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É importante lembrar que protestos contra o neoliberalismo ocorrem desde a 
década de 1990, principalmente nas rodadas da oMC e do Fórum Econômico 
Mundial, onde estão presentes as principais lideranças empresariais e políticas 
de todo o mundo. 
A outra face da distribuição de renda refere-se às distorções tributárias, ou seja, 
ao recolhimento de impostos. Em boa parte dos países, em especial nos países em 
desenvolvimento (entre eles, o Brasil), os impostos indiretos (que incidem sobre a 
produção e a comercialização de mercadorias) são, muitas vezes, excessivos, tanto em 
valores quanto em número de tributos. No conjunto, são maiores do que os impostos 
diretos (que incidem sobre as propriedades, as rendas obtidas com as propriedades 
– aluguéis –, os rendimentos salariais e as aplicações financeiras). 
Isso eleva o preço dos produtos e obriga todos os consumidores a pagarem 
os tributos de forma equitativa, independentemente de sua classe social. Dessa 
forma, quando uma pessoa com rendimento mensal de um salário mínimo compra 
um quilo de arroz, o valor dos impostos indiretos que ela paga sobre o produto é 
proporcionalmente maior do que o valor pago por outra pessoa que ganha vinte 
salários mínimos.
A redistribuição de renda é muito mais do que uma política de justiça social. 
A concentração de renda leva o setor produtivo da sociedade a voltar-se para um 
pequeno segmento de consumidores com maior poder aquisitivo. A desconcentração 
da renda gera novos consumidores, dinamiza a economia e cria empregos.
Língua Portuguesa
Impostos no Brasil
Observe o cartum do desenhista Luiz Fernando Cazo (1982-).
• O pai do garoto, representado ironicamente por um animal de carga, retrata a realidade da sociedade brasileira. 
Explique essa realidade.
C
A
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174 unidade 3 | Espaço, sociedade e economia 
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8   EXCLUSÃO SOCIAL
Pode-se dizer que a globalização, intensificada no século passado e em pro-
cesso nos dias atuais, propiciou significativas conquistas econômicas, sobretudo 
para as maiores empresas e os países desenvolvidos. Avanços econômicos tam-
bém ocorreram nos países em desenvolvimento, especialmente os emergentes. 
Apesar disso, muitos são ainda os desafios a serem enfrentados no campo da 
promoção social.
A globalização e a revolução tecnológica não foram suficientes para proporcionar 
o que é mais importante: condições e mecanismos para eliminar a pobreza, erra-
dicando as condições de miséria. os avanços da medicina, por exemplo, embora 
extraordinários, não chegaram igualmente a todas as pessoas, em todos os países 
do globo, que ainda hoje enfrentam problemas decorrentes de doenças que pode-
riam ter sido erradicadas. Igualmente, o atual nível de desenvolvimento dos meios 
de comunicação não está acessível a todos, ficando excluídas as populações que 
mais necessitam ampliar seu nível educacional e cultural e melhorar seu nível de 
qualificação profissional.
É necessário destacar que não existe uma categoria única de excluídos nas 
sociedades. Dentre eles estão os desempregados, os subempregados, os inválidos, 
as pessoas com deficiência, as vítimas de preconceito racial, as mulheres e as crian-
ças na maior parte dos países do mundo, os migrantes e os refugiados, as minorias 
étnicas e religiosas e todos os pobres, que não têm acesso à moradia, à alimentação 
saudável, ao trabalho, à educação e à informação de qualidade. 
9    ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO  
HUMANO (IDH)
o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado pela oNU, no início da 
década de 1990, como contraponto a indicadores como o PIB e a renda per capita 
(por indivíduo), que medem a riqueza dos países circunscrita à esfera econômica. 
o IDH agrega ao desempenho da economia outros aspectos que influenciam a qua-
lidade da vida humana. 
No conceito de desenvolvimento humano, o foco é o ser humano e não a renda, 
embora ela ainda continue sendo uma condição necessária e um dos aspectos que 
fazem parte do IDH. Ele resulta do cruzamento de três indicadores básicos: 
•	 o Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita, que é a renda nacional bruta 
dividida pelo número de habitantes do país, expresso em dólares e ajustado 
ao poder de compra da população de cada país;
•	 o grau de conhecimento, baseado na escolaridade; 
•	 a expectativa de vida, denominada longevidade.
o IDH permite diferenciar países que, apesar de possuírem economias semelhan-
tes, possuem diferenças nas condições de vida da população. Esse índice é hoje o 
principal indicador para analisar a situação social e econômica dos países, pois ressalta 
como o crescimento econômico foi revertido em benefícios sociais para a população.
Desde 1993, vem sendo usado pelo Programa das Nações Unidas para o Desen-
volvimento (PNUD), que anualmente divulga as condições socioeconômicas dos 
países-membros da oNU. os países são classificados em quatro grupos: IDH muito 
alto, IDH alto, IDH médio e IDH baixo (veja as figuras 19 e 20, na página seguinte). 
Essa classificação, ao contrário do índice de gini, quanto mais próximo de 1 é o IDH, 
melhor é o Índice de Desenvolvimento Humano, e vice-versa. observe o mapa da 
seção Olho no espa•o, na próxima página.
Rendimento Nacional 
Bruto (RNB)
É calculado pela soma do 
PIB com todos os demais 
rendimentos líquidos (deduzidos 
todos os descontos legais) 
recebidos do resto do mundo. 
Os valores enviados em forma 
de pagamentos a outros países 
são deduzidos nesse cálculo.
175Capítulo 7 – Sociedade e economia 
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Distribuição do desenvolvimento humano em 2014
O planisfério abaixo apresenta um panorama geral do IDH do mundo baseado no Relatório do Desen-
volvimento Humano 2015. 
EQUADOR
CÍRCULO POLAR ÁRTICOPOLAR ÁRPOLAR ÁRCÍRCUL POLAR ÁRCÍRCULO POLAR ÁRPOLAR ÁRCÍRCUL POLAR ÁRCÍRCULCÍRCULCÍRCULCÍRCUL TICOTICOTICOTICOTICOO POLAR ÁRTICOTICOTICOCÍRCULCÍRCULCÍRCULCÍRCUL POLAR ÁRPOLAR ÁRPOLAR ÁRCÍRCUL POLAR ÁRTICOTICOTICOPOLAR ÁRTICOTICOPOLAR ÁRPOLAR ÁRPOLAR ÁRCÍRCULCÍRCUL TICOTICOTICOCÍRCUL POLAR ÁRTICOCÍRCUL POLAR ÁRTICOTICOCÍRCULO POLAR ÁRTICO
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
M
E
R
ID
IA
N
O
 D
E
 G
R
E
E
N
W
IC
H
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO GLACIAL
ÁRTICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
0°
0°
8°
0,915
9°
0,914
75°
0,755
42°
0,832 40°
0,836
187°
0,350
188°
0,348
0,944
171°
0,466
90°
0,727
130°
0,609
50°
0,798
0,935
CANADÁ
ESTADOS UNIDOS
O mais
elevado
NORUEGA
O mais
baixo
BRASIL
CHILE
ARGENTINA
REP. CENTRO-
-AFRICANA
NÍGER
O 2o
mais
baixo
RÚSSIA
CHINA
ÍNDIA
AUSTRÁLIA
AFEGANISTÃO
O mais
baixo
da Ásia
O 2o mais
elevado
De 0,802 a 0,944
De 0,702 a 0,798
De 0,555 a 0,698
De 0,348 a 0,548
IDH
Sem dados
N
0 2.460 km
Mundo: Índice de desenvolvimento humano − 2014
Fonte: PNUD. Relatório de Desenvolvimento Humano 2015. Disponível em: <http://hdr.undp.org>. Acesso em: jan. 2016.
1. Comente a posição do Brasil.
2. Indique os dois países em melhor posição que a do Brasil na América Latina.
3. Indique os dois países com os melhores e os dois com os piores IDHs. 
4. Cite o país que apresentou o pior IDH do continente asiático. 
Figura 19. vista de rua em Stavanger (Noruega), 2015. o país apresen-
tou o IDH mais elevado, entre os 188 analisados pelo PNUD em 2015.
Figura 20. vista de rua de Agadez (Níger), 2015. o país apresentou 
o IDH mais baixo no mesmo estudo, em 2015.
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176 unidade 3 | Espaço, sociedade e economia 
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