1ª) Profundas mudanças irão afetar a revisão contratual. Os autores, no direito civil, ainda estão fazendo prognoses sobre o tema, mediante previsões opinativas, algumas até bastante pessimistas; mas, precisaremos aguardar como os tribunais superiores irão decidir sobre a temática. A recente edição da Lei n. 13.874/2019 (Declaração de Direitos de Liberdade Econômica) já alterou rigorosamente a forma como deve ser interpretada a legislação civil, sobretudo no tocante à revisão e conservação do contrato (Brasil, 2019): I) conservar o contrato será mais valioso que revisar o contrato, e extingui-lo ocorrerá apenas em caráter excepcional, o que se trata de uma profunda ruptura paradigmática no direito civil brasileiro, sobretudo na seara dos contratos em geral. Devemos lembrar que essa mudança foi erigida a lei, mais uma vez, mudando o teor do art. 421, adicionando-lhe um seu parágrafo único, e acrescentando ao Código Civil o art. 421-A: Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual. Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais; II) a doutrina costuma atrelar o estudo do tema ao princípio da função social, mas também esclarece que os princípios sociais do contrato não eliminam os princípios individuais do contrato; entendimento que já mostra clara percepção dessa mudança paradigmática na seara da revisão dos contratos. E, em sentido semelhante, há, em outra análise, que, "[...] quanto maior o grau de manifestação de vontade, menor a possibilidade de interferência do poder judiciário na avaliação dos seus efeitos" (Ribeiro; Galeski Jr., 2015, p. 241); III) as percepções foram sendo sentidas ao longo do tempo pelo legislador e pelos tribunais pátrios, vindo a culminar com a promulgação da Lei n. 13.874/2019, que, de modo preciso, alterou substancialmente o Código Civil (Brasil, 2002a, 2019). Por fim, o legislador ainda especifica as hipóteses em que a intervenção deverá operar de forma reduzida, em especial quando constatada paridade entre as partes, ou seja, a ampla capacidade de cada parte de gerir suas vontades, prever seus ganhos e contingenciar suas perdas. O ideal é que, nesses casos, realmente a intervenção seja a maior possível, sob o risco de o Poder Judiciário continuar como protagonista dos erros de mercado, erros esses que, para piorar, vem revestido de autoritarismo. a) I e II incorretas. b) II e III incorretas. c) I e II corretas. d) II e III corretas.