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Força elétrica – Lei de Coulomb 179 2. A Lei de Coulomb Consideremos duas cargas elétricas puntiformes q e Q separadas por uma distância d e situadas no vácuo. Como sabemos, elas se atraem ou se repelem conforme sejam seus sinais iguais ou opostos (fi g. 2). As forças elétricas que atuam nas duas partículas têm a mesma in- tensidade para qualquer que seja o meio ambiente em que se encon- trem. No entanto, no caso especial do vácuo, as cargas elétricas não interagem com o meio, mas apenas entre si; portanto, são forças de ação e de reação. Independentemente do meio, vamos chamar o par de forças elétri- cas de +F e –F . A intensidade dessas duas forças será chamada sim- plesmente de F. |+F| = |–F| = F Coulomb verifi cou que a intensidade da força elétrica dependia: • do módulo das duas cargas elétricas; • da distância que separa as duas partículas; • do meio ambiente em que se encontram as cargas elétricas. Na Eletrostática, a umidade do ar é uma grande inimiga dos experimentos. para evitá-la, procura-se trabalhar no vácuo ou em climas secos e ensolarados. por princípio, quando não citarmos neste livro o meio ambiente, vamos admitir que se trate do vácuo. A grande descoberta de Coulomb em seu experimento foi a infl uência da distância no módulo da força elétrica: A intensidade da força elétrica é inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa as duas partículas. por outro lado era bastante intuitivo que força e carga elétrica eram proporcionais, e isso completou o enunciado de sua lei: A intensidade da força elétrica entre duas partículas eletrizadas é diretamente proporcional ao produto das cargas elétricas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa. Matematicamente se escreve: F = K 0 |q| · |Q| d2 Nessa expressão, K 0 é uma constante de proporcionalidade, denominada constante eletrost‡tica do v‡cuo. No Sistema Internacional de unidades (SI), temos que: K 0 = 9,0 · 109 N · m2 C2 d q Q –F F d q Q F–F (a) Cargas elétricas de mesmo sinal. (b) Cargas elétricas de sinais opostos. Figura 2. Pares de cargas elétricas pun- tiformes eletrizadas. IL u St r A ç õ ES : ZA pt Capítulo 10180 O valor da constante eletrostática em outros meios Caso as cargas puntiformes não se encontrem no vácuo, a constante eletros- tática passará a ser indicada apenas por K, e o seu valor será menor que o de K 0 . No ar seco, pode-se admitir, com pequena margem de erro: K ar ≅ K 0 = 9,0 · 109 N · m2 C2 A tabela 1 dá alguns valores da constante eletrostática em alguns meios homo- gêneos. Não há necessidade, no entanto, de darmos muita importância a ela, pois, como já estabelecemos, o nosso estudo será feito, preliminarmente, no vácuo. Unidades das grandezas envolvidas na fórmula de Coulomb Já conhecemos quase todas as grandezas envolvidas na equação de Cou- lomb: a força, a carga elétrica e a distância. A novidade é a constante eletros- tática K. Façamos, então: F = K · q · Q d2 ⇒ K · q · Q = F · d2 K = F · d 2 q · Q No SI temos, então, o seguinte quadro de unidades: Unidade de F Unidade de Q Unidade de d Unidade de K N (newton) C (coulomb) m (metro) N · m2 C2 Na Eletrostática as esferas não comportam muita carga elétrica. Na prática suas cargas são inferiores a 10–6 C. Isso justifica o uso dos submúltiplos do coulomb: milicoulomb, nanocoulomb, picocoulomb. Substância K N · m2 C2 ar seco ≅ 9,0 ∙ 109 água 1,1 ∙ 108 benzeno 2,3 ∙ 109 petróleo 3,6 ∙ 109 etanol 3,6 ∙ 108 Tabela 1. Valores da constante eletrostática em alguns meios. Só para recordar: mC = milicoulomb = 10–3 C μC = microcoulomb = 10–6 C nC = nanocoulomb = 10–9 C pC = picocoulomb = 10–12 C Para nos acostumarmos com as contas, com as potências de 10 e com as unidades de cargas, vamos determinar a força eletrostática entre duas partículas separadas pela distância de 3,0 mm, no vácuo, sendo dados: Q = 4,0 nC; q = 5,0 nC; K 0 = 9,0 ∙ 109 N · m 2 C2 O primeiro passo é fazer as conversões para o SI, usando sempre potências de 10: Q = 4,0 nC = 4,0 ∙ 10–9 C q = 5,0 nC = 5,0 ∙ 10–9 C d = 3,0 mm = 3,0 ∙ 10–3 m Escrevemos a equação de Coulomb e, em seguida, substituímos esses valores e procedemos aos devidos cancelamentos: F = K 0 · q · Q d2 F = 9,0 · 10 9 · (5,0 · 10–9) · (4,0 · 10–9) (3,0 · 10–3)2 ⇒ F = 9,0 · 5,0 · 4,0 · 10 –9 9,0 · 10–6 ⇒ F = 20 ∙ 10–3 N ⇒ F = 2,0 ∙ 10–2 N Exemplo 1 Força elétrica – Lei de Coulomb 181 3. Análise gráfica da Lei de Coulomb A Lei de Coulomb nos garante que, para dois valores fixos de cargas elétricas (q e Q), a intensidade da força eletrostática é inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa as partículas eletrizadas: F = k 1 1 d2 , onde k 1 = K ∙ |q| ∙ |Q| (constante) Observando a equação acima, verificamos que, se dobrarmos a dis- tância, a força ficará dividida por 4. Se triplicarmos a distância, a força ficará dividida por 9, e assim sucessivamente. Na tabela a seguir mostramos os resultados dessa relação, variando convenientemente a distância d. Na figura 3 mostramos o gráfico da intensidade da força com a distância. Distância d 2d 3d 4d 5d Força F F 4 F 9 F 16 F 25 Tabela 2. d força elétrica (F) F 2d 3d 4d distância F 4 F 16 Figura 3. A intensidade da força elétrica pela distância. Medimos a distância d entre duas partículas eletrizadas com cargas elétricas positivas q e Q. Medimos também a intensidade da força F de repulsão entre elas. O que ocorrerá com a intensida- de dessa força se duplicarmos a distância d? Vamos elaborar duas figuras (4a e 4b) mostrando o que se pede. d q Q F F 2d q Q F' F' (a) Situação inicial. (b) Situação final. Figura 4. Na situação inicial temos: F = K 0 · q · Q d2 = k d2 1 Na situação final: F' = K 0 · q · Q (2d)2 = k 4d2 2 Dividindo-se membro a membro a equação 1 pela 2 : F' F = k 4d2 k d2 ⇒ F' F = 1 4 ⇒ F' = F 4 Conclus‹o: a intensidade da força é reduzida à sua quarta parte. Esse resultado é a essência da Lei de Coulomb. Exemplo 2 IL u St r A ç õ ES : ZA pt