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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA 
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS 
CURSO DE AGRONOMIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
William Paulo Possa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Estádios de dessecação pré colheita na cultura do trigo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curitibanos 
2021 
 
 
William Paulo Possa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estádios de dessecação pré colheita na cultura do trigo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho Conclusão do Curso de Graduação 
em Agronomia do Centro de Curitibanos da 
Universidade Federal de Santa Catarina 
como requisito para a obtenção do Título de 
Bacharel em Agronomia. 
Orientador: Prof. Dr.Neilor Bugoni Riquetti. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curitibanos 
2021 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Quero agradecer a Deus por ter me dado saúde e força para concluir está etapa 
muito importante na minha vida. 
Agradecimento também a todos os meus professores da faculdade, que foram 
essenciais na minha trajetória acadêmica. 
Agradecimento ao meu orientador Prof. Dr. Neilor Bugoni Riquetti, que teve 
papel fundamental na realização desse TCC. 
Agradecimento a empresa Biotrigo Genética Ltda pelo suporte e fornecimento de 
materiais utilizados nesta pesquisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
O processo de colheita é considerado de extrema importância, tanto para reduzir perdas 
quanto para assegurar a qualidade final do grão. Nos últimos anos, a prática da dessecação 
pré-colheita vem sendo cada vez mais utilizada em lavouras de trigo do Brasil. Contudo, 
ainda não se conhece de maneira aprofundada os efeitos dos herbicidas ou mesmo da 
prática da dessecação, em si, sobre os atributos de qualidade do cereal. Neste contexto, o 
objetivo desse trabalho foi estudar o efeito das épocas de dessecação sobre os parâmetros 
agronômicos e de qualidade dos grãos de trigo. O experimento foi realizado em condições 
de campo, na safra de 2019. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos 
casualizados em esquema de parcelas subdivididas com quatro repetições. As parcelas 
foram compostas por duas cultivares de trigo com alta qualidade para panificação, Tbio 
Toruk e Tbio Audaz. As subparcelas foram formadas por três épocas de dessecação da 
cultura, sendo os estádios G85, G87 e G91 da escala de Zadoks, além de uma testemunha 
não dessecada. A semeadura foi realizada em 12 de julho de 2019, de forma mecanizada. 
Cada parcela foi composta por 11 linhas de cultivo, espaçadas em 0,17m entre si e com 
seis metros de comprimento. As duas cultivares foram semeadas visando a obtenção de 
330 plantas por metro quadrado. O herbicida utilizado para a dessecação foi o Finale® na 
dose de 1,75 l ha-1 de produto comercial (350 g ha-1 de i.a.). A aplicação foi realizada com 
pulverizador de barras com pressão de CO2, utilizando pontas tipo leque (110-02) e 
volume de calda de 150 l ha-1. Após a colheita, foram determinados a produtividade de 
grãos e a massa de mil grãos. Os parâmetros tecnológicos foram determinados pela 
concentração de proteína no grão e peso do hectolitro. Os dados foram submetidos à 
análise de variância pelo teste F (p<0,05) e quando encontradas diferenças significativas, 
as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05). Não houve interação entre 
cultivares e épocas de dessecação para as características estudadas. A época de 
dessecação não afetou a produtividade, a massa de mil grãos e tão pouco os parâmetros 
de qualidade, como a porcentagem de proteína no grão e peso do hectolitro das cultivares 
de trigo estudadas. A dessecação pode ser realizada nos estádios de maturação G85, G87 
e G91 da cultura do trigo sem que traga alguma redução significativa de produtividade e 
qualidade do grão. 
Palavras Chave: Maturação. Glufosinato de amônio. Qualidade tecnológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The harvesting process is considered extremely important, both to reduce losses and to 
ensure the final quality of the grain. In recent years, the practice of pre-harvest desiccation 
has been increasingly used in wheat crops in Brazil. However, the effects of herbicides 
or even the practice of desiccation, itself, on the quality attributes of the cereal are not yet 
fully understood. In this context, the objective of this work was to study the effect of 
drying seasons on the agronomic and quality parameters of wheat grains. The experiment 
was carried out in field conditions, in the 2019 harvest. The experimental design used was 
randomized blocks in a split plot scheme with four replications. The plots were composed 
of two wheat cultivars with high quality for baking, TbioToruk and Tbio Audaz. The 
subplots were formed by three periods of desiccation of the culture, being the stages G85, 
G87 and G91 of the Zadoks scale, in addition to an undesicated control. Sowing was 
carried out on July 12, 2019, mechanized. Each plot was composed of 11 cultivation lines, 
spaced 0.17m apart and six meters long. The two cultivars were sown in order to obtain 
330 plants per square meter. The herbicide used for desiccation was (Finale®) at a dose 
of 1.75 l ha-1 of commercial product (200 g l-1 of a.i.). The application was carried out 
with a bar sprayer with CO2 pressure, using fan type tips (110-02) and spray volume of 
150 l ha-1. After the harvest, the grain yield and the mass of a thousand grains were 
determined. The technological parameters were determined by the protein concentration 
in the grain and the weight of the hectoliter. The data were subjected to analysis of 
variance by the F test (p <0.05) and when significant differences were found, the means 
were compared by the Tukey test (p <0.05). There was no interaction between cultivars 
and desiccation times for the studied characteristics. The desiccation period did not affect 
the productivity, the mass of a thousand grains and neither did the quality parameters, 
such as the percentage of protein in the grain and the weight of the hectoliter of the wheat 
cultivars studied. Desiccation can be carried out at the G85, G87 and G91 maturation 
stages of the wheat crop without causing any significant reduction in productivity and 
quality of the grain. 
 
Keywords: Maturation. Ammonium glufosinate. Technological quality. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 8 
1.1 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 9 
1.2 OBJETIVOS ............................................................................................................. 10 
1.2.1 Objetivo Geral ..................................................................................................... 10 
1.2.2 Objetivos Específicos ........................................................................................... 10 
2. REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 11 
2.1 CULTIVO DO TRIGO ............................................................................................. 11 
2.2 QUALIDADE TECNOLÓGICA DO GRÃO .......................................................... 11 
2.3 DESSECAÇÃO PRÉ COLHEITA ........................................................................... 13 
3. MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 16 
3.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA EXPERIMENTAL ................................................... 16 
3.2 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL ................................................................... 17 
3.3 CONDUÇÃO DO EXPERIMENTO........................................................................ 18 
3.4ANÁLISE ESTATÍSTICA ....................................................................................... 20 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 21 
5. CONCLUSÃO ........................................................................................................... 24 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 25 
 
 
 
 
 
8 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
O trigo (Triticum aestivum L.) é uma gramínea da família Poaceae, destacando-se 
como um dos cereais de maior produção mundial. Segundo os dados da CONAB (2020), 
a produção mundial de trigo na safra 2019/2020 chegou a 764,3 milhões de toneladas, 
sendo que a produção brasileira neste mesmo período chegou a 5,2 milhões de toneladas. 
Os países com maior produção mundial são a União Europeia (151,1 milhões de t), China 
(134,3 milhões de t), Índia (98,5 milhões de t), Rússia (85,2 milhõesde t) e Estados Unidos 
(47,4 milhões de t), os quais contribuem com 68% da produção total (FAOSTAT, 2020). 
Com o objetivo de alcançar maiores produções deste cereal no Brasil, além de 
fornecer grão que atenda as exigências do mercado, seja ele na forma de grão ou na forma 
já processada de farinha, é necessário efetuar o manejo correto na lavoura, fazê-lo de 
forma a preservar a qualidade sanitária e fisiológica do grão, atrelando isso a qualidade 
do grão a ser destinada para o beneficiamento e industrialização (ABRASEM, 2014). A 
farinha de trigo é um dos principais produtos gerados no beneficiamento, e a qualidade 
nutricional e tecnológica, como o peso do hectolitro, porcentagem de proteína no grão, 
presença de resíduos de agrotóxicos, entre outros, são parâmetros muito importantes 
avaliados nesse processo (COSTA, et al., 2008). 
Durante a fase de maturidade fisiológica, caracterizada pelo momento em que 
cessa a transferência de fotoassimilados produzidos pela planta para as sementes, a 
semente apresenta o mais alto potencial fisiológico (CECHINEL, et al. 2014). Entretanto, 
o processo de colheita do trigo ao atingir a maturidade fisiológica não pode ser realizado 
devido ao alto teor de água no grão (aproximadamente 40%). Sendo assim, verifica-se 
dificuldades no recolhimento, debulha, devido a umidade excessiva das plantas e uma 
quantidade grande de partes verdes, além das injúrias mecânicas por amassamento das 
sementes (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012). 
. Como alternativa na uniformidade na maturação, antecipação da colheita afim 
de preservar a qualidade da semente, a dessecação com produtos químicos tem sido 
utilizada, o qual promove a redução do teor de água das sementes rapidamente. Porém, o 
processo de dessecação em trigo, dependendo da forma em que for utilizado, época de 
aplicação, produto utilizado, podem afetar a qualidade das sementes e deixar resíduos no 
grão, inviabilizando a comercialização para consumo (LACERDA et al., 2005). Contudo, 
9 
 
se a dessecação for realizada de maneira correta, poderá ocorre a uniformidade de 
maturação e antecipação da colheita, favorecendo a obtenção de grãos com qualidade. 
Atualmente o único produto que tem registro para realizar o processo de 
dessecação na cultura do trigo é o glufosinato de amônio, utilizando 350 g ha-1 de 
ingrediente ativo, o que equivale a 1,75 L ha-1 do produto comercial Finale® (EMBRAPA, 
2019). Segundo Silva et al., (2011) a absorção do glufosinato de amônio é foliar, e a 
translocação é limitada tanto pelo floema como pelo xilema, possuindo o mecanismo de 
ação de contato, inibindo a atividade da enzima GS (glutamina sintetase) provocando 
alterações no metabolismo amônico, destruindo os tecidos da epiderme das folhas. Além 
disso, estudos recentes demonstram que o glufosinato de amônio também causa a 
formação e acúmulo de radicais livres de espécies reativas de oxigênio, ocorrendo antes 
do acúmulo de amônio na planta, possuindo mecanismo de ação semelhante aos 
herbicidas inibidores da PROTOX e Fotossistema 1 e 2, causando estresse oxidativo e a 
morte da planta (TAKANO et al., 2019). 
Diante desses fatores a dessecação em pré-colheita do trigo exige inúmeros 
cuidados, visto que a antecipação ou atraso da época correta em que o trigo é dessecado 
podem provocar efeitos prejudiciais na produtividade e na qualidade fisiológica das 
sementes de trigo produzidas (MORI; SILVA, 2013). Sendo assim, a aplicação deve ser 
realizada na fase de maturação que não traga problemas para os grãos e/ou semente, não 
acarretando na redução de produtividade e contaminação dos mesmos, a fim de preservar 
a qualidade dos grãos. 
 
1.1 JUSTIFICATIVA 
A realização de dessecação em pré-colheita do trigo auxilia na uniformidade de 
maturação e antecipação da colheita, deixando os grãos menos expostos no campo contra 
fatores climáticos e patógenos, que por sua vez causam danos na qualidade da semente, 
afetam a produtividade e produzem micotoxinas nos grãos. Portanto, realizar pesquisas e 
estudos para determinar a época de dessecação pré colheita que não afete a qualidade 
tecnológica e nutricional da semente, além da uniformidade de maturação dos grãos, 
reduzindo perdas e reduzindo a exposição dos grãos a fatores climáticos adversos e 
ocorrência de patógenos, se mostra de grande relevância. 
 
10 
 
1.2 OBJETIVOS 
 1.2.1 Objetivo Geral 
Avaliar o efeito da dessecação nos estádios de maturação G85, G87 e G91, sobre 
os parâmetros de qualidade tecnológica do grão e componentes de rendimento das 
cultivares Tbio Audaz e Tbio Toruk. 
 1.2.2 Objetivos Específicos 
- Avaliar se a dessecação nos estádios G85, G87 e G91 interfere na produtividade e na 
massa de mil grãos das cultivares Tbio Toruk e Tbio Audaz. 
- Avaliar a concentração de proteína no grão e peso do hectolitro em função da dessecação 
nos estádios G85, G87 e G91 nas cultivares Tbio Toruk e Tbio Audaz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
2. REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1 CULTIVO DO TRIGO 
O trigo (Triticum aestivum L.) é um cereal que constitui aproximadamente 50% 
da nutrição populacional de alguns países, destacando-se como o segundo cereal de maior 
produção mundial, ficando atras do milho (WANG et al., 2012). No Brasil a planta de 
trigo é caracterizada como cultura de inverno, pois o ciclo geralmente ocorre do outono 
até final da primavera (FORNASIERI FILHO, 2008). Seu cultivo concentra-se nas 
regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, porém para suprir o mercado interno necessita-se 
ainda da importação (COSTA et al., 2008). 
Segundo dados da CONAB (2021) a demanda brasileira de trigo no ano de 2020 
foi de 11.599,0 mil t, sendo que a produção foi de 6.234,6 mil t, exportação de 900 mil t 
e importação de 6.600,0 mil t, tendo de estoque final 563 mil t.O estado de Santa Catarina 
contribui apenas com 6,2% da produção nacional de trigo, sendo o estado do Paraná o 
maior produtor de trigo do país, contribuindo em média com 60% de toda a produção 
brasileira (CONAB, 2020). 
O potencial produtivo do trigo pode ser definido como a produção de grão obtida 
quando a cultura não é submetida a limitações hídricas ou nutricionais e sem outros 
condicionantes como pragas, doenças, plantas daninhas e adversidades climáticas 
(FISCHER, 2001). Os componentes básicos do rendimento de grãos são definidos em 
pré-antese (número de espigas m-2, número de espiguetas por espiga, número de grãos 
por espigueta) e em pós-antese (número e peso dos grãos) (BELLIDO, 1991). 
Cultivares modernas de trigo apresentam alto potencial de produção, sendo que 
existem cultivares utilizadas no sul do Brasil que atingem uma produtividade média de 
7.000 t ha-1 (EMBRAPA, 2019). Para a obtenção de altas produtividades e qualidade do 
grão é necessário a adoção de determinadas práticas de manejo como o espaçamento, 
densidade, controle de doenças e pragas, além de cuidados na colheita, entre outrosfatores determinantes. A qualidade do grão de trigo é um fator de extrema importância 
para o setor industrial. 
2.2 QUALIDADE TECNOLÓGICA DO GRÃO 
A produção, armazenagem e a comercialização de trigo podem ser orientadas por 
informações de qualidade tecnológica e pelo destino final do beneficiamento, que por 
muitas vezes é a farinha de trigo, destinada para elaboração de pães, massas alimentícias, 
12 
 
biscoitos, entre outros produtos. A qualidade das farinhas está intrinsecamente ligada aos 
parâmetros de qualidade tecnológica, a qual caracteriza-se por inúmeras avaliações feitas 
para processo de beneficiamento e posteriormente a fabricação de farinhas (COSTA et 
al., 2008). 
Nos grãos a qualidade tecnológica é identificada por parâmetros físicos, físicos-
químicos, e na farinha de trigo pelos parâmetros químicos, físicos e reológicos 
(PEREIRA, 2006). A realização desses testes possibilita a identificação do potencial de 
panificação, pela predição das características de qualidade tecnológica (GERMANI, 
2003). 
Os testes reológicos mais utilizados na análise de qualidade do trigo são: número 
de queda, teor de glúten, alveografia e farinografia (EMBRAPA, 2009). O número de 
quedas é o método que mede a intensidade de atividade da enzima α-amilase no grão, 
onde altos valores indicam baixa atividade dessa enzima, enquanto baixos valores 
indicam alta atividade, situação que ocorre normalmente quando ocorre a germinação da 
semente na espiga ou em clima quente e úmido durante a maturação da cultura a atividade 
de α-amilase aumenta, sendo que pães elaborados com farinha que possuem alta atividade 
enzimática (NQ < 200 s) tendem a apresentar miolo escuro e pegajoso (MÓDENES et 
al., 2009). 
O Teor de glúten (glúten seco e úmido) constituído de uma massa viscoelástica 
tridimensional que proporciona as características físicas e reológicas de plasticidade, 
viscosidade e elasticidade importantes para a massa (WIESIR, 2007). O teste de glúten 
fornece a medida quantitativa dessas proteínas. O coeficiente de hidratação do glúten, que 
pode ser determinado a partir da operação de secagem para se obter o glúten seco, 
corresponde à quantidade de água eliminada durante o processo de secagem na estufa e o 
coeficiente de hidratação é dado pela diferença entre o peso do glúten úmido e o peso do 
glúten seco (COSTA et al., 2008). 
Outro teste utilizado é a Alveografia, o qual simula o comportamento da massa na 
fermentação. As características viscoelásticas da farinha de trigo podem ser avaliadas por 
diferentes parâmetros da alveografia, sendo a energia de deformação da massa ou força 
de glúten (W) a que representa o trabalho de deformação da massa e indica a qualidade 
de panificação da farinha, correspondendo este teste ao trabalho mecânico necessário para 
expandir a bolha até a ruptura, sendo expressa em Joules (MÓDENES et al., 2009). A 
expressão “força de uma farinha” normalmente é utilizada para designar a maior ou a 
menor capacidade de uma farinha de sofrer um tratamento mecânico ao ser misturada 
13 
 
com água, sendo associada à maior ou à menor capacidade de absorção de água pelas 
proteínas formadoras de glúten, resultando num bom produto final de panificação, 
formando um pão de bom volume, de textura interna sedosa e de granulometria aberta 
(GUTKOSKI; NETO, 2002). 
A qualidade do grão de trigo é o resultado da interação das condições de cultivos 
e dos manejos adotados, que somado às interferências da operação de colheita, secagem 
e armazenamento, fatores que influenciam diretamente no uso industrial e produto final 
que é a farinha de trigo (GUTKOSKI; NETO, 2002). Sendo assim, a avaliação do 
mercado do trigo, são definidos por diferenças nas características como peso hectolitro, 
porcentagem de proteínas no grão, força geral de glúten, percentagem de mistura de grão 
danificados, além do teor e quantidade de micotoxinas e resíduos de agrotóxicos 
(PEREIRA, 2006) 
O peso do hectolitro (PH) que representa a massa de 100 litro de trigo, expressa 
em kg hl-1, é considerado como um dos grandes fatores de comercialização do trigo, sendo 
um parâmetro indicativo de qualidade e sanidade do grão, o qual é influenciada pela 
uniformidade, forma, densidade e tamanho do grão e também pelo teor de matérias 
estranhas e grão quebrados na amostra (EMBRAPA, 2009). O valor de PH igual a 78 Kg 
hct-1 é considerado como um valor padrão, de modo a sofrer um acréscimo ou decréscimo 
percentual, em função do PH ser maior ou menor do que 78 Kg (GUTKOSKI et al., 2007). 
O teor de proteinas no grão é outro parâmetro envolvido na qualidade tecnologica 
dos grão de trigo, sendo que os teores proteícos aceitáveis estão entre 9,5 e 15%, onde em 
função da concentração de proteína é realizada a indicação de um determinado produto a 
ser obtido, como recheios, massas, pães, entre outros (SCHEUER, et al. 2011). Altos 
teores proteícos no grão de trigo acarretam na diminuição da qualidade da farinha, devido 
possuir um glúten muito forte, o que não é desejado na panificação, e os baixos valores 
também não são indicados, sendo que os teores de proteinas aceito na panificação são em 
torno de 13% (SCHEUER et al., 2011). 
2.3 DESSECAÇÃO PRÉ COLHEITA 
O processo de colheita é considerado de extrema importância, tanto reduzir as 
perdas quanto para assegurar a qualidade final do grão. Na região sul, maior produtora de 
trigo do Brasil, a fase de colheita passa por períodos com excesso de chuvas, acarretando 
alta incidência de grãos germinados, classificados como de qualidade inferior para a 
indústria de panificados, reduzindo seu valor comercial (PIRES et al., 2012). 
14 
 
Uma alternativa para se reduzir à germinação de grãos na espiga, pode ser a 
antecipação da colheita, nesse processo pode-se obter um produto de boa qualidade 
industrial. Porém, para que esse processo aconteça precisamos de uniformidade na 
maturação da cultura e grão com umidade adequada para a colheita. O teor de água dos 
grãos de trigo define o momento propício para a colheita, a temperatura e o tempo 
adequados para a secagem e o seu acondicionamento para o armazenamento ou 
processamento industrial na moagem, sendo que os valores de umidade da semente mais 
indicada para realizar a colheita são entre 14% e 16% de umidade (POSNER; IHIBBS, 
1999). O retardamento na colheita, que por consequência provoca a permanência do grão 
na lavoura após a maturação fisiológica, ou a realização de secagem com temperaturas 
inadequadas em função do teor de umidade contribuem para alterações indesejáveis na 
qualidade tecnológica do trigo (CARNEIRO et al., 2005). 
Sendo assim, a dessecação na pré-colheita surge como alternativa, podendo ser 
utilizada para acelerar a perda de umidade, aliando-se a uniformidade de maturação, 
proporcionando antecipação da colheita e consequentemente deixando a sementes menos 
expostas a sofrer danos por patógenos e condições climáticas (PEREIRA et al., 2015). 
Outro aspecto muito importante na dessecação é o manejo de plantas daninhas de difícil 
controle na cultura subsequente utilizada, onde a dessecação proporciona um benefício 
no controle de diversas plantas daninhas (GRIFFIN et al., 2010). 
Para os cereais de inverno, neste caso o trigo, a dessecação em pré colheita exigem 
inúmeros cuidados, visto que a antecipação ou atraso da dessecação, podem provocar 
efeitos prejudiciais na produtividade e na qualidade fisiológica da semente de trigo 
produzida (SANTOS; VICENTE, 2009). Sendo assim, a aplicação deve ser realizada após 
a maturidade fisiológica, aonde cessa a trasferência de fotoassimilados para os 
grãos/sementes e esses apenas perderem água, não havendo riscos de reduções de 
produtividade e qualidade (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012). No ponto de 
maturidade fisiológica da semente, o conteúdo de reservas é máximo e o teor de água 
ainda é muito alto apresentando valores entre 30% e 50% de umidade (MARCOSFILHO, 
2005; CARVALHO; NAKAGAWA, 2012). 
O processo de dessecação caracteriza-se pela rápida perda de água da folhagem 
após a aplicação de um herbicida, como o glufosinatode amônio, tendo por conseqüência 
a morte rápida da folha e do pecíolo (AZEVEDO et al., 2004). Pesquisas recentes com a 
dessecação na cultura do trigo têm demonstrado a influência sobre parâmetros de 
qualidade do grão. Herbicidas aplicados na pré colheita podem afetar negativamente a 
15 
 
qualidade das sementes, como a redução na massa de sementes decorrente da aplicação 
com glufosinato de amônio (KRENCHINSKI et al., 2017). Porém, estudos também 
mostram resultados positivos com a utilização do herbicida glufosinato de amônio, 
demonstrando que após a dessecação na pré colheita do trigo, as sementes apresentaram 
taxas de germinação maiores que o controle sem dessecação, além disso, obtiveram 
porcentagem de mudas normais maior em relação ao tratamento sem aplicação 
(PERBONI et al., 2018). 
O glufosinato de amônio, usado como herbicida não seletivo, é dos um produto 
mais utilizado na dessecação em pré colheita na cultura do trigo, sendo recomendado para 
essa prática. O produto apresenta baixa toxicidade, sendo aplicado geralmente em pós-
emergência de plantas daninhas e tem ação mais rápida que glyphosate (ALMEIDA; 
ULBRICH, 1999). De acordo com Perboni et al., (2018), em seu trabalho com o uso de 
glufosinato e outros herbicidas, as melhores qualidade de semente foram encontradas nas 
aplicações mais tardias se comparadas com as aplicações no início de desenvolvimento 
da massa do grão. Nesse sentido, salienta-se a importância do estádio de aplicação para 
que a qualidade do grão e a produtividade não seja afetada. 
O herbicida glufosinato de amônio interfere no metabolismo do nitrogênio, 
inibindo diretamente a atividade da enzima glutamina sintetase, que é responsável por 
converter glutamato e amônia em glutamina, agindo indiretamente na destruição da célula 
e as reações dos fotossistemas pelo acúmulo de altos níveis de amônia (RODRIGUES; 
ALMEIDA, 2005). Porém pesquisas recentes feitas por pesquisadores da Universidade 
do Colorado nos Estados Unidos demonstram que a ação do herbicida glufosinato de 
amônio é semelhante a ação dos herbicidas inibidores da PROTOX e Fotossistema 1 e 2, 
agindo no acúmulo de espécies reativas de oxigênio, que em altas concentrações estas 
formas reativas de oxigênio são extremamente tóxicas para as plantas, pelo fato de 
reagirem com lipídios na membrana plasmática, causando o extravasamento celular 
(TAKANO et al., 2019). 
 
 
 
 
 
 
16 
 
3. MATERIAL E MÉTODOS 
 3.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA EXPERIMENTAL 
O experimento foi conduzido no campo da Fazenda Experimental Agropecuária, 
da Universidade Federal de Santa Catarina na localidade do “Campo da Roça” no km 6 
da Rodovia Ulysses Gaboardi, no município de Curitibanos-SC. As coordenadas 
geográficas são 27°16'26.55" S e 50°30'14.41W, e altitude média em relação ao nível do 
mar de 987. 
Segundo a classificação de Köppen, o clima da região enquadra-se na descrição 
de Cfb – temperado (mesotérmico úmido de verão ameno), com temperatura oscilando 
em média de 15°C a 25°C e precipitação média anual de 1500 mm. Os valores de 
temperatura e precipitação no período da condução do experimento são apresentados na 
Figura 1. 
Figura 1. Valores de temperatura mínima em máxima (a) e valores de precipitação 
pluvial (b) durante o período de condução dos experimentos. Curitibanos (SC), 2019. 
 
 
Fonte: Estação Meteorológica Área Experimental UFSC Curitibanos (CIRAM/EPAGRI); 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2019. 
 
17 
 
O solo predominante na área experimental é classificado como Cambissolo 
Háplico de textura argilosa, apresentando em média de 510g Kg-1 de argila (EMBRAPA, 
2018). Os valores da análise de solo na camada de 0 a 10 cm, realizada antes da 
implantação do experimento, são expressos na Tabela 1. 
Tabela 1 – Relatório de análise do solo correspondente a área de condução do 
experimento. Curitibanos, SC (2019). 
CTC 
(pH 7,0) 
P K Cu Fe Zn Mn 
cmoledm
-3 mgdm-3 cmoledm
-3 mgdm-3 mgdm-3 mgdm-3 mgdm-3 
21,04 21,50 0,24 5,69 191,42 2,33 29,65 
Índice pH Al+3 H + Al+3 Ca Mg V 
SMP H2O cmoledm
-3 cmoledm
-3 cmoledm
-3 cmoledm
-3 % 
6,39 6,04 0,0 3,71 11,64 5,42 82,36 
Ph em água 1:1; P determinado pelo método Mehlich I; K, Ca, Mg determinado pelo método 
Mehlich III. 
 3.2 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL 
O experimento foi conduzido com o delineamento de blocos casualizados (DBC) 
em esquema de parcelas subdividas com quatro repetições. A parcela foi composta pelas 
duas cultivares de trigo utilizadas (TBIO Toruk e TBIO Audaz) para a condução do 
experimento. Já a subparcela foi composto pelas diferentes épocas que foi realizada a 
aplicação do dessecante, sendo os estádios G85 caracterizado pelo estado de massa mole 
do grão, G87 caracterizado pelo estado de massa dura do grão e o G91 caracterizado pelo 
estado de cariopse dura na escala de ZADOKS, além de uma testemunha onde não foi 
realizado a dessecação para ambas as cultivares testadas. Cada parcela foi composta por 
onze linhas de semeadura, com espaçamento entre linhas de 0,17m e comprimento de 4,5 
m. A área útil da parcela foi composta por sete linhas, com 3,5 m de comprimento cada, 
sendo descontada como bordadura duas linhas de cada limite lateral e meio metro de cada 
extremidade entre parcelas. 
18 
 
 3.3 CONDUÇÃO DO EXPERIMENTO 
O experimento foi conduzido em condições de campo, sob sistema de semeadura 
convencional no dia 12 de julho de 2019, sendo utilizada uma semeadora adubadora de 
fluxo contínuo VENCETUDO® modelo AS11500A com 11 linhas de inverno e 5 de 
verão. As cultivares utilizadas foram a TBIO Toruk e TBIO Audaz, ambas da empresa 
Biotrigo, as quais possuem alta qualidade para panificação. 
A cultivar TbioToruk é classificada como um trigo do tipo pão/melhorador, 
apresenta por características industriais uma força de glúten média de 320 W, o nível de 
dureza do grão é da categoria dura, com a coloração de grãos em um tom vermelho claro, 
um peso de mil sementes médio é cerca de 33g, ciclo médio, com aproximadamente 145 
dias da semeadura até a maturidade de colheita (BIOTRIGO, 2019). Já a cultivar Tbio 
Audaz é classificada como um trigo do tipo melhorador, apresenta características 
industriais de força de glúten média de 458 W, o nível de dureza do grão é da categoria 
dura, a coloração do grão é em um tom avermelhado, com peso médio de mil sementes 
de 32 g, ciclo precoce, cerca de 117 dias da semeadura até a maturidade de colheita 
(BIOTRIGO, 2019). 
A adubação durante o ciclo da cultura foi efetuada com a aplicação de 400 kg 
ha-1 de adubo formulado 00-18-18, mais 90 kg ha-1 de adubo 45-00-00 (NPK). A 
adubação nitrogenada foi realizada em parcelas, sendo utilizado 30 kg de N na base e o 
restante dividido em 3 aplicações em cobertura, nos estádios de perfilhamento, 
alongamento e emborachamento (pré-antese). Utilizou-se na semeadura uma densidade 
em cultivo de 330 plantas m-2. Durante todo o ciclo da cultura foi realizado três aplicações 
de fungicida, uma aplicação de Nativo® (ingrediente ativo Tebuconazol 200 g/L e 
Trifloxistrobina 100 g/L) na dosagem de 0,6 L p.c. ha-1 e duas aplicações de Tilt 
(ingrediente ativo Propiconazol 250 g/L) na dosagem de 0,5 L p.c. ha-1. 
A aplicação dos dessecantes foi realizada em ambas as cultivares nos três 
diferentes estádios de maturação do trigo G85, G87 e G91 (Tabela 2). O equipamento 
utilizado na pulverização foi um pulverizador pressurizado por CO2 com quatro pontas de 
pulverização, onde a ponta utilizada foi a MAGNOJET®, de leque plano, com ângulo de 
aplicação de 110º e vazão de 015 galões americanos, ou 0,568 L min-1 a 40 PSI. O 
herbicida utilizado na dessecação foi o Glufosinato de Amônio (Finale®) na dosagem de 
350g i.a. ha-1, de forma conjunta com o espalhanteadesivo Nonilfenoxi poli (Agral®) na 
dosagem de 50g i.a. ha-1, em uma taxa de aplicação de 150 L ha-1. As datas de aplicação 
19 
 
do dessecante são expressas na Tabela 2, assim como as datas que foram realizadas a 
colheita do trigo. O processo de colheita foi realizado respeitando o tempo de carência do 
produto de 7 dias e quando as sementes apresentavam a umidade média entre 14% e 16%, 
sendo valor ideal para colheita. 
Tabela 2 – Datas de aplicação do dessecante glufosinato de amônio e colheita do trigo. 
Curitibanos, SC (2019). 
Cultivar Estádio Dessecação Colheita 
Audaz G 85 11/11 18/11 
Audaz G 87 15/11 19/11 
Audaz G 91 18/11 22/11 
Audaz Testemunha - 22/11 
Toruk G 85 11/11 18/11 
Toruk G 87 15/11 19/11 
Toruk G 91 18/11 22/11 
Toruk Testemunha - 22/11 
 
 Após a colheita foi avaliada a massa de mil grãos, obtido pela pesagem de oito 
subamostras de 100 grãos, a qual foi extrapolada para massa de mil grão, seguindo a 
metodologia específica (BRASIL, 2009). Para a avaliação de produtividade de grão foi 
realizado a colheita em toda parcela útil. Após a coleta realizou-se a debulha manual das 
amostras, sendo realizado posteriormente a pesagem em balança analítica. Após a 
pesagem foi realizado a contabilização de umidade do grão utilizando um medidor de 
umidade de grão modelo AL 101, sendo descontado os valores e feito a correção de 
umidade para 13%. Para a correção de umidade do grão foi utilizado a fórmula: 
 
PS= PU.(
100-Ua
100-Uc
) 
20 
 
Onde: 
PS = Massa de grãos corrigida para 13% de teor de água (g) 
PU = Massa de grãos obtida no campo (g) 
Ua = teor de água da amostra úmida (%) 
Uc = Teor de água de correção (13%) 
 
Os valores obtidos foram extrapolados para kg ha-1. 
Para avaliação da qualidade tecnológica do grão, foram avaliados nesse trabalho 
o peso do hectolitro e a porcentagem de proteínas no grão após a colheita. A obtenção 
desses valores foi feita pelo laboratório da empresa Biotrigo, o qual realizou as análises 
e disponibilizou o resultado final dos parâmetros de peso do hectolitro e porcentagem de 
proteína no grão expressos neste trabalho. 
 
3.4 ANÁLISE ESTATÍSTICA 
Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F a 5% 
de probabilidade. As médias quando apresentaram diferença estatística, foram 
comparadas pelo teste de Tukey a 5% de significância. O programa estatístico Sisvar foi 
utilizado na análise dos dados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Na Tabela 3 são apresentados os dados da análise de variância para as variáveis 
de produtividade (kg ha-1), massa de mil grãos (g), peso do hectolitro (kg hl-1) e proteínas 
(%) para as cultivares testadas e os estádios de dessecação. A análise de variância indica 
que não ocorreu diferença significativa para nenhum dos tratamentos ao nível de 5% de 
significância. 
Tabela 3 - Produtividade (kg ha-1), massa de mil grãos (g), peso do hectolitro (kg hl-1) e 
teor de proteína do grão (%) nas cultivares de trigo submetidas à dessecação em 
diferentes estádios de maturação. Curitibanos (SC), 2019. 
Cultivar Prod (kg ha-1) MMG (g) PH (kg hl-1) Prot (%) 
TBIO Audaz 4554,14 34,25 79,7 13,7 
TBIO Toruk 4293,25 33,73 78,8 13,1 
P 0,28 0,29 0,31 0,16 
Estádio Prod (kg ha-1) MMG (g) PH (kg hl-1) Prot (%) 
G 85 4355,1 34,28 79,6 13,1 
G 87 3863,9 32,05 79,0 13,3 
G 91 3853,8 30,29 79,5 13,6 
Testemunha 5085,3 35,13 79,0 13,7 
P 0,08 0,42 0,44 0,48 
C x E (p) 0,52 0,37 0,43 0,40 
CV1 (%) 26,54 17,48 17,68 17,61 
CV2 (%) 23,57 18,93 18,31 18,08 
CV1: coeficiente de variação da parcela; CV2: coeficiente de variação da subparcela. 
Observa-se nos dados expostos na Tabela 3, que não houve interação entre as 
cultivares e os estádios de dessecação, demonstrando que as cultivares se comportaram 
iguais em função dos estádios de dessecação. Portanto, a dessecação não influenciou na 
produtividade, no peso de mil grão, no peso do hectolitro e também na porcentagem de 
proteína no grão em todos os estádios que foi realizado a dessecação e nas cultivares Tbio 
Audaz e Tbio Toruk. 
Pesquisas realizadas pela EMBRAPA (2019) nos estados da região sul, citando 
propriedades próximas de Curitibanos, demonstram que os componentes de rendimento, 
não mostraram diferença estatística significativa na cultivar TBIO Audaz e TBIO Toruk, 
22 
 
mostrado resultados semelhantes ao encontrado nesse estudo, onde não ocorreu diferença 
entre as cultivares testadas. Da mesma forma relatou Podgorski (2019) que não obteve 
resultado significativo entre as duas cultivares, para os parâmetros de produção e 
qualidade do grão. Nos dados podemos observar que a produtividade ficou abaixo da 
produção esperada das cultivares Audaz e Toruk, assim como nos respectivos estádios de 
dessecação. Esses valores de baixa produção, podem ser decorrentes de períodos com 
baixa precipitação durante a condução do experimento, sendo que a falta de água durante 
o ciclo da cultura pode afetar o desenvolvimento da planta, refletindo na produtividade. 
Nesse estudo, podemos observar também que a dessecação do trigo com herbicida 
glufosinato de amônio, não apresentou desvantagens para a qualidade do grão, pois 
quando comparamos os valores obtidos com a dessecação nos diferentes estádios de 
maturação e a testemunha onde não foi realizado a dessecação, não temos alteração de 
peso do hectolitro e porcentagem de proteínas no grão, sendo esses valores 
estatisticamente iguais. Portanto, realizar a aplicação do dessecante glufosinato de 
amônio nos estádios de maturação G85, G87 e G91, proporcionaram antecipação de 
colheita. Contudo, os valores da testemunha, onde não foi realizado a dessecação e a 
semente permaneceu mais tempo no campo, também não tivemos a redução nos 
parâmetros de qualidade, pelo fato das condições climáticas durante o processo de 
maturação das sementes não terem sido favorável para injúrias e redução da qualidade. 
A dessecação no estádio G85 antecipou a colheita em 4 dias em comparação com 
a testemunha que não foi dessecada. O G87 antecipou a colheita em 3 dias em comparação 
com a testemunha, sendo que a colheita da testemunha e G91 foram realizadas no mesmo 
dia, demonstrando que a dessecação no estádio G91 não antecipou a colheita. A 
antecipação da colheita e decorrente da uniformidade de maturação e perda rápida de água 
da semente, sendo assim possibilita uma melhora na eficiência da colheita mecanizada, 
sem que afete os parâmetros de qualidade do grão e reduza a produção com perdas. 
Segundo Lunkes (2014), o trigo dessecado com glufosinato de amônio, não afeta 
a produtividade e o peso do hectolitro nos diferentes estadios de aplicação, resultando 
semelhante visto neste trabalho. Fipke (2018) também observou em seus trabalhos que a 
aplicação de dessecante na cultura do trigo com glufosinato de amônio e outros 
herbicidas, não alterar siginificativamente a massa de mil grãos e a produção, resultados 
também observados nesse trabalho, onde não tivemos diferença na massa de mil grãos e 
produção em ambas as cultivares e épocas de dessecação estudadas. 
23 
 
O peso do hectolitro (kg hl-1) nas duas cultivares e nos estádios de dessecação 
G85, G87 E G91, mostraram-se iguais estatisticamente, onde os valores encontrados estão 
de acordo com o padrão exigido pelo mercado, que, segundo Ignaczak e Andrade (1982) 
o peso do hectolitro superior a 78 kg hl-1 é desejável pela industria, podendo assim o 
produtor receber acréscimo na comerecelização do grão que apesentarem peso do 
hectolitro mais elevados. Portanto, nesse parâmetro a dessecação não afetou 
negativamente a qualidade do grão, onde os valores obtidos estão acima do valor 
estabelecido pelo mercado. 
Segundo Scheuer et al. (2011), para que o grão de trigo seja classificado como de 
qualidade e possa ser utlizado na panificação, os teores de proteinas devem estar em torno 
de 13%, valores abaixo disso, a farinha é destinada a produção de bolachas e massa. 
Neste estudo, a porcentagem de proteína no grão nas duas cultivares e em todas os 
estádios em que foi realizada a dessecação, não diferiram estatisticamente ficando entre 
13% e 14%, demonstrando que a dessecação nos estádio G85, G87 e G91 não afetam o 
percentual de proteína no grão assim como a testemunha que não foi realizado a 
dessecação. Portanto, os valores encontrados de teores de protinas no grão estão dentro 
do exigido pelos moinhos para a processo de panificação. 
Os resultados de produtividade não apresentaram diferença significativa, 
evidenciando que, nas épocas de dessecação e na dose aplicada, o herbicida utilizado não 
afetou a produtividade de grãos. Porém, para realizarmos essa prática de dessecação, tem 
que ser levando em conta a viabilidade econômica, pois quando não foi realizado a 
dessecação, também não tivemos impactos na produtividade e na qualidade do grão. 
A cultivar TBIO Audaz apresentou uma média de produtividade de 4554,14 kg 
ha-1, massa de mil grãos de 34,25 g, peso do hectolitro 79,7 kg hl-1 e porcentagem de 
proteínas no grão de 13,7%. A cultivar TBIO Toruk apresentou uma produtividade média 
de 4293,25 kg ha-1, massa de mil grãos de 33,73 g, peso do hectolitro de 78,8 kg hl-1 e 
porcentagem de proteína de 13,1%. Porém esses valores demonstrados, em relação às 
cultivares, não se observa diferença de produção e qualidade do grão, valores estes de 
acordo com os valores normais relatados no portifólio de cultivares da Biotrigo, apesar 
da produtividade ter ficado abaixo do descrito pelas cultivares, por conta da falta de 
precipitação durante a condução do experimento. 
24 
 
5. CONCLUSÃO 
A dessecação nos estádios G85, G87 e G91 não afetaram a produtividade, a massa 
de mil grãos, o peso do hectolitro e a teor de proteína no grão nas cultivares de trigo Tbio 
Audaz e Tbio Toruk. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
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