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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
139 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
pela mais profunda das violências foi a escravidão, que encontrou 
em Castro Alves um adversário de peso, como mostram seus 
poemas marcados 
a) pelo tom oratório e pela retórica inflamada. 
b) por uma linguagem sensível e insinuante. 
c) pela sátira combativa e pelas teses naturalistas. 
d) pelo romantismo típico da primeira geração. 
e) pelo desencanto e pela melancolia de sua geração. 
 
Questão 05 
A CRUZ DA ESTRADA 
 
Caminheiro que passas pela estrada, 
Seguindo pelo rumo do sertão, 
Quando vires a cruz abandonada, 
Deixa-a em paz dormir na solidão. 
 
É de um escravo humilde sepultura, 
Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz. 
Deixa-o dormir no leito de verdura, 
Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs. 
 
Dentre os braços da cruz, a parasita, 
Num abraço de flores se prendeu. 
Chora orvalhos a grama, que palpita; 
Lhe acende o vaga-lume o facho seu. 
 
Caminheiro! Do escravo desgraçado 
O sono agora mesmo começou! 
Não lhe toques no leito de noivado, 
Há pouco a liberdade o desposou. 
 (ALVES, Castro. (1883) In: LAJOLO, Marisa & 
CAMPEDELLI, Samira (org.) "Literatura comentada". 2a ed. São 
Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 89-90.) 
 
Nesse fragmento do poema "A cruz da estrada", observa-se um 
traço marcante da poesia romântica, que é 
a) o egocentrismo exacerbado revelador das emoções do eu. 
b) o nacionalismo expresso na origem histórica do nosso povo. 
c) o envolvimento subjetivo dos elementos da natureza. 
d) a evasão do eu para espaços distantes e exóticos. 
e) a idealização da infância como uma época perfeita. 
 
Questão 06 (Enem PPL 2012) 
TEXTO I 
 
A canção do africano 
 
Lá na úmida senzala. 
Sentado na estreita sala, 
Junto ao braseiro, no chão, 
entoa o escravo o seu canto, 
E ao cantar correm-lhe em pranto 
Saudades do seu torrão... 
De um lado, uma negra escrava 
Os olhos no filho crava, 
Que tem no colo a embalar... 
E à meia-voz lá responde 
Ao canto, e o filhinho esconde, 
Talvez p’ra não o escutar! 
“Minha terra é lá bem longe, 
Das bandas de onde o sol vem; 
Esta terra é mais bonita. 
Mas à outra eu quero bem.” 
ALVES, C. Poesias completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995 
(fragmento). 
 
TEXTO lI 
 
No caso da Literatura Brasileira, se é verdade que prevalecem as 
reformas radicais, elas têm acontecido mais no âmbito de 
movimentos literários do que de gerações literárias. A poesia de 
Castro Alves em relação à de Gonçalves Dias não é a de negação 
radical, mas de superação, dentro do mesmo espírito romântico. 
MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 
2003 (fragmento) 
 
O fragmento do poema de Castro Alves exemplifica a afirmação de 
João Cabral de Melo Neto porque 
a) exalta o nacionalismo, embora lhe imprima um fundo ideológico 
retórico. 
b) canta a paisagem local, no entanto, defende ideais do 
liberalismo. 
c) mantém o canto saudosista da terra pátria, mas renova o tema 
amoroso. 
d) explora a subjetividade do eu lírico, ainda que tematize a 
injustiça social. 
e) inova na abordagem de aspecto social, mas mantém a visão 
lírica da terra pátria. 
 
Questão 07 
O Amor preside a vários poemas de Espumas flutuantes. 
Considere estes dois fragmentos, em dois distintos momentos da 
poesia de Castro Alves: 
I. E da alcova saía um cavalheiro 
Inda beijando uma mulher sem véus... 
Era eu... Era a pálida Teresa! 
II. Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos 
Ao doudo afago de meus lábios mornos. 
 
Tais versos ilustram a seguinte característica da poesia de Castro 
Alves: 
a) a extremada idealização amorosa faz da amada um ser etéreo e 
inatingível. 
b) o intimismo e a timidez levam o poeta a sugerir seu medo de 
amar. 
c) a virilidade e o erotismo convivem com a idealização amorosa. 
d) a dimensão erótica é sobrepujada pela ternura e pela inclinação 
platônica. 
e) o desejo amoroso, quando materializado, traz a culpa e o 
remorso. 
 
Questão 08 (Ufsm 2015) 
Poeticamente, o sal metaforiza o mar, as lágrimas, a força de viver. 
Castro Alves, em sua obra poética, lança mão desse recurso para 
unir arte e crítica social. 
Observe os fragmentos: 
 
Fragmento 1 – “A Canção do Africano” 
 
Lá, na úmida senzala, 
Sentado na estreita sala, 
 
 
 
 
 140 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 14 - Romantismo No Brasil – Terceira Geração 
 
Junto ao braseiro, no chão, 
Entoa o escravo o seu canto, 
E ao cantar correm-lhe em pranto 
Saudades do seu torrão... 
Fonte: CASTRO ALVES, 1995, p. 100. 
 
Fragmento 2 - “O Navio Negreiro” 
 
Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se eu deliro... ou se e verdade 
Tanto horror perante os céus... 
O mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?... 
Astros! noite! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão!... 
Fonte: CASTRO ALVES, 1995, p. 137. 
 
Em relação a esses versos, é possível afirmar: 
I. O canto, as saudades e o pranto do escravo, no primeiro 
fragmento, são decorrentes do cativeiro resultante da escravidão, 
situação aviltante ao ser humano. 
II. O “horror perante os céus” a que se refere o eu lírico, no 
segundo fragmento, corresponde ao tráfico de escravos, mácula 
sociomoral que envergonha o Brasil. 
III. Em ambos os fragmentos, a crueldade da escravidão se faz 
presente. 
 
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s) 
a) I apenas. b) II apenas. c) I e II apenas. 
d) III apenas. e) I, II e III. 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 (Upe-ssa 2 2016) 
Em relação à produção literária de Gonçalves Dias e Castro Alves, 
ambos preocupados, em suas temáticas, com a problemática das 
etnias, que determina o homem brasileiro como ser culturalmente 
híbrido, analise as afirmativas e coloque V nas Verdadeiras e F nas 
Falsas. 
 
( ) A poética de Gonçalves Dias trata do homem indígena em 
sua essência, apresentando-o integrado aos aspectos culturais de 
seu grupo. 
 
( ) A poética de Castro Alves toma como princípio a defesa dos 
negros, escravos que eram vendidos aos colonos no Brasil para 
serem explorados pelos senhores, principalmente no plantio da 
cana e no fabrico do açúcar. 
 
( ) Tanto Gonçalves Dias quanto Castro Alves ficaram alheios às 
questões históricas brasileiras, pois produziram poemas de 
tonalidade épica, embora neles não fossem contempladas as 
temáticas indígena e abolicionista. 
 
( ) Nos poemas líricos, eles exaltaram o sentimento amoroso de 
modo diversificado. Enquanto Gonçalves Dias idealiza a imagem 
feminina, Castro Alves imprime-lhe um sentido sensual, o que já 
prenuncia o movimento posterior ao Romantismo. 
( ) Na poesia condoreira de Castro Alves, o poeta descreve 
como os negros sã desterritorializados, os maus-tratos que sofrem 
nos navios negreiros e o modo como perde a liberdade ao serem 
vendidos como escravos aos senhores de engenho. 
 
Analise a alternativa que contém a sequência CORRETA. 
a) F - F - V - V - F 
b) V - V - V - F - F 
c) F - V - F - V - V 
d) F - F - F - F - V 
e) V - V - F - V - V 
 
Questão 02 (Uff 2010) 
Senhor, não deixes que se manche a tela 
Onde traçaste a criação mais bela 
De tua inspiração. 
O sol de tua glória foi toldado... 
Teu poema da América manchado, 
Manchou-o a escravidão. 
Castro Alves 
Na poesia de Castro Alves, a temática da escravidão é tratada pelo 
eu lírico como denúncia de uma injustiça social cuja solução 
pertence à esfera divina. Diferentemente dessa postura, há uma 
poesia em língua portuguesa que trata essa questão pelo viés da 
busca da liberdade pela consciência e atuação do negro capaz de 
reescrever sua história. 
 
Assinale a passagem que apresenta o negro como construtor ativo 
de sua própria liberdade. 
a) Eu sou carvão! 
 E tu acendes-me, patrão 
 Para te servir eternamentecomo força motriz 
 Mas eternamente não 
 Patrão! (Craveirinha) 
b) Das velas 
 Que conduziam pelas estrelas negras 
 O pálido escaravelho 
 Dos mares 
 Cada degredado era um rei 
 Magro insone incolor 
 Como barro (Oswald de Andrade) 
c) Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém. 
 Todos tiveram pai, todos tiveram mãe. 
 Mas eu, que nunca principio nem acabo, 
 Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo (José Régio) 
d) Cantando os homens 
 Perdidos em aventuras da vida 
 Espalhados por todo o mundo! 
 Em Lisboa? 
 Na América? 
 No Rio? (Francisco José Tenreiro) 
e) Por que chora o homem? 
 Que choro compensa 
 o mal de ser homem? (Carlos Drummond de Andrade) 
 
Questão 03 (Ufsm) 
Relacione as duas colunas. 
1. Álvares de Azevedo 
2. Castro Alves 
3. Casimiro de Abreu 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
141 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
( ) Sua poesia apresenta angústia, aspiração à morte e, ao 
mesmo tempo, temor dela. 
( ) É autor de versos simples, ternos e passivamente 
melancólicos. 
( ) Seus versos, de ânimo arrebatado e impulsivo, projetam 
experiências amorosas intensamente vividas. 
( ) É autor de poemas consagrados, como "Se eu morresse 
amanhã". 
( ) Representa uma tendência do Romantismo brasileiro 
caracterizada pela preocupação social. 
 
A sequência correta é 
a) 3 - 2 - 2 - 3 - 1. 
b) 1 - 3 - 2 - 1 - 2. 
c) 1 - 2 - 3 - 1 - 1. 
d) 2 - 1 - 1 - 3 - 2. 
e) 3 - 1 - 2 - 2 - 3. 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: 
 
“Onde estás” 
 
1 É meia-noite... e rugindo 
2 Passa triste a ventania, 
3 Como um verbo de desgraça, 
4 Como um grito de agonia. 
5 E eu digo ao vento, que passa 
6 Por meus cabelos fugaz: 
7 “Vento frio do deserto, 
8 Onde ela está? Longe ou perto?” 
9 Mas, como um hálito incerto, 
10 Responde-me o eco ao longe: 
11 “Oh! minh’amante, onde estás?...” 
 
12 Vem! É tarde! Por que tardas? 
13 São horas de brando sono, 
14 Vem reclinar-te em meu peito 
15 Com teu lânguido abandono!... 
16 ’Stá vazio nosso leito... 
17 ’Stá vazio o mundo inteiro; 
18 E tu não queres qu’eu fique 
19 Solitário nesta vida... 
20 Mas por que tardas, querida?... 
21 Já tenho esperado assaz... 
22 Vem depressa, que eu deliro 
23 Oh! minh’amante, onde estás?... 
24 Estrela – na tempestade, 
25 Rosa – nos ermos da vida, 
26 Íris – do náufrago errante, 
27 Ilusão – d’alma descrida! 
28 Tu foste, mulher formosa! 
29 Tu foste, ó filha do céu!... 
30 ... E hoje que o meu passado 
31 Para sempre morto jaz... 
32 Vendo finda a minha sorte, 
33 Pergunto aos ventos do Norte... 
34 “Oh! minh’amante, onde estás?” 
 
(CASTRO ALVES, A. F. Espumas flutuantes. São Paulo: 
Companhia Editora Nacional, 2005. p. 84-85.) 
 
 
Questão 04 (UEL 2011) 
Sobre o poema, considere as afirmativas a seguir. 
I. Na primeira estrofe, o eu-lírico dirige-se ao vento frio do deserto; 
na segunda, dirige-se à amada distante. 
II. O eu-lírico pergunta ao vento sobre o paradeiro de sua amada, 
revelando a dor pela distância que os separa. 
III. O eu-lírico acusa os ventos do Norte, que passam como gritos 
de agonia, por ter finda sua sorte e estar morto seu passado. 
IV. “Estrela” e “rosa” são usadas pelo eu-lírico para designar sua 
agonia; “íris” e “ilusão” referem-se à ventania. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
b) Somente as afirmativas I e III são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 
 
Questão 05 (UEL 2011) 
Assinale a alternativa que relaciona corretamente versos do poema 
a figuras de linguagem. 
a) A comparação entre o vento e a amada é verificada nos versos 
“Mas por que tardas, querida?... / Já tenho esperado assaz...”. 
b) Em “Como um verbo de desgraça, / Como um grito de agonia.”, 
a antítese opõe a fugacidade do vento à tristeza da ventania. 
c) Os versos “Tu foste, mulher formosa! / Tu foste, ó filha do céu!...” 
comparam a amada à triste e fugaz ventania, pois ambas impedem 
seu brando sono. 
d) A comparação presente nos versos “Mas, como um hálito 
incerto, / Responde-me o eco ao longe:” reforça a ausência de 
resposta sobre o paradeiro da amada. 
e) A antítese, presente em todo o poema, é exemplificada pelos 
versos “... E hoje que o meu passado / Para sempre morto jaz...”. 
 
Questão 06 (UEL 2011) 
Pode-se afirmar que são temas de Espumas flutuantes, de Castro 
Alves: 
a) A culpa, a religiosidade e a morte. 
b) A religiosidade, o fazer poético e o indianismo. 
c) A morte, o fazer poético e o amor. 
d) O indianismo, a pátria e o amor. 
e) A pátria, a culpa e a melancolia. 
 
Questão 07 
Trechos de Navio Negreiro, de Castro Alves 
 
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano! 
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano 
Como o teu mergulhar no brigue voador! 
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras! 
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ... 
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror! 
(...) 
 
Era um sonho dantesco... o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho. 
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite, 
Horrendos a dançar... 
(...) 
Senhor Deus dos desgraçados! 
 
 
 
 
 142 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 14 - Romantismo No Brasil – Terceira Geração 
 
Dizei-me vós, Senhor Deus, 
Se eu deliro... ou se é verdade 
Tanto horror perante os céus?!... 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
Do teu manto este borrão? 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! ... 
Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/calves.html 
Acesso: 04\04\2014 
 
Castro Alves é o grande nome da terceira geração do romantismo, 
conhecida como Condoreira. O estilo de seus versos reflete bem o 
ideal poético dessa geração, pois: 
a) é brando e gracioso, adotando um ritmo popular carregado de 
musicalidade. 
b) traduz-se em linguagem grandiloquente, por meio da qual realiza 
uma crítica social. 
c) é preciso e objetivo, deixando em segundo plano o subjetivismo. 
d) reflete o gosto ultrarromântico pela morbidez e pela melancolia. 
e) é impessoal e imparcial, aproximando-se da visão crítica da 
escola realista. 
 
ADORMECIDA 
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia 
Numa rede encostada molemente... 
Quase aberto o roupão... solto o cabelo 
E o pé descalço do tapete rente. 
 
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste 
Exalavam as silvas da campina... 
E ao longe, num pedaço do horizonte, 
Via-se a noite plácida e divina. 
 
De um jasmineiro os galhos encurvados, 
Indiscretos entravam pela sala, 
E de leve oscilando ao tom das auras, 
Iam na face trêmulos — beijá-la. 
 
Era um quadro celeste!... A cada afago 
Mesmo em sonhos a moça estremecia... 
Quando ela serenava... a flor beijava-a... 
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia... 
 
Dir-se-ia que naquele doce instante 
Brincavam duas cândidas crianças... 
A brisa, que agitava as folhas verdes. 
Fazia-lhe ondear as negras tranças! 
 
E o ramo ora chegava ora afastava-se... 
Mas quando a via despeitada a meio. 
P’ra não zangá-la... sacudia alegre 
Uma chuva de pétalas no seio... 
 
Eu, fitando a cena, repetia 
Naquela noite lânguida e sentida: 
“Ó flor! – tu és a virgem das campinas! 
“Virgem! — tu és a flor da minha vida!...” 
CASTRO ALVES. Espumas flutuantes. In Obra compIeta Rio de 
Janeiro: Nova Aguar, 1986. p. 124-125. 
 
Questão 08 (UFF 2012) 
Analisando os aspectos constitutivos do poema de Castro Alves 
percebe-se elementos característicos do estilo romântico. Das 
afirmações feitas a seguir, não está compatível com a leitura do 
poema em relação ao Romantismo: 
a) A valorização de elementos da natureza conferesentidos 
particulares ao poema e indicia sua identificação com propostas 
estéticas do Romantismo. 
b) O poema se organiza a partir de um episódio registrado pela 
memória do sujeito lírico, o que amplia a subjetividade romântica 
presente em seu discurso. 
c) O poema se constitui, principalmente, como descrição de uma 
cena, repleta de elementos românticos, configurando-se de forma 
plástica e visual. 
d) O poema é percorrido por um tom melancólico, próprio do 
Romantismo, empregado pelo poeta para expressar a frustração 
amorosa do eu lírico. 
e) O ambiente noturno, privilegiado pelos poetas românticos, 
contribui, no poema, para o estabelecimento de uma atmosfera de 
sonho, de calma e de desejo. 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES 
 
O “Adeus” de Teresa 
 
A vez primeira que eu fitei Teresa, 
Como as plantas que arrasta a correnteza, 
A valsa nos levou nos giros seus... 
E amamos juntos... E depois na sala 
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala... 
 
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.” 
 
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro... 
E da alcova saía um cavaleiro 
Inda beijando uma mulher sem véus... 
Era eu... Era a pálida Teresa! 
“Adeus” lhe disse conservando-a presa... 
 
E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!” 
 
Passaram tempos... séc’los de delírio 
Prazeres divinais... gozos do Empíreo... 
... Mas um dia volvi aos lares meus. 
Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...” 
Ela, chorando mais que uma criança, 
 
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!” 
 
Quando voltei... era o palácio em festa!... 
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra 
Preenchiam de amor o azul dos céus. 
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa! 
Foi a última vez que eu vi Teresa!... 
 
E ela arquejando murmurou-me: “adeus!” 
(CASTRO ALVES, Antonio Frederico. Espumas flutuantes. São 
Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. p. 51.) 
 
 
 
http://www.revista.agulha.nom.br/calves.html
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
143 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Questão 09 (UEL 2011) 
Acerca do poema, é correto afirmar: 
I. A palavra “adeus” apresenta variações de significado. 
II. Na terceira estrofe, a ausência do eu lírico é marcada por 
hipérboles. 
III. Há ruptura da idealização da figura feminina. 
IV. O amor espiritual sobrepõe-se ao amor carnal. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
b) Somente as afirmativas I e III são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 
 
Questão 10 (UEL 2011) 
Sobre características do estilo de Castro Alves presentes no 
poema, considere as afirmativas a seguir. 
I. Presença de uma visão erotizada do amor e da mulher. 
II. Abandono do tom aclamatório presente nos poemas sobre os 
escravos. 
III. Confirma sua inserção na segunda geração do Romantismo. 
IV. Revela influência do sentimentalismo amoroso adulto. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
b) Somente as afirmativas II e III são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
 
Questão 11 (UEL 2011) 
Considerando os recursos de composição utilizados no poema, 
assinale a alternativa correta. 
a) As reticências acentuam a emotividade do par amoroso e 
assinalam suspensões temporais. 
b) O uso do verso decassílabo reproduz o ritmo da valsa que 
embala o casal durante todo o poema. 
c) A alternância do comportamento de Teresa entre amor e ódio é 
marcada pelo refrão. 
d) As inversões sintáticas são utilizadas para intensificar o 
sofrimento de Teresa. 
e) O uso da comparação na primeira estrofe revela o caráter firme 
de Teresa. 
 
Questão 12 (UFRS) 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES. 
 
AMOR E MEDO 
Casimiro de Abreu 
 
Quando eu te fujo e me desvio cauto 
Da luz de fogo que te cerca, ó bela, 
Contigo dizes, suspirando amores: 
"- Meu Deus, que gelo, que frieza aquela!" 
 
Como te enganas! meu amor é chama, 
Que se alimenta no voraz segredo, 
E se te fujo é que te adoro louco... 
És bela - eu moço; tens amor, eu - medo!... 
 
Tenho medo de mim, de ti, de tudo, 
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes, 
Das folhas secas, do chorar das fontes, 
Das horas longas a correr velozes. 
 (...) 
 
 
BOA-NOITE 
Castro Alves 
 
Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora. 
A lua nas janelas bate em cheio. 
Boa-noite, Maria! é tarde... é tarde... 
Não me apertes assim contra teu seio. 
 
Boa-noite!... E tu dizes - Boa noite, 
Mas não digas assim por entre beijos... 
Mas não mo digas descobrindo o peito, 
- Mar de amor onde vagam meus desejos. 
 
Julieta do céu! Ouve... a calhandra 
Já rumoreja o canto da matina. 
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira... 
... Quem cantou foi teu hálito, divina! 
(...) 
 
Em "Boa Noite", Castro Alves 
 
a) apresenta uma cena de amor interrompida pelo canto de um 
pássaro que anuncia o surgimento de uma terceira pessoa na sala. 
b) despede-se da amada, que retribui o adeus demonstrando em 
sua atitude a vontade de que o amante permaneça. 
c) despede-se da amada alegando que o luar, ao bater nas janelas, 
há de denunciá-los aos demais moradores da casa. 
d) apresenta uma cena em que o amante amedrontado avalia 
depreciativamente os dotes físicos da amada. 
e) despede-se da amada que se encontra no leito, desnuda e 
temerosa de que eles sejam surpreendidos. 
 
Questão 13 (UFRS) 
Em "Amor e medo", Casimiro de Abreu 
a) recomenda cautela à amada para que a luz de fogo que a cerca 
não revele a terceiros os segredos do casal. 
b) evita os encantos da amada justamente por desejar a moça em 
excesso, respondendo ao amor dela com seu medo. 
c) nota que a amada engana-se ao julgá-lo ardente e amoroso, 
pois se trata apenas de uma impressão causada pela distância que 
os separa. 
d) evita aproximar-se da amada porque as horas longas a correr 
velozes em breve prejudicarão a intensidade do desejo que os une. 
e) discorda da amada que afirma que ele foge dela para evitar a 
intensidade do amor que se alimenta no voraz segredo. 
 
Questão 14 (UFRS) 
Considere as afirmativas seguintes. 
I - Os dois poemas apresentam mulheres envolvidas pela atração 
amorosa: em "Amor e medo" a moça suspira e ressente-se da 
suposta indiferença do poeta; em "Boa-noite" ocorre o contato 
físico entre o casal, e a mulher insinua com alguma veemência que 
não deseja a partida do amante.

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