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Comunicação Comunicação SENAI-SP - INTRANET Comunicação SENAI-SP, 2004 Trabalho editorado por Meios Educacionais da Gerência de Educação da Diretoria Técnica do SENAI-SP. MATERIAL PARA VALIDAÇÃO SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Regional de São Paulo Av. Paulista, 1313 - Cerqueira César São Paulo - SP CEP 01311-923 Telefone Telefax SENAI on-line (0XX11) 3146-7000 (0XX11) 3146-7230 0800-55-1000 E-mail Home page senai@sp.senai.br http://www.sp.senai.br Comunicação SENAI-SP - INTRANET Sumário O processo de comunicação 5 • Teoria da comunicação 6 • Elementos da Comunicação 6 • Proposta de exercícios 8 • Obstáculo ou ruído à comunicação 9 • Como tornar a comunicação mais eficiente 10 • Algumas “dicas” para facilitar a comunicação interpessoal 12 Intelecção de textos 13 • Uso do dicionário 13 • Parágrafo 16 • Técnicas para intelecção de textos 21 • Propostas de exercícios - intelecção de texto 29 Descrição técnica 33 • Exemplos de descrição técnica 37 • Propostas de exercícios de descrição técnica 43 Estruturas-padrão: documentação técnica e correspondência comercial, segundo normas e padrões de redação oficial 47 • Memorando 48 • Ordem de serviço 49 • Orçamento 50 • Carta comercial 54 • Ficha técnica 56 • Proposta de exercícios - memorando, ordem de serviço, carta comercial, ficha técnica 59 Relatório 63 • Exemplos de relatórios 69 • Proposta para elaboração de relatórios 79 Referências Bibliográficas 81 Comunicação SENAI-SP - INTRANET Comunicação SENAI-SP - INTRANET 5 O processo de comunicação Texto introdutório: A ordem do dia Major para o capitão: - Uma vez que amanhã se dará um eclipse do Sol, determino que a companhia esteja formada em uniforme de campanha, no campo de exercícios, onde darei explicações sobre o raro fenômeno, que não acontece todos os dias. Se chover, nada poderá ser visto. Nesse caso, a companhia ficará de folga dentro do quartel. Faça esta ordem chegar até os soldados pelos canais competentes. Capitão para o tenente: - Por ordem do Sr. Major, haverá um eclipse do Sol no campo de campanha. Se chover, o que não acontece todos os dias, nada poderá ser visto. Nesse caso, o Major, que é um fenômeno raro, dará as explicações necessárias dentro do quartel em uniforme de exercício. Transmita esta ordem ao Sargento. Tenente ao sargento: - O Major fará amanhã um eclipse do Sol em uniforme de campanha. Toda a companhia deverá formar no campo de exercício, onde ele dará as explicações necessárias, o que não acontece todos os dias. Se chover, o fenômeno se dará mesmo dentro do quartel, o que, aliás, é raríssimo. Transmita esta ordem ao Cabo. Sargento ao Cabo: - Amanhã a companhia se formará para receber o Sr. Eclipse do Sol, que dará as explicações necessárias sobre nosso raro Major. O fenômeno sairá do quartel em uniforme de campanha para o campo de exercícios. Isso, se não chover dentro do quartel, o que não acontece todos os dias. Transmita esta ordem aos soldados. Cabo aos Soldados: - Companhia, sentido! Amanhã, o raro major Eclipse dará as explicações necessárias ao Comunicação SENAI-SP - INTRANET6 Sol, em uniforme de campanha, sob a chuva, no campo de exercícios. O fenômeno formará todos os dias em torno do quartel até chover. Companhia, fora de forma! autor: W. J. R. Penteado. Teoria da comunicação O homem, na comunicação, utiliza-se de sinais devidamente organizados, emitindo-os a uma outra pessoa. A palavra falada, a palavra escrita, os desenhos, os sinais de trânsito são alguns exemplos de comunicação, em que alguém transmite uma mensagem a outra pessoa. Há, então, um emissor e um receptor da mensagem. A mensagem é emitida a partir de diversos códigos de comunicação (palavras, gestos, desenhos, sinais de trânsito...). Qualquer mensagem precisa de um meio transmissor, o qual chamamos de canal de comunicação e refere-se a um contexto, a uma situação. Comunicação: processo de transmitir e receber uma mensagem com o objetivo de afetar o comportamento do outro; ação de transmitir uma mensagem e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta; processo que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre uma fonte emissora e um destinatário receptor, no qual as informações, transmitidas por intermédio de recursos físicos (fala, audição, visão etc.) ou de aparelhos e dispositivos técnicos, são codificadas na fonte e decodificadas no destino, com o uso de sistemas convencionados de signos ou símbolos sonoros, escritos, gestuais, iconográficos (desenhos, pinturas, imagens, ilustrações...) etc. Elementos da Comunicação Para qualquer situação de comunicação efetiva são necessários elementos: • Emissor: que emite a mensagem; • Receptor: que recebe a mensagem; • Mensagem: conjunto de informações transmitidas; aquilo que se comunica. • Código: combinação de signos utilizados na transmissão de uma mensagem. A comunicação só se concretizará se o receptor souber decodificar a mensagem; o código deve, portanto, ser comum para emissor e receptor. Exemplos de códigos: idiomas, sinais, gestos, desenhos... Comunicação SENAI-SP - INTRANET 7 • Canal de comunicação: meio pelo qual a mensagem é transmitida; “por onde” a mensagem é transmitida. Exemplos: TV, rádio, jornal, revista, cordas vocais, ar...; • Contexto: situação a que a mensagem se refere, também chamado de referente. É importante lembrar, ainda, que a comunicação não é estática, ela necessita ser realimentada. Por isso é importante que haja retorno ou resposta (feedback), para que o emissor verifique se sua mensagem foi captada e entendida pelo receptor. Para uma melhor compreensão desses elementos, veja os seguintes exemplos: Exemplo 1 Maria quer contar ao marido que acaba de ganhar na Supersena. Telefona para ele e lhe diz: “Querido, acabamos de ganhar na Supersena”. Emissor: Maria Receptor: Marido Contexto ou referente: O prêmio na loteria Supersena Mensagem: “Querido, acabamos de ganhar na Supersena” Canal: Telefone Código: Língua portuguesa, falada Exemplo 2 Emissor: Companhia de Engenharia de Tráfego - CET Receptor: motoristas Mensagem: Proibido estacionar ou Estacionamento proibido Canal: placa de sinalização Código: sinais convencionais de trânsito Lembrete: Informar é diferente de Comunicar Informar = dar informação a alguém. Comunicar = tornar algo comum, fazer se entender, provocar. Comunicação SENAI-SP - INTRANET8 Proposta de exercícios Identifique os elementos de comunicação nos textos abaixo. 1. Sr. Rodrigues pediu ao Pedrinho: - Vá, por favor, até o centro da cidade e entregue esta carta na Loja Marisa da Rua Direita. 2. “ Bom dia senhores ouvintes! Aqui é o locutor da sua Rádio X. Informamos que ontem o dólar chegou ao patamar dos R$ 4,00.” 3. Alô, Sr. Gilberto. Quem fala é o Adalberto. - Fala, Adalberto. Quais são as novidades? - As novidades são boas. Consegui fechar aquele contrato com a empresa de construção civil que o Senhor queria. - Que ótimo. Vamos, então, dar prosseguimento ao processo. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 9 Obstáculo ou ruído à comunicação Consideramos obstáculo (barreira) ou ruído à comunicação qualquer fator interno ou externo ao processo da comunicação que interfere nesse processo, deturpando, dificultando ou impedindo a comunicação humana. O obstáculo pode ocorrer em um ou mais dos elementos que compõem o processo da comunicação. • Identifique, nos quadrinhos acima, em qual dos elementos se deu o ruído ou obstáculo à comunicação: Comunicação SENAI-SP - INTRANET10 1. ___________________________________ 2. ___________________________________ 3. ___________________________________ 4. ___________________________________ Como tornar a comunicação mais eficiente Sintonizar com o receptor O primeiro cuidado a ser tomado numa comunicação consiste em procurar saber com quem se fala, devido às diferenças existentes: formação profissional, nível de linguagem, conhecimentos e interessesdas partes (emissor e receptor). A sugestão é que o emissor, antes de iniciar a comunicação, procure saber: - Quais são os conhecimentos do receptor em relação ao assunto a ser abordado? - Qual o seu nível de linguagem? - Qual o seu grau de interesse? Ouvir A qualidade da comunicação tem uma relação direta com a atitude de ouvir, que não é espontânea nem fácil. Escutar é um processo neurofisiológico; independe da vontade... Ouvir envolve aspectos intelectuais e emocionais. Significa não se distrair enquanto o interlocutor fala, não avaliar ou interpretar o que está sendo dito, não ficar pensando na resposta a ser dada, antes de ouvir tudo o que o outro tem a dizer. O bom ouvinte: tira proveito da rapidez do pensamento e reflete sobre o que está ouvindo sem interromper quem fala. Além disso, adquire prestígio de seu interlocutor, conquista a simpatia de todos, economiza tempo, previne mal-entendidos; enfim, faz empatia, sabe lidar com compreensão diante das opiniões e posições daquele com quem fala. O mau ouvinte: torna-se logo impaciente, desatento, prejudicando a conversa; interrompe, com freqüência, o diálogo. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 11 A natureza nos deu dois ouvidos e uma boca. Isso significa, então, que devemos falar menos e ouvir mais. Portanto: - concentre-se na conversa para poder ouvir. Não se distraia; - é preciso “ouvir nas entrelinhas”, isto é, prestar atenção no tom e volume de voz, expressões faciais, gestos, considerar o contexto, etc. Uma questão para refletir: analisando suas atitudes numa relação que envolve a comunicação, você escuta ou ouve as pessoas? • Provocar realimentação ou retroinformação (feedback): Como já foi mencionado, a realimentação – feedback – é muito importante no processo de comunicação, pois indica o nível de compreensão que o receptor teve da mensagem transmitida. É o “retorno que vem do receptor” em relação ao que o emissor transmitiu. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa “informação que o emissor obtém da reação do receptor à sua mensagem, e que serve para avaliar os resultados da transmissão” . Por isso, a pessoa interessada em se comunicar deve procurar obter do receptor a realimentação (ou o feedback) da mensagem. Nem sempre o questionamento é a melhor maneira de identificar o entendimento da mensagem. O emissor, também, deve estar atento à expressão corporal do receptor, pois mediante a análise dos gestos, da inclinação do corpo, do movimento dos músculos da face e de muitos outros elementos torna-se possível identificar em que medida a mensagem está interessando ou sendo compreendida. • Exprimir-se: Existem alguns cuidados que devem ser tomados para que uma pessoa possa exprimir o que deseja a outra pessoa: - Voz: precisa estar ajustada ao local e ao número de pessoas a quem deseja comunicar a mensagem. - Gestos: as pessoas não se comunicam apenas pela voz ou pela escrita. Por isso, ao se comunicar para um grupo, convém cuidar também dos gestos, para que a comunicação seja harmoniosa. - Silêncio: um breve período de silêncio poderá auxiliar o receptor a refletir sobre o que ouviu e exprimir-se, caso ache necessário. - Linguagem: utilizar termos claros e precisos. Comunicação SENAI-SP - INTRANET12 Algumas “dicas” para facilitar a comunicação interpessoal: 1. Ouvir atenta e ativamente o outro, lembrando-se que ouvir é mais que escutar; 2. Demonstrar respeito e aceitação, mesmo que haja dificuldades entre o emissor e o receptor. É essencial para a comunicação que haja um objetivo comum entre ambos; 3. Tentar estabelecer empatia com o interlocutor: Deve ser dada ênfase ao processo de comunicação, não à pessoa do emissor; Empatia: colocar-se na situação do outro (tendência para sentir o que sentiria caso estivesse na situação ou circunstâncias experimentadas ou vividas por outra pessoa); 4. Formular perguntas: elas ajudam a dar feedback ao emissor; 5. Centrar-se na comunicação, evitando emitir julgamentos ou juízos precipitados. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 13 Intelecção de textos Uso do dicionário A habilidade de compreender as idéias expressas em um texto pode ser desenvolvida e apreendida por meio de um método, uma técnica própria para a intelecção de textos. Assim sendo, esse é o conteúdo que vamos estudar nessa apostila. Porém, para o desenvolvimento da habilidade de interpretar textos é importante conhecer sobre Uso do Dicionário e Parágrafo. Para que usar o dicionário? Ele pode nos auxiliar na compreensão das palavras, pois esclarece o seu significado e, em geral, apresenta os seus sinônimos. Pode nos auxiliar, também, na verificação da ortografia ou da pronúncia correta de palavras que nos deixam em dúvida. A seguir, você vai encontrar a reprodução de uma página do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, editado pela FENAME (Fundação Nacional do Material Escolar) e organizado por Francisco da Silveira Bueno. Observe a disposição das palavras em ordem alfabética. Comunicação SENAI-SP - INTRANET14 Esta organização do dicionário facilita a localização da palavra procurada. E, para facilitar ainda mais, no alto de cada página, aparecem as palavras-guia. Observe-as na página reproduzida: mal-humorado e malta. Essas palavras referem-se à primeira e à última da página. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 15 Assim, se quisermos procurar o significado ou um sinônimo de malquisto, saberemos que essa palavra se encontra nessa página, pois, pela ordem alfabética, vem depois de mal-humorado e antes de malta. A palavra malvisto, no entanto, deve ser procurada nas páginas seguintes, pois vem depois de malta, que é a última da página. E as palavras maliciosa e maliciosamente? Por que não aparecem aí? Elas deveriam estar nessa página. Muitas palavras da nossa Língua sofrem alterações ou modificações na sua forma. Veja: pássaro cadáver infinito pássaros cadáveres infinita jazer querer despertar jazia quisessem despertasse pequeno gracioso vivo pequenino graciosíssimo vivamente As formas modificadas não aparecem nos dicionários. Sendo assim, palavras como essas devem ser procuradas na forma não modificada. Observe novamente a página de dicionário reproduzida e veja que as palavras são acompanhadas de abreviaturas: adj., s. f., pl., v. t. etc. No início do dicionário, há uma lista onde você poderá encontrar o seu significado. Talvez você não entenda algumas delas, pois se referem a conhecimentos muito específicos, conhecimentos da lingüística que é a ciência da linguagem. Mas é importante ir se familiarizando com elas. Se você observar, ainda, a palavra malicioso, vai notar que ela vem acompanhada pela indicação (ô), mostrando a pronúncia fechada dessa letra no meio da palavra. A mesma palavra pode apresentar mais de um significado. Observe os vários significados de misericórdia, separados por ponto-e-vírgula. MISERICÓRDIA, s. f. Compaixão despertada pela miséria alheia; perdão; instituição de piedade e caridade; (ant.) punhal que os cavaleiros traziam do lado direito e com que matavam o adversário derribado, se este não pedia misericórdia; interj. grito de quem pede compaixão. Comunicação SENAI-SP - INTRANET16 Em alguns dicionários, os diferentes significados de uma palavra vêm numerados. Veja um exemplo do Novo Dicionário Aurélio: MISERICÓRDIA, [Do lat. misericórdia]S.f. 1. Compaixão despertada pela miséria alheia. 2. Indulgência, graça, perdão. 3. V. santa casa 4. Punhal que os cavaleiros traziam do lado direito e com que matavam o adversário derribado, a menos que este pedisse misericórdia. . Interj. 5. Grito de quem pede compaixão, piedade ou socorro. Importante: Quando há mais de um significado para a palavra, é preciso, portanto, escolher o mais apropriado ao sentido da frase em que ela foi usada. Parágrafo Parágrafo é uma unidade de texto escrito, constituído por um ou mais períodos. Podem (não necessariamente) ser identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à margemesquerda da folha. Possuem extensão variada: há parágrafos longos e parágrafos curtos, mas o que vai determinar sua extensão é a coerência e a uniformidade temática (assunto), já que cada idéia exposta deve corresponder a um parágrafo. 1. Estrutura do parágrafo Sua estrutura é composta por: • Uma idéia central ou nuclear = IDÉIA PRINCIPAL. • Uma ou mais idéias que se originam da principal, juntam-se a ela e relacionam-se pelo sentido que mantêm entre si e com a principal = IDÉIAS SECUNDÁRIAS. Você já deve ter ouvido as expressões: “Mudar de parágrafo? ... é no mesmo parágrafo? Outro parágrafo...” Pois bem, agora você já sabe: o que caracteriza um parágrafo é a coerência, a relação e a uniformidade entre a idéia principal e as idéias secundárias. Portanto, “mudando a idéia principal, e conseqüentemente as idéias secundárias, muda-se de parágrafo.” Comunicação SENAI-SP - INTRANET 17 Resumindo: • IDÉIA PRINCIPAL - enunciado, exposição, declaração cuja idéia expressa o assunto geral. É a idéia principal que define ou determina como será o parágrafo, ou seja, define o objetivo do parágrafo, define qual o assunto que será desenvolvido. Geralmente, a idéia principal inicia o parágrafo, mas, dependendo do estilo do autor ou do próprio texto, ela pode estar no meio ou no final do parágrafo. • IDÉIAS SECUNDÁRIAS - são as idéias que explicam, detalham, esclarecem, justificam, expõem os pormenores e as particularidades, fundamentam, comprovam o que foi declarado, ou exposto, ou expresso na idéia principal. Definem a coerência, a relação e a uniformidade do assunto entre elas e a idéia principal. Veja um exemplo de parágrafo: Sérgio é um excelente aluno. Todos os dias, levanta-se às sete horas, / faz suas lições de casa / e estuda as matérias do dia. / Em classe, é atencioso e educado./ Por isso está sempre entre os primeiros em todas as disciplinas./ A declaração “Sérgio é um excelente aluno.” é a idéia central - idéia principal. As demais idéias, todas elas referem-se à declaração inicial, comprovam, justificam, são coerentes e têm relação entre si e com a idéia principal. Portanto, isso é um parágrafo. Agora, observe esse outro exemplo: Sérgio é um excelente aluno. Todos os dias, levanta-se às sete horas, / faz suas lições de casa / e estuda as matérias do dia. / Em classe, é atencioso e educado./ Por isso está sempre entre os primeiros em todas as disciplinas./ Em casa, ajuda sua mãe nos afazeres domésticos./ A última idéia secundária colocada não está coerente com a declaração inicial, pois o fato de ele ajudar sua mãe não se relaciona com o fato de ele ser um excelente aluno. Portanto, podemos tirá-la do texto, para mantermos a coerência, a clareza e a correta estrutura e unidade do parágrafo. No entanto, se mudássemos a idéia principal para “Sérgio é um excelente garoto.”, essa última idéia, juntamente com as demais, poderia ser mantida, pois estaria coerente com a declaração inicial. Comunicação SENAI-SP - INTRANET18 Uma outra possibilidade para mantermos o parágrafo coerente seria acrescentarmos a seguinte idéia: Sérgio é um excelente aluno. Todos os dias, levanta-se às sete horas, / faz suas lições de casa / e estuda as matérias do dia. / Em classe, é atencioso e educado./ Por isso está sempre entre os primeiros em todas as disciplinas./ Além de tudo isso, é um filho exemplar / e sempre ajuda sua mãe quando ela está muito atarefada./ Isso significa que quem escreve pode tornar o texto mais claro e coerente, dependendo da forma como estrutura os parágrafos. 2. Tipos de parágrafos Os parágrafos podem ser: Descritivo Apresenta as características de um objeto, de uma pessoa, de um ambiente ou paisagem, de um processo. No parágrafo descritivo há a predominância da apresentação de detalhes; o objetivo é transmitir ao leitor “o retrato” daquilo que está sendo descrito. Vejamos um exemplo de parágrafo descritivo: Sua estatura era alta e seu corpo, esbelto. A pele morena refletia o sol dos trópicos. Os olhos negros e amendoados espalhavam a luz interior de sua alegria de viver e jovialidade. Os traços bem desenhados compunham uma fisionomia calma, que mais parecia uma pintura. Narrativo Caracteriza-se pelo fato e pela ação. No parágrafo narrativo há o predomínio dos verbos de ação que se referem a personagens e as indicações de circunstâncias relativas ao fato: onde ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc. Resumindo, o parágrafo (ou texto) narrativo apresenta um ou mais fatos que ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certas personagens. Veja um exemplo: Em uma noite chuvosa do mês de agosto, Paulo e o irmão caminhavam pela rua mal- iluminada que conduzia à sua residência. Subitamente foram abordados por um Comunicação SENAI-SP - INTRANET 19 homem estranho. Pararam, atemorizados, e tentaram saber o que o homem queria, receosos de que se tratasse de um assalto. Era, entretanto, somente um bêbado que tentava encontrar, com dificuldade, o caminho de sua casa. Note que nesse texto há uma seqüência, os fatos se sucedem; são fatos que ocorrem em uma seqüência, desencadeando modificações, atuando sobre os personagens, transformando e dando corpo à história. Dissertativo Caracteriza-se pela defesa de uma idéia, de um ponto de vista ou pelo questionamento sobre um determinado assunto. No parágrafo dissertativo são expostas idéias, seguidas da apresentação de argumentos que as comprovem. Nesse tipo de texto, o objetivo é argumentar e defender determinado ponto de vista, interpretar e analisar, expressar uma opinião. Então, vejamos um exemplo de dissertação: “A ditadura Militar, fez muito mal ao país, mergulhou-nos em uma repressão sem precedentes, instalou a censura e impediu o avanço cultural do nosso povo durante vinte longos anos. Não bastasse isso, ainda torturou, matou e mutilou pessoas em nome da Segurança Nacional ...“ Esse texto propõe-se a analisar e expor o ponto de vista do autor sobre o período da Ditadura Militar no Brasil. Nesse caso, o autor expressa sua opinião quando diz que “A ditadura militar fez muito mal ao país...”, esse é o ponto de vista do escritor. Se perguntássemos a um general, talvez sua avaliação não fosse a mesma. Provavelmente ele não diria que a ditadura foi ruim ao país, ou, se dissesse, faria de uma outra maneira, menos agressiva, mais sutil. Pois é, quando isso ocorre, temos um texto em que o argumento é predominante, portanto, temos um texto dissertativo. É importante destacar que, embora haja essa classificação para os tipos de parágrafo, num mesmo parágrafo ou num mesmo texto composto por vários parágrafos poderão estar presentes as características de mais de um tipo; porém, sempre há a predominância de características de um dos três tipos. Comunicação SENAI-SP - INTRANET20 3. Exemplos de parágrafos Parágrafos Narrativos Gilda entra em casa depois de um exaustivo dia de trabalho. Encontra Fernandinho, seu filho de três anos, sentado no sofá, cabisbaixo e zangado. Ela sorri, como todos os dias, mas o garoto não se move. Diante disso, a mulher não diz nada. Apenas o abraça, esperando o momento adequado de perguntar o que havia acontecido. Na vila, o domingo era um dia importante. O sino da igreja tocava, chamando para a missa; as crianças, livres da escola, corriam pela pracinha. Das estradas apareciam sitiantes a cavalo; até algum rádio tocava mais alto. Ontem foi um dia de alegria e tristezas! A interrupção da energia elétrica e o dilúvio que caiu sobre nossa cidade obrigaram a diretora a suspender as aulas. Ficamos felizes por isso. No entanto, a felicidade durou pouco. A chuva causou vários danos em muitas casas e alguns colegas ficaram desabrigados. Hoje tudo voltou ao normal: temos luz, não choveu e meus colegas já voltaram para suas casas. Por que mamãe estava tão triste? Depois de observar cada uma das suas atitudes, arriscando, ainda, uma e outra pergunta com a displicência de um curioso comum, cheguei a uma ameaçadoraconclusão. Compreendi, com pesar, porque a pessoa que sempre resolvia todos os problemas caseiros (os nossos e os dela que ficavam sempre para uma segunda oportunidade) de maneira lúcida e sem lamentações, agia, agora, de modo tão diferente: papai estava prestes a perder o emprego. Parágrafos descritivos O cabelo, em falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima do rosto, envesgando os olhos, roçando na boca. A pele, empretecida como uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriam. A aparência da mulher de Chico Bento causava pena. (Adaptado - Rachel de Queiroz - O Quinze) No rancho azul e branco havia passistas vestidos à Luís XV e sua porta-estandarte de peruca prateada em forma de pirâmide, os cachos desabados na testa, a cauda do vestido de cetim arrastando-se enxovalhada pelo asfalto. O negro do bumbo fez uma profunda reverência diante das duas mulheres debruçadas na janela e prosseguiu com seu chapéu de três bicos, fazendo flutuar a capa encharcada de suor. (Lígia F. Telles - Antes do Baile Verde) Comunicação SENAI-SP - INTRANET 21 A roça fazia-me lembrar meu pai: um homem forte, de cabelos crespos, dente de ouro bem na frente; quando não estava bêbado, o olhar era limpo e tinha um jeito aprumado de jogador de futebol... Parágrafos dissertativos A colocação dos artigos na prateleira é matematicamente calculada. Os que têm saída certa ficam embaixo. Os de venda difícil são colocados à altura dos olhos. Dos olhos e principalmente das mãos. E há ainda as embalagens, feitas de forma a atrair o consumidor. Tem muita gente que só compra pela embalagem. E tem gente que faz ainda pior. Só come a embalagem. Para as crianças o computador é um desafio fascinante, excitante e divertido. Seja pelo raciocínio lógico, seja pela ausência de preconceitos ou inibições, elas aprendem com muito mais facilidade que os adultos, para os quais o computador é um "bicho de sete cabeças". Por isso, o computador torna-se um precioso auxiliar no aprendizado escolar. Agora, com essas informações sobre uso do dicionário, estrutura e tipos de parágrafo, já podemos estudar algumas técnicas de intelecção de textos. Técnicas de intelecção de textos. A. Introdução • Intelecção: ato de entender, compreender; • Compreender: perceber ou alcançar as intenções ou o sentido de; entender; • Entender: ter idéia clara de, compreender, perceber; deduzir, concluir, depreender; interpretar; alcançar a significação, o sentido, a idéia de. • Interpretação: ato ou efeito de interpretar. • Interpretar: ajuizar a intenção, o sentido de; explicar, explanar ou aclarar o sentido de uma palavra, um texto, uma lei, etc. A todo momento, estamos diante de situações em que precisamos interpretar textos. Essa necessidade se dá nos mais diversos contextos de nosso dia-a-dia, pois os Comunicação SENAI-SP - INTRANET22 “textos e contextos” podem estar presentes nas mais diferentes formas de comunicação: num livro escolar ou num romance, numa notícia de jornal, numa propaganda, num catálogo de um produto qualquer, numa instrução de serviço, nos diálogos e imagens de um filme ou novela, numa questão de prova de seleção, num programa jornalístico ou de entrevistas, numa lei, num procedimento que precisamos cumprir, numa instrução de trânsito, numa bula de remédio, enfim, o texto é parte de nossas vidas. B. Técnica para intelecção de textos A seguir, propomos uma técnica para interpretar textos. Para aplicação dessa técnica há um roteiro e ela está fundamentada, basicamente, na: • Análise textual - que se refere à estrutura do texto, • Análise temática - que se refere ao tema, ao assunto, às idéias expressas no texto. Isso significa que a análise é feita sempre sobre esses dois aspectos: o da estrutura e o das idéias. Você vai perceber que nessa proposta não há “perguntas sobre o texto”, nem questões com espaços” para serem preenchidos, pois o objetivo é que você, ao precisar compreender um assunto, “faça as suas próprias perguntas” e analise o texto como um todo. Quando você for elaborar um texto, pense também nesses aspectos que você utiliza para entender um texto; ou seja, para redigir é preciso considerar que “todo texto tem uma estrutura e um assunto”. Esse roteiro e a habilidade de analisar (e elaborar) textos poderão ser aplicados sempre que houver a necessidade de interpretar e ou resumir, seja um texto técnico, literário, informativo, jornalístico, didático... C. Roteiro para Intelecção de Textos 1. Leia o texto para obter uma visão global, para “se inteirar do assunto”. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 23 2. Faça uma segunda leitura, agora com o objetivo de identificar palavras e expressões desconhecidas, termos fundamentais, trechos mais complexos, aspectos importantes, conceitos desconhecidos e ou novos... 3. Elimine as dúvidas levantadas, discutindo com colegas e docentes, consultando dicionários e livros, enfim buscando as mais diversas fontes de consulta e referência. 4. Releia o texto, agora mais atentamente, para obter uma compreensão mais aprofundada. 5. Analise os parágrafos do texto, identificando neles a idéia principal e as idéias secundárias. 6. Analise as relações entre idéias principais e secundárias de cada parágrafo. 7. Analise as relações existentes entre os parágrafos, no que se refere a coerência e seqüência de idéias. Para auxiliá-lo na análise das relações existentes dentro de um mesmo parágrafo e entre os vários parágrafos de um texto, há uma outra “dica”: os conectivos. Conectivos: são palavras ou expressões que servem para estabelecer elos, para criar e estabelecer relações entre as orações que formam os períodos e os parágrafos. Veja alguns conectivos que são utilizados para se estabelecer relações textuais: assim, desse modo, dessa forma, sendo assim; e, ainda; aliás, além do mais, além de tudo, além disso; isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras; mas, porém; embora, ainda que, mesmo que; ou; que, pois, porque, uma vez que, já que, visto que; portanto, logo, por isso; de modo que; se, desde que; como, conforme; quando, antes que, desde que, depois que; a fim de que, para que; à proporção que, à medida que ... por outro lado; Comunicação SENAI-SP - INTRANET24 tendo em vista..; 8. Identifique o assunto do texto. O assunto pode ser identificado a partir da seguinte questão: “De que trata o texto?” A resposta a essa pergunta é o assunto. A partir desse roteiro é possível também fazer um resumo, pois você já tem todas as informações para isso. Resumo: apresentação concisa (breve, resumida) dos pontos relevantes de um texto. Assim sendo, se você fez, por exemplo, uma pesquisa para um “trabalho escolar” ou para “estudar algum assunto” ou para “informar alguém sobre algum assunto”, enfim para obter e registrar informações importantes, esta técnica para entendimento pode ser aplicada e a ela pode ser acrescentado o Resumo do texto. Mais uma “dica”: ao elaborar um resumo, procure: 1. Manter a idéia principal de cada parágrafo; 2. Escolher, entre as secundárias, as mais significativas; 3. Manter a estrutura textual: introdução, desenvolvimento e conclusão; 4. Utilizar, sempre que possível, “suas próprias palavras”. D. Exemplo de Análise de um Texto a partir do Roteiro proposto NOSSAS CIDADES Nossas cidades não são uma selva de asfalto e concreto, / são enormes zoológicos humanos, / onde vivemos em condições que não são naturais para a nossa espécie / e onde corremos perigo também de enlouquecer de tensão, / de adoecermos de civilização, pelo nariz, pela boca, pelos ouvidos. / Você, por exemplo, respira de vinte mil a trinta mil vezes por dia, inspirando, de cada vez, mais ou menos meio litro de ar. / Cerca de trinta por cento desse ar enche trezentos e cinqüenta milhões de minúsculos compartimentos no pulmão, / onde o sangue troca o venenoso dióxido de carbono por oxigênio, / sem o qual a vida é impossível. Nas grandes cidades, o arcontém centenas de toxinas que prejudicam o desenvolvimento normal das células. Os gases que escapam dos veículos a gasolina, por exemplo, impedem a perfeita oxigenação do sangue / e provocam alergias, doenças do coração, câncer. / O monóxido de carbono é assimilado pelos glóbulos vermelhos duzentas vezes mais depressa que o oxigênio. / E o chumbo, derivado do Comunicação SENAI-SP - INTRANET 25 tetraetileno de chumbo, é prejudicial acima de cem milionésimos de grama por metro cúbico de ar, / concentração que já existe em qualquer cidade de tamanho médio, no Brasil. / E a água que bebemos? Os rios, principal fonte de água potável, são usados como canais de esgoto e de despejo. / A vida animal, na maior parte dos rios que abastecem as grandes cidades, já não existe, / porque a vida é impossível, / não está para peixe. / Esse líquido clorado, recuperado, da nossa era higiênica tem muito pouco a ver com a água potável, de nascente, digna de peixe e de homem. / Estações de tratamento, filtros, toda a química disponível não consegue esconder que estamos bebendo um líquido que supre as nossas necessidades vitais, / mas que é chamado água apenas por hábito. / Além de tudo, estamos ficando surdos. Em cada cem cariocas (ou paulistas, ou gaúchos) dez têm problemas de audição e cinco foram vítimas da poluição sonora. / Hoje em dia há duas vezes mais pessoas surdas que há dez anos, / e a gente da cidade só ouve sons a partir de 30 decibéis, 10 na melhor hipótese, / enquanto o homem do campo ouve ruídos até de 1 decibel. / Dor de cabeça, fadiga excessiva, nervosismo, distúrbios de equilíbrio, afecções cardíacas e vasculares, anemias, úlceras de estômago, distúrbios gastrintestinais, neuroses, distúrbios glandulares, curtos-circuitos nervosos, tudo isso pode ser provocado pelo barulho das grandes cidades. E nem é preciso que seja barulho excessivo, / porque, na maior parte das vezes, ele já é incômodo e contínuo. / Enjaulados, / enquanto não fizermos desse zoológico um jardim mais verde, mais limpo, mais saudável, menos neurótico /, a única solução é sairmos de vez em quando / para respirar ar puro, / beber água de verdade, / ouvir o silêncio, / sentir os cheiros da vida / e reconquistar a tranqüilidade perdida. / LOBO, Luís. In Turismo em Foco. Ano IV, nº 19, p. 19. Exemplo da Análise feita: 1. Leia o texto para obter uma visão global, para “se inteirar do assunto”. 2. Faça uma segunda leitura, agora com o objetivo de: identificar palavras e expressões desconhecidas, termos fundamentais, trechos mais complexos, aspectos importantes, conceitos desconhecidos e/ou novos... Comunicação SENAI-SP - INTRANET26 3. Elimine as dúvidas levantadas, discutindo com colegas e docentes, consultando dicionários e livros, enfim buscando as mais diversas fontes de consulta e referência. Palavras e expressões em negrito: • enlouquecer de tensão: não suportar a pressão e as tensões provocadas pelo modo de vida da cidade grande. • adoecermos de civilização: os avanços de uma vida moderna, que poderiam trazer benefícios ao homem, acabam por prejudicá-lo a ponto de provocar doenças. • dióxido: composto químico; dióxido de carbono - gás carbônico. • toxina: substância venenosa. • monóxido: óxido com um só átomo de oxigênio; monóxido de carbono - substância gasosa muito tóxica, formada na combustão incompleta de compostos orgânicos e presente, por exemplo, nos gases de escapamento dos motores a explosão e na fumaça do cigarro. • tetraetileno: etileno ou eteno-hidrocarboneto não-saturado, gasoso, incolor tetraetileno - lembram-se de tetracampeão? 4 vezes campeão; então, podemos concluir que tetraetileno é um gás que contém 4 moléculas de etileno. Essa informação, para o entendimento do texto, já nos basta; não há necessidade de aprofundarmos “na química” nesse momento. • “não está para peixe”: há uma expressão que diz “o mar não está para peixe” que significa que algo não vai bem, que a situação está difícil, complicada, não está favorável. • era higiênica: é uma forma irônica de referir-se ao fato de termos hoje tantos marcas e tipos de produtos “biodegradáveis” utilizados para limpeza, de haver tanta preocupação em não poluir ou “despoluir” os rios e, no entanto, o que vemos é o meio ambiente cada vez mais agredido e descuidado, principalmente os rios e mares • supre: de acordo com as regras de “consulta a dicionário”, temos que procurar o verbo no infinitivo, não conjugado, que é suprir: preencher - então, supre: preenche, satisfaz. • cariocas (ou paulistas, ou gaúchos): refere-se às grandes capitais do país. • decibéis: de acordo com as regras de “consulta a dicionário”, temos que procurar a palavra no singular, que é decibel: unidade de medida da intensidade do som; a décima parte do bel. É o som mais fraco audível pelo ouvido humano. O âmbito dos sons perceptíveis pelo ouvido humano é de cerca de 130 decibéis. Bel - tem origem no nome de Alexander Graham Bell, inventor do telefone. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 27 • distúrbio: perturbação. • afecção: doença, enfermidade. • vasculares: vascular - relativo ou pertencente aos vasos e particularmente aos vasos sangüíneos. • curtos-circuitos nervosos: - curto-circuito: contato entre fios de um mesmo circuito, com produção de calor, que pode pôr em perigo a instalação ou o respectivo aparelho, ou causar incêndio se o circuito não for interrompido por fusíveis. No texto a expressão está em linguagem figurada, significando que o sistema emocional e nervoso pode estar ameaçado, a pessoa pode ficar sem controle sobre as emoções e sentimentos, ou seja o estresse, a pressão e o barulho das grandes cidades pode “pôr em perigo o sistema nervoso, que controla nossas emoções e atitudes”. • ouvir o silêncio: linguagem figurada com o significado de “desfrutar, ou curtir o silêncio”, livrar-se da poluição sonora. • sentir os cheiros da vida: linguagem figurada, com o significado de estar num lugar sem poluição do ar, onde não há odores prejudiciais à saúde, onde os cheiros são puros, vêm da natureza e não das fumaças de chaminés e escapamento de carros. 4. Releia o texto, agora mais atentamente, para obter uma compreensão mais aprofundada. 5. Analise os parágrafos do texto, identificando neles a idéia principal e as idéias secundárias. • Idéias principais - estão sublinhadas; • Idéias secundárias - estão separadas por barras (/). 6. Analise as relações entre idéias principais e secundárias de cada parágrafo. • 1º§ - na idéia principal, o autor faz uma afirmação: que as cidades são selvas de asfalto e concreto, são zoológicos humanos... − todas as secundárias estão explicando, esclarecendo, justificando, comprovando a declaração feita por ele. • 2º§ - na idéia principal, o autor declara que o ar, nas grandes cidades, contém elementos tóxicos que prejudicam a saúde do homem. - todas as idéias secundárias desse parágrafo estão explicando, justificando, esclarecendo a afirmação sobre o ar. • Nos 3º, 4º e 5º parágrafos - podemos concluir que: há uma idéia principal e que as secundárias explicam, justificam, esclarecem, enfim, estão todas relacionadas às respectivas principais. • No 6º§ o autor declara que já que estamos enjaulados, a única solução é sairmos de vez em quando. Comunicação SENAI-SP - INTRANET28 - as secundárias utilizadas por ele explicam porque ele fez a proposta de sair: para respirar ar puro, beber água de verdade, estar num lugar sem barulho... Conclui-se, então, que essas idéias mantêm relação com a sua principal. 7. Analise as relações existentes entre os parágrafos, no que se refere a coerência e seqüência de idéias. • No 1º§ faz uma afirmação sobre as condições de vida ruins das grandes cidades e a justifica com secundárias que expressam porque a vida nessas cidades é ruim e que conseqüências isso tem na vida humana: as pessoas podem contrair doenças por causa do alto nível de tensão, por causa dos avanços ocorridos pela “civilização ou modernidade”,pelo nariz, pela boca e pelos ouvidos. Ele afirma que essas doenças são provocadas pelo meio ambiente poluído e pelas más condições de vida à qual o homem tem que se submeter. • Nos parágrafos 2, 3, 4 e 5, ele trata de cada um desses fatores das idéias secundárias: “nariz/poluição do ar, boca/poluição dos rios e da água, ouvido/poluição sonora; tensão e modernidade/ doenças físicas e psicológicas. Podemos concluir que esse texto tem uma lógica e uma coerência entre os parágrafos, pois o autor manteve o assunto, não “fugiu” do assunto sobre o qual se propôs a escrever. • No 6º§, o autor volta à idéia principal da introdução (1º§) - enjaulados, ou seja, de que nas cidades grandes vivemos como nas selvas e nos zoológicos, e propõe uma solução para diminuir os efeitos de se viver assim. Esse último parágrafo, portanto, tem relação com todos os demais § do texto. E. Considerações finais sobre o texto analisado A partir da análise, aplicando o roteiro, podemos concluir que: 1. Os parágrafos do texto são “parágrafos” porque todos eles têm Idéia Principal e Idéias Secundárias e mantêm a coerência entre elas; 2. Todos os parágrafos se relacionam entre si com coerência e lógica; 3. O 1º§ é um parágrafo de INTRODUÇÃO, não porque está no começo do texto, mas porque apresenta o assunto de forma ampla, geral; 4. Os parágrafos 2, 3, 4 e 5 são de DESENVOLVIMENTO, não porque estão no meio do texto, mas principalmente porque todos eles fazem referência às idéias apresentadas na introdução; todas as idéias que ele citou no 1º parágrafo ele explicou, esclareceu, argumentou, apresentou justificativas e informou em cada um desses. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 29 Observe, também, que ele transformou as idéias secundárias da introdução em idéias principais dos parágrafos 2, 3, 4 e 5, que é uma forma segura de manter o assunto, de “não se perder” ao escrever um texto. 5. O 6º§ é um parágrafo de CONCLUSÃO, não porque está no final do texto, mas porque retoma a idéia do parágrafo de introdução e apresenta uma proposta, uma solução para os problemas citados nos demais parágrafos, enfim, conclui o assunto sobre o qual se propôs a escrever. 6. Se você quiser, tente fazer o resumo desse texto, baseando-se nos detalhes apresentados na análise. Propostas de exercícios - intelecção de texto A seguir, há 3 textos que podem ser utilizados para exercitar a habilidade de interpretar, utilizando o roteiro apresentado nesse material. Texto 1 - A qualidade de vida na cidade e no campo Texto 2 - Tempos de hoje Texto 3 - Heróis do nosso tempo A proposta é a seguinte: 1. Fazer a intelecção do Texto 1, sendo que poderão: • Definir a estratégia que for melhor para o docente e para a turma: em duplas ou individualmente; • Apresentar o trabalho final para a classe, definindo, também em conjunto, de que forma será a apresentação, quantas apresentações serão feitas, dividindo os itens do roteiro entre os alunos ou entre os grupos, enfim, o importante é que seja um consenso, considerando-se os aspectos de tempo, de características da turma, de possibilidades de recursos e outros fatores que envolvam a atividade. 2. Com relação aos demais textos, a realização do exercício poderá ser feita, se houver tempo, definindo as estratégias mais adequadas para a turma: em equipe, individualmente, cada equipe escolhe um texto, as equipes propõe novos textos, enfim, a decisão deve ser em consenso, considerando todos os aspectos que permitam ou não a realização do exercício. Comunicação SENAI-SP - INTRANET30 De qualquer forma, se não houver possibilidade de realizar mais um exercício na escola, é fundamental que, individualmente e quando for possível, essa habilidade de interpretar seja “treinada” mais vezes. Texto 1: A qualidade de vida na cidade e no campo É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns aspectos, superior à da zona urbana, porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles, há maiores possibilidades de se obterem alimentos adequados e, além do mais, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras. Ninguém desconhece que o ritmo de trabalho de uma metrópole é intenso. O espírito de concorrência, a busca de se obter uma melhor colocação profissional, enfim, a conquista de novos espaços lança o habitante urbano em meio a um turbilhão de constantes solicitações. Esse ritmo excessivamente intenso torna a vida bastante agitada, ao contrário do que se poderia dizer sobre os moradores da zona rural. Por outro lado, nas áreas campestres há maior quantidade de alimentos saudáveis. Em contrapartida, o homem da cidade costuma receber gêneros alimentícios colhidos antes do tempo de maturação, para garantir maior durabilidade durante o período de transporte e comercialização. Ainda convém lembrar a maneira como as pessoas se relacionam nas zonas rurais. Ela difere da convivência habitual estabelecida pelos habitantes metropolitanos. Os moradores das grandes cidades, pelos fatores já expostos, de pouco tempo dispõem para alimentar relações humanas mais profundas. Por isso tudo, entendemos que a zona rural propicia a seus habitantes maiores possibilidades de viver com tranqüilidade. Só nos resta esperar que as dificuldades que afligem os habitantes metropolitanos não venham a se agravar com o passar do tempo. Texto extraído da obra Técnicas Básicas de Redação, de Branca Granatic, S.Paulo, Scipione, 1988. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 31 Texto 2: Tempos de hoje O mundo moderno caminha atualmente para sua própria destruição, pois tem havido inúmeros conflitos internacionais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico e, além do mais, permanece o perigo de uma catástrofe nuclear. Nessas últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos inúmeros conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na América Central que, envolvendo as grandes potências internacionais, poderiam conduzir-nos a um confronto de proporções incalculáveis. Outra ameaça constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável. Além disso, enfrentamos sério perigo relativo à utilização da energia atômica. Quer pelos acidentes que já ocorreram e podem acontecer novamente nas usinas nucleares, quer por um eventual confronto em uma guerra mundial, dificilmente poderíamos sobreviver diante do poder avassalador desses sofisticados armamentos. Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar na possibilidade de estarmos a caminho do nosso próprio extermínio. É desejo de todos nós que algo possa ser feito no sentido de conter essas diversas forças destrutivas, para podermos sobreviver às adversidades e construir um mundo que, por ser pacífico, será mais facilmente habitado pelas futuras gerações. Texto extraído da obra Técnicas Básicas de Redação, de Branca Granatic, S.Paulo, Scipione, 1988. Texto 3: Heróis do nosso tempo Apesar dos erros, enganos e recados, é importante reconhecer os méritos da TV, esse insuperável veículo de comunicação, levando-se em consideração o milagre eletrônico que ela representa. Por exemplo, a TV torna a comunicação mais acessível e democratiza a informação em relação à apresentação de fatos sociais e culturais. Comunicação SENAI-SP - INTRANET32 O acesso à informação e à comunicação é aberto a qualquer tipo de pessoa, por mais humilde que seja, por mais distante que viva. Nota-se isso, especialmente depois que se inauguraram esses programas de consulta popular, em que o repórter sai pela rua, interpelando o transeunte a respeito dequalquer problema da comunidade. Chega a haver muita gente que se esquiva, outras saem ansiosas à procura da moça do microfone, para dar o seu recado a respeito do que as atormenta ou revolta. O liberador desabafo que só a TV pode fazer. Hoje, os repórteres têm sua função social, dirigem-se a um ponto específico, informando acerca de uma circunstância também específica. Heróis do nosso tempo, saem pelos cafundós do sertão ou pelas selvas de pedra, com seus microfones e câmeras, dando voz e imagem aos que ninguém pensava que tinham rosto ou soubessem falar. O que se observa é que mal acontece um fato social importante – calamidade ou descoberta do ouro - há sempre uma equipe deles próxima ao local para o indispensável testemunho. Outro mérito da moderna TV: a democratização do acesso à comunicação, através de certos programas de auditório, especialmente as chamadas “mesas-redondas”. Numa mesa redonda podem estar presentes, ombro a ombro, o alfa e o ômega da sociedade. Num programa de higiene sanitária comparecerem tanto o cientista de renome internacional quanto o representante dos lixeiros, debatendo os problemas da sua especialidade. Uma princesa e uma favelada, uma estrela de teatro e um figurante, todos com direito à intervenção e ao debate. Perdoem-se, portanto, à TV os seus grandes e vários pecados, por amor do muito que ela também pode fazer. Aquela câmera que fotografa em ângulos escandalosos os remelexos da sambista pode ser a mesma câmera que, ao lado dos bombeiros, se afunda pelas crateras dos desmoronamentos e dá a identidade das vítimas e pede com urgência o socorro. Adaptado do texto de Rachel de Queiroz, publicado em “O Estado de São Paulo”. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 33 Descrição técnica Descrição é a apresentação de um ser ou de um objeto, de um processo ou de um local, por meio de palavras, com indicação do que lhes é característico. Descrever é expor com detalhes. A descrição técnica caracteriza-se por: precisão de vocabulário, exatidão de detalhes significativos, linguagem objetiva e técnica, com frases diretas. A descrição técnica deve esclarecer por meio de detalhes. Há também a descrição literária que tem finalidade distinta da descrição técnica. Por exemplo: uma flor pode ser descrita por um poeta para compará-la artisticamente à sua amada - descrição literária; ou ser descrita por um botânico para um estudo de suas características - descrição técnica. Suponhamos, ainda, a descrição de uma sala onde houvesse ocorrido um crime de morte. A abordagem feita por um escritor seria bem diferente da que faria um policial encarregado de descrevê-la num relatório. De acordo com a finalidade, assim se descreve. É diferente a descrição de um aparelho para que um leigo saiba usá-lo ou para que um técnico tenha as indicações necessárias a fim de poder montá-lo ou colocá-lo em funcionamento ou fazer-lhe um conserto. A partir da finalidade escolhe-se o enfoque: o que deve ser apresentado com destaque, que pormenores devem ser escolhidos. Comunicação SENAI-SP - INTRANET34 Definido o enfoque, temos os seguintes elementos para descrever: • Qual é o objeto, o processo ou o local a ser descrito; • Que partes ou etapas ou fases devem ser ressaltados; • De que ângulo devem ser enfocados; • Que pormenores ou detalhes devem ser valorizados; • A quem, a que espécie de leitor se destina a um leigo ou a um técnico. Uma máquina de costura, por exemplo, pode ser descrita do ponto de vista: • Do possível comprador (texto para propaganda); • Do usuário (manual de funcionamento); • Do encarregado da sua instalação (manual de instalação); • Do técnico que terá de montá-la ou consertá-la (manuais de montagem ou de reparo). Estrutura da descrição A descrição caracteriza-se pela seguinte estrutura: • Introdução: observação de caráter geral, com a apresentação do que vai ser descrito; • Desenvolvimento: detalhamento, e; • Conclusão: observação de caráter geral que conclui a descrição. A descrição técnica pode aplicar-se a: • Instrumentos, ferramentas, aparelhos, equipamentos, máquinas - Descrição de objeto; • Funcionamento de mecanismos, processo de fabricação, procedimentos, fases de acontecimentos - Descrição de processo; • Lugares - Descrição de ambiente. 1. Descrição de objeto A descrição de objeto define, apresenta características, mostra as partes e funções, indica finalidades. Devem ser abordados aspectos relativos a: partes que compõem o objeto, forma, cor, aparência, dimensões, peso, material de que é feito, para que é utilizado etc. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 35 2. Descrição de processo A descrição de processo caracteriza-se pela ação, pelos movimentos, próprios de todo e qualquer processo. Devem ser apresentadas as fases e ou etapas do processo, como elas ocorrem e se desenvolvem e quais os resultados. Observação: É importante registrar que a separação entre as descrições de objeto e de processo está expressa aqui para atender ao processo de ensino e aprendizagem, pois, na descrição de um objeto qualquer pode ser abordado também o seu funcionamento, que é o processo. 3. Descrição de ambiente A descrição de ambiente apresenta as características de determinado local, como por exemplo, descrição de oficinas; disposição de máquinas, ferramentas, equipamentos em oficinas e ou laboratórios; descrição de indústrias. Devem ser abordados os aspectos relativos a dimensões, estrutura, disposição de objetos existentes no ambiente, aspectos técnicos de estrutura física, enfim, tudo aquilo que caracteriza determinado ambiente. Resumindo, temos: Estrutura da descrição de objetos • Introdução - geralmente composta de um parágrafo, deve conter observações de caráter geral do objeto: forma, cor, peso, dimensões, de que material é feito e também as partes que o compõem. • Desenvolvimento - Cada parte do objeto abordada detalhadamente. • Conclusão - apresenta a apreciação das qualidades, a utilidade, ou, ainda, qualquer afirmação que se refira ao todo do objeto. Normalmente está contida em um único parágrafo. Estrutura da descrição de processos • Introdução - Geralmente composta de um parágrafo, deve conter observações de caráter geral sobre: - o princípio científico em que se baseia o processo; Comunicação SENAI-SP - INTRANET36 - normas a serem seguidas para seu funcionamento ou para a sua fabricação. • Desenvolvimento - cada fase ou estágio do processo, do fato, do acontecimento descrito detalhadamente. • Conclusão - apresenta a apreciação das qualidades, a utilidade, ou, ainda, qualquer afirmação que se refira ao todo, ou às aplicações do processo. Normalmente está contida em um único parágrafo. Estrutura da descrição de ambientes • Introdução - geralmente composta de um parágrafo, deve conter observações de caráter geral do local. • Desenvolvimento - deve apresentar os aspectos relevantes do ambiente, isto é, detalhes referentes à estrutura global: paredes, janelas, portas, chão, teto, luminosidade, odor, ruído, ventilação, dimensões etc. Pode ainda apresentar detalhes específicos em relação aos objetos significativos existentes. • Conclusão - apresenta a apreciação das qualidades, a utilidade e observações sobre o aspecto geral do local. Normalmente está contida em um único parágrafo. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 37 Exemplos de descrição técnica I. Descrição de objeto Graminho de centragem O graminho de centragem é um instrumento de utilização manual composto de quatro partes distintas: base, haste central, regulador e agulha ou haste de traçagem. A base, geralmente construída de ferro fundido, é de forma circular e sua altura não ultrapassa a dez por cento da altura da haste. Essa parte tem como função principal dar sustentação e equilíbrio ao instrumento, pois é onde se encontra a maior parte do peso do conjunto. De forma cilíndrica, a haste central é construída de aço e serve como eixo de deslizamento para o regulador. Sua extremidade inferior é fixada àbase por meio de uma rosca que fica deslocada do centro da base. Por motivo de segurança no manuseio desse instrumento, sua extremidade superior tem forma arredondada. O regulador é um bloco com dois furos e um entalhe, sendo que, através de um dos furos, ele se encaixa na haste. O outro furo será utilizado pelo parafuso de fixação da agulha que, ao ser apertado, fixará automaticamente a agulha e a haste na posição desejada. A agulha, cujo comprimento equivale a cinqüenta por cento da haste central, é constituída por duas extremidades pontiagudas, sendo uma reta e a outra curvada. Essa parte do instrumento, acoplada ao regulador, será utilizada como referencial para centragem e ou nivelamento. Assim constituído, esse instrumento é utilizado para centragem de peças, em superfícies irregulares, em tornos, para centragem em placa de quatro castanhas, em máquinas operatrizes em geral. Enfim, em casos de comparação que não exijam muita precisão. Exemplo elaborado por Claudemir C. Alves, Edson Vismara, Denivaldo C. Antonio, Carlos Alberto Barbosa, Evandro Luiz Trombini e Luis Carlos N. Carvalho, alunos do “Programa de Formação de Docentes do SENAI/SP”, em maio/95, no CFP 1.01. Revisão e adaptação feitas pelas Técnicas em Educação da Divisão de Planejamento Curricular - DPC - 3, Núcleo de Desenvolvimento de Currículos, Eliana Misko Soler e Margarida Maria Scavone Ferrari (agosto/95). Comunicação SENAI-SP - INTRANET38 Lâmpada incandescente A lâmpada incandescente é um dispositivo elétrico. Tem o formato aproximado de uma pêra e é composta, basicamente, de quatro partes: bulbo, filamento, hastes do filamento (esteme) e base. O bulbo, feito de vidro, está em contato direto com a rosca e contém em seu interior o filamento. Sua função principal é manter o filamento sem contato com o ar. Além disso, por ser de forma arredondada, protege o filamento contra choques mecânicos. Em sua extremidade maior, traz externamente impresso os dados do fabricante e outras informações para aplicação, como potência e tensão. De forma helicoidal, o filamento está ligado diretamente à base por meio de dois pontos de contato. É feito de tungstênio e assim sendo apresenta grande resistência elétrica, suportando altas temperaturas. O filamento é o elemento resistivo do componente e transforma a passagem da corrente elétrica em energia de forma radiante luminosa. As hastes, responsáveis pela conexão elétrica entre os contatos da base e o filamento, são fabricadas em cobre e revestidas com estanho. A base, feita de alumínio, tem a função de conduzir a energia elétrica ao filamento. Está diretamente acoplada ao bulbo e tem a forma de um cilindro roscado, possibilitando, assim, conexão mais prática com a rede elétrica. Em seu interior, há um material isolante que separa os pontos de contato do filamento. A lâmpada incandescente tem a finalidade de produzir luz, por meio da transformação da energia elétrica em energia luminosa. Exemplo elaborado por Eduardo Cestari, Nilton Abrão, Nilton Serigioli e Paulo Watanabe, alunos do “Programa de Formação de Docentes do SENAI/SP”, em maio/95, no CFP 1.01. Revisão e adaptação feitas pelas Técnicas em Educação da Divisão de Planejamento Curricular - DPC - 3, Núcleo de Desenvolvimento de Currículos, Eliana Misko Soler e Margarida Maria Scavone Ferrari (agosto/95). Fresadora A máquina de fresar ou fresadora é uma máquina ferramenta de movimento contínuo e compõe-se das seguintes partes: corpo, mesa, suporte da mesa, eixo principal, caixa de velocidade do eixo principal, carro transversal, caixa de velocidades dos avanços, torpedo. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 39 O corpo é uma espécie de carcaça de ferro fundido, de base reforçada e geralmente de forma retangular, por meio da qual a máquina apóia-se ao solo. É a parte que serve de sustentação aos demais órgãos da fresadora. O eixo principal é um dos órgãos essenciais da máquina, pois é o suporte da ferramenta. De ferro fundido, o carro transversal é uma estrutura de forma retangular, cuja parte superior é móvel. Na base inferior, por meio de guias, esse carro está acoplado ao suporte da mesa por meio de fuso e porca, contendo, ainda, um dispositivo que permite a sua imobilização. Essa máquina, correntemente usada nas oficinas de conformação mecânica, destina- se à usinagem de materiais, por meio de uma ferramenta de corte chamada fresa, e permite realizar operações de fresagem de superfícies das mais variadas formas: planas, côncavas, convexas e combinadas. Exemplo extraído e adaptado da Série Metódica Ocupacional - Mecânico Geral - Operador de Fresadora - SENAI/SP. Por se tratar de exemplo, não foram descritas todas as partes do objeto. II. Descrição de processos Fresagem de ranhuras retas Essa operação compreende a abertura de uma ranhura em forma de “T”, feita na fresadora, por meio da remoção de cavacos, utilizando uma ferramenta Woodruf, presa no cabeçote vertical da máquina, e é executada em duas etapas: desbaste e acabamento. Para executar essa operação é necessário, inicialmente, que se faça a montagem e o alinhamento do material. Em seguida, seleciona-se e monta-se a fresa (preferivelmente de três cortes) para fresar a ranhura retangular inicial; seleciona-se e regula-se a rpm e o avanço. A partir daí, inicia-se a operação propriamente dita, obedecendo-se aos seguintes passos: fresar a ranhura retangular, determinando-se a largura definitiva e deixando 0,5 mm a menos na profundidade; trocar a fresa para a fresagem da ranhura em “T”, selecionando-se uma fresa de menores dimensões que as da ranhura em execução; Comunicação SENAI-SP - INTRANET40 desbastar a ranhura perpendicular à anterior; trocar a fresa, montando uma que tenha as dimensões definitivas da ranhura. O último passo compreende em terminar a ranhura em “T”. Para isso deve-se centrar a fresa e colocá-la na altura definitiva. Nessa etapa devem ser, ainda observados os seguintes cuidados: o avanço dado deve ser mínimo e, durante o acabamento, a peça deve ser refrigerada abundantemente e os cavacos devem ser retirados da ranhura. A fresagem de ranhuras retas - secção em “T” - é aplicada nas mesas, acessórios e dispositivos de máquinas-ferramentas, e permite o alojamento de parafusos e peças que devem deslocar-se guiadas. Exemplo extraído e adaptado da Série Metódica Ocupacional - Mecânico Geral Operador de Fresadora - SENAI/SP. Recartilhar no torno Essa operação compreende a execução de sulcos paralelos ou cruzados que são feitos sob compressão dos dentes de uma ferramenta chamada recartilha, sobre um material em movimento. O primeiro passo para executá-la é tornear a parte que será recartilhada, deixando-a lisa e limpa e com um diâmetro ligeiramente menor que a medida final dependendo do material da peça, do passo e do ângulo das estrias do rolete. Para executar corretamente esse passo, deve-se consultar a tabela dos recartilhados. Em seguida, monta-se a recartilha que deverá ficar na altura do eixo da peça e perpendicular à superfície a ser recartilhada. Feito isso, inicia-se a operação propriamente dita: desloca-se a recartilha até que esteja próxima ao extremo da parte a ser recartilhada e liga-se o torno, consultando a tabela a fim de determinar o avanço e a rotação. Depois disso, avança-se a recartilha transversalmente, até marcar o material, deslocando-a no sentido longitudinal. Desliga- se, então, o torno para examinar a área já recartilhada. Conferido esse passo, liga-se o torno e engata-se o carro longitudinal, recartilhando agora toda a superfície desejada e removendo as partículas do material com querosene. Avança-se, a seguir, o carro em sentido contrário e repassa-se a recartilha. Finalmente, faz-se o acabamento do recartilhado. Para isso, afasta-se a recartilha, limpa-se o recartilhado com uma escova de aço apropriada, movimentando-a no sentido das estrias. Depois chanfra-se os cantos a fim de eliminar as rebarbas. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 41O recartilhado é feito para evitar que a mão deslize indevidamente quando se manipula uma peça e, em determinados casos, para melhorar seu aspecto. Exemplo elaborado pela Professora Heloíza Fiúza Pupatto Andrade, do CFP 1.13. Revisão e adaptação feitas por Eliana Misko Soler e Maragarida Maria Scavone Ferrari - DPC/3. Conectar condutores com olhal Essa operação consiste em preparar e fixar condutores (rígidos e flexíveis) aos bornes de elementos, tais como interruptores, tomadas de correntes, dispositivos de controle e outros. Inicialmente deve ser feito o olhal no extremo do condutor. Para isso, desencapa-se e limpa-se o extremo do condutor a conectar, num comprimento de aproximadamente cinco vezes o diâmetro do parafuso que o fixará. Em seguida, coloca-se a ponta do condutor entre os mordentes do alicate de pontas redondas, no ponto onde eles têm aproximadamente o diâmetro do parafuso a ser conectado. Depois, inicia-se a curva, dando um giro no alicate até que a ponta do condutor complete uma volta. O olhal deve ser feito, obedecendo ao sentido horário, para evitar que se abra durante o aperto do parafuso. Dá-se seqüência a operação, obedecendo ao seguinte passo: torcer o olhal com a parte mais fina da ponta do alicate, em sentido contrário, até que o eixo do condutor coincida com o centro do olhal. A última etapa compreende a fixação do condutor. Para isso, retira-se o parafuso do borne, introduzindo-o no olhal e aparafusando-o ao borne de modo que fique firme. Se o parafuso não for removível, deve-se preparar um olhal semifechado de maneira que se possa introduzi-lo debaixo da cabeça e fixá-lo em seguida. Esse tipo de operação é muito simples, porém é, ainda, muito utilizada em instalações elétricas. Exemplo elaborado pela Professora Heloíza Fiúza Pupatto Andrade, do CFP 1.13. Revisão e adaptação feitas por Eliana Misko Soler e Maragarida Maria Scavone Ferrari - DPC/3. III. Descrição de ambiente Oficina de tornearia A oficina de tornearia do Curso de Aprendizagem Industrial mede 187,50 m2, dos quais 150 m2 são utilizados para o desenvolvimento das aulas de Prática de Operações, Comunicação SENAI-SP - INTRANET42 compondo a oficina propriamente dita. Nos 37,50 m2 restantes há uma sala de aula para 16 alunos. Esta sala é utilizada para aulas de Preparação da Tarefa de Oficina - PTO. Esta oficina é de alvenaria: as paredes, que são brancas, possuem um barrado de cor creme com 1,5 m de altura, as portas são envernizadas e as janelas são de esquadrias metálicas e vidro. O chão é de piso de madeira, o teto é forrado com placas de fibra de vidro, material antichamas e antitérmico, e possui 15 luminárias com 2 lâmpadas HO em cada uma, o que permite obter-se nível de iluminamento de acordo com a norma da ABNT. Pode-se observar, ainda, que as condições de arejamento da oficina possibilitam conforto térmico aos instrutores e aprendizes; não há presença de odores provenientes de agentes químicos; o ruído existente não caracteriza uma situação de poluição sonora. Na oficina propriamente dita há 16 tornos mecânicos, 1 afiadora de ferramentas, 1 furadeira de bancada, 1 bancada de manutenção e 3 armários de madeira pintados na cor creme. Um dos armários é utilizado para a guarda do material didático do instrutor; no outro, é colocado o material dos alunos, e, no terceiro, são mantidas as ferramentas de uso comum. As máquinas estão alinhadas em um ângulo de 45º e o modo como estão dispostas leva em consideração os aspectos relativos à segurança e à entrada de luz natural, que deve ser sempre à direita do operador. Assim, pode-se observar faixas amarelas que delimitam o espaço tanto para o operador de cada máquina, quanto para a área de circulação. Convém, ainda, ressaltar que as partes das máquinas estão pintadas de verde, creme, preto e azul, de acordo com as normas vigentes. A sala de Preparação da Tarefa de Oficina possui 16 carteiras, 1 aparelho de vídeo com monitor, 1 quadro-de-giz e 2 armários de madeira envernizada, onde estão os recursos didáticos auxiliares. Assim montada, a Oficina de Tornearia atende adequadamente aos objetivos a que se propõe: o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Exemplo elaborado por Eliana Misko Soler e Margarida Maria Scavone Ferrari. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 43 Propostas de exercícios de descrição técnica Descrição de objeto: 1. a. Identifique, nos exemplos apresentados, as características das partes da descrição de objeto: introdução, desenvolvimento e conclusão. b. Registre os aspectos relevantes que você identificou. c. Discuta com os colegas e com o professor sobre os aspectos identificados por você e que caracterizam uma descrição de objeto. 2. a. Faça um levantamento, na empresa, de alguns objetos da área. b. Identifique as partes dos objetos e os detalhes de cada parte, registrando o nome dessas partes, utilizando vocabulário técnico específico. c. Escolha um dos objetos identificados por você e escreva a introdução de sua descrição. d. Discuta sobre o seu texto (introdução) com colegas, com o professor e com o seu monitor na empresa. e. Depois de certificar-se que seu texto está atendendo ao que caracteriza um parágrafo de introdução de descrição de objeto, elabore agora o desenvolvimento da descrição. f. Proceda da mesma forma expressa nos itens “d” e “e”. g. Elabore o parágrafo de conclusão da descrição do objeto selecionado por você. h. Proceda da mesma forma expressa nos itens “d” e “e”. i. Selecione mais um objeto da área e elabore uma descrição completa. j. Apresente-a aos colegas, ao professor e ao seu monitor da empresa. Apontem, se for o caso, em conjunto e em consenso, aspectos que podem ser aprimorados no seu texto. Se necessário, consultem gramáticas e dicionários. Descrição de processo: 1. a. Identifique, nos exemplos apresentados, as características das partes da descrição de processo: introdução, desenvolvimento e conclusão. b. Registre os aspectos relevantes que você identificou. c. Discuta com os colegas e com o professor sobre os aspectos identificados por você e que caracterizam uma descrição de processo. 2. a. Faça um levantamento, na empresa, de alguns processos da área. Comunicação SENAI-SP - INTRANET44 b. Identifique as etapas e fases dos objetos e os detalhes de cada etapa e ou fase, registrando os aspectos identificados por você, utilizando vocabulário técnico específico. c. Escolha um dos processos identificados por você e escreva a introdução de sua descrição. d. Discuta sobre o seu texto (introdução) com colegas, com o professor e com o seu monitor na empresa. e. Depois de certificar-se que seu texto está atendendo ao que caracteriza um parágrafo de introdução de descrição de processo, elabore agora o desenvolvimento da descrição. f. Proceda da mesma forma expressa nos itens “d” e “e”. g. Elabore o parágrafo de conclusão da descrição do processo selecionado por você. h. Proceda da mesma forma expressa nos itens “d” e “e”. i. Selecione mais um processo da área e elabore uma descrição completa. j. Apresente-a aos colegas, ao professor e ao seu monitor da empresa. Apontem, se for o caso, em conjunto e em consenso, aspectos que podem ser aprimorados no seu texto. Se necessário, consultem gramáticas e dicionários. Descrição de ambiente: 1. a. Identifique, nos exemplos apresentados, as características das partes da descrição de ambiente: introdução, desenvolvimento e conclusão. b. Registre os aspectos relevantes que você identificou. c. Discuta com os colegas e com o professor sobre os aspectos identificados por você e que caracterizam uma descrição de ambiente. 2. a. Faça um levantamento, na empresa, de alguns ambientes técnicos. b. Identifique aspectos relevantes do ambiente, isto é, detalhes referentes à estrutura global, registrando-os, utilizando vocabulário técnico específico. c. Escolha um dos ambientes identificados por você e escreva a introdução de sua descrição. d. Discuta sobreo seu texto (introdução) com colegas, com o professor e com o seu monitor na empresa. e. Depois de certificar-se que seu texto está atendendo ao que caracteriza um parágrafo de introdução de descrição de ambiente, elabore agora o desenvolvimento da descrição. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 45 f. Proceda da mesma forma expressa nos itens “d” e “e”. g. Elabore o parágrafo de conclusão da descrição do processo selecionado por você. h. Proceda da mesma forma expressa nos itens “d” e “e”. i. Selecione mais um processo da área e elabore uma descrição completa. Apresente-a aos colegas, ao professor e ao seu monitor da empresa. Apontem, se for o caso, em conjunto e em consenso, aspectos que podem ser aprimorados no seu texto. Se necessário, consultem gramáticas e dicionários. Comunicação SENAI-SP - INTRANET46 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 47 Estruturas-padrão: documentação técnica e correspondência comercial, segundo normas e padrões de redação oficial Introdução Nesta unidade, serão apresentados alguns tipos de estruturas-padrão de documentação técnica e correspondência comercial, segundo normas e padrões de redação oficial, que irão ajudá-lo na elaboração de documentos. Abordaremos apenas as estruturas mais usuais e que julgamos lhe serão úteis na vida profissional, escolar e pessoal. Há muitos outros tipos de documentação e correspondência, mas que, em função da carga horária de que dispomos, não será possível estudarmos neste momento. O importante é que você conheça algumas delas e saiba que essa é uma forma de comunicação imprescindível e que deve ser utilizada com cuidado e adequadamente. É importante, ainda, que você esteja sempre atento e pronto para aprender outros modelos e assim possa utilizar esse instrumento de comunicação dentro do contexto que se apresentar, fazendo as adaptações necessárias. Faz-se necessário esclarecer que a norma-base que rege a elaboração de documentos oficiais e comerciais é a da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. Entretanto, há diversas opções aceitas, dependendo do grau de formalidade do texto. Note que, neste material, apresentamos alguns tipos de documentos e enfocamos a estrutura de cada um deles, sempre seguida de um exemplo. Ressaltamos que são exemplos e não “modelos”, pois o objetivo é que você conheça a estrutura e, de acordo com a situação e contexto, faça as adaptações necessárias quando precisar elaborar ou preencher esse tipo de documento. Comunicação SENAI-SP - INTRANET48 Memorando O memorando é um meio ofício, uma carta reduzida e é utilizado para comunicação entre departamentos de uma mesma empresa ou organização. Portanto, o conteúdo de um memorando refere-se a comunicados internos tais como avisos, consultas, informações breves, diretrizes adotadas, procedimentos implantados, consultas técnicas, entre outros. Estrutura do memorando: Veja os exemplos: Comunicação SENAI-SP - INTRANET 49 Ordem de serviço A ordem de serviço é um documento que geralmente contém uma orientação exata e precisa para a realização de serviços ou para cumprimento de atividades e ou obrigações. Estrutura de ordem de serviço Comunicação SENAI-SP - INTRANET50 Veja os exemplos de ordem de serviço: Veja a proposta para exercícios na pág. 64. Orçamento O orçamento compreende, basicamente, o cálculo do custo para a realização de um trabalho. É um documento utilizado por profissionais ou por empresas de prestação de serviços. Pode ser de reparos ou de produção. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 51 Estrutura do orçamento: Para a estruturação de um orçamento, os itens abaixo devem ser considerados: 1. diagnóstico de falhas ou de defeitos; 2. memorial descritivo; 3. relação de materiais; 4. tempo de execução; 5. custos; 6. apresentação do orçamento. 1. Diagnóstico de falhas ou de defeitos O diagnóstico de falhas ou de defeitos, para trabalhos de reparo, é realizado a partir da análise de todos os elementos que podem estar comprometendo o funcionamento de um determinado instrumento ou equipamento. Para a apresentação do diagnóstico, geralmente é utilizado um impresso próprio. Dele constam itens que são assinalados ou não, de acordo com os defeitos encontrados. 2. Memorial descritivo Memorial descritivo é um conjunto de informações técnicas, que não constam de um desenho ou de um projeto de produção ou reparo e são imprescindíveis para a execução do trabalho. Neste item deve-se escrever com exatidão o que será necessário para a realização do reparo ou da produção. 3. Relação de materiais Neste item devem ser relacionados os materiais a serem utilizados para a realização do trabalho, seja ele de produção, ou de reparo, especificando-se quantidade, dimensões, tipos e até marca, se isso significar uma variação do custo final. 4. Tempo de execução O tempo de execução compreende a referência ao período de tempo necessário para a realização do trabalho (produção ou reparo). Este período pode ser indicado pelo horário ou pelas datas, de início e fim do trabalho. 5. Custos Para se fazer o cálculo dos custos de um trabalho de produção ou de reparo, devem ser considerados: materiais empregados, equipamentos utilizados, o valor Comunicação SENAI-SP - INTRANET52 da hora-homem, o número de pessoas envolvidas, o tempo de execução e a porcentagem de lucro. 6. Apresentação do Orçamento A forma de apresentação não precisa ser rígida. No caso de empresas que tenham impresso próprio, este deve ser preenchido com clareza. Em outras situações, o orçamento deve ser elaborado criteriosamente, fazendo-se as adaptações necessárias e possíveis, de acordo com o que vai ser realizado. A seguir será apresentado um exemplo de orçamento de reparo: Reforma da Plaina Limadora - ZOCCA 450 Diagnóstico de falhas ou de defeitos: • Pintura - velha, sem brilho, com falhas, lascada. • Torpedo - empenado e desgastado. • Vazamento de óleo - juntas e retentores danificados. • Lubrificação - defeito no sistema de lubrificação da biela-manivela. • Transmissão - engrenagem com dentes quebrados e chavetas danificadas. • Fuso - rosca danificada. • Mesa - desgastada e fora de geometria. • Rolamento – danificado. • Mancais - trincas, desgaste e folgas excessivas nas buchas. • Parafusos - espanados e engripados. Memorial descritivo: • Pintura - remoção de tinta velha, masseamento, lixamento e pintura nova com duas demãos de tinta esmalte Coralit. • Torpedo - retificar e rasquetear. • Vazamento de óleo - troca de retentores e juntas. • Lubrificação - troca de filtros e tubos de cobre, limpeza do sistema. • Transmissão - troca de engrenagens danificadas e chavetas. • Fuso - repassar rosca no torno (recondicionar). • Mesa - retificar e rasquetear. • Rolamento - troca de rolamentos danificados. • Mancais - troca de (mancais). buchas gastas e trincadas. • Parafusos - troca de parafusos engripados e espanados. AJUSTES GERAIS, MONTAGEM E TESTE FINAL. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 53 Relação de materiais: Pintura • 01 lata de massa branca sintética para nivelamento da superfície • 10 folhas de lixa para ferro 80 • 10 folhas de lixa para ferro 220 • 01 galão de 3,6 L de tinta (sintética) esmalte Coralit verde • 01 galão de 3,6 L de tinta (sintética) esmalte Coralit creme • 01 lata de 1 litro de Tinner • 01 fita crepe - largura 20 mm • 05 litros de removedor Pintoff para tinta velha Vazamento de óleo • 01 metro de papel guarnital para confecção de juntas • 02 retentores BRI - 00795 Lubrificação • 02 metros de tubo de cobre / 1/8” x 400mm • 01 metro de tubo de cobre / 3/16“ x 480mm • 01 filtro de óleo 58 GG Transmissão • 01 engrenagem de dentes retos (recondicionar) • 01 engrenagem pinhão (fazer nova) • Aço ABNT 1010-1020 / 3/8” x 100mm, para confecção de chavetas • Aço ABNT 1045 / 2 1/2” x 50 mm, para confecção do pinhão Rolamentos • 01 rolamento de esferas no 6206 • 03 rolamentos de esferas no 6205 Mancais • 02 buchas - bronze TM / 2” x 200mm Parafusos• 09 parafusos de cabeça sextavada NC 1/4” x 3/4” • 02 parafusos Allen, sem cabeça, NC 1/2” x 1/2” • 02 parafusos de cabeça chata M6 x 10 • 01 parafuso Allen, com cabeça, M6 x 25 Tempo de execução: • início: 01/04/95 • término: 01/06/95 • Total de horas: 280 h Comunicação SENAI-SP - INTRANET54 Custos: Materiais • valor total: R$ 5.795,00 Mão-de-obra • valor da hora-homem: R$ 30,00 x 280 horas • total por pessoa: R$ 8.400,00 • TOTAL - 02 pessoas: R$ 16.800,00 Equipamentos utilizados • Fresadora Universal ....30h a R$ 200,00 por hora TOTAL: R$ 6.000,00 • Retífica Plana ..............10h a R$ 300,00 por hora TOTAL: R$ 3.000,00 • Torno Mecânico ..........20h a R$ 180,00 por hora TOTAL: R$ 3.600,00 Total Geral: R$ 35.195,00 (equipamentos utilizados + hora-homem + materiais) Total do orçamento da reforma: R$ 35.195,00 Forma de pagamento: 50% de sinal e o restante do pagamento na data de entrega da máquina, corrigido pela respectiva inflação do período. Veja a proposta de exercícios na pág. 64. Carta comercial Carta comercial é um instrumento de comunicação de que se utilizam as empresas ou pessoas no relacionamento comercial. As cartas comerciais têm grande importância na administração de qualquer empreendimento; cartas mal redigidas comprometem a imagem de eficácia e competência sua e de sua empresa. Por isso, não basta que transmitam um conteúdo, mas que o faça de maneira que impressionem bem. Para tanto, é necessário que elas tenham uma boa apresentação e que causem, no primeiro contato, uma impressão de ordem, organização, clareza e competência profissional. Estrutura da carta comercial: • Timbre da empresa quatro espaços texto alinhado do lado esquerdo da folha Comunicação SENAI-SP - INTRANET 55 • Índice ou iniciais da seção que emite a carta (por exemplo: Departamento de Vendas: DV) seguido do número da carta que deve ser feito em ordem crescente a partir do início do ano. • Abaixo da seção emitente: iniciais maiúsculas do redator e, em seguida, as iniciais maiúsculas do digitador. − dois espaços • Data (não se usa ponto final após a data e não se coloca ponto entre o milhar e a centena do ano) (se a cidade for a mesma do timbre da empresa, não é preciso indicar a localidade). − dois espaços • Endereçamento interno - dois espaços • Invocação (a invocação “Prezados senhores” tem o vocábulo “senhores” grafado com “s” minúsculo e deve ser seguida de dois pontos). - dois espaços • Referência: é uma espécie de resumo do assunto a ser tratado. Modernamente, evita-se o uso da abreviatura “Ref.” ou mesmo da palavra “Referência”. Deve-se escrever, em poucas palavras, apenas o assunto a ser tratado. - dois espaços • Corpo do texto. - dos espaços • Fecho. • Assinatura de quem solicitou a redação do texto + carimbo com nome e RG. - dois espaços • Anexos (Anexo (a) (s) é adjetivo e concorda com o substantivo a que se refere) (A expressão “em anexo” é invariável) Ex.: Anexa lista de preços Anexas listas de preço Anexo relatório final Anexos relatórios finais Em anexo lista de preços / Em anexo listas de preço Em anexo relatório final / Em anexo relatórios finais Comunicação SENAI-SP - INTRANET56 A seguir, um exemplo de carta comercial: INDÚSTRIAS QUÍMICAS SANTA ROSA RUA MOREIRA DE GODOI, 257 – IPIRANGA – SÃO PAULO CEP 015028-000 TELEFAX 4343.1825 DV nº 26/03 JM/HC 17 de julho de 2003 A Indústrias de Papel Bom Pastor S.A. Rua Bom Pastor, 77 Ipiranga - São Paulo - SP Prezados senhores: Alteração de preço de produto Conforme contato telefônico em 10/07 p.p. gostaríamos de oficializar a informação de que o material químico para dissolução de papel e posterior processo de pasta, tipo I, referência 531.768, sofreu majoração de preço. Estamos anexando à presente, para informação e consulta, a nova lista de preços que entrou em vigor a partir de 01/07. Caso necessitem de informações adicionais, teremos imenso prazer em atendê-los. Ficamos à disposição de V.Sª para quaisquer esclarecimentos ou entendimentos que se fizerem necessários, de segunda à sexta, das 8h30 às 18h15. Atenciosamente André Camargo Diretor Comercial RG 78.881.609 Anexa lista de preços atualizados. Veja proposta para exercícios na pág. 64. Ficha técnica Ficha Técnica é o registro de informações técnicas referentes a um produto para que essa informações sejam transmitidas ao setor produtivo. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 57 Esse documento técnico é um meio de comunicação amplamente utilizado nas indústrias de confecção, uma vez que é uma maneira eficaz de assegurar a qualidade do produto a ser confeccionado. Uma ficha técnica deve conter, basicamente, informações referentes a: • Modelagem (dimensões); • Corte; • Materiais; • Processo de produção; • Outras que se fizerem necessárias. O leiaute, os campos, enfim, o modelo de uma ficha técnica pode variar de acordo com as características da empresa e de seu produto. A seguir serão apresentados dois exemplos de Ficha Técnica Ficha técnica Designação: ________________________________________________ Coleção: ___________________________________________________ Data: ______________________________________________________ Desenho Matéria-prima Fornecedor Largura do tecido Gastos Gasto Prev. Gasto Real Custos Tamanho EP P M G EG Ordem: Quantidade: Tecidos/Cores Observação:__________________________________________________________________________ Comunicação SENAI-SP - INTRANET58 Ficha Técnica de Produtos Descrição Referência Material Cor Consumo Forro Cor Consumo Recouro Cor Consumo Espuma Cor Consumo Aviamentos Cálculo Bruto Linha Ref. Cor Qtde. Zíper Ref. Cor Qtde. Cursor Ref. Cor Qtde. Fivela Ref. Cor Qtde . Velcro Ref. Cor Qtde. Vivo Ref. Cor Qtde. Argola Ref. Cor Qtde. Botão Ref. Cor Qtde. Fecho Ref. Cor Qtde. Ferragem Ref. Cor Qtde. Mosquetão Ref. Cor Qtde. Outros Considerações finais Conforme exposto no início dessa unidade, nosso objetivo não é o de esgotar todos os tipos de documentos, mas essencialmente que você apreenda alguns conceitos sobre documentação e correspondência comercial e técnica, segundo normas e padrões de redação oficial; que você adquira e aprimore a habilidade de elaborar ou de preencher ou até mesmo de criar novos “modelos” de documentos técnicos de acordo com a necessidade e com o contexto. Para desenvolver essa competência, é recomendável que você realize os exercícios propostos e, mais do que isso, que você compreenda que os registros e a documentação técnica são formas de comunicação e assim sendo devem contribuir para o aprimoramento dos processos e das relações humanas e profissionais. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 59 É extremamente importante, ainda, que você esteja sempre atento à documentação existente nas empresas, instituições e organizações e procure aprender mais sobre cada um deles. A seguir, relacionamos alguns outros tipos de documentos oficiais e técnicos, lembrando que eles, em particular os técnicos, podem adquirir “nomes e formatos” diferentes, de acordo com a empresa, instituição ou organização. Documentos oficiais Ata Declaração Procuração Ofício Abaixo-assinado Requerimento Curriculum Vitae Atestado Circular Edital Documentos técnicos Folha ou Ficha de Processos Requisição de material Ficha de Manutenção Ficha de Controle de Produção Ficha de Expedição (verificação ou check-list ou conferência do produto final) Ficha de Controle de Estoque Lista de Verificação (utilizada antes de operação de máquinas) Formulários de Manutenção Corretiva, Preventiva, Preditiva Proposta de exercícios - memorando, ordem de serviço, carta comercial, ficha técnica Embora haja essa proposta para realização de exercícios, é importante deixar claro que: • Em função da carga horária e de outras variáveis que possam ocorrer, talvez não seja possível realizar os exercícios de todos os tipos de estruturas-padrão; Comunicação SENAI-SP - INTRANET60 • Deve haver um consenso entre alunos e docente sobre oque será melhor para todos; • Não havendo possibilidade de todos os alunos fazerem todos os exercícios, o grupo poderá selecionar alguns deles, aqueles que julgarem mais relevantes para a turma. Nesse sentido, há ainda outras estratégias que podem ser aplicadas, por exemplo: dividir a classe em equipes e definir um tipo (ou dois) de estrutura para cada equipe; cada equipe poderá apresentar o trabalho para a classe e providenciar uma cópia impressa para cada aluno. Além disso, docente e alunos podem propor outras estratégias que sejam mais adequadas à situação, à turma e à carga horária disponível para esse conteúdo. Memorando - faça um levantamento de situações ou acontecimentos ou fatos, hipotéticos ou reais, que possam gerar um memorando. O acontecimento que vai gerar o documento pode estar relacionado ao dia-a-dia da empresa ou da escola. Anote os dados disponíveis e necessários para a realização do exercício e elabore um memorando. Ordem de serviço - faça um levantamento de situações, atividades, acontecimentos ou fatos, hipotéticos ou reais, que possam gerar uma ordem de serviço. O acontecimento que vai gerar o documento pode estar relacionado ao dia-a-dia da empresa ou da escola. Anote os dados disponíveis e necessários para a realização do exercício e elabore uma ordem de serviço. Orçamento - faça um levantamento de situações, atividades, acontecimentos ou fatos, hipotéticos ou reais, que possam gerar um orçamento. O acontecimento que vai gerar o documento pode estar relacionado ao dia-a-dia da empresa ou da escola. Anote os dados disponíveis e necessários para a realização do exercício e elabore um orçamento. Carta comercial - faça um levantamento de situações, atividades, acontecimentos ou fatos, hipotéticos ou reais, que possam gerar uma carta comercial. A situação a qual vai gerar o documento deve estar relacionada ao dia-a-dia da empresa. Anote os dados disponíveis e necessários para a realização do exercício e elabore uma carta comercial. Ficha técnica - faça um levantamento de atividades ou situações, hipotéticos ou reais, que possam gerar uma ficha técnica. A situação que vai gerar o documento deve Comunicação SENAI-SP - INTRANET 61 estar relacionado ao dia-a-dia da empresa. Anote os dados disponíveis e necessários para a realização do exercício e elabore uma ficha técnica. É importante que, após a realização dos exercícios, sejam feitas apresentações dos trabalhos para que todos os alunos da turma possam conhecer a variedade de modelos de uma Ficha Técnica. Comunicação SENAI-SP - INTRANET62 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 63 Relatório Relatório: documento por meio do qual se expõem resultados de atividades variadas. É a exposição feita a partir da análise de um fato, acontecimento ou fenômeno, podendo ser apresentadas soluções para um "problema". Há empresas que adotam um modelo próprio de relatório, com campos predefinidos para atender às necessidades específicas de suas atividades. Nesse caso, basta que sejam preenchidos os campos com dados ou informações adequadas. No entanto, vamos estudar aqui um modelo completo de relatório e você poderá, então, utilizar um modelo existente na empresa, elaborar um completo ou fazer ajustes de acordo com a necessidade que se apresentar. Tipos de relatórios O relatório pode ser escrito com diversas finalidades: • Providenciar o registro do trabalho executado, de modo que toda a informação possa ser aproveitada posteriormente; • Apresentar e discutir informações e fornecer recomendações que possam guiar os responsáveis nas tomadas de decisões e definições; • Manter os demais membros da organização informados sobre investigações, ocorrências, etc.. Evidentemente estas três finalidades não se aplicam necessariamente a um mesmo relatório. É importante considerar que o relatório assume cada vez mais importância na administração moderna, pois é impossível para um administrador ou um técnico, em cargos executivos, conhecer e acompanhar pessoalmente todos os fatos, situações, dados ou problemas de uma organização e que precisem ser examinados. Comunicação SENAI-SP - INTRANET64 Assim, podem ser redigidos os seguintes tipos: • Relatórios de Estudo ou de Pesquisa: - Relatório de Experiências, - Relatório de Estágio. • Relatórios de Ocorrência: - Relatório de Manutenção, - Relatório de Acidentes. • Relatórios de Atividades: - Relatório de Visitas; - Relatório de Viagem; - Relatório de Trabalho; - Relatório de Produção. Estrutura do relatório O relatório tem como estrutura mínima as seguintes partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Cada uma dessas partes pode tornar-se mais complexa, dependendo das informações que deva conter: • Introdução A introdução deve apresentar o objetivo: Por exemplo: - "Este relatório tem a finalidade de informar sobre o desenvolvimento do projeto referente a automação das máquinas da oficina de..." - "Este relatório visa fornecer recomendações para a utilização segura das novas máquinas a comando numérico..." - "O objetivo desta pesquisa aqui relatada consiste em apresentar conclusões sobre a automação industrial e sua viabilidade ..." - "Esse relatório tem por objetivo apresentar informações sobre o projeto de atualização do processo utilizado na confecção de ..., implantado experimentalmente a partir de ...." • Desenvolvimento Essa parte deve conter as constatações exatas, objetivas, em seqüência. É o corpo do relatório, isto é, o relato da experiência ou do trabalho. É o "miolo", a substância do relatório de natureza técnica ou científica. Geralmente constam as informações referentes a quando, onde, o quê e como. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 65 Além do relato em si, no desenvolvimento podem estar presentes os seguintes campos: - Resultados O resultado é o efeito, a conseqüência que se visava ou se visa alcançar. Como o nome indica, são apresentados os resultados, isto é, o que realmente se apurou ou que se constatou. - Discussão A discussão é a interpretação dos resultados - da investigação, da experiência ou do trabalho - a partir da comparação entre o objetivo a ser atingido e o resultado obtido. Neste tópico, o parágrafo inicial é bastante objetivo, podendo ser escrito das seguintes maneiras: "O principal interesse destas experiências reside no fato de que..." "A interpretação dos resultados é que..." Algumas "Dicas" quanto às características do desenvolvimento: 1. Apresentar os fatos de maneira objetiva, sem rodeios, de modo a constituírem fortes argumentos para as recomendações e conclusões. 2. Caracterizar-se pela exatidão das definições e das descrições, evitando o emprego da linguagem afetiva, utilizando vocabulário exclusivamente técnico. 3. Redigir sempre na 3ª pessoa, para dar característica de impessoalidade que é própria de um relatório técnico. 4. Seguir sempre um encadeamento de idéias de maneira lógica, coerente, objetiva. 5. Utilizar com cuidado as palavras relacionais, vinculando claramente uma idéia à outra. 6. Documentar ou ilustrar com gráficos, mapas, tabelas, figuras, fluxogramas etc., quando necessários, em lugar adequado, mesmo que tais elementos venham em anexos. • Conclusão Nesta parte é retomada a idéia-núcleo do relatório e, a partir daí, devem ser apresentadas as conclusões, deixando claro se os objetivos anteriormente propostos foram alcançados ou se novas propostas ou providências se fazem necessárias. Comunicação SENAI-SP - INTRANET66 O parágrafo de conclusão pode apresentar-se da seguinte forma: "Conclui-se, assim, que: 1º ... 2º ... 3º ..." "Conclui-se, portanto, que: 1º ... 2º ..." "Conclui-se, em vista do exposto, que: 1º ... 2º ..."; Outras partes que podem compor um relatório Agradecimentos Muitos trabalhos de pesquisa sob forma de relatório, quando recebem subvenção ou patrocínio de instituições, ou ainda, auxílio de pessoas da área técnica específica, podem trazer, logo após a conclusão, os agradecimentos do autor.Anexos Os relatórios podem conter anexos, constituídos por gráficos, mapas, tabelas, dados estatísticos, fluxogramas e outras espécies de documentação, além das que possam ter sido inseridas no próprio texto. Os anexos têm paginação própria, não seqüencial à do relatório. Bibliografia Todo trabalho que exija pesquisa deve vir acompanhado de referências bibliográficas, que são feitas de acordo com as convenções internacionais. A elaboração desta lista bibliográfica deve ser realizada, levando-se em consideração as normas citadas abaixo, quando se tratar de referências mais simples e as normas adotadas pela ABNT (NBR 6023), quando as informações forem mais complexas. Comunicação SENAI-SP - INTRANET 67 A seguir, alguns procedimentos para elaboração de referência bibliográfica, segundo o padrão oficial: 1. Sobrenome do autor em letras maiúsculas, seguido pelo(s) prenome, em letra minúscula e separado(s) por vírgula; título da obra; edição, Estado de publicação; nome da editora; ano de edição. Exemplo MOISÉS, Massaud. Dicionário de Termos Literários. Segunda Edição. São Paulo,. Cultrix, 1978. 2. Quando a obra tem dois autores, citam-se ambos. Sendo mais de dois os autores, menciona-se apenas o primeiro, seguido da expressão et alii, (que significa “e outros”). Exemplos CAPUANO, Francisco Gabriel e MARINO, Maria Aparecida Mendes. Laboratório de eletricidade e eletrônica. 3ª ed. São Paulo, Ed. Erica, 1988. BRITO, Sulami Pereira et alii. Psicologia da aprendizagem centrada no estudante. 3ª ed. Campinas, Papirus, 1989. 3. Quando o autor for uma entidade, cita-se o nome ou a sigla; Exemplo SENAI-DN. A Avaliação da Aprendizagem. Por José Maria da Silva. Rio de Janeiro, 1990. Apresentação gráfica de relatório A apresentação gráfica de um documento é muito importante, pois, de certo modo, predispõe o leitor a valorizar ou não o trabalho feito. Assim, é recomendável que o texto seja datilografado ou, no caso de impossibilidade, manuscrito com letra legível. Recomenda-se que um relatório concluído apresente-se conforme a seqüência sugerida abaixo: • Capa - no topo da página: o nome da instituição; Comunicação SENAI-SP - INTRANET68 no meio da página: o título do relatório; no rodapé da página, canto direito: cidade, mês e ano. • Sumário; • Introdução; • Desenvolvimento e ou os tópicos que o compõem; • Conclusão; • Agradecimentos (quando for o caso); • Bibliografia (quando for o caso); • Anexos (quando houver). No final de um relatório deverão sempre aparecer o nome e a assinatura do(s) autor(es). Comunicação SENAI-SP - INTRANET 69 Exemplos de relatórios Os dois exemplos apresentados a seguir foram elaborados por alunos do SENAI-SP. Comunicação SENAI-SP - INTRANET70 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 71 Comunicação SENAI-SP - INTRANET72 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 73 Comunicação SENAI-SP - INTRANET74 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 75 Comunicação SENAI-SP - INTRANET76 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 77 Comunicação SENAI-SP - INTRANET78 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 79 Proposta para elaboração de relatórios 1. Faça um levantamento de situações ou acontecimentos ou fatos que possam gerar um relatório técnico. O acontecimento que vai gerar o relatório pode se dar na empresa, na escola, ou até mesmo qualquer outra alternativa que for mais viável para a realização do exercício. 2. Anote todos os dados disponíveis e necessários para a elaboração do seu texto. Lembre-se de aplicar os conhecimentos, informações e procedimentos que você já adquiriu, tais como, uso de dicionário, pesquisa em livros (pesquisa bibliográfica), estruturação de parágrafos, roteiro para intelecção de textos, entre outros. 3. Converse com o docente, com seu monitor na empresa e com seus colegas de turma para decidirem qual a melhor estratégia - em equipe, em duplas ou individualmente; se há possibilidade de estruturá-lo utilizando computador ou se será manuscrito; quantos relatórios será possível elaborar dentro da carga horária disponível; enfim, será preciso um planejamento prévio dessa atividade. É importante que seja analisada, também, a possibilidade de se fazer uma apresentação dos trabalhos para a classe, pois, dessa forma, todos teriam a oportunidade de conhecer diferentes textos elaborados. Comunicação SENAI-SP - INTRANET80 Comunicação SENAI-SP - INTRANET 81 Referências bibliográficas APRENDIZ ON-LINE. Redação. Disponível em <www.uol.com.br/aprendiz> Acesso em julho de 2004. Brasil Escola 2003-04. Descrição, Narração, Dissertação. Disponível em <www.brasilescola.com/redacao>. Acesso em julho de 2004. ___________________Estudiologia - Língua Portuguesa - Gramática, Narração, Dissertação. 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Comunicação SENAI-SP - INTRANET82 SENAI-SP., Módulo Intelecção de Textos. Por Soler, Eliana Misko e Ferrari, Margarida Maria Scavone, para o Programa “Preparação e Aperfeiçoamento de Docentes” da Divisão de Recursos Humanos. São Paulo, 1995. ________. Elementos Curriculares do Componente Curricular - Português, Por Soler, Eliana Misko e Ferrari, Margarida Maria Scavone (Para Cursos de Aprendizagem Industrial), SENAI-SP. 1992. ________. Programa “Preparação e Aperfeiçoamento de Docentes” - Divisão de Recursos Humanos- DRH, Módulo Descrição Técnica", Por Soler, Eliana Misko e Ferrari, Margarida Maria Scavone, Divisão de Planejamento Curricular, SENAI-SP, 1995. ________.Programa “Preparação e Aperfeiçoamento de Docentes” – Divisão de Recursos Humanos- DRH. “Módulo Relatório Técnico”, por Soler, Eliana Misko e Ferrari, Margarida Maria Scavone, Divisão de Planejamento Curricular, SENAI-SP, 1995. SEVERIMO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 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