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Heber Carlos de Campos
Não há muito sentido estudar 
a respeito do homem sem estudar 
sobre o lugar onde Deus o colocou 
desde o inido dos tempos
0 tem a paraíso é fascinante, porque nos lembra do 
carinho de Deus ao criar o lugar onde, originalmente, 
colocou sua obra-prima, o ser humano, assim como 
0 rigor de sua justiça ao retirar o homem do paraíso 
e o paraíso do homem. E isso tudo se deu por causa 
da Queda. Não se pode esquecer, também, de sua 
bondade graciosa que nos promete a restauração 
do paraíso, para nosso deleite, na consumação de 
nossa redenção, no fim dos séculos.
A intenção, portanto, é trazer ao público cristão 
uma noção, ainda que não exaustiva, do lugar 
origina] que Deus deu para o homem viver em 
sua presença e, assim, despertar o povo de Deus 
para o estudo de um dos tópicos mais importantes 
de nossa vida: o lugar de nossa habitação.
ISBN: 9 7 8 -8 5 -7742 -093-3
9 788577 420933
C a t e g o r i a : R e f e r e n c i a
Heber Carlos de Campos
OHABTTAr 
HUMANO
Estudos em 
Antropologia 
Bíblica
hagnos
©2011 por Heber Carlos de Campos 
Revisão
Josemar Souza Pinto 
André Lima
Capa
SOUTO CRESCIMENTO DE MARCA
Diagramação 
Catia Soderi
la edição - setembro de 2011
Editor
Juan Carlos Martinez
Consultor acadêmico 
Luiz Sayão
Coordenador de produção 
Mauro W. Terrengui
Impressão e acabamento 
Imprensa da Fé
Todos os direitos desta edição reservados para: 
Editora Hagnos 
Av. Jacinto Júlio, 27
04815-160 - São Paulo - SP - Tel (11) 5668-5668 
hagnos@hagnos.com.br - www.hagnos.com.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Campos, Heber Carlos de
O habitat humano : o paraíso criado / Heber Carlos de Campo, — São Paulo 
Hagnos, 2011.
ISBN 978-85-7742-093-3
1. Antropologia teológica - Cristianismo 2. Criação 3. Deus 4. Homem - Habitat 5 . 
Paraíso I. Título.
11-08636 CDD-233
índices para catálogo sistemãtico:
1. Habitat humano : Antropologia bíblica : Cristianismo 233
mailto:hagnos@hagnos.com.br
http://www.hagnos.com.br
À BIANCA, 
o amor do vovô, 
dedico este livro
A presentação
o projeto apresentado nesta obra é como um gran­
de mapeamento teológico, que responde ao anseio legí­
timo de cristãos ávidos por uma leitura responsável e 
madura das Escrituras. Em muitos casos, o leitor que se 
aventura a iniciar uma leitura integral das Escrituras, 
seguindo a ordem como os livros se encontram no câ­
non, não antecipa ter que carregar o fardo pesado das 
dúvidas e tópicos de interesse que se vão acumulando à 
medida que lê o texto bíblico, fardo este que se asseme­
lha à situação de alguém perdido num grande centro ur­
bano. Para os que já experimentaram a angústia de não 
saber onde estão nem o caminho que devem seguir, ter o 
mapa em mãos não ê tudo de que se precisa — um guia 
que nos ensine a olhar os dados contidos nesse mapa, a 
saber onde estamos em nossa trajetória e onde devemos 
chegar, isso, sim, é o que todos precisamos. É nesse 
sentido que O habitat humano: o paraíso criado constitui 
um minucioso projeto de mapeamento para todo cristão 
desejoso de desbravar um novo horizonte de compreen­
são das Escrituras.
Não poucas vezes, seremos surpreendidos pela voz 
do nosso coração “Quantas vezes passei por este cami­
nho! Como foi que nunca atinei para isso?” . São ma­
nifestações como essa que convencerão o leitor de que 
uma nova perspectiva de leitura faz toda a diferença em 
nosso passeio pelas Escrituras. Mais que isso, tais ma­
nifestações refletem a habilidade do “guia” (o teólogo que 
nos conduz nesse passeio) em nos fazer maravilhar não 
com o seu conhecimento, mas com aquilo que os nossos 
olhos agora conseguem ver. Essa foi a minha primeira 
impressão, ao 1er o manuscrito desta obra para prepa­
rar sua apresentação, impressão que se tem confirmado 
cada dia mais. Isso me permite fazer a projeção de que 
o impacto da proposta de leitura apresentada aqui terá 
efeito duradouro na maneira como lemos nossa Bíblia, 
na maneira nova como olharemos para verdades até en­
tão tidas como de menor importância, na maneira como 
organizávamos verdades apresentadas separadamente 
na narrativa bíblica.
Nesta primeira parte do projeto, o autor explora 
elementos fundamentais para compreendermos as 
implicações mais abrangentes e as ramificações mais 
profundas daquilo que os primeiros dois capítulos de 
Gênesis descrevem como o habitat humano. Segundo o 
autor, tanto as características específicas quanto as gerais 
apontam para uma expectativa do Criador em relação 
ao ser que ele criou à sua imagem e semelhança. Seu 
habitat foi preparado de tal maneira e intencionalmente 
condicionado para trazer à luz lembretes constantes da 
relação que existe entre a criatura e o seu Criador, seja 
no modo como agimos, pensamos ou falamos. Nosso 
habitat original no jardim do Éden, conforme veremos 
nesta obra, era capaz de refletir sobre a natureza humana 
um brilho de originalidade e compatibilidade com a boa 
vontade do Deus criador. Quanto mais compreendemos 
nosso habitat original, mesmo estando já fora dele, mais 
compreenderemos nosso desvio de conduta, melhor
entenderemos a gravidade de nossa natureza caída e 
apreciaremos ainda mais a necessidade do novo homem 
criado em Cristo Jesus.
Assim, é com muita honra que apresento ao leitor 
brasileiro a primeira etapa deste projeto intitulado O ha­
bitat humano: o paraíso criado, convicto de que o nos­
so bom Deus fará uso desta ferramenta para forjar uma 
nova geração de leitores com redobrado ânimo e interesse 
pela mensagem contida nas Escrituras, a mensagem de 
um Deus amoroso ensinando-nos a amá-lo.
Daniel Santos Jr., ph.D 
Professor de Antigo Testamento 
Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper
S umário
P r e f á c io .............................................................................................. 11
PARTE 1 - A CRIAÇÃO DO HABITAT HUMANO
C apítulo 1 ........................................................................................... 15
A formação do habitat humano
PARTE 2 - AS QUALIDADES FÍSICAS DO HABITAT HUMAm
C apítulo 2 ............................................................................................. 31
O habitat humano era um jardim verdejante
C apítulo 3 ............................................................................................. 41
O habitat humano era um jardim com toda a provisão de 
alimento
C apítulo 4 .............................................................................................45
O habitat humano era um grande jardim muito bem 
irrigado
C apítulo 5 .............................................................................................67
O habitat original do homem era um jardim muito rico
PARTE 3 - AS QUALIDADES MORAIS DO HABITAT HUMANO
C apítulo 6 ......................................................................................... 83
O habitat humano era um jardim de trabalho
C apítulo 7 .............................................................................................95
O habitat humano era um jardim de liberdade e 
responsabilidade
PARTE 4 - AS QUALIDADES SOCIAIS DO HABITAT HUMAm
C apítulo 8 ........................................................................................ 111
O habitat humano era um jardim de companheirismo
PARTE 5 - AS QUALIDADES ESPIRITUAIS DO HABITAT HUMANO
C apítulo 9 .................................................................. ..................... 159
O habitat humano era um lugar de prestar culto a Deus
C apítulo 1 0 ..................................................................................... 169
O habitat humano era um lugar perfeito
Prefácio
Há alguns meses fui atraido fortemente a escrever so­
bre o habitat humano. Certamente o Santo Espírito me 
tem conduzido nesta direção. Por anos tenho ministrado 
muitas aulas de antropologia bíblica e nunca tive a oportu­
nidade de tocar nessa matéria, que agora vejo como muito 
importante.
Poucosprofessores de teologia tém-se aventurado a 
trabalhar com esse assunto, devido á exiguidade de mate­
rial. Eu não tenho visto com frequência, mesmo em língua 
inglesa, onde há abundância de material teológico, livros 
ou artigos teológicos bem articulados que abordem o as­
sunto do habitat humano, muito menos da forma como 
estou desenvolvendo neste projeto.
Não há muito sentido estudar a respeito do homem 
sem estudar sobre o lugar onde Deus o colocou desde o 
início dos tempos. Este assunto do paraíso de Deus tem- 
me fascinado, porque ê bom lembrar o carinho que Deus 
dispensou na confecção do lugar onde originalmente co­
locou sua obra-prima — o ser humano — , assim como 
o rigor de sua justiça ao retirar o homem do paraíso, o
paraíso do homem, por causa da Queda, sem esquecer sua 
bondade graciosa, que nos tem prometido a restauração 
do paraíso, para nosso deleite, na consumação de nossa 
redenção, no fim dos séculos.
Veio-me então a ideia de elaborar um pequeno pro­
jeto, que abrange trés livros menores dos que estou 
acostumado a escrever: o primeiro volume versa sobre 
O habitat humano: o paraíso criado; o segundo aborda O 
habitat humano: o paraíso perdido, e o terceiro tem a ver 
com O habitat humano: o paraíso restaurado. Estou feliz 
por haver terminado e por apresentar este primeiro volu­
me aos leitores cristãos. Os dois últimos volumes estão 
sendo escritos, e espero não demorar em seu término.
Minha intenção é trazer ao público cristão uma no­
ção, ainda que não exaustiva, do lugar original que Deus 
deu para o homem viver em sua presença. É minha ora­
ção que o povo de Deus seja despertado no estudo de 
uma das coisas mais importantes de nossa vida: o lugar 
de nossa habitação.
Dr. Heber Carlos de Campos
PARTE 1
A CRIAÇÃO DO 
HABITAT HUMANO
C apítulo 1
A FORMAÇÃO DO 
HABITAT HUMANO
Gênesis 1.1 trata da vinda do mundo material à exis­
tência pelo poder da Palavra criadora de Deus. Depois da 
criação da matéria, Deus passa a colocá-la em ordem, 
distribuindo-a, com sua sabedoria, a fim de torná-la bela. 
Esse serviço de organização deu-se nos chamados “dias 
da Criação”. O capítulo 2 trata dos detalhes preparató­
rios para a existência e desenvolvimento da vida humana. 
Deus, o Jardineiro por excelência, cria um ambiente en­
cantador para sua criatura mais importante. No meio da 
terra que já existia, ele faz um primor de jardim.
1. A PLANTAÇÃO DO JARDIM
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do 
Oriente, e pôs nele o homem que havia formado (Gn 2.8).
Deus tomou todas as providências para a criação do 
habitat humano. Primeiramente, a narrativa das Escrituras 
nos diz que a obra do jardim foi divina. Foi Deus que “plan­
tou um jardim no Éden”. Ao plantar o jardim, Deus o fez 
com os atributos de seu poder e sua sabedoria.
Quando Deus, por seu poder, trouxe á existência to­
das as coisas que não existiam (Gn 2.4), não as trouxe 
todas ã existência de forma organizada. Depois de criar o 
mundo da matéria, Deus começou a organizar seu mundo 
material, que era inabitãvel e deserto. Este é o sentido da 
expressão “sem forma e vazia” (Gn 1.2).
Ao tempo da criação, não havia ainda nenhuma plan­
ta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo 
havia brotado (Gn 2.5a). A razão da ausência de plantas 
e ervas é dada pelo próprio narrador do texto: porque o 
Senhor Deus não fizera chover sobre a terra (Gn 2.5b).
Uma das coisas mais fascinantes que a ciência estu­
da é a difusão das sementes. Sabemos que, de uma forma 
ou de outra, a semente é dispersa pela face da terra pelo 
movimento do vento e a ação benéfica dos pássaros, que 
a levam de um lado para o outro. As sementes são espa­
lhadas e germinam belamente, fazendo que as plantas e 
ervas cresçam, estimuladas e vitalizadas pela água. Mas 
antes da ação providencial de Deus de proporcionar uma 
neblina que subia da terra e regava toda a superfície do 
solo (Gn 2.6), nem as ervas do campo podiam nascer. Sem 
essa providência divina, não haveria possibilidade de vida 
nem mesmo botânica; antes dessa ação, não havia erva de 
tipo algum. O modo natural das coisas acontecerem, para
que surgisse a vida das plantas, dependeu, assim, da ação 
providencial de Deus. Então, Deus preparou a neblina^ umi- 
dificadora para regar a terra (Gn 2.5-6).
A totalidade da terra estava sendo — não 
intermitentemente, mas constantemente — irrigada pelas 
águas que brotavam da terra. Ambiente maravilhoso! Livre 
de qualquer coisa, exceto do que é bom. E nessa terra 
maravilhosa Deus proporcionou tudo para o desfrute do 
homem. Tudo era regado...^
Todavia, as ervas naturais que cresciam com a água 
procedente dos mananciais subterrâneos não constituíam 
o jardim de Deus. O jardim começou a existir após uma 
ação especial de Deus. As árvores tiveram que ser planta­
das por ele, e sua frutuosidade teria a ver com outra coisa 
que estava por acontecer — a existência do homem para 
lavrar o solo (Gn 2.5). Não se precisa de cultivador para o 
crescimento da erva, mas é necessário um lavrador para 
cultivar o solo e a manutenção de um jardim.
Portanto, outra razão para não haver plantas frutí­
feras e belas árvores é porque também não havia homem 
para lavrar o solo (Gn 2.5c). A única providência até então 
nesse particular era que uma neblina subia da terra e rega­
va toda a superfície do solo (Gn 2.6).
1 A palavra hebraica traduzida por "neblina" deveria ser traduzida por "água 
que brota da terra" ou "manancial". Na criação original não havia vento 
nem agitação no ar para mover as nuvens, depositar água na terra ou fazer 
chover. Esta é uma providência posterior. Portanto, para trazer alívio à terra 
seca, Deus fez vir essa "fonte a jorrar da terra" e posteriormente a chuva.
2 John F. MacArthur Jr., em seu sermão sobre Gênesis 2.8-17. <http://www. 
biblebb.com/files/MAC/90-227.htm>, acessado em maio de 2010.
http://www.%e2%80%a8biblebb.com/files/MAC/90-227.htm
http://www.%e2%80%a8biblebb.com/files/MAC/90-227.htm
Então, por sua sabedoria, Deus começou a preparar 
um habitat para o homem. Além de sua sapiência em co­
locar todas as coisas de um modo extraordinariamente 
ordenado. Deus ainda, por sua bondade, cuidou de todos 
os detalhes da habitação de sua criatura mais importante.
A primeira grande providência governativa de Deus foi 
plantar um jardim, para depois colocar o homem no jardim. 
Parece-nos que Deus primeiro organizou o habitat para de­
pois criar o homem, embora não pareça ser esta a ordem 
cronológica do texto. É a ordem lógica dele.
Deus colocou primeiro as plantas do campo, que não 
precisavam ser cultivadas pelo homem, pois crescem pela 
polinização causada pelo vento e por pequenos animais, 
assim como pela irrigação de fontes subterrâneas e, poste­
riormente, também das chuvas, que passaram a cair sobre 
a terra. A água dos mananciais e da chuva faz as plantas 
do campo crescerem independentemente da ação do cui­
dado humano. Todavia, as plantas boas para comer vie­
ram depois, quando Deus colocou o homem para cuidar 
delas. Deus fez as coisas muito organizadamente para o 
deleite do ser humano. O jardim plantado por Deus estava 
realmente num lugar — Éden — , que significa “prazer” .
O jardim do Éden é tipo e figura da alegria do povo 
de Deus, que será expressa na recriação do mundo edêni­
co, na consumação de todas as coisas. Somente um lugar 
plantado por Deus pode ser deleitoso e prazeroso para as 
suas criaturas! Nada mais pode gerar tanta satisfação às 
criaturas do que estar em um lugar carinhosamente pre­
parado pelo poderoso, sábio e bondoso Criador!
2. A LOCALIZAÇÃO DO JARDIM
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do 
Oriente, e pôs nele o homem que haina formado (Gn 2.8).
O texto das Escrituras diz que plantou o Senhor Deus 
um jardim no Éden. O jardim que Deus plantou para ali 
colocar o homem ficava, então, em uma região mais ampla 
chamada Éden. Perceba que o texto diz que Deus preparou 
um jardim no Éden. O texto não fala em jardim do Éden, 
masde um jardim que estava localizado no Éden.
Na verdade, toda a terra que Deus havia feito era pa­
radisíaca. Todavia, na banda oriental do Éden, Deus ha­
via pessoalmente plantado um jardim com características 
ainda mais belas do que a terra em geral. A Septuaginta, 
que é a versão grega do Antigo Testamento, traduz a pa­
lavra “jardim” como paradeison, de onde vem o termo 
português “paraíso” . O jardim era a expressão maior da 
beleza da criação divina. O jardim no Éden é o paraíso 
criado por Deus.
Paraíso, portanto, não é sinônimo de Éden, mas de 
jardim. Esse jardim estava localizado em uma área de 
terra contínua, muitíssimo maior que o jardim (Éden), 
e que, com grande possibilidade, incluía toda a porção 
seca de um único continente existente, antes da vinda 
da grande catástrofe do Dilúvio, no tempo de Noé.
A ideia de que o Éden seria uma porção seca de terra 
tem algum fundamento na própria narrativa de Gênesis.
Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos 
céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. 
À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das 
águas, Mares. E viu Deus que isso era bom (Gn 1.9,10).
A grande porção seca chamada Terra era cercada por 
um ajuntamento de águas num só lugar, que o texto sa­
grado chama de Mares. Essa porção seca ê que viria a ser
O habitat humano após a Queda e que, posteriormente, foi 
dividida em vários continentes.
Há um grupo de cristãos que não encontra dificuldade 
em crer que havia um único supercontinente^ no período 
da criação, posteriormente dividido em vários continentes, 
quando da grande catástrofe do Dilúvio. Esse teórico único 
continente é chamado de Pangeia.
O termo “Pangeia” vem do ajuntamento de duas pala­
vras gregas: pan (toda) e gaia (terra). Ou seja, a porção cha­
mada Terra era uma única massa de terra, não submersa 
pelas águas.
A teoria de Pangeia é defendida em alguns círculos 
cristãos'' e mesmo em círculos científicos, ainda que com 
pressuposições não cristãs.
3 '"Supercontinente' é um termo usado para uma enorme massa de terra 
pela convergência de múltiplos continentes. 0 supercontinente mais 
frequentemente referenciado é conhecido como 'Pangaea' (também 
'Pangeia'), que existiu aproximadamente 225 milhões de anos atrás. É crido 
que todos os principais continentes àquela altura foram reunidos num 
supercontinente Pangeia" {Pangaea-Supercontinent, artigo encontrado no 
site <http://geology.com/articles/supercontinent.shtml>).
4 Essa posição é sustentada por cientistas cristãos que têm a tendência de 
ver a Terra como mais jovem. Ver o artigo What about continental drift, 
no site <http://creation.com/images/pdfs/cabook/chapterll.pdf>. Nesse 
artigo, 0 articulista, que é, na verdade, autor do livro no qual o artigo se 
encontra, trabalha com a tese de que os continentes não são produto do 
afastamento contínuo e paulatino uns dos outros, mas, que apareceram 
rapidamente, por causa do fenômeno cataclísmico do Dilúvio, mediante
a formação célere das placas tectônicas. Os defensores do modelo 
evolucionista creem no modelo chamado uniformitário de afastamento 
continental. "Existiu uma única massa de terra conhecida como Pangeia? É 
possível. Mas se houve, o modelo uniformitário do afastamento continental 
provê uma explicação inadequada para sua separação. Os eventos 
catastróficos circundando o dilúvio global supre um modelo muito mais 
factível para a separação da Pangeia" (Kyle Butt, Pangea and the Flood, 
http://www.apologeticspress.org/articles/2808).
http://geology.com/articles/supercontinent.shtml
http://creation.com/images/pdfs/cabook/chapterll.pdf
http://www.apologeticspress.org/articles/2808
Um articulista despretensioso faz uma pergunta e dá 
uma resposta a qual muitos deveriam dar ouvidos:
Você se lembra de Pangeia, o continente original descrito pelos 
geólogos como tendo existido centenas de milhões de anos 
atrás? Moisés o descreve aqui nesses versículos de Gênesis, 
milhares de anos antes de as placas tectônicas, muito menos 
a Pangeia, se tomarem teorias científicas aceitas.̂
Portanto, podemos dizer com convicção que o jardim 
(paraíso) estava localizado em um supercontinente, cha­
mado de Éden que era a porção seca originalmente feita 
por Deus.
3. A COLOCAÇÃO DO HOMEM NO JARDIM
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção 
do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado 
(Gn 2.8; c f Gn 2.15).
É praticamente certo que Deus tenha feito o homem 
fora do jardim. Adão foi feito do pó da terra, mas não do pó 
do jardim. Não sabemos quanto tempo ele viveu no lugar 
onde foi formado, mas certamente por algum tempo, para 
que pudesse contemplar e vir a comparar a superioridade 
do jardim em relação às outras partes do Éden. Somente 
mais tarde Deus o colocou no seu lugar preferido e o mais 
elevado em beleza — o jardim. Deus o colocou ali para que 
o homem tomasse posse daquela área especial que havia
5 Rick Beckman. Genesis 1 :9 -1 0 : Pangaea\, http://rickbeckman.org/ 
genesis-19%E2%80%9310-pangaea/.
http://rickbeckman.org/
feito para o deleite de suas criaturas, em razão de sua bon­
dade para com elas.
Deus não somente foi o criador do homem e o plantador 
do jardim no Éden, mas também o doador das bem-aven- 
turanças paradisíacas do jardim. Ele teve o propósito de 
fazer sua criatura feliz na terra de encantamento para seu 
corpo e seu espírito. Espiritualmente, o homem poderia se 
deliciar na beleza do jardim, e fisicamente, desfrutar das 
suas provisões.
As Escrituras nos revelam que a terra foi designada 
por Deus para ser o lar do homem desde sua criação. 
A terra é um lugar perfeitamente adaptado para a vida 
humana. O jardim era o cerne deste planeta azul, onde o 
ser humano deveria desfrutar de toda a beleza. A terra é 
o lar definitivo do homem. Nunca houve ameaça da parte 
de Deus de que, se o homem pecasse, seria retirado desse 
lugar e colocado em outro habitat. Quando o homem pe­
cou, Deus o amaldiçoou, tanto quanto o seu habitat, mas 
o deixou em seu lugar próprio. Seria uma infelicidade ex­
trema para o homem estar fora do seu habitat.
Muitos cristãos, especialmente os que sofrem, que­
rem deixar este mundo e ir para o céu, que é o lugar 
para onde vão os remidos quando morrem. No entanto, 
o céu não é o lugar definitivo do homem, mas a terra. 
O céu é apenas um lugar provisório, até que todo plano 
redentor se complete. O homem remido vai para o céu 
porque o seu habitat aqui não combina mais com a sua 
natureza santificada. Todavia, quando a redenção se 
completar. Deus vai fazer o remido voltar para o seu 
lar original, que será a terra completamente renovada, 
adaptada à santidade do homem. O lar definitivo dos 
remidos não é o céu, mas o jardim, que será restaurado.
O jardim de Deus foi estabelecido para sempre para 
que os homens desfrutem dele. E construiu o seu santuário
durável como os céus e firm e como a terra que fundou para 
sempre (SI 78.69).
Esta terra nunca será destruída [ou aniquilada] por­
que ela é o habitat perene dos filhos de Deus. No final do 
presente estado da história humana, Deus ateará fogo na 
terra, náo para destruí-la, mas para purificá-la, renová- 
la, a fim de que o homem possa viver nela da forma como 
ele vivia no tempo da sua criação. No decreto de Deus 
está claramente inclusa a ideia de a terra ser o lugar defi­
nitivo da habitação dos homens, porque a terra é o lugar 
original da habitação deles. Nunca a terra será um lugar 
vazio [isto é, um ‘caos’], mas será para sempre o lar dos 
seres humanos. Não é sem razão que o profeta diz; Porque 
assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou 
a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser 
um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não 
há outro (Is 45.18).
A verdade de Deus é que os céus são os céus do 
Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens (SI 
115.16). Sua promessa é que, quando a terra houver 
sido restaurada, haverá plena comunhão do homem com 
seu Criador, como desde o começo do mundo.Então, 
a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as 
águas cobrem o mar{ls 11.9). Nesse tempo, o Senhor dos 
Exércitos tragará a morte para sempre, e, assim, enxuga­
rá o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará 
de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor o 
falou (Is 25.8).
Ê falsa a noção de que Deus vai abandonar a terra 
e destruí-la. Não há fundamento escriturístico para essa 
ideia. O Senhor Deus fez o jardim para ali o homem ha­
bitar para sempre. Deus castigou o homem por causa do 
pecado, mas não o arrancou definitivamente do seu habi­
tat. Quando Deus o tirou do seu habitat foi para que ele 
desfrutasse de um lugar adaptado á sua nova condição, 
até que sua restauração viesse a se completar. Então, ele
voltará novamente ao habitat original. A terra é o lar do 
homem por toda a eternidade. O jardim será recolocado 
aqui na recriação de todas as coisas, e os remidos viverão 
ali para sempre!
4. O TAMANHO DO JARDIM DO ÉDEN
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção 
do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado 
(Gn 2.8; c f 2.15).
Ao falarmos do jardim plantado no Éden, não é para 
se ter em mente o tamanho de nossos jardins caseiros ou 
mesmo os grandes jardins de palácios ou jardins públicos 
que uma cidade possua. O jardim situado no Éden era re­
almente imenso!
Se atentarmos para o que Deus criou, veremos que 
foi criada uma grande porção seca, que as Escrituras 
chamam de Terra (Gn 1.9). Procuremos descrever tal 
imagem em círculos concêntricos. No centro, no círculo 
menor, estava o jardim, localizado no Éden; no círculo 
em torno deste estava o restante do Éden, e no círculo 
mais amplo, em volta deste segundo, o que as Escrituras 
chamam de mundo e que se refere aos “confins da terra” 
ou “quatro cantos da terra” . Os quatro rios que proce­
dem do rio nascido no coração do jardim regam o Éden 
e os confins da terra.
No círculo menor estava localizado o lar do homem. 
Lar é o lugar onde os homens repousam e dormem. Para 
ali Adão e Eva voltavam depois do trabalho pesado de cul­
tivar o jardim e guardá-lo.
No círculo seguinte em torno estava o lugar onde os 
nossos primeiros pais trabalhavam. Ele ia além das fron­
teiras do seu lar. Ali Adão e Eva observavam os animais 
selváticos, já que os domésticos eles os tinham junto de 
sua residência.
No círculo ainda mais amplo estavam as regiões inex­
ploradas por Adão e Eva e que vieram a ser exploradas 
posteriormente pelos descendentes deles, já no estado de 
queda, de que era parte o Éden, formando a porção seca 
chamada Terra. O texto das Escrituras menciona essas 
terras como sendo terra de Havilá, Cuxe e assim por dian­
te. Essas foram as terras dos labores de Caim, de Abel e 
de Sete e seus descendentes. Os filhos de Adão provavel­
mente nasceram no que eu chamo de segundo círculo con­
cêntrico, e seus descendentes se mudaram para o terceiro 
círculo concêntrico, para ali procurarem desenvolver os 
desígnios culturais estabelecidos por Deus. Ali se multi­
plicaram e começaram a habitar as mais variadas regiões 
contidas nos quatro cantos da terra, ou confins da terra, 
até o dia de hoje, conforme o mandamento divino de cres­
cer e multiplicar.
Do jardim fluía um rio enorme, que se dividia em 
quatro grandes braços, os quais regavam o restante do 
Éden e os confins da terra. Quando falamos desses rios, 
não podemos também pensar em córregos ou rios peque­
nos. Eram cursos d ’âgua amplos e longos, não simples 
riachos que regassem a terra por alguns quilômetros. 
Proporcionavam eles toda a irrigação da terra que Deus 
havia criado. Todo suprimento aquoso para a subsistên­
cia das plantas, dos animais e dos homens vinha desses 
rios. São mencionados no texto a seguir, e sua localização 
será analisada posteriormente.
E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se 
dividia, repartindo-se em quatro braços. O primeiro
chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde 
há ouro [...] O segundo rio chama-se Giom; é o que 
circunda a terra de Cuxe. O nome do terceiro rio é Tigre; 
é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o 
Eufrates (Gn 2.10,11,13,14).
5. A REALIDADE DO JARDIM DO ÉDEN
O jardim de Deus não era uma ilha deserta, não era 
uma localidade fictícia; não era um Shangrilá nem uma 
terra de Nárnia, criações da imaginação de autores hu­
manos. O jardim de Deus não deve ser crido como algu­
ma coisa mítica. Cada parte da descrição do jardim nos 
inclina a entender que o jardim realmente existiu e que 
não é fruto de uma fantasia utópica da imaginação hu­
mana. Ele possuía uma localização geográfica, ainda que 
após o evento cataclísmico do Dilúvio não possamos sa­
ber precisamente onde era a sua localização. No entanto, 
sabemos, não somente pela fé, mas também por evidên­
cias geológicas, que houve realmente um jardim edênico 
onde Deus colocou o homem.
Na mente de Moisés, o autor de Gênesis, o jardim de 
Deus era uma realidade clara, um lugar único que foi per­
dido e que um dia será reconquistado, no tempo do com- 
pletamento da redenção humana.
Deus criou todo o Universo pelo poder de sua pala­
vra, mas tomou cuidados específicos e especiais quando 
lidou com o habitat humano. Ele mesmo plantou um ja r­
dim inigualável para ali colocar a coroa da sua criação. 
Tomou várias providências como rios, árvores frutíferas, 
animais, aves e répteis, para uso e desfrute do homem. 
Nada faltava naquele jardim. Deus teve prazer na sua 
criatura mais importante e, mesmo depois da Queda e
manifestação de sua conseqüente ira, Deus se volta de 
sua ira e promete a reconquista do paraíso, no estabe­
lecimento de nova terra por meio de Cristo Jesus, o se­
gundo Adão.
A criação do jardim foi expressão da bondade de 
Deus para com a sua criatura, e a reconquista do pa­
raíso será expressão do amor perdoador de Deus para 
com sua criatura redimida. O custo da reconquista do 
paraíso não pode ser comparado ao custo da criação do 
paraíso original, porque a reconquista foi feita a preço 
de sangue.
Todo cristão deve crer obrigatoriamente nas verda­
des descritas anteriormente, porque Jesus Cristo acei­
tou as narrativas literais dos dois primeiros capítulos de 
Gênesis. Para ele, o jardim no Éden não é uma lenda, um 
mito ou uma saga. Veja o que diz Jesus Cristo:
Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, 
perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher 
por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes 
lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e 
mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai 
e mãe e se unirá a sua mulher, tomando-se os dois uma 
só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma 
só came. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o 
homem (Mt 19.3-6).
Jesus citou Gênesis 1.27 e 2.24. Se Jesus Cristo 
é digno de confiança (e ele o é!), então temos de aceitar 
seu testemunho de um lugar que realmente existiu no 
início da história humana: o jardim no Éden. Jesus não 
considerava a narrativa de Gênesis uma irrealidade! Ele
considerou o paraíso como um lugar vero e que, no tempo 
determinado, será restaurado à sua condição primeira!
PARTE 2
AS QUALIDADES FÍSICAS 
DO HABITAT HUMANO
C apítulo 2
O HABITAT HUMANO ERA UM 
JARDIM VERDEJANTE
Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores 
agradáveis à insta e boas para alimento; e também 
a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do 
conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9).
O jardim no Éden pode ser localizado geograficamen­
te, ainda que não com propriedade absoluta. Muitos cien­
tistas, ainda hoje, tentam mitificar ou interpretar o livro de
Gênesis de modo alegórico. No entanto, a narrativa bíblica 
mostra que o Éden é um lugar de prazer, de encantamen­
to, um lugar que Deus preparou para o deleite de sua 
criatura mais importante — o ser humano; um lugar que 
realmente existiu.
É interessante notar que Deus não fez uma floresta do 
tipo tropical, mas um jardim com árvores. A ênfase dada às 
árvores pelo autor de Gênesisê muito importante, em vir-' 
tude de sua ausência em muitas partes do Oriente Médio, 
onde o livro de Génesis foi escrito. Aqui no Brasil estamos 
acostumados com árvores, mas naquelas bandas do planeta 
a primeira coisa que você tem que aprender é usar óculos 
escuros, para proteção contra a luz solar excessiva, porque 
as árvores e a verdura da vegetação são quase uma raridade.
Quando visitei algumas partes do Oriente Médio, pude 
perceber a falta do verdor tão abundante em nosso país. A 
falta das árvores é ainda mais patente nas regiões desér­
ticas da Judeia. Imagine o deserto da Arábia, o maior de­
serto de areia do mundo, quão árido pode ser. Ao escrever 
o Gênesis, Moisés vivia em uma região desértica. Portanto 
não é sem razão que, ao narrar o que recebeu diretamente 
de Deus, ou por tradição oral fielmente transmitida sobre 
a criação do mundo, ele tenha se encantado com a ideia de 
um jardim de árvores frondosas, cheias de sombra e frescor!
Além do mais, para haver árvores, tem que haver 
água. Esse líquido precioso é tão raro naquelas regiões 
que seu valor ali é inestimável! É mediante a água que 
as plantas crescem luxuriosamente. Moisés descreve bela­
mente o jardim que Deus plantou, enfatizando seu verdor. 
Essa minha impressão do encantamento de Moisés está 
na expressão que ele usa; “árvores agradáveis à vista”. Por 
essa razão, disse Young que “vemos que Deus é abundan­
temente gracioso para com o homem”.®
6 Edward J. Young. In the Beginning. Edinburgh: Banner of Truth, 1976, p. 73.
NÓS, que vivemos em um país cheio de verdor, não 
conseguimos imaginar um lugar tão seco quanto a re­
gião que teria sido o jardim no Éden. As árvores daquele 
imenso jardim foram sendo todas, mais tarde, destruídas 
e lançadas nas regiões inferiores da terra, formando pos­
sivelmente, com os fósseis, os combustíveis de que hoje 
fazemos uso, depois de milhares de anos.
Os habitantes daquelas regiões do Oriente Médio, 
hoje, não podem sequer imaginar a beleza do verdor do 
paraíso plantado por Deus. Nós, que aqui vivemos, co­
nhecemos a beleza das árvores e nos encantamos com 
elas; todavia, elas não poderiam ser comparadas com as 
árvores do jardim de Deus, plantadas em uma terra pura, 
sem a maldição divina da queda do homem que recaiu 
sobre ela. Não havia sequer espinhos ou abrolhos entre 
as plantas, essas pragas apareceram somente com a mal­
dição divina. Portanto, o jardim de Deus era belíssimo, 
sem nenhuma inconveniência. Tudo era lindo em derre­
dor, e a alegria de Deus enchia toda a terra, sobretudo 
o jardim. A terra era sem dúvida um lugar da mais alta 
perfeição e paz! E havia doçura em todas as coisas colo­
cadas por Deus naquele jardim. Adão e Eva certamente 
se deliciavam em contemplar a beleza daquela vegetação. 
Seus olhos se deliciavam com a visão das árvores, pois 
eram admiráveis, “agradáveis á vista” !
Em uma linguagem poética, Matthew Henry disse 
que o jardim “era belo e adornado com cada árvore que, 
'por sua altura e largura, sua feitura ou cor, sua folha ou 
flor, era agradável á vista e charmosa aos olhos; [o jar­
dim] era pleno e enriquecido com cada árvore que produ­
zia fruto para o paladar e útil para o corpo e muito bom 
para se comer” .
7 Matthew Henry. Commentary on Genesis, <http://www.studylight.org/ 
com/mhc-com/view.cgi?book=ge&chapter=002>, acessado em maio de 
2010.
http://www.studylight.org/%e2%80%a8com/mhc-com/view.cgi?book=ge&chapter=002
http://www.studylight.org/%e2%80%a8com/mhc-com/view.cgi?book=ge&chapter=002
O jardim de Deus tinha abundância de tudo o que 
era indescritivelmente belo. Era cheio da sombra das ár­
vores, do reflexo cristalino das águas dos rios, de frutos 
que caíam dos seus galhos, do cântico de passarinhos, da 
fragrância das flores e da beleza das verdejantes folhas. 
Tudo era perfeito! Deus foi extremamente pródigo no que 
fez, sem qualquer miséria. Ê um paraíso assim que cre­
mos que Deus fez para o deleite das suas criaturas. O 
clima era ideal, o cenário magniflcente, e as cercanias 
cheias de paz!
Ê verdade que o pecado trouxe consigo a maldição 
divina; mesmo assim, o mundo feito por Deus ainda reflete 
(embora imperfeitamente) a beleza de sua criação. Vivendo 
em uma época em que a Queda já vigorava há milénios, 
ainda assim o Pregador não titubeou em dizer: Tudo fez 
Deus formoso no seu devido tempo... (Ec 3.11).
Nenhuma obra de paisagista do nosso tempo pode ser 
comparada á beleza do jardim plantado no Éden por Deus. 
Nenhum milionário deste mundo pode encontrar jardinei­
ros capazes de fazer alguma coisa como Deus fez. Nenhum 
resort, por mais rico e luxuriante que seja, é capaz de pro­
porcionar os prazeres, o encantamento e o repouso que 
Adão e Eva desfrutaram naquele lugar paradisíaco. Era 
um lugar de fato magniflcente!
No meio das árvores comuns, “agradáveis ã vista”, 
porém, eis que deparamos com duas árvores muito im­
portantes, que Deus selecionara para ensinar aos homens 
determinadas verdades espirituais: a árvore da vida e a 
árvore do conhecimento do bem e do mal. Devido á sua 
importância, vamos tratá-las com mais extensão.
Essas duas árvores são reais, mas possuem signifl- 
cados que lhes proporcionam destaque maior no jardim 
de Deus. Cada uma delas representa algo importante. 
Apontam para os fatos de que a comunhão com o Senhor
tem a ver com a árvore da vida, e a quebra dessa comu­
nhão, com a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Vejamos alguns detalhes sobre este assunto:
1. A ÁRVORE DA VIDA
Do solo fez o Senhor Deus hrotar toda sorte de árvores 
agradáveis à vista e boas para alimento; e também 
a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do 
conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9).
A árvore da vida exerce uma função muito importante 
nas Escrituras, por isso aparece no primeiro e no último 
livro da Bíblia, além de ser sugerida em Ezequiel 47.12 e 
em Provérbios 11.30; 13.12. Ê parte tanto do primeiro pa­
raíso (Gn 2.9) como do paraíso definitivo, na consumação 
de todas as coisas (Ap 2.7; 22.2).
A despeito da árvore da vida ser uma árvore real, co­
mum, uma árvore composta de raiz, caule, galhos, folhas 
e frutos, localizada “no meio do jardim”, tem uma signifi­
cação espiritual muito característica. Seus frutos são na­
turais, mas com propriedades sobrenaturais.
Na verdade, nesse sentido, é uma árvore sobrenatural, 
pelos símbolos que comunica: é simbólica de sabedoria; 
de retidão; é simbólica da concretização da esperança; é 
simbólica de temperança na linguagem. É uma espécie de 
árvore sacramental.® É indicativa exterior de manutenção 
perene da comunhão com Deus no jardim. Comer do
8 Cf. Geerhardus Vos. Biblical Theology — Old and New Testaments. Grand 
Rapids, iViichigan; Eerdmans Publishing Company, 1980, p. 27. V. tb. Louis 
Berkhof. Teologia Sistemática. Quinta edição em espanhol. Grand Rapids, 
Mich: TELL, 1981, p. 257-258.
fruto dessa árvore é símbolo de vida eterna. Essa árvore 
era um sinal para Adão de que a origem da vida está em 
Deus e para que soubesse que simbolizava sua condição 
de bem-aventurança, que jamais seria perdida se tivesse 
cumprido a obediência dele exigida.
Só poderia comer dessa árvore aquele que passasse 
no teste da obediência. Se o homem comesse dessa árvo­
re, viveria para sempre. No entanto, não podemos dizer 
que a perenidade da vida vem do seu fruto, mas, sim, da 
obediência, porque a vida eterna, segundo o ensino geral 
das Escrituras, ê obtida pela obediência. Por não obede­
cer, Adão foi proibido de comer dessa árvore. Então, para 
que não comesse dela, foi lançado para fora do paraíso 
(Gn 3.22).
2. A ÁRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL
Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores 
agradáveis à vista e boas para alimento; e também 
a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do 
conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9).
Esta árvore ê indicativa de realidades espirituais 
que Deus queria comunicar às suas criaturas. É possí­
vel que também estivesse colocada no meio do jardim, 
como a outra árvore —a da vida. Ela, em si mesma, não 
era má. Pelo contrário, era não somente também agra­
dável à vista, mas seu fruto era bom como o das outras 
árvores. MacArthur diz que “ela não era venenosa, não 
era uma árvore com fruto tóxico. Não há nada tóxico 
na perfeita criação de Deus. Não havia nenhum veneno. 
Não havia nada no fruto daquela árvore que, de alguma 
forma, houvesse sido alterado geneticamente. Não ha­
via nada naquela árvore que, de alguma forma, pudesse
matar algum princípio vital em um indivíduo, como al­
gum sopro mortal em sua alma. Era uma árvore boa, e 
o seu fruto era perfeitamente bom, porque tudo o que 
Deus fez era bom. Não havia nada de danoso no fruto 
daquela árvore” .̂
Por que, então, é chamada de “árvore do conhecimen­
to do bem e do mal”? Há várias interpretações quanto ao 
que seria o mal envolvido;
Há aqueles que entendem, como o comentador Von 
Ranke, que a árvore é designada para representar a onis- 
ciência e que o homem não deveria cobiçar a onisciência. 
Comer dessa árvore significa ter um conhecimento com­
pleto e, consequentemente, significa participar da onisci­
ência divina. Esta é uma interpretação errônea, porque 
a onisciência é um atributo incomunicável ao homem, 
pertencente ao Ser único infinito, de quem o homem ê 
apenas criatura. A citação de Gênesis 3.22, que fala que 
o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem 
e do mal, é uma enorme ironia que Deus usa e não deve 
ser entendida como o homem tendo o conhecimento que 
Deus tem.
Há outros que entendem que o comer dessa árvore 
tem a ver com a prática do ato sexual. Este pensamento ê 
mais comum dentro da teologia católica romana e é muito 
difundido. No entanto, não há nenhuma sugestão de que o 
pecado de comer dessa árvore tenha a ver com as relações 
sexuais entre Adão e Eva.
A importância dessa árvore, no entanto, está vin­
culada à sua significação espiritual. Ela é reveladora da
9 John F. MacArthur Jr., em seu sermão sobre Gênesis 2.5-17. <http://www. 
biblebb.com/files/MAC/90-227.htm>, acessado em maio de 2010.
10 Citado por S. Lewis Johnson, em seu sermão Man and his probation, 
Gênesis 2,5-17. <http://www.sljinstitute.net/sermons/oid_testament/ 
pentateuch/pages/genesis6.html>.
http://www.%e2%80%a8bibiebb.com/files/IVIAC/90-227.htm
http://www.%e2%80%a8bibiebb.com/files/IVIAC/90-227.htm
http://www.sijinstitute.net/sermons/oid_testament/%e2%80%a8pentateuch/pages/genesis6.html
http://www.sijinstitute.net/sermons/oid_testament/%e2%80%a8pentateuch/pages/genesis6.html
soberania de Deus, que ordenou que os seres humanos 
dela não comessem. Representa claramente a vontade di­
vina. Adão e Eva não conheciam experimentalmente o mal, 
embora já conhecessem o bem, porque viviam no meio do 
bem e haviam vindo daquele que é o Bem Supremo. No en­
tanto, Deus os colocou sob a necessidade de obedecer ao 
seu mandamento. Eram seres morais e precisavam pres­
tar obediência moral ao seu Criador. Quando Deus fez os 
seres humanos, colocou no coração deles a distinção entre 
o que é bom e o que não ê bom. A continuação da prática 
do bem era não comer da árvore, enquanto a prática do 
mal era comer dela. Se comessem do fruto da árvore do co­
nhecimento do bem e do mal, estariam abandonando tudo 
o que é bom; se não comessem, continuariam no bem e 
nunca mais perderiam a vida de comunhão relacional com 
Deus, com a qual foram criados.
Deus dera aos primeiros pais todas as coisas 
necessárias para uma abundante e feliz subsistência no 
jardim. O homem não precisava desejar mais nada. Não 
precisava querer conhecer como Deus, como Satanás 
sugeriu. Deveria estar absolutamente contente com as 
provisões divinas. Mas ele desejou alguma coisa mais. 
Parece-nos que ele não quis mais ser dependente de 
Deus; quis ser como o próprio Deus. Por isso, formalmente, 
desobedeceu ao seu Criador. Não se contentou com a vida 
de bem-aventurança que tinha. Não se contentou com as 
árvores agradáveis ã vista, nem com os frutos que davam. 
Preferiu fazer exatamente o que Deus havia proibido e, em 
vez de ser como o seu Criador, acabou sendo banido daquela 
vida maravilhosa envolvendo em uma grande tragédia de 
miséria e condenação, em que imergiu não somente a si, 
mas toda a sua progénie pelos séculos.
A árvore fora colocada ali, portanto, para põr o homem 
sob prova. Se ele comesse dessa árvore, iria conhecer ex­
perimentalmente o mal e morreria — foi exatamente o que 
aconteceu. A desobediência foi o primeiro mal formalmente
praticado no mundo dos homens. Assim, no meio daquele 
lugar magniflcente, o jardim no Éden, havia uma árvore 
para testar a obediência de Adão e Eva. O restante da his­
tória todos nós conhecemos não somente de ouvir, mas 
também por experimentarmos pessoalmente o que é o mal 
e, por estarmos vinculados representativamente a Adão, 
também morrermos.
C apítulo 3
O HABITAT HUMANO ERA 
UM JARDIM COM TODA PROVISÃO 
DE ALIMENTO
Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores 
agradáveis à vista e boas para alimento; e também 
a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do 
conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9).
As árvores que Deus plantou no jardim eram não 
apenas para mostrar a beleza de sua criação, mas tam­
bém para a provisão diária de suas criaturas. A região 
hoje existente no lugar que teria sido o jardim no Éden, 
no Oriente Médio, é um deserto inóspito, onde somente
O petróleo tem força. Na verdade, o petróleo ali existen­
te é resultado da ação violenta do grande cataclisma do 
Dilúvio, que removeu as árvores dali e as sepultou nas ca­
madas inferiores do globo terrestre, onde permaneceram 
por milhares de anos até se transformarem em lodo sub­
terrâneo, o grande lençol petrolífero que por décadas vem 
sendo a grande fonte de energia para o mundo. Árvores 
e vegetação são coisas raras naquela parte do mundo. 
Quando algumas pouquíssimas árvores são encontradas, 
esse pequenino pedaço de terra verdejante é geralmente 
um oásis em meio ao imenso deserto.
Antes da catástrofe, no entanto, houve naquela re­
gião uma enorme quantidade de árvores, sendo muitas 
delas frutíferas, quando Deus fez o mundo. Não podemos 
imaginar quão belamente arborizada era aquela região ao 
tempo da criação! O que é hoje um grande deserto era nos 
tempos primevos o grande jardim de Deus. Muitas árvo­
res existiam porque havia muitos rios. A água abundante 
do jardim produzia inúmeras árvores frutíferas. Elas fo­
ram colocadas por Deus ali para o benefício do homem, 
para sua subsistência e encanto dos seus olhos.“
O texto de Gênesis diz que Deus fez o jardim para que 
o homem desfrutasse da sua beleza e dos seus produtos. 
As árvores eram agradáveis à vista e boas para o alimento. 
Deus se empenhou por colocar o homem em um lugar 
belo e proveitoso. Nossos primeiros pais certamente não 
tiveram inicialmente que se esforçar pela sobrevivência. 
Deus os colocara em um lugar de abundância e de beleza, 
um jardim onde a água era farta e produzia vida, animais 
por ali rodeavam e pássaros cantavam, alimentando-se 
das folhas, flores, frutos, raízes, troncos e sementes.
Exceto de uma árvore á qual Deus proibiu o comer 
do fruto, ao homem foram dadas todas as outras árvores
11 Young, op. cit., p. 73.
frutíferas. Havia riqueza, variedade e abundância de co­
mida. Mesmo vivendo milênios depois da Queda, o autor 
de Eclesiastes deu uma noção bem nítida da beleza e da 
riqueza da criação de Deus: Tudo fez Deus formoso, no seu 
devido tempo... (Ec 3.11). A visão desse autor ainda era a 
de um mundo sob a Queda. Não temos, na verdade, como 
imaginar a criação sem a maldição divina por causa da 
Queda. Não foi sem razão que, ao terminar cada etapa da 
criação, como dizem as Escrituras, viu Deus que isso era 
bom; e ao finalizar sua obra criadora, no sexto dia. Viu 
Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom (Gn 1.31). 
Deus congratulou-se consigo mesmo pela beleza e riqueza 
da própria criação.
Nenhuma região do mundo, no presente ou no pas­
sado, pode ser igualada em beleza e riquezacom o jardim 
de Deus, nem comparada em provisão alimentícia equi­
valente à alimentação natural proporcionada pela bonda­
de de Deus no jardim localizado no Éden. Nenhum lugar 
específico criado pelo homem, por mais belo que possa 
ser, ultrapassa em encanto o jardim, cujo cenário era de 
fato magniflcente!
C apítulo 4
O HABITATHUMANO ERA UM GRANDE 
JARDIM MUITO BEM IRRIGADO
E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se diindia, 
repartindo-se em quatro braços. O primeiro chama-se Pisom; 
é o que rodeia a terra de HaiÂlá, onde há ouro [...] O segundo 
rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de Cuxe. O nome 
do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o 
quarto é o Eufrates (Gn 2.10,11,13,14).
1. A IMPORTÂNCIA DO S RIOS
As Escrituras falam da importância que tinham os 
rios, por regarem a terra. Eles são a bela providência de
Deus para a sobrevivência da vida, tanto vegetal e animal 
quanto humana.
1) Os rios são importantes para as plantas
As Escrituras são muito ricas em informação quanto 
ã importância dos rios. Quando descrevem a beleza da jus­
teza dos homens, por exemplo, citam um rio. O salmista 
diz que o justo é como árvore plantada junto à corrente de 
águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folha­
gem não murcha... (SI 1.3).
Onde um rio ou mesmo um pequeno córrego pas­
sa, às suas margens estão árvores, quase sempre mais 
frondosas. Todo vale onde passa um rio é mais verde­
jante que qualquer outra área, especialmente em uma 
região onde se possa ver o contraste com terras áridas. 
As terras são áridas por falta de rios. Quando se sobre­
voa o deserto do Saara, dá para perceber a importância 
de um rio para as plantas. De cima, podemos ver a ver­
dura das margens do rio Nilo. Em ambas as margens 
daquele rio há algumas centenas de metros repletos de 
intensa vegetação.
Um rio é, enfim, vida para a terra, porque regando-a, 
faz que ela produza muitas árvores e vegetação, ao trazer 
sempre consigo, além da água em si mesma, preciosos nu­
trientes para a vida das plantas. Se um rio se torna seco, 
tudo morre ao derredor. O profeta Naum diz que o secar 
dos rios está nas mãos do Senhor: ele míngua todos os rios; 
desfalecem Basã e o Carmelo, e a flo r do Líbano se murcha 
(Na 1.4). A vida das plantas depende dos rios, formados 
pela bondade do Senhor!
2) Os rios são importantes para os animais
Onde há rios, sempre haverá animais, os quais depen­
dem da água para sua subsistência. Os canais de TV que
tratam do mundo animal dão muita ênfase à importância 
dos rios para a vida dos bichos. É comum vermos animais 
selváticos se dessedentando à beira dos rios; e, no final da 
tarde, após uma jornada de caça, animais domésticos be­
bendo nos ribeiros. Se quisermos encontrar animais com 
mais frequência, podemos ir a certos lugares preferidos 
deles á beira de rios ou lagoas deixadas pelas estações de 
chuva. A existência e manutenção deles seriam impossí­
veis sem a vida que os rios trazem.
3) Os rios são importantes para os seres humanos
A civilização humana se desenvolveu sempre á bei­
ra de rios. No passado, as cidades foram formadas inva­
riavelmente às margens deles. Foram sempre a fonte de 
desenvolvimento. Precisavam os homens náo somente do 
sustento que a água poderia prover para a manutenção de 
sua vida, mas também para sua locomoção e descoberta 
de novas terras.
Os rios são ferramentas indispensáveis no plano cria­
dor de Deus. Sem eles, não haveria vida e manutenção de 
tudo o que foi criado na terra.
2. A ARIDEZ DA TERRA ACONTECE PELA 
AUSÊNCIA DE RIOS
Qualquer região desértica sobre o nosso planeta ad­
vém da ausência de rios e ausência de um bom lençol fre- 
ático. Certas terras que outrora eram muito bem regadas, 
devido a catástrofes devastadoras, vieram a se tornar ári­
das e inóspitas.
As Escrituras nos informam ter havido outrora terras 
muito férteis, porque muito bem regadas, terras que foram
no passado referência de abundância, hoje lugares áridos 
e sem produtividade;
Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que 
era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído 
Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a 
terra do Egito, como quem vai para Zoar (Gn 13.10).
A terra da campina do Jordão e o Egito, antes de gran­
des fenômenos catastróficos que vieram sobre o mundo, 
eram regiões muito bem regadas. Quem faz essa referência 
ê Moisés, autor do livro de Gênesis. Antes do fogo e enxofre 
descerem dos céus como expressão do juízo de Deus sobre 
os sodomitas, a região que hoje é totalmente desabitada e 
inóspita, onde se localiza o mar Morto, região das antigas 
Sodoma e Gomorra, era um lugar tão verdejante como o 
jardim que foi plantado no Éden. O mesmo acontece com 
a terra do Egito. Era uma terra bem regada e vicejante. No 
entanto, a vegetação desapareceu de todo o Egito, exceto 
ás margens do Nilo, que corre por todo o deserto, do sul 
para o norte.
Os rios do Éden tinham, portanto, a função de re­
gar a terra para o deleite e o proveito dos habitantes da 
cidade de Deus. Não existe terra fértil e bela senão devi­
damente irrigada.
O habitat humano era um lugar belo por causa da 
beleza serpenteante dos rios que o Senhor ali colocou. Os 
rios dão encanto e vida ã vegetação. Não há nada mais 
belo do que ver rios cortando uma região, trazendo todos 
os elementos necessários á geração da vida! Adão e Eva 
possuíam todos os elementos de suprimento, devido às 
âguas nascidas no centro do Éden. Tudo o que era neces­
sário para comer, beber e banhar-se encontravam-se de 
modo abundante por todo o jardim de Deus.
Não é estranho, portanto, que as Escrituras deem 
enorme importância aos rios, mesmo quando falam de 
realidades espirituais. Como jâ observamos, o justo é 
comparado a uma árvore plantada junto ao ribeiro de 
âguas (SI 1.3); a presença de um rio alegra a cidade de 
Deus (SI 46.4). Os rios foram sempre lembranças agra­
dáveis de realidades espirituais, que vinham â mente do 
povo de Deus quando cativo na Babilônia. Por isso, à bei­
ra dos rios da Babilônia, os cativos cantavam, saudosos, 
as bênçãos que vinham da terra de Sião, evocando-as de 
longe (SI 137.1)!
Na verdade, o cântico saudoso de todos os cristãos 
ê o cântico que nos faz recordar o paraíso de Deus, 
plantado no Éden, que expressa o anseio de todos os 
que amam as coisas que foram perdidas no passado. 
Para passar um pouco dessa dor, existe a promessa 
gloriosa de Deus para nós. Na restauração do paraíso 
perdido. Deus vai colocar ali um rio que procede do tro­
no do Pai e do Cordeiro e que é chamado o rio da água 
da vida (Ap 22.1).
Vejamos os cinco primeiros rios mencionados nas 
Escrituras:
1. O RIO DO ÉDEN
E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se 
dividia, repartindo-se em quatro braços (Gn 2.10).
O habitat original do homem era verdejante, cheio 
de árvores agradáveis â vista e rico em alimentação, por 
uma razão muito simples: a região toda do Éden era bem 
irrigada. A frutuosidade do jardim de Deus era decorren­
te do rio do Éden, que banhava o jardim, e dos braços que 
dele surgiam.
1) A origem do rio do Eden
Provavelmente havia na região do Éden uma gran­
de fonte subterrânea, que dava origem ao rio. Ainda 
hoje, os rios procedem de mananciais subterrâneos, 
que são o sistema criado por Deus para prover as nas­
centes dos rios.
Para poder se dividir em quatro braços, parece-nos 
que o rio do Éden devia ser um rio caudaloso, enorme! 
Em sua obra criadora. Deus fez que houvesse uma grande 
fonte procedente das profundezas da terra. É provável que 
isso tenha acontecido no terceiro dia da criação, pois é 
quando Deus trata do ajuntamento das águas sob o firma­
mento (Gn 1.9). Deus arranjou as coisas de maneira que 
naquela região específica houvesse grandes reservatórios 
subterrâneos, de onde pudesse surgir imensa quantida­
de de água para formar um grande rio. Havia certamente 
grande pressão debaixo da terra, que fez que a fonte ir­
rompesse, dando origem ao rio do Éden.Aquela região foi 
uma espécie de poço artesiano que fez surgir na superfície 
grande quantidade de água para regar todo o jardim e ain­
da com volume suficiente para dar origem a quatro outros 
grandes rios.
2) A finalidade do rio do Éden
E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se 
dividia, repartindo-se em quatro braços (Gn 2.10).
A finalidade principal desse rio não era estabelecer 
os mapas para que pudéssemos segui-los hoje, mas regar 
o jardim no Éden. O habitat humano e animais tinha de 
ser irrigado devidamente, a fim de que a vida recebesse a 
necessária provisão divina para o sustento. Náo há melhor 
meio de haver provisão em uma terra do que a existência
de rios no meio dela. Quanto mais rios, mais beleza luxu­
riante possui a terra. Os rios são a bela provisão de Deus 
para o sustento de qualquer região. A vida da terra depen­
de da existência de rios. Deus iria providenciar a chuva 
para cultivar o solo arável, mas agora concedia algo es­
pecial para o beneficio da terra, que eram os grandes rios 
para torná-la viva. É ele o autor que prove, de maneira 
linda, tudo para tornar toda a sua criação belamente viva!
No entanto, os versículos que tratam dos primitivos e 
antigos rios têm sido um tanto problemáticos para os es­
tudiosos da matéria, se levarmos em conta as possíveis (e 
mesmo prováveis!) alterações havidas na conformação do 
relevo de nosso planeta, devido aos grandes cataclismos 
na História.
3) A possível localização do Rio do Éden
O rio que regava o jardim de Deus procedia da região 
do Éden, que ê uma região maior que o próprio jardim. 
Para localizar o rio, temos que localizar o próprio jardim 
no Éden.
A tarefa dos descendentes de Adão viria a ser a de 
seguir os quatro rios que saíam do rio principal e difun­
dir pelo restante da terra os padrões do reino da criação, 
que haviam adquirido de Adão, o qual, por sua vez, os 
havia aprendido experimentalmente e por meio da instru­
ção divina. Seguindo o curso dos quatro rios, as famílias 
iriam então se espalhando e disseminando, já que os rios 
eram (e sempre foram) os grandes instrumentos através 
dos quais os homens se locomoveram, especialmente em 
lugares onde não havia caminhos naturais ou aqueles 
posteriormente abertos pelo próprio homem. Os quatro 
grandes rios foram importantes, portanto, para a civili­
zação humana se estabelecer nos quatro cantos da terra 
conhecida de então.
O texto de Gênesis 2 nos diz que os quatro rios 
fluíam do rio que tinha o seu nascedouro no jardim de 
Deus. Não devemos esquecer que Moisés, ao relatar os 
acontecimentos dos primeiros capítulos de Gênesis, cita 
o lugar de onde os rios fluíam. Para James B. Jordan, “o 
único modo de um rio poder se dividir em quatro braços 
e ir para esses quatro lugares ê se ele surge no norte 
ou no sul” ,̂ ̂ e parece que os quatro rios mencionados 
procedem do norte em direção ao sul. O primeiro rio, o 
Pisom, se dirigia para a terra de Havilá, terra que prova­
velmente se refere à Arábia; o segundo rio, Giom, se diri­
gia para a terra de Cuxe, provavelmente uma referência 
ao rio Nilo, que atravessa a E t i ó p i a ; o terceiro e o quar­
to rios, o Tigre e o Eufrates, iriam para o oriente, desem­
bocando no que hoje é o golfo Pérsico. Todos eles tinham 
uma direção sul em relação á sua fonte de origem.
Não é difícil entender as possíveis localizações dos 
rios se partirmos de um ponto hipotético de referência, 
chamado norte, podendo este ponto estar ligado á atual 
Armênia, lugar onde a arca de Noé pousou. Em Gênesis 
8.4, o texto diz: No dia dezessete do sétimo mês, a arca re­
pousou sobre as montanhas de Ararate. Foi a partir desse 
lugar que a civilização humana teve sua nova origem, e 
dali, com os descendentes de Noé, a civilização humana se 
espalhou para outras partes da face da terra.
Esses quatro rios partiam do jardim. Isso aponta para 
o fato de o jardim ficar numa espécie de planalto, em re­
gião mais elevada, já que os rios sempre correm para terras 
mais baixas. Essa observação está em consonância com a 
região alta e montanhosa da Armênia, lugar onde a arca
12 James B. Jordan. Through new eyes — Developing a biblical view of the 
world, <http://www.entrewave.com/freebooks/docs/a_pdfs/jjne.pdf>.
13 Lembremo-nos que o Dilúvio alterou drasticamente a topografia original 
do nosso planeta.
http://www.entrewave.com/freebooks/docs/a_pdfs/jjne.pdf
pousou. Obviamente, essa região teve a sua topografia 
imensamente alterada pelo Dilúvio.
No entanto, é significativo que o autor de Gênesis te­
nha usado as expressões norte e sul, oriente e ocidente, a 
partir da geografia da Armênia. A revelação divina, os en­
contros divinos com o homem teriam se dado nas terras do 
norte, que ê o possível lugar original do Éden. É provável, 
ainda, que a arca de Noê tenha pousado na mesma região 
original do jardim no Éden, pois a região do Ararate ê a 
área do novo começo. O novo começo da civilização se da­
ria, assim, no mesmo lugar da primeira civilização, a que 
surgira da descendência de Adão. Talvez, por essa razão, 
seja dito que a bênção esplendorosa do Senhor, ou a glória 
do Senhor, venha das regiões do norte. O norte, dentro 
dessa perspectiva, seria a região onde tudo começou no 
jardim do Éden e onde tudo recomeçou no período pós- 
Dilúvio.^" ̂É significativo, por exemplo, que o autor do livro 
de Jó tenha dito: Do norte vem o áureo esplendor, pois Deus 
está cercado de tremenda majestade (Jó 37.22). Sugestivo 
nesta passagem, assim, é que a localização do jardim do 
Éden, nesse ponto de referência chamado norte, possa ter 
sido, então, onde estaria localizado o trono de Deus, ou 
seja, o lugar glorioso em que Deus habitava originalmente 
com Adão e Eva.
Por outro lado, se todos os rios que fluem do Éden 
correm para o sul, ê este o lugar para onde foram os des­
cendentes de Adão, após a Queda.
A localização da grande região do Éden não ê extrema­
mente contestada entre os estudiosos do livro de Gênesis. 
A tônica sobre a sua localização parece recair sobre a
14 Não pode ser esquecido que o pacto que Deus fez com Noé é um pacto 
de repetição, ou que aponta para a continuidade do pacto da criação feito 
com os primeiros pais no Éden. Ao lermos o que Deus promete a Noé, 
percebemos que não é nada mais, nada menos, do que um novo começo à 
humanidade, com as mesmas bênçãos prometidas no Éden.
região onde está localizada a Armênia. Nenhum estudioso 
honesto pode dizer o contrário, ou seja, que aquela região, 
que ê o centro geodésico da terra, não tenha sido o lugar 
do habitat original do homem.
2. OS QUATRO BRAÇOS QUE FLUÍAM DO RIO 
DO ÉDEN
O rio central de onde procedem os quatro rios mencio­
nados tinha o seu nascedouro no Éden (Gn 2.10). Do cau­
daloso rio do Éden saíam quatro braços que serviam para 
irrigar os círculos concêntricos maiores da porção seca, 
que era chamada de terra e estava toda reunida em um 
só bloco, conforme o ensino de Gênesis 1.9,10. Os nomes 
dos rios, como já vimos, são Pisom, Giom, Tigre e Eufrates 
(Gn 2.11-14).
É matéria de razoável controvérsia entre os estudio­
sos a real localização desses rios.
De um lado, estão os defensores da teoria do catastro- 
fismo, especialmente por causa do Dilúvio, que veio sobre 
a grande porção seca chamada terra, no tempo de Noé. 
Os defensores do catastrofismo afirmam que a superfície 
da terra foi drasticamente alterada. Assim, é praticamente 
impossível chegar a uma conclusão razoável sobre a loca­
lização dos rios que fluíam do rio do Éden.
De outro lado, estão aqueles que querem usar a ar­
queologia para tornar rios hoje equivalentes aos rios men­
cionados em Gênesis.
1) A opinião dos defensores do catastrofismo
O que podemos dizer com certeza sobre o jardim de 
Deus é que havia abundante água para regar o lugar de 
habitação do homem. O habitat humano era, sem dúvida.
de beleza ímpar porque os rios sempre trazem beleza a um 
jardim, e o texto de Gênesis menciona a presença de cinco 
rios ali que traziam encanto à região.É conhecido de todos 
que o rio Tigre, que ainda corre pelo lado leste de Asshur, a 
saber, da Assíria, e o rio Eufrates ainda possuem os mes­
mos nomes hoje, depois de milênios, mas não sabemos os 
nomes originais deles. Esses nomes lhes foram dados pelo 
autor de Gênesis, milênios depois de sua origem. Hoje eles 
correm paralelamente um ao outro, e suas nascentes se 
encontram na mesma cadeia de montanhas.
Há uma palavra de observação que devemos fazer, 
no entanto, que ê muito importante. Não podemos sa­
ber com certeza se Tigre e Eufrates sejam os nomes reais 
(nem mesmo, propriamente, se são os mesmos rios) da­
queles dois últimos braços que procediam do rio que saía 
do Éden. Não há como comparar os rios presentemente 
conhecidos como Tigre e Eufrates aos rios existentes no 
período prê-diluviano.
Ê possível também que a antiga localização deles não 
fosse a mesma que ê hoje. Embora tenhamos afirmado 
ser grande a possibilidade de a localização do jardim ser 
a região da Armênia (e muitos estudiosos concordam com 
isso), muitos cataclismos aconteceram no mundo desde 
sua criação, especialmente o Dilúvio. Muita coisa da an­
tiga topografia da terra foi severamente alterada.
Portanto, não podemos estar absolutamente certos 
de que são estes os mesmos rios que corriam na região 
do Éden, pois nomes semelhantes podem ser dados a rios 
diferentes. Além destes, mais dois rios, Pisom e Giom, 
são mencionados, dos quais iremos falar mais à frente. 
Não podemos, na verdade, ter segurança absoluta da lo­
calização de qualquer desses rios referidos no Gênesis, 
especialmente se levarmos em conta as prováveis mu­
danças havidas com o Dilúvio, nem podemos comparar 
quaisquer rios do tempo presente com os antediluvianos. 
Presume-se, inclusive, como já foi dito, que a porção seca
da terra formava um só continente e que a separação dos 
continentes veio por causa desta citada maior catástrofe 
já ocorrida no mundo.
2) A opinião dos que negam as mudanças trágicas
do catastrofismo
No entanto, não há acordo entre cristãos sérios e ho­
nestos com respeito aos efeitos da catástrofe na confor­
mação geográfica da região em que supostamente estava 
instalado o paraíso de Deus. Existem apenas algumas ten­
tativas de aproximação. Há cristãos que pensam que as 
mudanças havidas na terra pela catástrofe do Dilúvio não 
teriam necessariamente de desfazer a localização bíblica 
dos quatro braços de rios que fluíam do curso d’âgua do 
Éden mencionados em Gênesis.
O próprio João Calvino, o grande reformador de 
Genebra, não acreditava que as mudanças causadas pelo 
Dilúvio tivessem sido tão extremamente radicais que mu­
dassem todo o relevo da terra.
Muito antes da teoria do catastrofismo ser afirmada, 
no século XX, Calvino dizia duvidar do fato de o Dilúvio 
ter transformado tanto a conformação da terra a ponto de 
desaparecerem os rios, mudando-os completamente de 
rumo. Eis sua argumentação:
Pois Moisés divide o único rio que fluía pelo jardim em 
quatro braços. Todavia, parece que as fontes do Eufrates e 
do Tigre eram muito distantes uma da outra. A partir desta 
dificuldade, alguns se sentiriam livres para dizer que a 
superficie do globo pode ter sido mudada pelo Dilúvio; e, 
no entanto, eles imaginam que os cursos dos rios poderiam 
ter mudado e suas fontes transferidas para outro lugar; 
uma solução que me parece de modo algum aceitável. Pois
embora eu reconheça que a terra, desde o tempo em que 
ela foi amaldiçoada, se tomou reduzida de sua beleza 
nativa para um estado de infeliz corrupção, e para uma 
vestimenta de lamentação, e posteriormente se tomou um 
estrago em muitos lugares pelo Dilúvio, ainda, eu assevero 
ser ela a mesma terra que tinha sido criada no princípio.
Além disso (em meu julgamento), digo que Moisés acomodou 
sua topografia à capacidade de sua época. Todavia, nada 
é realizado, a menos que encontremos aquele lugar onde o 
Tigre e o Eufrates procedam de um rio.̂ ^
Calvino admite que Moisés trata dessas matérias, no 
entanto, “não fala pungentemente, nem de maneira filosó­
fica, mas popularmente, de forma que cada pessoa menos 
informada possa entendê-lo” .̂ ®
Vejamos uma análise dos mencionados quatro rios, 
sob o prisma geológico, arqueológico e teológico, de uma 
pesquisadora que não crê nas alterações radicais causa­
das pelo Dilúvio:
A. O PRIMEIRO BRAÇO DO RIO DO ÊdEN: O PiSOM
O primeiro chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de 
Havilá, onde há ouro (Gn 2.11).
A tentativa de localização do rio Pisom é desafiado­
ra e estimulante. Qual a sua localização? Onde é a terra
15 João Calvino. Comentário sobre Gênesis 2. <http://www.ccel.org/ccel/ 
calvin/calcom01.viii.i.html>.
le ib id .
http://www.ccel.org/ccel/%e2%80%a8calvin/calcom01.viii.i.html
http://www.ccel.org/ccel/%e2%80%a8calvin/calcom01.viii.i.html
de Havilá? Que localização desse rio pode ser adequada à 
ideia de estar situado em região da Arábia?
As Escrituras mencionam duas vezes Havilá como 
nome de dois homens diferentes. O primeiro é filho de 
Cuxe (Gn 10.7), e o segundo, filho de Joctã (Gn 10.29). 
Segundo Carol A. Hill “a terra de Havilá tem sido interpre­
tada por muitos eruditos bíblicos como sendo a Arábia”. 
Ela também sugere que Joctã deva ser considerado “o ca­
beça das tribos da Arábia, como a maioria de seus filhos 
pode ser pista de lugares e distritos dentro do que são ago­
ra a Arábia Saudita e o lémen. Aparentemente, a ‘terra de 
Havilá’ se referia a uma região inteira em vez de um lugar 
específico, visto que parece ter havido mais que uma tribo 
com esse nome”.̂ ®
Mesmo reconhecendo que não há rio algum fluindo 
na região da Arábia atualmente, Carol Hill afirma que no 
período de alguns milênios atrás a região da Arábia foi 
uma terra muito mais cheia de água. Cita estudiosos da 
região, como, por exemplo, McClure,^® e afirma que por 
volta de 3500 a.C. “lagos antigos eram conhecidos como 
tendo existido no ‘Quarteirão Vazio’ da Arábia Saudita, 
que é hoje o maior deserto de areia do mundo”. E s s a
17 C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament, vol. 1 — The 
Pentateuch. Grand Rapids: Eerdmans, 1975, p. 171; e R. L. Harris. The mist, 
the canopy and the rivers of Eden. Bulletin o f the Evangelical Theological 
Society 11:4 (1968), p. 179.
18 E. A. Speiser. Anchor Bible Commentary, vol. 1, Genesis. Garden City: 
Doubieday, 1981, p. 17. Cf. Carol A. Hill. The Garden o f Eden: a modern 
landscape. <http://www.asa3.org/ASA/PSCF/2000/PSCF3-00Hill.html>, 
acessado em maio de 2010.
19 H. A. McClure. Late quaternary palaeogeography and landscape 
evolution of the Rub'AI Khali, Araby the Blest. D. T. Potts, ed., Carsten 
Niebuhr Institute of Ancient Near Eastern Studies. Copenhagen: Tusculanum 
Press, 1988, p. 9-13.
20 Hill, op. cit., p. 31-46.
http://www.asa3.org/ASA/PSCF/2000/PSCF3-00Hill.html
região tornou-se muito árida entre 4000 e 2000 anos 
a.C. Em uma parte dessa grande região, chamada Wadi 
al Batin,^^ encontra-se a evidência de ser ali o lugar do 
leito seco do extinto rio Pisom, segundo o entendimento 
de Carol Hill.
Alêm do mais, a autora usa outros dados para mos­
trar que a Arábia seria o lugar mais adequado para locali­
zar o rio Pisom. Em seu artigo, ela menciona James Sauer, 
o qual “descreve como imagens de satélite têm detectado 
um leito fluvial ao longo de Wadi al Batin {wadi significa o 
mesmo que arroio, um leito fluvial seco). Sauer identificou 
esse rio como o rio Pisom da Bíblia, um rio que fluía no 
tempo em que o clima era mais úmido do que é hoje” .̂ ^
Além da Arábia, outros lugares têm sido sugeridos por 
estudiosos, como o Egito^^ e a região do Mediterrâneo, 
apenas dois exemplos de vários deles. Calvino expõe um 
pensamento diferente sobre a localização da terra de 
Havilá. Diz ele:
A terra de Havilá, em meu julgamento, é tida como uma 
região adjacente à Pérsia. Porque, subsequentemente, 
no capítulo (Gn 25.18), Moisés relata que os ismaelitas
21 O sistema de Wadi ai Batin/Wadi Rimah dista cerca de 43.400 milhas 
(setenta milquilômetros, aproximadamente) da Arábia Saudita e do Kuwait.
0 agora seco Wadi al Batin entrava no golfo Pérsico em Umm Qasr, no Kuwait, 
mas no passado o Pisom entrava no golfo Norte de Umm Qasr, na bacia dos 
rios Tigre-Eufrates (Carol A. Hill. The Garden o f Eden: a modern landscape).
22 A. Sauer. The river runs dry — creation story preserves historical 
memory. Biblical Archeology Review 22:4 (1996), p. 52-57, 64.
23 A. 5. Yahuda. The accuracy of the Bible. London: William Heinemann, 
1934, p. 160-75.
24 G. R. Morton. The Mediterranean flood. Perspectives on Science and 
Christian Faith, 49.4 (1997), p. 238-51.
habitavam desde Havilá até Sur, que é contíguo ao Egito, e 
através do qual o caminho conduz à Assíria. Havilá, como 
limite, é oposta a Sur, do outro lado, e este limite Moisés 
coloca perto do Egito, do lado que aponta para a Assíria. 
Consequentemente, segue-se que Havilá (o outro limite) se 
estende em direção a Susã e Pérsia.^^
Todavia, o que pesa contra esses outros lugares é que 
neles não há nenhum registro das riquezas abundantes 
mencionadas no texto bíblico: ouro, bdélio e ônix. Segundo 
Carol Hill, “o bdélio somente cresce na parte sul da Arábia 
(lémen) e no norte da Somália; sendo assim, este item au­
tomaticamente elimina a maioria das localidades suge­
ridas. As nascentes do Wadi al Batin escoam as antigas 
áreas de ouro e ônix de Mahd adh Dhahab e Wadi al Aqiq, 
e todas as três riquezas [ouro, ônix e bdélio] são conhe­
cidas como tendo sido transportadas por camelo para a 
Mesopotâmia em uma data primitiva. Finalmente, as con- 
fiuências do Wadi al Batin com o Tigre e o Eufrates na 
terra da Mesopotâmia são exatamente como a Bíblia afir­
ma. Tudo acima é evidência de que o Wadi al Batin, agora 
seco, é o antigo rio Pisom, e que a terra de Havilá (o filho 
de Joctã, não o de Cuxe) é, de fato, a Arábia”.
Outros autores cristãos têm dado suporte à teoria 
de Hill, informando que a moderna tecnologia de satélite 
tem-nos ajudado a ver um leito de rio seco de mais ou 
menos 4.800 metros de largura. Ele fluía das proximida­
des de Medina (na atual Arábia Saudita) para o golfo en­
tre 5000 e 10000 a.C. O clima não era árido como é hoje. 
Parece que ele secou por volta de 2000 a.C. Poderia ser 
este o rio Pisom? Não se sabe com certeza. São apenas
25 Calvino, op. cit.
26 Hill, op. cit., p. 31-46.
hipóteses, mas parece haver consenso entre a maioria 
dos estudiosos de que a região buscada estaria localizada 
no Oriente Médio.
B. O SEGUNDO BRAÇO DO RIO DO ÊdEN: O GlOM
O segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de 
Cuxe (Gn 2.13).
A primeira tarefa a ser feita aqui é tentar identifi­
car a “terra de Cuxe” , tal informação poderia fornecer 
alguma luz à tentativa de resolver a localização do rio 
Giom. No entanto, a identificação da terra de Cuxe pare­
ce ser ainda mais difícil do que a identificação da terra 
de Havilá.
Como no caso do rio Pisom, há também divergên­
cias de localização com respeito ao Giom. Alguns estudio­
sos pensam que a terra de Cuxe seja uma referência ã 
Etiópia, na região do alto Nilo, pela simples razão de a 
versão inglesa King James da Biblia ter traduzido o texto 
original como que se referindo à Etiópia. Carol Hill con­
testa, dizendo que essa tradução “não somente é questio­
nável, mas também não faz sentido”. A reivindicação de 
o Giom equivaler-se ao rio Nilo cria um problema muito 
difícil de interpretação. O rio Giom não pode ser o Nilo 
porque suas nascentes estão no meio do continente afri­
cano. Ainda que creiamos nos drásticos efeitos causados 
pelo Dilúvio do tempo de Noé, temos que enfrentar o fato 
de que o rio Nilo corre do sul para o norte, contrariando 
a versão de que o Giom, bem como os outros braços do 
rio do Éden, correriam do norte para o sul. O rio Nilo
nasce no sul, vindo da região da Etiópia, e corre para o 
norte da África.
De acordo com Speiser, “a terra de Cuxe tem sido er­
roneamente identificada com a Etiópia em vez de com a 
terra dos cassitas”.̂ ® Os cassitas (Kassu) viviam a leste 
da Mesopotâmia, no antigo período babilónico (1800-1600 
a.C.). Antes disso, no entanto, essa área era conhecida 
como terra de Elam ou Susã, onde viviam os habitantes da 
planície de Susã.^® Essa região corresponde hoje à parte 
ocidental do Irã (que é a antiga Susã).
Os rios mais impoAantes dessa região são o Karkheh 
e o Kamn. O Karun é o mais longo dos dois e o único rio 
navegável do Irã. Carol Hill parece identificar o Karun como 
o candidato mais provável para se equivaler ao Giom, pois 
possibilitava a ligação comercial entre a região de Susã e 
Acádia e Suméria.®° Diz ainda que “os sumérios estavam 
constantemente em guerra contra os elamitas, sendo esta 
outra razão pela qual o escritor de Gênesis teria sido le­
vado a mencionar esse rio. Qualquer pessoa sabia então 
on,de a terra de Cuxe estava localizada”.®̂
Outro argumento usado por Carol Hill em favor do 
rio Karun como equivalente ao rio Giom está no pró­
prio texto em estudo. O texto de Gênesis 2.13 diz: “O 
segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de 
Cuxe” . A palavra hebraica, traduzida por circundar sig­
nifica “revolver, cercar, contornar, rodear no seu curso, 
girar e voltar” . I s s o é exatamente o que o rio faz. Hill
28 Speiser, op. e it, p. 17.
29 Hill, op. d t., p. 31-46.
30 ibid.
31 Ibid.
32 Speiser, op. cit., p. 17.
diz que o rio corre serpenteante, com curvas, por cerca 
de 510 milhas (pouco mais de oitocentos quilômetros), 
mas a sua real extensão é de apenas 175 milhas (cerca 
de 280 quilômetros).^^
Pelas razões afirmadas, a tendência dos estudiosos 
não ê localizar Cuxe na Etiópia (região do alto Nilo), mas 
na região da Babilônia, que hoje corresponde ao Iraque-Irã. 
Talvez possa ser dito que o jardim que Deus plantou tenha 
se localizado na região oriental da Turquia e ocidental do 
Iraque-Irã. De todo modo, o jardim no Éden não estaria, 
sem dúvida, na Europa, na índia ou na China; muito me­
nos na América, como o Livro de Mórmon alega.
C. O terceiro braço do rio do Éden: o tigre
O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da 
Assíria (Gn 1.14a).
A terra mais fácil de ser identificada dentre as dos 
quatro rios ê a do terceiro: o oriente da Assíria. O rio da 
Assíria que corresponde ao de nome hebraico Hiddekel, 
ou seja, o Tigre, tem seu nascedouro nas regiões mon­
tanhosas da Turquia oriental e corre cerca de 1.160 mi­
lhas (cerca de 1.867 quilômetros) no seu curso atê o golfo 
Pérsico, recebendo água de vários afluentes. Corre do no­
roeste para o sudeste. Suas águas são mais abundan­
tes no tempo do derretimento da neve das montanhas 
Taurus, o que acontece na primavera, de março a maio. 
Em junho e julho, as águas baixam. Quando o rio atin­
ge Bagdá, tem cerca de quatrocentos metros de largura.
33 M.-C. DeGraeve. The ships of the ancient Near East (c. 2000-500 B.C.). 
Lewen: Dept. Orientalistich, 1981, p. 11. Apud Carol Hill, op. cit.
com uma profundidade que varia de um a oito metros, 
correndo cerca de seis quilômetros por hora na época da 
cheia e quatrocentos metros por hora na vazante. Depois 
de Bagdá é navegável, enquanto o alto Tigre é mais difí­
cil de navegar. Quando das cheias, o rio Tigre se espraia 
sobre várias áreas de terra, já que há grandes planícies 
na região.
O Tigre era o grande rio da antiga Assíria, ou terra de 
Asshur, conforme o texto de Gênesis 2.14. Em suas mar­
gens, desenvolveram-se várias cidades importantes, como, 
por exemplo, Nínive, fundada por Ninrode, filho de Cuxe e 
bisneto de Noé (Gn 10.8-11).
D. O QUARTO BRAÇO DO RIO DO ÉdEN! O EUFRATES
E o quarto [rio] é o Eufrates (Gn 2.14b).
Não há observação sobre o curso desse rio, como nos 
trés anteriores. Ele percorre a região do moderno Iraque, 
mas não se sabe se é o mesmo rio mencionado em Gênesis. 
Todavia, é maior a probabilidade que o seja, porque nes­
sa região é que estava localizado o coração do jardim de 
Deus. O Eufrates banha a parte ocidental da Mesopotâmia. 
Começa nas terrasaltas do oriente da Turquia, flui pelo 
norte do Iraque e entra em seu delta cerca de 120 qui­
lômetros a oeste de Bagdá, percorrendo cerca de 2.700 
quilômetros até o golfo P érs ico .Q u an do o rio Eufrates 
chega a uma região chamada Ash Shamiyah, suas âguas 
se perdem em uma imensa região pantanosa. Durante as
34 H. F. Vos. Beginnings in Bible Geography. Chicago: Moody Press, 1973, p. 13.
35 DeGraeve, op. cit., p. 7.
cheias da primavera, essa região toda, desde o oriente do 
Eufrates até o Tigre, se torna muito inundada.^®
RESUMO
A evidência geológica e bíblica aponta para os quatro 
braços que saem do rio do Éden como sendo: o Pisom, Wadi 
al Batin; o Giom, Karun; o Tigre (Hiddekel) e o Eufrates. 
Segundo a opinião de Carol Hill (e, certamente, de Calvino), 
os rios Tigre e Eufrates não deixam dúvida sobre a locali­
zação aproximada do bem irrigado jardim no Éden. O es­
tudo feito atê aqui é uma tentativa de harmonizar o que 
existe no presente com os parcos dados recebidos do livro 
de Gênesis com respeito aos rios que regavam o jardim, o 
Éden expandido e toda a porção seca, que o Senhor Deus 
chamou de Terra. “Esses rios localizam o jardim no Éden 
como sendo o cenário da cabeceira do golfo Pérsico — mas 
não a cabeceira do tempo presente do golfo Pérsico.
APLICAÇÃO
Não devemos usar essa narrativa de Gênesis como um 
manual de exposição científica. O autor de Gênesis tentou 
mostrar a providência divina de uma forma que todos os leito­
res de sua época pudessem entender a verdade da sabedoria 
e da provisão de Deus. Por essa razão, Geofrey Thomas disse:
O principal propósito desses rios mencionados não é o 
de estabelecer um atlas primitivo para nós, mas sim, no
36 Ibid, p. 4.
37 Hill, op. cit., p. 31-46.
mundo antes da Queda onde o homem viuia, estabelecer a 
fonte de irrigação e de vida refrescante para a totalidade 
da área como uma provisão de Deus. Esta é a razão pela 
qual os rios são mencionados; eles são o dom de Deus.^^
Todos os dons procedem de Deus, incluindo os rios e 
as fontes de sua provisão para o sustento das árvores, dos 
animais e dos homens. A irrigação da terra é fundamental 
para a subsistência de todas as coisas criadas que estão 
sobre a superfície da terra.
Devemos ensinar a nossos filhos e netos que o Deus 
criador também é um Deus providente. Ele manda as chu­
vas para regar a terra e distribui os rios que procedem 
das águas subterrâneas para uma irrigação constante e 
volumosa, para saúde da terra. Quando lhes ensinamos 
essas coisas, eles aprendem a amar esse grande e amo­
roso Deus! As Escrituras registram o que registram para 
que aprendamos todos, crianças e adultos, que a nature­
za criada (não a Mãe Natureza) é produto da bondade de 
Deus para suas criaturas!
Assim, Adão e Eva foram colocados num habitat imen­
samente regado pelas águas da chuva e dos rios, que Deus 
fez nascer no Éden, e se espalharam em vários braços para 
as extensões daquela terra que, áquela altura, era ainda 
uma só porção seca (Gn 1.9). Depois do Dilúvio, é mui­
to provável que uma porção de coisas da topografia haja 
mudado, mas o modo de Deus regar a terra continuou o 
mesmo: o produto de sua bondade providencial!
38 Geofrey Thomas, em seu sermão sobre Gênesis 2 <http://www. 
alfredplacechurch.org. uk/>.
http://www.%e2%80%a8alfredplacechurch.org.%20uk/
http://www.%e2%80%a8alfredplacechurch.org.%20uk/
C apítulo 5
O HABITAT ORIGIN AL DO HOMEM 
ERA UM JARDIM MUITO RICO
o primeiro chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de 
Havilá, onde há ouro. O ouro dessa terra é bom; também 
se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix (Gn 2.11,12).
Deus deu ao homem que colocou no jardim um ha­
bitat cercado de riqueza incalculável de pedras preciosas. 
A “terra de Havilá” refere-se à parte exterior ao jardim 
situada no Éden. A terra de Havilá era também, portanto, 
parte do Éden. Se não tivesse ocorrido a Queda, a terra 
de Havilá seria também habitada e cultivada por seres
santos, descendentes de Adão e Eva, e toda a cultura 
do santo reino de Deus seria implantada nessa terra de 
imensa riqueza. Veja o que o texto diz sobre a riqueza da 
terra de Havilá:
O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o 
bdélio e a pedra de ônix (Gn 2.12).
1. EM HAVILÁ, NO ÉDEN, HAVIA OURO
A riqueza do jardim vem do mais precioso e mais de­
sejado dos metais: o ouro. Até hoje um país é medido em 
sua riqueza pela quantia de ouro que tem guardada como 
lastro de sua economia. Mas o jardim de Deus não possuía 
ouro simplesmente. O texto aponta para a qualidade do 
ouro: bom.
A região de Mahd adh Dhahab (que literalmente sig­
nifica “berço do ouro”) foi a maior e a mais rica das minas 
de ouro do mundo antigo. Alguns creem que a região seja 
equivalente a Ofir, a fonte do ouro de Salomão, segundo 
as Escrituras.O bservando a dificuldade dessa equiva­
lência, diz Carol Hill: “Presumindo que Mahd adh Dhahab 
seja a mina lendária do rei Salomão, foi também a fonte 
de 'ouro bom’ de Gênesis 2.12? Afinal de contas. Gênesis 
2.12 refere-se a um tempo muito mais antigo do que o de 
Salomão”.T o d a v ia , embora reconheça a dificuldade, ela 
apresenta trés linhas de evidência, sugerindo que a mina 
de ouro de Salomão possa ser a mesma de Mahd adh
39 É curioso que Ofir é um dos filhos de Joctã, da Arábia (Gn 10.29). Além 
disso, o ouro de Ofir é citado em muitas passagens das Escrituras: IRs 9.28; 
10.11; 22.48; IC r 29.4; 2Cr 8.18; 9.10; Jó 22.24; Si 45,9; Is 13.12.
40 Hill, op. cit.
D hahab.E studiosos creem ainda, baseados no teste de 
radiocarbono, que foi extraído ouro dali durante o tempo 
do rei Salomão (961-922 a.C.).^^ h íH diz;
Não há maneira de saber com certeza, mas três linhas de 
evidência sugerem que o ouro pode ter sido minado em 
Mahd adh Dhahab muito mais anteriormente do que no 
tempo de Salomão — mesmo tão cedo como no período 
patriarcal ou antes ainda^^
As três linhas de evidência apontadas por Hill na ci­
tação acima são as seguintes;
a) A primeira, da própria mina de Mahd adh Dhahab. 
Durante o ano de 1973, demonstrou-se que aquela re­
gião exibia um solo riquíssimo na parte sul de Mahd adh 
Dhahab, onde havia alguns vales. Nesses vales havia ca­
nais que indicavam erosões que poderiam ter sido depó­
sitos de ouro de aluvião no período pré-Salomão."^“̂
b) A segunda linha de evidência ê a referência a Ofir 
em Jó 22.24: e deitares ao pó o teu ouro e o ouro de Ofir 
entre pedras dos ribeiros. Embora seja muito difícil datar
41 As minas de Mahd adh Dhahab produziram mais de trinta toneladas 
métricas de ouro na Antiguidade (R. J. Roberts. Mahd adh Dhahab — the 
Ophir of Antiquity? Arabia antiqua, Conferência sobre a Conservação e 
Melhora da Herança Arqueológica da Península Arábica. Roma: mai 27-31, 
1991, p. 1.
42 R. W. Luce, A. Bagdady & R. J. Roberts. Geology and ore deposits of 
the district of Mahd adh Dhahab. Saudi Arabian Kingdom. U.S. Geological 
Survey, Saudi Arabian Project Report 195 (1976), 2, p. 15-16.
43 Hill, op. cit.
44 Luce, Bagdady & Roberts, op. cit., p. 25.
O livro de Jó, alguns eruditos das Escrituras o colocam no 
período patriarcal, sendo contemporâneo de Abraão, con­
forme inferido de sua genealogia.
c) A terceira linha de evidência ê arqueológica. O 
ouro repentinamente aparece no registro arqueológico da 
Mesopotâmia no período Uruk (cerca de 3500 a.C.).'^® Uma 
pequena variedade de artefatos de ouro foi recuperada na 
parte sul do Iraque datando de cerca de 3500 a.C.
Essas evidências propostas por Carol Hill têm o pro­
pósito de mostrar que a região de Mahd adh Dhahab ê o 
lugar na terra de Havilá onde havia muito ouro, e ouro da 
melhor qualidade.
2. EM HAVILÁ, NO ÉDEN, HAVIA BDÉLIO
É curioso que o bdélio fosse encontrado na região onde, 
desde tempos muito remotos, habitavam os filhos de Ismael 
(Gn 25.16-18), comerciantes de pedras preciosas, que eram 
transportadas por camelos, já então domesticados. Os 
descendentes de Ismael vieram a habitar essa terra que 
era rica em pedras preciosas, incluindo o bdélioe o ônix. 
Essa região hoje corresponde, provavelmente, ao lémen.
1) Qual a aparência do Bdélio?
A única outra referência ao bdélio na Bíblia está em Núme­
ros 11.7, onde é dito que a aparência do maná era seme­
lhante â dele. Uma vez que o maná era branco (Êxl6.31), 
o bdélio também deveria ser branco. É significativo que o 
povo de Israel comeu do maná enquanto estava no deserto 
de Havilá, terra do bdélio."^®
45 G. Algaze. The Uruk world system. Chicago: University of Chicago Press, 
1990, p, 77.
46 Jordan, op. c it , p. 73-74.
2) O que é o bdélio?
Ninguém sabe exatamente o que é o bdélio. Alguns 
pensam que o bdélio seja uma pedra preciosa. O doutor 
John Currid prefere traduzir bdélio, que é uma pedra pre­
ciosa, por um tipo de rubi.'̂ '̂ '
Outros estudiosos são favoráveis ao bdélio ser uma 
espécie de resina aromática da família do bálsamo. 
Carol Hill diz que o bdélio “é uma substância de algu­
ma forma similar à mirra e frequentemente considerada 
como mirra — como era nos tempos antigos, quando a 
distinção entre esses dois não era clara. As espécies de 
bdélio conhecidas na Arábia são Commiphora mukul e 
Commiphora schimperi
Essas gomas resinosas (mirra ou bdélio) foram usa­
das no antigo Oriente Médio em procedimentos religiosos 
(incenso), em cosméticos (perfume) e para fins medicinais. 
Os textos cuneiformes da Mesopotâmia observam que a 
mirra (bdélio) era usada para fazer uma massa suave para 
os cabelos, para o tratamento de doenças dos olhos, nariz 
e ouvidos e para outros propósitos medicinais."^® A árvo­
re de onde a goma resinosa era extraída existia somente 
no sul da Arábia e no norte da Somália. A mirra (bdélio) 
crescia no atual território do lémen, na direção do golfo de 
Aden.^° Provavelmente, o bdélio fazia parte do grupo de es­
peciarias comercializadas no tempo do rei Salomão, quan­
do este foi presenteado pela rainha de Sabá com muitas 
dessas especiarias (IRs 10.1-13). É importante lembrar
47 Ref. a Carol A. Hill, op. cit.
48 G. Usher. A dictionary of plants used by man. London: Constable, 1974, p. 
169-70, apud Hill, op. cit.
49 N. Groom. Frankincense and myrrh: a study in the Arabian incense trade. 
London: Longman, 1981, p. 20.
50 Hill, op. cit.
que a rainha que visitou Salomão veio da região de Marib, 
antiga Mariaba, agora parte do lêmen, a grande e próspera 
cidade, capital do antigo reino dos sabaeanos (relativo a 
Sabá), de onde procedia a rainha.®^
Até hoje, essas especiarias são grande fonte de rique­
za na região de Havilá, onde supostamente hoje se encon­
tram territórios do lémen e da Arábia, com descendentes 
de Ismael, filho de Abraão.
3. EM HAVILÁ, NO ÉDEN, HAVIA ÔNIX
Outra preciosidade do habitat humano era o ônix. Na 
verdade, a única referência na Bíblia sobre a pedra ônix 
além de Gênesis 2 está relacionada às vestes do sumo 
sacerdote. As pedras nas ombreiras da estola sacerdotal 
eram feitas de ônix e levavam nelas gravadas os nomes das 
doze tribos (Êx 25.7; 28.9-12).
Não é fácil a identificação da pedra chamada ônix de 
Gênesis 2.12. Carol Hill vê duas dificuldades na identifica­
ção do ônix:®^
1) A primeira dificuldade com a identificação 
do ônix é arqueológica
Carol Hill diz que existe aí uma dificuldade arqueoló­
gica muito grande, porque os períodos mais primitivos de 
mineração de ouro e de pedras preciosas na região Mahd 
adh Dhahab não têm sido adequadamente investigados; e 
menos ainda tem havido uma pesquisa para se encontrar
51 Ibid.
52 Jordan, op. cit., p. 73-74.
53 Hill, op. cit.
uma fonte de pedras preciosas conhecidas que hajam sido 
comercializadas na Antiguidade. Lembra que, todavia, “al­
gumas passagens bíblicas confirmam que pedras preciosas 
eram trazidas da Arábia para Israel com ouro e incenso”.®"̂ 
A rainha de Sabá (reino que hoje equivale ao território do 
lêmen) trouxe dali, com o ouro de Ofir, muitas pedras pre­
ciosas (IRs 10.2,10,11; cf. 2Cr 9.1, 10).
No entanto, uma pergunta importante a ser feita ê 
a seguinte: “O que deveria ser considerado como pedras 
preciosas na Antiguidade?” . Uma resposta simples está 
na oferta de Davi para o templo de Deus que havia pla­
nejado construir:
Eu, pois, com todas as minhas forças já preparei para 
a casa de meu Deus ouro para as obras de ouro, prata 
para as de prata, bronze para as de bronze, ferro para as 
de ferro e madeira para as de madeira; pedras de ônix, 
pedras de engaste, pedras de várias cores, de mosaicos 
e toda sorte de pedras preciosas, e mármore, e tudo em 
abundância (1 Cr 29.2).
O ônix era uma pedra preciosa, mas não de uma úni­
ca variedade, pois o texto fala de pedras de ônix. Isso pode 
indicar uma variedade de pedras. Convém observar que 
modernamente algumas dessas pedras são consideradas 
semipreciosas, mas não preciosas.
Além disso, a dificuldade arqueológica torna-se ain­
da maior por causa dos termos usados para designar as 
pedras preciosas nos períodos mais antigos. Um proble­
ma linguístico.
2) A segunda dificuldade da identificação
do ônix é linguistica
Qual o sentido usado para o termo "ônix” pelo autor 
de Gênesis? “Na Antiguidade, muitos nomes diferentes 
foram usados para pedras, mesmo para o mesmo tipo de 
pedra, dependendo da cor, da qualidade e da aparência”, 
segundo Moorey.^^
Para Carol Hill, a palavra grega onychion (ônix) é 
empregada “como um termo geral, que poderia se refe­
rir a cornalina, berilo, lápis-lazúli, pedra de quartzo ou 
mesmo mármore, mas comumente era usada para signi­
ficar diversas subvariedades de calcedônia (ágata, ônix, 
sardónica)” .®®
Por esse motivo, uma grande variedade de pedras 
preciosas (ou semipreciosas nos tempos de hoje) estão in­
cluídas no termo grego onychion.
No entanto, embora não havendo uma precisão lin­
guística para descrever o que onychion possa significar, 
parece haver evidências bíblicas de que essa palavra não se 
refere a algumas pedras consideradas como semipreciosas:
M ármore
Esta pedra parece ser distinta do ônix de Gênesis 
2.12, pois em ICrônicas 29.2 a referência a “mármore” 
ê distinta de “pedras de ônix” , sendo, portanto, diferen­
tes. Além disso, parece não existir pedras de mármore 
na região da Arábia Saudita, que também era parte da 
terra de Havilá.
55 P. R. S. Moorey. Ancient Mesopotamian materials and industries. Oxford: 
Clarendon, 1994, p. 78.
56 Hill, op. cit.
L ápis-L azúli
Este mineral lazurita, muito comercializado nos tem­
pos antigos por toda a Mesopotâmia e usado para a ma­
nufatura de joias, nâo é encontrado na península Arábica. 
Encontra-se somente na região do moderno Afeganistão.®^ 
Portanto, esse mineral pode ser excluído também da sig­
nificação geral da pedra de ônix em Gênesis 2.12.
B erilo
O berilo é uma pedra semipreciosa de cor azul-claro 
ou verde-claro. Parece não ser encontrado na Arábia. O 
mais próximo â Arábia foi encontrado nas colinas do mar 
Vermelho, nas minas de esmeralda de Sikait e Zabara, 
exatamente a oeste de Lúxor, no Egito.®® Portanto, o be­
rilo deve ser também eliminado das pedras consideradas 
como ônix.
Hâ outras pedras semipreciosas que não precisam 
ser incluídas na gama abrangida pelo ônix, por motivos 
semelhantes aos citados anteriormente: quartzo, ágata, 
cornalina, sardónica etc. Esse problema linguístico da de­
nominação de pedras preciosas não é fácil de ser resolvido, 
especialmente em uma região que, de acordo com o meu 
entendimento, foi enormemente devastada por grandes ca­
tástrofes e onde muitos elementos da geografia ficou fora 
de lugar. De qualquer forma, o habitat original que Deus 
proporcionou aos homens era riquíssimo.
57 E. M. Yamauchi. Persia and the Bible. Grand Rapids: Bal<er Book House, 
1990, p. 21.
58 A. Lucas & J. R. Harris. In: Ancient Egyptian materials and industries. 
London; Edward Arnold, 1962, p. 389.
CONCLUSÃO
Assim, o ouro, o bdélio e o ônix eram as riquezas do 
Éden mais amplo, a grande parte da porção seca cha­
mada terra. Essas e outras pedras de rica preciosidade 
eram parte também do jardim de Deus, o Éden mais es­
trito, ondehabitavam os nossos primeiros pais. O texto 
de Ezequiel com referência ao rico rei de Tiro aponta para 
uma terra tão rica sô comparável à terra dos nossos pri­
meiros pais, o Éden. Embora não se refira diretamente ao 
Éden do Gênesis, sugere que o jardim de Deus era rico em 
muitas pedras preciosas (cf. Ez 28.13). Deus fez um jardim 
muito rico, para deleite de seus habitantes. E a riqueza do 
paraíso de Deus restaurado será vista na Nova Jerusalém 
(sinônimo de Nova Terra), cheia de ouro e pedras preciosas 
(cf. Ap 21—22).
Nesse perfeito habitat humano criado por Deus ha­
via muita riqueza que embelezava o ambiente. Deus co­
locou sua criatura mais importante em uma terra de 
abundância. Não é pecado possuir riquezas, ao menos 
no mundo criado por Deus. Pobreza não ê sinônimo de 
espiritualidade, nem riqueza, de pecaminosidade. Se a 
riqueza fosse alguma coisa má, o próprio Deus não a 
teria colocado no habitat dos nossos primeiros pais. Não 
nos podemos esquecer de que Adão e Eva não foram 
tentados pelo ouro, mas pelas investidas de Satanás ao 
desejo deles de serem iguais a Deus.
Deus deu riqueza ao habitat humano como ferra­
menta para uso sadio e sensato, ou seja, a fim de ser 
utilizada no necessário. Devemos agradecer a Deus pe­
las riquezas que nos dá. São um meio usado por Deus 
desde o princípio do habitat para que o homem des­
frute da criação, para o seu próprio bem e a glória do 
seu Criador. Existe um direito natural de propriedade 
pessoal que Deus nos deu, e isso está sancionado nos 
Dez Mandamentos, que nos ensinam não desejar o que
pertence a outro, a não furtar o que pertence a outro 
e, além de tudo, a nos contentarmos com o que Deus 
nos dá.
As riquezas do paraíso foram dadas ao ser humano 
para que pudessem desfrutar santamente da vida e dela 
obtivesse bens e serviços. O ouro e as pedras preciosas 
eram necessários ao habitat humano a fim de que ele se 
tornasse bom mordomo dos bens e riquezas dados por 
Deus e glorificasse o Senhor pelos bens recebidos. Todos 
os homens deveriam entender que toda prata e todo ouro 
pertencem a Deus (Ag 2.8; Os 2.8) e que ele no-los con­
fia para o nosso próprio bem, não para uso indevido. No 
entanto, após a Queda, os habitantes do Éden vieram a 
usar muito indevidamente as riquezas dadas por Deus. 
Em nossa presente geração, vemos com muita tristeza o 
amor pelo dinheiro, que se torna cada vez mais a raiz de 
todos os males (ITm 6.10). Os homens andam servindo 
mais a Mamom que ao verdadeiro Deus. Tém distorcido 
a finalidade original das riquezas dadas pelo Criador! 
Desde há muito, por causa do pecado, os homens tém-se 
esquecido de uma grande verdade: Antes, te lembrarás 
do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te dá força para 
adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, 
sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê (Dt 
8.18). Os moradores da terra tém-se esquecido de Deus 
e se concentrado nas riquezas que adquiriram com a 
força de Deus. Tém idolatrado o ouro e não tém adorado 
Deus!
Deus quer que usemos as riquezas para glorificação 
de seu nome. Adão e Eva viviam em um mundo cheio 
de riqueza e, no entanto, não foram tentados por cau­
sa do ouro ou pedras preciosas, mas pecaram porque 
quiseram ser iguais a Deus. A riqueza toda do mundo 
pertence a Deus, porque ele diz: Minha é a prata, meu é 
o ouro... (Ag 2.8).
Temos de reconhecer, todavia, que a inclinação pe­
caminosa do homem torna a riqueza uma arma poderosa. 
Debaixo da inclinação maligna, somos tentados a pôr o 
coração nas riquezas e usá-las para satisfação de nossos 
prazeres. Por essa razão, disse Jesus que dificilmente os 
que têm riquezas haveriam de entrar no reino de Deus 
(Lc 18.24). Vivemos em uma geração em que a riqueza é 
que faz girar o mundo dos homens. Todos têm o coração 
posto na riqueza porque aprenderam a amar o dinheiro, 
o que, como foi dito, o torna a raiz de todos os males. Os 
seres humanos passaram a servir ou a Deus e/ ou às ri­
quezas. Na verdade, mais às últimas do que ao primeiro!
No entanto, não era assim no paraíso de Deus. Nossos 
primeiros pais desfrutavam da riqueza que Deus colocou 
em seu habitat. Mesmo neste nosso tempo de paraíso per­
dido, ainda entendemos que as riquezas têm a mesma pro­
cedência. Quando adotamos a cosmovisão judaico-cristã, 
compreendemos que as riquezas que temos procedem das 
santas mãos do Criador:
Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder 
do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te 
lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te dá 
força para adquirires riquezas... (Dt 8.17,18).
Devemos servir a Deus com o que ele nos dá e não po­
demos pôr o mérito de nossas riquezas em nossa própria 
força, mas na bondade graciosa de Deus. O dinheiro que 
Deus nos dá é apenas uma ferramenta para nosso uso vi­
sando o que é necessário, sobretudo no serviço do reino. A 
riqueza deve ser essencialmente um meio para a promoção 
do que é santo e bom. Deus impõe justas proibições no uso 
da riqueza.
Quando a redenção humana se completar, Deus ha­
verá de restaurar o Éden perdido, e as Escrituras nos mos­
tram quão belamente rico será o paraíso de Deus.
PARTE 3
AS QUALIDADES MORAIS 
DO HABITAT HUMANO
C apítulo 6
O HABITAT HUMANO ERA UM 
JARDIM DE TRABALHO
Algumas pessoas pensam no jardim de Deus como 
um paraíso de dolcefa r niente. Imaginam-o como um lu­
gar de férias, um resort imenso onde os nossos primeiros 
pais viviam em lazer o tempo todo. Os homens sonham 
a respeito do paraíso como, por exemplo, um lugar cheio 
de coqueiros onde as pessoas, à sua sombra, tomavam 
regaladamente água de coco. Jamais contemplam, em 
sua mente, o paraíso como um local de trabalho.
Adão e Eva não começaram sua vida em uma es­
pécie de aposentadoria antecipada, descansando á bei­
ra de uma praia dos rios que banhavam o jardim, se
refrescando, comendo dos frutos das árvores e cochilan­
do na hora em que não estavam comendo ou se divertin­
do. A vida de Adão e Eva no jardim não era um estado 
de indolência e inatividade debaixo das palmeiras onde 
canta o sabiá, esperando que tudo viesse das mãos bon­
dosas do Criador.
O próprio Deus trabalhou para criar e ordenar o 
Universo. Por que, então, o homem haveria de ser di­
ferente, se foi criado á imagem e semelhança de Deus? 
Comentando Gênesis 2.15, Calvino diz que “a terra foi 
dada ao homem com esta condição: que ele se ocupasse 
em cultivar o jardim. Consequentemente, segue-se que os 
homens foram criados para se envolverem a si mesmos 
em algum trabalho, e não para repousar em inatividade 
e ociosidade”.®®
Até no jardim no Éden o homem teve de trabalhar 
para ganhar seu pão de cada dia. Um provérbio sueco 
diz que “Deus dá a cada pássaro o bichinho para ele 
comer, mas não o atira no ninho” .“ Mesmo no jardim 
paradisíaco de Deus, o homem teve de agir para obter 
seu sustento.
1. O TRABALHO NO JARDIM ERA FÍSICO E MENTAL
O trabalho para o ganha-pão no Éden era físico e 
mental. O trabalho físico tinha a ver com o cuidado do 
jardim (Gn 2.15), e o trabalho “mental” tinha a ver com a 
nominação dos animais (Gn 2.19,20). Deus pôs o homem 
para trabalhar com a totalidade do seu ser: corpo e alma. 
O trabalho feito com o esforço físico não é menos digno
59 Calvino, op. cit.
60 Ditado citado por Steven Cole em seu sermão sobre este texto de 
Gênesis, <http://www.fcfonline.Org/content/l/sermons/123195M.pdf>.
http://www.fcfonline.Org/content/l/sermons/123195M.pdf
do que o trabalho feito com o esforço da mente. Ambos 
são legítimos e necessários para a subsistência da raça 
humana, conforme a prescrição divina.
Esses trabalhos físicos e mentais eram uma emprei­
tada legítima que Deus lhe havia concedido. Na verdade, o 
homem tinha um “emprego” pago. Era recompensado pelo 
que fazia. Obtinha o seu sustento pelo seu trabalho.
A ordem para o trabalho no jardim veio antes da 
Queda, e não como castigo por causa dela. O trabalho não 
ê uma maldição divina, mas recebeu uma parcela de mal­
dição sobre a criação porcausa do pecado (Gn 3.17-19). 
Mesmo sob certa maldição, o trabalho físico e mental ain­
da ê uma bênção, porque nos proporciona o meio justo de 
ganharmos o nosso sustento diário.
No Éden, Adão era mordomo de Deus. Foi colocado 
ali para ser servo fiel de Deus. Precisava trabalhar para 
cuidar dos recursos que Deus lhe havia concedido. Essas 
coisas não são diferentes hoje. Somos mordomos de Deus e 
devemos exercer os nossos deveres de modo consciente. Em 
última instância, todos os homens são mordomos de Deus 
e têm de prestar contas a Deus das responsabilidades que 
ele lhes dá. É Deus o real empregador, e nós, empregados. 
Todos trabalhamos para Deus, ainda que muitos não 
reconheçam isso.
Os cristãos, especialmente, veem-se a si mesmos 
como servos de Cristo, para quem trabalham. Por isso, 
Paulo lhes lembra:
Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para 
o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do 
Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é 
que estais servindo (Cl 3.23,24).
Seja você um faxineiro, seja um homem graduado, 
seja uma dona de casa, seja um engenheiro, pode traba­
lhar como se estivesse a serviço do seu Senhor. Todos so­
mos mordomos de Deus e trabalhamos para ele. Pelo bom 
trabalho prestado com amor, receberemos a recompensa 
da herança divina.
2. O TRABALHO DE CUIDAR DA FLORA DO 
HABITAT HUMANO
Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no 
jardim do Éden para o cultivar e o guardar (Gn 2.15).
Certamente, esse trabalho físico tinha algumas varia­
ções. As Escrituras não dão especificações detalhadas do 
trabalho, mas não é difícil imaginar o que um homem pode 
fazer com a flora do seu jardim. Adão e Eva usaram toda a 
sua energia física para dar conta de subjugar e dominar a 
terra. Adão ainda não tinha uma família completa que o pu­
desse ajudar no cultivo do jardim. Não tinha pai físico, não 
tinha filho ou parente homem, nenhum mestre humano 
e, muito menos, herança cultural ou tradição que pudes­
sem ajudá-lo nessa tarefa. Estava totalmente nas mãos do 
Criador para a execução dessa maravilhosa e trabalhosa ta­
refa. Deus, o Jardineiro por excelência (pois havia plantado 
o jardim), era o único que lhe poderia ser útil no cultivo do 
jardim. De quem mais poderia Adão aprender e depender?
Creio pessoalmente que Adão recebeu uma parte pe­
quena do jardim para cultivar. Seria um trabalho para o 
seu sustento e o de sua esposa. Foi testado em seu traba­
lho de cultivo da terra. Tinha de passar no teste do “pou­
co” para que pudesse assumir a tarefa do “muito” . Seus 
descendentes receberam o “muito” do grande Éden, mas.
como já eram pecadores, não cuidaram devidamente da 
terra (cf. Lc 16.1-12).
A palavra “guardar”, aqui, denota a ideia de “man­
ter” . O que Deus está ensinando a Adão nesse texto é que 
precisa trabalhar para manter o jardim, a fim de que não 
venha a ser desordenado. Em outras palavras, se Adão 
não guardasse o jardim, rapidamente ele poderia vir a 
ser um lugar desordenado. Desde o princípio do mundo. 
Deus teve a preocupação de preservar a ecologia do jar­
dim. Queria o jardim mantido de maneira conveniente.
A palavra “guardar” denota também a ideia similar 
de “proteger” . O cuidado da flora era necessário para a 
manutenção do jardim. Toda obra criada, mesmo antes 
da Queda, estava sujeita ã deterioração, porque a dete­
rioração é própria das coisas finitas que vieram ã exis­
tência. Não há nada neste mundo criado que não exija 
manutenção. O Universo inteiro não se deteriora a olhos 
vistos por causa da manutenção divina. Jesus Cristo, o 
Verbo divino encarnado, sustenta todas as coisas pela 
palavra do seu poder (Hb 1.3). No entanto, desde o prin­
cípio do mundo, os homens tiveram a tarefa de cultivar 
e guardar o jardim.
A proteção do jardim não era contra a invasão de 
alguma coisa que viesse de fora, forças estranhas aden­
trando o paraíso de Deus, mas proteção contra a própria 
desordem a que uma coisa criada pode estar sujeita por 
causa da sua condição de finitude.
3. O TRABALHO DE CUIDAR DA FAUNA DO 
H A B ITA TH U M A N O
Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os 
animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os
ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome 
que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria 
o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais 
domésticos, às aves dos céus e a todos os animais 
selváticos (Gn 2.19,20).
Primeiramente Deus formou os animais. Eles são 
produto do fia t divino, pois, dizem as Escrituras, Deus 
ordenou a existência deles a partir dos elementos cons­
tituintes da terra do Éden (Gn 1.24,25). O texto diz que 
Deus formou da terra todos os animais do campo e todas 
as aves dos cêus (v. Gn 2.19). Em certo sentido, a natureza 
dos animais é semelhante à natureza física dos seres hu­
manos: vieram da terra, ou seja, dos elementos químicos 
da terra, e todos eles foram feitos macho e fêmea, a fim de 
se reproduzirem conforme sua espécie.
Em seguida, trouxe os animais à presença de Adão. 
Não sabemos se Deus fez isso imediatamente, se o fez por 
meio do ministério dos anjos, ou, ainda, se instintivamen­
te vieram a Adão, mas o fato é que os animais terráqueos 
e as aves do céu foram postos perante ele. O homem seria 
o dominador de todos, pois esse domínio do homem sobre 
eles assim foi determinado por Deus (Gn 1.26).
1) Adão usou A mente para observar e dar nomes
aos animais
Enquanto o trabalho com a flora era mais braçal 
(porque Adão tinha, sobretudo, que usar a força física na 
manutenção do jardim), o trabalho com a fauna era mais 
mental. Adão teve que fazer alguns procedimentos mentais 
para obedecer á ordem de Deus.
Dificilmente há dúvida de que Adão haja sido o mais 
inteligente dos homens, exceto o Senhor Jesus Cristo.
Adão era um homem de tremenda capacidade de percepção 
mental. Não podemos pensar de Adão como um homem 
das cavernas, como pintam alguns, mas muito perspicaz 
na observação daquilo que Deus havia criado. Ao dar nome 
aos animais, podemos ver que ele foi capaz de analisar 
sua essência, porque os nomes refletiam o que os animais 
faziam e eram. Mentalmente, Adão devia refletir a imagem 
de Deus e, por isso, pode (e deve!) ser considerado um ser 
mentalmente brilhante!
Os poderes de percepção e de inteligência do homem 
lhe foram sobrenaturalmente dados para poder conhecer 
os hábitos e os costumes de cada espécie que Deus lhe 
apresentou e a ela desse nome.
Deus deu então ao homem poderes mentais e, daí por 
diante, exercitando sua capacidade de observação e aná­
lise, Adão teve a tarefa de dar nome a todos os animais, 
tanto os domésticos quanto os selvagens.
Certamente o nome que Adão lhes deu era devido à 
sua aparência, seu comportamento e seus hábitos. Citando 
um estudioso, Bochart, John Gill diz que ele “dá muitos 
exemplos de criaturas, cujos nomes em língua hebraica 
correspondem a alguns aspectos neles”. A d a m Clark re­
força essa ideia, dizendo que “é bem sabido que os nomes 
dados aos diferentes animais nas Escrituras sempre ex­
pressam algum aspecto proeminente e característica es­
sencial das criaturas às quais são aplicados” .
61 Citação de John Gill, comentando Gênesis 2.19, em sua obra The new 
John Gill exposition o f the entire Bible, <http:// www.studylight.org/ 
com/geb/view.cgi?book=ge&chapter=002&verse=019>, acessado em 
junho de 2010.
62 Adam Clark. The Adam Clark Commentary. <http;// www.studylight.org/ 
com/acc/view.cgi?book=ge&chapter=002&verse=020#Ge20>, acessado em 
junho de 2010.
http://%20www.studylight.org/%e2%80%a8com/geb/view.cgi?book=ge&chapter=002&verse=019
http://%20www.studylight.org/%e2%80%a8com/geb/view.cgi?book=ge&chapter=002&verse=019
http://www.studylight.org/
Alguns estudiosos pensam que Adão tenha recebido 
uma revelação divina para colocar os nomes certos nos 
animais. Outros, como Adam Clark, dizem que “se ele não 
possuísse um conhecimento intuitivo das propriedades 
grandes e distintivas desses animais, nunca poderia terdado a eles tais nomes”.“ Pessoalmente, não creio que 
esse conhecimento tenha sido intuitivo ou a priori, mas a 
posteriori, ou seja, produto da observação. Acredito que, 
exercitando seus poderes mentais por meio de análise e 
observação, Adão descobriu um nome apropriado para 
cada tipo de animal. Deve ter ficado um bocado de tempo 
para analisar os comportamentos deles para poder lhes 
dar um nome apropriado.
Se Adão teve a capacidade de inteligentemente dar nome 
a todos os animais, isso mostra que ele era um homem 
brilhante. Visto que, àquela altura, ele não tinha passado 
pela queda, ele é provavelmente o mais brilhante homem 
que jamais viveu. Adão foi o primeiro e o maior de todos os 
biólogos e botânicos.
Ao dar essa tarefa a Adão, Deus fez desenvolver nele a 
capacidade de pesquisa, para aumentar seu conhecimen­
to do mundo em que o havia posto. Talvez essa tarefa de 
Adão tenha sido a primeira observação científica feita an­
tes de haver o estudo da ciência.
63 Ibid.
64 David Guzik's Commentaries on the Bible, <http://www.studylight.org/ 
com/guz/view.cgi?book=ge&chapter=002>, acessado em junho de 2010.
http://www.studylight.org/%e2%80%a8com/guz/view.cgi?book=ge&chapter=002
http://www.studylight.org/%e2%80%a8com/guz/view.cgi?book=ge&chapter=002
2) Adão usou a mente para dar nome aos animais 
como sinal de superioridade e autoridade sobre eles
Essa capacidade de análise e avaliação significa que 
o homem foi feito superior a todos os outros seres cria­
dos, tanto em sabedoria como em poder, e eles foram da­
dos ao homem para que o servissem, para que o homem 
neles pudesse ter seu prazer e sobre eles exercesse seu 
domínio. Deus havia feito Adão com capacidade intelec­
tual que o colocava muito acima das outras criaturas (cf. 
Jó 35.10,11). Adão veio perfeito das mãos do seu Criador 
quando foi colocado no Éden.
Além da superioridade sobre os animais, colocar o 
nome em outros é sinal de autoridade (cf. Dn 1.7) e quem 
o recebe está sujeito a quem o colocou. Matthew Heniy 
diz que “se Adão tivesse continuado fiel ao seu Deus, po­
deríamos supor que as próprias criaturas seriam bem co­
nhecidas e lembradas pelos nomes que Adão deu a elas 
e elas obedeceriam e responderiam em qualquer tempo à 
chamada de seus nomes”.®® Se Adão não houvesse caído, 
não teríamos os mais variados nomes que uma mesma 
espécie de animais recebe nas mais variadas culturas, e a 
autoridade do homem seria muito forte sobre os animais, 
atributo esse que ficou desfigurado pela Queda.
3) Adão usou a mente para distinguir os animais 
domésticos dos selváticos
Adão não somente deu nome aos animais, mas soube 
distinguir com muita clareza entre os animais domésticos 
e os selváticos. Pela observação do comportamento deles, 
pôde diferenciar qual deles era e não era domesticável. 
Essa distinção só seria possível por meio de observação, 
análise e avaliação comportamental dos animais.
65 Henry, op. cit.
APLICAÇÕES
1) Deus fez um habitat carente de cuidado e 
proteção
Deus poderia ter feito um habitat humano sem neces­
sidade de trabalho, só para ser contemplado. No entanto, 
não foi essa a decisão divina. Resolveu colocar seres hu­
manos ali para o cultivar e o guardar. No tempo inicial de 
Adão e Eva, não havia “cardos e abrolhos”, porque a mal­
dição ainda não estava sobre eles. Todavia, o habitat hu­
mano tinha que ser mantido. Mesmo em seu estado mais 
primitivo, a natureza deixou lugar para o desenvolvimento 
da arte e da indústria. Se a flora tinha que ser trabalha­
da naquele estado primitivo, quanto mais agora, quando a 
maldição está sobre o habitat humano!
Portanto, você e eu temos o dever de participar na 
manutenção e no cuidado deste mundo, ainda mais que 
ele se acha afetado pela maldição divina. O trabalho é ain­
da necessário e sempre o será. Não negligenciemos o nosso 
dever no habitat em que Deus nos colocou.
2) Deus quer que tenhamos vida ocupada 
neste mundo
Nenhum de nós foi enviado ao mundo para viver em 
ociosidade em nosso habitat.
Segundo Calvino, “este labor, verdadeiramente, era 
agradável, e cheio de prazer, inteiramente livre de todo 
problema e desgaste; contudo, visto que Deus ordenou 
que o homem deveria se exercitar na cultura do solo, con­
denou em sua pessoa todo repouso indolente. Por con­
seguinte, nada é mais contrário ã ordem da natureza do
que consumir a vida em comer, beber e dormir, enquanto 
nesse meio-tempo nada propomos para fazer” .“
Aquele que nos criou nos designou tarefas para reali­
zarmos neste mundo, de forma que devemos estar sempre 
ocupados em fazer o que Deus nos confiou.
A vida no paraíso não deve ser considerada, portan­
to, como sinônimo de vida de férias, nem mesmo de vida 
entediante e monótona. Também não deve ser considera­
da sinônimo de aposentadoria. A vida no paraíso deve ser 
identificada com trabalho sério, exercício da mordoiéia 
que Deus havia dado ao homem. Deus colocou o h o i^ ii0 
como guardião e cultivador do jardim.
3) Deus quer que tenhamos icupações
em nosso habitat
O lugar em que Deu^^-fS^(c(Slc^Du é lugar de trabalho, 
mesmo depois da Queda.Xpa^lhar é ordenação divina e 
não é maldição, mnbôí^\D ^ o de cada dia que ganhamos 
agora seja acombanhado, muitas vezes, de canseira e en­
fado. Se o ordenação divina, deve ser visto
como umá|^em^venturança, mesmo em tempos de para- 
ísei p^€f®do^
^ V ^ u a jid o temos o senso de que somos dotados por 
'J^us para exercer as mais variadas funções em nosso ha­
bitat, devemos exercê-las com alegria. A obra de Adão era, 
certamente, feita com tranquilidade e paz de espírito. Era 
um prazer trabalhar no jardim de Deus. Mesmo no estado 
de queda, é prazeroso trabalhar. Não há coisa mais ente­
diante do que ficar sem ter o que fa^er. A indolência nos 
torna pessoas não somente inúteis, mas infelizes com nós 
mesmos. Não seria jardim de Deus se não houvesse traba­
lho alegre para nele realizar.
66 Calvino, op. cit.
C apítulo 7
O HABITAT HUMANO ERA 
UM LUGAR DE LIBERDADE E 
RESPONSABILIDADE
E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda a árvore do 
jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento 
do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela 
comeres, certamente morrerás (Gn 2.16,17).
Deus coloca o homem santo em um lugar santo e, 
então, submete-o a uma prova. Em sua soberania. Deus 
expõe sua criatura a um teste, já que lhe dá liberdade com 
responsabilidade.
A liberdade de Adao está vinculada à sua natureza; a 
responsabilidade de Adão está vinculada ã ordenação divina.
1. EM SEU HABITAT, O HOMEM FOI 
CONFRONTADO COM A SOBERANIA DIVINA
A responsabilidade do homem como ser moral tem 
base no fato de seu Criador ser também um ser moral e, 
além disso, um ser moral que impõe soberanamente suas 
exigências morais.
Deus não é somente um ser bondoso, benfeitor, 
sábio, santo, poderoso, mas também soberano. Ele im­
põe todas as regras no seu domínio como Legislador e 
Governante. Esse soberano governante põs Adão debaixo 
de suas ordens. Deus ordenou não somente que o homem 
não ficasse ocioso em seu habitat, mas também prescre­
veu que fizesse as coisas da forma que ele. Criador, que­
ria. Impõs as regras ao dar ao homem o domínio sobre a 
criação e as criaturas e ordenou que tivesse um compor­
tamento moral responsável.
1) Soberanamente, Deus estabeleceu um pacto com 
Adão. No seu estabelecimento, fez todas as estipulações. 
Deus colocou Adão como uma pessoa pública, que seria 
representante de toda a raça humana, agindo no lugar de 
todos, de forma que os atos dele seriam considerados por 
Deus como sendo atos de todos.
As regras de vida no Éden não foram estabelecidas em 
um acordo comum entre Deus e o homem, com a participa­
ção igualitéiria de ambos os lados, como acontece nos pactos 
humanos. Deus tomou a iniciativa de ordenar tudo. Pois, na 
verdade, os dois pactuantes não eram iguais em natureza; 
não tendo, portanto, direitos iguais de exigências e respon­
sabilidades. Deus estabeleceu um pacto soberanamente,
no qual ele impôstodas as regras. Esse status quo pode ser 
resumido da seguinte maneira: “Eu mando, você obedece”. 
Pode não parecer simpático esse resumo, mas é assim que 
as coisas necessariamente acontecem no estabelecimento de 
um pacto em que um dos pactuantes é soberano.
2) Deus deu ordens soberanamente a todas as suas 
criaturas, de acordo com a capacidade delas.
Aos animais da terra, às aves do céu e aos peixes do 
mar, deu leis fixas da natureza, de forma que eles have­
riam de se guiar por seus respectivos instintos.
Mais tarde, mesmo depois do Dilúvio, Deus estabele­
ceu novas leis que incluíam não somente os seres viventes, 
mas toda a criação física, leis essas que não foram altera­
das, e toda a massa criada segue essas leis infalivelmente. 
Apenas dois exemplos de leis fixas que regem a natureza:
Puseste às águas divisa que não ultrapassarão, para que 
não tomem a cobrir a terra (Sl 104.9).
E os estabeleceu para todo o sempre; fixou-lhes uma 
ordem que não passará (Sl 148.6).
No entanto, no habitat original, Deus impôs sobera­
namente ao homem leis morais para que fossem obedeci­
das, assim como leis para que fosse corregente no mundo 
criado. Ele recebeu leis que em teologia são comumente 
chamadas de “mandato cultural”. A autoridade da sobera­
nia divina se vé no fato de o homem não haver discutido 
as ordens divinas, porque, em princípio, este reconheceu o 
direito de Deus governar e também reconheceu suas obri­
gações diante das normas divinas. Ao colocar o homem 
em seu habitat edênico. Deus não permitiu que o homem
se colocasse em competição ou em pé de igualdade com 
ele. Afinal de contas, Deus era Deus, e o homem, apenas 
criatura; um era o soberano, e o outro, súdito. Portanto, a 
distância era muito grande entre eles!
2. EM SEU HABITAT, O HOMEM
FOI RESPONSABILIZADO MORALMENTE
Deus nâo somente fez um habitat santo, mas colo­
cou sua criatura santa para exercer funções moralmente 
responsáveis. Deus é um ser moral e, como o homem foi 
criado â sua imagem e semelhança, recebeu também ca­
racterísticas eminentemente morais do seu Criador. Deus 
deu a ele a capacidade de distinguir entre o que é certo e o 
que é errado, porque lhe pôs no coração suas leis e ainda 
as deu formalmente em palavras.
Deus confrontou Adão com sua ordem no jardim. 
Dentre as muitas árvores agradáveis â vista que havia no 
jardim. Deus colocou diante dele duas que apontavam 
para o caráter moral que havia dado à sua criatura e que­
ria que fosse nele desenvolvido. Por elas, Adão foi confron­
tado com o dever de obedecer ao seu Criador.
As duas árvores, as mais importantes do jardim de 
Deus, ali estavam para treinar o espírito do homem no ca­
minho da obediência e, com isso, transformar a vida natu­
ral perfeita que Adão possuía em uma vida eterna ou vida 
de comunhão imperdível.
Nossos primeiros pais foram colocados sob o teste da 
obediência. Se passassem, obteriam a imperdibilidade da 
comunhão relacional que já possuíam com Deus desde que 
haviam sido criados. Se não passassem no teste, perderiam 
até a vida natural que possuíam. Em suma, morreriam, fi­
cando separados da comunhão relacional com Deus.
Calvino diz que “o homem era o governador do mun­
do, com esta exceção: ele deveria estar sujeito a Deus. 
Uma lei é imposta sobre ele como simbolo de sua sujei­
ção; porque não teria feito nenhuma diferença para Deus 
se ele tivesse comido indiscriminadamente de qualquer 
fruto que lhe agradasse. No entanto, a proibição de uma 
árvore era um teste de obediência. Deste modo. Deus de­
signou que a totalidade da raça humana se acostumasse 
desde o princípio a reverenciar sua deidade” .®'̂
As duas árvores mais importantes que Deus colocou 
no jardim revelam que somente Deus sabe o que ê bom e 
o que não é para o homem. Na verdade, não havia nenhu­
ma árvore ruim, porque tudo o que Deus fez é bom, mas, 
quando Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e 
do mal, estava pondo Adão sob prova.
Portanto, a abstinência do fruto de uma árvore era uma espécie 
de primeira lição na obediência, para que o homem pudesse 
saber que tinha um Diretor e Senhor de sua vida, de quem 
deveria depender, e que diante de tais ordens deveria aquiescer. 
E esta é, verdadeiramente, a única regra de bem viver em c]ue 
os homens deveriam se exercitar, a obediência a Deus.̂ ^
Portanto, Deus queria testar a obediência dele. 
James Boice observa que “a presença desta árvore teria 
lembrado Adão de que ele não era o seu próprio deus e 
era responsável todo o tempo perante seu Criador” .®®
67 Ibid.
68 Ibid.
69 James Boice. Genesis. Zondervan (1:104).
3. EM SEU HABITAT, O HOMEM RECEBEU 
LIBERDADE PARA DESFRUTAR DA ABUNDÂNCIA 
DA PROVISÃO DIVINA
E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: de toda árvore do 
jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento 
do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela 
comeres, certamente morrerás (Gn 2.16,17).
A ordem divina para Adão foi que ele podia comer de 
todas as árvores que havia no jardim, com toda a liberda­
de. Não havia restrições para se alimentar, no paraíso, das 
árvores que Deus prescreveu.
Deus deu ordem ao homem para desfrutar livremen­
te de todas as árvores do jardim, incluindo a árvore da 
vida, que estava no centro do jardim. Eu posso imaginar 
simplesmente que havia um grande e delicioso buffet de 
saladas de frutas, onde o homem podia comer de tudo e de 
modo abundante. É como se Deus houvesse dito aos nos­
sos primeiros pais; “Desfrutem da beleza e da gostosura da 
minha criação!”.
A mesma ordem o Senhor dá hoje a seu povo, mesmo 
depois da Queda. Somos livres para desfrutar de todas as 
coisas, exceto do pecado. Deus nos dá liberdade na terra 
que criou para fazermos tudo o que lhe agrada. Apenas 
uma coisa fica fora dos nossos limites; aquilo que ele nos 
proibiu, para o nosso bem. Infelizmente, em nossas pre­
sentes condições, a “árvore” do fruto proibido é extrema­
mente grande, com muitos galhos, muitas ramificações, 
e todos têm-se tornado grandes fontes de tentação para 
a raça humana, incluindo os cristãos. Como seres huma­
nos caídos que ainda somos, temos a inclinação de fazer 
o que Deus proíbe, e ele o proíbe para o nosso próprio
bem-estar. Nossas inclinações não são ainda plenamente 
santas. As inclinações para o mal persistentemente nos 
assediam e quase sempre nos fazem gravitar em torno 
daquilo que Deus proíbe.
Quando não entendemos essas santas e bondosas or­
dens, acabamos por preferir desfrutar das coisas proibidas 
e deixamos de perceber e desfrutar das coisas belas e líci­
tas que existem, ordenadas por Deus.
4. EM SEU HABITAT, O HOMEM RECEBEU 
LIMITAÇÕES EM SUA LIBERDADE
E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: de toda árvore 
do jardim comerás livremente, mas da árvore do 
conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no 
dia em que dela comeres, certamente morrerás 
(Gn 2.16,17).
Quando Deus disse ao homem que ele poderia co­
mer de todas as árvores, colocou apenas uma proibição, 
impondo determinado limite aos apetites naturais do ho­
mem. Ele poderia comer de tudo, exceto da “árvore do co­
nhecimento do bem e do mal” .
Deus deu aquele grande buffet para que os homens 
desfrutassem das maravilhas da criação mediante uma 
imensa variedade de árvores frutíferas no jardim de Deus. 
Você e eu nem podemos imaginar a riqueza e a multiplicidade 
de coisas de que nossos primeiros pais poderiam desfrutar. 
O máximo havia sido permitido, e o mínimo, proibido. De 
toda árvore do jardim comerás livremente. Somente uma 
proibição. Nada mais!
As árvores no jardim serviam, então, para mostrar a 
vontade soberana do Criador e ao mesmo tempo testar a 
fidelidade da criatura ao Criador-Legislador. Por ser uma 
criatura santa (embora não imutavelmente santa!) o ho­
mem possuía uma aversão natural pelo mal, porque seu 
ser interior não possuía ainda nenhuma inclinação para o 
mal. No entanto, Deus não abriu mão de sua prerrogativa 
de testar sua criatura quando pôs a árvore “do conheci­
mento do bem e do mal” bem no meio do habitatoriginal 
do homem. Afinal de contas. Deus exibe sua autoridade 
sobre o homem prescrevendo-lhe o que ele deveria e o que 
não deveria fazer. Deus impôs, assim, limite ã liberdade 
do homem.
Ao impor esse limite á liberdade humana, podemos 
ver o cuidado amoroso de Deus para com suas criaturas. 
É como se Deus tivesse dito aos nossos primeiros pais;
Continuem santos como vocês têm sido até agora. Façam 
tudo de acordo com as minhas prescrições, e, assim, 
continuarão desfrutando das delícias do paraíso que criei 
para vocês. Eu coloco essa proibição para continuação 
da bem-aventurança em que vocês vivem. Comam de 
tudo, exceto da árvore do conhecimento do bem e do 
mal. Obedeçam-me, e vocês existirão em felicidade para 
sempre. Estou testando vocês: se me obedecerem, viverão 
em harmonia comigo; se me desobedecerem, serão tão 
miseráveis quanto agora são felizes — conhecerão a minha 
ira em vez da minha bondade que agora vigora no paraíso. 
Obedeçam-me! - Paráfrase do autor.
Sabemos, porém, que nossos primeiros pais não fo­
ram felizes para sempre. Avançaram o sinal vermelho,
penetrando na esfera da maldição, com consequências ter­
ríveis para toda a sua posteridade.
Ao buscarmos entender o que se passa dentro de 
nós, vemos que a situação é muito diferente da de Adão, a 
criatura santa que acabou fazendo o que não devia. Hoje, 
temos inclinação pecaminosa, que Adão não possuía. 
Depois da Queda, todos os filhos de Adão, ao receberem 
restrição a uma coisa que não devam fazer, têm neles 
logo despertado o desejo de fazê-la. O proibido se torna 
desejável. Não era assim com nossos primeiros pais. Eles 
não possuíam a inclinação pecaminosa, que ê a fonte do 
pecado. A ordem proibitiva imposta por Deus não desper­
tou neles desejo de pecar. No entanto, acabaram fazendo 
o que não deviam.
A limitação da liberdade humana no habitat foi 
imposta por Deus em virtude da sua autonomia sobe­
rana em questões morais. Essa proibição aponta para 
Deus como o único que pode ter autonomia moral. Ele 
ê quem diz o que o homem pode ou não fazer. Quando 
Adão e Eva comeram do fruto proibido, admitiram (ain­
da que não apologeticamente) que também tinham o 
direito de autonomia moral, ditando o que eles próprios 
poderiam fazer. O comer do fruto “era um ato de auto­
nomia moral — decidindo o que é certo sem referência à 
vontade revelada de Deus” .̂ ° Por sugestão de Satanás, 
acabaram assumindo o papel de Deus, usurpando de 
Deus a prerrogativa de ditar regras morais sobre o que 
é certo e o que é errado. Essa atitude de comer desobe­
dientemente, com a suposição de que tinham autono­
mia moral, lhes trouxe a m o r t e . E s t e mesmo tipo de 
comportamento seria confirmado na atitude soberba do
70 Cf. esta ideia em Gordon Wenham. Genesis 1-15. WBC: Waco, TX; Word, 
1987, p. 64.
71 R. Kent Hughes. Genesis: beginning & blessing. Wheaton, IL: Crossway, 
2004, p. 55.
rei de Tiro, devido à sua soberba. Ele agia como senhor 
do mundo, aquele que, à sua própria vista, tinha au­
tonomia moral para fazer tudo o que queria fazer, que 
combinava com seus pressupostos maus. Essa atitude 
de autonomia moral é que o tornou objeto da ira divi­
na (cf. Ez 28.6,15-17). Deus condena veementemente a 
presunção humana de arrogar-se o direito de autono­
mia moral.
Há um sentido em que esse limite imposto por Deus 
ainda existe hoje. Deus nos diz em sua Palavra que pode­
mos fazer todas as coisas, exceto o pecado. Ainda somos 
“administradores” da terra que Deus nos deu (embora ela 
já esteja em fase de decomposição) e temos ordens posi­
tivas e negativas. As negativas sempre têm a ver com a 
proibição com respeito ao pecado.
Ê importante lembrar que a “árvore do conhecimento 
do bem e do mal” não era má em si mesma, porque tudo o 
que Deus havia criado era bom. O nome dessa árvore nada 
diz a respeito de seu caráter. Não havia nada de impróprio 
ou de injusto nela. A proibição quanto a ela tinha a ver 
com a questão da obediência do homem. O problema era 
moral, com respeito ao homem, não á árvore.
A liberdade que Deus deu a Adão ali no Éden não era 
liberdade de autonomia ou de independência de Deus. A 
liberdade dada ali era para somente fazer o que estivessem 
de acordo com suas inclinações santas e o que foi ordenado 
por Deus. Sua liberdade possuía limitações, e a limitação 
ê uma ordenação divina imposta. Essa imposição divina 
aponta para a soberania que Deus tem de estabelecer as 
regras para suas criaturas.
Nós, hoje, temos de entender que a verdadeira liber­
dade não está em fazer tudo o que ê possível ser feito, mas 
fazer as coisas que agradam a Deus, que estão de acordo
com suas prescrições. Essa liberdade é também chamada 
de liberdade espiritual.
5. EM SEU HABITAT, O HOMEM RECEBEU 
AMEAÇA DE MORTE CASO INFRINGISSE AS 
LIMITAÇÕES DE SUA LIBERDADE
E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do 
jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento 
do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela 
comeres, certamente morrerás (Gn 2.16,17).
Como o homem é um ser moral, tem de se submeter a 
princípios morais estabelecidos pelo seu Criador, que é um 
ser moral por excelência. Deus colocou certos princípios no 
Universo que não podemos violar, com o risco de sofrermos 
consequências danosas. Portanto, as limitações impostas 
por Deus às suas criaturas foram para o bem delas.
Quando dizemos a nossos filhos pequenos que não 
mexam no fogão quente, nossa ordem é para evitar que 
sofram sérias queimaduras. Então, lhes dizemos: “Não to­
quem no fogão porque, se fizerem isso, vão se queimar”. 
Evidentemente, essa ordem para as crianças não é uma lei 
moral, mas a nossa preocupação é para com o bem delas.
No caso do Éden, a lei imposta ao homem era uma lei 
moral, por isso era seguida de ameaça em caso de desobe­
diência. Deus deu a ordem para o próprio bem de Adão, a 
fim de que ele não morresse.
72 Esse tipo de liberdade será analisado em outro trabalho dos "Estudos em 
Antropologia".
Se Deus banisse a árvore do conhecimento do bem e 
do mal, Adão e Eva não mais poderiam ser seres respon­
sáveis, pois a responsabilidade deles estava vinculada à 
ordem divina ligada àquela árvore. A responsabilidade mo­
ral fornece a base interna para as consequências a que o 
homem se sujeitou. Á árvore do conhecimento do bem e do 
mal foi posta no jardim para que o homem não confiasse 
em seu próprio entendimento, para que não se afastasse 
dos limites impostos por Deus e para que ele mesmo ju l­
gasse corretamente entre o bem e o mal.
No entanto, nossos primeiros pais ultrapassaram o 
sinal. Foram além da liberdade espiritual estabelecida 
por Deus. Assim, ao comerem do fruto proibido, estabele­
ceram seu próprio padrão de certo e errado, desprezando 
os padrões estabelecidos pelo Criador. O resultado foi a 
morte e todas as outras consequências que a desobedi­
ência trouxe.
A morte, que traz consigo a ideia de separação, tem 
trés dimensões: a chamada morte física, a morte espiritu­
al e a morte eterna. A morte física de Adão se deu alguns 
séculos depois de ele ter sido expulso do jardim de Deus. 
Adão morreu quando tinha 930 anos de idade (Gn 5.5). A 
chamada “morte física” é uma punição adicional à morte 
espirituaF^ e precede a morte eterna.
Todavia, a morte espiritual, que é a separação rela­
cional de Deus, aconteceu naquele mesmo dia da deso­
bediência. A ameaça de morte feita no jardim de Deus se 
cumpriu ali mesmo, conforme o registro das Escrituras. 
A frase no dia em que dela comeres, certamente morrerás 
teve aplicabilidade imediata após a desobediência. Com 
ela, Moisés está mostrando que a penalidade foi impos­
ta quando Adão estava ainda dentro do jardim. Isso pode 
ser comprovado pelo fato de Adão ter-se escondido da pre-
73 Waltke, Genesis, p. 87-88.
sença de Deus porque o havia desobedecido. Foi expulso, 
então, do seu habitat original, além de ser proibido de ali 
entrar novamente. Ou seja, com a morte espiritual, não 
mais poderia ter, por si mesmo, qualquerrelacionamento 
vital com Deus. Sua quebra de relacionamento com Deus 
indica sua morte espiritual exatamente no dia em que de­
sobedeceu ao Senhor.
PARTE 4
AS QUALIDADES SOCIAIS 
DO HABITAT HUMANO
Capítulo 8
O HABITAT HUMANO ERA UM 
LUGAR DE COMPANHEIRISMO
(18) Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem 
esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
(19) Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra 
todos os animais do campo e todas as aves dos céus, 
trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; 
e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, 
esse seria o nome deles. (20) Deu nome o homem a todos 
os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os 
animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava
uma auxiliadora que lhe fosse idônea. (21) Então, o 
Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este 
adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar 
com came. (22) E a costela que o Senhor Deus tomara ao 
homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. (23)
E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e 
came da minha came; chamar-se-á varoa, porquanto do 
varão foi tomada. (24) Por isso, deixa o homem pai e mãe 
e se une à sua mulher, tomando-se os dois uma só came.
(25) Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus 
e não se envergonhavam. Gn 2.18-25
O habitat humano era pleno de tudo. Todas as coi­
sas necessárias para o bem viver de Adão estavam feitas, 
e o habitat estava pronto para uma habitação prazerosa! 
O sistema de irrigação era perfeito. Com a perfeição da 
irrigação, havia manutenção das belas árvores; com as 
árvores devidamente irrigadas, havia abundância e per­
feição de frutos. Os animais davam encanto ao habitat. 
O habitat humano de forma alguma era um lugar tedio­
so. Deus havia posto tudo ali de maneira que Adão tinha 
muita ocupação e muita coisa com que se divertir naquele 
paraíso. Deus providenciou satisfação intelectual e labor 
físico para Adão em seu jardim paradisíaco, quando orde­
nou que classificasse e categorizasse o sistema de fauna 
e flora do jardim. Adão tinha muito trabalho com que se 
ocupar. Além disso, tinha um perfeito relacionamento com 
Deus, e ali Deus andava e comungava com Adão. Havia 
plena satisfação espiritual! Mas havia alguma coisa que 
ainda estava faltando na vida do primeiro homem.
A única coisa que faltava para Adão no belo habitat 
que Deus havia criado para ele foi algo que o próprio Deus 
providenciou. Deus lhe deu uma esposa, que lhe foi por
companheira. A criação de Eva preencheu exatamente o 
que faltava na vida de Adão. Deus eliminou, de vez, a defi­
ciência que havia no paraíso:
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja 
só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gn 2.18).
Não há dúvida de que Deus sabia desde o princípio 
que faltava uma companheira para o homem. Afinal de 
contas. Deus é sapientíssimo, nada escapa ao seu conhe­
cimento. Deus conhecia as carências físicas e afetivas de 
sua principal criatura. Deus havia formado Adão com um 
corpo e uma alma. Essas duas partes constitutivas da sua 
humanidade tinham necessidades. Portanto, sabedor des­
sas carências, trouxe uma esposa para ele. Não era pró­
prio que uma criatura diferente estivesse ao lado de Adão, 
porque uma verdadeira comunhão física e afetiva só pode 
haver entre seres da mesma natureza. Os animais domés­
ticos eram companheiros de Adão ali no seu habitat, mas 
eles não preenchiam as carências do homem. Ele mesmo 
percebeu suas carências pela observação dos animais (Gn 
2.19-20). Cada um deles tinha sua contraparte. Entre to­
dos eles havia macho e fêmea. Ele aprendeu a apreciar a 
beleza das famílias dos animais, mas ele mesmo, coroa da 
criação, estava só!
Por que não se achava uma auxiliadora que lhe fosse 
adequada? Pois o texto diz: todavia, não se achava uma 
auxiliadora que lhe fosse idônea (Gn 2.19,20).
No meio de todas as criaturas até então existentes 
no Éden, nenhuma delas servia aos propósitos de Adão, 
nem se enquadrava em suas expectativas. Ele observava 
cada animal que o Senhor Deus lhe trazia, mas não con­
seguia ver em nenhum deles algum que pudesse servir-lhe 
de companhia idônea.
Ao examinar os animais que o Senhor lhe trazia, pa­
reço ouvir Adão dizer ao seu Criador: “Senhor, todas essas 
criaturas que o Senhor me trouxe para que eu lhes desse 
nomes são belas, úteis e ajudadoras, mas não consigo me 
ver satisfeito com nenhuma delas. Elas não me servem 
como auxiliar apropriado” . Embora Adão tivesse sido cria­
do perfeito, não se sentia completo. Por certo, algum sen­
timento de ausência havia em sua alma. Por essa razão, 
coloquei na boca de Adão tais palavras.
Nenhuma das criaturas trazidas a ele por Deus refletia 
a excelência e a dignidade da natureza humana, muito di­
ferente da de todas as outras criaturas. Não havia ninguém 
semelhante a Adão que lhe pudesse servir de auxílio com 
idoneidade. Adão só encontraria uma auxiliadora idônea se 
viesse das mãos do Criador. Teria que ser uma criação es­
pecial de Deus. Foi exatamente isso o que veio a acontecer!
1. DEUS SE PROPÔS A CRIAR UMA AUXILIADORA
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja 
só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gn 2.18).
Deus sabia que a vida isolada de Adão certamente 
não seria boa para ele. Então propôs consigo mesmo criar 
uma companheira para Adão.
Deus era o grande ajudador (o mais importante de 
todos!), mas Deus não era o que faltava na vida dele. Ele 
era o supremo auxiliador. Ninguém poderia ser mais auxi­
liador do que Deus ali no habitat santo. A ajuda de Deus 
era a mais importante e indispensável, mas não preenchia 
as carências que o próprio Deus viu em Adão.
Os animais também eram ajudadores. Eram alta­
mente auxiliadores, embora bastante inferiores a Deus,
e não há termo de comparação entre eles. Adão se servia 
de alguns dos animais para fazer várias coisas no seu 
trabalho de cuidar do jardim. Embora muito úteis, belos 
e agradáveis, no entanto, os animais não o complemen­
tavam. Deus os tinha trazido a Adão (Gn 2.19), mas ne­
nhum deles poderia preencher uma necessidade que o 
próprio Criador viu nele.
A criatura auxiliadora de que Adão tanto precisava 
deveria ser igual a ele, possuir a mesma natureza.
O termo hebraico para auxiliador (ezer) não é 
o mesmo que servo. Moisés, que escreveu o livro de 
Génesis, usou a palavra ezer no nome de um de seus 
filhos (Êx 18.2-4): Eliézer, nome que, na verdade, sig­
nifica Deus ajudador, pois, como diz o texto, ele deu esse 
nome ao filho dizendo que o Deus de meu pai fo i a mi­
nha ajuda (Êx 18.4). O termo auxiliador, portanto, não é 
uma palavra degradante, porque descreve o que o próprio 
Deus O Antigo Testamento o emprega sem nenhuma 
conotação de inferioridade. Quem é auxiliador, de forma 
alguma, deve ser considerado de segunda categoria. Deus 
é o maior e o mais importante ser existente no Universo e, 
no entanto, é o nosso grande ezer, que vem em nosso so­
corro em todas as horas.Portanto, Moisés usa esse ter­
mo descritivo de Deus para descrever o que uma mulher 
deveria ser para o seu marido.
74 0 termo "ajudador" (ezer — auxiliador) é usado com relação a Deus 
16 das 19 vezes em que ele aparece no AT. Portanto, quando se atribui à 
mulher a qualidade de "auxiliadora" mostra uma alta qualidade essencial 
que a mulher merece ter.
75 Moisés usa o term o ezer algumas vezes, referindo-se a Deus 
como o ajudador, o auxiliador dos homens, em horas de necessidade 
(Dt 33.7,26,29), assim como o fazem outros autores nas Escrituras (cf. Sl 
20.2; 33.20; 70.5; 115.9; 121.1,2; 124.8; 146.5).
Adão precisava de alguém que lhe servisse de auxílio 
em todas as suas carências. Não tinha ainda a doce com­
panhia de que necessitava.
APLICAÇÃO
Maridos cristãos, é muito importante que vocés en­
tendam que a esposa é a grande auxiliadora proporciona­
da por Deus. Não a considerem como uma pessoa de quem 
vocés devam se servir, uma serva a quem sustentam.Não 
digam nunca, nem de brincadeira, que o lugar dela é na 
cozinha, como se fosse paga para cozinhar, lavar e passar. 
Ela está do lado de vocés, deve tomar parte nas decisões de 
vocês, pois é nessa função, sobretudo, que ela tem o papel 
importante de ser sua auxiliadora. Qualquer marido que 
toma sozinho as decisões na vida, no lar, e não consulta 
sua esposa, é um homem tolo! A esposa, em sua tarefa de 
ajudadora, costuma ser sábia e, por isso, deve ser consul­
tada nas decisões mais determinantes para a família. Não 
deixem sua esposa de lado. Deus deu a esposa para que 
nos auxilie na condução do lar e da vida.
Todos nós, por mais sábios que julgamos ser, carece­
mos da ajuda de outros na condução de decisões essen­
ciais. O próprio Senhor Jesus Cristo consultou o Pai na 
hora de escolher os discípulos que o ajudariam a implan­
tar o seu reino neste mundo. Ninguém é independente, 
nem mesmo o foi Jesus Cristo, porque, na sua condição 
humana, era um ser como nós. Todos os seres humanos 
carecem de auxiliares.
A esposa que Deus nos dá é grande auxiliadora, e não 
somente nas horas de decisões, mas também nas horas 
em que estamos sozinhos. Ê de grande ajuda em nossas 
aflições e fraquezas. Na vida conjugal, um cônjuge fortale­
ce e encoraja o outro. É assim que a vida deve ser vivida.
Sabedor disso, Deus fez a mulher, Eva, e a deu ao solitário 
Adão, para ser sua auxiliadora.
2. DEUS SE PROPÔS A CRIAR UMA 
AUXILIADORA IDÔNEA
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem 
esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea 
(Gn 2.18).
Deus não somente prometeu criar para Adão uma au­
xiliadora, mas qualificou o tipo de auxiliadora: idônea.
Esse termo qualificador sugere várias coisas que uma 
mulher pode fazer na vida de um homem.
1) Idoneidade sugere a ideia de compatibilidade
Deus criou para Adão uma companheira compatível 
com ele. Certamente, Eva era diferente de Adão, mas não 
nos podemos esquecer de que polos diferentes, contrários, 
se atraem e são perfeitamente compatíveis. As diferenças 
não indicam necessariamente incompatibilidade. Deus 
nos fez sexualmente diferentes, emocionalmente diferen­
tes, fisicamente diferentes, mas nós, homem e mulher, a 
despeito das muitas diferenças, somos perfeitamente com­
patíveis. As diferenças ressaltam a necessidade que temos 
um do outro, pois temos carências que podem ser perfei­
tamente supridas somente pelo cônjuge, que é diferente 
de nós.
Portanto, não devemos nos espantar de como pesso­
as tão diferentes, que parecem extremamente incompa­
tíveis, podem ser perfeitamente adaptáveis uma á outra.
Nós todos, no casamento, precisamos de características 
opostas, para poder haver um equilíbrio. Uma esposa idô­
nea não é necessariamente aquela que combina com o que 
já temos, mas poderá ser bem diferente de nós, a fim de 
que possamos desenvolver aquilo que não percebemos ser 
necessário desenvolver. Somente com uma visão diferente 
do cônjuge é que aprendemos a ver de modo correto o que 
está diante de nós.
O que é aparentemente incompatível é parte de um 
propósito divino em nossa vida. Deus nos dá o cônjuge 
de que realmente precisamos. Nesse sentido, a suposta 
“incompatibilidade” é uma bênção divina, para o nosso 
bem, para o desenvolvimento de nossa personalidade e 
do nosso espírito relacional com Deus e com os homens. 
Small observou corretamente que “Deus tem designado 
conflitos e fardos para serem lições de crescimento espi­
ritual. Eles devem estar subservientes a propósitos mais 
elevados e santos” ."̂®
2) Idoneidade sugere a ideia de correspondência
Deus deu a Adão uma pessoa que fosse correspon­
dente a ele, alguém que tivesse a mesma natureza dele, 
que pudesse entendê-lo, amá-lo, compreendê-lo e fosse 
capaz de preencher as suas reais necessidades. Eva de­
veria ser a ajudadora que “correspondesse” a Adão. Em 
outras palavras, a palavra “idônea” pode ser traduzida por 
“ajudadora igual a ele”.'̂ ^
Uma esposa correspondente ê aquela que comple­
menta o marido e o realiza com toda a compatibilidade. É
76 Dwight Hervey Small, em citação da revista Preaching Today, encontrada 
em Leadership, vol. 17, no. 4.
77 Jimmy Townsend, em citação da revista Preaching Today, feita por 
Marriage Partnership, vol. 5, no. 1.
curioso que muitos que estão do lado de fora do relacio­
namento percebem com mais facilidade as coisas do que 
aqueles que estão envolvidos no plano de casamento. Isso 
significa que precisamos de ajuda externa para que pos­
samos ver com olhos melhores quais as virtudes da outra 
pessoa de quem carecemos. Por essa razão, diz um con­
selheiro matrimonial, “quando eu aconselho aqueles que 
planejam se casar, não procuro descobrir um número tão 
maior de similaridades quanto possível. Ao contrário, eu 
me preocupo em que cada parceiro tenha uma visão acu­
rada do que o outro realmente é e estejam comprometidos 
com o fato de que Deus os uniu permanentemente”.'̂ ® A 
correspondência pode vir por meio de diferentes peças que 
se encaixam, como as coisas realmente são na mecâni­
ca da vida: macho e fêmea. Elas são diferentes, mas são 
correspondentes.
Quando Deus criou Eva, usando uma costela de Adão, 
ele a moldou de tal maneira que ela correspondesse a ele 
tanto física, social, intelectual, espiritual e emocionalmen­
te. A correspondência ê plena porque há compatibilidade. 
O homem e a mulher são seres com características dife­
rentes, mas possuem compatibilidade e correspondência.
3) Idoneidade sugere a ideia de
complementaridade
Outra ideia que se une à de compatibilidade e corres­
pondência ê a de complementaridade. Um homem não é 
completo sem a mulher."^® Deus fez Adão perfeito, mas sua 
perfeição não inclui a ideia de independência. Deus ê o
78 Steven Cole, pregador batista de Flagstaff, EUA, em sermão sobre o texto 
em estudo. Site <http://www.fcfonline.Org/content/l/sermons/010895M. 
pdf>.
79 Walter Elwell. Evangelical Commentary on the Bible, Electronic Ed, 
comentando o texto em estudo.
http://www.fcfonline.Org/content/l/sermons/010895M.%e2%80%a8pdf
http://www.fcfonline.Org/content/l/sermons/010895M.%e2%80%a8pdf
Único ser que não precisa depender de ninguém porque é 
completo. Nada há que falte nele ou de que ele possa sen­
tir falta. No entanto, quando Deus fez a sua criatura mais 
importante neste mundo, ele a fez incompleta, carecendo 
de uma contraparte.
O jovem cristão que esteja procurando uma esposa 
tem de buscar nela aquilo que lhe falta; tem de buscar 
nela o que não pode ter por si mesmo e a ela oferecer 
o que não pode desfrutar por si mesma. A ideia de 
complementaridade é extraordinária no casamento! O 
jovem cristão deve buscar de preferência uma mulher que 
tenha características diferentes dele. Se buscar uma que 
tenha exatamente as mesmas características dele, não 
haverá quase ou nenhuma complementaridade. Nesse 
caso, homem e mulher podem vir a se tornar mutuamente 
dispensáveis e desnecessários. Se ambos possuem as 
mesmas características, podem vir a não ter carência 
alguma um do outro.
Cole comenta que “a palavra hebraica para ‘idônea’ 
sugere alguma coisa que completa uma polaridade, como 
o polo norte completa o polo sul”.®° Para que tenhamos a 
ideia de complementaridade, basta lembrar que não terí­
amos noção de norte sem o sul, e vice-versa. Assim, é a 
relação de complementaridade entre homem e mulher.
A complementaridade se evidencia na dependência 
que um cônjuge tem do outro. Um tem de dar suporte ao 
outro. A ajuda mútua é sinônimo de complementaridade.
Há duas coisas muito importantes relacionadas á 
ideia de complementaridade e que destroem os argumen­
tos extremados da esfera do feminismo, ainda vigente em 
algumas sociedades contemporâneas:
80 Steven Cole, em seu sermão sobre o texto em estudo, <http://www. 
fcfonline.org/content/l/sermons/010895M.pdf>.
http://www.%e2%80%a8fcfonline.org/content/l/sermons/010895M.pdf
http://www.%e2%80%a8fcfonline.org/content/l/sermons/010895M.pdf
O fato de Deus criar a mulher para ser auxiliado­ra do homem aponta para o fato de ela ser subordinada 
a ele, como dizem as Escrituras, mesmo após a Queda 
( ICo 11.9,10).
— No entanto, ao mesmo tempo, as Escrituras ensi­
nam que o homem não é superior à mulher, porque pre­
cisa dela. É muito interessante a visão que as Escrituras 
nos dão da necessidade que o homem tem da mulher 
no que tange ã sua dependência dela. Paulo, comumen­
te acusado de “machista” nos círculos superfeministas, 
“quebra a perna” das feministas extremadas ao destruir 
o conceito feminista de que não há distinções baseadas 
em gênero. Paulo diz: Porque também o homem não fo i 
criado por causa da mulher, e sim a mulher, por causa 
do homem ( ICo 11.9). Há várias distinções de gênero 
que apontam para a mutualidade de dependência que 
os casais têm. Cole diz que “a mulher é a parte que es­
tava faltando no homem. Exatamente como um quebra- 
cabeça ê incompleto se metade das peças está faltando, 
assim um homem ê incompleto sem sua esposa. Deus 
designou que o homem tivesse necessidade da mulher e 
que a mulher precisasse do homem”. E s t e ê exatamen­
te o ensino das Escrituras, que diz: No Senhor, todavia, 
nem a mulher é independente do homem, nem o homem, 
independente da mulher ( ICo 11.11).
As Escrituras dizem que Deus fez Adão do pó da ter­
ra (Gn 2.7). Eva poderia ter sido feita da mesma maneira. 
Por que, então. Deus não a fez do pó da terra, mas da 
costela de Adão? (Gn 2.21,22). Exatamente porque ela é 
a parte dele que faltava e, ao mesmo tempo, um comple­
mento dele, sendo da sua mesma essência. Os iguais em 
função não podem completar-se. Somente os diferentes é 
que podem realizar a ideia de complementaridade e de­
pendência mútua.
NÓS, pais cristãos, não podemos nos furtar a ensinar 
essas ideias aos filhos da igreja, a fim de que a união con­
jugal entre eles seja uma relação de mútua dependência, 
porque ambos têm papéis diferentes na vida da família. 
Ambos, homem e mulher, são pessoas com a mesma na­
tureza (essência), mas possuem funções diferentes que se 
completam.
3. OS PROPÓSITOS DIVINOS NA PROVISÃO DE 
UMA ESPOSA IDÔNEA
Sempre que Deus faz algo neste mundo, ele faz com 
propósitos santos. Nada do que ele fizer aqui, debaixo do 
sol, será sem significado. Deus tem um plano para a vida 
humana e ele sempre o realiza primeiramente para a sua 
própria glória, e, secundariamente, para o bem-estar dos 
seres humanos.
O texto afirma que Deus disse: Não é bom que o 
homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja 
idônea (Gn 2.18). Quais foram os propósitos divinos na 
provisão de uma esposa idônea?
1) A PROVISÃO DA ESPOSA IDÔNEA VISOU 
CUMPRIR A ORDEM DE PROPAGAÇÃO DA RAÇA 
HUMANA
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja 
só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gn 2.18).
Deus havia posto Adão no jardim que havia plan­
tado. Por algum tempo, Adão viveu solitário, fazendo o
trabalho que lhe havia sido ordenado fazer. Quando Deus 
disse; Não é bom que o homem esteja só, estava pensando 
na propagação da raça que haveria de acontecer. Adão 
não tinha a capacidade de se propagar sozinho. Era ne­
cessária a presença ativa de uma auxiliadora para que a 
propagação acontecesse.
A propagação da raça foi ordenada ali mesmo no jar­
dim de Deus:
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, á imagem 
de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os 
abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, 
enchei a terra e sujeitai-a (Gn 1.27,28).
Quando Deus criou os dois seres humanos, Adão e 
Eva, teve em vista a raça humana. Os anjos são compos­
tos de muitos milhões, mas eles não são uma raça, porque 
eles não vieram a existir por propagação. Deus os criou 
todos de uma só vez. Não existe união entre anjos para 
haver outros anjos. Não existe noção de familia entre eles, 
nunca se multiplicarão, porque não constituem uma raça. 
Deus nunca ordenou aos anjos que crescessem e se multi­
plicassem, enchendo os céus e a terra. Não há gerações de 
anjos. No entanto. Deus deu essa ordem de multiplicação 
aos homens. Deus os fez para serem pais de uma imensa 
raça que haveria de povoar a terra.
Adão sozinho não poderia ser um multiplicador da 
raça. Todos os animais presentes no jardim, que Deus ha­
via trazido à presença de Adão para que lhes desse o nome, 
eram de natureza diferente da dele. Nenhuma fêmea ali 
presente poderia ser contraparte de Adão de maneira com- 
pativel, correspondente e complementar, pois nenhuma 
delas possuía uma natureza essencial equivalente à dele. 
Adão precisava de uma auxiliadora idônea, que fosse sua
contraparte compatível, correspondente e complementar
— humana como ele. Somente os dois, com sexos diferen­
tes, mas mutuamente dependentes, em coabitação, pode­
riam ser os progenitores de uma imensa raça.
2) A PROVISÃO DA ESPOSA IDÔNEA VISOU 
SATISFAZER O DESEJO SEXUAL NATURAL
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem 
esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea 
(Gn2.18).
Quando Deus disse que não seria bom o homem viver 
só, já sabia que ele era incompleto e não poderia satisfazer 
uma necessidade da natureza com a qual havia sido cria­
do. Precisava desfrutar da riqueza dos prazeres físicos que 
Deus lhe havia concedido. Adão era um ser fisico-espiritu- 
al. Já estava desfrutando dos prazeres do seu relaciona­
mento espiritual com Deus, mas ainda não tinha condição 
de relacionar-se fisicamente com alguém semelhante a ele, 
já que os outros habitantes do Éden não lhe eram adequa­
dos. Os prazeres físicos naturais, desfrutados de acordo 
com as prescrições divinas, nada têm de errado.
No entanto, não é assim que, por milênios, setores 
do povo de Deus tém pensado. Tem havido muitas inter­
pretações errôneas a respeito da vida conjugal de nossos 
primeiros pais no seu habitat original.
Há muitos tabus sexuais resistentes em nossa presente 
sociedade que são produto de interpretações enganosas 
dos prazeres físicos, desde há muito. Há até aqueles que 
ainda ensinam que o pecado original está ligado ao sexo. 
Por que essa resistência? A teologia de muitos foi moldada 
pelo conceito de que o pecado original está vinculado ao
sexo; e que, quando Adão e Eva comeram o fruto proibido, 
este ato simbolizaria o ato sexual. Grandes pais da igreja 
sustentaram no passado essa verdade, e ela persiste até 
hoje em vários círculos cristãos.
Um exemplo bastante significativo é o de Agostinho 
de Hipona (354-430 d.C.). Sua mãe, Mônica, era cristã e 
orava sempre pela conversão dele. Em sua juventude, an­
tes de convertido ao cristianismo, Agostinho era, sexual­
mente, um devasso. Em suas Confissões, ele revela uma 
de suas orações daquela época devassa: “Dá-me castidade 
e continência, mas não agora”.
Aos 32 anos, Agostinho se converteu e se tornou um 
homem dedicado exclusivamente ã fé e à igreja. Quando 
lhe veio á fé, tomou então uma posição extremamente 
oposta. Pugnou por extrema repressão sexual. No livro 
8 de suas Confissões, ele fala de sua conversão. No iní­
cio dos trinta anos, “após anos de busca, Agostinho ti­
nha finalmente se convencido de que o cristianismo era 
a verdadeira religião e que deveria comprometer-se com­
pletamente com a fé”.®̂ Era muito comum entre os seus 
contemporâneos pensar como Agostinho pensou: “Para 
tornar-se um verdadeiro cristão, teria que renunciar sua 
carreira e seus planos de casamento e entrar, de alguma 
forma, na vida monástica”.®® Assim, abriu mão completa­
mente de seus apetites sexuais, julgando que eles estavam 
ligados ao pecado, preferindo, dessa maneira, a vida de 
solidão. Realmente rejeitou o sexo e o casamento para si 
mesmo e mergulhou na vida monástica. Por qué? Porque a 
ideia de Agostinho era: “Quanto mais você abdica do sexo, 
mais perto fica de Deus”. Assim, adotou o pensamento de 
que o sexo seria produto do pecado original.
82 David G. Hunter, Sex, sin and salvation — w/hat Augustine really said. 
<http://wiwiwi.jknirp.com/aug3.htm>.
83 Ibid.
http://wiww.jknirp.com/aug3.htm
Não é justo fazermosa Agostinho as mesmas fortes 
afirmações que uma teóloga católica fez na Alemanha, 
anos atrás.Todavia, um defensor de Agostinho diz: “Nós 
simplesmente temos de admitir que Agostinho cometeu al­
guns erros. O mais notável desses erros foi sua ideia de 
que o pecado original de Adão e Eva tinha introduzido uma 
desordem fundamental no desejo sexual humano”.®®
Além disso, nos seus escritos, principalmente nas 
Confissões e no seu ensaio sobre o Bem do casamento, 
Agostinho deixa transparecer que o nosso apetite sexual 
está ligado ao pecado e que o sexo seria apenas para a 
procriação.
Mesmo vivendo mais de 1.500 anos depois, muitos 
cristãos ainda têm tabus com respeito ao sexo a ponto de 
não falarem dele aos próprios filhos. Esses cristãos vivem 
com a consciência de que o desfrute da vida sexual incor­
re em alguma prática anticristã e não natural, porque ela 
estaria relacionada ao pecado dos nossos primeiros pais.
No entanto, o desejo sexual não decorreu da Queda, 
como alguns pensam. Ê parte natural do ser humano criado
84 Há alguns anos, a teóloga católica alemã Uta Ranke-Heinemann 
publicou um livro intitulado Eunucos por causa do reino dos céus, em 
que apresentava um pensamento muito drástico a respeito das ideias de 
Agostinho sobre o casamento e a sexualidade. Eis algumas de suas citações: 
"0 homem que fundiu o cristianismo com o ódio ao sexo e ao prazer numa 
unidade sistemática foi o maior dos pais da igreja, Santo Agostinho"; "Igual 
a muitos neuróticos, ele radicalmente separa o amor da sexualidade"; 
"Agostinho foi o pai de 1.500 anos de ansiedade a respeito do sexo e
de infindável hostilidade a ele. Ele dramatiza o temor do prazer sexual, 
equalizando o prazer à perdição de tal modo que qualquer que tenta seguir 
sua linha de pensamento terá o sentido de ser apanhado em um pesadelo"; 
e, finalmente "a atitude com relação ao celibato da hierarquia é que o locus 
por excelência do pecado é o sexo, uma visão baseada nas fantasias de ódio 
ao prazer, de Agostinho". (Citações extraídas de Hunter, op. cit.)
85 Hunter, op. cit.
por Deus. O pecado veio trazer, sim, um grande problema 
de descontrole, infidelidade e uso indevido do sexo.
Os cristãos são aconselhados a ter uma vida sexual 
saudável e constante, uma vez que o sexo não foi instituído 
por Deus somente para a procriação. Não podemos esque­
cer-nos de que o cristianismo é o início de restabelecimento 
da criação original. O homem carece da mulher, e esta do 
homem, dentro da relação marido e mulher. As Escrituras 
proíbem qualquer manifestação sexual antes ou fora do ca­
samento. Nosso desejo sexual deve ser satisfeito dentro dos 
princípios estabelecidos por Deus, para que não façamos 
coisas que desagradam ao Criador (ICo 7.4,5).
Deus criou o casamento, que inclui o desfrute da vida 
sexual. Adão e Eva só tiveram filhos depois da Queda. 
Portanto, durante o tempo em que viveram no habitat ori­
ginal antes da Queda desfrutaram paradisiacamente da 
vida sexual. Provavelmente, nenhum de nós teve a doçura 
da vida sexual como eles, pois ainda não estavam macula­
dos, pela Queda, em sua sexualidade.
Deus deu uma auxiliadora idônea a Adão a fim de 
que ambos pudessem desfrutar das riquezas da bonda­
de de Deus no paraíso. Ali mesmo, no paraíso. Deus fez 
a auxiliadora, como um grande escultor que é, de forma 
cuidadosa e carinhosa, pensando no bem-estar de Adão 
e para lhe suprir as necessidades. Visto que Deus a fez, 
podemos dizer (sem medo de errar) que ela deveria ser 
muito linda! Certamente, Adão se encantou com a beleza 
de Eva! Quando Adão despertou do sono, ele viu Eva dei­
tada ao seu lado e disse: Esta, afinal, é osso dos meus 
ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, por­
quanto do varão fo i tomada (Gn 2.23). O texto ainda fala 
que os dois estavam nus e não se envergonhavam (Gn 
2.25). Não havia nenhum vestido de casamento nela. Ela 
estava despida, mas não havia nenhuma impureza na 
vida de ninguém ali. A vida sexual deles era pura, perfei­
ta, sem mácula, um tipo de relacionamento sexual que
nenhum mortal ainda experimentou. Tinham uma vida 
exclusivamente típica do paraíso. Somente eles. Ninguém 
mais. Ambos foram feitos um para o outro, a fim de que 
desfrutassem dos prazeres da vida conjugal que o Senhor 
preparou para o deleite de seus filhos.
Parece estranho aos ouvidos de muitos cristãos, mas 
podemos dizer que Deus deu a Adão uma companheira 
que fosse seu prazer e vice-versa.
A ideia de prazer cabe perfeitamente no habitat de 
Deus. Aliás, a palavra correspondente a “paraíso” em lín­
gua hebraica significa “prazer”, porque ali era um lugar 
de perfeição. O status quo no paraíso era o mais deleitoso 
possível. Além das belas árvores e dos rios serpentean- 
tes que enfeitavam o jardim, Adão tinha prazer em tudo o 
que Deus lhe havia concedido. E Deus lhe deu algo além, 
que tornou maior ainda o desfrute do jardim: deu-lhe uma 
companheira, que tornou a vida solitária de Adão praze­
rosa. Não sabemos por quanto tempo Adão ficou só, mas 
Deus sabia que ele não poderia ficar muito tempo assim. 
Por esse motivo, fez a mulher, uma companheira idônea, 
que veio trazer-lhe alegria imensa.
O habitat original do homem era um lugar propício 
para um real e santo desfrute das relações físicas. Não 
havia nada pecaminoso dentro da alma deles e havia mui­
tas possibilidades de desfrute da vida conjugal sem quais­
quer impedimentos. Havia apenas uma proibição divina: 
não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e 
do mal. Não lhes faltava nada no jardim de Deus para que 
tivessem uma vida idílica. Não havia nenhuma esfera de 
atrito entre eles, atritos esses que impedem que tenha­
mos hoje as doces alegrias do prazer conjugal. Enquanto 
seguissem os preceitos positivos de Deus e obedecessem 
ao mandamento proibitivo de Deus, poderiam desfrutar 
prazerosamente das delícias sexuais que Deus lhes havia 
concedido. Era realmente um lugar onde se podia viver, no 
sentido pleno da palavra, paradisiacamente!
3) O PROPÓSITO DA PROVISÃO DA ESPOSA 
IDÔNEA FOI SOLUCIONAR A QUESTÃO DA 
SOLIDÃO
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem 
esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea 
(Gn 2.18).
Por que não era bom que o homem ficasse só? É im­
portante recordarmos que Deus sempre faz coisas boas 
para o homem. E uma delas é que ele desejava o maior 
bem-estar para a sua criatura mais significativa, que re­
fletia sua própria imagem. Quando criou uma esposa para 
Adão, Deus lhe fez um grande bem. Veja o que o Sábio diz 
sobre isso:
O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a 
benevolência do Senhor (Pv 18.22).
Não há nenhuma indicação, no texto, de que Adão an­
dasse insatisfeito sozinho. Provavelmente, não tinha cons­
ciência de sua necessidade, porque não sabia de todas as 
coisas ainda. Não possuía experiência alguma de viver com 
alguém. Ele era a única pessoa humana atê então.
Deus ê um pai amoroso, que tem cuidado de seus 
fllhos. Até então, Adão era o único filho terreno de Deus. 
Ele se preocupou com o conforto de Adão. Já lhe tinha 
dado ordens, já o havia instado a que lhe obedecesse (Gn 
2.15,17), mas Deus queria que Adão tivesse alguém com 
quem pudesse compartilhar até mesmo as ordens recebi­
das do Criador. Ele vivia só no meio da beleza indizível da­
quele jardim. Devemos entender corretamente a solidão de
Adão. Não havia nada de imperfeito nele. Era, no entanto, 
um ser social e precisava de relacionamento. Os únicos 
relacionamentos que possuía até então eram com Deus e 
os animais. Tanto o primeiro como os últimos são seres 
vivos, mas de natureza diferente da de Adão. Embora hou­
vesse sido feito ã imagem e semelhança de Deus, este é de 
natureza diferente da de Adão, porque é um ser eminente 
e puramente espiritual, além de um ser infinito, imutável, 
independente etc., o que o distancia muito da natureza de 
Adão. Por outro lado, os animais eram inferiores em natu­
reza a Adão, pois tinham corpos físicos, mas não tinham 
a alma que Adão possuía.Tanto Deus quanto os animais 
eram companheiros em sentidos diferentes, mas muito di­
ferentes em natureza a Adão.
Para que não houvesse solidão, seria necessário que 
Adão tivesse alguém da mesma natureza, da mesma es­
sência, que tivesse as mesmas carências e as mesmas 
capacidades de ajuda mútua. Pensando nessas coisas foi 
que Deus ponderou: Não é bom que o homem esteja só. 
Deus lhe deu uma companheira que pudesse satisfazer 
sua solidão. Adão haveria de compartilhar tudo com a sua 
mulher, tanto no jardim como quando foi expulso dali. 
Definitivamente, Deus não havia feito o homem para viver 
em solidão!
O princípio expresso por Deus no Éden sobre o pri­
meiro homem de que ele não poderia viver em solidão é re­
afirmado por Salomão como um princípio relativo a todos 
os homens:
Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor 
paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o 
companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, 
não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem 
juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?
Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe 
resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com 
facilidade (Ec 4.9-12).
As Escrituras mostram a provisão de Deus para o 
problema da solidão, porque o homem é uma criatura so­
cial. Tem necessidade de companhia. O homem é um ser 
gregário. Não foi feito para viver só. A vida de Adão seria 
melancólica se Deus não tivesse feito a provisão da esposa. 
Sozinho, a vida humana no paraíso se tornaria solitária, 
e o paraíso se tornaria um deserto para Adão, ainda que 
não houvesse entrado o pecado no mundo, porque o ser 
humano não foi feito para viver só! Não foi sem razão que 
o Criador disse: Não é bom que o homem viva só.
4) O PROPÓSITO DA PROVISÃO DA ESPOSA 
IDÔNEA FOI SATISFAZER A NECESSIDADE DE 
COMPANHEIRISMO
EHsse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja 
só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gn 2.18).
Além da satisfação do prazer sexual legítimo, a pro­
visão da mulher tem mais um propósito importantíssimo, 
porque aponta para o caráter gregário do ser humano. 
Seria possível ao homem não viver só e, todavia, não ter 
companheirismo. Se Deus tivesse colocado no Éden outro 
ser humano do sexo masculino, Adão não teria solidão, 
mas o companheirismo tem características muito mais ín­
timas do que simplesmente ausência de solidão. Deus en­
tendia que a ausência de solidão é um aspecto negativo, 
enquanto o aspecto positivo é o real companheirismo. Por 
isso, providenciou para Adão uma companheira idônea, a
mulher, que deveria ser cúmplice de todos os aspectos da 
vida do seu marido.
Adão era um homem perfeito, que vivia em perfeita 
comunhão com Deus, vivia em perfeita harmonia com a 
natureza física, com os animais. Que mais poderia Adão 
querer? O próprio Deus entendeu que faltava uma com­
panheira compatível, correspondente e complementar. 
Deus, o Criador sábio, compreender que Adão não deve­
ria ter simplesmente comunhão espiritual com ele, mas 
também comunhão íntima com a mulher, para que esta 
o completasse. A complementação, no caso, está vincula­
da ã ideia de companheirismo. Nesse sentido, ainda que 
Deus possa compensá-los de outra maneira, os que vi­
vem solteiros carecem dessa complementaridade de com­
panheirismo. Deus chamou algumas pessoas para serem 
solteiras ( ICo 7.7-9), mas estas sempre ficarão sem esse 
aspecto importante das relações humanas, que é o com­
panheirismo conjugal. Por essa razão. Deus faz que esses 
solteiros se entreguem de corpo e alma ao serviço do rei­
no. Nesse sentido, têm a compensação daquilo que lhes 
falta — o companheirismo.
Deus, na verdade, não havia chamado Adão para vi­
ver só. Ele precisava não simplesmente ser livre da solidão, 
mas ser completado por um companheirismo de cumplici­
dade de alguém que pudesse realmente completá-lo. Deus 
fez Eva e a trouxe a ele. Ela seria sua grande companheira, 
cúmplice de todas as horas, sendo osso dos seus ossos e 
came da sua came (v. Gn 2.23).
(1 ) C o m pan h eir ism o no casam en to ex ig e um
RELACIONAMENTO PRIORITÁRIO
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, 
tomando-se os dois uma só came (Gn 2.24).
Todos os seres humanos posteriores a Adão tiveram 
outros relacionamentos familiares, como pai, mãe, sogro, 
sogra, irmãos etc. É lamentável quando um homem e uma 
mulher se casam e seus relacionamentos antigos conti­
nuem tendo prioridade em sua vida. Não é incomum ver­
mos um marido ligado demais à sua mãe a ponto de isso 
poder vir a causar mal-estar á esposa; também não é inco­
mum vermos uma esposa muito ligada emocionalmente ao 
pai em vez de relacionar-se prioritariamente com o marido. 
O relacionamento com os pais deve ser deixado para trás 
quando o casamento de dois jovens está para se consu­
mar. Isso não significa que devam abandonar o amor pelos 
pais, muito menos perder o contato com eles, mas signifi­
ca, sim, que devem alterar sua prioridade de companhei­
rismo. A preferência deverá passar a ser do cônjuge, não 
dos pais ou de outros parentes.
As Escrituras são absolutamente claras ao declarar: 
... deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, toman­
do-se os dois uma só came (Gn 2.24). Essa frase afirma 
que todos os demais relacionamentos anteriores devem ser 
deixados em plano secundário. O relacionamento de com­
panheirismo entre marido e mulher tem toda a prioridade 
na vida de familia. Quando esse quesito não é obedecido, 
todas as outras coisas desandam na vida familiar.
Adão e Eva foram os únicos que não tiveram relacio­
namentos de parentela, enquanto viveram em santidade 
no Éden. No entanto, mesmo não os possuindo, o rela­
cionamento de Adão com Eva deveria ser prioritário em 
relação às outras coisas criadas. Eva era a criatura mais 
importante que havia neste mundo para Adão. Portanto, 
entre eles deveria haver uma prioridade relacional.
Deus não criou pai ou mãe para Adão, mas sim uma 
esposa. O relacionamento deles deveria ser o mais impor­
tante dentro do jardim de Deus. O casamento exige um 
relacionamento prioritário, um relacionamento preferen­
cial, inigualável nas relações deste mundo. Nem mesmo o
relacionamento com os filhos deve suplantar o relaciona­
mento primacial entre marido e esposa. Os filhos crescem 
e deixam a casa paterna, mas a esposa fica. Se o compa­
nheirismo do marido com a esposa não for prioritário, o lar 
ficará vazio e destituido de significado. Por essa razão, tem 
ocorrido, mesmo em nosso país, a separação de muitos ca­
sais porque seu relacionamento maior é com os filhos, não 
com o cônjuge. O laço relacional mais forte tem de ser entre 
marido e mulher. Os jovens cristãos devem prestar atenção 
a esse quesito fundamental: ter um relacionamento priori­
tário com o seu cônjuge.
(2 ) C o m pan h eir ism o n o c asam en to ex ig e um
RELACIONAMENTO PERMANENTE
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, 
tomando-se os dois uma só came (Gn 2.24).
Além de o relacionamento com o cônjuge ser prioritá­
rio, temos que entender que o relacionamento deverá ser 
permanente. Deus não nos fez casados até que um pro­
blema nos separe, mas deve haver uma união duradoura, 
separada somente pela morte de um de nós. Os filhos que 
Deus nos dá ficam conosco por algum tempo, até que al­
cem voo para compor a própria família, mas a esposa e o 
marido deverão ficar um com o outro para sempre. Essa 
é a regra divina, porque Jesus diz que o homem não deve 
separar aquilo que Deus ajuntou (Mt 19.6).
O verbo “unir-se” em Gênesis 2.24 significa “juntar-se”, 
“apegar-se a” (como a carne se apega aos ossos e à pele), 
“grudar” (como se cola e não se pode mais separar). Mesmo 
depois da Queda, Adão ficou ligado ã sua companheira de 
antes da Queda. O estado de pecado em que agora vivemos 
não justifica, portanto, a quebra de relacionamento.
No entanto, nossa presente sociedade tem sido com­
placente com respeito à separação de casais. As leis apro­
vadas dificultam cadavez mais a aplicação das leis divinas, 
pois os homens andam em busca de aprovação para seus 
próprios sentimentos pecaminosos divisivos, e as leis esta­
belecidas são um prato cheio para os desejos pecaminosos 
daqueles que desobedecem aos princípios fijndamentais do 
casamento. Tão logo o amor romântico termina, as relações 
de compromisso são rompidas. Ê lamentável que o divórcio 
tenha se alastrado sobremaneira em países onde os cristãos 
foram maioria no passado. É alarmante hoje o número cada 
vez mais crescente de pessoas descompromissadas com um 
casamento de relacionamento permanente!
As pessoas se esquecem, hoje, de que o casamento 
é uma instituição divina, em que o Senhor é testemunha 
do pacto entre um homem e sua mulher e que ele se volta 
contra aqueles que violam esse pacto (cf. Ml 2.14; v. tb. 
Pv 2.17). O casal não tem o direito de se separar, porque 
as Escrituras proíbem a separação. A única concessão fei­
ta por Jesus Cristo é quando um dos dois se torna infiel 
(Mt 19). Os casais cristãos não podem se esquecer de que, 
mais importante do que as testemunhas que convidam 
para seu casamento, é a suprema testemunha o Senhor, 
diante de quem nenhuma de nossas atitudes e intenções 
no casamento escapa. Não podem os casais cristãos se es­
quecer de que um casamento no Senhor deve ser moldado 
por um relacionamento permanente.
(3 ) C o m pan h eir ism o n o c asam en to ex ig e um
RELACIONAMENTO EXCLUSIVO
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, 
tornando-se os dois uma só came (Gn 2.24).
Deus deu ao homem uma só mulher — a sua mu­
lher, não mulheres. Embora tenha havido casos no Antigo 
Testamento em que homens se casaram com mais de uma 
mulher, essa ética tolerada foi deixada de lado à medida 
que a revelação divina progrediu. A monogamia é um prin­
cipio desde a criação. Deus fez apenas uma mulher para 
Adão, não duas ou mais. Um homem para uma mulher.
Não há lugar para terceiros num relacionamento de 
casamento. O companheirismo do casamento é exclusivo 
para uma só pessoa. Por isso, o texto diz que o homem se 
unirá ã sua mulher, e não ã mulher de outro. Este é o de­
sígnio de Deus. Tal relacionamento está restrito somente a 
duas pessoas, e não mais. O cônjuge é a prioridade de to­
dos os relacionamentos humanos e deve ser o único nesse 
tipo de relacionamento. O relacionamento com o cônjuge 
supera os relacionamentos com os pais, com os irmãos, 
parentes e amigos, porque é um relacionamento exclusivo. 
Ninguém mais entra nele.
(4 ) C o m pan h eir ism o no casam en to ex ig e um 
RELACIONAMENTO ÍNTIMO
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, 
tomando-se os dois uma só came (Gn 2.24).
Nesse relacionamento pessoal, há um quesito que 
não está presente em nenhum dos outros relacionamen­
tos humanos: o companheirismo de intimidade sexual. 
O fato de tornar-se uma só carne diz respeito, evidente­
mente, ã união sexual (cf. ICo 6.15). No entanto, a união 
sexual é mais do que uma união física, pois envolve as­
pectos interiores do nosso ser, como nossos sentimentos 
e afeições. Há muitos casais que mantém relações sexu­
ais sem um relacionamento de intimidade. Todavia, as
relações de intimidade daqueles que se casam no Senhor 
são muito mais profundas e satisfatórias do que a sim­
ples união física. Deus deu Eva a Adão a fim de que vi­
vessem em intimidade relacional de tal maneira que seu 
relacionamento combinasse com a perfeição e harmonia 
do habitat em que viviam.
Na verdade, a maioria dos problemas sexuais 
existentes em um casamento tem origem na falta de 
companheirismo íntimo. A harmonia sexual deve ter 
fundamento mais profundo e exclusivo, onde a lealdade 
seja levada em conta, em obediência a Deus. Se um 
homem se junta a outra mulher que não sua esposa, 
ele se contamina, porque se torna um com ela ( ICo 
6.16). Essa união sexual não se caracteriza em união 
de intimidade, porque é produto da desobediência e da 
ausência de exclusividade no casamento. Por outro lado, 
um casamento feito somente de relações sexuais, sem 
um compromisso de intimidade no companheirismo, terá 
um fundamento arenoso e pode ruir muito facilmente. O 
sexo simplesmente nunca trará a satisfação desejada por 
Deus àqueles que se casam no Senhor.
Nós, cristãos de hoje, ainda que remidos por Jesus 
Cristo, não conseguimos ter o mesmo companheirismo de 
intimidade que Adão e Eva tiveram no paraíso antes da 
Queda. Tal experiência de intimidade plena nunca será 
nossa nesta presente existência, porque o pecado que 
ainda temos dificulta a obtenção da plena intimidade, 
havendo ainda desejos pecaminosos escondidos que nunca 
repartimos com o nosso cônjuge atê por medo de perder o 
que já possuímos de relacionamento conjugal. Mas ê dever 
dos cristãos casados lutar com todas as forças da alma — 
e esta é uma luta dura e constante — para se aproximar de 
uma vida de relacionamento de intimidade com o cônjuge, 
que é o desejo de Deus para a nossa vida neste lugar de 
paraíso perdido, mas que haverá de ser restaurado.
4. A FORMAÇÃO DA ESPOSA IDÔNEA
Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o 
homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas 
e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor 
Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e 
lha trouxe (Gn 2.21,22).
Ê dito por aí que “Deus criou o homem e disse: ‘Eu 
posso fazer melhor do que isso’, e, então, criou a mulher”.®® 
Nenhum homem poderia contestar uma afirmação como 
esta, pois a esposa é, sem dúvida, a nossa melhor parte. É 
a nossa metade mais bonita e um dom precioso que Deus 
deu a Adão.
1) Para formar a auxiliadora idônea, Deus fez o 
homem adormecer
Grandes coisas que Deus fez vir sobre os homens, ele 
as fez quando estavam adormecidos. Grandes revelações 
divinas vieram aos homens enquanto estavam dormindo. 
Tais experiências começam a ser registradas nas Escrituras 
ainda no tempo dos patriarcas (Gn 15.12; 28.11). Não há 
por que nos admirarmos com isso, porque essas experi­
ências apontam para a gratuidade delas. Apontam para o 
fato de que Deus não precisa de nós para fazer coisa algu­
ma, pois quem está adormecido não tem consciência nem 
domínio sobre o que lhe está acontecendo. Isso significa 
que os que dormem não têm participação ativa naquilo 
que é feito. A glória da realização é somente de Deus. Os 
que dormem são passivos e não recebem glória alguma.
86 Keith Krell. Party in Paradise. Comentário de Gênesis 2.4-25, <http:// 
bible.org/byverse/genesis%202>.
http://%e2%80%a8bible.org/byverse/genesis%202
http://%e2%80%a8bible.org/byverse/genesis%202
apenas os benefícios do que Deus faz. A mulher que Deus 
deu a Adão é produto da sua santa bondade para com ele.
Mesmo depois da Queda, Deus continua a fazer gran­
des coisas por nós enquanto estamos dormindo. Sua gra­
ça regeneradora nos é dada enquanto estamos mortos, ou 
adormecidos, em nossos pecados. Quando Deus nos des­
perta, nos faz viver; apenas contemplamos extasiados o 
que Deus fez em nós! Ê uma grande bênção para nós o fato 
de Deus fazer grandes coisas em nós, por nós e para nós 
quando estamos adormecidos, inertes, incapazes de nada 
realizar em nosso próprio favor!
Quando Deus resolveu fazer uma grande obra em Adão
— e essa ação não tem nada a ver com redenção, mas é 
produto de sua bondade, porque é uma ação feita em favor 
dele — , Deus o fez cair num profundo sono. Essas grandes 
obras de Deus geralmente não são percebidas senão quan­
do seus resultados aparecem. Quando Adão abriu os olhos, 
viu a beleza da obra de Deus ã sua frente!
2) Para formar a auxiliadora idônea, Deus fez a 
primeira cirurgia da história do homem na terra
(1 ) D eu s tr abalh o u com o um an estesista
A expressão “pesado sono” leva-nos a pensar num 
anestésico que Deus usou para fazer a primeira cirurgia, 
como o grande cirurgião que é. Na verdade. Deus mostrou 
a sua inusitada qualidade de médico anestesista. A propó­
sito, comenta Lewis Johnson;
É dito que, incidentalmente — não sei se é verdadeou não 
—, sir James Simpson, o famoso médico de Edimburgo, 
começou, em 1847, o uso de clorofórmio em anestesia, 
porque tinha meditado sobre esta passagem específica, 
e seus próprios desejos de pesquisa foram fortalecidos
pelo que leu ali. Se é verdade ou não é, isso eu não sei, 
mas é interessante que na narrativa da criação de Eva 
temos muita coisa que foi omitida com apenas uma 
breve afirmação [...] Eu não tenho dúvida de que esta foi 
provavelmente a mais estupenda cirurgia já feita...
O profundo sono que caiu sobre Adão nos remete à 
ideia moderna de um anestesista. Ele haveria de cortar o 
lado de Adão, e isso iria doer muito. Deus quis livrar sua 
criação mais importante da dor, porque a cirurgia iria ser 
bastante sanguinolenta.
Deus fez Adão dormir para mexer no físico dele. Adão 
não poderia sofrer a intervenção que sofreu sem estar pro­
fundamente adormecido. Delitzsch afirma:
... o homem deveria ser colocado numa condição de 
sono; porque como toda criação externa a nós é retirada 
de nossa percepção, assim também todas as criações 
operativas de Deus sobre nós devem ser efetuadas na 
região da inconsciência e não devem ir ã nossa consciência 
até que sejam realizadas.^^
Deus conhece as limitações da estrutura física de 
suas criaturas e fez o que era necessário para que ele não 
experimentasse nenhuma dor. O sono de Adão não foi um 
sono natural; não foi sonolência, não foi soneca, mas sim.
87 The sermons o f S. Lewis Johnson, Genesis 2:18-25 — The first divine 
Institution, http://www.theopedia.eom/S._LewisJohnson
88 Keil & Delitzsch. Comentário sobre Gênesis, <http://www.archive.org/ 
stream/newcommentaryong01deli#page/142/mode/lup>.
http://www.theopedia.eom/S._LewisJohnson
http://www.archive.org/%e2%80%a8stream/newcommentaryong01deli%23page/142/mode/lup
http://www.archive.org/%e2%80%a8stream/newcommentaryong01deli%23page/142/mode/lup
um sono profundo, sobrenatural, vindo do Senhor, de seu 
poder e providência. Os sentidos de Adão ficaram em pro­
fundo repouso, de forma que ele não percebeu nada do 
que ocorria nele e fora dele. Deus o atingiu com um torpor 
profundíssimo que o deixou incapaz de sentir qualquer 
dor na incisão em sua carne.
Lembre-se de que a dor que foi causada nada tinha a 
ver com pecado, pois era a dor devida a uma intervenção 
invasiva, procedente da natureza criada. Obviamente, Deus 
não usou nenhum componente químico em sua “aneste­
sia”, como os anestesistas de hoje usam, mas com seu po­
der criador fez Adão dormir de modo que nada pudesse 
acordá-lo, a fim de fazer nele (e dele!) uma grande obra.
(2 ) D eus t r abalh o u co m o um c ir u r g ião o r to ped ista
Além de suas habilidades como anestesista. Deus 
mostrou ser um inusitado e criativo ortopedista, porque 
ele trabalhou com a carne e os ossos de Adão.
Anatomistas afirmam que o homem possui doze cos­
telas. Alguns estudiosos creem que Adão tinha uma déci­
ma terceira, que Deus tirou. O TargumP^ de Jonathan diz: 
“... e tomou uma de suas costelas; a saber, a décima tercei­
ra costela do seu lado direito”.®“ Segundo essa versão das 
Escrituras, portanto, Adão teria uma costela a mais que o 
homem posterior, da qual Deus teria se servido para a cria­
ção de Eva. Essas observações podem, no entanto, não ser a 
expressão da verdade. Há séculos, um comentarista já havia 
dito coisas interessantíssimas, que são confirmadas cientifi­
camente hoje: “Adão provavelmente tinha o mesmo número
89 [NE] Tradução aramaica dos livros bíblicos, para o serviço nas sinagogas, 
feita após o cativeiro babilónico.
90 Bartholini. Anatomia, I. 4, c. 17, p. 516. V. Scheuchzer. Physica sacra, vol. 
1, tab. 27, p. 28.
de costelas que nós temos hoje. De outra maneira, o código 
genético para a criação de uma costela extra causaria ao me­
nos o fato de algumas pessoas hoje terem treze costelas. Eu 
não conheço nenhum caso”.®̂ O que importa é que Deus tra­
balhou habilidosamente para retirar parte do corpo de Adão 
e, assim, formar Eva. Foi uma cirurgia extraordinariamente 
miraculosa, pois o cirurgião poderoso fez do pouco muito!
3) Para formar a auxiliadora idônea, Deus usou 
uma natureza humana já existente
Pessoas incrédulas, mesmo dentro da igreja cristã, 
podem pensar que essa narrativa de Gênesis seja um mito 
ou fábula, pois acham ridículo o modus operandi da cria­
ção da aixxiliadora idônea. O texto aponta para o fato de 
Deus não criar outra natureza, mas usar a natureza hu­
mana já existente para produzir a companheira idônea. 
Delitzsch diz:
... [a mulher] não foi feita do nada, nem foi feita do pó 
da terra, mas do primeiro homem, i.e., de sua natureza 
material e espiritual e de uma substância já organizada. 
Pois é preeminência da raça humana acima dos animais 
ter vindo à existência não como pares e espécies, mas 
como uma pessoa. Esta preeminência e a unidade da 
origem da raça humana em geral seriam perdidas se a 
mulher não tivesse procedido de um primeiro homem.^^
91 John Gill, op. cit., Gn 2.21.
92 Keil & Delitzsch, connentário sobre Gênesis, <http://www.archive.org/ 
stream/newcommentaryong01deli#page/142/mode/lup>.
http://www.archive.org/%e2%80%a8stream/newcommentaryong01deli%23page/142/mode/lup
http://www.archive.org/%e2%80%a8stream/newcommentaryong01deli%23page/142/mode/lup
Calvino diz que o propósito da criação de Eva do modo 
como aconteceu nos mostra que
... ambos, macho e fêmea, deveriam proceder de uma e 
da mesma origem. Portanto, ele criou a natureza humana na 
pessoa de Adão, e daí, formou Eva [...] Desta maneira Adão foi 
ensinado a reconhecer-se em sua esposa, como num espelho; 
e Eva, por sua vez, deveria se submeter desejosamente a seu 
marido, como sendo tomada dele. Mas se os dois sexos tivessem 
procedido de fontes diferentes, teria havido ocasião para desres­
peito mútuo, ou inveja ou contenda.^^
Não podemos nos esquecer de que a costela 
retirada de Adão, que aponta para a natureza humana 
preexistente em Adão, não ê tudo da criação de Eva. 
Houve sobrenaturalidade também nessa criação. Deus 
tomou material preexistente e fez coisas espantosas com 
ele. Isso aponta para a sobrenaturalidade da ação divina. 
Deus tomou uma parte e, dela, fez o todo. Do particular 
fez o universal. De uma costela fez a totalidade de Eva. 
Essa ê uma obra sobrenatural!
A sobrenaturalidade fica evidente não somente na 
beleza de Eva, mas no fato de em Adão não ficar ne­
nhuma ferida aberta. O próprio Deus se encarregou de 
fechar o corte com a própria carne de Adão, ou algu­
ma provisão especial de carne. Não ficou nenhuma cica­
triz porque Deus trabalhou como um cirurgião perfeito. 
David Guzik comenta:
93 João Calvino, comentário de Gênesis 2.21, <http://www.ccel.org/ccel/ 
calvin/calcom01.viii.i.html>.
http://www.ccel.org/ccel/%e2%80%a8calvin/caicom01.viii.i.html
http://www.ccel.org/ccel/%e2%80%a8calvin/caicom01.viii.i.html
O que exatamente Deus tomou do lado de Adão para fazer 
Eva? Realmente não sabemos, nem realmente importa.
A pesquisa moderna de clonagem e duplicação genética 
mostra que cada célula em nosso corpo contém o projeto 
genético total do corpo. Deus tomou algumas das células de 
Adão e mudou o projeto genético delas na criação de Eva.’̂^
Afinal de contas, Deus é o Senhor da ciência e co­
nhece tudo o que os mais avançados cientistas hoje não 
conseguem decifrar.
Quando Adão foi confrontado com a mulher, disse: 
Esta, afinal, é osso dos meus ossos e came da minha came 
(Gn 2.23). Percebeu claramente que era igual a ele. Não ha­
via nada, essencialmente, diferente nela em relação a ele. 
Ele se viu nela, ele a viu como se fosse ele. Se Deus hou­
vesse formado Eva do pó da terra, como havia feito Adão, 
ela pareceria aos seus olhos como um ser distinto, com 
quem ele não tinha relação alguma. Adão percebeu que 
Eva era da mesma natureza dele, da mesma carne, sangue 
idêntico, e da mesma constituição em todos os sentidos.
5. A REAÇÃO DE ADÃO DIANTE DA ESPOSA 
IDÔNEA
Calvino diz que Moisés inicia aqui o relato do casa­
mento instituídopor Deus.^® À guisa de curiosidade, o sá­
bado e o casamento foram duas ordenanças instituídas
94 David Guzii<. David Guzik's commentaries on the Bible, referente 
a Gênesis 2.21. <http://www.studylight.org/com/guz/view. 
cgi?book=ge&chapter=002>.
95 Calvino, op. cit., Gn 2.22.
http://www.studylight.org/com/guz/view.%e2%80%a8cgi?book=ge&chapter=002
http://www.studylight.org/com/guz/view.%e2%80%a8cgi?book=ge&chapter=002
por Deus no estado de santidade do ser humano no Éden. 
O primeiro tem a ver com a preservação da igreja, e o se­
gundo, com a preservação da raça humana.®®
O versículo 22 diz que Deus transformou a costela de 
Adão “numa mulher e lha trouxe”. Quando Deus aprontou 
Eva, ele fez uma surpresa para Adão! Este nem imaginava 
o que Deus havia feito. Deus apresentou a Adão sua mu­
lher, sua esposa.
1) A reação de Adão mostra que Eva era diferente
de tudo o que ele havia visto antes
Quando Deus trouxe Eva para que Adão a visse, como 
Adão reagiu?
E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e 
came da minha came; chamar-se-á varoa, porquanto do 
varão foi tomada (Gn 2.23).
É curioso que essas palavras do versículo 23 são as 
primeiras registradas que o primeiro homem pronunciou. 
E dizem respeito ã mulher!
A expressão “afinal” parece apontar para o fato de 
Adão ter buscado antes na criação alguém que pudesse ter 
alguma semelhança com ele. Certamente, não encontrara 
ninguém dentre os seres criados que lhe pudesse servir de 
real companhia. Ainda que não tenha sido o propósito de 
Deus insinuar que algum dentre os animais serviria como 
parceira, a tarefa de observar atentamente os seres vivos 
despertou uma expectativa no homem. Daí, o uso da pala­
vra “afinal”. Isto nos deixa com uma pergunta interessante:
96 Henry, op. cit.
Por que a mulher foi criada a partir dessa expectativa, 
e não como foi o caso dos demais seres viventes?
Porque, certamente, Adão não havia encontrado até 
então nada com as mesmas características dele. Para ele, 
havia alguma coisa faltando no jardim, uma contraparte 
ideal. Adão não havia encontrado ninguém no jardim de 
Deus que pudesse ser um reflexo daquilo que ele próprio 
era. Então, quando Deus trouxe Eva, apresentando-a a 
ele, ele disse: Esta (a mulher), afinal, é osso dos meus 
ossos....
Nesta expressão “afinaF podemos perceber o alívio, 
o encantamento e o prazer que a surpresa lhe trouxe. É 
como se Adão houvesse dito: “Puxa! Até que enfim encon­
trei um ser que combina comigo!”. Ou então, para expres­
sar ainda esse encantamento cheio de surpresa de uma 
forma diferente e moderna, poderíamos dizer: “Uau! Já 
não era pra menos!”.
Confessadamente, Adão mostrou que esperava tal­
vez por uma providência divina, já que havia tanto procu­
rado por alguém que combinasse com ele! Não podemos 
esquecer que Adão tinha visto os animais todos passa­
rem diante dele, de par em par, e em nenhum havia visto 
que pudesse lhe trazer algum sentido diferente de com­
panheirismo. Então, ao ver aquela criatura que Deus lhe 
trouxera como resultado da cirurgia feita em seu corpo, 
pareço até ouvi-lo gritar: “Eurekal” — ele havia encontra­
do o dom de Deus!
Eva não era nem um pouco parecida com os animais 
do jardim. Era bem diferente. Isso trouxe alegria e encan­
tamento para ele! Adão recebeu a mulher como um dom de 
Deus. Afinal de contas. Deus havia sido tão sábio e pode­
roso para criar um jardim tão belo e tinha mostrado agora, 
uma vez mais, sua sabedoria e seu poder ao criar Eva!
2) A reação de Adão mostra que Eva não era 
substancialmente diferente dele próprio
Quando Deus fez passar em pares todos os ani­
mais, certamente Adão os achou perfeitos e lhes deu 
os nomes conforme o que observava neles. Mas não há 
nenhum registro da reação de Adão ã passagem desses 
animais. Nenhum lhe chamou especialmente a aten­
ção, porque não se achava uma auxiliadora que lhe fo s ­
se idônea (Gn 2.20).®^
Voltando ao raciocínio do texto, queremos dizer que, 
quando a mulher apareceu diante dele, ele se sentiu imen­
samente atraído por ela, uma atração que a consangui­
nidade produz. Era outra pessoa, sim, mas possuía as 
mesmas características dele, era bem adequada a ele, ou 
seja, simplesmente idônea. Então, as primeiras palavras 
registradas de um ser humano são, na verdade, em forma 
de poesia:
E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e 
came da minha came.
Nessa descrição poética da mulher, Adão mostra a 
composição de força e fraqueza da natureza humana. A 
parte de ossos vislumbra a força da composição física do 
homem. Um dos significados do verbo por trás do substan­
tivo “osso” é “ser forte”. Por outro lado, a palavra “carne” 
aponta para as partes mais delicadas e fracas num ser hu-
97 Uma tradução em português mais literal e, talvez, mais adequada seria a 
adotada na versão Almeida Revista e Corrigida: "... não se achava adjutora 
que estivesse como diante dele". A opção por "idônea" é uma interpretação 
mais distante do original, que acabou sendo sacramentada, e é dela que 
fazemos uso.
mano. Ela era, basicamente, igualzinha a ele. Era o retrato 
dele em termos de essência ou substância.
3) A reação de Adão mostra o contentamento pela 
procedência dela
... chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.
Adão dera nome a todos os animais que Deus lhe apre­
sentou no habitat original. Agora, que Deus havia trazido 
a sua companheira idônea, ele dâ um nome a ela: varoa. 
E deu a razão para ela ser chamada varoa — porque pro­
cedia do varão. Na verdade, a palavra “varão” ê tradução 
da palavra hebraica ish, que pode ser traduzida por “ho­
mem”. Em hebraico, o feminino correspondente ê ishah. 
Assim como na língua hebraica ishah está ligado a ish, os 
termos “varão” e “varoa” estão ligados linguisticamente. 
A nomeação da esposa, portanto, vem em decorrência do 
ponto anterior, que ensina que a mulher nâo era essen­
cialmente diferente do homem, porque era uma parte dele.
6. O COMPROMETIMENTO COM A AUXILIADORA 
IDÔNEA
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, 
tomando-se os dois uma só came (Gn 2.24).
Ali no paraíso, Adão tinha não somente contemplado 
e admirado a mulher que Deus lhe trouxera, mas tinha que 
ter um comprometimento com ela. Ela deveria ser o objeto 
maior de sua atenção no jardim de Deus. O versículo 24
não tem aplicabilidade direta quanto a Adão e Eva, porque 
ambos não tiveram pais humanos para serem deixados. O 
casamento original não envolveu pais humanos, sendo a 
esposa uma parte da carne do seu marido. Adão tinha vin­
do do pó da terra, e Eva, diretamente de Adão — ambas as 
procedências, obras sobrenaturais e imediatas de Deus. 
O comprometimento entre Adão e Eva, portanto, era ape­
nas o de se unirem fisicamente, formando uma só carne. 
Esse primeiro casamento, então, aponta para a evidência 
da grande importância do relacionamento entre marido e 
esposa como algo prioritário no jardim de Deus. Esse laço 
entre marido e mulher ê muito maior e mais profundo que 
o relacionamento entre pais e filhos.
No entanto, o princípio do comprometimento de dei­
xar pai e mãe ensinado pelo escritor de Gênesis tem sua 
aplicabilidade pertinente a todos aqueles descendentes 
de Adão e Eva, incluindo nós que vivemos milênios de­
pois deles, pois, diferentemente de Adão e Eva, todos nós 
temos pais que temos de deixar quando resolvemos nos 
casar.
Portanto, o comprometimento envolve o abandono 
da importância das relações anteriores. Não devemos, 
evidentemente, romper as relações anteriores, mas elas 
não podem mais ter a intensidade de antes. Nossos laços 
mais fortes antes do casamento eram com nossos pais. 
Eles foram os instrumentos divinos mediante os quais 
viemos ã existência e pelos quais fomos criados. Nunca 
poderemos deixar de amá-los. Ao contrário, temos o dever 
de amar, honrar e sustentar nossos pais (Ef 6.1-3) quan­
do estes estão destituídos de amparo, especialmente na 
velhice. Todavia, quando o homem encontra uma mulher 
com quem quer casar, tem de entender que o compromis­so prioritário, uma vez casado, passa a ser com ela. Esse, 
o comprometimento que todo homem e toda mulher deve 
ter com seu cônjuge. Os comprometimentos anteriores 
com os pais, outros parentes e amigos têm de ficar em
segundo plano. Tais conceitos devem ser entendidos pe­
los pais, parentes e amigos, pois da mesma forma todos 
tiveram ou terão de assim proceder ao encontrar o seu 
parceiro; todos nós temos de nos submeter a esse tipo de 
comprometimento.
Não é pequeno o número de pessoas que têm seus 
casamentos desfeito porque laços anteriores continuaram 
a ser prioritários e, consequentemente, não existe a priori­
dade relacional com o cônjuge. Se nos recusarmos a esse 
tipo de compromisso prioritário dentro de nossa família 
mais íntima, nossas relações com nosso cônjuge estão fa­
dadas ao fracasso.
Esse comprometimento com o cônjuge ê um impera­
tivo divino. O versículo 24 começa assim: “Por isso (por 
essa causa)”. Que causa ê essa? Ela está afirmada no im­
perativo divino. Este ordena que o homem deixe pai e mãe, 
ou seja, que ele não mais viva dependente deles nem sob 
sua tutela. Ao se casar, o homem tem de assumir a res­
ponsabilidade de chefia de um lar. Passa da condição de 
liderado (no relacionamento anterior com os pais) para a 
condição de líder (no relacionamento presente com a espo­
sa). A esposa sai do relacionamento de liderada pelo pai e 
permanece liderada no relacionamento com seu marido. A 
transição para o homem ê mais difícil e de maior responsa­
bilidade, pois passa de uma posição a outra. Quando um 
homem assume o casamento, passa da dependência para 
a independência, sendo o cabeça de toda uma família — 
uma transformação radical em sua vida.
Quando o princípio do comprometimento do homem 
com a esposa ê posto em ação, podemos perceber então 
que a relação entre marido e mulher ê muito mais impor­
tante e duradoura do que a relação dos filhos com os pais. 
Os filhos crescem e nos deixam. O que resta ê somente o 
relacionamento com o cônjuge, que ê o mais duradouro, 
por isso o mais importante. Se o relacionamento mais im­
portante para nós após o casamento for com nossos pais
OU nossos próprios filhos, em vez de ser com o cônjuge, 
quando nossos pais morrerem ou nossos filhos nos dei­
xarem, haveremos de ficar sozinhos, e a vida matrimonial 
perderá o sentido. Se falharmos na responsabilidade de 
comprometimento mais forte com nosso cônjuge, estare­
mos fadados ao fracasso na vida da nossa própria família. 
Disso haveremos de dar conta a Deus.
7. A SANTIDADE DO HOMEM COM A ESPOSA 
IDÔNEA
Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e 
não se envergonhavam (Gn 2.25).
Deus deu a mulher a Adão, e este se encantou diante 
da beleza de sua auxiliadora idônea. O texto retrata então 
como era a vida sexual deles, numa linguagem muito bo­
nita e cheia de significado.
Este versículo aponta para algumas verdades a serem 
analisadas:
1) A santidade se evidencia na pureza de alma de 
nossos primeiros pais
Esta frase registrada em Gênesis 2.25 ê uma evidência 
da pureza de alma de nossos primeiros pais na alcova de 
seu habitat paradisíaco. Estão desnudos. Não precisavam 
de roupa para se enfeitar, porque eram belos! Não preci­
savam de defesa contra o frio ou o calor porque o clima 
era perfeito! Não precisavam de cobertura para seus órgãos 
sexuais porque eles eram moralmente santos, não tinham 
pecado algum na alma. As roupas servem para cobrir a 
vergonha de nossa nudez, mas eles não tinham de que se
envergonhar porque a pureza impede que alguém se enver­
gonhe de algo. Não sabiam o que era vergonha porque ela 
não fazia parte do jardim no Éden enquanto obedeciam!
“Estavam nus e não se envergonhavam!” — Adão e 
Eva frente a frente não experimentavam nenhum rubor. 
Matthew Henry diz que “o rubor é agora a cor da virtude, 
mas então era a cor da inocência. Aqueles que não tinham 
nenhum pecado em sua consciência poderiam não ter ne­
nhuma vergonha em sua face, embora não tivessem ne­
nhuma roupa em seus lombos”.
A pureza de alma era a característica de nossos primei­
ros pais no seu habitat original. Um dia, quando a redenção 
se completar em nós, pela graça redentora do Deus trino, 
haveremos também de ter essa pureza de alma. Então, não 
conheceremos mais o rubor que ê causado pela vergonha!
2) A santidade se evidencia na transparência
moral de nossos primeiros pais
É admirável que quando Deus põe Adão e Eva frente 
a frente, o clímax do paraíso é a nudez! Eles estavam fisi­
camente nus. Eles compartilharam o corpo mutuamente, 
abertamente um com o outro.
Todavia, a nudez de Adão e Eva não revela simples­
mente a aparência física deles, mas seu interior. Eram 
moralmente transparentes. Psicológica e afetivamente 
não tinham de que se envergonhar. Existia transparên­
cia no relacionamento entre eles. Nenhuma rusga. Não 
havia nenhuma mancha para ferir sua sensibilidade. 
Nenhum desejo de tirar vantagem um do outro, nem 
sentimento de temor de ser defraudado. Não havia des­
confiança alguma.
98 Henry, op. cit.
A transparência moral só aumenta a confiança, a 
verdadeira amizade e o real companheirismo. Eles não ti­
nham nenhum temor relacionai.
Não ê assim conosco hoje. Muitos de nós somos ata­
cados por muitos temores e desconfiança, porque o peca­
do ronda nossa vida. O pecado quebra a beleza de nossas 
relações sexuais.
Devemos lutar por transparência moral em nosso ca­
samento, a fim de que não tenhamos vergonha daquilo 
que fazemos em nossa própria alcova. Não teremos vergo­
nha um do outro somente quando estivermos descobertos 
diante de Deus, quando experimentarmos a doce sensação 
de que todos os nossos pecados conjugais estejam perdo­
ados. Peçamos a Deus mais pureza de alma, a fim de que 
não tenhamos vergonha alguma diante do outro e, muito 
menos, diante de Deus.
3) A santidade se evidencia no desfrute da vida
sexual de nossos primeiros pais
Vivendo milênios depois do habitat original dos ho­
mens, temos problemas com o entendimento em relação 
ao sexo. Alguns de nós ficamos presos a tabus pela falsa 
interpretação de que o sexo ê pecaminoso e que surgiu 
como uma consequência da Queda. A experiência sexual 
não se originou com a Queda ou após a Queda. Foi uma 
experiência do paraíso ordenada por Deus. Em Gênesis 
1.28, Deus ordena que Adão e Eva se multipliquem, ou 
seja, tenham filhos e desfrutem da vida entre si. Adão e 
Eva formaram o casal que melhor desfrutou dos prazeres 
da vida sexual, com alma pura. Ninguém mais do que 
eles teve uma vida tão cheia dos reais prazeres da vida 
conjugal, porque no seu habitat original não possuíam 
nenhum pecado que prejudicasse o desfrute prazeroso da 
vida de mutualidade.
A experiência sexual em nosso casamento deve ser 
desfrutada no sentido pleno, porque faz parte do plano di­
vino para aqueles que estão na esfera do casamento.
Quanto mais obedecemos a Deus, mais podemos des­
frutar das delícias do sexo sem que marido e mulher te­
nham vergonha um do outro. A falta de real intimidade 
entre casais ê por causa do pecado. Quando o texto fala 
que eles “não se envergonhavam”, a despeito de estarem 
nus, indica que a harmonia sexual entre os casais está na 
verdadeira intimidade. A verdadeira intimidade ê que faci­
lita o desfrute prazeroso da vida conjugal. Quanto menos 
intimidade (portanto, mais desobediência), menos prazer 
sexual. Se quisermos desfrutar mais docemente da vida 
sexual, temos que submeter a Deus a nossa vida de casa­
dos de tal forma que a nossa nudez não seja um impedi­
mento vergonhoso mesmo diante de Deus.
CONCLUSÃO
Os versículos analisados anteriormente nos ensinam 
que Deus ê muito bondoso com suas criaturas. Uma das 
grandes manifestações de sua bondade está no fato de ele 
nos dar o prazer da vida conjugal. Ele designou o sexo no 
paraíso para Adão e Eva. No entanto, nós, que não vive­
mos no paraíso, somos confrontados com as tentações do 
Maligno e as que vêm de nossa própria alma pecaminosa, 
que dificultam o devido desfrute da vida conjugal. O ini­migo de nossa alma deseja torcer e deturpar o produto 
da bondade de Deus em nós. Quando damos ouvidos ao 
pecado, violando as leis divinas na vida familiar, então o 
próprio Deus dificulta a nossa vida sexual, para mostrar 
seu desagrado conosco.
É necessário que recebamos nosso cônjuge como um 
dom de Deus e façamos o melhor com quem Deus nos
deu. Hoje, não estamos mais no paraíso e temos diferen­
ças grandes para com o cônjuge que Deus nos deu; mas 
ele ainda é o instrumento de Deus para nos aperfeiçoar, 
para moldar o nosso caráter, para sermos pessoas que o 
Senhor quer que sejamos. Receba alegremente o cônjuge 
que Deus lhe dá, para exercer real companheirismo com 
ele, a fim de que você viva alegremente neste mundo, a 
despeito do mal que ainda existe. Em linguagem muito 
poética e doce, disse Matthew Henry:
A mulher foi feita da costela de Adão; não feita de sua 
cabeça para governá-lo, nem feita dos seus pés para 
pisar nele, mas do seu lado para ser igual com ele, de 
sob seu braço para ser protegida e perto do seu coração 
para ser amada.^^
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo 
amou a igreja [...] As mulheres sejam submissas ao seu pró­
prio marido, como ao Senhor (Ef 5.25,22). Quanto mais es­
ses preceitos forem obedecidos, mais parecido o nosso lar 
será com o lar original do paraíso de Deus!
Humildemente, peça a Deus uma vida de sincero com­
panheirismo conjugal, uma vida de união relacional que 
honre a reputação de Deus entre os que convivem com você.
99 Matthew Henry. Commentary on the whole Bible. London: Marshall 
Brother, n/d., p. 7.
PARTE 5
AS QUALIDADES ESPIRITUAIS 
DO HABITAT mJMAm
C apítulo 9
O HABITAT HUMANO ERA UM 
LUGAR DE PRESTAR CULTO A DEUS
Não há nenhuma expressão clara de culto no jardim 
no Éden da forma como viemos a conhecer posteriormente 
pela revelação bíblica. Se o habitat humano era um lugar 
de prestar culto a Deus, onde está então a ideia de culto 
ali? A resposta a essa pergunta depende do que entende­
mos por culto.
1. A ADORAÇÃO NO HAB/TAT ORIGINAL 
ERA PRESENCIAL
O habitat humano, no Éden, era um santuário. Não 
havia templo, porque templo (nas religiões pagãs poste­
riores) frequentemente servia para a representação de di­
vindades. No Éden, não havia motivo para representar 
Deus, porque ele estava presente de modo até impensável 
para a nossa mente hodierna. Se Adão não tivesse peca­
do, a presença de Deus, que enchia todo o paraíso com 
sua glória, o levaria a ser adorado pelos descendentes de 
Adão mesmo fora do jardim, nas regiões concêntricas de 
Havilá e da terra de Cuxe, ou seja, até as extremidades 
da porção seca.
Deus estava presente no jardim. Há um sentido, por­
tanto, de que o próprio jardim fosse o lugar da habitação 
de Deus, sendo assim o “templo” de Deus. A terra do Éden 
era a casa de Deus, o lugar da habitação do Altíssimo. O 
Altíssimo tinha feito ali sua residência gloriosa na terra.
Estamos acostumados a pensar também que a ado­
ração significa unicamente a ideia de sacrifício, como é 
apresentada em todo o restante do Antigo Testamento e 
também no Novo Testamento. A adoração composta de 
sacrifício seria típica do culto pós-Queda. Iria indicar a 
ideia de agradar a Deus, irado pelos pecados dos homens. 
Todavia, no habitat original, no jardim de Deus, a adora­
ção tinha outra conotação. Vemos essa conotação latente 
na adoração que ainda hoje prestamos a Deus.
Quando entramos em um lugar para adorar Deus, 
a ideia por trás desse ato ê estarmos na presença de 
Deus. Se culto, portanto, significa estar na presença de 
Deus, ninguém melhor que Adão para adorar Deus. Ele 
estava na presença de Deus da maneira mais plena do 
que todos nós. Ele e Deus eram companheiros no jardim 
e ali conversavam, em grande comunhão. Se adoração
é comunhão com Deus, então Adão adorava Deus mais 
que ninguém.
Adão e Eva foram criados por Deus e colocados ali 
no jardim. O habitat humano era lugar da presença de 
Deus. Era o lugar em que a humanidade tinha acesso 
ã sua fonte de vida. A adoração a Deus era inescapãvel, 
porque Adão e Eva estavam cercados de todos os lados 
pela presença do Senhor e podiam se relacionar com ele 
de uma maneira que nós, cristãos, jamais podemos hoje, 
na presente existência. Em seu habitat original, o homem 
ouvia a voz de Deus, que o instruía e edificava, e certa­
mente Adão respondia positivamente. Havia uma comu­
nhão dialogai com Deus.
O Deus verdadeiro não é mudo, como os ídolos que 
os homens criam. Conversa com suas criaturas e a elas se 
revela. Ê um Deus pessoal, que fez seres pessoais. Deus 
conversava com Adão e dizia coisas como: “De toda árvore 
do jardim você pode comer livremente. Só não coma da 
árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, se você 
comer você vai morrer” . Deus e Adão mantinham conver­
sação de amigos, dia após dia, falavam de coisas que ami­
gos falam. Se Adão tinha alguma dificuldade no cultivo 
do jardim ou com a nomeação de um animal certamente 
ele falava com Deus a respeito da dificuldade. Não havia 
barreira alguma entre o Criador e a criatura. A comunhão 
relacional deles era perfeita. Adão nunca precisou pedir 
perdão a Deus por alguma falha, porque o relacionamen­
to dele com Deus era impecável. Ele estava coram Deo, na 
presença de Deus, face a face com ele, e nunca precisou 
confessar pecados a Deus. Pecar era alguma coisa com­
pletamente estranha á santidade de seu caráter, pois ele 
refletia perfeitamente a imagem do seu Criador. E Adão e 
Eva mantinham-se extasiados na presença do seu Deus 
único e verdadeiro.
Portanto, se por culto pretendemos a ideia de estar 
na presença de Deus, dialogando com Deus, mais do que
todos nós Adão e Eva cultuavam Deus! Essa era a adora­
ção original!
2. A ADORAÇÃO NO fíAB/TAT ORIGINAL ERA 
TÍPICA DA ADORAÇÃO FINAL
Não é difícil mostrar que o habitat humano é o lugar 
da habitação de Deus também! Originalmente foi assim, e 
assim será na consumação de todas as coisas. Deus en­
cherá o habitat humano de sua presença. As Escrituras 
nos ensinam que Deus descerá dos céus com toda a nova 
Jerusalém (que é a igreja redimida) para a nova terra, e ali 
estaremos na plenitude da presença de Deus. Não haverá 
templos, porque o Senhor será o nosso templo. Nós habita­
remos não somente plenamente com o Senhor, mas habi­
taremos no Senhor, em comunhão indizível com ele, que é 
a mais perfeita forma de adoração (cf. Ap 21.22)! A adora­
ção depois do tempo do fim será uma consumação da ado­
ração original, porque será uma adoração eminentemente 
presencial. Estaremos na presença do Senhor desfrutando 
de sua doce companhia!
3. A ADORAÇÃO DE DEUS MOLDAVA O CARÃTER 
DE ADÃO
Há um princípio muito importante do qual não pode­
mos abrir mão quando estudamos sobre a adoração, mes­
mo no Éden; somos moldados por aquele que adoramos.
Como eles se tomam os que os fazem, e todos os que neles 
confiam (Sl 135.18).
Este é o princípio ensinado no salmo 135, que trata 
da adoração de ídolos. É bem verdade que o salmista está 
tratando da adoração de imagens, mas o princípio que jaz 
por trás da adoração é o mesmo.
Nossa presente geração, de cultura extremamente se­
cular, tem muita coisa de idolatria, que a afeta profunda­
mente: adora a riqueza, a segurança, a liberdade. Falando 
dessa tríade de divindades do presente paganismo, Thomas 
K. Johnson diz:
Onde as pessoas encontram sua esperança afeta 
profundamente cada coisa que elas fazem e dizem. E a 
cultura do mundo desenvolvido, eu creio, é basicamente o 
resultado de adoração de uma impura trindade-substituta: 
riqueza, segurança e liberdade. À medida que as pessoas 
hoje procuram por esperança, ouvem e confiam nessas 
promessas enganosas feitas por outros deuses, embora 
essas pessoas não vejam sua confiança na riqueza, na 
segurança e na liberdade como um ato religioso. Mas a 
vida delas é moldada, embora realmente distorcida, pelo 
que elas confiam.^°°
Tratando ainda das mais variadas formas de idolatria 
do nosso tempo, Johnson conclui:
Quandopregamos aos nossos vizinhos, precisamos assinalar 
que os ídolos deles não podem cumprir suas promessas. A
100 Thomas K. Johnson ensina ética e filosofia da religião na Charles 
University, Praga, República Checa. V. artigo dele no site <http://www. 
v\/rfnet.org/articles/printarticle.asp?ID=723>.
http://www.%e2%80%a8v//rfnet.org/articles/printarticle.asp?ID=723
http://www.%e2%80%a8v//rfnet.org/articles/printarticle.asp?ID=723
riqueza náo nos conduz à alegria, e a liberdade absoluta não 
nos conduz ã realização. Também precisamos assinalar que 
os ídolos deles distorcem as vidas. A adoração da liberdade 
tem conduzido milhões ao rompimento do casamento e da 
família, que tem conduzido a uma vasta quantidade de 
dores de toda espécie. A adoração da riqueza tem conduzido 
ã falta de significado e ã negligência do amor, da justiça e 
da fidelidade. Muita dor em nosso mundo é o resultado da 
moderna idolatria. °̂^
O objeto de nossa adoração sempre haverá de moldar 
a nossa vida. As coisas que as pessoas recebem são resul­
tado da qualidade dos deuses que adoram. Seu caráter é 
moldado pelo tipo de ídolos que veneram.
O princípio do salmo 135 pode ser perfeitamente apli­
cado tanto à nossa presente situação como cristãos quanto 
á situação de Adão no jardim no Éden. Quando cultuamos 
Deus, tornamo-nos parecidos com ele. Adão era parecido 
com Deus e refletia perfeitamente a imagem de Deus, por­
que sua vida era moldada por aquele a quem adorava. O 
adorado no culto tem uma influência muito grande na vida 
dos adoradores. Adão tinha comunhão de vida com Deus 
no jardim. Ele via a forma que Deus tomava, e ambos con­
versavam no jardim (cf. Gn 3.8). Eram companheiros no 
jardim, ainda que um fosse Criador, e o outro, criatura; um 
fosse Deus, e o outro, homem.
“A religião exerce um papel muito grande na moldagem 
da vida e da cultura do povo” ( J o h n so n ) . C o m o cristãos 
bíblicos, todavia, devemos ir muito além do que acontece 
com os idólatras: devemos refletir em grande medida o
101 Ibid.
102 Ibid.
caráter do único Deus verdadeiro, o mesmo que andava 
com Adáo pela viração do dia, no jardim do Éden.
4. A ADORAÇÃO PRESENCIAL NO H ABITAT 
ORIGINAL FOI PERDIDA POR CAUSA DA QUEDA
A adoração de Adão e Eva no seu habitat original não 
durou para sempre. A queda de nossos primeiros pais no 
habitat pôs fim à adoração presencial. Ela foi o ponto final 
no relacionamento cúltico com Deus, porque, por causa^^ 
Queda, foram expulsos do seu habitat original, que 
lugar da presença de Deus. í ^ \ )
O pecado original destruiu a adoraçap-áraiVim rela­
cional. A presença do pecado foi a ba^e;ír^asVerdadeira 
adoração. Não mais foi possível oS ^ ttox^ '^u s no habi­
tat original dos homens. A p re s^ ^ J d o pecado não dei­
xou mais aberto o acess(^<í^^@ ^ça do Senhor! A partir 
daquela hora, a adoraçã<Xcre§^iomens passou a ter uma 
conotação diferejt;^./í^)s) i ^ i s uma adoração de presen­
ça com Deus, nms,,^<ioração com noção sacrificial. Deus 
trata com Adão e Eva proporcionando-lhes
roupa œ ^ ^ ^ a o r te de animais (Gn 3.21). Qualquer ma- 
niͣsfa^Sb;emtica a partir da Queda tem nela a ideia de 
raiD^æ^€Ccrificial.
Se a comunhão com Deus no habitat original era re­
lacional, essa relação foi perdida. Por causa da sua de­
sobediência, Adão não mais tinha condições de viver em 
harmonia com Deus. Por isso, ele se esconde da presença 
de Deus. Deus, então, se dirige a ele e lhe pergunta: Onde 
estás? (Gn 3.9). E a resposta de Adão foi: Ouvi a tua voz 
no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi 
(Gn 3.10). Ele havia desobedecido a Deus e morrido espi­
ritualmente. Quando o homem está morto, não mais quer 
comunhão com Deus porque a morte ê inimiga da Vida;
O pecador é inimigo do Santo; a criatura se torna inimiga 
do Criador.
Por causa do pecado, portanto, Adão foi excluído do 
jardim-santuário. Perdeu a capacidade de relacionar-se 
com Deus, porque o pecado trouxe a morte, que é o íim do 
relacionamento vital com Deus.
Somente com o pacto mosaico é que a ideia de san­
tuário começa a ser trazida de volta, quando Deus ordena 
então a construção de um tabernáculo. Nele, o homem (ex­
clusivamente, o sumo sacerdote) entrava para ter comunhão 
presencial com Deus, que ali se revelava. Era apenas o início 
de um longo processo de volta ã ideia do relacionamento pre­
sencial de Deus. Séculos depois, quando a terra havia sido 
plenamente conquistada. Deus ordena aos hebreus a cons­
trução de um templo permanente, o que ocorreu no tempo 
de Salomão. Nesse sentido, não houve progresso na restau­
ração da adoração presencial, pois passou a haver apenas 
um santuário, e fixo, não mais móvel como o tabernáculo 
no tempo do deserto. O templo era uma espécie de “jardim- 
santuário provisório”. Houve reconstrução desse templo 
duas vezes (uma quando da volta do cativeiro babilónico e 
outra imediatamente antes da vinda de Jesus, por Herodes). 
Então, surge um modo superior de adoração, uma adoração 
espiritual de Deus, para a qual Jesus Cristo faz a transição. 
Ela se encontra registrada em João, capítulo 4.
Todavia, o ambiente não é ainda propício à volta da ado­
ração edênica, por causa do pecado ainda reinante na ter­
ra. Os cristãos tém acesso redentor a Deus mediante Cristo, 
mas não se trata ainda de adoração presencial de Deus.
A adoração presencial de Deus, todavia, terá o seu re­
tomo e seu ponto mais elevado no jardim a ser restaurado
103 James B. Jordan. High ground — through new eyes — Developing a biblical 
view of the world. Brentwood, Tennessee: Wolgemuth & Hyatt, Publishers, Inc., 
p. 155. <http://www.entrewave.com/freebooks/docs/a_pdfs/jjne.pdf>.
http://www.entrewave.com/freebooks/docs/a_pdfs/jjne.pdf
no futuro, no tempo da consumação de toda a redenção 
humana, do estabelecimento de novos céus e nova terra. 
Até que esse tempo chegue, adoraremos a Deus em espírito 
e em verdade, e sempre pela mediação de Jesus Cristo. Já 
não estamos mais expulsos do relacionamento com Deus. 
Fomos regenerados e restaurados ao favor de Deus, mas 
nossa adoração não é ainda como virá a ser, quando esti­
vermos na presença gloriosa de Deus e habitarmos nele, na 
Nova Terra (cf. Ap 21)! Agora temos a adoração espiritual. 
Amanhã teremos novamente (como foi no princípio!) a ado­
ração presencial de Deus!
C apítulo 1 0
O HABITAT HUMANO ERA UM 
LUGAR PERFEITO
Todas as coisas do habitat feito por Deus para o ho­
mem tinham as características de perfeição. Todas re­
fletiam o caráter do Criador. Muito mais que o salmista 
conseguiu perceber no tempo em que escreveu o seu sal­
mo, com maior propriedade nos tempos primevos os céus 
manifestavam a glória de Deus e o firmamento anunciava 
as obras de suas mãos (v. Sl 19.1).
1. O HABITANTE DO HAß/TAT ORIGINAL 
ERA PERFEITO
Ele possuía um entendimento perfeito da lei de Deus; 
era obediente a ela e exercia corretamente as funções do 
seu mandato cultural. Não havia nele nenhuma inclinação 
para o mal. Seu desejo era somente o de agradar ao seu 
Criador. Não havia avareza em sua alma nem qualquer 
enfermidade em seu corpo. Não havia ingratidão em sua 
alma, nem sequer um momento de egoísmo ou egocen­
trismo. Certamente ao acordar pela manhã dava graças 
pelo belo lugar em que Deus o havia posto. Quando o dia 
terminava, ia descansar do trabalho dando graças a Deus. 
O trabalho era uma grande bênção para ele. Não havia 
pesadelos no seu sono nem havia pensamentos impuros. 
Não vivia descontente nem tinha preocupações ímpias. 
Nenhum tipo de temor invadia seu interior. Sua vida era 
de uma calma e tranquilidade nunca atrapalhada pelos 
seus múltiplos afazeres no jardim de Deus.
2. O HABITANTE DO HAß/TAT ORIGINAL ERA 
PERFEITO PORQUE ERA GLORIOSO
Por que essa afirmação? Porque nenhum dos outros 
seres criados por Deus — como os seres celestiais — ha­
via sido feito ã imagem de Deus. Nenhum deles, ainda 
que mais poderoso que o homem, podia refletir o seu 
Criador. É possível que a glória de Adão, inclusive por 
andar constantementecom Deus no jardim, tivesse uma 
aparência gloriosa que nunca conhecemos em medida 
elevada em outros homens. “Se a face de Moisés brilha­
va quando ele desceu do monte, quanto mais a face de 
Adão teria brilhado? Seu ser deve ter possuído um brilho
transfigurado”, supõe Derek T h o m a s . S e Moisés teve o 
rosto resplandecente no tempo em que os homens já es­
tavam debaixo da maldição do pecado, podemos imaginar 
que Adão tinha um rosto ainda mais resplandecente por 
estar na presença de Deus, em um clima glorioso. A gló­
ria do habitante era uma consequencia natural da glória 
do habitat e do seu Criador.
3. 0 HABITANTE DO HABITAT ORIGINAL ERA 
PERFEITO PORQUE ERA SANTO
As Escrituras ensinam que Deus fez o homem reto 
(cf. Ec 7.29), e não havia nele nenhuma impureza. Derek 
Thomas afirma que Deus diria do primeiro homem o mes­
mo que disse de seu Filho encarnado: “Este é o meu ama­
do Adão, em quem tenho meu prazer”. N ã o havia nada 
nas atitudes de Adão que pudesse desdizer uma afirmação 
como essa. Ele era limpo de caráter, e Deus tinha prazer 
na sua criatura preferida.
4. O HABITANTE DO HAB/TAT ORIGINAL ERA 
PERFEITO POR CAUSA DO SEU GOVERNO
O texto do salmo 8 retrata perfeitamente o que era 
Adão no paraíso. Sua retidão apontava para a perfeição do 
seu domínio.
104 Derek Thomas, em seu sermão sobre Gênesis 2.8-17, <http://www. 
alfredplacechurch.org.uk/>, acessado em junho de 2010.
105 Ibid.
http://www.%e2%80%a8alfredplacechurch.org.uk/
http://www.%e2%80%a8alfredplacechurch.org.uk/
Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, 
e a luz e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, 
que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? 
Fizeste~o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e 
de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as 
obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas 
e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do 
céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas 
dos mares (Sl 8.3-8).
Este salmo é uma referência ao homem em geral (pois 
o domínio sobre a natureza ê parte da imagem de Deus) e 
a Jesus Cristo especificamente (cf. Hb 2.6-9). No entanto, 
podemos tomá-lo e aplicá-lo perfeitamente a Adão, porque 
nenhum outro homem neste mundo (exceto Jesus) exer­
ceu tão perfeitamente o domínio sobre a natureza do que 
ele. Deus havia coroado Adão com glória e honra, e ele 
exerceu o seu domínio no paraíso evidenciando a glória e 
honra com que havia sido dotado.
Portanto, tudo no jardim apontava para a perfeição! 
Nada nele tinha conotação diferente. Tudo ali era a evidên­
cia da perfeição do Criador. O habitat refletia a perfeição 
de quem o havia plantado!
	OHABTTAr HUMANO
	Apresentação
	Sumário
	Prefácio
	A FORMAÇÃO DO HABITAT HUMANO
	1.	A PLANTAÇÃO DO JARDIM
	2.	A LOCALIZAÇÃO DO JARDIM
	3.	A COLOCAÇÃO DO HOMEM NO JARDIM
	4.	O TAMANHO DO JARDIM DO ÉDEN
	5.	A REALIDADE DO JARDIM DO ÉDEN
	O HABITAT HUMANO ERA UM JARDIM VERDEJANTE
	1.	A ÁRVORE DA VIDA
	2.	A ÁRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL
	O HABITAT HUMANO ERA UM JARDIM COM TODA PROVISÃO DE ALIMENTO
	O HABITATHUMANO ERA UM GRANDE JARDIM MUITO BEM IRRIGADO
	2.	A ARIDEZ DA TERRA ACONTECE PELA AUSÊNCIA DE RIOS
	1.	O RIO DO ÉDEN
	2.	OS QUATRO BRAÇOS QUE FLUÍAM DO RIO DO ÉDEN
	C. O terceiro braço do rio do Éden: o tigre
	O HABITAT ORIGIN AL DO HOMEM ERA UM JARDIM MUITO RICO
	1.	EM HAVILÁ, NO ÉDEN, HAVIA OURO
	2.	EM HAVILÁ, NO ÉDEN, HAVIA BDÉLIO
	1)	Qual a aparência do Bdélio?
	2)	O que é o bdélio?
	3.	EM HAVILÁ, NO ÉDEN, HAVIA ÔNIX
	1)	A primeira dificuldade com a identificação do ônix é arqueológica
	CONCLUSÃO
	O HABITAT HUMANO ERA UM JARDIM DE TRABALHO
	1.	O TRABALHO NO JARDIM ERA FÍSICO E MENTAL
	2.	O TRABALHO DE CUIDAR DA FLORA DO HABITAT HUMANO
	2)	Adão usou a mente para dar nome aos animais como sinal de superioridade e autoridade sobre eles
	3)	Adão usou a mente para distinguir os animais domésticos dos selváticos
	APLICAÇÕES
	1)	Deus fez um habitat carente de cuidado e proteção
	2)	Deus quer que tenhamos vida ocupada neste mundo
	O HABITAT HUMANO ERA UM LUGAR DE LIBERDADE E RESPONSABILIDADE
	5. EM SEU HABITAT, O HOMEM RECEBEU AMEAÇA DE MORTE CASO INFRINGISSE AS LIMITAÇÕES DE SUA LIBERDADE
	O HABITAT HUMANO ERA UM LUGAR DE COMPANHEIRISMO
	1.	DEUS SE PROPÔS A CRIAR UMA AUXILIADORA
	APLICAÇÃO
	2.	DEUS SE PROPÔS A CRIAR UMA AUXILIADORA IDÔNEA
	1)	Idoneidade sugere a ideia de compatibilidade
	2)	Idoneidade sugere a ideia de correspondência
	3.	OS PROPÓSITOS DIVINOS NA PROVISÃO DE UMA ESPOSA IDÔNEA
	1)	A PROVISÃO DA ESPOSA IDÔNEA VISOU CUMPRIR A ORDEM DE PROPAGAÇÃO DA RAÇA HUMANA
	2)	A PROVISÃO DA ESPOSA IDÔNEA VISOU SATISFAZER O DESEJO SEXUAL NATURAL
	3)	O PROPÓSITO DA PROVISÃO DA ESPOSA IDÔNEA FOI SOLUCIONAR A QUESTÃO DA SOLIDÃO
	4)	O PROPÓSITO DA PROVISÃO DA ESPOSA IDÔNEA FOI SATISFAZER A NECESSIDADE DE COMPANHEIRISMO
	4.	A FORMAÇÃO DA ESPOSA IDÔNEA
	1)	Para formar a auxiliadora idônea, Deus fez o homem adormecer
	2)	Para formar a auxiliadora idônea, Deus fez a primeira cirurgia da história do homem na terra
	3)	Para formar a auxiliadora idônea, Deus usou uma natureza humana já existente
	5.	A REAÇÃO DE ADÃO DIANTE DA ESPOSA IDÔNEA
	2)	A reação de Adão mostra que Eva não era substancialmente diferente dele próprio
	3)	A reação de Adão mostra o contentamento pela procedência dela
	6.	O COMPROMETIMENTO COM A AUXILIADORA IDÔNEA
	7.	A SANTIDADE DO HOMEM COM A ESPOSA IDÔNEA
	1)	A santidade se evidencia na pureza de alma de nossos primeiros pais
	CONCLUSÃO
	O HABITAT HUMANO ERA UM LUGAR DE PRESTAR CULTO A DEUS
	1.	A ADORAÇÃO NO HAB/TAT ORIGINAL ERA PRESENCIAL
	2.	A ADORAÇÃO NO fíAB/TAT ORIGINAL ERA TÍPICA DA ADORAÇÃO FINAL
	3.	A ADORAÇÃO DE DEUS MOLDAVA O CARÃTER DE ADÃO
	O HABITAT HUMANO ERA UM LUGAR PERFEITO
	1.	O HABITANTE DO HAß/TAT ORIGINAL ERA PERFEITO
	2.	O HABITANTE DO HAß/TAT ORIGINAL ERA PERFEITO PORQUE ERA GLORIOSO
	3.	0 HABITANTE DO HABITAT ORIGINAL ERA PERFEITO PORQUE ERA SANTO
	4.	O HABITANTE DO HAB/TAT ORIGINAL ERA PERFEITO POR CAUSA DO SEU GOVERNO

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