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AULA 1 INTERNACIONALIZAÇÃO DA SAÚDE Prof. José Benedito Caparros Junior 2 TEMA 1 – INTERNACIONALIZAÇÃO DA SAÚDE: ESTUDO INTRODUTÓRIO O que vem a sua mente quando falamos em internacionalização da saúde? Pode parecer um tanto quanto vago, não é mesmo? Contudo, esse é um assunto cada vez mais presente na sociedade, bem como nas áreas da saúde e das relações internacionais. Afinal, recentemente, enfrentamos uma pandemia que chacoalhou todas as estruturas mundiais. A pandemia de COVID-19 é apenas um exemplo do que pode ser a internacionalização da saúde. Quando falamos em internacionalização da saúde, estamos nos referindo a todos os fenômenos internacionais que envolvem governos, leis (domésticas ou internacionais), desafios globais, organizações internacionais governamentais ou não governamentais, entre outros assuntos. Assim, em outros termos, estamos falando sobre a cooperação internacional na área da saúde. Por sua vez, a cooperação internacional nada mais é que o comportamento dos atores internacionais, que visam, por meio de relações coordenadas de cooperação, satisfazer as próprias necessidades. No entanto, as “próprias necessidades”, muitas vezes, são “as necessidades de todos”. Talvez você possa estar um pouco confuso agora, mas prometemos que tudo fará sentido ao longo desta discussão, pois, a partir deste momento, iremos estudar a forma como o assunto saúde é conduzido na sociedade internacional. Para alcançarmos esse objetivo, a nossa discussão está dividida da seguinte maneira: • alicerces teóricos das relações internacionais; • saúde no âmbito internacional contemporâneo; • alguns dos principais desafios à saúde global; • Organizações internacionais governamentais (OIGs); • Organizações Internacionais não governamentais (OINGs); • pandemias e sistemas de saúde estrangeiros. Nesta etapa, nos dedicaremos ao estudo dos alicerces teóricos das relações internacionais, isto é, assuntos importantes deste campo de atuação e pesquisa que servem de sustento teórico para todas as discussões seguintes. Nesta oportunidade, estudaremos os seguintes tópicos: 3 • Tópico 1 – Internacionalização da saúde: estudo introdutório; • Tópico 2 – Globalização: definição, caraterísticas e fases; • Tópico 3 – Globalização: contextos de análise e áreas de impactos; • Tópico 4 – Sociedade internacional (SI); • Tópico 5 – Direito Internacional (DI). Em outro momento, estudaremos sobre a Saúde no âmbito internacional contemporâneo. Em outras palavras, vamos nos debruçar sobre o conceito de saúde e os determinantes sociais de saúde (DSS) sob a óptica da ONU, bem como entenderemos o que é saúde internacional e saúde global (alerta de spoiler: existe diferença entre ambos os conceitos). Depois, estudaremos alguns dos principais desafios à saúde global, ou seja, os problemas existentes no mundo que impedem as pessoas de viver com mais saúde e dignidade. Por sua vez, será destinada ao estudo das organizações internacionais governamentais (OIGs), em especial àquelas que atuam direta e indiretamente no campo da saúde. Veremos o quão importantes elas são, bem como os papéis que elas desempenham no mundo. Na sequência, está reservada para investigarmos as ONGs que atuam na esfera internacional, que chamaremos de organizações internacionais não governamentais (OINGs). Da mesma forma como as OIGs, as OINGs desempenham um grande papel na sociedade internacional. Por fim, estudaremos a respeito das pandemias, em especial a da COVID- 19, e alguns sistemas de saúde estrangeiros. Nesta ocasião, também reservaremos um momento para a síntese de nossa discussão, que também é muito importante. Perceberam que esse caminho, metodológico e didático, conduzirá vocês a uma jornada sobre como a saúde é tratada no âmbito internacional? Esse é o nosso objetivo e a forma como podemos entender o termo internacionalização da saúde nesta discussão. TEMA 2 – GLOBALIZAÇÃO: DEFINIÇÃO, CARATERÍSTICAS E FASES Com certeza você já se deparou inúmeras vezes com o termo globalização, correto? Esse é aquele tipo de vocábulo que já faz parte do nosso dia a dia, mas que, inversamente, poucos conhecem seus componentes 4 constituintes: conceito, caraterísticas, fases, bem como seus contextos de análise e suas áreas de impacto. Em outros termos, sabemos que a globalização influencia nossa rotina, mas que, ao contrário, poucos conseguem perceber minuciosamente sua manifestação em diferentes esferas sociais, a exemplo: a educação, a segurança, a economia e, especialmente para esta caminhada, a saúde. Inicialmente, cabe destacar que devemos nos debruçar sobre o estudo de seus componentes constituintes para que, então, percebamos que esse fenômeno é o pano de fundo para processos de internacionalização, celebração de cooperações internacionais, operação da diplomacia e tantos outros fenômenos internacionais existentes, incluindo aqueles que dizem respeito à saúde. Ou seja, a globalização é o pano de fundo para estudos tanto para as relações internacionais quanto para a saúde global, dando-lhe forma e conteúdo. Com vista a isso, estudaremos o conceito, as caraterísticas e as fases. 2.1 Globalização: definição, caraterísticas e fases Mas qual é o conceito de globalização contemporânea? Para responder a essa pergunta e, consequentemente, delinear o objeto de estudo deste tópico, recorremos às contribuições de dois grandes teóricos das relações internacionais: Robert Jackson1 e Georg Sørensen2. De acordo com os autores, a globalização pode ser conceituada como o fenômeno de “difusão e intensificação das relações culturais, sociais e econômicas através de fronteiras internacionais, engloba praticamente tudo: a economia, a política, a tecnologia, a comunicação etc.” (Jackson; Sørensen, 2018, p. 275). No que se refere às características da globalização contemporânea, Castells3 (2002) argumenta que as novas tecnologias da informação e comunicação (NTICs), os polos globais de inovação, a reconfiguração da economia global e a multiculturalidade são os pilares desses fenômenos na contemporaneidade. 1 Robert Jackson é professor de ciência política na Universidade de Boston e autor de, dentre outros, “Introdução às Relações Internacionais”, livro-base para estudiosos da área. 2 George Sørensen é professor de ciência política na Universidade de Aarhus e autor de, dentre outros, “Introdução às Relações Internacionais”, livro base para estudiosos da área. 3 Manuel Castells é professor da Universidade da Catalunha e autor de, entre outros, "A Sociedade em Rede" e "Fim de Milênio" (ed. Paz e Terra). Trata-se de um autor base para todos aqueles que se debruçam sobre o estudo da sociedade em rede e outros temas correlatos. 5 As NTICs encurtaram as distâncias entre pessoas, empresas, instituições e governos ao redor do mundo, proporcionando comunicação síncrona em larga escala (Castells, 2002). No entanto, como você já deve imaginar, esse estreitamento não é homogêneo entre os Estados. Melhor dizendo, alguns países detêm maior poderio tecnológico em relação a outros. Por exemplo, os Estados Unidos possuem maior domínio tecnológico em comparação à Serra Leoa, que é um dos países menos desenvolvido do mundo (UNCTAD4, 2021). Se, por um lado, há países periféricos no que se refere ao desenvolvimento tecnológico, por outro, há países que se enquadram como polos globais de inovação, que é o caso de boa parte dos países do hemisfério norte (Castells, 2020). Diante dessa conjuntura, podemos perceber a existência de uma reconfiguração da economia global, que hoje está muito ligada ao domínio de tecnologias. Afinal de contas, economia, política e todas as áreas do conhecimento se beneficiam da tecnologia atualmente, proporcionando-lhes inovação,aceleração da economia e desenvolvimento de práticas e saberes. Além da definição e das características da globalização contemporânea, precisamos saber que a globalização não é um fenômeno recente, pelo contrário. Ainda não há um consenso sobre o período específico em que esse fenômeno iniciou, porém muitos autores costumam dividi-la em quatro fases, que são: • 1ª: situa-se entre os séculos XV e XIX, período histórico em que ocorreram as Grandes Navegações, que são compreendidas pelas primeiras grandes explorações marítimas realizadas pelos europeus entre os séculos XV e XVII (Pena, 2020). Essas explorações tiveram como objetivo descobrir novas rotas para a Ásia, como também se apropriar de conhecimentos, riquezas e produtos de outros povos. As grandes navegações transformaram os modos de produção, a economia e a cultura mundial (Pena, 2020). A primeira grande navegação foi realizada por Cristóvão Colombo, que iniciou sua jornada em 1492. Após a sua viagem, outros navegadores também realizaram explorações, como Vasco da Gama, Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães e Pedro Álvares 4 United Nations Conference on Trade and Development, ou, na língua portuguesa, Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, que foi criada em 1964 na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A UNCTAD é uma organização intergovernamental que se compromete a apoiar países em desenvolvimento para uma melhor e mais eficiente integração na economia global. 6 Cabral (Pena, 2020). Essas explorações marítimas levaram os europeus para outros continentes em busca de riquezas e novas terras, causando grande impacto no crescimento das potências coloniais europeias, pois contribuíram para a colonização de novas terras e para o domínio de outras nações (Pena, 2020). Saiba mais Durante o período das Grandes Navegações, que iam à Ásia e América, produziu-se um imenso intercâmbio de enfermidades. A partir de então, foram sistematicamente transmitidas patologias, tanto entre europeus e nativos quanto entre indígenas americanos e africanos. Essa circulação de doenças produziu grandes epidemias que, muitas vezes, foram fatais para os grupos aos quais essas enfermidades eram desconhecidas. A mais conhecida dessas epidemias foi a varíola, que produziu grandes mortes e contribuiu para o declínio de diversas civilizações. Gosta deste conteúdo e quer saber mais sobre ele? Então, veja o texto a seguir. Disponível em: <https://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap06.html>. Acesso em: 27 jan. 2023. • 2ª: situa-se entre o século XIX e meados do século XX, período histórico marcado pela formação do Capitalismo Industrial (Pena, 2020). A expansão colonial europeia sobre o território asiático e africano foi um dos principais fatores que contribuíram para a formação da segunda fase da globalização. Na época, os europeus começaram a explorar novas terras, com o objetivo de conquistá-las e obter matérias-primas, riquezas e mercados para expandir seus impérios e, durante esse período, alcançaram praticamente todos os continentes, com suas forças militares invadindo e conquistando territórios asiáticos e africanos (Pena, 2020). A Europa implantou governos coloniais em diversos países, em um processo de "dominação direta" ou "dominação indireta", que incluiu a criação de leis, imposição de impostos, controle da economia, da educação e da cultura (Pena, 2020). Essa expansão colonial europeia foi marcada por atrocidades, escravidão, exploração econômica, destruição de culturas indígenas e discriminação racial. A colonização europeia 7 resultou na perda de terras, riquezas, direitos e liberdades dos povos colonizados; além disso, a colonização europeia criou divisões entre os países colonizados que ainda hoje são sentidas (Pena, 2020). Saiba mais A pandemia de Gripe Espanhola é um marco histórico nesse período, matando mais de 50 milhões de pessoas no mundo. Tratou-se de uma das piores doenças infecciosas da história. De acordo com Neufeld (2020, online), “a doença afetou quase um terço da população mundial, que era de menos de 2 bilhões de pessoas, e vitimou por volta de 2,5% dos indivíduos acometidos. Em termos numéricos, cerca de 500 milhões de pessoas foram infectadas e em torno de 40 a 100 milhões foram a óbito”. Gosta deste conteúdo e quer saber mais sobre ele? Então, veja o vídeo sobre o assunto. Disponível: <https://www.youtube.com/watch?v=N5MigQGOAzU&ab_channel=Estad%C 3%A3o>. Acesso em: 27 jan. 2023. Adicionalmente, leia o texto a seguir sobre o mesmo assunto. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/10/141013_gripe_espanhola _licoes_ebola_fd>. Acesso em: 27 já. 2023. • 3ª: situa-se entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e o ano de 1991, período histórico marcado pela Guerra Fria. A economia durante a Guerra Fria foi principalmente caracterizada por dois diferentes blocos econômicos, o Bloco Ocidental e o Bloco Oriental (Pena, 2020). O Bloco Ocidental foi, predominantemente, liderado pelos Estados Unidos e pela economia de mercado capitalista, enquanto o Bloco Oriental foi liderado pela União Soviética e marcado pelo socialismo (Pena, 2020). Saiba mais No início dos anos 1980, os primeiros casos HIV/Aids eram relatados nos Estados Unidos. De lá para cá, a doença foi identificada em todos os países e, atualmente, a Uniaids se refere a ela como uma pandemia. 8 Gosta deste conteúdo e quer saber mais sobre ele? Então, leia o texto a seguir. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/ha-40-anos- primeiros-casos-de-aids-eram-relatados-nos-eua/>. Acesso em: 27 jan. 2023. Cabe lembrá-los de que a quarta fase é o que chamamos de globalização contemporânea, assunto que abordamos ao logo deste tópico, a partir das contribuições teóricas de Robert Jackson e Georg Sørensen (2018) e Manuel Castells (2002). Mas será que esses são os únicos elementos importantes a serem estudados sobre a globalização? A resposta é: não. Para estudarmos adequadamente a globalização, precisamos também saber de seus contextos de análise e de suas áreas de impacto. TEMA 3 – GLOBALIZAÇÃO: CONTEXTOS DE ANÁLISE E ÁREAS DE IMPACTOS Como havíamos comentado anteriormente, a globalização contemporânea (quarta fase da globalização) é um fenômeno que engloba praticamente tudo. No entanto, é impossível apresentar um estudo e, consequentemente, uma teoria sobre “tudo”, já que aspectos variados da realidade precisam ser avaliados de formas diferentes (Jackson, Sørensen, 2018). Portanto, a globalização contemporânea é mais bem analisada quando separada em contextos de análise e quando suas áreas de impactos são definidas previamente, que são os assuntos a serem estudados a seguir. 3.1 Globalização: contextos de análise e áreas de impactos Com base nisso, seguem alguns dos principais exemplos de contextos para análise da globalização contemporânea e suas respectivas explicações. • Contexto político: o modo como os Estados se relacionam. Para Doğan e Arslan (2017), aqui podemos analisar as missões internacionais, as cooperações internacionais, a criação e a participação dos Estados em organizações internacionais etc., de maneira mais ampla. • Contexto cultural: o fenômeno da globalização pode resultar na perda da identidade de certas culturas e, consequentemente, na “uniformização” 9 cultural. Isso ocorre porque existe uma intensificação da comunicação entre os Estados, culminando em comportamentos cada vez mais semelhantes entre os povos (Doğan; Arslan, 2017). • Contexto de mercado e produção: aqui fazemos referência direta à “integração econômica contínua e a interdependência crescente entre os países do mundo” (Cavusgil; Knight; Resenberg, 2010, p. 485). Em outros termos, trata-se da interdependência econômica emergente entre Estados que estimula e favoreceo fluxo de negócios internacionais (Cavusgil; Knight; Resenberg, 2010). Assim, conduzir estudos sobre a globalização por esse contexto significa estudar a criação de vínculos econômicos profundos e irreversíveis entre os Estados (Cavusgil; Knight; Resenberg, 2010). Obviamente, esses não são os únicos contextos passíveis de serem analisados, pelo contrário. São incontáveis os contextos5! Neste presente momento, o fundamental é que tenhamos noção de que análises sobre a globalização são mais bem-sucedidas quando um contexto é definido previamente. Em adição, o estudo sobre globalização também se beneficia quando é determinada antecipadamente a área de impacto que se pretende investigar. Em outras palavras: investigar os impactos da globalização, analisada a partir de um contexto predefinido, em determinada área. Por exemplo, podemos nos debruçar sobre uma análise da globalização no contexto cultural e seus impactos na área da saúde, estudando o aumento da cultura de consumo de fast-food em diversos países e seus efeitos sobre a saúde da população local. Outro exemplo é que podemos nos debruçar sobre uma análise da globalização no contexto de mercado e produção e seus impactos na esfera da economia, estudando o aumento de investimento externo e geração de emprego e renda com a chegada de redes de fast-food de diversos Estados em território brasileiro. Com base nos exemplos anteriores, podemos perceber que o objeto de estudo foi fast-food, mas que ele foi analisado a partir de diferentes contextos e, na sequência, investigados os impactos sobre áreas específicas. Estudar a 5 No contexto da saúde, a globalização culminou no surgimento de um campo de estudo conhecido como saúde global. Trataremos sobre esse assunto quando nos aprofundarmos a respeito do conceito de saúde, saúde internacional e saúde global. 10 globalização a partir de seu contexto de análise e de sua área de impacto nos mostra o quão dual é este fenômeno: Para alguns, ‘globalização’ é o que devemos fazer se quisermos ser felizes; para outros, é a causa da nossa infelicidade. Para todos, porém, ‘globalização’ é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira. Estamos todos sendo ‘globalizados’ — e isso significa basicamente o mesmo para todos. (Bauman, 1999). Em síntese, uma coisa é certa: a globalização é um fenômeno que afeta todas as pessoas, coisas e lugares; por essa razão, estudá-la a partir de contextos de análises e áreas de impactos é a melhor maneira de investigação. TEMA 4 – SOCIEDADE INTERNACIONAL (SI) Uma vez que tenhamos adquirido conhecimento mais apurado e técnico sobre a globalização, precisamos aprender sobre a Sociedade Internacional (SI) e o Direito Internacional (DI), que são fundamentais para um entendimento técnico sobre as relações internacionais e essenciais para compreendermos a estrutura, a dinâmica e as ações dos Estados, organizações internacionais governamentais (OIGs) e organizações internacionais não governamentais (OINGs). No que se refere à SI, neste quarto tópico estudaremos o seu conceito, sua principal característica [anarquia], sua dinâmica, os fenômenos internacionais e os atores internacionais. 4.1 Sociedade Internacional (SI) A SI é um termo que foi introduzido na literatura das relações internacionais, em grande parte, por grupos de estudiosos ingleses6 nas décadas de 1950 e 1960, os quais observaram e se pautaram na ideia da natureza "social" das relações interestatais. Para Jackson e Sorensen (2018), conceitua-se a SI como o local onde ocorre o conjunto de relações entre Estados, as quais são mediadas por leis7, tratados, acordos e outras formas de interação global, que visam conquistar interesses comuns e dividir valores coletivos. Em outras palavras, trata-se do 6 Também conhecida como Escola Inglesa de Relações Internacionais. 7 No decorrer desta etapa, entenderemos que as leis internacionais se diferem muito das leis internas de um Estado, especialmente quando estudarmos a anarquia internacional. 11 locus em que as interações sociais internacionais, formais e informais, ocorrem entre Estados a fim de influenciar profundamente suas realidades políticas, econômicas, jurídicas, sociais, culturais e estruturais. Lançando mão do lúdico para explicar didaticamente a SI, pedimos que visualizem mentalmente o mapa-múndi, no qual você pode ver as linhas que dividem todos os Estados. Visualizou? A SI é esse espaço onde estão todos esses países e onde ocorrem todas as relações entre eles. A principal característica da SI é a anarquia internacional, pois não há um governo central que governe hierarquicamente todos os Estados e demais atores internacionais. Isso significa que não há um governo internacional “que detenha o monopólio do uso legítimo da força, uma polícia e um tribunal internacional que o administrem, nem mesmo um consenso universal e inequívoco sobre quais os valores e normas fundamentais que devem regulá-lo” (Rocha et al., 2020, p. 129). Os Estados são independentes uns dos outros, o que significa que eles são soberanos. Porém, isso não significa que eles ajam isoladamente em completo caos, pelo contrário. Eles precisam se relacionar entre si para que possam encontrar meios de coexistir e lidar uns com os outros (Jackson, Sørensen, 2018). Entendemos essas relações como a dinâmica operante na SI, que viabiliza aos Estados estabelecer trocas comerciais, acordos políticos, criação de organizações internacionais governamentais (OIGs), responder a catástrofes internacionais, defenderem-se de guerras, enfrentarem pandemias e assim por diante. Afinal de contas, nenhum Estado é autossuficiente, o que significa que sozinho ele não é capaz de gerar, por exemplo, alimento, tecnologia, pesquisas, energia, conhecimento, segurança e saúde para sua população. Para finalizar nossa discussão sobre a SI, precisamos entender o que são os atores internacionais, que são definidos como todos aqueles que influenciam e sofrem influência da sociedade internacional. De acordo com Rocha et al. (2021), vemos o que se segue. • O Estado se diferencia de todos os outros atores internacionais, visto que ele é o único que goza de soberania, que é compreendida pelo poder absoluto exercido sobre o seu território (Rocha et al., 2021). Exemplos: Brasil, Argentina, Estados Unidos da América, França, Angola, China, Emirados Árabes Unidos, Nova Zelândia e assim por diante. Atualmente, 12 existem 195 Estados reconhecidos pela ONU, embora apenas 193 tenham se tornado Estados-Membros. • As organizações internacionais governamentais (OIGs)8: tratam-se de instituições voltadas para cooperação internacional, formadas a partir da associação entre Estados soberanos, cujo objetivo é perseguir interesses comuns de seus membros. • As Organizações internacionais não governamentais (OINGs)9 representam os interesses de grandes coletividades, mas não estão ligadas aos Estados. Pelo contrário, elas buscam atingir objetivos que, muitas vezes, foram negligenciados por eles (Guimarães, 2021). Em outros termos, elas não são criadas pelos Estados e não lhes devem “obediência” administrativa interna, diferentemente do que ocorre com as organizações internacionais governamentais (OIGs). Além disso, no âmbito internacional, as “OINGs possuem papel fundamental de auxílio à humanidade e sua existência e atuação é muito prestigiada, a exemplo da Cruz Vermelha Internacional” (Guimarães, 2021, p. 63). • A opinião pública, em resumo, é a posição expressa publicamente por um grande número de pessoas acerca de uma questão de interesse coletivo, gerando grande uma influência na política internacional. Pode ser considerada como uma expressão da vontade popular, influenciando a decisão de governantes numa democracia,além de ser responsável, por exemplo, por eleger ou destituir presidentes, por nortear a criação de leis, por definir assuntos que irão compor as políticas domésticas, externas e internacionais. • As firmas multinacionais são as empresas também conhecidas apenas como multinacionais ou transnacionais. Essas instituições privadas com fins lucrativos são caracterizadas pelo seu tamanho, diversidade de produtos e serviços oferecidos, com capacidade de influenciar a economia, a política e a sociedade como um todo. Por possuírem operações em mais de um Estado, caracterizam-se por serem um dos 8 Estudaremos as organizações internacionais governamentais (OIGs) com profundidade em outro momento. 9 Estudaremos as organizações internacionais não governamentais (OINGs) com profundidade em outra ocasião. 13 principais vetores de investimentos internacionais e, por essa razão, grandes atores das relações econômicas internacionais. • A Santa Sé, atualmente, desempenha um papel ativo nas relações internacionais, apresentando-se como um ator importante na articulação de soluções pacíficas para conflitos internacionais e promovendo a promoção dos direitos humanos. A Santa Sé atua de modo a ajudar na formulação regras e normas para a conduta ética dos Estados, defendendo a liberdade e a tolerância religiosa e contribuindo para a promoção de um diálogo intercultural e inter-religioso entre as diferentes nações. • Sobre os grupos terroristas, vale frisar, inicialmente, que existe uma grande variedade de atores que podem ser categorizados como terroristas, podendo ser distinguidos em três tipos principais: os movimentos de libertação, os Estados e as seitas políticas. Entretanto, é importante sabermos que ainda há uma discussão entre os estudiosos e pesquisadores da área sobre quem são de fato os atores internacionais (Pecequilo, 2012). A justificativa para isso se pauta no fato de que a definição de atores internacionais ainda é muito ampla e genérica (Pecequilo, 2012). Ainda que já tenhamos falado sobre o Estado ser um ator internacional, reservamos este momento para dar ênfase neste assunto. Isso se faz necessário porque o Estado é o principal ator internacional10. De acordo com Orihuela (2015), o “Estado é a instituição mais poderosa, complexa e dinâmica construída pelos seres humanos em sociedade, pela humanidade”. Além disso, Jackson e Sorensen (2012) complementam a ideia ao afirmar que o Estado é uma instituição presente na vida de todo e qualquer ser humano, sem exceções; em outros termos, todas as ações e decisões tomadas pelos Estados influenciam a vida de todos os indivíduos no planeta. Perante o seu povo, o Estado está comprometido em: [...] protegê-las e fornecer-lhes segurança, tanto pessoal quanto nacional, em promover sua prosperidade econômica e bem-estar social, em lhe cobrar impostos, em educá-las, em licenciá-las e regulamentá-las, em mantê-las saudáveis, em construir e preservar a 10 Também é o principal sujeito de Direito Internacional, conforme iremos ver no decorrer desta etapa. 14 infraestrutura pública (estradas, pontes, portos, aeroportos etc.), entre muitas outras coisas. (Jackson; Sorensen, 2012, p. 26). Em termos jurídicos, o Estado é constituído por três elementos. • povo: trata-se da “comunidade nacional correspondente àqueles que detêm a cidadania” (Rocha et al., 2021, p. 623). • território: trata-se da “dimensão espacial na qual se desenvolvem comunidades humanas de forma estável desde a sedentarização”, abrangendo “o território terrestre, as vias aquáticas, o mar territorial e, bem assim, o espaço aéreo” (Rocha et al., 2021, p. 624). • poder político soberano: a soberania política implica capacidade de fixar, implementar e gerir regras válidas para seu povo, assim como de regular e de controlar as relações internacionais, por meio da celebração de tratados (Rocha et al., 2021). Podemos, então, conceituar o Estado como “um território dotado de fronteiras e contornos distintos [território], com uma população permanente [povo], sob a jurisdição de um governo supremo constitucionalmente separado, isto é, independente de todos os governos estrangeiros [poder político soberano]” (Jackson; Sorensen, 2012, p. 27). TEMA 5 – DIREITO INTERNACIONAL (DI) Como já comentamos anteriormente, na SI não existe nenhuma autoridade que seja superior aos Estados e que, consequentemente, desvalide suas respectivas soberanias. Isto é, a SI é caracterizada principalmente pelo seu estado de anarquia, conforme comentados anteriormente. Em outras palavras, não há um governo (executivo, legislativo e judiciário) que obrigue os Estados a cumprir suas decisões de modo cogente (Varela, 2017). Diferentemente do que muitos pensam, anarquia não é sinônimo de caos! A anarquia internacional refere-se ao fato de que não há nada acima dos Estados. Então, você deve estar se perguntando: se não há autoridade suprema internacional, de que modo as relações entre os Estados são regulamentadas? Este é o assunto deste tópico: o Direito Internacional (DI). Portanto, neste tópico, iremos conceituar o Direito Internacional (DI), o Direito Internacional Privado (DIPr), o Direito Internacional público (DIP), 15 seus respectivos sujeitos de direito (DIPr vs DIP) e, por fim, os tratados internacionais. 5.1 Direito Internacional (DI) O termo Direito Internacional (DI) não é tão antigo, tendo sido introduzido por Jeremy Bentham (An Introduction to the Principles of Moral and Legislation, 1780) no século XVIII (Rocha et al., 2021). Até essa ocasião, utilizava-se comumente o termo Direito das Gentes, que é tradução literal da expressão latina ius inter gentes, a qual fora utilizada nos séculos XVI e XVII (Rocha et al., 2021). Podemos conceituar o DI como “o conjunto de regras e princípios que regem as relações jurídicas entre Estados” e “um sistema de princípios e normas que regulam as relações de coexistência e de cooperação, frequentemente institucionalizadas, além de certas relações comunitárias entre Estados, dotados de diferentes graus de desenvolvimentos socioeconômico e de poder” (Velasco, 2007). No entanto, cabe destacar que o conceito de DI é um guarda-chuva, sob o qual há ramificações, quais sejam: i) Direito Internacional Privado (DIPr) e Direito Internacional Público (DIP). Figura 1 – Principais ramificações do Direito Internacional (DI) Fonte: Junior, 2022. Direito Internacional (DI) Direito Internacional Privado (DIPr) Direito Internacional Público (DIP) 16 Conceituamos o DIPr como “um conjunto de princípios e regras sobre qual legislação é aplicável à solução de relações jurídicas privadas quando envolvidos nas relações mais de um país, ou seja, a nível internacional” (Wierzchón, 2012, online). O DIPr aponta para as leis que auxiliam na regulação de contratos firmados por particulares de Estados diferentes, tratando de situações como: adoções, em que a criança e os pais são de diferentes países; relações familiares, em casos de heranças; trabalhistas, quando um profissional é empregado por uma empresa sediada no estrangeiro, entre outras. Portanto, os sujeitos de Direito Internacional privado são os particulares, tais como pessoas e empresas. Ao trabalhar com o DIPr, algumas perguntas são importantes para a sua prática: em qual jurisdição deve ser decidida a disputa? A lei de qual país deve ser aplicada? Como deve ser executada uma decisão estrangeira? Embora o DIPr não seja o foco aqui11, é importante que o entendamos já que ele faz parte do DI. Além disso, entender o seu conceito central nos ajuda a compreender melhor o Direito Internacional Público, o qual é de extrema relevância para nós. Por sua vez, conceituamos o DIP como “um corpo de regras produzido pelos Estados para reger as suas relações”, que se aplicam também às OrganizaçõesInternacionais (Rocha et al., 2021, p. 514). O DIP trata de questões relacionadas à soberania dos Estados, direitos humanos, direitos das nações unidas, direito marítimo, direito internacional penal, direitos do trabalho, direito dos refugiados e outros (Varella, 2018). Inclusive, é por meio do DIP que as organizações internacionais governamentais (OIGs) são criadas pelos Estados, as quais são formalizadas por meio de tratados internacionais. O DIP é constituído pelos sujeitos de direito internacional público, que são aqueles que possuem personalidade jurídica. Isto é, aqueles que estão sujeitos às regras, princípios e costumes internacionais. De acordo com Guimarães (2020), os sujeitos de direito internacional público são os Estados e as Organizações Internacionais. 11 Naturalmente, existem situações em que o DIPr é utilizado na área da saúde, como em casos de cooperações técnicas entre centre de pesquisa e hospitais, por exemplo. No entanto, a essência desses assuntos é jurídica e administrativa, o que não faz parte do escopo desta nossa discussão. 17 No entanto, cabe salientar que as normas do DIP são criadas pelos próprios Estados, o que significa que são eles que acordam o que pode ou não pode ser feito na SI. Além disso, esses acordos devem ocorrer de modo consensual, isto é, um Estado não pode forçar outro Estado a aceitar regras e princípios. Conforme melhor explica Guimarães (2021, p. 55): As “normas jurídicas” que existem do direito internacional, são aquelas que regem essas relações entre os Países, e são criadas pelos próprios Estados, em suas combinações, nos Tratados que firmam, estipulando direitos e deveres recíprocos. Outrossim, as regras de condutas que orientam tais relações jurídicas advêm dos próprios acordos firmados pelas partes, e tal como são combinados, também são desfeitos da mesma forma. Por seu turno, conceituamos tratados internacionais como instrumentos fundamentais do DIP para a regulação das relações internacionais, sendo usados para estabelecer direitos e obrigações entre Estados e Organizações Internacionais. Os tratados podem versar sobre os mais diversos assuntos, como: fronteiras, comércio, direitos humanos, saúde, desenvolvimento econômico, direitos de propriedade intelectual e assim por diante, podendo ser bilaterais ou multilaterais, dependendo do número de partes envolvidas. Cabe salientar que uma das principais características dos tratados internacionais é consensualidade, ou seja, são aderidos pelos Estados de forma consensual. Pode-se então dizer que, nos dias de hoje, a vida internacional funciona quase que primordialmente com base em tratados, os quais exercem, no plano do Direito Internacional, funções semelhantes às que têm no Direito interno as leis (caso em que se fala estar diante dos tratados normativos) e os contratos (dizendo-se, nesse caso, tratar-se dos assim chamados tratados-contrato), regulamentando uma gama imensa de situações jurídicas nos mais variados campos do conhecimento humano, o que já justifica o seu estudo mais aprofundado. São os tratados internacionais, enfim, o meio que têm os Estados e as organizações intergovernamentais de, a um só tempo, acomodar seus interesses contrastantes e cooperar entre si para a satisfação de suas necessidades comuns (Mazzuoli, 2019, p. 120). Eles são baseados na confiança mútua entre as partes envolvidas, e sua implementação é essencial para o bom funcionamento das relações internacionais. Apesar de já termos estudado o que são atores internacionais e os sujeitos de direito internacional, reservamos este momento apenas para frisar suas diferenças a fim de que confusões não ocorram. Para tanto, vejamos a figura seguinte. 18 Figura 2 – Diferenciação e relação entre atores internacionais e sujeitos de direito internacional Fonte: Junior, 2022. Com base na figura anterior, apresentamos uma máxima que explica a diferença e a relação entre ambos os conceitos, qual seja: “todos os atores internacionais são sujeitos de direito internacional, mas nem todos os sujeitos de direito internacional são atores internacionais.” 19 REFERÊNCIAS AKKARI, A. Internacionalização das políticas educacionais: transformações e desafios. Petrópolis: Vozes, 2011. BAUMAN. Z. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. 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