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EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Fundamentos E Princípios Da Educação Inclusiva 
Educação Inclusiva: Princípios E Conceitos 
Princípios e Conceitos na Educação Inclusiva. Esse é um tema muito já discutido pela sociedade, 
mas muito ainda se tem a refletir sobre esse tema, pois é notória, a necessidade de mudanças 
profundas na mentalidade da sociedade diante a sua negação sobre o tema inclusão, dificultando 
assim o entendimento que a inclusão é o caminho certo para que pessoas com necessidades 
especiais tenham o direito a igualdade perante todos, pois assim como qualquer outro ser humano, 
elas sejam olhadas e aceitas por aquilo que são hoje, e não por aquilo que poderão vir a ser e a 
produzir. 
A pessoa com necessidades especiais tem os mesmos direitos como qualquer outro cidadão 
brasileiro, pois conforme a legislação que nos rege, Art. 5º da CF/88, “Todos são iguais perante a lei, 
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. 
 O preconceito e a falta de informação talvez seja um dos maiores fatores que justifique a resistência 
da sociedade em aceitar a inclusão de pessoas com necessidades especiais em nosso cotidiano. 
 Através de uma pesquisa qualitativa de várias obras de autores renomados como: Werneck, Omote, 
Sassaki, Singer e Montoan, podemos fundamentar nossa pesquisa sobre os princípios e conceitos na 
educação inclusiva. 
 Para Werneck: 
A sociedade esta sempre em busca de um padrão de normalidade, quase sempre baseado em 
conceitos estáticos culturais, isso justifica a dificuldade de aceitação no processo de inclusão de 
pessoas com necessidades educativas especiais nas escolas regulares de ensino, pois consideram 
essas pessoas fora do padrão de beleza e de normalidade da sociedade. (WERNECK, 1998, p.21) 
 Omote (1990) se refere à deficiência não só como um problema do aluno, mas de nosso próprio 
comportamento. Singer fala de um princípio muito importante, para ele o princípio da igualdade 
relaciona-se com a igual consideração de interesses. Sassaki fala em adaptação da sociedade para 
que o processo de inclusão se realize. Montoan destaca o conceito de autonomia como finalidade da 
educação de pessoas com necessidades educativas especiais. 
 Enfim todos os autores citados convergem em um senso comum, a inclusão na vida escolar de 
pessoas com algum tipo de deficiência é fundamental para seu desenvolvimento e a torne uma 
pessoa digna de todos os direitos de qualquer cidadão comum. 
Princípios E Conceitos 
O Princípio Da Igualdade E A Igual Consideração De Interesses 
Segundo dicionário da língua portuguesa (FERREIRA, 1986, p.34) entende-se por igualdade, 
“Qualidade daquilo que é igual; uniformidade; identidade de condições entre os membros de uma 
sociedade, em que não há privilégios de classes”. 
 A história comprova que pessoas muito diferentes da média na aparência física ou no modo de 
pensar e de agir tem sido vistas como deslize da natureza. É como se a humanidade tivesse um 
evidente padrão de qualidade. 
As sociedades preferem serem lembradas e referidas mais por suas identidades do que por suas 
diferenças. Seres humanos tendem a se agrupar com seus semelhantes em bairros, grupos de 
adolescentes, de apreciadores de música clássica, etc.. E sempre que possível, até mesmo 
inconscientemente, desprezamos ou evitamos o convívio íntimo com quem consideramos diferente. 
Quando a diferença é uma deficiência, essa tendência se agrava. 
 
A busca do padrão de normalidade, quase sempre baseado em conceitos estáticos culturais, tem 
justificado, através dos séculos, assassinatos de pessoas que se diferenciavam da maioria, apenas 
por terem pele mais escura ou defenderem crenças que fugisse da época. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Segundo Werneck (1997), a sociedade para todos, conscientes da diversidade da raça humana, 
estaria estruturada para atender às necessidades básicas de cada cidadão, das maiorias às minorias, 
dos privilegiados aos marginalizados. Crianças, jovens e adultos com deficiência seriam naturalmente 
incorporadas à sociedade inclusiva, definida pelo princípio: “todas as pessoas tem o mesmo valor”. E 
assim, trabalhariam juntas com papéis diferenciados para atingir o bem comum: 
Na sociedade inclusiva não há lugar para atitudes como “abrir espaço para deficientes” ou “aceita-
los”, num gesto de solidariedade, e depois bater no peito ou mesmo ir dormir com a sensação de ter 
sido muito bonzinho. (WERNECK, 1998, p.22) 
Ninguém precisa ser caridoso, bonzinho, somos sim todos cidadãos, e é nosso dever privar pela 
qualidade de vida do nosso semelhante, por mais diferente que ele nos pareça ser. 
Em todas as regiões do planeta, pessoas com necessidades especiais estão entre os mais excluídos. 
Excluídos das escolas, do direito de ir e vir, da sociedade em fim. 
Temos a Política Nacional de Educação, elaborada desde 1993. E a partir da Declaração de 
Salamanca (1994) e da nova Lei de Diretrizes e base da Educação, Lei n.º 9.394, muito tem se 
discutido e se atualizado sobre este tema através de discussões de várias ideias com representantes 
de organizações governamentais e não governamentais, abrangendo todos os campos de pessoas 
com necessidades educativas especiais. 
O objetivo dessa política é garantir o atendimento educacional ao aluno portador de necessidades 
especiais, pois num passado não muito distante as crianças eram segregadas em instituições 
especializadas, perdendo a chance de conviver e participar da sociedade em geral. 
Atualmente através de muitas discussões vem se buscando de forma gradual a inclusão de pessoas 
com necessidades educativas especiais nas classes regulares de ensino, com ótimos resultados. 
No entanto, infelizmente esse caminho é longo e moroso, pois vários obstáculos devem ser vencidos 
como: a maioria das escolas do país ainda não recebeu a infraestrutura adequada para a inclusão, à 
maioria dos professores ainda não recebeu qualificação adequada para trabalharem com aluno com 
necessidades educativas especiais previstas em lei, sem falar no pior dos obstáculos, a resistência 
de todos nós, família, educadores, governo e a sociedade, em aceitar a pessoa com necessidades 
especiais iguais a quaisquer outras pessoas, com os mesmos direitos. 
As pessoas com necessidades especiais na maioria das vezes não são vistas como cidadãs, e sim 
como pessoas que precisam de atendimento tão especial que acabam sendo diferenciados ainda 
mais dos outros, trazendo para ela uma única realidade: a diferença. 
Segundo Carvalho (1997, p. 18): 
Embora a desigualdade seja estrutural em qualquer sociedade, os índices ainda registrados no Brasil 
são indicadores dos baixos níveis de bem estar social, com o que temos convivido. A produção da 
deficiência se dá portanto, não apenas sob a ótica do aluno que se torna deficiente circunstancial ou 
tem agravada sua deficiência real. Pode-se dizer que a produção da deficiência na nossa qualidade 
de vida é de nossa considerável participação. 
Essa desigualdade social se reflete nas dificuldades de acesso e permanência na escola, de crianças 
com dificuldades e com necessidades especiais. Com isso nasce um tipo de deficiência cultural, que 
é mais comum em nossas escolas, tendo como consequência, o fracasso escolar de muitos alunos. 
Todos são diferentes uns dos outros, temos preferências diferentes, necessidades diferentes. 
Essas diferenças dependem e são produto da interação das características biológicas com cada um 
de nós vem equipado (genéticas, hereditárias e adquiridas após o nascimento), do nível de 
desenvolvimento real em que cada um de nós se encontra e do significado que atribuímos às 
situações que vivemos em nosso cotidiano. (MEC, 1986, p.30) 
Todos podem se desenvolver, todos podem aprender desde que ensinemos e possamos mediar esse 
processo. Entretanto, para queisso acorra, temos que garantir a igualdade de condições. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Segundo Peter Singer (1994) o princípio da igualdade relaciona-se diretamente com a igual 
consideração de interesses. 
O princípio de igual consideração de interesses dos outros não dependem das aptidões ou de 
características destes, executando a característica de ter interesse. É verdade que não podemos 
saber aonde vai nos levar a igual consideração de interesse enquanto não soubermos quais 
interesses tem as pessoas, o que pode variar de acordo com suas aptidões, ou outras características. 
Levar em conta os interesses das pessoas, sejam elas quais forem, devesse aplicar-se a todos, sem 
levar em consideração sua raça, sexo ou nível de inteligência, pois ela nada tem a haver com muitos 
interesses do ser humano como o interesse de evitar a dor, desenvolver as próprias aptidões, 
satisfazer as necessidades básicas de alimentação, abrigo e de manter relações saudáveis com os 
outros. 
Nossa sociedade, muitas vezes escraviza pessoas ditas deficientes mentais, impedindo-as se 
satisfazer seus interesses. No entanto, o principio da igual consideração de interesses é forte o 
suficiente para excluir essa sociedade baseada no índice de inteligência. Também exclui a 
discriminação sob o pretexto de incapacidade, tanto intelectual como física. 
Com o passar dos tempos difundiu-se a constatação de que todas as tentativas de “normalização” 
das vidas das pessoas com necessidades especiais se baseavam na modificação da própria pessoa, 
como premissa para o seu ingresso na sociedade. Depois foi se generalizando a compreensão de 
que a deficiência, qualquer ela seja, tem como referência, “a norma”, o ambiente psicossocial ou o 
espaço físico, para que a pessoa possa desenvolver ao máximo suas capacidades. 
Acreditamos que todas as pessoas devem levar em conta o verdadeiro sentido da igualdade, não 
como discurso, mas como princípio de guiar suas vidas. 
Autonomia 
“Autonomia é a condição de domínio no ambiente físico e social, preservando ao máximo a 
privacidade e a dignidade da pessoa que a exerce”. (Sassaki, 1997, p.36) 
Para o autor citado, ter mais ou menos autonomia significa que a pessoa com necessidades 
especiais tem maior ou menor controle nos vários ambientes físicos e sociais que ela queira ou 
necessite frequentar, para atingir seus objetivos. Por exemplo, as rampas de acesso nas calçadas, 
transporte coletivo com acesso aos cadeirantes enfim adaptação de todas as infraestruturas 
facilitando o deslocamento o mais autônomo possível no espaço físico. 
Muitas pessoas com necessidades especiais, na conquista de sua autonomia no meio escolar, 
possuem uma percepção negativa delas mesmas. As pessoas creem que o sucesso escolar está fora 
de seu alcance, também tendem a um sub desempenho escolar, porque essa percepção negativa 
inibe a aquisição do meio para adaptarem-se as exigências da escola. Na maioria das vezes, elas 
percebem o esforço de adaptação como sendo não gratificante e tornarem-se dependentes e mesmo 
subordinadas às outras, escolhas e respostas alheias. Nesse sentido, a atitude passiva de aceitação 
no meio escolar, que é largamente adotada pela escola e pela sociedade com relação às pessoas 
com necessidades educativas especiais, deve ser substituída por atitudes ativas e modificadoras. 
Elas precisam ser colocadas em situações problemáticas para aprender a viver o equilíbrio cognitivo 
e emocional. Se aos conflitos lhes sã evitados, como poderão chegar a uma tomada de consciência 
dos problemas a resolver e como testarão sua capacidade de enfrentá-los? (Montoan, 1997, p.141) 
Montoan (1997) comenta que a situação remete a quadros conceituais e a paradigmas educacionais 
mais amplos, que estão sendo apontados como propostas para prover o meio escolar de condições 
favoráveis ao desenvolvimento da à autonomia de alunos com necessidades educativas especiais. 
Independência 
 
Segundo Sassaki (1997), independência é a faculdade de decidir sem depender de outras pessoas, 
tais como: membros da família ou profissionais especializados. Uma pessoa com deficiência pode ser 
mais independente ou menos independente em decorrência não só da quantidade e qualidade de 
informações que lhes estiverem disponíveis para tomar a melhor decisão, mas também da sua 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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autodeterminação e prontidão para tomar decisões numa determinada situação. Esta situação pode 
ser pessoal (quando envolve a pessoa na privacidade), social (quando ocorre junto a outras pessoas) 
e econômica (quando se refere às finanças dessa pessoa). Tanto a autodeterminação como 
prontidão pode ser aprendida ou desenvolvida. E quanto mais cedo na vida, a pessoa tiver 
oportunidade para fazer isso, melhor. Porém, muitos adultos parecem esperar que a independência 
da criança com necessidades especiais irá ocorrer de repente, depois que ela crescer. 
Equiparação De Oportunidades 
Existem várias declarações que amparam a Equiparação de oportunidades das pessoas com 
necessidades especiais. 
De acordo com Sassaki (1997), uma das primeiras organizações foi a Disables International (DPI), 
uma organização criada por pessoas portadoras de deficiência (termo usado na época), não 
governamental e sem fins lucrativos. A DPI define “equiparação de oportunidades” como processo 
mediante o qual os sistemas gerais da sociedade são feitos acessíveis para todos. Inclui a remoção 
das barreiras que impedem a plena participação das pessoas deficientes em todas as áreas, 
permitindo-lhes alcançar uma qualidade de vida igual à de outras pessoas. 
Uma definição semelhante consta no documento “Programa Mundial de Ação às pessoas com 
Deficiência”, adotado em 3/12/1982 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas 
(ONU). Este documento define Equiparação de Oportunidades como o processo através do qual os 
sistemas gerais da sociedade, tais como o ambiente físico e cultural, a habitação e os transportes, os 
serviços sociais e de saúde, as oportunidades educacionais e de trabalho, a vida cultural e social, 
incluindo as instalações esportivas e recreativas devem ser acessíveis a todos. 
Dez anos depois, a Assembleia Geral da ONU adotou o documento Normas Sobre Equiparação de 
Oportunidades que traz outra definição: “Significa o processo através do qual os diversos sistemas da 
sociedade e do ambiente são tornados disponíveis para todos”. 
Mais adiante esse documento acrescenta que pessoas com deficiência são membros da sociedade e 
tem o direito de permanecer em suas comunidades locais. Elas devem receber o apoio que 
necessitam dentro das estruturas comuns de educação, saúde, emprego e serviços sociais. 
(SASSAKI, 1997, p.39) 
Em todas estas definições, esta em primeiro lugar a igualdade de direitos. O princípio de direitos 
iguais implica nas necessidades de cada um e de todos. As comunidades devem basear-se nisso 
para construção de uma vida melhor e digna para todos os membros de uma sociedade. 
Rejeição Zero 
De acordo com Sassaki (1997), inicialmente a rejeição zero, ou exclusão zero, consistia em não 
rejeitar uma pessoa, par qualquer finalidade, com base no fato de que ela possuía uma deficiência ou 
por causa do grau de severidade dessa deficiência. Mais tarde, o conceito passou a abranger as 
necessidades especiais, independente de suas causas. 
Este conceito vem revolucionando a prática das instituições assistenciais que excluem pessoas cujas 
deficiências ou necessidades especiais não possam ser atendidas pelos programas ou serviços 
disponíveis. 
A luz do princípio da exclusão zero, porém, as instituições são desafiadas a serem capazes de criar 
programas e serviços internamente ou busca-los em entidades comuns da comunidade a fim de 
melhor atenderem as pessoas com deficiência. As avaliações (sociais, psicológicas, educacionais, 
profissionais, etc.) devem trocar sua finalidade tradicional de diagnosticar e separar pessoas, 
passando para amoderna finalidade de oferecer parâmetros em face dos quais as soluções são 
buscadas a todos. (SASSAKI, 1997, p.41) 
Isso faz com que as instituições tenham que servir às pessoas e não às pessoas terem que se ajustar 
às instituições. 
 
Para Montoan (1997), as comunidades que rejeitam a riqueza da diversidade continuam 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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ultrapassadas, colocando a sociedade em risco, não permitindo, assim, que todos exerçam seus 
direitos. 
Considerações Finais 
De acordo com os objetivos propostos nesta pesquisa, verificamos que os princípios e conceitos 
essenciais da proposta de inclusão envolvem: igualdade e equiparação de oportunidades, autonomia, 
independência e rejeição zero. 
Tudo está mudando tão rápido, são novas tecnologias que muitos de nós nem conseguimos conhece-
las direito. 
Para os mais jovens, já é quase normal às pessoas não se cumprimentarem. Tudo é cercado por 
“interesses” e “aparências”, o tempo é algo muito importante, quase todos querem ganhar sem 
pensar naqueles que precisam de uma chance para poder “andar” pelas ruas sem olhares 
preconceituosos. 
O país e o mundo vivem atravessando crises financeiras, usando-a como desculpa pela falta de 
investimento na saúde, educação etc... Afetando os mais fracos: pobres, idosos e pessoas com 
necessidades especiais, isto é, todos que se diferenciam um pouco do que a sociedade impõe que 
deva ser normal. 
Verificamos também que a sociedade deve se esforçar para transformar esta situação de rejeição ao 
que se considera fora do padrão. Não existe nenhuma fórmula, basta que as pessoas pensem um 
pouco naqueles que estão a sua volta como cidadãos que possuem os mesmos direitos e deveres, 
não importando se possui necessidades especiais ou não, todos viemos do mesmo lugar e vamos 
acabar no mesmo lugar, independente se somos ricos ou pobres, brancos ou pretos, enfim de 
qualquer coisa. 
A luta pela educação especial no Brasil nunca foi fácil. Temos uma legislação, mas sabemos que ela 
sozinha não resolve nada. Ainda são poucas as pessoas que lutam pelos direitos das pessoas com 
necessidades especiais e que defendem para todos, uma sociedade inclusiva. Precisamos dar as 
mãos nesta luta e repensarmos a maneira pela qual lidamos com as diferenças. 
Incluir não é favor, mas uma troca e todos saem ganhando. E convivendo com as diferenças 
humanas construiremos um país diferente e melhor. 
Os Princípios Da Filosofia Da Educação Inclusiva 
A Educação Inclusiva no Brasil tem dado resultados impressionantes, de acordo com o MEC 
(Ministério da Educação), em 2008, estão em classes comuns 375.772 estudantes com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. A fundamentação 
filosófica da educação inclusiva é parte importante desses números. 
 
A filosofia da Educação Inclusiva tem seus princípios baseadas na Declaração Universal dos Direitos 
Humanos. De acordo com o MEC a diversidade se impõe como uma condição para o alcance da 
universalidade e da indivisibilidade dos Direitos Humanos. A fundamentação filosófica da educação 
inclusiva defende que as pessoas precisam ser tratadas da mesma forma, respeitando-se a limitação 
de cada uma. 
 
A ideia de uma sociedade inclusiva se fundamenta numa filosofia que reconhece e valoriza a 
diversidade, como característica inerente à constituição de qualquer sociedade. Partindo desse 
princípio e tendo como horizonte o cenário ético dos Direitos Humanos, sinaliza a necessidade de se 
garantir o acesso e a participação de todos, a todas as oportunidades, independentemente das 
peculiaridades de cada indivíduo e/ou grupo social. (MEC) 
 
Os princípios da filosofia da educação inclusiva são: 
 
• A construção da identidade pessoal, social e a igualdade na diversidade; 
 
• Construção da Cidadania 
 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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• Exercício da cidadania e promoção da paz 
 
• E atenção as pessoas com necessidades especiais. 
Marcos Legais Da Educação Infantil Inclusiva 
A educação infantil é um direito constitucional de todas as crianças que vivem no Brasil. A emenda nº 
59/2009 alterou os incisos I e VII do artigo 208 da Constituição Site externo, determinando a 
obrigatoriedade da educação básica dos 4 aos 17 anos de idade. Consequentemente, a matrícula 
tornou-se obrigatória a partir da pré-escola, sendo o acesso à creche um direito de todas as crianças 
de 0 a 3 anos, devendo o poder público ampliar sua oferta gradativamente. 
O artigo 7 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Site externo da Organização 
das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o compromisso com a adoção de medidas necessárias para 
assegurar às crianças com deficiência o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades 
fundamentais em igualdade de oportunidade com as demais. O documento internacional também 
resolveu a polêmica da coexistência entre um sistema segregado de educação, que se baseia na 
condição de deficiência, e um sistema comum, que reconhece e valoriza a diversidade humana 
presente na escola, ao explicitar que o direito das pessoas com deficiência à educação somente se 
efetiva em sistemas educacionais inclusivos, em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino. 
À luz desses preceitos legais, a resolução nº 5/2009 do Conselho Nacional de Educação (CNE) Site 
externo estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), adotando 
os pressupostos da educação inclusiva. Assim, as creches e pré-escolas passaram a se constituir em 
estabelecimentos educacionais, públicos ou privados, destinados à educação das crianças de 0 a 5 
anos de idade, por meio da implementação de proposta pedagógica elaborada e desenvolvida por 
professores habilitados, superando o modelo assistencialista e fragmentado, divorciado do sistema 
educacional. 
Mudanças Na Prática Pedagógica Da Educação Infantil 
Os novos marcos legais, políticos e pedagógicos da educação infantil, a mudança da concepção de 
deficiência, a consolidação do direito da pessoa com deficiência à educação e a redefinição da 
educação especial, em consonância com os preceitos da educação inclusiva, constituíram-se nos 
principais fatores que impulsionaram importantes transformações nas práticas pedagógicas. 
Considerando que a educação infantil é a porta de entrada da educação básica, seu desenvolvimento 
inclusivo tornou-a o alicerce dos sistemas de ensino para todas e todos. 
Conforme a resolução n° 04/2009 do CNE Site externo, as creches e pré-escolas passaram a prever 
o atendimento das especificidades educacionais das crianças com deficiência em seus Projeto 
Político-Pedagógicos (PPPs), planejando e desenvolvendo as atividades próprias da educação infantil 
de forma a favorecer a interação entre as crianças com e sem deficiência nos diferentes ambientes 
(berçário, solário, parquinho, sala de recreação, refeitório, entre outros), proporcionando a plena 
participação de todos. De acordo com a lei n° 13.005/2014 Site externo, a articulação entre as áreas 
da educação infantil e da educação especial é condição indispensável para assegurar o atendimento 
das especificidades das crianças com deficiência na creche e na pré-escola. 
Nesse contexto educativo, por intermédio das brincadeiras multissensoriais, as crianças são 
instigadas a redescobrirem o mundo, assim como, são introduzidas estratégias de desenvolvimento 
da comunicação. Na perspectiva inclusiva, valoriza-se tanto a comunicação oral, quanto a sinalizada 
e demais formas alternativas de expressão, levando as crianças a compartilharem meios 
diversificados de interação. 
A transformação dos sistemas educacionais em sistemas educacionais inclusivos inicia-se, portanto, 
pela garantia de pleno acesso às crianças com deficiência à educação infantil, com a efetivação das 
medidas necessárias à consecução da meta de inclusão plena. 
Marcos Históricos E Legais Da Educação Especial No Brasil 
No Brasil, o primeiro março da educaçãoespecial ocorreu no período imperial. Em 1854, Dom 
Pedro II, influenciado pelo ministro do Império Couto Ferraz, admirado com o trabalho do jovem 
cego José Álvares de Azevedo que educou com sucesso a filha do médico da família imperial, Dr. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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Sigaud, criou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Em 1891 a escola passou a se chamar 
Instituto Benjamin Constant - IBC. 
Em 1857, D. Pedro II também criou o Instituto Imperial dos Surdos-Mudos. A criação desta escola 
deve-se a Ernesto Hüet que veio da França para o Brasil com os planos de fundar uma escola para 
surdos-mudos. Em 1957 a escola passou a se chamar Instituto Nacional de Educação de Surdos – 
INES. Ainda no período imperial, em 1874, iniciou-se o tratamento de deficientes mentais no 
hospital psiquiátrico da Bahia (hoje hospital Juliano Moreira). 
Após a proclamação da República, a Deficiência Mental ganha destaque nas políticas públicas, 
mesmo porque acreditavam que esta deficiência pudesse implicar em problemas de saúde - uma 
vez que era vista como problema orgânico e a relacionavam com a criminalidade, além de temerem 
pelo fracasso escolar. Por volta de 1930 surgiram várias instituições para cuidar da deficiência 
mental, em número bem superior ao das instituições voltadas para as outras deficiências. 
O surgimento das primeiras entidades privadas marca mais um fator preponderante na história de 
nosso país: a filantropia e o assistencialismo. Estes dois fatores colocam as instituições privadas 
em destaque no decorrer da história da educação especial brasileira, uma vez que o número de 
atendimentos realizados por elas era muito superior ao realizado pelas públicas, e, por essa razão 
tinham certo poder no momento de discutir as políticas públicas junto a instancias governamentais. 
Pelo relato acima, podemos dividir a história do Brasil em dois momentos: 
No primeiro, durante o Brasil Império, as pessoas com deficiências mais acentuadas, 
impedidas de realizar trabalhos braçais (agricultura ou serviços de casa) eram segregadas 
em instituições públicas. As demais conviviam com suas famílias e não se destacavam muito, 
uma vez que a sociedade, por ser rural, não exigia um grau muito elevado de desenvolvimento 
cognitivo. 
No segundo momento, ao mesmo tempo em que surgia a necessidade de escolarização entre a 
população, a sociedade passa a conceber o deficiente como um indivíduo que, devido suas 
limitações, não podia conviver nos mesmos espaços sociais que os normais – deveria, 
portanto, estudar em locais separados e, só seriam aceitos na sociedade aqueles que 
conseguissem agir o mais próximo da normalidade possível, sendo capazes de exercer as 
mesmas funções. Marca este momento o desenvolvimento da psicologia voltada para a 
educação, o surgimento das instituições privadas e das classes especiais. (BATISTA, 2006) 
Lei 4.024/1961: Antiga Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacionalprevia o direito dos 
“excepcionais” à educação, preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. 
O Título X desta LDB previa que “a educação dos excepcionais, devia, no que for possível, 
enquadrar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na comunidade”. Dessa maneira, 
ficava claro que se pretendia integrar, na medida do possível, todos os alunos, com deficiências 
ou não, no processo educacional. Todavia, também no título X frisava-se que “toda iniciativa 
privada considerada eficiente pelos conselhos estaduais de educação, e relativa à educação de 
excepcionais, receberia dos poderes públicos tratamento especial mediante bolsas de estudos, 
empréstimos e subvenções”. 
Com isso, ao mesmo tempo em que se previa a integração de todos os alunos no sistema 
educacional geral (público), colocava-se também o incentivo às iniciativas privadas que visassem 
abarcar a educação de alunos com dificuldades. Isso tornou contraditórias as afirmações iniciais 
da LDB, de educação pública para o desenvolvimento de todos, colocando as premissas da 
educação inclusiva como distantes dos ideais desta Lei. 
Lei 5.692/1971: Alterou a LDBEN de 1961 e definiu “tratamento especial” para alunos com 
deficiências físicas e mentais que se encontram em atraso considerável quanto à idade regular de 
matrícula e os superdotados, não promove a organização de um sistema de ensino capaz de 
atender às necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos 
alunos para as classes e escolas especiais. 
Em 1973, o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP, responsável pela 
gerência da educação especial no Brasil, que, sob a égide integracionista, impulsionou ações 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação, mas ainda 
configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. 
Nesse período, não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação, 
permanecendo a concepção de “políticas especiais” para tratar da educação de alunos com 
deficiência. No que se refere aos alunos com superdotação, apesar do acesso ao ensino regular, 
não é organizado um atendimento especializado que considere as suas singularidades de 
aprendizagem. 
Constituição Federal de 1988: A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos 
fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e 
quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como 
um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a 
qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de 
acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante como dever do 
Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de 
ensino (art. 208). 
Lei 7.853-1989: Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, 
sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - Corde, 
institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação 
do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências. 
Seu texto prevê a oferta obrigatória e gratuita de educação especial na rede pública de 
ensino, o oferecimento obrigatório de programas de Educação Especial a nível pré-escolar, 
em unidades hospitalares e congêneres nas quais estejam internados, por prazo igual ou 
superior a 1 (um) ano algum educando portador de deficiência, a matrícula compulsória em 
cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de 
deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino e define como crime 
punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa: recusar, suspender, procrastinar, 
cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de 
ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência 
que porta. 
No momento em que o legislador prevê a matrícula compulsória para aqueles portadores de 
deficiência “capazes de se integrar no sistema de ensino regular”, ele indiretamente seleciona o 
público deficiente que terá acesso à escola, pois não há na legislação uma orientação sobre quem 
pode definir tal capacidade. Esta atitude deixa uma lacuna na norma imposta e permite que as 
próprias unidades de ensino definam através de padrões e laudos que determinados deficientes 
não são capazes de se integrar ao ambiente escolar. 
Declaração de Jomtien 1990: Determina o fim de preconceitos e estereótipos de qualquer 
natureza na educação. 
Nesta Declaração, os países relembram que "a educação é um direito fundamental de todos, 
mulheres e homens, de todas as idades, no mundo inteiro". Declararam, também, entender que a 
educação é de fundamental importância para o desenvolvimentodas pessoas e das sociedades, 
sendo um elemento que "pode contribuir para conquistar um mundo mais seguro, mais sadio, mais 
próspero e ambientalmente mais puro, e que, ao mesmo tempo, favoreça o progresso social, 
econômico e cultural, a tolerância e a cooperação internacional". 
Tendo isso em vista, ao assinar a Declaração de Jomtien, o Brasil assumiu, perante a 
comunidade internacional, o compromisso de erradicar o analfabetismo e universalizar o 
ensino fundamental no país. Para cumprir com este compromisso, o Brasil tem criado 
instrumentos norteadores para a ação educacional e documentos legais para apoiar a construção 
de sistemas educacionais inclusivos, nas diferentes esferas públicas : municipal, estadual e 
federal. 
Em 1994, é publicada a Política Nacional de Educação Especial, orientando o processo de 
“integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles 
que “(...) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas 
do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (p.19). Ao reafirmar os 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem, a 
Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam 
valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum, mas mantendo a 
responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial. 
Lei 8859/94: Modifica dispositivos da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977 (Lei de Estágio, 
revogada pela Lei 11.788/2008), estendendo aos alunos de ensino especial o direito à participação 
em atividades de estágio. 
Art. 1º - As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as 
Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em 
cursos vinculados ao ensino público e particular. 
§ 1º - Os alunos a que se refere o "caput" deste artigo devem, comprovadamente, estar 
frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação 
especial. 
1994 – Declaração de Salamanca: Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das 
Necessidades Educativas Especiais. 
A inclusão de crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do 
sistema regular de ensino é a questão central, sobre a qual a Declaração de Salamanca discorre. 
Na introdução, a Declaração aborda os Direitos Humanos e a Declaração Mundial sobre a 
Educação para Todos e aponta os princípios de uma educação especial e de uma pedagogia 
centrada na criança. Em seguida apresenta propostas, direções e recomendações da Estrutura de 
Ação em Educação Especial, um novo pensar em educação especial, com orientações para ações 
em nível nacional e em níveis regionais e internacionais. 
Pode-se dizer que o conjunto de recomendações e propostas da Declaração de Salamanca, é 
guiado pelos seguintes princípios: 
- Independente das diferenças individuais, a educação é direito de todos; 
- Toda criança que possui dificuldade de aprendizagem pode ser considerada com 
necessidades educativas especiais; 
- A escola deve adaptar–se às especificidades dos alunos, e não os alunos as 
especificidades da escola; 
- O ensino deve ser diversificado e realizado num espaço comum a todas as crianças. 
A Declaração de Salamanca ampliou o conceito de necessidades educacionais especiais, 
incluindo todas as crianças que não estejam conseguindo se beneficiar com a escola, seja por que 
motivo for. Assim, a ideia de "necessidades educacionais especiais" passou a incluir, além das 
crianças portadoras de deficiências, aquelas que estejam experimentando dificuldades temporárias 
ou permanentes na escola, as que estejam repetindo continuamente os anos escolares, as que 
sejam forçadas a trabalhar, as que vivem nas ruas, as que moram distantes de quaisquer escolas, 
as que vivem em condições de extrema pobreza ou que sejam desnutridas, as que sejam ví timas 
de guerra ou conflitos armados, as que sofrem de abusos contínuos físicos, emocionais e sexuais, 
ou as que simplesmente estão fora da escola, por qualquer motivo que seja. 
Segundo o documento, “o princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças 
deveriam aprender juntas, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam 
ter. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, 
acomodando tanto estilos como ritmos diferentes de aprendizagem e assegurando uma educação 
de qualidade a todos através de currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de 
ensino, uso de recursos e parceiras com a comunidade (...) Dentro das escolas inclusivas, as 
crianças com necessidades educacionais especiais deveriam receber qualquer apoio extra que 
possam precisar, para que se lhes assegure uma educação efetiva (...)” (MENEZES, SANTOS 
2002). 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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Portaria MEC 1793/94: Recomenda a inclusão da disciplina Aspectos Ético - Político - 
Educacionais na normalização e integração da pessoa portadora de necessidades especiais, 
prioritariamente, nos cursos de Pedagogia, Psicologia e em todas as Licenciaturas. 
Lei 9.394/1996: Atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e 
organização específicos para atender às suas necessidades; assegura a terminalidade específica 
àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de 
suas deficiências; e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do 
programa escolar. Também define, dentre as normas para a organização da educação básica, a 
“possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 24, 
inciso V) e “[...] oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do 
alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” (art. 37). 
Incorporou os princípios da Declaração de Salamanca e a partir dela verifica-se toda uma alteração 
na legislação brasileira onde, nota-se a intenção de tornarem-se possíveis, as mudanças sociais 
necessárias para a construção de uma escola inclusiva. Pela primeira vez foi destinado um capítulo 
para tratar da educação especial (Capítulo V da LDB), prevendo a oferta de educação 
“preferencialmente” na rede regular para os alunos deficientes, a oferta de serviço de apoio 
especializado na escola regular para atender às peculiaridades da clientela, o início da oferta de 
educação na educação infantil e restringe o atendimento em classes e/ou escolas especializadas 
aos alunos cuja deficiência não permitir sua integração na rede regular. 
A partir deste documento a rede regular começou a matricular os deficientes nas classes comuns e 
iniciou-se uma série de discussões sobre o assunto. Alguns defendem a proposta, pois 
reconhecem que a convivência entre “normais” e “deficientes” será benéfica para ambos, uma vez 
que a integração permitirá aos ”normais” aprender a conviver com as diferenças e aos “deficientes” 
será oferecida maior oportunidade de desenvolvimento devido ao estímulo e modelo oferecido 
pelos alunos “normais”. Outros se posicionam contra, pois veem que a escola regular não possui 
nenhum recurso (físico ou humano) para atender uma clientela tão diversa. Afirmam que o governo 
institui as leis, mas não oferece condições para que sejam devidamente implantadas. 
Decreto nº 3.298/1999: regulamenta a Lei nº 7.853/89, ao dispor sobre a Política Nacional para a 
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. 
No que se refere especificamente à educação, o Decreto estabelece a matrícula compulsória de 
pessoas com deficiência, em cursos regulares, a consideração da educação especial como 
modalidade de educação escolar que permeia transversalmentetodos os níveis e modalidades de 
ensino, a oferta obrigatória e gratuita da educação especial em estabelecimentos públicos de 
ensino, dentre outras medidas (Art. 24, I, II, IV). Reafirma a educação especial como modalidade de 
ensino que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas portadoras de 
necessidades especiais. 
Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão – 2001: Com forte apelo de Direitos 
inerentes à pessoa humana, estabelece que o acesso igualitário a todos os espaços da vida é um 
pré-requisito para os direitos humanos universais e liberdades fundamentais das pessoas. 
Considera que o esforço rumo a uma sociedade inclusiva para todos é a essência do 
desenvolvimento social sustentável. Sob a liderança das Nações Unidas, reconheceu a 
necessidade de garantias adicionais de acesso para certos grupos, e as declarações 
intergovernamentais fizeram coro para unificar, em parceria, governos, trabalhadores e sociedade 
civil a fim de desenvolverem políticas e práticas inclusivas. 
Decreto 3.956/2001:Promulga a Convenção Interamericana da Guatemala para a Eliminação de 
Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. 
A partir da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 
contra as Pessoas Portadores de Deficiência, os Estados Partes reafirmaram que "as pessoas 
portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras 
pessoas e que estes direitos, inclusive o de não ser submetido à discriminação com base na 
deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano”. Define 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
como discriminação com base na deficiência, toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou 
anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. De uma forma geral a 
Convenção trata do combate à discriminação contra pessoas com deficiência, apresentando 
objetivos que tentam promover a igualdade entre portadores de deficiência e demais pessoas, mas 
também sugere que os Estados Partes trabalhem na prevenção de todas as formas de deficiência 
passíveis de se prevenir. 
Entre as ações compromissadas pelo Brasil no ato da assinatura, tem destaque o trabalho 
“prioritário” nas seguintes áreas: 
- prevenção de todas as formas de deficiência; 
- detecção e intervenção precoce, tratamento, reabilitação, educação, formação ocupacional e 
prestação de serviços completos para garantir o melhor nível de independência e qualidade de vida 
para as pessoas portadoras de deficiência; 
- sensibilização da população, por meio de campanhas de educação, destinadas a eliminar 
preconceitos, estereótipos e outras atitudes que atentam contra o direito das pessoas a serem 
iguais, permitindo desta forma o respeito e a convivência com as pessoas portadoras de 
deficiência. 
Resolução CNE/CEB 02/2001: Acompanhando o processo de mudança, as Diretrizes Nacionais 
para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001, nos artigo 2º e 3º, 
determinam que: 
“Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se 
para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as 
condições necessárias para uma educação de qualidade para todos (MEC/SEESP, 2001)”. 
“Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo 
educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços 
educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, 
suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a 
garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos 
que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da 
educação básica”. 
As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional 
especializado complementar ou suplementar à escolarização, porém, ao admitir a 
possibilidade de substituir o ensino regular, não potencializam a adoção de uma polít ica de 
educação inclusiva na rede pública de ensino, prevista no seu artigo 2º. 
Plano Nacional de Educação – PNE, Lei nº 10.172/2001: destaca que “o grande avanço que a 
década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o 
atendimento à diversidade humana”. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de 
ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, aponta um 
déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino 
regular, à formação docente, à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. 
Entre os objetivos e metas para a educação das pessoas com necessidades educacionais 
especiais estabelecidos no PNE, destacam-se os que tratam: 
• do desenvolvimento de programas educacionais em todos os municípios, e em parceria com as 
áreas de saúde e assistência social, visando à ampliação da oferta de atendimento da educação 
infantil; 
• dos padrões mínimos de infraestrutura das escolas para atendimento de alunos com 
necessidades educacionais especiais; 
• da formação inicial e continuada dos professores para atendimento às necessidades dos alunos; 
 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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• da disponibilização de recursos didáticos especializados de apoio à aprendizagem nas áreas 
visual e auditiva; 
• da articulação das ações de educação especial com a política de educação para o trabalho; 
• do incentivo à realização de estudos e pesquisas nas diversas áreas relacionadas com as 
necessidades educacionais dos alunos; 
• do sistema de informações sobre a população a ser atendida pela educação especial. 
Lei 10.436/2002: Reconhece LÍBRAS (língua brasileira de sinais), como língua oficial no País 
juntamente com o Português. 
Resolução CNE/CP 01/2002: Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de 
Professores da Educação Básica, define que as instituições de ensino superior devem prever, em 
sua organização curricular, formação docente voltada para a atenção à diversidade e contemple 
conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidade educacionais especiais. 
Portaria MEC 2.678/2002: Aprova diretrizes e normas para o uso, o ensino, a produção e a difusão 
do Sistema Braille em todas as modalidades de ensino, compreendendo o projeto da Grafia Braille 
para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo território nacional. 
Lei 10.845/2004: Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional 
Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência (PAED), com objetivos principais de garantir 
a universalização do atendimento especializado de educandos portadores de deficiência, 
cuja situação não permita a integração em classes comuns de ensino regular e garantir, 
progressivamente, a inserção dos educandos portadores de deficiência nas classes comuns 
de ensino regular. A complementação é realizada através da transferência de recursos financeiros 
pelo Governo Federal diretamente à unidade executora constituída na forma de entidade privada 
sem fins lucrativos, que preste serviços gratuitos na modalidade de educação especial. 
Decreto 5.626/2005: Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a 
Língua Brasileira de Sinais - Líbras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. 
Define que a formação de docentes para o ensino de Líbras nas séries finais do ensino 
fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em 
curso de graduação de licenciatura plena em Letras: Líbras ou em Letras: Líbras/Língua 
Portuguesa como segunda língua. 
Decreto 6.094/2007: Em 2007 foi lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, 
reafirmado pela Agenda Social, tendo como eixos a formaçãode professores para a educação 
especial, a implantação de salas de recursos multifuncionais, a acessibi lidade arquitetônica dos 
prédios escolares, acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o 
monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Benefício de Prestação Continuada – 
BPC. 
No documento do MEC, Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas é 
reafirmada a visão que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. 
Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes 
níveis, etapas e modalidades de ensino, a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e 
do atendimento às necessidades educacionais especiais, limitando, o cumprimento do princípio 
constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a 
continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007, p. 09). 
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD): Aprovada pela ONU em 
2006 e da qual o Brasil é signatário, estabelece que os Estados Partes devem assegurar um 
sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o 
desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão, 
adotando medidas para garantir que: 
 
a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e 
compulsório, sob alegação de deficiência; 
b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo, de qualidade e 
gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem. 
Considerando que a previsão de terminalidade específica da Lei de Diretrizes e Bases, se baseia 
exatamente nas limitações do aluno deficiente para justificar a impossibilidade de continuidade no 
Ensino Fundamental, há um choque com o estabelecido na CDPD. 
Decreto Legislativo 186/2008: Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, nos termos do § 3º do artigo 5º da Constituição Federal, 
assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007. 
Em parágrafo único do artigo 1º, estabelece que ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional 
quaisquer atos que alterem a referida Convenção e seu Protocolo Facultativo, bem como quaisquer 
outros ajustes complementares que, nos termos do inciso I do caput do art. 49 da Constituição 
Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. 
Decreto 6.949/2009: Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. 
Resolução CNE/CEB 04/2009: Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional 
Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. 
Apresenta o AEE – Atendimento Educacional Especializado como um “serviço” da Educação 
Especial assegurado na legislação brasileira através da Constituição de 1988. 
Diante da análise recorrente aos documentos Política Nacional de Educação Especial na 
Perspectiva da Educação Inclusiva e da Resolução CNE/CEB n. 04/2009, podemos perceber que 
ambos condizem em relação às ideias referentes ao AEE. Os referidos documentos concebem o 
AEE como uma modalidade da Educação Especial que identifica, elabora e organiza recursos 
pedagógicos e de acessibilidade, com o intuito de eliminar as barreiras que se interpõem à plena 
participação, no desenvolvimento e na aprendizagem dos alunos com deficiência ou mobilidade 
reduzida, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. 
 
Os textos dos citados documentos fazem referência ao Atendimento Educacional Especializado 
como um serviço que perpassa todos os níveis e etapas, assim como todas as modalidades da 
educação básica e superior, ocorrendo, preferencialmente, nas salas de recursos multifuncionais 
da própria escola na qual o aluno encontra-se matriculado ou outra escola do ensino regular, 
podendo ser realizado, também, em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede 
pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos... (art. 5º 
CNE/CEB nº 04). 
Foi a partir do artigo 1º desta Resolução que brotaram as primeiras divergências ideológicas acerca 
da Educação Especial, pois a determinação é de que os sistemas de ensino devem matricular os 
alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação 
nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado 
(AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional 
Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem 
fins lucrativos. 
Decreto 7611/2011: Publicado em 18 de novembro de 2011, dispõe sobre a educação especial, o 
atendimento educacional especializado e dá outras providências. Revogou na íntegra o 
Decreto 6571/2008 e causou controvérsias na interpretação de seus artigos por “supostamente” 
recuar em políticas que já vinham se solidificando na garantia do direito de alunos com deficiência. 
Um dos artigos controversos é o 1º e seu inciso III, cuja transcrição prevê: 
Art. 1o O dever do Estado com a educação das pessoas público-alvo da educação especial será 
efetivado de acordo com as seguintes diretrizes: 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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... 
III - não exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência; 
Previsão esta que destoa da Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacional(9.394/96), que em 
seu artigo 59, inciso II, determina a terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir 
o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências. 
A polêmica continua quando se trata de repasse de verbas, pois o Decreto 6571/08 também 
garantia a dupla matrícula no âmbito do FUNDEB desses alunos matriculados no AEE no período 
oposto ao da escolarização. Ou seja, além de o aluno estar na sala regular, garantia a oferta do 
AEE no turno oposto em Salas de Recursos Multifuncionais na própria escola ou em outra escola 
da rede de ensino, em centro de atendimento educacional especializado ou por instituições 
filantrópicas. 
Militantes da causa da educação especial, professores e profissionais apontam um retrocesso no 
artigo 14 do Decreto 7611/2011 e seu parágrafo 1º, cuja transcrição prevê: 
Art. 14. Admitir-se-á, para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cômputo das 
matrículas efetivadas na educação especial oferecida por instituições comunitárias, confessionais 
ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com 
o Poder Executivo competente. 
§ 1o Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas na rede regular de ensino, em 
classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou 
especializadas. 
“O conflito está no termo “educação especial”, onde deveria ler-se “atendimento educacional 
especializado”, visto que as instituições filantrópicas não possuem autorização para escolarizar 
como a escola regular”. 
Segundo a interpretação de alguns, este artigo do novo decreto permite que escolas especiais 
ofertem a Educação, ou seja, que espaços considerados segregados de escolarização sejam 
regulamentados por lei. 
Decreto 7612/2011: Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano Viver 
sem Limite. 
Possui a finalidade de promover, por meio da integração e articulação de políticas, programas e 
ações, o exercício pleno e equitativo dos direitos das pessoas com deficiência, nos termos da 
Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu ProtocoloFacultativo, aprovados por meio do Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008, 
com status de emenda constitucional, e promulgados pelo Decreto 6.949/2009 
Possui como um de seus eixos principais o acesso à educação, e prevê a garantia de que os 
equipamentos públicos de educação sejam acessíveis para as pessoas com deficiência, inclusive 
por meio de transporte adequado. 
Meta 4 do Novo Plano Nacional de Educação: O Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020) 
documento que servirá como diretriz para todas as políticas educacionais do País para a próxima 
década, é composto por 12 artigos e um anexo com 20 metas para a Educação, e tem como foco a 
valorização do magistério e a qualidade da Educação. 
Sua formulação foi realizada através de um documento base elaborado pelo Ministério da 
Educação e adequado exaustivamente por representantes da educação de todo o país, através da 
realização de Conferências Municipais e Estaduais de Educação. Após esse processo, a 
Conferência Nacional de Educação (CONAE), ocorrida em 2010, finalizou o documento que seria 
enviado à Câmara dos Deputados para aprovação e demais trâmites legais. 
A meta 4 do PNE, que trata da educação de pessoas público-alvo da Educação Especial, em seu 
texto original, tal qual apresentado pelo Ministério da Educação, foi fruto de deliberações de 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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centenas de delegados na Conferência Nacional de Educação, baseado na Constituição Federal e 
na Convenção sobre os direitos das Pessoas com Deficiência. 
O texto original proposto pelos delegados da CONAE apresentava a seguinte redação: 
“Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes 
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na 
rede regular de ensino”. 
Após inúmeras intervenções, que não consideraram a construção coletiva como havia sido feito 
anteriormente, em 29 de maio de 2012 o Deputado Angelo Vanhoni apresenta nova redação, que 
vem sendo acusada de ser anticonstitucional uma vez que contraria a Convenção sobre os Direitos 
das Pessoas com Deficiência, que tem status de emenda constitucional no Brasil, veja: 
“Meta 4: Universalizar, para a população de quatro a dezessete anos, o atendimento escolar aos 
alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação, preferencialmente, na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional 
especializado em classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, sempre 
que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível sua integração nas classes 
comuns.” 
Para os defensores da inclusão plena em escolas regulares da rede pública de ensino, tal redação 
legitima a exclusão da população com deficiência do sistema comum de ensino, permite a triagem 
de alunos para o ingresso na escola e traz de volta a segregação em escolas e classes especiais. 
Permite que se determine se uma criança ou um jovem deve ou não estar numa escola comum, 
ação essa que pelo histórico legislativo do país, não foi nenhuma inovação, visto que ao longo dos 
anos as regulamentações sempre oscilaram entre a escola regular e as instituições especializadas, 
havendo movimento pró escola regular num lapso temporal de aproximadamente quatro anos até 
os dias de hoje. 
Considerações Finais: 
A escola comum se caracteriza como inclusiva quando reconhece e valoriza as diferenças de 
características de seu alunado e quando luta contra práticas discriminatórias, segregacionistas e 
contra processos sociais excludentes, garantindo a todos o direito de aprender a aprender. 
 
A escola na perspectiva inclusiva, não o é somente pela presença física de sujeitos deficientes, 
muito menos por assegurar a matricula e a presença de educandos especiais em seu âmbito. Esse 
acesso deverá ser acompanhado de qualidade, permanência com êxito, mudança comportamental 
da comunidade escolar e o reconhecimento do aluno deficiente como sujeito de direito igual a 
todos, capaz de traçar sua própria trajetória, caso contrário será a exclusão dentro da inclusão. 
As escolas de educação regular, pública e privada, devem assegurar as condições necessárias 
para o pleno acesso, participação e aprendizagem dos estudantes com deficiência e transtornos 
globais do desenvolvimento, em todas as atividades desenvolvidas no contexto escolar, para que 
haja contexto e justificativa da presença do aluno naquele ambiente, para não nos pautarmos em 
práticas que apenas permitem ao deficiente estar na escola, em qualquer ambiente, fazendo 
qualquer coisa, menos as atividades inerentes às unidades escolares, ou seja, sem efetivamente 
integrar-se à escola. 
Dentre os serviços da educação especial que os sistemas de ensino devem prover estão os 
profissionais de apoio, tais como aqueles necessários para promoção da acessibilidade e para 
atendimento a necessidades específicas dos estudantes no âmbito da acessibilidade às 
comunicações e da atenção aos cuidados pessoais de alimentação, higiene e locomoção. 
Na organização e oferta desses serviços devem ser considerados os seguintes aspectos: 
• As atividades de profissional tradutor e intérprete de Líbras e de guia-intérprete para alunos surdo 
cegos seguem regulamentação própria, devendo ser orientada sua atuação na escola pela 
educação especial, em articulação com o ensino comum. 
• Os profissionais de apoio às atividades de locomoção, higiene, alimentação, prestam auxílio 
individualizado aos estudantes que não realizam essas atividades com independência. Esse apoio 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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ocorre conforme as especificidades apresentadas pelo estudante, relacionadas à sua condição de 
funcionalidade e não à condição de deficiência. 
• A demanda de um profissional de apoio se justifica quando a necessidade específica do 
estudante público alvo da educação especial não for atendida no contexto geral dos cuidados 
disponibilizados aos demais estudantes. 
• Em caso de educando que requer um profissional “acompanhante” em razão de histórico 
segregado, cabe à escola favorecer o desenvolvimento dos processos pessoais e sociais para a 
autonomia, avaliando juntamente com a família a possibilidade gradativa de retirar esse 
profissional. 
• Não é atribuição do profissional de apoio desenvolver atividades educacionais diferenciadas, ao 
aluno público alvo da educação especial, e nem responsabilizar-se pelo ensino deste aluno. 
• O profissional de apoio deve atuar de forma articulada com os professores do aluno público alvo 
da educação especial, da sala de aula comum, da sala de recursos multifuncionais, entre outros 
profissionais no contexto da escola. 
• Os demais profissionais de apoio que atuam no âmbito geral da escola, como auxiliar na 
educação infantil, nas atividades de pátio, na segurança, na alimentação, entre outras atividades, 
devem ser orientados quanto à observação para colaborar com relação no atendimento às 
necessidades educacionais específicas dos estudantes. 
A educação inclusiva requer uma redefinição conceitual e organizacional das políticas educacionais 
e culturais. Nesta perspectiva, o financiamento dos serviços de apoio aos alunos público alvo da 
educação especial deve integrar os custos gerais com o desenvolvimento do ensino, sendo 
disponibilizados em qualquer nível, etapa ou modalidade de ensino, no âmbito da educação pública 
ou privada. 
Ressalta-se que os estabelecimentos de ensino deverão ofertar os recursos específicos 
necessários para garantir a igualdade de condições no processo educacional, cabendo-lhes a 
responsabilidade pelo provimento dos profissionais de apoio. Portanto esta obrigação não deverá 
ser transferida às famílias dos estudantes público alvo da educação especial, por meio da cobrança 
de taxas ou qualquer outra forma de repasse desta atribuição, e ao Ministério Público caberá a 
definição de entendimentos positivadospela interpretação das normas em vigor, no sentido de 
promover a garantia dos direitos de crianças e adolescentes em circunstâncias que não firam sua 
dignidade humana. 
Os Desafios Da Educação Inclusiva: Foco Nas Redes De Apoio 
Para fazer a inclusão de verdade e garantir a aprendizagem de todos os alunos na escola regular é 
preciso fortalecer a formação dos professores e criar uma boa rede de apoio entre alunos, docentes, 
gestores escolares, famílias e profissionais de saúde que atendem as crianças com Necessidades 
Educacionais Especiais 
O esforço pela inclusão social e escolar de pessoas com necessidades especiais no Brasil é a 
resposta para uma situação que perpetuava a segregação dessas pessoas e cerceava o seu pleno 
desenvolvimento. Até o início do século 21, o sistema educacional brasileiro abrigava dois tipos de 
serviços: a escola regular e a escola especial - ou o aluno frequentava uma, ou a outra. Na última 
década, nosso sistema escolar modificou-se com a proposta inclusiva e um único tipo de escola foi 
adotado: a regular, que acolhe todos os alunos, apresenta meios e recursos adequados e oferece 
apoio àqueles que encontram barreiras para a aprendizagem. 
A Educação inclusiva compreende a Educação especial dentro da escola regular e transforma a 
escola em um espaço para todos. Ela favorece a diversidade na medida em que considera que todos 
os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar. 
Há, entretanto, necessidades que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e 
que exigem uma atitude educativa específica da escola como, por exemplo, a utilização de recursos e 
apoio especializados para garantir a aprendizagem de todos os alunos. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
17 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
A Educação é um direito de todos e deve ser orientada no sentido do pleno desenvolvimento e do 
fortalecimento da personalidade. O respeito aos direitos e liberdades humanas, primeiro passo para a 
construção da cidadania, deve ser incentivado. 
Educação inclusiva, portanto, significa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. A 
opção por este tipo de Educação não significa negar as dificuldades dos estudantes. Pelo contrário. 
Com a inclusão, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade. É essa 
variedade, a partir da realidade social, que pode ampliar a visão de mundo e desenvolver 
oportunidades de convivência a todas as crianças. 
Preservar a diversidade apresentada na escola, encontrada na realidade social, representa 
oportunidade para o atendimento das necessidades educacionais com ênfase nas competências, 
capacidades e potencialidades do educando. 
Ao refletir sobre a abrangência do sentido e do significado do processo de Educação 
inclusiva, estamos considerando a diversidade de aprendizes e seu direito à equidade. Trata-
se de equiparar oportunidades, garantindo-se a todos - inclusive às pessoas em situação de 
deficiência e aos de altas habilidades/superdotados, o direito de aprender a aprender, 
aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. (CARVALHO, 2005). 
O Que O Plano Nacional De Educação Diz Sobre A Educação Inclusiva 
Isac Oliveira Souza aprendendo ler na lousa braile, na sala de recursos da EE Dom Jayme de Barros. 
No Brasil, a regulamentação mais recente que norteia a organização do sistema educacional é 
o Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020). Esse documento, entre outras metas e propostas 
inclusivas, estabelece a nova função da Educação especial como modalidade de ensino que 
perpassa todos os segmentos da escolarização (da Educação Infantil ao ensino superior); realiza o 
atendimento educacional especializado (AEE); disponibiliza os serviços e recursos próprios do 
AEE e orienta os alunos e seus professores quanto à sua utilização nas turmas comuns do ensino 
regular. 
O PNE considera público alvo da Educação especial na perspectiva da Educação inclusiva, 
educandos com deficiência (intelectual, física, auditiva, visual e múltipla), transtorno global do 
desenvolvimento (TGD) e altas habilidades. 
Se o aluno apresentar necessidade específica, decorrente de suas características ou condições, 
poderá requerer, além dos princípios comuns da Educação na diversidade, recursos diferenciados 
identificados como necessidades educacionais especiais (NEE). O estudante poderá beneficiar-se 
dos apoios de caráter especializado, como o ensino de linguagens e códigos específicos de 
comunicação e sinalização, no caso da deficiência visual e auditiva; mediação para o 
desenvolvimento de estratégias de pensamento, no caso da deficiência intelectual; adaptações do 
material e do ambiente físico, no caso da deficiência física; estratégias diferenciadas para 
adaptação e regulação do comportamento, no caso do transtorno global; ampliação dos recursos 
educacionais e/ou aceleração de conteúdos para altas habilidades. 
A Educação inclusiva tem sido um caminho importante para abranger a diversidade mediante a 
construção de uma escola que ofereça uma proposta ao grupo (como um todo) ao mesmo tempo em 
que atenda às necessidades de cada um, principalmente àqueles que correm risco de exclusão em 
termos de aprendizagem e participação na sala de aula. 
Além de ser um direito, a Educação inclusiva é uma resposta inteligente às demandas do 
mundo contemporâneo. Incentiva uma pedagogia não homogeneizadora e desenvolve 
competências interpessoais. A sala de aula deveria espelhar a diversidade humana, não 
escondê-la. Claro que isso gera novas tensões e conflitos, mas também estimula as 
habilidades morais para a convivência democrática. O resultado final, desfocado pela miopia 
de alguns, é uma Educação melhor para todos. (MENDES, 2012). 
O Que Significa Ter Um Projeto Pedagógico Inclusivo? 
Marilda Dutra, professora de Geografia, e Marcia Maisa Leite Buss, intérprete de libras, da EE Nossa 
Senhora da Conceição, e seus alunos. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
18 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
As barreiras que podem impedir o acesso de alguns alunos ao ensino e à convivência estão 
relacionadas a diversos componentes e dimensões da escolarização. Ocorrem, também, 
impedimentos na ação dos educadores. Vejamos os principais pontos revelados na experiência com 
educadores no exercício da Educação inclusiva, para todos. 
Educadores reconhecem, cada vez mais, a diversidade humana e as diferenças individuais que 
compõem seu grupo de alunos e se deparam com a urgência de transformar o sistema educacional e 
garantir um ensino de qualidade para todos os estudantes. Não basta que a escola receba a 
matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais, é preciso que ofereça condições para 
a operacionalização desse projeto pedagógico inclusivo. A inclusão deve garantir a todas as 
crianças e jovens o acesso à aprendizagem por meio de todas as possibilidades de desenvolvimento 
que a escolarização oferece. 
As mudanças são imprescindíveis, dentre elas a reestruturação física, com a eliminação das barreiras 
arquitetônicas; a introdução de recursos e de tecnologias assistivas; a oferta de profissionais do 
ensino especial, ainda em número insuficiente. Além da compreensão e incorporação desses 
serviços na escola regular são necessárias alternativas relativas à organização, ao planejamento e à 
avaliação do ensino. 
Outro ponto importante refere-se à formação dos professores para a inclusão. A transformação de 
paradigma na Educação exige professores preparados para a nova prática, de modo que possam 
atender também às necessidades do ensino inclusivo. O saber está sendo construído à medida que 
as experiências vão acumulando-se e as práticas anteriores vão sendo transformadas. Por isso, a 
formação continuada tem um papel fundamental na prática profissional. 
A inclusão de pessoas com necessidades especiais faz parte do paradigma de uma sociedade 
democrática, comprometida com o respeito aos cidadãos e à cidadania. Esse paradigma, na escola, 
apresenta-se no projeto pedagógicoque norteará sua ação, explicitará sua política educacional, seu 
compromisso com a formação dos alunos, assim como, com ações que favoreçam a inclusão social. 
É o projeto pedagógico que orienta as atividades escolares revelando a concepção da escola e as 
intenções da equipe de educadores. Com base no projeto pedagógico a escola organiza seu trabalho; 
garante apoio administrativo, técnico e científico às necessidades da Educação inclusiva; planeja 
suas ações; possibilita a existência de propostas curriculares diversificadas e abertas; flexibiliza seu 
funcionamento; atende à diversidade do alunado; estabelece redes de apoio, que proporcionam a 
ação de profissionais especializados, para favorecer o processo educacional. 
É na sala de aula que acontece a concretização do projeto pedagógico - elaborado nos diversos 
níveis do sistema educacional. Vários fatores podem influenciar a dinâmica da sala de aula e a 
eficácia do processo de ensino e aprendizagem. Planejamentos que contemplem regulações 
organizativas diversas, com possibilidades de adequações ou flexibilizações têm sido uma das 
alternativas mais discutidas como opção para o rompimento com estratégias e práticas limitadas e 
limitantes. 
Flexibilização E Adaptação Curricular Em Favor Da Aprendizagem 
Para estruturar as flexibilizações na escola inclusiva é preciso que se reflita sobre os possíveis 
ajustes relativos à organização didática. Qualquer adaptação não poderá constituir um plano paralelo, 
segregado ou excludente. As flexibilizações e/ou adequações da prática pedagógica deverão estar a 
serviço de uma única premissa: diferenciar os meios para igualar os direitos, principalmente o direito 
à participação, ao convívio. 
O desafio, agora, é avançar para uma maior valorização da diversidade sem ignorar o comum 
entre os seres humanos. Destacar muito o que nos diferencia pode conduzir à intolerância, à 
exclusão ou a posturas fundamentalistas que limitem o desenvolvimento das pessoas e das 
sociedades, ou, que justifiquem, por exemplo, a elaboração de currículos paralelos para as 
diferentes culturas, ou para pessoas com necessidades educacionais especiais. (BLANCO, 
2009). 
Além disso, para que o projeto inclusivo seja colocado em ação, há necessidade de uma atitude 
positiva e disponibilidade do professor para que ele possa criar uma atmosfera acolhedora na classe. 
A sala de aula afirma ou nega o sucesso ou a eficácia da inclusão escolar, mas isso não quer dizer 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
19 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
que a responsabilidade seja só do professor. O professor não pode estar sozinho, deverá ter 
uma rede de apoio, na escola e fora dela, para viabilizar o processo inclusivo. 
Para crianças com necessidades educacionais especiais uma rede contínua de apoio deveria 
ser providenciada, com variação desde a ajuda mínima na classe regular até programas 
adicionais de apoio à aprendizagem dentro da escola e expandindo, conforme necessário, à 
provisão de assistência dada por professores especializados e pessoal de apoio externo. 
(Declaração de Salamanca, 1994). 
Como Formar Redes De Apoio À Educação Inclusiva 
Matheus Santana da Silva, aluno autista, com seu pai na biblioteca da escola. 
Os sistemas de apoio começam na própria escola, na equipe e na gestão escolar. O aluno com 
necessidades especiais não é visto como responsabilidade unicamente do professor, mas de todos 
os participantes do processo educacional. A direção e a coordenação pedagógica devem organizar 
momentos para que os professores possam manifestar suas dúvidas e angústias. Ao legitimar as 
necessidades dos docentes, a equipe gestora pode organizar espaços para o acompanhamento dos 
alunos; compartilhar entre a equipe os relatos das condições de aprendizagens, das situações da 
sala de aula e discutir estratégias ou possibilidades para o enfrentamento dos desafios. Essas ações 
produzem assuntos para estudo e pesquisa que colaboram para a formação continuada dos 
educadores. 
A família compõe a rede de apoio como a instituição primeira e significativamente importante para a 
escolarização dos alunos. É a fonte de informações para o professor sobre as necessidades 
específicas da criança. É essencial que se estabeleça uma relação de confiança e cooperação entre 
a escola e a família, pois esse vínculo favorecerá o desenvolvimento da criança. 
Profissionais da área de saúde que trabalham com o aluno, como fisioterapeutas, psicopedagogos, 
psicólogos, fonoaudiólogos ou médicos, também compõem a rede. Esses profissionais poderão 
esclarecer as necessidades de crianças e jovens e sugerir, ao professor, alternativas para o 
atendimento dessas necessidades. 
Na perspectiva da Educação inclusiva, os apoios centrais reúnem os serviços da Educação especial 
e o Atendimento Educacional Especializado (AEE). São esses os novos recursos que precisam 
ser incorporados à escola. O aluno tem direito de frequentar o AEE no período oposto às aulas. O 
sistema público tem organizado salas multifuncionais ou salas de apoio, na própria escola ou em 
instituições conveniadas, com o objetivo de oferecer recursos de acessibilidade e estratégias para 
eliminar as barreiras, favorecendo a plena participação social e o desenvolvimento da aprendizagem. 
Art. 1º. Para a implementação do Decreto no 6.571/2008, os sistemas de ensino devem 
matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento 
Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em 
centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições 
comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos; Art. 2º. O AEE tem como 
função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de 
serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena 
participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem; Parágrafo Único. Para fins 
destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na Educação aqueles que 
asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade 
reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos 
mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e 
dos demais serviços. (CNB/CNE, 2009). 
Ainda que não apresente números consideráveis, a inclusão tem sido incorporada e revela ações que 
podem ser consideradas práticas para apoiar o professor. Ter um segundo professor na sala de aula, 
é um exemplo, seja presente durante todas as aulas ou em alguns momentos, nas mais diversas 
modalidades: intérprete, apoio, monitor ou auxiliar. Esse professor poderá possuir formação 
específica, básica ou poderá ser um estagiário. A participação do professor do AEE poderá ocorrer na 
elaboração do planejamento e no suporte quanto à compreensão das condições de aprendizagem 
dos alunos, como forma de auxiliar a equipe pedagógica. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
20 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Outra atividade evidenciada pela prática inclusiva para favorecer o educador é a adoção da práxis - 
no ensino, nas interações, no espaço e no tempo - que relacione os diferentes conteúdos às diversas 
atividades presentes no trabalho pedagógico. São esses procedimentos que irão promover aos 
alunos a possibilidade de reorganização do conhecimento, à medida que são respeitados os 
diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. 
Vale ressaltar que a Educação inclusiva, como prática em construção, está em fase de 
implementação. São muitos os desafios a serem enfrentados, mas as iniciativas e as alternativas 
realizadas pelos educadores são fundamentais. As experiências, agora, centralizam os esforços para 
além da convivência, para as possibilidades de participação e de aprendizagem efetiva de todos os 
alunos. 
Diferenciar Para Incluir: A Educação Especial Na Perspectiva Da EducaçãoInclusiva 
Muito antes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006) Site externo, a 
Convenção Interamericana Para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as 
Pessoas Portadoras de Deficiência (2001), ou Convenção da Guatemala, esclarecia sobre o fato de 
não constituir discriminação a diferenciação ou preferência adotada para promover a integração 
social ou o desenvolvimento das pessoas com deficiência, desde que a diferenciação ou preferência 
não limite em si mesma o direito à igualdade dessas pessoas e que elas não sejam obrigadas a 
aceitar tal diferenciação ou preferência. Por essa Convenção, as diferenciações são, em algumas 
circunstâncias, admitidas, mas jamais serão permitidas a exclusão ou limitações e restrições se o 
motivo for a deficiência. Desatrelada das conquistas de movimentos em favor da inclusão escolar, a 
educação especial, até 2008, diferenciava o atendimento a seus estudantes, excluindo-os dos 
ambientes comuns de escolarização, em classes e escolas especiais. 
O propósito atual da educação especial é alinhar-se ao que preceitua a nossa Constituição, ao 
estender e aprofundar a compreensão do direito à educação pela internalização desses e de outros 
documentos internacionais dos que o Brasil é signatário. Mas não é tão fácil e palatável aos sistemas 
de ensino e aos que pleiteiam a educação especial na sua concepção excludente assumir essa 
virada de sentido da diferenciação. Essa dificuldade, embora até certo ponto esperada, tem se 
traduzido por uma resistência vazia de argumentos e de embasamento teórico metodológico que 
convença a volta atrás, o retrocesso aos tempos em que o entendimento da educação comum e da 
educação especial permitia e sustentava os benefícios de diferenciar para excluir. 
Pais e professores, autoridades educacionais, políticos engajados no atendimento a pessoas com 
deficiência ainda enfrentam o ceticismo, o pessimismo de muitos, cujos olhos, embaçados pelo 
assistencialismo, a benemerência, o paternalismo, não conseguem vislumbrar o que esse novo 
sentido da diferenciação traz de avanços e vantagens para todos, indistintamente. A diferenciação 
para excluir, que motiva a discriminação, e a diferenciação para incluir, que promove a inclusão, têm 
sido exaustivamente explicitadas pelos que se dispõem a esclarecer as atuais pretensões da 
educação especial. 
As iniciativas em favor do acesso dos alunos da educação especial às turmas das escolas comuns e 
aos novos serviços especializados propostos pela Política de 2008 visam à transposição das 
barreiras que os impediam de cursar com autonomia todos os níveis de ensino em suas etapas e 
modalidades, resguardado o direito à diferença, na igualdade de direitos. Munidos das prescrições de 
nosso ordenamento jurídico, é possível e urgente que se garanta a igualdade de direitos a uma 
educação, que livra o aluno de qualquer diferenciação para excluir e/ou inferiorizá-los e que assegure 
o direito à diferença, quando lhes é propiciado um atendimento especializado, que considera suas 
características e especificidades. 
A Política Nacional De Educação Especial De 2008 
A Política Nacional de Educação Especial de 2008 Site externo trouxe novas concepções à atuação 
da educação especial, em nossos sistemas de ensino. De substitutiva do ensino comum para alunos 
com deficiência, a educação especial se volta atualmente à tarefa de complementar a formação dos 
alunos que constituem seu público-alvo, por meio do ensino de conteúdos e utilização de recursos 
que lhes conferem a possibilidade de acesso, permanência e participação nas turmas comuns de 
ensino regular, com autonomia e independência. Os objetivos da educação especial na perspectiva 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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da educação inclusiva asseguram a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtorno do 
espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para: 
• Garantir o acesso de todos os alunos ao ensino regular (com participação, aprendizagem e 
continuidade nos níveis mais elevados de ensino; 
• Formar professores para o AEE e demais professores para a inclusão; 
• Prover acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, comunicações e informação; 
• Estimular a participação da família e da comunidade; 
• Promover a articulação intersetorial na implementação das políticas públicas educacionais; 
• Oferecer o atendimento educacional especializado (AEE). 
As diretrizes da Política de Educação Especial se fundamentam na diferenciação para incluir e são 
extensivas a todas as ações e serviços da educação especial, devendo estar presentes 
transversalmente, em todas as modalidades e níveis de ensino. 
A definição de um público-alvo da educação especial eliminou a possibilidade de um grande número 
de alunos serem encaminhados a seus serviços, por exclusão total ou parcial das turmas comuns. A 
diferenciação para excluir era ato comumente praticado, mesmo com base nas melhores intenções. 
Os serviços da educação especial permitiam que alunos com dificuldades de aprendizagem, por 
exemplo, fossem atendidos em salas de recursos, em classes especiais e até mesmo em escolas 
especiais. Os professores de educação especial se descaracterizavam ao atender a esses casos e 
tinham seus perfis desfigurados e suas competências subutilizadas. A exclusão se mantinha e se 
justificava por esses descaminhos. 
O Atendimento Educacional Especializado 
Diferenciando para incluir, sem restrições e limites, a educação especial propicia hoje aos seus 
alunos a novidade do atendimento educacional especializado. Nesse serviço, os alunos ampliam sua 
formação, para que possam estudar nas turmas comuns e viver suas vidas plenamente, na medida 
de suas capacidades e, principalmente, segundo as possibilidades que lhe são oferecidas pelo meio 
escolar e social. A condição de uma vida inclusiva é uma conjunção entre fatores que pertencem ao 
sujeito e ao meio em que interage. A “situação de deficiência” é o resultado dessa equação. 
O AEE está sendo disseminado pelas escolas brasileiras, do ponto de vista conceitual e prático, de 
modo que possa ser compreendido e executado segundo seus objetivos de: identificar, elaborar, e 
organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena 
participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. Ele complementa e/ou 
suplementa a formação do aluno, visando a sua autonomia na escola e fora dela, constituindo oferta 
obrigatória pelos sistemas de ensino. Esse atendimento tem funções próprias do ensino especial; não 
se confunde, portanto, com reforço escolar para a clientela da educação especial. 
Os objetivos do atendimento educacional especializado, ao serem absorvidos pelas redes de ensino, 
vão exigindo das escolas: espaço físico, recursos, equipamentos, formação continuada de 
professores em serviço, integração da educação especial nos projetos político-pedagógicos. Por meio 
desse e de outros tipos de atuação, a educação especial está se introduzindo pouco a pouco nas 
escolas comuns e redesenhando os seus contornos educacionais, conquanto não estejam ainda 
verdadeiramente comprometidas com a inclusão escolar. 
A homogeneização das turmas escolares decorre da identidade que se impõe como a desejável, 
embora o normal só se defina pelo anormal, o branco pelo preto, ao velho pelo novo, o bom pelo mau 
e vice-versa. Explica-se por tais razões a facilidade que temos de apontar, decidir /definir quem fica e, 
automaticamente, quem sai das turmas por ter ou não condições de ficar “dentro” delas. Na inclusão, 
ninguém sai; todos estão dentro da escola, até mesmo o AEE, embora ainda preferencialmente. 
Por ora, vivencia-se a intrincada situação de formar professores para a educação especial e mais 
precisamente para o atendimento educacional especializado. A orientação da Política de Educação 
Especial é formar um profissional que não está encerrado no conhecimentoespecífico de uma dada 
deficiência, como ocorria antes. Essa formação não lhe confere poderes de ensinar a partir de 
conhecimentos universalizados, referentes a uma deficiência – os problemas e soluções estão 
encarnados no aluno e não se encaixam em um receituário geral. 
 
Assim como os alunos excluídos se inseriram nas escolas, nas fases iniciais de garantia do direito de 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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todos à educação, os professores, ao introduzirem o AEE nas escolas, estão ocupando lugares na 
equipe pedagógica, que são determinantes para que a inclusão escolar seja mais e melhor 
compreendida em seus princípios, fortalecendo-se e expandindo-se no ensino comum e especial. 
Esse lugar não é abstrato, mas um espaço, denominado sala de recursos multifuncionais (SRM), que 
reúne recursos humanos e materiais que envolvem novos conhecimentos, equipamentos, arranjos e 
parcerias e uma gestão da presença da educação especial na escola, que está sendo pouco a pouco 
sentida e considerada pela comunidade escolar e pelos pais a partir de novas práticas de 
encaminhamento, estudos e planos de ação educativos. 
A despeito das resistências de toda ordem, os alunos com deficiência já não encontram a oposição 
de tempos atrás e estão adentrando em número cada vez mais crescente às nossas escolas comuns. 
Segundo a diretoria de Educação Especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, 
Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC), o acesso de alunos público alvo 
da educação especial em classes comuns de ensino regular, em 2010, chegou a 484.3332 
estudantes, representando 69% do total de matrícula dessa população. Em nota técnica recente, o 
MEC conclui que o crescimento ocorreu, a partir da promoção da acessibilidade na escola, que 
alcançou 83% dos municípios brasileiros, por meio da implantação das SRMs, onde se oferta o AEE, 
entre outros. A mesma nota destaca que, se o ritmo de crescimento de matrícula continuar 
semelhante ao que aconteceu nos últimos 10 anos, em 2020 os sistemas de ensino atingirão 66% da 
população público alvo da educação especial, na faixa etária e 4 a 17 anos, na rede regular de 
ensino. 
Para que se alcance o que propõe a Meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE) correspondente 
ao decênio 2011-2020, isto é, universalizar para a população de 4 a 17 anos o atendimento 
educacional especializado, faz-se necessário que o Ministério da Educação amplie e fortaleça as 
ações em desenvolvimento, articulado com os sistemas de ensino estaduais e municipais. Estratégias 
estão sendo criadas para que meta atenda às necessidades de: implantação de salas de recursos 
multifuncionais; investimentos na adequação dos prédios escolares para acessibilidade das escolas 
públicas, transporte acessível, material didático, equipamentos e outros recursos indispensáveis; 
implementação da rede nacional de formação continuada de professores de educação especial pela 
Universidade Aberta do Brasil (UAB), à qual se associaram inúmeras universidades federais e 
estaduais. 
Marcando seus espaços, e desafiando os que nela atuam, questionando-os, no silêncio dessa 
ocupação, no desconforto que provocam aos que não conseguem lidar com suas próprias diferenças. 
Porque é muito forte a presença do novo em ambientes conservadores e que se pretendem imunes 
ao que não pertence a um meio escolar no qual se pune e controla o ensino e o aprendiz e em que a 
exclusão é absolutamente previsível e adequada. As mudanças na educação especial e na escola 
comum estão vivendo o assombro pelo outro, pelo diferente, nas nossas escolas. Reconhecer o outro 
como “o diferente” não basta, porque esse outro é sempre “um” outro e não “o” mesmo – ele difere 
infinitamente. O nosso entendimento do outro está comprometido pela imagem do aluno rotulado que 
conseguimos conter em nossa cartela de categorias educacionais. 
A aprendizagem que nos falta para distinguir a diferenciação para incluir da diferenciação para excluir 
sobrevém aos encontros com esse Outro, que difere sempre e que não se deixa capturar. Ela é 
essencialmente ativa e mobilizadora, pois o confronto com a alteridade, quando nos deixa perplexos, 
constitui o seu momento ideal, impulsionado pela incerteza, pela dúvida, pelo desejo de enfrentar o 
desconhecido. As incursões da educação especial nos sistemas de ensino promovem essas 
aprendizagens por aproximações necessárias e inusitadas, nas turmas, nas atividades do cotidiano. 
 A Educação Especial na Educação Inclusiva 
A Educação Inclusiva é a educação para todos, que visa reverter o percurso da exclusão, ao criar 
condições, estruturas e espaços para uma diversidade de educandos. Assim, a escola será inclusiva 
quando transformar, não apenas a rede física, mas a postura, as atitudes e a mentalidade dos 
educadores, e da comunidade escolar em geral, para aprender a lidar com o heterogêneo e conviver 
naturalmente com as diferenças. Os sistemas de ensino devem dar respostas às necessidades 
educacionais de todos os alunos, pois o movimento inclusivo nas escolas, por mais contestado, que 
ainda seja, até mesmo pelo caráter ameaçador de toda e qualquer mudança, especialmente no meio 
educacional, é irreversível e convence a todos pela sua lógica e pela ética do seu posicionamento 
social. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
23 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
 
O momento é refazer a educação escolar, seguindo novos paradigmas, preceitos, ferramentas e 
tecnologias educacionais. 
 
A sustentação de um projeto escolar inclusivo implica necessariamente mudanças nas propostas 
educacionais da maioria das nossas escolas e em uma organização curricular idealizada e executada 
pelos seus professores, diretor, pais, alunos, e todos os que se interessam pela educação na 
comunidade em que a escola se insere. 
 
As propostas educacionais que dão conta de uma concepção inclusiva de ensino refletem o que é 
próprio do meio físico, social, cultural em que a escola se localiza; e são elaboradas a partir de um 
estudo das características deste meio. Embora mais difíceis de serem concretizadas, elas não são 
utópicas, e demandam inúmeras ações, que são descritas e estruturadas no plano político-
pedagógico de cada escola. 
 
De acordo com a Profª Dra. Leny Magalhães Mrech (Faculdade de Educação da Universidade de São 
Paulo), os Projetos da Escola, devem apresentar as seguintes características: 
 
1- Um direcionamento para a Comunidade - Na escola inclusiva o processo educativo é entendido 
como um processo social, onde todas as crianças portadoras de necessidades especiais e de 
distúrbios de aprendizagem têm o direito à escolarização, o mais próximo possível do normal. O alvo 
a ser alcançado é a integração da criança, portadora de deficiência, na comunidade. 
 
2- Vanguarda - Uma escola inclusiva é uma escola líder em relação às demais. Ela se apresenta 
como vanguarda do processo educacional. O seu objetivo maior é fazer com que a escola atue 
através de todos os seus escalões para possibilitar a integração das crianças que dela fazem parte. 
 
3- Altos padrões - Há em relação às escolas inclusivas altas expectativas de desempenho por parte 
de todas as crianças envolvidas. O objetivo é fazer com que as crianças atinjam o seu potencial 
máximo. O processo deverá ser dosado às necessidades de cada criança. 
 
4- Colaboração e cooperação - Há um privilegiamento das relações sociais entre todos os 
participantes da escola, tendo em vista a criação de uma rede de autoajuda. 
 
5- Mudando os papéis e responsabilidades - A escola inclusiva muda os papéis tradicionais dos 
professores e da equipe técnica da escola. Os professores tornam-se mais próximos dos alunos, na 
captação das suas maiores dificuldades. O suporte aos professores da classe comum é essencial, 
para o bom andamento do processo ensino-aprendizagem. 
 
6- Estabelecimento de uma infraestrutura de serviços - Gradativamente, a escola inclusiva irá 
criando uma rede de suporte para a superação das suas maiores dificuldades.A escola inclusiva é 
uma escola integrada à sua comunidade. 
 
7- Parceria com os pais - Os pais são os parceiros essenciais no processo de inclusão da criança 
na escola. 
 
8-Ambientes educacionais flexíveis - Os ambientes educacionais têm que visar o processo ensino-
aprendizagem do aluno. 
 
9- Estratégias baseadas em pesquisas - As modificações na escola deverão ser introduzidas a 
partir das discussões com a equipe técnica, alunos, pais e professores. 
 
10- Estabelecimento de novas formas de avaliação - Os critérios de avaliações antigos deverão 
ser mudados para atender às necessidades dos alunos portadores de deficiência. 
 
11- Acesso - O acesso físico à escola deverá ser facilitado aos indivíduos portadores de deficiência. 
 
12- Continuidade no desenvolvimento profissional da equipe técnica - Os participantes da escola 
inclusiva deverão dar continuidade aos seus estudos, aprofundando-os. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
24 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
A inclusão é um processo constante que precisa ser continuamente revisto. 
Segundo relatório da ONU, todo mundo se beneficia da educação inclusiva. Veja as vantagens: 
Estudantes Com Deficiências: 
• aprendem a gostar da diversidade; 
• adquirem experiência direta com a variedade das capacidades humanas; 
• demonstram crescente responsabilidade e melhor aprendizagem através do trabalho em grupo, com 
outros deficientes ou não; 
• ficam melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada: entendem que são 
diferentes, mas não inferiores. 
Estudantes Sem Deficiências: 
• têm acesso a uma gama bem mais ampla de papéis sociais; 
• perdem o medo e o preconceito em relação ao diferente; desenvolvem a cooperação e a tolerância; 
• adquirem grande senso de responsabilidade e melhoram o rendimento escolar; 
• são melhores preparados para a vida adulta porque desde cedo assimilam que as pessoas, as 
famílias e os espaços sociais não são homogêneos e que as diferenças são enriquecedoras para o 
ser humano. 
O MEC Avalia, Através Do Censo Escolar, Um Avanço Na Educação Inclusiva. 
 
Os desafios de promover no Brasil uma escola pública inclusiva e de qualidade vêm apresentando 
bons resultados, conforme os dados levantados pelo Censo Escolar 2004/INEP. Percebe-se no 
quadro acima, que nos últimos três anos houve um avanço significativo das matrículas dos alunos 
com necessidades educacionais especiais, com um aumento na esfera pública, representando 57% 
dos 566.753 alunos. 
 
O Censo indicou ainda que, além de superar a esfera privada em número de matrículas a partir de 
2002, as escolas públicas, em 2004, já concentram 57,7% dos alunos com necessidades 
educacionais especiais em classes comuns de escolas regulares. E a tendência é atender, a cada 
ano, um número maior de alunos através do Programa Educação Inclusiva. 
 
Isso porque existe hoje, dentro da Secretaria de Educação Especial do MEC, um movimento cada 
vez mais frequente de estímulo para que os alunos com necessidades educacionais especiais sejam 
recebidos pelas escolas públicas inclusivas. 
 
A inclusão escolar, enquanto política educacional, tenta resgatar uma dívida com um segmento 
populacional que, historicamente, tem ficado à margem da sociedade. Reflete também, a inequívoca 
opção, socialmente construída, pelo princípio fundamental da dignidade da pessoa humana, bem 
como pelos valores de respeito e valorização da diversidade, direito à igualdade de oportunidades e 
condições para o exercício da cidadania. 
 
Nesse processo de transformação, a Educação Especial vem desempenhando um importante papel: 
desenvolver um conjunto de conhecimentos, recursos humanos, estratégias e materiais que, postos 
pedagogicamente a serviço do sistema educacional - ao longo de todos os níveis e modalidades de 
ensino - possam responder de forma eficaz às necessidades educacionais especiais que qualquer 
aluno possa apresentar nos processos do ensinar e do aprender. 
 
Portanto, inclusão significa o aluno estar na escola, participando, aprendendo e desenvolvendo suas 
potencialidades. 
 
O MEC vem disponibilizando tecnologia educacional que atribua competência aos professores e à 
gestão escolar, fornecendo equipamentos e materiais de apoio ao aluno, produzindo e disseminando 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
25 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
conhecimento com o Programa Educação Inclusiva, bem como priorizando o atendimento 
educacional complementar específico a cada tipo de necessidade educacional especial. 
 
Estratégias Para Chegar-Se À Educação Inclusiva 
As Escolas podem iniciar o processo de inclusão nas salas de ensino regular, através de dinâmicas, 
como no exemplo abaixo. 
 
Através do Pôster "TODOS JUNTOS, APRENDENDO COM AS DIFERENÇAS" e as atividades a 
seguir descritas, a escola faz uma dinâmica, que ajuda os alunos a vencer preconceitos e substituir 
sentimentos como medo, pena, raiva ou repulsa, por empatia, solidariedade e respeito. 
Comece a aula perguntando aos alunos se eles conhecem dois seres vivos iguais. Use as figuras dos 
quadrinhos como exemplo de que não apenas nós humanos somos muito particulares. Se alguém 
responder que existem gêmeos idênticos, questione as diferenças de temperamento que geralmente 
esses irmãos apresentam. 
 
Incite um debate: como seria o mundo se todos fossem iguais, pensassem da mesma maneira, 
tivessem os mesmos gostos, desejos e sonhos, e agissem do mesmo modo? Mostre as vantagens de 
as pessoas serem diferentes, pois isso origina diversas contribuições para a sociedade. 
 
Fixe o pôster na classe, em lugar visível. Pergunte se os estudantes conhecem algum portador de 
deficiência. Peça que eles contem quem são essas pessoas, como é o relacionamento com elas e 
que tipo de sentimentos elas despertam. Anote os comentários no quadro-negro. 
A seguir, proponha exercícios de vivência emocional. Divida a classe em pares. Cada dupla deve 
optar por um tipo de deficiência (motora, visual, auditiva, mental ou múltipla). Os alunos devem 
passar alguns minutos como um portador de deficiência, alternando os papéis de deficiente e 
acompanhante. Algumas sugestões: 
 
1. Deficiência visual: explorar a sala de aula ou outro ambiente da escola de olhos vendados, com a 
ajuda do colega. 
 
2. Deficiência auditiva: assistir a um programa de televisão sem som. O que eles apreendem 
observando só as imagens? 
 
3. Deficiência na fala: tentar passar, através de mímica, uma mensagem para o colega. 
 
4. Deficiência motora: deve ser abordada em brincadeiras como corrida do saco ou corrida do ovo na 
colher, nas quais ora o aluno estará com as pernas, ora com os braços imobilizados. 
 
5. Deficiência múltipla: associar dois ou mais tipos de deficiências. 
Com a classe novamente reunida, pergunte aos alunos como eles se sentiram ao ficar com um dos 
membros ou sentidos sem função. Como o colega ajudou ou atrapalhou? Questione a turma se 
houve alguma mudança em relação aos sentimentos citados no início da discussão e, principalmente, 
o que aprenderam com a experiência. 
 
Solicite uma pesquisa em revistas, jornais e na internet sobre pessoas que nasceram com deficiência 
ou que a tenham adquirido depois de um acidente. Como elas desenvolvem suas atividades e 
superam as dificuldades? Exemplos: o locutor Osmar Santos e os atores Gerson Brenner e Flávio 
Silvino, além de atletas da Paraolimpíada. 
 
Com essas conclusões em mãos, peça que os alunos façam uma redação sobre o tema "Todos têm o 
direito de ser diferente". 
 
A E.E. Pequeno Cotolengo de Dom Orione em Cotia, DE de Carapicuíba é um exemplo de escola 
inclusiva, pois a mesma atende ao Ensino Fundamental (Ciclo I e Ciclo II), Ensino Médio e 8 (oito) 
classes de Educação Especial (DA, DM e DF).No seu Projeto Pedagógico, já há alguns anos, está 
inserida a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais nas classes de ensino regular. 
A escola mantém uma parceria com a Fundação Rotariana (Cotia), através da qual Professores da 
Fundação , especializados em "Libras" -Linguagem de Sinais, acompanham,desde 2002, alunos 
portadores de deficiência auditiva nas classes de ensino regular. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
26 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
 
Também em 2002, a Escola desenvolveu um Projeto denominado "Auto -Estima", envolvendo toda a 
Equipe Escolar e a Instituição Religiosa Pequeno Cotolengo de Dom Orione, onde a escola está 
inserida. 
 
O fator determinante deste projeto foi trabalhar a auto- estima de todos os envolvidos, através da 
colaboração e cooperação em ações desenvolvidas não só nas salas de aulas, mas também em 
todas as datas comemorativas do calendário escolar, como no exemplo abaixo: 
Dia da Saúde: Mostrar que um ambiente tem que estar limpo, e que a higiene começa pelo nosso 
corpo. 
 
Prevenção de doenças infecto- contagiosas 
*Apresentação de teatro, com personagens representando animais nocivos à saúde, como o 
mosquito da Dengue, etc... 
Páscoa: Trabalhar o verdadeiro sentido da Páscoa. 
Apresentação de coral e danças-(entrosamento de todos os alunos inclusos e comunidade escolar) 
Dia do Índio: Pesquisar sobre as tribos indígenas, costumes, alimentação, vestes, cultura ,etc. 
Montagem de painel com trabalhos alusivos a data, confeccionado pelos próprios alunos. 
Bandinha-para a execução da dança da chuva. 
Comida típica. 
Dia das Mães: Missa realizada na Instituição Religiosa "Pequeno Cotolengo", pelo padre ,da 
coordenação deste projeto. 
Apresentação de dança com bambolês com os alunos portadores de necessidades especiais, 
auxiliados pelos alunos do ensino regular. 
Oficina de Artes para as Mães: Trabalhar a autoestima das mães de alunos portadores de 
necessidades especiais, através de aulas de artesanato, culinária, palestras educativas, pois muitas 
dessas mães permanecem o período todo na escola, para dar uma assistência individual aos seus 
filhos, principalmente nas necessidades físicas, pois a escola não conta com funcionários 
especializados. 
Linguagem Brasileira de Sinais (Libras): Professores de Deficiência Auditiva ministrando 
linguagem de sinais para os professores do Ciclo I do Ensino Fundamental Regular. 
Grupo de Expressão Corporal: Atividades propostas para favorecer o desenvolvimento das 
capacidades necessárias na construção do conhecimento: analisar, criticar, comparar, sintetizar, 
identificar, abstrair, generalizar e concluir. "Todas as atividades desenvolvidas num ambiente 
descontraído e alegre, pois os estudos afirmam que "rir" melhora a respiração e oxigena o cérebro, 
facilitando a aprendizagem "(Agenda Almanaque para Educadores). 
Oficinas de Artes para alunos portadores de necessidades especiais: A arte é sem dúvida a 
melhor forma de expressão interior, é através dela que o indivíduo pode visualizar concretamente 
seus sentimentos e anseios. 
 
Pessoas que se permitem inovar e criar diminuem intensamente emoções como medo, insegurança e 
falta de fé. 
 
Nesta oficina os alunos apresentam lentamente valores de coragem e ousadia. 
Projeto Tietê-Salesópolis: Desenvolver a integração: Turismo, Meio Ambiente, Preservação e 
Educação. 
 
Desenvolver e cultivar o espírito de colaboração e solidariedade com os colegas, professores e 
demais participantes. 
 
Alguns tópicos trabalhados nos locais: Cinturão verde, Barragem da ponte nova, Nascente do rio 
Tietê; Senzala, Estação de tratamento de água e Almoço (sistema self-sérvice). 
 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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Neste projeto, foi fundamental a colaboração e cooperação dos alunos do ensino regular, para com 
os alunos portadores de necessidades especiais. 
Avaliação Do Projeto Autoestima. 
Os objetivos propostos foram atingidos, na medida em que toda a equipe escolar participou 
ativamente das atividades propostas. As mães desses alunos estavam muito emocionadas e 
satisfeitas porque os filhos estavam tendo uma oportunidade inédita. 
 
Em 2005 a E.E. Pequeno Cotolengo montou mais um projeto, denominado ' Oficina/Sala Ambiente.", 
para que os alunos com deficiência pudessem dar a sua contribuição para a construção da 
comunidade escolar, apesar das diferenças nas suas habilidades". 
 
A oficina, neste caso, pode ser considerada uma forma de viabilizar situações de ensino e 
aprendizagem com propostas mais próximas das necessidades dos alunos. Os professores precisam 
desenvolver um ambiente de trabalho seguro, pacífico, pois, se o aluno não confia no ambiente 
escolar, ele não se sentirá à vontade e não aprenderá com eficiência. 
 
Ressaltamos três diferentes aspectos que foram abordados e compreendidos: 
 
" Artísticos: seria o criar propriamente dito; seu valor está no "fazer". 
 
" Artesanais: são trabalhos manuais que podem ser transmitidos de geração para geração, 
mantendo vivas nossa cultura, tradições, desenvolvendo habilidades manuais, distinguindo 
semelhanças e diferenças.} 
 
" Terapêuticos: situações de vivências prazerosas, envolvendo imagens, sons, leitura de histórias, 
dramatização, expressão oral e corporal, etc. fazendo com que o aluno discrimine o que está a seu 
redor. 
Objetivos: Proporcionar aos alunos com necessidades educativas especiais situações que 
promovam experiências enriquecedoras e gratificantes, através de atividades concretas e 
significativas, desenvolvendo habilidades diversas tais como: coordenação, expressão corporal, 
criatividade, iniciativa, etc, buscando com isso a melhoria de sua qualidade de vida. 
Trabalhar em equipe, para: 
• Conhecer os interesses e possibilidades uns dos outros; 
• Discutir e trocar ideias, dar sugestões; 
• Atender, incentivar e apoiar as necessidades e interesses dos alunos; 
• Integração, sociabilização no grupo. 
• Rodízio de turmas de modo que os alunos possam ter contato com diferentes atividades permitindo 
melhorar suas aptidões. A participação do aluno, dependendo de seu grau de comprometimento, 
poderá ser parcial, mas o mesmo jamais será excluído de qualquer atividade. 
O professor deverá saber lidar com a temporalidade de cada um, sabendo portanto o que e como 
será exigido. 
 
Recursos: Os ambientes serão divididos e adaptados de acordo com as propostas pré-
estabelecidas. 
 
Duas salas de aula deverão estar equipadas com lousa, painel para cartazes, armários, carteiras 
normais e adaptadas, mesas para cadeirantes (alunos que ficam o tempo todo em cadeiras de roda), 
ventilador, boa iluminação, pintura adequada, cortinas, jogos pedagógicos, computador, relógio de 
parede. 
 
Uma sala estará preparada para atividades de artesanato, pintura com várias técnicas de trabalho, 
etc, com mesa e bancada em forma de U, com cadeiras para alunos e adaptações para cadeirantes, 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
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uma cadeira giratória para que o professor tenha acesso a todos os alunos, prateleiras para guardar 
materiais. 
 
Uma sala estará equipada com vídeo, DVD, rádio, livros, tapete de leitura, almofadas, cadeiras 
adequadas para estimulação áudio visual e corporal, relógio de parede, pintura adequada, cortinas, 
ventilador. 
 
Todos estes elementos, irão contribuir para que o aluno tenha um desenvolvimento de forma global. 
 
Atividades desenvolvidas: 
• Trabalhos artesanais, manuais e pinturas diversas: 
• Culinária:-Confecção de Chocolate; 
• Papel reciclável e/ou papel marchê; 
• Confecção de sabonetes artesanais; 
• Estimulação Áudio /Visual 
Obs: Para todas as atividades desenvolvidas são necessários materiais apropriados. 
Avaliação Do Projeto-Oficina/Sala Ambiente 
Devido ao comportamento das crianças com necessidades especiais, serão utilizados recursos e 
estratégias diversas para melhor atender as necessidades individuais de cada aluno, e serão 
realizadas observações constantes verificando a aprendizagem e o entendimento adquirido. 
 
A professora irá também utilizar como instrumentos de avaliação todas as atividades que servirem 
para documentar os projetos e os conhecimentos no decorrer do projeto, bem como a observação do 
educador envolvido na aprendizagem do grupo. 
Atendimento aos educandos com necessidades especiais na própriarede pública de ensino. Alunos 
com necessidades especiais integrados e inseridos nas salas de ensino fundamental da escola. Este 
grupo da foto é de uma sala de 4ª série. 
 
Atividade proposta dentro do projeto desenvolvido na oficina de artesanato confeccionando bijuterias. 
Esta é uma forma de viabilizar o possível desenvolvimento de habilidades para facilitar a inserção do 
aluno no mercado de trabalho. 
 
Assegurar aos educandos currículos, métodos, técnicas e organização específicos, para atender as 
suas necessidades 
Educação especial para o trabalho, visando a integração na vida em sociedade. A escola oferece 
oportunidade de inserção no mercado de trabalho na própria escola e for a dela para valorizar as 
potencialidades de seus alunos e assim contribuir com o exercício da cidadania. 
 
Lei Estadual nº 10.958, de 27/11/01 - LIBRAS: Apresentação dos deficientes auditivos no dia das 
mães, valorizando assim sua própria forma de comunicação na linguagem de sinais. 
 
Integração e conscientização sobre medidas e hábitos favoráveis à preservação do meio ambiente. 
Neste sentido, algumas classes se organizaram para desenvolver o projeto cultivo na escola, onde os 
alunos se envolveram com o plantio em cantoneiras e vasos com mudas de morangos. 
 
Atividades Artesanais. Colagem e montagem de painéis, por alunos de uma classe especial. 
Comemorações Especiais: Escola da Família 
 
Trabalho elaborado e realizado pelo projeto "Escola da Família", que busca maior integração e 
participação com a comunidade local. 
Inclusão Social, Educação Inclusiva E Educação Especial: Enlaces E Desenlaces 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
29 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
1Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), Faculdade de Engenharia de Ilha 
Solteira, Departamento de Física e Química. e-mail: <camargoep@dfq.feis.unesp.br>. 
Com este editorial objetiva-se estabelecer diferenças, pontos e contrapontos entre inclusão social, 
educação inclusiva e educação especial. O conceito de inclusão vem sendo amplamente e 
demasiadamente mal compreendido segundo a interpretação do senso comum. Esta crítica diz 
respeito ao fato de o mesmo ser "aplicado" apenas aos estudantes, público-alvo da educação 
especial, e ao contexto educacional. É frequente a manifestação pública de expressões equivocadas 
como: "aluno de inclusão" e "sala de inclusão". 
A inclusão é um paradigma que se aplica aos mais variados espaços físicos e simbólicos. Os grupos 
de pessoas, nos contextos inclusivos, têm suas características idiossincráticas reconhecidas e 
valorizadas. Por isto, participam efetivamente. Segundo o referido paradigma, identidade, diferença e 
diversidade representam vantagens sociais que favorecem o surgimento e o estabelecimento de 
relações de solidariedade e de colaboração. Nos contextos sociais inclusivos, tais grupos não são 
passivos, respondendo à sua mudança e agindo sobre ela. Assim, em relação dialética com o objeto 
sociocultural, transformam-no e são transformados por ele. 
Desconstruindo a ideia de homem padrão (MACE, 1990), o conceito de Desenho Universal emerge na 
perspectiva inclusiva, de maneira a permitir a construção do design e da arquitetura acessíveis, sem 
necessidade de adaptações pontuais. 
O desenho universal, que fundamenta a aplicação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com 
Deficiência (BRASIL, 2015) expressa bem a ideia discutida. O artigo 102 da referida lei afirma que "[...] 
desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por 
todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de 
tecnologia assistiva." (BRASIL, 2015, p. 29). 
Não faz sentido, por exemplo, estudantes com deficiências participarem efetivamente apenas da 
educação básica. Quando concluírem o ensino médio, encontrarão espaços sociais para além dos 
muros escolares, prontos para a exclusão. 
Inclusão, portanto, é uma prática social que se aplica no trabalho, na arquitetura, no lazer, na 
educação, na cultura, mas, principalmente, na atitude e no perceber das coisas, de si e do outrem. 
Na área educacional, o trabalho com identidade, diferença e diversidade é central para a construção 
de metodologias, materiais e processo de comunicação que dêem conta de atender o que é comum e 
o que é específico entre os estudantes. 
Como afirma Mantoan (2004, p. 7-8): "há diferenças e há igualdades, e nem tudo deve ser igual nem tudo 
deve ser diferente, [...] é preciso que tenhamos o direito de ser diferente quando a igualdade nos 
descaracteriza e o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza." 
Há aqui outro ponto controverso, a diferença entre a educação inclusiva e a educação especial, 
quase sempre tomadas como sinônimas. 
Uma questão de pano de fundo nos é imposta: quais são os estudantes foco da educação inclusiva? 
A resposta é: todos. Quer dizer, ela se estende aos alunos, público-alvo da educação especial (BRASIL, 
2013a), e àqueles que não são público-alvo dessa modalidade de ensino: os alunos brancos, negros, 
de distintos gêneros, índios, homossexuais, heterossexuais etc. Ou seja, aos seres humanos reais, 
com foco prioritário aos excluídos do processo educacional. De forma contraditória, a cultura atual, 
principalmente a ocidental, tenta moldá-los e "formá-los" como seres homogêneos. Como 
consequência, os que não se enquadram nos referidos padrões e segundo as regras de normalização 
forjadas socialmente, recebem vários adjetivos: "anormais", "deficientes", "incapazes", "inválidos", etc. 
A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos 
humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à 
ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão 
dentro e fora da escola. (BRASIL, 2008, p. 1). 
O trabalho didático-pedagógico em sala de aula, com o comum e o específico entre a diversidade que 
caracteriza o ser humano, constitui o objetivo da inclusão escolar que 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
30 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
[...] postula uma reestruturação do sistema educacional, ou seja, uma mudança estrutural no ensino 
regular, cujo objetivo é fazer com que a escola se torne inclusiva, um espaço democrático e 
competente para trabalhar com todos os educandos, sem distinção de raça, classe, gênero ou 
características pessoais, baseando-se no princípio de que a diversidade deve não só ser aceita como 
desejada. (BRASIL, 2001, p. 40). 
Em práticas educacionais formais, a aplicação do Desenho Universal leva em conta a diversidade de 
gênero, etnia, idade, estatura, deficiência, ritmos e estilo de aprendizagem nos projetos de ensino 
(BURGSTAHLER, 2009). 
Aplicando o conceito de educação inclusiva ao educando, público-alvo da educação especial, temos 
uma relação bilateral de transformação do ambiente educacional e do referido educando, em que o 
primeiro gera, mobiliza e direciona as condições para a participação efetiva do segundo. Esse, por 
sua vez, age ativamente sobre tal transformação, modificando e sendo modificado por ela. 
Por outro lado, 
[...] a educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e 
modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e 
orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino 
regular. (BRASIL, 2008, p. 7). 
A lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013, que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos 
profissionais da educação e dar outras providências (BRASIL, 2013a), determina em seu Art. 4, Incisos I e 
III: 
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: 
I - Educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, 
organizada da seguinteforma 
a. pré-escola; 
b. ensino fundamental; 
c. ensino médio; [...] 
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, 
etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino. (BRASIL, 2013a). 
Participam dessa modalidade de ensino os estudantes público-alvo da educação especial, ou seja, 
com deficiência (visual, auditiva, física e intelectual) (BRASIL, 2015), com transtorno global de 
desenvolvimento e com altas habilidades ou superdotação. Ela deve ser oferecida, preferencialmente, 
na rede regular de ensino e de forma complementar e/ou suplementar (BRASIL, 2008). O termo 
"preferencialmente" não diz respeito à educação regular e sim ao atendimento educacional 
especializado. 
Sobre o atendimento educacional especializado presente no inciso III supracitado, em perfeito acordo 
com o artigo 208 da Constituição Federal do Brasil (BRASIL, 1988), se faz necessário esclarecer: (i) o 
artigo 208 do capítulo III - Da Educação, da Cultura e do Desporto - da Constituição prescreve que o 
dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: "[...] atendimento 
educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de 
ensino" (MANTOAN, 2006, p. 27); (ii) o "preferencialmente" refere-se a "atendimento educacional 
especializado", ou seja, o que é necessariamente diferente no ensino para melhor atender às 
especificidades dos estudantes com deficiência, ou segundo o inciso III do artigo 3 da lei nº 12.796, 
aos alunos com deficiência, transtorno global de desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação. (BRASIL, 2013a). 
Como exemplo, temos o ensino do Braille e do Soroban para os educandos cegos e da Língua 
Brasileira de Sinais (LIBRAS) para os surdos, quer dizer, aquilo que é específico desses alunos, a fim 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
31 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
de que os mesmos possam ter acesso ao currículo comum. O ensino de tais conteúdos é objeto da 
educação especial e deve ser ofertado, preferencialmente na rede regular de ensino, no atendimento 
educacional especializado, no contraturno do ensino regular do educando com deficiência, transtorno 
global de desenvolvimento e com altas habilidades ou superdotação. Ainda, os conteúdos do 
atendimento educacional especializados não devem substituir os da educação regular. Devem ser 
complementares, para os alunos com deficiências e transtorno global de desenvolvimento ou 
suplementares para os educandos com altas habilidades ou superdotação. (BRASIL, 2013b). 
A estrutura proposta pelo desenho universal pressupõe a diversidade e o trabalho com identidade e 
diferença em sua constituição. Metodologia, processo de comunicação e material instrucional 
pensado sobre a estrutura referida precisa ser aplicados para toda a sala de aula, devendo ser 
contemplado na metodologia, processo de comunicação e material instrucional, elementos próprios 
dos princípios da diversidade, identidade e diferença, e não da homogeneidade e dos espaços 
homogeneizantes, esses últimos produtos de construção social. 
São exemplos de materiais instrucionais pensados sob a estrutura do desenho universal, as 
maquetes e experimentos multissensoriais para o ensino de física de estudantes com e sem 
deficiência visual contidas em Camargo (2016), uma vez que esses recursos didático-pedagógicos 
valorizam a diversidade sensorial e discursiva nos processos de ensino, favorecendo a participação 
efetiva de todos em sala de aula. 
Hoje, mais que a construção de políticas públicas, como o estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 
2015), a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência (BRASIL, 2009), a Política Nacional de 
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), etc., é o momento de praticá-
las, para a promoção de participação efetiva de todos os seres humanos, principalmente dos 
excluídos dos mais variados espaços sociais. 
Como afirmara Vigotski (1997, p. 77, tradução nossa), "um ponto do sistema Braille fez mais pelo cego que mil 
obras de caridade" E por quê? Na opinião de Vigotski, é pelo fato de Braille ter incluído tais pessoas 
no mundo da leitura e da escrita. A partir de 1825, quando o jovem francês Louis Braille (1809-1852) 
terminou o seu sistema de célula com seis pontos, os cegos puderam efetivamente ter acesso aos 
estudos, para que fosse possível, atualmente, consolidar esse acesso e ainda possibilitar o ingresso 
e a permanência no trabalho. 
Isso mostra a importância da educação, em particular, da educação em física, química e biologia, 
para todas as pessoas, como fundamento das conquistas sociais para a promoção de cidadania de 
um povo, elemento este indissociável da heterogeneidade que o caracteriza. A atual crise política que 
assola o Brasil traz um discurso contraditório e, às vezes, confuso sobre "qualidade de ensino", que 
na opinião do autor do presente editorial, objetiva retirar dos educandos brasileiros, público ou não 
público da educação especial, os instrumentos psicológicos de mediação (VIGOTSKI, 2001) que lhes 
possibilitam interpretar o mundo não natural e que define conceitos como normalidade e deficiência. 
É preciso, a todo custo, desconstruir a "qualidade de ensino" imposta no Brasil (2016). 
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