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Fluidostática – Princípio de Arquimedes 521 estando o gelo em equilíbrio, o empuxo deve ser igual ao peso, isto é, o peso do gelo (P g ) deve ser igual ao peso da água deslocada (P l ), que é o peso da água que ca- beria no espaço de volume V l (fig. 13): p g = p l ⇒ m g · g = m l · g ⇒ m g = m l portanto, a massa do gelo é igual a m l , isto é, igual à massa de água que cabe no espaço de volume V l . Quando o gelo derreter, sua densidade será igual à da água; as- sim, a água resultante do derretimento preencherá exatamente o espaço de volume V l , não se alterando, portanto, o nível da água. Queda em um fluido no capítulo 15 vimos que, quando um corpo se move no interior de um fluido, há uma força de resistência (Fr ) ao movimento, que, para baixas velocidades, tem módulo dado por: F r = kv sendo v o módulo da velocidade e k uma constante que depende da natureza do fluido e da forma e do tamanho do corpo (fig. 14a). Suponhamos agora que uma bolinha B, cuja densidade é d b , seja abandonada no interior de um fluido de densidade d F tal que d b > d F . A bolinha vai afundar sob a ação de três forças (fig. 14b): o peso P, a força da resistência F r e o empuxo E (no capítulo 15 desprezamos o empuxo). o módulo de F r vai aumentando com a velocidade até que: e + F r = p 1 quando a bolinha atinge a velocidade limite (v l ). Sendo V o volume da bolinha e g a aceleração da gravidade, sabemos que: e = d F Vg; F r = kv; p = d b Vg Substituindo em 1 , temos: d F Vg + kv l = d b Vg ⇒ v L = (d B – d F ) V k · g 2 Sedimentação Se você misturar bastante açúcar na água contida em um copo, verá que, depois de certo tempo, haverá um pouco de açúcar no fundo do copo: dizemos que houve sedi- menta•‹o. Algumas partículas de açúcar desceram, atingindo uma velocidade limite dada pela equação 2 do item anterior. em laboratórios de Física, Química e biologia, às vezes há necessidade de provocar a sedimentação de partículas contidas em um líquido. porém, em alguns casos, a sedi- mentação é muito lenta, pelo fato de a velocidade limite ser muito pequena. mas há um modo de aumentar a velocidade limite, sugerido pela inspeção da equação 2 acima: aumentando artificialmente o valor de g. isso é feito usando-se uma centrífuga. inicial- mente o líquido (com as partículas dissolvidas) é colocado num tubo de ensaio preso a uma haste. Quando o sistema girar, o tubo ficará “quase” na horizontal, de modo que a aceleração centrífuga a cf (para o referencial do tubo) faz o papel de g. lembrando que a cf = ω2r, em que ω é a velocidade angular e r o raio da trajetória, vemos que, quanto Figura 13. (a) (b) Figura 14. z A p t v F r v E B P F r A le x A r g o z in o V 1 V L Capítulo 26522 (a) O líquido é colocado em um tubo preso a uma haste. (b) Ao ser girado, o tubo fica quase na horizontal. Figura 15. Exercícios de Aplicação 1. Na figura representamos um bloco de massa m B = 60 kg e densidade d B = 3,0 · 103 kg/m3, imerso em um líquido de densidade d L = 0,90 · 103 kg/m3 e preso por um fio ideal a um dinamômetro. Con- sidere g = 10 m/s2 e calcule: a) o volume do bloco; b) o módulo do empuxo exercido pelo líquido sobre o bloco; c) o peso aparente do bloco. Resolução: a) Sendo V o volume do bloco, temos: d B = m B V ⇒ V = m B d B = 60 kg 3,0 · 103 kg/m3 V = 2,0 · 10–2 m3 b) A intensidade do empuxo é igual ao peso do líquido que caberia no volume ocupado pelo bloco: E = P L = m L · g = d L · V · g = = (0,90 · 103)(2,0 · 10–2)(10) E = 180 N c) As forças que atuam no bloco são o peso (P), o empuxo (E) e a tração (T ) exercida pelo fio. P = m B · g = = (60 kg)(10 m/s2) = 600 N Como o bloco está em equilíbrio, temos: T + E = P ⇒ T = P – E = = 600 N – 180 N ⇒ ⇒ T = 420 N Portanto, o dinamômetro está marcando 420 N, e esse é o peso aparente, que é a diferença entre P e E: peso aparente = P – E = 420 N 2. Um bloco de volume 2,0 · 10–3 m3 e densidade 3,0 · 103 kg/m3 está totalmente submerso na água, cuja densidade é 1,0 · 103 kg/m3, e preso por um fio a um dinamômetro, como mostra a figura. Considere g = 10 m/s2. Calcule: a) a massa do bloco; b) o empuxo sobre o bloco; c) a marcação do dinamômetro (peso aparente). 3. Um corpo esférico de volume 12 cm3 flutua em um líquido de densidade 0,80 g/cm3, de modo que o volume da parte imersa é 3,0 cm3. a) Qual é a massa do corpo? b) Qual é a densidade do corpo? lu iz F er n A n D o r u b io maior for o valor de ω, maior será o valor de a cf e, assim, maior será o valor da velocida- de limite. em alguns laboratórios há centrífugas que atingem frequência de 50 000 rpm. na figura 15, apresentamos um esquema do funcionamento de uma centrífuga. P E T il u St r A ç õ eS : zA pt v = 0 a cf Fluidostática – Princípio de Arquimedes 523 4. Um bloco de madeira em forma de cubo de aresta igual a 10 cm flutua na água, como mostra a figura. Sabendo que as densidades dessa madeira e da água são respectivamente iguais a 0,75 g/cm3 e 1,00 g/cm3, calcule a altura da parte submersa. 5. Um corpo em forma de casca esférica de raio inter- no r = 9,0 cm e raio externo R = 10 cm é feito de alumínio, cuja massa específica é 2,7 g/cm3. Colocado em um líquido, ele flutua com 3 5 de seu volume submerso. Calcule: a) a massa do corpo; b) a densidade do corpo; c) a densidade do líquido. 6. Uma bolinha de madeira, cuja densidade é 0,80 g/cm3, é abandonada no interior da água de uma piscina, a uma profundidade de 5,0 metros. 5,0 m Sabendo que g = 10 m/s2, que a densidade da água é 1,0 g/cm3 e desprezando os atritos, responda: a) Qual é a aceleração adquirida pela bolinha? b) Depois de quanto tempo a bolinha atinge a superfície livre da água? 7. Uma bolinha (B), de volume 4,0 · 10–9 m3 e densi- dade 7,8 · 103 kg/m3, é abandonada na superfície do óleo contido em um recipiente, como ilustra a figura. A força de resistência sobre a bolinha tem módulo dado por F = kv, sendo v o módulo da velocidade e k = 2,8 · 10–2 N · s/m. Sabendo que a densidade do óleo é 0,8 · 103 kg/m3 e g = 10 m/s2, calcule a velocidade limite atin- gida pela bolinha. B g 8. Um balão esférico de raio R = 10 m foi cheio com gás hélio, cuja densidade é 0,16 kg/m3. O balão vazio, os cabos e a cesta têm massa total de 200 kg. Desprezando o volume da cesta e sabendo que a densidade do ar é 1,21 kg/m3, calcule o valor máximo da massa da carga que esse balão pode sustentar. 9. Na situação representada na figura, a barra, de peso desprezível, está em equilíbrio. Em suas extremidades há fios ideais que sustentam os corpos A e B, sendo a massa de A igual a 9,0 kg e o volume do corpo B igual a 2,0 litros. água 60 cm20 cm A B z A p t Sendo a densidade da água igual a 1,0 g/cm3, calcule: a) a massa do corpo B; b) a densidade do corpo B. 10. Uma caixa prismática, de massa 400 kg e dimen- sões x = 2,0 m, y = 1,0 m e z = 0,50 m, flu- tua na água, cuja densidade é 1,0 · 103 kg/m3. Quantas pessoas de massa 70 kg podem entrar na caixa sem que entre água? x y z 11. Na figura a seguir representamos um densíme- tro, instrumento usado para medir densidades de líquidos. Ele é constituído de um tubo de vidro com um pouco de uma substância mais densa que o vidro no fundo (o lastro), para dar estabilidade. Suponhamos que o volume do R r l u iz A u g u S t o r ib e ir o l u iz A u g u S t o r ib e ir o h z A p t z A p t z A p t z A p t