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Abordagem Comunitária Características: • Perspectiva para promoção de uma saúde universal, integral e equânime. • A Abordagem Comunitária surge como estratégia da práxis social em saúde, buscando compreender transformar essa rede complexa de interações, que se comunica dialogicamente no tempo e no espaço, numa perspectiva mais integrada. • A inclusão da Abordagem Comunitária, como conceito chave nos programas, enfatiza a importância das questões sociais e econômicas no processo saúde-doença. • A abordagem comunitária não acontece apenas no primeiro contato, é um processo constante, pois a comunidade é dinâmica, está sempre em movimento e suas relações sociais apresentam potências e contradições permanentes. • Promover a saúde vai além da prevenção e da recuperação do corpo biológico, pois é necessário uma organização complexa em rede direcionada às necessidades da população, levando em consideração as condições de vida e a integralidade do ser humano. • Foi preciso instituir um novo modelo assistencial com foco nas famílias, considerando o estilo de vida, o meio ambiente e a promoção da saúde. Assim, a comunidade passa a ser um objeto essencial de atenção, pois é onde vão se constituir as relações. Importância e Objetivos: • A Abordagem Comunitária é uma relação que vai melhor oportunizar a compreensão dos profissionais da saúde e da população sobre a determinação social do processo saúde-doença. Logo, estas práticas de saúde no território têm como objetivo empoderar pessoas, famílias e comunidade. • A assistência médica deve ser integral, levando em consideração os aspectos espiritual, social, subjetivo e físico. • Portanto, compreender os problemas e tentar resolvê-los precisam de abordagens multi, inter e transdisciplinares. • É de fundamental importância envolver as pessoas e as comunidades na tomada de decisões. Além disso, a definição das prioridades em saúde vai ajuda a ESF a enfrentar as iniquidades em saúde. • Comunidade: refere-se à qualidade do que é comum, permitindo a definição de diferentes grupos: de pessoas que fazem parte de uma população, de uma região ou nação. • A comunidade está relacionada a um conjunto de pessoas que habitam um determinado território, sendo importante ter o diagnóstico de saúde da comunidade, levando em consideração as condições de vida naquela região. • Os programas buscam trabalhar a saúde da comunidade modificando seus estilos de vida. Não surpreende a falta de adesão da população a muitos dos trabalhos que assumem esses pressupostos de comunidade e de participação comunitária. • O referencial de comunidade é essencial para o desenvolvimento de práticas comprometidas à perspectiva emancipatória da Promoção da Saúde. Como Trabalhar a Abordagem Comunitária: • Para trabalhar a Abordagem Comunitária nos apropriamos da tecnologia da aproximação pela qual se cria um espaço de diálogos para trocar informações e experiências com a população e, sobretudo, para estabelecer novas relações que permitam vivenciar a realidade cotidiana de pessoas, famílias e comunidades envolvidas. • Dessa forma, a abordagem da comunidade constitui-se como ação de saúde no campo de relações sociais em que se desenvolve a luta pela melhoria das condições de vida. • Conhecimentos sobre realidade abrangente, dinâmica da rede de relações, padrões sócio-culturais, necessidades, problemas, potencialidades, vivências e aspirações da população são imprescindíveis para que gestores e profissionais da área de saúde possam planejar, avaliar e monitorar seus serviços. Ferramentas de Abordagem Comunitária: • Acolhimento qualificado: escuta; humanização; vínculos de confiança; controle social; direito de cidadania. • Territorialização: reconhecimento do território; -espaço geográfico delimitado. • Intersetorialidade: visa articular a saúde com outros setores, alcançando resultados mais efetivos, eficientes e sustentáveis do que poderia a Saúde por si só. • Visita Domiciliar: objetiva conhecer essas dinâmicas familiares e sociais, estruturantes e/ou desagregadoras das relações da família e da sociedade. A Visita Domiciliar é, simultaneamente, tecnologia e ferramenta que permitem a escuta e promovem o acolhimento das necessidades de saúde que se quer conhecer, objetivando atender o indivíduo na sua integralidade • Grupos Comunitários: atribuem grande importância ao saber popular e também encontram bases que os fundamentam como processo ético e profissional de promoção de saúde. • Participação social: a participação dos sujeitos envolvidos nas práticas de saúde possibilita seu protagonismo no processo de produção de sua saúde e de formação dos trabalhadores do SUS. Há inúmeros problemas que dificultam a efetivação da Participação Social, entre eles, a própria visão dos serviços de saúde sobre o cidadão, tido apenas como objeto e não como sujeito ativo e participante de cada ação de saúde; a falta de informação sobre o direito à saúde Grupos: • Constituição dos grupos: abertos ou fechados; homogêneos; com crianças; pré-adolescentes (púberes); adolescentes; pessoas com somatizações; pessoas com nível psicótico; pessoas com depressão; heterogêneos. • Finalidades dos grupos: operativos; auto ajuda; auto cuidado; psicoeducativos; relações interpessoais; psicoterápicos. • Planejamento dos grupos: problema ou necessidade em saúde da população; critérios para a escolha do tema; para quem ele se destina; finalidade do grupo; qual o tipo e tamanho do grupo; coordenador/facilitador; como funcionará; recursos; regras; avaliação do processo. • Vantagens da realização de grupos: construção coletiva de conhecimento; conhecimento de novas realidades; possibilitar a quebra da relação vertical; facilitar a expressão das necessidades, expectativas, angústias. Considerações Finais: • A Abordagem Comunitária torna-se, além de ação, também ferramenta de aprendizado para a Promoção de Saúde. • Essa estratégia tem potência de produzir novos sujeitos capazes de ampliar suas redes de comunicação e de negociação, de valorizar as redes e de lidar com a indissociabilidade entre clínica e política (atenção e gestão), sujeitos e coletivos, produção de saúde e de subjetividades.