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Instituto Brasileiro de Estudos Tributários - IBET 
Módulo IV: Controle da Incidência Tributária 
Seminário V: Tributação Internacional 
Aluno: Gabriel de Sousa Lopes 
 
1. Construa a RMIT dos Impostos de Importação e de Exportação. Explique 
fundamentadamente qual o marco temporal para a incidência dos impostos. Qual o 
conceito de produto para fins de incidência destes tributos? 
 
RMIT – Imposto de Importação 
 
Critério Material: Importar produtos estrangeiros; 
 
Critério Temporal: Entrega da declaração de importação; 
 
Critério Espacial: Para o território aduaneiro tributário; 
 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo: I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida 
adotada pela lei tributária; II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, 
ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre 
concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País; III - quando se trate 
de produto apreendido ou abandonado, levado a leilão, o preço da arrematação; Alíquota: de 
acordo com a classificação na tabela da Tarifa Externa Comum (TEC); 
 
Critério Pessoal: Sujeito ativo: União, Sujeito passivo: importador 
 
RMIT – Imposto de Exportação 
 
Critério Material: Exportar, para o exterior, produtos nacionais ou nacionalizados; 
 
Critério Temporal: Registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex; 
 
Critério Espacial: Do território nacional; 
 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo: I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida 
adotada pela lei tributária; II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, 
ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre 
concorrência; Alíquota: de acordo com a classificação na tabela da Tarifa Externa Comum (TEC); 
 
Critério Pessoal: Sujeito ativo: União, Sujeito passivo: exportador. 
 
Conforme destacado acima, o critério temporal para incidência dos impostos de importação e 
exportação se caracterizam, por força de disposição legislativa expressa, na entrega da 
declaração de importação e no registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior 
– Siscomex. A rácio de tais disposições se dá no sentido de que a entrega da declaração (II) e o 
registro do Siscomex (IE) traduzem as operações em linguagem jurídica adequada. 
 
Produto, por sua vez, para fins dos supracitados tributos, pode ser conceituado como o bem 
corpóreo que resulta da transformação de elementos naturais, ou seja, um bem material 
resultante de um processo produtivo. 
 
3. A reimportação de mercadoria exportada em caráter definitivo se equipara à 
importação, ou seja, a mercadoria exportada perde a condição de nacional, devendo 
se submeter ao Imposto de Importação ao ser reimportada? (Vide anexo I) 
 
Embora, na minha opinião, exista uma falta de regulamentação clara em relação ao assunto da 
reimportação, é importante destacar que a decisão do REsp nº 662.882/RJ estabeleceu o 
entendimento de que a importação e a reimportação são atividades distintas que não devem ser 
confundidas ou equiparadas. Portanto, a reimportação deve ser devidamente especificada na 
legislação, a fim de evitar qualquer violação do princípio da legalidade, como estabelecido nos 
artigos 150, I, da Constituição Federal e nos artigos 3º e 97, I, do Código Tributário Nacional. 
 
4. O ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema monista ou dualista? Em 
face da resposta ao item anterior, defina os critérios para solução de conflitos entre 
tratados e lei interna, no Direito Tributário Brasileiro. Há hierarquia entre tratados e 
lei interna? 
 
Na minha perspectiva, o sistema jurídico brasileiro adota o sistema monista, que considera o 
direito como um sistema unitário no qual as normas internas e internacionais coexistem dentro 
do mesmo sistema legal. Isso é evidenciado quando tratados e convenções internacionais se 
tornam parte integrante do direito brasileiro positivo, desde que sejam aprovados por decretos 
legislativos. 
 
Além disso, considero que não existe uma hierarquia entre tratados internacionais e leis 
ordinárias, pois, quando aprovados, eles assumem o status de leis ordinárias. 
 
Contudo, é importante ressaltar que, de acordo com o artigo 98 do Código Tributário Nacional, 
tratados e convenções internacionais têm o poder de revogar ou modificar a legislação tributária 
interna e devem ser seguidos quando forem mais recentes. Portanto, o critério temporal pode 
ser aplicado como uma solução para resolver conflitos entre tratados internacionais e leis internas 
no âmbito do Direito Tributário Brasileiro. 
 
5. Sobre os tratados, responda: 
 
a) Defina o conceito de “tratado internacional”, descrevendo como se dá seu ingresso 
no ordenamento jurídico, seu momento de vigência no direito interno e sua posição 
hierárquica no sistema jurídico (vide §2º do art. 5º da Constituição e o art. 98 do 
Código Tributário Nacional e o entendimento exposto pelo STF anexo III). 
 
Podemos definir um tratado como "um acordo internacional celebrado por escrito entre Estados 
e regido pelo Direito Internacional, independentemente de consistir em um único instrumento ou 
em múltiplos instrumentos relacionados, independentemente de sua nomenclatura específica." 
 
Conforme mencionado anteriormente, os tratados são incorporados ao sistema jurídico brasileiro 
por meio de um decreto legislativo aprovado pelo Congresso Nacional. A partir desse ponto, eles 
adquirem um status semelhante ao da legislação ordinária. No entanto, é importante observar 
que o artigo 98 do Código Tributário Nacional (CTN) estipula a necessidade de atenção especial 
aos tratados e convenções internacionais, que devem ser seguidos por meio de legislação 
nacional complementar. Vale ressaltar que os tratados estão sujeitos às limitações estabelecidas 
na Constituição, como ilustrado no caso REsp n. 662.882/RJ. 
b) Pode a União, visando a regular a política tarifária, versar sobre a isenção de tributo 
de competência estadual? 
 
Entendo que não, pois, nos termos do artigo 151, III, da Constituição Federal, “é vedado à União 
instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 
 
c) Os tratados podem revogar ou suspender a eficácia das normas tributárias 
inseridas no ordenamento jurídico brasileiro pelos Estados e Municípios? Haveria 
violação ao princípio federativo e ao princípio da autonomia dos Municípios 
consagrados na CF/88? (Vide anexos IV e V) 
 
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a distinção entre as ações realizadas pela União como 
uma entidade política de direito interno e a República Federativa do Brasil, que atua como 
representante do estado federal. No contexto da República Federativa do Brasil, o Presidente da 
República possui competência exclusiva para celebrar tratados, convenções e acordos 
internacionais. Portanto, na minha perspectiva, uma vez que a questão é de natureza nacional, 
e não estadual, não se configura uma violação ao princípio federativo. Consequentemente, os 
tratados podem revogar ou suspender a eficácia das normas tributárias estabelecidas pelos 
Estados e Municípios no ordenamento jurídico brasileiro. É importante notar que essa 
interpretação não entra em contradição com o que foi mencionado na questão anterior. 
 
6. Ao realizar a classificação aduaneira de um produto, a Receita Federal pode 
divergir das normas e de entendimentos técnicos de órgãos especializados? 
Fundamente sua resposta. (Vide anexos VI e VII). 
 
Minha opinião é que não, principalmente porque as autoridades especializadas são responsáveis 
por estabelecer normas técnicas relacionadas às características e classificação de produtos 
específicos. 
 
Aliás, esse entendimento foi confirmado no julgamento do REsp n. 1.555.004/SC, que destacou 
que "2. Não é da competênciadas autoridades fiscais e aduaneiras alterar a classificação de um 
produto, uma vez que seus agentes não possuem o conhecimento técnico-científico necessário 
para essa tarefa. 3. Um produto classificado como cosmético pela ANVISA está sujeito à 
autoridade sanitária, e isso está fora da competência das autoridades aduaneiras." 
 
7. Considerando o despacho aduaneiro de importação, responda (Vide anexo 
VIII): 
 
a) Quais as modalidades de lançamento tributário são aplicáveis ao imposto de 
importação? 
 
Homologação e Ofício. Homologação quando o contribuinte informa todas as informações 
necessárias na Declaração Única de Importação (DUIMP) e recolhe o valor referente ao imposto 
por ele informado, e por Ofício quando a autoridade fiscal efetua o lançamento suplementar, caso 
verifique divergências no lançamento feito anteriormente (erro de fato/erro de direito). 
 
b) A formalização de exigência no Siscomex tem natureza jurídica de lançamento de 
ofício? Qual é a natureza jurídica do ato do sujeito passivo que, cumprindo a exigência 
formalizada no Siscomex, retifica a declaração de mercadorias, recolhendo a 
diferença do crédito tributário e a multa? 
 
Minha visão é que sim, porque quando a Receita Federal do Brasil formaliza uma exigência no 
Siscomex, isso resulta na retificação da declaração, o que, por sua vez, pode levar a um aumento 
dos tributos, semelhante a um lançamento suplementar. 
 
Quanto à segunda pergunta, a meu ver, diz respeito ao cumprimento da obrigação tributária que 
foi formalizada por meio de um lançamento feito pela própria autoridade fiscal. 
 
c) O desembaraço aduaneiro (liberação) constitui uma homologação do lançamento? 
Considerar os diferentes canais de conferência aduaneira (verde, amarelo, vermelho 
ou cinza); e 
 
A meu ver, nos canais “amarelo”, “vermelho” e “cinza”, o desembaraço aduaneiro constitui uma 
homologação do lançamento pois é realizado após a conferência dos produtos e de seus 
documentos pela Receita Federal do Brasil. 
 
Seguindo a mesma lógica, no canal verde não há que se falar em homologação de lançamento, 
pois o desembaraço é feito de forma automática, sem a necessidade de conferencia por parte da 
RFB. 
 
d) A revisão aduaneira tem natureza de revisão de lançamento? 
 
Pelos motivos expostos, entendo que sim. E, por isso, deve observar os critérios elencados nos 
artigos 146 e149 do Código Tributário Nacional. 
 
8. Um importador, ao registrar a declaração de mercadorias (DI - Declaração de 
Importação - no Siscomex ou DUIMP - Declaração Única de Importação – no Portal 
Único de Comércio Exterior), classificou determinado produto como equipamento de 
raio X para uso médico não destinado especificamente para diagnóstico (NCM 
9022.14.90 ). A declaração foi parametrizada no canal vermelho de conferência 
aduaneira. A liberação (desembaraço) ocorreu sem oposição da Receita Federal em 
relação ao enquadramento tarifário adotado. Entretanto, após quatro anos, outro 
Auditor-Fiscal entendeu que, naquela oportunidade, houve uma interpretação 
equivocada das regras da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de 
Designação e Codificação de Mercadorias (Decreto Legislativo nº 71/1988; Decreto 
nº 97.409/1988). Assim, em sede de revisão aduaneira, promoveu a reclassificação 
do produto para a NCM 9022.14.19 , relativa aos aparelhos de raios X destinados a 
diagnósticos, lavrado auto de infração e lançamento para a constituição da diferença 
de crédito tributário e cominação das penalidades. 
Diante disso, pergunta-se (Vide anexos IX e X): 
 
a) Esse lançamento de ofício deve observar o art. 146 do CTN? Há diferença se a 
parametrização, ao invés do canal vermelho, tivesse ocorrido no canal verde? 
 
Antes de tudo, é importante destacar que o artigo 146 do Código Tributário Nacional é muito 
claro ao afirmar que a adoção de um critério jurídico diferente do anterior só pode ser aplicada 
aos fatos geradores que ocorrerem após a sua introdução. Em outras palavras, não é possível 
fazer um lançamento retroativo à data do fato gerador quando se adota um critério jurídico 
distinto do anterior. 
 
Portanto, na minha visão, o lançamento de ofício deve respeitar o artigo 146 do CTN, uma vez 
que, como indicado no próprio enunciado, o lançamento suplementar baseou-se em uma nova 
interpretação jurídica (reclassificação do produto) de um fato que já era amplamente conhecido 
pela administração tributária. 
 
Eu acredito que haveria, de fato, uma diferença se a parametrização tivesse ocorrido no canal 
verde em vez do canal vermelho. No caso do canal verde, não ocorre uma análise detalhada dos 
produtos e documentos de importação, e o desembaraço é realizado de forma automática, ou 
seja, a administração tributária não tem um conhecimento completo dos fatos e eventos jurídicos 
relacionados à importação nesse cenário. 
 
b) A reclassificação foi assentada no alegado equívoco de interpretação das regras da 
Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de 
Mercadorias. Porém, as consequências seriam as mesmas se a reclassificação fiscal 
tivesse se baseado na constatação de que o equipamento importado apresenta 
características diferentes das identificadas na conferência anterior? Avaliar, nas duas 
hipóteses, se há erro de direito ou erro de fato. 
 
No que diz respeito a essas questões, em primeiro lugar, é importante esclarecer os conceitos de 
erro de fato e erro de direito. 
 
A compreensão do erro de fato não é necessariamente óbvia, especialmente quando se tenta 
distingui-lo do erro de direito. No entanto, o erro de fato consiste em uma interpretação 
equivocada dos eventos da realidade ou uma falha na avaliação da ocorrência de uma situação 
abstratamente descrita pela lei. Geralmente, ele é evidenciado em situações em que são 
examinados eventos não comprovados ou desconhecidos durante o processo de lançamento. É 
importante destacar que a revisão baseada no erro de fato não se destina a corrigir erros 
resultantes da negligência da administração tributária durante o processo de lançamento. 
 
Por outro lado, o erro de direito ocorre quando o lançamento é realizado de maneira equivocada 
devido a uma valoração jurídica inadequada dos eventos ou a uma interpretação errônea da lei. 
 
Portanto, com base nessa explicação, fica evidente que a reclassificação fundamentada na 
suposta interpretação errônea das normas da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado 
de Designação e Codificação de Mercadorias constitui um erro de direito, pois se baseia em uma 
nova interpretação jurídica de um fato já conhecido. Por outro lado, a reclassificação baseada na 
constatação de que o equipamento importado apresenta características diferentes daquelas 
identificadas na verificação anterior constitui um erro de fato, pois, nesse caso, não se trata da 
aplicação de normas, mas sim da validade dos eventos previamente comprovados.

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