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Natalia Quintino Dias ATLS – Trauma na gestante Com o avançar da gestação, o útero cresce e projeta-se para fora da pelve a partir da 12ª semana. Já na 20ª semana, pode ser palpável ao nível da cicatriz umbilical e, entre a 34ª e 36ª semanas, alcança a margem costal. Com isso, ocorre uma leve compressão do diafragma – elevando-se cerca de 4 cm –, o que produz uma redução no volume residual pulmonar. À medida que a cabeça do feto posiciona-se na pelve para o parto, a altura uterina reduz sutilmente. Nesse estágio, fraturas pélvicas podem causar trauma cranioencefálico fetal. Com o crescimento uterino na linha mediana da cavidade abdominal, as vísceras que antes ocupavam essa região se encontram deslocadas. O intestino delgado desloca-se cefalicamente para o abdome superior. Por conta disso, no trauma fechado, as alças costumam estar protegidas a despeito da vulnerabilidade uterina, enquanto, no trauma penetrante no abdome superior, podem sofrer lesões extensas. Uma outra desvantagem está na dificuldade em acessar sinais de irritação peritoneal e ascite nessas pacientes, em virtude da excessiva distensão da parede abdominal. A bexiga habitualmente se encontra anterior ao útero, logo, também se desloca para a cavidade intra- abdominal, estando mais vulnerável ao trauma. Em adição a isso, sua vascularização está aumentada em virtude da gestação, o que aumenta o risco de sangramentos intensos. A partir da 20ª semana, o útero gravídico é capaz de comprimir as estruturas retroperitoneais (principalmente quando a gestante assume a posição supina), gerando compressão de aorta e veia cava inferior, que podem produzir: edema de membros inferiores; diminuição da pré-carga e do débito cardíaco; e dilatação pielocalicial e ureteral, principalmente do lado direito, gerando hidronefrose e hidroureter sem significado patológico. Com o crescimento uterino, sua parede tende a se tornar mais fina e, consequentemente, mais vulnerável ao avançar do último trimestre. A placenta é uma estrutura pouco elástica e também pode sofrer dano na ocorrência de trauma. Ademais, sua vascularização é maximizada a fim de produzir uma região de baixa resistência para transferência de oxigênio e nutrientes ao feto. Assim, no caso de choque hipovolêmico materno, com o aumento compensatório da resistência periférica há uma redução da oxigenação fetal. A partir do sétimo mês, a sínfise púbica e os espaços entre as articulações sacroilíacas aumentam, favorecendo subluxações e dificultando a interpretação de radiografias pélvicas. A regra do ABCDE continua exatamente a mesma na gestante. Gestantes no 2º e 3º trimestres devem ser posicionadas em decúbito lateral esquerdo a fim de descomprimir a cava.