o sítio anatômico onde se originam, como o baço, as mucosas ou os linfonodos (nodais). Linfomas MALT, em geral, surgem no estômago, no trato respiratório, na pele e nas glândulas salivares → MALT + comum e precedido por infecção por H. pilory ● Linfomas esplênicos da zona marginal → esplenomegalia → podem causar a presença de linfócitos “vilosos” no sangue periférico. ● Doença localizada → estágio Ia → pode ser curada com radioterapia local. ● A esplenectomia pode ser útil para pacientes sintomáticos. 10 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Linfoma folicular → Corresponde a 25% dos LNH, com uma média de idade de 60 anos → grande maioria associada à translocação t(14;18) →.provoca a expressão constitutiva do gene BCL-2 com redução da apoptose e sobrevida aumentada das células. ● As células são, sobretudo, positivas para CD10, CD19, CD20, BCL2 e BCL6 (Tabela 20.3a). ● Os pacientes costumam ser de meia-idade ou idosos e o linfoma é geralmente caracterizado a partir do diagnóstico, com a média de sobrevivência subsequente de 10 anos. ● A aparência histológica é graduada de I a III de acordo com a proporção relativa de centrócitos e centroblastos. ● Pior prognóstico → grau IIIb. Esses pacientes são tratados com as diretrizes usadas para o linfoma difuso de células B grandes ● O envolvimento da medula óssea é comum. ● Queixa inicial → linfonodopatias indolores, em geral disseminadas, a maioria com a doença em estágio III ou IV. → Pode ocorrer, entretanto, uma transformação súbita, com incidência de cerca de 3% ao ano, em tumores difusos agressivos. ● Cerca de 10% dos pacientes iniciais têm doença localizada (estágio I) e podem ser curados apenas com radioterapia. ● Os pacientes que se apresentam com doença disseminada geralmente não são tratados se forem assintomáticos (watch and wait), e o tratamento é iniciado a surgirem complicações. ● Há um escore internacional de prognóstico baseado em idade, presença ou ausência de anemia, LDH e massa tumoral medido pelo tamanho e pela extensão dos linfonodos e pelo envolvimento da medula óssea. ● Ainda não há opção de cura com a terapia atualmente disponível. ● O tratamento, em geral, baseia-se em cursos mensais de rituximabe com ciclofosfamida, vincristina e prednisolona (R-CVP), com adição de uma antraciclina em casos mais agressivos, ou rituximabe com bendamustina ou clorambucil. ● Com esses regimes, há resposta clínica em quase 90% dos pacientes, que persistem em remissão por alguns anos. ● A recidiva da doença em pacientes em estágio II a IV é quase inevitável e é tratada com regimes de quimioterapia similares e com manutenção com rituximabe. ● Com o passar do tempo, a doença vai se tornando difícil de controlar, por exemplo, pelo desenvolvimento de mutações P53, e há necessidade de quimioterapia mais intensiva ou terapia com anticorpo anti-CD20 marcado com radioatividade. ● O transplante de células-tronco autólogas é uma opção útil em pacientes com história de ao menos uma recidiva, e o transplante alogênico com protocolos de intensidade reduzida oferece perspectiva de cura em raros pacientes. Linfoma de células do manto ● Derivado de células centrofoliculares pré-germinativas localizadas nos folículos primários ou na região do manto de folículos secundários. ● Células com núcleos angulares em secções histológicas e podem circular no sangue. ● Fenótipo característico CD19 + e CD5 + (como a LLC), →CD22 + e CD23 – . ● Uma translocação específica, t(11;14), justapõe o gene da ciclina D1 ao gene da cadeia pesada da imu noglobulina, o que causa expressão aumentada de ciclina D1. ○ Necessária para o diagnóstico!!!!!!! ● Linfonodopatias predominam no quadro clínico à apresentação e, na maioria das vezes, há infiltração da medula óssea. ● Os regimes de tratamento atuais incluem: Quimioterapia, ibrutinib e Transplante de células-tronco autólogas ou alogênicas. 11 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Linfomas de alto grau Linfoma difuso de células B grandes (DLBCL) ● Grupo heterogêneo de distúrbio ● Histologia mostra células tumorais grandes, com nucléolos proeminentes. ● Dividem-se em subtipos: linfomas B do “centro germinal” (GCB) elinfomas de “células B ativadas” (ABC), que se coram com anticorpos anti-BCL6 e anti-MUM1, respectivamente ● Linfonodopatias de rápida progressão → pode também envolver a MO, o TGI, o cérebro, a medula espinal, os rins e outros órgãos. ● Achados clínicos e laboratoriais são relevantes para o resultado do tratamento. → idade, status de desempenho, estágio, número de sítios extranodais e LDH sérica). ● Doença volumosa (massa principal > 5 cm de diâmetro), história prévia de doença de baixo grau ou infecção por HIV e subtipo ABGCB também se associam a um mau prognóstico. ● Variedade de padrões histológicos → centroblástico, imunoblástico, anaplásico. ● A base do tratamento é R-CHOP, rituximabe em combinação com o regime CHOP de quimioterapia, dado em ciclos a cada 3 semanas, geralmente 6 a 8 cursos. ● Injeções de fator estimulador de colônias granulocíticas (G-CSF) são usadas para suporte da contagem de neutrófilos. ● Nos casos de doença localizada, faz-se radioterapia e quimioterapia ● Tto profilático para o envolvimento do SNC, como metotrexato intratecal ou em alta dose sistêmica, deve ser considerado para pacientes de alto risco, como aqueles que têm envolvimento da medula óssea. ● A monitoração do tratamento é feita com repetidas TC ou TEP-TC no meio e ao fim da quimioterapia. ● Para os pacientes em que há recidiva, quimioterapia em alta dose com regimes como RICE pode ser eficaz.→ quando responderem, deve ser indicado TCT autólogo. ● O TCT alogênico com dose moderada também pode ser eficaz. ● Para os pacientes com doença primária refratária ou resistente à quimioterapia, o prognóstico é reservado. Linfoma de Burkitt ● Ocorre de forma endêmica ou esporádica. ● Em quase todos os casos, o oncogene MYC é superexpresso → translocado para um gene de imunoglobulina, geralmente no locus de cadeia pesada (8;14). ● Acomete quase sempre crianças ● Linfonodopatia volumosa, na maioria das vezes da mandíbula, que responde bem à quimioterapia inicial, embora a cura a longo prazo seja incomum. ● Aumento de incidência havendo infecção por HIV. ● O quadro histológico é característico, com índice de proliferação muito alto, acima de 95% 12 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Linfoma primário do sistema nervoso central ● São tumores raros, mais comuns em idosos e em pacientes com Aids. ● Os pacientes são tratados com metotrexato e cita- rabina, ambos em altas doses. ● Também é utilizada radioterapia craniana completa. ● Disfunção cognitiva a longo prazo é uma complicação. Linfomas linfoblásticos ● Linfoma linfoblástico, B ou T, ocorre sobretudo em crianças e em adultos jovens. ● Essa condição é confundida clínica e morfologicamente com a leucemia linfoblástica aguda (LLA). ● As células, como as da LLA, são transferase terminal positivas , ao contrário de todos os demais linfomas B ou T. Eles são tratados com os mesmos protocolos para LLA. Linfomas de células T O linfoma de células T periféricas que se apresenta como linfonodopatia, em vez de doença extranodal, constitui um grupo heterogêneo de tumores raros que têm fenótipo CD4 + . Linfomas de células T periféricas, não especificados ● Derivam de células T em vários graus de diferenciação. ● São tratados com quimioterapia combinada, como CHOP ● Mau prognóstico. ● O TCT autólogo é indicado em pacientes com doença sensível à quimioterapia. Linfonodopatia angioimunoblástica ● Em geral, ocorre em pacientes idosos, com linfonodopatias, hepatoesplenomegalia, exantema e aumento policlonal de IgG sérica. ● O tratamento é feito com quimioterapia ou inibidores da histona desacetilase. Micose fungoide ● Linfoma cutâneo crônico de células T, que se apresenta com prurido grave e lesões semelhantes à psoríase ● Na fase tardia, são afetados órgãos profundos, sobretudo linfonodos, baço, fígado e medula óssea. ● O tratamento é feito com fototerapia ou quimioterapia. Síndrome de Sézary ● Ocorre dermatite, eritroderma, linfonodopatias generalizadas e células linfomatosas T circulantes. ● As células são geralmente CD4 + e têm uma cromatina nuclear dobrada ou com aspecto cerebriforme. ● O tratamento inicial é feito com irradiação local, quimioterapia tópica ou fotoquimioterapia com psoraleno e luz ultravioleta (PUVA). ● A quimioterapia (p. ex., com CHOP) pode ser necessária na evolução, mas raramente tem efeito durável. 13 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Leucemia/linfoma de células T do adulto ● Condição relacionada à infecção com o vírus hu mano de leucemia/linfoma de células T tipo 1 (HTLV-1) Linfoma de células T associado à enteropatia ● Associado à doença celíaca e tem resposta muito pobre ao tratamento. ● Está sendo testado tratamento com metotrexato em altas doses, seguido de TCT autólogo. Linfoma anaplástico de células grandes ● Particularmente comum em crianças e, em geral, tem fenótipo T. ● CD30 + e associada à translocação t(2;5) (p23;q35).→ causa superexpressão da quinase do linfoma anaplástico (ALK). ● Tem curso agressivo caracterizado por sintomas sistêmicos e envolvimento extranodal. ● Há casos ALK negativos com prognóstico ainda pior. ● Crizotinibe, um inibidor específico da atividade ALK, é um tratamento de valor. Neoplasias histiocíticas e dendríticas ● Tumores raros, incluindo sarcomas dendríticos e sarcomas derivados de macrófagos, que podem ser localizados ou diseminados. ● Apresentam-se como tumores em sítios extranodais, principalmente no tubo digestório, na pele e nos tecidos moles. ● Manifesta-se com sintomas sistêmicos. ● O prognóstico é muito reservado, salvo em casos de tumores pequenos e localizados. 14