Prévia do material em texto
FEBRE CATARRAL MALIGNA DEFINIÇÃO A Febre Catarral Maligna (FCM), é uma doença infecciosa viral, com caráter pansistêmico, frequentemente fatal, caracterizada por linfoproliferação, ulceração de mucosas e vasculite necrosante fibrinóide, principalmente em ruminantes domésticos e selvagens. ETIOLOGIA Causada por um vírus de DNA de fita dupla, linear e/ou circular, dependendo da fase do ciclo de replicação viral, envelopado, de simetria icosaédrica; Pertencente ao gênero Rhadinovírus, da família Herpesviridae e subfamília Gamaherpesvirinae; Em bovinos, ocorrem duas apresentações epidemiológicas distintas: Africana ou gnu-associada (FCM-GA), causada pela cepa viral Alcelaphine herpesvírus 1 (ALHV-1); Americana ou ovino-associada (FCM-OA) causada pelo herpesvírus ovino - 2 (OvHV-2); Maioria das espécies de ruminantes apresentam um radinovirus específico, que não causam danos a seu hospedeiro natural, mas que causa doença severa em hospedeiros acidentais; Família Herpesviridae Os hospedeiros naturais apresentam a forma de latência viral, seguido de períodos de reativação e proliferação; 4 tipos clássicos envolvidos na etiologia da FCM: - Alcelaphine herpesvírus 1 (AlHV-1) – gnus – FCM-GA ; - Herpesvírus ovino-2 (OvHV-2) – ovinos – FCM-AO; - FCM dos cervídeos (clássica – cervo de cauda branca); - Herpesvírus caprino-2 (CpHV-2) - atinge ruminantes silvestres; EPIDEMIOLOGIA A enfermidade é, geralmente, uma doença aguda, de morbidade baixa e letalidade alta; As manifestações clínicas nas duas formas de apresentação são as mesmas, existe diferença epidemiológica: A FCM-GA – está intimamente relacionada aos animais selvagens biungulados (gnus, cervos, antílopes e outros ruminantes silvestres), de vida livre, ou mantidos em cativeiros, reservas florestais e/ou zoológicos. Coexistência de animais reservatórios e susceptíveis, dentro do mesmo ambiente, leva ao aparecimento de surtos. Ocorre em países da África; A FCM-AO – afeta animais de produção como bovinos e ovinos, e ocasionalmente búfalos, suínos e equinos - Europa, A. do Norte e do Sul, Austrália e Nova Zelândia – Nesse caso, OvHV-2 é o agente causal geralmente presente em ovinos jovens, que são criados em contato com bovinos – pastoreio em consorcio entre as duas espécies, determina o aparecimento de surtos esporádicos. Transmissão Nas duas formas, a transmissão ocorre principalmente por aerossóis provenientes dos animais considerados reservatório; O vírus também pode ser eliminado pelas fezes dos animais infectados; outro meio de transmissão a ser considerado é a ingestão de água e alimentos contaminados por descargas nasais, oculares e até mesmo pelas fezes dos animais infectados; Na forma ovino-associada, as partículas virais são eliminadas também em colostro, leite e secreções genitais (parição) de ovelhas, o que pode contaminar o ambiente de bovinos; Aparentemente, bovinos infectados não transmitem a doença para outros bovinos. Na maioria das vezes a FCM ocorre: Forma esporádica (60%) com poucos animais afetados de 1-3; Podem ocorrer em surtos (40%) afetando vários bovinos num rebanho. Período de incubação - 3 a 10 semanas; Curso clínico agudo - 3 a 7 dias; Morbidade - 2,5% a 20% ; Letalidade - 83% a 100%; Animais de qualquer idade e de ambos os sexos são afetados. PATOGENIA Não está completamente esclarecida; Os animais infectados apresentam viremia, com localização do vírus nas células e lesões provocadas provavelmente por um processo imunomediado; O quadro de vasculite sugere um distúrbio imunomediado que determina a diminuição da subpopulação de linfócitos CD8 (supressores), ocasionando o desequilíbrio no controle das citocinas liberadas por linfócitos infectados, resultando em reação em cadeia imunomediada; A perda as regulação funcional dos linfócitos supressores, aliada ao excesso de ação de células natural killers (NK), determina a patogenia da doença. SINAIS CLÍNICOS As apresentações clínicas da doença podem ser chamadas de forma generalizada, digestória (entérica) e neurorespiratória (cabeça e olho); Febre alta (41-41,5º C) e Salivação; Descargas nasais e oculares mucopurulentas Erosões e úlceras orais e nasais; Hipertrofia ganglionar generalizada; Hematúria; Opacidade de córnea; Fotofobia; Dermatite crostosa na pele do focinho, mama, tetos e escroto; Dispnéia; Depressão. Conjuntivite associada a edema e opacidade corneal bilateral; Gastroenterite com diarreia sanguinolenta; Sinais nervosos (60% casos): Incordenação motora, tremores, letargia ou agressividade e ataxia; Casos superagudos - animais podem morrer antes de apresentar a maioria dos sinais clínicos; Casos agudos - 9 a 14 dias (sinais mais brandos de gastroenterite e distúrbios nervosos); Casos crônicos e de recuperação total podem ocorrer; Achados de Necropsia em casos clássicos: Opacidade da córnea; Dermatite crostosa na pele do focinho, mama, tetos e escroto; Hiperemia, erosões e úlceras em qualquer mucosa; Lesões características no sistema urinário; No rim – áreas branco-amareladas múltiplas de 2 a 4 mm - células inflamatórias mononucleares no interstício renal e ao redor das artérias. Aumento de volume dos linfonodos; Causado por hiperplasia linfóide. Histopatologia Permite o diagnóstico: A) Vasculite por acúmulo de células mononucleares na adventícia e necrose fibrinóide da parede; B) Proliferação e infiltração de células mononucleares emvários órgãos (linfonodos, encéfalo, fígado, rim, olhos, s. digestivo e s. respiratório); C) Inflamação e necrose em qualquer mucosa do organismo e pele. Lesão vascular é importante pois é achada em todos os casos. Coleta da rete mirabile carotídea - lesão vascular importante, coletar em necropsias de bovinos. DIAGNÓSTICO Baseado na epidemiologia, sinais clínicos, achados de necropsia e histopatologia (lesões vasculares); Testes sorológicos: ELISA, RIFI, Isolamento (somente na forma africana) e PCR. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Febre Aftosa e Estomatite Vesicular Morbidade e Mortalidade, sem opacidade e córnea e o epitélio da língua e pele interdigital se desprende facilmente FCM Morbidade e Mortalidade, com opacidade e córnea e o epitélio da língua e pele interdigital não se desprende facilmente. Língua azul - ulceras orais e crostas no focinho Associada a insetos, baixa mortalidade. Diarréia viral bovina - doença das mucosas X FCM Ambas baixa morbidade e alta mortalidade; Mais difícil de diferenciar; Achados histopatológicos (na FCM as lesões vasculares são mais difusas); Achado típico Arterite fibrinóide com infiltrado mononuclear da túnica média e adventícia dos vasos da rete mirabile carotídea). Intoxicação por Amaranthus spp. Corrimento nasal, uremia (úlceras cav. Oral, esôfago, pré-estomagos e abomaso); Alta morbidade, ocorrência sazonal, sem febre e opacidade de córnea. CONTROLE E PROFILAXIA Não há tratamento ou vacinas eficazes; Tratamento de suporte; Evitar a introdução de ovinos de áreas em que ocorra a doença; Isolar animais afetados de animais sadios.