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1 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
2 
Comunicação e Expressão 
Gestão da Educação a Distância 
Cidade Universitária – Bloco C 
Avenida Alzira Barra Gazzola, 650, 
Bairro Aeroporto. Varginha /MG 
ead.unis.edu.br 
0800 283 5665 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Todos os direitos desta edição ficam 
reservados ao Unis – MG. 
É proibida a duplicação ou reprodução 
deste volume (ou parte do mesmo), 
sob qualquer meio, sem autorização 
expressa da instituição. 
 
 
 
3 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Doutora e mestre em Estudos Linguísticos na área “Análise de Línguas de 
Especialidade”. Formada em Letras com Bacharelado em Tradução (português-
francês). Atua como professora universitária no Centro Universitário do Sul de 
Minas desde 2011. 
 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3635809359841101 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profa. Dra.. 
Ana Amélia Furtado de Oliveira 
 
 
Autoria 
 
 
OLIVEIRA, Ana Amélia Furtado de. Guia de Estudo – Comunicação e 
Expressão. Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2017. 
195 p. 
1. Comunicação 2. Texto verbal e não verbal 3. Gênero textual. 4. 
Contexto 
I. Comunicação e Expressão 
 
 
 
http://lattes.cnpq.br/3635809359841101
 
 
4 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
Mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas, fez o 
Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras pela mesma universidade. É 
também Especialista em Docência na Educação a Distância pelo Centro 
Universitário do Sul de Minas. 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6002360486930674 
 
 
Doutoranda em Ciências da Linguagem pela Universidade do Vale do Sapucaí. 
Concluiu o Mestrado em Letras (Linguagem, Cultura e Discurso) em 2008 e 
graduação também em Letras em 2005. Foi professora efetiva na rede pública de 
ensino de 2006 a 2009, também trabalhou como professora substituta no Centro 
Tecnológico de Minas Gerais - CEFET/Varginha no período de 2014 a 2015. 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6909130283777291 
 
 
Possui graduação em Licenciatura Plena em Letras (Português - Espanhol), pelo 
Centro Universitário do Sul de Minas - Unis/MG (2011) e em Comunicação Social, 
também pelo Centro Universitário do Sul de Minas - Unis/MG (2003). Especialista 
em Docência na Educação a Distância, pelo Centro Universitário do Sul de Minas-
Unis/MG (2007). 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1533428235775539 
 
 
Ana Paula Martins Corrêa Bovo 
 
Coautores 
 
 
Carina Adriele Duarte de Melo 
 
Rebeca Nogueira Lourenço Kaus 
 
http://lattes.cnpq.br/6002360486930674
http://lattes.cnpq.br/6909130283777291
http://lattes.cnpq.br/1533428235775539
 
 
 
5 
Comunicação e Expressão 
Caro(a) estudante, 
 Este guia tem por objeto o estudo da Língua Portuguesa. Neste período, 
vamos priorizar a construção de competências e habilidades em leitura, escrita e 
interpretação. Para trabalharmos a teoria de forma contextualizada, escolhemos 
gêneros textuais adequados aos objetivos de cada unidade. 
 Inicialmente, veremos um pouco sobre “Linguagem e Comunicação”, 
analisando os textos verbais, não verbais e mistos. Também veremos a importância 
do conhecimento de mundo para a construção do sentido. 
Na unidade seguinte, unidade II, vamos abordar o funcionamento da 
comunicação e os diferentes objetivos comunicativos para iniciarmos o percurso da 
leitura crítica e aprofundada. Já na unidade III, para aperfeiçoarmos a produção 
escrita e oral, conheceremos alguns recursos de inovação textual. 
Na unidade IV, continuaremos priorizando a construção de competências e 
habilidades em leitura e escrita, enfocando o texto informativo e gêneros como a 
notícia e reportagem. Ainda para esse fim, na unidade V, aprenderemos sobre as 
conexões textuais. 
A unidade VI nos permitirá refletir sobre a nossa própria língua, o conceito 
de "erro", questionando concepções mais tradicionais, ampliando para uma visão 
mais heterogênea da língua. 
Na unidade seguinte, unidade VII, trabalharemos estratégias argumentativas 
para que possamos aperfeiçoar a defesa de nossas ideias e posicionamentos, seja 
como cidadãos ou profissionais. Ainda trabalhando a argumentação, na unidade VIII, 
adentraremos no mundo do texto acadêmico, que apresenta um estilo e linguagem 
particular. 
Na unidade seguinte, unidade IX, para que tenhamos a visão do todo, 
faremos uma retrospectiva com todos os tipos textuais estudados na disciplina até 
então. Na unidade X, trataremos dos novos gêneros textuais e comunicação digital. 
Todo o guia está escrito em uma linguagem bastante dialogal, para que sua leitura 
seja prazerosa e de compreensão satisfatória. Durante esse estudo, iremos sugerir 
alguns livros e endereços eletrônicos, é importante que os visite também. 
 
Um grande abraço e bons estudos! 
 
Ana Amélia. 
 
 
6 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
Fundamentos de teorias da comunicação: signos verbais e não verbais. 
O papel do leitor na construção do sentido. Níveis de leitura e 
procedimentos de interpretação textual. Expressão falada e expressão 
escrita. Processos de normatização da língua. Tipos de texto e gêneros 
textuais: suas estruturas e funções. Procedimentos e estratégias de 
construção de textos: o público-alvo, o contexto de produção, recursos 
de coesão e coerência. O papel da reescrita na construção textual. 
Texto e hipertexto. 
 
 
 
 
 
 
Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no Ambiente Virtual. 
 
 
 
 
 
Comunicação. Texto verbal e não verbal. Gênero textual. Contexto. 
Ementa 
 
 
 
Orienta
çõesEm
enta 
 
 
Orientações 
 
 
 
Palavras-
chaveOrientações 
 
 
Palavras-chave 
 
 
 
Palavras-chave 
 
 
 
7 
Comunicação e Expressão 
 
EMENTA ____________________________________________________________________ 6 
ORIENTAÇÕES ______________________________________________________________ 6 
PALAVRAS-CHAVE ___________________________________________________________ 6 
 
UNIDADE I – LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO ___________________________________ 10 
1.1 A COMUNICAÇÃO ________________________________________________________ 11 
1.1.1 TEXTO VERBAL, NÃO VERBAL E MISTO _________________________________________ 13 
1.2 GÊNEROS TEXTUAIS ________________________________________________________ 16 
1.3 TEXTO E CONTEXTO DE PRODUÇÃO ____________________________________________ 18 
UNIDADE II – TEORIA DA COMUNICAÇÃO _____________________________________ 29 
2.1 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO _______________________________________________ 30 
2.2 FUNÇÕES DA LINGUAGEM ___________________________________________________ 37 
2.3 INTENCIONALIDADE E PÚBLICO-ALVO ___________________________________________ 41 
UNIDADE III – PROCEDIMENTOS E ESTRATÉGIAS NA CONSTRUÇÃO DE TEXTOS _____ 46 
3.1 O POEMA _______________________________________________________________ 47 
UNIDADE IV – A INTERPRETAÇÃO NA LEITURA DE TEXTOS _______________________ 69 
4.1 LEITOR CRÍTICO E COMPETENTE ________________________________________________ 70 
UNIDADE V – AS CONEXÕES ENTRE AS PARTES DO TEXTO _______________________ 84 
5.1 FUNÇÃO EMOTIVA _________________________________________________________ 89 
5.2 TEXTO NARRATIVO ________________________________________________________ 93 
5.2 COESÃO TEXTUAL _________________________________________________________ 95 
UNIDADE VI – FALA, ESCRITA E VARIEDADES LINGUÍSTICAS _______________________ 106 
6.1 FALA E ESCRITA __________________________________________________________ 107 
6.2 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E NORMATIZAÇÃO ______________________________________ 112 
UNIDADE VII – TEXTO DISSERTATIVO E TEXTO ACADÊMICO _____________________ 118 
7.1 COERÊNCIA _____________________________________________________________ 119 
7.2 O TEXTO DISSERTATIVO ____________________________________________________ 122 
UNIDADE VIII – LINGUAGEM ACADÊMICA______________________________________ 138 
8.1 OTEXTO ACADÊMICO _____________________________________________________ 139 
8.2 O PAPEL DA REESCRITA _____________________________________________________ 144 
UNIDADE IX – TEXTO DESCRITIVO E TIPOS TEXTUAIS ___________________________ 161 
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8 
Comunicação e Expressão 
9.1 TEXTO DESCRITIVO________________________________________________________ 162 
9.1.1 FINALIZANDO OS TIPOS TEXTUAIS ____________________________________________ 165 
UNIDADE X – NOVOS GÊNEROS TEXTUAIS ____________________________________ 177 
10.1 TEXTO E HIPERTEXTO _____________________________________________________ 178 
10.2 NOVOS GÊNEROS TEXTUAIS ________________________________________________ 182 
ESTUDO DE CASO _________________________________________________________ 189 
REFRÊNCIA BIBLIOGRÁFICA __________________________________________________ 192 
 
 
file://///linguado/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Comunicação%20e%20Expressão/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Comunicação%20e%20Expressão.docx%23_Toc473724785
file://///linguado/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/Comunicação%20e%20Expressão/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Comunicação%20e%20Expressão.docx%23_Toc473724788
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9 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
10 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Compreender, analisar e interpretar textos verbais, não verbais e 
mistos. 
 Construir o sentido de um texto a partir da ativação do 
conhecimento prévio. 
 Compreender os elementos que compõem os gêneros textuais. 
 
 
 
 Ciclo 01 
 Atividade: Exercício Individual 
 Título: Análise de anúncio publicitário 
 
 
Unidade I – Linguagem 
e Comunicação 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
I 
 
 
 
11 
Comunicação e Expressão 
 
1.1 A Comunicação 
Para introduzirmos nossos estudos, vamos tentar responder a seguinte 
pergunta: 
 
 
 
 
 
 
 Segundo o dicionário do nosso grande Aurélio Buarque de Holanda 
Ferreira, a comunicação se define como: 
 
1. Ato ou efeito de comunicar(-se). 2. Processo de emissão, transmissão 
e recepção de mensagens por meio de métodos e/ou sistemas 
convencionados. 3. A mensagem recebida por esses meios. 4. A 
capacidade de trocar ou discutir ideias, de dialogar, com vista ao bom 
entendimento entre pessoas. 
 
Mas o que o ato de comunicar revela sobre o ser humano? Observe a 
gravura do famoso quadro A Leitora (1770-1772), de Jean-Honoré Fragonard na 
imagem abaixo, e veja se essa imagem lhe diz algo: 
 
 
 
 
 
 
O que é COMUNICAÇÃO? 
 
Unidade I 
 
 
12 
Comunicação e Expressão 
 
Figura 01: A leitora 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Pintura de Jean-Honoré Fragonard 
 
Observe a relação que você estabeleceu com a imagem e pense se está se 
comunicando com ela... 
Ao olhar a imagem, podemos nos comunicar com o pintor, com a sua 
personagem ou nos comunicarmos com nós mesmos, pois, como bem nos lembra 
a filosofia de Maurice Merleau-Ponty, em sua obra “Fenomenologia da percepção”: 
 
[...] Toda linguagem, em suma, ensina-se por si mesma e introduz 
sentido no espírito do ouvinte. Uma música ou uma pintura que não é 
compreendida, acaba por criar ela mesma seu público, caso diga alguma 
coisa. [...] A comunicação ou a compreensão dos gestos se obtém pela 
reciprocidade de minhas interações e gestos do outro, de meus atos e 
das intenções legíveis na conduta do outro. [...] Tudo ocorre como se a 
interação do outro habitasse meu corpo ou como se minhas intenções 
habitassem o seu. (1971, p. 176) 
 
 
 
 
 
 
 
Vamos pensar um pouco?! 
Como você relaciona a linguagem e a comunicação? 
Podemos dizer que a palavra é um gesto? Por quê? 
O que torna possível a comunicação? 
Unidade I 
 
 
 
13 
Comunicação e Expressão 
 
1.1.1 Texto Verbal, Não Verbal e Misto 
Para nos comunicarmos, produzimos textos. Mas o que vem a ser um texto? 
Comumente, relacionamos texto a conjunto de palavras ou de frases que formam 
um todo cheio de sentido, não é mesmo? 
No entanto, a palavra não necessariamente será um requisito mínimo para 
um texto. Vejamos: 
 
O produto final de toda enunciação, feita em linguagem que for, é 
chamada de texto. Assim, são textos: um gráfico, um cartum, uma 
pintura, uma melodia, um poema, um filme, uma escultura, etc. Em 
muitos casos, dependendo da situação, até mesmo o silêncio pode ser 
considerado um texto. (CEREJA; COCHAR; CLETO 2009: p.14) 
 
Sendo assim, a charge abaixo é considerada um texto: 
 
Figura 02: Charge 
 
Fonte: Autor Duke 
 
 
Unidade I 
 
 
14 
Comunicação e Expressão 
 
O autor da charge não utilizou palavras, mas com um tom de humor 
retratou um aspecto da sociedade contemporânea: a forte presença da tecnologia e 
das famosas “selfies”. 
Quando não utilizamos palavras na comunicação, dizemos que o texto é 
não verbal. São exemplos de comunicação não verbal: gestos, expressões faciais, 
esculturas, pinturas, apito e cartões do árbitro em um jogo de futebol... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por outro lado, chamamos o texto que faz uso da palavra, ou seja, tem 
suporte no alfabeto, de verbal. 
É possível, ainda, sobretudo em charges, haver textos que mesclam os dois 
tipos de linguagem, sendo considerados mistos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dica de leitura: Caso queira aprofundar seus estudos 
sobre a comunicação corporal, leia o livro “O corpo 
fala”, de Pierre Weil. 
“Este livro tenta desvendar a comunicação não verbal do 
corpo humano, primeiramente analisando os princípios que 
regem e conduzem o corpo. A partir desses princípios, 
aparecem as expressões, gestos e atos corporais que, de 
modos característicos, estilizadosou inovadores, expressam 
sentimentos, concepções, ou posicionamentos internos.” 
Unidade I 
 
 
 
15 
Comunicação e Expressão 
 
Figura 03: Charge 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Autor Ivan Cabral 
 
Veja que, na charge acima, o texto verbal (“Mãe, que cor é essa?”) se soma 
ao não verbal (o restante da charge: desenho/imagem) para formar o sentido 
completo da comunicação. Ao ligarmos o questionamento verbal da criança aos 
itens não verbais chapéu, vegetação, restos de animais, cor, percebemos que o 
autor quis retratar uma realidade da região nordestina do Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reflita: Se a cor do lápis fosse outra, o texto teria o 
mesmo sentido? Qual é o papel das cores na 
comunicação? 
Unidade I 
 
 
16 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.2 Gêneros Textuais 
Como exemplos de textos não verbais e mistos, vimos duas charges. Mas o 
que é uma charge, afinal? 
 
 
 
 
A comunicação ocorre por meio de: 
 
A) TEXTO VERBAL. Como o próprio nome sugere, 
está relacionado ao “verbo”, ou seja, à palavra. Os 
textos verbais são aqueles que não possuem 
desenhos, gravuras. São formados apenas por 
palavras. Exemplos: cartas, textos literários, 
anedotas... 
B) TEXTO NÃO VERBAL. São aqueles textos que 
se caracterizam por usar outras linguagens que não a 
verbal: fotografias, desenhos, pinturas, ou mesmo, a 
linguagem da dança... 
 
C) TEXTO MISTO. Textos mistos nada mais são do 
que a junção dos textos verbais e não verbais. Por 
exemplo, as histórias em quadrinhos são constituídas 
por desenhos e palavras. 
GÊNERO TEXTUAL: CHARGE 
A charge é um gênero textual não verbal ou misto que expõe de forma crítica, 
sarcástica ou humorística determinado fato ou aspecto da sociedade. 
Unidade I 
 
 
 
17 
Comunicação e Expressão 
Atividade 
humana
Estilo 
verbal
Composição 
textual
Texto ou 
enunciação
 
 
 
 
 
 
 
Os gêneros textuais são os próprios textos materializados, as formas de 
organização da língua, formas de direcionar sua manifestação a atividades 
socialmente reconhecidas. 
Para escrever um “currículo”, por exemplo, normalmente é preciso fazer 
perguntas como: o que é um currículo? O que um texto deve ter para ser 
considerado como tal? Para que ele serve e para quem vou enviar? Quais 
informações deve conter? Que formato deve ter? Que linguagem devo utilizar? 
A depender do contexto e da finalidade da comunicação, o texto 
apresentará um conteúdo temático, uma composição e um estilo de linguagem 
específicos: 
 
Quando você responde aos questionamentos que fizemos sobre o 
currículo, indiretamente você está refletindo sobre esses aspectos do gênero 
textual. 
Reflita: Os gêneros textuais seriam uma proposta 
teórica de classificação dos textos? 
Unidade I 
 
 
18 
Comunicação e Expressão 
 
O uso da língua como ato comunicativo, um instrumento de comunicação, é 
invariavelmente um gênero textual. Como toda pessoa eventualmente irá se 
comunicar de alguma maneira, sempre existirá um gênero textual que ela domina, 
inserindo o enunciador em outros gêneros. 
Sendo assim, em nossa vida cotidiana, estamos o tempo todo lidando com 
gêneros textuais, seja recebendo-os ou produzindo-os. Veja alguns exemplos deles: 
anúncios publicitários, cartuns, tirinhas, crônicas, reportagens, letras de músicas, 
conversas informais, conversas telefônicas... 
Mais especificamente na Educação a distância, a comunicação ocorre por 
meio de gêneros como: correio (ou e-mail), bate-papo, fórum, slides, videoaula... 
 
 
 
 
 
 
 
Em nosso Guia de Estudos, observe que o aprendizado será direcionado 
pelos gêneros textuais. Nada melhor do que aperfeiçoar a comunicação através de 
textos utilizados em situações reais, não é mesmo? 
 
1.3 Texto e contexto de produção 
Continuando nossos estudos sobre o gênero textual “charge”, temos mais 
especificamente o conceito de charge como sendo: 
 
 
 
Se entendermos a linguagem como articuladora da 
vida social e do sistema da língua, estamos 
pressupondo, acerca do ensino de linguagem, que 
ensinar uma língua é ensinar a agir naquela língua. 
Unidade I 
 
 
 
19 
Comunicação e Expressão 
 
desenho humorístico, com ou sem legenda ou balão, geralmente 
veiculado pela imprensa e tendo por tema algum acontecimento atual, 
que comporta a crítica e focaliza, por meio de caricatura, uma ou mais 
personagens envolvidas; caricatura, cartum. (HOUAISS, 2001) 
 
Assim, uma das principais características da charge é a temporalidade, ou 
seja, o fato de remeter necessariamente a uma época, a um contexto específico. 
Por esse motivo, ela é bastante utilizada em jornais e revistas. Observemos a charge 
a seguir: 
 
Figura 04: Charge 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: revista Piauí, v. 82, p. 43 
 
Nós, enquanto leitores, para compreendermos um texto, sobretudo a 
charge, precisamos entender o contexto de produção, ou seja, as circunstâncias em 
que foi produzido. 
Como a charge acima aconteceu há certo tempo, não temos acesso ao seu 
contexto e sua compreensão fica, de certa forma, comprometida. Então, é 
importante saber que as condições de produção de qualquer texto podem ser 
diferentes das da recepção. 
 
Unidade I 
 
 
20 
Comunicação e Expressão 
 
Enfim, a charge trata-se de uma publicação de julho de 2013, época em que 
os brasileiros estavam descontentes com os altos gastos investidos na Copa do 
Mundo de Futebol e saíram às ruas para protestar. Na mesma época, surgiu um 
polêmico projeto de lei, proposto pelo deputado Marco Feliciano, considerando a 
homossexualidade como uma doença e propondo a cura. 
 
Quando resgatamos o momento, o local e a situação política e econômica 
em que o texto foi publicado, ele parece se tornar mais claro, não é verdade? De 
posse dessas informações, vamos iniciar a leitura e compreensão do texto? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As charges geralmente utilizam-se de situações verossímeis para produzir 
um efeito de realidade. Dessa forma, reconhecemos na charge uma situação que 
pode realmente acontecer. Por esse motivo, muitos consideram a charge como 
uma “crônica visual”. 
Nesta, por meio do texto não verbal (imagem, placa, gestos), temos a 
caracterização de um personagem que se manifesta contra algo. Lembre-se que é 
um “efeito de realidade” que a charge cria. Se fosse um manifestante realmente 
presente nas manifestações, não se enquadraria no gênero “charge”, seria 
“ilustração”, ou algo do tipo. 
Lembre-se: estamos trabalhando a leitura crítica, e 
esse tipo de leitura requer uma intensa participação 
sua, refletindo sobre o texto em si, como ele foi 
construído e trazendo sua vivência para a 
construção do sentido. As orientações que darei 
agora, ao direcionar a leitura, também foram 
influenciadas pela minha própria vivência. Assim, 
podemos dizer que é UMA das leituras possíveis. 
Unidade I 
 
 
 
21 
Comunicação e Expressão 
 
Por que o autor utilizou “acordey gay” em seu texto verbal? Essa construção 
pode remeter a algo novo, a uma mudança de estado. Costumamos utilizar, no dia 
a dia, frases do tipo “ele acordou doente hoje”, significando que a pessoa acabou 
de ficar doente, ou seja, não estava doente no dia anterior, certo? 
Se transpusermos essa ideia para a charge, podemos visualizar uma crítica ao 
projeto de lei “A cura gay” na passagem “Acordey gay”, como se o personagem 
“manifestante” tivesse descoberto naquela noite sua doença, a homossexualidade, e 
quisesse ser curado. Essa descoberta repentina pode se referir à própria proposta 
de lei, que caracterizava a partir daquela data os homossexuais como doentes. 
Além disso, houve uma brincadeira com a escrita da palavra “acordei”, 
transformando em “acordey” e relacionando à palavra “gay”. 
No texto, foi utilizado o sarcasmo, pois dá a entender que o manifestante 
não compartilha realmentedaquela opinião. É como se estivesse dizendo “Certo, 
vamos seguir sua ideia, deputado. Se eu for homossexual e estiver realmente 
doente como o senhor diz...” 
O sarcasmo, a ironia, o humor constituem outra característica das charges. 
Eles são utilizados como estratégias para surpreender o leitor e despertar o riso. 
Em meio aos textos informativos das reportagens e notícias, também 
presentes nos jornais e revistas, a charge aborda algo importante de forma inusitada. 
Muitas vezes, o riso nas charges pode funcionar também como uma evasão de algo 
desagradável presente na sociedade. 
Continuando a análise da charge, podemos perceber uma segunda crítica do 
autor: a crítica à falta de infraestrutura dos hospitais brasileiros. Aliás, essa era uma 
das reivindicações das manifestações pré-Copa do Mundo. Na época, houve, 
inclusive, uma polêmica declaração do ex-jogador de futebol Ronaldo ao dizer 
“Não se faz copa do mundo com hospitais”. 
Voltando a comparar a charge a outros gêneros textuais presentes em 
jornais e revistas, a charge é um dos poucos textos em que está explicitamente 
marcado o posicionamento de seu autor. Geralmente, os outros textos 
apresentam-se textualmente “imparciais”1. 
Unidade I 
 
 
22 
Comunicação e Expressão 
 
Viu como conhecer o contexto e o gênero textual nos ajuda a interpretar 
melhor? Isso ocorre porque, para lermos qualquer tipo de texto, precisamos ativar 
nosso conhecimento de mundo e termos papel ativo na leitura! 
 
 
 
 
 
 
 
 
1) Essa questão, extraída do ENADE, demonstra as infindáveis possibilidades 
de comunicação e as relações que os textos verbais e não verbais podem 
estabelecer. Veja: 
 
Cidadezinha qualquer 
 
Casas entre bananeiras 
mulheres entre laranjeiras 
pomar amor cantar. 
Um homem vai devagar. 
Um cachorro vai devagar. 
Um burro vai devagar. 
Devagar... as janelas olham. 
 
Eta vida besta, meu Deus. 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. In: Poesia completa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 23. 
 
Vamos fazer uma revisão do conteúdo realizando 
uma atividade? 
Após realizar, veja no final os comentários das 
questões. 
Unidade I 
 
 
 
23 
Comunicação e Expressão 
 
 
Cidadezinha cheia de graça... 
Tão pequenina que até causa dó! 
Com seus burricos a pastar na praça... 
Sua igrejinha de uma torre só... 
 
Nuvens que venham, nuvens e asas, 
Não param nunca nem num segundo... 
E fica a torre, sobre as velhas casas, 
Fica cismando como é vasto o mundo!... 
 
Eu que de longe venho perdido, 
Sem pouso fixo (a triste sina!) 
Ah, quem me dera ter lá nascido! 
 
Lá toda a vida poder morar! 
Cidadezinha... Tão pequenina 
Que toda cabe num só olhar... 
 
QUINTANA, Mário. A rua dos cata-ventos. In: Poesia completa. Org. Tânia 
Franco Carvalhal. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006, p. 107. 
 
 
Ao se escolher uma ilustração para esses poemas, qual das obras, abaixo, 
estaria de acordo com o tema neles dominante? 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade I 
 
 
24 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade I 
 
 
 
25 
Comunicação e Expressão 
 
 2) Observe a ilustração abaixo, obra de Henfil, e responda as questões abaixo: 
 
Figura 05: Obra de Henfil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte:: http://macariocampos.blogspot.com/2010/06/craques-do-cartum-na-copa.html 
 
a) Trata-se de uma comunicação não verbal, verbal ou mista? 
b) Está estruturada em que gênero textual? 
c) Analise todo o texto e comente o que pretende retratar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade I 
http://macariocampos.blogspot.com/2010/06/craques-do-cartum-na-copa.html
 
 
26 
Comunicação e Expressão 
 
3) Observe a charge abaixo, também do cartunista Henfil: 
 
Figura 06: Obra de Henfil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Fonte: RODRIGUES, Marly. O Brasil da Abertura. De 1974 à Constituinte. 3. ed. São Paulo: Atual, 1990. p. 62.) 
 
Assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o período da história 
republicana brasileira contemporânea retratada e ironizada pela charge do cartunista 
Henfil: 
a) O impeachment do presidente Collor. 
b) O início da redemocratização. 
c) Os chamados “Anos de Chumbo”. 
d) O período do “milagre brasileiro”. 
 
 
 
Unidade I 
 
 
 
27 
Comunicação e Expressão 
 
 
Atividade comentada da Unidade 
 
1) Você acertou se escolheu a opção E, pois a imagem de uma cidade 
pequena, do interior, como demonstra os poemas, está presente na tela de 
Guignard. Lembre-se também de que é importante considerarmos as características 
de cada texto na hora de interpretá-los. 
2) Trata-se de uma charge mista. A parte verbal mostra um personagem 
inicialmente apreensivo e, em um segundo momento, aliviado e sorridente. A 
presença da televisão e sua comunicação gestual direcionam a leitura para uma 
“torcida” do personagem. O texto verbal complementa a ideia de “torcida” com os 
dizeres “Deus é Brasileiro”, ou seja, podemos depreender que esse personagem 
torcedor pode estar assistindo a um jogo internacional e tem fé de que deus esteja 
torcendo para o mesmo time, ou seja, para o Brasil. Em nenhum momento o texto 
deixa claro o esporte “futebol”, mas isso pode ser entendido a partir do texto 
verbal “opção p/ domingo”, já que no Brasil os jogos de futebol normalmente 
acontecem aos domingos, e também a partir do conhecimento da cultura brasileira. 
Dessa forma, o texto retrata o importante papel que esse esporte desempenha na 
vida do brasileiro. Isso pode ser notado sobretudo pela inversão do texto verbal 
“deus é brasileiro” em “o brasileiro é deus”, ou seja, aparentemente após um gol, 
elevando o jogador e, consequentemente, o brasileiro a um status de deus. 
3) Aqui, você precisa ter um conhecimento prévio sobre vários aspectos da 
época em questão para chegar à conclusão de que a charge se refere ao início da 
redemocratização. 
 
 
 
 
 
Unidade I 
 
 
28 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nós falamos nesta unidade sobre os três tipos de 
linguagens que podemos utilizar para nos 
comunicarmos: verbal, não verbal e mista. 
Vimos, ainda, as formas distintas de linguagem no 
nosso cotidiano, como existe uma linguagem para 
cada situação social. Damos a estas maneiras 
singulares de comunicação o nome de gêneros 
textuais. O romance, uma entrevista, um e-mail, uma 
receita de bolo, um resumo, um conto, uma aula e 
até mesmo este guia de estudos que está lendo, é 
um gênero textual. 
Por meio do gênero textual “charge”, começamos a 
desenvolver a leitura crítica, observando a 
construção do gênero, o contexto comunicativo em 
que foi produzido e desempenhando nosso papel 
de leitores ativos e competentes. 
Unidade I 
 
 
 
29 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Relacionar as funções de linguagem com os elementos da 
comunicação e, com os novos estudos, reconhecer a linguagem 
como forma de inter(ação). 
 Apreender as relações existentes entre os objetivos que 
norteiam a elaboração da comunicação. 
 Relacionar os recursos linguísticos empregados na composição 
do texto aos sentidos e intenções da mensagem. 
 
 
 
 Ciclo 01 
 Atividade: Exercício Individual 
 Título: Análise de anúncio publicitário 
 
Unidade II – Teoria 
da Comunicação 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
II 
 
 
30 
Comunicação e Expressão 
 
Durante muito tempo, pensou-se na interpretação textual como resgate de 
sentido do texto. Por essa perspectiva, o receptor faria uma mera decodificação de 
um sentido imanente do texto. Considerando o aspecto social e interacional da 
comunicação, o papel do leitor passa a ser ativo. Sendo assim, é essencial que esse 
leitor conheça o funcionamento da comunicação para, então, observar sua 
construção,identificar os recursos linguísticos empregados pelo emissor na 
composição do texto e relacioná-los aos sentidos e intenções da mensagem. 
 
2.1 Elementos da Comunicação 
Para compreendermos um pouco mais sobre o ato de se comunicar, vamos 
fazer um breve retrospecto da Teoria da Comunicação proposta pelo russo Roman 
Jakobson. 
Você, com certeza, se lembrará das aulas no ensino fundamental e médio 
em que a professora solicitava aos alunos que encontrassem os elementos da teoria 
da comunicação. O diagrama possuía forma semelhante ao que segue logo abaixo: 
Figura 1 – Elementos da Comunicação 
 
 
Fonte: A autora 
Canal 
Emissor Receptor MENSAGEM 
Código 
Referente 
Unidade II 
 
 
 
31 
Comunicação e Expressão 
 
Aprendíamos que: 
 O emissor ou destinador é quem envia a mensagem; 
 O receptor ou destinatário é quem recebe a mensagem; 
 A mensagem é o objeto de comunicação; 
 O canal é o que garante a circulação da mensagem. O canal pode ser 
um meio físico ou virtual; 
 O código é a forma como a mensagem se estrutura. É formado por um 
conjunto de sinais: língua (verbal ou não verbal, oral ou escrita), gestos, Braille... 
 O referente é o contexto em que a mensagem é proferida. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 01: Tirinha da Mafalda 
Fonte: http://www.clubedamafalda.blogspot.com.br 
 
Lembrou-se? Observe agora a tirinha da Mafalda, do 
autor Quino. 
 
Unidade II 
http://www.clubedamafalda.blogspot.com.br/
 
 
32 
Comunicação e Expressão 
 
 
Considerando a fala da Mafalda no 1º quadrinho, complete os itens abaixo: 
a) Remetente (ou emissor):_________________________________ 
b) Destinatário (ou receptor): _______________________________ 
c) Mensagem:____________________________________________ 
d) Canal:________________________________________________ 
e) Código:_______________________________________________ 
f) Referente: ____________________________________________ 
 
Acertou se você escolheu a Mafalda como remetente, o menino (chamado 
Felipe) como destinatário, a frase “Era melhor começar de novo para ver se dá 
certo” como mensagem; a língua portuguesa como o código e a fala como o canal. 
O referente seria uma afirmação da emissora sobre algo que precisaria ser 
reiniciado, pois está dando errado. 
 
Vamos conhecer um pouco mais sobre o gênero textual tirinha? 
 
 
 
 
 
 
Na tirinha, a fala entre os personagens é representada por meio de balões. É 
por isso que foi possível analisar a fala da Mafalda. Fizemos um exercício de imaginar 
a cena real, como se a personagem estivesse mesmo conversando com o seu 
colega Felipe. 
 
Gênero textual: TIRA (ou tirinha) 
A tirinha é um texto curto que, por meio do texto não verbal ou misto, utiliza-
se de um ou mais quadrinhos para criar uma narrativa. Pode ser cômica ou 
simplesmente contar uma história. 
Unidade II 
 
 
 
33 
Comunicação e Expressão 
 
Em alguns casos, inclusive, é preciso considerar o sentido conotativo 
expresso pela tirinha, já que pode haver a comunicação entre personagens irreais 
ou inanimados. 
Em toda comunicação, seja falada ou escrita, podemos, então, encontrar os 
seis elementos propostos por Jakobson. Observe que a fala do Felipe no primeiro 
quadrinho é considerada outra comunicação e necessitaria de uma nova análise. 
Vamos exercitar? 
 
a) Remetente (ou emissor):_________________________________ 
b) Destinatário (ou receptor): _______________________________ 
c) Mensagem:____________________________________________ 
d) Canal:________________________________________________ 
e) Código:_______________________________________________ 
f) Referente: ____________________________________________ 
 
Acertou se você escolheu o Felipe como remetente, a Mafalda como 
destinatária, a frase “Também acho” como mensagem; a língua portuguesa como o 
código e a fala como o canal. O referente seria um ato comunicativo que denota 
que o emissor concorda com a fala anterior de Mafalda. 
Observe que a diferença entre a mensagem e referente parece ser muito 
sutil, mas é importante notarmos que a mensagem é o texto acabado, tal como foi 
produzido pelo emissor. Pense que, para emitir essa mensagem, o personagem 
Felipe escolheu aquelas palavras “Também acho” e não outras; aquela combinação 
de palavras e não outra; aquela linguagem e não outra. Ele poderia ter dito 
“concordo”, poderia ter escolhido se comunicar por gestos fazendo um sinal 
positivo ou balançando a cabeça... A passagem “concordo” seria outra mensagem, o 
gesto positivo outra e o gesto de balançar a cabeça outra. Todos com o mesmo 
referente, ou seja, o mesmo sentido depreendido na comunicação: concordância 
com algo anteriormente dito. 
Unidade II 
 
 
34 
Comunicação e Expressão 
 
Se considerarmos somente as falas dos personagens, não estamos 
analisando a “tirinha” como um todo. Enquanto gênero textual, precisamos 
considerar que se trata de um texto, publicado por alguém, com representação da 
fala de personagens, por meio de jornais, revistas ou sites. 
 
Vamos identificar os elementos da comunicação observando sob esse 
prisma, ou seja, a comunicação tirinha como um todo? 
 
a) Remetente (ou emissor):___________________________________ 
b) Destinatário (ou receptor): ________________________________ 
c) Mensagem:______________________________________________ 
d) Canal:__________________________________________________ 
e) Código:_________________________________________________ 
f) Referente: _____________________________________________ 
 
Acertou se você escolheu o autor Quito como remetente, os leitores (e 
também nós) como destinatários, a tirinha toda como mensagem; a língua 
portuguesa e a comunicação não verbal como o código e o visual (e escrita) como 
o canal. O referente seria um tipo de crítica do autor à humanidade. 
Você deve estar se perguntando: Então, o código será sempre a língua 
portuguesa? Em comunicações verbais, para as quais foi proposta essa teoria de 
Jakobson, o código será a língua em que o texto foi escrito. Grosso modo, 
precisamos entender as regras, normas e estruturas do código para entender a 
mensagem. Por exemplo, a tirinha que acabamos de ler é compreensível aos 
brasileiros, pois houve a tradução para o português. Seu autor é argentino e a 
escreveu inicialmente em espanhol. 
Será que a presença de todos esses elementos da Teoria da Comunicação 
garante uma interação efetiva? Tal modelo proposto teve grandes contribuições 
para o estudo da linguagem, mas também sofreu muitas críticas. 
Unidade II 
 
 
 
35 
Comunicação e Expressão 
 
Algumas delas se baseavam na ideia de que a língua não é um código na 
verdade, como se a mensagem fosse um bloco congelado com sentido imanente 
emitida do emissor para o destinatário. De fato, há que se considerar todo o 
processo comunicativo, sobretudo, o contexto em quem se encontram os 
interlocutores. 
É nesse ponto que as pesquisas de Mikhail Bakhtin, referentes aos processos 
de enunciação, nos ajudarão a compreender um pouco mais sobre a linguagem 
como interação social. Observe abaixo o fragmento extraído do livro “A Estética 
da Criação Verbal” (1997, p. 218), de Bakhtin: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade II 
 
 
36 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na linguística, até agora, persistem funções tais como 
o “ouvinte” e o “receptor” (os parceiros do “locutor”). Tais 
funções dão uma imagem totalmente distorcida do processo 
complexo da comunicação verbal. Nos cursos de linguística 
geral (até nos cursos sérios como os de Saussure), os 
estudiosos comprazem-se em representar os dois parceiros da 
comunicação verbal, o locutor e o ouvinte (quem recebe a 
fala), por meio de um esquema dos processos ativos da fala no 
locutor e dos processos passivos de percepção e de 
compreensão da fala no ouvinte. Não sepode dizer que esses 
esquemas são errados e não correspondem a certos aspectos 
reais, mas quando estes esquemas pretendem representar o 
todo real da comunicação verbal se transformam em ficção 
científica. De fato, o ouvinte que recebe e compreende a 
significação (linguística) de um discurso adota simultaneamente, 
para com este discurso, uma atitude responsiva ativa: ele 
concorda ou discorda (total ou parcialmente), completa, 
adapta, apronta-se para executar, etc., e esta atitude do 
ouvinte está em elaboração constante durante todo o 
processo de audição e de compreensão desde o início do 
discurso, às vezes já nas primeiras palavras emitidas pelo 
locutor. A compreensão de uma fala viva, de um enunciado 
vivo é sempre acompanhada de uma atitude responsiva ativa 
(conquanto o grau dessa atividade seja muito variável); toda 
compreensão é prenhe de resposta e, de uma forma ou de 
outra, forçosamente a produz: o ouvinte torna-se o locutor. A 
compreensão passiva das significações do discurso ouvido é 
apenas o elemento abstrato de um fato real que é o todo 
constituído pela compreensão responsiva ativa e que se 
materializa no ato real da resposta fônica subsequente. Uma 
resposta fônica, claro, não sucede infalivelmente ao enunciado 
fônico que a suscita: a compreensão responsiva ativa do que 
foi ouvido (por exemplo, no caso de uma ordem dada) pode 
realizar-se diretamente como um ato (a execução da ordem 
compreendida e acatada), pode permanecer, por certo lapso 
de tempo. [...] O locutor postula esta compreensão responsiva 
ativa: o que ele espera, não é uma compreensão passiva que, 
por assim dizer, apenas duplicaria seu pensamento no espírito 
do outro, o que espera é uma resposta, uma concordância, 
uma adesão, uma objeção, uma execução, etc. 
 
 
 
Unidade II 
 
 
 
37 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
Como se pode notar, não emitimos uma “mensagem congelada” ao nosso 
estático receptor, a comunicação se constrói por meio da interação entre os 
interlocutores. Além disso, como vimos na Unidade 1 do nosso Guia de Estudos 
quando tratamos das charges, o sentido da comunicação depende de fatores 
externos à frase, o contexto sócio-histórico é um deles. 
 
2.2 Funções da Linguagem 
O linguista russo Roman Jakobson também se destacou ao reformular o 
modelo das funções de linguagem. Sobre esse tema, Celestina Magnanti, em seu 
artigo “O que se faz com a linguagem verbal?”, ressalta que: 
 
Jakobson enfoca o perfil da mensagem, conforme a meta ou orientação 
dessa mesma mensagem em cada fator de comunicação, a saber: 
emissor, receptor, canal, código, referente, mensagem. Segundo 
Jakobson, as atribuições de sentido, as possibilidades de interpretação 
que se possam deduzir e observar na mensagem estão localizadas, 
primeiramente, na própria direção intencional do fator da comunicação, 
o qual determina o perfil da mensagem, sua função, a função de 
linguagem que marca aquela informação 
 
Para entendermos o perfil da mensagem e sua função, vamos analisar a 
comunicação abaixo: 
De acordo com o fragmento lido, construa um 
pequeno texto crítico e reflexivo procurando definir 
o que é a atitude responsiva ativa citada por Mikhail 
Bakhtin. 
 
Unidade II 
 
 
38 
Comunicação e Expressão 
 
Figura 02: Anúncio 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://wearesocial.com/ 
 
O texto acima foi produzido pela emissora Omo, por meio da comunicação 
mista e visual em língua portuguesa. Analisando a mensagem, ou seja, as palavras, as 
figuras, as cores escolhidas pelo emissor para se comunicar, temos um texto que 
conversa com o receptor. Esse apelo ao receptor pode ser observado, sobretudo, 
pelo uso do “seja” (verbo no imperativo = ordem), “se você tem uma família”, 
“você pode ser uma das primeiras famílias” (uso da interpelação direta = você). 
Também chamamos esse tipo de texto de “injuntivo”: 
O texto injuntivo sugere uma ação ou indica os procedimentos para realizar 
esta ação. Ex.: instruções de jogos, bulas de remédio, receitas, manual de 
funcionamento de eletrodomésticos, folhetos sobre prevenção de doenças etc. 
 
 
 
 
 
 
DICA: Na norma culta, sempre usamos o verbo ser 
no imperativo como SEJA e não SEJE, ok? Essa regra 
também vale para o verbo estar: que você esteja 
seguindo conosco a reflexão sobre o anúncio! 
Unidade II 
 
 
 
39 
Comunicação e Expressão 
 
Quando a comunicação é direcionada ao receptor, com o objetivo de 
convencê-lo, de causar alguma mudança, seja de pensamento ou atitude, ela tem a 
função conativa ou apelativa. 
 
Tabela 1 – Função conativa 
FUNÇÕES DA LINGUAGEM E 
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 
 
FUNÇÃO CONATIVA 
É a que se orienta para o destinatário. 
Tudo o que, na mensagem, remete 
diretamente ao destinatário dessa 
mensagem concerne à função conativa, 
cujas manifestações mais evidentes são os 
imperativos e os vocativos. 
Fonte: Vanoye (1998) 
 
Somente para você visualizar o esquema de Jakobson na íntegra, temos uma 
função quando determinado elemento é enfatizado na comunicação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade II 
 
 
40 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
Neste momento do aprendizado, estamos trabalhando a função conativa. 
No decorrer da disciplina, com outros gêneros textuais, vamos abordar as outras 
funções da linguagem. 
A função conativa é uma função muito presente nos anúncios publicitários: 
 
 
 
 
 
 
 
Emissor 
Função Emotiva 
Receptor 
Função Conativa 
MENSAGEM 
Função Poética 
Código 
Função 
Metalinguística 
Canal 
Função Canal 
Referente 
Função Referencial 
Gênero textual: anúncio publicitário 
É um gênero, geralmente misto, que se utiliza de diferentes veículos de 
comunicação (revista, jornal, TV) para persuadir o consumo de uma ideia ou 
produto. 
Unidade II 
 
 
 
41 
Comunicação e Expressão 
 
 
Para cativar seu destinatário em meio a tantos outros textos, o gênero 
“anúncio publicitário” lança mão de diversos recursos argumentativos, não verbais, 
verbais, figuras de linguagem, jogo de palavras, metáforas, intertextualidade (diálogo 
com outros textos)... 
A função referencial, que enfatiza o referente, ou seja, a informação, 
também pode estar presente nos anúncios, pois uma das estratégicas de persuasão 
é o realce das qualidades do produto, como na frase: “O melhor Omo dos últimos 
tempos”. 
 
2.3 Intencionalidade e público-alvo 
Até o momento, estamos falando de destinatário como um grupo 
generalizado, aquele que recebe a mensagem. No entanto, a partir da construção 
da mensagem, do produto em si, do veículo de comunicação, podemos traçar um 
perfil específico de destinatário: o público-alvo. 
E qual seria o público-alvo do anúncio da marca Omo acima? 
 
Em um primeiro momento, você possivelmente deve ter pensado que 
seriam as mulheres. Vamos observar a construção da mensagem do anúncio na 
passagem “seja um dos primeiros”. Foi escolhido o gênero masculino, então, não 
necessariamente seriam as mulheres. Neste texto, em específico, o autor teve 
como público-alvo aquela pessoa que é responsável pela limpeza da roupa da casa, 
não necessariamente a mulher. 
Muitas vezes associamos o produto a um público-alvo específico, 
influenciados pela nossa própria cultura ou pela tradição das propagandas, pois estas 
acabam reforçando determinados aspectos e estereótipos de nossa sociedade. 
Como exemplo, você pode pensar nas propagandas de cerveja que conhece. 
 
Unidade II 
 
 
42 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A arte imita a vida ou a vida imita a arte? 
Figura 03: Anúncio Omo 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://www.propagandaemrevista.com.br/propaganda/5771/ 
Toda comunicação é influenciada pela imagem que 
o emissor constrói de seu receptor. No momento 
da emissão, planeja-se a comunicação, fazendo 
hipóteses sobre o conhecimento de mundo do 
possível receptor, a linguagemque mais se adequaria 
a seu perfil, os efeitos que esse texto causaria nesse 
receptor... Compare, por exemplo, a linguagem de 
um anúncio publicitário para jovens com um anúncio 
para um público mais adulto e mais culto. Ou então 
um anúncio de um mesmo produto em revistas 
diferentes, como Caras e PEGN (Pequenas 
Empresas Grandes Negócios). Este site é muito 
interessante, pois reúne propagandas em diferentes 
revistas e você poderá fazer esse exercício: 
http://www.propagandaemrevista.com.br/revistas/ 
 
Unidade II 
http://www.propagandaemrevista.com.br/propaganda/5771/
http://www.propagandaemrevista.com.br/revistas/
 
 
 
43 
Comunicação e Expressão 
 
Veja que no anúncio acima, de 1999, o público-alvo nitidamente são as 
mulheres. E não podemos deixar de refletir sobre o papel da propaganda do ponto 
de vista crítico e ideológico, como reafirmação de valores e estereótipos da 
sociedade. 
A publicidade elabora um discurso a partir de dados culturais com o 
objetivo de provocar o desejo de consumo por meio da identificação, ou seja, o 
receptor (ou receptora) se vê retratado no personagem elaborado pelo emissor, 
seja por suas dificuldades, seus hábitos, seu perfil. 
Assim, durante muito tempo, as propagandas não só da Omo, mas de 
qualquer produto de limpeza, retrataram a mulher como sendo a única responsável 
pelas tarefas domésticas. Inicialmente, as personagens criadas ou atrizes utilizavam 
até mesmo aventais, como domésticas. 
Com a mudança do papel da mulher na sociedade e sua saída para o 
mercado de trabalho, a mulher continua como público-alvo, mas é retratada como 
“moderna”, com roupas mais formais, como se estivesse saindo para o trabalho. Os 
atributos do produto passam a ser a praticidade, pois essa mulher precisa conciliar 
muitas tarefas, afinal, é profissional, dona de casa e, muitas vezes, mãe. 
O lado materno, aliás, está sendo muito valorizado nas propagandas, já que 
uma das maiores angústias da mulher moderna é deixar o convívio com seus filhos 
para trabalhar. 
Como na elaboração de qualquer comunicação, precisamos considerar a 
aceitabilidade de nosso receptor. Hoje em dia, propagandas que reforçam o 
estereótipo de mulher “Amélia” foram deixando de ser utilizadas. Isso causaria, em 
vez de identificação, certa fúria pelo tom sexista. 
 
 
 
 
 
Unidade II 
 
 
44 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
Além da identificação, a propaganda também age para despertar outros 
sentimentos nos seres humanos: 
 
[...] a propaganda é uma das grandes formadoras do ambiente 
cultural e social de nossa época. Isso porque trabalha a partir de 
dados culturais existentes, recombinando-os, remodelando-os 
(até mesmo alterando suas relevâncias), e sobre alguns dos 
instintos mais fortes dos seres humanos: o medo, a vontade de 
ganhar, a inveja, o desejo de aceitação social, a necessidade de 
autorrealização, a compulsão de experimentar o novo, a angústia 
de saber mais, a segurança da tradição. (SAMPAIO, 2003, p. 38). 
 
Outro exercício interessante de leitura é observar que sentimentos 
determinado anúncio pretendeu despertar no consumidor. Vamos realizar? Assista a 
comerciais de televisão e tente identificá-los em, pelo menos, dois anúncios! 
 
 
 
 
 
 
 
Veja este comercial indiano da marca Ariel, que 
tenta ir na contramão dos discursos tradicionais de 
comerciais de produtos de limpeza: 
http://www.administradores.com.br/noticias/marketin
g/comercial-de-sabao-ariel-convoca-homens-a-
dividir-a-carga/108701/ 
 
Unidade II 
http://www.administradores.com.br/noticias/marketing/comercial-de-sabao-ariel-convoca-homens-a-dividir-a-carga/108701/
http://www.administradores.com.br/noticias/marketing/comercial-de-sabao-ariel-convoca-homens-a-dividir-a-carga/108701/
http://www.administradores.com.br/noticias/marketing/comercial-de-sabao-ariel-convoca-homens-a-dividir-a-carga/108701/
 
 
 
45 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta unidade vimos que: 
- o funcionamento de qualquer comunicação pode 
ser descrito pelos seis elementos da comunicação 
(emissor, receptor, canal, código, mensagem, 
referente). 
- é importante identificar os elementos da 
comunicação para iniciarmos a leitura crítica. Por 
meio deles, podemos observar os recursos 
disponibilizados ao emissor em sua proposta 
comunicativa. 
- quando, a depender dos objetivos comunicativos, 
há ênfase em um dos elementos da comunicação, 
dizemos que há função da linguagem. Ou seja, toda 
comunicação terá UMA ou outra função. Nesta 
unidade, a função conativa, aquela centrada no 
receptor, foi colocada em evidência. 
- a língua não pode ser considerada minimamente 
“código” e o sentido não está fixo na mensagem. 
Pela análise do gênero “anúncio publicitário”, 
concluímos que o texto é influenciado pelo 
contexto e sociedade, apresentando ideologia e 
retratação de valores. 
- ao nos comunicarmos, fazemos hipóteses sobre o 
perfil do receptor, seus conhecimentos de mundo, 
de língua, suas vivências e experiências, para, então, 
formularmos a mensagem mais adequada para 
cumprir nossos objetivos. 
 
Unidade II 
 
 
46 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Descrever o funcionamento do texto e da leitura a partir do 
processo da interpretação de texto. 
 Relacionar os recursos linguísticos empregados na composição 
do texto aos sentidos e intenções da mensagem. 
 
 
 
 Ciclo 02 
 Atividade: Exercício Individual 
 Título: Texto poético e informativo 
 
 
 
Unidade III – Procedimentos e 
Estratégias na Construção de 
Textos 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
III 
 
 
 
47 
Comunicação e Expressão 
 
O foco principal desta unidade é trazer maneiras para deixar nosso texto 
mais atrativo e interessante, aumentando sua aceitabilidade. 
Você já deve ter participado de alguma formatura em que os discursos 
parecem ser sempre os mesmos, com as ideias de que “foi um caminho difícil”, 
“noites mal dormidas”, “etapas vencidas”, “todos vamos nos separar”... É tão 
previsível que os receptores já não dedicam sua atenção. Ao passo que, quando um 
orador inova em seu discurso, trazendo fatos específicos da turma, um novo olhar 
ou até uma nova forma de dizer, todos levantam a cabeça para escutar. Repare 
nisso quando for a uma formatura novamente (ou até mesmo na sua, daqui a alguns 
anos)! 
Assim, para que nosso receptor fique atento e com vontade de nos escutar 
ou ler, precisamos inovar. É por isso também que os manuais de redação orientam 
para evitar o “lugar-comum” do tipo “O Brasil é um país de dimensões 
continentais”, ou seja, eles orientam para sairmos do óbvio, para aumentarmos a 
informatividade do texto, trazer ideias e combinações de palavras novas. 
Nesta unidade, vamos, então, conhecer o gênero “poema” e alguns 
procedimentos e estratégias para construção de textos. Ao ler esta unidade, quero 
que entenda que as inovações aqui destacadas também podem ser utilizadas em 
outros gêneros, dando mais informatividade ao texto e, consequentemente, maior 
aceitabilidade. 
 
3.1 O poema 
Para sermos bons comunicadores, precisamos dedicar um tempo para 
analisar nossas escolhas, as palavras que vamos utilizar, a organização textual, formas 
de inovar. Talvez um dos gêneros textuais em que haja mais preocupação nesse 
projeto de dizer seja o poema. Vamos conhecer um pouco sobre ele? 
 
 
 
Unidade III 
 
 
48 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
Você deve estar pensando no poema como aquele gênero com palavras 
mais rebuscadas, rimas ricas, métrica calculada (as quais contávamos nas aulas de 
literatura), não é mesmo? Na verdade, a composição textual do poema não é única. 
Essa estrutura mais rígida era típica do movimento parnasiano. 
Manuel Bandeira, para a Semana de Arte Moderna de 1922, em protesto à 
rigidez do parnasianismo e em busca de uma liberdade de expressão,escreveu o 
poema “Os sapos”, que foi recitado. Imagine o espanto da plateia, acostumada com 
o padrão de poema da época, ao ouvir o poema! Repare que, em alguns 
momentos, as palavras foram escolhidas como onomatopeia do coaxar dos sapos 
(“foi”, “não foi”): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gênero textual: poema 
É um gênero que explora as palavras (e a combinação entre elas) em sua 
plurissignificação, sua sonoridade. 
DICA: Sempre leia os poemas em voz alta! Assim, 
perceberá melhor a sonoridade! 
 
 
Unidade III 
 
 
 
49 
Comunicação e Expressão 
 
Os Sapos (Manuel Bandeira) 
Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra. 
 
Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi à guerra!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 
 
O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: - "Meu cancioneiro 
É bem martelado. 
 
Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 
 
O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 
 
Unidade III 
 
 
50 
Comunicação e Expressão 
 
Vai por cinquenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma. 
 
Clame a saparia 
Em críticas céticas: 
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 
 
Urra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 
 
Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
- A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 
 
Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo". 
 
 
 
Unidade III 
 
 
 
51 
Comunicação e Expressão 
 
Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". 
 
Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 
 
Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 
 
Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio... 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade III 
 
 
52 
Comunicação e Expressão 
 
Ferrenho e criativo, não? Desde então, com o passar do tempo, houve uma 
mudança do que se pode chamar “poema”. Assim, o gênero pode ser escrito com 
ou sem rimas, em linguagem mais rebuscada ou cotidiana, em versos e estrofes, em 
prosa e até utilizar recursos gráficos, explorando o espaço branco no papel, como 
nos casos abaixo: 
Figura 01: Poema Xícara 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Fábio Sexugi 
Unidade III 
 
 
 
53 
Comunicação e Expressão 
 
Gostou desse estilo de poema? Então, pesquise mais sobre “poemas 
concretos”. 
Goldstein (2006) considera o poema um texto em forma de rede que exige 
uma leitura plural ao invés de uma leitura linear, simplesmente informativa. Falando 
de outra forma, o texto poético apresenta uma plurissignificação que pede diversas 
leituras. A linguagem do poema é elaborada de maneira que suas características 
estéticas também sejam relevantes para a interpretação. A seleção e combinação de 
palavras também são baseadas em critérios rítmicos, sintáticos, sonoros e o 
resultado de paralelismos e jogos formais, além da significação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Procura da Poesia 
Não faças versos sobre acontecimentos. 
Não há criação nem morte perante a poesia. 
Diante dela, a vida é um sol estático, 
não aquece nem ilumina. 
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. 
 
Não faças poesia com o corpo, 
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à 
efusão lírica. 
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro 
são indiferentes. 
Nem me reveles teus sentimentos, 
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. 
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia. 
 
[...] 
Unidade III 
 
 
54 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Penetra surdamente no reino das palavras. 
Lá estão os poemas que esperam ser escritos. 
Estão paralisados, mas não há desespero, 
há calma e frescura na superfície intata. 
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. 
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. 
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam. 
Espera que cada um se realize e consuma 
com seu poder de palavra 
e seu poder de silêncio. 
 
Não forces o poema a desprender-se do limbo. 
Não colhas no chão o poema que se perdeu. 
Não adules o poema. Aceita-o 
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no 
espaço. 
 
Chega mais parto e contempla as palavras. 
cada uma 
tem mil faces secretas sob a face neutra 
e te pergunta, sem interesse pela resposta, 
pobre ou terrível, que lhe deres: 
Trouxeste a chave? 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião – 10 livros de poesia. Rio de 
Janeiro, José Olympio, 1969. 
 
Unidade III 
 
 
 
55 
Comunicação e Expressão 
 
Perceba que os três poemas exemplificados apresentam, coincidentemente, 
uma característica em comum: a referência ao ato de escrever um poema. No 
segundo, está menos evidente, pois a referência encontra-se somente na parte “me 
pergunto já em prosa” (já que ele até aquele momento do poema fez versos). 
Quando nos comunicamos e refletimos sobre o próprio ato de se 
comunicar, chamamos isso de “metalinguagem”. Nesses exemplos, o poeta falou 
sobre escrever poema, mas pode ser o caso de uma música com o tema de 
escrever ou cantar música; uma propaganda que aborda a própria propaganda; um 
filme em que seu roteiro trata a história do cinema, ou de um ator, ou que haja 
uma gravação dentro do próprio filme... 
Também chamamos de uso metalinguístico da linguagem quando tratamos 
em nosso texto sobre o próprio código (Lembra que vimos que o código é um 
elemento da comunicação na unidade 2? Código = língua portuguesa). Ou seja, 
quando dou uma aula de português, quando explico o significado de uma palavra, 
como no exemplo abaixo, o texto tem função metalinguística: 
 
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao 
gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito 
especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade 
que quero lhes falar no dia de hoje. (...) 
(ROUSSEFF, 2011) 
 
Repare que a emissora não usou vida, alma, esperança, coragem, sinceridade 
explorando seu significado de fato como na frase “A vida é bela”. Aqui, ela 
destacou as três palavras como pertencentes ao código, como substantivo feminino. 
Assim, dizemos que fez uso da metalinguagem. Aliás, quando classificamos uma 
palavra em substantivo, adjetivo, aquelas classificações da gramática, é 
metalinguagem. 
Unidade III 
 
 
56 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 1 – Função Metalinguística 
 
FUNÇÃO METALINGUÍSTICA 
Centrada no código. Tudo o que, numa 
mensagem, serve para dar explicação ou 
precisar o código utilizado pelo destinador, 
concerne a essa função. É uma linguagem 
que fala da própria linguagem. 
 
 
 
 
DICA: Normalmente, destacamos o uso 
metalinguístico das palavras com uma formatação 
diferente, aspas ou em itálico, como ocorreu nessa 
reportagem: 
Estudos recentes revelam que esse 
comportamento, que até há bem 
pouco tempo era considerado 
inofensivo e que recebe o nome 
de bullying, pode acarretar sérias 
consequências ao desenvolvimento 
psíquico dos alunos. 
(DREYER. http://www.educacional.com.br/reportagens/bullying/) 
 
 
 RESUMINDO: Quando, em nossa comunicação, há 
ênfase no código, temos a função metalinguística: 
 
Unidade III 
http://www.educacional.com.br/reportagens/bullying/
 
 
 
57 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
Viu como ouvir o poema o torna mais “real” e interessante? E por que este 
é considerado um poema? Somente porque foi escrito por Carlos Drummond de 
Andrade? 
Não se trata de um poema com palavrasdifíceis, que entenderíamos 
somente após consulta ao dicionário. Talvez sua poesia esteja sobretudo na 
originalidade das observações do autor sobre a vida, da perspectiva sob a qual vê o 
ser humano. Quando leio esse poema, lembro muito de charges como essa: 
 
Figura 02: Charge 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disponível em: http://chebolas.blogspot.com.br/2013/07/charge-foto-e-frase-do-dia_19.html 
Vamos continuar falando sobre poemas? Agora, 
convido você a ouvir o poema “Um boi vê os 
homens”, de Carlos Drummond de Andrade, no 
vídeo disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=82haJI2AXUI 
Unidade III 
https://www.youtube.com/watch?v=82haJI2AXUI
 
 
58 
Comunicação e Expressão 
 
Nós costumamos observar tudo a nossa volta como seres superiores, os 
racionais. Drummond muda o prisma “E se os animais nos observassem? ”, “como 
nós seríamos? ”. Trata-se de uma descrição inovadora (ele poderia somente dizer 
simplesmente “O homem é assim...”) e, apesar de ter sido escrita em 1951, ainda é 
atual, já que retrata a correria do cotidiano dos homens, o “mundo moderno”, sua 
insensibilidade pela natureza e o ambiente em que vive. O animal observador vê o 
ser humano como um ser inferior, “sinistro”, “coitado”, “pobre”, “carecido”. 
Ao escolher o boi como animal observador, Drummond também trabalha 
na escolha de palavras que remetem a seu universo, como “feno”, “rastro”, “pelos”, 
“montanha” e, sobretudo, na culminância do poema em “ruminar”. 
Quando recebemos um texto e nos deparamos com uma negação, como 
leitores atentos, precisamos analisar mais a fundo essa negação. No poema, temos 
“Coitados, dir-se-ia que não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno”. 
Toda negação traz consigo a voz da afirmação. Por trás dessa negação, há 
subentendido que é costume, a partir da perspectiva do boi, escutar o canto do ar 
e os segredos do feno. Nessa frase, está implícito que o homem deveria realizar 
essas ações. E o fato de não seguir esse hábito é um espanto para o boi. 
Você pode fazer o mesmo tipo de análise da negação em: 
Figura 03: Uso da negação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://condominiomaeterra.com/folha-seca-nao-e-sujeira/ 
Unidade III 
 
 
 
59 
Comunicação e Expressão 
 
A partir de agora, fique de olho nas negações, hein? Elas têm muito a dizer. 
Nelas, podemos encontrar outras vozes, a polifonia, sobre a qual falaremos com 
mais detalhes na unidade 9. 
Finalizando as observações sobre o poema de Drummond... 
Não havíamos dito que o poema trabalha com a plurissignificação (mais de 
um significado ou leitura)? No poema, ao ouvirmos/lermos o verbo “ruminar” 
podemos entender como uma ação fisiológica do boi, típica de sua digestão. Ou 
então, podemos entender “ruminar nossa verdade” em um sentido simbólico, 
como o de refletir sobre a verdade, ou até mais um refletir em um tom de culpa, já 
que, assim como o alimento do boi vai e volta no estômago, os pensamentos sobre 
a verdade vão e voltam à nossa cabeça, muito típico de quando estamos com a 
consciência pesada. O verbo “ruminar” pode, então, ser entendido em seu sentido 
denotativo (ação fisiológica – primeira leitura) e também em seu sentido conotativo 
(segunda leitura). 
Veja que essa é uma das leituras possíveis! Você, como leitor, pode valer de 
seus sentimentos, suas experiências de vida, seu conhecimento e fazer sua leitura! É 
isso que é poesia! 
 Passando para a análise de outros poemas, vejam os textos a seguir 
retirados de Fiorin (1994, p.19): 
 
Do que a terra mais garrida 
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; 
Nossos bosques têm mais vida 
Nossa vida em teu seio mais amores 
(Hino Nacional Brasileiro) 
 
 
Unidade III 
 
 
60 
Comunicação e Expressão 
 
Nossas flores são mais bonitas 
Nossas frutas mais gostosas 
Mas custam cem mil réis a dúzia. 
(MENDES, Murilo, Canção do exílio) 
 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
(DIAS, Gonçalves, Canção do exílio) 
 
Você notou como eles se relacionam? 
Esses três textos são exemplos de intertextualidade. Todo texto relaciona-
se com outros textos, influenciando explícitamente ou de maneira oculta. Nos 
exemplos acima, podemos perceber clamentente a intertextualidade entre eles. 
Tudo que lemos e estudamos passa a fazer parte do nosso conhecimento, 
que transpomos para o texto de forma consciente ou não. 
Vamos falar de novo sobre os três textos que usamos como exemplo. O 
poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é anterior aos outros dois textos, 
portanto fica claro ao lê-los, que ambos os textos fazem referência a ele. Esse 
diálogo entre os textos tem o nome de intertextualidade. 
Fiorin (1994, p.20) nos mostra que as finalidades do uso da intertextualidade 
são diferentes. O poema de Gonçalves Dias retrata o sentimento do autor de que 
nossa pátria é melhor do que qualquer lugar no mundo. O Hino Nacional retoma 
os versos de Dias para reforçar esse sentimento. Mas, podemos ver intenção 
inversa nos versos de Murilo Mendes. 
Unidade III 
 
 
 
61 
Comunicação e Expressão 
 
Ainda conforme o autor, um texto cita o outro com duas finaliades distintas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Hino Nacional encaixa-se claramente na primeira finalidade parafraseando 
os versos de Gonçalves Dias e o texto de Murilo Mendes se enquadra na segunda 
alternativa parodiando os versos originais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para reafirmar alguns 
dos sentidos do texto 
citado
Para inverter, contestar 
e deformar alguns dos 
sentidos do texto 
citado; para polemizar 
com ele. 
Uma dica de filme intertextual e um ótimo 
programa para a família toda é "Shrek 2", de Andrew 
Adamson. EUA, 2003. Dreamworks 
 
Unidade III 
 
 
62 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como já dizia Fiorin (1994,p.20), a capacidade de 
detectar as relações intertextuais das referências 
entre textos é dependente do repertório do leitor, 
do seu acervo de conhecimentos acerca da 
literatura, movimentos sociais e de outras 
manifestações culturais. Por isso, ler é importante, 
quanto mais se lê mais se amplia a visão de mundo 
do leitor, bem como a habilidade de perceber o 
diálogo que os textos travam entre si, por meio de 
referências citações e alusões. Cada livro lido 
aumenta a capacidade de apreender, de maneira 
mais completa, os sentidos dos textos. 
Mãos à obra! 
Vamos botar à prova nossos conhecimentos acerca da 
intertextualidade e fazer uma reflexão, proposta por Fiorin(1994): 
 
Sampa 
1. alguma coisa acontece no meu coração 
2. que só quando cruza a ipiranga e a avenida são joão 
3. é que quando cheguei por aqui eu nada entendi 
4. da dura poesia concreta de tuas esquinas 
5. da deselegância discreta de tuas meninas 
6. ainda não havia para mim rita lee 
7. a tua mais completa tradução 
Unidade III 
 
 
 
63 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. alguma coisa acontece no meu coração 
9. que só quando cruza a ipiranga e a avenida são joão 
10. quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto 
11. chamei de mau gosto o que vi de mau gosto o mau gosto 
12. é que narciso acha feio que não é espelho 
13. e à mente apavora o que ainda não é mesmo velho 
14. nada do que não era antes quando não somos mutantes 
15. e foste um difícil começo afasto o que não conheço 
16. e quem vem de outro sonho feliz da cidade 
17. aprende depressa a chamar-te de realidade 
18. porque és o avesso do avesso do avesso do avesso 
19. do povo oprimido nas filas nas favelas 
20. da força da grana que ergue e destrói coisas belas 
21. da feia fumaça que sobe apagando as estrelas 
22. e vejo surgir teus poetas de campos e espaços 
23. tuasoficinas de florestas teus deuses de chuva 
24. panaméricas de áfricas utópicas túmulo do samba mais 
 [possível novo quilombo de zumbi 
25. e os novos baianos passeiam na tua garoa 
26. e os novos baianos te podem curtir numa boa 
 
(VELOSO, Caetano. Literatuda comentada. São Paulo: Abril 
Educação,1981) 
 
 
Unidade III 
 
 
64 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 1 
Sampa refere-se à cidade de São Paulo. O texto 
relaciona lugares de São Pulo, bem como poetas, 
músicos e movimentos culturais que agitavam essa 
cidade na época em que foi escrito. Lendo o texto 
identifique três dessas referências. 
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
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___________________________________________
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Unidade III 
 
 
 
65 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 2 
A mitologia grega apresenta o mito de Narciso. 
Conta a narrativa mítica que Narciso, rapaz dotado 
de grande beleza, um dia ao curvar-se sobre as 
águas cristalinas de uma fonte, para matar a sede, viu 
sua imagem refletida no espelho d’água e apixonou-
se por ela. 
Suas tentativas frustradas de aproximar-se dessa bela 
imagem levaram-no ao desepero e à morte. 
Transformou-se então na flor que tem o seu nome. 
Freud, ao estudar esse mito, considera-o uma 
explicação da existência de personalidades que 
amam a própria imagem. 
a) Transcreva a passagem do texto que faz 
referência ao mito de Narciso. 
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________ 
b) Qual é o sentido dessa passagem, tomando 
como referência o mito de Narciso? 
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________ 
 
Unidade III 
 
 
66 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 3 
É um clichê muito difundido a afirmação de que São 
Paulo, ao contrário do Rio, nunca produziu samba. 
Transcreva a passagem do texto que se faz alusão a 
isso.Transcreva a passagem do texto que faz 
referência ao mito de Narciso. 
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________ 
 
Questão 4 
O sentido global construído pelo poema autoriza 
concluir que: 
a) São Paulo é uma cidade feia, que inspira aversão. 
b) São Paulo é uma cidade que inspira amor à 
primeira vista. 
c) São Paulo não inspira amor à primeira vista, mas 
aos poucos começa-se a perceber os seus encantos 
e termina-se por gostar dela. 
d) São Paulo deixa as pessoas indiferentes, não 
inspira amor nem aversão. 
e) São Paulo inspira ao mesmo tempo ódio e amor. 
 
Unidade III 
 
 
 
67 
Comunicação e Expressão 
 
E aí como você se saiu? Vamos conferir as respostas e podemos dar por 
encerrado o nosso estudo sobre a intertextualidade! 
 
Atividade comentada da Unidade 
 
Questão 1 
Vamos então referenciar primeiramente os lugares, nas linhas 2 e 9 Ipiranga 
e Avenida São João. Agora vamos nos referir a músicos e movimentos culturais, Rita 
Lee, linha 6, Novos Baianos, linha 25 e 26 e Mutantes, linha 14. 
 
Questão 2 
a) O texto faz alusão à mitologia grega de Narciso mais especificamente na 
linha 12, mas desde a linha 10 podemos ver esta referência: 
“quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto 
chamei de mau gosto o que vi de mau gosto o mau gosto 
é que narciso acha feio que não é espelho” 
 
b) O sentido dessa passagem é que ao chegar na cidade o autor se depara 
com uma cidade que possui arquitetura, pessoas e hábitos que não eram habituais 
a ele. Por isso, no primeiro contato ele achou “feia”a cidade de São Paulo. 
 
Questão 3 
A passagem do texto que faz alusão à incapacidade de São Paulo produzir 
samba é: 
24. panaméricas de áfricas utópicas túmulo do samba mais 
 [possível novo quilombo de zumbi 
Unidade III 
 
 
68 
Comunicação e Expressão 
 
Questão 4 
Alternativa correta é a letra “c”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta unidade, vimos que: 
- Para aumentarmos a aceitabilidade de nosso texto, 
precisamos inovar, ser criativos. O poema é um 
gênero que possibilita várias leituras, trabalha a 
escolha das palavras, explora sua beleza, sua 
sonoridade, atreladas ao significado. No entanto, o 
texto poético pode ser utilizado em outros gêneros 
também. 
- Podemos fazer uso metalinguístico da 
comunicação, quando o centro de nosso dizer é o 
próprio código ou a própria ação de se comunicar. 
Função metalinguística. 
- Toda negação precisa ser analisada mais a fundo, 
já que apresenta a voz da afirmação por detrás dela 
(polifonia). 
- A intertextualidade é a remissão a outros textos 
em um texto novo. Inconscientemente, ao nos 
comunicarmos, lançamos mão de textos que 
ouvimos ou lemos em nossa vida. Assim, a 
intertextualidade é considerada constitutiva da 
linguagem. Porém, nesta unidade, vimos exemplos 
em que a intertextualidade é marcada, ou seja, 
conseguimos localizar o texto original referenciado. 
 
Unidade III 
 
 
 
69 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Identificar as marcas que levam às intenções do texto. 
 Descrever o funcionamento do texto e da leitura a partir do 
processo da interpretação de texto. 
 
 
 
 Ciclo 02 
 Atividade: Exercício Individual 
 Título: Texto poético e informativo 
 
 
 
 
Unidade IV – A Interpretação 
na Leitura de Textos 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
IV 
 
 
70 
Comunicação e Expressão 
 
Estamos iniciando a 4ª unidade do nosso GUIA DE ESTUDOS. Aqui, 
veremos um pouco mais da interpretação de textos: o papel do leitor, a 
intencionalidade linguística, os contextos dos enunciados. Posteriormente, 
reconheceremos as características da expressão falada e da expressão escrita e os 
processos de normatização da língua. Ao longo de todo esse estudo, 
continuaremos, também, priorizando a construção de competências e habilidades 
em leitura e escrita. 
Enfim, essa 4ª parte do guia foi elaborada para você que deseja trilhar “o 
mundo da leitura para fazer a leitura do mundo”, pois sabemos que, em uma 
sociedade letrada como a nossa, ler é um ato fundamental. 
 
4.1 Leitor crítico e competente 
Sabemos que não basta ser alfabetizado para fazer da leitura um ato de 
crítica que envolve constatação, reflexão e transformação de significados. Uma 
compreensão crítica do ato de ler leva à tradução dos significados dos enunciados e 
até ao desenvolvimento do que se oculta por trás deles. 
 
 
 
 
 
 
Segundo nosso amigo Antônio Houaiss, em seu dicionário da língua 
portuguesa, a palavra ler possui diferentes sentidos. Dentre eles, podemos destacar: 
 
 
 
Mas afinal, ler não é apenas decodificar sinais 
gráficos? 
 
 
Unidade IV 
 
 
 
71 
Comunicação e Expressão 
 
1 Percorrer com a vista (texto, sintagma, palavra), interpretando-o por uma 
relação estabelecida entre as sequências dos sinais gráficos escritos 
(alfabéticos, ideográficos) e os sinais linguísticos própriosde uma língua 
natural (fonemas, palavras, indicações gramaticais). 
 
2 Ter acesso a (texto, obra, etc) através de sistema de escrita, valendo-se de 
outro sentido que não o da visão. 
 
3 Conhecer, através de exame mais ou menos extenso (o conteúdo de um 
texto, obra, etc). 
 
4 Dedicar-se, entregar-se à leitura como hábito ou paixão. 
 
5 Interpretar (ideia, conceito mais ou menos complexo ou pensamento de 
um autor, pensador, etc); compreender. 
 
6 Atribuir (significado, sentido ou forma) a (algo que se vê), interpretar. 
 
7 Perceber, adivinhar, interpretar (sentimentos, pensamentos não formulados 
ou ocultos), guiando-se por indícios mais ou menos subjetivos, decifrar o 
que não se revela facilmente, o que está além do literal. 
 
8 Deduzir guiando-se por indícios objetivos (alguma coisa não explícita, não 
declarada mas indiretamente constatável); inferir. 
 
Como se vê, a leitura não se restringe apenas à decodificação de sinais 
gráficos, mas trata-se de uma atividade bem mais complexa. Por isso, não basta ser 
alfabetizado para saber inferir sentidos, interpretar, realizar análises críticas. Leitura é 
processo, leitura é trabalho – e nem sempre é considerado um trabalho prazeroso. 
 
 
Unidade IV 
 
 
72 
Comunicação e Expressão 
 
Há algum tempo, vimos circular na mídia a metáfora de que ler é uma 
viagem, associava-se o ato da leitura com o prazer. Sem dúvida, quem nunca passou 
tardes entretido em um livro de cabeceira? Mas a leitura não se restringe apenas ao 
sabor da boa literatura. Como disse anteriormente, ler pode ser bem doloroso e isso 
acontece quando nos deparamos com aquele texto indicado pelo professor da 
faculdade: nós o lemos “dez vezes” e nada compreendemos. 
Segundo Infante (1998), a compreensão de um texto exige que façamos 
diferentes leituras: 
 Sensorial: importante em nosso relacionamento com a realidade escrita, 
porque é nessa etapa que observamos cores, formas e embalagens que se 
apresentam como uma mensagem apelativa aos nossos sentidos. 
 Emocional: permite-nos conhecer o texto propriamente dito, percorrer 
as páginas e estabelecer contato com o conteúdo. Nessa etapa, a leitura nos 
remete a emoções de comoção ou tédio, riso ou irritação, prazer ou 
aborrecimento. É uma experiência sem compromisso, da qual participam nosso 
gosto e nossa formação. 
 Intelectual: As duas leituras citadas acima oferecem subsídios para a 
leitura intelectual. Essa, por sua vez, começa por um processo de análise da 
organização textual (unidades, e como as partes se relacionam para formá-la). Essa 
análise é fundamental para facilitar a compreensão dos mecanismos de 
funcionamento da língua escrita. A leitura é intelectual quando o leitor nunca perde 
de vista o fato de que aquilo que está lendo foi escrito por alguém que tinha 
propósitos determinados ao fazê-lo. Procurar detectar esses propósitos juntamente 
com a informação transmitida e com a estruturação do texto é fazer uma leitura 
intelectual satisfatória, ou seja, é dar sentido ao texto. A leitura intelectual implica 
uma atitude crítica, voltada não só para a compreensão do conteúdo do texto, mas, 
principalmente, ligada à investigação dos procedimentos de seu produtor. Por isso, 
ao ler, levante sempre a questão: “o que pretendia quem escreveu isto?”, “por que 
esse autor escolheu essa palavra e não outra”? 
 
Unidade IV 
 
 
 
73 
Comunicação e Expressão 
 
O primeiro gênero que vamos analisar nesta unidade é a reportagem: 
 
 
 
 
 
 
O gênero “reportagem” pode ser composto, por sua vez, por outros 
gêneros, como entrevistas, charges, fotografia, caricatura... Para cumprir seu objetivo, 
a escrita do texto é realizada no tipo textual informativo. 
O tipo textual informativo, como o próprio nome já diz, tem como principal 
característica e função a transmissão uma informação, ou seja, o foco da 
comunicação é o elemento REFERENTE (Lembra que vimos na unidade 2 sobre o 
referente? Referente = assunto, contexto a que o texto de refere). 
 
Tabela 1 – Função Referencial 
 
FUNÇÃO REFERENCIAL 
Também chamada de denotativa, está 
centrada no referente. Tudo o que, na 
mensagem, remete aos referentes 
situacionais ou textuais, concerne à função 
referencial. 
 
Portanto, os textos informativos têm como intenção informar um fato 
ocorrido, como as reportagens; explicar um fenômeno ou uma teoria, como nos 
livros didáticos, que relatam fatos históricos, explicam teorias econômicas, etc. Além 
Gênero textual: Reportagem 
Relato de fatos de interesse do público, com acréscimo de entrevistas e 
comentários para que possa ter uma visão mais ampla do assunto tratado. Nesse 
tipo de texto, podem ocorrer interpretações e opiniões acerca do fato relatado, 
baseadas em estatísticas, depoimentos e comparações com acontecimentos 
relacionados ao assunto tratado. 
Unidade IV 
 
 
74 
Comunicação e Expressão 
 
da reportagem e do livro didático, outros gêneros textuais que apresentam o tipo 
informativo são: notícia, enciclopédia, bula, receita e manual (os três últimos podem 
apresentar texto injuntivo também). 
As principais características do texto informativo são o uso de verbos no 
presente e/ou no tempo pretérito, linguagem objetiva e sempre focada no assunto; 
a utilização também de artifícios que enriquecerão a informação como abreviações, 
indicações numéricas, gráficos e cifras. 
No texto informativo, ao contrário do texto poético (como vimos na 
unidade 3), as várias possibilidades de interpretação não são uma qualidade textual, 
já que o foco é conteúdo da informação. 
Vamos assistir e analisar uma reportagem para treinar nossa leitura crítica de 
um texto informativo? 
 
 
 
 
 
 
Não se esqueça de realizar as três leituras citadas acima: sensorial, 
emocional e intelectual. Observe também se a reportagem apresenta as 
características do texto informativo citadas acima. 
 
 
 
 
 
Segundo Cereja, Cochar e Cleto (2009), ser um 
leitor competente não é apenas compreender o que 
está explícito, ser um leitor competente é 
compreender também o não dito, as entrelinhas, o 
implícito do texto. 
Link para acesso: Reportagem Record 
https://www.youtube.com/watch?v=OboP711nO-E 
Unidade IV 
https://www.youtube.com/watch?v=OboP711nO-E
 
 
 
75 
Comunicação e Expressão 
 
Observe que o autor do texto informativo geralmente não aparece, não há 
marcas textuais do “eu” emissor-jornalista, priorizando a escrita impessoal. Isso 
acontece, pois quer tentar transmitir a informação com a maior imparcialidade 
possível. Observe a ênfase que a jornalista dá aos números e informações novas 
para seu leitor: 
Em um estudo feito com mais de 2000 pacientes, ele [um médico] observou 
que a retirada total do alimento da dieta, inclusive integral, trazia melhoras significativas 
para doenças como diabetes, obesidade, artrite e osteoporose; em alguns casos, até a 
cura. 
Outro recurso utilizado na reportagem, que confere mais credibilidade às 
informações é a referência a estudos científicos e também o uso de entrevistas, 
dando voz direta a pessoas ligadas ao assunto, muitas vezes especialistas e 
estudiosos. Também são utilizadas experiências reais de pessoas para exemplificar 
na prática o que está sendo afirmado. Esse é uma outro exemplo de polifonia, uma 
polifonia mais evidente, ou seja, o emissor jornalista coloca em sua fala vozes de 
outras pessoas para sustentar as informações. 
É preciso sempre considerar que, mesmo nos tipos textuais que aparentam 
imparcialidade, como o informativo, ao escrever um texto, todos têm uma intenção, 
na qual o autor procura sempre interagir com um leitor: modificar seu 
comportamento, suas ideias, informar, argumentar sobre um ponto de vista, ensinar, 
narrar... 
Nenhum texto é neutro, despretensioso. Todo texto está carregado de 
intenções, significados explícitos e implícitos e ideologia que dependem 
impreterivelmentedo contexto em que foi produzido. Um mesmo 
texto pode ter, em um e outro contexto, sentidos completamente 
diferentes, ou seja, a situação participa da construção do sentido do 
texto. 
O leitor competente é aquele que, além do sentido das palavras, 
descobre também o significado das pausas, dos silêncios, da pontuação... 
Todas as intenções e todos os significados, os explícitos e os implícitos, 
os subterfúgios, as pausas e o silêncio precisam ser lidos, interpretados 
de modo crítico e competente. Ler, nesse sentido, é assumir uma 
Unidade IV 
 
 
76 
Comunicação e Expressão 
postura ativa diante do que lemos ou escutamos. Só assim podemos 
ser leitores competentes e críticos, prontos para o exercício da 
cidadania, prontos para a vida. Essa é a mais desafiante, porém a mais 
prazerosa tarefa de ler (Cereja; Cochar; Cleto, 2009, p.11). 
 
Observe que nesta reportagem em específico, podemos depreender um 
posicionamento a favor da retirada do trigo da dieta. Todas as entrevistas e dados 
contribuem para que vejamos o trigo como o vilão. Você deve estar pensando: mas 
o jornalista só está divulgando uma nova pesquisa! Sim, podemos pensar assim 
inicialmente, mas nossa leitura aprofundada precisa questionar além disso: por que 
foi escolhido este tema e não outro? (sim, a escolha de um tema pressupõe a 
negação de outro); o (a) jornalista utilizou quais palavras e dados para reforçar a 
informação? Ele(a) demonstrou também o lado oposto? Que partes da economia 
ou da indústria podem estar sendo beneficiadas com essa defesa? Será que isso não 
é só mais uma “moda alimentar”, que logo será negada? Hoje mesmo já sabemos 
que há médicos que defendem a não retirada total de alimentos com glúten da 
dieta! 
Viu como temos que ter mais atenção com o texto informativo? Ele 
costuma nos enganar com essa sensação de imparcialidade. Para trabalhar mais este 
senso crítico, você pode assistir no mesmo dia a dois jornais televisivos de canais 
diferentes e comparar como as reportagens são feitas, aliás quais assuntos são 
escolhidos em detrimento de outros. É um bom exercício! 
Outro gênero com o tipo textual informativo, bastante presente em nosso 
dia a dia, é a notícia: 
 
 
 
 
 
 
Gênero textual: Notícia 
Relato de fatos ou acontecimentos atuais, geralmente de importância e interesse 
para a comunidade, sem comentários pessoais ou opiniões. Ou seja, teoricamente, 
não há interpretações por parte de quem escreve. Os títulos são chamativos 
(manchetes) para atrair a atenção de quem lê. No início do texto, 
frequentemente, aparece um pequeno resumo com as informações essenciais do 
fato noticiado (lide ou lead). 
Unidade IV 
 
 
 
77 
Comunicação e Expressão 
 
E qual a diferença maior entre reportagem e notícia? A notícia parece ser 
mais objetiva e mais curta, sem a presença de outras vozes (como entrevistados, 
depoimentos). Ela vai relatar um fato pontual ocorrido, seu vínculo com a 
temporalidade é mais evidente. 
O texto logo abaixo é um texto muito divertido, escrito por Paulo Leminski, 
que transforma a narração de uma passagem bíblica em uma notícia, muito bem 
humorada, como se fosse um jornal da época de Jesus, vale a pena ler. Vamos lá! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jerusalém urgente – Na tarde de ontem, alguém 
que atende pelo nome de Jesus invadiu as dependências 
do Templo, agredindo e expulsando toda a casta de 
vendedores que ali exercia seu ofício. 
O lunático, galileu pelo sotaque, entrou, 
subitamente, chutando a mesa dos mercadores de 
pombas e outros animais destinados ao sacrifício. Na 
confusão que se seguiu ao incidente, entre as moedas 
que rolavam pelas escadas, gaiolas quebradas, pombas 
que voavam, acorreram os guardas, que não conseguiram 
deitar as mãos no facínora. (...) 
Arrebanhou inúmeros seguidores entre os 
pescadores do mar da Galileia. Dizem que opera 
milagres. E descende, por linha direta, do Rei Davi. 
 Entre os seus, fala aramaico, dominando porém, 
o hebraico dos textos sagrados, que cita com frequência, 
chegando mesmo a discutir com o doutores da lei, 
fariseus e saduceus. Muitos veem nele o Messias. As 
autoridades estão prontas para fazer frente a qualquer 
nova alteração da ordem provocada pelo tal Jesus ou por 
seus seguidores. (Paulo Leminski, “Jesus a.C.”, in vida, 
Porto Alegre, editora Sulina, 1990,p.142) 
 
 
Unidade IV 
 
 
78 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vamos então fazer um exercício simples de 
transformação de gêneros textuais. Leia o poema 
“Tragédia Brasileira”, de Manuel Bandeira e depois o 
transforme em um texto no gênero textual notícia. 
 
TRAGÉDIA BRASILEIRA 
 Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de 
idade. 
 Conheceu Maria Elvira na Lapa — prostituída, 
com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança 
empenhada e os dentes em petição de miséria. 
 Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num 
sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, 
manicura... Dava tudo quanto ela queria. 
 Quando Maria Elvira se apanhou de boca 
bonita, arranjou logo um namorado. 
 Misael não queria escândalo. Podia dar uma 
surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: 
mudou de casa. 
 Viveram três anos assim. 
 Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, 
Misael mudava de casa. 
 Os amantes moraram no Estácio, Rocha, 
Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, 
Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, 
Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, 
Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, 
Inválidos... 
 Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, 
privado de sentidos e de inteligência, matou-a com 
seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em 
decúbito dorsal, vestida de organdi azul. 
(Manuel Bandeira disponível em: 
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet239.htm) 
 
 
Unidade IV 
 
 
 
79 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abaixo, uma sugestão de como a notícia pode ficar, mas esta atividade é 
livre e, portanto, podem existir diversas versões de um mesmo fato. 
 
MULHER ENCONTRADA MORTA NO RIO DE JANEIRO 
Rebeca Nogueira Lourenço Kaus 
Ontem, na Rua da Constituição, uma mulher foi encontrada morta, com seis 
tiros. O principal suspeito do assassinato é o seu marido, funcionário público de 63 
anos de idade. 
O casal estava junto há três anos e tinham uma relação conturbada, pois a 
vítima Maria Elvira na Lapa havia traído muitas vezes seu marido Misael. Antes de 
matá-la vizinhos alegam que o funcionário da fazenda se mudou várias vezes de 
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Unidade IV 
 
 
80 
Comunicação e Expressão 
 
endereço para evitar que as traições continuassem. O casal já teve endereços nos 
bairros: Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila 
Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, Todos os Santos, 
Catumbi, Lavradio, Boca do Mato e Inválidos. 
A defesa de Misael declara que a vítima é uma ex-prostituta, que o 
funcionário público retirou da miséria e que sempre cuidou bem dela. O advogado 
afirma também que o crime foi cometido em um momento de privação de 
sentidos e de inteligência, portanto, alega insanidade mental temporária. 
 
 
 
 
 
 
É porque, no jornalismo,o texto tem que informar de maneira dinâmica e 
rápida, para isso o texto tem uma estrutura diferente dos textos literários; a 
estrutura de texto mais comum é a pirâmide invertida. 
A técnica de redação da pirâmide invertida consiste em estruturar um texto 
iniciando pelas informações mais importantes. 
Já no primeiro parágrafo temos o lead ou lide, que em português significa 
“guia” que responde às perguntas: O quê, quem, onde, como, quando e por quê – 
as mais importantes ao relatar um fato. 
De acordo com o Manual de Redação do jornal Folha de São Paulo (2002), 
o lide tem por objetivo introduzir o leitor na reportagem e despertar seu interesse 
pelo texto já nas linhas iniciais. E depois no desenvolvimento do texto o autor 
apresenta as informações complementares, menos importantes, organizadas em 
blocos decrescentes de interesse. 
 
Você viu a diferença da construção da notícia para o 
poema? Entre muitas elas, podemos citar que clímax, 
ou o ponto alto do poema, está no final do texto. 
Mas e na notícia? Os fatos mais importantes são 
contados já no primeiro parágrafo! 
Unidade IV 
 
 
 
81 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
Como vimos, há muitos aspectos que devemos considerar ao tentar 
compreender um texto. Depois de todo esse percurso de análises que fizemos até 
aqui, convido você a colocar em prática em suas futuras leituras tudo que 
aprendemos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução
fatos mais importantes
Desenvolvimento
Conclusão
fatos menos importantes
Leia o texto abaixo e responda à questão: 
 
Todo ponto de vista é a vista de um ponto 
Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada 
um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir 
de onde os pés pisam. 
Todo ponto de vista é um ponto. Para entender 
como alguém lê, é necessário saber como são seus 
olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da 
leitura sempre uma releitura. 
 
Unidade IV 
 
 
82 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desta forma, é imprescindível encarar a leitura não como uma atividade 
mecânica que determina uma postura passiva, mas sim como uma ação e uma 
prática que executaremos com o objetivo de dar vida e significação ao interagir 
com o texto. 
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para 
compreender, é essencial conhecer o lugar social de 
quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com 
quem convive, que experiências tem, em que 
trabalha, que desejos alimenta, como assume os 
dramas da vida e da morte e que esperanças o 
animam. Isso faz da compreensão sempre uma 
interpretação. 
BOFF, Leonardo. A águia e a galinha. 4ª ed. 
RJ: Sextante, 1999 
 
A expressão “com os olhos que tem” (linha 1), no 
texto, tem o sentido de: 
(A) enfatizar a leitura. 
(B) incentivar a leitura. 
(C) individualizar a leitura. 
(D) priorizar a leitura. 
(E) valorizar a leitura. 
 
Justifique o porquê de ser a letra C a alternativa 
correta. 
 
Unidade IV 
 
 
 
83 
Comunicação e Expressão 
 
Cereja, Cochar e Cleto (2009), na obra Interpretação de Textos, falam da 
linguagem como um poderoso instrumento do ser humano, pois se trata de um 
meio de inter(ação) e comunhão entre as pessoas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta unidade, vimos que: 
 para sermos um bom leitor, precisamos dedicar 
à leitura e realizar as leituras: emocional, 
sensorial e intelectual. 
 o tipo textual informativo tem como principal 
característica e função a transmissão de uma 
informação, ou seja, o foco da comunicação é o 
elemento REFERENTE. (Função referencial). 
 As principais características do texto informativo 
são o uso de verbos no presente e/ou no 
tempo pretérito, linguagem objetiva e sempre 
focada no assunto; a utilização também de 
artifícios que enriquecerão a informação como 
abreviações, indicações numéricas, gráficos e 
cifras. 
 Mesmo os textos informativos apresentando 
linguagem mais objetiva e impessoal, nenhum 
texto pode ser considerado imparcial, já que há 
um projeto de dizer do autor, com suas 
intenções e escolhas lexicais. 
 Os gêneros textuais reportagem e notícia 
geralmente são veiculados no mesmo tipo de 
veículo e apresentam o tipo textual informativo, 
mas têm suas especificidades. 
 
Unidade IV 
 
 
84 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
- Compreender um texto como um todo coerente. 
- Perceber os elementos de conexão de um texto. Fazer a conexão das 
partes do texto 
 
 
 
 Ciclo 03 
 Atividade: Teste 
 Título: Conexões do Texto / Fala, Escrita e Variedades 
Linguísticas 
 
 
 
Unidade V – As Conexões 
entre as Partes do Texto 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
V 
 
 
 
85 
Comunicação e Expressão 
 
 
Na unidade anterior, conhecemos dois gêneros textuais: a reportagem e a 
notícia, exemplos de textos informativos. Nesta unidade 5, vamos conhecer a 
crônica, também muito utilizada em jornais e revistas, mas sua escrita é mais livre, 
contendo forte presença e até mesmo crítica do emissor. 
Também nesta unidade, conheceremos um novo tipo textual, o narrativo, e 
uma das maiores qualidades do texto, a coesão textual. 
Começamos esta unidade conhecendo um pouco sobre o gênero textual 
crônica: 
 
 
 
 
 
 
Veja um exemplo: 
 
NÓS E O MUNDO (Carla Dias ) 
 
(Publicado em 27 de julho de 2016) 
Disponível em: http://www.cronicadodia.com.br/ 
Fica cada vez mais difícil não se desapontar. Não falo sobre desapontamento 
básico, daqueles que figuram na vida da gente como trampolim para aprendizado. 
Falo sobre um desapontamento substancial, daquele que nos faz parar e pensar: 
onde iremos parar? 
Gênero textual: Crônica 
Aborda assuntos e acontecimentos do dia a dia, apreendidos pela sensibilidade do 
cronista e desenvolvidos de forma pessoal por ele. Geralmente, contém ironia e 
humor, já que seu objetivo principal é fazer uma crítica social ou política. Luís 
Fernando Veríssimo e João Ubaldo Ribeiro são exemplos atuais desse tipo de 
texto. 
Unidade V 
http://www.cronicadodia.com.br/2016/07/nos-e-o-mundo-carla-dias.html
http://www.cronicadodia.com.br/
 
 
86 
Comunicação e Expressão 
 
De padre sendo degolado às manobras para conter a imigração 
desencadeada pelo desespero. Das ofensas constantes aos desconhecidos à 
aniquilação de benefícios básicos aos que, por conta e risco, jamais os alcançariam. 
Pessoas jogando eu sou melhor do que você. 
Será? 
Às vezes, torna-se uma jornada complexa se levantar e encarar o mundo. É 
tanto desamparo, e muitas observações a respeito do outro e não a respeito de si. 
Estamos afastando de nós a responsabilidade pela decadência da humanidade, mas 
somos os autores dela. Alimentamos essa decadência a cada vez que violamos o 
direito do outro de ser, de estudar, de ter casa e comida na mesa. Quando, em vez 
de pensarmos a respeito da situação que encaramos, saímos discursando 
intolerância. O outro nem sempre está errado. Pode ser que ele não caiba no seu 
entendimento, que aquela não seja a vida que você deseja. Mas, e daí? A vida é 
dele, certo? 
A sua vida é sua. 
Lembro-me de algumas senhoras da minha infância. Eram carolas, que nunca 
faltavam à missa, que mantinham seus santos em altares em suas casas, que também 
eram pontos de parada da procissão. Eram devidamente casadas, algumas cuidavam 
de seus netos, e estavam sempre envolvidas com projetos sociais. 
Olhando mais de perto — o que tive a oportunidade de fazer —, elas não 
eram boas pessoas, como a maioria pensava ao observá-las assim, a distância. 
Lidavam com Deus porque foram educadas para fazê-lo, senão iriam direto para ao 
inferno. Frequentavam a missa pelo status de devotas, recorriam aos santos com 
pedidos absurdos. Em dia de procissão, disputavam para ver quem decorava melhor 
a entrada de casa. Para escolher os beneficiados pelos projetos sociaisdos quais 
cuidavam, eliminavam aqueles que julgavam pecadores sem chance de serem 
perdoados por Deus, o que incluía os mais miseráveis, negros, gays, e por aí vai. 
Lembro-me dessas senhoras e percebo que elas são o retrato do mundo. 
Enquanto observarmos os acontecimentos com essa distância, seremos incapazes 
Unidade V 
 
 
 
87 
Comunicação e Expressão 
 
de compreender que a maioria das decisões, sejam políticas, sociais ou pessoais, 
tem sido feita sem observar aqueles que realmente precisam dos resultados delas. 
Enquanto não observarmos o mundo, e tudo o que pontua nossa realidade, 
sem nos antecedermos e decidirmos o que é certo e o que é errado, cometeremos 
o mesmo erro das tais carolas. Atenderemos a uma agenda na qual não fomos nós 
que incluímos os eventos, por pura obrigação. E no processo, seremos cruéis, por 
mais generosos e beneficentes que sejamos na nossa rotina de cidadão que não é 
do mundo, mas do seu próprio e egoísta universo. 
Há dias em que é realmente difícil se levantar e encarar o mundo. Mas 
continuo otimista, que acredito na parcela de pessoas que já compreendeu que faz 
parte dele, e que escolheu cuidá-lo. 
Há coisas maravilhosas acontecendo por aí. Não é mesmo? 
 
Como vimos, a crônica aborda assuntos e acontecimentos do dia a dia. 
Após a leitura da crônica, você deve estar se perguntando quais foram os fatos 
inspiradores, não é mesmo? Conhecer o contexto sociohistórico em que foi 
publicado o texto auxilia essa compreensão. Veja as manchetes do jornal nos dias 
anteriores da publicação da crônica: 
 
Padre morre degolado após ser feito refém do Estado Islâmico em igreja da 
França (El Pais, 27/07) 
 
25.jul.2016 - Policial inspeciona mochila usada para carregar explosivos em atentado 
suicida em Ansbach, Alemanha. Um homem sírio de 27 anos detonou uma bomba 
caseira perto de um festival de música e feriu 15 pessoas na noite de domingo (24). 
Ele estava prestes a ser deportado para a Bulgária, depois de ter o pedido de asilo 
negado pelo governo da Alemanha. Ainda de acordo com a polícia alemã, o 
homem havia jurado lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) (Site do 
Uol) 
Unidade V 
 
 
88 
Comunicação e Expressão 
 
25.jul.2016 - Voluntários da Defesa Civil carregam menino que foi resgatado dos 
escombros de um edifício destruído por ataques aéreos no norte da cidade de 
Aleppo, Síria. Pelo menos 19 civis morreram hoje na cidade que, além dos 
bombardeios, também foi atingida por foguetes disparados por rebeldes contra 
bairros controlados pelo regime do presidente Bashar al-Assad (Site do Uol) 
25.jul.2016 - Pessoas choram em frente à casa noturna Club Blu, em Fort Myers, na 
Flórida (EUA), onde um tiroteio deixou dois jovens mortos e 17 pessoas feridas. A 
festa era destinada a adolescentes, e a troca de tiros ocorreu no estacionamento. A 
polícia deteve três pessoas para interrogatório (Site do Uol) 
 
Agora, podemos entender melhor o clima que levou a autor a escrever o 
texto, não é mesmo? 
Você consegue perceber alguma característica em comum entre a crônica e 
os gêneros reportagem e a notícia? A estrutura do texto é bastante diferente, não 
é? 
A crônica aproxima-se da reportagem e da notícia em seu veículo de 
comunicação e também na relação do texto com o momento em que é publicado, 
ou seja, os três gêneros normalmente são veiculados em revistas e jornais e têm 
como inspiração os fatos ocorridos no cotidiano. 
Uma grande diferença entre a crônica e a reportagem/notícia é que na 
crônica não há a exigência por uma “impessoalidade” do autor, também não há 
necessariamente a presença da função referencial. Também na crônica há uso de 
uma linguagem mais coloquial, para trazer esse “ar” de cotidiano e também para se 
aproximar do leitor. 
 
 
 
Unidade V 
 
 
 
89 
Comunicação e Expressão 
 
5.1 Função emotiva 
Repare que na crônica que vimos acima há amplo uso do “eu”, 
demonstrando a presença forte da emissora no texto. Volte à crônica e observe as 
palavras em negrito que retomam os pensamentos, opiniões e sentimentos da 
emissora. 
Textos escritos dessa forma, com ênfase no emissor, são considerados por 
Jakobson com função emotiva ou expressiva: 
 
Tabela 1 – Função Emotiva ou Expressiva 
 
FUNÇÃO EMOTIVA OU 
EXPRESSIVA 
Centrada no destinador (ou emissor) da 
mensagem, exprime a atitude do emissor 
em relação ao conteúdo de sua 
mensagem e da situação. 
 
 
São outros exemplos de textos que podem apresentar função 
emotiva/expressiva: diários, blogs, artigo de opinião, dissertações... 
A crônica é um gênero bastante amplo e não apresenta um formato ou tipo 
textual específico. No exemplo acima, vemos que são manifestadas claramente 
opiniões sobre um determinado assunto, não há uma história com sequência 
cronológica, com início, meio e fim, ou seja, não há uma narrativa. Na crônica 
abaixo, o tipo textual narrativo já está presente! Leia o texto tentando identificar 
em que parte a narrativa de encontra: 
 
Espelho Mágico (Mário Prata – Publicado no Estadão em 2001) 
Ela, a Ana Catarina, tem quatro anos. Mas tinha três quando teve um dos 
seus primeiros choques emocionais. E chorou de raiva. 
Unidade V 
 
 
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Comunicação e Expressão 
 
Acostumada – desde que nasceu – a ver o avô José Gregori, então ministro 
da Justiça, toda noite na televisão, num belo dia descobriu que o avô aparecia 
também na televisão da vizinha. Se sentiu traída. Achava que o bom avô era uma 
exclusividade dela, neta, e não de toda a vizinhança. Acho que não chegaram a 
dizer que não era só nas casas da vizinhança que o Zé aparecia. Poderia ter 
traumatizado a guria para o resto da vida. 
Deve ter pensado, a Catarina: o que é que o vovô está fazendo aqui nessa 
casa se ele nem conhece os pais da Carlinha? 
Ana Catarina, a partir daquele dia, deve ter começado a olhar o mundo 
com outros olhos. E, sempre que via um senhor de cabelos brancos na televisão da 
casa dela, devia se vingar: esse cara deve ser avô de alguma menina mas ele está na 
minha casa. Hahaha! 
Catarina, filha da Ticha e do Chico Millan, donos do meu bar Balcão, está 
passando uns dias aqui. E chove lá fora. E, daqui a pouco, não vai ter mais o que 
fazer aqui dentro. Cinema, sugeriu a mãe. Harry Porter, Xuxa com os 
Doentes (perdão, duendes) dela. Mas a menina já estava em dia com as películas. 
 Foi quando eu contei alguma história da vida real da Xuxa que ela me olhou 
incrédula: 
– Mas a Xuxa existe fora? 
Nós três olhamos para ela e entre nós: 
– Fora da onde? 
– Do vídeo, né? Do cinema, mãe. Das revistas… Ela existe? 
E primeira coisa que veio na minha cabeça foi: ela deve estar pensando de 
quem a Xuxa é avó. A segunda: que deve ser avó da Sasha! 
E continuou a brincar como se nada houvera dito, pensado ou filosofado. 
Inocente e pura ingenuidade. Essa menina vai crescer e logo mais saberá que 
existe vida fora do vídeo e da tela do cinema. O sonho vai acabar como acabou até 
 
Unidade V 
 
 
 
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Comunicação e Expressão 
 
para os Beatles. E que a vida aqui fora não tem duendes e nem justiça, pela qual seu 
avô tanto lutou. 
Vai descobrir tanta coisa fora do vídeo que só irá recorrer a ele quando 
quiser sair – um pouquinho – daqui do lado de fora. 
Mas a pergunta ficou na nossa cabeça. A Xuxa e todos esses outros 
personagens da telinha (que Lauro César Muniz chamou de Espelho Mágico, 
magistralmente) existem? A própria Xuxa, a essa altura do campeonato, sabe quem 
é? Sabe que existe? Deve saber, pois garante que anda vendo duendes. Como a 
Catarina, de quatro anos. 
O que será desta geração que vem nascendo conhecendo primeiro a ficção 
e depois a realidade? Com certeza não serão iguais a nós. Nossos pais nos 
ensinaram a realidade, a gente via a realidade nas ruas, nas fazendas. O resto era 
ficção. Os livros, principalmente. Naquele tempo a ficção era melhor do que a 
realidade. Avô era avô e nãofalava num tal de Lalau que não era o Papai Noel. 
Mas tem umas pessoas que nasceram mesmo para só existirem nos vídeos 
e na imprensa. O Paulo Maluf, por exemplo. Eu tenho certeza que ele não existe 
fora das telas. Porque interpreta um personagem riquíssimo, inigualável e impagável. 
Deve decorar bem suas falas e – principalmente – seu franzir de testa. Tudo aquilo 
é ficção. Aquele homem não existe, Catarina, fica tranquila. 
Tem outros, menina, também. Tem um tal de Eurico Miranda que é tão 
engraçado quanto o Chaves. Só que arrota diante das câmeras dentro da sua casa. 
E o pior, na casa da sua amiga também. 
Como seria bom, minha menina, se certas pessoas que a gente vê ali no 
espelho mágico existissem só lá dentro. Que não saíssem nunca, que ficassem 
presos lá dentro, eternamente. Sim, os bons personagens da história não morrem 
jamais. O Mickey, por exemplo, está completando 75 anos com corpinho de 
quinze. E a Cinderela que já passou dos 300 anos? 305 para ser exato. 
E por que vivem tanto? Por que não estão fora da tela azucrinando a gente. 
Já pensou aguentar o Mickey numa mesa de bar, setentão, enchendo a cara? 
Falando mal do Pateta? Jurando que o Walt Disney era bicha? Fora a Minie, ali do 
Unidade V 
 
 
92 
Comunicação e Expressão 
 
lado dele, com cara de sono e com 73 anos, fumando um cigarro atrás do outro. 
Dois velhos chatos. 
E a pobre-rica Cinderela se viva fosse, andando pela rua – descalça – 
dizendo que é a Cinderela e todo mundo rindo dela? Tá bom, Cyndy. Me Tarzã! 
Hahaha. 
Acho que o que está faltando ao mundo hoje – principalmente ao nosso 
Brasil – é separar um pouco mais o que aparece na telinha e o que rola aqui fora. 
Os personagens do governo (seja ele municipal, estadual ou federal principalmente) 
vão lá no vídeo e só falam ficção, sorriem ficção. Sabem que ali é lugar de ficção. 
Você sai na rua, cai na real e não vê nada daquilo. Eles sabem que as crianças 
acreditam naquilo. Mas são só as crianças, minha gente. 
Meu sonho é ter um carimbo eletrônico acoplado a todas as televisões do 
Brasil. E sempre que um deles começasse a mentir eu batia o carimbo em todas as 
casas: ficção! E quando aparecessem policiais-bandidos eu batia outro: realidade! 
Assim a gente ia educando melhor nossos filhos e nossos netos. 
Pois o mundo chegou num ponto que a gente está confundindo a cabecinha 
deles. E, quando eles crescerem, vão achar que fomos nós que inventamos este 
processo de aprendizagem. 
E quando os netos dos nossos netos nascerem, é provável que a primeira 
coisa que ouçam, antes mesmo do olha que gracinha, seja uma voz rouca de um pai 
emocionado: 
– Desculpa, filho, mas hoje em dia é tudo ficção! Se vira! 
 
Observou que a narrativa encontra-se desde o início da crônica até a frase 
“E continuou a brincar como se nada houvera dito, pensado ou filosofado”? 
 
 
 
Unidade V 
 
 
 
93 
Comunicação e Expressão 
 
5.2 Texto narrativo 
Vamos agora conhecer a definição do tipo textual narrativo: 
 
 
 
 
 
A narração é identificada pela sua dinâmica acentuada, por uma sequência 
de ações e limitada pela temporalidade dessas ações e pela velocidade, maior ou 
menor com que os eventos vão surgindo, desenvolvendo-se e dando lugar a 
outros. É o relato de transformações ocorridas a partir de um conflito. 
No caso da crônica de Mário Prata, o narrador conta a história de um fato 
ocorrido com personagem Ana Catarina. Observe que há uma sequência de ações: 
- Ana Catarina, uma menina de 3 anos, tinha um avô que era ministro – esse avô 
passava na televisão e Ana Catarina assistia – Ana Catarina teve um choque 
emocional ao saber que o avô também passava na TV dos vizinhos – Ela se sentiu 
traída e decepcionada – A partir de então cada vez que um senhor aparecia na TV 
ela pensava que estava tirando a exclusividade da neta dele e achava o máximo... 
Para Medeiros (1994, p.174), narrar é interpretar e recriar a realidade 
mediante a palavra. Na narração, os tempos verbais do pretérito (passado) são 
muito utilizados e o texto é permeado de indicadores temporais como: ontem, 
depois disso, mais tarde etc. São gêneros que podem ter o tipo textual narrativo: 
contos, crônicas, romances, entre outros. 
A narrativa dentro da crônica de Mário Prata serviu para fornecer certa 
contextualização sobre a realidade que o autor queria retratar e também 
questionar. Com um fato cotidiano, o autor universaliza as atitudes da menina para 
mostrar um cotidiano do mundo “virtual” presente naquela época. Você reparou 
Texto Narrativo 
O texto narrativo tem como função contar fatos e acontecimentos reais, ou não, 
vividos por personagens em determinado tempo e lugar. Por esta razão, apresenta 
fatos em sequência, desenvolvendo assim, relação de causa e efeito. 
Unidade V 
 
 
94 
Comunicação e Expressão 
 
que o autor faz referências a uma época que não é nossa? Parece que o texto está 
“velho”, não é mesmo? Novamente, a caraterística marcante da crônica: a 
temporalidade. E se essa crítica ao mundo da ficção, do virtual fosse escrita nos dias 
atuais, já imaginou que história poderíamos narrar? Como são nossas crianças hoje? 
No texto da narração também é comum haver a presença de diálogo 
(discurso direto), no caso desta crônica houve diálogo entre a menina e os outros 
personagens como, por exemplo, na passagem: 
– Fora da onde? 
– Do vídeo, né? Do cinema, mãe. Das revistas… Ela existe? 
Veja que o autor utiliza da expressão “né?”, muito utilizada por nós na fala, 
para caracterizar essa conversa entre os personagens. Dizemos que expressões 
como “né?”, “entende?”, “ouviu?”, “Ei”, “viu?” e até o “alô” apresentam função fática: 
 
Tabela 2 – Função Fática 
 
FUNÇÃO FÁTICA 
Centrada no contato (físico ou 
psicológico); Tudo o que numa mensagem, 
serve para estabelecer, manter ou cortar o 
contato (portanto, a comunicação), 
concerne a essa função, que manifesta, 
essencialmente, a necessidade e o desejo 
de comunicar. 
 
Eu, quando escrevo este guia de estudos, também estou tentando manter 
uma conversa com você, leitor, e também questionando se está entendendo o que 
estou escrevendo. Por isso, utilizo expressões fáticas como “não é mesmo?”, 
“entende?”, “ok?”. 
 
 
Unidade V 
 
 
 
95 
Comunicação e Expressão 
 
5.2 Coesão textual 
Quando você leu a crônica, você enquanto leitor identificou que se tratava 
de um texto. Mas o que faz de fato um aglomerado de palavras vir a ser 
considerado realmente texto pelos receptores? 
Primeiramente, esse aglomerado precisa ter uma harmonia de ideias, 
formando um todo de sentido, ou seja, precisa ter coerência. Repare que, na crônica 
acima, as partes formam um todo, há uma sequência lógica das ideias e das críticas, 
o autor não se contradiz em suas ideias. 
Ao mesmo tempo, para que as frases não sejam sequências desconexas, é 
preciso haver coesão textual. 
 Koch (2003) apresenta a coesão textual como as relações de sentido 
existentes no interior do texto e que o definem como texto. Em outras palavras, é 
quando a interpretação de algum elemento do discurso é dependente da 
interpretação de outro. Observe este exemplo simples: 
E primeira coisa que veio na minha cabeça foi: ELA deve estar pensando de 
quem a Xuxa é avó. 
O emprego do pronome “ELA” estabelece uma coesão, pois retoma uma 
informação anteriormente expressa (Catarina). 
Porém, não são apenas os pronomes que são elementos conectivos de um 
texto. Muitas palavras também podem assumir esta função! 
 As preposições: a, de, para, com, por etc.; 
 As conjunções: que, para, que, quando, embora, mas, e, ou etc.; 
 Os pronomes: ele, ela, seu, sua, este, esse, aquele, que, o qual etc.; 
 Os advérbios: aqui, aí, lá, assim etc. 
 
 
 
Unidade V 
 
 
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Comunicação e Expressão 
 
De acordo com Fávero (2003), a coesão textual depende de cinco 
mecanismos: a referência, substituição, elipse, conjunção e léxico. Referência: quando um signo linguístico se relaciona a um objeto, pode 
ser situacional (fora do texto) e textual (dentro do texto). 
 Quando a relação é textual o elemento de referência pode ser anafórico, 
que retoma um termo expresso anteriormente, ou catafórico, que 
antecipa um termo que ainda não foi expresso no texto. 
 Substituição: quando o autor substitui um item por outro(s), ou até de 
uma oração inteira. A substituição pode ser nominal (feita por meio de 
pronomes e nomes genéricos como coisa, gente, pessoa etc.) ou verbal. 
 Elipse: quando o autor omite um termo que podemos recuperá-lo pelo 
contexto. 
 Conjunções: são os termos que estabelecem relações entre orações, 
período e parágrafos. Podendo estabelecer relações de oposição, tempo, 
adição, finalidade, explicação, consequência e causa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vamos fazer juntos a análise do texto retirada da 
obra de Kock (2003), para que você entenda a 
coesão textual e seus mecanismos : 
1º- Vamos ler o texto: 
Unidade V 
 
 
 
97 
Comunicação e Expressão 
 
Os urubus e sabiás 
(1)Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos 
falavam...(2) Os urubus aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o 
canto, decidiram que mesmo contra a natureza, eles haveriam de se tornar grandes 
cantores. (3) E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram 
dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver 
quais deles seriam os mais importantes e teriam permissão para mandar nos outros. 
(4) Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o 
sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um 
respeitável urubu titular, a que todos chamavam de Vossa Excelência. (5) Tudo ia 
muito bem até que a doce tranquilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. 
(6) A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com 
os canários e faziam serenatas com os sabiás...(7) Os velhos urubus entortaram o 
bico, e o rancor encrespou a testa e eles convocaram pintassilgos, canários e sabiás 
para um inquérito. (8) “- Onde estão os documentos dos seus concursos?(9) E as 
pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas 
houvessem. (10) Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera 
com elas. (11) E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, 
mas cantavam simplesmente...(12)”- Não, assim não pode ser. Cantar sem a 
titulação devida é um desrespeito à ordem.”(13) E os urubus, em uníssono, 
expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...(14) MORAL: Em 
terra de urubus diplomados não se ouve canto de sabiá. 
(Rubem Alves, Estórias de quem gosta de Ensinar. São Paulo: Cortez Editora, 1984.) 
 
2º- Agora vamos responder perguntas simples: 
a) No início do texto em “Tudo aconteceu...”. Que tudo é esse? Que foi que 
aconteceu numa terra distante, na época que os bichos falavam? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
Unidade V 
 
 
98 
Comunicação e Expressão 
 
b) Em (3), temos o termo isto: “E para isto fundaram escolas...” . Isto o quê? De que 
se está falando? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
c) Ainda em (3), qual o sujeito dos verbos fundaram, importaram, gargarejaram, 
mandaram, fizeram? É o mesmo de teriam? Fala-se em quais deles: deles quem? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
d) Em (7), a quem se refere o pronome Eles? E seus em (8)? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
e) Quais são as pobres aves de que se fala em (9)? E as tais coisas? Elas em (10) 
refere-se a tais coisas ou pobres aves? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
f) De que passarinhos se fala em (13)? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
 
g) A que se relaciona Foi assim em (4)? Ou porque em (9)? 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
Unidade V 
 
 
 
99 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
Então para fechar o nosso estudo sobre coesão textual, vamos raciocinar 
em cima das perguntas e da reflexão de Koch (2003): 
Tudo, em (1), remete a toda sequência do texto sendo então, um elemento 
referencial catafórico. Por sua vez, isto, em (3) , remete a “haveriam de se tornar 
grandes cantores”, uma oração anterior, portanto , isto, funcionou como um 
elemento referencial anafórico, do mesmo modo que tudo em (5). 
Deles em (3), remete a urubus de (2), no qual foi realizado uma substituição 
nominal. 
São também os urubus, o sujeito omitido nos verbos fundaram, importaram, 
gargarejaram, mandaram, fizeram. Sendo assim podemos concluir que se houve a 
omissão do sujeito, a coesão foi por elipse. Já em teriam, o sujeito seria um 
subconjunto do conjunto de urubus, e o mecanismo de coesão foi o mesmo 
utilizado nos verbos anteriores. 
Em eles (7), retoma os velhos urubus, que por sua vez retoma os urubus 
citados no início do texto, nas duas vezes houve coesão por substituição nominal. 
Seus em (8) retoma pintassilgos, canários e sabiás. Pobre aves em (9) também. Tais 
coisas, substitui documentos na frase anterior. 
Os passarinhos, em (13), remete a elas, em (10), que por sua vez substituem 
pobre aves, em (9). 
Veja que existe outro grupo de mecanismos no texto que ainda não 
falamos até agora: mesmo(2), Foi assim(4), até que(5), porque(09 e 10), E(11) 
mas(12) e que (13). 
 
Veja que se tais questionamentos podem ser 
respondidos facilmente é por causa das relações 
textuais: todos estes elementos são recursos de 
coesão textual. 
Unidade V 
 
 
100 
Comunicação e Expressão 
 
Estes elementos fazem a coesão por conjunção e têm a função de assinalar 
determinadas relações de sentidos entre as orações ou períodos dentro do texto, 
como: relações de oposição, mas (2 e 11), consequência, Foi assim(4), tempo, até 
que(5), explicação, porque(09 e 10), adição E(11). 
Depois de realizada a análise dos elementos coesivos do texto de Rubem 
Alves acima, agora vamos interpretá-lo com mais profundidade. Você reparou que 
esse texto também foi escrito no tipo textual narrativo? Apresenta uma sequência 
de ações vivenciada por urubus e sabiás. O autor, por meio da observação do 
comportamento dos pássaros, fez uma crítica à exigência de títulos e carteiras para 
oficialização de uma profissão. Veja que ele personifica as aves, conferindo-lhes ares 
de “humanos”, ações humanas. Essas estratégias textuais são típicas de um gênero 
textual bem conhecido por nós: a fábula. 
 
 
 
 
 
 
 
Você conhece outras fábulas mais famosas como “A lebre e a tartatura”, “A 
formiga e a cigarra”, “A raposa e as uvas”, não é mesmo? 
 
 
 
 
Gênero textual: Fábula 
Gênero que apresenta uma história narrada breve e simples, em prosa ou em 
verso, vivenciada por personagens quase sempre animais irracionais ou seres 
inanimados, apontando para uma conclusão de ensinamento e de moral. 
Normalmente, apresenta ao final a moral evidenciada. 
Unidade V 
 
 
 
101 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta unidade, vimos que: 
 uma crônica é um gênero textual que aborda 
assunto e acontecimentos do dia a dia, 
apreendidos pela sensibilidade do cronista e 
desenvolvidosde forma pessoal por ele. Ela 
pode ser narrativa ou não, geralmente apresenta 
linguagem coloquial. 
 Um texto com função emotiva/expressiva é 
aquele que apresenta enfoque no emissor, ou 
seja, o destinador se mostra presente no texto, 
manifestando sua opinião, seus sentimentos ou 
posicionamentos. 
 Um texto narrativo é aquele que conta fatos e 
acontecimentos reais, ou não, vividos por 
personagens em determinado tempo e lugar. 
Por esta razão, apresenta fatos em sequência, 
desenvolvendo assim, relação de causa e efeito. 
 A função fática é centrada no contato (físico ou 
psicológico); Tudo o que numa mensagem, serve 
para estabelecer, manter ou cortar o contato 
(portanto, a comunicação), concerne a essa 
função, que manifesta, essencialmente, a 
necessidade e o desejo de comunicar. 
 A fábula é um gênero textual narrativo com 
história narrada breve e simples, em prosa ou 
em verso, vivenciada por personagens quase 
sempre animais irracionais ou seres inanimados, 
apontando para uma conclusão de ensinamento 
e de moral. Normalmente, apresenta ao final a 
moral evidenciada. 
 
Unidade V 
 
 
102 
Comunicação e Expressão 
 
Nesta unidade, completamos nossos estudos sobre as funções da 
linguagem. Vamos revisar e fazer uma atividade sobre todas elas? 
 
FUNÇÕES DA LINGUAGEM 
A) FUNÇÃO REFERENCIAL 
Também chamada de denotativa, está 
centrada no referente. Tudo o que, na 
mensagem, remete aos referentes situacionais 
ou textuais, concerne à função referencial. 
B) FUNÇÃO EMOTIVA OU 
EXPRESSIVA 
Centrada no destinador (ou emissor) da 
mensagem, exprime a atitude do emissor em 
relação ao conteúdo de sua mensagem e da 
situação. 
 
C) FUNÇÃO CONATIVA 
É a que se orienta para o destinatário. Tudo o 
que, na mensagem, remete diretamente ao 
destinatário dessa mensagem, concerne à 
função conativa, cujas manifestações mais 
evidentes são os imperativos e os vocativos. 
D) FUNÇÃO FÁTICA 
Centrada no contato (físico ou psicológico); 
Tudo o que numa mensagem, serve para 
estabelecer, manter ou cortar o contato 
(portanto, a comunicação), concerne a essa 
função, que manifesta, essencialmente, a 
necessidade e o desejo de comunicar. 
E) FUNÇÃO POÉTICA Se centra na própria mensagem. Ela coloca o 
lado palpável dos signos. Tudo o que, numa 
Unidade V 
 
 
 
103 
Comunicação e Expressão 
mensagem, suplementa o sentido da 
mensagem através do jogo de sua estrutura, 
de sua tonalidade, de seu ritmo, de sua 
sonoridade, concerne à função poética. 
F) FUNÇÃO METALINGUÍSTICA 
Centrada no código. Tudo o que, numa 
mensagem, serve para dar explicação ou 
precisar o código utilizado pelo destinador, 
concerne a essa função. É uma linguagem que 
fala da própria linguagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atividades 
1. Observe as frases abaixo e identifique qual a 
função de linguagem que predomina em cada uma 
delas: 
a) “Sinto-me derrotada pela minha própria 
corruptibilidade. E vejo que sou intrinsecamente 
má.” (Clarice Lispector) 
 
 
 
b) “No dia 19 de maio de 1974, às 8h37min, 
segundo fontes de informação extra-oficiais, a Índia 
procedeu à sua primeira explosão atômica, 
tornando-se, assim, o sexto país a pertencer ao 
fechado clube atômico.” 
 
 
 
 
Unidade V 
 
 
104 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Veja se acertou a 1ª atividade: 
a) “Sinto-me derrotada pela minha própria corruptibilidade. E vejo que sou 
intrinsecamente má.” (Clarice Lispector) 
Função Emotiva ou Expressiva. 
 
b) No dia 19 de maio de 1974, às 8h37min, segundo fontes de informação extra-
oficiais, a Índia procedeu à sua primeira explosão atômica, tornando-se, assim, o 
sexto país a pertencer ao fechado clube atômico.” 
 Função Referencial. 
c) “Não deixe de ver aquele filme amanhã.” 
 
 
d) “estética s.f. 1. Parte da filosofia que trata das leis 
e dos princípios do belo. 2. Caráter estético; beleza. 
3. (fig.) Plástica; beleza física.” (LUFT, Celso Pedro. 
Minidicionário Luft). 
 
 
e) Hum-hum... Concordo com você. 
 
 
 
Unidade V 
 
 
 
105 
Comunicação e Expressão 
 
c) “Não deixe de ver aquele filme amanhã”. 
Função Conativa ou Apelativa. 
 
d) “estética s.f. 1. Parte da filosofia que trata das leis e dos princípios do belo. 2. 
Caráter estético; beleza. 3. (fig.) Plástica; beleza física.” (LUFT, Celso Pedro. 
Minidicionário Luft). 
Função Metalinguística. 
 
e) Hum-hum... Concordo com você. 
Função Fática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade V 
 
 
106 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
- Construir textos considerando a situação comunicativa. 
- Compreender a língua como um conjunto de variedades e a variação como 
fenômeno natural. 
- Compreender o processo de normatização da língua. 
- Avaliar as diferentes situações de enunciação e a adequação das produções 
textuais. 
- Estabelecer as características básicas da comunicação oral e escrita. - 
Compreender a fala e a escrita como modalidades diferentes, mas complementares, 
da língua. 
 
 
 
 Ciclo 03 
 Atividade: Teste 
 Título: Conexões do Texto / Fala, Escrita e Variedades Linguísticas 
 
Unidade VI – Fala, Escrita 
e Variedades Linguísticas 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
VI 
 
 
 
107 
Comunicação e Expressão 
 
Para além das definições, a importância da língua em nossas vidas é imensa. 
Nós vivemos a língua em todas as situações da vida humana e o próprio modo 
como nos organizamos em sociedade reflete isso e, ao mesmo tempo, é 
consequência do uso dessa capacidade de linguagem. Somos seres “linguageiros”! 
Esta unidade 6 será um pouco mais reflexiva, se comparada às outras 
unidades que estudamos. Nela, vamos tratar sobre as duas modalidades de 
comunicação verbal por meio das quais nos comunicamos: a fala e a escrita. Depois, 
vamos discutir um pouco sobre a diversidade linguística de nosso país! Vamos lá? 
 
6.1 Fala e escrita 
Alguma vez você já disse ou ouviu alguém dizer: “não sei português” ou 
“português é muito difícil”? Pois é, esse é um pensamento comum, mas precisamos 
questioná-lo! Na esmagadora maioria das vezes, a pessoa, quando expressa uma 
opinião como as descritas acima sobre a língua, está falando sobre a escrita do 
idioma. 
 
Escrita: ou me decifras ou te devoro? 
Segundo Marcuschi (2004), hoje é impossível investigar oralidade (fala) e 
letramento (escrita) sem uma referência direta ao papel dessas práticas na 
civilização contemporânea, ou seja, já não se podem observar satisfatoriamente as 
semelhanças e diferenças entre fala e escrita sem considerar a distribuição de seus 
usos na vida cotidiana. E o próprio autor afirma que, para se pensar desse modo, é 
necessário realizar uma mudança na visão que se tinha principalmente antes dos 
anos 80, na qual fala e escrita eram vistas (e ainda o são) como opostas, 
predominando a supremacia cognitiva da escrita. 
Mas, mesmo criada pelo engenho humano muito tardiamente em relação ao 
surgimento da fala, a escrita permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos 
que a utilizam. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a 
influência do que se convencionou chamar de práticas de letramento. Bem, a 
Unidade VI 
 
 
108 
Comunicação e Expressão 
 
escrita, então, é utilizada em contextos básicos da vida cotidiana, a saber: a família, a 
escola, o trabalho, o dia a dia, a vida burocrática, a atividade intelectual. Entretanto, 
não podemos considerar a escrita superior à fala. 
 
 
 
 
 
 
 
Afinal, a escrita pode ser vista hoje como indispensável à sobrevivência no 
mundo moderno. Entretanto, não se tornou indispensável por virtudes que lhe são 
imanentes, mas pela forma como se impôs e a violência com que penetrou nas 
sociedades modernas e impregnou as culturas de um modo geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Espere aí! Por que falamos em violênciada escrita? Após ler o texto 
indicado no link acima, a ideia faz mais sentido... já que vivemos numa sociedade 
grafocêntrica. 
Caro aluno, o primeiro passo para desmistificar 
aquela ideia segundo a qual escrever é difícil, ainda 
mais se for português, é compreender as 
singularidades da fala e da escrita, desconstruindo a 
crença na superioridade de qualquer dessas 
modalidades sobre a outra! 
Caro aluno, é muito importante que você acesse o 
link abaixo para ler o texto “O significado da 
oralidade em uma sociedade multicultural”, de Maria 
Elisa Ladeira. 
 
http://seer.ucp.br/seer/index.php?journal=trevo&pag
e=article&op=view&path%5B%5D=88 
Unidade VI 
http://seer.ucp.br/seer/index.php?journal=trevo&page=article&op=view&path%5B%5D=88
http://seer.ucp.br/seer/index.php?journal=trevo&page=article&op=view&path%5B%5D=88
 
 
 
109 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
Assim, apesar de a escrita ter surgido há pouco tempo na história da 
humanidade, ela se tornou um bem indispensável em muitas sociedades. A fala é 
adquirida naturalmente em contextos informais do dia a dia e nas relações sociais e 
dialógicas que se instauram desde que somos bebês. Mais do que a decorrência de 
uma disposição genética, o aprendizado e o uso de uma língua é uma forma de 
inserção cultural. Por outro lado, a escrita, em sua faceta institucional, é adquirida 
em contextos formais, como a escola. Daí seu caráter mais prestigioso como bem 
cultural desejável. 
Segundo Cagliari (2006), quando se diz que a escola precisa levar em conta 
a fala, muitos pensam que isso significaria ensinar os alunos a “falar bonito” ou 
mesmo “falar direito”, mas, na verdade, a escola deveria valorizar mais o que é 
específico da fala, já que, atualmente, encontra-se muito centrada na escrita. 
Assim, é importante lembrar que a escrita não é a única forma de 
manutenção da cultura de um povo. Ao contrário, durante muito tempo, as 
narrativas orais e outros hábitos ligados à oralidade eram os principais responsáveis 
pela transmissão de informações, lendas, mitos, histórias, enfim, pela transmissão da 
cultura de uma geração a outra em todas as sociedades. Hoje em dia, continuam 
existindo várias sociedades que são ágrafas. 
Encarar a fala e a escrita como práticas sociais complementares significa 
compreender que são diferentes, mas que cada qual tem seu papel, sua função, e as 
duas são fundamentais. No entanto, é comum, em nossa sociedade, concebermos a 
escrita como representação da fala, mas tomando a primeira como parâmetro. Isso 
traz confusões e sofrimentos para os alunos desde que iniciam sua alfabetização (ou 
até mesmo antes), pois tomar a escrita como representação da fala e parâmetro 
Grafocêntrica: significa ter a grafia ou a escrita, no 
caso, como central. Viver numa sociedade 
grafocêntrica significa, então, viver num ambiente 
social e cultural que valoriza as práticas de escrita. 
Unidade VI 
 
 
110 
Comunicação e Expressão 
 
para a última é afirmar que temos que falar como escrevemos, é abrir caminho para 
o preconceito em relação à linguagem, é dificultar o processo de aquisição da 
escrita. Afinal, ninguém fala como escreve, há diferentes dialetos e a escrita é e não 
é a representação da fala. 
 
Por que a escrita é considerada como representação da fala? Justamente porque as 
duas são manifestações da mesma língua, do mesmo sistema organizado de signos, 
tendo a fala surgido antes na história da humanidade. 
Por que a escrita não é considerada representação da fala? A escrita não poderia 
ser considerada como representação da fala porque não consegue reproduzir 
muitos de seus fenômenos específicos, tais como a gestualidade. Em compensação, 
possui outros que a fala não tem, como elementos pictóricos e gráficos. Ou seja, o 
meio básico de realização de cada uma delas é diferente. Além disso, e 
principalmente, cada uma delas tem usos distintos. 
 
 
 
 
 
 
Assim, tanto a fala como a escrita permitem a construção de textos coesos 
e coerentes, ambas permitem a elaboração de raciocínios abstratos e exposições 
formais e informais, variações estilísticas, dialetais e outras. 
Sobre a relação entre fala e escrita, o professor Marcuschi utiliza, pela 
primeira vez, provavelmente, o termo “continuum” tipológico que foi sugerido por 
Biber (1988), para quem, na comparação entre a fala e a escrita, deve-se considerar 
seis dimensões significativas de variação linguística e a relação entre os gêneros 
respectivos a cada um deles, além do contínuo tipológico nos usos linguísticos, 
O que você pensa sobre isso? Encarar a fala e a 
escrita dessa forma muda o que você pensava a 
respeito? 
Unidade VI 
 
 
 
111 
Comunicação e Expressão 
 
evitando comparações dicotômicas, baseadas apenas em textos prototípicos de 
cada modalidade. Desta forma, não se pode conceber que qualquer caracterização 
linguística ou situacional da fala ou da escrita se efetive em todos os gêneros orais 
ou escritos. No contínuo tipológico, há gêneros orais e escritos muito semelhantes 
(conferência−artigo acadêmico, conversa entre amigos−carta familiar, entre outros) 
e outros muito distintos (bate-papo−artigo acadêmico ou um seminário−bilhete). 
Isto ocorre porque não há homogeneidade na relação oralidade/escrita: 
 
Figura 01 – Continuum tipológico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Marcuschi 2004 
Unidade VI 
 
 
112 
Comunicação e Expressão 
 
Como se pode ver no quadro acima, que é uma representação do contínuo 
tipológico proposto por Marcuschi (2004), fala e escrita apresentam-se num 
“continuum” que abrange vários gêneros textuais. Há os que se aproximam mais da 
fala e outros mais amplos no contexto que estão mais próximos da escrita. Não há 
padrão fechado. Os gêneros oscilam em manifestações orais ou escritas, e seu 
maior ou menor planejamento da linguagem dependerá das intenções do falante e 
do contexto de uso. 
A visão funcional sugere que se preserve um continuo de variações, 
gradações e interconexões entre fala e escrita. Há casos que as proximidades entre 
fala e escrita são tão estreitas que parece haver uma mescla, ou quase uma fusão 
entre ambas tanto nas estratégias textuais como nos contextos de realização. Há 
outros, em que a distância é marcada, mas não a ponto de se ter dois sistemas 
linguísticos. Nesse parâmetro, as relações entre fala e escrita recebem um 
tratamento mais adequado, permitindo aos usuários da língua maior conforto e 
segurança em suas atividades discursivas. 
 Para Kato (1987), o que determina as diferenças entre as 
modalidades oral e escrita são as diferentes condições de produção, que refletem 
uma maior ou menor dependência do contexto, um maior ou menor grau de 
planejamento e uma maior ou menor submissão às regras gramaticais. 
 
6.2 Variação linguística e normatização 
Podemos dizer que perguntas que frequentemente são formuladas acerca 
do que é “certo” ou “errado” em português nos levam a refletir sobre a questão da 
norma linguística de modo geral e sobre a norma prescritiva (a norma da gramática 
tradicional) de modo particular. 
O usuário da língua tem sempre a preocupação de “falar bem” a sua língua, 
o que significa estar alinhado com a prática linguística dos grupos a que pertence e 
com o que consegue aprender sobre a língua, seja por meio da observação da 
escrita, seja por meio de metalinguagem. Ora, é essa atitude linguística que tem 
alimentado a indústria editorial de publicações do tipo “não erre mais”, “1000 erros 
Unidade VI 
 
 
 
113 
Comunicação e Expressão 
 
de português” etc. Segundo Leite (acesso em 20/06/2010), o usuário, ao adquirir 
um volume como os descritos, tem a ilusão de que melhorará sensivelmente seu 
nível de linguagem em todas as situações de comunicação e pensa resolver seus 
problemas linguísticos, tanto em relação à modalidade falada, quantoà escrita. 
Provavelmente, o que ocorrerá, porém, é o usuário, se puser em prática de modo 
indistinto muitas daquelas “recomendações”, se sentir “um estranho no ninho” em 
muitos momentos de interação. O que ocorre? A norma prescrita nesses manuais 
não anda junto com a realidade linguística como um todo? 
Vários estudiosos já sabem que a resposta para a pergunta acima é não! Em 
muitos e muitos casos, as regras da gramática normativa são extraídas de textos 
escritos literários, de épocas anteriores à da descrição. Aquela norma, portanto, 
jamais será integralmente praticada e os pontos de discordância entre o que um 
usuário culto fala/escreve e o prescrito são muitas vezes os que causam a sensação 
de desconforto, de haver “erro de português”. Em se tratando de norma culta, as 
discordâncias existem, mas não são tantas e tamanhas a ponto de se poder dizer 
que há duas organizações, duas gramáticas, a da língua praticada e a da língua 
prescrita. A grande diferença entre elas é que a língua praticada é um mecanismo 
multiforme que toma diferentes configurações, quando posta em discurso, e a 
prescrita é uma entidade monolítica. 
É lugar-comum a afirmação de que é próprio à língua mudar, evoluir. 
Auroux (1992, apud Leite), por exemplo, diz que a mudança é um processo tão 
natural das línguas vivas que, se não existir, a língua não será mais língua viva. Não 
faltam, porém, aqueles que se insurgem contra a variação da língua. Para esses, a 
língua é entendida como uma entidade monolítica, cuja única face é aquela descrita 
nos manuais de gramática tradicional e nos dicionários. Sob esse ponto de vista, a 
língua tem apenas uma possibilidade de realização, e as divergências a tal 
possibilidade são “erros crassos”. Fica a impressão, pelos comentários feitos, de que 
essa norma da gramática prescritiva é imutável. Isso, porém, não é verdade, mesmo 
os manuais de gramática normativa acabam aceitando (ainda que lentamente) 
mudanças que ocorrem na língua. 
 
Unidade VI 
 
 
114 
Comunicação e Expressão 
 
Segundo Keller (1994, apud Leite), as mudanças na língua não decorrem, 
como se pensa correntemente, necessária e suficientemente das mudanças do 
mundo. A necessidade de comunicação e a intenção de os homens exercerem 
influência uns sobre os outros são decisivas para isso. O próprio autor afirma que as 
razões da inexorável mudança linguística ainda não foram descobertas, mas que 
uma teoria da mudança é, também e ao mesmo tempo, uma teoria das funções e 
princípios da comunicação. 
O problema da mudança da língua implica o exercício do “pessimismo 
cultural”. Isso ocorre porque o usuário não tem intenção, nem planos, para 
promover as mudanças e, também, não tem consciência de que elas existem natural 
e independentemente de sua vontade. Por isso, o usuário tende a achar que a 
perfeição se encontra em estágios anteriores da língua, isto é, os estágios descritos 
nos manuais como a “língua correta”, por meio de exemplos da literatura. Esses, 
então, passam a constituir o foco de resistência da mudança. Mas, como foi dito 
anteriormente, nem mesmo esses focos conservadores resistem às mudanças que, 
ao longo do tempo, precisam não somente ser registradas, mas também assimiladas. 
Como exemplo, pode-se citar o trecho abaixo, sobre algumas ocorrências de 
mudanças no texto gramatical de Bechara (1961 e 1999), o qual, em 
reconhecimento do uso corrente, desautoriza a tradição em benefício da realidade 
da língua. 
 
 
 
 
 
 
No capítulo das preposições, Bechara faz uma observação sobre o uso da 
preposição em, nas expressões tais como General em chefe, Ferro em brasa, 
 
VEJA O EXEMPLO ABAIXO! 
Unidade VI 
 
 
 
115 
Comunicação e Expressão 
 
Imagem em barro, Gravura em aço, antes condenada por galicismo, nos 
seguintes termos: 
“Tem-se, sem maior exame, condenado este emprego da preposição “em” 
como galicismo. Tem-se também querido evitar a expressão em questão, por se ter 
inspirado em modo de falar francês; mas é linguagem hoje comuníssima e corrente 
nas principais línguas literárias do mundo.” (MGP, 1999, p. 316) 
Está claro que o emprego da preposição em expressões como as citadas 
foram consagradas pela adoção e uso em tais contextos o que, depois, as 
consagrou como normais na língua, quer na modalidade escrita ou falada, nos 
registros formais ou informais. Nesse caso, não resta outra alternativa ao gramático 
sensível aos fatos da língua senão o reconhecimento da existência da expressão. 
Vale notar a observação de Bechara, a fim de justificar sua opção, ao uso desse tipo 
de expressão “nas principais línguas literárias do mundo”. Talvez se possa dizer que 
esse não seja um argumento próprio para justificar um uso vernáculo, mas é válido 
e pode ser tomado como princípio explicativo para a justificação da novidade nesse 
campo tão inóspito a inovações. Mas elas existem, como estamos percebendo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A chamada norma padrão (a que é falada pela 
“classe média”, utilizada pelos meios de 
comunicação e na escola) aproxima-se mais da 
escrita, mas mesmo essa sofre variações porque é 
próprio da língua que isso aconteça! Em vários casos, 
em outros dialetos (os chamados dialetos não-
padrão), há uma série de diferenças em relação à 
norma culta, as quais, geralmente, dificultam o 
aprendizado de muitos em relação ao dialeto 
padrão, pois existe muito preconceito em nossa 
sociedade em relação aos dialetos não-padrão, que 
são tomados como errados, mas que na verdade, 
têm gramática (regras funcionais) muito coerente! 
Unidade VI 
 
 
116 
Comunicação e Expressão 
 
 
 Figura 02: Charge 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://porquesublimarpreciso.blogspot.com.br/ 
 
Costumamos dizer que somos péssimos em português, justamente na língua 
em que falamos desde a nossa mais tenra infância! Como assim? 
 
 
 
 
 
O processo de normatização, ou padronização, 
retira a língua de sua realidade social, complexa e 
dinâmica, para transformá-la num objeto externo 
aos falantes, numa entidade com "vida própria", 
(supostamente) independente dos seres humanos 
que a falam, escrevem, leem e interagem por meio 
dela. 
 
Unidade VI 
 
 
 
117 
Comunicação e Expressão 
 
Muitas vezes, a escola é co-responsável pelos mitos construídos pelos alunos 
a respeito de suas próprias capacidades, inclusive as linguísticas. Na tirinha acima, a 
despeito da crítica à mentalidade utilitarista das sociedades capitalistas, o fato é que 
o papel da escola precisa ser (e já está sendo) repensado de modo a que possa de 
fato ajudar os alunos no desenvolvimento de suas competências! 
Precisamos compreender que as línguas variam e isso é algo natural, não há 
nada de “feio” ou “bizarro’ neste fenômeno. 
As variações linguísticas podem estar ligadas a diferentes fatores, entre eles 
o geográfico, o social e o situacional. Sobre o último, é importante dizer que o 
mesmo falante, em diferentes ocasiões, dentro do mesmo dialeto, pode monitorar 
mais ou menos a sua linguagem dependendo do contexto no qual está inserido 
(formal ou informal) e dos objetivos da comunicação. Afinal, não nos expressamos 
do mesmo modo numa roda de amigos e numa entrevista de emprego. Esse 
fenômeno é chamado de “diferença de registro” ou de “nível de linguagem”. 
INADEQUAÇÃO: Há inadequação em relação ao nível de linguagem 
quando o usuário não leva em conta o contexto e se expressa de forma 
equivocada em relação a ele, sendo formal, por exemplo, quando a situação exige o 
inverso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A língua é um conjunto de variedades, de dialetos. 
Um desses dialetos é eleito (socialmente) como o 
mais ‘certo’, a chamada norma padrão, que 
geralmente se aproxima da escrita. As gramáticas 
tradicionais, ao objetivarem “conservar” essa norma 
que consideram a ideal, vão de encontro às leis 
naturais da mudança linguística,causando, 
consequentemente, um desconforto por parte dos 
usuários, que acham a língua “difícil” e até mesmo 
dificultando a aprendizagem da escrita e gerando 
preconceitos linguísticos. O primeiro passo para nos 
apropriarmos da nossa língua é entender que as 
modalidades falada e escrita da língua se 
complementam, mas são bem diferentes. Além 
disso, é preciso relativizar as regras ditadas pela 
gramática normativa levando em conta os usos 
sociais da escrita. 
 
Unidade VI 
 
 
118 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
- Compreender um texto como um todo coerente. 
- Perceber os elementos de conexão de um texto. 
- Fazer a conexão das partes do texto. 
 
 
 
 Ciclo 04 
 Atividade: Wiki 
 Título: Texto Dissertativo e Texto Acadêmico 
 
 
 
 
Unidade VII – Texto 
Dissertativo e Texto 
Acadêmico 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
VII 
 
 
 
119 
Comunicação e Expressão 
 
Um dos textos mais presentes no nosso dia a dia é o dissertativo, aquele 
texto por meio do qual expressamos nossa opinião, justificamos nossas ideias. 
Na vida estudantil, esse tipo de texto está presente, por exemplo, nas 
respostas das questões abertas de atividades e de provas. Você precisa defender 
que seu aprendizado está se transformando em conhecimento, não é mesmo? 
Aquele famoso ditado “porque sim não é resposta” é muito verdadeiro. Precisamos 
argumentar, exemplificar, organizar ideias para defendermos nossa opinião da 
melhor forma na tentativa de convencer nosso interlocutor. Na vida profissional, 
também precisamos justificar nossas escolhas, argumentar sobre decisões, defender 
novos projetos, não é mesmo? 
Nesta unidade, vamos aprender algumas estratégias para argumentar 
melhor. Porém, antes de entrarmos nesse tema, precisamos compreender o 
conceito de “coerência textual”. Vamos começar? 
 
7.1 Coerência 
Você já ouviu certos comentários como: “Este texto está incoerente!” ou 
“Falta coerência entre as ideias”, mas o que é coerência? Em que aspectos ela 
interfere no texto? 
De acordo com Kock (1999), o conceito de coerência textual é muito difícil 
de definir exatamente, mas podemos percebê-la a partir de aspectos que 
possibilitam a percepção de coerência. 
Um destes princípios é a atribuição de sentido, isso quer dizer que o texto 
não é apenas um amontoado de frases, jogadas uma após a outra, mas relacionadas 
entre si. O estabelecimento da relação entre as frases gera a interpretabilidade e 
inteligibilidade do texto. Vamos ver um exemplo? 
 
 
 
Unidade VII 
 
 
120 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O show 
O cartaz 
O desejo 
 
O pai 
O dinheiro 
O ingresso 
 
O dia 
A preparação 
A ida 
 
O estádio 
A multidão 
A expectativa 
 
A música 
A vibração 
A participação 
 
O fim 
A volta 
O desejo 
(s/a apud: KOCK, 1999,p.12) 
 
Unidade VII 
 
 
 
121 
Comunicação e Expressão 
 
Veja que interessante! O texto é apenas uma lista de palavras sem qualquer 
ligação sintática e sem nenhum elemento que explique a relação entre elas. Se você 
já foi a um show, percebeu nesta sequência linguística uma unidade de sentido, não 
é mesmo? Isso faz com que o poema “O show”, seja visto como um texto e não 
um simples amontoado de palavras. O sentido aqui se refere ao todo, porque a 
coerência textual é global e está diretamente vinculada à capacidade do alocutário 
de decifrar e compreender o texto. 
Kock (1999) afirma que o destinatário ao ler o título, ativa em sua memória 
o que é um show e então realiza ligações não explícitas entre as palavras do 
poema. Os processos cognitivos operantes entre os agentes do processo 
comunicativo caracterizam a coerência na medida em que criam um mundo textual 
que pode ou não concordar com a versão estabelecida de “mundo real”. Veja que 
Djik (1992), com outras palavras, reafirma as observações de Kock (1999). 
 
As pessoas que compreendem acontecimentos reais ou eventos 
discursivos são capazes de construir uma representação mental, 
principalmente uma representação mental significativa, somente se 
tiverem um conhecimento mais geral a respeito de tais acontecimentos. 
[...] Desta forma, duas pessoas podem interpretar os acontecimentos à 
luz de suas experiências prévias que podem conduzi-las[...] no 
processamento de tais acontecimentos. (DJIK, 1992, p.15) 
 
 
 
 
 
 
 
Agora vamos observar os trechos abaixo: 
(1) Raquel tinha lavado o carro quando chegamos, 
mas ainda estava lavando o carro. 
(2) Lucas não foi à aula, entretanto estava doente. 
(3) A galinha estava grávida. 
Unidade VII 
 
 
122 
Comunicação e Expressão 
 
Não houve uma incongruência no sentido textual? Kock (1999) explica 
porque essas passagens podem ser apontadas como fonte de incoerência. Em (1), a 
incoerência é criada pelo fato de o autor apresentar o mesmo processo verbal em 
duas fases distintas da frase, gerando uma ideia de acabado e não-acabado ao 
mesmo tempo, o que não é aceitável. Já na segunda construção, a conjunção entre 
as duas orações “Lucas não foi à aula” e “estava doente” estabelece uma relação de 
oposição, que contraria a relação de causa que parece ser a mais indicada. No 
trecho (3), a passagem é incoerente por contrariar o conhecimento geral, vale 
lembrar que o texto (3) só é incoerente se o mundo representado no texto for 
“real” e não um texto fantástico, mágico, de fantasia. 
Você percebeu que a incoerência textual pode derivar de problemas de 
coesão? No exemplo (2), temos o elemento coesivo “entretanto” que 
normalmente une as orações dando uma ideia de “quebra de expectativa”: 
Estudei tanto para a prova. Entretanto, não fui aprovado. 
Veja que o esperado nesse caso era ser aprovado na prova, já que se 
estudou muito. Então, para haver coerência na frase (2) acima, precisaríamos 
reescrever: 
Lucas não foi à aula, entretanto estava bem de saúde. 
Percebeu que coesão e coerência caminham juntas para a formação do 
nexo textual? A coesão funciona mais no plano linguístico, ou seja, por meio de 
palavras da própria língua nós conectamos as ideias do texto. Já a coerência 
funciona mais no plano das ideias, algo mais abstrato, a harmonia de sentido final do 
texto. 
 
7.2 O texto dissertativo 
 Segundo Medeiros (1996, p.211), construir um texto dissertativo é 
apresentar ideias, analisá-las, é formar um ponto de vista fundamentando-se na 
lógica dos fatos, consolidando então, relações de causa e efeito. 
Unidade VII 
 
 
 
123 
Comunicação e Expressão 
 
É um tipo de texto muito utilizado no meio acadêmico (e você com certeza 
irá utilizá-lo). Na dissertação não basta expor, narrar ou descrever, é preciso 
explicar, explanar, defender uma ideia ou colocar em debate um questionamento 
sobre determinado assunto. O raciocínio nesta composição deve ser claro, pois 
quanto maior a argumentação, maior também a credibilidade e persuasão do texto. 
Precisamos, ainda, ficar atentos na escolha dos argumentos para que não 
haja uma incoerência argumentativa, por exemplo, em um texto dizermos que 
todos são iguais perante a lei e, depois, criticarmos o privilégio de outras classes 
sociais no pagamento de impostos: 
 
Assim também é incoerente defender qualquer ponto de vista 
contrário a qualquer tipo de violência e ser favorável à pena de morte, 
a não ser que não se considere a ação de matar como uma ação 
violenta. (IDEM, p.265) 
 
A elaboração da dissertação está ligada diretamente à habilidade de 
argumentação do autor, de costurar o tema e o ponto de vista aos fatos e 
elementos que comprovam sua teoria distribuídos na estrutura do texto. 
A maneira que os argumentos são expostos e que o ponto de vista é 
defendido pode caracterizar o texto como dissertativo expositivo e dissertativo 
argumentativo. 
 
 
 
 
 
 
 
O texto é a apresentação de um ponto de vista sem combater outros.Por 
esta razão, não se dirige a um interlocutor específico.A dissertação é 
realizada pela seleção de argumentos que legitimem o ponto de vista 
defendido.O enunciador se preocupa com a exposição e a defesa de sua 
tese, a persuasão não se apresenta de forma clara no texto, mas pode ser 
vista nas entrelinhas.A linguagem é formal, adequada ao assunto. 
Dissertação Expositiva 
Unidade VII 
 
 
124 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O texto dissertativo expositivo ou argumentativo deve ser escrito de 
maneira que supra os objetivos do autor, de maneira organizada, dando início, meio 
e fim na linha de raciocínio criada. 
Normalmente, quando pensamos em texto dissertativo-argumentativo, 
lembramos das provas de vestibular e concursos, não é mesmo? Talvez ele seja 
solicitado justamente porque requer organização das ideias, seleção de 
conhecimento de mundo do produtor, domínio da escrita e da norma padrão. Mas 
não fique com essa ideia fixa, ok? Podemos produzir textos dissertativos até mesmo 
em post de Facebook. Esse tipo textual está muito presente em nosso cotidiano. 
Veja abaixo alguns gêneros que tem caráter dissertativo. 
Claro que, como você aprendeu sobre os gêneros, cada gênero apresenta 
sua particularidade em decorrência dos objetivos comunicativos. No caso abaixo, 
todos os gêneros apresentam similaridade em um aspecto do estilo verbal (tipo 
textual dissertativo), mas vão apresentar atividade humana e composição textual 
específicos. 
 
 
 
O texto é um jogo de ataque e defesa. Expõe um ponto de vista 
combatendo outros. Dirige-se a um interlocutor explícito ou subentendido. 
Apresentação de argumentos que legitimem o ponto de vista defendido, 
mas com o objetivo de enfraquecer a argumentação contrária. O 
enunciador se preocupa com a exposição e a defesa de sua tese, tentando 
com isso persuadir o interlocutor (aquele que almeja a adesão 
deste.)Linguagem adequada ao assunto e ao interlocutor. 
Dissertação Argumentativa 
Unidade VII 
 
 
 
125 
Comunicação e Expressão 
 
Resenha crítica 
Apresenta o conteúdo de uma obra. Indica-se a forma de abordagem do 
autor a respeito do tema e da teoria utilizada. É uma análise crítica, pois encerra um 
conceito de valor emitido pelo resenhista sobre a obra em questão. Pode-se fazer 
uma resenha crítica sobre um livro, um show, um espetáculo teatral, entre outros. 
 
Carta do leitor 
Texto em que o leitor de jornal ou da revista manifesta seu ponto de vista 
sobre um determinado assunto da atualidade, usando elementos argumentativos. 
 
Artigo de opinião 
Assim como o editorial, também é um texto de caráter opinativo. Porém, 
ao invés de representar a opinião do veículo em que está sendo divulgado, tem 
caráter pessoal. Logo, deve vir assinado pelo autor, que se responsabiliza pelo 
conteúdo, ou seja, pelas opiniões apresentadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Impessoalidade 
Quando vamos escrever um texto dissertativo, uma 
dúvida surge. Posso utilizar “eu”, ou seja, a 
subjetividade textual, como em “acredito”, “na 
minha opinião”? É importante analisar sempre o 
gênero textual que vamos escrever e o contexto 
comunicativo. Para dissertações tradicionais e textos 
acadêmicos, o aconselhado é que o texto seja 
impessoal. A questão da impessoalidade será 
abordada na próxima unidade, quando falaremos de 
texto acadêmico, ok? 
 
Unidade VII 
 
 
126 
Comunicação e Expressão 
 
A dissertação tradicional, aquelas solicitadas em provas oficiais, parece estar 
se tornando um gênero textual bem rígido, com uma série de orientações a 
respeito do que se pode ou não fazer. Na sequência dos estudos, não é nosso 
intuito engessar o processo de produção textual, mas sim fornecer mecanismos que 
acrescentam qualidade na produção e auxiliam na geração de sentido e unidade. 
Para isso, apresentamos uma estrutura criada para a organização da dissertação 
mais tradicional: 
- Introdução: como o nome indica, deve mostrar de forma clara o assunto 
que será tratado, segundo Pereira (2010), com o intuito de situar o leitor 
conduzindo-o para a dinâmica do texto. A introdução demarca os questionamentos 
que serão tratados no decorrer da discussão. 
 
Neste momento pode-se formular uma tese, na qual o interlocutor se torna 
capaz de perceber a opinião do enunciador sobre o tema que deverá ser debatido 
e comprovado durante a argumentação. 
 Pereira (2010) ilustra o que dissemos aqui com dois bons exemplos de 
introdução, com opiniões contrárias sobre a maioridade penal, veja: 
 
O ponto de vista de uma advogada e uma antropóloga: 
 “(...) Abre-se o debate sobre uma mudança legislativa como solução 
mágica e suficiente para transformar práticas institucionais que há muito não se 
alteram. 
 Definitivamente, não será um tratamento mais rigoroso aos menores 
de 18 anos (mais do que o já existente e instituído) que trará aos brasileiros a paz e 
segurança tão almejadas. A simples mudança de lei se apresenta como solução (...), 
mas pouco se traduz em garantias de que um novo crime trágico (...), não ocorrerá 
novamente”. 
 
 
Unidade VII 
 
 
 
127 
Comunicação e Expressão 
 
O ponto de vista de um professor de Direito: 
 “A sociedade espera e merece a atuação conjunta dos poderes 
constituídos para imediata realização das necessárias alterações na legislação sobre 
delinqüência juvenil. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é uma das leis mais 
avançadas na proteção da infância e da juventude, bem como na preservação do bem-
estar da família, mas o fenômeno da criminalidade é mutável, e a aplicação prática de 
toda lei exige aperfeiçoamento e adaptações”. 
Disponíveis em: www.aescritanasentrelinhas.com.br 
Ainda segundo a autora, a introdução não pode mostrar tudo do texto, 
devem existir algumas coisas que introdução também deve esconder, 
 
A introdução deve esconder pelo menos algum argumento significativo, 
garantindo que o leitor, à medida que prossegue na leitura, perceba um 
acréscimo na carga de informação transmitida. Se todas as ideias* 
importantes forem apresentadas na introdução, o texto tenderá à 
redundância, traindo a expectativa do leitor. Assim como um filme deve 
revelar algo de surpreendente, evitando criar a impressão de que tudo 
era previsível, o texto precisa surpreender o leitor, oferecendo-lhe 
informações novas.(PEREIRA, 2010, §11) 
 
- Desenvolvimento: É nesta parte do texto que as ideias apresentadas na 
introdução são discutidas e relacionadas com os fatos, raciocínios e argumentos 
comprobatórios da tese exposta inicialmente. Pereira diz que no desenvolvimento é 
que a persuasão se dá (ou não) de fato, pois é quando ele apresenta seus 
argumentos, nele a dissertação amplia seu foco, inclui dimensões da experiência 
humana que são relevantes para a sustentação da tese. O exemplo utilizado por 
Pereira foi: 
 
 
 
Unidade VII 
 
 
128 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A visita de Jahangir, que ocupa o posto de relatora 
especial das Nações Unidas para Execuções 
Arbitrárias, Sumárias e Extrajudiciais, é um desses 
raros fatos positivos. Ela está no Brasil a pedido do 
Governo Federal e deverá apresentar relatório à 
Comissão de Direitos Humanos da ONU. 
Os mais cínicos poderão se perguntar por que o 
Governo traz um estrangeiro que inevitavelmente 
fará críticas ao país num foro internacional. É 
justamente sob essa aparente incoerência que se 
encerra algo alentador no campo dos direitos 
humanos: o poder central ao menos sinaliza que 
está disposto a tocar na questão das torturas e 
ações de extermínio com a participação de policiais. 
Infelizmente, tal disposição parece mais reduzida em 
esferas estaduais. Asma Jahangir, que goza da mais 
sólida reputação internacional, tentou, mas não 
conseguiu, ser recebida pelo governadorde São 
Paulo, Geraldo Alckmin. Pior, ela teve seu pedido 
para visitar a UAI (Unidade de Atendimento Inicial) 
do complexo da Febem no Brás inicialmente 
negado. (PEREIRA, 2010, §19) 
 
Conclusão: É o momento de desfecho texto, 
fazendo um apanhado forte e uma “amarração” de 
tudo o que já foi dito. A conclusão deve fazer uma 
confirmação final do assunto discutido. Veja no 
fragmento destacado: 
Unidade VII 
 
 
 
129 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para finalizarmos nosso aprendizado sobre o texto dissertativo, abaixo 
listamos algumas estratégias que podem ser utilizadas para sua argumentação. 
Alguns exemplos foram retirados de redações “nota 1000” no ENEM do ano de 
2014, de tema “Publicidade Infantil em questão no Brasil”: 
 
Eliminar a chaga da tortura e da violência policial não 
é tarefa simples. Ela torna-se ainda mais difícil 
quando altas vozes de comando da polícia paulista 
parecem preferir a linguagem da força e do 
confronto e tratar o respeito aos direitos humanos 
como um empecilho, e não como uma norma 
inegociável. (PEREIRA, 2010, §22) 
Parágrafos 
Na escrita, como afirmam alguns autores, noção de 
parágrafo é, antes de tudo, visual, mas não menos 
importante por isso. A constituição do parágrafo 
pode ser muito variada, contendo apenas uma frase 
ou várias, mas isso dependerá dos objetivos do 
texto, do público-alvo do texto e também das 
intenções do autor. 
INADEQUAÇÃO: Existem basicamente dois tipos 
de problemas: quando o texto é excessivamente 
longo (bloco indivisível!) com poucos parágrafos e 
quando o texto é truncado pelo excesso de 
parágrafos. 
 
Unidade VII 
 
 
130 
Comunicação e Expressão 
 
 Definição de um conceito: muito utilizada na introdução do texto, a definição 
de uma palavra ou conceito auxilia na contextualização. Não é considerada 
meramente informativa, pois cada interlocutor pode definir determinado 
conceito a partir de seu ponto de vista. É possível também selecionar uma 
definição tradicional de dicionário e, a partir da análise de seu texto, iniciar a 
discussão. 
Exemplo: 
A mobilidade urbana, isto é, as condições oferecidas pelas 
cidades para garantir a livre circulação de pessoas entre as 
suas diferentes áreas, é um dos maiores desafios na atualidade 
tanto para o Brasil quanto para vários outros países. (Rodolfo 
F. Alves Pena – Mundo Educação) 
 
 Contestação de um conceito ou opinião 
Exemplo: 
Há muito tempo as famílias são consideradas aquelas que 
envolvem a união de um homem e uma mulher que geram 
filhos e, portanto, esse tornou-se o padrão considerado normal 
e socialmente aceito. Contudo, não é sempre que o amor 
acontece somente entre pessoas de sexo oposto, ou até por 
duas pessoas e, da mesma forma, como indivíduos detentores 
de direitos, querem formar suas famílias e serem aceitos por 
suas diferenças. 
 
 Ênfase da palavra, uso metalinguístico: para sinalizarmos a escolha proposital de 
uma palavra destaque na argumentação, podemos dar ênfase com a própria 
repetição dela, com algum destaque de formatação (ou na entonação em 
comunicações orais), ou por meio de expressões como “isso mesmo”, “quer 
dizer”, “essa palavra”. 
Unidade VII 
 
 
 
131 
Comunicação e Expressão 
 
Exemplo: 
Ler a Bíblia nas escolas é uma opção. Uma opção de leitura. 
(Discussão da jornalista Rachel Sheherazade sobre o pedido da 
retirada das Bíblias das bibliotecas públicas) 
 
 Argumentação por autoridade: consiste em trazer vozes de outros autores para 
auxiliar na defesa das ideias. 
Exemplo: 
Prova disso são os dados da UNESCO afirmarem que cerca de 
85% das crianças preferem se divertir com os objetos 
divulgados nas propagandas, tornando notório que a relação 
entre ser humano e consumo está “nascendo” desde a 
infância. (Dandara Luíza da Costa – Redação Nota 1000 no 
ENEM de tema Publicidade Infantil) 
De acordo com Karl Marx, filósofo alemão do século XIX, para 
que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a 
mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria 
alcançada a partir da compra do produto. (Giovana Lazzaretti 
Segat – Redação Nota 1000 no ENEM de tema Publicidade 
Infantil) 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade VII 
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/01/nota-mil-na-redacao-do-enem-aluna-do-rs-sonha-em-ser-professora.html
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/01/nota-mil-na-redacao-do-enem-aluna-do-rs-sonha-em-ser-professora.html
 
 
132 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Interrogações e questionamentos: Essas questões podem representar sua tese 
ou então você pode fazer questionamentos com objetivo meramente reflexivo. 
Exemplo: 
O governo e setores da grande mídia estão instalando um 
clima de terrorismo no país e fazendo uma tremenda lavagem 
cerebral na população, afirmando que se a PEC 241 não for 
aprovada o Brasil “quebra”, usando ainda o óbvio discurso de 
que é necessário controlar gastos. Óbvio! Afinal, quem seria 
contra controlar gastos? 
As questões que não enfrentam são: O que está “quebrando” 
o Brasil? Que gastos estão de fato precisando ser controlados? 
O que a PEC 241 pretende fazer? O que está por trás dessa 
PEC 241? Por que não são enfrentadas as amarras que 
impedem que o Brasil, o país da abundância, garanta vida 
- Observe que no primeiro exemplo temos uma 
passagem informativa. Podemos sim trazer textos 
informativos para a dissertação, mas ele deve ser 
utilizado para auxiliar na comprovação dos seus 
posicionamentos. 
- Evite somente utilizar expressões vagas, sem fontes 
concretas do tipo “segundo estudos”, “segundo 
teóricos”. 
- Para textos mais formais e tradicionais, evite utilizar 
a voz de ditados populares. 
- A argumentação por autoridade é muito utilizada 
em textos acadêmicos (tema de nossa próxima 
unidade). 
 
Unidade VII 
 
 
 
133 
Comunicação e Expressão 
 
digna para todas as pessoas? É disso que vamos tratar nesse 
breve artigo. 
 
 Causas ou consequências: Consiste em buscar explicações sobre a origem do 
problema para entendê-lo melhor ou então citar as consequências para a 
sociedade. 
Exemplo: 
 (Tema: problema da mobilidade urbana no Brasil) 
O crescente número de veículos individuais promove o inchaço 
do trânsito, dificultando a locomoção ao longo das áreas das 
grandes cidades, principalmente nas regiões que concentram a 
maior parte dos serviços e empregos. 
O Brasil, atualmente, vive um drama a respeito dessa questão. 
A melhoria da renda da população de classe média e baixa, os 
incentivos promovidos pelo Governo Federal para o mercado 
automobilístico (como a redução do IPI) e a baixa qualidade 
do transporte público contribuíram para o aumento do número 
de carros no trânsito.(CAUSAS) Com isso, tornaram-se ainda 
mais constantes os problemas com engarrafamentos, lentidão, 
estresse e outros, um elemento presente até mesmo em 
cidades e localidades que não sofriam com essa questão 
(CONSEQUÊNCIAS). (Rodolfo F. Alves Pena – Mundo 
Educação) 
 
 Comparação: para elucidar e ilustrar determinada informação, você pode fazer 
comparações. 
 
 
Unidade VII 
 
 
134 
Comunicação e Expressão 
 
Exemplo: 
A área desmatada da Floresta Amazônica brasileira equivale a 
um país como a França. 
 
 Comparação entre país e culturas diferentes: recorrer a outras culturas e 
experiências de outros países pode ser uma boa estratégia para que o leitor 
tenha uma visão mais abrangente, para que se desvincule do mundo particular 
em que vive. 
Exemplos: 
Conforme a OMS, no Reino Unido há leis que limitam a 
publicidade para crianças como a que proíbe parcialmente – 
em que comerciais são proibidos em certos horários -, e a que 
personagens famosos não podem aparecer em propagandas 
de alimentos infantis. Já no Brasil há a autorregulamentação, 
na qualo setor publicitário cria normas e as acorda com o 
governo, sem legislação específica. (Giovana Lazzaretti Segat– 
Redação Nota 1000 no ENEM de tema Publicidade Infantil) 
Em Esparta, importante pólis grega, os meninos eram 
exaustivamente treinados para serem guerreiros que 
defenderiam sua cidade. Hoje, no Brasil, as crianças não tem 
essa preocupação: crescem e no futuro, podem escolher suas 
profissões. (Luis Arthur Novais Haddad – Redação Nota 1000 
no ENEM de tema Publicidade Infantil) 
 
 Exemplificação: uso de fatos, acontecimentos para justificar seu argumento, 
torná-lo mais palpável. Evite usar casos particulares. 
 
 
Unidade VII 
 
 
 
135 
Comunicação e Expressão 
 
Exemplo: 
As habilidades publicitárias são poderosas. O uso de ídolos 
infantis, desenhos animados e trilhas sonoras induzem a 
criança a relacionar seus gostos a vários produtos. Dessa 
maneira, as indústrias acabam compartilhando seus espaços; 
como exemplo as bonecas Monster High fazendo propaganda 
para o fast food Mc Donalds. (Giovana Lazzaretti Segat – 
Redação Nota 1000 no ENEM de tema Publicidade Infantil) 
 
Além disso, é necessária a introdução de disciplinas de 
educação financeira e direcionada ao consumo, visando à 
formação de consumidores conscientes. Assim, a criança 
deixará de ser alvo dessas práticas apelativas.". (Victoria Maria 
Luz Borges – Redação Nota 1000 no ENEM de tema 
Publicidade Infantil) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade VII 
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/01/nota-mil-na-redacao-do-enem-aluna-do-rs-sonha-em-ser-professora.html
http://g1.globo.com/pi/piaui/educacao/ingresso-universitario/2014/noticia/2015/01/jovem-deixa-semiarido-para-estudar-e-conquista-nota-maxima-na-redacao.html
http://g1.globo.com/pi/piaui/educacao/ingresso-universitario/2014/noticia/2015/01/jovem-deixa-semiarido-para-estudar-e-conquista-nota-maxima-na-redacao.html
 
 
136 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Reciprocidade: lançar uma argumentação do tipo “se agir de determinada 
forma para um caso, deverá fazê-lo para outro com características similares”, 
ou seja, aplicar o mesmo tratamento a duas situações correspondentes. 
Exemplo: 
(sobre a retirada da Bíblia das bibliotecas nas escolas) Se há 
uma caça aos símbolos cristãos, por que não combater a 
imagem do Cristo Redentor? 
Observe que na parte sublinhada do primeiro 
exemplo, há a defesa de uma ideia. Se o autor 
parasse sua argumentação nessa parte, a defesa se 
tornaria menos contundente. Usamos a 
exemplificação como estratégia para comprovação 
do que está sendo dito. A partir dela, leitor vê 
relação entre as ideias apresentadas e a realidade. - 
O segundo exemplo é uma proposta de solução 
para um problema. A tendência em geral é falarmos 
que a conscientização é a solução para todos os 
problemas, o que cai no senso comum. Se nós 
apresentamos ideias reais para essa conscientização, 
com agentes, espaços definidos, somos mais 
convincentes. Pense no caso dos candidatos à 
eleição que costumam prometer “vou melhorar a 
educação”. Se eles falam algum realmente realizável, 
há maior engajamento do receptor: “Analisando o 
repasse dos impostos para a cidade, é possível 
ampliar 4 turmas na Escola Municipal Domingos 
Flora em 2017”. 
 
Unidade VII 
 
 
 
137 
Comunicação e Expressão 
 
 Proposta de intervenção e solução: já que você está debatendo sobre um 
tema polêmico ou problemático, é interessante que você, enquanto 
cidadão, reflita sobre possíveis soluções para o caso. Em redações do 
ENEM, a proposta de intervenção equivale a 20% da nota. 
Exemplo: 
Nesse contexto, o governo deve regulamentar a veiculação e o 
conteúdo de campanhas publicitárias voltadas às crianças, 
pois, do contrário, elas podem ser prejudicadas em sua 
formação, com prejuízos físicos, psicológicos e emocionais. 
(Antônio Ivan Araújo – Redação Nota 1000 no ENEM de 
tema Publicidade Infantil) 
 
 
 
 
 
Unidade VII 
 
 
138 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Construir textos considerando a situação comunicativa. 
 
 Perceber a reescrita de texto como uma reflexão sobre a norma 
padrão. 
 
 
 
 Ciclo 04 
 Atividade: Wiki 
 Título: Texto Dissertativo e Texto Acadêmico 
 
 
 
 
Unidade VIII – 
Linguagem Acadêmica 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
VIII 
 
 
 
139 
Comunicação e Expressão 
 
Como vimos, todo gênero textual apresenta características estáveis para ser 
considerado como tal pela sociedade. Dessa forma, é importante considerarmos a 
questão da tradição textual de uma comunidade linguística para nos comunicarmos 
eficientemente. 
Nesta unidade, vamos trabalhar especificamente com textos acadêmicos, 
pois parece haver um maior rigor no que diz respeito à linguagem e ao formato do 
texto e, muitas vezes, se não seguirmos as características tradicionais podemos ser 
“penalizados” de alguma forma. 
 
8.1 O texto acadêmico 
O texto acadêmico é aquele que veicula o resultado de uma investigação 
científica, filosófica ou artística. É preciso, porém, que não confunda “texto 
acadêmico” com textos de “divulgação científica”: 
 
Divulgação científica 
Textos informativos com vocabulário preciso, frases curtas, ou seja, objetivo. 
Tem por finalidade divulgar para o grande público as descobertas mais recentes no 
campo das ciências em geral. 
Veja que no caso acima o texto é dirigido ao público em geral, pessoas que 
não necessariamente estudaram academicamente sobre o assunto. Esse é caso das 
reportagens sobre descobertas científicas em revistas comuns, como 
Superinteressante, Veja, Isto é... 
O texto acadêmico, por sua vez, é direcionado a estudiosos, pesquisadores 
da área em questão. Então, enquanto aluno, precisamos estar cientes de que a 
linguagem apresenta características mais formais, uso de vocabulário acadêmico e 
alta densidade de termos específicos da área em questão. 
Mas como você vai aprender a escrever textos acadêmicos? Não há receita 
fixa. Você aprenderá lendo e observando outros textos acadêmicos e terá que 
Unidade VIII 
 
 
140 
Comunicação e Expressão 
 
praticar bastante. Hoje em dia, com o auxílio da tecnologia e da web, temos muitos 
textos acadêmicos ao nosso alcance. O gênero mais acessível são os artigos 
acadêmicos: 
 
 
 
 
 
 
 
É preciso observar que artigos acadêmicos não são aqueles escritos por 
jornalistas, mas aqueles escritos por pesquisadores para estudiosos daquela área em 
específico. Hoje em dia, normalmente, os artigos acadêmicos são publicados em 
revistas acadêmicas online. Você pode procurar na web revistas acadêmicas de sua 
área! Acesse o site dela e percorra os artigos para observar a linguagem utilizada. 
Abaixo, para observamos a linguagem acadêmica, veremos o resumo de um artigo 
da área de Administração e Marketing: 
 
RESUMO 
O comportamento relacionado à compra compulsiva se caracteriza por um impulso 
incontrolável e irracional que tende a manifestar-se quando os indivíduos vivenciam 
sentimentos negativos. Apesar de ser intensamente pesquisada, ainda restam 
dúvidas sobre os fatores influenciadores da compra compulsiva, em especial em 
públicos potencialmente vulneráveis, como é o caso do público adolescente. Ao 
considerar tal lacuna, este artigo analisa o comportamento de compra compulsiva, 
assim, buscando compreender os condicionantes oriundos dos níveis de autoestima, 
materialismo, estresse e prazer em comprar especificamente de consumidores 
Gênero textual: artigo acadêmico-científico 
É um gênero de divulgação científica direcionado a pesquisadores, estudiosos 
sobre determinado assunto. Normalmente publicado em revistas acadêmicas, 
apresenta as seguintes partes: Título, nome do(s) autor(es), resumo, resumo em 
língua estrangeira, introdução (contextualização do tema, objetivos de pesquisa, 
justificativa),referencial teórico, metodologia, resultados e considerações finais. 
Linguagem formal e impessoal 
Unidade VIII 
 
 
 
141 
Comunicação e Expressão 
 
adolescentes. A partir da revisão de literatura, foram definidas quatro hipóteses, que 
foram testadas a partir de dados coletados junto a uma amostra de 153 sujeitos. 
No teste das hipóteses, foi utilizada a técnica de regressão da família gama de 
modelos lineares generalizados, operacionalizados no software R. Os resultados 
demonstraram que fatores como estresse, materialismo e prazer em comprar 
influenciam o comportamento de compra compulsiva dos adolescentes, tendo-se 
constatado ainda que a autoestima não teve influência na compulsividade dos 
respondentes da pesquisa. A pesquisa inova na operacionalização dos dados e 
avança no conhecimento acadêmico sobre compulsividade no consumo, gerando 
conhecimento que pode servir para formuladores de políticas públicas e 
organizações sociais orientadas ao interesse do consumidor. 
 
Palavras-Chave: adolescentes; comportamento do consumidor; compra compulsiva 
 
MEDEIROS, F. Gama de et al. Influência de Estresse, Materialismo e Autoestima na 
Compra Compulsiva de Adolescentes. IN: Revista de Administração 
Contemporânea. 
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-
65552015000800003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Acesso em: 12-12-2016 
 
Observe que o resumo contido no artigo não apresenta parágrafos. É uma 
característica particular deste gênero. O resumo vai mostrar com poucas palavras 
todo o conteúdo do artigo. A linguagem é mais formal e apresenta características 
típicas da linguagem acadêmica: 
 
 uso de verbos no objetivo de pesquisa: “analisar o comportamento”, 
“buscando compreender os condicionantes”. 
 
Unidade VIII 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552015000800003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt%20
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552015000800003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt%20
 
 
142 
Comunicação e Expressão 
 
A dica para escrita do objetivo é sempre escolher um verbo que exija 
investigação ou reflexão. Prefira: analisar, investigar, comparar, compreender... Evite: 
fazer. Uma confusão que também ocorre é colocar um objetivo do tipo “Contribuir 
para que a sociedade se torne menos preconceituosa”. Este não é um objetivo de 
pesquisa, mas é um benefício, uma consequência que sua pesquisa trará. O objetivo 
diz respeito ao que você, investigador, irá fazer, ok? 
 
 a impessoalidade da escrita acadêmica: “Este artigo analisa”, “foram definidas 
quatro hipóteses”, “Os resultados demonstraram”. Veja que aqui os autores do 
artigo poderiam ter escrito “Analisamos no artigo”, “Definimos quatro 
hipóteses”, “demonstramos que”, mas houve a preferência para uma frase 
impessoal. Sobre esta questão, assista à videoaula “Impessoalidade”. 
 
 uso de vocábulos típicos do fazer científico: revisão da literatura, hipóteses, 
testar hipóteses, coletar dados, amostra, sujeitos. Neste caso específico, são 
termos mais utilizados para descrever aspectos metodológicos da pesquisa. O 
termo “revisão da literatura”, por exemplo, também chamada de “revisão 
bibliográfica” é uma pesquisa mais aprofundada sobre as principais obras que 
tratam do assunto pesquisado. 
 
 linguagem formal: Outra característica do texto acadêmico é a formalidade. 
Precisamos considerar que não se trata de uma conversa entre amigos. Então, 
no texto acadêmico, a escolha de nossas palavras deve ser refletida. Devemos 
fazer uso de uma linguagem sem regionalismos, sem gírias... Vamos treinar a 
questão da formalidade no item a seguir, ok? 
 
A questão da autoria é algo muito rígido nos textos acadêmicos. O texto 
em sua totalidade deve ser escrito com as palavras do pesquisador, sendo que 
passagens de outros autores devem ser destacadas em forma de citação. Aliás, fazer 
Unidade VIII 
 
 
 
143 
Comunicação e Expressão 
referência a outros autores no texto acadêmico é uma estratégia de argumentação 
quase que obrigatória. Veja o exemplo: 
 
Em um dos primeiros trabalhos relevantes sobre o 
tema, Arndt (1967) definiu a comunicação BAB como “uma 
comunicação oral e pessoal entre um emissor percebido 
como não comercial e um receptor, tratando de uma 
marca, um produto ou um serviço oferecido para venda” 
(p. 190). 
Apesar da sua relevância, essas teorias foram construídas 
num contexto de marketing sem a presença da internet 
(Dellarocas, 2003; Hennig-Thurau et al., 2004). No final da 
década de 1990, Buttle (1998) lançou novas perspectivas 
sobre o entendimento da comunicação BAB. Segundo o 
autor, na era da internet, as comunidades on-line geram 
BAB virtual que não é face a face. 
Tubenchlak, Daniel Buarque et al. Motivações da 
Comunicação Boca a Boca Eletrônica Positiva entre 
Consumidores no Facebook. IN: Revista de Administração 
Contemporânea. 
Disponível em: 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S14156
5552015000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em 
12-12-2016 
 
Lembra que vimos rapidamente sobre “polifonia” na unidade 3? A polifonia 
é considerada a presença de mais de um locutor no mesmo enunciado (DUCROT, 
1984 apud KOCK, 1997) e a voz desses locutores pode estar explícita (podendo 
resgatar sua autoria) ou implícita no texto. É a ideia de que nosso discurso é 
composto por mais vozes além de nossa própria voz. No caso do texto acadêmico, 
temos a voz dos autores renomados e, ao colocarmos essas vozes em nosso texto 
Unidade VIII 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552015000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt#B2
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552015000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt#B16
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552015000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt#B11
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141565552015000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141565552015000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
 
 
144 
Comunicação e Expressão 
 
de pesquisa, reforçamos nossa argumentação e a credibilidade das ideias. Toda 
pesquisa parte do velho para produzir o novo. Pense nisso! 
 
 
 
 
 
 
- Para trabalhos acadêmicos, evite citar WIKIPÉDIA e textos de sites e blogs. 
Prefira autores renomados da área e obras publicadas realmente, como livro, teses, 
dissertações ou artigos acadêmico-científicos. 
- Para dissertações em geral é preciso citar a fonte real. 
Na próxima unidade, vamos aperfeiçoar a escrita de textos acadêmicos, mas 
antes de começarmos a prática, precisamos refletir sobre nossa postura enquanto 
escritores. 
 
8.2 O papel da reescrita 
Faraco & Moura (1999, p.21) falam da adequação da linguagem e sobre a 
noção de erro. Explicam-nos que a sociedade e, portanto, nossa ação social, está 
permeada de leis e regras que devemos obedecer. Isso acontece também com a 
linguagem: ela tem normas, princípios, que precisam ser obedecidos. 
De acordo com os autores, geralmente achamos que essas regras dizem 
respeito apenas à gramática normativa. Tanto isso é verdade para a grande maioria 
das pessoas, expressar-se corretamente em língua portuguesa significa não cometer 
“erros” de ortografia, concordância verbal, acentuação etc. Eles mostram que há, no 
entanto, outro erro mais comprometedor do que o gramatical: o de inadequação 
de linguagem ao contexto. Em casa ou com os amigos, nós empregamos uma 
IMPORTANTE: A credibilidade de sua 
argumentação é prejudicada se você não souber 
selecionar as fontes a serem citadas. 
Unidade VIII 
 
 
 
145 
Comunicação e Expressão 
 
linguagem mais informal, do que em avaliações. Ao conversar com nossos 
professores ou com alguém que não conhecemos, não é apropriado utilizar algumas 
gírias, pois a compreensão do diálogo poderia ficar prejudicada. Em uma dissertação 
solicitada emum concurso público e em texto acadêmicos, é necessário que o 
candidato utilize uma expressão mais formal. Estes exemplos nos ajudam a concluir 
que é essencial adequar o nível de linguagem à situação social. 
Observe o meio em que vive. Pare e pense nos aspectos linguísticos de 
onde mora. Você poderá perceber que ela apresenta variações. Isso acontece no 
aspecto social. Todas estas variantes têm seu lugar e momento de uso, não é 
mesmo? 
Agora que revimos os aspectos mais importantes do planejamento da 
comunicação, estamos preparados para o objeto de nossa discussão: a reescrita. 
A reescrita permite que o autor realize uma reflexão sobre a própria escrita 
e enquanto ele reescreve seu texto também reconstrói sua percepção da 
linguagem. 
Para Mengolo (2005), a importância da reescrita do texto está no fato de 
que este ato provoca uma interação dialogal entre sujeito autor e seu produto 
criado, permite o aguçamento, confrontamento e até mesmo a exclusão de alguns 
enunciados. A autora afirma que o enunciador sai do estado inspirativo, que gera a 
primeira escrita e racionaliza sobre o que já foi materializado. 
É uma atitude responsiva ativa de seu próprio discurso. 
Você se lembra o que é uma atitude responsiva ativa? 
 
 
 
 
 
 
“[...] a significação linguística de um discurso e adota, 
simultaneamente, para com este discurso, uma 
atitude responsiva ativa: ele concorda ou discorda 
(total ou parcialmente), completa adapta, apronta-se 
para executar, etc., e esta atitude do ouvinte está 
em elaboraçào constante durante todo o processo de audição 
e de compreensão desde o início do dicurso[...]”. (BAKHTIN, 
1997, p.289-290.) 
 
Unidade VIII 
 
 
146 
Comunicação e Expressão 
• Estado inspirativo 
que gera a 
primeira escrita
Texto
• Confrontamento, 
racionalização 
sobre o que foi 
materializado
Releitura
• Exclusão e 
modificação de 
enunciados, que 
produz um novo 
texto.
Nova redação
 
Segundo Mengolo (2005), uma atitude responsiva ativa sobre o próprio 
texto permite ao autor, que ele veja o que antes ele não era capaz de perceber em 
seu texto. 
Bakhtin (1997, p.332) afirma que a reprodução do texto pelo sujeito autor é 
um acontecimento novo e irreproduzível na vida do texto. Quanto mais o ato de 
reescrever se repetir, mais o enunciador perceberá que o discurso poderá ser 
mudado, que o texto não é um produto limitado, ou acabado. De reescrita em 
reescrita, vai crescendo o domínio da modalidade escrita, porque o autor ao editar 
o texto trabalha também as regras de composição textual, melhorando seu 
desempenho redacional. 
Unidade VIII 
 
 
 
147 
Comunicação e Expressão 
 
Mengolo (2005) diz que o autor ao se deparar novamente com o seu texto, 
com a condição de reestruturá-lo, percebe que, neste momento, seu texto não tem 
a mesma significação, pois no ato da releitura ele exerceu outras funções cognitivas. 
Agora com uma visão de construção textual ampliada, gera um processo analítico 
de sua própria linguagem. 
 [...] ocorre constantemente na reescritura a troca de 
papéis de leitor e de escritor: nesse processo interativo, as 
estratégias do leitor para abordar o texto estão inter-
relacionadas com as habilidades do escrtior de ajustar a sua 
expressão às avaliações do seu outro-leitor. Sendo assim, a 
reescritura é o momento da produção de um texto em que 
paralelamente também se produz na leitura”. (GEHRKE, 
apud: MENGOLO, 2005,p.78) 
Agora vamos fazer uma atividade de reescrita, mas para reescrever, primeiro 
temos que escrever. Portanto, este exercício se divide em 3 etapas, ler, escrever e 
reescrever. VAMOS LÁ! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1ª etapa: Vamos ler o texto do autor Carlos Novaes 
“A regreção da redassão” e refletir sobre o que o 
narrador nos expõe: 
 
A regreção da redassão 
“Semana passada recebi um telefonema de uma 
senhora que me deixou surpreso. Pedia 
encarecidamente que ensinasse seu filho a escrever: 
 – Mas, minha senhora – desculpei-me –, eu não sou 
professor. 
– Eu sei. Por isso mesmo. Os professores não têm 
conseguido muito. 
 
Unidade VIII 
 
 
148 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
– A culpa não é deles. A falha é do ensino. 
– Pode ser, mas gostaria que o senhor ensinasse o 
menino. O senhor escreve muito bem. 
– Obrigado – agradeci –, mas não acredite muito 
nisso. Não coloco vírgulas e nunca sei onde botar os 
acentos. A senhora precisa ver o trabalho que dou 
ao revisor. 
[...] 
 
Comentei o fato com um professor, meu amigo, 
que me respondeu: ‘Você não deve se assustar, o 
estudante brasileiro não sabe escrever’. [...] 
Impressionado, saí à procura de outros educadores. 
Todos me disseram: acredite, o estudante brasileiro 
não sabe escrever. Passei a observar e notei que já 
não se escreve mais como antigamente. Ninguém 
mais faz diário, ninguém escreve em portas de 
banheiro, em muros, em paredes. [...] 
– Quer dizer – disse a um amigo enquanto íamos 
pela rua – que o estudante brasileiro não sabe 
escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos 
diminui a concorrência e me garante o emprego por 
mais dez anos. 
 – Engano seu – disse ele. – A continuar assim, 
dentro de cinco anos você terá que mudar de 
profissão. 
– Por quê? – espantei-me. – Quanto menos gente 
sabendo escrever, mais chances eu tenho de 
sobreviver. 
 – E você sabe por que essa geração não sabe 
escrever? 
– Sei lá – dei com os ombros –, vai ver que é 
porque não pega direito no lápis 
– Não, senhor. Não sabe escrever porque está 
perdendo o hábito de leitura. E quando o perder 
completamente, você vai escrever para quem? 
 
 
 
Unidade VIII 
 
 
 
149 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Taí um dado novo que eu não havia 
considerado. Imediatamente pensei quais as 
utilidades que teria um jornal no futuro: embrulhar 
carne? Então vou trabalhar num açougue. [...] 
Imaginei-me com uns textos na mão, correndo pelas 
ruas para oferecer às pessoas, assim como quem 
oferece hoje bilhete de loteria: 
– Por favor, amigo, leia – disse, puxando um cidadão 
pelo paletó. 
– Não, obrigado. Não estou interessado. Nos 
últimos cinco anos a única coisa que leio é a bula de 
remédio. 
 [...] 
– E o senhor, vai? Leva três e paga um. 
– Deixa eu ver o tamanho – pediu ele. 
Assustou-se com o tamanho do texto. 
– O quê? Tudo isso? O senhor está pensando que 
sou vagabundo? Que tenho tempo para ler tudo 
isso? Não dá para resumir tudo em cinco linhas? 
 [...] 
Não há dúvidas: o estudante brasileiro não sabe 
escrever. Não sabe escrever porque não lê. E não 
lendo também desaprende a falar. [...] 
[...] os estudantes não escrevem, não leem, não 
falam, não pensam. 
 
Tudo isso me faz pensar que estamos muito mais 
perto do que imaginava da Idade da Pedra. A 
prosseguir nessa regressão, ou a regredir nessa 
progressão, não demora muito estaremos todos de 
tacape na mão reinventando os hieróglifos. Neste 
dia então a palavra escrever ganhará uma nova 
grafia:ex-crever.” 
 
NOVAES, Carlos Eduardo. Os mistérios Aquém. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Nórdica, 1976. 
http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1
248 
 
Unidade VIII 
http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1248
http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1248
 
 
150 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª etapa: Refletindo sobre a afirmação do autor de 
que os estudantes brasileiros “não escrevem, não 
leem, não falam, não pensam”, escreva um pequeno 
texto dissertativo- argumentativo sobre isso: 
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
__________________________________________________________________________________
_________________________________________
_________________________________________ 
 
3ª etapa: Leia atentamente seu texto e veja os erros 
que cometeu, quais enunciados podem ser 
melhorados e reescreva seu texto! 
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________ 
_________________________________________ 
Unidade VIII 
 
 
 
151 
Comunicação e Expressão 
 
Ortografia 
Apesar das caras de susto que podemos encontrar quando alguém escreve 
“pesso” ao invés de “peço”, devemos lembrar que a ortografia de nosso idioma é 
bastante complexa, já que temos vários sons que correspondem a uma só letra e 
vice-versa. Assim, o domínio da ortografia só pode ser dar de forma gradativa e 
depende muito do hábito de leitura. Todos já sabem, igualmente, que a ortografia 
pode mudar de acordo com fatores que não são propriamente linguísticos, mas 
sociais e políticos. 
Muitos consideram difícil a missão de colocar os “pensamentos” em palavra 
escrita e, quando se deparam com a escrita acadêmica, parece um desafio 
inalcançável. Como toda escrita, é preciso praticar. A leitura de diversos textos da 
sua área de pesquisa, a escrita refletida e a reescrita são essenciais para que você 
aperfeiçoe a escrita acadêmica. Vamos trabalhar a revisão de textos de outros 
alunos? Lembre-se que, quando você for escrever seu próprio texto, você também 
assumirá o papel de seu próprio revisor, ok? 
Os textos abaixo apresentam problemas de escrita, seja com relação ao 
texto acadêmico ou com relação à linguagem acadêmica e os padrões da norma 
culta. Reescreva-os! Você pode mudar a estrutura do texto, mudar a argumentação, 
complementar, como quiser, ok? É um exercício para aperfeiçoarmos a escrita. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade VIII 
 
 
152 
Comunicação e Expressão 
 
Texto 1 
No mundo de hoje todos recebem informações e aprendem tudo, na hora 
e onde quiserem. Muitas vezes, quando o aluno chega na sala de aula, ele não está 
interessado sobre o assunto da aula, pois ele já ouviu falar sobre o mesmo na 
televisão, na internet ou nos jornais. Para que o aluno não fique desinteressado 
sobre o assunto o educador tem que falar sobre ele de maneiras menos paradas e 
com maior participação. 
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________ 
 
Considerações sobre o texto original 
No mundo de hoje todos recebem informações e aprendem tudo, na hora 
e onde quiserem¹.Muitas vezes, quando o aluno chega na sala de aula, ele não está 
interessado sobre o assunto da aula, pois ele já ouviu falar sobre o mesmo² na 
televisão, na internet ou nos jornais. Para que o aluno não fique desinteressado 
sobre o assunto³ o educador tem que4 falar sobre ele de maneiras menos paradas5 
e com maior participação. 
 
Comentário1: Estrutura muito informal 
Comentário2: Pela gramática, não é adequado retomar algo já dito com “o mesmo”, 
“a mesma”. 
Comentário3: Muita repetição da palavra “assunto”. 
Comentário4: Informal 
Comentário5: Como está sendo criado um texto na área de educação, é necessário 
escolher melhor as palavras. 
 
Unidade VIII 
 
 
 
153 
Comunicação e Expressão 
 
Sugestão de reescrita 
Atualmente, com a internet e o desenvolvimento da tecnologia1, a 
informação pode ser acessada em qualquer circunstância. E toda essa facilidade de 
informação influencia na aprendizagem2. Muitas vezes, o aluno chega à sala de aula 
desinteressado, pois o assunto já é conhecido. Para diminuir o desinteresse dos 
alunos, o educador precisa abordar o conteúdo de maneira mais dinâmica e 
participativa. 
Comentário1: Melhora da argumentação mostrando a causa. 
Comentário2: Tentativa de estabelecer relação (coesão) entre as duas frases. 
 
Texto 2 
No presente trabalho, apresento dados da pesquisa que buscou ver o 
quanto a pobreza dos guris e gurias tem a ver com o Índice de Desenvolvimento da 
Educação Básica em escolas de ensino fundamental. Analisei os municípios que tem 
mais de 10.000 habitantes que moram na zona rural, ou seja, estudantes carentes 
que têm dificuldade grandíssima para ir para a escola. Ao todo, o número é de mais 
de 5.500 cidades brasileiras. 
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade VIII 
 
 
154 
Comunicação e Expressão 
 
Considerações sobre o texto original 
No presente trabalho, apresento1 dados da pesquisa que buscou ver2 o 
quanto a pobreza dos guris e gurias3 tem a ver4 com o Índice de Desenvolvimento 
da Educação Básica em escolas de ensino fundamental. Analisei5 os municípios que 
tem6 mais de 10.000 habitantes7 que moram na zona rural, ou seja, estudantes 
carentes que têm dificuldade grandíssima8 para ir para a escola. Ao todo, o número 
é de mais de 5.500 cidades brasileiras. 
 
Comentário1: Retirar subjetividade. 
Comentário2: Não é um verbo bom para investigação. 
Comentário3: Evitar regionalismos. 
Comentário4: Informal 
Comentário5: Retirar subjetividade 
Comentário6: No plural tem acento = têm 
Comentário7: Para deixar o texto mais formal, evite a repetição do QUE. 
Comentário8: Evitar adjetivação subjetiva. 
 
Sugestão de reescrita 
No presente trabalho, serão apresentados dados da pesquisa que buscou 
verificar a relação entre a condição financeira das crianças e o Índice de 
Desenvolvimento da Educação Básica em escolas de ensino fundamental. Foram 
analisados os municípios com mais de 10.000 habitantes vivendo na zona rural, ou 
seja, municípios em que há uma grande parcela dos estudantes com grande 
dificuldade de deslocamento para a escola. Ao todo, contabilizam mais de 5.500 
cidades brasileiras. 
Unidade VIII 
 
 
 
155 
Comunicação e Expressão 
 
Texto 3 
Neste projeto, foi feito uma pesquisa com donos de empresas sobre a 
mortalidade das micro e pequenas empresas devido a desconhecerem as 
ferramentas da gestão financeira, o sócio da empresa 1 falou que muitos amigos 
dele já tentaram abrir seus próprios negócios, só que não duravam mais que um 
ano, até ele mesmo já tentou abrir uma empresa da mesma área há seis anos atrás, 
só que não conseguiu levar para frente seu negócio, pois era muito novo, mais sem 
experiência e maior medo dele é de não conseguir desta vez, de dar tudo errado e 
ter que fechar a empresa, pensa em procurar ajuda, mas não sobra tempo, pois ele 
possui também um curso técnico de elétrica e muitas vezes ele mesmo vai trabalhar 
nas obras, pois tem muitos serviços e poucos funcionários, isso pensando em 
cortar gastos com mão de obra e assim esquece a parte administrativa. 
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________ 
 
Considerações sobre o texto original 
Neste projeto, foi feito1 uma pesquisa com donos2 de empresas sobre a 
mortalidade das micro e pequenas empresas devido a desconhecerem3 as 
ferramentas da gestão financeira, 4 o sócio da empresa 1 falou5 que muitos amigos6 
dele já tentaram abrir seus próprios negócios, só que7 não duravam mais que um 
ano, até ele mesmo já tentou abrir uma empresa da mesma área há seis anos atrás8, 
só que não conseguiu levar para frente seu negócio, pois era muito novo, mais sem 
experiência e maior medo dele é denão conseguir desta vez, de dar tudo errado e 
ter que fechar a empresa, pensa em procurar ajuda9, mas não sobra tempo, pois 
ele possui também um curso técnico de elétrica e muitas vezes ele mesmo vai 
trabalhar nas obras, pois tem muitos serviços e poucos funcionários, isso pensando 
em cortar gastos com mão de obra e assim esquece a parte administrativa. 
Unidade VIII 
 
 
156 
Comunicação e Expressão 
 
Comentário1: Prefira “realizar”. Atenção à concordância: 
foi realizada uma pesquisa. 
Da mesma forma que vai para o plural em: 
Foram realizadas pesquisas 
Comentário2: Informal para textos acadêmico. Preferir “proprietários” 
Comentário3: Após a palavra “devido” devemos utilizar um substantivo, como em: 
devido AO FATO de 
Comentário4: Atenção à pontuação. 
Precisamos analisar o conteúdo para colocar a pontuação. Mas considere que uma 
frase tem em média 2 linhas. Aqui já temos um outro sujeito “O sócio”. 
O texto também deve ser dividido em parágrafos menores. 
Comentário5: Informal. Prefira verbos como: relatou, informou, discorreu... 
Comentário6: Evite subjetividade. 
Comentário7: Estrutura informal. 
Comentário8: Retirar a palavra “atrás”, pois o verbo “haver” já dá ideia de passado. 
Comentário9: Novamente frase muito longa. 
 
Sugestão de reescrita 
Neste projeto, foi realizada uma pesquisa com proprietários de 
empresas sobre a mortalidade das micro e pequenas empresas em razão do 
desconhecimento sobre as ferramentas da gestão financeira. 
 
 
Unidade VIII 
 
 
 
157 
Comunicação e Expressão 
 
Em entrevista, o sócio da empresa 1 relatou que muitos conhecidos 
tentaram abrir suas próprias empresas, porém os empreendimentos não duravam 
mais de um ano. O próprio entrevistado já havia tentado abrir uma empresa da 
mesma área seis anos antes. Porém, em decorrência da falta de experiência e por 
sua pouca idade, não conseguiu prosperar. Neste momento, confessa que tem 
medo de ter que fechar a empresa atual. Relata, ainda, que pensa em procurar 
ajuda, mas não tem tempo, já que também presta serviços em obras. Ele acredita 
que ao realizar tais tarefas estaria cortando gastos com mão de obra. No entanto, 
acabando esquecendo da parte administrativa do negócio. 
 
Texto 4 
Prevenção de perdas – a empresa possui um processo de prevenção de 
perdas onde é gerado um pedido na industria, a industria carrega certa mercadoria 
entrega nas filiais. O entregador deixa a nota fiscal na entrega e esta é direcionada 
pelo fiscal de prevenção para o setor de informática, onde o funcionário deste setor 
de informática onde o funcionário deste setor faz a entrada desta nota e gera um 
romaneio (espelho da nota) sem a quantidade; só com a descrição do produto; 
chamado também de romaneio cego. O funcionário da informática (...) 
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________ 
 
Considerações sobre o texto original 
Prevenção de perdas1 – a empresa possui um processo de prevenção de 
perdas onde é gerado um pedido na industria, a industria carrega certa mercadoria 
entrega nas filiais. O entregador deixa a nota fiscal na entrega e esta é direcionada 
pelo fiscal de prevenção para o setor de informática, onde o funcionário deste setor 
de informática faz a entrada desta2 nota e gera um romaneio (espelho da nota) sem 
Unidade VIII 
 
 
158 
Comunicação e Expressão 
 
a quantidade; só com a descrição do produto; chamado também de romaneio 
cego. O funcionário da informática (...) 
 
Comentário1: Em trabalho acadêmico, todo título deve ser numerado. 
Comentário2: Observe que neste caso, a escrita está repetitiva. O leitor tem 
dificuldade para visualizar como se dá o processo. Você enquanto pesquisador 
poderá esquematizar as ideias com auxílio de recursos não verbais. 
 
Sugestão de reescrita 
2 Prevenção de perdas 
A empresa XXXXX possui um processo de prevenção de perdas que pode 
ser visualizado no organograma abaixo: 
 
Figura 01 – Processo de prevenção de perdas 
Fonte: O autor 
 
 
O funcionário do setor de informática dá a entrada na nota e gera o 
romaneio cego.
O fiscal de prevenção deixa a nota fiscal no setor de informática.
A indústria carrega a mercadoria e entrega nas filiais com a nota fiscal. 
É gerado um pedido na indústria
Unidade VIII 
 
 
 
159 
Comunicação e Expressão 
 
O romaneio cego é um espelho da nota que contém a descrição do 
produto sem a quantidade. 
Na sequência, o funcionário (...) 
Viu como você pode inovar e melhorar a organização das informações em 
seu texto acadêmico? Nos textos acadêmicos a seguir, encontre uma falha, ela pode 
ser de gramática/ortografia ou de organização do texto acadêmico: 
 
Texto 5 
Ogden (2002, p. 104), ressalta que “um programa de venda 
“que indique quando, com que frequência e em que 
momento os grupos de vendas devem contatar os clientes 
é uma ferramenta que facilitará muito o trabalho de 
integração”. 
Resposta: Vírgula incorreta. Não podemos separar por vírgula o sujeito (Ogden) do 
predicado (ressalta que...). Observe que a frase abaixo está correta, pois o sujeito 
passa a ser “um programa de venda”: 
Segundo Ogden, um programa de venda “que indique 
quando, com que frequência e em que momento os grupos 
de vendas devem contatar os clientes é uma ferramenta 
que facilitará muito o trabalho de integração”. 
 
Texto 6 
Brito e Dekker afirmam que a Cadeia de Suprimento 
somente se fecha quando adicionamos a Logística Reversa 
nos processos. Eles ainda destacam que empresas 
americanas perderam bilhões de dólares por não estarem 
preparadas para lidar com os fluxos reversos. 
 
Unidade VIII 
 
 
160 
Comunicação e Expressão 
 
O retorno como um processo logístico foi incorporado a 
pouco tempo ao modelo SCOR, destacando sua 
importância para a gestão da cadeia de suprimentos no 
futuro. A logística reversa vem se estendendo mundo a 
fora, envolvendo todas as camadas das cadeias de 
suprimentos em vários segmentos da indústria. Enquanto 
alguns participantes da cadeia são forçados a receber seus 
produtos de volta, outros o fazem de forma proativa, 
atraídos pelo valor dos produtos usados. Em outras 
palavras, a Logística Reversa se tornou habilidade chave nas 
cadeias de suprimentos modernas. (BRITO e DEKKER, p. 
2003, tradução nossa.) 
 
Resposta: Falta de coesão textual entre o texto do pesquisador e a citação. Toda 
citação deve ser incorporada ao texto do pesquisador, dando continuidade à sua 
fala. Não inserir citações soltas. Sempre introduzir com expressões do tipo 
“segundo os autores”, “sobre essa questão, os autores ainda relatam que...”. Isso 
também é válido para figuras e tabelas. Acrescente expressões do tipo “Na tabela 
1, é possível observar os resultados:”, “conforme evidenciado na tabela abaixo:”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade VIII 
 
 
 
161 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Compreender os elementos que compõem cada tipo de texto. 
 
 
 
 Ciclo 05 
 Atividade: Fórum 
 Título: Comunicando por Diferentes Gêneros 
 
 
 
 
 
Unidade IX – Texto 
Descritivo e Tipos 
Textuais 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
IX 
 
 
162 
Comunicação e Expressão 
 
No decorrer das outras unidades, aprendemos alguns tipos textuais como: 
injuntivo (unidade 2), poético (unidade 3), informativo (Unidade 4), narrativo 
(unidade 5), dissertativo (unidade 7). Nesta unidade, vamos conhecer o texto 
descritivo e finalizaremos com atividades que envolvam todos os tipos textuais. 
 
9.1 Texto descritivo 
Quando vimos o texto narrativo, observamos que esse tipo de texto afasta-
se das situações estáticas. O texto apresenta-se mais dinâmico, pois há uma 
sequência de ações, um desenrolar da história. 
Erauma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente 
e cheia de autoestima. 
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em 
como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico... 
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um 
príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me 
nesta rã asquerosa. 
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe 
e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. 
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as 
minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre... 
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de 
um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, 
pensando consigo mesma: 
- Eu, hein?... nem morta! 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
 
163 
Comunicação e Expressão 
 
O texto descritivo, ao contrário da narração, incide sobre objetos 
narrativamente inanimados. Os objetos das descrições funcionam, normalmente, 
como cenário de uma ação no devir temporal e estão destituídos da 
transitoriedade das ações acabadas ou em progressão, por isso, o recurso ao 
Pretérito Imperfeito para consolidar essa intemporalidade. 
Assim, a descrição é estática e sua função é estimular os sentidos de forma 
que o leitor crie ambiente, espaços, seres (imaginários ou reais) que não veem. 
O estabelecimento de elementos sensoriais resulta em efeitos como os de 
suspense, de surpresa, ou de integração na trama. Veja no fragmento de texto 
abaixo, como a descrição cria uma tensão no ambiente da história de O Gaúcho, 
de José de Alencar: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IV A BAIA 
Para ter jeito de montar, afrouxou o paraguaio o 
laço que prendia os quartos do animal ao tronco; e 
ajustando as rédeas, pôs o pé na soleira do estribo. 
Imediatamente aos olhos dos campeiros atônitos 
passou uma coisa subitânea, confusa e estrepitosa; 
uma espécie de turbilhão para o qual só há um 
termo próprio. 
Foi uma erupção. 
Abolara-se a égua, como a serpente quando se 
enrosca para arremessar o bote. Retraiu-se o flanco 
sobre os quadris agachados, enquanto a tábua do 
pescoço arqueou dobrando a cabeça ao peito 
intumescido. De súbito, esse corpo que se fizera 
bomba, estourou. Espedaçados, voaram os arreios 
pelos ares e o paraguaio, arremessado pelos cascos 
do animal, rolava no chão.[...] 
 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
164 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observe que, na segunda parte destacada (texto descritivo), o fluxo de 
ações da narrativa parece parar, a fim de que o autor descreva os detalhes do 
animal. Veja que a parte central do texto deixou de ser o verbo para ser o adjetivo: 
olhar cintilante; gente reunida; suspensa; rijos cascos, longos e delgados; de cabeça 
levantada; orelhas finas e canutadas; pelo erriçado; cauda opulenta; corrida veloz. 
 
 
 
 
— Basta, disse Manuel, agora deixem a moça 
comigo. 
Tinha a baia parado a alguma distância e vibrava o 
olhar cintilante sobre a gente reunida então perto 
do alpendre. Suspensa na ponta dos rijos cascos, 
longos e delgados, de cabeça levantada, cruzando 
a ponta das orelhas finas e canutadas, com o pêlo 
erriçado e a cauda opulenta a espasmar-se pelos 
rins, parecia o animal prestes a desferir a corrida 
veloz. 
O Canho adiantou-se alguns passos, cravando o 
olhar na pupila brilhante da baia, ao passo que 
soltava dos lábios um murmurejo semelhante ao 
rincho débil do poldrinho recém-nascido, quando 
busca a teta materna. No semblante rude e enérgico 
do moço gaúcho se derramava um eflúvio de 
ternura. 
(ALENCAR, José de. O Gaúcho. São Paulo. Ed. 
Saraiva, 1971, p-30 e 31.) 
 
 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
 
165 
Comunicação e Expressão 
 
9.1.1 finalizando os tipos textuais 
Aqui chegamos ao fim dos estudos sobre os tipos textuais. Aprendemos 
que, de acordo com a intencionalidade do enunciador, as orientações, ideias, 
informações e teses são trabalhadas pela palavra, e tomando forma e características 
que se encaixam em algum tipo de texto. Os mais comuns são: injuntivos, 
informativos, poéticos, descritivos, narrativos e dissertativos (argumentativos e 
expositivos), cujas características relembramos no diagrama abaixo: 
Características dos tipos de texto: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É o texto que propõe ou orienta o leitor aceca de uma informação, que 
procura transformar o comportamento do leitor. Uso recorrente da 2ª 
pessoa do singular, ou do pronome você(s) com o verbo na 3ª pessoa ou 
da 1ª pessoa do plural (quando o autor se inclui); emprego do imperativo, 
do futuro do indicativo, às vezes, do infinitivo. 
Injuntivo 
 
O texto que tem a intenção de transmitir uma informação sem, 
explicitamente, expor sua opinião. O texto informativo caracteriza-de pela 
linguagem clara e direta. Suas principais características são o uso de verbos 
no presente e /ou no tempo pretérito, adora uma linguagem objetiva e 
referencial; o uso de artifícios que enriquecerão a informação como 
abreviações, indicações numéricas, gráficos e cifras. 
Informativo 
Unidade IX 
Usuario
Manuscrito
Usuario
Manuscrito
 
 
166 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De acordo com Maia (1996), no texto poético o objetivo será a própria 
mensagem e a sua construção: a mensagem poética está centrada em si 
mesma. O texto poético valoriza sons, ritmos e a polissemia. 
Poético 
 
Relato de ocorrências que se sucedem. Relato de transformações ocorridas 
a partir de um conflito. Elementos constitutivos: a) foco narrativo; b) tipos 
de discurso; c) conflito; d) personagens; e) enredo; f) tempo; g) espaço. 
Linguagem narrativa: predomínio dos verbos de ação. Eixo progressivo: 
percurso em que são registradas as transformações. A NARRAÇÃO É 
DINÂMICA COMO UM FILME. 
Narrativo 
 
Registro de ocorrências concomitantes. Criação com palavras, da imagem 
de um objeto. Linguagem descritiva: a) predomínio de verbos de estado e 
frases nominais. b) substantivos responsáveis pela designação dos traços do 
objeto. c)adjetivos (locuções ajetivas) d) recursos de estilos mais utilizados: 
metáfora, comparação, metonímia, sinestesia. É um recurso narrativo 
empregado na caracterização de personagens e de espaço. A DESCRIÇÃO 
É ESTÁTICA COMO UMA FOTOGRAFIA. 
 
 
Descritivo 
Unidade IX 
 
 
 
167 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
Visto tudo que aprendemos até agora, realize a atividade abaixo adaptada 
da obra de Fiorin e Savioli (2003): 
 
 
 
 
 
 
 
A – No âmbito da cultura brasileira, a Rua e a Casa ocupam lugares 
nitidamente distintos, que por sua vez, condicionam comportamentos francamente 
diferenciados: o que se faz na rua, não se faz em casa e vice-versa. 
Se a Casa é o espaço do aconchego e da proteção, a Rua é o do 
desamparo e do abandono. “Sentir-se em casa” é uma expressão da nossa língua 
que significa “estar à vontade”, “sentir-se abrigado, protegido”; ao contrário “ir para 
o olho da rua” denota desamparo social, exposição ao risco, solidão”. 
A Rua é o espaço da transgressão, onde vivem os malandros e marginais; é 
o território do salve-se quem puder, onde prevalece a lei do cada um por si. 
 
Procura convencer, apresentar e defender uma tese, um ponto de vista. 
Quando polêmico, tomar partido contra ou a favor de uma pessoa, ou 
instituição e suas ideias. A linguagem deste texto tem o predomínio do 
presente do indicativo e/ou pretérito, desenvolve ideias e argumentos. 
Dissertativo 
Os três textos que se seguem são exemplos de três 
tipos de texto, a narração, a descrição e a 
dissertação, leia-os com atenção classifique-os de 
acordo com o tipopredominante e explique a 
classificação dada. 
 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
168 
Comunicação e Expressão 
 
Domínio do anonimato e a despersonalização, é na Rua que um cidadão de 
bem pode ser molestado por autoridades de segurança pública e tratado como um 
criminoso. 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
B – Aos 100 anos, a Avenida Paulista permanece uma janela aberta para a 
modernidade. 
Seus 2,6km de extensão (ou 3818 passos), são percorridos diariamente por 
1 milhão de pessoas, em sua maioria mulheres, como releva a pesquisa da 
companhia que mantém o metrô correndo sob seu asfalto. A Paulista fala 12 
línguas, em 18 consulados ali instalados. Ao lado de poucos casarões do passado ela 
abriga edifícios “inteligentes” e torres de rádio e TV iluminadas como um marco 
futurista. 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
C – No início do século, a Paulista era a avenida mais espaçosa da cidade, 
com três pistas separadas para bondes, carruagens e cavaleiros. Era a mais bela, com 
quatro fileiras de magnólias e plátonos. Era um fim-de-mundo no final da Ladeira da 
Consolação. Lá residiam os imigrantes recém-enriquecidos: Martinelle, Crespi, 
Matarazzo, Riskalah, Von Bullow. Após isso, aí pelos anos 50 e 60, o acelerado 
processo de urbanização da cidade varreu dali os 24 casarões como o que ocupava 
o número 46 da avenida. No seu lugar, surgiram prédios, alguns deles enquadrados 
entre os mais modernos do mundo, como o Citi Bank e o Banco Sudameris. 
Unidade IX 
 
 
 
169 
Comunicação e Expressão 
 
Já completamente ladeada de prédios de porte, foi a recente inauguração 
do metrô que lhe conferiu novo charme. 
Com todos esses antecedentes, ela é hoje, apesar das contradições, a 
avenida mais moderna, mais dinâmica, mais nervosa da cidade, eleita pelos próprios 
moradores como mais fiel retrato de São Paulo. 
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2) (FUVEST) 
Filosofia dos epitáfios 
 
Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os 
epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre 
a gente civilizada uma expressão daquele pio e 
secreto egoísmo que induz o homem a arrancar a 
morte um farrapo ao menos da sombra que passou. 
Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que 
sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes 
que a podridão anônima os alcança a eles 
mesmos.(Machado de Assis, Memórias póstumas de 
Brás Cubas) 
 
Do ponto de vista da composição, é correto afirmar 
que o capítulo “Filosofia dos epitáfios”: 
 
 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
170 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vamos conferir nossas respostas? Quaisquer dúvidas não deixe de 
comunicar seu professor(a), ok?! 
 
Questão 1 
Texto A – 
Classificação: Trata-se de um texto predominantemente dissertativo. 
Justificativa: Este primeiro texto é uma dissertação. A peculiaridade deste 
texto, e que o difere dos textos B e C, é que não se trata de episódios concretos e 
particularizados, mas de análises e interpretações genéricas, válidas para 
fundamentar a opinião do autor de que a Casa é lugar de aconchego e a Rua lugar 
de desamparo. 
a) É predominantemente dissertativo, servindo os 
dados do enredo e dos ambientes como fundo para 
divagação. 
b) É predominantemente descritivo, com a 
suspensão do curso da história dando lugar à 
construção do cenário. 
c) Equilibra em harmonia narração e descrição à 
medida que faz avançar a história e cria o cenário de 
sua ambientação. 
d) É predominantemente narrativo, visto que o 
narrador evoca os acontecimentos que marcaram a 
sua saída. 
e) Equilibra narração e dissertação, com o uso do 
discurso indireto para registrar as impressões que o 
ambiente provoca no narrador. 
 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
 
171 
Comunicação e Expressão 
 
Podemos observar que as opiniões e interpretações sobre a Rua e a Casa 
são dadas de maneira aberta, por meio de ideias pessoais (“A Casa é o espaço do 
aconchego”; “A Rua é o espaço da transgressão”; “A Rua é o domínio do 
anonimato”). 
As relações entre os termos do discurso, na dissertação, obedecem a 
progressão da linha de raciocínio e não cronológica. Em outras palavras, um 
enunciado é anterior a outro não do ponto de vista da progressão do tempo, mas 
do ponto de vista da sua construção lógica. 
 
Texto B – 
Classificação: Trata-se de um texto predominantemente descritivo. 
Justificativa: Trata-se da enumeração das características da Avenida Paulista, 
uma das muitas ruas da cidade de São Paulo. 
Observe atentamente que todos os dados e acontecimentos descritos são 
estáticos e, portanto, acontecem simultaneamente. Não havendo progressão 
temporal, do ponto de vista do enunciador. 
O tempo verbal usado é o presente, que, ao lado do imperfeito, é típico 
dos textos descritivos. 
Como não há fatos que se sucedem, a ordem dos enunciados pode ser 
alterada, sem que isto altere o sentido básico do discurso do autor. Se você lesse 
este texto em outra ordem ainda sim teria o mesmo significado, veja: 
A Paulista fala 12 línguas, em 18 consulados ali instalados. Ao lado de 
poucos casarões do passado, ela abriga edifícios “inteligentes” e torres de rádio e 
TV iluminadas como um marco futurista. 
Seus 2,6 km de extensão (ou 3818 passos) são percorridos diariamente por 
1 milhão de pessoas, em sua maioria mulheres, como revela a pesquisa da 
companhia que mantém o metrô correndo sob seu asfalto. 
 
Unidade IX 
 
 
172 
Comunicação e Expressão 
 
Aos 100 anos, a avenida Paulista permanece uma janela para a 
modernidade. 
 
Texto C – 
Classificação: Trata-se de um texto predominantemente narrativo. 
Justificativa: O texto começa como uma descrição. Da linha 1 a 9, o autor 
enumera de forma estática as características da Avenida Paulista do início do século 
XX. Mas da linha 9 em diante, o texto avança no tempo, e evidencia a 
transformação da Avenida Paulista em meados do século XX. Neste momento o 
texto deixa o caráter descritivo e assume uma postura narrativa, já que relatar 
mudanças cronológicas é uma característica essencialmente narrativa. 
Veja que os episódios e acontecimentos contados pelo narrador não são 
estáticos, mas dinâmicos como um filme. A construção dos prédios e posterior à 
destruição dos casarões; e o metrô vem depois da edificação dos prédios. Não 
podemos alterar a ordem dos enunciados sem modificar o sentido do texto. 
 
Questão 2 
Resposta correta letra “A”. 
 
Agora, para finalizar esta unidade, vamos relacionar nosso aprendizado 
sobre os tipos textuais com o gênero textual “relatório”. 
 
 
 
 
 
Gênero textual: Relatório 
É um gênero em que são expostos resultados e conclusões de uma 
pesquisa, um trabalho ou uma observação. É conhecido por sua seriedade e 
objetividade. 
Por ocorrer em âmbito profissional ou acadêmico, a linguagem é formal e 
técnica. A impessoalidade vai depender da natureza do relatório. 
Unidade IX 
 
 
 
173 
Comunicação e Expressão 
 
O relatório é um gênero que apresenta composição textual muito variada. 
Existem o relatório técnico, administrativo, científico, policial, de viagem, de estágio... 
Dentro de áreas específicas, esse gênero tambémpode tomar um formato 
particular. Portanto, sempre que você tiver que produzir um relatório, procure 
averiguar o formato normalmente utilizado para aquele fim específico. Lembre-se 
que, como todo texto, ele precisa ter, mesmo que de forma sucinta, introdução 
(contextualização do tema e apresentação dos objetivos do relatório), 
desenvolvimento (apresentação dos dados) e conclusão (fechamento das ideias). 
O relatório, a depender de seu objetivo comunicativo, também pode conter 
diferentes tipos textuais. O exemplo abaixo é um relatório estudantil de visita 
externa, com texto narrativo: 
Chegando ao Mosteiro Zen Morro da Vargem, paramos na 
estrada do mosteiro, nas margens da rodovia, para observar 
o portal, as estátuas dos budas meditando e o jardim zen. 
Após isso, fomos ao morro que permite o acesso ao 
mosteiro. Tivemos que fazer uma longa caminhada até 
chegarmos. Foi possível observar a rica flora do local, com 
paisagens de tirar o fôlego. Ao chegar ao topo do morro, 
fomos recepcionados pelo Fábio, um professor do 
mosteiro. Ele nos apresentou alguns pontos do mosteiro, 
depois deu uma palestra sobre a história do local. (...) 
Disponível em: http://www.docsity.com/pt/relatorio-visita-tecnica/636925/ 
 
No exemplo acima, o objetivo do relatório era narrar o dia de visita de 
estudantes de Ensino Médio a um mosteiro. Dessa forma, o detalhamento mais 
subjetivo é aceito, pois trata-se de uma observação menos técnica do local. São 
adolescentes contando a própria experiência. Em nossa vida profissional, também 
podemos escrever um relatório narrativo sobre um determinado dia de trabalho. 
Nesse caso, a escolha de informações será mais objetiva e técnica (menos pessoal) 
e direcionadas ao gestor ou funcionário que lerá o texto. Viu como é importante 
analisar o perfil de nosso receptor para escolher o tipo e o estilo da linguagem? 
Unidade IX 
http://www.docsity.com/pt/relatorio-visita-tecnica/636925/
 
 
174 
Comunicação e Expressão 
 
Talvez o tipo textual mais presente em um relatório seja o informativo, já 
que o objetivo do gênero é apresentar resultados. É possível apresentar os dados 
em forma de gráficos, organogramas, tabelas ou, como no exemplo abaixo, em 
planilhas: 
Figura 01 – Início do Relatório Geral de Atividades (TCU) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://portal.tcu.gov.br/publicacoes-institucionais/relatorios/relatorios-de-atividades/ 
 
Também pode haver uso de texto informativo em prosa: 
A produção de cobre em Voisey’s Bay alcançou 5.600 t no 
3T16, ficando 22,9% abaixo do 2T16 e 28,1% abaixo do 
3T15. Voisey’s Bay realizou sua parada planejada de 
manutenção anual em julho de 2016, enquanto no ano 
anterior a manutenção foi realizada no 2T15. A produção de 
Unidade IX 
http://portal.tcu.gov.br/publicacoes-institucionais/relatorios/relatorios-de-atividades/
 
 
 
175 
Comunicação e Expressão 
 
cobre é afetada mais diretamente pelas paradas de 
manutenção se comparada ao níquel, pois é imediatamente 
vendida ao mercado como concentrado de cobre, enquanto a 
produção de níquel é processada posteriormente e, por isso, os 
níveis de estoque em etapas de beneficiamento subsequentes 
na cadeia suavizam o impacto de interrupções na produção. 
Relatório de Produção da Vale em 3T16. Disponível em: 
http://www.vale.com/brasil/pt/aboutvale/reports/paginas/default.aspx 
 
É importante observar que podem existir textos híbridos, em que diferentes 
tipos textuais se misturam no mesmo texto. 
O relatório pode também conter ainda passagens dissertativas (mais 
expositivas do que argumentativas), quando o emissor analisa os dados e expõe 
suas conclusões: 
Os resultados experimentais relatados neste trabalho estão 
em plena concordância com a hipótese formulada. A 
corrente elétrica medida decresce exponencialmente com 
o tempo conforme prevê a teoria, isto é, não encontramos 
discordância entre os resultados encontrados e aqueles 
previstos pela teoria existente. Como esta é uma atividade 
simples e com resultados bastante coerentes, ela pode ser 
executada em quaisquer ambientes desde que se possuam 
os componentes elétricos necessários à pesquisa. Convém 
deixar claro, entretanto, que ela pode ser melhor 
explorada, com mais precisão dos resultados, dependendo 
dos objetivos a que se destina. E isso é perfeitamente 
natural, pois o conhecimento científico está em constante 
evolução e as necessidades da humanidade se tornam cada 
vez mais exigentes. 
Relatório de pesquisa – Carga e descarge de capacitores. Disponível 
em: http://www.ifsc.edu.br/modelo-de-relatorio 
Unidade IX 
http://www.vale.com/brasil/pt/aboutvale/reports/paginas/default.aspx
http://www.ifsc.edu.br/modelo-de-relatorio
 
 
176 
Comunicação e Expressão 
 
 
É natural que não haja nem o texto poético nem o injuntivo no relatório. O 
primeiro, porque o texto do relatório tende a ser mais denotativo, ou seja, as 
palavras são utilizadas no sentido mais referencial, de preferência que não possibilite 
múltiplas interpretações, para que haja, assim, clareza nas informações passadas. 
Também não costuma ocorrer texto injuntivo no relatório devido a sua própria 
natureza, o texto é criado como forma de “prestação de contas”, como relatos de 
experiências ou fatos e não é comum que haja ordens ou pedidos diretos ao 
receptor nesse gênero. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade IX 
 
 
 
177 
Comunicação e Expressão 
 
 
 
 
 Compreender as especificidades do hipertexto e o seu modo de 
construção. 
 Compreender o contexto sociocultural no qual emerge o 
hipertexto. 
 Conhecer novas formas de organização no espaço textual. 
 
 
 
 Ciclo 05 
 Atividade: Fórum 
 Título: Comunicando por Diferentes Gêneros 
 
 
 
Unidade X – Novos 
Gêneros Textuais 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
X 
 
 
178 
Comunicação e Expressão 
 
Você já reparou que, com fácil acesso à internet e a democratização do uso 
dos aparelhos celulares, nossa vida mudou consideravelmente? A todo momento 
estamos em contato com informações novas, a qualquer momento podemos 
conversar com outras pessoas, mesmo que estejam espacialmente distantes. Toda 
essa revolução também influenciou na nossa forma de comunicação, na leitura e 
novos gêneros textuais foram surgindo. 
Nesta unidade, falaremos sobre a ideia de hipertexto, sobre os gêneros 
textuais da contemporaneidade e finalizaremos com um estudo de caso como 
forma de revisão do conteúdo de toda a disciplina. Vamos lá? 
 
10.1 Texto e hipertexto 
Para iniciarmos, gostaria que você procurasse na WIKIPÉDIA a explicação 
sobre o termo “hipertexto”. Leia os três primeiros parágrafos que estão disponíveis 
na página. 
Você reparou que você, enquanto leitor, poderia escolher seguir uma leitura 
linear – do primeiro parágrafo até o último – ou então poderia escolher clicar nas 
palavras em azul (hiperliks, links, 1960, Roland Barthes, sistema, World Wide Web) 
para ter o detalhamento sobre cada conceito? Observou que o texto principal 
sobre “hipertexto” está ligado a esses outros textos? Essa é a ideia de “hipertexto”! 
Tecnicamente, o hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. 
Os nós podem ser palavras, imagens, gráficos ou partes de gráfico, sequências 
sonoras e/ou documentos complexos que podem ser eles mesmos hipertextos. 
Muitos autores, como Braga (1999), afirmam que os tipos de hipertexto 
existentes hoje expandem, na realidade, possibilidades já exploradas pela escrita 
convencional, além de integrarem em um único canal outros tipos de linguagem 
que coexistem na sociedade industrial moderna. O texto acadêmico, por exemplo, 
seria construído numa perspectiva hipertextual, pois o texto-base traz referências 
textuais e comentários de outros autores, seja no corpo do texto ou nas notas. É a 
Unidade X 
 
 
 
179 
Comunicação e Expressão 
 
ideia da polifonia e intertextualidade,não é mesmo? Porém, a tecnologia 
potencializaria esse efeito. 
 
 
 
 
 
 
 
Caros alunos, leiam com atenção o trecho abaixo, de Marcos Silva Palacios, 
e reflitam: 
(...) O que percebemos imediatamente é que para 
um leitor não familiarizado com o funcionamento de um 
Hipertexto, seja ele ficcional ou não, a questão do 
Fechamento é posta imediatamente como um problema. 
Como se chega ao fim desta história ou deste site? 
A expectativa de um fim, advém, é claro, de nossa 
experiência com a narrativa tradicional (seja numa narração 
oral, num texto, numa peça teatral, num filme...). Desde 
crianças ficamos na expectativa do "fechamento" das 
histórias que nos são contadas: 
"... então o caçador chegou, matou o lobo, abriu a 
barriga dele e a vovó saiu de lá de dentro e Chapeuzinho 
voltou para casa e prometeu nunca mais desobedecer à 
mamãe..." ou "...então o Príncipe beijou Branca de Neve e 
ela despertou de seu sono e a Bruxa Malvada teve o castigo 
merecido caindo no abismo e sendo comida pelos abutres, 
etc, etc, etc..." 
Caro aluno, você concorda com isso? Acha que 
todos os textos seriam, na realidade, hipertextos? 
Qual seria a diferença entre TEXTO E 
HIPERTEXTO? 
 
 
 
Unidade X 
 
 
180 
Comunicação e Expressão 
 
Algo semelhante sucede conosco com relação à 
música: desde que nascemos ouvimos cantigas de ninar, que 
são tonais. Não é de se espantar que nossos ouvidos 
tenham dificuldades quando nos confrontamos, por 
primeira vez, com composições musicais atonais. Temos 
que ser "educados" para esse tipo de música que soa 
"estranha" e "pouco musical" a nossos ouvidos tonalmente 
afinados. A Poética de Aristóteles (350 a.C.) já 
determinava claramente que uma Narrativa deve ter Início, 
Meio e Fim... 
Uma narrativa tradicional, ou seja, não hipertextual, 
independentemente de que suporte esteja sendo usado, 
chega sempre a um fim, ou porque chegamos à última 
página do livro (mesmo que a "última" não seja fisicamente 
a última, como no caso de Jogo de Amarelinha de Cortazar, 
ou até mesmo que não haja “última página”, como no caso 
de Composition numéro 1, de Marc Saporta, onde o leitor 
tem que decidir quando encerrar aquela leitura). O mesmo 
se pode afirmar com relação a produções cinematográficas 
que pretendem experimentar com a não-linearidade, como 
A Estrada Perdida (The Lost Highway) de David Lynch 
(1996) e Prospero´s Book (A Última Tempestade), de 
Peter Greenaway (1991). Em seu filme, Greenway 
experimenta com o recurso de "telas dentro de telas" para 
criar novos efeitos, superpondo vários "tempos narrativos". 
No entanto, queira-se ou não, eventualmente chegamos a 
um “fechamento”, representado pela projeção do último 
fotograma no processo de projeção do filme. 
 
 
 
Unidade X 
 
 
 
181 
Comunicação e Expressão 
 
Com o Hipertexto, o Fechamento não se dá, ou 
pelo menos não se dá da forma à qual estamos habituados 
(...) 
PALACIOS, Marcos Silva. Hipertexto, Fechamento e o uso do conceito 
de não-linearidade discursiva. Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 08, p. 
111-121, 1999. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na definição do professor Marcuschi (1999): 
O hipertexto não é um gênero textual nem um simples suporte de 
gêneros diversos, mas é como um tipo de escritura. É uma forma de 
organização cognitiva e referencial cujos princípios constituem um 
conjunto de possibilidades estruturais que caracterizam ações e decisões 
cognitivas baseadas em (séries de) referenciações não contínuas e não 
progressivas. Considerando que a linearidade lingüística sempre 
constituiu um princípio básico da teorização (formal ou funcional) da 
língua, o hipertexto rompe esse padrão em alguns níveis. Nele, não se 
observa uma ordem de construção, mas possibilidades de construção 
textual plurinearizada (grifos do autor) (Marcuschi ,1999, p. 21). 
 
 
O que acha das palavras do autor sobre a questão 
de estarmos acostumados com narrativas 
“fechadas”? Já aconteceu algo assim com você? No 
final de um filme ou um livro se sentir frustrado por 
aquela história não ter fim? Será que isso realmente 
nos influencia quanto ao hipertexto? Será que causa 
dificuldades quanto à aceitação da natureza do 
hipertexto? 
PENSE COM CUIDADO SOBRE AS QUESTÕES 
ACIMA! 
 
 
Unidade X 
 
 
182 
Comunicação e Expressão 
 
Segundo Dias (2000), pensar ou refletir sobre o hipertexto supõe 
contextualizá-lo, situá-lo no cenário contemporâneo do qual faz parte e em que 
atua. Temos hoje plena consciência de que a sociedade é regida por novos 
comandos, por uma tecnociência computadorizada que invade nosso espaço 
pessoal substituindo livros por microcomputadores e, assistindo a tudo isso, não 
sabemos onde vamos aportar. Ora, falar ou escrever sobre o mundo 
contemporâneo é verificar que, ao lado de um progresso material impressionante 
de descobertas e inovações tecnológicas a que alguns chegam a atribuir poderes 
quase mágicos, grande parte da população do globo permanece no mais completo 
estado de subdesenvolvimento e abandono. 
 Vivemos um verdadeiro paradoxo!!! 
Assim, caro aluno, percebemos, juntamente com Levy (1997), que novas 
maneiras de pensar e conviver estão sendo elaboradas no mundo das 
telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a 
própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de 
dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, 
aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada. Não se 
pode mais conceber a pesquisa científica sem uma aparelhagem complexa que 
redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria. Emerge, neste final do 
século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não 
inventariaram. 
 
10.2 Novos gêneros textuais 
Quando novas tecnologias são introduzidas, a sociedade se modifica. Com o 
advento da internet e sua popularização, novos formas e situações comunicativas 
apareceram. Nós, como bons comunicadores, precisamos observar esse contexto. 
A primeira questão é que a palavra escrita está sendo amplamente utilizada 
no cotidiano das pessoas. Se observarmos, há 20 anos um indivíduo se manifestava 
muito pouco por meio da escrita. Com exceção de algumas cartas (poucas, em 
decorrência da demora da entrega pelo correio), bilhetes e textos curtos, 
Unidade X 
 
 
 
183 
Comunicação e Expressão 
 
raramente escrevíamos de forma espontânea para nossos conhecidos. A produção 
textual ficava mais restrita ao ambiente escolar ou profissional, não é mesmo? 
Atualmente, as pessoas estão conectadas por meio de redes sociais e 
aplicativos e a interação dá-se sobretudo pela escrita. Assim, estamos lendo mais e 
também nos tornamos produtores de textos e, nas redes sociais, produtores de 
textos com certa audiência pública. Nós nos tornamos potenciais produtores de 
notícia e mobilizadores de massa. Assim, precisamos refletir sobre nossa 
responsabilidade enquanto produtores, se essa comunicação vai contribuir para o 
exercício da cidadania e não prejudicará outras pessoas. A tendência é que, no calor 
da recepção de determinada informação, compartilhemos informações sem verificar 
a procedência, a veracidade. Como bons comunicadores, precisamos considerar a 
fonte da informação. E precisamos considerar também que nossa comunicação 
pode ganhar repercussões inesperadas. Não são poucos os casos de pessoas que 
perderam, inclusive, o emprego por postagens inadequadas nas redes sociais. 
Nas redes sociais, também vemos reforçado o preconceito linguístico em 
decorrência de incorreções da escrita e da linguagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outra preocupação das pessoas com relação à escrita do português por 
meio da internet são as abreviações e códigos criados para a comunicação pelos 
chats, o famoso “internetês”: 
Para refletir: Muitas pessoas, após observarem 
postagensnas redes sociais com problemas de 
ortografia e norma culta, dizem que o português 
está cada vez mais “deteriorado”. Mas isso não 
decorre do fato de as pessoas escreverem mais, de 
termos mais contato com a comunicação escrita? 
Não se trata de uma prática de letramento? 
 
 
Para refletir: Muitas pessoas, após observarem 
postagens nas redes sociais com problemas de 
ortografia e norma culta, dizem que o português 
está cada vez mais “deteriorado”. Mas isso não 
decorre do fato de as pessoas escreverem mais, de 
termos mais contato com a comunicação escrita? 
Não se trata de uma prática de letramento? 
 
Unidade X 
 
Unidade X 
 
 
184 
Comunicação e Expressão 
 
Naum gosto qdo vc fica querenu ir smp pro mesmo lugar. Vamu pro shopping 
dessa veiz? 
Esse é um fenômeno que acontece em várias línguas, não só na língua 
portuguesa brasileira. Na época do telégrafo, também havia mensagens codificadas 
e nem por isso nosso português foi “prejudicado”. 
Se considerarmos, o que aprendemos sobre as variantes linguísticas, o 
internetês acaba não se tornando tão vilão assim. Veja as ponderações acerca do 
internetês feitas por Teixeira (2012): 
 
O uso da comunicação através da Internet acabou por 
desenvolver a necessidade de uma linguagem própria, que 
satisfizesse o universo cibernético. A rapidez do que se quer 
dizer, assim como, o fato de se comunicar com várias pessoas ao 
mesmo tempo, possibilitou a criação de uma linguagem especifica 
que favorecesse as relações. Muitos veem essa linguagem ampla 
utilizada pelos usuários na Internet, como uma das formas de 
comunicação existentes e que deve ser reconhecida como tal. 
Outros consideram tal linguagem um fator de empobrecimento 
da gramática e da forma de comunicação. Não podemos deixar 
de enfatizar que a comunicação virtual é singular sendo utilizada 
por um grupo que instituiu uma linguagem própria. O 
interlocutor lança mão de vários recursos linguísticos para 
convencer o outro do que se quer dizer. Na verdade esse tipo 
de linguagem é uma forma encontrada por um grupo, de 
interagir uns com os outros de um modo próprio. Afinal, o real 
motivo da existência dessa linguagem foi o de criar abreviações 
que acompanhassem a velocidade do pensamento tal qual a 
oralidade. 
 
Assim como existem gírias, jargões profissionais, existe este linguajar típico 
de conversas virtuais informais. É preciso somente sabermos diferenciar as situações 
comunicativas e adequar a linguagem. Porém, uma coisa é certa: como a ortografia 
Unidade X 
 
Unidade X 
 
 
 
185 
Comunicação e Expressão 
 
é uma convenção, quando mais praticarmos a escrita ortográfica, mais “fluentes” 
estaremos na comunicação escrita. 
O discurso escrito nas redes sociais em geral costuma ser mais informal (isso 
não implica que não se atente para aspectos gramaticais) que os meios tradicionais. 
Temos, então, uma prática escrita com características mais próximas da fala 
cotidiana. 
No entanto, não podemos acreditar que toda comunicação virtual se dará 
informalmente. Como vimos na Unidade 6, não basta analisar somente a 
modalidade FALA e ESCRITA para identificar o nível de linguagem adequado, mas 
precisamos refletir sobre a situação comunicativa. Vejamos o caso da comunicação 
por meio de gênero e-mail: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antes de escrevemos um e-mail, além das características acima listadas, 
precisamos escolher a linguagem adequada. Em contextos profissionais e 
acadêmicos, como é o caso do correio do ambiente virtual, prefira uma linguagem 
mais formal. Essa escolha também será influenciada pelo ambiente em que você 
está inserido. Por exemplo, se você trabalhar em uma agência de publicidade, 
Gênero textual: E-mail 
É uma mensagem eletrônica escrita e assíncrona, enviada pela internet. Seu 
formato assemelha muito ao da carta, mas o texto é mais breve e objetivo. 
Composição textual padrão: 
- saudação inicial 
- corpo da mensagem 
- fechamento ou despedida 
- assinatura 
 
Estudo de CasoGênero textual: E-mail 
É uma mensagem eletrônica escrita e assíncrona, enviada pela internet. Seu 
formato assemelha muito ao da carta, mas o texto é mais breve e objetivo. 
Composição textual padrão: 
- saudação inicial 
- corpo da mensagem 
Unidade X 
 
Unidade X 
 
 
186 
Comunicação e Expressão 
 
normalmente a comunicação entre os profissionais tende a ser mais descontraída. 
Esse clima mais informal também pode acontecer em ambiente acadêmico, caso 
você crie laços mais próximos com seu tutor ou professor. Cabe a nós, enquanto 
comunicadores, observar a comunicação já existente e dosar essa formalidade. 
Outra questão que precisamos considerar é que se trata de uma 
comunicação assíncrona entre emissor e receptor, ou seja, a emissão não ocorre 
simultaneamente à recepção da mensagem. Então, é necessário que emissor 
contextualize mais o assunto, tente ser o mais claro possível para não gerar 
confusão. Em um primeiro contato por e-mail, é sempre interessante se apresentar. 
Além disso, pela escrita, não temos recursos da oralidade como entonação, ritmo 
da voz. Isso pode causar problemas comunicativos. Seu receptor pode entender, 
por exemplo, que você está bravo quando você simplesmente fez uma afirmação. 
Então, é preciso escolher bem as palavras, sempre pensando na cortesia. 
É preciso se atentar também para o fato de que a comunicação por e-mail 
normalmente é considerada pelas empresas como documentação e comprovação 
de decisões, fatos, ações. O que se escreve tem um peso maior do que se fala. Daí 
a importância de se refletir bem antes de enviar uma mensagem e sempre revisar 
seu texto. 
Assim como na nossa vida social, na comunicação virtual precisamos seguir 
regras de “etiqueta” para convivermos bem. Precisamos nos atentar para as 
seguintes tradições: 
 
 EVITE ESCREVER SEU TEXTO COM TODAS AS LETRAS EM 
MAIÚSCULAS. PODE DAR A ENTENDER QUE VOCÊ ESTÁ 
GRITANDO COM SEU INTERLOCUTOR. 
 
 Não use recursos em excesso. Evite a cor amarela, pois pode causar 
problema de legibilidade. 
 
 
Unidade X 
 
Unidade X 
 
 
 
187 
Comunicação e Expressão 
 
 Para quem está acostumado com a formatação tradicional , a 
digitação mal feita incomoda. 
 Lembre-se: dê somente um espaço entre as palavras. A pontuação fica sempre grudada 
na palavra anterior e separada com um espaço da seguinte. 
 
 Em contexto formal, utilize emoticons com moderação. Nos bate-papos, 
costumamos utilizar muito kkkkkk, rsrs, ahuahua...Se necessário utilizar o 
tom descontraído em uma comunicação formal para evitar mal entendido, 
prefira a expressão (risos). 
 
 No e-mail, não se esqueça da assinatura. Somente o endereço de e-mail 
não é suficiente. 
 
 Escolha bem o campo “assunto” do e-mail, coloque palavras-chave que 
resumam o propósito da comunicação. Evite escrever “urgente” sem 
necessidade. 
 
O gênero e-mail veio com o advento da internet e, nos dias atuais, parece 
ter suas características particulares bem estáveis. Então, é preciso sempre ficar 
atento a elas para uma comunicação eficiente. A internet também trouxe gêneros 
novos. Vamos conhecer alguns? 
Site: coleção de arquivos Web sobre um determinado assunto, que pode 
conter uma ou mais páginas. É muito utilizado por empresas para oferta de 
produtos e serviços. 
Blog: coleção de arquivos Web de cunho pessoal, para registro e arquivo 
de impressões pessoas, hobbies, paixões. Pode ser considerado um diário moderno. 
Vlog: abreviatura de “videoblog”, um tipo de blog cujos conteúdos principais 
são vídeos. O vlogger ou vlogueiro, normalmente em um enquadramento muito 
próximo à câmera, filma a própria fala, que normalmente é mais espontânea e 
 
Unidade X 
 
Unidade X 
 
 
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Comunicação e Expressão 
 
descontraída. São abordados os mais diversos assuntos, sejam eles pessoais ou 
profissionais. 
Ciberpoema: textos resultantesde novas experimentações poéticas, 
explorando a tecnologia digital (animação, som..) e a interatividade. Exemplo: 
https://www.youtube.com/watch?v=O8csp1L1ns8 
 
Meme: texto verbal, visual (estático ou em animação) ou sonoro 
relacionado ao humor que se espalha com grande repercussão via internet. 
Post (ou postagem): texto publicado em blogs e redes sociais. Tem 
extensão e nível de formalidade variado. Pode ou não conter emoticons. 
 
Viu como não podemos listar um número fechado de gêneros textuais? À 
medida em que o tempo vai passando e a sociedade se modificando, alguns 
gêneros vão caindo em desuso e novos vão surgindo. Cabe a nós investigarmos e 
observarmos as características básicas de um gênero a priori desconhecido para que 
a comunicação seja sempre adequada. 
 
 
 
 
 
 
 
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https://www.youtube.com/watch?v=O8csp1L1ns8
 
 
 
189 
Comunicação e Expressão 
 
Nesta etapa final da disciplina, vamos fazer um estudo de caso. Tente 
resgatar todo o seu conhecimento aprendido na disciplina, ok? É interessante que 
escreva, em um papel ou no seu computador, toda a análise, para possa aperfeiçoar 
sua escrita e argumentação. 
 
Marina Andrade trabalha como gerente de relacionamento no banco 
América, um banco tradicional do Brasil. O país enfrenta uma grave crise financeira e 
econômica, o que tem refletido nas decisões administrativas tomadas pelo banco. 
Recentemente, foi abolida uma série de benefícios de clientes, como a isenção de 
taxas. Uma parte dos correntistas teve a taxa mensal de manutenção da conta 
elevada em 50%. 
 Em um dia de trabalho, Marina, recebe o seguinte e-mail: 
 
 
 
 
Estudo de Caso 
 
 
 
 
 
Refrência 
BibliográficaEstudo de 
Caso 
 
 
 
 
 
 
190 
Comunicação e Expressão 
 
Considerando o caso relatado acima, analise detalhadamente a comunicação 
da cliente Paula e da gerente de relacionamento Marina. Abaixo estão algumas 
questões norteadoras para análise. Responda-as separadamente para cada situação 
comunicativa. Você nãoprecisa necessariamente responder na ordem das questões. 
Organize as informações em seu texto, para que ele fique coeso e coerente. 
 
- Quais foram os objetivos comunicativos da emissora? 
- A forma de comunicação pelo gênero e-mail foi a mais adequada para 
esse objetivo comunicativo? 
- Considerando os objetivos comunicativos da emissora, a mensagem pode 
ser considerada eficiente e eficaz? Por quê? 
 
 
 Marina escreve um e-mail de resposta: 
Estudo de Caso 
 
Estudo de Caso 
 
 
 
191 
Comunicação e Expressão 
 
- Considerando todas as características que vimos do gênero e-mail, a 
mensagem escrita enquadra-se adequadamente no gênero? Por quê? Detalhe sua 
análise. 
- A mensagem foi escrita em um nível de linguagem adequado? Por quê? 
Detalhe sua análise. No caso da situação 2, reflita sobre a comunicação que 
normalmente ocorre entre cliente e banco. 
- Qual é o tipo textual (narrativo, informativo, descritivo, injuntivo, 
dissertativo, poético) predominante na mensagem? 
- A mensagem apresenta inadequações de escrita (gramática, ortografia, 
digitação)? Se sim, quais? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estudo de Caso 
 
Estudo de Caso 
 
 
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Comunicação e Expressão 
 
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195 
Comunicação e Expressão 
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https://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/21967/a-linguagem-virtual-do-internetes-ao-portugues%20Acesso%20em%2013-12-2016
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