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História das Religiões | 
Breve Histórico das Religiões 
www.cenes.com.br | 1 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
HISTÓRIA DAS RELIGIÕES 
 
 
História das Religiões | 
Sumário 
www.cenes.com.br | 2 
Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 2 
1 Breve Histórico das Religiões -------------------------------------------------------------------------- 3 
2 Conceito e Características ------------------------------------------------------------------------------ 5 
3 Religião, intolerância e conflitos ---------------------------------------------------------------------- 8 
4 O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação para a tolerância --------- 10 
5 A religião na pré-história ----------------------------------------------------------------------------- 14 
5.1 África --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
5.1.1 As Religiões dos Africanos ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
5.1.2 A religião dos egipcios --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 
5.2 América ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 20 
5.2.1 As religiões dos indígenas brasileiros -------------------------------------------------------------------------------------- 20 
5.2.2 A religião dos maias ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 21 
5.2.3 A religião dos astecas ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 22 
5.2.4 A Religião do Incas ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 23 
5.3 Oceania ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 23 
5.3.1 A religião dos povos oceânicos ---------------------------------------------------------------------------------------------- 23 
5.3.2 A religião dos australianos --------------------------------------------------------------------------------------------------- 24 
5.4 Ásia ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 25 
5.4.1 As religiões dos siberianos --------------------------------------------------------------------------------------------------- 25 
5.4.2 As religiões da antiga mesopotâmia --------------------------------------------------------------------------------------- 25 
5.4.3 A religião dos cananeus ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 26 
5.4.4 A religião da antiga China ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 27 
5.4.5 A religião da antiga Índia ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 28 
5.5 Europa ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 31 
5.5.1 As religiões dos indo-europeus---------------------------------------------------------------------------------------------- 31 
5.5.2 A religião dos gregos antigos ------------------------------------------------------------------------------------------------ 31 
5.5.3 A religião dos germanos ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 32 
5.5.4 A Religião dos celtas ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 33 
5.5.5 A religião dos romanos -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 34 
6 As religiões hoje ----------------------------------------------------------------------------------------- 35 
7 Referências ----------------------------------------------------------------------------------------------- 36 
 
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História das Religiões | 
Breve Histórico das Religiões 
www.cenes.com.br | 3 
1 Breve Histórico das Religiões 
Desde tempos remotos na História, dos inícios da presença humana na Terra, os 
seres humanos têm buscado respostas para o grande enigma da sua própria existência 
e da criação do Universo como um todo bem como do sentido da vida terrena e após 
a morte. 
São vários e diferenciados os caminhos nessa busca, que a Humanidade vem 
construindo através dos séculos: a ciência, a filosofia, a religião, as artes. As sociedades 
e, no seu âmbito, os grupos sociais e as pessoas, têm diferentes concepções sobre a 
vida e o mundo. Em cada um desses percursos - ciência, filosofia, religião -, há muitas 
diferenças de respostas. 
Assim, no terreno da procura religiosa, a Humanidade já construiu e continua 
construindo diferentes e múltiplas respostas à problemática da criação e da existência. 
Daí se originam as concepções sobre Deus (es), enquanto figura(s) ou fonte(s) da 
criação. As religiões, portanto, fazem parte da cultura humana, presentes em todos os 
povos, em todas as épocas históricas. Nesse sentido, todas têm algo em comum: a 
busca de uma relação com o mundo metafísico. 
Assim, para as mais antigas sociedades – mesopotâmica, europeia-céltica, 
asiáticas, negro-africanas, e culturas indígenas das Américas – ágrafas, de tradição 
oral, quando, ainda, os seres humanos não dispunham de conhecimentos e 
tecnologias sofisticadas, como atualmente, para explorar e dominar a Natureza –, esta 
significava uma força muito poderosa e superior. Os elementos naturais eram 
divinizados, a exemplo do vento, da água, do fogo, dos animais. Assim, as divindades 
eram simbolizadas em totens e fetiches, como vegetais, ossos, animais vivos ou 
mortos. Isto também acontece em certas religiões até hoje, como as indígenas (de 
várias partes, como a América e a Oceania) e as africanas, e em outras retomadas em 
tempos mais recentes (Wicca/Bruxaria, Xamanismo, Druidismo), em que os seres 
humanos guardam uma relação muito forte com a Natureza e, de certo modo, mais 
respeito para com ela do que as sociedades modernas. Tais religiões eram panteístas 
(do grego pan= tudo; e theosi= deus): segundo essas crenças, os deuses estão 
presentes em tudo, na Natureza e no Universo, em suma, no mundo. Não há um Deus 
criador, todo o Mundo é manifestação divina. Deus é o mundo e busca-se a harmonia 
com a Natureza, o equilíbrio ecossistêmico. 
Com o tempo, surgiram as religiões politeístas, durante a Antiguidade (na África: 
Egito; na Europa: Grécia, Roma, Escandinávia, Ibéria, Ilhas Britânicas e regiões eslavas; 
História das Religiões | 
Breve Histórico das Religiões 
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no Japão, com o Xintoísmo; na Índia, com o Hinduísmo; na América pré-colombiana: 
Azteca, Maia etc.). As religiões politeístas baseiam-se na crença em muitas divindades 
relacionadas à criação e regência do mundo, cada uma com seu significado e 
protegendo um certo campo da atividade humana, áreas, objetos, instituições, 
elementos naturais, relações humanas. Um dos exemplos mais conhecidos é a 
mitologia grega. As suas divindades eram representadas por figuras (esculturas e 
pinturas) zoo ou antropomórficas, com elementos retirados da Natureza, a exemplo 
de deuse(a)s sob a forma de animais e vinculados a plantas. Tais religiões eram mais 
elaboradas e chegavam a dispor de registros literários. 
Com o tempo, como na mitologia grega, as divindades começaram a ser 
personificadas quase como seres humanos, perdendo a suatranscendência. Ainda na 
Antuguidade, no Oriente Médio, por volta do último milênio a.C, constituíram-se duas 
religiões que atravessaram os séculos e são professadas até os dias atuais: o judaísmo 
e o cristianismo. Neste momento, em certas sociedades, passou-se do politeísmo para 
o monoteísmo, isto é, religiões que acreditam em um único Ser Supremo como criador 
do mundo e do ser humano. Séculos depois, foi formada uma outra religião 
monoteísta bastante visível na atualidade: o islamismo. Além dessas, também são 
monoteístas o bramanismo, o zoroastrismo, o sikhismo. Cada uma delas produziu 
Livros Sagrados, que são orientadores da crença e das condutas dos fiéis. O seu Deus 
não tem representação visual. Cada uma delas foi se expandindo pelo mundo, 
arregimentando adeptos, criando seus templos e seus corpos religiosos. 
O quadro abaixo aponta as principais religiões do mundo, algumas de suas 
características e em alguns casos, o número de adeptos: 
 
REGIÃO DE ORIGEM RELIGIÃO Nº DE ADEPTOS 
Oriente Médio 
Judaísmo 15 a 18 milhões 
Cristianismo 2,1 bilhões 
Islamismo 1,3 bilhões 
Fé bahá'í; 7 milhões 
Ásia 
Hinduísmo 900 milhões 
Confucionismo 6, 5 milhões 
História das Religiões | 
Conceito e Características 
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Budismo 376 milhões 
Jainismo 4,2 milhões 
Sikhismo 25 milhões 
Xintoísmo 27 milhões 
Religião tradicional 
chinesa 
400 milhões 
 
Cristãos 
independentes 
430 milhões 
Europa Oriental Igreja Ortodoxa: 220 milhões 
África Negra 
religiões dos povos 
negro-africanos. 
100 milhões 
Europa e América do 
Norte 
Igrejas Protestantes 375 milhões 
Europa Espiritismo 15 milhões 
Várias partes Novas religiões 108 milhões 
Ateus/Agnósticos/ 
 
Entre 780 milhões a 1,1 bilhões 
OBS: algumas religiões não estão mais limitadas a sua região de origem; outras já não 
têm mais tanta significação na região onde se originaram. 
 
2 Conceito e Características 
A palavra Religião vem do latim re-ligare, significando voltar a ligar, ligar 
novamente, ou simplesmente religar, religar os seres humanos com Deus. Em outras 
palavras, compreende um conjunto de crenças, mitologias doutrinas ou formas de 
pensamento relacionadas com a esfera do sobrenatural, divino, sagrado e 
transcendental, além de rituais e códigos morais. 
Outros significados para a palavra: Para o célebre orador romano Cícero, o termo 
derivava do latim relegere, reler, reativo à releitura das escrituras. 
Santo Agostinho, no século IV, afirmou que o termo derivava de religere, reeleger, 
História das Religiões | 
Conceito e Características 
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ou seja, significava a religação do ser humano novamente a Deus, do qual havia se 
separado. Mais tarde, ele retoma a interpretação de Lactâncio, de religio como religar. 
No século V, o pensador Macróbio atribuiu ao termo religio, que seria derivado 
de relinquere, o significado daquilo deixado pelos antepassados. 
Em outras sociedades, os termos são diferentes: por exemplo, no hinduísmo, 
usava-se o termo rita para designar a ordem cósmica do mundo, com a qual os seres 
deveriam se harmonizar. Depois, o termo foi substituído por dharma, que, no 
budismo, significa uma lei divina e eterna. 
Relacionados ao termo Religião, existem outros, derivados do discurso religioso 
grego, romano, judeu e cristão: 
• Sacro, sagrado: aquilo que mantém uma ligação/relação com o(s) 
deus(es) ; 
• Profano: aquilo que não mantém nenhuma ligação com o(s) deus(es). 
• Místico: tudo que se refira a um plano sobrenatural. 
 
Apesar da sua diversidade, em quase todas as religiões, como fenômenos 
individuais e sociais, se encontram as seguintes características: 
a) Um sistema de princípios ou crenças no sobrenatural, compreendendo 
as concepções sobre o Universo, a Terra, o Homem, o Criador, a vida após 
a morte; 
b) Divindade(s) ou ser(es) superior(es) com influência ou poder sobre o 
destino humano: deuses, anjos, demônios, elementais, semideuses, etc. Em 
certas religiões, não há essa ideia de divindade(s), que é substituída por 
valores morais e códigos de conduta; 
c) Rituais (do latim ritualis) ou cerimônias, procedimentos ou atos que os 
seres humanos praticam, de religação ou contato com a(s) divindade(s). Os 
rituais podem ser individuais ou coletivos. Uma outra palavra para designar 
o ofício religioso é liturgia (do grego λειτουργία, "serviço" ou "trabalho 
público"), a celebração, podendo incluir um ritual (como a missa católica) 
ou uma atividade religiosa diária (como as salats muçulmanas). A 
celebração litúrgica rememora a relação dos fiéis com a(s) divindade(s). 
Em certas religiões, são usadas vestimentas, instrumentos, objetos (cálice, crucifixo, 
livros sagrados, velas, imagens, etc) que são dotados de simbolismo, ou seja, de 
História das Religiões | 
Conceito e Características 
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significado religioso. Abaixo, o quadro apresenta símbolos de algumas religiões: 
 
SÍMBOLOS 
 
O mantra 
sagrado "OM" ou 
"AUM" Hindu. 
Representa o 
"Som" 
primordial. 
 
A Roda do DHARMA budista, ou 
"Roda da Vida". 
 
O Tei-Gi do 
Taoísmo. 
Simbolizando a 
interdependência 
dos princípios 
universais Yin e 
Yang. 
 
A estrela de Davi. Um dos 
símbolos do Judaísmo e do 
Estado de Israel. 
 
A cruz do 
Cristianismo. 
Encruzilhada 
entre o material e 
o espiritual. 
 
A Lua e Estrela Muçulmana, 
oriunda de um dos mais antigos 
Estados a adotar o Islã. 
 
Igrejas de base judaico-cristã, como a católica e as protestantes, 
adotam um livro como símbolo, em referência à Bíblia. 
 
d) igrejas, templos, terreiros, mesquitas etc, que são lugares a que os fiéis 
comparecem para realizar os seus atos de celebração religiosa; 
e) um corpo de pessoas que cuidam das funções religiosas. Em certas 
religiões, de acordo com suas concepções, há pessoas consideradas 
intermediárias entre os fiéis e a(s) divindade(s) (padres, pastores, rabinos, 
pais-de-santo etc). Em outras religiões, com concepções distintas, não se 
considera necessário tais intermediários. 
Apesar de suas diferenças, há algo comum a todas as religiões: elas se baseiam 
História das Religiões | 
Religião, intolerância e conflitos 
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na fé, palavra que vem do grego pí-stis, ideia de confiança, fidúcia, firme persuasão, 
uma convicção em uma verdade, mesmo sem nenhuma evidência física. 
Por outro lado, há pessoas que não têm religião, têm dúvidas sobre a 
religiosidade ou praticam uma religiosidade baseada em outros princípios e não na 
fé. Para ficar mais claro, seguem alguns conceitos: 
➢ Ateísmo: negação da existência de Ser(es) Supremo(s) e, portanto, da 
veracidade de qualquer religião teísta. Um ateu, porém, pode acreditar em 
outros princípios para a explicação da vida e do Universo, como aqueles 
científicos ou filosóficos, por exemplo; 
➢ Agnosticismo: dúvida, questionamento sobre a existência de deus e sobre 
a veracidade de qualquer religião teísta, considerando a falta de provas 
favoráveis ou contrárias. 
➢ Deísmo: crença num deus cujo conhecimento é feito pela razão e não pela 
fé e revelação. 
 
3 Religião, intolerância e conflitos 
Ao longo da História da Humanidade, infelizmente, a convivência dos seres 
humanos, dos grupos sociais, das várias sociedades, com seres humanos, grupos 
sociais, sociedades diferentes, ou seja, a convivência com o Outro, nem sempre foi 
pacífica. 
A intolerância se expressa diante de várias diversidades: de gênero, de etnia, de 
geração, de orientação sexual, de padrão físico-estético, e, também, de religião. 
A intolerância religiosa pode causar espanto, mas muitos e muitos conflitos e 
guerras violentas foram e ainda são travados em nome de uma determinada crença 
religiosa ou de outra. 
Este é um problema extremamente complexo porque tais confrontos, 
costumeiramente, não carregam motivações exclusivamente religiosas, mas a estas se 
somam razõesde ordem econômica, social, política, cultual, variáveis a cada 
experiência histórica. Os exemplos de conflitos religiosos são numerosíssimos: entre 
judeus e cristãos, entre cristãos e islâmicos, as milhares de mortes produzidas pela 
Inquisição (da Igreja Católicas) contra os considerados hereges, as guerras entre 
católicos e protestantes em decorrência da Reforma e da Contrarreforma, nos séculos 
XVI-XVII; a imposição do cristianismo ou do catolicismo sobre os indígenas da América 
História das Religiões | 
Religião, intolerância e conflitos 
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e os negros importados da África como escravos. Hoje, alguns desses grandes 
conflitos ainda perduram, como aquele entre islâmicos e cristãos ou entre católicos e 
protestantes, na Irlanda do Norte. Mas a intolerância religiosa também se expressa em 
pequenos conflitos cotidianos, quando se desqualifica pessoas por não pensarem 
religiosamente do mesmo modo de quem as desqualifica; ou quando se destrói 
templos e símbolos de religiões que se consideram adversárias; ainda, quando alguém 
arroga para a sua crença o estatuto de religião e qualifica a crença alheia como seita. 
Diante da intolerância religiosa, o filósofo francês Voltaire, dizia no século XVIII: 
“É verdade que esses horrores absurdos não mancham todos os dias a 
face da terra; mas foram frequentes, e com eles facilmente se faria um 
volume bem mais grosso do que os Evangelhos que os reprovam”. 
(VOLTAIRE, 1993: 127) 
Se as várias concepções de divindade (s) estão vinculadas a algo grandioso, como 
a criação do Universo e da vida; se, através da religião, as pessoas realizam uma busca 
espiritual e uma harmonia interior, como podem elas, em nome de Deus(es), 
discriminar outras pessoas, ofendê-las, agredi-las, e até matá-las? Porque tais pessoas 
não pensam igual? Por que não têm as mesmas concepções religiosas? 
Em nome de quem elas praticam essa violência? 
Com que autoridade elas procedem dessa maneira? 
Acaso Deus (es)deu (deram) poderes a certas pessoas como únicas donas da 
verdade? 
Se, nas mais diversas concepções religiosas, a(s) divindade(s) é (são) 
representada(s) por sua magnanimidade, como o Bem, a justiça, o perdão, como, em 
seu nome, praticar o Mal, a injustiça, a intolerância? 
Por que a minha religião seria melhor do que a sua? 
Por que a sua religião seria melhor do que a minha? 
A intolerância de qualquer natureza, para com o Outro, diferente de nós, gera a 
discriminação, o preconceito, o conflito, a violência, até a guerra. Divergências 
religiosas resolvidas desse modo são anti-religiosas. 
A tolerância, nesse caso, religiosa, é a garantia de cada um realizar a sua escolha 
religiosa. Ou não escolher. É a garantia do direito à diferença. É a possibilidade de um 
mundo menos conflituoso. 
História das Religiões | 
O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação para a tolerância 
www.cenes.com.br | 10 
Historicamente, há muitas religiões que guardam muitas aproximações entre si. 
O desconhecimento, a ignorância mesmo, a respeito dessas afinidades, é uma das 
fontes da intolerância. A outra é a arrogância de alguém se considerar dono da 
verdade divina. 
Por isso, há movimentos de pelo diálogo entre diferentes religiões, no sentido de 
construção da tolerância religiosa. Essa perspectiva se denomina ecumenismo. 
 
4 O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação 
para a tolerância 
O Brasil já teve uma única religião oficial – o Catolicismo –, com a Constituição 
de 1824, que perdurou até a proclamação da República. Até então, só eram permitidos 
templos católicos. O clero católico fazia parte do funcionalismo do Estado. É claro que 
eram praticadas outras religiões, mas os seus professantes sofriam discriminação e só 
podiam realizar seus atos religiosos em particular, no espaço privado, e não em 
lugares públicos. Com a República, o Brasil se tornou um Estado Laico, isto é, deixou 
de ter uma religião oficial e se separou da Igreja. 
A atual Constituição Brasileira, de 1988, aborda a questão religiosa nos seguintes 
termos: 
Título I - Dos Princípios Fundamentais 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel 
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana; 
 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações 
internacionais pelos seguintes princípios: 
II - prevalência dos direitos humanos; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
História das Religiões | 
O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação para a tolerância 
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VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
 
TÍTULO II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais 
CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
................... 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão 
em virtude de lei; 
.................. 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
.................. 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado 
o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a 
proteção aos locais de culto e a suas liturgias; 
 
TÍTULO VIII - Da Ordem Social 
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando 
ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
................. 
II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a 
arte e o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de 
instituições públicas e privadas de ensino; 
História das Religiões | 
O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação para a tolerância 
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................ 
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza 
material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, 
portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes 
grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: 
I - as formas de expressão; 
II - os modos de criar, fazer e viver; 
 
Por sua vez, a Constituição de 1988 também dispõe especificamente sobre o 
Ensino Religioso: 
“Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, 
de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores 
culturais e artísticos, nacionais e regionais. 
§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina 
dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.” 
(BRASIL. Constituição Federal. 1988). Posteriormente, a Lei nº 9.394, de 20 
de dezembro de 1996 - de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 
seu Artigo 33, estipulou: 
“Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina 
dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo 
oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com as 
preferências manifestadas pelos alunos ou por seus responsáveis, em 
caráter: 
I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu 
responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos 
preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades 
religiosas; ou 
II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades.” 
(BRASIL, CF, 1988). 
Portanto, da leiturados dispositivos constitucionais-legais, fica claro que a Carta 
Magna do país e outros documentos legais asseguram a liberdade de culto e 
estabelecem que nenhuma pessoa pode ser discriminada por motivo de qualquer 
História das Religiões | 
O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação para a tolerância 
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natureza, aí incluído o de religião. Preserva-se, assim, o direito subjetivo de 
consciência, tanto para professar quanto para não professar nenhum credo religioso. 
Complementarmente, a lei assegura o respeito e tolerância à diversidade cultural-
religiosa do país, sendo vedadas, nas escolas, quaisquer formas de proselitismo. 
A execução destes princípios de tolerância e respeito à diversidade não é fácil, 
ainda mais em uma sociedade como a nossa, em que intolerâncias e desrespeitos às 
diversidades culturais são frequentes. A questão religiosa é uma das mais delicadas 
no que se refere a tais diversidades. 
Se queremos construir um mundo de tolerância, é preciso levar em consideração, 
na Escola, algumas atitudes, tais como: 
a) compreender as religiões como fenômenos presentes em diversas culturas, 
ao longo da História, portanto, cada religião guarda as suas tradições, 
vinculadas, por sua vez, às identidades dos grupos sociais e das pessoas; 
b) conhecer as religiões, as diversas expressões de religiosidade, de um modo 
contextualizado, cotejando informação e realidade, de modo a que o(a) 
educando(a) e, inclusive, o(a) educador(a) conheça(m) as próprias crenças 
e as situem em relação a outras, com base no princípio do valor histórico-
cultural de cada uma, promovendo o sentido da tolerância e do convívio 
respeitoso com o diferente; 
c) compreender o Ensino religioso como uma área de conhecimento 
interdisciplinar, tanto na execução curricular quanto na avaliação; 
d) adotar a perspectiva da diversidade religiosa de modo articulado com 
outras dimensões de Cidadania e, desse modo, na Escola, articulando 
vários componentes curriculares> História, Geografia, Língua Portuguesa, 
Literatura etc; 
e) promover o entendimento do conhecimento como aprendizado da 
dignidade humana, própria e do Outro; 
f) promover a construção de uma convivência fraterna, mediante diálogo 
ecumênico e inter-religioso, em que o respeito às diferenças tem por base 
um compromisso moral e ético. 
Sintetizando tais posturas, o ensino religioso, sem nenhum propósito doutrinante 
de uma determinada visão religiosa, de maneira respeitosa e reverente para com o 
domínio de cada culto e de cada doutrina, deve incentivar e desencadear no aluno um 
processo de conhecimento e vivência de sua própria religião, mas também um 
interesse por outras formas de religiosidade (INCONTRI e BIGHETO, 
História das Religiões | 
A religião na pré-história 
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http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_D_L/incontri_Do ra_Ens_relig.htm.) 
 
Assumir essa perspectiva implica em um processo de reeducação do(a) próprio(a) 
educador(a): 
• contra os seus próprios preconceitos na matéria, de que todos nós somos 
portadores antes de um estudo e reflexão mais profundos; 
• contra a cegueira para com o Outro (o diferente), substituindo-a pelo que 
a compreensão humana e o conhecimento podem trazer de lucidez em 
todas as religiões: se há algo nas outras religiões que nos produz 
estranhamento, há concepções belas e, inclusive, aquelas que se 
aproximam das nossas; 
• para o despojamento de querer julgar os outros segundo os princípios da 
própria religião, e, dessa maneira, “decidir” os que serão salvos e os que 
serão condenados, se colocando como juiz supremo da conduta humana; 
• para conhecer a diversidade religiosa presente na sala de aula, mediante o 
estudo e a reflexão; 
• para uma consciência e uma prática éticas, no sentido do diálogo e da 
convivência com a diversidade religiosa, de forma ecumênica. 
 
5 A religião na pré-história 
É preciso, antes de tratarmos sobre o tema, saber sobre o período descrito. Pré-
história designa tudo o que se passou desde o aparecimento do primeiro ser com 
postura ereta, até o tempo em que surgi a escrita. O termo foi cunhado com o pré-
conceito de que, se não houvesse escrita, não haveria história para contar. No entanto, 
há muito tempo já não se pensa mais desse modo. O desenvolvimento da arqueologia, 
paleontologia, antropologia, e várias outras logias, possibilitaram o estudo e 
compreensão da vida do homem pré-histórico, mesmo que embrenhada em 
nevoeiros e barrancos. As dificuldades são muito grandes, mas, devemos lembrar que, 
mesmo os textos escritos, são passiveis de enganos, pois, a versão de quem escreve, 
não é verdade absoluta. 
Para melhor compreensão desse longo tempo histórico, dividiu-se ele em 
período Paleolítico e Neolítico. O primeiro se inicia com o surgimento dos hominídeos 
por volta de 4 a 2 milhões de anos até, 10.000 a.c, data em que o gelo das 
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extremidades do globo derreteu, mudando o clima do planeta. O segundo, se conta 
dessa mudança climática até a produção da escrita, por volta de 4.000 a.c. 
Outro ponto a esclarecer é que a cronologia adotada, ou seja, a utilizada pelos 
acadêmicos, é baseada nos primeiros eventos ocorridos no globo. Por exemplo, 
quando dizemos que a pré-história acaba com a utilização da escrita, 
automaticamente, declaramos que alguns indígenas brasileiros até pouco tempo 
viviam na pré-história. Mas, isso não denota inferioridade em relação a nossos 
indígenas. É importante compreender, que cada grupo humano em seu território 
geográfico, se desenvolveu do seu modo, de acordo com suas necessidades. Um 
grupo não é superior ao outro por possuir mais tecnologia. A condição climática, 
geográfica, hidrográfica, entre outros, do território habitado, é que conduz as 
atividades humanas. A terra do Brasil oferecia ao índio, uma rica diversidade natural, 
dando-o privilégio de uma vida farta, sem maiores complicações. 
O indício mais antigo de prática relacionada à religião do homem e mulher pré-
histórico, é o sepultamento. Que está intimamente ligada, as fontes mais antigas e 
numerosas da pré-história, que são as ossadas. A prática da inumação revela uma 
preocupação com a vida após a morte. Isso é mais ressaltado ainda, nos detalhes de 
preparação e adereços encontrados em inúmeras sepulturas. Por exemplo, o ocre 
vermelho salpicado em cadáveres, é universalmente encontrado, podendo ser 
substituto ritual do sangue, símbolo da vida. A posição que o corpo é encontrado, 
também é coberta de significado. Ele é virado para o leste, marcando a intenção de 
tornar o destino da alma solidário com o curso do Sol, portanto a esperança de um 
renascimento. E também é posto em forma fetal, tendo a terra, no caso a cova, o 
simbolismo do útero. 
Oferendas de alimentos e diversos objetos de adorno como colares, são 
encontrados depositados em túmulos. Encontraram também, cuidadosamente 
dispostas em torno e sobre os cadáveres, conchas de moluscos. Essas conchas 
possuem a forma de vagina, parecendo estar associadas a algum tipo primitivo de 
adoração da deidade feminina. 
As formas mais numerosas, evidentes e explicitas de culto religioso feito pelo 
homem e mulher do Paleolítico até o momento é datado por volta de 35.000 ac. Foram 
elas, as grutas/santuários com suas pinturas e as inúmeras estatuetas femininas. Como 
as pinturas se encontram muito longe da entrada da gruta, sendo muito delas 
inabitáveis, com dificuldades de acesso, os pesquisadores concluíram que elas são 
uma espécie de santuário. As pinturas revelam ainda mais o caráter sagrado e 
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ritualístico do lugar. Duas temáticas decifradas e discutidas por pesquisadores são a 
de danças rituais e seções xamânicas. As estatuetas femininas representamo “culto da 
fertilidade” praticado por esses humanos. Esculpidas em pedra, osso ou marfim, 
possuem nádegas, seios e barrigas volumosas, além de terem a vulva sempre à mostra. 
Representam a “Grande Mãe” a “Deusa”. André Leroi-Gourhan constata que a arte 
desse período expressa alguma forma incipiente de religião, na qual figuras e símbolos 
femininos ocupam posição central. Esse pensamento vai ser corroborado quando das 
descobertas referentes ao período Neolítico. 
As geleiras recuaram, o clima do planeta esquentou, e sua paisagem mudou. 
Fauna e flora modificadas aconteceu a maior revolução da história do homem. 
Ocorreu a domesticação das plantas, ou seja, a invenção da agricultura, a 
domesticação de animais e o sedentarismo. Mas, a criatividade religiosa no neolítico 
foi despertada menos pelo fenômeno empírico da agricultura, do que pelo mistério 
do nascimento, da morte e do renascimento identificado no ritmo da vegetação. As 
crises que põem a colheita em perigo (inundações, secas etc.) serão traduzidas, para 
serem compreendidas, aceitas e dominadas, em dramas mitológicos. A mulher teve 
um papel decisivo para a domesticação das plantas, ela que conhecia o “mistério” da 
criação. Fértil e fecunda como a terra, foi responsável pela abundância das colheitas. 
Em todos os sítios arqueológicos do neolítico encontramos a religião centrada 
no culto à Deusa. Por exemplo, em Catal Huyuk, 
 
A principal divindade é a deusa, apresentada sob três aspectos: mulher 
jovem, mãe dando à luz um filho (ou um touro), e velha (acompanhadas 
as vezes de uma ave de rapina). A divindade masculina aparece sob a 
forma de uma rapaz adolescente – o filho ou o amante da deusa – e de 
um adulto barbudo, ocasionalmente montado sobre um animal sagrado, 
o touro. (ELIADE, 2010, p.55). 
 
A longa viagem... 
Os grupos humanos empreitaram longas viagens em busca de sobreviverem as 
intempéries da jornada da vida, que naquele tempo eram muito mais cheias de 
mistérios a desbravar. O frio da Era do gelo, somados a escassez de alimento e o 
perigo constante da morte, tornava a vida recheada de desafios a vencer. É assim que 
aos poucos nossos antepassados vão criando a cultura. 
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Melhor dizendo, eles vão criando as culturas, pois, em suas grandes caminhadas, 
cada grupo vai se instalando em um território, ou dá continuidade ao trajeto, em busca 
de um abrigo melhor. Quando um grupo se sedentariza em determinada região, ele 
começa a criar raízes com esse lugar. Cria uma interação tão grande, que até sua 
aparência física começa a se adaptar a terra. Por exemplo, seus olhos e peles se tornam 
claros, se o sol for fraco, e seu corpo não precisar mais produzir melanina para se 
proteger. O grupo que aos poucos desenvolveu sua linguagem para se comunicar, 
começa a ensinar as crianças como eles compreendem a vida. E essa compreensão vai 
variar, de grupo para grupo, ou seja, de povo para povo. Uma aldeia na África, no 
deserto do Saara, não vai entender o mundo do mesmo jeito que os esquimós, no 
gelo da Sibéria. São paisagens muito diferentes, portanto, seus mitos, seus deuses, 
suas leis, suas noções de certo e errado, serão também muito diferentes. Ou seja, suas 
culturas/religiões serão muito diferentes. E nenhuma é melhor ou pior do que a outra, 
elas são apenas diferentes. 
É desse modo, que desejamos, que vocês leitores compreendam as religiões. 
Cada qual produto do seu meio, com suas diversas verdades, que atendem seus 
diversos fiéis. O modo que julgamos melhor apresentá-las, foi dividi-las por seus 
respectivos continentes de origem. Assim, escapamos incorrer em classificações 
inadequadas. 
 
5.1 África 
5.1.1 As Religiões dos Africanos 
A África é o continente onde se originou o homo sapiens. Portanto, a história da 
humanidade se inicia lá. Ao contrário do que se pensa, na África antes da chegada dos 
europeus, não só havia povos organizados em tribos. Houve além do Egito, diversos 
reinos e impérios bastante desenvolvidos, em vários aspectos, tais como, tecnológicos, 
econômicos, educacionais, culturais e religiosos. Foram alguns deles, no Sudão 
ocidental, os reinos de Mali e Gao; no Sudão central, os estados Hausa e Kanem-Bornu; 
no golfo de Guiné, os reinos Yoruba e Benin; na África central, o reino do Congo; na 
costa oriental da África, várias cidades-estado; e mais tarde, no Zimbábue, o reino 
Monomotapa, que haveria de acolher a população do Grande Zimbábue. Esses reinos 
tinham suas próprias religiões. Assim, quando o comércio de escravos foi travado 
entre portugueses no Brasil, e chefes africanos, diversas religiões africanas foram 
introduzidas em terras brasileiras, e ganharam ao decorrer dos séculos, a identidade 
afrobrasileira. 
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Na ÁFRICA OCIDENTAL se encontra a 
religião africana que predominou no Brasil, a 
religião dos iorubas. É uma religião iniciática, e 
possui no centro cosmológico: Onila, Grande 
Deusa Mãe do ile, que é o “mundo” elementar no 
estado caótico, antes de organizar-se. O ile opõe-
se, por um lado, ao orum, que é o céu enquanto 
princípio organizado, e, por outro, ao aiyê, o 
mundo habitado, proveniente da intervenção do 
orum no ile. Enquanto todos conhecem os 
aspectos assumidos pelos habitantes do orum, os 
orixás, e o deus otiosus Olorum, que não é 
cultuado, a presença do ile na vida dos iorubas é 
carregada do inquietante mistério da ambivalência 
feminina. 
Na morte, as componentes do ser humano 
retornam para os orixás que as redistribuem através dos recém-nascidos. Há, porém, 
componentes imortais, pois os espíritos podem voltar para a terra e tomar posse de 
um dançarino Egungum. 
A ÁFRICA ORIENTAL comporta 100 milhões de habitantes pertencentes aos 
quatro grandes grupos linguísticos de toda a África. Mas a maioria das pessoas fala 
línguas bantos. As características comuns das religiões dos povos bantos são o caráter 
de deus otiosus do criador, as divindades ativas são os heróis e os ancestrais, 
consultados em seus santuários por médiuns em estado de transe. Os espíritos dos 
mortos também podem possuir os médiuns e recebem oferendas periódicas. 
Todos os povos da África Oriental conhecem a iniciação pubertária e a maioria 
dos povos bantos pratica a circuncisão e a clitoridectomia ou a labiectomia. 
Na ÁFRICA CENTRAL, vivem cerca de dez milhões de bantos, e os pigmeus da 
floresta tropical formam três grupos principais. Um deles são os mbutis, eles acreditam 
que deus é o habitat, a mata. Não possuem sacerdote e não praticam adivinhação e 
tem ritos de passagem para os rapazes e moças. 
Na ÁFRICA DO SUL, também emigraram vários grupos bantos. Na mitologia 
karanga, a realeza sagrada realizava o equilíbrio dos contrários: o calor e a umidade, 
simbolizados pelas princesas de vagina úmida e pelas princesas de vagina seca. As 
primeiras deviam copular com a grande serpente aquática, às vezes chamada de 
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serpente Arco-Íris, que é um ser sobrenatural presente entre muitos povos da África 
Ocidental e Meridional. As princesas de vagina seca eram as vestais que alimentavam 
o fogo ritual. Em tempos de seca, sacrificava-se uma princesa de vagina úmida para 
obter-se chuva. 
Hoje, o continente africano abriga numerosos povos que falam mais de 800 
línguas (das quais 730 estão classificadas). E as fronteiras religiosas não acompanham 
o contorno das fronteiras linguísticas. Pois, hoje em dia basicamente “três religiões” 
dominam a África moderna. As religiões autóctones, o cristianismo e o islamismo. 
 
5.1.2 A religião dos egipcios 
Os egípcios são um povo bastante explorado na 
mídia. Sua cultura é alvo de uma grande comercialização. 
No entanto, poucos se interessam em saber sobre o que 
eles pensavame sentiam sobre a vida, além dos produtos 
materiais que criaram. 
Todos os segmentos sociais praticavam a religião 
egípcia, no entanto, cada cidade prestava atenção maior 
aos seus “próprios” deuses. Geralmente, cada templo das grandes cidades, sedes do 
poder, criava sua própria cosmogonia com o deus local no ápice da hierarquia. Então, 
aqui, também encontramos mais de um mito sobre a criação. Um dos mais 
importantes e antigos conta que, no princípio era Nu, o oceano celestial com sua 
característica de imobilidade e totalmente estático. Do seu interior surgiu Atum, que 
criou Shu (ar) Tefnut (umidade), esse casal produz Geb (terra) e Nut (céu). Por sua vez, 
os últimos dão origem a Osíris e Ísis e a Set e Néftis. Segue este mito o de Osíris, na 
qual o mesmo reinava de modo justo, com sua irmã-esposa sobre o Egito. Seu irmão 
Set enciumado o matou, mas Ísis logo fez uma múmia do seu marido, e com seus 
poderes mágicos, devolveu a vida a Osíris. Com o qual teve um filho, Hórus. Este se 
tornou rei do Egito, e os faraós o sucederam. Osíris tornou-se rei dos mortos, todos 
que morrem passam pelo seu tribunal. 
Esse povo era obcecado pela vida eterna e pela perpetuação da alma. As tumbas 
são mais importantes que as casas mais suntuosas e é impensável economizar em 
detrimento dos sacerdotes funerários. É perceptível isso nas tão conhecidas pirâmides 
que eram os túmulos dos faraós. Quanto mais rico fosse o egípcio mais complexo 
seria o funeral. 
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Os sacerdotes e sacerdotisas realizavam diariamente cultos nos diversos templos 
espalhados pelo Egito. Preparavam as oferendas, em boa parte alimentos, como 
também flores e incenso, e entoavam cânticos. Encantamentos são encontrados para 
diversas finalidades, como amor e saúde, mas, também utilizavam nos ritos funerários. 
 
5.2 América 
5.2.1 As religiões dos indígenas brasileiros 
A História dos povos indígenas brasileiros ainda é pouco estudada e debatida. 
No consenso popular, apenas se imagina os índios deitados em redes, caçando e 
morando em ocas. Poucos conhecem a rica Arte indígena, que em grande parte tem 
motivos religiosos. Poucos sabem que apenas em um Parque do Piauí, existem 737 
sítios arqueológicos identificados. Onde são encontradas urnas funerárias e pinturas 
de rituais de caça. Ainda, inscrições rupestres como as da Pedra Lavrada no Ingá na 
Paraíba, contém representações de diversos astros. Indicando a riqueza cultural e 
religiosa dos indígenas brasileiros. 
No tempo do descobrimento estima-se que existiam mais de mil povos, 
reduzidos hoje a cerca de 200 povos diferentes, com 170 línguas. Desse modo, 
salientamos que não encontramos uma religião indígena, e sim várias religiões 
indígenas. 
Nessas religiões indígenas, uma figura destacada e de traços comuns é o pajé. 
Ele pode chegar a ser um emblema da tribo. O Pajé voa aos céus, desce as profundezas 
subterrâneas, transforma-se em animais, se expressa em línguas incompreensíveis, vê 
almas de mortos, causam e curam doenças e males, entre outros. 
Delineado esse traço comum das religiões indígenas, agora devemos 
compreender que religião e vida social, nesses povos não têm distinção, pois para os 
índios são os mitos que contêm a verdadeira história do mundo. Os mitos não são 
fantasia ou ficção, e sim a explicação do universo: a origem do cosmos, da 
humanidade, da sexualidade, dos astros, da caça, da agricultura, das mulheres, da arte 
e da música, de tudo que é possível conceber. Cerimônias, festas, rezas, cantos, 
proibições, regras de comportamento – tudo aquilo que faz parte do que costumamos 
chamar de religião – têm como chão um corpo mítico, inerente ao cotidiano, sem 
nítida distinção entre o sagrado e o profano, familiar para todos, embora os pajés 
detenham um conhecimento mais profundo e a prerrogativa das viagens místicas. 
(MINDLIN, 2009, p.203). 
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Em termos de criação, entre diversos mitos indígenas os criadores do universo 
costumam ser um par de companheiros ou irmãos, identificados frequentemente com 
a lua e o sol. Como também têm uma Criadora de Tudo. Ainda, se Tupã era, para 
muitos grupos, a suprema divindade, outros adoravam um estranho taumaturgo de 
singulares poderes, conhecido de norte a sul, conforme a região, pelos nomes de 
Sumé, Tumé ou Zumé e que geralmente, era descrito 
como um homem de pele clara e longas barbas, que a 
exemplo dos deuses mexicanos Kukulkan e Quetzalcoatl e, 
ainda, do deus peruano Viracocha, partiu um dia, 
prometendo que voltaria para restaurar o primado da 
razão e da não violência. 
O caminho para o mundo dos mortos geralmente é 
descrito como tortuoso e cheio de monstros. E no mundo 
dos vivos, estes convivem com seres fantasmagóricos, que 
podem ser enganados. 
As religiões dos indígenas são ricas em Ritos de 
Passagens. Infelizmente hoje em dia, o trabalho proselitista de missionários 
evangélicos e católicos, tem destruído suas religiões, e em muitas tribos seus ritos 
estão sendo esquecidos, quando não sincretizados. Por isso precisa-se o quanto antes 
de mais e mais pesquisas sobre essas tão belas e importantes religiões, que fazem 
parte de nossa história. 
 
5.2.2 A religião dos maias 
A civilização Maia não foi um estado centralizado, mais um aglomerado de 
cidades-estados, das quais algumas ganharam mais notoriedade, como por exemplo, 
Chichén Itzá. Um dos principais elementos da religião maia eram o sacrifício humano 
e animal. Acreditava-se que o sangue era primordial para o funcionamento do 
universo. Inclusive os reis realizam o auto-sacrifício, na qual era retirado sangue de 
várias partes de seu corpo. Os maias possuíram uma escrita hieroglífica, um calendário 
complexo, e grandes pirâmides. Tinham uma concepção de tempo cíclico e deram 
bastante importância aos augúrios e às profecias. 
Os dois deuses maias principais eram um par cósmico, do qual todas as outras 
divindades descenderam. O mais importante deus masculino era Itzamná, 
representado na arte como um homem velho e descrito como a divindade da escrita 
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e do aprendizado. Sua consorte era Ix Chel, no período maia clássico, ela foi associada 
a lua, representada como uma mulher velha tendo cobras no lugar dos cabelos e 
adepta da feitiçaria. Já no final da época pós-clássica ela foi associada a medicina, e 
responsável pela gravidez e pelos partos. Além desses, existem diversas outras 
divindades maias. 
 
 
5.2.3 A religião dos astecas 
Os astecas eram um povo dominado, até que guiados pelo guerreiro cósmico 
Huitzilopochtli à procura da Terra Prometida, alojam-se por volta de 1325 d.C, no lago 
Texcoco no vale do México, onde fundaram a cidade de Tenochtitlán, e formaram um 
grandioso império. 
Assim como os maias, os astecas também 
tinham uma cosmologia e calendário bastante 
elaborados. E acreditavam que os sacrifícios 
humanos eram necessários para que o Sol 
mantivesse seu curso e a Quinta Idade do Sol 
perdurasse. De acordo com seus cálculos, a quinta 
era, terminará em 2027. 
No princípio do cosmos havia Ometeotl. De modo mesoamericano ele tinha um 
aspecto feminino e masculino. Dele nasceram os deuses principais, Huitzilopochtli, 
Quetzalcoatl e Tezcatlipoca. A Deusa principal é Coatlicue, chamada pelos frades 
cristãos de “mãe dos deuses, coração da terra”, segundo um dos mitos de origem dos 
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astecas ela é mãe de Huitzilopochtl. 
 
5.2.4 A Religião do Incas 
O império inca foi a última civilização pré-colombiana, destruída em seu apogeu 
pelos conquistadores espanhóis, em 1532. A fundação do império dos incas, se dá por 
volta de 1200 d.c. No entanto, sua expansão espetacular sóse dá a partir do oitavo 
imperador, no início do século XV. 
Adaptando fés antigas e inventando algumas novas, os incas criaram uma religião 
apropriada para o império. Estabeleceu-se que a terra era viva e fundida com a 
espiritualidade, animada pelos ancestrais. A fusão da geografia física e sagrada é 
evidente em Machu Pichu. No centro da cidade, o pilar entalhado em pedra conhecido 
como Intihuatana ou “Lugar do Sol” pode ter tido fins astronômicos, ou com o culto 
à montanha, pois está localizado em ponto onde os picos sagrados estão alinhados 
com os pontos cardeais. 
Possuíam um panteão de deuses. A divindade suprema era Viracocha. Inti, o deus 
Sol, era a principal divindade e o ancestral divino da realeza inca. Sua esposa irmã era 
a deusa lua Mama Kilya. Esse incesto justifica o casamento entre irmãos praticado pelo 
imperador. Sacrifícios de animais e vegetais eram comuns nos ritos religiosos. 
Entretanto, em ocasiões especiais eram feitos o capac hucha, ou seja, sacrifícios de 
crianças. E algumas acllas, ou “Virgens do Sol” - que eram as mais belas jovens incas 
que serviam no culto de Inti e cuidavam das múmias reais bem como da família real 
atual – eram sacrificadas no fogo. 
 
5.3 Oceania 
5.3.1 A religião dos povos oceânicos 
As ilhas do Oceano Pacífico foram tradicionalmente agrupadas em três áreas: 
Micronésia, Melanésia e Polinésia. O mais famoso pesquisador das religiões dessa área 
foi o inglês etnólogo funcionalista Bronislaw Malinowski. Este concentrou mais seu 
trabalho na Ilha de Trobiand. Uma das mais famosas ilhas, é a ilha de Páscoa, com 
suas monumentais estátuas de pedra, e sua escrita chamada Rongorongo. 
Dois conceitos muito conhecidos das religiões oceânicas são o de mana e tabu. 
Mana é uma espécie de propriedade conferida pelos deuses a pessoas, lugares e 
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coisas. Na sociedade está associado à posição social e a realizações espetaculares. 
Tabu está estreitamente vinculado a mana e significa influência divina, sobretudo em 
seus efeitos negativos, que tornam certos lugares, certas pessoas e certos objetos 
inabordáveis ou perigosos. 
A unidade religiosa oceânica é apenas aproximativa, mas a ideia de que a maioria 
dos deuses são ancestrais que habitam outro mundo e visitam frequentemente os 
vivos é muito difundida na região. O deus celeste criador é inacessível, mas suas 
façanhas são contadas pelos mitos. A multidão de deuses tem influência decisiva 
sobre os assuntos humanos. Sua vontade pode ser conhecida pela adivinhação, que 
exige conhecimentos especiais, ou pela possessão de espíritos. A morte é seguida de 
cerimônias especiais longuíssimas. 
 
5.3.2 A religião dos australianos 
Vivem hoje ainda, na Austrália, seus habitantes primitivos, os chamados 
aborígenes (do latim, ab origine: “desde o início”). Hoje eles são cerca de 230 mil, a 
maioria nas cidades, mas muitos também em reservas. 
O aborígine aprende a história sagrada de seu mundo durante iniciações e cultos 
secretos iniciáticos. Existem tribos que acreditam em um Grande Pai - chamado 
também de Eterna Juventude. Ele tem pés de ema, e possui mulher e filho – de acordo 
com certas tribos, possui várias mulheres e vários filhos. E tanto ele como todos os 
outros primitivos habitantes do céu ficam indiferentes com relação ao que acontece 
na terra. No entanto, os poderes e forças que formaram a terra, vieram do chão, foram 
os grandes espíritos dos ancestrais primitivos, sob a forma de homens ou animais. Sol, 
lua e estrelas também foram criados por eles e, de matéria pré-formada, também os 
homens, as tribos, os clãs, e ainda os animais. Até que ficando cansados, retornaram 
à terra. Alguns afundaram nas águas, outros foram levados para o céu. 
Sobre a morte, está é vista como o resultado de malefícios. O ritual fúnebre 
comporta a punição do assassino presuntivo. 
 
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5.4 Ásia 
5.4.1 As religiões dos siberianos 
O uso do termo siberiano é genérico, pois 
congrega povos que vivem na vasta região da 
Ásia Central e da Sibéria, entre os montes Urais 
e o Estreito de Behring. São grupos da etnia 
amarela sendo os mais conhecidos os mongóis 
e esquimós. Como são diversos grupos, que 
inclusive sofreram influências de outros povos 
residentes no Sul, tais quais, chineses, hindus e persas, nossa abordagem da religião 
dos siberianos, será tão generalizante, quanto convém. 
Encontramos a crença na existência de um ser supremo, nem sempre cultuado, e 
de espíritos intermediários, assim como, em deuses celestes, em um “senhor das 
matas”, nas forças da natureza, na deusa da terra, ou na deusa do mar. 
Não existem sacerdotes, nem templos, a experiência religiosa é mística. Dessa 
forma, ganha um destaque entre eles a figura do xamã. Aquele que domina a técnica 
do êxtase, e com carisma atende sua comunidade curando e aconselhando. Possuem 
mitologia, e alguns ritos mais comuns são: os ritos de caça, sacrifícios de animais, culto 
do fogo, e ritos agrários. 
O principal intuito de vida é viver o mais longamente possível, evitando doenças 
e incômodos fatais. 
 
5.4.2 As religiões da antiga mesopotâmia 
A palavra “Mesopotâmia” é de origem grega, significa “entre rios”. Pois é 
localizada onde hoje é o Iraque, portanto cortada pelos importantes rios Tigre e 
Eufrates. Três regiões compunham a Mesopotâmia. Ao norte, a Assíria, ao centro a 
Acádia, e ao sul a Suméria. 
Fazia parte do cotidiano dos sumérios 3.600 deuses, devidamente registrados por 
eles. Esse povo desenvolveu os primeiros documentos escritos, foi uma civilização 
literária, com um complexo sistema de governo, e hierarquia religiosa, administrativa 
e social. O mito da criação diz que, a Deusa Nammu – mar primordial- gera o primeiro 
casal An (o céu) e Ki (a terra), dessa união nasce En-li (deus da atmosfera), que separa 
seus pais. Seus textos também evocam o mito da perfeição e bem-aventurança dos 
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“primeiros tempos” e o mito do dilúvio. A mais popular das divindades era Inanna. 
Aparecendo em diversos mitos, ela era o planeta Vênus e seus domínios a fertilidade, 
o amor e a guerra. Outro deus importante além de An e En-li, é Tamuz deus da 
fertilidade. 
A adivinhação era bastante recorrente, inclusive antes de campanhas militares. 
Era feita pelo exame de víscera de animais, observações astronômicas, ou por 
interpretações de sonhos. A doença era relacionada a pecados ou à possessão 
demoníaca. Era curada por encantadores, que ao mesmo tempo eram médicos que 
também prescreviam remédios. 
O rei era o reflexo de Deus, mas não o próprio. No entanto, na festa de Ano Novo, 
era realizado o rito do matrimonio sagrado, onde o rei desposava a Deusa Inanna, 
para garantir a prosperidade do país no ano seguinte. O foco da religião Suméria era 
o templo, arquitetura monumental, residência dos deuses. Em sua consagração, todos 
se tornavam iguais perante a divindade e a lei. A adoração publica era realizada fora 
do templo, no grande pátio. 
Após a supremacia dos acadianos sobre as cidades sumérias, houve uma 
simbiose sumério-acadiana. Inanna se tornou Isthar, e Marduk deus da cidade da 
babilônia se torna supremo. Mais tarde, o deus Epônimo da Assíria suplanta Marduk. 
 
5.4.3 A religião dos cananeus 
Escavações realizadas em 1929, trouxeram de volta à luz a antiga cidade de 
Ugarit, representante da civilização Cananéia no fim da Idade do Bronze (1365-1175 
a.C). O culto cananeu concentrava-se em dois casais divinos: El e Asherat, soberanos 
do outro mundo e Baal e Anat, soberanos deste mundo. O primeiro casal foi o 
primordial, El, que significa “deus” era o chefe do panteão, o “poderoso”, “pai dos 
deuses e homens”. Até que foi se tornando um deus otiosus. Pois, um deus mais“especializado” Baal promoveu-se a categoria suprema. Baal significa “Senhor”, ele é 
fonte e principio de fertilidade, mas também guerreiro, tal como sua irmã e esposa 
Anat é, ao mesmo tempo, deusa do amor e da guerra. Um dos mitos de combate pelo 
trono entre Baal e Yamm, um monstro marinho, lembra evidentemente, a derrota do 
monstro marinho Tiamat, vencido pelo deus mesopotâmico Marduk, segundo a 
quarta tábua da Gênese babilônica, Enuma Elish, assim como a vitória de Javé sobre o 
mar em certos Salmos e em Jó 26, 12-13. 
 
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5.4.4 A religião da antiga China 
A cultura chinesa original foi marcada pelo xamanismo, em cujo centro se 
encontrava a veneração dos ancestrais e os ritos. A arte divinatória era feita pelo uso 
de ossos de tartarugas ou omoplatas de gado. Esses ossos eras expostos ao fogo e 
aquecidos, até surgirem fraturas e riscos, que então eram interpretados. A leitura dos 
oráculos, assim como da astrologia era feita pelo rei (wang), soberano político e chefe 
militar, muitas vezes atuava também como supremo xamã e sacerdote. No entanto, 
não reivindicava uma natureza divina, era um mediador. Normalmente o ritual era 
realizado na corte, muitas vezes associado a sacrifícios de animais. Envolvia também 
música, dança, transe e muito vinho. 
A mitologia chinesa foi preservada de uma 
forma fragmentária. Os mitos mais antigos, 
envolvendo a criação, por exemplo, foram 
encontrados depois da criação do confucionismo. 
Shandi (上帝) é considerado a divindade suprema, 
ser distante e transcendente. E Nu Kua (女媧) é a 
deusa que criou a humanidade, seu companheiro 
— irmão e marido — era Fu Xi (伏羲). Estes dois 
seres às vezes são adorados como os primeiros 
antepassados dos seres humanos. Eles são muitas 
vezes representados como criaturas metade-serpente, metade-humana. 
 
5.4.4.1 Taoísmo 
Por volta de 600-500 a.C, Lao-Tzu, escreveu um livrinho chamado Tao Tê Ching, 
ou Livro da Lei do Universo e Sua Virtude. Tao significa caminho, mas também o Ser 
supremo ao qual o caminho conduz. O Tao é uma força mística, impessoal e imanente 
que dá a vida e a harmonia. É um caminho de observação da natureza, de seus ritmos 
e fluxos. O taoísmo implica passividade, simplicidade, intervenção mínima na natureza, 
e a busca pela longevidade, através de estudo, da ação correta, da dieta e exercícios. 
Posteriormente esse caminho foi fundido com antigos rituais folclóricos e crenças 
chinesas, chegando a ser em 444 da era cristã religião oficial. O taoísmo tem seus 
próprios deuses, templos, sacerdotes e monges. Rituais complexos, como procissões, 
oferendas, e cerimônias de honra dos vivos e dos mortos. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fu_Xi
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5.4.4.2 Confucionismo 
Confúcio ou Kung-fu-Tzu (551 a.C. – 479 a.C) foi uma espécie de filósofo e 
educador, que ensinou um código social de comportamento rígido e completo, 
baseado nos costumes, que buscava manter a harmonia na sociedade. A virtude era 
dever de todos, e em especial dos governantes. Ele ensinou a “regra de prata” do “não 
faça aos outros o que você não quer que façam a você”. Confúcio não especulou sobre 
a metafísica, mas considerou o ritual importante, sendo um meio de codificar valores. 
 
5.4.4.3 Religião do Japão/Xintoismo 
O xintoísmo é a religião autóctone do Japão, um sistema de crenças muito antigo, 
sem fundador, ou livro sagrado. É o caminho do kami (deuses). O kami é a natureza, 
o sol, a lua, os animais, as plantas etc. E pode ser também, um ser humano iluminado 
que se tornou imortal. Existe a lenda que diz que a linhagem imperial do 
Japão originou-se de Amaterasu, a deusa do sol. Existem diversos santuários, 
onde as pessoas buscam pelas bênçãos dos kami, e realizam os festivais de Ano-Novo, 
primavera/plantio e outono/colheita do arroz 
 
5.4.5 A religião da antiga Índia 
Por volta de 2.500 a.C, uma civilização se estendeu muito além do vale do Indo. 
Era uma civilização urbana razoavelmente adiantada, ao mesmo tempo mercantil e 
“teocrática”. Foram escavadas duas cidades, provavelmente as capitais do “império” da 
civilização harapiana. Sua tecnologia é considerada como igual à do Egito e 
Mesopotâmia, mas carece de imaginação. O que indica que os Harapa não se 
concentravam nas coisas desse mundo. 
Eles faziam culto a uma deusa-mãe, e a um grande deus, esse parece ser um 
protótipo de Xiva - uma figura itifálica sentada numa postura “iogue” e rodeada de 
animais ferozes. Dedicavam sacrifícios também a diferentes espíritos de árvores. Nas 
escavações também encontraram o “Grande Bath” que lembra as “piscinas” dos 
templos hindus de nossos dias. Por volta de 1700 a.C, essa civilização entrou em 
decadência e deram lugar as investidas dos povos indo-europeus. 
 
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5.4.5.1 Hinduismo 
Os povos indo-europeus fizeram um amalgama da sua cultura com a dos 
autóctones, assim gerando a civilização védica. Está é assim denominada porque foi 
nesta época que os Vedas – conjunto de textos religiosos - foram compilados. A 
religião védica é precursora do hinduísmo moderno. 
O hinduísmo é tão multifacetado, que seria mais cabível falarmos de hinduísmos. 
A diversidade de práticas é reflexo da variedade de tradições étnicas, que enriquecem 
a religião. Mas, além do elemento territorial e familiar que congrega está religião, a 
aceitação das escrituras védicas é imprescindível para denominar-se hinduísta. No 
entanto, como boa parte da população indiana é analfabeta, o que mais importa são 
os inúmeros ritos religiosos. Essa constatação também é evidente, na persistência 
popular pelas figuras divinas vivas e concretas, quando as especulações nos escritos 
filosóficos dos Upanixades (escritos por volta de 600 a.C, marca o fim dos Vedas) 
mostravam que o homem precisava romper a superfície visível das coisas e olhar para 
dentro de si mesmo. Os Upanixades também introduzem a noção de Atmã, alma, e 
Brahman, a força que permeia todo universo, uma divindade impessoal. Alguns 
princípios que unem os hinduístas são, a pertença ao sistema de castas, a adoração a 
vaca, e a crença no carma e na reencarnação. As principais divindades adoradas são o 
deus Vishnu e seu avatar Krishna, e o deus Shiva. Além de inúmeras deusas, ganhando 
destaque a deusa Kali. 
 
 Por volta de 550 a.C, seguindo a linha filosófica dos Upanixades, surgem dois 
reformadores radicais na Índia. Sidartha Gautama, que cria o BUDISMO e Mahavira, 
que cria o JAINISMO. Bem posteriormente, em 1499, na região da Índia, hoje 
denominada Paquistão, um Guru chamado Nanak, cria o SIQUISMO. Que é uma 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vedas
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tentativa de conciliar o hinduísmo e o islamismo. 
 
5.4.5.2 A religião dos persas/zoroatrismo 
Indianos e iranianos tiveram um povo ancestral comum os proto-indo-iranianos, 
que por sua vez, é um ramo da família indo-europeia. Quando se separaram 
desenvolveram línguas diferentes, no entanto, conservaram alguns pontos em 
comuns, como o domínio da sociedade por uma aristocracia guerreira e pelos 
sacerdotes, e algumas práticas religiosas. Algumas delas foram o sacrifício de animais, 
e o uso da bebida alucinógena chamada haoma, além da divisão dos seres divinos em 
ahuras (senhores) e devas (deuses). 
Zoroastro viveu entre 1500 e 1000 a.C, no entanto, as fontes do zoroastrismo 
foram redigidas apenas a partir do século IV d.C, apesar de ter sido religião oficial do 
Império Persa (VI-IV a.C), e dos reinos subsequentes até século VII d.C. Segundo a 
tradição, ele era sacerdote e aos 30 anos teve uma visão. Suas ideias entraram em 
conflito com a religião tradicional. Sua doutrina oferecia iniciação e salvação paratodos, independente de classe social, contanto que levassem uma vida justa e 
honrada. Combinou monoteísmo e dualismo numa síntese original. Ahura Mazda, o 
Senhor 
Supremo, tem dois filhos gêmeos, Spenta Mainyu (espírito benfazejo) e Angra 
Mainyu (espírito negador) que devem escolher entre a ordem da verdade (asha) e a 
mentira (drug). O homem tem o livre arbítrio para escolher seu caminho. Existem sete 
intermediários para o espírito benfazejo, que são os Amesha Spentas (imortais 
benfazejos) tais como “Bom pensamento”, “Verdade perfeita” etc. Existem também os 
devas (aqui considerados demônios) que escolhem o drug. Segundo sua escolha o 
homem irá para o paraíso, inferno, ou Misvan Gatu (lugar dos misturados). Três dias 
depois da morte do corpo, o espírito passa por um tribunal, em seguida para um dos 
três lugares mencionados. No entanto, ainda haverá o julgamento final, e enfim a 
ressurreição e imortalidade dos corpos dos bons. 
Os cultos são realizados sempre na presença de um fogo sagrado (símbolo de 
pureza), mantido nos Templos do Fogo. Algumas características dos rituais são a 
purificação da mente e do corpo e a luta contra Angra Mainyu. E a obrigação de cinco 
orações diárias individuais, iniciada com a limpeza do rosto, mão e pés. 
 
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5.5 Europa 
5.5.1 As religiões dos indo-europeus 
As tribos indo-europeias, seminômades de guerreiros patriarcais, vindos da 
região ao norte do mar Negro, entre os Cárpatos e o Cáucaso, denominados de cultura 
dos Kurgans. Dispersaram-se para Europa e Ásia de tal modo, que por volta do 
primeiro milênio a.C, a indo-europeização da Índia, da península itálica, da península 
balcânica e das regiões cárpato-danubianas, da Europa central, setentrional e 
ocidental – desde o Vístula até o mar Báltico e o Atlântico -, estava ou concluída, ou 
consideravelmente adiantada. 
Os principais traços das sociedades indo-europeias foram o nomadismo pastoril, 
a estrutura patriarcal de família, e o gosto pela organização militar. Tanto é que as 
“três funções” dessa sociedade eram a sacerdotal, guerreira e produtiva. O (deus do) 
Céu é acima de tudo o pai: cf. o indiano Dyauspitar, o grego Zεύçπατηφ, o ilírio 
Daipatures, o latim Jupiter, o cita Zeus-papaios, o traço-frigio Zeus-pappos. A 
hierofania celeste também é percebida na designação de deuses pelo nome de trovão: 
germânico Thôrr, celta Taranos, báltico Perkûnas, protoeslavo Perun etc. O fogo, 
provocado pelo relâmpago, era considerado de origem celeste, e tinha seu culto. O 
deus solar teve culto desde a proto-história, e a mãe terra foi tomada de empréstimo 
dos povos aos quais eles incorporavam. É bom lembrarmos que nenhuma tradição 
religiosa se prolonga indefinidamente sem modificações, produzidas seja por novas 
criações espirituais, seja por empréstimo, simbiose ou eliminação. 
 
5.5.2 A religião dos gregos antigos 
5.5.2.1 Religião Minoica: Ilha de Creta 2700 -1400 a.C 
A civilização cretense caracterizou-se pelos vastos complexos de palácios, por 
sua arte que celebrava a natureza e por suas duas formas de escrita. Os estudos 
apontam para uma civilização pacífica, e matrifocal. A maioria dos documentos 
iconográficos tinha um sentido religioso, e o culto estava centralizado nos mistérios 
da vida, da morte e renascimento, comportando ritos de iniciação. Assim, a principal 
divindade era uma Grande Deusa, às vezes acompanhada de seu frágil parceiro 
masculino, um deus adolescente. Temos aqui uma hierogamia, típico das religiões 
agrárias e de mistérios. O culto era celebrado nos cumes das montanhas, nas capelas 
dos palácios ou no recinto dos lares. Também era realizado o culto aos mortos. Por 
todas as partes as deusas acham-se no centro da atividade religiosa. 
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Ocorre primeiro a invasão dos povos micênicos (1400-1200 a.C). Estes deixaram 
escritos em grego arcaico, que revelaram panteões locais com divindades cultuadas 
posteriormente como, Zeus, Hera, Poseidon, Ártemis, Dionisio. O período seguinte 
(1200-800 a.C) marca o fim da civilização micênica e a chegada dos povos do norte e 
leste. Cuja principal fonte de informação são as obras de Homero, Ilíada e Odisseia. 
Finalmente, temos a religião da Grécia arcaica/clássica/helenística/românica (800 
a.C380 d.C). 
A autonomia das cidades-estados gregas se refletiu em sua religião. Em cada 
cidade, ou mesmo nos altares domésticos, encontrava-se uma religiosidade grega. Os 
gregos praticavam um culto politeísta antropomórfico, em que os deuses poderiam 
se envolver em aventuras fantásticas, tendo, também, a participação de heróis 
(Hércules, Teseu, Perseu, Édipo). Não havia dogmas, os deuses possuíam tanto 
virtudes quanto defeitos, o que os assemelhava aos mortais no aspecto de 
personalidade. Para relatar os feitos dos deuses e dos heróis, os gregos criaram uma 
rica Mitologia. 
A Teogonia de Hesíodo apresenta o nascimento das forças naturais e dos deuses 
a partir do Caos primordial, da Terra (Gaia), do Tártaro e de Eros (amor), dos antigos 
Titãs seguidos pela geração de Cronos (tempo), que castra o pai Uranos (céu), e pela 
de Zeus, que vence o pai Cronos, e o exila em algum lugar da terra. 
Acreditavam que dos rituais dependessem a sorte dos humanos. Tudo girava em 
torno do altar de sacrifícios. Existiam altares sem edifício, mas nunca o contrário. A 
palavra sacrifício significa festa religiosa. Uma das principais festas era os jogos 
olímpicos, que teve início em 776 a.C, ou seja, no início do período arcaico. A origem 
do teatro também foi de cunho religioso, com representações da saga de Dionísio, 
deus do vinho. Além dos grandes santuários como os de Delfos, Olímpia e Epidauro, 
havia os oráculos que também recebiam grandes multidões, pois lá se acreditava 
receber mensagens diretamente dos deuses. 
 
5.5.3 A religião dos germanos 
Entende-se por germânicos, grupos de populações localizadas entre a 
Escandinávia Meridional, a Jutlândia, a costa meridional do Báltico e a Europa Central, 
entre o Reno, os Alpes e a Vístula. 
Possuíam uma espécie de “especialistas do sagrado” que influenciavam a ordem 
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social, e a quem competia a prática da adivinhação. Havia um culto comum ás diversas 
tribos, dedicado à deusa Nerthus. Os templos eram espaços e áreas sagradas, como o 
bosque sagrado, sede da deusa Nerthus. Escritos que falam do transporte dessa deusa 
em um carro guardado no bosque, indica a existência de imagens, no entanto, 
estatuas são raríssimas. Praticavam sacrifício animal e humano. 
O panteão germânico é repartido entre dois grupos divinos: os Ases e os Vanes. 
Os principais entre os Ases são, Odin/Wodan, Thor e Thyr. Entre os Vanes 
destacam-se Njordhr/Nerthus, Freyr e Freya. Os dois grupos guerreiam, e quando da 
reconciliação definitiva, as principais divindades Vanes, instalam-se entre os Ases. 
Existem também as Valquírias, senhoras guerreiras do cortejo dos deuses, e toda uma 
multidão de espíritos ocultos e furtivos, os Elfos, os Silfos, e os Pigmeus. 
A mitologia germânica é cíclica, existe uma cosmogonia que é seguida de uma 
escatologia. Do gelo e do fogo nascem dois seres: o gigante Ymir e a vaca Audumla, 
que amamenta o primeiro e cria um homem, Buri, que desposa a filha de um gigante, 
que tem três filhos: Odin, Vili, e Vé. Esta trindade mata o gigante Ymir e, de seu corpo, 
eles criam nove mundos. No fim do mundo, Ragnarok, a terra afundará no oceano. 
Será o fim de um ciclo e o começo de outro: a grande árvore Yggdrasill abrir-se-á e 
de dentro dela surgirão um homem, Lif e uma mulher, Lifthrasir, que repovoarão a 
Terra. 
 
5.5.4 A Religião dos celtas 
Grande parte da população da Europa ocidental, antes da conquista romana, 
pertencia às etnias celtas.No entanto, o lugar que preservou por mais tempo a cultura 
Celta, foi a Irlanda. 
O panteão Celta possui as deusas da fertilidade, ou mãe dos deuses, as matronae, 
com grande difusão de culto, sendo chamada de Danu, na Irlanda e Dôn na região 
das Gálias, por exemplo. Tem o deus Cernunnos, identificado como “o senhor das 
coisas selvagens”. Existem os deuses Teutates, Esus e Taranis, interpretados na ordem 
como, “o homem da tribo”, optimus, e deus do trovão. Um importante deus que 
atravessa todo universo celta é Lug, “senhor de todas as artes”. 
Os celtas possuíram quatro principais celebrações. Estas dividiam o ano em 
metade escuro e metade clara. O ano se iniciava em Samhain, quando começava a 
metade escura, na virada de 31 de outubro. Seguia-se Imbolc, em 1º de fevereiro, era 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Europa_ocidental
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uma festa de purificações. Para introduzir a metade clara do ano, celebrava-se Beltane 
(fogo de Belenus- deus do sol), em 1º de maio. Seguia-se Lugnasad, em 1º de agosto, 
celebração da colheita. 
Existia uma elite sacerdotal intelectual, depositários do saber tradicional, os 
druidas. A formação dos druidas demorava muito tempo e era mnemônica de 
longuíssimas sequências de versos, transmitido oralmente. Eles atuaram na astrologia, 
cosmologia, teologia, adivinhação, aplicação da justiça, na música (os bardos) e etc. 
Um dos ensinamentos dos druidas considerava a transmigração das almas de um 
corpo a outro depois da morte, e a passagem por um tempo na Terra da Juventude. 
 
5.5.5 A religião dos romanos 
Antes de se tornar o grande império romano, Roma era apenas uma, entre as 
diversas cidades da península itálica. Indo-europeus de origem, os romanos eram 
circundados por diversas etnias como os sabinos e etruscos. Logo tiveram enorme 
influência da religião etrusca, que por sua vez, entre os séculos VIII e VII, se 
helenizaram. Roma tomou de empréstimo características de diversas religiões, 
inclusive fez isso também, por meio da evocativo, que consiste no pronunciamento 
feito na cidade inimiga, para convidar os deuses a abandoná-la e dirigir-se a Roma, 
onde receberia honra maiores. No entanto, a religião romana só podia ser praticada 
por um cidadão romano, e tinha suas próprias características. 
Para os romanos qualquer anomalia, implicava um retorno ao caos, ou seja, uma 
crise nas relações entre os deuses e os homens. Dessa forma, eles davam importância 
apreciável às técnicas divinatórias, e desenvolveram entidades regentes de vários 
aspectos da vida, e ritos para apaziguá-los. Existia o culto público, subordinado ao 
estado, e o culto privado ou doméstico, destinado aos antepassados. 
A princípio os deuses romanos iniciavam com o deus-padroeiro dos “começos” 
Jano, seguido da tríade Júpiter, Marte, e Quirino, e no fim, Vesta, protetora da cidade. 
A influência etrusca mudou a tríade para Júpiter, Juno e Minerva. No século V, Roma 
assimila divindades gregas, como Hermes-Mercúrio, Apolo-Febo, Afrodite-Vênus, 
Ártemis-Diana. E em 205-204 a.C, introduz a primeira divindade asiática Cíbele, a 
Grande Mãe de Pessinonte. Em 186 a.C, o culto de Dionísio, em Roma denominado 
bacanalias, é descoberto e perseguido pelo estado, pois, representa um perigo a 
ordem, visto que ele escapa ao controle do estado. 
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As religiões hoje 
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6 As religiões hoje 
No decorrer dos anos do desenvolvimento das religiões, elas foram sendo 
influenciadas por religiões dos diversos povos em que entravam em contato. Assim 
como, começaram a migrar para fora de seu país de origem, chegando até continentes 
diferentes e distantes. Com o desenvolvimento dos transportes e posteriormente dos 
meios de comunicação, o sincretismo e práticas de religiões estrangeiras se tornaram 
mais intenso e comum. 
Hoje no século XXI, a dinâmica do sincretismo e da importação e exportação de 
religiões ainda é muito forte. É mediante isso, que conseguimos agrupar no nosso Kit, 
30 religiões distintas na região metropolitana do Recife. No entanto, deixamos claro, 
que esse número é muito inferior a quantidade de religiões existentes no lugar 
mencionado. E que a escolha das denominações religiosas, não presume 
superioridade sobre as não escaladas. Mas, apenas uma tentativa de seleção de 
designações religiosas, dispares em seu conteúdo, e com disponibilidade para atender 
o Fórum Inter-religioso. 
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Referências 
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7 Referências 
ADRIANI, Maurilio. História das religiões. Lisboa: Edições 70, 1988. 
ELIADE, Mircea. História das crenças e das ideias religiosas, volume I: da idade da pedra 
aos mistérios de Elêusis. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010. 
______. História das crenças e das ideias religiosas, Tomo II, de Gautama Buda ao triunfo 
do cristianismo. volume I, das religiões da China antiga à síntese hinduísta. Rio de 
Janeiro: Zahar Editores, 1979. 
ELIADE, Mircea; COULIANO, Ioan P. Dicionário das religiões. 2 ed. São Paulo: Martins 
Fontes, 2009. 
EISLER, Riane. O Cálice e a espada: nosso passado, nosso futuro. São Paulo: Palas 
Athena, 2007. 
FUNARI, Pedro Paulo (org). As religiões que o mundo esqueceu: como egípcios, 
gregos, celtas, astecas, e outros povos cultuavam seus deuses. São Paulo: Contexto, 
2009. 
GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: 
Companhia das letras, 2005. 
KUNG, Hans. Religiões do mundo: em busca dos pontos comuns. Campinas, SP: Verus 
Editora, 2004. 
LEROI-GOURHAN, André. As religiões da pré-história. Lisboa: Edições 70, 2007. 
História das Religiões | 
Referências 
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O´DONNELL, Kevin. Conhecendo as religiões do mundo. São Paulo: Edições Rosari, 
2007. 
SAUNDERS, Nicholas J. Américas Antigas: as grandes civilizações. São Paulo: Madras, 
2005. 
SCARPI, Paolo. Politeísmos: as religiões do mundo antigo. São Paulo: Hedra, 2004. 
VALETT, Odon. Uma outra história das religiões. São Paulo: Globo, 2002. 
ZILLES, Urbano. Religião: crenças e crendices. 3 ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. 
BRASIL.CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. 
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: 
Apresentação dos Temas Transversais – Ética. Brasília: MEC/SEF,1997b. 
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. PARECER CP N.º 05/97. ASSUNTO: 
Interpretação do artigo 33 da Lei 9394/96. 
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. PARECER CP 12/97. Esclarece dúvidas sobre a 
Lei nº 9.394/96 (Em complemento ao Parecer CEB nº 05/97). 
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. PARECER CP 97/99. Formação de Professores 
para o Ensino Religioso nas Escolas Públicas de Ensino Fundamental. 
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO Nº 9394/96, com a nova redação dada 
pela Lei nº 9.475, de 22 de julho/97. 
MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Religioso. Fórum Nacional 
Permanente do Ensino Religioso. 1996. 
Resolução 02/98 - Câmara de Educação Básica/CNE. Diretrizes Curriculares Nacionais 
para o Ensino Fundamental. 
CAMILO, Janaína. Ensino Religioso na Escola Pública – Uma Mudança de Paradigma. 
Revista de Estudos da Religião - REVER. Nº 2. Ano 4. 
http://www.pucsp.br/rever/rv2_2004/t_camilo.htm 
CLÉMENT, Cathérine. A Viagem de Theo: romance das religiões. São Paulo: Companhia 
das Letras, 13ª reimpressão, 2001. 
ELIADE, Mircea. História das crenças e das ideias religiosas. Tomo II, vol. 1 Rio de 
Janeiro: Zahar, 1979. 
História das Religiões | 
Referências 
www.cenes.com.br | 38 
 
 
	Sumário
	1 Breve Histórico das Religiões
	2 Conceito e Características
	3 Religião, intolerância e conflitos
	4 O direito à diversidade religiosa no Brasil e uma Educação para a tolerância
	5 A religião na pré-história
	5.1 África
	5.1.1 As Religiões dos Africanos
	5.1.2 A religião dos egipcios
	5.2 América
	5.2.1 As religiõesdos indígenas brasileiros
	5.2.2 A religião dos maias
	5.2.3 A religião dos astecas
	5.2.4 A Religião do Incas
	5.3 Oceania
	5.3.1 A religião dos povos oceânicos
	5.3.2 A religião dos australianos
	5.4 Ásia
	5.4.1 As religiões dos siberianos
	5.4.2 As religiões da antiga mesopotâmia
	5.4.3 A religião dos cananeus
	5.4.4 A religião da antiga China
	5.4.4.1 Taoísmo
	5.4.4.2 Confucionismo
	5.4.4.3 Religião do Japão/Xintoismo
	5.4.5 A religião da antiga Índia
	5.4.5.1 Hinduismo
	5.4.5.2 A religião dos persas/zoroatrismo
	5.5 Europa
	5.5.1 As religiões dos indo-europeus
	5.5.2 A religião dos gregos antigos
	5.5.2.1 Religião Minoica: Ilha de Creta 2700 -1400 a.C
	5.5.3 A religião dos germanos
	5.5.4 A Religião dos celtas
	5.5.5 A religião dos romanos
	6 As religiões hoje
	7 Referências

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