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3ºAula Modelos lineares de otimização Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • conhecer como aplicar a Pesquisa Operacional em problemas de planejamento urbano; • conhecer como aplicar a Pesquisa Operacional em problemas de investimento; • conhecer como aplicar a Pesquisa Operacional em problemas de planejamento de produção; • conhecer como aplicar a Pesquisa Operacional em problemas de indústria química, de alimentos ou de base, que tenham problemas de mistura de matérias-primas. Prezados(as) alunos(as), Nesta terceira aula, estudaremos os principais modelos lineares de otimização. Esses modelos representam a maior parte das aplicações de PL e consequentemente de PO que os profissionais encontram no dia a dia. Bons estudos! 26Pesquisa Operacional Seções de estudo 1 - Modelagem em planejamento urbano 2 - Modelagem em investimento 3 - Programação linar e planejamento de produção 4 – Probelma da mistura e refi nação 1 - Modelagem em planejamento urbano Planejamento urbano trata de três áreas gerais: 1) construção de novos projetos habitacionais; 2) recuperação de áreas habitacionais e recreacionais urbanas deterioradas; e 3) planejamento de instalações públicas (como escolas e aeroportos). As restrições associadas com esses projetos são tanto econômicas (terreno, construção, fi nanciamento) quanto sociais (escolas, parques, nível de renda). Os objetivos do planejamento urbano variam. No desenvolvimento de projetos habitacionais, de modo geral o lucro é o motivo para a consecução do projeto. Nas duas categorias restantes, os objetivos envolvem considerações sociais, políticas, econômicas e culturais. A seguir veremos um exemplo de como modelar um problema de planejamento urbano, adicionando as restrições e objetivos nas equações de PL. 1.1 – Exemplo de Modelo de renovação urbana A seguir, veremos um exemplo resolvido baseado em Taha (2008). A cidade de Dourados enfrenta uma séria carência orçamentária. Em busca de uma solução de longo prazo, a câmara de vereadores da cidade aprova uma melhoria da base de cobrança de impostos que prevê a condenação de uma área habitacional do centro da cidade e sua substituição por um conjunto habitacional moderno. O projeto envolve duas fases: 1) demolição das casas que estão aquém do padrão para liberar terreno para o novo projeto; e 2) construção do novo conjunto urbano. A seguir daremos um resumo da situação. 1. Um total de 300 casas aquém do padrão podem ser demolidas. Cada casa ocupa um lote de 0,25 acres. O custo da demolição de uma casa condenada é de $ 2.000. 2. Os tamanhos de lotes para domicílios (unidades) simples, duplos, triplos e quádruplos são de 0,18; 0,28; 0,4 e 0,5 acres, respectivamente. Ruas, espaços abertos e instalações públicas ocupam 15% da área disponível. 3. No novo conjunto habitacional, as unidades triplas e quádruplas representam no mínimo 25% do total. Unidades simples devem representar no mínimo 20% de todas as unidades, e unidades duplas, no mínimo 10%. 4. O imposto cobrado por unidade para unidades simples, duplas, triplas e quádruplas é de $ 1.000, $ 1.900, $ 2.700 e $ 3.400, respectivamente. 5. O custo da construção por unidade domiciliar simples, dupla, tripla e quádrupla é de $ 50.000, $ 70.000. $ 130.000 6 $ 160.000, respectivamente. O fi nanciamento acordado com um banco local será de no máximo $ 15 milhões. Quantas unidades de cada tipo devem ser construídas para maximizar a arrecadação de impostos? Modelo matemático. Além de determinar o número de unidades de cada tipo a ser construído, precisamos também decidir quantas casas devem ser demolidas para liberar espaço para o novo projeto habitacional. Assim, as variáveis do problema podem ser defi nidas da seguinte maneira: x1 = número de unidades simples x2 = número de unidades duplas x3 = número de unidades triplas x4 = número de unidades quádruplas x5 = número de casas antigas a demolir O objetivo é maximizar a arrecadação de impostos de todos os quatro tipos de residências, isto é, Maximizar z = 1.000x1 + 1.900x2 + 2.700x3 + 3.400x4 A primeira restrição do problema trata da disponibilidade de terreno. Área usada para construção de novas casa ≤ Área líquida disponível Pelos dados do problema, temos: Área necessária para novas casas = 0,18x1 + 0,28x2 + 0,4x3 + 0,5x4 Para determinar a área disponível, cada casa demolida ocupa um lote de 0,25 acres, o que resulta em um total de 0,25x5 acres. Deixando 15% para espaços abertos, ruas e instalações públicas, a área líquida disponível é 0,85(0,25x5) = 0,2125x5. A restrição resultante é: 0,18x1 + 0,28x2 + 0,4x3 + 0,5x4 ≤ 0,2125x5 Ou: 0,18x1 + 0,28x2 + 0,4x3 + 0,5x4 - 0,2125x5 ≤ 0 O número de casas demolidas não pode exceder 300, o que é expresso como: x5 ≤ 300 Em seguida, adicionamos as restrições que limitam o número de unidades de cada tipo de casa. (Número de unidades simples) (20% do total de unidades) (Número de unidades duplas) (10% do total de unidades) (Número de unidades triplas e quádruplas) (25% do total de unidades) Essas restrições são expressas matematicamente como: x1 ≥ 0,2(x1 + x2 + x3 + x4) x2 ≥ 0,1(x1 + x2 + x3 + x4) x3 + x4 ≥ 0.25(x1+ x2 + x3 + x4) A única restrição restante trata de manter o custo de demolição/construção dentro do orçamento permitido, isto é, (Custo de demolição e construção) ≤ (Orçamento disponível) Exprimindo todos os custos em milhares de dólares, obtemos: (50x1 + 70x2 + 130x3 + 160x4) + 2x5 ≤ 15.000 Assim, o modelo completo se torna: 27 Maximizar z = l.000x1 + 1.900x2 + 2.700x3 + 3.400x4 sujeito a: 0,18x1 + 0,28x2 + 0,4x3 + 0,5x4 - 0,2125x5 ≤ 0 x5 ≤ 300 -0,8x1 + 0,2x2 + 0,2x3 + 0,2x4 ≤ 0 0,1x1 – 0,9x2 + 0,1x1 + 0,1x4 ≤ 0 0,25x1 + 0,25x2 - 0,75x3 - 0,75x4 ≤ 0 50x1 + 70x2 + 130x3 + 160x4 + 2x5 ≤ 15.000 x1, x2, x3, x4, x5 ≥ 0 Solução: A solução ótima (usando o solver), tendo: Arrecadação total de impostos = z = $ 343.965 Número de unidades residenciais simples = x1 = 35,83 ≅ 36 unidades Número de unidades residenciais duplas = x2 = 98,53 ≅ 99 unidades Número de unidades residenciais triplas = x3 = 44,79 ≅ 45 unidades Número de unidades residenciais quádruplas = x4 = 0 unidades Número de casas demolidas = x5 = 244,49 ≅ 245 unidades 2 - Modelagem em investimento Hoje, há inúmeras oportunidades de investimento disponíveis para os investidores. Exemplos de problemas de investimento são orçamentos de capital para projetos, estratégia de investimentos em títulos, seleção de carteira de ações e determinação da política de empréstimos bancários. Em muitas dessas situações, a programação linear pode ser usada para selecionar o mix ótimo de oportunidades que maximizará o retorno, atendendo às condições estabelecidas pelo investidor. 2.1 - Modelo de política de empréstimo Nesse exemplo, adaptado de Taha (2008), temos o Banco do Brasileiro, que está em processo de elaboração de uma política de empréstimo que envolve um máximo de $ 12 milhões. A Tabela 1 apresenta os dados pertinentes aos tipos de empréstimos disponíveis. Tabela 1: Empréstimos disponíveis no Banco do Brasileiro Tipo de empréstimo Taxa de juros Taxa de inadimplência Pessoal 0,140 0,10 Automóvel 0,130 0,07 Habitacional 0,120 0,03 Agrícola 0,125 0,05 Comercial 0,100 0,02 Fonte: adaptado de Taha (2008). A concorrência com outras instituições fi nanceiras requer que o banco destine no mínimo 40% dos fundos a créditos agrícola e comercial. Para auxiliar o setor de construção de residências da região, a quantia destinada ao crédito habitacional deve ser igual a no mínimo 50% dos empréstimos pessoais para aquisição de automóveis e aquisição habitacional. O banco também estabeleceu uma política de não permitir que a taxa global de inadimplência sobre todos os empréstimos exceda 4% (TAHA, 2008). Modelo matemático. A situação procura determinar a quantidade de empréstimos em cada categoria, o que resulta nas seguintes defi nições das variáveis:x1 = empréstimos pessoais (em milhões de dólares) x2 = empréstimos para compra de automóveis x3 = empréstimos habitacionais x4 = empréstimos agrícolas x5 = empréstimos comerciais O objetivo do Banco do Brasileiro é maximizar seu retorno líquido, que é a diferença entre receita de juros e créditos inadimplentes. A receita de juros é obtida somente com base em empréstimos em boa posição. Portanto, como 10% dos empréstimos pessoais são créditos inadimplentes, o banco receberá juros sobre apenas 90% do valor emprestado — isto é, receberá 14% de juros sobre 0,9x1 do empréstimo original, x1. O mesmo raciocínio é aplicado aos outros quatro tipos de empréstimos. Assim, Total de juros = 0,14(0.9x1) + 0,13(0,93x2) + 0,12(0,97x3) + 0,125(0,95x4) + 0,1 (0.98x5) = 0,126x1 + 0,1209x2 + 0,1164x3 + 0,11875x4 + 0,098x5 Também temos: Créditos inadimplentes = 0,1x1 + 0,07x2 + 0,03x3 + 0,05x4 + 0,02x5 Ainda seguindo a linha de Taha (2008), a função objetivo é expressa como Maximizar z = Total de juros - Créditos inadimplentes: = (0,126x1 + 0,1209x2 + 0,1164x3 + 0,11875x4 + 0,098x5) - (0,1x1 + 0,07x2 + 0,03x3 + 0,05x4 + 0,02x5) = 0,026x1 + 0,0509x2 + 0,0864x3 + 0,06875x4 + 0,078x5 O problema tem cinco restrições: 1. O total de fundos não deve exceder $ 12 (milhões) x1 + x2 + x3 + x4 + x5 ≥ 12 2. Os empréstimos agrícolas e comerciais são iguais a no mínimo 40% de todos os empréstimos x4 + x5 ≤ 0,4(x1 + x2 + x3 + x4 + x5) ou 0,43x1 + 0,4x2 + 0,4x3 - 0,6x4 - 0,6x5 ≥ 0 3. O crédito habitacional deve ser igual a no mínimo 50% dos empréstimos pessoais, para compra de automóveis e habitacional x3 ≥ 0,5(x1 + x2 + x3) ou 0,5x1 + 0,5x2 - 0,5x3 ≤ 0 4. Créditos inadimplentes não devem exceder 4% de todos os empréstimos 28Pesquisa Operacional 0,1x1 + 0,07x2 + 0,03x3 + 0,05x4 + 0,02x5 ≤ 0,04(x1 + x2 + x3 + x4 + x5) ou 0,06x1 + 0,03x2 - 0,01x3 + 0,01x4 - 0,02x5 ≤ 0 5. Não-negatividade x1, x2, x3, x4, x5 ≥ 0 Uma premissa sutil adotada na formulação precedente é que todos os empréstimos são concedidos aproximadamente ao mesmo tempo. Essa premissa nos permite ignorar diferenças no valor tempo dos fundos alocados aos diferentes empréstimos (TAHA, 2008). Solução A solução ótima é z = 0,99648; x1 = 0; x2 = 0; x3 = 7,2; x4 = 0; x5 = 4,8 3 -Programação linar e planejamento de produção Há inúmeras aplicações de PL em controle da produção e de estoque. Indo desde a simples alocação de capacidade de máquina para atender à demanda até o caso mais complexo da utilização de estoque para “atenuar” o efeito da mudança imprevisível na demanda para determinada projeção de planejamento e da utilização de contratação e demissão para enfrentar as mudanças nas necessidades de mão de obra. Esta aula apresenta dois exemplos. O primeiro trata da programação de produtos usando as instalações normais de produção para atender à demanda durante um único período; o segundo trata da utilização do estoque em um sistema de produção que abrange vários períodos para atender à demanda futura (TAHA, 2008). 3.1 - Modelo de produção para um único período Como precaução para o inverno, uma empresa de confecção está fabricando parcas e casacos com enchimento de penas de ganso, calças com isolamento térmico e luvas. Todos os produtos são fabricados em quatro departamentos diferentes: corte, isolamento térmico, costura e embalagem. A empresa recebeu pedidos fechados para seus produtos. O contrato estipula uma multa para itens não entregues. A Tabela 2 mostra os dados pertinentes à situação. Tabela 2: Dados para a produção da confecção Tempo por unidade (h) Departamento Parca Penas de ganso Calças Luvas Capacidade (h) Corte 0,30 0,30 0,25 0,15 1000 Isolamento 0,25 0,35 0,30 0,10 1000 Costura 0,45 0,50 0,40 0,22 1000 Embalagem 0,15 0,15 0,10 0,05 1000 Demanda 800 750 600 500 Lucro por unidade ($) 30 40 20 10 Multa por unidade ($) 15 20 10 8 Fonte: Taha (2008). Elabore um plano ótimo de produção para a empresa. Modelo matemático. A defi nição das variáveis é direta. Seja x1 = número de parcas x2 = número de jaquetas com enchimento de penas de ganso x3 = número de calças x4 = número de pares de luvas Ainda seguindo a linha de raciocínio de Taha (2008), a empresa é multada se não atender à demanda. O que signifi ca que o objetivo do problema e maximizar as receitas líquidas, defi nidas como Receitas líquidas = Lucro total - Multa total O lucro total é expresso como 30x1 + 40x2 + 20x3 + 10x4. A multa total é uma função das quantidades não fornecidas (= Demanda — Unidades fornecidas de cada produto) (TAHA, 2008). Essas quantidades podem ser determinadas pelos seguintes limites de demanda: x1 ≤ 800, x2 ≤ 750, x3 ≤ 600, x4 ≤ 500 Uma demanda não é atendida se sua restrição for satisfeita como uma desigualdade. Por exemplo, se forem produzidas 650 parcas, então x1 = 650, o que resulta em 800 - 650 = 150 parcas a menos. Podemos expressar a falta de qualquer produto algebricamente com a defi nição de uma nova variável não negativa, ou seja, sj = Número de unidades faltantes do produto j,j = 1, 2, 3, 4 Nesse caso, as restrições da demanda podem ser expressas como x1 + s1 = 800, x2 + s2 = 750, x3 + s3 = 600, x4 + s4 = 500 xj ≥ 0, sj ≥ 0, j = 1,2,3,4 Agora podemos calcular a multa por produto não entregue como 15s1 + 20s2 + 10s3 + 8s4. Assim, a função objetivo pode ser escrita como Maximizar z = 30x1 + 40x2 + 20x3 + 10x4 - (15s1 + 20s2 + 10s3 + 8s4) Para completar o modelo, as restrições restantes tratam das capacidades de produção, ou seja 0,30x1 + 0,30x2 + 0,25x3 + 0,15x4 ≤ 1.000 (Corte) 0,25x1 + 0,35x2 + 0,30x3 + 0,10x4 ≤ 1.000 (Isolamento) 0.45x1 + 0,50x2 + 0,40x3 + 0.22x4 ≤ 1.000 (Costura) 0,15x1 + 0,5x2 + 0,10x3 + 0,05x4 ≤ 1.000 (Embalagem) Portanto, o modelo completo se torna Maximizar z = 30x1 + 40x2 + 20x3 + 10x4 - (15s1 + 20s2 + 10s3 + 8s4) Sujeito a: 29 0,30x1 + 0,30x2 + 0,25x3 + 0,15x4 ≤ 1.000 0,25x1 + 0,35x2 + 0,30x3 + 0,10x4 ≤ 1.000 0.45x1 + 0,50x2 + 0,40x3 + 0.22x4 ≤ 1.000 0,15x1 + 0,5x2 + 0,10x3 + 0,05x4 ≤ 1.000 x1 + s1 = 800, x2 + s2 = 750, x3 + s3 = 600, x4 + s4 = 500 xj ≥ 0, sj ≥ 0, j = 1,2,3,4 Solução: A solução ótima é z = $ 64.625, x1 = 850, x2 = 750, x3 = 387,5, x4 = 500, s1 = s2 = s4 = 0, s3 = 212,5. A solução satisfaz toda a demanda por ambos os tipos de jaquetas (parcas e de penas de ganso) e por luvas. A ausência de 213 (arredondada de 212.5) calças resultará em um custo de multa de 213 x 10 = $ 2.130 (TAHA, 2008). 3.2 - Modelo de produção e estoque para vários períodos Novamente usaremos os estudos de Taha (2008) para exemplificar mais esse cenário de planejamento de produção. A Esquadril CO firmou um contrato para entrega de janelas de casa para os próximos seis meses. As demandas para cada mês são de 100, 250. 190, 140, 220 e 110 unidades, respectivamente. O custo de produção por janela varia de mês para mês, dependendo do custo da mão de obra, do material e de utilidades. A empresa estima que o custo de produção por janela nos próximos seis meses seja $ 50, $ 45, $ 55, $ 48, $ 52 e $ 50, respectivamente. Para aproveitar a vantagem das variações no custo de fabricação, a Acme pode optar por produzir mais do que o necessário em determinado mês e reter as unidades excedentes para entregar em meses posteriores. Entretanto, isso incorrerá em custos de armazenagem de $ 8 por janela, por mês, considerando o estoque no final do mês. Desenvolva um modelo de programação linear para determinar a programação ótima de produção. Modelo matemático. As variáveis do problema incluem a quantidade de produção mensal e o estoque no final do mês. Para i = 1, 2,..., 6, Seja xi = número de unidades produzidas no mês í Ii = número de unidades deixadas no estoque no final do mês i A relação entre essas variáveis e a demanda mensal para a projeção de seis meses é representada pelo gráfico esquemático da Figura 1. O sistema começa vazio, o que significa que I0 = 0. Figura 1: Representação esquemáticado sistema de produção e estoque Fonte: Taha (2008). A função objetivo procura minimizar a soma dos custos de produção e de estoque. Aqui temos Custo total de produção = 50x1 + 45x2 + 55x3 + 48x4 + 52x5 + 50x6 Custo total de estoque = 8(I1 + I2 + I3 + I4 + I5 + I6) Dessa maneira, a função objetivo é Minimizar z = 50x1 + 45x2 + 55x3 + 48x4 + 52x5 + 50x6 + 8(I1 + I2 + I3 + I4 + I5 + I6) As restrições do problema podem ser determinadas diretamente de acordo com a representação na Figura 2.5. Para cada período, temos a seguinte equação de equilíbrio: Estoque inicial + Quantia produzida — Estoque final: Demanda Essa relação é expressa matematicamente para cada um dos meses como: I0 + x1 – I1 = 100 (Mês 1) I1 + x2 - I2 = 250 (Mês 2) I2 + x3 - I3 = 190 (Mês 3) I3 + x4 - I4 = 140 (Mês 4) I4 + x5 - I5 = 220 (Mês 5) I5 + x6 - I6 = 110 (Mês 6) xi, li, ≥ 0, para todo i = 1,2,...,6 I0 = 0 Para o problema, I0 = 0 porque a situação parte de zero de estoque inicial. Ademais, em qualquer solução ótima, o estoque final 16 será zero, uma vez que não é lógico terminar a projeção com estoque positivo, cujo único efeito seria incorrer em custo adicional de estoque sem atender a nenhuma finalidade. Agora, o modelo completo é dado por: Minimizar z = 50x1 + 45x2 + 55x3 + 48x4 + 52x5 + 50x6 + 8(I1 + I2 + I3 + I4 + I5 + I6) Sujeito a: x1 – I1 = 100 (Mês 1) I1 + x2 - I2 = 250 (Mês 2) I2 + x3 - I3 = 190 (Mês 3) I3 + x4 - I4 = 140 (Mês 4) I4 + x5 - I5 = 220 (Mês 5) I5 + x6 - I6 = 110 (Mês 6) xi, li, ≥ 0, para todo i = 1,2,...,6 Solução: A solução ótima está resumida na Figura 2. Ela mostra que a demanda de cada mês é satisfeita diretamente pela produção do mês, exceto no mês 2, cuja quantidade produzida de 440 unidades abrange a demanda para ambos os meses, 2 e 3. O custo total associado e Z = $ 49.980 (TAHA, 2008). Figura 2: Solução ótima para o problema de produção e estoque Fonte: Taha (2008). 30Pesquisa Operacional 4 - Probelma da mistura e refi nação Várias aplicações de PL tratam da mistura de diferentes materiais de entrada para produzir produtos que obedeçam a certas especifi cações e, ao mesmo tempo, minimizar o custo ou maximizar o lucro. Os materiais de entrada podem ser minérios, sucatas de metal, produtos químicos ou óleos crus, e os produtos de saída podem ser lingotes de metal, tintas ou gasolina de vários graus. Uma meta do modelo é determinar o mix ótimo de produtos fi nais que maximizará uma função lucro adequada. Em alguns casos, a meta pode ser minimizar uma função custo. 4.1 - Refi nação de óleo cru e mistura de gasolinas Para exemplifi car, usaremos um exercício resolvido de Taha (2008). A Petrobrazuca tem uma capacidade de 1.500.000 barris de óleo cru por dia. Entre os produtos fi nais da refi naria estão três tipos de gasolina sem chumbo, com diferentes octanagens (ON) = normal com ON = 87, premium com ON = 89 e super com ON = 92. O processo de refi nação abrange três estágios= 1) uma torre de destilação que produz fração (ON = 82) à razão de 0,2 barris por barris de óleo cru; 2) uma unidade de craqueamento que produz frações de gasolina (ON = 98) usando uma porção da fração produzida na torre de destilação à taxa de 0,5 barris por barris de fração; e 3) uma unidade misturadora que mistura a fração de gasolina da unidade de craqueamento com a fração da torre de destilação. A empresa estima o lucro líquido por barril dos três tipos de gasolina em $ 6,70, $ 7,20 e $ 8,10, respectivamente. A capacidade de entrada da unidade de craqueamento e 200.000 barris de fração por dia. Os limites da demanda para gasolina comum, premium e super, são 50.000, 30.000 e 40.000 barris por dia. Desenvolva um modelo para determinar a programação ótima de produção para a refi naria. A Figura 3 resume os elementos do modelo. Figura 3: Representação matemática da fábrica da Petrobrazuca. Fonte: Taha (2008). As variáveis podem ser defi nidas em termos das duas correntes de entrada para a unidade de mistura (fração e gasolina craqueada) e dos três produtos fi nais. Seja xij. = barris/dia da corrente de entrada i usada para misturar o produto fi nal j, i = 1, 2; j = 1, 2, 3 Usando essa defi nição, temos Produção diária de gasolina comum = x11 + x21 barris/ dia Produção diária de gasolina premium = x12 + x22 barris/ dia Produção diária de gasolina super = x13 + x23 barris/dia Tabela 3: equações auxiliares Produção diária da unidade misturadora = produção diária da gasolina comum + produção diária da gasolina pre- mium + produção diária da gasolina super = (x11 + x21) + (x12 + x22) + (x13 + x23) barris/dia Alimenta- ção diária de fração para a unidade misturadora = x11 + x12 + x13 barris/dia Alimenta- ção diária da unida- de de craqueamen- to para a unidade misturadora = x21 + x22 + x23 barris/dia Alimenta- ção diária da fração para a unidade de craqueamento = 2(x21 + x22 + x23) barris/dia Quan- tidade diária de óleo cru usado na refi naria = 5(x11 + x12 + x13) + 10(x21 + x22 + x23) barris/dia Fonte: adaptado de Taha (2008). O objetivo do modelo é maximizar o lucro total resultante da venda de todos os três tipos de gasolina. Pelas defi nições dadas, obtemos Maximizar z = 6,70(x11+ x21) + 7,20(x12 + x22) + 8,10(x13 + x23) As restrições do problema são desenvolvidas da seguinte maneira 1. Fornecimento diário de óleo em não deve exceder 1.500.000 barris/dia: 5(x11 + x12 + x13) + 10(x21 + x22 + x23) ≤ 1.500.000 2. Capacidade de entrada da unidade de craqueamento não deve exceder 200. 000 barris/dia: 2(x21 + x22 + x23) ≤ 200.000 3. Demanda diária para gasolina comum não deve exceder 50.000 barris/dia: 31 x11 + x21 ≤ 50.000 4. Demanda diária para gasolina premium não deve exceder 30.000 barris/dia: x12 + x22 ≤ 30.000 5. Demanda diária para gasolina super não deve exceder 40.000 barris/dia= x13 + x23 ≤ 40.000 6. Octanagem para gasolina comum é no mínimo 87: “A octanagem de uma gasolina (ON) é a média ponderada das octanagens das correntes de entrada usadas no processo de mistura e pode ser calculada como (TAHA, 2008).” (ON da fração x barris/dia de fração + ON da unidade de craqueamento x barris/dia da unidade de craqueamento) / Total de barris/dia de gasolina comum (82x11 + 98x21) / (x11 + x21) ≥ 87 A restrição é linearizada como 82x11 + 98x21 ≥ 87(x11 + x21) 7. Octanagem para premium é no mínimo 89: (82x12 + 98x22) / (x12 + x22) ≥ 89 A restrição é linearizada como 82x12 + 98x22 ≥ 89(x12 + x22) 8. Octanagem para super é no mínimo 92: (82x13 + 98x23) / (x13 + x23) ≥ 92 A restrição é linearizada como 82x13 + 98x23 ≥ 92(x13 + x23) Assim, o modelo completo é resumido como Maximizar z = 6,70(x11+ x21) + 7,20(x12 + x22) + 8,10(x13 + x23) Sujeito a: 5(x11 + x12 + x13) + 10(x21 + x22 + x23) ≤ 1.500.000 2(x21 + x22 + x23) ≤ 200.000 x11 + x21 ≤ 50.000 x12 + x22 ≤ 30.000 x13 + x23 ≤ 40.000 82x11 + 98x21 ≥ 87(x11 + x21) 82x12 + 98x22 ≥ 89(x12 + x22) 82x13 + 98x23 ≥ 92(x13 + x23) x11, x12, x13, x21, x22, x23 ≥ 0 Solução: Lucro diário = $ 875.000,00 Quantidade diária de gasolina comum = 50.000 barris/ dia Quantidade diária de gasolina premium = 30.000 barris/ dia Quantidade diária de gasolina super = 40.000 barris/dia Ao chegar ao fi nal da terceira aula, vamos recordar o que aprendemos: Retomando a aula 01 - Modelagem em planejamento urbano Nesta seção, vimos quais são os desafi os da área de planejamento urbano e, na sequência, um exemplo resolvido de uma aplicação de planejamento urbano. Esse exemplo resolvido serve de base para podermos aplicar a pesquisa operacional em situações similares, usando a programação linear para encontro das soluções ótimas. 02 - Modelagem em investimento Similar à seção 01, aqui estudamos um modelo de programação linear em um problema de investimento. Através desse exemplo temos uma base de como identifi car as restrições e a função-objetivo mais adequada na hora de montar nosso modelo de programação linear. 03 - Programaçãolinar e planejamento de produção Nesta seção, abordamos dois exemplos de aplicação de programação linear em planejamento de produção. Em um dos casos, temos um planejamento da produção em um único período e n o outro temos o planejamento da produção em vários períodos. 04 – Probelma da mistura e refi nação Por fi m, nesta última seção, vimos um exemplo de problema da mistura. Ainda, vimos como montar as restrições e função objetivo nesse tipo de problema tão comum nas indústrias químicas e de alimentos. Hillier, F.S. e Lieberman G.J., Introdução à Pesquisa Operacional, 8ª. edição. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. Lachtermacher, G. Pesquisa operacional na tomada de decisões, 5ª. edição. São Paulo: Prentice Hall, 2016. Taha, H. A. Pesquisa Operacional. 8ª edição. São Paulo: Pearson, 2008. Vale a pena ler Vale a pena