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Ana Clara Galhano Carbúnculo hemático Caráter zoonótico! O cárbuncuo hemático (antraz), é uma doença infectocontagiosa que acomete animais e humanos, caracterizada por morte hiperaguda em animais ou morte aguda com sinais de edema e pústulas cutaneas, eliminação de sangue não coagulável por cavidades naturais e dispneia. Foi a primeira bactéria a ser admitida como responsável por uma doença particular. O agente causador é o Bacillus Antrhacis, bactéria do genero bacillus, gram-positivo grande, produz endósporos em contato com o ar, aeróbio,imóvel e cresce em meio não enriquecidos. Genero Bacillus São gram-positivos grandes, produzem endósporos, anaéróbios facultaivos aeróbios, crescem em meio-não enriquecidos, muitas espécies são móveis, catalase-positivas e oxidase-negativas, a maioria é microorganismo ambiental não patogenico. Bacillus cereus → causa intoxicação alimentar, em bovinos causa um caso raro de mastite. Produzem enterotoxina que leva a uma toxi-infecção e toxina emética que gera quadro de intoxicação alimentar levanto a vomitos e outros sintomas. Associado a batata/arroz. Bacillus thuringiensis → utilizado como controle biológico de insetos. Produz toxina chamada de delta-endotoxina. Bacillus subtilis → usado na produção de probióticos para a microbiota do trato gastrointestinal. Funciona como indicador biológico na esterilização. Bacillus stearohermophilus → usada para estudo de validação de esterilização e verificação periódica de ciclos de esterilização. Bacillus lincheniformis → associado a abortamento esporádico em bovinos e ovinos. Bacillus Antrhacis Ele recebe esse nome devido o aspecto da sua lesão lembrar um carvão. Ele forma esporos e é altamente resistente. É uma potente arma biológica e é uma das pragas do egito, que disimou o rebanho de animais. Ele se disimina rapidamente pelo ambiente, existe uma ilha que é inabitavel desde a segunda guerra mundial devido ao antraz. Epidemiologia Cosmopolita Pode acometer todos os mamíferos, incluindo os humanos Herbívoros são particularmente suscetíveis Bovinos, ovinos, equinos, suínos e caprinos → mais suscetíveis Ocorre em solos com matéria orgânica, moderadamente alcalinos, com altas concentrações de cálcio e nitrogênio Ana Clara Galhano Profilaxia é a principal forma de controle Forma vegetativa é altamente sensível ao ambiente e pasteurização Forma esporulada é altamente resistente, pode resistir décadas no ambiente Fontes de infecção Animais doentes e convalescentes Animais que evoluem para óbito Leite, fezes e carne contaminada Solo é água contaminada Cães e animais selvagens carniceiros, se contaminam porém não tem manifestação branda Moscas Transmissão Ingestão de pastos e água contaminados com esporos Contato direto com secreções e excreções de animais doentes → Quantidade de esporos é determinante para estabeler o estado da doença, ou seja, se eu entrar em contato com carga alta de esporos, posso ter uma infecção que é tão rapida que não tenho nem a manifestação dos sinais clinicas. Agora, entrando em contato com uma carga baixa de esporos, posso ter uma doença aguda, sub aguda ou cronica (não é comum) Formas de infecção Digestória → animal ingere alimento contaminado, forma vegetativa fica no trato gastrointestinal levando a septicemia. Animal apresenta edema, congestão, hemorragia, choque e morte. Penetração por lesão → leva a um edema local, forma ulcera e pustula maligna, levando a septcemia, edema, congestão, hemorragia, choque e morte (em humanos e animais). Essa forma é mais facil de ser identificada/diagnosticada. Inalação → Pessoas que trabalham em locais como moinhos de lã, matadouros e curtumes podem inspirar os esporos ao trabalhar com animais contaminados ou produtos de origem animal contaminados. O antraz por inalação começa inicialmente nos nódulos linfáticos peitorais, antes de se propagar para o restante do corpo e, por fim, causar problemas respiratórios graves e choque. O antraz por inalação é considerado a forma mais mortal de antraz Fatores de virulência Codificado por plasmídeos → materiais extracromossômicos, gera a virulência do bacilo antraz, ela gera uma capsula que fornece uma proteção pra bactéria Cápsula polipeptídica Ana Clara Galhano Exotoxinas Fator 1 ou fator de edema → consome os fatores de coagulação, edema gelatinoso e hemorrágico, hemorragia não coagulável Fator 2 ou antígeno protetor → fixação da toxina, impede que a bactéria seja fagocitada Fator 3 ou fator letal → proteases, lise celular, sepse, choque (morte) Ocorre ação conjunta dos fatores tóxicos Trombose capilar → aumentado da permeabilidade capilar → edema → queda da pressão sanguínea → choque → morte Manifestação clínica *Período de incubação ocorre entre 1 e 7 dias para os mamíferos, com predomínio de 1 a 2 dias Forma superaguda → 1 a 2 horas , no inicio dos surtos os animais apresentam postura em decúbito, tremores(devido a despolarização do calcio), febre, convulsões e óbito em poucas horas sem nenhum sinal clinico proguessivo. Eliminação de sangue pelos orifícios naturais após o óbito Forma águda (classica) → anorexia, febre intensa (41-42°c), atonia ruminal, meteorismo, dispneia grave, congestão de mucosas, escitabilidade sucedida por depressão e incoodernação motora, seguido de convulsões e morte, até 48 horas. Subaguda → até 8 dias. Ocorre em animais que os sinais se prolongam além de 48 horas. Apresentam urina escura e hematúria, fezes escuras com presença de sangue e secreção nasal serosanguinolenta. Edemas pastosos não crepitantes subctutaneos generalizados, podem apresentar coloração escura pelo desenvolvimento de necrose tecidual. Cronico → raro, curso clinico por 15/30 dias ou meses, proguessão lenta, animal emagrresce proguessivamente e desenvolve necrose nos locais de edema. Pequenos ruminantes → costumam apresentar o estado superagudo da doença, morte em poucas horas após o inicio da sintomatologia, sinais clinicos semelhantes aos bovinos Equídeos → podem durar varios dias, período de incubação varia entre 3 a 7 dias, curso agudo, morte entre 48/96 horas. Sinais clinicos envolvem cólica, meteorismo, cianose, sangue nas fezes, grande area de edema localizado na partenventral do abdomen e torax, disetenteria pode acompanhar cólica aguda. Na infecção via digestiva a lesão primaria pode ta na garganta e intestino, a morte pode ocorrer por reação local sem septcemia ( asfixia) Suídeos → infecção permanece localizada na garganta e no intestino (laringotraqueite e edema de garganta). Animal apresenta anorexia, convulsão, vindo a óbito. Ocorre lindadenite, enterite ulcerativa hemorrágica e septcemia (curso fatal comum nos leitões). Carnívoros → incomum. Curso hiperagudo, morte subita. Ana Clara Galhano Manifestações patológicas Ausência de rigor mortis (animal não tem cálcio) Postura em cavalete devido fermentação lática Putrefação precoce Distensão da carcaça pela fermentação lática da glicose (em função das bactérias na putrefação) Sangue escuro e viscoso, ausência de coagulação Líquido serossanguinolento nas cavidades corporais Edemas generalizados Esplenomegalia Eliminação de sangue pelos orifícios naturais Carbúnculo hemático em humanos → contaminação de escoriações ou feridas cutâneas resulta em antraz cutâneo, o qual representa 95% das infecções humanas de ocorrência natural. A lesão característica é a pústula maligna. A forma pulmonar é altamente fatal se não tratada, com taxa de mortalidade de 50% a mais de 90% mesmo se empregada a terapia com antibiótico. É a doença humana mais preocupante do ponto de vista de bioterrorismo. Diagnóstico Presuntivo (é o geralmente utilizado, diagnóstico deve ser semprepresuntivo)→ epidemiológico, patológico e bacterioscópico Definitivo → cultura e inoculação em animais de laboratório Sangue de jugular - Isolamento em meio de AS - não pode ser realizado Aspectos de colônia (24 e 48 horas) – não pode ser realizado Coloração de Gram – não pode ser realizado Identificação Bioquímica Teste de Ascoli; Testes imunológicos; Métodos moleculares → A bactéria não pode e nem deve ser manuseada para diagnóstico, alto risco! Diagnóstico diferencial Bovinos e ovinos → clostridioses, choque por raio, tristeza parasitária, intoxicações agudas por plantas tóxicas Equinos → anemia infecciosa aguda, cólicas diversas, intoxicações, choque por raio, insolação Suínos → peste suína clássica e africana, edema faringeano maligno, erisipelose, salmonelose, hipertermia maligna Ana Clara Galhano ❖ Nunca necropsiar animal com suspeita de carbúnculo hemático! Tratamento Normalmente não é feito. Eles são sensíveis a penicilinas, é o mais utilizado pra tratamento de animais (exceto suínos) e humanos. Reposição hidroeletrolítica dos animais, dexametasona, antissoros (não possui no Brasil). Controle Existe vacina para bovinos e pequenos ruminantes, contra cepas atenuadas, induzem imunidade duradoura. Deve ser feita a notificação aos órgãos oficiais Estabelecimento de quarentena Incineração ou depósito em cova profunda dos animais mortos, dejetos e fômites Desinfecção de estábulos e equipamentos usados no manejo Isolamento dos animais doentes e remoção dos animais sadios Uso de repelentes ou de inseticidas Controle dos abutres que se alimentam de animais mortos Pessoas que estão em contato com animais doentes devem tomar cuidados sanitários, para sua própria segurança e para prevenir a disseminação da doença