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ANATOMIA DA ORELHA Pode-se dividir a orelha em externa, média e interna. (PORTO, 2019) A orelha interna é um conjunto complexo de estruturas no interior do osso temporal dividido em dois sistemas: o labirinto anterior ou cóclea, que contém os órgãos da audição, e o labirinto posterior ou sistema vestibular, que contém os órgãos responsáveis pelo equilíbrio. (PORTO, 2019) ORELHA EXTERNA A orelha externa compreende o pavilhão auricular e o meato acústico. Sua principal função é captar ondas sonoras do ambiente e transmiti-las para as orelhas média e interna. (PORTO, 2019) O pavilhão auricular é formado por cartilagem recoberta por pele, apresentando consistência elástica e firme. Essa cartilagem forma uma série de projeções: hélice, antélice, trago e lóbulo. (PORTO, 2019) O meato acústico, por sua vez, é um canal que dá acesso à membrana timpânica, sendo o local de introdução do otoscópio. Sua parede é revestida por glândulas que produzem cerume (a famosa “cera” de ouvido), secreção fisiológica que é frequentemente observada no exame da otoscopia. (PORTO, 2019) O limite da orelha externa é a membrana timpânica, que está na extremidade do meato acústico, separando-a da orelha média. (BATES, 2022) ORELHA MÉDIA É uma cavidade que contêm os ossículos da audição, que conectam a membrana timpânica à orelha interna, através da janela oval. Esses ossículos são, de externa para internamente, o martelo, a bigorna, e o estribo. A membrana timpânica e a cadeia de ossículos transformam as vibrações sonoras em ondas mecânicas que avançam para a orelha interna. (BATES, 2022) Ademais, a orelha média se comunica com a nasofaringe através da tuba auditiva ou Tuba de Eustáquio. Essa comunicação justifica o fato de que infecções na cavidade nasal podem se disseminar para a orelha média, ocasionando otites. Esse mecanismo é mais comum em crianças, uma vez que, anatomicamente, elas apresentam tubas auditivas mais horizontalizadas, o que facilita a migração de conteúdo da cavidade nasal para a orelha média. (BATES, 2022) Embora o otoscópio não alcance a orelha média, o fato de o tímpano ser uma membrana translúcida permite a visualização de estruturas dessa região. Portanto, na otoscopia, o examinador se propõe a avaliar tanto elementos da orelha externa quanto da orelha média. (SANARFLIX) Através da membrana timpânica, o principal ossículo que observamos é o martelo, o qual possui dois marcos notáveis à otoscopia: o seu cabo e o seu processo curto. Ao longo do cabo do martelo, em condições normais, há pequenos vasos sanguíneos. O local em que o tímpano encontra a extremidade do martelo é chamado de umbigo da membrana timpânica, de onde parte um reflexo luminoso denominado cone de luz. Acima do processo curto do martelo, situa-se a parte flácida da membrana timpânica. O restante do tímpano equivale à parte tensa. Lateralmente, podemos observar ainda um segundo ossículo: a bigorna. (SANARFLIX) ORELHA INTERNA A orelha interna inclui a cóclea, os canais semicirculares, os estatocônios (ou otólitos) alojados no vestíbulo e a extremidade distal do nervo auditivo, conhecido como nervo vestibulococlear ou NC VIII. (BATES, 2022) A cóclea é dedicada à audição, enquanto os canais semicirculares e os estatocônios são dedicados ao equilíbrio. Juntas, essas três estruturas formam o labirinto. (BATES, 2022) O estribo na orelha média conecta-se à orelha interna pela janela do vestíbulo. Os movimentos do estribo causam a vibração da perilinfa (líquido da orelha interna) no labirinto, provocando o movimento das células pilosas e da endolinfa nos canais da cóclea. Essas vibrações são convertidas nas células pilosas da cóclea em impulsos nervosos elétricos transmitidos pelo nervo vestibulococlear até o encéfalo para interpretação. (BATES, 2022) Grande parte da orelha média e toda a orelha interna são inacessíveis ao exame direto. Sua condição é avaliada por provas da função auditiva. (BATES, 2022) EXAME OSTOSCÓPICO O otoscópio é um instrumento semelhante a uma lanterna que possui formato cônico em sua cabeça para facilitar sua adequação à anatomia da orelha. Ele possui uma lente de aumento que permite a melhor visualização das estruturas anatômicas. (SANARFLIX) O instrumento dispõe de uma série de espéculos de tamanhos variados que facilitam a acomodação do instrumento da orelha. O tamanho adequado do espéculo deve ser o maior que o meato acústico do paciente consiga acomodar com facilidade. É fundamental que o espéculo escolhido seja corretamente esterilizado antes do procedimento. (SANARFLIX) TÉCNICA DO PROCEDIMENTO OTOSCÓPICO Para examinar o meato acústico externo e a membrana timpânica, deve-se usar um otoscópio com o maior espéculo auricular que possa ser inserido com facilidade no meato, os passos a passos do exame consiste em: 1. Posicione a cabeça do paciente de um modo que possibilita a visualização confortável pelo otoscópio. Certifique-se de que o paciente esteja confortavelmente posicionado, sentado ou deitado com a cabeça inclinada ligeiramente para o lado oposto ao ouvido a ser examinado. 2. Inspeção externa: Verificar a presença de lesões, irritações, deformidades ou qualquer anormalidade. Observe a pele, o pavilhão auricular e o trago. 3. Preparação do otoscópio: Verifique se o otoscópio está devidamente montado e funcionando corretamente. Coloque um espéculo auricular limpo e descartável na ponta do otoscópio. Você pode usar um espéculo de tamanho adequado para o paciente 4. Retificar o meato acústico externo direito usando os dedos da mão esquerda para segurar a aurícula de modo firme, porém delicado, puxando-a para cima, para trás e afastando-a discretamente da cabeça 5. Segure o cabo do otoscópio com firmeza com a mão direita, entre o polegar e os outros dedos, e apoie os outros dedos da mão direita de encontro à face do paciente. Desse modo, sua mão direita e o instrumento podem acompanhar quaisquer movimentos inesperados do paciente 6. Introduza o espéculo com delicadeza no meato acústico externo, direcionando-o um pouco para baixo e para frente e entre os pelos, se houver OBS: Incline ligeiramente o pavilhão auditivo para trás e para baixo (PEDIÁTRICO), para trás e para cima (ADULTO) para acompanhar a curva natural do canal auditivo. Tome cuidado para não tocar no canal ou na membrana timpânica com o otoscópio 7. Troque de mão ao examinar a orelha esquerda, segurando o otoscópio com sua mão esquerda e retificando o meato acústico externo com a mão direita 8. Se você tiver dificuldade ao trocar de mão para examinar a orelha esquerda, como ilustrado na figura a seguir, alcance essa orelha puxando-a para cima e para trás com sua mão esquerda e estabilize o otoscópio, segurando-o com a mão direita e inserindo o espéculo com delicadeza Esse exame avalia Corpos estranhos Hiperemia Edema Cerume Coloração Contornos Presença ou não de perfuração O exame normal apresenta O canal auditivo normalmente aparece com uma cor amarelada ou rosada e pode conter cerume. Examine cuidadosamente a membrana timpânica, observando sua cor, integridade e contorno. Verifique também a presença de efusão (fluido atrás da membrana) ou outras anormalidades Membrana timpânica normal: Aparece translúcida, com uma coloração acinzentada ou perolada e um contorno bem definido. EXEMPLOS DE ANORMALIDADES TUMEFAÇÕES NODULARES Tumefações nodulares não dolorosas, cobertas por pele normal e de localização profunda no meato acústico externo, sugerem osteomas ou exostoses Estes são tumores não malignos, que podem obscurecer a membrana timpânica. (BATES, 2022) ALTERAÇÕES NO ASPECTO Observando se há secreção, corpos estranhos, eritema da pele ou tumefação. O cerume, que exibe uma variação de cor e consistência de amarelo e descamativo a marrom e pegajoso ou até mesmo escuro e endurecido, pode obscurecera visão total ou parcialmente. (BATES, 2022) Na otite externa aguda, o meato costuma estar edemaciado, estreitado, úmido, eritematoso ou pálido e doloroso. Na otite externa crônica, a pele do meato muitas vezes está espessada, vermelha e pruriginosa. (BATES, 2022) Otite externa aguda é a infecção da pele do canal auditivo, geralmente de etiologia bacteriana. No exame físico, geralmente manifesta-se através de dor à movimentação do pavilhão auricular e trago. Na otoscopia, a otite externa aguda apresenta meato acústico edemaciado, estreitado, úmido, pálido e hipersensível. Eventualmente, o meato acústico pode apresentar hiperemia. (SANARFLIX) Na otite média aguda, o surgimento rápido de sinais e sintomas de inflamação da orelha média. No exame físico, geralmente manifesta- se através de dor à palpação do processo mastoide. Em geral, ela se manifesta na otoscopia através de abaulamento, opacidade (perda da translucidez)e hiperemia da membrana timpânica, e, quando de etiologia bacteriana, via acúmulo de secreção purulenta (SANARFLIX) Procure uma membrana timpânica protuberante e vermelha na otite média purulenta aguda 4 e de cor âmbar quando existe derrame seroso. (BATES, 2022) PERFURAÇÕES NA MEMBRANA TIMPÂNICA As perfurações da membrana timpânica podem ser causadas tanto por traumatismos diretos, quanto por infecções purulentas na orelha média. Elas podem estar associadas a sintomas como perda auditiva, dor, otorragia e vertigem. Essa perfuração geralmente é evidente na otoscopia, onde a membrana timpânica também se apresentará com mobilidade abolida e, em perfurações infecciosas, pode apresentar fibrose e tecido de granulação (associados à inflamação crônica). (SANARFLIX) REFERÊNCIAS BICKLEY, Lynn S.; SZILAGYI, Peter G.; HOFFMAN, Richard M. Bates - Propedêutica Médica.: Grupo GEN, 2022 PORTO, Celmo C. Semiologia Médica, 8ª edição.: Grupo GEN, 2019.