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Carlos Chagas em 1916 fez a associação do megaesôfago com a reação imunológica à Doença de Chagas (Trypanossoma cruzi) ETIOLOGIA DO MEGAESÔFAGO Congênita é a mais frequente no mundo Avitaminose B1 Intoxicação por IPERITE (Gás mostarda) Uso prolongado de morfina (muito raro) Malária (crônica) DOENÇA DE CHAGAS (90% no Brasil) Mesma distribuição endêmica Podem ter alterações no ECG Podem ter parasitas intramurais Indução de megaesôfago MEGAESÔFAGO INTRODUÇÃO CHAGAS: FASE AGUDA (IGM POSITIVO- muito difícil de diagnosticar nessa fase): Resposta auto imune causando destruição de células ganglionares plexo mioentérico (responsável pela coordenação motora do esôfago) CASCATA RELACIONADA A INCOORDENAÇÃO Alteração no peristaltismo do esôfago Ausência do relaxamento (que permite a passagem do bolo alimentar do Esfíncter Esofágico Inferior (EEI) durante a deglutição (ACALASIA) - no estágio inicial a alteração é mais funcional do que anatômica Retenção alimentar Hipertrofia da mm do esôfago DILATAÇÃO, ALONGAMENTO E ATONIA DO ESÔFAGO (TARDIO) DISFAGIA PROGRESSIVA: inicialmente sólidos, depois pastosos e por último líquidos. NA FASE DE ACALASIA: Ocorre uma incoordenação do esôfago BOLO IMPACTADO/HISTERICO: Dificuldade de descer ETIOFISIOPATOGENIA MACROSCOPIA: Capacidade aumentada de 100mL para 2500mL Forma convexa ou em sigma (em S) Paredes espessadas pela hipertrofia Cárdia sem fibrose ou estenose (na transição com o estomago) Mucosa com esofagite de estase : Podendo desenvolver carcinoma de esôfago no futuro MICROSCOPIA: Inflamação subaguda: Presença de células linfoides Degeneração de células nervosas Desaparecimento e fibrose do plexo mioentérico MUSCULAR DA MUCOSA: Camada mais acometida ANATOMIA PATOLÓGICA DO ESÔFAGO Moléstia esofágica mais frequente no Brasil Homens e mulheres 2:1 (homens têm mais exposição aos triatomíneos - besouro barbeiro) Em geral aparece na 3ª a 5ª década (pode levar anos para manifestação dos sintomas após o contato com o besouro) DISFAGIA Principal sintoma Lenta e progressiva Parada do alimento e dor ao nível do apêndice xifoide Deglutições repetidas com água (o paciente bebe água na tentativa de ajudar na deglutição) REGURGITAÇÃO ALIMENTAR Por impactação alimentar, o paciente pode regurgitar e BRONCOASPIRAR - principal causa de morte no megaesôfago SIALORREIA O paciente começa a salivar muito para tentar ajudar na deglutição. Esse processo pode levar à HIPERTROFIA DAS GLÂNDULAS PARÓTIDAS Amilasemia elevada EMAGRECIMENTO Outras manifestações da Doença de Chagas -> megacólon, IC. QUADRO CLÍNICO RADIOGRAFIA DE TÓRAX - não faz diagnóstico Consegue visualizar alterações em casos avançados Alargamento do mediastino Duplo contorno cardíaco à direita Ausência de bolha gástrica (o paciente não consegue nem deglutir o ar) Nível líquido intratorácico DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO Reação de Machado-Guerreiro (ultrapassada) ELISA - IgM (recente) IgG (tardia 10-15 anos) ESOFAGOGRAMA - radiografia contrastada Infusão de contraste baritado Observa a luz do esôfago e percebe o ESTREITAMENTO PROGRESSIVO AFUNILADO INFERIOR (“chama de vela ou bico de pássaro” ou “em ponta de lápis e DILATAÇÃO A MONTANTE MEGAESÔFAGO EXAMES COMPLEMENTARES CLASSIFICAÇÃO RADIOLÓGICA DE MASCARENHAS DE CAMARA LOPES: Análise da dilatação (entre as paredes do esôfago) pelo ponto mais dilatado GRAU I Até 4 cm GRAU II 4 - 7 cm GRAU III 7 - 10 cm GRAU IV Mais de 10 cm CLASSIFICAÇÃO DE RESENDE (1960) Utiliza a mesma variável (GRAUS RELATIVOS AOS DE CIMA): FASE ANECTÁSICA (GRAU I): Pequena retenção ou dilatação (ectasia) ESOFAGO DISCINÉTICO (GRAU II): : Pequeno aumento do calibre e retenção franca, além de ser um esôfago discinético (não contrai corretamente) MEGAESOFAGO (GRAU III): : Grande retenção e atividade motora reduzida, além de grandes dilatações DOLICOMEGAESOFAGO (GRAU IV): Alongado (formas sigmoides) CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA (MAIS USADA PARA TTO) MEGAESOFAGO INICIAL: Quase assintomático, mas com alterações de funcionalidade. Encontrado mais em pacientes de origem congênita. Em geral, conduta expectante DISFAGIA INTERMITENTE SEM ECTASIA ESOFAGICA (DILATAÇÃO) ALTERAÇÕES ELETROMANOMÉTRICAS: Discinético e com alterações de esfincter MEGAESOFAGO NÃO AVANÇADO: Mais tratado nessa fase. Cirurgia pode ajudar. Alteração de manometria e pcte pouco sintomático CORRESPONDE AOS GRAUS I, II, III: Pode se associar essa classificação com a radiológica MANTÉM RETO RARAMENTE TEM DESNUTRIÇÃO IMPORTANTE OU ALTERAÇÕES PULMONARES POR ASPIRAÇÃO MEGAESOFAGO AVANÇADO: Cirurgia! GRAU IV OU MESMO GRAU III. ESOFAGO TORTUOSO: Debruça se sobre a cúpula frênica direita, sob forma de dólicoesofago DESNUTRIÇÃO E PNEUMOPATIAS ASSOCIADAS ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA - EDA Não serve para diagnóstico Diagnóstico diferencial Descartar neoplasias associadas Pacientes com megaesôfago chagásico têm maior predisposição a desenvolver neoplasias esofágicas. E a abordagem cirúrgica na vigência de uma neoplasia + megaesôfago é diferente, por isso se pede a EDA!!! ESOFAGOMANOMETRIA Método mais sensível - PADRÃO OURO DETECTA A FALTA DE RELAXAMENTO DO EEI - ACALÁSIA Aperistalse Graus variados de hipertonia do EEI MEGAESÔFAGO TUMORES ESOFAGICOS DIVERTICULOS ESOFAGICOS DISTURBIOS FUNCIONAIS DO ESOFAGO COLAGENOSES: Esclerodermia , LES, S jogren ESPASMO ESOFAGIANO DIFUSO: Esôfago em quebra nozes DISFAGIA PSICOGÊNICA OU BOLO HISTÉRICO : Sensação de entalo e bolo na garganta DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS DESNUTRIÇÃO DISTURBIOS HIDROELETROLÍTICOS RETARDO DO CRESCIMENTO: Principalmente em crianças com origem congênita PNEUMONIA ASPIRATIVA : Doença avançada HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA : Por esofagite de estase CANCER DE ESOFAGO: 3-10% dos pctes com megaesôfago COMPLICAÇÕES PALIATIVO TODO TRATAMENTO É ASSIM , NÃO TEM CURATIVO, uma vez que a lesão é neurológica - plexo mioentérico OBJETIVOS: Enfraquecer o EEI para aliviar os sintomas de obstrução CASO DILATE O EEI: Pode causar DRGE TRATAMENTO FORMAS: DILATAÇÃO DO ESOFAGO (CASOS MENOS AVANÇADOS E TEMPORÁRIOS- Megaesôfago inicial) BUGINAGE POR SONDAS DE HUST: Mangueira de mercúrio para o paciente deglutir > rompendo as fibras do EEI melhorando a disfagia DILATADORES DE SAVARY: pode fazer durante a EDA BALÕES HIDROSTÁTICO : Balão dilata o EEI TRATAMENTO CIRURGICO: CARDIOMIOTOMIA + VALVULA ANTI REFLUXO (VAR [PRINCIPAL]: Secção do músculo da cardia CARDIOMIOPLASTIA : Modificação da cardia ESOFAGECTOMIA (RADICAL): Retirada do esôfago TÉCNICAS CIRÚRGICAS: REDUÇÃO DO DIAMETRO: Meyer fazia uma p licadura para reduzir o diâmetro (não resolvia) ENCURTAMENTO Redução do tamanho | Ressecar a parte distal do esôfago (não resolvia) CARDIECTOMIA COM ANASTOMOSES DIRETAS Retirando a cárdia com anastomose esofagogastrica , mas causando a DRGE | Parecida com a outra, mas também mantinha se as células antrais causando refluxo CARDIECTOMIAS COM INTERPOSIÇÃO DE ALÇA Ligação do estomago com esôfago através de uma alça do delgado + piloroplastia COMPLEXA, MAS BEM FISIOPATOLOGICA EM TERMOS DE RESOLUÇÃO) RESOLUÇÃO): Anastomose com o fundo gástrico (esofago fundostomia) + antrectomia ( retira o antro, controlando a produção gástrica e DRGE ) + Y de roux (controla o refluxo de bile para evitar o conteúdo do duodeno chegue no estomago - gastrite alcalina) Alta probabilidade de formação de fístulas por muitas anastomoses *TEM VÁRIAS, MAS NENHUMA É A TOP CARDIOPLASTIAS COM E SEM VAR : Modificações da cardia sutura em situação contralateral, aumentando o diâmetro, por exemplo , MAS mantendo DRGE MEGAESÔFAGO CARDIOMIOTOMIAS (cirurgia de Heller)- a mais usada hoje em dia . Corte do músculo da cárdia. Na cirurgia de Heller faz na frente e atrás - continua com refluxo Hoje em dia a que mais se usa é a Heller modificada, que consiste em só um corte + uma válvula anti-refluxo. Como mostra a imagem a seguir: Na imagem: Reverte o estomago e faz o fechamento dele em um losango aberto no esôfago, de modo que o peritônio passa a ser a mucosa do esofago . Ocorre a formação de uma válvula anti refluxo com a manutençãode vomito CIRURGIA USADA PÓS COMPLICAÇÕES DAS CIRURGIAS ANTERIORES ESOFAGECTOMIAS TOTAL + ESOFAGOCOLONPLASTIA OU ESOFAGOGASTROPLASTIA. Muito radical e NÃO deve ser feito, sendo indicação apenas em fases muito avançadas Para MEGAESÔFAGO INICIAL E NÃO AVANÇADO: Inicialmente tentar dilatação! Cardiomiotomia a Heller Modificada + VAR parcial Para MEGAESÔFAGO AVANÇADO: Não há consenso Esofagectomia transhiatal (mais usada no mundo) Cardioplastia de Thal-Hatafuku (é a que ele aprendeu a fazer) Técnica de Serra Dória Heller modificada com var: O esôfago acaba reduzindo de tamanho e assumindo sua forma original A VAR DIFICULTA O VOMITO PROPOSTA DE TRATAMENTO