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<p>Módulo Controle da Incidência Tributária</p><p>SEMINÁRIO V - TRIBUTAÇÃO ADUANEIRA</p><p>Aluna: Graziela da Cruz Garcia</p><p>Questões</p><p>1.	Construa a regra-matriz de incidência dos Impostos de Importação e de Exportação. Explique fundamentadamente qual o marco temporal para que possa se materializar a incidência de cada um desses impostos. Qual o conceito de produto para fins de incidência destes tributos?</p><p>Inicialmente, nos termos do art. 153, I e II, da Constituição Federal de 1988, compete à União instituir impostos sobre importação de produtos estrangeiros e exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados. Ainda, o § 1º do dispositivo constitucional mencionado, estabelece que é facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos referidos impostos de importação e exportação.</p><p>Vale lembrar, ainda, que os arts.19 a 28 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), regulamentam os impostos de importação e de exportação.</p><p>Assim, considerando o disposto na Carta Magna e demais dispositivos infraconstitucionais, bem como os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, podemos construir as seguintes regras-matrizes de incidência:</p><p>a) Regra-matriz de incidência do imposto de importação[footnoteRef:1]: [1: CARVALHO, Paulo de Barros. Regra-matriz de incidência do imposto sobre importação de produtos estrangeiros. Revista da Receita Federal: estudos tributários e aduaneiros. Brasília, v. 01, n. 01, ago./dez. 2014. p. 65/66.]</p><p>Hipótese:</p><p>Critério material (Cm): importar produtos estrangeiros;</p><p>Critério espacial (Ce): território aduaneiro;</p><p>Critério temporal (Ct): momento do desembaraço aduaneiro.</p><p>Consequência:</p><p>Critério pessoal (Cp):</p><p>- Sujeito ativo (Sa): União;</p><p>- Sujeito passivo (Sp): importador;</p><p>Critério quantitativo:</p><p>- Base de cálculo (Bc): valor da operação de importação;</p><p>- Alíquota (Al): aquela prevista na legislação do imposto.</p><p>b) Regra-matriz de incidência do imposto de exportação[footnoteRef:2]: [2: CARVALHO, Osvaldo Santos de. Imposto sobre a exportação. Enciclopédia jurídica da PUC-SP. Celso Fernandes Campilongo, Alvaro de Azevedo Gonzaga e André Luiz Freire (coords.). Tomo: Direito Tributário. Paulo de Barros Carvalho, Maria Leonor Leite Vieira, Robson Maia Lins (coord. de tomo). 1. ed. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017. Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/279/edicao-1/imposto-sobre-a-exportacao. Acesso em 02/10/2024, às 17h19.]</p><p>Hipótese:</p><p>Critério material (Cm): exportar, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;</p><p>Critério espacial (Ce): fronteiras do território nacional (a saída do produto nacional ou nacionalizado do território brasileiro);</p><p>Critério temporal (Ct): na data de registro do registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) (art. 213, parágrafo único, do Decreto nº 6.759/2009.</p><p>Consequência:</p><p>Critério pessoal (Cp):</p><p>- Sujeito ativo (Sa): União;</p><p>- Sujeito passivo (Sp): o exportador ou que a lei a ele equiparar;</p><p>Critério quantitativo:</p><p>- Base de cálculo (Bc): a unidade de medida adotada pela lei tributária, ou o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência;</p><p>- Alíquota (Al): 30%, facultado ao Poder Executivo reduzi-la ou aumentá-la, para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior.</p><p>Isto posto, quanto ao marco temporal de materialização da incidência dos impostos em tela, este é de importante compreensão para que possamos fixar o momento exato em que o vínculo jurídico entre credor e devedor acontece.[footnoteRef:3] Para tanto, o professor Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:4] nos ensina que é necessário diferenciarmos o “tempo do fato” do “tempo no fato”. Vejamos: [3: [...] “desponta a natural necessidade de que a norma tributária revele o marco de tempo em que se dá por ocorrido o fato, abrindo-se aos sujeitos da relação o exato conhecimento da existência de seus direitos e de suas obrigações.</p><p>Compreendemos o critério temporal da hipótese tributária como o grupo de indicações, contidas no suposto da regra, e que nos oferecem elementos para saber, com exatidão, em que preciso instante acontece o fenômeno fáctico descrito, desencadeando o liame jurídico que amarra devedor e credor, em função de um objeto, consistente no pagamento de certa prestação pecuniária.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Regra-matriz de incidência do imposto sobre importação de produtos estrangeiros. Revista da Receita Federal: estudos tributários e aduaneiros. Brasília, v. 01, n. 01, ago./dez. 2014. p. 67.)] [4: CARVALHO, Paulo de Barros. Regra-matriz de incidência do imposto sobre importação de produtos estrangeiros. Revista da Receita Federal: estudos tributários e aduaneiros. Brasília, v. 01, n. 01, ago./dez. 2014. p. 68/71.]</p><p>Convém separar, com bastante nitidez, o trato de tempo em que o fato se constitui e o lugar do espaço em que é produzido, das referências temporais e espaciais contidas na fórmula enunciativa. Falamos, por isso, em tempo e lugar do fato e em tempo e lugar no fato.</p><p>[...]</p><p>O tempo do fato é aquele instante no qual o enunciado denotativo, perfeitamente integrado como expressão dotada de sentido, ingressa no ordenamento do direito posto, não importando se veiculado por sentença, por acórdão, por ato administrativo ou por qualquer outro instrumento introdutório de normas individuais e concretas. Tratando-se de fato jurídico tributário, é o tempo em que o expediente próprio, realizado por quem detiver a competência e na conformidade do procedimento previsto em lei, for tido por ato jurídico válido. [...]</p><p>Algo diverso, porém, é o tempo no fato, isto é, a ocasião a que alude o enunciado factual, dando conta da ocorrência concreta de um evento. Quando se diz que, no dia 1º de janeiro de 2003, realizou-se o fato de alguém ser proprietário de bem imóvel, em certa localidade do Município de São Paulo, o fragmento de linguagem constitui um fato sobre o qual incide o IPTU. Se atribuirmos a data de 18 de maio, do mesmo ano, para que se tenha o relato acima como integrante do ato de lançamento tributário, celebrado por agente competente da Fazenda Pública e devidamente notificado ao sujeito passivo, será fácil perceber que 18 de maio é o tempo do fato, vale dizer, a unidade temporal em que o fato se configurou, ao passo que 1º de janeiro é o tempo no fato, quer significar, a marca de tempo a que se refere o enunciado fáctico.</p><p>[...]</p><p>Fique patente que os dois tempos, por próximos que se apresentem, jamais coincidirão, uma vez que o tempo no fato será sempre passado. É o que ocorre no imposto de importação, cuja regra-matriz de incidência elege como critério temporal a entrada do produto estrangeiro</p><p>no território nacional, verificada no exato instante do desembaraço aduaneiro.</p><p>Desta forma, tendo em vista o critério temporal da regra-matriz de incidência do imposto de importação e do imposto de exportação (o momento do desembaraço aduaneiro e na data de registro do registro de exportação no SISCOMEX, respectivamente), pode-se dizer que o marco temporal para que possa se materializar a incidência dos referidos impostos é o tempo “do fato”, ou seja, o momento em que o evento juridicamente qualificado ingressa no ordenamento do direito posto via ato administrativo (desembaraço aduaneiro e registro no SISCOMEX).</p><p>Mesmo porque, se considerarmos, como ensina Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:5], que a incidência é equiparada à aplicação da norma geral e abstrata, então o marco temporal desta (incidência) somente poderá ser o momento em que o evento fático foi relatado em linguagem competente, a qual, neste caso, é o desembaraço aduaneiro e o registro no sistema próprio, como acima mencionado. [5: “A aplicação das normas jurídicas se consubstancia no trabalho de relatar, mediante o emprego de linguagem competente, os eventos do mundo real-social (descritos no antecedente das normas gerais e abstratas), bem como as</p><p>tributárias e aduaneiras. No Brasil, tal atribuição é exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB.</p><p>As características técnicas (assim entendidos aspectos como, por exemplo, matérias constitutivas, princípio de funcionamento e processo de obtenção da mercadoria) descritas em laudos ou pareceres elaborados na forma prescrita nos artigos 16, inciso IV, 18, 29 e 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, devem ser observadas, salvo se comprovada sua improcedência, devendo ser desconsideradas as definições que fujam da competência dos profissionais técnicos.</p><p>Para fins tributários e aduaneiros, os entendimentos resultantes da aplicação da legislação do Sistema Harmonizado devem prevalecer sobre definições que tenham sido adotadas por órgãos públicos de outras áreas de competência, como, por exemplo, a proteção da saúde pública ou a administração da concessão de incentivos fiscais.</p><p>Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 37, XVIII, e art. 237; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 96, art. 98, art. 108, art. 142, art. 194 e art. 196; Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, art. 154 e art. 155; Decreto-Lei nº 1.154, de 1º de março de 1971; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16 a 18 e art. 30; Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988; Decreto Legislativo nº 197, de 25 de setembro de 1991; Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, art. 8º; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 48 a 50; Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, art. 2º; Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, art. 464, art. 465 e art. 470; Decreto nº97.409, de 22 de dezembro de 1988; Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988; Decreto nº 350, de 21 de novembro de 1991; Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992; Decreto nº766, de 3 de março de 1993; Decreto nº 1.765, de 28 de dezembro de 1995; Decreto nº 2.092, de 10 de dezembro 1996; Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, art. 813; Decreto nº 9.003, de 13 de março de 2017, Anexo I, art. 25, XIX; Instrução Normativa RFB nº 1063, de 10 de agosto de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.800, de 21 de março de 2018, e Instrução Normativa RFB nº 1.747, de 28 de setembro de 2017. E-Dossiê nº 10030.000144/0718-31.</p><p>Anexo X</p><p>REsp 1.576.199/SC</p><p>RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 2. PROCESSUAL CIVIL. ADUANEIRO. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC/1973. REVISÃO ADUANEIRA REALIZADA NA VIGÊNCIA DO DECRETO N. 6.759/2009 (RA-2009) DENTRO DA SISTEMÁTICA DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ALTERAÇÃO DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 50, 51, 52, 54, DO DECRETO-LEI 37/66, E DOS ARTS. 149, V E 150, §4º DO CTN. APLICABILIDADE DA SÚMULA N. 227 DO EXTINTO TFR APENAS PARA AS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO DENTRO DA SISTEMÁTICA DE LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO (ART. 147, DO CTN), OU SEJA, DECLARAÇÕES REGISTRADAS DURANTE A VIGÊNCIA DO DECRETO N. 91.030/85 (RA-85).</p><p>1. Ausente a alegada violação ao art. 535, do CPC/1973, tendo em vista a manifestação suficiente sobre os artigos de lei e teses invocados pelo recorrente.</p><p>2. O "Despacho Aduaneiro" é um procedimento que se inicia com o registro da "Declaração de Importação" (art. 44, do Decreto-Lei n. 37/66), passa pela "Conferência Aduaneira" nos chamados canais "Verde", "Amarelo", "Vermelho" e "Cinza" (art. 50, do Decreto-Lei n. 37/66 e art. 21, da IN/SRF n. 680/2006), depois pelo "Desembaraço Aduaneiro" onde se libera a mercadoria importada (art. 51, do Decreto-Lei n. 37/66) e pode ter sua conclusão submetida a condição resolutória por 5 (cinco) anos, em razão da homologação ("Conclusão do Despacho" via "Revisão Aduaneira") prevista no art. 54, do Decreto-Lei n. 37/66 e art. 638, do Decreto n. 6.759/2009 - RA-2009).</p><p>3. Assim, o lançamento efetuado pela autoridade fiscal e aduaneira no procedimento de "Revisão Aduaneira" tem por base o art. 54, do Decreto-Lei n. 37/66, o art. 150, §4º, do CTN, e o art. 638, do Decreto n. 6.759/2009 (RA-2009) que permitem a reclassificação fiscal da mercadoria na NCM. Sua autorização legal está nos incisos I, IV e V, do art. 149, do CTN.</p><p>4. São inconfundíveis a "Conferência Aduaneira" e o "Desembaraço Aduaneiro" e a "Conclusão do Despacho" ("Revisão Aduaneira") que pode se dar 5 (cinco) anos depois, tendo em vista a condição resolutória prevista tanto no art. 54, do Decreto-Lei n. 37/66, quanto no art. 150, §4º, do CTN, e no art. 638, do Decreto n. 6.759/2009 (RA-2009) que adotaram a sistemática do lançamento por homologação.</p><p>5. É pacífica a jurisprudência desta Casa no sentido de que a "Conferência Aduaneira" e o posterior "Desembaraço Aduaneiro" (arts.</p><p>564 e 571 do Decreto n. 6.759/2009) não impedem que o Fisco realize o procedimento de "Revisão Aduaneira", respeitado o prazo decadencial de cinco anos da sistemática de lançamento por homologação (art. 638, do Decreto 6.759/2009). Precedentes: REsp. n. 1.201.845/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 18.11.2014; REsp. n. 1.656.572 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18.04.2017; AgRg no REsp. n. 1.494.115 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03.03.2015; REsp. n. 1.452.531 / SP, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 12.08.2014; REsp. n. 1.251.664/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18.08.2011.</p><p>6. Indiferente os canais adotados para a "Conferência Aduaneira" ("Verde", "Amarelo", "Vermelho" ou "Cinza"), somente há que se falar em lançamento efetuado no ato de "Conferência Aduaneira" se houver a apresentação da Manifestação de Inconformidade a que se refere o art. 42, §2º, da IN/SRF n. 680/2006. Não ocorrendo esse lançamento, as retificações de informações constantes da Declaração de Importação - DI são atos praticados pelo próprio contribuinte na condição de "autolançamento", dentro da sistemática de lançamento por homologação, apenas se cogitando da incidência do art. 146, do CTN (modificação de "critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa"), se esses atos se deram em razão de orientação expressa dada pelo fisco no momento de sua feitura que há de ser comprovada nos autos.</p><p>7. A partir do advento do Decreto n. 4.543/2002 (RA-2002), a classificação da mercadoria passou a ser ato praticado pelo CONTRIBUINTE importador na "Declaração de Importação", o que passou a caracterizar portanto, a figura do "autolançamento" ou lançamento por homologação e não mais o lançamento por declaração que vigorava anteriormente na vigência do Decreto n. 91.030/85 (RA-85), pois o contribuinte passou a apontar todos os elementos constitutivos do fato gerador e a adiantar o pagamento. Neste mesmo momento, a inserção da "Revisão Aduaneira" dentro da sistemática do lançamento por homologação se deu também com o advento do art. 570, §2º, I, do Decreto n. 4.543/2002 (RA-2002), que passou a fazer alusão ao prazo do art. 54, do Decreto-Lei n. 37/66 (lançamento por homologação) e não mais ao do art. 149, parágrafo único (revisão de ofício de lançamento), como o fazia o art. 456, do Decreto n. 91.030/85 (RA-85).</p><p>8. O registro é importante porque invariavelmente os contribuintes invocam jurisprudência deste STJ, respaldada na Súmula n. 227 do extinto TFR ("A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento") construída para a situação anterior [vigência do Decreto n. 91.030/85 (RA-85)] onde o lançamento era por declaração para as situações que tais (art. 147, do CTN), o que impossibilitava a realização de lançamento suplementar pelo fisco para corrigir a classificação fiscal, já que seria um segundo lançamento efetuado com base no art. 149, parágrafo único, do CTN, havendo, portanto, o óbice do art. 146, do mesmo CTN.</p><p>Contudo, em se tratando de Declaração de Importação registrada após a revogação do Decreto n. 91.030/85 (RA-85), na "Revisão Aduaneira" o que existe é o lançamento em si efetuado por vez primeira dentro da sistemática do lançamento por homologação (art. 150, §4º, do CTN) e não uma revisão de lançamento já efetuado, que seria um segundo lançamento</p><p>realizado consoante o art. 149, parágrafo único, do CTN.</p><p>9. Assim, para as Declarações de Importação registradas após a revogação do Decreto n. 91.030/85 (RA-85) é inaplicável a Súmula n. 227 do extinto TFR ("A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento") e, por conseguinte, são inaplicáveis os precedentes: REsp. n. 1.112.702/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20.10.2009; AgRg no REsp. n. 1.347.324 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 06.08.2013; REsp. n. 1.079.383 / SP, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 18.06.2009; AgRg no REsp 478389 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 25.09.2007; REsp 654076 / RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 19.04.2005; REsp 412904 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 07.05.2002; REsp. n. 27.564 / RJ, Segunda Turma, Rel. Ari Pargendler, julgado em 02.05.1996; dentre outros que se referem à sistemática de lançamento anterior.</p><p>10. Recurso especial não provido.</p><p>(REsp n. 1.576.199/SC, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/4/2021, DJe de 19/4/2021.)</p><p>Anexo XI</p><p>TRF4 - Apelação/Reexame Necessário 5001545-79.2012.404.7201/SC</p><p>EMENTA: TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REVISÃO ADUANEIRA DE DI PARAMETRIZADA PARA O CANAL VERMELHO DE CONFERÊNCIA ADUANEIRA. DETERMINAÇÃO DE RECLASSIFICAÇÃO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A revisão aduaneira trata-se procedimento administrativo previsto no art. 638 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação. 2. Caso a DI revisada tenha sido selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira - no qual há criteriosa análise documental de toda a operação realizada, inclusive com a verificação física da mercadoria -, o fato de a autoridade não ter, à época do desembaraço aduaneiro, apontado nenhum erro quanto à classificação fiscal, embora não configure homologação formal expressa dos procedimentos realizados pelo importador, sem dúvida causaria neste uma expectativa de direito de utilizar-se novamente dos mesmos procedimentos em importações futuras. Nesse contexto, seria possível concluir por uma verdadeira mudança de critério jurídico, ainda que limitada à seara fática da controvérsia. (TRF4, APELREEX 5001545-79.2012.4.04.7201, SEGUNDA TURMA, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, juntado aos autos em 05/07/2013)</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpg</p><p>relações jurídicas (prescritas no consequente das mesmas regras). Isso significa equiparar, em tudo e por tudo, aplicação a incidência, de tal modo que aplicar u’a norma é fazê-la incidir na situação por ela juridicizada. E saliente-se, neste passo, que utilizo “linguagem competente” como aquela exigida, coercitivamente, pelo direito posto.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Regra-matriz de incidência do imposto sobre importação de produtos estrangeiros. Revista da Receita Federal: estudos tributários e aduaneiros. Brasília, v. 01, n. 01, ago./dez. 2014. p. 68).]</p><p>Ademais, quanto ao conceito de produto para fins de incidência do II e do IE, de acordo com Miguel Hilú Neto[footnoteRef:6], produto pode ser conceituado como “um bem material resultante da atividade humana de extração ou de transformação dos elementos da natureza em níveis cada vez mais elevados (matérias-primas, produtos intermediários, produtos elaborados)”. Ressalte-se, ainda que, o autor deixa claro que para fins de tributação dos impostos em comento, “produto” trata-se de bem corpóreo e móvel, excluindo-se do complemento do critério material da regra-matriz de incidência os bens virtuais (incorpóreos), por exemplo.[footnoteRef:7] [6: HILU NETO, Miguel. Imposto sobre importações e imposto sobre exportações. São Paulo: Quartier Latin. p. 69/70.] [7: “Então, de todo o sistema jurídico-tributário vigente no Brasil extrai-se um vetor, um princípio eleito pelo legislador, a partir do legislador constitucional: para fins de tributação, produto é bem corpóreo e móvel, e os impostos que incluam seu conceito no aspecto material não incidem sobre bens que não tenham essas características, que não sejam formados por átomos. Ferir esse princípio implicaria a quebra do sistema e, via de consequência, a ofensa ao princípio da igualdade.” (HILU NETO, Miguel. Imposto sobre importações e imposto sobre exportações. São Paulo: Quartier Latin. p. 74).]</p><p>Por fim, ainda conforme as lições de Miguel Hilú Neto, não há diferença, para fins de incidência dos impostos de importação e exportação, do vocábulo “mercadoria”, para “produto”, tratando-se de mera imprecisão terminológica do legislador infraconstitucional.[footnoteRef:8] [8: “Dessa forma, verifica-se que, a despeito de haver utilizado o vocábulo 'mercadoria', o legislador infraconstitucional prevê a incidência dos impostos aduaneiros tanto sobre os bens objetos de comércio quanto aqueles que não o são. Conclui-se que há uma imprecisão terminológica a ser afastada, sendo tributáveis todas as operações de importação e de exportação que tenham por objeto produtos, consoante disposto na CF/88 e no CTN. Portanto, na legislação infraconstitucional onde se lê 'mercadorias', leia-se 'produtos'.” (HILU NETO, Miguel. Imposto sobre importações e imposto sobre exportações. São Paulo: Quartier Latin. p. 80).</p><p>]</p><p>2.	A reimportação de mercadoria exportada em caráter definitivo se equipara à importação, ou seja, a mercadoria exportada perde a condição de nacional, devendo se submeter ao Imposto de Importação ao ser reimportada? (Vide anexo I)</p><p>De início, vale lembrar que o, já mencionado, art. 153, I, da CF/88, fixa a competência da União para instituir impostos sobre a importação de produtos estrangeiros. Do mesmo modo, o art. 19 do CTN estabelece que “o imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional.”</p><p>Percebe-se que a legislação constitucional e infraconstitucional é específica em relação à incidência do imposto de importação quando esta é de produtos estrangeiros, ou seja, aqueles de origem no exterior.</p><p>Frisa-se que, nos moldes do art. 1º, § 1º, do Decreto-lei n° 37/1966, para fins de incidência do imposto de importação, considerar-se-á também estrangeira a mercadoria nacional ou nacionalizada exportada, que retornar ao País, salvo se:</p><p>a) enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado;</p><p>b) devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou substituição;</p><p>c) por motivo de modificações na sistemática de importação por parte do país importador;</p><p>d) por motivo de guerra ou calamidade pública;</p><p>e) por outros fatores alheios à vontade do exportador.</p><p>Complementando o dispositivo legal supramencionado, o parágrafo único do art. 70 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), dispõe que serão ainda considerados estrangeiros, os equipamentos, as máquinas, os veículos, os aparelhos e os instrumentos, bem como as partes, as peças, os acessórios e os componentes, de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno pelas empresas nacionais de engenharia, e exportados para a execução de obras contratadas no exterior, na hipótese de retornarem ao País.</p><p>Por outro lado, quando tratamos do imposto de exportação, tanto a CF/88 (art. 153, II), quanto o CTN (art. 23), também são específicos que a exportação se dá quando do envio de produtos nacionais ou nacionalizados ao exterior.</p><p>Feitas tais considerações iniciais, passamos agora a analisar o regime de exportação temporária.</p><p>O Decreto-lei n° 37/66 (o qual dispõe sobre o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências), em seu art. 92, dispõe que poderá ser autorizada, nos termos do regulamento, a exportação de mercadoria que deva permanecer no exterior por prazo fixado, não superior a 1 (um) ano. Tal prazo poderá ser prorrogado, a juízo da autoridade aduaneira, por período não superior, no total, a 2 (dois) anos, sendo que, a título excepcional, em casos devidamente justificados, a critério do Ministro da Fazenda, o prazo poderá ser prorrogado por período superior a 2 (dois) anos.</p><p>Ressalte-se que o § 3º do supramencionado art. 92, deixa certa que quando o regime aduaneiro especial for aplicado à mercadoria vinculada a contrato de prestação de serviços por prazo certo, o prazo de permanência no exterior será o previsto no contrato, prorrogável na mesma medida deste.</p><p>Ademais, o § 4º do referido art. 92 é claro ao determinar que a reimportação de mercadoria exportada temporariamente não constitui fato gerador do imposto de importação.</p><p>Ainda, o Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), a partir do art. 431 e seguintes, traz a regulamentação sobre o regime de exportação temporária.</p><p>Assim, no caso de exportação temporária, nos moldes do regime específico acima mencionado, na reimportação do produto não haverá que se falar na incidência do imposto de importação.</p><p>Ocorre que, em se tratando de exportação definitiva, ou mesmo fora da conformidade do regime de exportação temporária, não há previsão legal expressa em relação à incidência ou não do imposto de importação caso este produto venha a ser reimportado.</p><p>Havia previsão neste sentido, de que a mercadoria nacional ou nacionalizada reimportada, sem a observância dos critérios do regime de exportação temporária quando de sua exportação, seria considerada como mercadoria estrangeira, sujeita, portanto à incidência do imposto de importação. Tratava-se do art. 93 do Decreto-lei n° 37/66, o qual, entretanto, foi declarado inconstitucional pelo STF no Recurso Extraordinário nº 104.306-7, e teve sua execução suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 436/1987.</p><p>Neste contexto, vale ressaltar que há decisão do STJ, como a trazida no Anexo I deste trabalho, que reconhece a diferença entre importação e reimportação, sendo que, na reimportação não há a apresentação da guia de importação, tratando-se de institutos distintos, e, assim, não há que se falar em incidência do imposto de importação nesta situação de reimportação. Porém, no caso em tela, trata-se de exportação temporário, em que já existe regramento próprio, como exposto acima.</p><p>O STF, no julgamento do RE 104.306-7, mencionado acima, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 93, do Decreto-lei n° 37/66, entendeu que o referido dispositivo criou uma ficção incompatível com a Constituição da época (1946), a qual trazia uma redação muito próxima à Carta Magna atual ao dispor que era de competência</p><p>da União instituir impostos sobre a “importação de mercadorias de procedência estrangeira” (art. 15, I).</p><p>Já no âmbito administrativo, há decisões, inclusive do Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF), reconhecendo que o produto exportado definitivamente, ou fora dos critérios da exportação temporária, que é reimportado, deve estar sujeito ao imposto de importação. Vejamos:</p><p>Número do processo: 11128.006083/2007-13</p><p>Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS</p><p>Câmara: 3ª SEÇÃO</p><p>Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais</p><p>Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018</p><p>Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018</p><p>Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2001 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, nos termos definido em lei, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador dos impostos incidentes na importação, bem como a aplicação de multa administrativa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Recurso especial do contribuinte negado.</p><p>Número da decisão: 9303-007.541</p><p>Número do processo: 11075.002484/99-41</p><p>Turma: Terceira Turma Superior</p><p>Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais</p><p>Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006</p><p>Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006</p><p>Ementa: PRODUTOS EXPORTADOS EM CARÁTER DEFINITIVO. REIMPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. O fenômeno da nacionalização, que se dá com a internação do produto importado em caráter definitivo, apesar de não retirar-lhe a origem, lhe confere, após efetivado o processo de nacionalização, igual tratamento outorgado aos produtos nacionais. Portanto ao ser exportado esse produto, o país importador recepciona-o, procede ao reconhecimento de sua origem e em seguida sua nacionalização. A reimportação deste produto pelo país exportador implica nova alteração dessa condição e, se assim, nova nacionalização, se impondo, por consequência, a incidência do imposto de importação como se estrangeiro fosse. Recurso especial provido.</p><p>Número da decisão: CSRF/03-04.742</p><p>Do exposto, em que pese o entendimento da jurisprudência dos tribunais superiores, no sentido de que não se poderia incidir o imposto de importação no caso de reimportação de produto nacional ou nacionalizado, mesmo no caso de exportação definitiva ou fora dos critérios da exportação temporária, inclino-me à coadunar com o entendimento externado pelo Fisco, de que a reimportação dos produtos exportados definitivamente ou fora dos critérios da exportação temporária é evento sujeito à incidência do imposto de importação.</p><p>Isto porque, se considerarmos a situação inversa, ou seja, a exportação de um produto nacionalizado (aquele de origem estrangeira que foi tornado nacional após o desembaraço aduaneiro com o pagamento dos tributos)[footnoteRef:9] este estará sujeito à incidência do imposto de exportação. Assim, entendo que mesmo tratamento deve ser aplicado ao produto exportado definitivamente ou fora das regras da exportação temporária, ou seja, quando da sua reimportação, deverá ser tratado como um produto estrangeiro, sofrendo a incidência do imposto de importação. Nesse sentido, trago as valiosas lições de Miguel Hilú Neto[footnoteRef:10]: [9: “Tem-se, pois, que nacionalizado é o produto de origem estrangeira incorporado ao patrimônio nacional. Para tal, há que desembaraçá-lo, momento em que são pagos os tributos devidos pela importação, perdendo a condição de estrangeiro, adquirindo "cidadania brasileira".” (HILU NETO, Miguel. Imposto sobre importações e imposto sobre exportações. São Paulo: Quartier Latin. p. 83.)] [10: HILU NETO, Miguel. Imposto sobre importações e imposto sobre exportações. São Paulo: Quartier Latin. p. 84/86.]</p><p>Da mesma forma, se um produto nacional é enviado ao exterior e desincorporado do mercado brasileiro, ele é considerado desnacionalizado; perde, assim, a qualidade de nacional, o que implica a possibilidade de a União tributar a atividade de importá-lo.</p><p>[...]</p><p>Embora o legislador constitucional não tenha incluído expressamente o vocábulo desnacionalizados no artigo 153, I, entende-se estar abarcado pela delimitação da conduta tributável pelo imposto sobre importações. Justifica-se essa inclusão haja vista que são estrangeiros os produtos desnacionalizados, pois perderam a característica de nacionais ao serem exportados.</p><p>Logo, ao prescrever o objeto direto do verbo 'importar' (produtos estrangeiros), o constituinte abarcou tanto a conduta de trazer produtos originariamente estrangeiros quanto a de trazer produtos, outrora brasileiros, transformados em estrangeiros pela exportação (desnacionalização).</p><p>Nesta descrição do aspecto material do imposto sobre importações, assim, incluem-se tanto os produtos originariamente estrangeiros quanto os desnacionalizados, na busca da mais específica e didática descrição do objeto deste trabalho. É a primeira aproximação do aspecto material do antecedente da regra-matriz de incidência do imposto sobre importações, portanto, a partir do texto da Constituição Federal: importar, do exterior, produtos estrangeiros ou desnacionalizados.</p><p>Portanto, coaduno com o entendimento do excerto supratranscrito, da obra de Miguel Hilú Neto, e entendo que, em se tratando de produto exportado definitivamente ou fora das regras da exportação temporária, quando da sua reimportação, deverá ser tratado como um produto estrangeiro (ou desnacionalizado), sofrendo a incidência do imposto de importação.</p><p>3.	Sobre os tratados, responda:</p><p>a) Defina o conceito de “tratado internacional”, descrevendo como se dá seu ingresso no ordenamento jurídico brasileiro e a teoria que normativamente se adota (monista x dualista), seu momento de vigência no direito interno e sua posição hierárquica no sistema jurídico (vide §2º do art. 5º da Constituição, art. 98 do Código Tributário Nacional e o entendimento exposto pelo STF (Vide anexos II e III).</p><p>De acordo com a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, promulgada pelo Decreto nº 7.030, de 14 de dezembro de 2009, em seu artigo 2, item 1, “a”, tratado significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica.</p><p>Em relação ao ingresso do tratado internacional no ordenamento brasileiro, bem como a teoria adotada, Felipe Ferreira Silva[footnoteRef:11], de forma didática, nos ensina: [11: SILVA, Felipe Ferreira. Tratados internacionais – procedimento de produção, recepção por direito interno e questões correlatas. In: SANTI, Eurico Marcos Diniz. Curso de especialização em direito tributário: Estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 3/5.]</p><p>Muito se debateu sobre a relação que há entre a ordem jurídica internacional e a ordem jurídica interna de cada Estado. Alguns entendiam que não havia diferença alguma entre estas duas ordens e que, portanto, o direito interno era fruto do direito internacional. Outros apregoavam a independência entre a ordem jurídica internacional e a interna. Ao primeiro entendimento, deu-se o nome de Monismo. Ao segundo, de Dualismo.</p><p>[...]</p><p>Em face disso, desenvolveram-se três correntes de pensamento que procuravam identificar de que forma as normas de direito internacional</p><p>eram recepcionadas pela ordem jurídica interna. Nessa perspectiva, para aqueles que adotavam a teoria Monista, a forma de recepção das normas se dava de forma automática, ao que denominavam de Teoria da Adoção. Para os dualistas, as normas de direito interno para serem incorporadas ao direito interno, dependiam ou de uma transformação ou de uma ordem de execução. A transformação significa que a norma de</p><p>direito internacional para poder ser aplicada no direito interno depende da publicação de uma norma desta ordem jurídica. Com isso, aquilo que pertence ao direito internacional passa</p><p>a ser direito interno. A fonte de produção normativa, portanto, não seria mais internacional, mas sim interna. Relacionada, ainda, com a Teoria Dualista, estava a Teoria da Ordem de Execução. Por esta, não haveria a transformação da norma de direito internacional em direito interno. A norma, quando aplicada no direito interno, manteria sua característica (direito internacional), mas para tanto, precisaria de uma ordem de execução. Esta ordem nada mais seria do que uma autorização do direito interno para que a norma de direito internacional nele pudesse produzir seus efeitos.</p><p>Porém, ao final de toda esta celeuma, restou pacificado que são as próprias Constituições dos Estados que determinam qual a forma de recepção das normas de direito internacional no direito interno. Portanto, não é a doutrina que determinará se uma dada ordem jurídica é Monista ou Dualista, mas sim a Constituição de cada país.</p><p>Entendemos que o Brasil adotou a Teoria Dualista, ficando as normas de direito internacional, para que possam ser aplicadas no direito interno, dependentes da produção de normas de idêntico conteúdo neste plano, o que veremos mais para frente.</p><p>Assim sendo, o ordenamento jurídico brasileiro adota a teoria dualista, na medida em que para a incorporação dos tratados internacionais ao ordenamento brasileiro se faz necessário, inicialmente, a celebração destes pelo Presidente da República, os quais ficarão sujeitos ao referendo do Congresso Nacional, se for o caso (arts. 84, VIII e 49, I, da CF/88).</p><p>Deste modo, apenas após os referidos procedimentos, o tratado internacional será promulgado pelo Presidente da República via decreto, publicando-se oficialmente seu texto e incorporando-se ao ordenamento jurídico brasileiro e, a partir deste momento, a referida norma internacional entrará em vigor.</p><p>O STF já se posicionou neste sentido, conforme pode-se observar no julgamento da ADI 1.480, trazido no Anexo II deste trabalho.</p><p>Ademais, quanto à posição hierárquica dos tratados internacionais no sistema jurídico brasileiro, vale lembrar que o art. 5º, § 2º da CF/88, estabelece que os direitos e garantias expressos na Constituição Federal não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Além disso, no âmbito tributário, os tratados internacionais fazem parte da legislação tributária (art. 96 do CTN), e, ainda, os tratados internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.</p><p>Portanto, em princípio, e conforme o entendimento do STF (como se pode observar no, já mencionado, julgamento da ADI1.480, trazido no Anexo II deste trabalho), os tratados internacionais se situam no mesmo plano das leis ordinárias.</p><p>Entretanto, em se tratando de tratado internacional sobre direitos humanos, a sua hierarquia dependerá da forma pela qual for incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro.</p><p>Caso esses tratados internacionais sobre direitos humanos sejam aprovados nos mesmos moldes de uma emenda constitucional, ou seja, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros, estes serão equivalentes a uma emenda constitucional (§ 3º do art. 5º da CF/88).</p><p>Por outro lado, caso o tratado internacional não seja internalizado com o quórum de emenda constitucional, estarão abaixo da Constituição Federal, porém com status normativo supralegal, ou seja, acima da legislação interna. Esse é o entendimento do STF, como se pode observar no julgamento do RE 349.703, trazido no Anexo III deste trabalho.</p><p>b) Pode a União, visando a regular a política tarifária, instituir isenção de tributo de competência estadual?</p><p>Inicialmente, vale lembrar que o art. 151, III, da CF/88 é expresso no sentido de que é vedado à União instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.</p><p>Entretanto, há discussão em relação à possibilidade de esta isenção de tributo estadual ou municipal, por exemplo, ser trazida por um tratado internacional devidamente incorporado no ordenamento jurídico brasileiro, na medida em que o art. 98 do CTN, já mencionado anteriormente, dispõe que os tratados internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.</p><p>Felipe Ferreira Silva[footnoteRef:12] fez importante estudo da doutrina em relação ao tema, e nos aponta que há divergência, e que encontramos duas correntes de entendimento. Vale a pena trazer os excertos mais importantes, vejamos: [12: SILVA, Felipe Ferreira. Tratados internacionais – procedimento de produção, recepção por direito interno e questões correlatas. In: SANTI, Eurico Marcos Diniz. Curso de especialização em direito tributário: Estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 35/40.]</p><p>Voltando o foco de nossa atenção para o tema principal, qual seja, a da possibilidade ou não de a União conceder isenções em tratados internacionais, podemos constatar a existência de duas correntes de pensamento diametralmente opostas.</p><p>A corrente doutrinária defensora da não-possibilidade de concessão de isenção por tratados, baseia-se no argumento de que essa conduta, perpetrada pela União, consubstanciar-se-ia em invasão de competência tributária atribuída aos Estados e Municípios. Nesse caso, ter-se-ia uma isenção “heterônoma”, que é vedada pela nossa Carta Política.</p><p>[...]</p><p>A conclusão a que chegam é a de que a interferência da União para tratar de isenção de tributos da competência estadual ou municipal só pode ser admitida por intermédio de lei complementar, nas exatas hipóteses previstas pela própria Constituição, quais sejam: isenção de ICMS, quando se tratar de exportação de serviços e produtos semielaborados (art. 155, § 2º, XII, “e”), e de ISS para as exportações de serviços (art. 156, § 3º , II).</p><p>Posição oposta têm LUCIANO DA SILVA AMARO e JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES. Esses autores embasam seu pensamento no fundamento de que, na ordem jurídica internacional, a República Federativa do Brasil é representada pela União, não como pessoa política de direito interno, mas sim como sujeito de direito internacional. Nada obstante o Estado brasileiro ser representado pelo Presidente da República, figura máxima do Poder Executivo, este comparece para a consecução do tratado como Chefe de Estado e não como Chefe de Governo.</p><p>Comungamos dessa posição sem reparos. Pensamos que os artigos 1º, caput, e 4º, caput da Constituição Federal permitem essa conclusão. À</p><p>evidência, é a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, que figura como parte nas relações internacionais. Como se isso não bastasse, o artigo 49, inciso I, usa a expressão “que tragam compromissos gravosos patrimônio nacional” e não “patrimônio da União”, quando dispõe que o Congresso Nacional poderá resolver definitivamente sobre tratados e convenções internacionais.</p><p>Outro argumento forte que milita em favor desta corrente vem da pena de JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, pois para esse autor, o tratado nem mesmo veicularia isenção “heterônoma”, mas sim, sempre “autônoma”. Dessa forma não seria adequado invocar a norma do 151, III, da CF/88 para sustentar a não aceitação de isenções de tributos estaduais e municipais por intermédio de tratado.</p><p>[...]</p><p>De tudo quanto exposto, entendemos que não há incompatibilidade alguma entre o normatizado no artigo 151, III, da Constituição Federal e a possibilidade de um tratado internacional dispor de matéria relativa à</p><p>isenção de tributos estaduais e municipais. Em nenhum momento, portanto, existe invasão de competência da União no campo reservado aos Estados e Municípios para instituição de tributos. Aliás, a aceitação de tese oposta, tornará impossível dar cumprimento ao princípio insculpido no artigo 4º, inciso IX, e seu parágrafo único, da Constituição Federal.</p><p>Em que pese os fortes argumentos em contrário, inclino-me</p><p>a coadunar com o entendimento do referido autor quanto à possibilidade de que sejam concedidas isenções de tributos estaduais por meio de tratados internacionais.</p><p>Isto porque, quando da celebração dos tratados internacionais, esta é feita pela República Federativa do Brasil, a qual, lembramos, é a união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal (art. 1º, caput, da CF/88). Desta maneira, quando o Presidente da República se apresenta na ordem externa para celebração do tratado internacional, este representa a própria República, como Chefe de Estado.</p><p>Assim sendo, não há que se falar em aplicação do art. 151, III, da CF/88 nesta situação, tendo vista este ser aplicável apenas na ordem interna, entre os entes federativos. Neste sentido é o entendimento do STF, que pode ser observado nos julgados do RE 229.096, ADI 1600 e RE 543943 AgR, trazidos nos Anexos IV, V e VI, respectivamente, deste trabalho.</p><p>c) Os tratados podem revogar ou suspender a eficácia das regras matrizes de incidência tributárias inseridas no ordenamento jurídico brasileiro pelos Estados e Municípios? Haveria violação ao princípio federativo e ao princípio da autonomia dos Municípios consagrados na CF/88? (Vide anexos IV, V, VI e VII)</p><p>Como mencionado na questão anterior, quando da celebração dos tratados internacionais, esta é feita pela República Federativa do Brasil, a qual, lembramos, é a união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal (art. 1º, caput, da CF/88).</p><p>Assim, quando o Presidente da República se apresenta na ordem externa para celebração do tratado internacional, este representa a própria República, como Chefe de Estado. Essa linha de entendimento é adotada pelo próprio STF, como já mencionamos anteriormente (Anexos V e VI deste trabalho).</p><p>Além disso, vale lembrar que o art. 98 do CTN estabelece que “os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.”. Nesse sentido, o STF já entendeu que o referido dispositivo "possui caráter nacional, com eficácia para a União, os Estados e os Municípios", como se pode observar no julgamento do RE 229.096 (Anexo IV deste trabalho).</p><p>É importante ressaltar que, o referido dispositivo do CTN traz intensa celeuma em relação à hierarquia dos tratados internacionais em relação à legislação tributária interna, sendo que, o art. 98 supratranscrito pode levar a crer que os tratados internacionais seriam hierarquicamente superiores à legislação interna, uma vez que a revogam ou a modificam, e, além disso, vinculam o legislador na medida em que devem ser observados pela legislação que lhes sobrevenha. Sobre o assunto, esclarece Elidie Palma Bifano:</p><p>O art. 98 do Código Tributário Nacional dispõe que os tratados, em matéria tributária, se colocam, hierarquicamente, acima da legislação ordinária, submetendo-se apenas à Constituição Federal. Essa matéria vem sendo examinada pelos tribunais superiores e já passou por diversos e diferentes entendimentos, embora a doutrina de forma maciça entenda que as regras convencionais prevalecem sobre a lei ordinária. Em certas circunstâncias as regras convencionais foram plenamente aceitas pelos tribunais e em outras buscou-se submetê-la à lei ordinária; neste momento a matéria segue sub judice. Além disso, a única regra geral antielisiva do Direito Brasileiro, válida para operações locais ou internacionais, é o já citado parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que carece de regulação, razão pela qual tampouco é aplicável à situação.</p><p>No que tange a eventuais procedimentos que indiquem uso impróprio do Tratado, é nosso entendimento que à vista do disposto no art. 98 do Código Tributário Nacional, eles deveriam de imediato ser afastados. Entretanto, a falta de regra expressa nesse sentido, no corpo do Tratado, e as discussões que remanescem nos tribunais sobre a prevalência dos Tratados em relação à ordem interna, trazem uma grande dificuldade para sua interpretação no que tange ao uso inadequado de suas disposições. Dessa forma, novamente, enfatize-se, somente uma regra expressa permitiria afastar essa violação.</p><p>Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:13] nos explica que “há equívoco incontornável na dicção do art. 98, porquanto não são os tratados e as convenções internacionais que têm idoneidade jurídica para revogar ou modificar a legislação interna, e sim os decretos legislativos que os ratificam, incorporando-os à ordem jurídica brasileira”. [13: CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. São Paulo: Noeses, Capítulo III, p. 123.]</p><p>Portanto, em princípio, o tratado internacional devidamente incorporado no ordenamento jurídico brasileiro, ou seja, após todo o trâmite para integração deste no direito interno e a publicação oficial do decreto que traz o texto do tratado, como já analisado anteriormente, é possível dizer que este possa revogar ou suspender a eficácia das regras matrizes de incidência tributárias inseridas no ordenamento jurídico brasileiro pelos Estados e Municípios.</p><p>Ademais, entendo que não há que se falar em violação ao princípio federativo e ao princípio da autonomia dos Municípios uma vez que, como dito, a celebração do tratado é realizada pela República Federativa do Brasil, na figura do seu Chefe de Estado, o Presidente da República, não se tratando da União, como pessoa jurídica de direito público interno.</p><p>4. Um importador, ao registrar a declaração de mercadorias (DI - Declaração de Importação - no Siscomex ou DUIMP - Declaração Única de Importação – no Portal Único de Comércio Exterior), classificou determinado produto como equipamento de raio X para uso médico não destinado especificamente para diagnóstico (NCM 9022.19.9[footnoteRef:14]). A declaração foi parametrizada no canal vermelho de conferência aduaneira. A liberação (desembaraço) ocorreu sem oposição da Receita Federal em relação ao enquadramento tarifário adotado. Entretanto, após quatro anos, outro Auditor-Fiscal entendeu que, naquela oportunidade, houve uma interpretação equivocada das regras da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Decreto Legislativo nº 71/1988; Decreto nº 97.409/1988). Assim, em ato de revisão aduaneira, promoveu a reclassificação do produto para a NCM 9022.14.19[footnoteRef:15], relativa aos aparelhos de raios X destinados a diagnósticos, lavrado auto de infração e lançamento para a constituição da diferença de crédito tributário e cominação das penalidades. [14: 90.22 - Aparelhos de raios X e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta, gama ou outras radiações ionizantes, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluindo os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios X e outros dispositivos geradores de raios X, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, cadeiras e suportes semelhantes para exame ou tratamento.</p><p>9022.1 - Aparelhos de raios X, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluindo os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia</p><p>9022.19 -- Para outros usos</p><p>9022.19.9 - Outros] [15: 90.22 - Aparelhos de raios X e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta, gama ou outras radiações ionizantes, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluindo os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios X e outros dispositivos geradores de raios X, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, cadeiras e suportes semelhantes para exame ou tratamento.</p><p>9022.1 - Aparelhos de raios X, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluindo os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia</p><p>9022.14 -- Outros, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários</p><p>9022.14.1 De diagnóstico</p><p>9022.14.19 Outros]</p><p>Diante disso, pergunta-se (Vide anexos VIII, IX, X e XI):</p><p>a) Ao realizar a classificação aduaneira de um produto, a Receita</p><p>Federal pode divergir das normas e de entendimentos técnicos de órgãos especializados? Fundamente sua resposta. Esse lançamento de ofício deve observar o art. 146 do CTN? Há diferença se a parametrização, ao invés do canal vermelho, tivesse ocorrido no canal verde?</p><p>De início, ressalta-se que nos termos do art. 551 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009) a declaração de importação é o documento base do despacho de importação, e deverá conter a identificação do importador, e a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria. Desta forma, a classificação da mercadoria é feita, a priori, pelo contribuinte, da DI (declaração de importação).</p><p>Ainda, a mercadoria importada será submetida a um procedimento de conferência aduaneira pela autoridade fiscal. Nesse sentido, de acordo com o art. 564 do Regulamento Aduaneiro a conferência aduaneira na importação tem por finalidade, entre outras, a correção das informações relativas à classificação fiscal.</p><p>No caso em tela, no procedimento de conferência aduaneira não houve oposição da Receita Federal em relação à classificação e ao enquadramento tarifário adotado pelo contribuinte, ocorrendo o desembaraço da mercadoria normalmente.</p><p>Ocorre que, é possível que, mesmo após o desembaraço aduaneiro, a autoridade fiscal apure a regularidade do procedimento anterior, por meio da revisão aduaneira (art. 638 do Regulamento Aduaneiro). O referido processo de revisão poderá ser feito em até cinco anos contados registro da declaração de importação.</p><p>Neste contexto, quando da classificação da mercadoria pela autoridade fiscal, a jurisprudência, inclusive a própria fiscalização, entende que a Receita Federal do Brasil deve observar os critérios técnicos dos órgãos especializados, como se pode observar no julgado trazido no Anexo VIII deste trabalho.</p><p>Entretanto, a própria fiscalização entende que, havendo divergência entre a classificação apontada pelo órgão técnico especializado e a legislação do Sistema Harmonizado, esta (legislação do Sistema Harmonizado) deverá prevalecer para fins tributários e aduaneiros (Parecer Normativo Cosit n° 06/2018, trazido no Anexo IX deste trabalho).</p><p>Isto posto, quanto à observância do art. 146 do CTN, há entendimento na jurisprudência de que, tendo em vista que a classificação da mercadoria é um ato do contribuinte na condição de “autolançamento”, na sistemática de lançamento por homologação, somente seria aplicável o art. 146 do CTN caso esse ato praticado pelo contribuinte tenha sido em virtude de orientação expressa dada pelo fisco (REsp 1.576.199/SC, trazido no Anexo X deste trabalho). Desta forma, a restrição prevista no referido art. 146 do CTN, abarcaria apenas os lançamentos de ofício anteriores.</p><p>Além disso, com relação aos canais de conferência aduaneira, o art. 21 da IN SRF n° 680/2006, determina que após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira:</p><p>I - verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria;</p><p>II - amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria;</p><p>III - vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e</p><p>IV - cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a apuração de elementos indiciários de fraude</p><p>No presente caso, a declaração foi selecionada no canal vermelho, ou seja, a mercadoria foi desembaraçada apenas após a realização do exame documental e de sua verificação. Nesta situação, há entendimento de que não seria possível em eventual revisão aduaneira, a alteração da classificação fiscal, tendo em vista que, quando de seu desembaraço não foram apontadas qualquer irregularidades (TRF4 - Apelação/Reexame Necessário 5001545-79.2012.404.7201/SC, trazido no Anexo XI deste trabalho). Assim, com base nesta linha de entendimento, apenas a mercadoria selecionada no canal verde, em que o desembaraço é automático, sem maiores apurações pela autoridade, seria possível a alteração dos critérios em eventual revisão aduaneira.</p><p>Por outro lado, encontram-se entendimentos contrários, no sentido de que, independente do canal em que a mercadoria foi selecionada (verde, amarelo, vermelho ou cinza), seria possível a alteração dos critérios, inclusive a classificação da mercadoria, na revisão aduaneira. Isto porque, o procedimento de conferência aduaneira para desembaraço da mercadoria, não pressupõe a homologação, naquele momento, do lançamento feito pelo contribuinte. Nesse sentido, o já mencionado REsp 1.576.199/SC, trazido no Anexo X deste trabalho.</p><p>b) A reclassificação foi assentada no alegado equívoco de interpretação das regras da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias. Porém, as consequências seriam as mesmas se a reclassificação fiscal tivesse se baseado na constatação de que o equipamento importado apresenta características diferentes das identificadas na conferência anterior? Avaliar, nas duas hipóteses, se há erro de direito ou erro de fato.</p><p>Inicialmente, vejamos as diferenciações feitas por Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:16] em relação ao erro de direito e erro de fato: [16: CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. São Paulo: Noeses, Capítulo III, p. 501/504.]</p><p>Lembremo-nos de que o erro de fato é um problema intranormativo, um</p><p>desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados</p><p>linguísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem as vezes de prova. Esse vício na composição semântica do enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do consequente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato.</p><p>Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizando-se como um descompasso de feição externa, internormativa.</p><p>[...]</p><p>Posso oferecer algumas conclusões:</p><p>1) A linha divisória entre erro de fato e erro de direito fica bem nítida: se o desajuste de linguagem verificar-se no interior de uma única norma, seja no antecedente ou no consequente, teremos erro de fato.</p><p>2) Para que se trate de erro de fato, essa norma tem de ser individual e</p><p>concreta.</p><p>3) Quando os desacertos de linguagem envolverem duas ou mais normas, sendo uma delas, obrigatoriamente, regra individual e concreta, e outra, também necessariamente, geral e abstrata, teremos erro de direito.</p><p>4) Como particularidade das normas jurídicas tributárias, qualquer desalinho com relação à “alíquota” ou ao “sujeito ativo” será sempre erro de direito, porquanto são esses os únicos fatores compositivos da estrutura normativa que não podem ser encontrados na contextura do fato jurídico tributário. Sua consideração supõe, necessariamente, o trajeto que vai da norma geral e abstrata à norma individual e concreta.</p><p>Assim sendo, de acordo com as lições do professor Paulo de Barros Carvalho acima mencionadas, o erro de direito se daria no enquadramento do fato à norma legal, ou seja, na subsunção. Já o erro de fato, se verifica no interior da norma individual e concreta do lançamento.</p><p>Desta forma, o erro na interpretação das regras da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, ou seja, o enquadramento da mercadoria em um código ao invés de outro, trata-se de erro de direito. Já se o erro fosse baseado na constatação de que o equipamento importado apresenta características diferentes das identificadas na conferência anterior, tratar-se-ia de erro de fato.</p><p>Nesta situação, há entendimento no sentido de que a revisão do lançamento apenas poderia ser feita no caso de erro de fato, ou seja, neste caso específico,</p><p>se o erro fosse baseado na constatação de que o equipamento importado apresenta características diferentes das identificadas anteriormente.[footnoteRef:17] Já no caso de erro de direito, não poderia ser revisto o lançamento. [17: “O lançamento somente pode ser revisto em caso de erro de fato, isto é, uma falha no relato em linguagem competente contida no ato de lançamento (desajuste da linguagem intranormativa), sem prejuízo das demais hipóteses do art. 149, que compreendem a fraude ou a falta funcional da autoridade competente e o vício de forma (omissão de ato ou formalidade essencial).” SEHN, Solon. Reclassificação fiscal de mercadorias e segurança jurídica. Congresso Nacional de Estudos Tributários - XV - 30 Anos da Constituição Federal e o Sistema Tributário Brasileiro. Editora Noeses, 2018. Disponível em https://www.ibet.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Solon-Sehn.pdf. Acesso em 04/10/2024, às 17h30.</p><p>]</p><p>Anexo I</p><p>REsp 662.882/RJ</p><p>PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. IMPORTAÇÃO. REIMPORTAÇÃO. ATIVIDADES DISTINTAS. TIPICIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA.</p><p>1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.</p><p>2. A importação e a reimportação de mercadorias são atividades distintas, cabendo, portanto, à legislação tributária prever quais as hipóteses de incidência de IPI para cada uma das mesmas respeitando-se suas especificidades.</p><p>3. O princípio mor da legalidade exige tipicidade estrita em sede tributária. Inocorrendo a hipótese de incidência, tal como prevista na lei, inexigível é a exação, e por isso mesmo, qualquer punição administrativa decorrente da obrigação tributária.</p><p>4. O E. STJ assentou no Resp n.º 614.849, da Relatoria do e.</p><p>Ministro Castro Meira, publicado no DJ de 04.10.2004, verbis: "Por outro tanto, a cobrança de multa advém da aplicação da legislação aplicável da importação de mercadorias, hipótese distinta da reimportação, onde não se exige a emissão de guias de importação, por se revestir de operação singular de reimportação de bens nacionais (no caso fitas de videotape de gravação de novelas produzidas pela Rede Globo, no território nacional).</p><p>Merece ressalvar o fato da exigência mencionada pela Fazenda somente ser capaz de fazer sentido ao tempo em que outra era a sistemática do imposto de importação, onde era previsto, como fato gerador da exação, a importação de quaisquer mercadorias, inclusive as produzidas no Brasil, desde que de procedência estrangeira.</p><p>No caso em exame não há qualquer previsão legal para a apresentação de guia de importação, nas hipóteses de reimportação e, assim sendo, é incabível a sua exigência com base na legislação atinente à importação, porquanto configura ofensa ao princípio da legalidade" 5. O Supremo Tribunal Federal, por seu turno, manifestou-se no RE 104.306-7/SP acerca do tema em análise, em voto de relatoria do eminente Ministro Octavio Gallotti, cuja conclusão se destaca: "Não se poderia, pois, sem ferir o artigo 21, I da Constituição Federal, entender a expressão "produto estrangeiro", como igualmente abrangendo as mercadorias nacionais retiradas temporariamente do Brasil, para a exposição em feiras no Exterior, numa prática habitual de incentivo à exportação."</p><p>6. É insindicável pelo E. STJ ( Súmula 07) a premissa fática da configuração da violação da lei, firmada pelo tribunal local. In casu, restou inequívoca do aresto recorrido, a conclusão de que:</p><p>"Importa ressaltar que, conforme reconhece a própria Fazenda Nacional, a situação fática não configura hipótese de incidência de tributo a reimportação de fitas de vídeo exportadas para fins de dublagem pelo regime de exportação temporária, nos termos dos artigos 369, do Regulamento Aduaneiro, e 92, do Decreto-lei 37/66, respectivamente.</p><p>Ademais, a multa é imposta em razão da equivocada infração administrativa ao controle das importações, que consiste na ausência ou não da apresentação de guia de importação, para o desembaraço aduaneiro.</p><p>(...) Por outro tanto, a cobrança da multa advém da aplicação da legislação aplicável à importação de mercadorias, hipótese distinta da reimportação, onde não se exige a emissão de guias de importação, por se revestir de operação singular de reimportação de bens nacionais (no caso fitas de videotape de gravação de novelas produzidas pela Rede Globo, no território nacional).</p><p>Merece ressalvar o fato de exigência mencionada pela Fazenda somente ser capaz de fazer sentido ao tempo em que outra era a sistemática do imposto de importação, onde era previsto como fato gerador da exação a importação de quaisquer mercadorias, inclusive as produzidas no Brasil, desde que de procedência estrangeira.</p><p>No caso em exame não há qualquer previsão legal para a apresentação de guia de importação, nas hipóteses de reimportação e, assim sendo, é incabível a sua exigência com base na legislação atinente à importação, porquanto configura ofensa ao princípio da legalidade."</p><p>7. Forçoso concluir , à semelhança do julgado atacado que in casu, o que houve foi a reimportação de mercadorias, sob o regime de exportação temporária, não incidindo a obrigação de apresentação de guia de importação na hipótese, prevista nos artigos 432 c/c 526, II do Regulamento Aduaneiro, por se tratar de fato distinto do previsto na lei, restando vedada qualquer interpretação extensiva por força do artigo 111 do CTN.</p><p>8. Recurso especial improvido.</p><p>(REsp n. 662.882/RJ, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 6/12/2005, DJ de 13/2/2006, p. 672.)</p><p>Anexo II</p><p>ADI 1.480</p><p>E M E N T A: - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - CONVENÇÃO Nº 158/OIT - PROTEÇÃO DO TRABALHADOR CONTRA A DESPEDIDA ARBITRÁRIA OU SEM JUSTA CAUSA - ARGÜIÇÃO DE ILEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DOS ATOS QUE INCORPORARAM ESSA CONVENÇÃO INTERNACIONAL AO DIREITO POSITIVO INTERNO DO BRASIL (DECRETO LEGISLATIVO Nº 68/92 E DECRETO Nº 1.855/96) - POSSIBILIDADE DE CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE DE TRATADOS OU CONVENÇÕES INTERNACIONAIS EM FACE DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA - ALEGADA TRANSGRESSÃO AO ART. 7º, I, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA E AO ART. 10, I DO ADCT/88 - REGULAMENTAÇÃO NORMATIVA DA PROTEÇÃO CONTRA A DESPEDIDA ARBITRÁRIA OU SEM JUSTA CAUSA, POSTA SOB RESERVA CONSTITUCIONAL DE LEI COMPLEMENTAR - CONSEQÜENTE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE TRATADO OU CONVENÇÃO INTERNACIONAL ATUAR COMO SUCEDÂNEO DA LEI COMPLEMENTAR EXIGIDA PELA CONSTITUIÇÃO (CF, ART. 7º, I) - CONSAGRAÇÃO CONSTITUCIONAL DA GARANTIA DE INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA COMO EXPRESSÃO DA REAÇÃO ESTATAL À DEMISSÃO ARBITRÁRIA DO TRABALHADOR (CF, ART. 7º, I, C/C O ART. 10, I DO ADCT/88) - CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA CONVENÇÃO Nº 158/OIT, CUJA APLICABILIDADE DEPENDE DA AÇÃO NORMATIVA DO LEGISLADOR INTERNO DE CADA PAÍS - POSSIBILIDADE DE ADEQUAÇÃO DAS DIRETRIZES CONSTANTES DA CONVENÇÃO Nº 158/OIT ÀS EXIGÊNCIAS FORMAIS E MATERIAIS DO ESTATUTO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO - PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR DEFERIDO, EM PARTE, MEDIANTE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. PROCEDIMENTO CONSTITUCIONAL DE INCORPORAÇÃO DOS TRATADOS OU CONVENÇÕES INTERNACIONAIS. - É na Constituição da República - e não na controvérsia doutrinária que antagoniza monistas e dualistas - que se deve buscar a solução normativa para a questão da incorporação dos atos internacionais ao sistema de direito positivo interno brasileiro. O exame da vigente Constituição Federal permite constatar que a execução dos tratados internacionais e a sua incorporação à ordem jurídica interna decorrem, no sistema adotado pelo Brasil, de um ato subjetivamente complexo, resultante da conjugação de duas vontades homogêneas: a do Congresso Nacional, que resolve, definitivamente, mediante decreto legislativo, sobre tratados, acordos ou atos internacionais (CF, art. 49, I) e a do Presidente</p><p>da República, que, além de poder celebrar esses atos de direito internacional (CF, art. 84, VIII), também dispõe - enquanto Chefe de Estado que é - da competência para promulgá-los mediante decreto. O iter procedimental de incorporação dos tratados internacionais - superadas as fases prévias da celebração da convenção internacional, de sua aprovação congressional e da ratificação pelo Chefe de Estado - conclui-se com a expedição, pelo Presidente da República, de decreto, de cuja edição derivam três efeitos básicos que lhe são inerentes: (a) a promulgação do tratado internacional; (b) a publicação oficial de seu texto; e (c) a executoriedade do ato internacional, que passa, então, e somente então, a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno. Precedentes. SUBORDINAÇÃO NORMATIVA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS À CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. - No sistema jurídico brasileiro, os tratados ou convenções internacionais estão hierarquicamente subordinados à autoridade normativa da Constituição da República. Em conseqüência, nenhum valor jurídico terão os tratados internacionais, que, incorporados ao sistema de direito positivo interno, transgredirem, formal ou materialmente, o texto da Carta Política. O exercício do treaty-making power, pelo Estado brasileiro - não obstante o polêmico art. 46 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (ainda em curso de tramitação perante o Congresso Nacional) -, está sujeito à necessária observância das limitações jurídicas impostas pelo texto constitucional. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE TRATADOS INTERNACIONAIS NO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO. - O Poder Judiciário - fundado na supremacia da Constituição da República - dispõe de competência, para, quer em sede de fiscalização abstrata, quer no âmbito do controle difuso, efetuar o exame de constitucionalidade dos tratados ou convenções internacionais já incorporados ao sistema de direito positivo interno. Doutrina e Jurisprudência. PARIDADE NORMATIVA ENTRE ATOS INTERNACIONAIS E NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS DE DIREITO INTERNO. - Os tratados ou convenções internacionais, uma vez regularmente incorporados ao direito interno, situam-se, no sistema jurídico brasileiro, nos mesmos planos de validade, de eficácia e de autoridade em que se posicionam as leis ordinárias, havendo, em conseqüência, entre estas e os atos de direito internacional público, mera relação de paridade normativa. Precedentes. No sistema jurídico brasileiro, os atos internacionais não dispõem de primazia hierárquica sobre as normas de direito interno. A eventual precedência dos tratados ou convenções internacionais sobre as regras infraconstitucionais de direito interno somente se justificará quando a situação de antinomia com o ordenamento doméstico impuser, para a solução do conflito, a aplicação alternativa do critério cronológico ("lex posterior derogat priori") ou, quando cabível, do critério da especialidade. Precedentes. TRATADO INTERNACIONAL E RESERVA CONSTITUCIONAL DE LEI COMPLEMENTAR. - O primado da Constituição, no sistema jurídico brasileiro, é oponível ao princípio pacta sunt servanda, inexistindo, por isso mesmo, no direito positivo nacional, o problema da concorrência entre tratados internacionais e a Lei Fundamental da República, cuja suprema autoridade normativa deverá sempre prevalecer sobre os atos de direito internacional público. Os tratados internacionais celebrados pelo Brasil - ou aos quais o Brasil venha a aderir - não podem, em conseqüência, versar matéria posta sob reserva constitucional de lei complementar. É que, em tal situação, a própria Carta Política subordina o tratamento legislativo de determinado tema ao exclusivo domínio normativo da lei complementar, que não pode ser substituída por qualquer outra espécie normativa infraconstitucional, inclusive pelos atos internacionais já incorporados ao direito positivo interno. LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DA CONVENÇÃO Nº 158/OIT, DESDE QUE OBSERVADA A INTERPRETAÇÃO CONFORME FIXADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. - A Convenção nº 158/OIT, além de depender de necessária e ulterior intermediação legislativa para efeito de sua integral aplicabilidade no plano doméstico, configurando, sob tal aspecto, mera proposta de legislação dirigida ao legislador interno, não consagrou, como única conseqüência derivada da ruptura abusiva ou arbitrária do contrato de trabalho, o dever de os Estados-Partes, como o Brasil, instituírem, em sua legislação nacional, apenas a garantia da reintegração no emprego. Pelo contrário, a Convenção nº 158/OIT expressamente permite a cada Estado-Parte (Artigo 10), que, em função de seu próprio ordenamento positivo interno, opte pela solução normativa que se revelar mais consentânea e compatível com a legislação e a prática nacionais, adotando, em conseqüência, sempre com estrita observância do estatuto fundamental de cada País (a Constituição brasileira, no caso), a fórmula da reintegração no emprego e/ou da indenização compensatória. Análise de cada um dos Artigos impugnados da Convenção nº 158/OIT (Artigos 4º a 10).</p><p>(ADI 1480 MC, Relator(a): CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 04-09-1997, DJ 18-05-2001 PP-00435 EMENT VOL-02031-02 PP-00213)</p><p>Anexo III</p><p>RE 349.703</p><p>PRISÃO CIVIL DO DEPOSITÁRIO INFIEL EM FACE DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS. INTERPRETAÇÃO DA PARTE FINAL DO INCISO LXVII DO ART. 5O DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988. POSIÇÃO HIERÁRQUICO-NORMATIVA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO. Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva, ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e à Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San José da Costa Rica (art. 7º, 7), ambos no ano de 1992, não há mais base legal para prisão civil do depositário infiel, pois o caráter especial desses diplomas internacionais sobre direitos humanos lhes reserva lugar específico no ordenamento jurídico, estando abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de adesão. Assim ocorreu com o art. 1.287 do Código Civil de 1916 e com o Decreto-Lei n° 911/69, assim como em relação ao art. 652 do Novo Código Civil (Lei n° 10.406/2002). ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. DECRETO-LEI N° 911/69. EQUIPAÇÃO DO DEVEDOR-FIDUCIANTE AO DEPOSITÁRIO. PRISÃO CIVIL DO DEVEDOR-FIDUCIANTE EM FACE DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A prisão civil do devedor-fiduciante no âmbito do contrato de alienação fiduciária em garantia viola o princípio da proporcionalidade, visto que: a) o ordenamento jurídico prevê outros meios processuais-executórios postos à disposição do credor-fiduciário para a garantia do crédito, de forma que a prisão civil, como medida extrema de coerção do devedor inadimplente, não passa no exame da proporcionalidade como proibição de excesso, em sua tríplice configuração: adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito; e b) o Decreto-Lei n° 911/69, ao instituir uma ficção jurídica, equiparando o devedor-fiduciante ao depositário, para todos os efeitos previstos nas leis civis e penais, criou uma figura atípica de depósito, transbordando os limites do conteúdo semântico da expressão "depositário infiel" insculpida no art. 5º, inciso LXVII, da Constituição e, dessa forma, desfigurando o instituto do depósito em sua conformação constitucional, o que perfaz a violação ao princípio da reserva legal proporcional. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.</p><p>(RE 349703, Relator(a): CARLOS BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão: GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 03-12-2008, DJe-104 DIVULG 04-06-2009 PUBLIC 05-06-2009 EMENT VOL-02363-04 PP-00675)</p><p>Anexo IV</p><p>RE 229.096</p><p>EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988 DO ACORDO GERAL DE TARIFAS E COMÉRCIO. ISENÇÃO DE TRIBUTO ESTADUAL PREVISTA EM TRATADO INTERNACIONAL FIRMADO</p><p>PELA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. ARTIGO 151, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ARTIGO 98 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE ISENÇÃO HETERÔNOMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO. 1. A isenção de tributos estaduais prevista no Acordo Geral de Tarifas e Comércio para as mercadorias importadas dos países signatários quando o similar nacional tiver o mesmo benefício foi recepcionada pela Constituição da República de 1988. 2. O artigo 98 do Código Tributário Nacional "possui caráter nacional, com eficácia para a União, os Estados e os Municípios" (voto do eminente Ministro Ilmar Galvão). 3. No direito internacional apenas a República Federativa do Brasil tem competência para firmar tratados (art. 52, § 2º, da Constituição da República), dela não dispondo a União, os Estados-membros ou os Municípios. O Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de Governo, mas como Chefe de Estado, o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. III, da Constituição. 4. Recurso extraordinário conhecido e provido.</p><p>(RE 229096, Relator(a): ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 16-08-2007, DJe-065 DIVULG 10-04-2008 PUBLIC 11-04-2008 EMENT VOL-02314-05 PP-00985 RTJ VOL-00204-02 PP-00858 RJTJRS v. 45, n. 275, 2010, p. 29-42)</p><p>Anexo V</p><p>ADI 1600</p><p>EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 87/96. ICMS E SUA INSTITUIÇÃO. ARTS. 150, II; 155, § 2º, VII 'A', E INCISO VIII, CF. CONCEITOS DE PASSAGEIRO E DE DESTINATÁRIO DO SERVIÇO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. ALÍQUOTAS PARA OPERAÇÕES INTERESTADUAIS E PARA AS OPERAÇÕES INTERNAS. INAPLICABILIDADE DA FÓRMULA CONSTITUCIONAL DE PARTIÇÃO DA RECEITA DO ICMS ENTRE OS ESTADOS. OMISSÃO QUANTO A ELEMENTOS NECESSÁRIOS À INSTITUIÇÃO DO ICMS SOBRE NAVEGAÇÃO AÉREA. OPERAÇÕES DE TRÁFEGO AÉREO INTERNACIONAL. TRANSPORTE AÉREO INTERNACIONAL DE CARGAS. TRIBUTAÇÃO DAS EMPRESAS NACIONAIS. QUANTO ÀS EMPRESAS ESTRANGEIRAS, VALEM OS ACORDOS INTERNACIONAIS - RECIPROCIDADE. VIAGENS NACIONAL OU INTERNACIONAL - DIFERENÇA DE TRATAMENTO. AUSÊNCIA DE NORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS DE COMPETÊNCIA ENTRE AS UNIDADES FEDERADAS. ÂMBITO DE APLICAÇÃO DO ART. 151, CF É O DAS RELAÇÕES DAS ENTIDADES FEDERADAS ENTRE SI. NÃO TEM POR OBJETO A UNIÃO QUANDO ESTA SE APRESENTA NA ORDEM EXTERNA. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO, DE PASSAGEIROS - INTERMUNICIPAL, INTERESTADUAL E INTERNACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DO ICMS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO INTERNACIONAL DE CARGAS PELAS EMPRESAS AÉREAS NACIONAIS, ENQUANTO PERSISTIREM OS CONVÊNIOS DE ISENÇÃO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS. AÇÃO JULGADA, PARCIALMENTE PROCEDENTE.</p><p>(ADI 1600, Relator(a): SYDNEY SANCHES, Relator(a) p/ Acórdão: NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 26-11-2001, DJ 20-06-2003 PP-00058 EMENT VOL-02115-09 PP-01751)</p><p>Anexo VI</p><p>RE 543943 AgR</p><p>E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – GASODUTO BRASIL- -BOLÍVIA – ISENÇÃO DE TRIBUTO MUNICIPAL (ISS) CONCEDIDA PELA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL MEDIANTE ACORDO BILATERAL CELEBRADO COM A REPÚBLICA DA BOLÍVIA – A QUESTÃO DA ISENÇÃO DE TRIBUTOS ESTADUAIS E/OU MUNICIPAIS OUTORGADA PELO ESTADO FEDERAL BRASILEIRO EM SEDE DE CONVENÇÃO OU TRATADO INTERNACIONAL - POSSIBILIDADE CONSTITUCIONAL – DISTINÇÃO NECESSÁRIA QUE SE IMPÕE, PARA ESSE EFEITO, ENTRE O ESTADO FEDERAL BRASILEIRO (EXPRESSÃO INSTITUCIONAL DA COMUNIDADE JURÍDICA TOTAL), QUE DETÉM “O MONOPÓLIO DA PERSONALIDADE INTERNACIONAL”, E A UNIÃO, PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO (QUE SE QUALIFICA, NESSA CONDIÇÃO, COMO SIMPLES COMUNIDADE PARCIAL DE CARÁTER CENTRAL) - NÃO INCIDÊNCIA, EM TAL HIPÓTESE, DA VEDAÇÃO ESTABELECIDA NO ART. 151, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CUJA APLICABILIDADE RESTRINGE-SE, TÃO SOMENTE, À UNIÃO, NA CONDIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. - A cláusula de vedação inscrita no art. 151, inciso III, da Constituição - que proíbe a concessão de isenções tributárias heterônomas - é inoponível ao Estado Federal brasileiro (vale dizer, à República Federativa do Brasil), incidindo, unicamente, no plano das relações institucionais domésticas que se estabelecem entre as pessoas políticas de direito público interno. Doutrina. Precedentes. - Nada impede, portanto, que o Estado Federal brasileiro celebre tratados internacionais que veiculem cláusulas de exoneração tributária em matéria de tributos locais (como o ISS, p. ex.), pois a República Federativa do Brasil, ao exercer o seu treaty-making power, estará praticando ato legítimo que se inclui na esfera de suas prerrogativas como pessoa jurídica de direito internacional público, que detém - em face das unidades meramente federadas - o monopólio da soberania e da personalidade internacional. - Considerações em torno da natureza político-jurídica do Estado Federal. Complexidade estrutural do modelo federativo. Coexistência, nele, de comunidades jurídicas parciais rigorosamente parificadas e coordenadas entre si, porém subordinadas, constitucionalmente, a uma ordem jurídica total. Doutrina.</p><p>(RE 543943 AgR, Relator(a): CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 30-11-2010, DJe-030 DIVULG 14-02-2011 PUBLIC 15-02-2011 EMENT VOL-02464-02 PP-00469 RT v. 100, n. 908, 2011, p. 470-479)</p><p>Anexo VII</p><p>Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados</p><p>SEÇÃO 3</p><p>Interpretação de Tratados</p><p>Artigo 31</p><p>Regra Geral de Interpretação</p><p>1. Um tratado deve ser interpretado de boa fé segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu objetivo e finalidade.</p><p>2. Para os fins de interpretação de um tratado, o contexto compreenderá, além do texto, seu preâmbulo e anexos:</p><p>a)qualquer acordo relativo ao tratado e feito entre todas as partes em conexão com a conclusão do tratado;</p><p>b)qualquer instrumento estabelecido por uma ou várias partes em conexão com a conclusão do tratado e aceito pelas outras partes como instrumento relativo ao tratado.</p><p>3. Serão levados em consideração, juntamente com o contexto:</p><p>a)qualquer acordo posterior entre as partes relativo à interpretação do tratado ou à aplicação de suas disposições;</p><p>b)qualquer prática seguida posteriormente na aplicação do tratado, pela qual se estabeleça o acordo das partes relativo à sua interpretação;</p><p>c)quaisquer regras pertinentes de Direito Internacional aplicáveis às relações entre as partes.</p><p>4. Um termo será entendido em sentido especial se estiver estabelecido que essa era a intenção das partes.</p><p>Anexo VIII</p><p>REsp 1.555.004/SC</p><p>TRIBUTÁRIO. PRODUTO IMPORTADO. SABÃO ANTIACNE. CLASSIFICAÇÃO PERANTE À ANVISA COMO COSMÉTICO. AUTORIDADE ADUANEIRA QUE ENTENDE SER MEDICAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE SANITÁRIA (ANVISA) NA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.</p><p>1. Incumbe à ANVISA regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam à saúde pública (art. 8o. da Lei 9.782/99).</p><p>2. Não pertence às atribuições fiscais e aduaneiras, alterar a classificação de um produto, inclusive porque os seus agentes não dispõem do conhecimento técnico-científico exigido para esse mister.</p><p>3. Produto classificado pela ANVISA como cosmético. Atribuição privativa da Autoridade Sanitária, que refoge à competência da Autoridade Aduaneira.</p><p>4. Recurso Especial do contribuinte provido para restabelecer a sentença de fls. 974/975.</p><p>(REsp n. 1.555.004/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 16/2/2016, DJe de 25/2/2016.)</p><p>Anexo IX</p><p>Parecer Normativo Cosit nº 06/2018</p><p>CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.</p><p>A legislação brasileira determina o cumprimento das normas internacionais sobre classificação fiscal de mercadorias. Nos países que internalizaram em seu ordenamento jurídico a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, a interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades</p>

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