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yasmãe Anemia ferropriva Aula do Prof Fabinho Introdução . ● Anemia ferropriva é o estágio mais avançado da carência de ferro, além de ser a doença hematológica mais prevalente no mundo e ser a principal causa de anemia microcítica ● 10 a 38% das populações de países em desenvolvimento ● Ferro corporal: ○ 75% está nas Hb ○ 10% nas mioglobinas (reserva de oxigênio muscular) ○ 10% estoque (ferritina) ○ 5% nos citocromos e outras ptns ■ Ferro funciona como transportador de elétrons na respiração celular, já que é um espécie altamente reativa quando está livre (na forma de íon) e faz reações de oxirredução facilmente, formando superóxidos; ■ O ferro está sempre ligado a uma ptn de transporte (transferrina = siderofilina) para que não faça a oxirredução ● Na natureza ○ Ferro heme: carnes e laticínios: 1/3 da dieta ■ Maior biodisponibilidade; absorção não afetada por fatores da dieta ■ O ferro heme é absorvido mais facilmente que o não heme, mesmo que o não heme esteja presente em maior quantidade nos alimentos ○ Ferro não heme (inorgânico): vegetais e grãos ■ Ele pode estar na forma de: ● Ferro ferroso (Fe 2+), que conseguimos absorver, ou seja, que é biodisponível, OU ● Ferro férrico (Fe 3+), que está nos alimentos. Precisa passar da forma férrica para a forma ferrosa pela redução (adição de H proveniente do suco gástrico), reação que é interferida negativamente por diversos compostos (cálcio, tanino, fitato) ■ Facilitadores na absorção: ácido ascórbico (vitamina C) ○ Dieta ocidental: 20 mg/dia -> Absorção de apenas de 5 a 10% (1 a 2 mg/dia) ○ Raramente um adulto com anemia ferropriva tem causa dietética ■ Depois que você cresce e faz o estoque de ferro, a quantidade que você absorve por dia é bem pouquinho. ■ Logo, para ter causa dietética, a pessoa precisaria ter problema com o estoque e, por isso, essa causa é mais comum em crianças ■ Em adultos, a principal causa de anemia ferropriva está relacionada À perda de sangue crônica ● Encontra-se na natureza como sais férricos, absorvidos na forma ferrosa aliado à acidez gástrica ○ Acidez não só permite a redução do ferro (adição de H), como também ativa o pepsinogênio, que se transformará em pepsina, a qual irá quebrar a proteína presente na dieta, permitindo que o ferre heme seja biodisponível Ciclo do Fe . ● Após ingestão de ferro, ele é absorvido no duodeno. No sangue, Fe + transferrina vão para MO para incorporar o ferro à Hb. ○ O ferro que sobra vai ser guardado no fígado na forma de ferritina. Fica lá até apresentar carência de ferro, momento em que fígado irá liberar Fe para o sangue ● Após 120 dias, há fagocitose da hemácia velha (hemocaterese): macrófago ou manda o Fe para corrente sanguínea (se estiver em carência) ou armazena na forma de ferritina ● Obs: Fe no sangue só com transferrina!! Lembrar que Fe iônico faz reação de oxirredução facilmente ● Dificilmente a gente perde um ferro (eliminação é mto pouca): anemia ferropriva em adultos = sangramento persistente e crônico (Fluxo menstrual exacerbado) ou não absorve (gastrectomia) ○ Ausência de via fisiológica para eliminação de ferro 1 yasmãe ● Entrada de Fe: IV (transfusão ou iatrogenia) ou oral (alimentação) ○ Fe2+ na luz do duodeno passa para o enterócito pelo DMT (transportador de metais divalentes, que não é específico para o ferro). Ele sai do enterócito para o plasma pela ferroportina (exportador celular de ferro), onde ferro anda com a transferrina ■ Transferrina é com um ônibus: não para em qualquer lugar, mas sim na parada de ônibus; nesse caso, para onde tem maior densidade de receptor de transferrina: ● 1º MO (heme – 70/75%); ● 2º hepatócito (ferritina); ● 3º macrófago que fagocita os eritroblastos (ferritina tb) ■ Toda vez que o Fe sair da célula, sai por ferroportina ■ O fato do DMT não ser específico para o ferro é uma das maiores causas de competição entre o ferro e o cálcio, que utiliza o mesmo transportador ○ A maior parte da ferritina tá no hepatócito, mas aproximadamente 5% da ferritina fica solúvel no plasma ■ A quantidade que fica solúvel é aquela que conseguimos medir ■ Obs: toda vez que a ferritina estiver baixa, confirma carência de ferro; porém, a ferritina alta não exclui, já que a ferritina pode se elevar em outras situações ● Ferritina: estoque de ferro ○ Dentro do hepatócito, temos a apoferritina (proteína) que, quando se liga a uma molécula de Fe, se chama ferritina ■ Fe fica no meio da apoferritina ○ Quando peço dosagem de ferritina, o exame enxerga a parte proteica da molécula; em situações de inflamação, o fígado libera apoferritinas (ptns inflamatórias) que são reconhecidas pelo exame, o que pode trazer o resultado de ferritina alta mesmo em pacientes com anemia ferropriva ■ Um dos grandes mecanismo da proteção da inflamação é reter ferro, impedir que ele circule no plasma; por isso que quando inflama, sai “ferritina” sem ferro ● A gente faz estoque de ferro para evitar enterocolites, que ocorrem por bactérias ferro dependentes; mecanismo herdado do estoque inadequado de carnes, comendo carnes podre ● Hepcidina: controle do ferro ○ Quando a quantidade de ferritina dentro do hepatócito é alta, ele aumenta a secreção de um hormônio chamado hepcidina; a hepcidina vai no intestino e inativa a ferroportina. ○ Quando isso ocorre, o Fe não consegue sair da célula duodenal, de modo que a quantidade de Fe no plasma vai diminuindo. Como consequência, o fígado quebra a ferritina para aumentar a disponibilidade de ferro, o que permite que a quantidade de ferritina seja reduzida. Quando reduz, o fígado para de liberar hepcidina e a ferroportina volta a funcionar. ○ Pacientes com hemocromatose hereditária (doença genética) possuem a ferroportina alterada, de modo que a hepcidina não consegue inibi-la e, portanto, não há limite para a absorção de ferro ○ Em níveis fisiológicos, a hepcidina só vai bloquear a ferroportina do hepatócito; durante processo inflamatório, há alta 2 yasmãe liberação de IL 6, que atua no hepatócito e aumenta a liberação de hepcidina, permitindo que ela atue em outras células ■ Níveis inflamatórios crônicos podem levar a um sequestro de ferro elevado, provocando anemia inflamatória. Desse modo, é possível gerar deficiência funcional de ferro: o organismo tem o ferro, mas ele não consegue sair da célula para atuar por excesso de hepcidina ● Eritroferrona: hormônios ○ Eritropoese ineficaz: toda vez que há morte de eritroblasto na MO por qualquer motivo. ○ Nesse caso, a célula do estroma da MO libera um hormônio chamado eritroferrona, que atua no fígado e faz supressão da secreção de hepcidina. Ao suprimir a hepcidina, ferroportina fica mais livre para colocar Fe + transferrina no sangue ■ Se isso não for fisiológico, você pode ter acúmulo de ferro de forma tóxica ■ Eritropoese ineficaz de forma patológica pode fazer sobrecarga de ferro Etiologia . ● Por perda de ferro = sangramento crônico ○ Causa mais comum de anemia ferropriva em adultos ○ Hipermenorragias, hemodiálise, verminoses (necator e ancilostoma), úlcera péptica/varizes esofágicas, ca de cólon, angiodisplasia/doença hemorroidária/ diverticulite, hemorragia alveolar, hemoglobinúria (anemia hemolítica) ○ Toda vez que a causa for oculta, precisa procurar a perda de sangue no TGI ○ Não adianta fazer sangue oculto nas fezes, porque a endoscopia/ colono é necessária se der positivo ou negativo ● Por problema de absorção ○ Gastrectomia (by-pass do duodeno/hipocloridria), doença celíaca (duodeno atrofiado), h pilory*, cirurgias bariátricas, atransferrinemia: doença genética rara ● Carência dietética/maior demanda ○ Crianças*, gestantes, adolescente em pico de crescimento, desnutridos em geral* ■ *proporção de ferro heme muito baixa na dieta, pobre em carnes e ptns; desnutrição de Kwashiorkor ● Investigando a causa, quando oculta 1. Excluir sangramento TGI: Endoscopia (EDA) e colonoscopia 2. Outros a depender da suspeita Quadro clínico . ● Sinais e sintomas comuns às anemias ● Evolução lenta e arrastada: sintomas inespecíficos-> baixo rendimento escolar ● Glossite, queilite angular, atrofia papilar ● Sintomas presentes na deficiência de fe, com ou sem anemia ○ Pica: geofagia, papofagia (gelo) e amilofagia (comer pao, papel) ○ Alopecia, distrofias ungueais (coiloníquia: unha em forma de colher, com concavidade para cima) ■ ○ Síndrome de Plummer-Vinson ou Paterson-Kelly: membrana no esôfago com disfagia parasolen (?), com obstrução a alimentos sólidos (entala)) 1h15min ○ Betonúria (urinas betacaroteno); síndrome das pernas inquietas (ao deitar) Diagnóstico . ● Hemograma ○ Inicialmente, a anemia ferropriva é normocítica, evoluindo para ser microcítica ■ É a principal causa de anemias micro e normocíticas! ○ Anisocitose: alto RDW ○ Plaquetose: muitas vezes estimulada pela perda de sangue ○ Reticulopenia: anemia hiporregenerativa por déficit de produção medular 3 yasmãe ● Exame padrão ouro: mielograma com coloração de Perls (corante Azul da Prússia) ○ Realiza-se punção de medula óssea e utiliza-se uma coloração específica que deixa o ferro azul. ○ Na prática, não se faz na prática clínica ● Exame de perfil de ferro: o que se pede na prática ○ Ferro sérico: baixo na anemia ferropriva ■ Super inespecífico porque varia muito; ex: pode aumentar se acabou de comer carne, mas você pode ter anemia ferropriva ainda assim ■ Só se consegue medir o ferro que está ligado à transferrina ■ Queda de ferro no corpo estimula o fígado a produzir mais transferrina para tentar melhorar a mobilidade do ferro no corpo ● Há aumento de transferrina na anemia ferropriva ○ Capacidade total de ligação do Ferro (CTLF= TIBC): alto na anemia ferropriva ■ Medida indireta da transferrina ■ Se todas as transferrinas estivessem com ferro, quanto de ferro a gente teria? Vê pelo TIBC ■ Ex: paciente com 40 mg/dL e você adiciona 400 mg de ferro; na sorologia, deveria dar 440 de ferro, mas o resultado é 400 ● Isso acontece porque se atingiu o limite da transferrina e, ao medir o ferro sérico, só se consegue medir o ferro que está ligado à transferrina ○ Índice de saturação da transferrina (IST): ferro sérico/CTLF: baixo na anemia ferropriva ■ Mede a porcentagem das transferrinas que estão transportando ferro ■ Em caso de sobrecarga de ferro, IST estará acima de 45% ■ Em caso de perda de ferro, IST estará baixa ○ Ferritina: baixo na anemia ferropriva ■ Na sobrecarga de ferro, é usada para quantificar o dano ● Caso só se possa pedir um exame, peça ferritina, já que seu valor baixo já confirma a anemia ferropriva. Caso dê alto e ainda haja suspeita de perda de ferro, peça IST e, se der baixo, isso confirma anemia ferropriva ● Valores de referência: ○ Fe: 60 a 150 ○ IST: 20 a 40% ○ Ferritina 20 a 250; <15 é ferropenia ○ CTLF/TIBC 300 a 360 ● Hematoscopia: hemácia sem HB, com alo central grande ○ Tratamento . ● Três pilares no tratamento: ○ Orientação dietética: ferro heme e vitamina ○ Abordar a causa da anemia: determinar local de sangramento ○ Reposição ● Reposição ○ Via oral ■ Dose mínima: 200 mg de ferro elementar diário. Obs: checar quantidade de ferro elementar presente no cp ● SUS: 40mg, mínimo de 5 por dia. ● Prescrição: Sulfato ferroso 40mg – 180 cp. Uso contínuo. 02 cp via oral antes das refeições, 3x/ dia ■ Dividir dose sempre que possível, já que intestino não consegue absorver todo o ferro fornecido ● Dividir em várias doses permite maior absorção ■ Deve ser ingerido de 15 a 20 minutos antes das refeições com vitamina c (suco cítrico) ■ Principal efeito colateral é no TGI, com diarreia, constipação intestinal 4 yasmãe ● Caso o paciente sinta muito os efeitos, fala para ele tomar com comida que costuma melhorar; normalmente é pelo sal que está presente na formulação da medição, então pode também trocar a marca ■ Correção da hb normalmente ocorre em 4-6 semanas ● É possível parar o tratamento quando normalizar todos os parâmetros do hemograma e a ferritina >30 ○ Via endovenosa: uso parenteral ■ Indicações: má absorção, intolerância aos preparos orais, perdas superiores à reposição oral máxima ■ Pode ser feito como primeira opção ● Quantidade de ferro para repor o que falta e a quantidade necessária para formar o estoque ○ Fórmula: [(Hb ideal – Hb paciente) x 3 x peso] + 500. ○ Hb ideal: considerar 15! ■ Diluição 250 mL SF – difundir em 60min ■ Noripurum: máximo de 200mg/dose (normalmente tem 100) ● Prescrição: USO EV Noripurum 100mg – 18 amp. Aplicar conforme abaixo: Noripurum 2 amp + 250mL SF 0,9% - EV em 1h. Em dias alternados até total de ampolas ○ Não coloca tudo no mesmo dia para evitar intoxicação ● OBS: noripurum pode ser feito de por IM, mas é proscrita porque só jesus sabe a biodisponibilidade e estraga as tattoo; não dilui ○ Fazer em situação de exceção no SUS em pacientes de interior acamados, quando não tiver nenhum outro jeito possível ■ Ferinject: 500 mg por ampola, até 1000 mg por dose ● Muito caro ● Só vale a pena para pacientes com difícil acesso venoso ou difícil mobilidade (e olhe lá porque cada caixa é uns 450 conto) ● Após início do tratamento, o corpo faz pico reticulocitário no 10º dia 5