Prévia do material em texto
TESTES E DIAGNOSTICOS Sempre que faço um teste diagnóstico, e dá resultado positivo, ele pode acertar, pois a pessoa realmente é doente, ou pode errar, pois pode ser um falso-positivo. Ou dando negativo, pode acertar, pois a pessoa realmente não está doente, ou pode errar, pois pode ser um falso-negativo. Portanto, existem QUATRO possibilidades diagnósticas. Olhando a tabela, o teste ACERTOU no A e no D. No A, o teste disse que era positivo, e realmente era doente. Por isso chama de VERDADEIRO POSITIVO. No D o teste disse que era negativo, e realmente era. Por isso, chama VERDADEIRO NEGATIVO. O teste errou no B e no C. No B o teste disse que era positivo, mas a pessoa não é doente. A gente chama de FALSO POSITIVO. No C o teste disse que era negativo, mas a pessoa é doente. É o FALSO NEGATIVO. Propriedades dos Testes Diagnósticos Lembrar que SENSIBILIDADE E ESPECIFICIDADE SÃO CARACTERÍSTICAS INERENTES AOS TESTES DIAGNÓSTICOS. Sensibilidade É a capacidade de um teste diagnóstico identificar os VERDADEIROS POSITIVOS nos indivíduos DOENTES. Portanto, sempre que pensarmos em sensibilidade, tem que se dirigir a COLUNA 1, de modo que calculamos por A / A + C. Quando um teste é muito sensível, ele peca por excesso, pegando até quem só parece doente. Então, raramente deixa de encontrar pessoas com a doença. Ou seja, quanto mais sensível o teste, MENOR O ÍNDICE DE FALSO-NEGATIVOS (C). Portanto, isso significa que DANDO NEGATIVO, praticamente EXCLUO A DOENÇA, e POR ISSO SE USA TESTES MUITO SENSÍVEIS PARA TRIAGEM! Por outro lado, por pegar tudo que parece com a doença, está sujeito a encontrar MAIS FALSO-POSITIVOS, ou seja, indivíduos com teste positivo, mas que não apresentam a doença. Quando queremos um teste mais sensível? · TRIAGENS DIAGNÓSTICAS (Exp. bancos de sangue) · Quando a doença é grave (Não pode passar despercebida) · Quando a doença é tratável (Existe chance de cura) · Quando os resultados errados (falsos-positivos) não provocam traumas psicológicos, econômico ou social Especificidade É a capacidade de um teste diagnóstico identificar os VERDADEIROS NEGATIVOS nos indivíduos NÃO DOENTES. Portanto, sempre que pensar em especificidade, tem que se dirigir a COLUNA 2, de modo que calculamos por D / B + D. Quando um teste é muito específico, raramente dirá que os não doentes são doentes. Ou seja, BAIXO ÍNDICE DE FALSO-POSITIVOS. Então esses testes DANDO POSITIVO, praticamente FECHO DIAGNÓSTICO. Porém, por ser muito específico, está sujeito a encontrar MAIS FALSO-NEGATIVOS, ou seja, indivíduos com teste negativos, mas que apresentam a doença. Quando queremos um teste mais específico? · CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO · Doença importante, mas DIFÍCIL DE TRATAR ou INCURÁVEL · Quando os resultados errados (falsos-positivos) provocam traumas psicológicos, econômico ou social (exp. Câncer) Valor preditivo É também chamado de "Probabilidade pós-teste", ou seja, a probabilidade de se ter ou não a doença, após o resultado do teste. Podemos dizer que a "Probabilidade pré-teste" é a própria prevalência da doença na população. São duas perguntas: 1) Dado que o teste diagnóstico foi POSITIVO, qual a probabilidade de realmente se ter a doença? Esse é o VALOR PREDITIVO POSITIVO (VPP). OLHO A LINHA 1. Ou seja, OS ACERTOS NOS RESULTADOS POSITIVOS. Portanto, A/A+B. · TESTES MAIS ESPECÍFICOS -> MENOS FALSO-POSITIVOS -> MAIOR VPP (o positivo de teste específico podemos confiar) · TESTES MAIS SENSÍVEIS -> MAIS FALSO-POSITIVOS -> MENOR VPP. 2) Dado que o teste diagnóstico foi NEGATIVO, qual é a probabilidade de realmente não se ter a doença? Esse é o VALOR PREDITIVO NEGATIVO (VPN). OLHO A LINHA 2. Ou seja, OS ACERTOS NOS RESULTADOS NEGATIVOS. Portanto, D / C + D. · TESTES MAIS SENSÍVEIS -> MENOS FALSOS-NEGATIVOS -> MAIOR VPN. (o negativo de teste sensível podemos confiar) · TESTES MAIS ESPECÍFICOS -> MAIS FALSO-NEGATIVOS -> MENOR VPN. Esses valores preditivos podem sofrer variações, dependendo, além da sensibilidade e especificidade do teste, da PREVALÊNCIA da doença na população. Entretanto, devemos sempre lembrar que "a sensibilidade e especificidade do teste NÃO SÃO influenciadas pela prevalência, pois são características inerentes ao teste, sendo igual independente de que população ele seja feito" (QUESTÃO) · QUANTO MAIOR A PREVALÊNCIA da doença testada, MAIOR O VPP e MENOR O VPN. Isto é, maior será a probabilidade de um resultado positivo significar que o paciente em questão é de fato doente. · QUANTO MENOR A PREVALÊNCIA da doença testada, MENOR O VPP e MAIOR O VPN. Isto é, maior será a probabilidade de um resultado negativo significar que o paciente em questão é de fato sadio. Por exemplo: 1) População de prostitutas x Teste rápido para HIV. Nessa situação de alta prevalência, é esperado um número maior de resultados falso-negativos (MENOR VPN), ainda que seja aplicado um teste com boa sensibilidade. Por outro lado, terá um baixo número de falso-positivos (MAIOR VPP). 2) Pouplação de freiras x Teste rápido para HIV. Numa situação de baixa prevalência, mesmo um teste muito específico, irá produzir muitos resultados falso-positivos (MENOR VPP), devido ao elevado número de indivíduos sadios na coletividade. Por outro lado, terá um baixo número de falso-negativos (MAIOR VPN). Acurácia Mede a proporção de acertos do teste, o total de verdadeiramente positivos e verdadeiramente negativos, em relação à amostra estudada. Portanto, A + D / A+B+C+D. Dicas Importantes para Memorizar · Sensibilidade = capacidade de detectar os DOENTES · Especificidade = capacidade de achar os NÃO DOENTES · Nos testes com alta SENSIBILIDADE, temos MENOS FALSO-NEGATIVOS, de modo que ser der resultado NEGATIVO, eu EXCLUO A DOENÇA, usando portanto para TRIAGEM. · Nos testes com alta ESPECIFICIDADE, tem MENOS FALSO-POSTIVOS, de modo que se der resultado POSITIVO, eu FECHO O DIAGNÓSTICO, usando portanto para CONFIRMAÇÃO. Testes Múltiplos: Série x Paralelo · Testes em Paralelo: são testes realizados AO MESMO TEMPO, de modo que possuem ALTA SENSIBILIDADE em detrimento de MENOR ESPECIFICIDADE, já que BASTA UM RESULTADO POSITIVO DE QUALQUER TESTE. · Testes em Série/Sequência: são testes realizados UM DE CADA VEZ, possuindo ALTA ESPECIFICIDADE em detrimento de MENOR SENSIBILIDADE, já que para valer, TODOS DEVEM SER POSITIVOS. Sendo um dos exames negativo, o teste é suspenso. Curvas ROC A sensibilidade e especificidade são características difíceis de conciliar, ou seja, é complicado aumentar essas duas propriedades de um teste ao mesmo tempo. Para representar essa relação, normalmente antagônica, utilizam-se as curvas ROC. Quando, por exemplo, diminuímos o ponto de corte de um exame, estamos aumentando a SENSIBILIDADE do teste, pois os resultados negativos serão altamente confiáveis, e assim, aumentaríamos a VPN. Consequentemente, a ESPECIFICIDADE CAI, pois aumentará a quantidade de falsos-positivos, e assim, menor VPP. Por exemplo, baixar um corte de glicemia de 126 para 100, no diagnóstico de DM. O teste A tem maior acurácia do que o Teste B, pois possibilita no mais à noroeste (cut off point) o maior valor de sensibilidade para o maior valor de especificidade. Portanto, escolheremos os valores conforme o interesse em aumentar a sensibildiade ou a especificidade. A acurácia de um teste diagnóstico é TANTO MAIOR QUANTO AMAIS A CURVA SE APROXIMA DO CANTO SUPERIOR ESQUERDO, tendo a MAIOR ÁREA ABAIXO DA CURVA. Quanto MAIS PARA CIMA, MAIS SENSÍVEL. Quanto MAIS PARA ESQUERDA, MAIS ESPECÍFICO.