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Relações lógicas no texto
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Na construção da textualidade, todos os fatores de constituição de sentidos articulam-
se solidariamente e, entre eles, reconhecemos as marcas lingüísticas que orientam a
organização lógica das idéias.
Focalizamos nesta unidade algumas das mais importantes relações lógicas que
tecem a construção de sentidos de um texto e os elementos lingüísticos que as marcam:
as relações de abrangência de significação (hiponímia e hiperonímia), as de condição
e de conclusão.
Para alcançar o objetivo de sistematizar relações lógicas bem articuladas,
vamos trabalhar com um texto dissertativo argumentativo, que, em geral, exige
mais elaboração nas marcas de relações lógicas de negação, de condição e de
causa e conseqüência.
1. Leve seus alunos a produzirem um texto, estabelecendo as relações lógicas
necessárias à articulação coerente das informações.
2. O tema pode ser, inicialmente, objeto de pesquisa de dados e informações a
partir de fontes variadas.
3. As informações colhidas devem ser registradas em blocos ou esquemas,
primeiramente sem preocupação com a articulação lógica entre elas.
4. A próxima tarefa é a de organizar essas informações em textos – ou fragmentos
de textos, para alunos com menor maturidade de produção textual – que marquem as
relações lógicas entre elas.
5. Se os alunos necessitarem de maior direcionamento e apoio, as atividades
desenvolvidas nesta unidade poderão servir de modelo de exercícios prévios à
elaboração do texto.
6. Damos a seguinte sugestão de informações já previamente organizadas.
Avançando
na prática
TP5 - Estilo, coerência e coesão - Parte I
Significados implícitos
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Resumindo
Um texto, em geral, se constrói a partir de informações sobre o tema escolhido
e sobre relações lógicas que buscam o fio condutor da coerência das idéias entre
si e com a situação em que é produzido.
Muitas das informações nem precisam ser explicitadas porque decorrem de
idéias já expressas no texto. Pelas relações lógicas recuperam-se tais significados
implícitos.
Na relação de hiponímia reconhecemos a abrangência de sentidos dos conceitos
e idéias, estabelecendo a hierarquia ou subordinação dos elementos, hipônimos.
Sua contrapartida é a hiperonímia, que focaliza a superordenação dos elementos
de uma classe, os hiperônimos.
Brasília, 22 de março de 2003.
Relações lógicas no texto
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Relações de condição e de conclusão também marcam a construção de
significados implícitos.
A língua dispõe de variados recursos para marcar as relações lógicas que
constituem a textualidade e funcionam como “pistas” para a depreensão dos
implícitos. As orientações para uma correta interpretação das relações lógicas são
parte das relações de coesão e coerência de um texto.
Como o conhecimento partilhado pelos interlocutores e as finalidades
comunicativas são fatores decisivos para marcar essas orientações, os gêneros
textuais são relevantes na construção lógica do texto – e na conseqüente busca
de coerência.
A flexibilidade nas marcas lingüísticas dessas relações está intimamente
relacionada ao gênero. Em geral, textos que exploram mais a linguagem poética
exigem menor articulação entre as relações lógicas; textos que objetivam maior
grau de “cientificidade” fundamentam-se em fortes relações lógicas.
TP5 - Estilo, coerência e coesão - Parte I
Significados implícitos
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Leituras sugeridas
ILARI, R. Introdução à semântica. São Paulo: Contexto, 2001.
A vasta experiência do autor permite-lhe apresentar algumas das mais fundamentais
relações lógicas em língua natural por meio de uma bem-humorada coleção de exemplos
e exercícios. A obra apresenta muitas outras relações lógicas, além daquelas focalizadas
nesta unidade, e que podem interessar ao professor de Língua Portuguesa.
______ Introdução ao estudo do léxico. São Paulo: Contexto, 2003.
Este volume dá continuidade ao primeiro, abordando relações lógicas mais diretamente
ligadas ao léxico. Os exemplos são cotidianos e bem humorados, retirados de jornais e
revistas. A variedade de relações abordadas complementa as focalizadas nesta unidade.
_______& GERALDI, J. W. Semântica. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1985.
Um volume de pequenas dimensões físicas, mas de grande perspicácia de análise de
algumas das mais relevantes relações lógicas da construção textual. De leitura um pouco
mais densa que a dos títulos anteriores, ainda assim consegue clareza e objetividade na
apresentação dos temas.
OLIVEIRA, R. P. de. “Semântica”. In: Mussalim, F. & Bentes, A . C. (org.) Introdução à
Lingüística. São Paulo: Cortez, 2001.
Trata-se de um capítulo que integra uma obra, em dois volumes, dedicada a introduzir
os iniciantes em estudos da linguagem nos vários níveis de estudos lingüísticos. Mesmo
em menor número que os exemplos e exercícios das obras de Rodolfo Ilari, as análises
apresentadas são claras e muito úteis para os trabalhos com as relações lógicas em
língua natural.
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Bibliografia
CHIERCHIA, G. Semântica. Campinas: Unicamp, 2003. (tradução: L.A . Pagani, L.
 Negri e R. Ilari)
___________& McCONNEL-GINET, S. Meaning and grammar. An
 introduction to semantics. Cambridge: MIT Press, 1990.
COROA, M. L. O tempo nos verbos do Português- uma introdução à sua
 interpretação semântica. Brasília: Thesaurus, 1985.
DUCROT, O. Princípios de Semântica Lingüística (dizer e não dizer). São
 Paulo: Cultrix, 1979.
_________ O dizer e o dito. Campinas: Pontes, 1987.
FIORIN, J. L. As astúcias da enunciação. São Paulo: Ática, 1996.
FREGE, G. Lógica e filosofia da linguagem. São Paulo: Cutrix, 1978.
GUIMARÃES, E. Os limites do sentido. Campinas: Pontes, 1995.
ILARI, R. Introdução à Semântica. São Paulo; Contexto, 2001.
______ Introdução ao estudo do léxico. São Paulo: Contexto, 2003.
_______& GERALDI, J. W. Semântica. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1985.
KOCH, I. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002.
LYONS, J. Semântica. Lisboa: Presença, 1977.
MOURA, H. M. M. Significação e contexto. Florianópolis: Insular, 1999.
OLIVEIRA, R. P. de. “Semântica”. In: Mussalim, F. & Bentes, A . C. (org.)
Introdução à Lingüística. São Paulo: Cortez, 2001.
______________ Semântica Formal. Campinas: Mercado de Letras, 2000.
SAEED, J. I. Semantics. Oxford: Blackwell, 1997.
VAN DIJK, T. Cognição, Discurso e Interação. São Paulo, Contexto, 1992.
VAN DIJK, T. & KINTSCH, W. Strategies of discourse comprehension. New
 York: Academic Press, 1983.
VILELA, M. & KOCH, I. V. Gramática da Língua Portuguesa. Coimbra:
 Almedina, 2001.

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