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Universidade Nove de Julho Maria Lívia Introdução: • Bacilo de Koch - é o bacilo que está presente na tuberculose, são álcool ácidos resistentes (BAAR+); • Mycobacterium - um bacilo fino, ligeiramente curvo, aeróbio, medindo 0,5 a 2 um; É um BAAR, apresenta parede celular rica em lipídeos - ácido micólico, arabinogalactano; Apresenta um complexo M tuberculosis (MTB) e micobactérias não tuberculosas (MNTB); • Bacius Calmee-Guérin (BCG) - bactéria meno patogênica Maior eficácia em proteção de tuberculose miliar e meníngea; Usada para vacinação contra tuberculose; Não tem uma grande eficácia para qualquer forma de tuberculose no adulto; Indicada ser aplicada logo ao nascimento (<5 anos); Não pode ser aplicada em imunossuprimidos e RN de baixo peso; Dose única - não se recomenda uma segunda dose; Outras Indicações - profilaxia dos contatos de hanseníase e imunoterapia neoplasia vesical. Top Infectious Kier: • A tuberculose está no “top” de infecções mortais; • As evidências são tão antigas quanto a própria civilização; • Ondas: 1ª Onda - primeiras civilizações; 2ª Onda - revolução industrial; 3ª Onda - HIV; 4ª Onda - tuberculose multirresistente. Epidemiologia: • A incidência de tuberculose está diretamente relacionada com pobreza e desnutrição, sendo mais comum em homens; • A incidência em crianças é baixa; Co-Infeccao TB-HIV: • A prevalência de HIV em pessoas com tuberculose é de 8-10% • Sempre pede sorologia de HIV em quem tem tuberculose e sempre procura Tuberculose em quem tem HIV. Infecção: • Quem transmite é o paciente com tuberculose pulmonar ou laríngea; • Pessoas “bacilíferas” têm maior chance de transmissibilidade - pessoas infectadas com muita tosse; • Transmião - tosse; Tuberculose Tuberculose Pessoas bacilíferas são pacientes com cavernas cheias de bacilos. Universidade Nove de Julho Maria Lívia • Bacilo infecta na via aérea inferior (alvéolo) após ser respirado - não infecta na via aérea superior • 1. Gotículas exaladas secam e tornam-se partículas menores - < 5 a 10 um; • 2. Partículas menores ficam suspensas no ar por horas; • 3. Ao serem inaladas, são capazes de alcançar os alvéolos - ou seja, a tuberculose não infecta via área superior, por isso não há contaminação de contato, apenas ao inspirar o ar contaminado, que chega até o alvéolo; • 4. São fagocitados por macrófagos alveolares; • 5. Ocorre formação de granulomas; • Probabilidade de Infecção: Depende da infectividade do caso-fonte, da duração do contato, do tipo de ambiente compartilhado; Estima-se que 1 pessoa bacilífera infecte 10 a 15 pessoas em 1 ano; Risco de transmissão após 15 dias de tratamento efetivo é muito baixo. Tipos de Tuberculose: Tubercule Primária: • Reinfecção é possível; • Pode ser assintomática; • Manifestações clínicas são mais comuns em crianças; • Aprentaçõ - pulmonar, ganglionar, miliar (hematogênica); Pulmonar - pneumonia arrastada; Ganglionar - linfadenopatia superficial cervical (diagnóstico diferencial - linfoma), linfadenopatia profunda (intratorácico - massa mediastinal); Miliar - distribuição sanguínea da tuberculose. • Quadro Clínico - febre vespertina, sudorese noturna, anorexia, tosse; Pode evoluir p/ tuberculose latente - 1/4 dessa população apresenta tuberculose secundária. • Apresenta Complexo de Gohn, uma lesão pulmonar causada pela tuberculose que, quando calcificada, recebe o nome de complexo de Ranke; • A forma ganglionar é a forma mais comum extrapulmonar em crianças. Tubercule Secundária: • Também pode ser chamada de pós-primária; • Reativação da infecção primária latente; • Sintomas dependem do órgão acometido; Acometimento pulmonar, “sintomático respiratório” (tosse por 3 semanas ou mais); Acometimento extrapulmonar - depende do órgão acometido; Síndrome consumptiva; Febre de origem indeterminada. Diagnóstico de Tuberculose: Bacilcopia Direta: • Amtra - escarro espontâneo, escarro induzido, LBA (lavado broncoalveolar) • BAAR - coloração de Ziehl-Nielsen; • Sensibilidade se 60 a 80% na tuberculose pulmonar em adultos; • A baciloscopia direta (pesquisa de BAAR no escarro) é indicada em casos de: Sintomático respiratório; Suspeita clínica ou radiológica de tuberculose; Acompanhamento e controle de cura. Sintomático Respiratório - pessoa que, durante a estratégia programática de busca ativa, apresenta tosse por 3 semanas ou mais. Essa pessoa deve ser investigada para tuberculose através de exames bacteriológicos. E Como Realizar Coleta de Escarro? Em ambiente aberto, deve ser feito ao despertar, lavar a boca e não escovar os dentes; Inspirar profundamente e tossir/escarrar até 3x (de 5 a 10mL); Fechar o pote e colocar em saco plástico; Lavar as mãos, se não for possível a entrega imediata, conservar em geladeira até o dia seguinte. Universidade Nove de Julho Maria Lívia • Diagnóstico presumido. Tte Rápido Molecular - TRM-TB: • GeneXpert - melhor teste (sensibilidade de 95%); • Detecta gene de resistência à Rifampicina; • Não é útil para controle de tratamento; • Faz diagnóstico de certeza; • Não identifica micobactérias não tuberculosas. • Diagnóstico de certeza - escarro positivo e TRM negativo NÃO é tuberculose; • Sempre que for possível deve solicitar esse meio. Cultura e Tte de Sensibilidade: • Sempre realizar em pessoas com maior vulnerabilidade; Pessoas que vivem com HIV, profissionais de saúde; Pessoas privadas de liberdade, moradores de rua; Contato com tuberculose resistente; Retratamento - casos em que o paciente abandonou o tratamento e vai voltar a tratar. • Acrescenta 30% de sensibilidade nos casos de tuberculose pulmonar com baciloscopia negativa; • Mei Sólid - tempo de crescimento de 14 a 30 dias (até 8 semanas); • Mei Líquid Automatizad - tempo de crescimento de 5 a 12 dias (até 42 dias); • Drogas testadas - R + I + P + E + Estreptomicina. Diagnóico por Imagem: • Raio X: Normal - sem alteração sugestiva de atividade tuberculosa Suspeito - alterações sugestivas de atividade tuberculosa, como cavitações, nódulos, consolidações, massas, derrame pleural, processo intersticial e alargamento mediastinal; Sequela - imagens sugestivas de lesões cicatriciais (fibrose, atelectasia), como bandas, retrações parenquimatosas e calcificações Locais Sem Acesso ao Teste Rápido Molecular: Coletar pelo menos 2 amostras de escarro - 1ª amostra na primeira avaliação (na própria consulta), 2ª amostra de escarro matinal; *Realizar cultura na segunda amostra. Cavitações em Não Tuberculose: • C - Câncer (metástase ou câncer de pulmão); • A - doença autoimune (artrite reumatoide); • V - vascular (êmbolo séptico, TEP); • I - infecção (fúngicas - Histoplasma, Paracoco, Criptococo e Aspergillus); • T - trauma (pneumotórax). Universidade Nove de Julho Maria Lívia Diagnóico Hiopatológico: • Útil nas formas extrapulmonares e imunossuprimidos Imunocompetentes granuloma típico, poucos BAAR no tecido; Imunossuprimidos granuloma atípico, frequentes BAAR no tecido. • Sempre enviar material para patologia e microbiologia - 1 ou 2 fragmentos em SF ou AD para cultura Possibilidade de teste molecular no fragmento. Infecção latente de tuberculose: Definiçõ: • Segundo a OMS, 1/4 da população mundial tem ILTB; • 10% adoecerão ao longo da vida - 50% nos primeiros 2 anos do contato; • Diagnóico de ILTB - exames de rastreamento, não há sorologia (PPD ou IGRA); PPD - prova tuberculínica injeta antígenos do M tuberculosis e, após 3 dias, observa-se se formou-se uma pápula eritematosa; se formar, indica que já houve infecção por tuberculose; IGRA - ensaio de liberação de interferon gama; Não faz diagnóstico de tuberculose, massim de uma infecção por tuberculose; Necessário excluir tuberculose ativa por anamnese, exame físico e raio X de tórax. Rareamento de ILTB: • Solicita PPD e IGRA para pacient com: Contatos de tuberculose pulmonar e laríngea; Pessoas que vivem com HIV - 1x ao ano; Candidatos a uso de droga anti-TNF; Neoplasia com proposta de terapia imunossupressora; Uso de corticoide prolongado ( > 15 mg por > 30 dias); Profissionais da saúde e laboratório de risco; Trabalhadores do sistema prisional. • Tratamento - 1ª Linha (3HP): 12 semanas de Isoniazida e Rifapentina. Tratamento Tuberculose: Esquema Básico: • No mínimo 6 meses de tratamento; • Nos primeiros 2 meses -> fase intensiva RHZE (rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol); • Nos últimos 4 meses -> fase de manutenção RH (rifampicina + isoniazida). Exceçõ: • Neurotubercule ou tubercule tarticular - o tempo de fase intensiva (RHZE) é de 2 meses e de fase de manutenção (RH) é de 7 meses; • Necessária corticoterapia adjuvante em casos de neuro- tuberculose e pericardite tuberculosa; • Em casos de cirrose, trocar todo o esquema de medicamentos - exceto Etambutol; • Em casos de doença renal crônica (TFG < 30) é necessária a redução de dose de Etambutol e Pirazinamida - RHZE segunda, quarta e sexta e RH de terça, quinta, sábado e domingo; • Associar Piridoxina em pacientes HIV+, desnutridos, gestantes e idosos. Universidade Nove de Julho Maria Lívia Acompanhamento: • Realizar sorologia HIV sempre; • Tratamento diretamente observado (TDO); • Bacilcopia Mensal: TRM + cultura e teste de sensibilidade se BAAR positivo no segundo mês; A cura é definida quando o paciente tem 2 baciloscopias negativas ao final do tratamento - geralmente no 5o ou 6o mês. • Raio X de tórax - no segundo mês e ao final do tratamento; • Monitorar função renal e hepática. Event Advers Maior: • Reação de hipersensibilidade grave - Rifampicina, Isoniazida e Etambutol; • Psicose, crise convulsiva e encefalopatia - Isoniazida; • Neurite óptica - Etambutol; • Hepatite - Rifampicina, Isoniazida e Pirazinamida; • Citopenias, anemia hemolítica, agranulocitose - Rifampicina; • Nefrite intersticial - Rifampicina; • Rabdomiólise - Pirazinamida. Tip de Riência: • Principal fator de risco é a má adesão ao tratamento; • Monorresistência; • A tuberculose resistente à Rifampicina ao TRM presume-se que ela seja multidroga resistente. Onde Tratar? • Caso novo de TB e paciente que havia abandonado o tratamento: unidade básica (atenção primária); • Paciente com toxicidade e evento adverso maior com interrupção do tratamento; paciente DRC; paciente cirrótico: encaminhado para referência secundária; • Falência terapêutica: encaminha para referência terciária. Tuberculose extra-pulmonar: Definiçõ: • Formas de Dieminação - via mucosa brônquica e gastrointestinal, continuidade, linfohematogênica; • Geralmente não contagiosa - exceto tuberculose laríngea; • Mais frequente em imunossuprimidos - HIV e uso de anti- TNF; • Tratamento semelhante ao da tuberculose pulmonar - com exceção da tuberculose osteoarticular (tratamento de 6 a 12 meses) e Neurotuberculose (tratamento de 9 a 12 meses); • Corticoterapia adjuvante em casos de neurotuberculose e tuberculose pericárdica; Tubercule Miliar: • Tuberculose disseminada hematogênica • Pode ser tuberculose miliar aguda ou tuberculose crônica hematogênica; • Tubercule Miliar Aguda: Mais comum na infecção primária em crianças e jovens; Fatores de Risco - gestação, neoplasia, cirrose, alcoolismo, doenças autoimunes e imunossupressão; Sintomas - febre alta, sudorese noturna e calafrios; Derrame pleural, peritonite ou meningite ocorrem em 2/3 dos pacientes; Pode simular quadro de colangite (se for tuberculose hepática primária). Alta letalidade; Iniciar tratamento diante de forte suspeita; Exames Laboratoriais - anemia e hiponatremia (doença de Addison); PPD geralmente negativo; Universidade Nove de Julho Maria Lívia Raio X de Tórax - padrão miliar (micronódulos difusos de distribuição randômica); TC de Tórax - melhor sensibilidade; Diagnóstico - escarro (Baciloscopia positiva < 30%), cultura (escarro, LBA, lavado gástrico, urina, LCR, linfonodo, medula, fígado), PCR (escarro, LBA, linfonodo, LCR), biópsia de tecidos (granuloma caseoso com BAAR) • Tubercule Miliar Crônica: A tuberculose órgão específica crônica é associada à micobacteremia intermitente; Geralmente o órgão acometido é oligossintomático, renal, genital, óssea, linfonodo, profundo; Quadro Clínico - febre de origem indeterminada, raio X de tórax normal, PPD negativo, perda ponderal; Pode estar associada à alterações hematológicas - anemia, leucopenia, trombocitopenia, mielofibrose, reação leucemóide e Policitemia; Diagnóstico geralmente feito por biópsia do órgão acometido. Tubercule Pleural: • A forma mais comum de tuberculose extrapulmonar; • Síndrome de dor torácica de características pleuríticas; • Astenia, emagrecimento e anorexia ocorrem em 70% dos casos, febre e tosse seca ocorrem em 60% dos casos; • Dispneia com evolução da doença; • Líquido Pleural - exsudato linfomononuclear; • Diagnóico: Biópsia de pleura - anatomopatológico com granuloma em 70% dos casos (padrão-ouro); Cultura do fragmento + anatomopatológico - sensibilidade de 90%; Baciloscopia do escarro - sensibilidade de 10%. • Adenina Deaminase (ADA): Enzima intracelular, presente nos linfócitos ativados; Líquido pleural > 40 U/L -> sugestivo de tuberculose; Pode estar aumentada em neoplasias, empiema, artrite reumatoide ou LES; Necessário avaliar outros achados, como idade, comorbidade, citologia c/ predominância linfomonocelular e proteína elevada. Tubercule Ganglionar: • Tubercule Ganglionar Periférica: Também chamada de “escrófula” - quando acomete a pele é chamada de “escrofuloderma”; A forma extra-pulmonar mais comum em crianças e HIV; Aumento subagudo, indolor e assimétrico das cadeias cervicais anterior, posterior, supraclavicular - podem ser endurecidos, amolecidos com flutuação, podem fistulizar, coalescentes e aderidos aos planos profundos; PPD geralmente forte reator; Diagnóstico - PAAF ou biópsia; - Pesquisa de BAAR tem sensibilidade baixa (10% a 25%, sendo que HIV+ tem maior sensibilidade); - A cultura tem sensibilidade de 50 a 90%; - Anatomopatológico tem sensibilidade de 90% (HIV+ tem menor especificidade). • Linfadenit Profundas: Linfadenite Mediastinal - mais comum em crianças e HIV+; - Linfoma, timoma, teratoma e histoplasmose são diagnósticos diferenciais de massas mediastinais; - Obstrução esofágica, traqueal, vascular (mediastinite fibrosante/síndrome da veia cava superior) são complicações possíveis; - Na TC, observa-se linfonodos aumentados com hipodensidade central; - O diagnóstico é feito por mediastinoscopia ou mediastinostomia. Linfadenite Mesentérica - mais comum no HIV+; - Febre, dor abdominal, sinais e sintomas obstrutivos e massa; - Peritonite, fístula entérica e obstrução das vias biliares, ureteres e intestinal são possíveis complicações; Universidade Nove de Julho Maria Lívia - Na TC, observa-se linfonodos aumentados com hipodensidade central; - O diagnóstico é feito por laparoscopia ou laparotomia. Meningite Tubercula: • 3% dos casos de tuberculose - 10% em HIV+; • Doença pulmonar concomitante em 60% dos casos; • Acontece por ruptura de foco supependimário para o espaço subaracnóide; • Acometimento mais comum na região basal do cérebro - podendo ser acompanhada por vasculite (resultando em trombose, aneurisma, hemorragias focais); • Alta letalidade e morbidade; • Espectro clínico variável; Pródromo de mal estar, cefaleia intermitente e febre baixa, cefaleia contínua e limitante; Vômitos e meningismo, sinais neurológicos focais e alteração de parescranianos, confusão, convulsão, coma. • Na TC ou RM observa-se: Infartos ou hemorragias focais; Espessamento meníngeo da base do crânio, Hidrocefalia; Eventualmente nódulos parenquimatosos (tuberculomas). • Na análise do LCR observa-se: Celularidade aumentada com predomínio linfomononuclear Proteína elevada, glicose baixa; Baciloscopia tem baixa sensibilidade; Cultura é demorada.