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Relações lógicas no texto U ni da de 2 0 229 Na construção da textualidade, todos os fatores de constituição de sentidos articulam- se solidariamente e, entre eles, reconhecemos as marcas lingüísticas que orientam a organização lógica das idéias. Focalizamos nesta unidade algumas das mais importantes relações lógicas que tecem a construção de sentidos de um texto e os elementos lingüísticos que as marcam: as relações de abrangência de significação (hiponímia e hiperonímia), as de condição e de conclusão. Para alcançar o objetivo de sistematizar relações lógicas bem articuladas, vamos trabalhar com um texto dissertativo argumentativo, que, em geral, exige mais elaboração nas marcas de relações lógicas de negação, de condição e de causa e conseqüência. 1. Leve seus alunos a produzirem um texto, estabelecendo as relações lógicas necessárias à articulação coerente das informações. 2. O tema pode ser, inicialmente, objeto de pesquisa de dados e informações a partir de fontes variadas. 3. As informações colhidas devem ser registradas em blocos ou esquemas, primeiramente sem preocupação com a articulação lógica entre elas. 4. A próxima tarefa é a de organizar essas informações em textos – ou fragmentos de textos, para alunos com menor maturidade de produção textual – que marquem as relações lógicas entre elas. 5. Se os alunos necessitarem de maior direcionamento e apoio, as atividades desenvolvidas nesta unidade poderão servir de modelo de exercícios prévios à elaboração do texto. 6. Damos a seguinte sugestão de informações já previamente organizadas. Avançando na prática TP5 - Estilo, coerência e coesão - Parte I Significados implícitos Se çã o 3 230 Resumindo Um texto, em geral, se constrói a partir de informações sobre o tema escolhido e sobre relações lógicas que buscam o fio condutor da coerência das idéias entre si e com a situação em que é produzido. Muitas das informações nem precisam ser explicitadas porque decorrem de idéias já expressas no texto. Pelas relações lógicas recuperam-se tais significados implícitos. Na relação de hiponímia reconhecemos a abrangência de sentidos dos conceitos e idéias, estabelecendo a hierarquia ou subordinação dos elementos, hipônimos. Sua contrapartida é a hiperonímia, que focaliza a superordenação dos elementos de uma classe, os hiperônimos. Brasília, 22 de março de 2003. Relações lógicas no texto U ni da de 2 0 231 Relações de condição e de conclusão também marcam a construção de significados implícitos. A língua dispõe de variados recursos para marcar as relações lógicas que constituem a textualidade e funcionam como “pistas” para a depreensão dos implícitos. As orientações para uma correta interpretação das relações lógicas são parte das relações de coesão e coerência de um texto. Como o conhecimento partilhado pelos interlocutores e as finalidades comunicativas são fatores decisivos para marcar essas orientações, os gêneros textuais são relevantes na construção lógica do texto – e na conseqüente busca de coerência. A flexibilidade nas marcas lingüísticas dessas relações está intimamente relacionada ao gênero. Em geral, textos que exploram mais a linguagem poética exigem menor articulação entre as relações lógicas; textos que objetivam maior grau de “cientificidade” fundamentam-se em fortes relações lógicas. TP5 - Estilo, coerência e coesão - Parte I Significados implícitos Se çã o 3 232 Leituras sugeridas ILARI, R. Introdução à semântica. São Paulo: Contexto, 2001. A vasta experiência do autor permite-lhe apresentar algumas das mais fundamentais relações lógicas em língua natural por meio de uma bem-humorada coleção de exemplos e exercícios. A obra apresenta muitas outras relações lógicas, além daquelas focalizadas nesta unidade, e que podem interessar ao professor de Língua Portuguesa. ______ Introdução ao estudo do léxico. São Paulo: Contexto, 2003. Este volume dá continuidade ao primeiro, abordando relações lógicas mais diretamente ligadas ao léxico. Os exemplos são cotidianos e bem humorados, retirados de jornais e revistas. A variedade de relações abordadas complementa as focalizadas nesta unidade. _______& GERALDI, J. W. Semântica. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1985. Um volume de pequenas dimensões físicas, mas de grande perspicácia de análise de algumas das mais relevantes relações lógicas da construção textual. De leitura um pouco mais densa que a dos títulos anteriores, ainda assim consegue clareza e objetividade na apresentação dos temas. OLIVEIRA, R. P. de. “Semântica”. In: Mussalim, F. & Bentes, A . C. (org.) Introdução à Lingüística. São Paulo: Cortez, 2001. Trata-se de um capítulo que integra uma obra, em dois volumes, dedicada a introduzir os iniciantes em estudos da linguagem nos vários níveis de estudos lingüísticos. Mesmo em menor número que os exemplos e exercícios das obras de Rodolfo Ilari, as análises apresentadas são claras e muito úteis para os trabalhos com as relações lógicas em língua natural. Relações lógicas no texto U ni da de 2 0 233 Bibliografia CHIERCHIA, G. Semântica. Campinas: Unicamp, 2003. (tradução: L.A . Pagani, L. Negri e R. Ilari) ___________& McCONNEL-GINET, S. Meaning and grammar. An introduction to semantics. Cambridge: MIT Press, 1990. COROA, M. L. O tempo nos verbos do Português- uma introdução à sua interpretação semântica. Brasília: Thesaurus, 1985. DUCROT, O. Princípios de Semântica Lingüística (dizer e não dizer). São Paulo: Cultrix, 1979. _________ O dizer e o dito. Campinas: Pontes, 1987. FIORIN, J. L. As astúcias da enunciação. São Paulo: Ática, 1996. FREGE, G. Lógica e filosofia da linguagem. São Paulo: Cutrix, 1978. GUIMARÃES, E. Os limites do sentido. Campinas: Pontes, 1995. ILARI, R. Introdução à Semântica. São Paulo; Contexto, 2001. ______ Introdução ao estudo do léxico. São Paulo: Contexto, 2003. _______& GERALDI, J. W. Semântica. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1985. KOCH, I. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. LYONS, J. Semântica. Lisboa: Presença, 1977. MOURA, H. M. M. Significação e contexto. Florianópolis: Insular, 1999. OLIVEIRA, R. P. de. “Semântica”. In: Mussalim, F. & Bentes, A . C. (org.) Introdução à Lingüística. São Paulo: Cortez, 2001. ______________ Semântica Formal. Campinas: Mercado de Letras, 2000. SAEED, J. I. Semantics. Oxford: Blackwell, 1997. VAN DIJK, T. Cognição, Discurso e Interação. São Paulo, Contexto, 1992. VAN DIJK, T. & KINTSCH, W. Strategies of discourse comprehension. New York: Academic Press, 1983. VILELA, M. & KOCH, I. V. Gramática da Língua Portuguesa. Coimbra: Almedina, 2001.