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UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO INSTITUTO QUALITTAS DE PÓS-GRADUAÇÃO CURSO LATU-SENSO DE CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE PEQUENOS ANIMAIS 2007. Megaesôfago Secundário a Persistência de Arco Aórtico Direito em um Felino de 2 anos : Relato de caso. Renato Luiz Trindade Londrina, outubro. 2008 RENATO LUIZ TRINDADE Aluno do Curso Qualittas de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais Megaesôfago Secundário a Persistência de Arco Aórtico Direito em um Felino de 2 anos : Relato de caso. Trabalho monográfico de conclusão do curso de Pós-graduação, apresentado à UCB como requisito parcial para a obtenção do título de Pós-graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, sob a orientação do Prof. Dr. Domingos José Sturion. Londrina, outubro. 2008. Megaesôfago Secundário a Persistência de Arco Aórtico Direito em um Felino de 2 anos : Relato de caso. Elaborado por Renato Luiz Trindade Aluno do Curso Qualittas de Pós-graduação em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais Foi analisado e aprovado com grau: .................................... Londrina, ____de______________de_________. ____________________________ Membro ____________________________ Membro __________________________ Prof. Dr. Domingos José Sturion (Orientador) Presidente Londrina, outubro. 2008 Dedico essa monografia aos meus Pais. Por todo apoio e carinho, por me ensinarem a viver no caminho certo e por me incentivarem sempre e em todos os aspectos da vida, não só nos estudos, mas em todos os meus ideais. Vocês são fundamentais pra mim. Agradeço a Deus em primeiro lugar, por me iluminar e me encher de bênçãos. Aos meus pais pela oportunidade. Aos meus irmãos e parentes, pelo companheirismo. Ao meu orientador, Prof. Domingos, por elucidar minhas dúvidas. Ao felino Joshua, o “Josh”, por ter sido muito mais que um paciente pra mim. Pela docilidade mesmo nos momentos de dor e desconforto. Aos meus professores e colegas de curso pelos conhecimentos adquiridos. “As coisas que amo deixo livres... Se voltarem é porque as conquistei, se não voltarem é porque nunca as possuí.” John Lennon (1940-1980). TRINDADE, Renato Luiz Megaesôfago Secundário a Persistência de Arco Aórtico Direito em um Felino de 2anos: Relato de caso. Resumo A persistência do quarto arco aórtico obstrui o esôfago e a traquéia e interfere em suas funções normais à constrição causada por esta anomalia.. Este trabalho descreve um caso de megaesôfago secundário a persistência de arco aórtico direito (PAAD) diagnosticado em um gato da raça siamês de 2 anos de idade com sinais de disfagia, fraqueza e regurgitação persistente após a ingestão de alimentos. O exame radiográfico contrastado com sulfato de bário demonstrou dilatação esofágica e constrição do mesmo em base cardíaca. A anomalia vascular foi confirmada após exploração cirúrgica. Os aspectos clínicos e cirúrgicos desta patologia são relatados. Palavras-chave: traquéia, megaesôfago, disfagia, regurgitação, anomalia. TRINDADE, Renato Luiz Megaesophagus Secondary Aortic Arch Persistence in an 2-year-old feline: A case report. Abstract The persistence of the fourth aortic arch obstructs the esophagus and trachea and interferes with its normal functions due to constriction caused by this anomaly. The present work describes a case of megaesophagus secondary right aortic arch persistence (RAAP) diagnosed in an 2-year-old male siamese cat with signs of dysphagia, weakness and persistent regurgitation following feeding. The oesophagram showed an dilatation esophageal and constriction at the base of the heart through barium sulphate. The vascular anomaly was confirmed at surgical exploration. The clinical and surgical aspects of this patology are related. Key-words: trachea, megaesophagus, dysphagia, regurgitation, anomaly. SUMÁRIO Página Resumo ................................................................................................................... vii Abstract..................................................................................................................... viii Lista de figuras......................................................................................................... x Partes 1.INTRODUÇÃO ..........................................................................................................1 2. MEGAESÔFAGO......................................................................................................3 2.1Sinais Clínicos.....................................................................................................4 2.2 Diagnóstico.........................................................................................................5 2.3 Tratamento.........................................................................................................6 3. RELATO DE CASO...................................................................................................8 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO...............................................................................10 5. CONCLUSÃO........................................................................................................ 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................13 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Radiografia contrastada de esôfago ................................................................ 9 Figura 2: Após incisão e afastamento dos músculos torácicos principais ......................... 10 Figura 3: Joshua após 63 dias da correção cirúrgica ............................................. 12 1. INTRODUÇÃO As anomalias dos anéis vasculares são alterações congênitas provocadas por defeitos na embriogênese dos arcos aórticos (RICARDO et al., 2001). Podem ocorrer várias formações defeituosas dos vasos que se originam dos arcos aórticos embrionários, que podem envolver o esôfago, e às vezes a traquéia, dentro de um anel vascular sobre a base cardíaca. A anomalia do anel vascular mais comum em cães é a persistência do arco aórtico direito, que envolve o esôfagodorsalmente e à direita com o arco aórtico, à esquerda com o ligamento arterial e ventralmente com a base cardíaca (NELSON & COUTO, 1998). As anomalias, de um modo geral, são aceitas como hereditárias, possivelmente por alterações cromossomais que resultam nessas anomalias. Evidências experimentais demonstraram fatores ambientais, como agentes teratogênicos e deficiência de vitamina A, causando distúrbio no sistema arco aórtico (YARIM et al., 1999). A presença dessas más formações ocasiona a compressão extraluminal esofágica ao nível da base cardíaca (RICARDO et al., 2001). A constrição do esôfago provoca um megaesôfago secundário, geralmente com localização cranial a este local de compressão (JONES et al., 2000). O esôfago é um conduto musculomembranoso que conecta a faringe ao estômago. Seu comprimento é de aproximadamente 30 cm em um cão de tamanho médio e seu calibre varia de 2 a 2,5 cm de diâmetro, quando vazio (TORRES, 1997; GRANDAGE, 1998). É um órgão largo e dilatável, exceto em sua origem, o lúmen faringoesofágico, onde há uma constrição (GETTY, 1986). Persistência de arco aórtico direito e ducto arterioso patente compreendem as anomalias do anel vascular mais freqüentes em cães (KOÇ et al., 2004). PAAD ocorre quando o 4º arco aórtico direito persiste ao invés do esquerdo, que forma a aorta (JONES et al., 2000). As anomalias vasculares são raras em gatos (NELSON & COUTO, 1998; YARIM et al., 1999), sendo, desta forma, difícil de se estabelecer a predileção racial nesta espécie. No caso dos cães, German Shepherd e Setter Irlandês estão entre as raças mais acometidas (YARIM et al., 1999). A PAAD, particularmente, é uma alteração encontrada mais comumente em cães de raça grande, com massa corporal acima de 15kg (95% dos casos), sendo Boston Terrier, Setter Irlandês e Pastor Alemão as raças mais acometidas (TWEDT, 1997; FINGEROTH, 1998). Em geral, a patologia acomete principalmente animais jovens e de raça grande (SHIRES & LIU, 1981). 2. MEGAESÔFAGO Esta patologia caracteriza-se por dilatação generalizada do esôfago e perda parcial ou total do peristaltismo deste órgão, podendo ser secundário a qualquer condição que provoque o rompimento do reflexo nervoso controlador da deglutição, ou que afete o funcionamento dos músculos esofágicos, resultando na retenção do material ingerido no esôfago e numa distensão esofágica (LEIB, 1996; FINGEROTH, 1997; TWEDT, 1997; HOPPER et al., 2001). A doença é menos comumente diagnosticada em gatos e, quando encontrada, pode estar atribuída a anomalias do anel vascular, corpos estranhos ou espasmo pilórico (FORBES & LEISHMAN, 1985). O megaesôfago é um termo descrito pela dilatação do esôfago, uma manifestação de um número diversos de doenças. O termo megaesôfago secundário compreende todas as formas de dilatação do esôfago na qual a causa pode ser identificada. (GUILFORD, 1990; TWEDT, 1997; GONZALES & IWASAKI, 2001). Gatos siameses e siameses mistos apresentam alta incidência (FORBES & LEISHMAN, 1985). O prognóstico para animais com megaesôfago deve ser no mínimo reservado, sendo que os pacientes com distúrbios adjacentes primários podem melhorar, se tal distúrbio puder ser tratado com êxito (GUILFORD, 1990; LEIB, 1996; TWEDT, 1997). No caso particular de felinos, o prognóstico é reservado e tem sido aconselhado que gatos com megaesôfago não sejam utilizados para reprodução, acreditando tratar-se de uma patologia de caráter hereditário, através de genes recessivos (HOENIG et al., 1990). 2.1 Sinais Clínicos As anomalias do anel vascular são as principais causas de disfagia e dilatação do esôfago em animais jovens (YARIM et al., 1999).. Os animais com anomalias vasculares usualmente têm histórico de regurgitação principalmente após ingestão de alimentos sólidos (YARIM et al., 1999; KOÇ et al., 2004). O paciente pode parecer clinicamente normal, embora magro, mas em geral se torna progressivamente debilitado. Em alguns pacientes, pode-se palpar o esôfago cervical dilatado contendo alimento ou gás (NELSON & COUTO, 1998). Sinais de megaesôfago incluem vômito seguido de perda de peso, desidratação e fraqueza. A regurgitação poder ocorrer logo após a ingestão do alimento ou até 2 horas depois (FORBES & LEISHMAN, 1985). Os sinais clínicos de regurgitação e crescimento deficiente costumam surgir dentro de 6 meses após o desmame em animais acometidos, pois o anel vascular impede a passagem normal de alimento sólido pelo esôfago. Ocorre dilatação do esôfago cranial ao anel onde o alimento pode ficar retido. Sinais respiratórios como tosse, respiração ofegante e cianose, conjuntamente com febre, geralmente indicam uma pneumonia por aspiração secundária (NELSON & COUTO, 1998). 2.2 Diagnóstico Há muitas causas de regurgitação em cães e gatos. Uma vez que o clínico determinou que o animal está vomitando, deverão ser tomadas radiografias de pesquisa torácica. Tais radiografias freqüentemente são diagnósticas nos casos de megaesôfago, mas ocasionalmente podem ser apenas consistentes com este transtorno ou, raramente, não apresentam os achados clássicos de megaesôfago (GUILFORD, 1990; LEIB, 1996; GONZALES & IWASAKI, 2001). As radiografias torácicas revelam mediastino cranial ampliado com ou sem evidência de pneumonia por aspiração ((NELSON & COUTO, 1998). Pode haver evidência de um esôfago dilatado, cheio de ar, líquido ou material ingerido (GUILFORD, 1990; LEIB, 1996; GONZALES & IWASAKI, 2001). Deslocamento ventral da traquéia também pode ser evidenciado (NELSON & COUTO, 1998; TILLEY & SMITH JR, 2003). O diagnóstico é firmado pela radiografia contrastada do esôfago que irá apresentar, além de megaesôfago, uma constrição esofágica na base do coração (FARROW, 2003). Faz-se necessária interpretação cuidadosa de radiografias de animais anestesiados, visto que esta situação pode gerar significativo grau de dilatação esofágica (GUILFORD, 1990). O exame radiográfico não destingüe PAAD de outras anomalias do anel vascular (KOÇ et al., 2004). 2.3 Tratamento O tratamento clínico consiste em pequenas refeições semi-sólidas ou líquidas freqüentes, fornecidas com o animal em posição elevada (NELSON & COUTO, 1998; TILLEY & SMITH JR, 2003) num ângulo de 45-90º em relação ao solo, mantendo-o por 15 minutos nesta posição após a alimentação (GUILFORD, 1990; NELSON & COUTO, 1998; TILLEY & SMITH JR, 2003). Segundo Twedt (1997), o fornecimento de pequenas “bolas de carne” preparadas à partir de alimento enlatado, com o animal em posição vertical, parece estar associado a menores problemas com a regurgitação e pneumonia por aspiração. Outros autores recomendam que o alimento pastoso enlatado seja misturado na mesma proporção com água (alimento semi-líquido) (GUILFORD, 1990; LEIB, 1996). A restrição de atividade física somente é indicada se o paciente apresentar megaesôfago secundário a disfunções neuromusculares. Em caso de apenas apresentar megaesôfago, sua rotina não precisa ser alterada (TILLEY & SMITH JR, 2003). Na presença de pneumonia por aspiração, esta alteração deve ser tratada antes da intervenção cirúrgica para correção do anelvascular (FINGEROTH, 1998). O tratamento cirúrgico consiste na identificação de qual tipo de anomalia vascular está acometendo o animal, visualizada durante o procedimento cirúrgico. Posteriormente, deve ser realizado o isolamento do anel vascular para posterior secção e liberação esofágica do tecido fibroso no local da constrição (OLIVEIRA et al., 2004). A realização precoce da cirurgia evita danos maiores ao esôfago, da mesma forma que possibilita menor chance de megaesôfago irreversível e perda de motilidade esofágica (TWEDT, 1997). O ligamento cirúrgico e a divisão do ligamento arterioso é o método de tratamento mais adequado (KOÇ et al., 2004). Em um estudo, a correção de arco aórtico persistente em um cão foi realizada através de secção do ligamento arterioso via toracoscopia. As vantagens deste método, segundo os autores, foi representada por nenhuma complicação durante o procedimento, pela melhor visualização do ligamento arterioso, menor desconforto pós-operatório e mínima hipotermia no trans-operatório, tornando este procedimento uma alternativa em potencial (MACPHAIL et al., 2001). O Objetivo deste trabalho é relatar um caso de megaesôfago secundário a persistência de arco aórtico direito em um felino de 2 anos de idade, abordando desde seu histórico, sinais clínicos e método diagnóstico até a técnica cirúrgica empregada. 3. RELATO DE CASO Joshua, felino macho de 2 anos de idade, foi atendido em uma clínica particular na cidade de Bandeirantes, no Paraná, com histórico de disfagia, regurgitação e emagrecimento progressivo. Ao exame físico, presença de halitose e sialorréia. Segundo a proprietária, o paciente apresentava regurgitação após minutos de ingestão de alimentos, principalmente quando ingeria alimentos sólidos. O animal foi encaminhado ao Hospital Veterinário da UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná – “Campus FALM”, da mesma cidade, para realização de radiografia. O exame radiográfico contrastado foi realizado com sulfato de bário (3ml/kg), no qual evidenciou-se presença de estenose do lúmen esofágico em base de coração e dilatação esofágica cranial à estenose (FIGURA 1). Não houve achado compatível com pneumonia aspirativa. Com base no histórico e sinais clínicos apresentados e o laudo radiográfico obtido, o diagnóstico sugerido foi de megaesôfago secundário a uma anomalia vascular. FIGURA 1 - Radiografia contrastada de esôfago (lateral de tórax -diagnosticando estenose do órgão em base cardíaca e dilatação cranial ao local de constrição). O animal foi encaminhado para cirurgia corretiva da anomalia vascular na clínica CEDIVET da cidade de Londrina, no Paraná. Após a preparação do animal este foi colocado em plano anestésico com anestesia volátil controlada e realizada toracotomia lateral esquerda em nível do 5º espaço intercostal, com incisão costal, iniciando-se dorsalmente desde a porção dorsal da costela acompanhando o corpo costal até a sincondrose com incisão dos músculo largo dorsal, intercostal e pleura, com colocação de afastador de Funinketo para exposição da região torácica (FIGURA 2). Foi realizada uma cuidadosa hemostasia e com divulsão da área da persistência do arco aórtico direito com dupla ligadura do ligamento e após seccionado para liberação da compressão do esôfago. O pós-operatório constituiu de fluidoterapia com administração de DMSO na dose de 0,8 ml/kg intravenosa antibioticoterapia. A alimentação foi preconizada após dois dias da intervenção cirúrgica com ração triturada e umedecida, sendo o animal liberado dos cuidados específicos após 8 dias com a retirada dos pontos e já se alimentando normalmente. FIGURA 2 – Após incisão e afastamento dos músculos torácicos principais (afastador de Funinketo), evidenciando a anomalia do anel vascular. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após 21 dias após a correção cirúrgica da anomalia vascular, o paciente retornou à clínica com peso mantido e apresentando bons sinais de convalescência. Os episódios de regurgitação persistiam mais brandos e apenas quando alimentado com dieta semi-sólida e quando o período de elevação pós- prandial (cerca 20 minutos) não era respeitado. Porém, aos 63 dias pós-cirúrgicos, o felino deu entrada à clínica com sinais de caquexia e comprometimento pulmonar severo (FIGURA 3). Ao exame físico, temperatura retal de 40,6◦C e crepitações pulmonares. O exame radiográfico confirmou a suspeita de broncopneumonia. O animal permaneceu internado com fluidoterapia, bronco dilatador e antibioticoterapia. Na manhã do dia seguinte, o paciente Joshua veio a óbito após comprometimento respiratório e sinais de sepse. O proprietário não autorizou que fosse realizada necropsia. FIGURA 3 – Joshua após 63 dias da correção cirúrgica (apresentando caquexia e sinais de comprometimento respiratório). 5. CONCLUSÃO Anomalias vasculares devem ser corrigidas cirurgicamente logo que diagnosticadas. Apesar do sucesso no tratamento cirúrgico e da terapia alimentar, muitos pacientes eventualmente vêm a óbito antes que haja diminuição do lúmen esofágico e resultados positivos em relação à regurgitação dos alimentos. O principal agravante do megaesôfago é a pneumonia secundária devido aspiração do refluxo esofágico de ingestas, tornando o prognóstico sempre reservado para os animais acometidos com esta patologia. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FARROW, C. S. Veterinary Diagnostic Imaging the dog and cat. 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