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FR EN TE 2 AULA 10 Barroco: o drama do homem e a linguagem dramática 67 Exercícios de sala Língua Portuguesa • Livro 1 • Frente 2 • Capítulo 3 I. Leia as páginas de 279 a 283. II. Faça os exercícios propostos de 14 a 19. III. Faça o exercício complementar 11. Guia de estudos 1 UEPG 2018 A respeito dos autores e obras menciona- dos a seguir, assinale o que for correto. 01 “Diz Cristo, que saiu o Pregador Evangélico a se- mear a palavra divina.” Estas palavras do início do Sermão da Sexagésima, do Padre Antônio Vieira, já anunciam, de certo modo, os três elementos sobre os quais ele vai desenvolver o seu sermão. São: o Pregador, apresentado como um semeador; a Palavra de Deus, comparada a uma semente; e o Ouvinte (que está suposto), cujo coração represen- ta o solo onde a semente divina vai ser lançada. 02 O livro Melhores Poemas, de Cláudio Manuel da Costa, é composto por uma seleção de textos deste escritor. Nesta obra, destacam-se delicados sonetos de amor e poemas patrióticos que exal- tam as belezas naturais do Brasil. Com esta sua poesia amorosa e nacionalista, publicada inicial- mente no século XVIII, Cláudio Manuel da Costa inaugurou um novo período na Literatura Brasileira: o Romantismo. 04 “Nise? Nise? Onde estás? Aonde espera / Achar-te uma alma, que por ti suspira, / Se quanto a vista se dilata, e gira, / Tanto mais de encontrar-te de- sespera!” – Nestes versos iniciais de um de seus sonetos, Cláudio Manuel da Costa apresenta um dos temas típicos de sua poesia: o eu lírico que se queixa da não correspondência amorosa da mulher pela qual ele está apaixonado. 08 No Sermão da Sexagésima, o Padre Antônio Vieira mostra-se preocupado por ver o pouco fruto que faz a Palavra de Deus. Argumenta que a culpa não pode ser da palavra divina porque ela é sempre eficaz. Também demonstra que não é por causa do ouvinte que, embora às vezes não seja muito receptivo, nele algum fruto sempre dá. Conclui en- tão que a culpa só pode ser do próprio pregador, e é sobre isso que ele vai argumentar, fazendo a sua crítica e apresentando a sua teoria de como fazer um bom sermão. Soma: 2 UEM 2019 Sobre a literatura barroca, assinale o que for correto. 01 As duas grandes correntes do Barroco, o cultismo e o conceptismo, referem-se, respectivamente, à necessidade de demonstração de alta cultura para se distanciar do burguês, que era visto como grosseiro, e à capacidade de aconselhar a nobre- za, cujos valores estavam em crise por conta de fatores socioeconômicos. 02 A linguagem barroca frequentemente lança mão de recursos como a hipérbole, a metáfora e a antítese; tais figuras auxiliam na representação literária de um mundo dividido e em transformação rápida, em especial devido à crise no Catolicismo causada pela Reforma Protestante e pela Contrarreforma, que a ela se seguiu. 04 Em relação ao Barroco brasileiro, seus principais representantes, entre eles o Padre Antônio Vieira, buscaram criar as primeiras formas de uma litera- tura nacionalista, uma vez que, tendo feito seus estudos nos Cursos Superiores da Bahia e do Rio de Janeiro, foram imbuídos de sentimento nativista e de orgulho da tropicalidade, sendo esta enten- dida como oposição saudável à irreligiosidade europeia. 08 A “agudeza” era muito valorizada no Barroco, cor- respondendo à capacidade de fazer humor de forma agressiva e sarcástica, como a ação de uma agulha, que “perfurava a couraça” do inimigo, cau- sando-lhe dano considerável. Não precisava ser original nem criativa, de modo que era frequente o escritor barroco utilizar agudezas inventadas por autores clássicos. 16 A religiosidade era tema fundamental na literatu- ra barroca, mas de forma ambígua: seus autores concebiam Deus como parte de uma oposição do- lorosa entre o mundo profano, com suas tentações, e o sagrado, ao qual o homem, dividido, deveria aspirar, embora com dificuldade em alcançar. Soma: MED_2021_L1_POR_F2.INDD / 24-09-2020 (16:17) / GISELE.BAPTISTA / PROVA FINAL MED_2021_L1_POR_F2.INDD / 24-09-2020 (16:17) / GISELE.BAPTISTA / PROVA FINAL Língua Portuguesa AULA 11 Barroco: os valores em conflito68 FRENTE 2 y gregório de Matos nasceu na Bahia, frequentou uma escola religiosa e, mais adiante, estudou Direito em Portugal, portanto a sua formação escolar-acadêmica já indicia o embate entre fé e ciência que dominaria o espírito do poeta. y Ainda em Portugal, Gregório de Matos começou a escrever suas sátiras, cuja irreverência e mordacida- de fizeram com que ele fosse expulso da capital do Império. Pelo Brasil, continuou escrevendo poemas cultistas, que mesclavam a vida boêmia que levava com as convicções religiosas que mantinha, em toda a sua contradição. y A obra poética de Gregório de Matos é didaticamen- te dividida em três tipos de poesia: lírica, religiosa e satírica. y A poesia lírica de Gregório de Matos é composta de poemas ora sensuais, ora enaltecedores da mulher amada, trazendo fortes exemplos das contradições inerentes à arte barroca. y A poesia religiosa é composta de poemas em que o eu lírico é o pecador que se penitencia e se sente humilhado diante da justeza de Deus, mas que nunca consegue abrir mão do desejo completamente. y A poesia satírica de Gregório de Matos reúne poemas que fazem ataques sem atavios e ajudam a compor um retrato da cultura baiana do século XVII. Neles, os políticos, os clérigos e os colonos brasileiros são representados às avessas, e, dessa forma, o autor es- miúça as depravações de diferentes grupos sociais. A virulência de seu texto chocou a sociedade da época, terminando por ganhar a alcunha de Boca do Inferno. y Gregório de Matos é consagrado como a maior ex- pressão do Barroco literário brasileiro em poesia por retratar os dilemas morais, religiosos, sociais e políti- cos do Brasil Colônia. O poeta conseguiu expressar, de forma plena, o espírito contraditório e ambivalente do mundo barroco, apresentando a oscilação entre certo e errado, vício e virtude, claro e escuro etc. G ia n Lo re nz o B er ni ni /© B or ni n5 4 | D re am st im e. co m Fig. 12 O êxtase de Santa Teresa (1645-1652), escultura de Bernini, na Capela Cornaro, em Roma. Santa Teresa acreditava que havia sido atingida pelo dardo de um anjo, que lhe infundiu o amor divino. O artista barroco italiano Gian Lorenzo Bernini resgata elementos da cultura pagã greco-latina. O anjo é representado por uma espécie de Cupido, e a Santa pela donzela desfalecida, que recebe a flecha de amor com um misto de ansiedade e exaustão. AULA 11 Barroco: os valores em conflito MED_2021_L1_POR_F2.INDD / 25-09-2020 (12:43) / VALMIR.SILVA3 / PROVA FINAL Frente 2 - Língua Portuguesa Aula 11 - Barroco: os valores em conflito