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Cap 4 bogliolo 
LESÕES CELULARES
Os agentes agressores causam modificações moleculares em células e em tecidos, as quais se somam e, muitas vezes, resultam em alterações morfológicas. Lesões morfológicas aparecem em células, no interstício ou em ambos. Dependendo da duração e da intensidade da agressão e da natureza do agente agressor, as lesões celulares podem ser reversíveis ou irreversíveis.
Obs: nem toda agressão resulta em alteração morfológica; esta só aparece quando os transtornos moleculares e metabólicos são suficientemente intensos para modificar a estrutura de células e tecidos.
- Respostas gerais das células a agressões | Estresse celular
Embora as agressões dificilmente atinjam isoladamente um único componente dos tecidos, como células, microcirculação, matriz extracelular ou inervação, o estudo das lesões é tradicionalmente feito em separado para cada componente tecidual. Diante de agressões diversas, as células dão respostas gerais por meio de mecanismos semelhantes. Estes podem tomá-las mais resistentes ou mais adaptadas à agressão ou, dependendo da intensidade desta, induzir morte celular.
Em conjunto, as respostas e modificações celulares que surgem diante das inúmeras agressões constituem o que se denomina estresse celular.
As alterações funcionais e as lesões que aparecem nesses casos, resultam de desvios metabólicos, tendo como consequência depósitos anormais ( degenerações), morte celular (necrose ou apoptose) ou transtornos nos mecanismos de proliferação e diferenciação celulares.
Qualquer que seja a sua natureza, as agressões celulares podem: 
(a) reduzir a oferta de 02 e nutrientes; 
(b) alterar vias metabólicas que produzem energia; 
(c) gerar radicais livres; 
(d) agredir diretamente macromoléculas, em especial DNA.
ESTRESSE OXIDATIVO:
radicais livres constituem importante mecanismo de agressão às células. Para neutralizar ou minimizar os efeitos desses radicais, as células dispõem de vários mecanismos antioxidantes. Redox alterado (radicais livres derivados de 02 ou N) ativa vias que permitem às células uma resposta adaptativa a essa nova condição.
DEGENERAÇÕES:
O termo degeneração aplica-se a alterações morfológicas das células, não incluindo modificações no interstício. Ao lado disso, degenerações são sempre processos reversíveis, ou seja, lesões compatíveis com a volta da célula à normalidade após eliminada sua causa.
Deneração pode ser definida como lesão reversível secundária a alterações bioquímicas que resultam em acúmulo de substâncias no interior de células. 
PROCESSOS MAIS FREQUENTES NOS ACÚMULOS 
Metabolismo anormal: exemplo → esteatose hepática 
Déficit de transporte: exemplo → deficiência ɑ-1 antitripsina 
Carência enzimática: exemplo → deficiência genética enzimática 
Endocitose de indigeríveis: exemplo → silicose e antracose
Tomando-se por base a composição química das células (água, eletrólitos, lipídeos, carboidratos e proteínas), as degenerações são agrupadas de acordo com a natureza da substância acumulada. Por esse critério, as degenerações são classificadas como:___________________________________________________________________________ 
(1) degenerações por acúmulo de água e eletrólitos. O exemplo clássico é o da degeneração hidrópica; 
(2) degenerações por acúmulo de proteínas. As mais importantes são as degenerações hialina e mucoide; 
(3) degenerações por acúmulo de lipídeos. As de maior interesse são a esteatose e as lipidoses; 
(4) degenerações por acúmulo de carboidratos.
Na maioria dos casos, o acúmulo de carboidratos em células deve-se a deficiências de enzimas responsáveis por sua metabolização.
- Degeneração hidrópica:
Degeneração hidrópica é a lesão celular reversível caracterizada por acúmulo de água e eletrólitos no interior de células, tornando-as tumefeitas, aumentadas de volume; é a lesão não letal mais comum diante dos mais variados tipos de agressão, independentemente da natureza (física, química ou biológica) do agente agressor.
é provocada por transtornos no equilíbrio hidroeletrolítico que resultam em retenção de eletrólitos e água em células. O trânsito de eletrólitos através de membranas (citoplasmática e de organelas) depende de mecanismos de transporte feito por canais iônicos; são as chamadas bombas eletrolíticas, que são capazes de transportar eletrólitos contra gradiente de concentração e de manter constantes as concentrações desses eletrólitos no interior da célula. 
Para seu funcionamento adequado, algumas bombas eletrolíticas dependem de energia em forma de ATP; outras, que não gastam ATP, dependem da estrutura da membrana e da integridade das proteínas que formam o complexo enzimático da bomba.
uma agressão pode diminuir o funcionamento da bomba eletrolítica quando: 
(1) altera a produção ou o consumo de ATP; 
(2) interfere na integridade de membranas; 
(3) modifica a atividade de uma ou mais moléculas que formam a bomba
Degeneração hidrópica, portanto, pode ser provocada por grande variedade de agentes lesivos: 
(a) hipóxia, desacopladores da fosforilação mitocondrial (p. ex., tiroxina), inibidores da cadeia respiratória e agentes tóxicos que lesam a membrana mitocondrial, porque reduzem a produção de ATP; 
(b) hipertermia exógena ou endógena (febre), por causa do aumento no consumo de ATP; 
(c) toxinas com atividade de fosfolipase e agressões geradoras de radicais livres, que lesam diretamente membranas; 
(d) substâncias inibidoras da ATPase Na+ /K+ dependente (é o caso da ouabaína, substância utilizada no tratamento da insuficiência cardíaca).
Em todas essas situações ocorre: retenção de sódio, redução de potássio e aumento da pressão osmótica intracelular, levando à entrada de água no citoplasma e à expansão isosmótica da célula. Como as bombas eletrolíticas do REL são mais sensíveis à redução de ATP, esse é o primeiro compartimento a se expandir. Em seguida, expande-se o citosol, provocando certo rearranjo na distribuição de organelas citoplasmáticas, que, mais separadas, conferem ao citoplasma o aspecto granuloso visto ao microscópio de luz (ML).
Aspectos morfológicos: os órgãos aumentam de peso e volume, as células são mais salientes na superfície de corte (fato bem observado no fígado) e a coloração é mais pálida porque as células degeneradas, aumentadas de volume, comprimem os capilares e diminuem a quantidade de sangue no órgão.
 A. Os hepatócitos da região centrolobular são mais claros do que os demais (EP = espaço porta; VC = veia centrolobular). B. Detalhe de A, mostrando hepatócitos centrolobulares contendo pequenos vacúolos claros
OBS:Degeneração hidrópica é um processo reversível; eliminada a causa, as células voltam ao aspecto normal. Quase sempre, não traz consequências funcionais muito sérias, a não ser quando é muito intensa.
- Degeneração hialina:
Trata-se de acúmulo de material proteico e acidófilo no interior de células. Em certos casos, a degeneração resulta da condensação de filamentos intermediários e proteínas associadas que formam corpúsculos no interior das células; em outros, representa acúmulo de material de origem virai; ainda em alguns casos, o material hialino depositado é constituído por proteínas endocitadas.
O corpúsculo hialino de Mallory (Figura 4.17), encontrado tipicamente em hepatócitos de alcoólatras crônicos, é formado por filamentos intermediários (ceratina) associados a outras proteínas do citoesqueleto
Os corpúsculos hialinos de Councilman e Rocha Lima são encontrados em hepatócitos em hepatites virais, especialmente na febre amarela, na qual são muito numerosos. Esses corpúsculos correspondem geralmente a hepatócitos em apoptose.
 
Degeneração hialina segmentar de fibrocélulas musculares é compatível com reabsorção e reestruturação dos sarcômeros, mas, se for muito extensa, leva a célula à morte (necrose hialina). Ao ML, muitas vezes é difícil distinguir necrose hialina de degeneração hialina acentuada. 
Miócitos em apoptose podem também tomar aspecto hialino. Em indivíduos com proteinúria, é encontrada degeneração hialina no epitélio tubular renal por endocitoseexcessiva de proteínas. Acúmulo excessivo de imunoglobulinas em plasmócitos forma estruturas intracitoplasmáticas conhecidas como corpúsculos de Russell, os quais são frequentes em algumas inflamações agudas (p. ex., salmoneloses) ou crônicas.
DEPÓSITOS DE LIPÍDEOS:
Lipideos são moléculas complexas que servem de fonte de energia para o nosso organismo. Possuem três tipos: triglicerídeos (pequenos), colesterol, fosfolipídeos e esfignolipídeos (lipídeos de superfície).
Lipídeos são retirados de dentro da célula e são corados com a técnica HE ( gordura não é corada, somente seu vácuo).
-Esteatose:
Esteatose é o acúmulo de gorduras neutras no citoplasma de células que normalmente não as armazenam. A lesão é comum no fígado, no epitélio tubular renal e no miocárdio, mas pode ser observada também em músculos esqueléticos e no pâncreas.
Esteatose é causada por agentes tóxicos, hipóxia, alterações na dieta e distúrbios metabólicos de origem genética.
Em condições normais, os hepatócitos retiram da circulação ácidos graxos e triglicerídeos provenientes da absorção intestinal e da lipólise no tecido adiposo. Ácidos graxos são utilizados para: 
(1) produção de colesterol e seus ésteres; 
(2) síntese de lipídeos complexos (fosfolipídeos e esfingolipídeos) ou de glicerídeos (mono-, di- ou triglicerídeos); 
(3) geração de energia por meio da B-oxidação até acetil CoA e formação de corpos cetônicos.
Os agentes lesivos causam esteatose hepática por interferirem em diferentes passos do metabolismo lipídico, como: (1) aumento da síntese de lipídeos por maior aporte de ácidos graxos decorrente de lipólise ou de ingestão excessiva; (2) produção de ácidos graxos a partir do excesso de acetil CoA que não encontra condições de rápida oxidação no ciclo de Krebs; 
(3) redução na utilização de triglicerídeos ou de ácidos graxos para a síntese de lipídeos mais complexos, devido à carência de fatores nitrogenados e de ATP; 
(4) menor formação de lipoproteínas por deficiência na síntese de apoproteínas; 
(5) distúrbios no deslocamento e na fusão de vesículas que contêm lipoproteínas com a membrana plasmática, em decorrência de alterações funcionais no citoesqueleto.
OBS: Ingestão abusiva de etanol e distúrbios do metabolismo lipídico asssociados à obesidade (ver adiante) são as causas mais comuns de esteatose hepática; desnutrição proteico-energética (pois diminui a produção de apoproteínas) e substâncias hepatotóxicas também podem produzi-la. Agentes tóxicos como CCL4 podem levar a estetose por lesar o reticulo endoplasmático granular e reduzirem a síntese de proteínas. Tambem existe esteatose associada a obesidade e a síndrome metabólica
O etanol é a causa mais conhecida e estudada de esteatose hepática. No fígado, o álcool é metabolizado por três vias e em todas essas vias, o produto final é acetaldeído, que, por ação da aldeído desidrogenase (ALDH) em mitocôndrias, é convertido em ácido acético. Por ação da ADH, no etilismo há menor disponibilidade de NAD, que é necessário para a oxidação de lipídeos; redução de NAD, portanto, contribui para acúmulo de gorduras nos hepatócitos. Ao mesmo tempo, existe aumento de ácido acético e de acetil CoA. Excesso de acetil CoA induz síntese de ácidos graxos, que, somados aos provenientes da circulação, originam triglicerídeos que se acumulam nas células.
Nos estados de hipóxia (anemia, insuficiência cardíaca ou respiratória etc.), há menor disponibilidade de 02 no ciclo de Krebs e, portanto, redução na síntese de ATP. Nesses casos, esteatose resulta, em boa parte, do aumento na síntese de ácidos graxos a partir do excesso de acetil CoA, que se acumula nas células porque sua oxidação no ciclo de Krebs está diminuída.
IMPORTANTE: Algumas formas de esteatose hepática têm patogênese obscura. É o que ocorre com a esteatose microvesicular aguda da gravidez e a que aparece na síndrome de Reye, nas quais parece haver defeito mitocondrial na oxidação de lipídeos.
* Tecido adiposo e adipocinas* Além de armazenar lipídeos, o tecido adiposo tem também atividade endócrina, por sintetizar, em adipócitos e em outras células, numerosas substâncias conhecidas como adipocinas, que atuam no metabolismo lipídico, na resistência à insulina, no controle da pressão arterial, na coagulação sanguínea e em inflamações.
A esteatose visceral da síndrome metabólica manifesta-se no fígado, nas ilhotas de Langerhans, nos músculos esqueléticos e no miocárdio. No fígado, o excesso de ácidos graxos, inicialmente compensado por aumento da �-oxidação e da síntese de triglicerídeos e lipídeos complexos, induz aumento da oxidação de ácidos graxos no REL e em peroxissomos. Com isso, ocorre aumento de radicais livres, que alteram proteínas do citoesqueleto e dificultam o transporte de lipoproteínas, favorecendo recendo o acúmulo de triglicerídeos no citosol, os quais estão com síntese aumentada. Essa esteatose não alcoólica (também denominada doença gordurosa hepática não alcoólica) pode evoluir para esteato-hepatite não alcoólica, que, além de esteatose, apresenta corpúsculos de Mallory, degeneração hidrópica acentuada dos hepatócitos e fibrose, podendo chegar a cirrose hepática.
Aspectos morfológicos 
. O fígado aumenta de volume e peso (pode atingir 3 kg) e apresenta consistência diminuída, bordas arredondadas e coloração amarelada. No coração, a esteatose pode ser difusa (na miocardite diftérica}, ficando o órgão pálido e com consistência diminuída; em outros casos (hipóxia prolongada}, a esteatose aparece em faixas amareladas visíveis através do endocárdio, criando um aspecto conhecido como coração tigroide. Nos rins, há aumento de volume e peso, tomando o órgão coloração amarelada.
LIPIDOSES:
Lipidoses são acúmulos intracelulares de outros lipídeos que não triglicerídeos. Em geral, são representados por depósitos de colesterol e seus ésteres, sendo raros acúmulos de lipídeos complexos como esfingolipídeos e gangliosídeos que se formam em doenças metabólicas. As lipidoses podem ser localizadas ou sistêmicas .
# Depósitos de colesterol:
Depósitos localizados de colesterol e seus ésteres podem ser formados em artérias (aterosclerose), na pele (xantomas) e em sítios de inflamações crônicas.
- Aterosclerose: doença caracterizada por depósitos de colesterol, ésteres do colesterol e, em menor quantidade, fosfolipídeos e glicerídeos, na íntima de artérias de médio e grande calibres.
Dislipidemia, com aumento de triglicerídeos e colesterol no plasma, é o principal fator de risco; hipertensão arterial, tabagismo, diabetes melito, estresse e sedentarismo são outros fatores. Polimorfismos em genes que codificam receptores para lipoproteínas, moléculas ABC transportadoras de colesterol e apoproteínas estão associados a hipercolesterolemia e aterosclerose.
A aterosclerose é hoje considerada uma doença inflamatória.
-Arteriolosderose. Colesterol e seus ésteres e outros lipídeos e proteínas plasmáticas podem depositar-se também na íntima de pequenas artérias e arteríolas, especialmente no rim de indivíduos com hipertensão arterial. O processo é bem diferente da aterosclerose, pois os lipídeos depositados, originários do plasma, associam-se a proteínas, formando o que se denomina lipo-hialinose da íntima. Os depósitos lipo-hialinos associam-se a outras alterações da íntima (elastose, fibrose), recebendo o conjunto de lesões a denominação arteriolosclerose.
-Xantomas: São lesões encontradas na pele em forma de nódulos ou placas que, quando superficiais, têm coloração amarelada. Microscopicamente, são formados por acúmulos de macrófagos carregados de colesterol, com aspecto espumoso. Os xantomas surgem geralmente em pessoas com aumento do colesterol sérico, mas podem ser encontrados sem hipercolesterolemia.
-Esfingolipidoses: doenças de armazenamento de esfingolipídeos e seus produtos, decorrente da falta ou deficiência de enzimas lisossômicas encarregadas da demolição de gangliosídeos e cerebrosídeos até esfingosina e ácidos graxos. As esfingolipidoses são doenças genéticas, algumas mais frequentes em determinados grupos raciais (p.ex., judeus), outras sem preferência por grupo étnico. Embora as lesões possam ser sistêmicas, são mais graves em alguns órgãos: em neurônios do sistema nervoso central na doença de Fabry, na doença de Niemann-Pick e na doença de Tay-Sachs; e em macrófagos do fígado e do baço na doença de Gaucher. Pesquisar cada
GLICOGENOSES
são doenças genéticas caracterizadas por acúmulo de glicogênio em células do fígado, rins, músculos esqueléticos e coração e que têm como causa deficiência de enzimas que atuam no processo de sua degradação. As principais doenças provocadas por deficiência de enzimas relacionadas com o metabolismo do glicogênio.
Proteínas: 
- Amiloidose (amiloide) → sempre será extracelular 
- Hialinização (hialino) → aspecto microscópico hialino, translucido como vidro 
- Degeneração Mucoide (muco) 
- Queratinização Patológica (queratina)
AMILOIDOSE
Amiloidose representa um grupo de doenças que têm em comum a deposição no interstício de material proteico fibrilar, a substância amiloide.
Os depósitos amiloides são representados por material amorfo e acidófilo que se deposita no interstício, comprimindo e hipotrofiando as células. A distinção entre substância amiloide e depósitos de material hialino (hialinose) ou de fibrina é feita pelo emprego de métodos especiais de coloração, dos quais os mais usados são: 
( 1) vermelho congo, que não só cora os depósitos amiloides em vermelho-alaranjado como também lhes confere birrefringência característica à luz polarizada; 
(2) tioflavinas T e S, que induzem fluorescência na substância amiloide; 
(3) cristal violeta,(coloração rosa ou violeta).
Quando a deposição é muito intensa, os órgãos atingidos podem apresentar alterações macroscópicas. O fígado aumenta de volume. Nos rins, há aumento de volume, peso e consistência. No baço, observam-se aumento de volume e peso e aspecto micronodular ou homogêneo na superfície de corte.
*O material amiloide é constituído pela proteína amiloide (90%) epelaglicoproteínado componente P (10%)
As proteínas amiloides apresentam grande diversidade estrutural. Os principais tipos são: 
(1) proteína amiloide AL derivada de cadeias leves de imunoglobulinas. É encontrada na amiloidose associada à proliferação de células plasmáticas e em amiloidoses idiopáticas, localizadas ou sistêmicas; 
(2) proteína amiloide AA é encontrada na amiloidose secundária a inflamações crônicas; 
(3) proteína amiloide formada por ou derivada da proteína transportadora de tiroxina e retinol (chamada transtiretina), encontrada na amiloidose familial polineuropática e em algumas amiloidoses senis; 
(4) proteína amiloide formada por B2-microglobulina. É vista em pacientes em hemodiálise por período prolongado; 
(5) proteína B-amiloide encontrada na doença de Alzheimer 
As consequências clínicas da amiloidose dependem da sua intensidade. De modo geral, a deposição é lenta e assintomática, só dando manifestações após grandes acúmulos. As principais repercussões são síndromes renas i ou hepáticas e arritmias cardíacas.
#Nomendatura e classificação#
As amiloidoses podem ser classificadas como: (a) sistêmica ou localizada; (b) primária (idiopática, quando não tem causa conhecida) ou (c) secundária (provocada por uma doença). Pode ainda ser hereditária.
-Amiloidose reacional ou secundária a inflamações crônicas: É sistêmica e a amiloide depositada é do tipo AA. Acompanha inflamações crônicas, como tuberculose, sífilis avançada, artrite reumatoide, colite ulcerativa e doença de Crohn. É encontrada também em usuários de heroína por via subcutânea. Raramente se associa a tumores.
-Amiloidose sistêmica familial da febre do Mediterrâneo: É uma doença de natureza genética caracterizada por surtos febris recorrentes, acompanhados de inflamação em serosas e articulações. A doença é comum em descendentes de árabes, armênios e judeus (sefardim). Os depósitos são numerosos, e a amiloide é do tipo AA. 
-Amiloidose secundária a hemodiálise prolongada: É encontrada em tecidos periarticulares, bainhas de tendões, cápsula articular e sinóvia.
-Amiloidose localizada idiopática: Caracteriza-se por depósitos de proteína amiloide do tipo AL restritos a um único órgão, às vezes formando lesões tumorais visíveis macroscopicamente. Os depósitos são encontrados em pulmões, laringe, bexiga, língua e pele.
-Amiloidose senil: Pode ocorrer em: (a) coração, onde os depósitos amiloides aparecem depois da 7ª década de vida e são formados por substância amiloide originada da transtiretina; (b) cérebro.
CONSEQUÊNCIAS DA AMILOIDOSE 
Rim: Síndrome Nefrótica, insuficiência renal 
Adrenal: síndrome de Addison (insuficiência cortical) 
Baço e fígado: espleno e hepatomegalia, tardiamente insuficiência hepática 
Coração: arritmias, ICC 
Intestinos: diarreia crônica, síndrome de má absorção
HIALINOSE:
Arteriosclerose é um tipo de hialinização
caracteriza-se por depósitos acidófilos no interstício formados por proteínas do plasma que exsudam e depositam-se na MEC. É o que ocorre na íntima de pequenas artérias e arteríolas de indivíduos com hipertensão arterial.
Hialinização do interstício é uma transformação hialina na qual as fibras colágenas e a substância fundamental tornam-se intensamente acidófilas. As fibras colágenas ficam tumefeitas e mais espessas, porém homogêneas, perdendo o aspecto fibrilar normal; essa hialinização é encontrada no queloide, em cicatrizes hipertróficas, na esclerose sistêmica progressiva e em muitos tipos de fibrose.
Exemplos de Hialinização: 
• Gotículas de reabsorção tubular 
• Corpúsculos de Russel 
• Alteração hialina nos Corpúsculos de Mallory (alcoolismo)
Todavia, o acúmulo poderá ser extracelular, como ocorre na parede arteriolar no diabetes mellito e HAS
 Hialinização leva à morte celular (exemplo: morte de glomérulos, principal causa de insuficiência renal em diabéticos) 
Pode acontecer por deficiência de ɑ-1-antitripsina
➢ Enzima que protege proteínas nos pulmões 
A deficiência dessa enzima causa destruição de proteínas dos alvéolos e dos pulmões, especialmente se a pessoa é fumante → enfisema pulmonar 
➢ Forma Corpúsculos CORPÚSCULOS DE MALLORY: Hepatócitos, alcoólatras crônicos CORPÚSCULO COUNCILMAN: hepatócitos em apoptose, hepatite viral, febre amarela.
MUCINOSES 
Muco = mucina → produzido por epitélio com glândulas mucinosas 
Muco ≠ mucoide 
1. Epitelial: degeneração mucinosa (mucosa) 
2. Mesenquimal: Mixomatoide (mucoide) 
Acúmulo de mucina citoplasmática (mucina epitelial) 
Propriedades: Mucopolissacarídeos neutros, PAS positivo 
Células típicas: células em sinete = “anel de grau” → citoplasma amplo com mucina basofílica, núcleo atípico, marginal 
Causas: estímulo inflamatório sobre as mucosas mucosecretantes (brônquica, gástrica, colônica, endocervical) Inflama mucosas, elas produzem muco reativo para defesa e aí se acumula dentro das células. Pode ocorrer por tumores também 
➢ Núcleo rechaçado → muco empurra para a periferia (formato de meia lua) 
Produção de mucina por carcinomas mucinosos (gástricos, colônicos) 
Mesenquimal – Mixomatoide
Definição: acúmulo mucoide no interstício (mucina conjuntiva) 
Propriedades: mucopolissacarídeos ácidos, PAS negativo 
Causas: artrite reumatoide, doenças reumáticas 
Colagenoses (esclerodermia, lúpus), encontra-se em vasos, tecido conjuntivo, cápsulas articulares, tendões 
Paciente com hipotireoidismo (mixedema) → mucoide 
Tumores mesenquimais (no estroma): miomas, condromas, fibromas, osteomas, lipomas
QUERATINOSES 
Ocorrência (normal): pele, fâneros (pelos e unhas), líquido amniótico 
➢ Impermeabiliza nossa pele, evita a troca de fluidos do meio externo e interno 
Hiperceratose (aumento de queratina): produção excessiva de queratina pura, com hipergranulose (camada granulosa aumentada). Trata-se de uma queratinização excessiva 
Causas: Calosidade, doenças congênitas (ictiose), papilomas cutâneos (tumores benignos de pele), algumas dermatites e dermatoses 
Ocorrência exclusiva: pele 
Paraceratose: 
Produção excessiva de queratina, contendo no seu interior restos de núcleos celulares 
Trata-se de uma queratinizaçãoimperfeita 
Ex: Psoríase 
Disceratose 
Produção excessiva e anômala de queratina no interior dos epitélios escamosos (no interior dos queratinócitos) .Trata-se de uma queratinização precoce
CAUSAS: 
• Dermatites crônicas 
• Tumores benignos de pele (cerato-acantoma) 
• Tumores malignos de pele a partir de epitélios escamosos 
Originais: pele, lábios, esôfago, anus 
Adquiridos (por metaplasia escamosa): brônquios, colo uterino, vesícula biliar 
Morfologia 
Queratinização citoplasmática (eosinofílica) → queratinócitos muito vermelhos, pois há muita queratina dentro deles • Forma “Pérolas Córneas”
Cap 5 bogliolo 151
PIGMENTAÇÕES | CALCIFICAÇÕES 
-PIGMENTAÇÕES:
processo de formação e/ou acúmulo, normal ou patológico, de pigmentos no organismo. 
Pigmentação patológica pode ser sinal de alterações bioquímicas pronunciadas; em muitas doenças, o acúmulo ou a redução de certos pigmentos é um dos aspectos mais marcantes. Grande número de pigmentos origina-se de substâncias sintetizadas pelo próprio organismo: são os pigmentos endógenos. Outros, denominados pigmentos exógenos, são formados no exterior e, por via respiratória, digestiva ou parenteral, penetram e depositam-se em diversos órgãos.
Pigmentações endógenas:
Pigmentações endógenas resultam, em geral, de hiperprodução e acúmulo de pigmentos sintetizados no próprio organismo. Podem ser: 
(1) derivadas da hemoglobina, ou pigmentos hemoglobínicos; 
(2) melanina; 
(3) ácido homogentísico; 
( 4) lipofuscina
1- hemoglobínicas: 
Pigmentos biliares O principal pigmento biliar é a bilirrubina (Bb). Embora durante muito tempo não tenha sido associada a nenhuma função aparente, recentemente tem-se demonstrado que, em concentrações normais ou discretamente elevadas, a Bb não conjugada possui ação antioxidante, ou seja, a capacidade de se combnar i com radicais livres formados durante o metabolismo celular oxidativo.
o aumento acentuado dos níveis sanguíneos de Bb não conjugada, particularmente em recém-nascidos, pode causar lesão cerebral irreversível, morte e, nos casos de sobrevida, sequelas neurológicas permanentes. Kernicterus.
o conhecimento de seu metabolismo é essencial para o diagnóstico de um grande número de doenças, hereditárias ou adquiridas, do fígado e do sangue. Distúrbios associados a aumento da produção de Bb ou a defeito hepático na remoção do pigmento da circulação resultam em elevação de seu nível no sangue (hiperbilirrubinemia) e em um sinal clínico muito importante, a icterícia. Além disso, o aumento da excreção de Bb na bile, causado por doenças hemolíticas crônicas, pode levar à formação de cálculos biliares.
Formação da bilirrubina. Aproximadamente 80% da Bb provêm da hemoglobina livre resultante da hemocaterese, que é a destruição fisiológica das hemácias senescentes, com cerca de 120 dias de vida, pelos macrófagos no baço, no figado, na medula óssea e em outros locais. O restante da Bb origina-se de hemoproteínas hepáticas (p. ex., citocromo P450s, triptofano pirrolase e catalase). Para que a Bb possa ser liberada a partir da hemoglobina, é necessário que a fração heme seja primeiro separada da fração proteica (globina) da molécula de hemoglobina; em seguida, abre-se o anel porfirínico do heme por meio de cisão oxidativa pela enzima heme oxigenase, na presença de oxigênio (02) e NADPH, resultando em formação de monóxido de carbono (CO), redução de Fe++ para Fe+++ e biliverdina (pigmento tetrapirrólico verde). A biliverdina é rapidamente reduzida a Bb por ação da biliverdina redutase, uma fosfoproteína na qual a fosforilação é essencial para sua atividade enzimática.
Transporte no sangue. A Bb é lançada na circulação em forma insolúvel, não ionizada (diácida) e ionizada (mono ediânion); é denominada bilirrubina não conjugada. Por ser insolúvel em soluções aquosas, a Bb não conjugada não pode ser eliminada diretamente. Para isso, depende da sua conjugação com o ácido glicurônico nos hepatócitos, que forma compostos hidrossolúveis que facilitam sua excreção.
No plasma, cerca de 91 % da Bb não conjugada são transportados ligados à albumina. Em situações de hemólise grave em recém nascidos, prematuros, a Bb não conjugada, ligada ou não à albumina, pode atravessar a barreira hematoencefálica ainda não completamente desenvolvida ou lesada por hipóxia ou isquemia e causar lesão neuronal irreversível. A impregnação do tecido nervoso pela Bb pode ser identificada macroscopicamente como áreas de coloração amarelo-ouro em diversos núcleos cerebrais, cerebelares e do tronco encefálico, fenômeno denominado kernicterus ou icterícia nuclear.
Conjugação com ácido glicurônico. A conjugação da Bb com ácido glicurônico, resultando em bilirrubina conjugada, ocorre na luz do retículo endoplasmático liso. Inicialmente, a Bb é esterificada com uma molécula de ácido glicurônico e, em seguida, uma segunda molécula de ácido glicurônico é acrescentada à maior parte da Bb monoesterificada. A Bb conjugada com duas moléculas de ácido glicurônico, denominada diglicuronato de Bb, é inócua, hidrofílica, solúvel em água e frouxamente ligada à albumina; devido a essas duas últimas características, é excretada na urina quando ocorre aumento excessivo de seus níveis plasmáticos.
*icterícia: É o sinal clínico causado por elevação dos níveis plasmáticos de Bb e por sua deposição na pele, esclera, mucosas e na maioria dos tecidos e órgãos, em especial fígado e rins, nos quais produz coloração que vai do amarelo ao negro, passando por diversas tonalidades de verde.
O conhecimento do metabolismo dos pigmentos biliares ou de suas alterações possibilita que se classifiquem as icterícias segundo um critério patogenético. Assim, as icterícias podem ser classificadas por:
• aumento da produção de Bb, por exemplo, em anemias hemolíticas 
• redução na captação e no transporte da Bb por hepatócitos, por exemplo, em doenças genéticas 
• diminuição na conjugação da Bb, por exemplo, em doenças genética
• redução na excreção celular da Bb, por exemplo, em doenças genéticas 
• obstrução à eliminação canalicular intra e extra-hepática da Bb, A por exemplo, por tumores e cálculos 
• mais de um mecanismo, como por exemplo, em hepatites e na cirrose hepática
Também é comum o aparecimento de icterícia no período neonatal imediato, de caráter benigno e transitório, conhecido como icterícia fisiológica do recém-nascido, que resulta de aumento do catabolismo do heme e de menor capacidade no transporte e na conjugação e excreção de Bb.
Hematoidina:
É constituída por uma mistura de lipídeos e um pigmento semelhante à Bb, desprovido de ferro, que se forma em focos hemorrágicos após degradação, por macrófagos locais, de hemácias extravasadas. O pigmento aparece a partir do final da segunda ou terceira semana após o sangramento, em forma de cristais que variam de coloração. É E comum a presença de hemossiderina associada a hematoidina. A hematoidina não tem repercussões para o organismo.
Hemossiderina 
É também um pigmento resultante da degradação da hemoglobina e que contém ferro. A hemossiderina representa uma das duas principais formas de armazenamento intracelular de ferro; a outra é a ferritina. O ferro é vital para todos os seres vivos, pois participa de diversos processos metabólicos, tais como transporte de oxigênio e de elétrons (hemoproteínas) e síntese de DNA. Em razão de sua participação em diversas funções celulares, é necessário um equilíbrio constante entre absorção, transporte, armazenamento e utilização do metal. Por ser altamente reativo, o ferro participa na formação de radicais livres de oxigênio, os quais peroxidam lipídeos, proteínas, DNA e outros componentes celulares. Para evitar esse efeito oxidativo potencialmente lesivo, o ferro em excesso é armazenado e/ou sequestrado por diversas proteínas, tais como transferrina, lactotransferrina ...
A deposição excessiva de hemossiderina em tecidos pode ser localizada ou sistêmica. A primeira é encontrada em hemorragias, em que a hemossiderina é vista no interior de macrófagos cerca de 24 a 48 h após o início do sangramento (hemossideroselocalizada). 
A transformação progressiva das hemácias extravasadas em hemossiderina na área de hemorragia pode ser evidenciada macroscopicamente em contusões cutâneas, 1 a 3 dias depois de sua ocorrência. Logo após um traumatismo, a hemorragia é vista como uma área vermelho-azulada ou negro-azulada, devido à presença de hemoglobina desoxigenada. Com o inicio da degradação da hemoglobina e da produção de biliverdina e Bb, a pele adquire tonalidade verde-azulada a amarelada e, finalmente, com a formação de hemossiderina, cor ferruginosa ou amarelo-dourada.
A deposição sistêmica de hemossiderina (hemossiderose sistêmica) ocorre em consequência de aumento na absorção intestinal do ferro, que ocorre especialmente em anemias hemolíticas e após transfusões de sangue repetidas. O pigmento acumula-se em macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodos e, mais esparsamente, nos da derme, do pâncreas e dos rins. A longo prazo, pode haver deposição de hemossiderina no parênquima de alguns órgãos, como fígado, pâncreas, coração e glândulas endócrinas (Figura 5.4). Mesmo ocorrendo deposição intraparenquimatosa do pigmento, não há, na maioria dos pacientes, lesão celular suficiente para provocar distúrbio funcional dos órgãos afetados.
Existe uma forma especial de hemossiderose sistêmica, denominada hemocromatose primária ou hereditária, na qual há aumento da absorção intestinal do ferro por defeito genético. A deposição excessiva de hemossiderina em macrófagos, interstício, pâncreas, pele, hipófise e coração, etc... produz hipotrofia e fibrose do parênquima. Esse processo resulta em cirrose hepática, hipotrofia do pâncreas exócrino e endócrino, provocando diabetes (conhecido como diabetes bronzeado, devido à pigmentação bronzeada da pele nesses pacientes), hipogonadismo e insuficiência cardíaca.
A absorção de ferro, que ocorre na mucosa duodenal, inicia-se pela captação de ferro inorgânico, principalmente em estado ferroso (Fe++) após sofrer redução pela enzima redutase férrica. Diversas proteínas participam na regulação da absorção de ferro. O fígado participa também desse mecanismo regulador do ferro de duas maneiras: (1) é o principal órgão de armazenamento de ferro; (2) produz a transferrina e a hepcidina, uma das moléculas reguladoras da homeostase de ferro. A hepcidina é um peptídeo secretado no plasma; sua produção aumenta quando há aumento da taxa de ferro e diminui nos casos de deficiência de ferro.
Na hemocromatose hereditária ocorrem mutações do gene HFE que determinam perda desse mecanismo regulador, resultando em absorção excessiva de ferro da dieta e seu acúmulo em vários órgãos. mutação mais comum no gene HFE, responsável por mais de 90% dos casos de hemocromatose, que afeta especialmente a população de ascendência norte-europeia.
A hemocromatose relacionada com o gene HFE é também denominada hemocromatose tipo 1 e tem herança autossômica recessiva. Existem, ainda, outras quatro formas de hemocromatose hereditária, não causadas por mutações do gene HFE, denominadas hemocromatoses não HFE, associadas a mutações em outros genes envolvidos na homeostase de ferro.
Hematina 
A hematina é um derivado do heme que contém ferro. Algumas vezes, a hematina forma-se em cortes de tecidos fixados com formol. Rematina é encontrada também ao redor de vasos ou em áreas hemorrágicas, originada de hemólise. A hematina aparece como grânulos de coloração negra ou negro-azulada, no interstício ou dentro de macrófagos. Após hemólise excessiva ou transfusões maciças, a hematina pode ser encontrada na luz de túbulos renais.
Pigmento malárico
Também denominado hemozoína, o pigmento malárico resulta da degradação da hemoglobina ingerida por plasmódios durante seu ciclo de vida nas hemácias. Com a formação de merozoítos, rompem-se as hemácias e os parasitos são liberados, enquanto o pigmento, em forma de grânulos castanho-escuros, acumula-se em macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodos e de outros locais, aí permanecendo por muitos ano.
A quantidade de pigmento nos tecidos aumenta com a duração da infecção. O pigmento malárico é inerte e não tóxico, mas sua retenção maciça em grande número de monócitos circulantes e macrófagos pode contribuir para redução da resposta imunitária encontrada em muitos pacientes. Além disso, demonstrou-se que o pigmento malárico tem também efeitos pró-inflamatórios, como aumento do óxido nítrico, ativação da migração de neutrófilo...
MELANINA
As funções da pigmentação melânica cutânea são proteção contra a radiação ultravioleta B (fotoproteção), ação antioxidante, absorção de calor, cosmética, comunicação social, camuflagem em várias espécies animais.
A ação fotoprotetora da melanina deve-se à sua eficiência em absorver e dispersar fótons, convertendo rapidamente sua energia em calor. Existem dois tipos de melanina: 
(a) eumelanina (escura) , insolúvel, de coloração castanha a negra, com ação fotoprotetora e antioxidante; 
(b) feomelanina (alaranjada), solúvel em solução alcalina, de coloração amarela a vermelha, igualmente com efeito antioxidante.
Obs: A cor do cabelo depende da proporção entre eumelanina e feomelanina.
neurônios de algumas regiões cerebrais, como substância negra, locus ceruleus e núcleo dorsal do vago, sintetizam neuromelanina, um pigmento marrom a negro.
Biossíntese: fenilalanina (por meio da enzima tirosinase) – tirosina - melanina 
Eumelanina (escura) dominante no mundo animal, dá a coloração escura aos tecidos
Feomelanina (alaranjada) não é tão protetora quanto a outra. RUIVOS
Hiper e hipopigmentação melânicas 
Hiperpigmentação pode ser produzida por: (1) aumento do número de melanócitos normais e neoplásicos; (2) incremento da melanogênese; (3) produção de melanossomos gigantes; (4) defeito na elimnação i de melanina através da epiderme.
As lesões hiperpigmentadas mais comuns são efélides (sardas), nevos e melanomas. Ao lado dessas doenças, diversas substâncias podem causar hiperpigmentação melânica, como medicamentos (sulfonamidas, hidantoína, cloroquina, levodopa), anticoncepcionais orais, metais pesados (arsênico, bismuto, ouro, prata) e agentes quimioterápicos.
ACANTOSE NIGRICANS 
• Espessamento da pele → muitas camadas 
• Nigricans → hiper pigmentada 
É possível reverter, mas é um processo demorado 
Aparece geralmente no pescoço e nas axilas 
Pode ser familiar, pode ser por resistência à insulina 
Frequente em doenças endócrinas: hipotireoidismo, diabetes melito 
Quando for de repente e intensa → pensar-se em câncer/malignidade. Alguns tumores estimulam a melanogênese e o espessamento da pele.
A hipopigmentação pode ser congênita (p. ex., albinismo) ou adquirida (p. ex., vitiligo), e é causada por: 
(1) migração e diferenciação anormal de melanoblastos; 
(2) redução da atividade da tirosinase; 
(3) estrutura anormal dos melanossomos
O albinismo oculocutâneo é produzido por mutação no gene da: 
(1) tirosinase, resultando em nativida i de da enzima ou redução da sua atividade (AOCl); 
(2) proteína P (AOC2, o tipo mas i comum); 
(3) proteína relacionada com a tirosinase 1 (AOC3); 
(4) proteína transportadora associada à membrana (AOC4)
Admite-se que cabelos brancos decorram de apoptose, provavelmente mediada por lesão do DNA mitocondrial por estresse oxidativo, resultando em redução acentuada do número de melanócitos nos folículos pilosos.
Obs: Hipopigmentação melânica dos núcleos do tronco encefálico que contêm neuromelanina é uma das alterações patológicas mais evidentes na doença de Parkinson. A perda da neuromelanina nessa doença deve-se à destruição progressiva dos neurônios pigmentados da substância negra, do locus ceruleus e do núcleo dorsal do vago.
DESPIGMENTAÇÃO PATOLÓGICA 
Íris rosinha (sem coloração) → ALBINISMO 
➢ Reflexão de luz mostra-se como vermelha porque está refletindo os vasos 
- Baixa acuidade visual, nistagmo, astigmatismo, fotofobia, mais propensos a lesões oculares 
Íris com cor, mas criança muito clara → FENILCETONÚRIA 
-Há deficiência, mas ainda há Tirosinase para converter a enzima 
-Cuidado com a alimentação (não pode ingerirfenilalanina) 
VITILIGO: 
Lesões focais.As próprias células destroem os melanócitos da pessoa → forma de defesa 
POLIOSE (Piebalismo): 
Albinismo focal, muito localizado Ex: pedaço do cabelo branco, sem pigmentação.
Encanecer os cabelos = ficar branco os cabelos 
• Ocorre apoptose do melanócito daquele pelo. Associado ao envelhecimento 
- Esse processo pode ser mais acelerado devido a fatores genéticos
Ácido homogentísico 
Trata-se de pigmento em forma de grânulos de coloração castanho-avermelhada ou amarelada, ocre, que se forma em pessoas com alcaptonúria, também conhecida como ocronose. Essa rara doença, de herança autossômica recessiva, deve-se a mutações no gene que codifica a enzima ácido homogentísico 1,2-dioxigenase, que degrada o ácido homogentísico (ácido 2,5-di-hidroxifenilacético ), um produto do catabolismo da tirosina; deficiência da enzma impede i a degradação do ácido homogentísico, o que leva ao seu acúmulo no plasma e, eletivamente, em cartilagens, pele e tecido conjuntivo, com seu excesso na urina. Quando exposta ao ar durante algum tempo ou em presença de soluções alcalinas, a urina tem cor castanho-escura (alcaptonúria). Essa alteração de cor da urina representa o principal sinal precoce da doença.
Lipofuccina
chamada lipocromo, pigmento de desgaste, pigmento do envelhecimento e ceroide, entre outros, a lipofuscina é considerada um marcador biológico de envelhecimento celular. Lipofuscina aparece como grânulos delicados intracitoplasmáticos, pardo-amarelados, autofluorescentes e PAS-positivos.
É bem conhecido o efeito protetor de vários antioxidantes, como vitamina E, e da ingestão de dieta com restrição calórca i (na qual os processos oxidativos são reduzidos) na formação de lipofuscina. Deficiência de antioxidantes, como as vitaminas A, C e E, especialmente a última, resulta no efeito oposto. A fagocitose de constituintes celulares (p. ex., mitocôndrias, retículo endoplasmático, proteínas associadas aos microtúbulos, proteínas do citosol), como ocorre normalmente durante a autofagia, resulta em acúmulo dessas substâncias polimerizadas e peroxidadas em lisossomos secundários, algumas das quais são transformadas gradualmente em corpos residuas i (pigmento de lipofuscina).
A formação de corpos residuais decorre, portanto, do desequilíbrio entre o processo de autofagocitose contínua e a incapacidade da célula de eliminar resíduos da autodigestão. A presença e o acúmulo de lipofuscina estão na dependência de: 
(1) aumento de autofagia ou de captação celular de material não completamente degradável; 
(2) redução da síntese e/ou da eficiência das enzimas lisossômicas; (3) diminuição da eliminação de resíduos não degradáveis
Resumindo, lipofuscina acumula-se com o passar do tempo, em razão de que os processos responsáveis por sua formação e seu acúmulo (autofagia e produção de moléculas de oxigênio reativas) ocorrem ao longo da vida. Com o avançar da idade, a lipofuscina deposita-se especialmente em células p6s-mit6ticas, como neurônios, células musculares cardíacas e esqueléticas e epitélio pigmentar da retina.
IMPORTANTE:
Os órgãos afetados pelo acúmulo de lipofuscina sofrem redução volumétrica e ponderai e adquirem coloração parda (hipotrofia parda). A deposição de lipofuscina em células musculares cardíacas parece não afetar a função do órgão. acúmulo de lipofuscina no epitélio pigmentar da retina associa-se a degeneração macular relacionada com a idade, que é a principal causa de cegueira ou distúrbio visual grave em humanos.
O pigmento acumula-se também no miocárdio e no fígado de indivíduos desnutridos, particularmente aqueles com caquexia.
Pigmentações exógenas
Pigmentos diversos penetram no organismo junto com o ar inspirado e com os alimentos ingeridos, ou são introduzidos por via parenteral, como ocorre com injeções e tatuagens.
Dos pigmentos inalados, o mais frequente é o carvão. Sua deposição causa a antracose, encontrada em fumantes e em praticamente todo indivíduo adulto ou idoso morador em grandes ou médias cidades onde exista certo grau de poluição atmosférica.
Uma vez inalado, o pigmento de carvão é fagocitado por macrófagos alveolares e transportado aos linfonodos regionais. Acúmulo progressivo do pigmento produz uma coloração negra nas partes afetadas, em forma de manchas irregulares. Em trabalhadores de minas de carvão, o grande acúmulo de pigmento nos pulmões pode acompanhar-se de fibrose e levar a diminuição considerável da capacidade respiratória.
A argiria é a deposição de sais de prata em tecidos, em geral em forma de sulfeto de prata. Quando se deposita nos olhos, é conhecida como argirose. 
Diversos fatores influenciam a capacidade dos sais de prata de produzir efeitos tóxicos no organismo, como solubilidade do metal, capacidade de se ligar aos diferentes tecidos e grau com que os complexos de proteína-metal formados são sequestrados ou metabolizados e excretados.
A causa mais comum de argiria localizada é impregnação mecânica da pele, através das glândulas sudoríparas, por minúsculas partículas de prata em indivíduos que trabalham com esse metal, e raramente uso de brincos.
Outros procedimentos capazes de provocar argiria localizada são tratamento odontológico em que se utiliza amálgama (mistura metálica de mercúrio e prata), uso prolongado de medicamentos tópicos que contêm nitrato de prata ou implantação cutânea de agulhas de acupuntura.
Nos casos de argiria sistêmica ou generalizada, provocada por ingestão ou inalação crônica de compostos de prata solúveis, além da deposição do metal na pele e nas unhas, grânulos de prata são encontrados em macrófagos dos linfonodos, células de Kupffer, membrana basal dos glomérulos renais e globo ocular.
As partículas de prata são visualizadas como grânulos arredondados negros à microscopia de luz e grânulos fortemente elétron-densos, de contorno arredondado ou ovalado e tamanho variado.
Tanto na argiria localizada quanto na sistêmica, a pele afetada tem cor cinza azulada permanente, mais pronunciada em áreas expostas ao sol. A luz solar provoca redução dos compostos de prata, com formação de prata metálica, a qual é oxidada nos tecidos, resultando em complexos de proteína-sulfeto de prata capazes de estimular a produção de melanina.
A deposição de ouro em tecidos, condição rara denominada crisíase, é causada por uso terapêutico parenteral prolongado de sais de ouro (crisoterapia), como na artrite reumatoide, e após implantação de agulhas de acupuntura.
As partículas de ouro, em forma de grânulos negros densos e irregulares, maiores do que os grânulos de prata, amorfos e em forma de pequenos bastonetes e esfera.
A pele tem cor cinza-azulada permanente em áreas expostas ao sol, notando-se, em correspondência, hiperpigmentação melânica, provavelmente estimulada pela deposição de ouro na derme. Inicialmente, é afetada a região periorbital, estendendo-se progressivamente à face, ao pescoço e aos membros superiores.
Chumbo: saturnismo. Linhas de burton são um sinal patognomônico dessa doença (patognomônico significa que não tem outra causa)
Cobre: Doença de wilson: deficiência da ceruloplasmina, proteína que faz o transporte de cobre. Excesso de cobre forma o anel de keyser-Fleischer (anéis amarronzados) que é um sinal patognomônico. È doferente de anel de colesterol (halo senil) que se formam com a idade.
Tatuagem é uma forma de pigmentação exógena em geral limitada à pele, que resulta da introdução de pigmentos insolúveis na derme. As tatuagens são permanentes ou transitórias, conforme o pigmento seja introduzido, respectivamente, na derme ou no estrato córneo da epiderme.
Uma variante de tatuagem é a empregada durante o procedimento de endoscopia gastrointestinal, a cromo endoscopia, na qual substâncias químicas diversas (corantes vitais, nanqum) são i utilizadas para identificar tipos específicos de células epiteliais ou para realçar características da superfície da mucosa gastrointestinal, facilitando o reconhecimento de pólipos diminutos ou permitindo melhor direcionamento da biópsia, como na doença celíacae no esôfago de Barrett.
CALCIFICAÇÕES
Calcificação patológica (ou ectópica) consiste na deposição de sais de cálcio em locais normalmente não calcificados. Calcificação é lesão muito frequente, embora geralmente não traga consequências graves.
Em calcificações patológicas, os depósitos minerais ocorrem sobre outros substratos celulares (viáveis ou necróticos) e extracelulares (tecido conjuntivo ou secreções). Apesar das diferenças entre os processos de calcificação fisiológica e patológica, há semelhanças no nível químico, tendo sido identificadas proteínas específicas, como osteopontina, osteocalcina e osteonectina em focos de calcificação patológica.
As calcificações patológicas podem ser subdivididas em: 
(1) calcificação distrófica, quando predominam fatores locais, como necrose; 
(2) calcificação metastática, em casos de hipercalcemia. Há ainda calcificações idiopáticas, em que nenhum desses fatores está presente.
Calcificação ocorre onde o tecido não é osteogênico, em partes moles do corpo. Isso é um processo patológico
Os tecidos calcificados do organismo (ossos e dentes) armazenam mais de 99% do cálcio presente no organismo. Embora aparentemente estático, o tecido ósseo é metabolicamente ativo, em constante reabsorção e remodelação. Em certas condições, reabsorção ou lise óssea podem provocar elevação expressiva da calcemia.
Aprecipitação de cristais pode ocorrer após necrose; por outro lado, calcificação pode iniciar-se em células vivas, o que pode provocar morte celular.
Absorvemos cálcio no duodeno, em decorrência da vitamina D.
Calcificação distrófica:
Calcificação distrófica é a que resulta de modificação local nos tecidos. Restos necróticos são particularmente suscetíveis de deposição de cálcio, que ocorre sobretudo em locais com necrose caseosa, necrose de coagulação e necrose gordurosa.
Onde ocorrem as calcificações?
Calcificação associada a esteatonecrose encontrada na pancreatite aguda resulta da combinação de cálcio com ácidos graxos liberados por ação da lipase pancreática sobre triglicerídeos. Infartos (necrose isquêmica) de vários órgãos também podem calcificar-se. Áreas de necrose caseosa na tuberculose frequentemente se calcificam. Além de tecidos necróticos, calcificação aparece também em cicatrizes, em ateromas e em cartilagens.
Trombos venosos podem se calcificar, formando flebólitos. Em certos órgãos, como pâncreas e glândula salivar, secreções em duetos podem calcificar-se, por vezes causando obstrução ductal. Calcificação de fetos mortos retidos produz litopédio.
Em tecidos necróticos, a deposição de cálcio ocorre de maneira gradativa. A medida que mais cálcio se deposita, esses grânulos coalescem e formam faixas que se estendem gradativamente ao centro da lesão.
Os mecanismos propostos para explicar a formação de depósitos de cálcio incluem: 
(1) exposição de núcleos primários; 
(2) aumento local na concentração de fosfato e/ou de cálcio; 
(3) remoção de inibidores de calcificação.
Calcificação metastática
Calcificação metastática é assim denominada, desde os tempos de Virchow, para indicar que o cálcio reabsorvido do tecido ósseo em condições patológicas ocasiona, se não houver excreção adequada do íon pelos rins, depósitos em outros locais.
Chama-se calcinose a calcificação metastática extensão
as condições que favorecem calcificação metastática são hipercalcemia e, mais raramente, hiperfosfatemia. sempre que o produto das concentrações séricas de cálcio e de fosfato fica acima de 60 ou 70, ocorre calcificação metastática. (em adultos, em condições fisiológicas, esse valor é de 35 a 40).
A principal causa de hipercalcemia é hipersecreção de paratormônio ou de moléculas semelhantes. O paratormônio eleva a calcemia porque estimula a atividade osteoclástica e a reabsorção óssea. No hiperparatireoidismo primário, um tumor (geralmente adenoma) ou hiperplasia de paratireoides é o responsável pela hipersecreção.
No hiperparatireoidismo secundário a insuficiência renal crônica, surge hiperplasia das paratireoides por causa da redução de cálcio sérico.
O que pode levar a hipercalcemia?
Muitas doenças dos ossos podem causar hipercalcemia. Acometimento ósseo extenso por neoplasias, como mieloma ou metástases disseminadas, podem provocar rápida destruição óssea, com aumento da calcemia. Doença de Paget dos ossos, por aumento da remodelação óssea, também provoca hipercalcemia. Imobilização prolongada remove estímulos para formação de tecido ósseo, enquanto continua ocorrendo reabsorção. Doenças relacionadas a vitamina D, incluindo intoxicação por vitamina D e sarcoidose sistêmica. Insuficiência renal, causando hiperpatireodismo secundário devido a retenção de fosfato e a hipocalcemia resultante.
Depósitos de cálcio metastáticos podem formar-se em qualquer local, mas há nítida preponderância do estômago, pulmão, rins, artérias sistêmicas, veias pulmonares e córnea.
Esses órgãos e estruturas têm em comum o fato de secretarem ácidos, criando um compartimento interno alcalinizado.
Calcinose idiopática.
Calcinose idiopática consiste em depósitos de calcificação geralmente cutâneos e frequentemente múltiplos, sem lesão prévia e com níveis séricos normais de cálcio e de fosfato. Essa forma de calcificação parece relacionada, em certos casos, com cistos epidermoides que se rompem e se inflamam, com posterior calcificação distrófica do conteúdo e obliteração da parede cística
Calcificações em geral:
Nem todas as calcificações são constituídas por fosfato de cálcio, em forma de cristais de hidroxiapatita. Nos pulmões e nos rins, algumas vezes os depósitos são formados por carbonato de cálcio; nas mamas e nos rins, depósitos de oxalato de cálcio são às vezes encontrados. Deposição de cristais em articulações pode causar inflamações (artrites). O exemplo clássico é a gota, em que se depositam cristais de urato de sódio
Na maioria dos casos, calcificações patológicas não têm repercussões clínicas. Algumas vezes, calcificação em vasos pode alterar a pressão de pulso e aumentar o risco de ruptura e de fenômenos tromboembólicos.
Depósitos de cálcio são caracteristicamente radiopacos e passíveis de detecção em exames radiográficos.
Calcificações podem ajudar no diagnóstico precoce de lesões e doenças, como câncer de mama por exemplo.
HEMORRAGIA
A hemorragia pode ser interna ou externa e recebe nomes particulares segundo sua localização.
Classificação:
1- topográfica
2- Etiológica
3- Morfológica
4- unitermos (petéquias, púrpura, equimose, hematoma)
Consequências: Choque, anemia, asfixia, tamponamento
HIPEREMIA: 
consiste no aumento da quantidade de sangue no interior dos vasos de um órgão ou território orgânico. Hiperemia pode ser ativa ou passiva, aguda ou crônica.
Hiperemia ativa consiste em dilatação arteriolar com aumento do fluxo sanguíneo local. pode ser: (1) fisiológica, quando há necessidade de maior irrigação, como ocorre nos músculos esqueléticos durante o exercício, na mucosa gastrointestinal durante a digestão, na pele em ambientes quentes (para aumentar a perda de calor) ou na face dai nte de emoções; (2) patológica, a qual acompanha inúmeros processos patológicos, principalmente inflamações agudas.
Hiperemia passiva, também conhecida como congestão, decorre de redução da drenagem venosa, que provoca distensão de veias distais, vênulas e capilares; por isso mesmo, a região comprometida adquire coloração vermelho-escura devido à alta concentração de hemoglobina desoxigenada. Pode ser localizada (obstrução de uma veia) ou sistêmica (insuficiência cardíaca). Congestão pode ser causada por obstrução extrínseca ou intrínseca de uma veia (compressão do vaso, trombose, torção de pedículo vascular etc.) ou por redução do retorno venoso, como acontece na insuficiência cardíaca.
Congestão hepática, aguda ou crônica, é provocada na maioria das vezes por insuficiência cardíaca congestiva e, menos comumente, por obstrução das veias hepáticas ou da veia cava inferior. Na congestão aguda, o fígado encontra-se discretamente aumentado de peso e volume e tem coloração azul-vinhosa; Na congestãocrônica, o órgão tem coloração vermelho-azulada.
Congestão do baço aguda é causada sobretudo por insuficiência cardíaca; o órgão encontra-se pouco aumentado de volume, cianótico e repleto de sangue. Congestão crônica é encontrada principalmente em casos de hipertensão porta (cirrose hepática, esquistossomose etc.). O baço é aumentado de volume, endurecido por fibrose e com focos de hemorragia recente ou antiga.
Classificação topográfica:
Externa: saída de sangue para o meio externo (vias aéreas), pode ser por via indireta (sistema digestório)
Interna: sangramento para o interstício ou cavidades.
Classificação etiológica:
Hemorragia por rexe: É o sangramento que ocorre por ruptura da parede vascular ou do coração, com saída do sangue em jato. As principais causas são: 
(1) traumatismos; 
(2) enfraquecimento da parede vascular, que pode ocorrer por lesão do próprio vaso (vasculites, hipertensão arterial crônica com lesão de pequenas artérias cerebrais) ou nas suas adjacências, como na tuberculose que atinge a parede de vasos, na destruição de vasos no fundo de úlcera péptica ou na invasão da parede vascular por neoplasias malignas; 
(3) aumento da pressão sanguínea, como acontece em crises hipertensivas.
Hemorragia por diapedese: É a que se manifesta sem aparente solução de continuidade da parede do vaso e na qual as hemácias saem de capilares ou vênulas individualmente entre as células endoteliais, com afrouxamento da membrana basal.
Hemorragia digestiva pode exteriorizar-se pela boca ou pelo ânus. Nos casos de hemorragia digestiva baixa, o sangue é eliminado junto com as fezes sem sofrer transformação, e por isso tem coloração vermelho-viva. Nas hemorragias digestivas altas, após contato com o suco gástrico a hemoglobina transforma-se em hematina, que tem cor preta. O sangue que sai junto com as fezes é escuro (semelhante a borra de café), e o sangramento é chamado melena. Quando permanece por pouco tempo no estômago (p. ex., ruptura de varizes do esôfago com sangramento volumoso que provoca vômito), o sangue não é "digerido" e tem coloração vermelha; esse quadro constitui a hematêmese.
Classificação morfológica:
Equimoses: sangramento no interstício que vemos por transparência através da nossa pele. 
-petéquia (<2mm)
- púrpura (2mm-2cm)
Hematoma: forma uma cavidade nova em decorrência do tanto de sangue que se acumula e afeta os tecidos -> lago hemático.
São mais raros que as equimoses, surgem com grandes lesões.
Hemáceas fora dos vasos se degradam e a equimose vai sumindo com o tempo, sofre um processo de hipoxidação e vai mudando de coloração, em geral somem em 3 semanas.
Hemorragia interna intracavitária no tórax -> hemotórax. Não é hematoma porque não abriu uma nova cavidade, a cavidade já existia.
Consequências da hemorragia:
(1) choque hipovolêmico, quando há perda rápida de grande quantidade de sangue (cerca de 20% do volume de sangue corporal); 
(2) anemia. Sangramento crônico e repetido (p. ex., úlcera gástrica, metrorragias, neoplasias do tubo digestivo) resulta em perda crônica de ferro, provocando anemia ferropriva; 
(3) asfixia, quando há hemorragia pulmonar de certa intensidade com encharcamento dos alvéolos por sangue (o paciente pode morrer "sufocado por seu próprio sangue"); 
(4) tamponamento cardíaco, que ocorre especialmente após ruptura ventricular. 
(5) Síndrome compartimental-hemorragia intracraniana. Sangramento intracraniano de certo volume pode ser letal por aumentar a pressão intracraniana e comprometer a função de regiões vitais.
Diátese hemorrágica:
CHOQUE
O choque pode ser definido como a condição em que há falência circulatória caracterizada por queda abrupta na pressão arterial, hipoperfusão generalizada de tecidos e órgãos e hipóxia celular. Com queda da perfusão tecidual, a oferta de 02 e nutrientes às células torna-se insuficiente, não há remoção adequada de catabólitos e o metabolismo celular passa de aeróbio para anaeróbio.
Hipoperfusão sistêmica secundária a perda de volume/débito cardíaco -> hipotensão -> hipoperfusão de células/ tecidos , diminuição de O2 -> hipóxia
Classificação etiológica:
Cardiogênico (coração entra em choque)
Hipovolêmico (volume de sangue inadequado)
Séptico (infecção/toxinas fazem vasodilatação)
Neurogênico (sistema nervoso autônomo desregulado promove vasodilatação)
Anafilático (vasodilatação periférica por processo alérgico grave)
Características:
Com exceção do choque séptico, os pacientes apresentam pele pálida e úmida, extremidades frias, colapso de veias superficiais, hipotensão arterial, distúrbios do estado de consciência e insuficiência respiratória e renal. No choque séptico, a pele mostra-se inicialmente rosada, quente e bem irrigada; mais tarde, surgem hipotensão arterial, distúrbios da consciência e insuficiência respiratória e renal.
Etiopatogênese 
O estado de hipoperfusão que caracteriza o choque pode ser provocado por: 
(1) distúrbio inicial na macrocirculação, podendo ser por falha da bomba cardíaca (choque cardiogênico) ou por redução do volume sanguíneo (choque hipovolêmico); 
(2) distúrbio na distribuição do volume sanguíneo (distúrbio inicial na microcirculação, que ocorre no choque séptico, anafilático ou neurogênico). 
O denominador comum em todos esses casos é queda de pressão na microcirculação, resultando em baixa perfusão generalizada.
Choque cardiogênico
instala-se quando o coração torna-se incapaz de bombear adequadamente o sangue. Isso ocorre caracteristicamente quando há destruição extensa do miocárdio, principalmente no infarto do miocárdio com destruição de pelo menos 40% da massa muscular do VE; quando o coração torna-se incapaz de contrair-se de modo eficaz (arritmias cardíacas); e quando ocorre bloqueio mecânico do órgão, por exemplo por tamponamento cardíaco. 
Em todas essas situações, desde o início do processo o débito cardíaco fica bastante reduzido. Cerca de 20% dos pacientes com choque cardiogênico causado por infarto do miocárdio desenvolvem síndrome da resposta inflamatória sistêmica.
Choque hipovolêmico 
ocorre quando há perda súbita de quantidade significativa de líquidos do organismo, podendo ser provocado por sangramento intenso (traumatismos, cirurgias, ruptura de vasos calibrosos), perda de plasma (queimaduras extensas) ou desidratação (diarreia profusa, calor excessivo).
No choque por hemorragia, há também aumento da síntese de NO, que causa vasodilatação e diminuição da função contrátil do miocárdio.
Choque séptico:
Mecanismo: vasodilatação periférica.
Provocado sobretudo por infecções por bactérias Gram-negativas produtoras de endotoxinas (lipopolissacarídeos) e, menos frequentemente, por bactérias Gram-positivas, fungos e outras toxinas bacterianas.
Nesses casos, ocorre liberação de vários mediadores químicos, podendo ocorrer ativação generalizada de leucócitos, condição conhecida como síndrome de resposta inflamatória sistêmica. A SIRS consiste em uma reação exagerada do organismo a uma agressão intensa, como infecções ou doença grave sem participação de microrganismos.
Choque anafilático:
Mecanismo: hipersensibilidade por IgE
Causas: alergias
resulta de uma reação antígeno-anticorpo mediada por IgE na superfície de mastócitos e basófilos. A fisiopatologia e as manifestações clínicas da anafilaxia podem ser compreendidas pela localização dos mastócitos e basófilos em diferentes órgãos e territórios. O efeito mais grave das substâncias liberadas é dilatação de grande número de vasos na microcirculação, o que resulta em queda da pressão arterial e do retorno venoso ao coração. Choque anafilático pode surgir poucos minutos após contato com o antígeno desencadeante.
Choque neurogênico:
Mecanismo: vasodilatação periférica por perda do tônus vascular.
É menos frequente e caracteriza-se por desregulação neurogênica que resulta em redução do tônus de artérias e veias, queda na resistência vascular periférica e diminuição do retorno venoso ao coração. As principais causas são afecções agudas do sistema nervoso central, sobretudo traumatismos, sangramento ou insolação.Estágios do choque:
1° precoce (compensado)
2° progressivo (descompensado)
3° irreversível (com lesões teciduais francas) 
FORMAS HEMODINÂMICAS:
De acordo com o comportamento hemodinâmico dos pacientes, o choque pode apresentar-se nas formas descritas a seguir:
Forma hiperdinâmica: encontrada no início do choque séptico-tóxico, no qual inicialmente não há transtorno na macrocirculação. Em resposta à vasodilatação inicial, o organismo procura adaptar-se mediante ativação dos sistemas adrenérgico e renina-angiotensina-aldosterona. Com isso, há taquicardia e retenção de líquidos pelos rins, tudo na tentativa de manter o equilíbrio hemodinâmico e de garantir o fluxo sanguíneo ao cérebro e ao coração. No início, a pressão arterial não está muito alterada.
Se a causa do choque não for eliminada, esses mecanismos adaptativos se esgotam e o paciente entra na forma hipodinâmica.
Forma hipodinâmica: Pode existir desde o início do choque ou suceder à forma hiperdinâmica quando o débito cardíaco cai. Pode apresentar-se de duas maneiras: 
(1) fase compensada (reversível). No período inicial, exceto no choque septicotóxico, há queda da pressão arterial e do débito cardíaco, por causa da redução da volemia e/ou do retorno venoso sistêmico.
(2) fase descompensada (irreversível). Na fase de descompensação, existe intensa hipoperfusão em vários órgãos, o que, em associação com eventuais toxinas provenientes do tubo digestivo (translocação bacteriana), lesa células parenquimatosas e culmina na chamada síndrome de falência de múltiplos órgãos. 
Obs: A pressão arterial cai mais ainda, o pulso aumenta e surgem dificuldade respiratória, acidose metabólica e diminuição da função renal (oligúria ou anúria). Na fase irreversível da descompensação, o quadro agrava-se em um círculo vicioso, com falência de vários órgãos, perda da consciência e morte.
Mediante controle adequado da sua causa (p. ex., septicemia) e dos transtornos circulatórios e metabólicos, o choque pode ser revertido até em fase aparentemente terminal. A letalidade é alta no choque cardiogênico (80 a 90%) e no choque séptico (cerca de 50%), por causa da dificuldade de reverter a doença básica: falência cardíaca por destruição do miocárdio, infecções que não respondem ao tratamento, etc...
Choque e consequências
Intestino: necrose da mucosa, podendo atingir a camada muscular (enterocolopatia hemorragics por hipoperfusão esplâncnica) 
Sítios; mais comum no cólon esquerdo e ângulo esplênico.
Rins: podem resultar em necrose tubular aguda
Evolução:
-fase de oligúria (necrose)
- fase diurética (regeneração do epitélio tubular)
Hipófise: necrose isquêmica da adenohipófise.
Consequências -> insuficiência hipofisária (síndrome de Sheehan -> gestação) 
· Gestantes tem aumento no volume da glândula hipófise (maior área para ser vascularizada), no parto há perda sanguínea e a glândula precisa de sangue, pode ocorrer necrose isquêmica por causa da quantidade insuficiente de sangue para a glândula (perda sanguínea + hipófise hipertrofiada), pode gerar consequências depois em relação aos hormônios secretados (Síndrome de Sheehan)
A Síndrome de Sheehan consiste em um quadro de hipopituitarismo provocado por uma necrose hipofisária, normalmente secundária a hipotensão ou choque, que tem como causa uma hemorragia extensa durante ou logo após o parto
Coração: hemorragias subendocárdicas e subepicárdicas
Necroses focais de fibras
Cérebro: encefalopatia isquêmica (hipóxica)
INFARTO 
INFARTO VENOSO: aspecto de margens lavadas 
INFARTO ARTERIAL: margens abruptas, começa “do nada” e termina “do nada” 
➢ Pode-se diferenciar também por cateterismo ou por Doppler 
Causas: 
• Oclusão Arterial 
• Oclusão Venosa 
Observação: a oclusão vascular é geralmente causada por importante trombose e/ou embolia
Infarto consiste em uma área circunscrita de necrose tecidual causada por isquemia absoluta prolongada por obstrução arterial ou venosa. Quando prolongada, a isquemia resulta em consumo da reserva energética na área afetada, provocando necrose tanto das células parenquimatosas como das estromais. O infarto pode ser branco ou vermelho.
Tipos de infarto:
Infarto branco. Infartos brancos ocorrem quando há obstrução arterial em órgãos sólidos com circulação terminal (com pouca ou nenhuma circulação colateral); são encontrados tipicamente no coração, no baço e nos rins. Miocárdio pu região afetada, ficam com aspecto pálido.
Infarto vermelho. É aquele em que a região atingida tem coloração avermelhada por causa da intensa hemorragia que se forma na área de necrose. É encontrado em órgãos frouxos (p. ex., pulmão) e naqueles com irrigação dupla ou com rica circulação colateral. Pode ser causado por obstrução arterial ou venosa. Ficam com formato triangular no órgão
Por obstrução arterial, infarto vermelho é encontrado em duas situações: 
(1) órgão com irrigação dupla ou com anastomoses, como ocorre nos pulmões e no intestino. A obstrução de uma artéria resulta em isquemia e necrose tecidual, inclusive de pequenos vasos. O sangue que chega pela outra artéria ou por ramos anastomóticos extravasa e mistura-se com os tecidos em necrose, dando o aspecto hemorrágico.
(2) oclusão de uma artéria por trombo ou êmbolo, produzindo um infarto branco. Por lise do trombo ou êmbolo, há desobstrução do vaso e inundação por sangue da área necrótica.
por obstrução venosa: Oclusão total da drenagem venosa. Obstrução venosa faz com que ocorra aumento da pressão tissular, ocorre hemorragia por diapedese no interstício (coloração vermelho), a hemorragia aumenta a congestão do edema e consequentemente ocorre isquemia e infarto.
(1) trombose, como nos seios venosos da dura-máter, em veias mesentéricas etc.; 
(2) compressão de pedículo vascular.
(3) torção de pedículo vascular, como acontece na torção do testículo
obs: Em todos esses casos, como a drenagem do sangue fica bloqueada, o fluxo na microcirculação também se interrompe. Com isso, há necrose isquêmica e inundação por sangue da área necrosada; é por essa razão que todos os infartos por obstrução venosa são vermelhos.
Assépticos (sem microrganismos patogênicos) 
Sépticos (com agentes de microbiota, presença de infecção) → + grave 
• Isquemia com rombo micótico (êmbolo infectado) ou infecção atinge a área necrótica por outras vias (sepse ou contiguidade) 
OBS: a infecção bacteriana secundária converte a necrose para a forma liquefativa ou gangrena
Infarto crescente:
Em geral, toda área desprovida de irrigação sanguínea entra em necrose simultaneamente. No cérebro e no coração, porém, ocorre um fenômeno particular: crescimento do infarto.
No cérebro, na periferia da área de necrose o tecido nervoso ainda permanece vivo por causa da perfusão mínima local (penumbra isquêmica), mas corre o risco de sofrer necrose caso não haja reperfusão dentro de algumas horas.
No miocárdio, ocorre algo semelhante. Como a região subendocárdica é a mais vulnerável à isquemia, após oclusão coronariana a necrose inicia-se nesse local e propaga-se, como onda, em direção ao epicárdio. O conhecimento desse fenômeno tem importância prática, pois o tratamento com reperfusão feito nas primeiras horas após isquemia pode salvar o miocárdio não necrótico.
Reperfusão 
Em qualquer caso de isquemia, uma medida muito benéfica é a tentativa de restabelecer a circulação comprometida e, assim, evitar a instalação de um infarto ou pelo menos diminuir seu tamanho. A isquemia (redução ou falta de suprimento sanguíneo em determinado órgão ou estrutura), se prolongada, pode provocar a morte do tecido e este fenômeno se denomina infarto. No coração, reperfusão feita dentro de 60 min após oclusão coronariana reduz a mortalidade em 50%.
embora a reabertura dos vasos e a reperfusão do órgão possam salvar os tecidos em isquemia, pode também surgir - paradoxalmente - morte celular decorrente da própria reperfusão, chamada lesão por reperfusão.
A) após poucos segundos de reoxigenação do tecido previamente isquêmico, forma-se grande quantidade de radicais livres, os quais causam peroxidação de lipídeos das membranase inibem as bombas que regulam a homeostase iônica intracelular. 
B) prótons acumulados no espaço intracelular durante a isquemia são trocados por Na+ e Ca++. Acúmulo de Ca++ intracelular pode, nos primeiros segundos de reperfusão, causar hipercontração irreversível de actina e miosina nas miocélulas cardíacas, provocando a chamada necrose em banda de contração.
C) níveis elevados de Ca++, juntamente com radicais livres, podem induzir abertura de poros na membrana mitocondrial interna, o que promove movimentação livre de prótons e inibe a síntese de ATP, resultando em necrose ou apoptose.
Classificação quanto a morfologia da área infartada:
Cuneiformes: ápice voltado para a zona de oclusão vascular 
Fisiopatogenia: resulta da dicotomização (triângulo isósceles) dos vasos nesses órgãos 
Obs: no cérebro e miocárdio a forma usualmente é irregular, dada a complexa vascularização colateral → muitas anastomoses e complexidade de vasos sanguíneos 
INFARTO: área visível macroscopicamente após algumas horas → margem hiperêmica (após alguns dias) → heterólise → reparação fibroblástica → organização (cicatriz) 
No Encéfalo: ocorre uma liquefação rápida → área infartada é absorvida → área cístificada → gliose por astrócitos (reparação típica do SNC) 
➢ O tempo de organização de um infarto é de 6 a 12 semanas (se o indivíduo sobreviver).
Fatores condicionantes do grau da lesão vascular:
1. Estado geral do sangue e sistema cardiovascular (anemia, hipóxia, choque) 
2. Padrão anatômico do suprimento arterial (suprimento único, duplo ou múltiplo) 
3. Velocidade de desenvolvimento da oclusão 
4. Vulnerabilidade do tecido à isquemia (cérebro e rins mais suscetíveis, ossos mais resistentes)

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