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Educação Especial e Inclusiva UN 1 Sumário Arquivo IntroduçãoURL Educação Especial: Aspectos Históricos, Políticos e LegaisURL Conceito e Histórico da Educação EspecialURL Políticas e Diretrizes, Tendências e Desafios da Educação Especial e da Educação InclusivaURL ConclusãoURL UN 2 IntroduçãoURL Áreas da Educação Especial: Conceituação, Características, Causas, Prevenção e Ação PedagógicaURL Aspectos Etiológicos, Funcionais e Sociais dos Transtornos Globais do Desenv. e das Deficiências Físicas, Intelectuais, SensoriaisURL Altas Habilidades e SuperdotaçãoURL Condutas TípicasURL ConclusãoURL UN 3 IntroduçãoURL Inclusão e Educação IURL A Prática para Educação Inclusiva na Escola e outros Espaços Educativos: Princípios, Currículo, Metodologia e AvaliaçãoURL A Participação da Família e EscolaURL SexualidadeURL ConclusãoURL UN 4 IntroduçãoURL IntroduçãoURL Educação Inclusiva IIURL Construção de uma Comunidade Inclusiva: Desafios e PerspectivasURL Educação para Cidadania, uma Questão de Direitos HumanosURL ConclusãoURL Considerações Finais UNIDADE 1 Educação Especial: Aspectos Históricos, Políticos e Legais Introdução Olá, caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) a primeira unidade do nosso estudo. Você tem ou conhece alguém que tenha algum tipo de deficiência? Tenho certeza que você, caro(a) aluno(a), já presenciou, inúmeras vezes, pessoas com deficiência transitando em nosso meio, mas você já parou para pensar como era no passado, lá na Idade Antiga, no início da nossa história como cidadãos? É, muitas vezes nos deparamos com situações que nos fazem refletir sobre determinados aspectos que nos rodeiam. Na história da Educação Especial, não é diferente, uma vez que, para que fosse possível a educação de pessoas com deficiência, muitos paradigmas tiveram que ser quebrados. https://moodle.ead.unifcv.edu.br/course/view.php?id=3983#section-3 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/resource/view.php?id=72738 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72739 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72740 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72741 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72742 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72743 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/course/view.php?id=3983#section-4 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72744 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72745 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72746 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72746 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72747 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72748 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72749 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/course/view.php?id=3983#section-5 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72750 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72751 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72752 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72752 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72753 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72754 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72755 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/course/view.php?id=3983#section-6 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72756 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=79363 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72757 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72758 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72759 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72760 https://moodle.ead.unifcv.edu.br/mod/url/view.php?id=72761 Portanto, podemos dizer que a história da Educação Especial foi influenciada por inúmeros fatores, fatores estes, abordados na Unidade I desta apostila. Assim, poderemos, juntos, conhecer um pouco sobre o início da Educação Especial, a qual se inicia na Idade Antiga e se estende até os dias atuais. Sendo assim, caro(a) aluno(a), convido você para fazer uma viagem de volta ao passado e conhecer o princípio desta história. Vamos lá? Bons estudos! Educação Especial: Aspectos Históricos, Políticos e Legais Introdução ao Estudo da Educação Especial A Educação Especial e Inclusiva nada mais é que uma modalidade do ensino que realiza um atendimento especializado a pessoas com deficiência (PcD), o qual tem o objetivo de assegurar a inclusão dos alunos com deficiência e seu direito à educação. Portanto, antes de adentramos às particularidades da introdução ao estudo da Educação Especial, será necessário conhecermos as primícias que regeram o atual contexto da Educação Especial. Sendo assim, caro(a) aluno(a), para iniciarmos nosso estudo, retornaremos aos países do ocidente no período da Idade Antiga, onde a política que predominava na sociedade amparava a exclusão das pessoas deficientes do meio social. Nesse período, alguns povos dos países europeus, como os que viviam na Esparta, na Antiga Grécia, também costumavam abandonar ou atirar as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência em penhascos ou em rios profundos. Entre os povos egípcios, as crianças eram mortas com marteladas na cabeça e enterradas em urnas sarcófagas para que sua alma se purificasse e a criança retornasse na próxima vida de forma normal, com beleza e inteligência (ANDRADE, 2008). Segundo Andrade (2008), na Idade Antiga, o preconceito predominava na sociedade e, por esse motivo, não era aceitável que pessoas com deficiência convivessem em meios sociais. Assim, qualquer pessoa que nascesse com deficiência era morta. No período da Idade Média a igreja possuía pleno poder sobre as decisões da sociedade, ou seja, a sociedade seguia os padrões que a igreja determinava como certo e errado. Seguindo esta concepção, Rechineli, Porto e Moreira (2008) relatam que, nesse período, a igreja era considerada a maior influenciadora do destino das pessoas com deficiência, pois atrelavam a imagem desses sujeitos a questões religiosas ligadas ao pecado e à culpa. Outra concepção dessa mesma época, que também ligava a imagem das pessoas com deficiência a preceitos religiosos, as definiam com atos demoníacos e de feitiçaria. Essa visão cristã que ligava a imagem das pessoas com deficiência a questões religiosas de pecado e culpa, levava a sociedade a perseguir e a matar qualquer pessoa que apresentasse deficiência física, mental ou sensorial. Portanto, para a sociedade desse período, ter uma criança com deficiência na família era considerado uma forma de punição pelos pecados cometidos. Desse modo, a sociedade acreditava que as pessoas com deficiência impossibilitavam o contato com a divindade e, por isso, muitas pessoas eram afastadas do convívio social ou sacrificadas por sua família (RECHINELI; PORTO; MOREIRA, 2008). Diante disso, esse período foi caracterizado como a “Idade das Trevas”, pois, entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna, a falta de conhecimento, o medo do desconhecido e os paradigmas religiosos e sobrenaturais que não permitiam explicar as deformidades físicas, mentais e sensoriais do homem, levaram à morte milhares de pessoas que eram consideradas ou que apresentavam algum grau de deficiência. Essa concepção religiosa permaneceu até o início da Idade Moderna, entretanto, até este período, as pessoas com deficiência ainda eram expostas ou submetidas a executar trabalhos considerados de humilhação pública. Contudo, em meados do século XVI, os médicos Paracelso e Cardano passaram a estudar e defender a ideia que a deficiência era decorrência de fatores hereditários ou congênitos, que poderiam ser tratados pela medicina. Com isso, a igreja foi perdendo forças sobre as decisões tomadas em relação ao futuro das pessoas com deficiência, pois, segundo os médicos Paracelsoe Cardano, não caberia ao clero o direito de decidir sobre a vida das pessoas que eram consideradas fora dos padrões normais (ANDRADE, 2008). Com as mudanças ocorridas nesse período nos países do ocidente, os preceitos religiosos e morais foram modificados e a igreja passou a oferecer assistência às pessoas com deficiência. Logo na sequência, no século XVII, o médico inglês Thomas Willis lança, em Londres, a primeira obra que descreve a anatomia do cérebro humano (ANDRADE, 2008). Essa obra confirma, por meio da ciência, que muitas deficiências ocorrem diante de alterações cerebrais, ou seja, tal fato confirma a ideia apresentada por Paracelso e Cardano, em que designa a medicina como responsável por explicar as deformidades das pessoas com deficiência (ANDRADE, 1984). Assim, pautados em argumentos científicos, a sociedade obteve uma nova visão em relação às pessoas com deficiência. Essa ideia que associava pessoas com deficiência a questões que a medicina poderia solucionar motivou a população e contribuiu para quebrar a visão religiosa que associava a deficiência ao pecado e à culpa. Assim, caro(a) aluno(a), a sociedade passava a acreditar que a deficiência está ligada a aspectos médicos e pedagógicos. Então, à medida que o conhecimento se construía e acumulava, a sociedade passava a aceitar a deficiência como uma doença que não pode ser curada. Dessa forma, iniciam-se, em meados do século XVI, as primeiras ações voltadas a atender pedagogicamente as pessoas com deficiência (RECHINELI; PORTO; MOREIRA, 2008). No entanto, durante o século XVII e meados do século XIX, as pessoas com deficiência ainda eram protegidas por instituições residenciais, o que caracterizou esse período como a fase da institucionalização. As primeiras classes direcionadas ao atendimento dos alunos com deficiência criadas em instituições públicas regulares surgiram entre o final do século XIX e início do século XX, com o objetivo de promover a integração do sujeito com deficiência ao meio social. Após a introdução das classes especiais, médicos e educadores, como Jean Marc Itard (1774-1838), Edward Seguin (1812-1880) e Maria Montessori (1870-1956), buscaram desenvolver métodos de treinamento por meio da prática de atividades físicas e sensoriais para estimular o cérebro dos deficientes mentais. Esses fatos da história da Educação Especial representaram no ocidente um marco histórico. No entanto, segundo Mendes (2011), no Brasil os marcos que caracterizaram o início da Educação Especial consistem na criação do “Instituto dos Meninos Cegos” (hoje, “Instituto Benjamin Constant”) em 1854, e do “Instituto dos Surdos-Mudos” (hoje, “Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES”) em 1857, ambos na cidade do Rio de Janeiro. Dessa forma, considera-se que a Educação Especial no Brasil foi marcada por ações isoladas voltadas a atender pessoas com deficiências sensoriais (visual e auditiva) e uma pequena parte de deficientes físicos. Portanto, caro(a) aluno(a), diferente dos países do ocidente e da Europa, que visavam atender as pessoas com deficiência mental ou intelectual, o Brasil, quase que de forma absoluta, silenciava as ações voltadas ao atendimento de pessoas com deficiência mental, pois a concepção de deficiente mental era associada a aspectos sociais da época. Podemos concluir que nessa época a concepção da sociedade associava o deficiente mental a aspectos correlacionados a um comportamento inaceitável no contexto social. Assim, qualquer criança que apresentasse um comportamento fora do esperado pela sociedade, era considerada deficiente mental (MENDES, 2011). Seguindo essa visão, podemos dizer que o Brasil não considerava a deficiência mental com um fator prejudicial que necessitasse de atendimento educacional especializado. Assim, até o ano de 1874, quando surgiu, na Bahia, o primeiro hospital direcionado a atender pessoas com deficiência mental e intelectual, a Educação Especial era direcionada a atender pessoas com deficiências sensoriais e alguns casos de deficiência física (MENDES, 2011). Dessa forma, a falta de conhecimento sobre tais deficiências dificultava a identificação e classificação do deficiente mental e intelectual, de forma que ambas eram relacionadas a fatores negativos, que impossibilitavam o sujeito de agir como um ser autônomo. Desse modo, os hospitais construídos para atender o deficiente mental e intelectual nada mais eram do que espaços psiquiátricos voltados ao estudo de doenças mentais. No entanto, os hospitais psiquiátricos da época também eram responsáveis por isolar do convívio social todos que apresentassem algum tipo de doença mental, em prol de prevenir a sociedade de pessoas consideradas perigosas, pois, segundo Mendes (2011), na concepção da sociedade brasileira dessa época, o deficiente mental e intelectual era visto como um fardo perigoso que não podia permanecer no meio social. Assim, caro(a) aluno(a), Mendes (2011) relata a vertente médico-pedagógica, os médicos iniciam um tratamento que visa a educabilidade dos deficientes em prol de prevenir problemas sociais em sua vida adulta. Contudo, mediante a esta vertente, surgem escolas dentro de hospitais e serviços de inspeção médica escolar para escolas públicas com o intuito de manter a comunidade livre do contato com deficientes mentais e intelectuais. Em relação a vertente psicopedagógica, trata-se de professores especializados que buscam defender a educação de deficientes mentais e intelectuais, os quais se mostravam preocupados em diagnosticar as causas do encaminhamento para as salas especiais. Neste caso, caro(a) aluno(a), o psicopedagogo trabalha com recursos alternativos na busca de identificar o grau de deficiência ou dificuldade intelectual da criança ou do jovem encaminhado para as classes especiais das escolas (MENDES, 2011). Já nos anos de 1920 a 1930, as escolas primárias começaram a se expandir, e o ensino passou a ser ofertado em turnos devido a necessidade de mão obra (MENDES, 2010). Assim, essas mudanças, que iniciaram a reforma da educação, tinham o propósito de gerar uma nova escola, em que predominasse um novo sistema educacional brasileiro com vertentes psicopedagógicas, dando as mesmas oportunidades educacionais a todos. Os defensores dessa pedagogia, denominada Pedagogia da Escola-Nova, tinham o objetivo de reestruturar a pedagogia para sanar preocupações políticas e sociais, valorizando a liberdade, a criatividade e a psicologia infantil. Assim, deram início ao Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, movimento que resultou na elaboração de uma diretriz que rege uma nova política nacional de educação e de ensino em todos os níveis, aspectos e modalidades, para diminuir a desigualdade social e oferecer educação a todos (MENDES, 2010). SAIBA MAIS Os Pioneiros, Entusiastas da Educação Nova Para saber mais sobre o Manifesto dos Pioneiros, assista o vídeo disponível no link a seguir. O documento foi redigido por 26 educadores intelectuais, em 1932, intitulado como: A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo. Esse documento oferece novas ideias educacionais, que visam reestruturar as políticas educacionais. ACESSAR Com o movimento dos pioneiros e da Escola Nova, a psicologia ganhou espaço no meio educacional e, assim, surgiram testes para diagnosticar os alunos com deficiência mental. No entanto, para alcançar esse feito, muitos professores-psicólogos europeus foram trazidos ao Brasil para capacitar educadores brasileiros para atuar na Educação Especial. Entretanto Jannuzzi (2012) relata que, mesmo diante desse movimento que reforma a https://www.youtube.com/watch?v=f6LTmh7Vn04 educação, a Educação Especial ainda permanecia com poucos recursos, visto que até 1935 haviam apenas 22 instituições direcionadas à oferta de Educação Especializada para atender os deficientes mentais, ou seja, o país aindapermaneceu focado em atender deficientes sensoriais. Ao passar dos anos, as instituições públicas que ofereciam atendimento especializado a pessoas com deficiência cresceram, chegando a alcançar até 1950, um número de 190 instituições em todo o país. Mesmo que esse número seja considerado baixo, o ensino da Educação Especial ainda estava evoluindo. Por outro lado, Farias e Lopes (2015) apontam que essa evolução no ensino especializado a pessoas com deficiência facilitou a identificação dos alunos com deficiência mental, transtornos globais ou com dificuldades de aprendizagem. No entanto o diagnóstico do aluno com deficiência mental ao invés de diminuir a desigualdade social, contribuiu para que a sociedade excluísse mais ainda o sujeito com deficiência. Nesse período, caro(a) aluno(a), entre a década de 50 e 60, a educação foi marcada pela expansão das instituições de Educação Especial, as quais eram a grande maioria de caráter filantrópicos, sem fins lucrativos e ligadas a entidades religiosas, com auxílio do Estado. É possível perceber que a concepção da igreja em relação a pessoas com deficiência não é mais a mesma, pois foi se modificando com o passar dos tempos. Porém, de acordo com Andrade (2008), até este período, a Educação Especial permanece em caráter mais assistencial do que educacional, isto é, as instituições de Educação Especial prezavam mais os cuidados em vez da aprendizagem, visto que a sociedade não se preocupava em inserir o sujeito com deficiência no meio social, e sim em lhe oferecer as condições necessárias para sua sobrevivência. É válido ressaltar que, até esse período, a oferta de Educação Especial era voltada a dar assistência a pessoas com deficiência sensorial e mental. Os primeiros cursos superiores de formação de docentes voltados à educação inclusiva de pessoas com deficiência surgiram somente no final da década de 70, devido à necessidade de complementar a formação dos docentes que trabalhavam com alunos com deficiência (FARIAS; LOPES, 2015). Essa ação levou a obrigatoriedade do atendimento especializado aos deficientes pela rede pública de ensino. Além da expansão das instituições privadas de caráter filantrópico, que ofertavam o atendimento especializado sem fins lucrativos. Consequentemente, esta ação trouxe nova polêmicas com relação aos direitos dos deficientes. Sendo assim, caro(a) aluno(a), iniciam-se novas discussões, que serão abordadas no tópico a seguir, sobre os aspectos conceituais relacionado ao direito do sujeito deficiente. REFLITA “Educar é viajar no mundo do outro, sem nunca penetrar nele. É usar o que passamos para transformar no que somos” (Augusto Cury). Conceito e Histórico da Educação Especial Assim como vimos anteriormente, caro(a) aluno(a), a Educação Especial visa inserir e educar pessoas com deficiência física, mental e sensorial para contexto social. No entanto, os primeiros conceitos apresentados na história da Educação Especial associavam a imagem do sujeito com qualquer tipo de deficiência a aspectos religiosos de culpa e pecado. Na sequência, a imagem do sujeito com deficiência mental e intelectual foi associada a aspectos comportamentais presentes na sociedade da época. E assim, por vários séculos, a sociedade excluiu a população com deficiência, que não se enquadrava dentro dos padrões denominados como normais, por preceitos religiosos e por falta de conhecimento suficiente para lidar com tais diversidades. Com o passar dos anos e a evolução da sociedade, pessoas com deficiência foram associadas a diversas terminologias, como a de pessoas incapacitadas, inválidas, minorados, impedidos, descapacitados, excepcionais, entre outras centenas de termos relacionados ao tipo de deficiência de cada sujeito. Isto é, segundo Andrade (2008), para cada deficiência utilizava-se uma terminologia, porém no contexto social, o vocabulário usado apresentava terminologias consideradas ofensivas aos deficientes, tais como “débil mental”, “idiota”, “retardado mental”, “excepcional”, “incapaz mentalmente”, “maluco”, “louco”, “demente”, “estúpido”, “imbecil” ou “alienado” eram associadas aos deficientes mentais. Já quanto aos deficientes físicos e sensoriais, Mendes (2011) apresenta termos com “aleijado”, “enjeitado”, “manco”, “cego”, “surdo-mudo” e “louco”. Neste sentido, Diniz, Pereira e Santos (2009) relatam que essas terminologias, designadas a pessoas com deficiência, não se referem a uma classificação de doenças e lesões, e sim a questões de desigualdade impostas pela sociedade, visto que, até a década de 60, pessoas com deficiência não tinham seus direitos como algo que prevalece no meio social, ou seja, ainda não havia regras que defendiam os mesmos direitos dos cidadãos considerados normais para pessoas com deficiência, pois na visão da sociedade as pessoas com deficiência ainda deveriam ser excluídas. Nesse período, os países mais desenvolvidos passaram a reconhecer os direitos do sujeito com deficiência, passando, assim, a enxergá-lo como parte diversificada da humanidade. Por outro lado, os países subdesenvolvidos e emergentes, como o Brasil, permaneceram com a mesma visão até a década de 80. No entanto este movimento de reconhecimento ocorreu mediante a uma forte pressão de um grupo de intelectuais com deficiência, juntamente com inúmeras outras pessoas com deficiência que lutavam em prol de serem reconhecidas e de terem seus direitos como sujeito perante a sociedade (MENDES, 2011). Assim, esse ato deu início a novas políticas e ações direcionadas a diminuir a desigualdade que desfavorecia a população com deficiência, classificando-as como pessoas “que têm impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS [ONU], 2006, artigo 1º). Dessa forma, na tentativa de superar as visões e políticas antigamente associadas à imagem do deficiente, esse movimento, liderado por pessoas intelectuais deficientes, constituiu e implantou normas que definiam os deficientes como pessoas que apresentavam limitações e contradições em sua forma e ação. E assim inicia a luta pelo reconhecimento dos direitos da população com deficiência. Contudo, até chegarmos a esse momento, caro(a) aluno(a), a população com deficiência enfrentou períodos de total exclusão, em que foram sacrificadas, perseguidas e abandonadas pela sociedade. Assim, esse período de exclusão foi marcado pela privação do direito do sujeito com deficiência de conviver no meio social. Após a luta pelo reconhecimento e pelos direitos do sujeito com deficiência, a educação de pessoas com deficiência passa a ser integrada ao sistema regular de ensino. No entanto nesse período a educação ofertada às pessoas com deficiência era realizada de forma diferenciada, em escolas especiais e em espaços separados das escolas que ofertavam o ensino regular à população. Fato que marcou o início da chamada segregação, pois, mesmo que indiretamente, a exclusão continuava ocorrendo, pois os alunos com deficiência eram mantidos em espaços preservados, sem contato com outras crianças consideradas, pela sociedade, normais. O processo de integração do sujeito com deficiência no contexto da escola regular ocorreu mediante a inserção de espaços, como salas especiais para oferecer atendimento especializado aos alunos com deficiência. CONCEITUANDO Considera-se que o conceito de integração se refere à necessidade de modificar o comportamento do outro, de forma que o sujeito com deficiência venha a se identificar com os demais, para que, assim, seja inserido no contexto social. Fonte: a autora. Dessa forma, é possível notar que os conceitos de exclusão, segregação e integração ainda mantêm o sujeito afastado do meio social, mesmo que indiretamente.Então, caro(a) aluno(a), podemos dizer que o objetivo de incluir o sujeito com deficiência no contexto da educação regular iniciou de forma demasiada, devido à falta de compreensão dos conceitos que definem o que é inclusão, pois incluir o sujeito em escolas regulares, fazendo com que ele aprenda juntamente a outros alunos considerados deficientes, em uma sala especial, afastada de ensino regular normal não pode ser considerado uma inclusão, mas sim uma forma de manter este sujeito excluído da sociedade. Nesse caso, a Lei De Diretrizes e Bases 4.024/61, de 1961, que visa a integração entre o ensino regular e a educação de pessoas com deficiência, não promove a inclusão, mantendo, assim, somente a integração do sujeito com deficiência no contexto da escola de ensino regular. Dessa forma, até a década de 80, os conceitos que norteiam Educação Especial se limitam à oferta do atendimento educacional e especializado de pessoas com deficiência, mantendo-as excluídas indiretamente. Diante dessa concepção, que não engloba a Educação Especial de forma inclusiva, na tentativa de reconfigurar o modelo de Educação Especial, adaptando-a para uma perspectiva inclusiva, o governo federal retificou o Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008, para garantir às pessoas com deficiência o direito de se matricular e frequentar escolas e classes de ensino regular. Essa nova normativa permite que o sujeito com deficiência seja inserido e passe a interagir com outras crianças que não apresentam nenhum tipo de deficiência. Dessa forma, a Educação Especial assume um caráter complementar, suplementar e transversal, que visa diminuir as barreiras para a inclusão de pessoas com deficiência no contexto social. Essa ação também interliga a proposta pedagógica da escola à proposta de inclusão de pessoas com deficiências, por meio de recursos que possibilitem sua inserção no âmbito de escolas comuns, pois visa a oferta de serviços especializados no atendimento educacional direcionado ao público com deficiência, presente em salas de aulas do ensino regular. Nesse sentido, é válido ressaltar, caro(a) aluno(a), que a Educação Especial nem sempre teve como foco a inclusão de pessoas com deficiência no contexto social, pois antigamente a sociedade não a reconhecia como parte da sociedade, privando-as da educação e do convívio social. Frente a isso, o Quadro 1 representa a diferença entre determinados aspectos relacionados à concepção de Educação Especial sobre aspectos de segregação e integração e o novo modelo de Educação Especial sobre um olhar inclusivo. Quadro 1 - Educação Especial e Educação Especial e Inclusiva Partindo dos conceitos que norteiam a Educação Especial no início de sua trajetória, é possível notar, caro(a) aluno(a), que houve mudanças drásticas sobre as concepções que fundamentavam a inclusão de pessoas com deficiências no contexto educacional. Assim, nosso próximo tópico terá como foco de abordagem as políticas e diretrizes, assim como as tendências e desafios que regem a Educação Especial e a Educação Inclusiva. REFLITA “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”. Fonte: ONU (2006). Políticas e Diretrizes, Tendências e Desafios da Educação Especial e da Educação Inclusiva Antes de iniciarmos esse tópico, caro(a) aluno(a), é bom relembrarmos que a história da Educação Especial é marcada por um processo de transformações históricas e políticas, resultado de um movimento que luta pela educação de pessoas com deficiência, assim como seus direitos como cidadão. Nesse período de luta, muitas conquistas foram alcançadas, porém por muito tempo a Educação Especial era vista em caráter de segregação e integração, em que o atendimento educacional especializado era ofertado em espaços separados das classes de ensino regular. No entanto esse atendimento especializado passou a ser ofertado somente após a criação da Lei 4.024 de Diretrizes e Bases, de 1961, que visa garantir a educação de pessoas com deficiência ou, como eram denominadas, a “educação de excepcionais”. Segundo Andrade (2008), a criação dessa lei foi apontada como o marco que deu início às ações públicas voltadas a atender a educação especial em nível federal. Por outro lado, essa lei deu início a uma série de debates sobre as concepções que regem a oferta da Educação Especial, que deve ser reestruturada para atender as necessidades da atual sociedade, pois como já foi dito, caro(a) aluno(a), desde o início da oferta da Educação Especial, a proposta de inclusão não vem ocorrendo de forma direta. Dessa forma, você poderá acompanhar, no Quadro 2, as mudanças e alterações ocorridas, desde o início da primeira lei que rege a Educação Especial, sobre a perspectiva de integração de 1961, até o novo modelo que visa a perspectiva de inclusão, em 2008. Política Nacional de Educação Especial Quadro 2 - Política Nacional de Educação Especial 1961 – Lei nº 4.024 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) fundamentava o atendimento educacional às pessoas com deficiência, chamadas no texto de “excepcionais” (atualmente, este termo está em desacordo com os direitos fundamentais das pessoas com deficiência). Segue trecho: “A Educação de excepcionais, deve, no que for possível, enquadrar-se no sistema geral de Educação, a fim de integrá-los na comunidade”. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4024.htm 1971 – Lei nº 5.692 A segunda lei de diretrizes e bases educacionais do Brasil foi feita na época da ditadura militar (1964-1985) e substituiu a anterior. O texto afirma que os alunos com “deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber tratamento especial”. Essas normas deveriam estar de acordo com as regras fixadas pelos Conselhos de Educação, ou seja, a lei não promovia a inclusão na rede regular, determinando a escola especial como destino certo para essas crianças. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm 1988 – Constituição Federal http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4024.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm O artigo 208, que trata da Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos, afirma que é dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. Nos artigos 205 e 206, afirma-se, respectivamente, “a Educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho” e “a igualdade de condições de acesso e permanência na escola”. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 1989 – Lei nº 7.853 O texto dispõe sobre a integração social das pessoas com deficiência. Na área da Educação, por exemplo, obriga a inserção de escolas especiais, privadas e públicas, no sistema educacional e a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação Especial em estabelecimento público de ensino. Também afirma que o poder público deve se responsabilizar pela “matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino”. Ou seja: excluía da lei uma grande parcela das crianças ao sugerir que elas não são capazes de se relacionar socialmente e, consequentemente, de aprender. O acesso ao material escolar, merenda escolar e bolsas de estudo também é garantido pelo texto. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7853.htm 1990 – Lei nº 8.069 Mais conhecida comoEstatuto da Criança e do Adolescente, a Lei nº 8.069 garante, entre outras coisas, o atendimento educacional especializado às crianças com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; trabalho protegido ao adolescente com deficiência e prioridade de atendimento nas ações e políticas públicas de prevenção e proteção para famílias com crianças e adolescentes nessa condição. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm 1994 – Política Nacional de Educação Especial Em termos de inclusão escolar, o texto é considerado um atraso, pois propõe a chamada “integração instrucional”, um processo que permite que ingressem em classes regulares de ensino apenas as crianças com deficiência que “[...] possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos ‘normais’” (atualmente, este termo está em desacordo com os direitos fundamentais das pessoas com deficiência). Ou seja, a política excluía grande parte dos alunos com deficiência do sistema regular de ensino, “empurrando-os” para a Educação Especial. 1996 – Lei nº 9.394 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em vigor tem um capítulo específico para a Educação Especial. Nele afirma-se que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de Educação http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7853.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm Especial”. Também afirma que “o atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a integração nas classes comuns de ensino regular”. Além disso, o texto trata da formação dos professores e de currículos, métodos, técnicas e recursos para atender às necessidades das crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm 1999 – Decreto nº 3.298 O decreto regulamenta a Lei nº 7.853/89, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida as normas de proteção, além de dar outras providências. O objetivo principal é assegurar a plena integração da pessoa com deficiência no “contexto socioeconômico e cultural” do País. Sobre o acesso à Educação, o texto afirma que a Educação Especial é uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino e a destaca como complemento do ensino regular. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3298.htm 2001 – Lei nº 10.172 O Plano Nacional de Educação (PNE) anterior, criticado por ser muito extenso, tinha quase 30 metas e objetivos para as crianças e jovens com deficiência. Entre elas, afirmava que a Educação Especial, “como modalidade de Educação escolar”, deveria ser promovida em todos os diferentes níveis de ensino e que “a garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência” era uma medida importante. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm 2001 – Resolução CNE/CEB nº 2 O texto do Conselho Nacional de Educação (CNE) institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Entre os principais pontos, afirma que “os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma Educação de qualidade para todos”. Porém, o documento coloca como possibilidade a substituição do ensino regular pelo atendimento especializado. Considera ainda que o atendimento escolar dos alunos com deficiência tem início na Educação Infantil, “assegurando- lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado”. Link: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf 2002 – Lei nº 10.436/02 Reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais (Libras). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3298.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm 2002 – Resolução CNE/CP nº 1/2002 A resolução dá “diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena”. Sobre a Educação Inclusiva, afirma que a formação deve incluir “conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais”. Link: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_02.pdf 2005 – Decreto nº 5.626/05 Regulamenta a Lei nº 10.436, de 2002. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm 2006 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos Documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério da Justiça, Unesco e Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Entre as metas está a inclusão de temas relacionados às pessoas com deficiência nos currículos das escolas. Link: http://portal.mj.gov.br/sedh/edh/pnedhpor.pdf 2007 – Decreto nº 6.094/07 O texto dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação do MEC. Ao destacar o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência, o documento reforça a inclusão deles no sistema público de ensino. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6094.htm 2007 – Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) No âmbito da Educação Inclusiva, o PDE trabalha com a questão da infraestrutura das escolas, abordando a acessibilidade das edificações escolares, da formação docente e das salas de recursos multifuncionais. Link: http://portal.mec.gov.br/arquivos/livro/livro.pdf 2008 – Decreto nº 6.571 Dispõe sobre o atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica e o define como “o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular”. O decreto obriga a União a prestar apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino no oferecimento da modalidade. Além disso, reforça que o AEE deve estar integrado ao projeto pedagógico da escola. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_02.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm http://portal.mj.gov.br/sedh/edh/pnedhpor.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6094.htm http://portal.mec.gov.br/arquivos/livro/livro.pdf Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6571.htm 2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento que traça o histórico do processo de inclusão escolar no Brasil para embasar “políticas públicas promotoras de uma Educação de qualidade para todos os alunos”. Link: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf 2009 – Resolução nº 4 CNE/CEB O foco dessa resolução é orientar o estabelecimento do atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica, que deve ser realizado no contraturno e preferencialmente nas chamadas salas de recursos multifuncionais das escolas regulares. A resolução do CNE serve de orientação para os sistemas de ensino cumprirem o Decreto nº 6.571. Link: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf2011 – Decreto nº 7.480 Até 2011, os rumos da Educação Especial e Inclusiva eram definidos na Secretaria de Educação Especial (Seesp), do Ministério da Educação (MEC). Hoje, a pasta está vinculada à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7480.htm 2011 – Decreto nº 7.611 Revoga o decreto nº 6.571 de 2008 e estabelece novas diretrizes para o dever do Estado com a Educação das pessoas público-alvo da Educação Especial. Entre elas, determina que o sistema educacional seja inclusivo em todos os níveis, que o aprendizado seja ao longo de toda a vida e impede a exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência. Também determina que o Ensino Fundamental seja gratuito e compulsório, asseguradas adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais, que sejam adotadas medidas de apoio individualizadas e efetivas, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena, e diz que a oferta de Educação Especial deve se dar preferencialmente na rede regular de ensino. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7611.htm 2012 – Lei nº 12.764 A lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12764.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm 2014 – Plano Nacional de Educação (PNE) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6571.htm http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7480.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7611.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htmhttp:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm A meta que trata do tema no atual PNE, como explicado anteriormente, é a de número 4. Sua redação é: “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”. O entrave para a inclusão é a palavra “preferencialmente”, que, segundo especialistas, abre espaço para que as crianças com deficiência permaneçam matriculadas apenas em escolas especiais. Link: http://www.observatoriodopne.org.br/ 2019 – Decreto nº 9.465 Cria a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação, extinguindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). A pasta é composta por três frentes: Diretoria de Acessibilidade, Mobilidade, Inclusão e Apoio a Pessoas com Deficiência; Diretoria de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos; e Diretoria de Políticas para Modalidades Especializadas de Educação e Tradições Culturais Brasileiras. Link: http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/57633286 Fonte: Copyright (2020). REFLITA Considerando o que estudamos nesta unidade, chamo sua atenção, caro(a) aluno(a), para refletir sobre quais as ações que você, como futuro(a) docente pode promover dentro do contexto da sala de aula para contribuir para inclusão do aluno com deficiência, seja ela física, mental ou sensorial, sem que promova a exclusão de forma indireta. Fonte: a autora. Partindo do que foi abordado nesse tópico, caro(a) aluno(a), considera-se que, mesmo diante dos avanços, a Educação Especial ainda necessita de reajustes para se adaptar à nova perspectiva inclusiva. No entanto, é possível dizer que a inclusão de pessoas com deficiência no âmbito educacional de escolas em nível regular depende muito da aceitação da sociedade, para que não volte a ser vista em caráter integrativo. Conclusão Unidade 1Unidade 1 http://www.observatoriodopne.org.br/ http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/57633286 Nesta unidade realizamos um resgate histórico da concepção da deficiência ao longo da história da humanidade, mostrando os momentos principais na vida da pessoa com deficiência, que sofreram com a segregação e a exclusão da sociedade, tendo sua imagem associada a questões religiosas de pecado e culpa. Na sequência, abordamos a introdução da Educação Especial, que ainda visava a exclusão de pessoas com deficiência, visto que as crianças que apresentavam algum tipo de deficiência eram inseridas em ambientes separado das demais crianças, tendo seu foco voltado ao cuidado e não a desenvolver a aprendizagem. Com o decorrer dos anos, a sociedade sofreu mudanças, passando a modificar seu olhar sobre os sujeitos com deficiência. Esse estudo mostra também o cenário da Educação Inclusiva e a força de seu movimento ao longo do tempo, assim como as leis que marcaram o movimento da inclusão, as quais vêm contribuindo de forma ativa para a promoção da inserção do sujeito com deficiência na sociedade. Quanto ao Atendimento Educacional Especializado, aprendemos que este deve ocorrer em todos os níveis de ensino, desde o básico até o superior, visando a oferta de uma educação de qualidade que possibilite todas as condições necessárias para a permanência e conclusão dos estudos. Assim, podemos concluir que a Educação Inclusiva refere-se a um processo em constante movimento, que exige dos envolvidos compromisso e responsabilidade social para a efetivação prática de sua ação, pois somente assim os direitos das pessoas com deficiência serão exercidos de forma plena para que possam se ver como parte da sociedade. Leitura Complementar Legislação e concepções de atendimento escolar Nossas leis educacionais sempre dedicaram capítulos à educação de alunos com deficiência, como um caso particular do ensino regular. A educação especial figura na política educacional brasileira desde o final da década de 50 e sua situação atual decorre de todo um percurso estabelecido por diversos planos nacionais de educação geral, que marcaram sensivelmente os rumos traçados para o atendimento escolar de alunos com deficiência. A evolução dos serviços de educação especial caminhou de uma fase inicial, eminentemente assistencial, visando apenas ao bem-estar da pessoa com deficiência para uma segunda, em que foram priorizados os aspectos médico e psicológico Em seguida, chegou às instituições de educação escolar e, depois, à integração da educação especial no sistema geral de ensino. Hoje, finalmente, choca-se com a proposta de inclusão total e incondicional desses alunos nas salas de aula do ensino regular. Essas transformações têm alterado o significado da educação especial e deturpado o sentido dessa modalidade de ensino. Há muitos educadores, pais e profissionais interessados que a confundem como uma forma de assistência prestada por abnegados a crianças, jovens e adultos com deficiências. Mesmo quando concebida adequadamente, a educação especial no Brasil é entendida também como um conjunto de métodos, técnicas e recursos especiais de ensino e de formas de atendimento escolar de apoio que se destinam a alunos que não conseguem atender às expectativas e exigências da educação regular. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei Nº 4.024/61, garantiu o direito dos "alunos excepcionais" à educação, estabelecendo em seu Artigo 88 que para integrá-los na comunidade esses alunos deveriamenquadrar-se, dentro do possível, no sistema geral de educação. Entende-se que nesse sistema geral estariam incluídos tanto os serviços educacionais comuns como os especiais, mas pode-se também compreender que, quando a educação de deficientes não se enquadrasse no sistema geral, deveria constituir um especial, tornando-se um sub-sistema à margem. Esta e outras imprecisões acentuaram o caráter dúbio da educação especial no sistema geral de educação. A questão que se punha na época era: Enfim, diante da lei, trata-se de um sistema comum ou especial de educação ? O mesmo está acontecendo atualmente com relação à inserção de alunos com deficiência no ensino regular, mas este caso abordaremos posteriormente, no contexto da discussão em torno da educação inclusiva. Em 1972, o então Conselho Federal de Educação em Parecer de 10/08/72 entendeu a "educação de excepcionais" como uma linha de escolarização, ou seja, como educação escolar. Logo em seguida, Portarias ministeriais, envolvendo assuntos de assistência e de previdência social, quando definiram a clientela da educação especial, posicionaram-se segundo uma concepção diferente do Parecer, evidenciando uma visão terapêutica de prestação de serviços às pessoas com deficiência e elegeram os aspectos corretivos e preventivos dessas ações, não havendo nenhuma intenção de se promover a educação escolar. Ainda hoje, fica patente a dificuldade de se distinguir o modelo médico/ pedagógico do modelo educacional/escolar da educação especial. Esse impasse faz retroceder os rumos da educação especial brasileira, impedindo-a de optar por posições inovadoras, como é o caso da inserção de alunos com deficiência em escolas inclusivas. O que parece estar claro é que os legisladores estabeleceram uma relação direta entre alunos com deficiência e educação especial. Essa correspondência binária nem sempre é a que mais nos interessa, principalmente quando temos como objetivo a inserção total e incondicional de todos os alunos, nas escolas regulares, ou melhor, em uma escola aberta às diferenças. Apesar das definições, estudos, e demais maneiras de se diferenciar a clientela da educação especial, ainda não existem instrumentos legais e respostas conclusivas sobre qual é o verdadeiro alunado da educação especial, ou seja, qual é a sua clientela específica. No discurso oficial, nos planos educacionais, nas diretrizes curriculares nacionais para o ensino de pessoas com deficiência a clientela é bem delimitada. Via de regra, os alunos que lotam as classes especiais ainda hoje não são, na grande parte dos casos, aqueles a quem essa modalidade se dirige e pela ausência de laudos periciais competentes e de queixas escolares bem fundamentadas, correm o risco de serem todos admitidos e considerados como alunos com deficiência. Trata-se de alunos que não estão conseguindo "acompanhar" seus colegas de classe ou que são indisciplinados, filhos de lares pobres, negros, e outros desafortunados da nossa sociedade entre alguns poucos realmente deficientes. Essas indefinições justificam todos os desmandos e transgressões do direito à educação e à não discriminação que algumas redes de ensino estão praticando por falta de um controle efetivo dos pais, das autoridades de ensino e da justiça em geral. Ressalta-se neste momento a existência de ações que buscam garantir a esses alunos o respeito às suas conquistas legais de estudar com seus pares em escolas regulares. Pata tanto, têm-se mobilizado os procuradores e promotores de justiça responsáveis pela infância e juventude, pessoas idosas e deficientes. As Recomendações dessas autoridades têm dirimido dúvidas e resolvido com sucesso os casos de inadequação e de exclusão escolar, em escolas do governo e particulares. Todas estas situações, que implicam problemas conceituais, desconhecimento dos preceitos da Constituição Federal e interpretações tendenciosas da legislação educacional, têm confundido o sentido da inclusão escolar e prejudicado os que lutam por implementá-la nas escolas brasileiras. Essa questões estão na base da compreensão das políticas de educação especial e regular e têm sido, ao nosso ver, responsáveis por caminhos incertos, trilhados pelos que pensam, decidem e executam os planos educacionais brasileiros. A mudança da nomenclatura – "alunos excepcionais", para "alunos com necessidades educacionais especiais", aparece em 1986 na Portaria CENESP/MEC nº 69. Essa troca de nomes, contudo, nada significou na interpretação dos quadros de deficiência e mesmo no enquadramento dos alunos nas escolas. O MEC adota até hoje o termo "portadores de necessidades educacionais especiais – PNEE ao se referir a alunos que necessitam de educação especial. Mesmo incluindo entre esses alunos os que apresentam dificuldades de aprendizagem, os que têm problemas de conduta e de altas habilidade, a clientela da educação especial não fica ainda bem caracterizada, pois mantém-se a relação direta e linear entre o fato de uma pessoa ser deficiente e frequentar, o ensino especial, na compreensão da maioria das pessoas. A Constituição Brasileira de 1988, no Capítulo III, Da Educação, da Cultura e do Desporto, Artigo 205 prescreve : "A educação é direito de todos e dever do Estado e da família". Em seu Artigo 208, prevê : ..." o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: ... "atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino". Este e outros dispositivos legais referentes à assistência social, saúde da criança, do jovem e do idoso levantam questões muito importantes para a discussão da educação especial brasileira, não apenas com relação à adaptação de edifícios de uso público, quebra de barreiras arquitetônicas de todo tipo, transporte coletivo, salário mínimo obrigatório como benefício mensal às pessoas com deficiência que não possuem meios de prover sua subsistência e outros. Entre essas questões desponta atualmente a inclusão escolar e novamente se questiona aqui a destinação da educação especial. O esclarecimento da referida questão envolve a consideração de três direções possíveis aos encaminhamentos dos alunos às escolas: a) a que implica um sentido de oposição entre educação especial e regular, em que os alunos com deficiência só teriam uma opção para seus estudos, ou seja, o ensino especial; b) a que implica uma inserção parcial, ou seja, a integração de alunos nas salas de aula do ensino regular, quando estão preparados e aptos para estudar com seus colegas do ensino geral e sempre com um acompanhamento direto ou indireto do ensino especial e c) a que indica a inclusão dos alunos com deficiência nas salas de aula do ensino regular, sem distinções e/ou condições, implicando uma transformação das escolas para atender às necessidades educacionais de todos os alunos e não apenas de alguns deles, os alunos com deficiência, altas habilidades e outros mais, como refere a educação especial. O debate atual está centrado nas direções b) e c) acima citadas isto é, entre integração escolar e inclusão escolar. O assunto cria inúmeras e infindáveis polêmicas, provoca as corporações de professores e de profissionais da área de saúde que atuam no atendimento às pessoas com deficiência - os paramédicos e outros que tratam clinicamente de crianças e jovens com problemas escolares e de adaptação social e também "mexem" com as associações de pais que adotam paradigmas tradicionais de assistência às suas clientelas. Afetam também, e muito os professores da educação especial que se sentem temerosos de perder o espaço que conquistaram nas escolas e redes de ensino. Os professores do ensino regular consideram-se sem competência para atender às diferenças nas salas de aula, especialmente aos alunos com deficiência nas suas salas de aulas, pois seus colegasespecializados sempre se distinguiram por realizar unicamente esse atendimento e exageraram essa capacidade de fazê-lo aos olhos de todos. Há também um movimento contrário de pais de alunos sem deficiências, que não admitem a inclusão, por acharem que as escolas vão baixar e/ou piorar ainda mais a qualidade de ensino se tiverem de receber esses novos alunos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB mais recente, Lei nº 9.394 de 20/12/96 destina o Capítulo V inteiramente à educação especial, definindo-a no Art. 58º como uma ... "modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos que apresentam necessidades especiais" Este destaque seria de fato um avanço? Sem dúvida, avançamos muito em relação ao texto da Lei Nº 4.024/61, pois parece que não há mais dúvidas de que a "educação dos excepcionais" pode enquadrar-se no sistema geral de educação, mas continuamos ainda atrelados à subjetividade de interpretações, quando topamos com o termo "preferencialmente" da definição citada. No Artigo 59 a nova LDB dispõe sobre as garantias didáticas diferenciadas, como currículos, métodos, técnicas e recursos educativos; terminalidade específica para os alunos que não possam atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude da deficiência; especialização de professores em nível médio e superior e educação para o trabalho, além de acesso igualitário aos benefícios sociais. A LDB definiu finalmente o espaço da educação especial na educação escolar, mas não mencionou os aspectos avaliativos em nenhum ítem e esta ausência gera preocupação, pois não se sabe o que fazer a respeito – pode-se tanto proteger esses alunos com parâmetros específicos para esse fim, como equipará-los ao que a lei propõe para todos. Sobre a "terminalidade específica" dos níveis de ensino, o texto da lei fica também muito em aberto, principalmente no que diz respeito aos critérios pelos quais se identifica quem cumpriu ou não as exigências para a conclusão desses níveis e o perigo é que a idade venha a ser o indicador adotado. A qualificação do professor para assegurar a operacionalização do ensino de alunos com deficiência suscita muitas questões, devidas igualmente à imprecisão do texto legal. Acreditamos que mais urgente que a especialização é a formação inicial e continuada de professores para tender às necessidades educacionais de todos os alunos, no ensino regular, como proposto pela inclusão escolar. Pesquisas recentes de Mestrado e de Doutorado realizadas por membros do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade – LEPED / Universidade Estadual de Campinas- São Paulo/ Brasil, do qual sou a coordenadora, mostram claramente que os professores carecem de uma boa formação para ensinar a todos e não especificamente os deficientes. Como concluiu Brito de Castro (1997) em seu Mestrado sobre a implantação da inclusão escolar na rede municipal de ensino de Natal/ Rio Grande do Norte/Brasil, o professores têm evidenciado dificuldades para trabalhar com os alunos em geral, não apenas com aqueles com deficiência, dadas as precárias condições de trabalho e de formação docente. A pesquisadora constatou que as professoras necessitam de mais conhecimentos do que já possuem para desenvolver uma prática de ensino que considere as diferenças em sala de aula, e não uma capacitação especializada nas deficiências, como propõem a lei e as políticas educacionais brasileiras. O mesmo foi reconhecido por nós em uma pesquisa realizada na região sudeste do Brasil em 1999, juntamente com outras pesquisadoras brasileiras, quando analisamos as respostas de 493 professores das redes públicas de ensino das quatro capitais dessa região sobre suas necessidades para atender aos alunos com deficiência em salas de aula do ensino regular. Recentemente, em abril de 2001, foi colocado em discussão na Câmara do Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação um documento que trata das Diretrizes Curriculares da Educação Especial. O que mais nos surpreende, neste documento é que, a despeito da ampla discussão entre os educadores, legisladores, pais e pessoas com deficiência, o conceito de inclusão escolar não avançou, do ponto de vista das suas aplicações na mesma medida em que vem sendo esclarecido, do ponto de vista teórico. No referido Documento como em muitos outros, fica evidente esse descompasso, quando se afirma, por exemplo, que: "Operacionalizar a "inclusão escolar" de todos os alunos, independentemente de classe, raça gênero, sexo ou características individuais é o grande desafio a ser enfrentado , numa clara demonstração do respeito à diferença" (p.21). Ele defende a inclusão, mas sugere em todo o texto ações que não respeitam os princípios de uma escola para todos, sem discriminações e preconceitos, sem ensino à parte. De fato, o Documento orienta confusamente essa operacionalização, quando se refere à educação escolar dos alunos com deficiência e à formação inicial dos professores , como comentaremos a seguir. Fonte: Mantoan (2011). UN 2 Áreas da Educação Especial: Conceituação, Características, Causas, Prevenção e Ação Pedagógica Introdução Olá, caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à segunda unidade da disciplina. Nesta unidade, abordaremos questões relacionadas a características, causas e prevenções da deficiência física, intelectual e sensorial. No entanto nosso enfoque será direcionado às ações pedagógicas que podem ser realizadas para desenvolver a aprendizagem de uma criança com deficiência, seja ela física, intelectual ou sensorial. Neste sentido, podem ser consideradas deficientes pessoas que apresentem a “perda ou anomalia de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano” (Decreto 3.298/99). Dessa forma, iniciaremos nossa discussão conhecendo os aspectos biológicos e sociais que influenciam na deficiência física, intelectual e sensorial. Iremos conhecer também a etiologia destas deficiências, assim como as características e os conceitos que rodeiam a área das altas habilidades/superdotação e os distúrbios comportamentais denominados como condutas típicas. Sendo assim, caro(a) aluno(a), desejo uma excelente leitura. Vamos começar? Bons estudos! Deficiência: Enfoque Biológico e Social Você certamente já se deparou com uma pessoa com deficiência ao longo de sua vida, seja pessoalmente ou por meio da mídia. https://moodle.ead.unifcv.edu.br/course/view.php?id=3983#section-4 Mas, afinal, o que é deficiência? A deficiência pode ser compreendida como a insuficiência ou a ausência de um ou mais órgãos. Desse modo, “toda perda ou anomalia de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano” é considerada como deficiência (Decreto 3.298/99). No entanto, caro(a) aluno(a), o princípio básico para quem decide atuar na Educação Especial, é acreditar que todos são capazes de aprender, mesmo sabendo que o educando chega à escola imerso a preconceitos e rótulos que o define como incapaz. Nessa concepção, Wallon (1879- 1962), um dos maiores estudiosos do desenvolvimento humano, relata que a cultura é construída mediante a relação do homem com ambiente social, ou seja, uma criança aprende através de sua relação com o meio (FERREIRA; ACIOLY-RÉGNIER, 2010). Assim, é indispensável a sensibilidade do professor, para enxergar o educando na sua totalidade para que possa alcançar o real potencial desse sujeito com deficiência, intervindo positivamente nas construções de conceitos sociais por meio de atividades cognitivas. Neste sentido, Cury (2008, p. 48) relata que: A afetividadedeve estar presente na práxis do educador [...] os educadores, apesar das suas dificuldades, são insubstituíveis, porque a gentileza, a solidariedade, a tolerância, a inclusão, os sentimentos altruístas, enfim, todas as áreas da sensibilidade não podem ser ensinadas por máquinas, e sim por seres humanos. (CURY, 2008, p. 48). ATENÇÃO É válido ressaltar também a importância de envolver seus responsáveis no processo de desenvolvimento do sujeito com deficiência, visto que a afetividade é fator substancial para a mediação da relação do sujeito com o meio, pois esta mediação é a base para a construção do sistema emocional do sujeito. Quanto às experiências emocionais, elas podem ser expressas pelo corpo ou verbalmente, de forma positiva ou negativa. Assim, é fundamental que o professor construa um vínculo saudável e promova atividades que estimulem o educando a interagir com o meio de forma significativa, de modo que o educando associe suas relações com o meio como algo prazeroso Fonte: Ferreira e Acioly-Régnier (2010). Dessa forma, a atividade do homem é inconcebível sem o meio social, visto que não é possível desassociar o biológico do social. Portanto, o homem é concebido como sendo genética e organicamente social, pois sua existência se realiza entre as exigências da sociedade e as do organismo. Em razão disso, caro(a) aluno(a), é possível compreender a imagem associada às pessoas com deficiência ao longo da história, visto que sua imagem reflete aspectos sociais de diversas épocas (SILVA, 2011). Nesse sentido, a escolha do olhar que se adotará frente à deficiência depende de cada um, pois é possível olhar a deficiência destacando o aspecto biológico ou social. Contudo se atentar aos aspectos biológicos significa se atentar a padrões que nos qualificam como normalidade, ou aliando a deficiência ao conceito de “defeito” e “incapacidade”. Com relação ao olhar social, significa se atentar em sua relação com o meio social, em que as pessoas com deficiência se encontram em desvantagem, mas não são consideradas incapazes (SILVA, 2011). Sobre a deficiência a partir do enfoque biológico, o Art. 5º do Decreto 5.296/2004 classifica em 5 categorias a deficiência, sendo elas: Quadro 1 - Classificação das deficiências REFLITA Vamos acompanhar um caso fictício, pautado na realidade do nosso cotidiano? Autodidata e com ouvido absoluto, Daniel, de 7 anos, precisava escutar uma música de Sandy e Junior apenas duas ou três vezes para reproduzi-la no piano. Foi assim com as 178 canções lançadas pela dupla. O resultado foi exibido no Instagram. Cego e autista, é em desafios como esse que o garoto se distrai e treina seu dom musical. A ideia partiu de Hedrienny dos Santos, mãe do jovem talento. Ao ler esta história, o que lhe pareceu estranho ou adverso? Talvez que ele toque música clássica no teclado. Perceba, a cegueira é constitutiva da identidade de Pedro, mas ela é só uma característica dentre várias outras. Ao se reduzir Pedro a ela não se estará falando de Pedro, pois ele é muito mais que sua deficiência. Fonte: Extra (2019). Considerando o que vimos até agora, podemos considerar o aspecto biológico como um fator importante em nossa vida, no entanto, caro(a) aluno(a), não podemos considerá-lo como determinante, colocando-o na frente da deficiência. Quero dizer que pessoas devem ser vistas como pessoas e não como uma parte, um elemento, classificadas pela sua imagem física. Assim, o sujeito presente na sala de aula deve ser reconhecido pelas suas ações, seus trabalhos diários e sua relação com o meio, sendo desafiado e motivado a descobrir, conhecer e explorar coisas novas, para que, assim, aflore seu potencial de forma positiva (SILVA, 2011). É válido ressaltar que para que esse sujeito alcance seu total potencial depende da mediação do professor para o desenvolvimento de todas as capacidades que ainda se encontram em evolução. Quanto ao aspecto social, caro(a) aluno(a), Vygotsky (1896-1934), estudioso de renome na área da teoria histórico-social, destaca que a construção do sujeito ocorre mediada por um contexto sociocultural. Nessa percepção, o autor reforça a importância da inter-relação entre o social e o cultural do homem, pois, segundo Vygotsky (1997), a deficiência consiste em uma construção histórica e social, que pode ser abordada de forma primária e secundária, sendo que: 1. O aspecto biológico, a representação do “defeito” orgânico, a “falta”. 2. As consequências psicossociais do “defeito” derivadas das relações estabelecidas com/no meio. EXEMPLO: um aluno com paralisia cerebral. A deficiência primária seria a lesão no sistema nervoso central e a deficiência secundária seria a consequência dessa lesão para o sujeito inserido em uma sociedade com pessoas ditas “normais”. Dessa forma, criam-se barreiras físicas, atitudinais e outras, pela falta de acessibilidade. Isso gera preconceitos, dificuldades na educação, desemprego, falta de acesso aos espaços de lazer/esportivos para esse sujeito, entre outras coisas. No entanto, Diniz (2007) defende a deficiência como um conceito complexo, influenciado por aspectos sociais. Assim, a autora aborda a importância do meio social, visto que o modelo social que a sociedade “impõe” define a deficiência como algo físico. Nesse sentido, Vygotsky (1997) afirma que, dependendo das condições sociais, uma pessoa com deficiência primária é convertida em deficiência secundária. Dessa forma, é possível afirmar que a sociedade é construída sobre padrões denominados como normais, e a sociedade define a deficiência como um defeito. Portanto, caro(a) aluno(a), considerando tudo o que vimos nesse tópico, vocês podem compreender porque o social não pode ser separado do biológico. Aspectos Etiológicos, Funcionais e Sociais dos Transtornos Globais do Desenv. e das Deficiências Físicas, Intelectuais, Sensoriais Etiologia da Deficiência Física, Intelectual e Sensorial Como abordamos no tópico anterior os aspectos sociais e biológicos, agora iremos estudar os aspectos etiológicos da deficiência física, intelectual e sensorial. Porém, antes de iniciar nossa discussão sobre estes aspectos, é necessário compreender o que são aspectos etiológicos. Dessa forma eu lhe pergunto, caro(a) aluno(a), você sabe o que é etiologia? Etiologia é a “ciência das causas”, ou seja, a etiologia é o estudo dos fatores que influenciam a causa de deficiências e fenômenos. No entanto esta ciência refere-se à união da biologia, da criminologia, da psicologia, da medicina e de várias outras ciências na busca de identificar as causas que deram origem a inúmeras deficiências. Dessa forma, seu conceito abrange diversas áreas do conhecimento, que têm como objetivo identificar os fatores que causam um determinado fenômeno ou deficiência (SILVA, 2010). Ao que tange os fatores das deficiências intelectuais, a etiologia explica que a identificação dos fatores influentes no desenvolvimento da deficiência permite sua prevenção e o controle. No entanto é difícil contatar os fatores causadores da deficiência, o que os definem como fatores suspeitos ou hipóteses etiológicas, sem comprovação. Em alguns casos de deficiência intelectual, a deficiência ocorre devido a associação de um ou mais fatores. Quero dizer, caro(a) aluno(a), que algumas deficiências intelectuais, como é o caso da Síndrome de Down e Transtorno Global do Desenvolvimento, não há somente um fator causador, mais sim dois ou mais. Assim, a deficiência intelectual pode apresentar origem genética, ambiental, multifatorial ou causa desconhecida. Esses fatores também podem ser subdivididos em fatores pré-natais e perinatais (SANTOS; MORATO, 2012). Quadro 2 - Fatores etiológicos das deficiências intelectual Fonte: adaptado de Minayano (1988). É válido ressaltar que a deficiência intelectual não é uma doença, então quandofalamos desses aspectos etiológicos da deficiência intelectual, nos referirmos a causas da redução da capacidade intelectual do sujeito, visto que a deficiência intelectual consiste em pessoas que apresentam uma redução notável em seu funcionamento intelectual associado a limitações comunicativas e sociais (Associação Americana de Deficiência Mental, 1995). Quanto à etiologia da deficiência física, algumas causas são as mesmas que as da deficiência intelectual. No entanto quando nos referimos à deficiência física, estamos falando sobre limitações do funcionamento físico-motor do ser humano. Antes de conhecer as causas, vamos conhecer os tipos de deficiências físicas: A Inserção da pessoa portadora de deficiência e do beneficiário reabilitado no mercado de trabalho; MPT/Comissão de Estudos para inserção da pessoa portadora de deficiência no mercado de trabalho Então, caro(a) aluno(a), a deficiência física também pode ser caracterizada como a perda total ou parcial da capacidade motora. São diversas as causas da deficiência física, no entanto, elas podem estar ligadas a problemas na gestão, acidentes e doenças infantis. Assim, como você pode acompanhar no Quadro 4, os fatores das causas da deficiência física são classificados em três categorias: CONECTE-SE O Brasil teve 26 mil casos de pólio de 68 a 89, e não registra casos há 30 anos; entenda: O Ministério da Saúde emitiu alerta no dia 3 de julho de 2018 para a baixa vacinação contra a paralisia infantil: 312 cidades não vacinaram nem metade das crianças menores de 1 ano em 2017. Embora não haja casos atuais de poliomielite, a preocupação do ministério se justifica por ao menos três motivos: a circulação do vírus em 23 países nos últimos 3 anos; o surgimento de um caso da doença na Venezuela em junho; o efeito devastador da doença no país antes de sua eliminação, graças à vacina. ACESSAR Em razão do que foi abordado até aqui, caro(a) aluno(a), é que a deficiência física pode ser entendida como uma impossibilidade que limita o sujeito a se deslocar ou realizar algum movimento físico, devido a danificação em sua estrutura óssea, nos grupos musculares entre outras partes do corpo. As deficiências sensoriais consistem na perda total ou parcial da estrutura psicológica, fisiológica ou anatômica que o sujeito nasce ou adquire ao longo da vida. Assim, quando falamos sobre deficiência sensorial, estamos nos referindo à ausência da visão ou audição, o que, em certos casos, pode se apresentar em forma de deficiências múltiplas, com a ausência de ambos os sentidos. Especialistas dessas deficiências relatam que o cérebro de pessoas com deficiência sensorial apresenta outro tipo de funcionamento, ou seja, o cérebro de uma pessoa com deficiência https://www.youtube.com/watch?time_continue=124&v=HNigPTvFw_o&feature=emb_title sensorial não recebe e nem gerencia as informações da mesma maneira que o cérebro de uma pessoa sem essa deficiência. Dessa forma, caro(a) aluno(a), podemos dizer que o tempo e o espaço social de uma pessoa com deficiência sensorial são diferenciados (MASINI, 2002). Existem quatro tipos de deficiência sensorial: Em razão do que foi abordado até aqui, caro(a) aluno(a), é que a deficiência física pode ser entendida como uma impossibilidade que limita o sujeito a se deslocar ou realizar algum movimento físico, devido a danificação em sua estrutura óssea, nos grupos musculares entre outras partes do corpo. As deficiências sensoriais consistem na perda total ou parcial da estrutura psicológica, fisiológica ou anatômica que o sujeito nasce ou adquire ao longo da vida. Assim, quando falamos sobre deficiência sensorial, estamos nos referindo à ausência da visão ou audição, o que, em certos casos, pode se apresentar em forma de deficiências múltiplas, com a ausência de ambos os sentidos. Especialistas dessas deficiências relatam que o cérebro de pessoas com deficiência sensorial apresenta outro tipo de funcionamento, ou seja, o cérebro de uma pessoa com deficiência sensorial não recebe e nem gerencia as informações da mesma maneira que o cérebro de uma pessoa sem essa deficiência. Dessa forma, caro(a) aluno(a), podemos dizer que o tempo e o espaço social de uma pessoa com deficiência sensorial são diferenciados (MASINI, 2002). Existem quatro tipos de deficiência sensorial: Altas Habilidades e Superdotação Provavelmente você já ouviu falar sobre altas habilidades ou superdotação. A terminologia que define pessoas com altas habilidades/superdotação é decorrente de uma longa discussão, iniciada em 1924, que visa definir a denominação correta para pessoas que apresentam um desenvolvimento acima do normal. Em 1931, foi adotada, por Kaseff, a terminologia “super”, que foi precursor do termo “super-normais”, já em 1971, a Lei 5.692 que estabelece as diretrizes e reforma do Ensino de 1º e 2º graus, em seu art. 9º, usa pela primeira vez o termo “superdotado”. No entanto atualmente a terminologia que se destaca é de AH/SD, a qual não representa um tema novo, muito menos atual (RANGNI; COSTA, 2011). De acordo com a Política Nacional de Educação Especial (1995), esse termo refere-se a pessoas que apresentam uma inteligência acima da média. O sujeito que apresenta altas habilidades/superdotação é capaz de desempenhar um grau de potencialidades nos seguintes aspectos: isolados ou combinados, capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo, capacidade de liderança, talento para as artes, capacidade psicomotora. Esses aspectos são características que definem uma pessoa com altas habilidades/superdotação, no entanto outras características como uma boa memória, a facilidade de concentração e atenção, a criatividade e imaginação, riqueza verbal e o vocabulário avançado, podem auxiliar a identificação de pessoas com altas habilidades/superdotação. Por outro lado, pessoas que apresentam esse quadro podem se desenvolver em alguns aspectos e apresentar dificuldade em outros. É comum pessoas com altas habilidades/superdotação apresentarem quadros emocionais imaturos, uma vez que seu desenvolvimento intelectual é acima da média dos sujeitos de sua idade. Nesse sentido, é importante que o professor e a instituição estejam preparados para lidar com este sujeito, visto que a não identificação desta criança pode desmotivá-la. Com relação ao diagnóstico desse sujeito com deficiência, a ciência ainda encontrou meios de identificar tal fator que influencia o desenvolvimento de altas habilidades/superdotação. Já referente aos fatores relevantes, segundo a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (APAHSD), “Pessoas com Altas Habilidades são indivíduos com necessidades educacionais especiais, com direitos garantidos pela legislação brasileira e internacional. Porém, as iniciativas para o seu apoio ainda são insuficientes na sociedade brasileira”. Assim, diante da falta de estímulos, essas crianças podem apresentar um baixo rendimento, falta de interesse e um comportamento diferenciado, que pode levar os envolvidos em seu processo de aprendizagem a identificá-lo como aluno hiperativo ou com distúrbios comportamentais (SILVA, 2011). Nesse sentido, caro(a) aluno(a), podemos dizer que pessoas com altas habilidades têm suas próprias ideias e não lidam bem com uma figura superior, visto que seu conhecimento vai além do esperado normalmente. Por isso eles preferem coisas complexas e ricas em detalhes, pois suas capacidades de pensar e memorizar se desenvolvem mais rápido que os demais. Condutas Típicas A nomenclatura “condutas típicas” é utilizada a partir da década de 90 e refere-se ao aluno que apresenta distúrbios comportamentais. No entanto atualmente essa nomenclatura é direcionada a alunos com “manifestações típicas de síndromes e quadros neurológicos, psicológicos ou psiquiátricos”(BRASIL, 1995). Dessa forma, caro(a) aluno(a), antes de falarmos sobre quem é o aluno com condutas típicas, é importante considerar o processo histórico no aspecto cultural, social e político quanto ao conceito de doença mental. Ao longo da Idade Média, a sociedade considerava pessoas com distúrbios comportamentais como loucas. Segundo o filósofo da época, Foucault, citado por Andrade (2008), o Renascimento foi o período em que os considerados loucos viviam soltos, expulsos das cidades, entregues aos peregrinos e navegantes, sendo vistos como tendo um saber esotérico sobre os homens e o mundo, que revelava verdades secretas. Assim, Foucault considerava que a loucura significava a ironia, a ilusão, o desregramento de conduta, o desvio moral, os quais tinham o erro como verdade, a mentira como realidade, o passado como oposição à razão. Nesse período, os loucos eram tratados da mesma maneira que os deficientes, ou seja, eram sangrias, purgações, ventosas e banhos. Já nos séculos XVII e XVIII, pessoas com distúrbios comportamentais ainda eram diagnosticadas sobre aspectos que uniam a família, a igreja e a justiça. Somente na segunda metade do século XVIII iniciaram-se as reflexões médicas e filosóficas que situavam a loucura como algo que ocorria no interior do próprio homem, como perda de sua própria natureza, considerada alienação (ANDRADE, 2008). De acordo com Andrade (2008), Foucault relata que as primeiras instituições direcionadas a atender pessoas com distúrbio surgiram entre o final do século XVIII e o início do século XIX. Nessa época, a sociedade acreditava que a terapia religiosa era a solução para a cura dos loucos. Tais ações eram voltadas à normatização desses sujeitos concebidos como capazes de se recuperar (ANDRADE, 2008). Assim, caro(a) aluno(a), os transtornos mentais são concebidos como síndrome, padrão comportamental ou psicológico, associação do sofrimento e da incapacitação. Dessa forma, essa nomenclatura foi desenvolvida para ser aplicável a uma ampla gama de contextos, sendo mundialmente utilizada (BRASIL, 2013). Assim, Suplino (2010) apresenta algumas das condutas típicas mais comumente encontradas no cotidiano escolar: Distúrbio de atenção Geralmente responde a qualquer dos estímulos presentes que estejam concorrendo com o estímulo relevante. Outros, embora atendam a estímulos relevantes, não conseguem manter a atenção a eles pelo tempo requerido pela atividade. São alunos que apresentam dificuldade em concentrar-se na execução de qualquer atividade. Outros, ainda, selecionam e respondem somente a aspectos limitados da realidade, como, por exemplo, crianças que não respondem a mais nada, mas informam ao professor cada vez que um determinado colega se levanta. Hiperatividade A criança hiperativa apresenta fundamentalmente uma inabilidade para controlar seu comportamento motor de acordo com as exigências nas diversas situações. Assim, apresenta uma constante mobilidade e agitação motora, o que também se torna um grande empecilho para ação ou para realizar uma tarefa. Impulsividade Apresenta respostas praticamente instantâneas perante uma situação estímulo, não parando para pensar, refletir, analisar a situação para tomar uma decisão e, então, se manifestar por meio de uma ação motora ou verbal. Geralmente, a hiperatividade e a impulsividade encontram-se juntas, num mesmo padrão comportamental. Alheamento Há crianças que se esquivam ou mesmo se recusam terminantemente a manter contato com outras pessoas ou com qualquer outro aspecto do ambiente sociocultural no qual se encontram inseridas. Em sua manifestação mais leve, encontram-se crianças que não iniciam contato verbal, não respondem quando solicitadas, não brincam com outras crianças ou mostram falta de interesse pelos estímulos ou acontecimentos do ambiente. Por outro lado, em sua manifestação mais severa, encontram-se crianças que não fazem contato com a realidade, parecendo desenvolver e viver em um mundo só seu, à parte da realidade. Agressividade física e/ou verbal Se constitui de ações destrutivas dirigidas a si próprio, a outras pessoas ou a objetos do ambiente. Inclui gritar, xingar, usar linguagem abusiva, ameaçar, fazer declarações autodestrutivas, bem como bater, beliscar, puxar os cabelos, restringir fisicamente, esmurrar, dentre outros comportamentos. A agressividade passa a ser considerada conduta típica quando sua intensidade, frequência e duração ultrapassam o esporádico, focal e passageiro. Ela pode variar desde manifestações negativistas, mal-humoradas, até atos de violência, brutalidade, destruição, causando danos físicos a si próprio e/ou a outras pessoas. Distúrbio de atenção Geralmente responde a qualquer dos estímulos presentes que estejam concorrendo com o estímulo relevante. Outros, embora atendam a estímulos relevantes, não conseguem manter a atenção a eles pelo tempo requerido pela atividade. São alunos que apresentam dificuldade em concentrar-se na execução de qualquer atividade. Outros, ainda, selecionam e respondem somente a aspectos limitados da realidade, como, por exemplo, crianças que não respondem a mais nada, mas informam ao professor cada vez que um determinado colega se levanta. Hiperatividade A criança hiperativa apresenta fundamentalmente uma inabilidade para controlar seu comportamento motor de acordo com as exigências nas diversas situações. Assim, apresenta uma constante mobilidade e agitação motora, o que também se torna um grande empecilho para ação ou para realizar uma tarefa. Impulsividade Apresenta respostas praticamente instantâneas perante uma situação estímulo, não parando para pensar, refletir, analisar a situação para tomar uma decisão e, então, se manifestar por meio de uma ação motora ou verbal. Geralmente, a hiperatividade e a impulsividade encontram-se juntas, num mesmo padrão comportamental. Alheamento Há crianças que se esquivam ou mesmo se recusam terminantemente a manter contato com outras pessoas ou com qualquer outro aspecto do ambiente sociocultural no qual se encontram inseridas. Em sua manifestação mais leve, encontram-se crianças que não iniciam contato verbal, não respondem quando solicitadas, não brincam com outras crianças ou mostram falta de interesse pelos estímulos ou acontecimentos do ambiente. Por outro lado, em sua manifestação mais severa, encontram-se crianças que não fazem contato com a realidade, parecendo desenvolver e viver em um mundo só seu, à parte da realidade. Agressividade física e/ou verbal Se constitui de ações destrutivas dirigidas a si próprio, a outras pessoas ou a objetos do ambiente. Inclui gritar, xingar, usar linguagem abusiva, ameaçar, fazer declarações autodestrutivas, bem como bater, beliscar, puxar os cabelos, restringir fisicamente, esmurrar, dentre outros comportamentos. A agressividade passa a ser considerada conduta típica quando sua intensidade, frequência e duração ultrapassam o esporádico, focal e passageiro. Ela pode variar desde manifestações negativistas, mal-humoradas, até atos de violência, brutalidade, destruição, causando danos físicos a si próprio e/ou a outras pessoas. Nesse sentido, a educação de sujeitos com distúrbio comportamental iniciou-se no século XIX, juntamente com a educação de pessoas com deficiência, pois o distúrbio comportamental era e ainda é visto pela sociedade como uma “doença”. No entanto é válido ressaltar, caro(a) aluno(a), que todos os aspectos abordados nesta unidade se referem à deficiência e não à doença, uma vez que consiste em uma alteração biológica no estado de saúde, a qual pode ser manifestada por um conjunto de sintomas perceptíveis ou não, podendo ser considerada como uma enfermidade, mal ou moléstia. E a deficiência trata-se da insuficiência ou ausência de funcionamento de um ou mais órgão. Considerando todos os elementos que abordamos até aqui, caro(a) aluno(a), podemosdizer que tais abordagem podem subsidiar as ações pedagógicas desenvolvidas pelos docentes, sobre a concepção de uma educação inclusiva, em que cabe ao professor a obrigação de atribuir significados a suas práticas pedagógicas. As significações têm um papel fundamental na dinâmica das relações sociais e nas práticas porque elas respondem a funções essenciais, tais como: elas permitem compreender e explicar a realidade; elas definem a identidade e permitem as especificidades dos grupos; elas guiam os comportamentos e as práticas e permitem, a posteriori, as justificativas das tomadas de posição e dos comportamentos (MININI, 2009, p. 111). A prática docente direcionada a atender alunos com deficiência é isenta de grandes investimentos e condições “privilegiadas” de trabalho, visto que, segundo os dados apresentados pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC) e a Cartilha do Censo (BRASIL, 2010), as prática pedagógica direcionada aos alunos com deficiência são aplicadas de maneira equivocada, dificultando, assim, a inserção do aluno com deficiência na rede regular de ensino, bem como sua permanência e aprendizagem. Dessa forma, podemos dizer que tanto a escola quanto o professor, aplicam ações inclusivas que efetivamente envolvem atender as necessidades da sociedade, da família e das políticas públicas, deixando de se pensar no desenvolvimento e na aprendizagem do aluno com deficiência (CUNHA, 2014) CONCLUSÃO UNIDADE 2 Chegamos ao fim de mais uma unidade. Aqui abordamos os aspectos sociais e biológicos que influenciam na causa da deficiência física, intelectual e sensorial. Vimos que, até bem pouco tempo, a escola não portava recursos para atender pessoas com deficiência e mesmo diante do princípio da Educação Inclusiva, que visa valorizar a diversidade de sujeitos presentes no contexto social, é necessário romper as barreiras impostas pela sociedade, para promover a educação de forma justa, sem que tenha medo de enfrentar o desconhecido. Assim, acredita-se que as ações que promovem o desenvolvimento da educação de pessoas com deficiência de forma dinâmica e social podem levar a escola a pensar na diversidade como um fator coletivo. Isto é, a educação de pessoas com deficiência deve ser entendida como uma responsabilidade social, que envolve a comunidade, a escola, o professor e todos os envolvidos em seu processo de desenvolvimento. No entanto, fica evidente que o caminho a percorrer é longo e cheio de barreiras, principalmente pelo fato da Educação Especial e Inclusiva ser uma concepção recente, e a escola vem se adaptando para atender essa nova visão. Portanto, caro(a) aluno(a), é válido ressaltar a importância da promoção de ações pedagógicas que buscam atender a inclusão de pessoas com deficiência no contexto escolar. Leitura Complementar Reflexões Sobre a Inclusão, a Diversidade, o Currículo e a Formação de Professores A escola não é mais a mesma, aquele espaço homogeneizado, em que se via e/ou atendia apenas crianças tidas como normais. Com o crescimento do discurso da inclusão e diversidade, cada vez mais se vê surgir na sociedade uma nova escola, mais aberta, diversa e integral, tornando o espaço escolar mais colorido e rico em aprendizagem. A entrada das crianças com necessidades educativas especiais na escola, verdadeiramente representou um marco social, fruto de uma enorme conquista histórica, como se verá adiante, todavia ainda há muito há fazer para a construção de uma escola efetivamente inclusiva e comprometida com a diversidade. Assim, as reflexões a respeito de como fugir e/ou contribuir para uma prática não segregacionista e preconceituosa, que costumam fazer parte dos espaços educacionais, constitui imperativo no presente, tanto para profissionais ligados a educação como à agentes de pesquisas de cunho teóricas sobre esse setor da educação. Deste modo, o presente trabalho aborda o tema da diversidade e inclusão escolar, assim como as questões ligadas ao currículo e formação de professores para o exercício dessa prática inclusiva e aberta a diversidade. Temas bastantes relevantes na atualidade, já que o tempo presente reclama pela construção cada vez mais de escolas inclusivas e abertas a diversidade. O trabalho está dividido em três tópicos. No primeiro são discutidas questões conceituais em relação à diversidade e inclusão. No segundo é abordada a temática do currículo e sua contribuição para a construção de uma escola e prática docente diversa e inclusiva. Por fim, o terceiro, é voltado para o debate da temática da formação do professor e sua prática para uma ação inclusiva de respeito à diversidade. Feita essas considerações, passemos a discussões dos assuntos nos tópicos destacados. Dê um click para ler o texto na íntegra: BORGES, A et al. Reflexões sobre a inclusão, a diversidade, o currículo e a formação de professores. In: CONGRESSO ACADÊMICO-CIENTÍFICO DA UEG PORANGATU, 3, 2013, Porangatu. Anai. Porangatu: UEG, 2013. Referências ANDRADE, F. S. de. Fatos históricos sobre os portadores de necessidades especiais e também o contexto historiográfico dos jogos e brincadeiras ao longo dos tempos, 2008. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Subsídios para organização e funcionamento de serviços de educação especial: área de altas habilidades. Brasília, 1995. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 176 p. CUNHA, A. E. Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade. 4. ed. Rio de Janeiro: Walk, 2014. DINIZ, D. O que é deficiência. São Paulo: Brasiliense, 2007. EXTRA. Pianista cego e autista de 7 anos grava todas as músicas de Sandy e Junior e sonha conhecer a dupla. 2019. Disponível em: https://extra.globo.com/sandy-e-junior/pianista- cego-autista-de-7-anos-grava-todas-as-musicas-de-sandy-junior-sonha-conhecer-dupla- 23779352.html. Acesso em: 29 mar. 2020. FERREIRA, A.L.; ACIOLY-RÉGNIER, N. M. Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Educ. rev., Curitiba, n. 36, p. 21-38, 2010. LEAL, D. N. B. Sociedade brasileira de visão subnormal. 2020. Disponível em: http://www.cbo.com.br/subnorma/conceito.htm. Acesso em: 22 mar. 2020. MASINI, E. F. Do sentido... pelos sentidos... para o sentido. Niterói: Intertexto; São Paulo, Vetor, 2002. MININI, V. C. M. 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Petrópolis: Vozes, 2011. https://extra.globo.com/sandy-e-junior/pianista-cego-autista-de-7-anos-grava-todas-as-musicas-de-sandy-junior-sonha-conhecer-dupla-23779352.html https://extra.globo.com/sandy-e-junior/pianista-cego-autista-de-7-anos-grava-todas-as-musicas-de-sandy-junior-sonha-conhecer-dupla-23779352.html https://extra.globo.com/sandy-e-junior/pianista-cego-autista-de-7-anos-grava-todas-as-musicas-de-sandy-junior-sonha-conhecer-dupla-23779352.html http://www.cbo.com.br/subnorma/conceito.htm SUPLINO, I. O. Comunicação e inclusão social: análise das contribuições do cinema para o processo de inclusão social. Contemporânea, Rio de Janeiro, ed. 16, v. 8, n. 3, 2010. VYGOTSKY. L. S. Obras escogidas V. Madrid: Centro de Publicaciones Del MEC y Visor Distribuciones, 1997. UN 3 Educação e Inclusão I Olá, caro(a) aluno(a), sejabem-vindo(a) a nossa terceira unidade. Nesta unidade iremos iniciar nossa discussão mediante a abordagem dos aspectos pedagógicos que norteiam a Educação Inclusiva. Com isso será possível compreender a Educação Especial não somente como um desafio que depende de todos os envolvidos no processo de aprendizagem, mas com uma ação coletiva que depende da vontade e capacitações dos professores, gestores e da comunidade para cumprir seu objetivo principal que é a inclusão de pessoas com deficiências, em âmbitos regulares. Nesse sentido, é válido ressaltar, caro(a) aluno(a), que a educação inclusiva significa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar, levando em consideração as condições de cada aluno. Uma vez que a inclusão não é vista como problema, mas sim como diversidades. Assim, a ideia é ampliar a visão de mundo e desenvolver oportunidades de vivências a todas as crianças. O nosso estudo, dará ênfase às práticas educativas que contemplam o currículo, as metodologias e a avaliação de pessoas com deficiência, além da participação da família no contexto escolar, assim como a Educação Sexual de pessoas com deficiência. A escola é considerada como o espaço mais propício para promover a inclusão de pessoas com deficiências, pois apresenta o melhor ambiente para possibilitar a inclusão de forma integral, uma vez que sua função consiste em formar para a cidadania. Bons estudos! Aspectos Pedagógicos da Educação Inclusiva https://moodle.ead.unifcv.edu.br/course/view.php?id=3983#section-5 A Educação Especial defende a ideia de que a educação de pessoas com deficiência não deve ser realizada separadamente, ou seja, os alunos com deficiência devem poder interagir em meio a um ambiente comum aos demais. Assim, o Atendimento Educacional Especializado atuaria como um apoio complementar para o desenvolvimento do aprendizado das crianças com deficiência. No entanto, Fávero (2007, p. 20) relata que a Constituição Brasileira e as convenções internacionais apresentam o Atendimento Educacional Especializado como uma forma válida de tratamento diferenciado, desde que: Seja adotado quando realmente exista uma necessidade educacional especial, ou seja, algo do qual os alunos sem deficiência não precisam; seja oferecido preferencialmente no mesmo ambiente (escola comum) frequentado pelos demais alunos; se houver necessidade de ser oferecido à parte, que isso ocorra sem dificultar ou impedir que crianças e adolescentes com deficiência tenham acesso às salas de aula do ensino comum no mesmo horário que os demais alunos frequentam; não seja adotado de forma obrigatória, ou como condição para o acesso do aluno com deficiência ao ensino comum. (FÁVERO, 2007, p. 20). Dessa forma, podemos dizer que a Educação Especial engloba a oferta de tratamento diversificado, com o intuito de promover a inclusão de pessoas com deficiência em contextos sociais comuns. Contudo Fávero (2007) relata que o art. 208 da Constituição Federal, que garante a toda criança o direito à educação, não oferta às pessoas com deficiência um ensino direcionado a atender as especificidades de cada criança, fazendo com que a Educação Especial não siga uma concepção de inclusão. Assim, a Educação Especial mantém a exclusão das pessoas com deficiência, mesmo que de forma indireta. Nesse sentido, o atendimento diferenciado deve ser ofertado em todos os níveis de ensino escolar, devendo, assim, funcionar de forma similar nos níveis de ensino superior. Ao se tratar da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) podemos observar que sua interpretação não vem ocorrendo de forma correta, visto que os art. 58 e 59 levam a pensar que o ensino regular pode ser substituído pelo ensino especial. Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. Observe, caro(a) aluno(a), que os artigos 58 e 59 da LDBEN, podem ser contraditórios a algumas das legislações já abordadas ao longo de nosso estudo. Dessa forma, Fávero (2007) salienta que a Educação Especial sempre foi entendida como capaz de substituir o espaço de ensino regular pela permanência contínua em espaços específicos direcionados somente a atender crianças com deficiência. Nesse sentido, ao olharmos Educação Especial sobre a concepção da educação inclusiva, a escola é entendida como um espaço de todos, em que o aluno constrói o conhecimento de acordo com suas capacidades, tem liberdade para expressar suas ideias, participar das tarefas de ensino e se desenvolver como sujeito que faz parte de uma sociedade. A educação inclusiva não delimita o desenvolvimento do aluno de acordo com sua deficiência ou dos padrões definidos pelo meio social, pois todos são iguais e possuem suas diferenças (CARVALHO, 2011). A adoção desta prática inclusiva ainda se encontra em andamento, pois, para que ocorra a adesão dessas novas práticas, são necessárias grandes mudanças, visto que não envolve somente a escola e a sala de aula, mais sim a sociedade em geral. Isto é, para que a escola possa se concretizar, é necessário conscientizar a sociedade dessa nova concepção, esse novo conceito, assim como a redefinição e a aplicação de alternativas e práticas pedagógicas e educacionais compatíveis com a inclusão. A Prática para Educação Inclusiva na Escola e outros Espaços Educativos: Princípios, Currículo, Metodologia e Avaliação A Educação Inclusiva compreende a escola como um espaço de todos, onde o aluno é o sujeito de direito e foco central de todas as ações educacionais, de forma que o aluno constrói seu conhecimento de acordo com sua capacidade. Na escola inclusiva, predomina o respeito e as especificidades de cada aluno, sem que sejam classificados como normais ou especiais. Todos se igualam pelas diferenças. A adesão da prática inclusiva é uma tarefa difícil e não é rápida, pois vai além do contexto da escolar. Isto é, para que a escola concretize essa nova concepção, é necessário atualizar e desenvolver conceitos e práticas pedagógicas compatíveis com essa nova concepção de educação. A Educação Inclusiva impõe uma escola em que todos os alunos são inseridos sem qualquer limitação que possa restringir sua participação ativamente no processo escolar. Essa nova posição da escola leva aos educadores a responsabilidade de construir um espaço de aprendizagem para todos os alunos, problematizando o currículo, os processos de avaliação, bem como as políticas públicas que favorecem a garantia de acesso e permanência ao ensino a todos os alunos (MINETTO, 2012). A proposta que rege a construção da escola inclusiva depende de uma variedade de mudanças e decisões que precisam ser tomadas em uma ação coletiva, que une todos os envolvidos no processo educacional para a elaboração do Projeto Político Pedagógico. Dessa forma, a escola inclusiva só se torna inclusiva mediante a participação consciente de todos os agentes envolvidos em seu processo educacional, isto é, gestores, professores, familiares e membros da comunidade na qual cada aluno vive (MINETTO, 2012). A Educação Inclusiva busca fazer da aprendizagem o núcleo central das escolas, de modo que o aluno tenha todo tempo necessário para aprender e se desenvolver como cidadão. Por outro lado, a Educação Inclusiva tem como princípio a valorização dadiversidade e da comunidade humana, na luta pelo combate à desigualdade, à exclusão, assim como a permanência e aprendizagem de forma participativa de todos os estudantes. Ao que cabe a adequação do currículo e da avaliação, métodos e técnicas educacionais que atendem as especificidades dos alunos com deficiência, inclusive aos que apresentam altas habilidades, o artigo 59 da LDBN/96 prevê que o sistema de ensino deve assegurar: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular (BRASIL, 1996, p. 22). Assim, a escola deve contar com uma estrutura arquitetônica e uma equipe pedagógica preparada a fim de contemplar os objetivos da educação inclusiva. O currículo pode ser compreendido como um espaço privilegiado de política de identidade, em que se define não apenas a forma que o mundo deve ter, mas também a forma como as pessoas e os grupos devem ser. Essa teoria que envolve o currículo refere-se à prática de uma realidade prévia muito bem estabelecida, em que se encobrem muitas crenças e valores por meio de um comportamento didático, político, administrativo e econômico (MINETTO, 2012). Com isso, a escola precisa promover estratégias para o acesso ao currículo, métodos diversificados e ações pedagógicas efetivas, considerando as diferenças entre os sujeitos e as especificidades que essas diferenças impõem, enfatizando a premissa de que todos os estudantes têm direito à educação de qualidade, inclusiva e equitativa, em todos os níveis e modalidades educacionais. Sendo assim, segundo as Diretrizes da Educação Especial, para a Construção de Currículos Inclusivos tem-se: [...] o desafio da participação e aprendizagem, com qualidade, dos alunos com necessidades especiais, seja em escolas regulares ou em escolas especiais, exige da escola a prática da flexibilização curricular que se concretiza na análise da adequação de objetivos propostos, na adoção de metodologias alternativas de ensino, no uso de recursos humanos, técnicos e materiais específicos, no redimensionamento do tempo e espaço escolar, entre outros aspectos, para que esses alunos exerçam o direito de aprender em igualdade de oportunidades e condições (PARANÁ, 2006, p. 09). É válido ressaltar, caro(a) aluno(a), que a escola inclusiva é responsável por oportunizar a apropriação do conhecimento escolar, atendendo de modo geral as especificidades de cada aluno e, por isso, é importante enfatizamos o valor da adoção de adaptação curricular para que os alunos com necessidades educacionais especiais tenham as mesmas condições e oportunidades para se desenvolver e aprender. REFLITA “A flexibilidade é outro fator que contribui para a remoção das barreiras da aprendizagem. Traduz- se pela capacidade do professor de modificar planos e atividades à medida que as reações dos alunos vão oferecendo pistas”. Fonte: Carvalho (2011, p. 67). De acordo com Carvalho (2011), a pluralidade das manifestações humanas se revela nas relações cotidianas da escola, em razão disso, a necessidade de um sistema educacional inclusivo que busque novas formas de organização e elaboração do trabalho do professor com a garantia da adoção de práticas necessárias para o acesso ao conhecimento e a participação de todos, isto é, a reconfiguração das práticas pedagógicas para atender a necessidade de cada aluno. Nesse sentido, Mantoan (2015) afirma que: A inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita aos alunos com necessidades educacionais especiais e aos que apresentem dificuldades de aprender, mas a todos os demais, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. Os alunos com necessidades educacionais especiais constituem uma grande preocupação para os educadores inclusivos, mas todos nós sabemos que a maioria dos que fracassam na escola são alunos que não vem do ensino especial, mas que possivelmente acabarão nele (MANTOAN, 2015, p. 196). Essa situação nos faz refletir sobre a necessidade de compreender os processos de inclusão escolar, como frutos das lutas articuladas pelas minorias sociais excluídas contra um processo de exclusão. Dessa forma, caro(a) aluno(a), torna-se indispensável que nós como professores busquemos contribuir para promover a escola como espaço de aprendizagem que atende a todos os alunos, problematizando o currículo escolar, os processos de avaliação, os momentos de formação, planejamento, as relações estabelecidas nesse cotidiano, os apoios que necessitamos para dar conta de todos os alunos, as parcerias necessárias, bem como as políticas públicas favorecedoras da garantia de acesso, permanência e ensino com qualidade a todos os alunos. É válido ressaltarmos, caro(a) aluno(a), que, de acordo com Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial (BRASIL, 1996), o conceito que define a Escola Inclusiva, implica uma nova postura da escola comum, que propõe no projeto político pedagógico, no currículo, na metodologia de ensino, na avaliação e na atitude dos alunos, nas ações que favoreçam a integração social e sua opção por práticas heterogêneas. Isto é, a escola se prepara e capacita seus professores para oferecer educação de qualidade para todos, inclusive para os educandos com necessidades especiais. Portanto, a Educação Especial já não é mais ofertada de forma paralela ou segregada ao sistema educacional, mas sim como um conjunto de medidas que a escola que oferta o ensino regular disponibiliza a serviço de adaptar as especificidades dos alunos. Foi em razão desse parâmetro que no Brasil a necessidade de se pensar um currículo para a escola inclusiva foi oficializada, criando Parâmetros Curriculares Nacionais que atendessem a uma nova concepção de Educação Especial e inclusiva. Nesse documento o conceito de adaptações curriculares é abordado como estratégias e critérios de situação docente, que visam oportunizar a ação educativa escolar às especificidades da aprendizagem dos alunos (BRASIL, 1996). Dessa forma, podemos abordar duas vertentes de adaptação curricular, sendo uma voltada para a acessibilidade ao currículo e a outra voltada a atender as adaptações pedagógicas. Assim, quando nos referimos a adaptações de acessibilidade ao currículo, estamos falando de eliminar barreiras arquitetônicas e metodológicas, que são pré-requisito para que o aluno com deficiência possa frequentar a escola de ensino regular com autonomia e participar das atividades acadêmicas propostas para os demais alunos. Dentre as adaptações que a escola pode realizar para facilitar a acessibilidade de crianças com deficiência física ao âmbito escolar, inúmeros ajustes podem ser feitos, podendo ser citados como exemplo: as rampas, as barras de apoio para banheiros e carteiras adequadas e com espaço suficiente para a locomoção do aluno com deficiência. Para atender aos alunos com deficiência sensorial, a escola pode promover ações que facilitam sua comunicaçãoe sua locomoção dentro do âmbito escolar. O intérprete de LIBRAS, o professor de apoio, os recursos que permitem a transição em Braile, recursos pedagógicos adaptados a facilitar a aprendizagem de deficientes visuais, o uso de comunicação alternativa para os alunos com paralisia cerebral ou dificuldades de expressão oral, entre outros recursos que podem facilitar a inclusão desse aluno com deficiência, no âmbito das escolas de ensino regular. É válido ressaltar que a Lei nº 13.146, de 6 de Julho de 2015, garante ao aluno com deficiência o direito de solicitar um profissional de apoio, quando necessário. Esse profissional pode ser um professor de apoio pedagógico ou um intérprete para as pessoas surdas. Em relação às adaptações pedagógicas curriculares, de planejamento, objetivos, atividades e formas de avaliação, no currículo como um todo, são adaptações que visam atender as necessidades de aprendizagem dos alunos com necessidades especiais. Assim, as adaptações curriculares consistem em possibilitar o caminho para o atendimento às necessidades específicas de aprendizagem dos alunos, de forma que a identificação dessas “necessidades” requer que os sistemas educacionais modifiquem não apenas as suas atitudes e expectativas em relação a esses alunos, mas que se organizem para construir uma real escola para todos, que dê conta dessas especificidades (MINETTO, 2012). De acordo com o BRASIL (1996), essas adaptações curriculares realizam-se em três níveis: 1 Adaptações no nível do projeto pedagógico (currículo escolar) que devem focar principalmente na organização escolar e nos serviços de apoio, propiciando condições estruturais que possam ocorrer no nível de sala de aula e no nível individual. 2 Adaptações relativas ao currículo da classe, que se referem, principalmente, à programação das atividades elaboradas para sala de aula. 3 Adaptações individualizadas do currículo, que focam a atuação do professor na avaliação e no atendimento a cada aluno. Dessa forma, caro(a) aluno(a), a Educação Inclusiva, sob a ótica curricular, reconhece que o aluno com necessidades especiais faz parte da classe regular, e deve aprender as mesmas coisas que os alunos que não apresentam nenhum tipo de deficiência (FARIAS; LOPES, 2015). Portanto, precisamos nos concentrar em pequenas modificações que o professor venha a fazer em termos de métodos e conteúdos, visando, assim, uma reformulação na organização do projeto político pedagógico de cada escola e do sistema escolar, sem deixar de considerar as adaptações necessárias para a inclusão e participação efetiva de alunos com necessidades especiais em todas as atividades escolares, pois ensinar um aluno com deficiência é o grande desafio da Educação Inclusiva, visto que é nesse aspecto que a inclusão deixa de ser uma ideologia e se torna ação concreta. O ato de avaliar dentro do contexto escolar consiste em um processo de busca de informações sobre determinadas fatos, para conduzir uma mediação a fim de possibilitar um melhor aprendizado. No contexto escolar, ato de avaliar é essencial, sendo o momento no qual o professor faz um diagnóstico sobre o processo de ensino e define estratégias de como redimensionar esse processo, refletindo sobre sua prática pedagógica, promovendo a aprendizagem dos estudantes e assegurando o direito universal de educação com qualidade, conforme descreve a DCNEB (2013, p. 76). Art. 47. A avaliação da aprendizagem baseia-se na concepção de educação que norteia a relação professor- estudante- conhecimento- vida em movimento, devendo ser um ato reflexo de reconstrução da prática pedagógica avaliativa, premissa básica e fundamental para se questionar o educar, transformando a mudança em ato, acima de tudo, político. Portanto, no contexto escolar, o ato de avaliar se dá de maneira diagnóstica, na qual a situação de aprendizagem é analisada e pode ser usada para a averiguar a apropriação do conhecimento. A avaliação auxilia o professor com elementos para uma reflexão sobre a sua prática e o encaminhamento do trabalho com metodologias diferenciadas. Já para o estudante, é o indicativo de suas conquistas, dificuldades e possibilidades. E para a escola, a avaliação de constitui como instrumento diagnóstico para repensar sobre a organização do trabalho pedagógico, a fim de assegurar o desenvolvimento integral dos estudantes, vislumbrando uma educação com qualidade e o direito de aprendizagem. A Participação da Família e Escola Muitas das decisões que precisam ser tomadas pela escola na construção do Projeto Político Pedagógico estão diretamente relacionadas às mudanças que constituem o propósito da educação inclusiva, que visa fazer da aprendizagem o eixo principal da escola, em prol de garantir o tempo necessário para que o aluno aprenda e se desenvolva de forma coletiva, comunicativa, criativa e crítica. Em razão disso, a família necessita ser parte interessada e presente nesse processo, visto que o amparo e a compreensão familiar são fatores indispensáveis para a inclusão escolar e social do aluno com deficiência. É preciso que as famílias aceitem que as crianças com deficiência, na maioria das vezes, podem atuar como seres autônomos, não dependentes do mundo, mesmo que na visão dos pais superprotetores, essa criança não possa conviver como os demais (SASSAKI, 2009). Dessa forma, caro(a) aluno(a), a família é considerada pela sociedade como o elemento primário para a promoção da inclusão do sujeito com deficiência no convívio social, sendo caracterizada como a relação primordial para o desenvolvimento humano. Assim, para que se possa incorporar a sociedade em uma nova concepção sobre um olhar inclusivo, faz-se necessário uma mudança no pensamento das pessoas e na estrutura da sociedade, mas, acima de tudo, de todos os familiares da pessoa com deficiência. Esta ação de inclusão é um processo gradativo, que de nada adianta se dentro do próprio núcleo familiar a pessoa com deficiência é restringida a socialização. Segundo Bastos et al. (2007), toda família apresenta experiências e características próprias, enquanto em um âmbito de trabalho, o sujeito com deficiência constrói novas experiências, enfrenta crises e novidades. É na família, enquanto contexto de desenvolvimento humano, que crianças são gradualmente orientadas para tornarem-se adultos, mediante regras da vida cultural, muitas vezes não escritas [...] Em uma sociedade desigual como a brasileira, é indispensável levar em conta que as famílias ocupam espaços diferenciados em sua luta por sobrevivência e reprodução da vida. E, ao ocupar estes espaços, estabelecem relações de convivência, conflituosas ou não, trocam experiências, acumulam saberes, habilidades, hábitos e costumes, reproduzindo concepções e cultura (BASTOS et al., 2007, p. 162-163). Dessa forma, o núcleo familiar consiste em um espaço fundamental para a promoção da socialização do sujeito com deficiência, pois são responsáveis por mediar a construção da relação do sujeito com deficiência com o mundo externo, ou seja, a sociedade. Portanto, caro(a) aluno(a), não é possível falarmos sobre a Educação Especial e Inclusiva sem relacionar seu desenvolvimento com fatores do contexto familiar em que o sujeito com deficiência está inserido, mesmo porque a deficiência não se restringe exclusivamente ao indivíduo que a tem, uma vez que a família também é parte fundamental dessa experiência, pois é a primeira a socializar com o sujeito com deficiência (BIASOLI-ALVES, 2008). Desse modo, quanto mais cedo a família iniciar o processo de conscientização para promover a inclusão social e posteriormente auxiliar na inclusão profissional da pessoa com deficiência, mais chances dessa pessoa ter um desenvolvimento pleno. É válido salientar que os obstáculos enfrentados por cada família são diferentes, pois cada família e cada pessoacom deficiência é única, tendo, assim, seus aspectos peculiares dependentes de fatores relacionados ao desenvolvimento, a maturidade, a condição social e financeira de cada uma. O desenvolvimento de uma criança com deficiência que vive em uma família mais estruturada financeiramente apresenta mais recursos que facilitam a ultrapassar algum dos obstáculos que impedem seu progresso, uma realidade diferente da maioria das famílias do país. Assim, podemos dizer que questões financeiras podem dificultar o desenvolvimento das crianças com deficiência. A família pobre não se constitui como núcleo, mas como uma rede com ramificações que envolvem níveis de parentesco como um todo, configurando uma trama de obrigações morais que enreda os indivíduos em dois sentidos: ao dificultar sua individualização e ao viabilizar sua existência como apoio e sustentação básicos [...]. Neste contexto, as crianças não são responsabilidade apenas do pai e da mãe, mas de toda a rede de sociabilidade em que a família está envolvida (BASTOS et al., p. 160-161). Esse fator de desigualdade dificulta o desenvolvimento do sujeito com deficiência, assim como sua relação com o meio social, uma vez que a falta de recursos financeiros pode causar um quadro de abandono ou de isolamento no seio familiar. Porém, em casos assim, a única coisa que podemos afirmar, caro(a) aluno(a), é que a família tem por obrigação a responsabilidade de promover um espaço de apoio mútuo, de compreensão e aceitação. Por fim, a realidade é que todos nós sabemos que a família exerce um papel de extrema importância na vida da criança, sobretudo na de uma criança com deficiência, pois é na família que se encontram os laços afetivos necessários para o desenvolvimento e bem- estar de seus componentes. Assim, ela desempenha um papel fundamental na formação dos valores éticos e morais de seus integrantes. Sexualidade Sabemos que a Educação Inclusiva é um tema muito estudado, no entanto quando nos referimos à Educação Sexual de crianças e jovens com deficiência, podemos dizer que, por ser considerado um tema bem delicado, muitas vezes é deixado de lado, tanto no contexto escolar quanto no contexto familiar. Assim, quando pensamos no verdadeiro sentido da educação, que consiste em conduzir o aluno a descobrir o desconhecido, percebemos que a Educação Inclusiva não é tão complexa, pois deixa de abordar determinados temas devido a questões ligadas a tabus impostos pela sociedade e a falta de compreensão sobre tal necessidade. De acordo com Maia e Ribeiro (2009, p. 46), “o educador deve ter discernimento para não transmitir valores, crenças e opiniões como sendo princípios ou verdades absolutas”. Partindo disso, entendemos que o professor que atua na formação de crianças e jovens, tanto no ensino regular quanto na educação especial, deve deixar de lado todas as questões pessoais que envolvam algum tipo de crença, para que, assim, possa desenvolver determinados aspectos de seu trabalho, como é o caso da Educação Sexual. Dessa forma, caro(a) aluno(a), para compreendermos a importância da Educação Sexual, para a vida e o desenvolvimento do sujeito, iremos discutir sobre as contribuições possíveis para o sucesso no trabalho desenvolvido na modalidade da Educação Inclusiva. Segundo Maio (2011, p. 182), uma proposta de educação sexual “adequada, consciente e emancipadora poderia contribuir para o objetivo de tornar toda a comunidade educativa apta a discutir assuntos importantes para o discernimento, na área da sexualidade”. Portanto essa discussão que aborda a Educação Sexual dentro da modalidade de Educação Inclusiva não é uma tarefa fácil, pois ambas são frutos de conquistas adquiridas ao longo da nossa história. Por outro lado, Braga (2009) destaca que a ausência de profissionais da educação preparados para desenvolver essa discussão na escola impede que a temática seja debatida em âmbitos educacionais. [...] as manifestações sexuais que aparecem na escola demonstram, a cada momento, as dificuldades que as instituições educativas apresentam quando tratam da temática da sexualidade em seu cotidiano. Uma proposta de educação sexual adequada, consciente e emancipadora poderia contribuir para o objetivo de tornar toda a comunidade educativa apta a discutir assuntos importantes para o discernimento, na área da sexualidade (BRAGA, 2009, p. 03). Com isso, podemos dizer que a sexualidade no espaço escolar é uma necessidade. No entanto a educação sexual de crianças e jovens com deficiência ainda não tem sido muito abordada. A abordagem dessa temática no âmbito da educação de pessoas com deficiência contribui para uma vida mais significativa, visto que muitas vezes os alunos com deficiência se isolam do meio social devido a questões emocionais que os fazer se sentir como pessoas inferiores aos demais. Sendo assim, não basta apenas garantir a inclusão do aluno com deficiência no contexto escolar, mais a escola deve garantir a esse aluno com deficiência os mesmos direitos que os demais, ou seja, a escola deve atender todas as necessidades educacionais dos alunos sem restringir sua aprendizagem devido a sua deficiência. Segundo Teixeira e Braga (2008), pessoas com deficiências foram excluídas do processo histórico, pois ao analisar os projetos políticos pedagógicos de instituições que ofertam a educação para pessoas com deficiência, notaram que essa temática não é abordada dentro do âmbito da Educação Especial e Inclusiva, principalmente com alunos com deficiência mental. Ao debatermos sobre a inclusão educacional não podemos deixar de questionar, quanto ao conceito de sujeito que queremos para os alunos com necessidades educacionais, já que se trata da diversidade humana, que de acordo com os estudos realizados, verificamos que em alguns momentos da história os alunos com necessidades educacionais especiais estavam inseridos no processo de escolarização, em espaços de segregação ou de exclusão, dependendo das relações sociais de cada época: nos asilos e em escolas especiais impedidos de se desenvolverem em um processo de aprendizagem participativo (TEIXEIRA; BRAGA, 2008, p. 03). ATENÇÃO Podemos afirmar que é importante que haja uma proposta pedagógica adequada, com currículo flexível, que contemple as necessidades de todos os alunos, seja com deficiência ou não, de modo que torne o processo educativo mais significativo. Dessa forma, caro(a) aluno(a), podemos afirmar que a Educação Especial e Inclusiva continua em déficit, visto que o aluno com deficiência ainda não tem a mesma aprendizagem que os demais, pois são restringidos a aprenderem somente parte do que é ofertado aos alunos sem deficiência. Nesse sentido, Maia e Ribeiro (2009, p. 46) contribuem ao dizer que [...] a orientação sexual não deve e não pode ter como objetivo a transmissão de verdades ou valores morais, tampouco reduzir se à transmissão de informações, mas é preciso que o educador tenha bem clara a importância de que seu aluno amplie a visão de mundo que tem e descubra por si como conquistar um caminho e um espaço na sociedade que o leve a ter uma vida sexual mais plena possível, transpondo as barreiras da desigualdade sexual, do preconceito, dos tabus, do medo e da intolerância. Partindo disso, podemos entender que ao propiciar a ampliação da visão e a abertura de novos horizontes aos alunos com deficiência, diminuímos as barreiras que os definem como pessoas dependentes ou incapazes, pois não podemos defini-los como pessoas inferiores, sendo que sua aprendizagem ocorre de forma defasada, devido a vários fatores que as restringiram a essa aprendizagem. Sendo assim, fica claro que o comportamento de pessoas com deficiência pode ser diferente do comportamento de uma pessoa que não apresenta nenhum tipo de deficiência, pois grande parte das pessoas com deficiência não recebe nenhum tipo de orientação sexual.Segundo Maia e Ribeiro (2009, p. 26), [...] faltam estratégias educacionais que ensinem o portador de deficiência a discriminar os comportamentos socialmente aceitos. Muitos comportamentos e expressões da sexualidade, comuns em crianças e jovens, como a masturbação, os jogos sexuais, o “ficar” com, namorar, perguntar e comentar sobre sexualidade, etc., são interpretados por educadores e pais como aberrações quando aparecem em pessoas com deficiência intelectual, porque muitas vezes, essas expressões são públicas, inadequadas e até mesmo incompatíveis com o corpo físico adulto. Maia e Ribeiro (2009) complementam que as famílias e os educadores de pessoas com deficiência se assustam com a abordagem de ações voltadas a questões sexuais de deficientes, pois mesmo estando em uma época que a população tem fácil acesso à informação, grande parte da sociedade ainda não possui conhecimento sobre a sexualidade dessas pessoas. SAIBA MAIS Percebe-se que a sexualidade se tornou um assunto presente no dia a dia das pessoas, principalmente na escola. Diante disso, buscar compreender todos os campos que envolvem a sexualidade humana também é tarefa do educador, já que ele tem a tarefa de transmitir conhecimentos acadêmicos e, assim, possibilitar a construção de novas aprendizagens para o aluno. A escola, portanto, se mostra um ambiente ideal para a reflexão sobre o tema sexualidade. Todos os dias presenciamos velhas práticas e concepções acerca desse assunto, enraizando ainda mais conceitos tradicionalistas e preconceituosos a respeito da sexualidade humana, não distante disso está a sexualidade da pessoa com deficiência. Tratar de sexualidade na escola não é tarefa fácil para grande parte dos educadores, relacionar isso à pessoa com deficiência então se mostra um desafio para o ensino nos dias atuais. Compreender a sexualidade humana e principalmente a sexualidade de pessoas deficientes é necessário para que novas práticas sejam desenvolvidas na escola, auxiliando-as a se reconhecerem e a reconhecerem seus sentimentos. Fonte: Silva e Maio (2014). Assim, orientar sexualmente alguém com deficiência consiste em uma tarefa complexa, porém tão necessária quanto orientar aquele que não possui deficiência alguma. Isto é, a Educação Sexual ainda precisa quebrar os tabus e preconceitos e adentrar no espaço escolar. Para isso é preciso que o professor tenha consciência que esse assunto também deve ser abordado com os alunos com deficiência, a fim de garantir a eles o direito da mesma aprendizagem dos alunos sem deficiência, para que, assim, possam mudar a história da Educação Especial para seguir a concepção Inclusiva. CONCLUSÃO UNIDADE 3 Caro(a) aluno(a), entende-se que a proposta da Educação Especial e Inclusiva visa promover práticas pedagógicas que atendam as especificidades de cada aluno. No entanto, ao olharmos para o contexto atual da educação, é possível dizer que ainda faltam recursos que promovam o sucesso de forma integral do processo de aprendizagem de alunos com deficiência. Podemos dizer também que a efetivação da proposta da Educação Especial e Inclusiva depende de uma ação conjunta, pois a inclusão não significa somente promover a inserção das pessoas com deficiência em ambientes do ensino regular, ignorando suas necessidades específicas, mas significa que o professor e a escola devem proporcionar ao aluno condições de aprendizagem como os demais, para que, assim, eles consigam suprir suas necessidades. A inclusão de alunos com deficiência em classe regular implica no desenvolvimento de ações adaptativas, visando a flexibilização do currículo, para que eles possam se desenvolver de maneira efetiva em sala de aula de ensino regular, e atender as necessidades individuais de todos os alunos. Dessa forma, a escola pode ser vista com o espaço mais preparado para realizar essa formação, visto que é considerada pela sociedade como um espaço eficaz para formar e transformar a realidade do sujeito com deficiência. Por fim, compreendemos, então, que a Educação Especial Inclusiva necessita de uma ação em conjunto, em que comunidade, pais, professores e todos os envolvidos em seu processo buscam desenvolver a prática inclusiva. Leitura Complementar Sexualidade na Deficiência Intelectual: uma Análise das Percepções de Mães de Adolescentes Especiais Sexuality in Intellectual Disabilities: an Analysis of the Perceptions of Mothers of Special Adolescents Resumo: Adolescência é a fase transitória entre infância e idade adulta, momento importante do desenvolvimento humano, marcado por mudanças físicas, psicológicas e sociais relativas ao início da sexualidade. Este momento geralmente é conturbado e o poderá ser ainda mais para adolescentes com deficiência intelectual (DI) por confrontar com preconceitos e mistificações estabelecidas há tempos. A maneira infantilizante e discriminatória de serem tratados pela família e sociedade influenciam as percepções das mães de filhos com DI. Assim, objetivando investigar as concepções que mães de jovens com DI têm sobre a sexualidade deles e como elas irão refletir na adoção de práticas de educação sexual, foram entrevistadas 20 mães de adolescentes entre 12 a 18 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de DI, atendidos numa clínica escola localizada no estado do Espírito Santo. Analisando as entrevistas, percebeu-se em 12 respostas, a ideia de ausência de sexualidade na pessoa com DI, trazendo uma postura infantilizadora e superprotetora dessas mães em relação aos filhos, considerando-os com pouca possibilidade de desenvolver interesses e comportamentos sexuais. Quanto às concepções das mães nas manifestações sexuais de seus filhos, 15 delas revelaram entender que a sexualidade deles é diferente da de pessoas sem deficiência intelectual. Percebeu-se que 12 das 20 mães nunca orientaram seus filhos sexualmente, alegando que não compreenderiam. Em geral, as mães não reconhecem uma identidade sexual em seus filhos e, por conseguinte, não fornecem uma educação sexual, reproduzindo a concepção social e cultural que nega a existência da sexualidade quando associada à DI. Dê um click para ler o texto na íntegra: LITTIG, P. M. C. B.; CARDIA, D. R., REIS, L. B.; FERRÃO, E. D. S. Sexualidade na deficiência intelectual: Uma análise das percepções de mães de adolescentes especiais. Rev. Bras. Educ. Espec., 2012. Referências BASTOS, A. C. S.; GOMES, M. M.; GOMES, M. C.; REGO, N. Conversando com famílias: crise, enfrentamento e novidade. In: MOREIRA, L.; CARVALHO, A. M. A. (Orgs.). Família, subjetividade, vínculos. São Paulo: Paulinas, 2007. BIASOLI-ALVES, Z. M. M. Cuidado e negligência na educação da criança na família. In: CARVALHO, A. M. A.; MOREIRA, L. V. de C. (Orgs.). Família e educação: olhares da psicologia. São Paulo: Paulinas, 2008. BRAGA, E. R. M. Educação sexual e escola. Informativo UEM, ano IV, n. 853, 11 fev. 2009. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Lei n. 9.394/96 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. CARVALHO, R. E. Educação inclusiva com os pingos nos “is”. 7. ed. Porto Alegre: Mediação, 2011. FARIAS, R. R. S.; LOPES, T. A. C. de F. As Pessoas com Deficiência no Contexto da Educação Escolar Brasileira. Revista HISTEDBR, Campinas, n. 65, 2015. FÁVERO, E. A. G. O direito a uma educação inclusiva. In: GUGEL, M. A.; COSTA FILHO, W. M. da; RIBEIRO, L. L. G. (orgs.). Deficiência no Brasil: uma abordagem integral dos direitos das pessoas com deficiência. Florianópolis: Obra Jurídica, 2007, p. 89-109. MAIA, A. C. B.; RIBEIRO, P. R. M. Orientação sexual e síndrome de down: esclarecimentos para educadores. Bauru: Joarte Gráfica e Editora, 2009. MAIO, E. R. O nome da coisa. Maringá: UNICORPORE, 2011. MANTOAN, M. T. E. Inclusão escola: o que é? porque? como fazer? 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UNIDADE 4 Educação Inclusiva II Introdução Olá, caro(a) aluno(a), estamos iniciando a última parte de nosso estudo. Nesta unidade iremos conhecer sobre a importância da equipe multidisciplinar no contexto da educação de pessoas com deficiência. Além de compreender qual a contribuição da escola para a construção de uma comunidade inclusiva, a relação entre a educação inclusiva e a cidadania de pessoas com deficiência. Há tempos que a educação inclusiva tem sido tema de debates no contexto escolar e social. Especialistas buscam, através de políticas públicas e pelo movimento dos direitos humanos, http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2014/20%2014_uem_edespecial_artigo_marta_brito_da_silva.pdf http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2014/20%2014_uem_edespecial_artigo_marta_brito_da_silva.pdf atender as ações necessárias para a inclusão de pessoas com deficiência no contexto social e educacional. Assim, quando nos referimos à inclusão social das pessoas com deficiência, é notório que ainda se enfrenta desafios, visto que esse processo ocorre de forma lenta devido à falta de recursos e profissionais para atender todas as pessoas com deficiência. Em razão disso, a efetivação dos direitos que cabem às pessoas com deficiência não alcança total plenitude, deixando de atender grande parte da população com deficiência. Assim, entende- se que a escola é a principal responsável por conduzir o processo de inclusão de pessoas com deficiência no contexto social e também por promover uma sociedade mais justa e igualitária, capaz de romper as barreiras impostas sobre os direitos de pessoas com deficiência. Bons estudos! Equipe Multidisciplinar: Sua Atuação A equipe multidisciplinar consiste em um conjunto de especialistas de diversas áreas, trabalhando em prol de um único objetivo, no entanto seu objetivo deve estar articulado com a realidade da comunidade em que a escola pertence. Quero dizer, caro(a) aluno(a), que os objetivos das equipes multidisciplinares das escolas de ensino regular não são os mesmos, visto que as necessidades da comunidade em que elas estão inseridas são diferentes. Então, o trabalho da equipe multidisciplinar no contexto da Educação Especial e Inclusiva é para atender as necessidades do sujeito com deficiência, assim, é constituído por profissionais da educação e da saúde, com o objetivo de promover ações que possibilitem a inclusão desse sujeito no meio educacional, a fim de facilitar seu desenvolvimento escolar, por meio da identificação de suas dificuldades e potencialidades, respeitando a especificidade de cada aluno. Assim, caro(a) aluno(a), para melhor compreender a relação entre a equipe multidisciplinar e inclusão escolar, é necessário considerar todos os fatores políticos, sociais e econômicos, os quais podem ser impostos como obstáculos para a promoção da inclusão do sujeito com deficiência no contexto escolar. É válido destacar que esses fatores também podem ser vistos como desafios que afetam de forma substancial o interesse da sociedade de promover uma “educação para todos”. Portanto, podemos dizer que a educação somente conseguirá atingir seu objetivo quando assumir um compromisso social na construção do conhecimento, de forma que possa utilizar o sistema a seu favor, ou seja, fazer com que as mudanças realizadas pelo sistema sejam adaptadas para atender as necessidades de cada comunidade. Então, as equipes multidisciplinares são essenciais à promoção do trabalho pedagógico. A participação colaborativa entre os profissionais da equipe multidisciplinar favorece a criação de estratégia para atender as necessidades das pessoas com deficiência. Segundo Correia (2010), a constituição de equipes para apoiar a inclusão nas escolas é uma estratégia fundamental que envolve distintos sujeitos para pensar sobre a efetivação dos processos inclusivos. De acordo com Correia (2010), a equipe multidisciplinar pode ser dividida em duas equipes, sendo uma responsável por promover estratégias que envolvam o planejamento inclusivo e a outra desenvolvendo estratégias colaborativas. A equipe de planejamento fica sob a responsabilidade dos pais e professores, que devem pensar sobre ações estratégicas que visam o desenvolvimento e a avaliação de um projeto inclusivo para as escolas, de forma que mobilize toda a comunidade escolar. A equipe de estratégias colaborativas atua como uma “equipe de apoio ao aluno”, formada por especialistas da saúde, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, além de pais e professores, voltados a pensar em estratégias de trabalho para os casos específicos de estudantes incluídos. No entanto a formação da equipe multidisciplinar pode variar muito, a depender de cada município (SOUZA et al., 2004). Ainda na concepção de Correia (2010), a equipe multidisciplinar deve manter a troca de informações sobre os alunos, de forma que permita efetuar uma intervenção educacional cujo fim seja o de minimizar ou até suprimir o problema do aluno. O envolvimento e a participação das famílias nesse processo são consideradas imprescindíveis para a promoção de estratégias que possam favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes com deficiência. Lopes e Marquezan (2010, p. 4) destacam: [...] que a participação da família do filho com necessidades especiais é decisiva no processo de integração/inclusão e indispensável para um construir-se pessoal e participante da sociedade. As relações entre famílias de filhos com necessidades especiais oportunizam suporte recíproco para o fortalecimento necessário à convivência saudável entre seus membros. A escola, em conjunto com a família, deverá implementar as melhores estratégias de ensino-aprendizagem para que o aluno portador de necessidades especiais dela se beneficie e nela permaneça. (LOPES; MARQUEZAN, 2010, p. 4). Nessa perspectiva, Correia (2010) complementa que as famílias devem ser consideradas membros valiosos da equipe e devem ser envolvidas nas tomadas de decisões. As práticas e políticas de atendimento às famílias devem ser amistosas, respeitando os valores de cada família e estabelecendo prioridades que permitam a adaptação do sujeito com deficiência. Um dos fatores importantíssimos desta proposta refere-se ao grande avanço da política de educação inclusiva como uma rede colaborativa entre o Ministério da Educação, que promove a capacitação profissional que atende a educação de crianças e jovens com deficiência, e as Secretarias de Educação, que aderiram ao programa de formação continuada, visando atender a proposta de atendimento em parceria com a família, o professor regente, o professor e toda a equipe multidisciplinar. Por outro lado, embora as escolas tenham, por obrigação, que ter em seu espaço uma equipe multidisciplinar que atenda às necessidades dos alunos com deficiência,a maior dificuldade enfrentada nas escolas, principalmente na rede pública de ensino, é encontrar profissionais capacitados da área da saúde para atuação diretamente com os estudantes com deficiências. Portanto, caro(a) aluno(a), o trabalho de uma equipe multidisciplinar consiste em uma forma específica de organização, que visa atender as necessidades educativas do aluno, de forma mútua e coletiva, com os colaboradores da área da saúde e da educação trocando informação em prol deste objetivo. SAIBA MAIS Você sabia que segundo os dados apresentados pelo IBGE, em 2015, mais 6,7% da população geral possui algum tipo de deficiência? E que atualmente, cerca de 7,5% das crianças brasileiras – de até 14 anos de idade, têm uma deficiência diagnosticada, conforme dados divulgados pelo IBGE? Em termos de porcentagem pode não parecer um valor muito expressivo, mas quando convertemos para números reais, são 47 milhões de brasileiros com deficiência, dos quais quase 16 milhões são crianças. Mas, mesmo com esse número alto, a inclusão social é uma grande barreira para a integração efetiva e abertura de oportunidades igualitárias para essas pessoas. Quando pensamos em “inclusão” precisamos expandir nossa ideia de apenas dar acesso aos mesmos espaços, mas sim às possibilidades de aprendizagem e atuações que os espaços oferecem. Inclusão é um conceito que tem a ver com a sensação de pertencimento. E para ser incluída a pessoa precisa fazer parte e ter voz dentro dos grupos nos quais convive, sejam eles familiares, sociais, profissionais e acadêmicos. Para que isso seja possível, precisamos nos conscientizar e nos preparar para lidar com as diferenças de pensamento, mobilidade, comunicação e interação. Devemos nos unir na luta em prol da empatia e direitos. Fonte: Micas, Garcez e Conceição (2018). Construção de uma Comunidade Inclusiva: Desafios e Perspectivas Uma escola inclusiva possui o compromisso de lutar por uma sociedade mais igualitária, em que todos são tratados com dignidade e respeito. Assim, surge um novo olhar, com grandes desafios sobre a inclusão, percorrendo caminhos que nos levam a uma sociedade mais justa e unida na luta pelo direito das pessoas com deficiência. Assim, quando pensamos em uma escola inclusiva, pensamos em criar possibilidades que possam atender às necessidades dos alunos com deficiência. A escola necessita fazer adaptações arquitetônicas, flexibilizar o currículo, capacitar professores, rever as metodologias e manter uma interação entre a comunidade, a família e a escola. Contudo, essa ação só pode ser alcançada mediante a um bom desenvolvimento educacional que busca promover o respeito às diferenças, mesmo que não seja em pequena escala, visto que ainda grande parte das crianças com deficiência não frequentam a escola de ensino regular. Em razão disto, caro(a) aluno(a), podemos dizer que o sistema de ensino ainda está em fase de adaptação e requer um empenho maior das escolas de ensino regular, pois para que essa inclusão ocorra é indispensável que as escolas que ofertam o ensino regular disponham de recursos e de profissionais preparados para atender as especificidades de cada aluno. Outro ponto importante refere-se à participação ativa de todos os envolvidos no processo educacional, isto é, para que ocorra a adaptação do sistema, é necessário que ocorra um intercâmbio entre os gestores, professores, alunos, família e toda a comunidade que a escola pertence. A intervenção desse intercâmbio entre esses atores pode ser realizada a partir da construção do Projeto Político Pedagógico, que deve envolver todos eles, em prol de promover ações significativas para todos (comunidade, escola, família e alunos). Dessa forma, o processo de elaboração do projeto necessita de um conhecimento sobre educação, as ações e resultados da escola, assim como as ações promovidas pela comunidade, visando sempre valorizar o papel da escola em meio ao seu contexto social. Portanto, a elaboração do Projeto Político Pedagógico exige um planejamento que busque identificar o que a comunidade e a escola desejam alcançar. Nesse sentido, é válido se atentar aos obstáculos que uma criança com deficiência terá que enfrentar no âmbito educacional, visto que a inclusão desse aluno depende muito do currículo escolar, que deve ter sua função atrelada às dificuldades dos alunos. Sendo assim, o Projeto Político Pedagógico da escola ser adaptado, baseando-se em situações reais, vivenciadas na comunidade e na escola, para atender as necessidades de cada aluno. No entanto devem ser levadas em consideração as reflexões e propostas em torno de três dimensões de ação, que competem a segmentos distintos. O Projeto Político Pedagógico da escola deve apresentar os princípios, objetivos educacionais do método de ação e das práticas que serão adotadas para a promoção da ação inclusiva, além de definir uma relação entre a escola e a comunidade (BRASIL, 2004). Segundo Libânio (2008), essa relação pode promover a construção de uma sociedade mais justa e humana, e também valorizar o trabalho coletivo e participativo dos envolvidos nesse processo. Dessa forma, a construção do projeto político-pedagógico da escola deve ser um processo coletivo que exige reflexão e organização de todos os que dela participam ou se beneficiam. A gestão da escola é a principal responsável por conduzir a elaboração desse projeto. Assim, deve buscar mobilizar pais, professores e a comunidade a formar uma equipe que reflita sobre os princípios, objetivos e metas a serem estabelecidos nesse projeto. Essa ação deve ser refletida com muito cuidado, pois é a partir dela que a comunidade dará início ao desenvolvimento de ações de inclusão, a fim de transformar-se em uma comunidade inclusiva. Entende-se, então, caro(a) aluno(a), que a comunidade desempenha um papel de suma importância na construção do Projeto Político Pedagógico. De acordo com Conceição et al. (2006), a comunidade é parte indispensável no processo de construção da identidade de uma instituição educativa, pois somente com a participação de todos é possível promover políticas públicas que atendam aos anseios de toda a comunidade. Dessa forma, a construção da comunidade inclusiva depende muito da participação e colaboração dos membros, pois na Educação Inclusiva não basta somente que o aluno frequente a escola, essa nova concepção implica também em assegurar seus direitos como membros de uma determinada sociedade. Isto é, caro(a) aluno(a), para que a inclusão ocorra, não basta somente a escola fazer sua parte, pois a inclusão desse aluno não pode ser realizada somente no âmbito escolar. Portanto, para que a comunidade adentre a concepção inclusiva, é necessário que todos os membros colaborem e participem da elaboração do projeto político pedagógico da escola de sua comunidade, visto que esse projeto abrange ações para promover o desenvolvimento do aluno com deficiência em suas experiências vivenciadas na comunidade, ou seja, as ações estarão voltadas para o desenvolvimento integral do aluno, dentro e fora do contexto escolar. Educação para Cidadania, uma Questão de Direitos Humanos A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (Art. 205, CF). A educação para a cidadania consiste na formação de pessoas responsáveis, autônomas e solidárias para exercer os seus deveres e direitos em forma de diálogo e respeito ao outro, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo, tendo como referência os valores dos direitos humanos. A educação para a cidadania surge inicialmente na educação não formal, como prática de educação popular, por meio da constituição de estratégia de mobilização, organização e formaçãode uma cultura cidadã na construção de sujeitos históricos em processos de lutas pelas conquistas dos seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. Nesse sentido, é possível afirmar, caro(a) aluno(a), que a educação para a cidadania busca uma educação mais democrática em prol de fazer valer os direitos e deveres de todo cidadão. Assim, a educação para a cidadania tem início com as lutas sociais, que visam construir uma sociedade mais justa e igualitária. Outro ponto importante da educação para a cidadania refere-se à integração do sistema de educação, que transforma a educação sobre caráter interdisciplinar, ou seja, obriga a superação das tradicionais divisões em disciplinas e departamentos com objetivo de estimular uma colaboração mais sistemática e orgânica entre as disciplinas: Direito, História, Filosofia, Ciências Sociais, Psicologia Social, Serviço Social, educação, entre outras. A partir dessa experiência formativa é possível agrupar as principais temáticas ao redor de alguns grandes eixos: Quadro 2 - Educação para a cidadania Eixo Objetivo Eixo histórico Aborda a reconstrução da trajetória histórica do surgimento e da afirmação dos Direitos Humanos Eixo de fundamentação Aborda as questões relativas à fundamentação dos direitos Humanos do ponto de vista teórico Eixo político Discute as teorias e os sistemas políticos atuais e sua relação com os direitos do homem, enfrentando temas, como: as diferentes concepções da democracia e os direitos humanos; democracia e liberalismo (democracia e liberdade); democracia e socialismo (democracia e igualdade); o papel do Estado e da “nova esfera pública da cidadania” na promoção e defesa dos Direitos do homem a nível local, nacional e internacional Eixo educacional ou formativo Estudar as teorias e os métodos pedagógicos mais adequados para uma educação aos direitos humanos nos vários contextos (educação formal e informal, movimentos sociais, entidades públicas), abordando aspetos como a educação das crianças, jovens e adultos para uma nova cultura dos direitos humanos e da paz e a reflexão e sistematização da prática educativa em direitos humanos Eixo prático/aplicativo As medidas e os instrumentos existentes para a realização dos direitos humanos e ao estudo da eficácia social das normas de proteção aos direitos humanos e das ações e políticas públicas, do ponto de vista jurídico, explicitando as garantias gerais Fonte: SECAD/MEC (2010). Nota-se, caro(a) aluno(a), que o objetivo desses eixos é diminuir as diferenças sociais, transformando a sociedade de forma justa e igualitária. Assim, tais eixos deram início a discussões com o objetivo de promover, às pessoas com deficiência, a construção de sua cidadania por meio de medidas que visam melhorar a acessibilidade e igualdade de oportunidades, proporcionando, assim, a participação e inclusão dessas pessoas em âmbito social e promovendo o respeito pela autonomia e dignidade das pessoas com deficiência (OMS, 2011). Dessa forma, no que se refere à educação para cidadania de pessoas com deficiência, podemos dizer que por muito tempo a educação de pessoas com deficiência, conforme mencionado na Unidade I de nossa apostila, seguiu uma concepção que as restringia de receber apenas um atendimento diferenciado, mantendo-as em espaços separados de crianças que não apresentavam deficiência. Porém, nas últimas décadas, essa concepção sofreu alterações, voltando para a promoção da Educação Inclusiva. Logo, as políticas que regem a Educação Especial também sofreram alterações, passando a atender uma concepção Inclusiva que tende a assegurar não só a permanência do sujeito com deficiência no âmbito da escola regular, mais sim o desenvolvimento integral desse aluno, assim como a valorização e o respeito à sua diversidade. Nessa nova concepção não é o aluno que deve se adaptar à realidade da escola, mas a escola que deve se adaptar para receber esse aluno com deficiência, aceitando e respeitando suas diferenças e garantido uma aprendizagem significativa, para que, assim, o sujeito com deficiência passe a se enxergar como membro da sociedade. Com isto, caro(a) aluno(a), reforço o que venho dizendo nas unidades anteriores, o processo de inclusão ocorre de forma lenta, pois muitas das escolas de ensino regular do país não estão preparadas para receber alunos com deficiência. Dessa forma, mesmo que o acesso à educação dessas pessoas com deficiência seja assegurado pela Constituição de 1988, é possível afirmar que grande parte delas não estão frequentando a escola de ensino regular, muitas nem se encontram matriculadas em instituições de ensino devido à falta de condições financeiras (CARVALHO, 2008). No entanto, de acordo com a Declaração de Salamanca (1994): Qualquer pessoa portadora de deficiência tem o direito de expressar seus desejos com relação à sua educação, tanto quanto estes possam ser realizados. Pais possuem o direito inerente de serem consultados sobre a forma de educação mais apropriadas às necessidades, circunstâncias e aspirações de suas crianças (SALAMANCA, 1994, p. 3). Em contraponto, volto a reforçar que mesmo que as leis assegurem a educação como um direito de todos, a falta de recursos faz com que a inclusão ocorra de forma lenta, de modo que dificulte a educação ser acessível a todos. Ainda sobre a inclusão, caro(a) aluno(a), quero deixar claro que não pode ser uma ação em que inserimos uma criança com deficiência no âmbito da escola regular esperando que ela reproduza as ações praticadas pelas outras e assim consiga construir sua cidadania. De acordo com Boneti (2011, p. 16-17), [...] falar em Inclusão como resgate da cidadania, significa falar na busca da plenitude dos direitos sociais, da assistência social, da participação da pessoa em todos os aspectos da sociedade. A ação educativa, assim, seria “inclusiva” na medida em que proporciona a participação integral da pessoa na sociedade, sobretudo no sentido de fornecer elementos de autonomia individual, como é o caso da apropriação aos saberes para o trabalho, aos saberes culturais etc. (BONETI, 2001, p. 16-17). Acredita-se, então, que não são todas as pessoas da sociedade que possuem a cidadania plena, porém a construção da cidadania dessas pessoas compete não só aos governantes, mas também a toda a sociedade do nosso país que deve assegurar e fiscalizar a inclusão (MARTINS, 2010). A escola inclusiva deve possibilitar ao aluno com deficiência os mesmos direitos que cabem aos outros alunos, garantindo, assim, sua caminhada no processo de aprendizagem e de construção das competências necessárias para o exercício pleno da cidadania, que é objetivo primário de toda ação educacional. A escola inclusiva também deve ser o espaço que favorece e possibilita ao aluno com deficiência o acesso ao conhecimento e o desenvolvimento de suas competências, assim como o exercício efetivo da cidadania. É válido ressaltar que a educação tem como função promover estratégias que efetivem a formação do cidadão e, consequentemente, a prática da cidadania. Assim, quando ela não está atingindo esse objetivo, como é o caso da inclusão de pessoas com deficiência no contexto de ensino regular, precisa-se refletir e repensar determinadas práticas e atitudes. Então, a garantia do acesso das pessoas com deficiência à educação no ensino regular é um modo de promover a cidadania, pois é mediante a interação com o meio que o sujeito desenvolve os valores que correspondem aos valores de um cidadão. A primeira questão em relação ao processo de formação do cidadão deve priorizar as mudanças de valores, de atitudes, de posições, de comportamentos e de crenças, em favor da prática da tolerância, da paz e do respeito ao ser humano. Partindo dessa compreensão, podemos dizer que essa formação, adquirida mediante a inclusão, não é uma formação formal, distanciada docontexto sociopolítico, cultural e ético, que garante juridicamente os direitos, mas uma cidadania ativa e organizada de forma individual na sua prática e coletiva na sua afirmação. ATENÇÃO É importante salientar que a participação da comunidade é indispensável na construção da cidadania de crianças com deficiência. Por conseguinte, para que seja concretizada a cidadania seguindo essa perspectiva é fundamental que toda a comunidade busque o conhecimento sobre os direitos, a formação de valores e as atitudes para o respeito aos direitos que a competem. A prática da cidadania consiste em processo participativo, individual e coletivo, que visa promover a reflexão sobre ações que possam afetar o comportamento social. Dessa forma, o exercício da cidadania implica sobre as ações de cada sujeito e até mesmo nos que interagem ao seu redor, de modo que a cidadania pode ser vista por meio das atitudes, do comportamento, do modo do convívio social. Caro(a) aluno(a), a garantia da inclusão de pessoas com deficiência na educação pode ser vista como a efetivação do direito humano e um instrumento de potencialização do exercício da cidadania. Assim, podemos dizer que a inclusão como um direito humano foi constituída mediante a necessidade de promover a igualdade e o respeito às diferenças (SANTOS, 2014). REFLITA Você já parou para refletir sobre quais as condições necessárias à compreensão de um novo sujeito histórico? O que o identifica? Entende-se que a educação é uma ação coletiva que visa a convivência social, a cidadania e a consciência política do sujeito, além de ensinar o conhecimento científico e conduzir o sujeito ao exercício da cidadania. Entende-se também que o exercício da cidadania é responsável por possibilitar o acesso a bens culturais, que fazem parte da produção social da sociedade. A educação para a cidadania permite que cada pessoa seja vista como um agente transformador, considerando suas questões sociais e suas raízes históricas. Isso faz com que a educação se associe a questões de liberdade, democracia e cidadania, pois tais questões devem existir em todas as relações sociais, econômicas, políticas e culturais. Por fim, caro(a) aluno(a), podemos compreender que a inclusão de pessoas com deficiência em escolas de ensino regular como um fator fundamental para a efetivação da sua cidadania. No entanto, como foi visto em sua trajetória na disciplina, a educação desses indivíduos foi marcada por segregação, isso porque os estabelecimentos de ensino especial que os recebiam sempre se apresentaram como os que poderiam atender de maneira efetiva os indivíduos com deficiência. Portanto, considerando tudo o que vimos até aqui, é necessário ampliar-se o conceito de escola democrática e pensar em como participar das decisões que envolvem a instituição, bem como acolher e oportunizar a admissão de discentes com deficiência na instituição pode contribuir para promover a cidadania. CONCLUSÃO UNIDADE 4 Diante das exigências da sociedade sobre a nova concepção de Educação Inclusiva, vimos nesta unidade que a escola é responsável por promover ações coletivas que visam possibilitar o desenvolvimento integral de cada aluno. Vimos que a equipe multidisciplinar consiste em um grupo de especialistas da saúde e educação para refletir sobre ações que possam facilitar o desenvolvimento das crianças e jovens devidamente matriculadas em instituições de ensino. Nesta unidade, pudemos compreender também que a inclusão de pessoas com deficiência no ensino regular contribui para a formação da sua cidadania, para que, assim, possam se enxergar como parte ativa da sociedade. Partindo isso, foi possível compreender que a escola consiste em um instrumento facilitador na promoção da relação entre pessoas com deficiência, a família e a sociedade. Entende-se também que a escola desempenha um papel fundamental na construção dessa relação, visto que sua função consiste em formar o sujeito para atuar e exercer sua cidadania em meio a sociedade. Enfim, partindo do que foi estudado nesta unidade, acredito que você, caro(a) aluno(a), tenha compreendido qual a relação entre a concepção da escola inclusiva, a construção da cidadania e a efetivação dos direitos humanos das pessoas com deficiência. Leitura Complementar Projeto Brasil Inclusão vai implementar ações em benefício das pessoas com deficiência em 2020 Em 2020, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (SNDPD), vai lançar o projeto “Brasil Inclusão”. A iniciativa incluirá regulamentações, plataforma de cadastro único, medidas no campo de empregabilidade, entre outras ações em benefício dessa população. Desde 2015, quando a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) foi sancionada, há uma expectativa de que a avaliação biopsicossocial da deficiência seja implantada. O método finalmente ganhará forma com por meio do “Brasil Inclusão”. A partir da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o conceito de deficiência passou do modelo biomédico, centralizado na doença e nas limitações do corpo, para o modelo biopsicossocial, que também compreende barreiras socioeconômicas, ambientais e atitudinais. Enquanto o modelo biomédico se atém a uma visão reducionista e fragmentada da deficiência, centrada apenas no organismo, a avaliação biopsicossocial privilegia uma visão sistêmica, em que a restrição de participação social é a principal característica definidora da deficiência. No modelo biopsicossocial, o reconhecimento da deficiência é feito a partir de um olhar multifatorial, por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, integrando de forma dinâmica várias perspectivas da vida da pessoa com deficiência, como também os saberes de diversas disciplinas, de modo a avaliar a pessoa com deficiência em sua integralidade. Plataforma digital com cadastro único A LBI, em seu artigo 92, prevê a criação do Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência. O objetivo é que haja um registro público eletrônico com a finalidade de coletar, processar, sistematizar e disseminar informações georreferenciadas, que permitam a identificação e a caracterização socioeconômica da pessoa com deficiência, bem como das barreiras que impedem a efetivação de seus direitos. Pensando nisso, será criada uma plataforma digital, na qual as pessoas com deficiência poderão ser cadastradas. Mais do que mapear o exato número de pessoas com deficiência no país, o cadastro pretende possibilitar a identificação dessas pessoas para eliminar a burocracia relacionada ao acesso às políticas públicas, entre outras situações que dificultam a garantia dos direitos previstos por lei. A secretária nacional da SNDPD, Priscilla Gaspar, falou sobre a importância desse projeto. “Minha expectativa é que em 2020 a SNDPD consiga sanar a falta de estatísticas sobre pessoas com deficiência, porque isso representa um obstáculo para o planejamento e para a implantação de políticas de desenvolvimento que melhorem as vidas dessas pessoas”, afirmou. Com a inclusão no cadastro, a expectativa é que a pessoa com deficiência tenha uma identificação única que comprovará sua deficiência. Assim, aqueles que passarem pela avaliação biopsicossocial e tiverem sua condição de deficiência comprovada serão incluídas no Cadastro- Inclusão. Entre as ações propostas estão estudos e pesquisas para identificar medidas para ampliar a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, envolvendo empresas e funcionários com deficiência. O objetivo é assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, com vistas à sua inclusão social e ao exercício da cidadania. 2019 No ano passado, o MMFDH promoveu muitos avanços nas políticas voltadas às pessoas com deficiência.No âmbito da SNDPD, foi criada uma coordenação específica para tratar das questões de direitos humanos envolvendo pessoas com doenças raras, por meio do Decreto 10.174/2019. Também em 2019 foi lançada uma cartilha sobre direitos de pessoas com deficiência auditiva contendo textos informativos e vídeos em libras. A cartilha envolve temas relacionados à informação, saúde, educação, cultura, além de apresentar os canais para denúncias. Além disso, o Ministério ofertou um curso de Libras na plataforma da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) para mais de 50 mil pessoas. A secretária Priscilla relatou que há muito tempo o lema “nada sobre nós sem nós” tem sido um mote de movimentos de direitos para pessoas com deficiência. “Quando elas são consultadas, isto leva a leis, políticas e programas que contribuem para uma sociedade mais inclusiva. Para que isso aconteça, é preciso trabalhar muito com a campanha de conscientização e empatia”, concluiu. Fonte: Brasil (2020). Referências BONETI, L. W. Vicissitudes da Educação Inclusiva. PUCPR. ANPED GT: Política de Educação Superior, 2011 BRASIL. Educação inclusiva: a escola. v. 3. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2004. BRASIL. Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Projeto Brasil Inclusão vai implementar ações em benefício das pessoas com deficiência em 2020. 2020. Disponível em: https://www.mdh.gov.br/todas-as-noticias/2020-2/fevereiro/projeto-brasil-inclusao-vai- implementar-acoes-em-beneficio-das-pessoas-com-deficiencia-em-2020. Acesso em: 29 mar. 2020. CARVALHO, J. M. de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. CONCEIÇÃO, M. V. et al. Gestão Democrática da Escola Pública: possibilidades e limites. Unirevista, São Leopoldo, v. 1, n. 2, p. 1-9, 2006. CORREIA, L. M. (Org.). Educação especial e inclusão: quem disser que uma sobrevive sem a outra não está no seu perfeito juízo. 2. ed. Porto: Porto Editora, 2010. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA: Sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Salamanca-Espanha, 1994. LOPES, R. P. V.; MARQUEZAN, R. O envolvimento da família no processo de integração/inclusão do aluno com necessidades especiais. Revista Educação Especial, Santa Maria, n. 15, p. 1-4, 2010. MARTINS, E. B. 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Nesse aspecto, acreditamos que tenha ficado claro para você, quais as ações que podem ser tomadas para promover a inclusão do sujeito com deficiência, não só no contexto escolar, mais sim na comunidade a qual pertence. Apresentamos os aspectos causadores da deficiência física, intelectual e sensorial e suas características. Desse modo, foi possível compreender que as pessoas com deficiência apresentam lacunas em sua formação. Ressaltamos também a importância da relação entre a família, a comunidade e a escola em meio ao processo de inclusão, enfatizando o valor da mediação da escola no processo de inclusão escolar e social. Destacamos questões relacionadas à educação para a cidadania de pessoas com deficiência, as quais dependem do intermédio da escola, da família e da comunidade para se enxergar e serem vistas como sujeitos ativos sociais. Partindo deste estudo, acreditamos que você já está preparado(a) para seguir para sua próxima etapa e enfrentar os desafios que possam surgir ao longo do caminho. Foi ótimo estar com você! Desejo sucesso em sua próxima etapa.