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ASPECTOS GERAIS 
No exame neurológico de rastreamento suficiente para detectar 
doenças neurológicas importantes deve ser realizado em todos os 
pacientes, mesmo aqueles sem queixas neurológicas. Embora a 
sequência do exame de rastreamento possa variar, ele deve 
abranger os principais componentes do exame completo: estado 
mental, nervos cranianos (NCs), sistema motor (força, marcha e 
coordenação), sensibilidade e reflexos. Um exemplo de um exame 
de rastreamento é apresentado aqui. 
1. Estado mental (nível de alerta, adequação das respostas, 
orientação no tempo e no espaço) 
2. Nervos cranianos 
3. Função motora  força (abdução do ombro, 
flexão/extensão do cotovelo, extensão do punho, 
abdução do dedo, flexão do quadril, flexão/extensão do 
joelho, dorsiflexão do tornozelo) 
4. Reflexos 
5. Sensibilidade (uma modalidade nos dedos dos pés – pode 
ser tato leve, dor, temperatura, vibração ou 
propriocepção) 
6. Coordenação (movimentos finos dos dedos das mãos, 
teste dedo-nariz ou dedo-queixo) 
7. Marcha (casual e em tandem) 
Observação: Se houver motivo para suspeitar de doença 
neurológica com base na história do paciente ou nos resultados de 
qualquer componente do exame de rastreamento, um exame mais 
completo pode ser necessário 
marcha 
Para realizar o procedimento: 
 O paciente deve estar descalço e semidespido 
 Sempre que possível, solicitar ao paciente: realizar alguns 
passos sem controle visual; 
 Observar se há marcha anormal: 
A todo e qualquer distúrbio da marcha, dá-se o nome de disbasia. 
A disbasia pode ser uni ou bilateral, e os tipos mais representativos 
são determinados a seguir 
Os tipos de marcha são 
1. Marcha helicópode, ceifante ou hemiplégica 
Ao andar, o paciente mantém o membro superior fletido em 90°C 
no cotovelo e em adução, e a mão fechada em leve pronação O 
membro inferior do mesmo lado é espástico, e o joelho não flexiona. 
Devido a isso, a perna tem de se arrastar pelo chão, descrevendo 
um semicírculo quando o paciente troca o passo 
Aparece nos pacientes que apresentam hemiplegia espástica, cuja 
causa mais comum é acidente vascular cerebral 
 
 
 
 
 
2. Marcha anserina/pato 
O paciente para caminhar acentua a lordose lombar e vai inclinando 
o tronco ora para a direita, ora para a esquerda, alternadamente, 
lembrando o andar de um pato. 
É encontrada em doenças musculares e traduz diminuição da força 
dos músculos pélvicos e das coxas 
3. Marcha parkisoniana 
O doente anda como um bloco, enrijecido, sem o movimento 
automático dos braços. A cabeça permanece inclinada para a frente, 
e os passos são miúdos e rápidos, dando a impressão de que o 
paciente “corre atrás do seu centro de gravidade” e vai cair para a 
frente. 
Ocorre nos portadores da doença de Parkinson 
4. Marcha cerebelar ou de ébrio 
Ao caminhar, o doente ziguezagueia como um bêbado. 
Esse tipo de marcha traduz incoordenação de movimentos em 
decorrência de lesões do cerebelo. 
5. Marcha tabética 
Para se locomover, o paciente mantém o olhar fixo no chão; os 
membros inferiores são levantados abrupta e explosivamente, e, ao 
serem recolocados no chão, os calcanhares tocam o solo de modo 
bem pesado. 
Com os olhos fechados, a marcha apresenta acentuada piora, ou se 
torna impossível. 
Indica perda da sensibilidade proprioceptiva por lesão do cordão 
posterior da medula 
6. Marcha de pequenos passos 
É caracterizada pelo fato de o paciente dar passos muito curtos e, 
ao caminhar, arrastar os pés como se estivesse dançando 
“marchinha”. 
Aparece na paralisia pseudobulbar e na atrofia cortical degenerativa. 
7. Marcha vestibular 
O paciente com lesão vestibular (labirinto) apresenta lateropulsão 
quando anda; é como se fosse empurrado para o lado ao tentar 
mover-se em linha reta. 
Se o paciente for colocado em um ambiente amplo e lhe for 
solicitado ir de frente e voltar de costas, com os olhos fechados, ele 
descreverá uma figura semelhante a uma estrela, daí ser 
denominada também marcha em estrela 
8. Marcha escarvante 
Quando o doente tem paralisia do movimento de flexão dorsal do 
pé, ao tentar caminhar, toca com a ponta do pé o solo e tropeça. 
Para evitar isso, levanta acentuadamente o membro inferior, o que 
lembra o “passo de ganso” dos soldados prussianos 
 
9. Marcha claudicante 
Ao caminhar, o paciente manca em um dos lados. Ocorre na 
insuficiência arterial periférica, em lesões do aparelho locomotor e na 
estenose do canal vertebral lombar. 
10. Marcha em tesoura ou espática 
Os dois membros inferiores enrijecidos e espásticos permanecem 
semifletidos, os pés se arrastam e as pernas se cruzam uma na 
frente da outra quando o paciente tenta caminhar 
O movimento das pernas lembra uma tesoura em funcionamento. 
Esse tipo de marcha é bastante frequente nas manifestações 
espásticas da paralisia cerebral. 
AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO 
O equilíbrio depende fundamentalmente da integridade da 
propriocepção (particularmente a noção de posição 
segmentar), da visão e da função vestibular. Se duas destas 
funções estiverem preservadas, o equilíbrio se mantém 
EQUILÍBRIO ESTÁTICO 
Terminado o estudo da marcha, solicita-se ao paciente continuar na 
posição vertical, com os pés juntos, olhando para frente. Nessa 
postura, ele deve permanecer alguns segundos. Em seguida, ordena 
se a ele que feche as pálpebras. A isso se denomina prova de 
Romberg. 
No indivíduo normal, nada se observa, ou apenas ligeiras oscilações 
do corpo são notadas (prova de Romberg negativa). 
Na vigência de determinadas alterações neurológicas, ao cerrar as 
pálpebras, o paciente apresenta oscilações do corpo, com 
desequilíbrio e forte tendência à queda (prova de Romberg positiva). 
A tendência para a queda pode ser: 
 Para qualquer lado e imediatamente após interromper a visão, 
indicando lesão das vias de sensibilidade proprioceptiva 
consciente; 
 Sempre para o mesmo lado, após transcorrer pequeno período 
de latência, traduzindo lesão do aparelho vestibular 
Em algumas ocasiões, sobretudo nas lesões cerebelares, o paciente 
não consegue permanecer de pé (astasia) ou o faz com 
dificuldade (distasia), alargando, então, sua base de sustentação 
pelo afastamento dos pés para compensar a falta de equilíbrio. Tais 
manifestações não se modificam quando se interrompe o controle 
visual (prova de Romberg negativa) 
 
EQUILÍBRIO DINÂMICO 
1. Teste de babinski-well 
O paciente deve caminhar, de olhos fechados, para frente e para 
trás num percurso aproximadamente de 1,5m. 
2. Teste de Fukuda 
O paciente marcha, elevando os joelhos aproximadamente 45° sem 
deslocar-se, executando 60 passos (um por segundo) com os 
braços estendidos e os olhos fechados 
MOTRICIDADE VOLUNTÁRIA 
A motricidade voluntária é estudada por meio de duas técnicas, uma 
para a análise da motricidade espontânea e outra para a avaliação 
da força muscular. 
Motricidade espontânea 
Solicita-se ao paciente executar uma série de movimentos, 
especialmente dos membros, tais como: abrir e fechar a mão, 
estender e fletir o antebraço, abduzir e elevar o braço, fletir a coxa, 
fletir e estender a perna e o pé. 
Durante a execução desses movimentos, é importante observar se 
eles são realizados em toda a sua amplitude. Não o sendo, cumpre 
avaliar o grau e a sede da limitação 
Nas síndromes piramidais, existe diminuição da velocidade dos 
movimentos. Nas extrapiramidais, como a parkinsoniana, há também 
diminuição da velocidade dos movimentos; porém, observa-se 
progressiva diminuição da amplitude dos movimentos com a 
realização deles 
FORÇA MUSCULAR 
O paciente procura fazer os mesmos movimentos mencionados no 
exame da motricidade espontânea, só que, desta vez, com oposição 
aplicada pelo examinador. (RESISTÊNCIIA) 
 Força comprometida ou fraqueza muscular é denominada 
paresia 
 Força ausente é paralisia ou plegia 
 Hemiparesia é a fraqueza muscular de um dimídio, 
 Hemiplegia é a paralisia de um dimidio 
 Paraplegia significa paralisa dos membros inferiores, Tetraplegia significa paralisia dos quatro membros 
 
GRADUAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR 
 
 
Tônus muscular 
O tônus pode ser considerado como o estado de tensão constante 
a que estão submetidos os músculos, tanto em repouso (tônus de 
postura), como em movimento (tônus de ação). O exame do tônus 
é realizado com o paciente deitado e em completo relaxamento 
muscular, obedecendo-se à seguinte técnica: 
1. INSPEÇÃO: 
Verifica-se a existência ou não de achatamento das massas 
musculares de encontro ao plano do leito. É mais evidente nas coxas 
e só tem valor significativo na acentuada diminuição do tônus 
2. PALPAÇÃO DAS MASSAS MUSCULARES: 
Averigua-se o grau de consistência muscular, a qual se mostra 
aumentada nas lesões motoras centrais e diminuída nas periféricas 
3. MOVIMENTOS PASSIVOS: 
Imprimem-se movimentos naturais de flexão e extensão nos 
membros e observam se: 
 A passividade, ou seja, se há resistência (tônus aumentado) 
ou se a passividade está aquém do normal (tônus 
diminuído) 
 A extensibilidade, isto é, se existe ou não exagero no grau 
de extensibilidade da fibra muscular. Assim, na flexão da 
perna sobre a coxa, fala-se em diminuição do tônus 
quando o calcanhar toca a região glútea de modo fácil 
 
4. BALANÇO PASSIVO 
O examinador, com as suas duas mãos, segura e balança o 
antebraço do paciente, observando se a mão movimenta-se de 
forma normal, exagerada (na hipotonia) ou diminuída (na hipertonia). 
O mesmo pode ser observado, aplicando-se a manobra nos 
membros inferiores, segurando a perna e observando o balanço dos 
pés 
COORDENAÇÃO 
Na execução dos movimentos, por mais simples que sejam, entram 
em jogo mecanismos reguladores de sua direção, velocidade e 
medida adequadas, que os tornam econômicos, precisos e 
harmônicos. Não basta, portanto, que exista força suficiente para a 
execução do movimento; é necessário que haja coordenação na 
atividade motora. 
Coordenação adequada traduz o bom funcionamento de, pelo 
menos, 2 setores do sistema nervoso: o cerebelo (centro 
coordenador) e a sensibilidade proprioceptiva 
A perda de coordenação é denominada ataxia, a qual pode ser de 
três tipos: cerebelar, sensorial e mista. 
1. Prova dedo-nariz. 
Com o membro superior estendido lateralmente, o paciente é 
solicitado a tocar a ponta do nariz com o indicador. Repete-se a prova 
algumas vezes: primeiro, com os olhos abertos e, depois, fechados. 
O paciente deve estar de preferência de pé ou sentado 
 
2. Prova calcanhar-joelho. 
Na posição de decúbito dorsal, o paciente é solicitado a tocar o 
joelho oposto com o calcanhar do membro a ser examinado. A 
prova deve ser realizada várias vezes, de início com os olhos 
abertos; depois, fechados. Diz-se que há dismetria (distúrbio na 
medida do movimento) quando o paciente não consegue alcançar 
com precisão o alvo 
3. Prova dos movimentos alternados. 
Determina-se ao paciente que realize movimentos rápidos e 
alternados, tais como: abrir e fechar a mão, movimento de 
supinação e pronação, extensão e flexão dos pés 
 
REFLEXOS 
 
REFLEXOS EXTEROCEPTIVOS 
1. Reflexo cutâneo plantar 
Estando o paciente em decúbito dorsal, com os membros inferiores 
estendidos, o examinador estimula superficialmente a região plantar, 
próximo à borda lateral e desliza no sentido posteroanterior, fazendo 
um leve semicírculo na parte mais anterior A resposta normal é 
representada pela flexão dos dedos. 
 
A inversão da resposta normal, ou seja, a extensão do hálux (os 
demais podem ou não apresentar abertura em forma de leque), 
constitui o sinal de Babinski, um dos mais importantes elementos 
semiológicos do sistema nervoso que indica lesão da via piramidal ou 
corticospina 
2. Reflexos cutâneo-abdominais 
Ainda com o paciente em decúbito dorsal, com a parede abdominal 
em completo relaxamento, o examinador estimula o abdome do 
paciente no sentido da linha mediana em três níveis: superior, médio 
e inferior. A resposta normal é a contração dos músculos abdominais 
que determina um leve deslocamento da cicatriz umbilical para o 
lado estimulado 
 
REFLEXOS PROPIOCEPTIVOS, PROFUNDO OU MIOTÁTICOS 
1. Reflexo bicipital (C5) 
 
2. Reflexo tricipital (C7) 
 
3. Reflexo braquiorradial (C6) 
 
4. Reflexo patelar (L4) 
 
5. Reflexo aquiles (S1) 
 
NERVOS CRANIANOS 
 
Nervo olfatório – i nc 
Localiza-se no telencéfalo e é exclusivamente sensitivo 
O teste realizado serve para verificar se o paciente relata boa 
distinção de odores em ambas as narinas utilizando substâncias 
conhecidas. 
Para isso, no exame da olfação, empregam-se substâncias com 
odores conhecidos: café, canela, cravo, tabaco, álcool 
De olhos fechados, o paciente deve reconhecer o aroma que o 
examinador colocar diante de cada narina. Deve se perguntar ao 
paciente se ele consegue sentir o cheiro, indagar se é agradável ou 
desagradável, além de questionar ao paciente se este reconhece o 
cheiro 
 
Nervo óptico – II NC 
Localiza-se no tálamo e é exclusivamente sensitivo 
Os exames são examinando um olho de cada vez, dentre esses, 
estão: 
1. Acuidade visual: 
A acuidade visual é a clareza e nitidez de sua visão. Pede-se ao 
paciente que diga o que vê na sala de exame ou leia alguma coisa. 
Realiza-se o teste de snellen 
O exame pode ser realizado pedindo que o paciente cubra um dos 
olhos e leia tipos pequenos de letras ou que leia a última linha legível 
da tabela de Snellen colocada a 5 metros de distância. Se o paciente 
não for capaz de ler, realiza-se os seguintes procedimentos, nesta 
ordem, até um resultado satisfatório: primeiro pede-se para o 
paciente contar os dedos que o examinador mostrará a uma 
distância mínima de 50 cm, em seguida, é indagado se ele detecta 
movimentos das mãos, posteriormente é questionado se localiza um 
estímulo luminoso ou se, ao menos, percebe a existência de uma 
fonte luminosa. 
 
Havendo diminuição da acuidade, fala-se em ambliopia; quando 
abolida, constitui-se em amaurose. Ambas podem ser uni ou bilaterais 
e costumam ser causadas por neurite óptica, neoplasias e 
hipertensão intracraniana 
2. Campo visual. 
O campo visual normal é o espaço dentro do qual um objeto pode 
ser visto enquanto o olho é fixado em determinado ponto. O campo 
visual representa o limite da visão periférica 
O campo visual pode ser avaliado por meio do método de 
confrontação, onde oclui-se um dos olhos do paciente e o olho 
contralateral do examinador. Em seguida, aproxima- -se um objeto 
ou o dedo do examinador aos poucos da periferia para o centro do 
campo visual entre o examinador e o paciente, solicitando para o 
paciente que avise quando notar o objeto no seu campo visual ou 
simplesmente notar se o objeto se move. 
O objeto entre o examinador e o paciente deve ficar equidistante 
do examinador e do paciente, de modo que o examinador usa o 
próprio campo visual como referência de normalidade. Deve-se 
realizar essa operação nos campos: superior, inferior, interno e 
externo, em ambos os olhos 
 
3. Fundoscopia. 
Com o oftalmoscópio, o fundo de olho torna-se perfeitamente visível. 
Podem ser reconhecidos o tecido nervoso e os vasos que 
evidenciam fielmente o que se passa com as estruturas na cavidade 
craniana 
NERVO OCULOMOTOR (III), NERVOS TROCLEAR (IV), NERVO ABDUCENTE 
(VI) 
A investigação semiológica desses nervos consiste em: 
 Motilidade extrínseca: 
O exame é feito em cada olho separadamente e, depois, 
simultaneamente, da seguinte maneira: estando o paciente com a 
cabeça imóvel, o examinador solicita a ele que desloque os olhos nos 
sentidos horizontal e vertical. 
No exame simultâneo, acrescenta-se a prova da convergência 
ocular, que é feita aproximando gradativamente um objeto dos olhos 
do paciente 
O alvo deve traçar lentamente uma grande letra “H” para o paciente 
acompanhar. Alguns acrescentam olhar para cima e para baixo a 
partir do centro. 
 Motilidade intrínseca: 
O exame da pupila é feito em seguida ao estudo da motilidade 
extrínseca dosglobos oculares. a pupila é examinada por meio de 
um feixe luminoso e pela convergência ocular. Em ambiente de 
pouca luminosidade, o paciente deve olhar para um ponto mais 
distante. O examinador incide o feixe de luz em uma pupila e observa 
a resposta nos dois lados. Chama-se reflexo fotomotor direto a 
contração da pupila na qual se fez o estímulo, e de reflexo fotomotor 
consensual a contração da pupila oposta. Em seguida, aproxima-se 
dos olhos um objeto, e as pupilas se contrairão normalmente – é o 
reflexo da acomodação. Os reflexos podem estar normais, 
diminuídos ou abolidos 
 
 
NERVO TRIGÊMIO – V NC 
O nervo trigêmeo é um dos mais complexos nervos cranianos. Tem 
raiz sensorial e motora muito menor. A sensorial tem 3 divisões: 
nervo oftálmico, nervo maxilar e nervo mandibular 
A exploração consiste: 
1. Sensitiva: 
Deve-se pesquisar as sensibilidades térmica, tátil e dolorosa (como 
descritas anteriormente), sempre com o cuidado de respeitar a linha 
média e o território dos três ramos (V1, V2 e V3) 
É realizado usando um objeto pontiagudo, um chumaço de algodão 
ou um tubo de ensaio com água quente e outro com água fria. 
Realiza-se os testes para cada uma das regiões de inervação dos 
componentes do trigêmeo, sempre comparando de forma simétrica. 
 
2. Motora: 
Músculos temporais, masseteres, pterigóideos. 
 Inspeção em repouso (masseter e temporal). 
 Inspeção da mandíbula em movimento (abrir e fechar a 
boca): ao abrir a boca, o examinador observará desvio de 
mandíbula. Quando um dos nervos trigêmeos está 
deficiente, a mandíbula se desviará para este lado. 
 Palpação em repouso (masseter e temporal). 
Palpação em movimento (movimento da mandíbula). 
Força da mandíbula (teste da espátula): é testada 
solicitando- -se ao paciente para prender um abaixador de 
língua entre os dentes molares de um lado e do outro 
 
3. Reflexo corneopalpebral: 
Evocado tocando-se de leve a córnea com um chumaço de algodão 
ou gaze, trazendo o estímulo de baixo ou de lado para que o 
paciente não possa vê-lo. A resposta normal ao estímulo é o 
fechamento dos dois olhos 
 
 
NERVO FACIAL – VII NC 
1. Inspeção: 
Movimento passivo da face (mímica facial), observar simetria dos 
traços fisionômicos (fendas palpebrais, sulcos nasogenianos, rima 
labial, rugas frontais). 
2. Movimentação ativa 
 Enrugar a testa. 
 Franzir o supercílio cerrar os olhos, mostrar os dentes. 
 Sorrir, assobiar, protrusão dos lábios, contrair o platisma 
(no pescoço). 
 
3. Exame da gustação dos 2/3 anteriores da língua: 
São colocados sobre a língua algodões embebidos em substâncias 
que apresentam os quatro gostos fundamentais: Doce, salgado, 
amargo, azedo 
NERVO VESTIBYLOCOCLEAR – VIII 
O nervo vestibulococlear, ou oitavo nervo craniano, tem dois 
componentes, o vestibular e o coclear, unidos em um só tronco. A 
parte coclear é responsável pela audição; o nervo vestibular abrange 
as funções de equilíbrio, coordenação e orientação no espaço. 
Ambos são classificados como nervos aferentes sensoriais especiais 
PORÇÃO COCLEAR 
1. Otoscopia 
Antes dos exames da audição, deve- -se fazer um exame 
otoscópico para garantir a integridade da membrana timpânica e 
excluir a presença de cera, pus, sangue, corpos estranhos e 
exsudato. 
Deve-se examinar a região mastóidea, observando se há tumefação 
e dor à palpação 
2. Condução aérea 
 
 Prova do relógio/diapasão: afasta-se o relógio ou diapasão 
do pavilhão auditivo do paciente 
 Prova da voz cochichada: cochicha-se algo e pergunta se 
o paciente ouviu e o que ouviu. 
 
3. Condução óssea: 
 Prova de Weber: diapasão sobre o vértice craniano; A 
resposta normal dessa prova é percepção do som no 
centro da cabeça ou bilateralmente nos ouvidos 
 
 Prova de Rinne: coloca -se o diapasão de encontro à 
mastoide, onde o som é percebido normalmente por 
cerca de 20 segundos. Quando o som deixa de ser 
percebido, o diapasão é colocado próximo ao conduto 
auditivo externo e o paciente deverá ouvi -lo ainda por 30 
a 40 segundos. Este é o Rinne positivo normal, ou seja 
condução aérea > que condução óssea. Se após perceber 
o som na mastoide, o paciente não perceber o som no 
conduto auditivo, diz - se que o Rinne é negativo, ou seja, 
a condução aérea é menor que a óssea. 
 
 
 
PORÇÃO VESTIBULAR 
 História de vertigem e pulsões. 
 Equilíbrio estático - desvio corporal para lado hipoativo. 
Equilíbrio dinâmico - marcha em estrela (de Babinski-Weil). 
Desvios posturais na prova dos braços estendidos e 
indicação de BARANY. 
 Desvios oculares tônicos (nistagmo) - deve-se pesquisar o 
nistagmo espontâneo, semi-espontâneo e posicional. 
NERVO GLOSSOFARÍNGEO (IX) e nervo vago (x) 
1. Inspeção da orofaringe: 
 Em repouso (posição da úvula, simetria dos arcos 
palatinos). 
 Durante a fonação (emitir o som “AH“). Observar: elevação 
dos arcos palatinos, desvio da úvula. 
 
2. Reflexos faríngeo e velopalatino: 
O reflexo faríngeo é provocado tocando-se a lateral da orofaringe 
na região do pilar anterior das fauces com um abaixador de língua, 
bastão aplicador ou objeto semelhante. Já o reflexo palatino é 
provocado tocando-se um lado do palato mole ou da úvula. 
3. Reflexo nauseoso: 
Estimular a região posterior da cavidade oral e orofaringe - a 
resposta normal esperada é a deflagração do reflexo de vômito. 
1. Gustação do 1/3 posterior da língua: 
 Deve-se exteriorizar a língua do paciente, colocando-se no terço 
posterior uma gota da substância a ser testada, procedendo-se de 
modo sucessivo para os quatro gostos fundamentais (doce, salgado, 
amargo, azedo), enxugando a língua com uma gaze entre uma 
substância e outra. Se a sensação gustativa for percebida, o 
examinado deve levantar a mão e apontar num papel previamente 
escrito o gosto percebido. 
NERVO ACESSÓRIO- XI NC 
Deve-se realizar inspeção (observar posição da cabeça, altura dos 
ombros, trofismo, escápulas), palpação e motricidade voluntária 
(solicitando ao paciente que faça movimentos de flexão e extensão 
da cabeça, lateralização da cabeça, rotação do pescoço, elevação 
dos ombros e aproximação das escápulas 
NERVO HIPOGLOSSO – XII NC 
Deve-se realizar, inicialmente, inspeção estática da língua no interior 
da cavidade bucal, observando se há desvios, atrofias ou 
fasciculações. 
Posteriormente, realiza-se a inspeção dinâmica mediante 
exteriorização da língua e execução de movimentos de lateralidade 
e verticalidade. 
Por fim, faz-se a avaliação da força, pedindo ao paciente que protua 
a língua na bochecha e o examinador tenta remover externamente 
a língua com a força do seu dedo indicador. 
 
REFERÊNCIAS 
PORTO, Celmo C. Semiologia Médica, 8ª edição.: Grupo GEN, 2019.

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