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COMO 
SE FAZ? 
DOCUMENTOS 
PSICOLÓGICOS 
AUTORA 
Kalbla Barbosa Queiroz de Santana 
4 sanar 
• 
• 
COMO 
SE FAZ? 
DOCUMENTOS PSICOLÓGICOS 
Kallila Barbosa Queiroz de Santana 
# sanar 
2021 
© Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sa-
nar Ltda. pela Lei n°9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou 
reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob 
quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou out-
ros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas 
características gráficas, sem permissão expressa da Editora. 
Título 
Editora 
Projeto gráfico e diagramação 
Capa 
Revisor Ortográfico 
Conselho Editorial 
Como se faz? Documentos Psicológicos 
Fernanda Fernandes 
Fabrício Sawczen 
Fabrício Sawczen 
Karen Duarte 
Caio Vinícius Menezes Nunes 
Itaciara Lazorra Nunes 
Paulo Costa Lima 
Sandra de Quadros Uzekla 
Silvio José Albergaria da Silva 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo-SP) 
8238c Barbosa, Kallila. 
Como se faz? Documentos Psicológicos / Kallila Barbosa.- 1. ed.- Salvador, BA: Editora Sanar, 2021. 
192 p. (Coleção Como se faz?). 
Inclui bibliografia. 
ISBN 978-65-89822-14-1 
1. Atestados. 2. Documentos. 3. Laudos. 4. Preliminares. 5. Psicologia. 6. Registros. I. Título. II. Assunto. III. Barbosa, 
Kallila. 
CDD 150 
CDU 159.9 
ÍNDICE PARA CATALOGO SISTEMÁTICO 
1. Psicologia. 
2. Psicologia. 
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes CRB-8 8846 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
BARBOSA, Kallila. Como se faz? Documentos Psicológicos. 1. ed. Salvador, BA: Editora Sanar, 2021. (Coleção Como se faz?). 
# sanar 
Editora Sanar Ltda. 
R. Alceu Amoroso Lima, 172 -SalvadorOffice 
& Pool, 3ro Andar- Caminho das Arvores CEP 
41820-770, Salvador - BA 
Tel.: 0800 337 6262 
atendimento@sanar.com 
www.sanarsaude.com 
Autora 
KALLILA BARBOSA QUEIROZ DE SANTANA 
Mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universi-
dade do Estado da Bahia. Graduada em Psicologia pela Uni-
_ versidade Federal da Bahia. Professora em níveis de gradua-
ção e pós graduação, escritora, psicoterapeuta, parecerista, 
supervisora e mentora profissional, com experiência com 
Perícia Psicológica, Assistência Técnica. Perfil @deproposito-
porproposito. 
Sumário 
1. PRA COMEÇAR 9 
1. Documentos psicológicos 11 
2. 0 lugar do exame 15 
3. Mapeamento de solicitação documental 1 ferramenta 17 
Referências 21 
2. PRELIMINARES 23 
1. 10 Tempo: Instrumento científico-político 25 
2. 20 Tempo: Comunicação da Prestação de Serviços 26 
3. Respostas dos Exercícios 52 
Referências 54 
DECLARAÇÃO 55 
1. Abertura 55 
2. Estrutura 57 
3. Modelo 58 
4. Dúvidas Comuns 60 
Referências 61 
4. RELATÓRIOS 63 
1. Introdução 63 
2. Relatório psicológico 65 
3. Relatório multiprofissional 72 
4. Dúvidas comuns 78 
5. Mapa mental 84 
5. PARECER PSICOLÓGICO 85 
1. Introdução 85 
2. Estrutura 95 
3. Check list 98 
4. Dúvidas comuns 99 
Referências 102 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 103 
1. Introdução 103 
2. Conceitos 105 
3. Planejamento 111 
4. Dúvidas comuns 118 
Referências 122 
7. ATESTADO PSICOLÓGICO 123 
1. Atestado Psicológico 123 
2. Exercícios 131 
3. Estrutura 132 
4. Dúvidas comuns 137 
5. Respostas dos exercícios. 140 
Referências 142 
8. LAUDO PSICOLÓGICO 143 
1. Procedimentos de Coleta de Dados: 148 
2. A Avaliação Psicológica 148 
3. Meu Método de Elaboração 153 
4. Dúvidas Comuns 155 
Referências 158 
9. EXTRAPOLANDO 159 
1. Registros documentais 161 
2. Objetivos da prestação de serviços 167 
3. Psicoterapias 170 
Referências 173 
10. CONSULTA RÁPIDA 175 
1. Documentos Técnicos 177 
2. Demanda documental 178 
3. Finalidade documental 179 
4. Fontes de dados para elaboração de Documento 
Técnico Psicológico 180 
5. Declaração 181 
6. Atestado psicológico 182 
7. Relatórios Psicológico e Multiprofissional 183 
8. Laudo Psicológico 184 
9. Parecer Psicológico 185 
10. Considerações importantes 186 
11. Registro Documental 188 
12. Prontuário Psicológico 189 
CAPÍTUL011 
PRA COMEÇAR 
O que você irá ver nesse capítulo: 
o 
0 
o 
Documentos psicológicos 
O lugar do exame 
Mapeamento de solicitação documental 1 Ferramenta 
"Quem elegeu a busca 
Não pode recusar a travessia" 
Guimarães Rosa. 
Começar uma jornada normalmente não é tarefa fácil... Em 
começos, há de se tomar decisões, escolher destino, traçar ca-
minho, preparar bagagem, contar com imprevistos. Se com-
prometer. Uma jornada começada tem obstáculo, tem cansaço 
e tem respiros, no plural. Tem prazer. Tem orgulho. Tem legado. 
Eu não sei em que etapa de sua jornada em psicologia estamos 
tendo esse encontro, mas que bom que nos encontramos, que 
estamos aqui. 
Esse livro é um tanto diferente: ele não se propõe ser um 
livro! Sei que pode parecer confuso, mas explico - meu objeti-
vo em uma proposta de Como Fazer documentos psicológicos 
foi pegar em sua mão. Construí cada capítulo como conversas 
numa caminhada e torço que assim chegue para você. Nem 
de longe tenho a intenção de encerrar assuntos, ao contrário: 
quero mesmo é abrir possibilidades! Mais que me ocupar sobre 
o que eu não disse, fiz questão de focar no que precisava dizer. 
É uma caminhada, enquanto você atuar profissionalmente. 
9 
CAPÍTULO 1 
Minha intenção aqui é te fazer par num trecho de sua Jornada, 
por vezes tão solitária, enquanto também vou fazendo, de cá, 
a minha própria caminhada. E estar junto é muito bom! 
Antes de mergulharmos especificamente no tema desse li-
vro, Documentos Psicológicos, quero te convidar a pensar so-
bre a sua escolha profissional, pois acredito que estar aqui não 
é apenas sobre um conteúdo novo, uma qualificação ou 
capacitação profissional (ou não deveria ser). Você lembra 
porque escolheu a Psicologia? Lembra, lá atrás, o que te fazia 
brilhar os olhos, o seu e somente seu motivo de querer fazer-se 
psi"? Para te provocar nesses resgates de memória, lanço aqui 
algumas perguntas (que usaremos muitas vezes!!): 
PERGUNTAS FUNDAMENTAIS 
1. Por que você faz o que faz? 
2. Para que faz o que faz? 
3. Para quem faz o que faz? 
4. Quando você faz? 
5. Como faz? 
Essas não são provocações simples e, se por acaso, elas 
não mexeram "aí por dentro", arrisco dizer que você ficou na 
"superfície do pensamento". E, tudo bem, é escolha. Mas, acre-
dite colega, para que mergulhemos fundo em algo, fazer algu-
mas conexões, investir em resgates são importantes porque 
nem sempre estaremos motivados, nem sempre colheremos, 
de pronto, frutos desejados. E, estar aqui, revela sobre tempo 
de plantio. Te convidar à lembrar de você, de seus motivos é 
minha maneira de fazer você vir comigo nessa jornada até o 
fim, mesmo que nem sempre tão animada, mas sempre de 
propósito. 
c 
c 
II 
10 
PRA COMEÇAR 
"O motivo para você procurar motivo pode ser o 
de ser o melhor terapeuta que puder, ajudando 
pessoas a serem também melhores que quando 
te encontraram pela primeira vez. Eu penso que 
esse é um motivo e tanto para que você ouse nas 
profundezas e se encontre com seu motivo. Acre-
dite, a motivação para cuidar de pessoas, isso que 
você escolheu, deve ser algo muito, muito pessoal 
e só em um encontro profundo, você se (re)conec-
tará com o seu porquê'". 
Quando escolho esse caminho de lembrar "por que faze-
mos o que fazemos" faço com que renovemos nossos votos 
com nossa escolha de exercício profissional - somos convoca-
dos a honrar nosso compromisso de sermos profissionais ca-
pacitados para as demandas que assumimos - eu e você pro-
metemos agir com ética na colação de grau, lembra? Buscar 
ser profissionais melhores é bancar a jornada de investir: em 
tempo, em grana, em prática, em supervisão. É arriscar, testar, 
ajustar. E vamos cá começar mais uma travessia. Vuuumbora!!! 
1. DOCUMENTOS PSICOLÓGICOS 
Vou começar por uma confissão: há anos esperava um novo 
conjunto de regrase orientações para elaborar nossos diferen-
tes documentos técnicos! Fui formada na então recém vigên-
cia do Manual de Elaboração de Documentos de 2003, ensi-
nei muitos colegas com base nessa normativa e foram alguns 
"rebolados" para manejar furos e lacunas. Em 2019 celebrei a 
Resolução CFP no 04, que logo foi revogada dando lugar à nor-
mativa atual. Ufaa, enfim, novos tempos! 
Vou te contar algo sobre mim: sou apaixonada por comuni-
cação. Gente, em todo tempo nós estamos trocando informa-
ções, ideias, saberes, de diferentes e múltiplas formas. Cada um 
11 
CAPÍTULO 1 
tem sua própria forma de se expressar e, particularmente, acho 
isso de uma beleza singular. Os diferentes documentos téc-
nicos em psicologia são a nossa forma de dizer, por escrito, 
nossos fazeres profissionais e deveríamos usar esse poder, 
de propósito, a nosso favor; isso certamente nos diferenciaria! 
Mas, ao longo de minha jornada, o que vi foi muito colega ávi-
do por "modelos documentais", como se pegassem empresta-
do a voz, o estilo de terceiros para comunicar seu fazer. Lembro 
de uma frase do Saramago que diz assim: 
"No fundo, todos temos necessidade de dizer 
quem somos e o que é que estamos a fazer e a 
necessidade de deixar algo feito, porque esta vida 
não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma 
forma de eternidade3" 
Quero (é torço!) muito que essa nossa jornada te apoie em 
construir, deixar algo feito em que se orgulhe, que seja seu pas-
saporte para bancar seu estilo de comunicação escrita, com 
método e técnica necessários para te deixar segura em escre-
ver sobre suas atividades profissionais em psicologia. 
Esse nosso papo aqui ao longo dessa obra está baseado na 
Resolução CFP 06/2019, nossa resolução de referência, quarta 
normativa específica da nossa categoria profissional sobre 
elaboração de documentos psicológicos. As resoluções CFP 
030/2001, 017/2002 e 007/2003 são as anteriores - a leitura 
vale a pena como referência evolutiva do assunto. Gente, nos-
so fazer profissional está condicionado a conhecer e seguir as 
orientações normativas de nossa categoria profissional. A não 
observância das regras constitui falta ético-disciplinar. 
Eu não sei se você sabe, mas documentos psicológicos re-
presentam grande parte de representações contra profissio-
nais de psicologia junto aos Conselhos Regionais, com foco 
especial para os Laudos Psicológicos4, última etapa do pro-
cesso de avaliação psicológica. Ora, veja bem, estamos falan-
12 
PRA COMEÇAR 
do de um documento privativo de nossa categoria, já que ele 
é condicionado a um processo que só nós podemos, por lei 
(Lei 4119/1962), realizar: deveríamos fazer com primor! Mas 
a jornada ainda é longa. 
Quando falamos de documentos psicológicos precisamos 
entender que ele deve ser encarado como um instrumento 
de comunicação escrita de nossa prestação de serviço. E, 
quando solicitado, precisamos garantir que essa comunicação 
cumpra a demanda e atinja a finalidade a que se propõe (isso 
não significa contemplar o desejo de quem solicita). Aliás, essa 
casadinha demanda-finalidade, que muitas vezes chamo de 
'clíade: é f-u-n-d-a-m-e-n-t-a-1 para que elaboremos qualquer 
documento escrito. Lá na frente vamos aprofundar esse 
papo com uma ferramenta específica de Ma peamento de So-
licitação Documental. Mas preciso muito que tenha em seu 
campo de visão que não há como seguir sem esse tripé: 
Demanda Finalidade Destinatário 
Aqui, o que farei agora é te dar uma visão geral, a partir de 
um esquema, como se estivéssemos sobrevoando o terreno. 
Ao longo de nossa jornada aqui, vamos aprofundar cada um 
dos pontos, construindo cada vez mais seu conhecimento com 
intimidade e confiança na elaboração. Vuumbora! 
13 
CAPÍTULO 1 
Sistematiza uma 
conduta profissional 
Em processo ou 
finalizado 
Declaração 
-4-
Documentos 
Psicológicos 
Instrumento de 
comunicação escrita 
Sustentado por três Princí-
pios Fundamentais: 
• Princípios de Linguagem; 
• Princípios Técnico cientí-
ficos; 
• Princípios Éticos. 
Modalidades de 
Documentos 
Relatório 
Psicológico e/ou 
Multiprofissional 
Não condicionados à 
processo de Avaliação 
Psicológica 
Parecer 
Psicológico 
Elaborado por 
solicitação 
Quem pode solicitar: 
• usuária(o) do serviço 
de Psicologia; 
• seus responsáveis 
legais; 
• uma(um) profissio-
nal específico; 
• equipes multidisci-
plinares; 
• autoridades; 
• produto de um 
processo de avaliação 
psicológica. 
Atestado 
Psicológico 
Laudo 
Psicológico 
V-
Condicionados à 
processo de Avaliação 
Psicológica 
14 
PRA COMEÇAR 
2. O LUGAR DO EXAME 
Bom, apesar de estarmos fazendo uma jornada sobre Como 
Fazer Documentos Psicológicos, eu, no lugar e papel de quem 
caminha ao seu lado como guia, preciso te convocar a pensar 
para além do contexto situacional de uma elaboração docu-
mental. Não é, nem de longe, só sobre demanda-finalidade e 
nós precisamos ter clareza analítica de nossos fazeres. Nossos 
documentos têm o poder de intervir na realidade de pes-
soas e a gente precisa falar sobre isso! 
"O exame que coloca os indivíduos num campo 
de vigilância situa-os igualmente numa rede de 
anotações escritas; compromete-os em toda uma 
quantidade de documentos que os captam e os 
fixam. Os procedimentos de exame são acompa-
nhados imediatamente de um sistema de registro 
intenso e de acumulação documentaria. Um "po-
der de escrita" é constituído como uma peça es-
sencial nas engrenagens da disciplina. Em muitos 
pontos, modela-se pelos métodos tradicionais da 
documentação administrativa. Mas com técnicas 
particulares e inovações importantes. Umas se re-
ferem aos métodos de identificação, de assimila-
ção, ou de descrição5". 
Quando diante de uma solicitação documental, o que se 
busca é a palavra de um técnico, o examinador, alguém que 
estaria investido do poder, travestido da ciência, de "falar a ver-
dade sobre sujeitos". Aqui cabe a produção conceituai foucaul-
tiana de"panoptismo", o que tudo vê, como forma de vigilância 
e controle de corpos por exames de aptidão. 
15 
CAPÍTULO 1 
"A psicologia tem, portanto, um caráter instrumen-
tal na produção positiva de subjetividades, como 
técnica que organiza experiencias de si como su-
jeito "normal" ou "anormal", separando condutas 
desejáveis das indesejáveis, não por meio da lei, 
mas por meio da norma, seja ela, como diria Can-
guilhem, estatística ou relativa ao que seria social-
mente desejável6" 
Comunicar por escrito sobre nosso fazer precisa sempre 
estar fundamentando num questionamento ético quanto ao 
uso do documento que produzimos para que não façamos 
parte de modelos institucionalizados que ferem a igualdade 
entre sujeitos e hierarquiza as relações de poder e controle: 
aqui, mais uma vez, demanda, finalidade e destinatário são 
fundamentais para que nossos documentos não virem ins-
trumentos do instrurnentalismo6. Nossos fazerem precisam 
fomentar a liberdade das pessoas, não controlar seus corpos. 
"Os documentos que produzimos são portadores 
do poder que advém de um regime de verdade 
que privilegia seu status entre as ciências huma-
nas: poder buscar as causas de e prever condutas à s 
humanas torna a psicologia uma disciplina extre- en 
mamente valiosa6" fin 
cu 
Lembre sempre que em nossos Princípios Fundamentais, lá 
do nosso Código de Ética Profissional, nos comprometemos, pe 
dentre outras coisas, com o respeito e a promoção da Liber- 50! 
dade, da dignidade e da igualdade. Cada intervenção e/ou e a 
Avaliação Psicológica concentra em si diferentes camadas di plz -
mensionais e cabe ao profissional que presta serviço o ques-
tionamento contínuo de seus fazeres. E essa responsabilidade 
é de cada um de nós. 
16 
PRA COMEÇAR 
"Nesse sentido, podemos compreender a pro-
dução de documentos psicológicos como resul-
tantes de um conjunto de procedimentos que 
não apenas falam de avaliações ou intervenções 
psicológicas, mas que constituem, em si, uma in-
tervenção documental. Se deixarmos de questio-
nar os sentidos,ou as relações de poder que en-
volvem tal intervenção, veremos a nós mesmos, 
junto com os nossos atestados de competência 
profissional, à deriva ou cooptados, irremediável 
e inadvertidamente, por estratégias de poder que 
nos utilizam como "instrumentos do instrumenta-
lismo", como diria Canguilhem, ou como agentes 
do poder disciplinar, como diria Foucault6" 
3. MAPEAMENTO DE SOLICITAÇÃO DOCUMENTAL 1 
FERRAMENTA 
Os primeiros passos para adentramos no universo de Docu-
mentos Técnicos em Psicologia é ter muita clareza em relação 
à solicitação que chega até você. Esse primeiro momento, de 
entendimento do que se pede, é importante para desde de-
finir a modalidade documental até para planejar o trajeto de 
cumprimento da solicitação. 
Quando diante de uma solicitação documental, existem 
perguntas essenciais para fundamentar seus próximos pas-
sos. Preciso que tenha segurança e a investigação minuciosa 
e aprofundada de cada um desses pontos é fundamental para 
planejar seu caminho de elaboração documental. Vamos a elas: 
17 
CAPÍTULO 1 
1. O que o solicitante quer informar com o docu-
mento (demanda)? 
Pense no conteúdo do documento, certo? O que se 
quer dizer, informar? Para que você tenha um posicio-
namento técnico sobre esse conteúdo, precisará fazer 
avaliação psicológica? 
2. Para que se quer informar o descrito no item 1 
(finalidade)? 
O desejo de informar sobre o conteúdo é para que? 
O que o sujeito supões de beneficio com esse compar-
tilhamento? Quem receberá essa informação (qual o 
papel e o poder decisório)? 
3. Por que se quer informar o descrito no item 1 
(motivo)? 
O que motiva o sujeito a querer informar-o descrito 
no item 1? 
4. Qual o caminho para cumprir demanda-finalida-
de (como fazer)? 
Você já tem os dados necessários para realização 
do documento? Precisará produzir diagnóstico? Qual 
o melhor caminho para atender a solicitação? 
Qual documento melhor atende a solicitação: 
18 
PRA COMEÇAR 
Cada vez que chegar uma solicitação de produção de docu-
mento, como prestação de serviço ou mesmo no meio de uma 
atividade já em andamento ou finalizada, investir um tempo 
no entendimento da solicitação fara toda a diferença nos 
próximos passos. Para que você possa usar essa ferramenta 
sempre que precisar como apoio em sua atuação profissional, 
preparei, de presente, ela em arquivo: segue o QRCode. 
Bom, acho que agora podemos adentrar para os próximos 
capítulos, hum? Mas antes, de irmos para as Preliminares (ca-
pítulo 2), vou te trazer sete dicas (para_estudo de produção 
documental, atuação profissional, e vida cotidiana): 
1. Se comprometa. Para mim há uma diferença muito gran-
de entre querer ser um bom terapeuta e se comprometer 
em ser um bom terapeuta. Aqui, querer não é poder. 
2. Esteja atento ao seu propósito. Atenção para todas as 
coisas: teoria, relações, oportunidades. Tenha clareza de 
seu motivo, se você se perde dele, muda tudo, inclusive o 
que justifica suas escolhas. 
3. Seja integro. Assuma quem você é. Algumas pessoas não 
estarão com você por isso e outras estarão também por 
isso. E está tudo bem. 
4. Persista. Vão existir obstáculos e não serão poucos. Mas 
quem tem um motivo, um por que, enfrenta qualquer 
como. 
19 
CAPÍTULO 1 
5. Esteja aberta. Nem sempre o que você entende como o 
certo agora fará sentido para você amanhã. As coisas po-
dem estar definidas mas não são definitivas. 
6. Cuide de sua energia. A gente se preocupa muito em 
ofertar energia mas negligencia o abastecimento. Quais 
são as formas que você pode se nutrir do que quer ofe-
recer? Isso vale para as relações que a gente estabelece. 
7. Seja de e por propósito. Ter intencionalidade no fazer e 
ser protagonista da própria história é fundamental para 
que possamos convocar o outro para assumir esse lugar 
e papel'°. 
Vuuuumboraaa!! 
20 
PRA COMEÇAR 
REFERÊNCIAS 
1. Barbosa, Kallila (coord.). 101 Ferramentas terapeuticas em Psico-
logia. Salvador: Sanar, 2019. 
2. Cortella, Mario. Porque fazemos o que fazemos. São Paulo:> Pla-
neta, 2016. 
3. Saramago, José. La Provincia. 1997. 
4. Shine, Sidnei. Andando no fio da Navalha: riscos e armadilhas na 
confecção de laudos psicológicos para a Justiça. São Paulo, 2009. 
5. Foucault, Michael. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. 
Petropol is, RJ: Vozes, 1983. 
6. Lourenço, Adindo; Ortiz, Marta; Shine, Sidney. Produção de do-
cumentos em Psicologia: prática e reflexões teórico-criticas. São 
Paulo: Vetor Editora, 2018. 
7. Barbosa, Kallila (coord.). 101 Ferramentas terapeutícas em Psico-
logia. Salvador: Sanar, 2019. 
21 
c 
CAPÍTUL02 
PRELIMINARES 
O que você irá ver nesse capítulo: 
O 
6 
1° Tempo: Instrumento científico-político 
2° Tempo: Comunicação da Prestação de Serviços 
Parte I "Considerandos" 
Parte II 1 Princípios fundamentais 
Respostas dos Exercícios 
Confesso que foi difícil nomear esse capítulo, já que, por se 
tratar de um livro para profissionais de psicologia sobre como 
fazer diferentes documentos técnicos escritos, provavelmente 
você está ávida para saber o principal: elaborar qualquer um 
dos documentos descritos em nossa resolução de referência 
sobre o assunto! Mas calma aí, pois a gente precisa começar 
com algo que antecede "o principal", que metaforicamente 
chamo de"o topo da pirâmide" e aprofundar nas camadas que 
sustentam o topo, desde a base, os fundamentos e é por isso 
que estamos aqui nas preliminares! Quando somos demanda-
das a produzir um documento, a ponta da pirâmide, teremos 
que "mergulhar", aprofundar, acessar todas as camadas que 
compõem a pirâmide ou ela não se sustentará. Vamos a um 
esquema para ilustrar o que estou falando: 
23 
CAPÍTULO 2 
A Asehr 
Documento 
Metodologia e 
Ancoragem Teórica 
Normas 
regulamentadoras 
Código de Ética 
Profissional 
Chamar esse momento do livro de Preliminar dá a dimen-
são de toda essa prévia, essas camadas -super importante e 
necessária para nos preparar para a produção documental 
propriamente dita e é exatamente isso que nós vamos fazer 
aqui nesse capítulo, em dois tempos: refletir sobre o lugar e 
papel dos documentos emitidos por profissionais de psico-
logia, entendendo eSses materiais através de suas dimensões 
científico-política e estudar os Considerandos e os Princípios 
Fundamentais: os Princípios de Linguagem formal escri-
ta, os Princípios Técnico-científicos e os Princípios Éticos 
descritos na nossa resolução CFP 06/2019', esse conjunto de 
orientações e regras para a produção documental por profis-
sionais da psicologia como instrumento de comunicação de 
nossa prestação de serviço. 
1° Tempo: 
Instrumento 
científico-político 
2° Tempo: 
Comunicação da 
Prestação de Serviço 
Eu sugiro fortemente que você não pule essa parte, mesmo 
estando com vontade - o que vamos ver aqui são os pilares 
de qualquer bom documento técnico: no primeiro tempo, o 
24 
PRELIMINARES 
convite é ao entendimento e reflexão do lugar de poder que 
resulta em um documento e o segundo, em uma perspectiva 
mais ética, sobre essa necessidade dos profissionais de psi-
cologia conhecerem, zelarem e seguirem as orientações nor-
mativas do CFP. Para te ajudar, fiz esquemas e exercícios para 
você reter as ideias centrais expostas na norma de referência, 
objetivando zelar pela excelência técnica e formal dos nossos 
documentos escritos. Vuumbora! 
1° TEMPO: INSTRUMENTO CIENTÍFICO-POLÍTICO 
Iniciar esse capítulo chamando sua atenção para o "para 
-além" do entendimento dos documentos técnicos em psicolo-
gia serem uma comunicação escrita da prestação de serviços 
é bem importante para te convidar a olhar o que vou nomear 
aqui de além fmuros. Dentro dos nossos muros está o entendi-
mento de que com uma produção documental estamos comu-
nicando algo resultante de nosso trabalho (2) - seja já findado 
ou em andamento. Mas, olhando por cima do muro, veremos 
que, mais que um instrumento de comunicação escrita, esta-
mos diante de instrumentos científico-politicos (1)capazes de 
influenciar e intervir na vida cotidiana das pessoas, por deci-
são delas mesmas ou de terceiros. Vou desenhar aqui embaixo 
com o objetivo de me fazer entender: 
Fonte: Autoria própria. 
25 
CAPÍTULO 2 
Precisamos alcançar e entender a necessidade de olhar para 
além do que está posto, a função social e política da própria 
psicologia quando somos demandadas por um documento 
técnico, perceber o exercício de poder a partir dos encami-
nhamentos que fazemos, das conclusões que documentamos: 
eles podem alterar e intervir na vida de pessoas. Atestar se es-
tão aptas ou não para desempenhar atividades laborativas, se 
necessitam de um tempo afastadas de atividades cotidianas, 
descrevem seus estados subjetivos, suas histórias, traumas e o 
impacto disso em suas funções na vida, por exemplo, ou, como 
diria Foucault, a função de examinar sujeitos exige-se res-
ponsabilidade da profissional de não apenas elaborar o docu-
mento solicitado, naquele tempo, espaço e circunstância, mas 
de entender a necessidade de avalia-se a si e seus métodos, 
técnicas, instrumentos e ancoragem teórica de maneira crítica 
- o lugar do "suposto saber" precisa ser ocupado com cuidado, 
responsabilidade e crítica constantes. 
2° TEMPO: COMUNICAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE 
SERVIÇOS 
PARTE I l"CONSIDERANDOS" 
Nessa sessão nós vamos estudar o que foi levado em consi-
deração para a construção da resolução de referência para ela-
boração de documentos técnicos em psicologia: é aqui onde 
encontraremos justificativas e fundamentações legais para a 
construção do documento normativo. Estudar os consideran-
dos desta norma é fundamental para nos localizar no tempo e 
no espaço de sua elaboração, além de ser um convite à nos (re) 
conectar com nossa profissão. Então, minha sugestão é: viva 
esse momento da forma mais intensa que puder! 
Mas, antes de mergulharmos, vale deixar bem claro o ob-
jetivo da resolução, que está lá no parágrafo único do art. 1° 
26 
PRELIMINARES 
da Resolução CFP 06/2019, já que a profissional da psicologia é 
proibida de emitir comunicação por escrito sem seguir as dire-
trizes da norma em questão (art.3°): 
"Orientar a(o) psicóloga(o) na elaboração de documentos 
escritos produzidos no exercício da sua profissão e fornecer 
os subsídios éticos e técnicos necessários para a produção 
qualificada da comunicação escrita': 
Para contribuir com seu aprendizado, construí essa parte da 
seguinte forma: dentro das caixas de texto estão os argumen-
tos extraídos da nossa Resolução CFP 06/2019, os chamados 
"considerandos" e, abaixo, as idéias centrais e/ou discussões e 
comentários pertinentes a partir do que foi exposto. Além dis-
so, como já antecipei, você encontrará esquemas e exercícios 
para otimizar ainda mais seu trabalho aqui e as respostas esta-
rão no final desse capítulo (mas só vá lá depois de responder, 
combinado?). Então, sem mais delongas, vamos ao trabalho: 
CONSIDERANDO que a(o) psicóloga(o), no exercício profissio-
nal, tem sido solicitada(o) a apresentar informações docu-
mentais com objetivos diversos e a necessidade de editar 
normativas que forneçam subsídio à(ao) psicóloga(o) para a 
produção qualificada de documentos escritos; 
Nesse primeiro "considerando", três marcas importantes 
para nossa atenção: 
1. Diferentes objetivos dos clientes e/ou instituições provo-
cam solicitação de produção documental na prestação de 
serviços em psicologia (demanda crescente); 
27 
CAPÍTULO 2 
2. Não há uma área de atuação na psicologia que seja desta-
cada nessa consideração de elaboração instrumental de 
comunicação; 
3. Uniformização de normas para elaboração de documen-
tos objetivando uma produção escrita qualificada da 
categoria profissional. Vale lembrar que um documento 
fraco tecnicamente fragiliza a profissão, além de ser uma 
infração ética*. 
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que 
norteiam a atividade profissional da(o) psicóloga(o) e os 
dispositivos sobre avaliação psicológica contidos na Resolu-
ção CFP n°10/2005, que institui o Código de Ética Profissional 
do Psicólogo - diploma que disciplina e normatiza a relação 
entre as práticas profissionais e a sociedade que as legitima, 
cujo conhecimento e cumprimento se constitui como condi-
ção mínima para o exercício profissional; 
Ética é sempre um tema que atravessa a discussão sobre 
prática profissional. E é importante aqui fazermos a diferença, 
por exemplo, entre a perspectiva aristotélica de ética'', conce-
bida numa dimensão mais individualizada do sujeito, de es-
colha mesmo, e a ética de uma categoria profissional - aqui, 
supõe-se valores refletidos e compartilhados por aquele grupo 
de pessoas. Quando somos convocadas à refletir sobre a con-
duta ética da psicologia como condição mínima para o exercí-
cio profissional, refletida pelo seu código instituído na Resolu-
ção CFP 10/20052, mais que a orientação normativa, estamos 
* Artigo 20, alínea "g", Resolução CFP 010/2005, Código de Ética Profissional do Psicó-
logo. 
** Pensar a etimologia da palavra pode nos ajudar aqui: a palavra ética originou-se 
do grego "ethos"3, que significa modo de ser ou hábito. É escolha individual. Quando 
pensamos uma normatização compartilhada desses modos de ser ou hábitos, aí esta-
mos diante da moral, de origem no termo latino "morales" que significa "relativo aos 
costumes". Funcionamento coletivo. 
ti 
t( 
c 
o 
t( 
A 
c 
E 
28 
PRELIMINARES 
diante daquele momento que falei lá em cima: de (re)conexão 
com nossa profissão. Percebe o quanto isso é importante e que 
não dá para "passar batido"? 
CONSIDERANDO que a Psicologia no Brasil tem, nos últimos 
anos, se deparado com demandas sociais que exigem da(o) 
psicóloga(o) uma atuação transformadora e significativa, 
com papel mais ativo na promoção e respeito aos direitos 
humanos, ponderando as implicações sociais decorrentes 
da finalidade do uso dos documentos escritos produzidos 
pelas(os) psicólogas(os); 
Esse considerando aqui traz duas palavras fundamentais 
para pensarmos nossas atuações profissionais, independente 
dos campos de atuação: 1) transformadora e 2) significativa. 
Não sei qual o efeito que surge por aí, mas, para mim, adjetivar 
a minha prática profissional como transformadora e significa-
tiva me reconecta e me torna ainda mais potente, cuidadosa e 
responsável em minhas prestações de serviços. 
Outra palavra relevante nesse parágrafo, já não mais volta-
da à atuação profissional, mas para a elaboração de documen-
tos propriamente dita é FINALIDADE. Você precisa ter muito 
claro o fim ao qual o documento será destinado. Para que será 
o documento? E para quem (que além de ser uma formalidade, 
te ajudará a entender de forma mais ampliada a finalidade)? 
Aqui, às vezes, rola uma confusão, como se os profissionais da 
psicologia quisessem avaliar e/ou validar a finalidade da soli-
citação e não é isso, essa, nem de longe, é uma competência 
nossa: todos tem direito de solicitar um instrumento de co-
municação escrita - os documentos! A necessidade da clareza 
em relação à finalidade tem ligação direta com a elaboração 
documental, principalmente o tipo e as informações pertinen-
29 
CAPÍTULO 2 
tes. A finalidade muitas vezes balizará inclusive sobre o sigilo 
profissional, mas calma, a gente falará sobre isso lá na frente. 
Sigamos! 
CONSIDERANDO que, com o objetivo de garantira valoriza-
ção da autonomia, da participação sem discriminação, de 
uma saúde mental que sustente uma vida digna às pessoas, 
grupos e instituições, a(o) psicóloga(o) encontra-se inseri-
da(o) em diferentes setores de nossa sociedade, conquis-
tando espaços emergentes que exigem normatizações que 
balizem sua ação com competência e ética; 
CONSIDERANDO que a(o) psicóloga(o) deve pautar sua 
atuação profissional no uso diversificado de conhecimentos, 
técnicas e procedimentos, devidamente reconhecidos pela 
comunidade científica, que se configuram nas formas de ava-
liação e intervenção sobre as pessoas, grupos e instituições;Aqui eu faço questão de fazer um esquema' para você pre-
encher, só para eu ter certeza que você fixou bem. Vamos lá: 
* Esquema A - resposta no final do capítulo. 
E 
30 
PRELIMINARES 
Mesmo depois desse esquema para ratificar sobre nossa 
atuação profissional independente de que área estejamos fa-
lando, quero marcar aqui com você outras considerações im-
portantes. Veja que foi usada diversidade para qualificar os 
conhecimentos, técnicas e procedimentos de nossas presta-
ções de serviços, obviamente que devidamente reconhecidos 
pela comunidade científica. Aqui deixo bem claro que não há 
delimitação em relação à abordagem teórica, mas implicita-
mente a sua competência de manejo. Se ligou? 
CONSIDERANDO que a(o) psicóloga(o) deve atuar com au-
tonomia intelectual e visão interdisciplinar, potencializando 
sua atitude investiga tiva e reflexiva para o desenvolvimento 
de uma percepção crítica da realidade diante das demandas 
das diversidades individuais, grupais e institucionais, sendo 
capaz dê consolidar o conhecimento da Psicologia com 
padrões de excelência ética, técnica e científica em favor dos 
direitos humanos; 
Quero fazer algumas perguntas para você, com o objetivo 
de ampliar sua reflexão acerca dos conceitos super importantes 
trabalhados nesse "considerando". Minha sugestão é que você 
pare um tempo para responder essas questões, entender suas 
representações mentais em relação às expressões expostas*: 
1. Para você, o que significa autonomia intelectual? 
2. O que é ter uma visão interdisciplinar? 
Sugiro que, depois de responder essas questões, você ex-
plore outros saberes, pesquise, considere outros entendimen-
* Não temos uma resposta certa, o objetivo aqui é que seja um gatilho para você pen-
sarsobre essas dimensões já que elas, inclusive, justificam a nossa norma de referência 
e deveriam embasar nossa prática profissional. 
31 
CAPÍTULO 2 
tos além do seu. Isso fará com que amplie sua percepção con-
ceituai e fortaleça sua concepção de saber. Continuemos. 
CONSIDERANDO que a(o) psicóloga(o) deve: construir argu-
mentos consistentes da observação de fenômenos psicológi-
cos; empregar referenciais teóricos e técnicos pertinentes em 
uma visão crítica, autônoma e eficiente; atuar de acordo com 
os princípios fundamentais dos direitos humanos; promo-
ver a relação entre ciência, tecnologia e sociedade; garantir 
atenção à saúde; respeitar o contexto ecológico, a qualidade 
de vida e o bem-estar dos indivíduos e das coletividades, 
considerando sua diversidade; 
_ Aqui temos informações extremamente relevantes em rela-
ção ao que se espera de nossa atuação profissional. Esquema-
tizemos então o que diz aqui nosso considerando em questão. 
A profissional da psicologia deve: 
Construir argumentos consistentes da 
2. Empregar pertinentes 
em uma visão e 
3. Atuar de acordo com os 
dos direitos humanos; 
4. Promover a relação entre 
 e 
5. Garantir atenção à 
6. Respeitar o contexto , a 
 e o 
dos indivíduos e das coletividades, considerando sua 
32 
PRELIMINARES 
CONSIDERANDO a complexidade do exercício profissional 
da(o) psicóloga(o), tanto em processos de trabalho que 
envolvem a avaliação psicológica como em processos que en-
volvem o raciocínio psicológico, e a necessidade de orientar 
a(o) psicóloga(o) para a construção de documentos decor-
rentes do exercício profissional nos mais variados campos de 
atuação, fornecendo os subsídios éticos e técnicos necessá-
rios para a elaboração qualificada da comunicação escrita; 
Como já vimos, há duas possibilidades de elaboração de 
documentos na prática profissional da psicologia: Ou quando 
somos solicitados ou ao final de um processo de Avaliação 
Psicológica. Independente do "start", a necessidade de orien-
tação para garantir a qualidade dos documentos emitidos pela 
psicologia em diferentes campos de atuação garante os com-
ponentes éticos e técnicos necessários para a produção da co-
municação es‘crita. 
Quando devo elaborar 
documento técnico? 
Solicitação de quem você 
presta serviço 
Última etapa de um processo 
de Avaliação Psicológica. 
* No Módulo I vimos possíveis demandantes de instrumentos de comunicação escrita 
decorrentes de serviços psicológicos, lembra? 
33 
CAPÍTULO 2 CONSIDERANDO que toda a ação da(o) psicóloga(o) deman-
da um raciocínio psicológico, caracterizado por uma atitude 
avaliativa, compreensiva, integradora e contínua, que deve 
orientar a atuação nos diferentes campos da Psicologia e 
estar relacionado ao contexto que origina a demanda; 
Desde o "considerando" anterior a expressão raciocínio psi-
cológico já tinha aparecido, você percebeu? Montei aqui mais 
um esquema* para termos a conceituação. 
Raciocínio 
Psicológico 
(Atitudes) • 
As atitudes descritas devem ser um norte para a nossa atu-
ação profissional e terem relação direta com o contexto em 
que a demanda se origina, independente de que campo de 
atuação estejamos inseridos. Fez sentido para você? 
* Esquema C na sessão de respostas (final do capítulo). 
34 
PRELIMINARES 
CONSIDERANDO que um processo de avaliação psicológica 
se caracteriza por uma ação sistemática e delimitada no 
tempo, com a finalidade de diagnóstico ou não, que utiliza 
de fontes de informações fundamentais e complementares 
com o propósito de uma investigação realizada a partir de 
uma coleta de dados, estudo e interpretação de fenômenos e 
processos psicológicos; 
Como a Avaliação Psicológica também gera produção 
documental, esse "considerando" deu um foco maior a esse 
processo, trazendo dimensões de caracterização, finalidade, 
fontes de informação (coleta de dados) e propósito investiga-
tivo (estudo e interpretação dos dados coletados). Vale aqui 
já falar que temos uma resolução recente que orienta sobre a 
Avaliação Psicológica, a CFP 09/2018', super importante para 
os documentos que são produzidos a partir do processo de 
avaliação. Nós vamos falar mais sobre ela lá na frente, antes de 
entrarmos nos documentos produtos de avaliação psicológica. 
CONSIDERANDO a função social do Sistema Conselhos de 
Psicologia em contribuir para o aprimoramento da qualidade 
técnico-cientifica dos métodos e procedimentos psicológicos; 
Agora, já no final dessa sessão, estaremos diante de justi-
ficativas mais formais e institucionais para a normatização de 
elaboração de documentos via resolução do CFP. Agora é"para 
conhecimento" nosso. Vuuumbora! 
1 
* Essa resolução "estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no 
exercício profissional da psicóloga e do psicólogo, regulamenta o Sistema de Avalia-
ção de Testes Psicológicos - SATEPSI e revoga as Resoluções n°002/2003, no 006/2004 
e n°005/2012 e Notas Técnicas n°01/2017 e 02/2017' 
35 
CAPÍTULO 2 
CONSIDERANDO a Resolução CFP n°01/1999, que estabelece 
normas de atuação para as(os) psicólogas(os) em relação à 
questão da Orientação Sexual; Resolução CFP no 18/2002, 
que estabelece normas de atuação para as(os) psicólo-
gas(os) em relação ao preconceito e à discriminação racial; 
a Resolução CFP n° 01/2009, alterada pela Resolução CFP n° 
005/2010, que dispõe sobre a obrigatoriedade do registro 
documental decorrente da prestação de serviços psicológi-
cos; a Resolução CFP n°01/2018, que estabelece normas de 
atuação para as(os) psicólogas(os) em relação às pessoas 
transexuais e travestis e a Resolução CFP n°09/2018 que 
estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicoló-
gica no exercício profissional da(o) psicóloga(o), regulamen-
ta o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos - SATEPSI e 
revoga as Resoluções n°002/2003, n°006/2004 e n°005/2012 
e Notas Técnicas n° 01/2017 e 02/2077; 
CONSIDERANDO que as(os) psicólogas(os) são profissionais 
que atuam também na área da saúde, em conformidade com 
a caracterização da Organização Internacional do Trabalho, 
Organização Mundial da Saúde e Classificação Brasileira de 
Ocupação; 
CONSIDERANDO que o artigo 73, parágrafo 7°, da Lei n° 
4.119, de 27 de agosto de 1962,estabelece que é função da(o) 
psicóloga(o) a elaboração de diagnóstico psicológico; 
CONSIDERANDO a Resolução n°218, de 06 de março de 1997 
do Conselho Nacional de Saúde, que reconhece as(os) psicó-
loga(os) como profissionais de saúde de nível superior; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realiza-
da no dia 23 de fevereiro de 2019;, resolve: 
E daqui entramos na nossa resolução propriamente dita! 
Ufaa! 
36 
PRELIMINARES 
PARTE II j PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS: 
Vamos adentrar agora nos Princípios Fundamentais des-
critos em nossa Resolução 06/2019 para elaboração de docu-
mentos escritos pela psicóloga(o). Normalmente já levamos 
bem a sério quando estamos diante dos princípios de alguém, 
não é verdade? Imagina que aqui não falaremos de um princí-
pio qualquer, estamos diante dos ele se nomeou de Princípios 
Fundamentais! São os mais importantes daquilo que já é im-
portante, percebe? Bom, tendo feita essa ressalva, agora, va-
mos a eles: 
São Princípios Fundamentais na elaboração de seus docu-
mentos: 
✓ Técnicos e científicos da profissão (artigos 5° da Resolu-
ção); 
✓ As técnicas da linguagem escrita formal (artigo 6° da Re-
solução); 
v Os princípios éticos (artigo 7° da Resolução). 
Um documento escrito por um profissional da psicologia é 
uma forma de comunicar algo, finalizado ou em andamento, 
da prestação de serviço. Como em nossa resolução temos bem 
descrito cada um desses princípios, resolvi trazer os pontos 
mais importantes de cada uma dessas sessões em forma de 
exercício*, como num estudo dirigido, para que você possa fi-
xar as informações mais importantes. Construindo essa sessão 
dessa forma, garanto que você leia a resolução e escreva aqui, 
apostando na retenção pela repetição. Vamos lá! 
* Você já sabe, mas não custa lembrar: as respostas estão no final desse capitulo. 
37 
CAPÍTULO 2 
O que é um Documento Psicológico? 
2. Qual o objetivo do Documento Psicológico? 
3. O que um documento técnico sistematiza? 
Quais as duas situações para produção de um documento 
escrito? 
a. 
b. 
5. Quem pode solicitar um documento para o profissional 
da psicologia? 
a. 
b. 
c. 
d. 
e. 
38 
PRELINAINARES 
A. PRINCÍPIOS DE LINGUAGEM FORMAL ESCRITA: 
Já vamos começar"subvertendo a ordem", já que em nosso 
documento de referência, o primeiro principio trabalhado é o 
técnico científico da profissão, mas não será por ele que iremos 
começar e torço que meu argumento, além de justificar a mi-
nha escolha, marque o peso que é a necessidade de dominar 
a sua língua! E aí, já que vamos falar de Língua Portuguesa, me 
conte como anda suas atualizações em relação às regras gra-
maticais, hein? Ou a coerência de construir em palavras pen-
samentos que tenham início, meio e fim? Escrever não é das 
tarefas mais fáceis, principalmente quando não temos tanta 
prática e acredito que essa seja uma dos maiores obstáculos 
a serem vencidos, já que, muitas vezes, há um hiato entre o 
que quero escrever e o que eu realmente escrevo. Gente, não 
percam de vista que escrita tem muito da gente, é estilo*! Você 
tenderá a descobrir o seu... Escrevendo! 
A intimidade com a sua língua, na forma escrita, é a 
apresentação de seu documento técnico, seja ele qual for. Não 
sei se já aconteceu com você, mas pegar um erro de português 
num texto, seja ortográfico ou gramatical, geralmente 
descredibiliza o conteúdo. 
Complete a frase: 
Ao produzir um documento psicológico, a profissional deve 
se expressar de maneira (a) e expor 
seu (b) diante da sua atuação 
profissional. 
* Confesso que sou bem resistente a apresentação de modelos de documentos psi-
cológicos, justamente por que as pessoas tendem a ficar presas e não desenvolve-
rem suas próprias formas de escrever. Escreva, escreva novamente, e mais uma vez... 
E assim você vai moldando o seu estilo, sem perder de vista as orientações de nossa 
Resolução. 
39 
CAPÍTULO 2 
Aproveitando que já fizemos um esquema sobre o item 
(b) da questão anterior (volte algumas páginas!), quando 
estávamos discutindo os "considerandos" de nossa reso-
lução, vou deixar um espaço para você relembrar o con-
ceito ("repetir para fixar!"): 
Produção Documental: 
a. Articulação de ideias; 
b. Sequência lógica de posicionamen-
tos; 
c. Nexo causal resultante do raciocí-
nio psicológico. 
Na Escrita: 
a. Norma culta da língua portuguesa; 
b. Técnica em relação à psicologia; 
c. Objetividade na comunicação; 
d. Garantia dos Direitos Humanos; 
e. Marcado pela impessoalidade; 
f: produzido na 3a pessoa; 
g. Idéias ordenadas; 
h. Itens da estrutura documental in-
dependentes. 
Não se deve fazer dos 
atendimentos, salvo quando houver justificativa técnica 
para isso. 
B. PRINCÍPIOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS: 
Bom, agora que já estudamos sobre a linguagem formal 
como um princípio para a elaboração de documentos escritos 
na prestação de serviços em psicologia, vamos às considera-
cl 
fi r 
40 
PRELIMINARES 
ções e estudo dirigido sobre os Princípios Técnico-científicos 
(qualidade técnico-científica): 
9. Para você, o que é uma informação com significado fun-
damental*? 
*Os dados expostos no documento precisam ser fidedignos com a finalida-
de e a demanda. 
10. A produção documental é resultado de: 
a. 
b. 
c. Observando 
11. Deve-se sempre levar em consideração aspectos: 
a. 
b. 
e os efeitos sobre o fenômeno psicológico. 
* Não perca de vista a relação desse significado fundamental com a demanda e a 
finalidade. 
41 
CAPÍTULO 2 
12. Pilares a serem ratificados no documento sobre o Fenô-
meno Psicológico: 
a. b. c 
13. Sobre a base que fundamenta decisões em um Processo 
de Avaliação Psicológica: 
Avaliação Psicológica_ 
14. As referências teóricas, quando incluídas, devem estar 
preferencialmente em (a) . As laudas 
precisam estar numeradas, rubricadas até a penúltima, 
sendo que a última precisa estar (b) 
C PRINCÍPIOS ÉTICOS: 
Bom, aqui vamos às orientações éticas para a elaboração de 
documentos e sei que são muitas as fantasias e os fantasmas 
que envolvem esse assunto, principalmente ao que se refere 
ao Sigilo profissional. As referências citadas na nossa resolução 
que se referem ao Código de Ética, descritas nos incisos de I a 
V do artigo 7° §1°, trarei aqui em nesta sessão em uma caixa de 
42 
1
1 
PRELIMINARES 
texto. Já vamos começar essa parte resgatando nossos Princí-
pios Fundamentais (Código de Ética): 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS» 
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promo-
ção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade 
do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declara-
ção Universal dos Direitos Humanos. 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um docu-
mento super importante: ela influencia a nossa legislação mais 
importante enquanto cidadãos - a Constituição Federal de 
1988 e é norte para o documento profissional mais importan-
te da Psicologia - o Código de Ética. A pergunta agora é: você 
já fez uma leitura analítica desse documento tão importante? 
Sabe em que contexto ele foi construído? Quais os desdobra-
mentos de sua edição? 
Il. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a 
qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contri-
buirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 
Se fizermos a leitura corrida, é meio óbvio pensar que nos-
so deve promover a saúde e tal mas vamos trazer mais para o 
concreto: 
a. Como seu trabalho pode promover saúde e qualidade 
de vida para as pessoas? 
b. Quais ações você pode adotar para eliminar qualquer 
forma de negligência, discriminação, exploração, vio-
lência, crueldade e opressão? Aliás, você sabe o que 
significa conceitualmente cada uma dessas palavras? 
* Vou ratificar que aqui estamos diante dos Princípios fundamentais descritos no nos-
so.Código de Ética profissional, para que não haja confusão em relação aos princípios 
fundamentais de elaboração de documentos escritospela psicóloga(o). 
43 
CAPÍTULO 2 
Por exemplo: o que é violência? Como ela se expressa? 
Quais são os tipos? Em quais modalidades de vínculo ela pode 
se manifestar? Quais as repercussões subjetivas das experiên-
das de violência? Quando eu me comprometo a eliminar algo, 
a primeira coisa que preciso fazer é conhecer o que preciso 
eliminar - entender quais caminhos posso seguir para cumprir 
minha promessa, entende? Fazer uma leitura corrida dá a nos-
sa prática a "profundidade de um pires". Se é para fazer, faça 
direito! 
O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisan-
do crítica e historicamente a realidade política, econômica, 
social e cultural. 
Esse é um ponto super importante e que sustenta o que fa-
lamos lá no início deste capítulo: não podemos perder de vista 
essa dimensão científico-política de nosso fazer, comunicada 
através dos documentos ou eles serão apenas "instrumentos 
do instrumentalismo". 
IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do 
contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o 
desenvolvimento da Psicologia como campo científico de 
conhecimento e de prática. 
Esse princípio fundamenta a reflexão que fizemos no item 
anterior: somente por um constante processo de de avaliação 
crítica e aprimoramento profissional temos possibilidade de 
dar movimento reflexivo às práticas profissionais em psicolo-
gia e promover mudanças tanto para o indivíduo que nos soli-
cita o documento (o que está dentro do nosso muro, naquela 
metáfora lá do início de nosso capítulo, lembra?) quando para 
44 
PRELIMINARES 
ocuparmos o lugar de quem examina e diz, como um"controle 
normatizante que permite qualificar, classificar e punir"6. 
V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização 
do acesso da população às informações, ao conhecimento 
da ciência psicológica, aos serviços e aos padrões éticos da 
profissão. 
Outro texto que precisamos sair do rasinho, aprofundar a 
reflexão e a aplicabilidade para cumprir o que prometemos 
em nossa formatura: como, em suas práticas profissionais co-
tidianas, você pode promover o acesso das pessoas à ciência 
psicológica? De que maneira você pode- contribuir para uni-
versalizar saberes psis? Penso que o tempo em que vivemos, 
de redes sociais, nos dá uma baita ajuda nesse nosso princípio 
fundamental e precisamos fazer isso com responsabilidade! 
VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja 
efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a Psi-
cologia esteja sendo aviltada. 
VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contex-
tos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas 
atividades profissionais, posicionando-se de forma crítica e 
em consonância com os demais princípios deste Código. 
Dois pontos importantes aqui: 
1 A responsabilidade que nos cabe para que a nossas práti-
cas profissionais, independente do contexto, sejam reali-
zadas de maneira digna. Aí vem a pergunta: o que é digni-
dade? Só posso garantir aquilo que conheço. 
45 
CAPÍTULO 2 
2. Reconhecer hierarquias não significa estar submetida a 
elas. Sei, por exemplo, que meu chefe ocupa um lugar de 
poder hierarquicamente superior ao meu, mas de forma 
alglima posso permitir que posições dele influencie os re-
sultados de meu trabalho, entende? 
Ufaa!! Depois desse passeio aos nossos Princípios Funda-
mentais, vamos à parte dos Deveres Fundamentais, Veda-
ções e outros artigos importantes descritos no Código de Éti-
ca Profissional e que nossa resolução de referência faz menção. 
Art. 1°- São deveres fundamentais dos psicólogos: 
b) Assumir responsabilidades profissionais somente por 
atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e 
tecnicamente; 
Esse é um dever fundamental que se explica: eu não posso 
assumir nenhum trabalho que não seja capaz de dar conta, e 
essa avaliação de dar ou não conta precisa ser nas três dimen-
sões trazidas no texto: pessoal, teórica (fundamentação) e 
técnica (aplicação). 
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições 
de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, 
utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecida-
mente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na 
legislação profissional; 
f) Fornecer, a quem de direito, na prestação de serviços psico-
lógicos, informações concernentes ao trabalho a ser realiza-
do e ao seu objetivo profissional; 
46 
PRELIMINARES 
g) Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da 
prestação de serviços psicológicos, transmitindo somente o 
que for necessário para a tomada de decisões que afetem o 
usuário ou beneficiário; 
h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos 
apropriados, a partir da prestação de serviços psicológicos, e 
fornecer, sempre que solicitado, os documentos pertinentes 
ao bom termo do trabalho; 
i) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, em-
préstimo, guarda e forma de divulgação-do material priva-
tivo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste 
Código; 
Pontos trazidos nestes textos que precisam ser observados 
por nós: 
-I Nossa obrigação de, quando assinamos Como psicólogas, 
só fazer uso de métodos, técnicas e instrumentos reco-
nhecidos pela ciência psicológica; 
/ Nosso dever de fornecer informações, no início da nossa 
prestação de serviço, de como o trabalho vai funcionar e 
qual ou quais objetivo(s) se deseja alcançar a partir do tra-
balho a ser desenvolvido. Você pode estar se perguntan-
do: "isso é antiético, não posso fazer previsão taxativa de 
resultado!" Gente, traçar objetivos no trabalho a ser de-
senvolvido é beeeem diferente de garantir que eles serão 
alcançados, beleza? 
/Além de nosso dever de informação no início de nosso 
trabalho, ao final, também devemos comunicar os resul-
tados (que podem ser indicativos os conclusivos) relacio-
nados à demanda inicial, lembra? 
v Encaminhamentos: dever nosso! Todas as vezes que você 
perceber que algo ultrapassa sua competência você de-
47 
CAPÍTULO 2 
verá fazer as orientações para encaminhar e fornecer do-
cumentos que otimizem esse suporte; 
V O cuidado com material privativo da psicologia - dever 
nosso! 
Art. 2°-Ao psicólogo é vedado: 
f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços 
de atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas 
e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela 
profissão; 
g) Emitir documentos sem fundamentação e 
qualidade técnico-científica; 
h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos 
e técnicas psicológicas, adulterar seus resultados ou fazer 
declarações falsas; 
j) Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, 
que tenha vínculo com o atendido, relação que possa interfe-
rir negativamente nos objetivos do serviço prestado; 
k) Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais 
seus vínculos pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, 
possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a 
fidelidade aos resultados da avaliação; 
q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresen-
tar resultados de serviços psicológicos em meios de comuni-
cação, de forma a expor pessoas, grupos ou organizações. 
Vamos comentar as proibições em nosso exercício profis-
sional trazidos também pela nossa norma técnica sobre elabo-
ração de documentos em referência ao Código de Ética Profis-
sional: 
48 
PRELIMINARES 
/ Quando eu utilizar o título de psicóloga - inclusive quan-
do assino os documentos técnicos (mas não somente 
nesses momentos), não posso vincular meu título de psi-
cóloga com outros que não sejam reconhecidos e/ou re-
gulamentados pela psicologia - caso você exerça também 
atividades que se caracterizam pela descrição, a sugestão 
é não misturar as coisas (ou, no bom baianês "ado, aado, 
cada um no seu quadrado"; 
✓ Emitir documentos sem fundamentação e qualidade 
técnico-científica - Esse eu gostaria de colocar em neon 
com pisca-pisca ou qualquer coisaque chamasse sua 
atenção! E ainda tem gente que compra pacote de mode-
los de documentos... 
/ Atenção aos vínculos estabelecidos e a interferência na 
prestação de serviços - se você não tem como prever a 
possibilidade ou não de ruído na prestação de serviço a 
partir das relações que estabelece com a pessoa atendida 
ou terceiros, não combine sobre o desenvolvimento do 
trabalho (qualquer que seja ele); 
/ Expor pessoas, grupos ou organizações atendidas por 
você em qualquer meio. 
Art. 11 - Quando requisitado a depor em juízo, o psicólogo 
poderá prestar informações, considerando o previsto neste 
Código. 
Art. 12- Nos documentos que embasam as atividades em 
equipe multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as 
informações necessárias para o cumprimento dos objetivos 
do trabalho. 
49 
CAPÍTULO 2 
Mesmo em sendo pedido informações pela autoridade 
judicial ou em equipes multidisciplinares, minha fala deverá 
limitar-se ao objeto do caso - estamos, também na situação 
descrita, submetidas ao sigilo profissional. Aqui, vale ainda 
pensar sobre a possibilidade de refletir com quem receber as 
informações: 
1. Riscos em relação à quebra de sigilo; 
2. Compromisso em resguardo das informações. 
Art. 18- O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, 
emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas 
psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da 
profissão. 
Gente, muito conteúdo relevante pode ser extraído desses 
artigos de nosso Código de Ética Profissional. Minha sugestão 
é que consuma aos poucos, refletindo em cada parte aqui ex-
posta para a construção de seus princípios éticos na elabora-
ção documental. 
Outra reflexão fundamental e extremamente necessária é 
em relação às margem sobre o sigilo profissional e, não tenha 
dúvida nenhuma, sem ter clareza da DEMANDA e FINALIDA-
DE, a sensação é de insegurança em relação a essas margens, 
inclusive quando na comunicação com equipes interdiscipli-
nares, com a justiça e com as políticas públicas. Outro ponto 
importante é em relação ao alcance das informações na garan-
tia dos direitos humanos. Vale avaliar se cabe registrar riscos 
e compromissos do alcance social do documento elaborado. 
Voltaremos a falar sobre isso quando estivermos nos debru-
çando sobre os documentos propriamente ditos. 
É importante que a gente lembre também que é nosso de-
ver elaborar e fornecer documentos psicológicos sempre que 
50 
PRELIMINARES 
solicitada(o) ou quando finalizado um processo de avaliação 
psicológica, conforme art. 4° da resolução de referência. 
Ter clareza da Finalidade e demanda é para construção do 
documento, nunca um critério condicional de produção. 
Diante de um não cumprimento do que é orientado, somos 
responsáveis ética e disciplinarmente, sem prejuízo da respon-
sabilidade civil e criminal decorrentes das informações que fi-
zerem constar nos documentos psicológicos. Ou seja: vam-os 
estudar de propósito!!!! 
51 
CAPÍTULO 2 
RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS 
PARTE I CONSIDERANDOS: 
Esquema A 
1. Conhecimentos; 
2. Técnicas; 
3. Procedimentos; 
4. Avaliação Psicológica; e 
5. Intervenção Psicológica. 
Esquema B 
1. Observação de fenômenos psicológicos; 
2 Referenciais teóricos e técnicos / crítica, autônbma e efi-
ciente; 
3. Princípios fundamentais; 
4. Ciência, tecnologia e sociedade; 
5. Saúde; 
6. Ecológico, a qualidade de vida e o bem-estar / diversida-
de. 
Esquema C 
1. Avaliativa; 
2. Compreensiva; 
3. Integradora; 
4. Contínua. 
PARTE II I PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS: 
1. O documento psicológico constitui instrumento de co-
municação escrita (art. 4°, caput); 
2. Comunicar algum conteúdo resultante da prestação de 
serviço psicológico à pessoa, grupo ou instituição (art 40, 
caput); 
52 
PRELIMINARES 
3. A conduta profissional na relação direta de um serviço 
prestado à pessoa, grupo ou instituição (art. 4° §2°). 
4. (art. 4° § 1 °): 
a. Mediante solicitação; 
b. Produto de avaliação psicológica. 
5. (art. 4° § 1 °): 
a. O usuário do serviço de Psicologia; 
b. Um responsável legal do usuário (em caso de crianças, 
adolescentes ou interditos); 
c. Um profissional específico que acompanha o usuário; 
d. Em contexto de equipes multidisciplinares; 
e. Autoridades constituídas legalmente. 
6. (art. 6° §1°): 
a. Maneira precisa; 
b. raciocínio psicológico. 
7. O raciocínio psicológico é caracterizado por uma atitu-
de avaliativa, compreensiva, integradora e contínua, que 
deve orientar a atuação nos diferentes campos da Psico-
logia e estar relacionado ao contexto que origina a de-
manda. 
8. Descrição literal (art. 6° §5°): 
9. Aqui nós não temos uma resposta fechada declarada 
em nossa resolução. Mas veja, diante de nosso dever em 
preservar o sigilo, as informações expostas em um docu-
mento psicológico precisam ter nexo causal direto com a 
finalidade e demanda do documento. Atenção a isso nos 
ajudara a não extrapolar em relação ao conteúdo docu-
mentado. 
10. (art. 5° §2°): 
a. uma avaliação psicológica; 
b. e/ou intervenção psicológica, 
11. (art. 5° §20): 
a. condicionantes históricos; 
b. condicionantes sociais. 
53 
CAPÍTULO 2 
12. (art. 5° §2°): 
a. natureza dinâmica; 
b. não definitiva; 
ci não cristalizada. 
13. (art. 5° §2°): 
a. métodos; 
b. técnicas; 
c. instrumentos psicológicos reconhecidos cientifica-
mente para uso por profissionais da psicologia. 
14. (art. 5° §7° e §8°): 
_a. nota de rodapé; 
b. assinada. 
REFERÊNCIAS 
1. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 06/2019. Bra-
sília: CFP, 2019. 
2. Foucaul, Michael. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Trad.-Lígia 
M. Ponde Vassalo. Petrópolis: Vozes, 1987. 
3. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 010/2005. 
Brasília: CFP, 2005. 
4. Ferreira ABH. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Po-
sitivo, 2010. 
5. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 09/2018. Bra-
sília: CFP, 2018. 
6. Foucaul, Michael. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Trad. Lígia 
M. Ponde Vassalo. Petrópolis: Vozes, 1987. 
54 
CAPÍTUL03 
DECLARAÇÃO 
O que você irá ver nesse capítulo: 
o 
o 
o 
Abertura 
Estrutura 
Modelo 
Dúvidas Comuns 
1. ABERTURA 
Então, vamos começar! Antes de entrarmos no documen-
to propriamente dito, precisamos entender o que significa a 
palavra declaração. Declarar é um verbo que significa "tornar 
público, anunciarl" e pode acontecer de forma falada ou escri-
ta. Como aqui estamos estudando um tipo de documento pro-
duzido a partir da prestação de serviços psicológicos, daremos 
ênfase nas declarações fornecidas por escrito, documentadas, 
mas é importante lembrar que o que se torna público a partir 
de nossas práticas profissionais, mesmo que pela oralida-
de, também pode ser considerada uma declaração e deve-
mos ter responsabilidade sobre informações publicizadas. 
Como vimos lá no início do livro, no capítulo "Para come-
çar', quando diante da solicitação de um documento, a partir 
de nossa prestação de serviço, para que possamos definir qual 
o tipo de documento deveremos elaborar, ter clareza sobre o 
que se quer informar com o documento e para que se quer o 
55 
CAPÍTULO 3 
documento - demanda e finalidade, respectivamente - é con-
dição essencial para a escolha de qual documento produzir. 
Como consta em nossa Resolução 06/2019, finalidade de uma 
Declaração é: 
"Registrar, de forma objetiva e sucinta, informações sobre a 
prestação de serviço realizado ou em realização, abrangendo 
as seguintes informações: 
I. Comparecimento da pessoa atendida e seu (sua) acom-
panhante; 
II. Acompanhamento psicológico realizado ou em realiza-
ção; 
III. Informações sobre o tempo de acompanhamento, dias 
e horáriosz". 
Para decidirmos produzir uma declaração, que é um do-
cumento mais objetivo e sucinto, a finalidade do solicitante é 
meramente informativa sobre a rotina da prestação de servi-
ços. Inclusive, perceba que o documento, na própria resolução 
de referência, não tem a qualificação de declaração "psicológi-
ca"*, justamentepor que em seu conteúdo não terá nenhuma 
informação coletada ou concluída a partir da nossa prestação 
de serviços. É muito importante que fique bem claro que a de-
claração não pode conter nenhuma informação técnica sobre 
o sujeito, é proibido que ela tenha registro de sintomas, situa-
ções ou estados psicológicos. 
*Vamos à uma situação hipotética para que você entenda melhor: é como se alguém 
que trabalhasse com você, uma secretária por exemplo, poder elaborar uma declara-
ção — as informações que ela tem acesso são as possíveis de estarem contidas em uma 
declaração. Qualquer informação que uma pessoa que trabalhasse na rotina de sua 
prestação de serviços não tivesse acesso, por não atender o cliente, não deverá estar 
em uma Declaração. 
56 
DECLARAÇÃO 
2. ESTRUTURA 
A estrutura de uma declaração deve apresentar cada item 
descrito em nossa Resolução 06/2019 de forma detalhada. 
Quando na construção do documento, você pode escolher 
produzi-lo em texto corrido (contendo as informações de cada 
item) ou por sessão, de forma separada. Essa escolha tem rela-
ção direta com seu estilo de escrita - não há certo ou errado. 
O importante é que o documento contenha todas as informa-
ções orientadas à sua elaboração. 
Vamos à estrutura: 
1 —Título: "Declaração". 
II— Expor no texto: 
a) Nome da pessoa atendida: identificação do nome com-
pleto ou nome social completo; 
b) Finalidade: descrição da razão ou motivo do documento; 
c) Informações sobre local, dias, horários e duração do 
acompanhamento psicológico. 
Ao final, a declaração deve ser encerrada com indicação do lo-
cal, data de emissão, carimbo, em que conste nome completo 
ou nome social completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua 
inscrição profissional e assinatura. 
57 
CAPÍTULO 3 
3. MODELO' 
DECLARAÇÃO 
Declaro, com a finalidade de , que 
(1) 
(3) 
(4) (5) 
(2) 
1. Qual o fim (motivo) a que se destina essa declaração? 
2. Nome completo ou nome social da pessoa atendida e/ou 
seu acompanhante ou instituição organizacional. Caso 
necessário, informar data de nascimento, RG, CPF, matrí-
cula, etc. (essas outras informações deverão constar a de-
pender da finalidade e demanda dessa declaração. Se for, 
por exemplo, para a empresa onde a pessoa trabalha, vale 
informar número de matrícula). 
1 A demanda do pedido: o que se quer informar? Não es-
queça que na declaração, as informações possíveis são so-
bre local, dias, horários e duração do acompanhamento 
psicológico, não devendo constar nenhuma informação 
de sintomas, situações ou estados psicológicos. 
* Não perca de vista que esse é um modelo apresentado em texto corrido, meu estilo 
predominante para uma declaração e tem como objetivo te orientar na sua produção, 
mas não é a única forma de produzir o documento. É importante que você encontre 
a sua própria forma de produzir o documento, dentro das orientações do Conselho 
Federal de Psicologia - CFR 
58 
DECLARAÇÃO 
4. Cidade. 
5. Data de emissão. 
6. Nome do profissional completo ou social com carimbo e 
inscrição profissional. 
Vamos agora para um "Check list"! Minha sugestão é que 
sempre que for produzir uma Declaração, passe o olho nesse 
quadro para que tenha certeza que não deixou nada passar: 
Check List: 
✓ Nome completo ou nome social da pessoa 
atendida e/ou responsável; 
✓ Outras informações, caso necessário, de iden-
tificação do solicitante e/ou responsável; 
✓ Finalidade da declaração; 
✓ Descrição da demanda - informação pedida 
documentada; 
v Nenhuma informação técnica (sintoma, esta-
do psicológico, situações ou diagnostico). 
• No Encerramento você: 
Fez indicação do local de atendimento (cida-
de)? 
J Colocou a data de emissão? 
v Carimbou? 
✓ Assinado (com seu nome completo ou nome 
social)? 
59 
CAPÍTULO 3 
4. DÚVIDAS COMUNS 
1. O que pode conter de informações numa Declaração? 
Em uma declaração podem conter apenas informações so-
bre a rotina da prestação de serviços, seja ele já concluído ou 
em andamento, como o comparecimento a uma sessão (tan-
to do cliente como de seu responsável), informação sobre a 
prestação de serviço, como o acompanhamento psicológico, o 
tempo do acompanhamento, os dias e horários que ocorrem. 
Nenhuma informação coletada a partir da prestação de ser-
viços, como hipótese diagnóstica _ou estado psicológico, por 
exemplo, podem estar em uma Declaração. 
2. Devo colocar informações sobre meu cliente na Decla-
ração? 
Em uma declaração não deve constar nenhuma informa-
ção sobre o sujeito, grupo ou organização atendida, fruto da 
prestação de serviços psicológicos. O que deve conter sobre 
seu cliente são informações apenas para identificá-lo e elas 
poderão ser escolhidas a partir do conhecimento do destino 
do documento. Por exemplo: se for para entregar numa em-
presa ou instituição de ensino, você poderá acrescentar o nú-
mero de matrícula ou do RG do cliente e/ou acompanhante. 
3. Caso o cliente peça, posso informar na declaração um 
estado psicológico? 
Se o cliente tem a finalidade de informar sua condição sub-
jetiva, o documento que você deverá elaborar não é uma de-
claração — que só pode conter informações sobre rotina da 
prestação de serviços. Veja, não há nada de errado com o pedi-
do do cliente; o erro está na escolha documental e aqui caberá 
avaliar diante da finalidade e demanda do sujeito qual docu-
60 
DECLARAÇÃO 
mento se encaixa à sua realidade (a escolha documental é res-
ponsabilidade do profissional que presta serviço psicológico). 
4. Não posso chamar o documento de Declaração 
Psicológica? 
Como o documento não traz conteúdo que seja privativo 
da prestação de serviço psicológica, não faz sentido qualifi-
cá-lo como um documento psicológico - já que não requer 
nenhuma técnica ou método psicológico para produzir uma 
declaração. 
5. Até quanto tempo depois de concluída a prestação de 
serviços posso ser solicitada a produzir uma declara-
ção sobre ele? 
Temos a orientação de guardar por pelo menos 05 (cinco) 
anos informações pertinentes à nossa prestação de serviços. 
Logo, durante esse intervalo de tempo, é possível que seja de-
mandada a produzir uma declaração, por exemplo, contendo 
informações da prestação de serviço já realizado. 
REFERÊNCIAS 
1. Ferreira ABH. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curi-
tiba: Positivo, 2010. 
2. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 
06/2019. Brasília: CFP, 2019. 
61 
CAKTUL04 
RELATÓRIOS 
O que você irá ver nesse capíturo: 
o Introdução 
Relatório Psicológico 
Relatório Multiprofissional 
Dúvidas comuns 
1. INTRODUÇÃO 
A primeiríssima coisa que quero dizer para começar esse 
capítulo é que estou extremamente feliz em escrevê-lo, ofi-
cializando, finalmente, que relatório e laudo são documentos 
diferentes. Viva!! Por muito tempo (2003-2019, regência da re-
solução anterior), foram estratégias "mirabolantes" que desen-
volvi e ensinei para conseguir lidar com essa lacuna nas nor-
mas sobre elaboração de documentos sem que transgredisse 
princípios éticos e técnicos da profissão e, não tenha dúvida, 
muita energia investida! 
Na nossa nova resolução, ainda temos, digamos, um plus: 
a descrição de dois tipos de relatórios. Além do conhecido Re-
latório Psicológico, tivemos a formalização com orientações 
para a produção de Relatórios Multiprofissionais, docu-
mento que já produzimos, enquanto categoria profissional, há 
63 
CAPÍTULO 4 
tempos, em conjunto com outros saberes e que agora ganhou 
orientação. Entende minha felicidade? 
A partir daqui da produção do relatório, você vai conhecer 
o meu método de elaborar documentos, o GPS documen-
tal, que cruza finalidade, demanda, destinatário, economia de 
tempo, resguardo de informações e ética profissional. Eu acre-
dito muito que fará sentido para você e te apoiará a produzir 
seus documentos com mais segurança! Se atente à minha es-
tratégia de produção, desenvolvida ao longo desses anos de 
prática profissional, pois ela é contra intuitiva, mas muito es-
truturantena hora de elaborar sua comunicação escrita. 
Um ponto importante que quero te trazer logo no início de 
nosso papo sobre Relatórios (Psicológico ou Multiprofissional), 
é que estamos diante de um documento que fala sempre 
sobre o seu fazer, que comunica sobre a sua prestação de 
serviços - em andamento ou concluído (sim, é possível que, 
depois de finalizado um trabalho, alguém retorne e te solicite 
um Relatório Psicológico!). Faça essa comunicação de maneira 
detalhada, precisa, mostrando pedagogicamente a conduta 
que você escolheu para manejo do caso ou situação e que es-
teja ligado diretamente com o motivo e a finalidade a que o 
documento se destina. Falaremos disso mais para a frente, mas 
quero que, desde já, guarde isso com você. 
Bom, agora, vamos ao que interessa, né? Nossos documen-
tos! Vamos estudar os dois tipos de relatórios separadamente, 
primeiro o Relatório Psicológico e depois o Multiprofissional, 
assim como disposto em nossa norma de referência, a Resolu-
ção CFP 06/2019. Vuuumbora! 
64 
RELATÓRIOS 
2. RELATÓRIO PSICOLÓGICO 
Produzir um relatório psicológico é estar diante de um do-
cumento que descreve circunstâncias do sujeito foco de sua 
prestação de serviço, levando em consideração condicionan-
tes históricos e sociais da pessoa, grupo ou instituição atendi-
da. Como descrito em nossa resolução, o relatório psicológico 
tem por objetivo: 
Comunicar nossa atuação em diferentes etapas da 
prestação de serviços, podendo_ter caráter infor-
mativo, de orientação, recomendações, encami-
nhamentos e intervenções pertinentes à situação 
descrita. 
Não perca de vista que os relatórios são documentos técni-
cos: eles apresentam informações descritivas acerca do estado 
psicológico ou outras informações em resposta à demanda e 
finalidade documental. Como agora o documento relatório 
psicológico pode ser emitido independente de avaliação psi-
cológica (não confundindo isso com o fato de não ser técnico), 
o diagnóstico psicológico não é uma finalidade de produ-
ção (gostaria que você marcasse isso!). Isso significa dizer que, 
se a demanda documental que chega para você passar pela 
necessidade de produzir um diagnóstico, o relatório psico-
lógico não é a opção de documento que cumpre o pedido, 
beleza? 
Bom, já que falamos de uma não finalidade de um relató-
rio psicológico, então, em que situações eu devo produzir um 
Relatório Psicológico, você pode estar se perguntando. Vamos 
a elas: 
65 
CAPÍTULO 4 
Caráter Informativo 
Orientação 
RELATÓRIO PSICOLÓGICO Recomendação 
Encaminhamento 
Intervenções 
Perceba que as finalidades elencadas dão conta de possí-
veis demandas cotidianas de uma produção documental (in-
formar, orientar, recomendar, encaminhar e/ou descrever in-
tervenções) não condicionada à avaliação psicológica - aqui, 
a fonte de informações para a produção documental são os 
próprios registros da profissional da psicologia (os registros 
documentais são obrigatórios no exercício profissional, con-
forme a Resoluções CFP 01/2009 e 05/2010). 
Na produção de um Relatório Psicológico, a princi-
pal fonte de informações da profissional que fará 
a elaboração do documento são seus próprios re-
gistros documentais. 
Você pode se perguntar também sobre o que definirá o 
conteúdo do relatório, se terá um caráter informativo, se as-
sumirá uma "pegada" mais de orientação, se trará recomen-
dações, fará encaminhamentos ou ainda, descreverá suas in-
tervenções no processo de prestação de serviços e aqui vai a 
resposta: depende! 
66 
RELATÓRIOS 
Ter clareza da finalidade e demanda além, claro, 
do destinatário, é fundamental para que saibamos 
o tom que daremos ao documento que será pro-
duzido. O "porque" e o "para que" devem literal-
mente, orientar qualquer prática nossa, inclusive 
na produção documental. 
Apesar de não ser mais* produto de avaliação psicológi-
ca, como já falamos acima (não custa nada repetir), o relató-
rio psicológico continua sendo uma produção de nature-
za e valor técnico", devendo, portanto, ser produzido com 
narração, como fala nossa resolução, "detalhada e didá-
tica, com precisão e harmonia". Não perca de vista que é 
necessário conhecimento técnico em psicologia para emiti-10 
(diferenciando-se de um documento produzido pelo senso 
comum), por isso essa orientação em relação à produção. 
Como já discutimos lá na seção de Princípios Fundamentais, 
em Linguagem Formal Escrita, a linguagem utilizada deve ser 
acessível e compreensível ao destinatário (e saber a quem se 
destinará o seu relatório é fundamental para a sua elaboração), 
respeitando os preceitos do Código de Ética Profissional do 
Psicólogo, com base nos nossos registros de atendimento, 
como nos ensina a Resolução CFP n° 01/2009' (ou substitutas 
da mesma). 
* Quando falamos em não ser mais, é em referência a nosso manual de 2003 que nor-
matizava que o relatório era produto de avaliação psicológica. 
** Lembra quando falamos lá no documento "declaração" sobre a possibilidade de 
qualquer pessoa a emitir, por não ser um documento técnico, devido a -não necessida-
de de ser um técnico em psicologia para prestar as informações que são pertinentes à 
finalidade de uma declaração? Estou resgatando isso justamente para que fique clara a 
ideia de natureza e valor técnico: é uma informação ou conteúdo que precisa ser feita 
por um profissional da psicologia para ter validade. 
*** Dispõe sobre a obrigatoriedade do registro documental decorrente da prestação 
de serviços. 
67 
CAPÍTULO 4 
Como já vimos também lá nos princípios fundamentais 
para elaboração de documentos escritos pela psicologia, não 
faz nenhum sentido descrições literais de sessões, atendimen-
to ou acolhimento realizado, mas o que tecnicamente pode 
se considerar a partir deles. Pontuais descrições podem ser 
colocadas quando se justificam e/ou sustentam algum posi-
cionamento e há sentido de fazê-las presentes no documento 
produzido. O que deve sempre estar presente são: 
1. Demanda. 
2. Procedimentos. 
3. Raciocínio técnico-científico. 
4. Conclusões e/ou recomendações (quando houver e cou-
ber). 
Para que você fixe em seu juízo, vou lançar aquela estraté-
gia da repetição como um caminho de aprendizado: vamos a 
um esquema * para que você preencha sobre o que deve sem-
pre estar presente na produção de um rélatório psicológico: 
RELATÓRIO 
PSICOLÓGICO 
2. 
3. 
4. 
* Para que não exista dúvida sobre seu esquema, vamos aqui, discretamente, às res-
postas: (1) demanda, (2) procedimentos, (3) raciocínio técnico-científico da(o) profis-
sional, (4) conclusões e (5) recomendações. 
68 
RELATÓRIOS 
Vumbora fazer aqui um momento de orientação para o 
start de um Relatório Psicológico: 
1. Qual o motivo de se querer um documento psi-
cológico? 
2. O que se pretende explicitar no documento? 
3. Para quem é o documento? 
2.1. ESTRUTURA DO DOCUMENTO 
Pensemos agora a estrutura normatizada em nossa Resolu-
ção para a produção de um relatório psicológico. Como sem-
pre defendo, você deverá ver a forma e estilo de escrita que 
fazem mais sentido para você: seja topicalizado ou como texto 
corrido (as duas formas de produzir o documento são igual-
mente possíveis), o relatório deve estar estruturado (de forma 
detalhada) em cinco itens a seguir: 
1. Identificação: 
a) Título (relatório psicológico). 
b) Nome da pessoa ou instituição atendida*. 
c) Nome do solicitante"". 
d) Finalidade. 
e) Autor (com CRP). 
* Identificação do nome completo ou nome social completo e, quando necessário, 
outras informações sócio-demográficas. 
** Identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi 
realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo 
próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados. 
69 
CAPÍTULO 4 
2. Descrição da demanda': 
a) Motivo da prestação de serviço com indicação de 
quem forneceu as informações e as demandas que 
levaram à solicitação do documento. 
3. Procedimento:O fato de, nessa resolução, termos a di-
ferenciação de relatórios e laudo psicológico, cabe uma 
multiplicidade procedimental; isso dá conta de uma la-
cuna deixada pela normativa anterior. Fontes de informa-
ções principais e secundárias (observações, análises) ca-
bem aqui: lembre-se, estamos falando de um documento 
que comunica sobre o seu fazer - tudo o que você faz, 
que tenha relação com a demanda-finalidade, é procedi-
mento e precisa ser descrito. 
a) Apresentação do processo de trabalho escolhido pelo 
profissional, e os recursos técnico-científicos utiliza-
dos, especificando o referencial teórico metodológi-
co que fundamentou análises, interpretações e con-
clusões técnicas a partir da demanda descrita no item 
anterior e proporcional à m6ma. 
a) Tópico descritivo, narrativo (situações relacionadas 
à demanda) e analítico (pensamento sistêmico e de 
fundamentação técnico-teórica) dos dados coletados. 
Devemos ter um cuidado especial na linguagem de 
maneira objetiva e precisa, especialmente quando se 
referir a informações de natureza subjetiva. 
* Na descrição da demanda é fundamental que se apresente o raciocínio técnico-cien-
tífico adotado pelo profissional para que, posteriormente, se justifique os procedimen-
tos adotados. Em outras palavras, precisa ter um nexo causal entre procedimento e 
demanda descrita. 
** Todos os caminhos escolhidos para a prestação de serviço devem constar descri-
tos no procedimento (resguardando a finalidade e demanda documental): aqui deve 
constar citar as pessoas ouvidas na prestação de serviço, as informações objetivas, o 
número de encontros e o tempo de duração do processo realizado. 
*** Por se tratar de documento técnico, não é possível constar nenhuma afirmação 
sem referenciar a fonte da informação ou sem descrever a sustentação da afirmação 
em fatos colhidos e/ou em teorias psicológicas. 
70 
RELATÓRIOS 
b) Principais características e evolução do trabalho reali-
zado (em sintonia com a finalidade documental). 
• Lembre-se que o Relatório Psicológico é um docu-
mento de natureza técnica, logo, você precisará, na 
análise, "filtrar" as informações que escolher fazer 
constar no documento, relacionados à díade deman-
da-finalidade a partir de uma teoria psicológica - se 
assim não acontece, o que está posto é uma mera des-
crição de atendimento ou intervenção, por exemplo, 
que qualquer pessoa presente poderia fazer, sem ne-
nhuma habilidade técnico-científica. Não perca isso 
de vista na hora de produzir seu relatório; as suas im-
pressões precisam se ancorar em algum lugar ou seu 
documento estará à deriva. 
Conclusão: 
a) Descrição de conclusões*: em sintonia com a deman-
da documental (objetivo informativo, orientação, re-
comendações, encaminhamentos ou intervenções). 
b) Indicação do local, data de emissão, nome do profis-
sional, assinatura, CRP e carimbo. 
c) Páginas numeradas, rubricadas da primeira até a pe-
núltima lauda, considerando que a última estará assi-
nada e carimbada. 
d) Cabem encaminhamentos, recomendações, orienta-
ções sugestões ao caso circunstância do seu Relató-
rio? Esse é o momento e espaço de fazê-las! 
e) Caso deseje, você poderá fazer constar aqui: 
• A proibição de uso do documento em situações e 
contextos diferentes do que foram descritos enquan-
to finalidade na identificação. 
• Assinalar sobre o caráter sigiloso do documento (aqui 
você pode, se desejar, elencar os riscos da quebra de 
sigilo ou, o contrário disso, os benefícios em mantê-lo). 
* Ratifico a necessidade de sinalização sobre a natureza dinâmica e não cristalizada 
do seu objeto de estudo. 
71 
CAPÍTULO 4 
A sua não responsabilização pelo uso dado ao relató-
rio por parte da pessoa, grupo ou instituição, após a 
sua entrega em entrevista devolutiva. 
3. RELATÓRIO MULTIPROFISSIONAL 
Siiiim!!! Chegou o momento de falarmos do relatório mul-
tiprofissional", aquele que pode ser produzido em conjunto 
com profissionais de outras áreas, preservando-se a autono-
mia e a ética profissional dos envolvidos. Antes, não tínhamos 
regulamentação para esse tipo de prática, tão comum em 
contextos multiprofissionais em que a psicologia está inserida. 
Para que iniciemos a elaboração do documento, a primei-
ra coisa que precisa ficar clara é que, em sendo um relatório, 
teremos as orientações gerais e características do Relatório 
Psicológico. para produção. A segunda: lembra daquelas per-
guntinhas que eu disse que era de orientação para a produção 
de qualquer documento? As respostas pára elas precisam estar 
claras também aqui, na produção de um documento multipro-
fissional. Vamos resgatá-las, acrescendo uma para produção 
do relatório multiprofissional? 
1. Qual o motivo de se querer um documento 
multiprofissional? 
2. O que se pretende explicitar no documento? 
3. Para quem é o documento? 
4. Quais os objetivos da atuação multiprofissional? 
* Ele é resultado da atuação do profissional da psicologia em contexto multiprofis-
sional. 
72 
RELATÓRIOS 
Pois é, os objetivos da atuação multiprofissional precisam 
estar presentes no relatório multidisciplinar, até para que se 
possa avaliar o cumprimento deles, obviamente, resguardan-
do sigilo*. 
3.1. ESTRUTURA DO DOCUMENTO 
Como se trata de um documento que pode ser produzido 
por diferentes profissionais que compõem uma equipe técni-
ca, nosso documento de referência não pode instituir normas 
sobre toda produção documental: as orientações que constam 
em nossa resolução se referem ao que tange a atuação e pro-
dução do profissional da psicologia. 
À parte que compete a gente, precisaremos apresentar as 
informações detalhadas de cada um dos tópicos da estrutura 
recomendada para o documento", podendo ser dividido ou, 
ainda, em texto corrido. Caberá a quem produz o documento 
escolher a melhor forma de apresentá-lo. A estrutura aqui é a 
mesma indicada para o Relatório Psicológico: 
1. Identificação: 
a) Título (relatório multiprofissional). 
b) Nome da pessoa ou instituição atendida'. 
c) Nome do solicitante'. 
d) Finalidade. 
e) Autoras (e referidas inscrições profissionais, quando 
houver). 
* A baliza sobre o que pode ou não fazer constar no documento tem relação direta 
com aquelas palavrinhas que amo e vou falar até o final de nosso curso: finalidade e 
demanda! Eles serão as margens do que pode ou não ser dito! 
** Como estamos diante de uma produção em equipe, a escolha da melhor forma e 
estilo poderá ser feita em conjunto com os técnicos envolvidos. 
*** Identificação do nome completo ou nome social completo e, quando necessário, 
outras informações sócio-demográficas. 
**** Identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi 
realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo 
próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados. 
73 
CAPÍTULO 4 
2 Descrição da demanda*: 
a) Motivo da busca pelo processo de trabalho multipro-
fissional, indicando quem forneceu as informações e 
as demandas que levaram à solicitação do documento. 
3. Procedimento: 
a) Apresentação do processo de trabalho escolhido pelo 
profissional ou pela equipe (deve ser uma única seção 
de procedimento), e os recursos técnico-científicos 
utilizados, especificando o referencial teórico meto-
dológico" que fundamentou análises, interpretações 
e conclusõ_es técnicas a partir da demanda descrita no 
item anterior e proporcional à mesma. 
b) Caso existam procedimentos e/ou técnicas privativas 
da Psicologia, esses devem vir separados das descritas 
pelos demais profissionais. 
4. Análise: 
a) Cada profissional deve fazer sua análise separada-
mente, identificando, com subtítulo, o nome e a cate-
goria profissional. Para a psicologia, cabe o que já foi 
indicado em análise de relatório psicológico - Princi-
pais características e evolução do trabalho realizado 
no contexto multiprofissional (em sintonia com a fi-
nalidade documental). 
* Na descrição da demanda é fundamental que se apresenteo raciocínio técnico-cien-
tífico adotado pelo profissional para que, posteriormente, se justifique os procedimen-
tos adotados. Em outras palavras, precisa ter um nexo causal entre procedimento e 
demanda descrita. 
** Todos os caminhos escolhidos para a prestação de serviço devem constar descri-
tos no procedimento (resguardando a finalidade e demanda documental): aqui deve 
constar citar as pessoas ouvidas na prestação de serviço, as informações objetivas, o 
número de encontros e o tempo de duração do processo realizado. 
74 
RELATÓRIOS 
5. Conclusão: 
a) Descrição de conclusões*: em sintonia com a deman-
da documental à equipe multiprofissional (qual foi o 
objetivo do documento? informativo, orientação, re-
comendações, encaminhamentos ou intervenções). 
Pode ser feita em parte única, por todos os profissio-
nais envolvidos. 
b) Indicação do local, data de emissão, nomes dos profis-
sionais envolvidos, registros e inscrições profissionais, 
quando existirem, e carimbo. 
c) P4inas numeradas, rubricadas da primeira até a pe-
núltima lauda, considerando que a última estará assi-
nada por todos os profissionais participantes e carim-
bada. 
d) Caso deseje, a equipe poderá fazer constar aqui a proi-
bição de uso do documento em situações e contextos 
diferentes do que foram descritos enquanto finalida-
de na identificação, assinalar sobre o caráter sigiloso 
do documento e que não se responsabiliza pelo uso - 
dado ao relatório por parte da pessoa, grupo ou ins-
tituição, após a sua entrega em entrevista devolutiva. 
É importante marcarmos que o relatório multiprofissional 
não isenta a(o) psicóloga(o) de realizar o registro documental 
da prestação de serviços em contexto multiprofissional. 
Ufaaa! Parece que é muita coisa, mas, calma! Você vai ver 
que com dedicação e prática vai ser tranquila a sua produção. 
Vuuumbora! 
* A(o) psicóloga(o) deve elaborar a conclusão a partir do relatado na análise, consi-
derando a natureza dinâmica e não cristalizada do seu objeto de estudo, podendo 
constar encaminhamento, orientação e sugestão de continuidade do atendimento ou 
acolhimento. 
75 
CAPÍTULO 4 
3.2. MÉTODO DE PRODUÇÃO DOCUMENTAL 
Lá no início do capítulo te falei que a partir de agora com-
partilharia com você o meu método de produção documental 
que me auxilia a elaborar diferentes documentos, delineando 
as margens do que pode ou não ser dito em minha produção, 
me fazendo economizar tempo e me deixando mais segura - e 
a partir de agora, compartilharei essa técnica com você. 
Bom, muito provavelmente as palavras que mais aparecem 
nesse livro são demanda e finalidade. Definitivamente, não há 
possibilidade de escrever um documento, seja eleAual for, sem 
ter clareza de o que se pede e de para que se pede. Bom, 
depois de ter clareza clara (redundância proposital, para que 
você perceba a necessidade de saber muito bem isso), você 
vai transformar em pergunta essa demanda-finalidade. Se al-
guém solicita algo da profissional da psicologia, ela quer a sua 
resposta à urna pergunta. Que pergunta é essa? Traduzir essa 
díade demanda-finalidade em uma pergunta, será a base forte 
de um documento psicológico, que você entenderá mais para 
frente. Siga comigo. 
Depois de definir sua pergunta norte, o próximo passo é, 
acessar seus registros documentais (provenientes da presta-
ção de serviços), e responder à pergunta! Isso mesmo, você 
vai direito à resposta da pergunta, certo? Esse será o rascunho 
da conclusão de seu Relatório Psicológico. Depois da resposta 
produzida, o que você vai descrever são os argumentos que 
sustentam a resposta! Nada de fazer aquela descrição corrida, 
sem margens, gente! Além de ser um gasto energético ab-
surdo por não ter limites, você fica sem clareza em relação ao 
que deve ou não fazer constar em seu documento, afinal tudo 
pode "parecer" importante. Aqui, o caminho será o de apenas 
fazer constar informações que sustentem a resposta que você 
deu, ou seja, a conclusão documental. Essa sustentação é o es-
boço de sua análise! Perceba que fazendo dessa forma, você 
tem muito mais clareza para definir o que cabe e o que não 
76 
RELATÓRIOS 
cabe naquele relatório - a pergunta base, tradução da díade 
demanda-finalidade é o que te faz traçar as margens de seu 
documento! Vamos à um esquema, demonstrando as etapas 
de elaboração dócumental, para reforçar a explicação do mé-
todo de produção documental: 
Definição da pergunta base 
Resposta à pergunta base 
Argumentos que sustentam a resposta 
Dados técnicos que justificam dos argumentos 
a. Clarificação da demanda e finalidade. 
b. Tradução na PERGUNTA NORTE. 
c. Resposta à pergunta note (Conclusão). 
d. Descriçãb dos argumentos (análise), ancorados teorica-
mente, que sustentam a resposta que você descreve no 
item C. 
e. Dados técnicos que corroboram com os argumentos do 
item D. 
f. Descrição dos procedimentos (no relatório, que tem 
como base seus registros, você irá especificar a própria 
prestação de serviços até a produção documental). 
g. Preenchimento da Identificação (comum aos documen-
tos). 
E aí, ficou mais claro agora? Percebe que quando você tem 
um método, as coisas ficam muito, mas muito mais fáceis? Te 
falei que era um método contraintuitivo pois te ensino a cons-
truir o documento "de trás para frente"! Não perca de vista que 
estamos diante de um documento que prevê descrição deta-
lhada e pedagógica dos dados técnicos e argumentos, além, 
é claro da sua "resposta" que deve ser indicativa ou conclusiva 
77 
CAPÍTULO 4 
com a finalidade documental. Leve em consideração o desti-
natário: a forma como você responde para um médico ou para 
um juiz são diferentes, mesmo que a demanda seja a mesma 
- mesmo que os dois profissionais te solicitem a mesma coisa, 
a finalidade deles é diferente, pela própria natureza das ativi-
dades exercidas. Então, fique atenta ao destino do documento, 
para quem ele vai comunicar sobre a sua prestação de serviços 
(já falamos sobre isso, mas estou terapeutizada a pecar por ex-
cesso). 
4. DÚVIDAS COMUNS 
1. É possível produzir Relatório Psicológico e/ou Multi-
profissional a partir de um único atendimento? 
Siiiiimmmmilill Com a regulamentação atual, é possível a 
gente emitir um relatório técnico com apenas um encontro, 
uma visita domiciliar, enfim, com o que você tem de dados 
até o momento da elaboração documental. Lembre-se que 
a base de dados do Relatório, seja o Psicológico ou o Multi-
profissional, são os seus registros obrigatórios (Resolução CFP 
01/2009) decorrentes da prestação de serviços psicológicos. 
Você construirá seu documento com descrição detalhada de 
informações colhidas, naquele tempo e espaço margeado pela 
circunstância da solicitação documental - clareza da demanda 
e finalidade do documento. 
2. A demanda pelo documento é a de informar diagnós-
tico psicológico. A cliente já veio com o diagnóstico 
fechado quando chegou. Posso emitir o relatório com 
essas informações? 
Essa é uma questão recorrente e complexa. Vamos por par-
tes aqui, acompanhe comigo: 
78 
RELATÓRIOS 
1 Se a demanda tem como finalidade a comunicação de 
diagnóstico psicológico, você só poderá fazê-lo se já hou-
ver, anteriormente, realizado um processo de avaliação 
psicológica com finalidade psicodiagnóstica. Lembre-se 
que um relatório não tem como finalidade produzir diag-
nóstico psicológico e, caso isso seja necessário, precisare-
mos planejar um processo de avaliação - o documento 
resultado disso é o Laudo Psicológico, beleza? 
2. Essa questão de um cliente já chegar com diagnóstico é 
"um negócio", principalmente quando você precisa pro-
duzir documento psicológico - como você assinará do-
cumentos fazendo afirmações que não foi você quem 
avaliou? Numa situação como a descrita, por exemplo, 
caso eu precisasse fazer esse documento, certamente 
faria constar que a pessoa já chegou para mim com o 
diagnóstico (se ela tiver um relatório de outro profissio-
nal). Caso seja uma informação "de boca", sem nenhum 
documentocomprobatório, o relatório psicológico seria 
construído com dados que eu já tinha, mas provavelmen-
te não cumpriria o objetivo ou iniciaria Avaliação Psicoló-
gica para produção de laudo ou atestado - dependendo 
da finalidade documental, já que a demanda é informar 
diagnóstico. 
v Aqui vai uma dica: quando um cliente, paciente chega 
para você com o "diagnóstico fechado", peça à pessoa có-
pia de relatórios ou outros documentos comprobatórios 
e os anexe aos seus registros. Outra coisa: não é porque a 
pessoa diz que tem o diagnóstico "x" que você não pode 
realizar sua avaliação psicodiagnóstica que ratificará ou 
retificará o que está posto. Penso que o processo, inclu-
sive, te apoiará nos planejamentos interventivos para al-
cançar os objetivos da prestação de serviços. 
79 
CAPÍTULO 4 
3. Existe possibilidade de emitir Relatório Psicológico 
sem solicitação? 
Tecnicamente, não. Mas, vamos olhar mais de perto: uma das 
finalidades de um Relatório Psicológico é o encaminhamento. 
Quando você entende que deve encaminhar seu paciente 
para um outro profissional, você pode produzir esse Relatório 
de Encaminhamento sem que seja solicitado, combinando 
com a pessoa para quem você presta o serviço (é nosso 
dever fundamental, descrito no primeiro artigo de nosso 
Código de Ética Profissional "orientar a quem de direito sobre 
os encaminhamentos apropriados, a partir da prestação de 
serviços psicológicos, e fornecer, sempre que solicitado, os 
documentos pertinentes ao bom termo do trabalho"). Não é 
uma regra, mas pode ser uma escolha a depender do caso em 
questão. 
4. Não tenho registros documentais, como fazer o Rela-
tório psicológico e/ou Multiprofissional? 
Tecnicamente, não tem como fazer!!! Primeira coisa, se 
o profissional de psicologia presta serviços psicológicos e 
não registra em documentos o seu trabalho, ele incorre em 
infração ética. Gente, na Resolução CFP 01/2009 está toda 
orientação para que façamos os registros documentais 
proveniente de nossa prestação de serviços. Corre para corrigir 
essa falha urgente! Dito isso, sigamos: a produção do relatório 
psicológico tem como base os registros feitos pelo profissional 
de psicologia ao longo da prestação de serviços - com o docu-
mento, a profissional irá comunicar algo específico do serviço 
prestado (em andamento ou já concluído).Tecnicamente, você 
não deverá fazer nada extra para a produção documental, a 
não ser para complementar informações que você já tenha. No 
resumo, fica bem comprometida sua produção de Relatório 
Técnico, seja Psicológico ou Multiprofissional, sem seus regis-
tros documentais. Bom, agora que você já leu isso aqui, vum-
80 
RELATÓRIOS 
bora fazer um combinado? Nada de deixar de registar o que 
quer que seja proveniente de sua prestação de serviços, certo? 
5. Posso produzir Relatório Psicológico para comparti-
lhar informações com outro profissional? 
Não só pode, como deve!!! Sempre que esse compartilha-
mento de informações qualificar o serviço prestado, restrin-
gindo-se ao motivo e objetivo de informar. E lembre-se que 
seu cliente, paciente, como queira chamar, precisa saber desse 
compartilhamento, certo? 
6. No caso de Relatório Multiprofissional, a conclusão 
também é por área de conhecimento assim como a 
análise? 
O Relatório Multiprofissional, produto de uma equipe, pode 
ser produzido em conjunto com os profissionais de outras áre-
as tanto no texto da análise quanto no da conclusão. Não há 
regra específica para a construção documental, se escreverão 
juntos o texto ou se cada profissional escreverá a sua parte e 
depois compilarão tudo em um único documento, contanto 
que tenha a estrutura orientada em nossa resolução de refe-
rência: 
a) Identificação. 
b) Descrição da Demanda. 
c) Procedimento. 
d) Análise. 
e) Conclusão. 
7. Qual a diferença do Relatório Multiprofissional para o 
Relatório Psicossocial? 
Essa é uma pergunta bem difícil de responder e por um mo-
tivo bem simples: não há nenhuma regulamentação em rela-
ção ao Relatório Psicossocial - que documento é esse? Qual a 
sua finalidade? Ele deve ser elaborado a partir de que deman-
da? Quem pode solicitá-lo? Quem é competente para elaborá-
81 
CAPÍTULO 4 
-lo? Veja quantas perguntas ficam à deriva de resposta por não 
termos uma orientação clara a respeito desse "tipo" de docu-
mento. Nesses casos, o que vai regular é muito mais o costume 
que, de fato, uma orientação normatizada. 
Bom, depois desse desabafo, vamos à pergunta propria-
mente dita (me esforçando para responder da melhor maneira 
possível): ele pode ser o mesmo documento se, por exemplo, 
for feito em conjunto com uma profissional de serviço social, 
por exemplo, como pode também ser produzido só pela pro-
fissional de psicologia - neste caso, o relatório não é multipro-
fissional, é psicológico, percebe? A gente vê muita solicitação 
de Relatório Psicossocial feito pela autoridade judicial e nas 
instituições de assistência social. 
8. Posso especificar a finalidade de um Relatório Psicoló-
gico no título? 
Pode siiim!!! Você pode colocar, logo no título, Relatório de 
Encaminhamento, por exemplo, se a finalidade daquele docu-
mento é de encaminhar a pessoa que você presta serviços para 
um outro profissional ou instituição. Vamos a outros exemplos 
de finalidade documental já descrita no título do documen-
to: a) Relatório Psicológico de Visita Domiciliar; ou c) Relatório 
Semestral de Acompanhamento, percebe? Esses documentos 
precisam seguir o que discutimos ao longo desse capítulo, cer-
to? O título, se escolher colocar, é só para adjetivar seu docu-
mento, mas não modifica em nada a sua estrutura, beleza? 
9. Intervenções, decisões que tomei no serviço que eu 
presto, devo fazer constar no meu Relatório Psicoló-
gico? 
Certamente! Lembre-se que o relatório, a partir de uma de-
manda e com uma finalidade que precisa estar clara, comunica 
sobre o seu fazer, a sua prestação de serviços. Tudo que você 
escolheu fazer, além dos dados técnicos colhidos e quem te-
nham relação com a díade demanda-finalidade, devem cons-
ni 
th. 
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via 
as 
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e c 
co 
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aq 
de 
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en 
sã 
dc 
en 
qi 
Ps 
82 
RELATÓRIOS 
tar no documento produzido, incluindo seu raciocínio psicoló-
gico para a escolha feita. Um lembrete: não estamos falando de 
você fazer transcrições de manejo, sistematização de conduta 
ou descrição de dados, estamos diante de um documento téc-
nico, não se limite ao conteúdo! 
10. É válido colocar em um Relatório Psicológico o tempo 
de validade do documento? 
A validade dos documentos é um tópico pouco deba-
tido e, muitas às vezes, confundida com o tempo de guarda 
(arquivamento) dos documentos psicológicos. Definir a 
validade de um documento é determinar por quanto tempo 
as conclusões que sua comunicação encerra valem antes de 
que se tenha a necessidade de um novo pedido documental 
e esse tempo é urna decisão do profissional que faz do 
documento técnico. Acredito que cada caso pede uma reflexão 
e decisão específica sobre a validade documental, levando em 
consideração a finalidade e demanda a que se destina. Minha 
sugestão é que você eleja algum critério temporal que tenha 
relação com o que está sendo discutido em seu documento 
e decida sobre em quanto tempo você indica uma revisão ao 
que está sendo exposto. Por exemplo: um relatório sobre uma 
criança e a sua evolução escolar - um bom critério temporal 
aqui (mas não é o único) é o "ano letivo", já que reavaliar troca 
de escola, por exemplo, no meio de um ciclo não é o mais indi-
cado, percebe? Precisaremos sempre ter sensibilidade e levar 
em consideração múltiplos fatores antes de tomar uma deci-
são, entendendo que o tempo cronológico é beeeem diferente 
do tempo subjetivo. Outra coisa: gente, não é todo documento 
em que vai caber determinar tempo de validade, mas, sempre 
que couber, sugere-se que o faça, combinado? Os documentos 
que, necessariamente, precisa constar a validade são Relatório 
Psicológico, Laudo Psicológicoe Atestado Psicológico. 
83 
J 
CAPÍTULOS 
PARECER PSICOLÓGICO 
O que você irá ver nesse capítulo: 
o 
e 
Introdução 
Estrutura 
Checklist 
Dúvidas comuns 
1. INTRODUÇÃO 
Chegamos em um documento do qual pouco se fala. Es-
tudá-lo, então... estamos longe de fazê-lo. De maneira geral, 
quando se fala em Parecer Psicológico, lembramos logo da 
figura da psicóloga assistente técnica* em processos judiciais 
- papel normalmente exercido por profissionais da psicologia 
que atuam junto ao Sistema de Justiça. Mas aqui quero mar-
car que essa produção documental não é restrita à Assistentes 
Técnicos. E mais, vou revelar agora o "pulo do gato": você tem 
possibilidade de ofertar mais um serviço, além dos que já 
oferece - a elaboração de Pareceres Técnicos Psicológicos. 
Mas calma, vamos em um passo de cada vez, com atenção, e 
você entenderá melhor onde quero chegar! Vumboraa! 
* Sim, o documento que o assistente técnico emite é um parecer psicológico - docu-
mento técnico que não é fruto de avaliação psicológica, normalmente construído em 
crítica ao trabalho pericial. Falaremos disso mais à frente. 
85 
CAPÍTULO 5 
Antes de aprofundarmos, vamos ao velho e bom significa-
do da palavra: Parecer. Segundo o dicionário, significa "ter o 
aspecto de, a aparência de; assemelhar-se"'. Para te aproximar 
mais dessa produção documental e sustentar sugestões que 
farei mais à frente, neste capítulo, escolhi trazer também o sig-
nificado de Parecer extraído de um Dicionário Jurídico, que diz 
assim: "O parecer trata-se do documento onde se é apresen-
tada a análise realizada sobre um caso, situação, fato ou 
opinião técnica sobre um ato, projeto, processo ou relatório"". 
Nossa Resolução CFP 06/20192 diz que: 
"O parecer psicológico é um pronunciamento por es-
crito, que tem como finalidade apresentar uma análi-
se técnica, respondendo a uma questão-problema 
do campo psicológico ou a documentos psicológicos 
questionados" (art. 14)3. 
Perceba que todas as referências que temos sobre um pa-
recer técnico, independente da área de conhecirnento, trazem 
um tripé que esquematizo abaixo: 
Questão Problema 
Embasamento 
Teórico 
Posicionamento 
Técnico 
* Para que entenda melhor, costumo dizer que é como se você pudesse entregar o 
mesmo parecer técnico a pessoas diferentes que estão numa mesma situação. 
86 
PARECER PSICOLÓGICO 
Como visto lá em nosso capítulo introdutório, já sabemos 
que o Parecer Psicológico não é fruto de Avaliação Psicológi-
ca e, por isso, muitas pessoas tem dificuldade de entender a 
questão-problema. 
Quantas vezes você já emitiu um posicionamento técnico (ou 
melhor, narrou e ancorou técnica e teoricamente sua posição so-
bre algum tema do "universo psi") acerca de alguma questão do 
campo psicológico? 
Sem perceber, a gente faz isso muitas, muitas vezes! Pense 
em situações do cotidiano - fenômenos que não diz respeito 
a uma pessoa apenas, mas a maior parte das pessoas na mes-
ma dinâmica. Quando há um posicionamento técnico (lembra 
de frases iniciadas com "a psicologia diz que" ou "do ponto 
de vista psicológico") sobre essas situações do cotidiano, es-
tamos diante de um Parecer e fazê-lo por escrito, embasan-
do teoricamente o posicionamento técnico, é a forma de 
construir não apenas o documento psicológico em questão 
neste capítulo, mas uma nova modalidade de prestação de 
serviços psicológicos. O que estará ext)osto no documento 
são teorias e entendimentos psicológicos - presentes na li-
teratura. Como eu disse que teria um "pulo do gato", aqui está: 
você pode produzir tecnicamente um documento e cobrar 
por esse serviço! Vamos pensar junt@s: o Parecer Psicológico 
tem a finalidade de diminuir ou dirimir dúvidas sobre algum 
conteúdo do campo psicológico que estão interferindo em 
uma decisão, certo? Então, amplie seu universo de possibili-
dades sobre quem te demanda essa resposta, quem precisará 
tomar a decisão (as pessoas aqui tendem a interpretar como 
se fosse sempre a decisão judicial e nem de longe é só isso!). 
Quando eu afirmo que pode se tornar mais uma possibilidade 
de prestação de serviços para você, eu parto do pressuposto 
que você só vai aceitar produzir um parecer se tiver compe-
tência técnica e teórica para isso, até por que a elaboração de 
parecer psicológico exige da gente conhecimento específico e 
87 
CAPÍTULO 5 
competência no assunto'. Mais à frente, aprofundaremos essa 
possibilidade. 
Diante do que vimos, poderíamos separar o documento Pa-
recer Psicológico em duas categorias: 
Parecer Psicológico 
A) Análise de 
um documento 
psicológico 
B) Opinião Técnica 
(campo de saber 
psicológico) 
Se formos parar para pensar, mesmo quando estamos dian-
te da análise de um documento psicológico (A) ou, como sina-
liza a nossa resolução, quando questionado algum documento 
psicológico (normalmente no universo da psicologia jurídica) 
e é solicitado um parecer sobre a produção documental, ainda 
assim estamos diante de uma opinião técnica (B) - a profis-
sional analisará o documento questionado e se posicionará 
técnica e teoricamente sobre a produção documental entre-
gue à autoridade judicial. Mas, por uma questão de metodo-
logia, manterei essas categorias de maneira horizontal, o que 
já facilitará muito o entendimento e a construção documental. 
Sigamos! 
*Aqui eu mega ratifico a necessidade de termos nichos de atuação. E esses nichos são 
as demandas reais das pessoas, ao contrário do que muitas vezes é estimulado — espe-
cialização em teorias psicológicas. Mas isso é papo para um outro momento.. 
88 
PARECER PSICOLÓGICO 
1.1. ANÁLISE DE DOCUMENTO PSICOLÓGICO (Á) 
Apesar de mais comum nas práticas psicológicas que as-
sistem o Sistema de Justiça, as demandas para análises do-
cumentais não são exclusividades desse campo de atuação. 
Em verdade, sempre que há uma produção de documento 
técnico, independente do campo de atuação do profissional 
da psicologia, principalmente quando há Avaliação Psicoló-
gica, é possível solicitar uma avaliação técnica do documento 
produzido e o produto disso será o Parecer Psicológico. 
Para ampliar seu repertório de possibilidades sobre análise 
documental, vamos a algumas situações hipotéticas em que 
um pedido de produção de parecer técnico é possível: 
a. Uma juíza solicita uma avaliação psicológica como prova 
pericial em um processo de disputa de guarda à uma psi-
cóloga. As partes do processo contratam, cada uma, uma 
profissional de psicologia* para acompanhar a produção 
da prova pericial e garantir qué os métodos, técnicas e 
instrumentos utilizados são compatíveis com o que está 
sendo discutido com o processo em curso. 
b. Uma psicóloga clínica entrega um Laudo Psicológico com 
um diagnóstico psicológico aos pais de uma criança de 
06 (seis) anos. Apesar de acompanhar o diagnóstico da 
pediatra da criança, os pais têm dúvidas sobre o proce-
dimento utilizado pela profissional de psicologia para 
avaliação da criança. Por conta disso, procuram uma ou-
tra profissional para avaliar o laudo psicológico entregue 
pela avaliadora. 
* Essa atividade é conhecida com assistência técnica e é prevista em nossos códigos 
processuais. Há regras legais específicas para garantia dos princípios processuais (cada 
área do direito normatiza em seu respectivo código). Para quem quiser aprofundar, 
vale também a leitura da Resolução CFP n°008/2010 que dispõe sobre a atuação do 
psicólogo como perito e assistente técnico no Poder Judiciário. 
89 
CAPÍTULO 5 
c. Uma empresa recebe um documento psicológico em que 
há descrição de condição psicológica e a recomendação 
de alteração na rotina profissional do funcionário - com 
a justificativa de inaptidão para o desempenho de deter-
minadas atividades e a empresa escolhe buscar um outro 
profissional para avaliar o documento recebido. 
Perceba que nas três situações hipotéticas descritas em con-
textos institucionais diferentes, sempre diante de uma dúvida 
em relação a um documento psicológico recebido, pode havera solicitação de análise_ do mesmo, para avaliar se ele condiz 
com os princípios da ciência psicológica. Esse documento que 
será produzido, produto da análise de um outro documento 
psicológico, será o Parecer Psicológico. 
1.1.1. SOBRE OS DOCUMENTOS PSICOLÓGICOS 
PASSÍVEIS DE ANÁLISE 
Na teoria, qualquer documento psicológico é passível de 
ser avaliado por outro profissional da psicologia - dependen-
do principalmente da motivação de analisar o documento em 
questão. Até mesmo uma declaração, considerado o mais sim-
ples dos documentos psicológicos, pode ser fruto de um pare-
cer. Por exemplo, há um questionamento se uma declaração 
entregue a um cliente seguiu as normas estabelecidas pelo 
CFP (questão-problema). Neste caso, posso contratar uma pro-
fissional de psicologia para analisar a declaração em questão e 
se posicionar tecnicamente, embasada teoricamente, sobre o 
foco de estudo. Na prática, é mais comum laudos e relatórios 
psicológicos serem, mais frequentemente, objetos de análise 
documental por terem maior repercussão objetiva para os su-
jeitos e instituições e, por isso, serem questionados. Você pode 
estar se perguntando sobre o por que de Atestado psicológico 
não entrar nessa lista e eu te digo: primeiro, por conta de os 
profissionais da psicologia, de maneira geral, se esquivarem de 
90 
PARECER PSICOLÓGICO 
produzir o atestado psicológico (e a gente vai falar sobre isso 
lá no capítulo sobre Atestado psicológico); segundo, por conta 
da estrutura do atestado - como não há exposição de proce-
dimentos, a 'análise documental, do ponto de vista teórico, é 
mais difícil já que os registros da avaliação psicológica ficam 
com a profissional que emitiu o atestado e essa liberação para 
o acesso seria a partir da solicitação do próprio cliente (laudo 
resultante da Avaliação Psicológica), Conselho Regional de Psi-
cologia - CRP ou pela autoridade judicial. 
Bom, feitas essas considerações, vamos às perguntas es-
senciais que a parecerista deverá responder diante da neces-
sidade da análise de um documento psicológico: 
✓ A demanda que motivou o documento está clara? 
✓ A finalidade está descrita? 
✓ O fechamento do documento está conectado à de-
manda e finalidade? 
✓ Os instrumentos utilizados para a coleta de dados são 
compatíveis com o que foi avaliado? 
✓ A análise de dados está embasada teoricamente? 
✓ A metodologia adotada está descrita? É pertinente 
com o objeto do documento? 
✓ Os princípios éticos, técnicos e de linguagem foram 
cumpridos para a produção documental? 
✓ 0 documento cumpriu ao que se destinou? 
Depois de fazer essas perguntas (podem existir outras, a de-
pender de especificidades do caso), você está apta para cons-
truir seu Parecer Psicológico seguindo à estrutura que veremos 
logo mais! 
91 
CAPÍTULO 5 
1.2. OPINIÃO TÉCNICA (8) 
Essa segunda categoria de Pareceres é, ao mesmo tempo, 
pouco demandada e muito solicitada. E explico: quantas ve-
zes você já ouviu perguntas sobre diferentes questões do coti-
diano, para serem respondidas do"ponto de vista psicológico"? 
Imagino que diversas! Agora, a segunda pergunta: quantas 
vezes já te demandaram, como serviço, um posicionamento 
técnico sobre uma questão ou dúvida do cotidiano? Arrisco di-
zer que poucas ou nenhuma. Como não temos o costume de 
ofertar esse tipo de serviço, a demanda por ele &praticamente 
inexistente. Penso que alimentamos alguns problemas quan-
do não "profissionalizamos" o posicionamento técnico como 
uma prestação de serviços: primeiro, os posicionamentos fi-
cam superficiais, sem a descrição do embasamento teórico, 
o que fragiliza a opinião profissional; segundo, fortalecemos 
uma volatilidade da ciência psicológica como campo de saber 
diverso e plural, já que como não se expressa o norte teórico 
utilizado, é possível que existam diferentes variáveis e posições 
por diferentes profissionais. É sedutor, eu sei, responder uma 
pergunta quando ela é feita, até "alimenta" nossa vaidade, eu 
diria! Mas a análise precisa ser mais ampliada e não apenas no 
curto prazo, já que quem pergunta tem uma motivação e uma 
finalidade para perguntar (e são essas motivações e destinos 
que determinam se é só um papo ou se pede algo mais formal, 
documentado, percebe?). Claro que não estou defendendo 
um radicalismo de você só se posicionar tecnicamente a partir 
de um Parecer Psicológico, mas acredito que esse é um docu-
mento subutilizado e que isso repercute, inclusive, na percep-
ção social da psicologia enquanto campo de saber. 
Como já vimos diversas vezés ao longo desse livro, o Parecer 
Psicológico não é fruto de Avaliação Psicológica, mas nem de 
longe é um documento raso ou mesmo simples de ser elabora-
do. Requererá da parecerista amplitude técnica, prática e emba-
92 
PARECER PSICOLÓGICO 
sarnento teórico para um posicionamento com valor'. Acredito 
que como a psicologia tem uma prática, de forma geral, mais 
generalista, sem um afunilamento, reconhecer expertise para 
solicitar (e pagar!) Por um parecer parece uma prestação de ser-
viço distante. 
Assim como fiz em relação a analise documental, trarei aqui 
dez situações** que podem ter um Parecer Psicológico como 
resposta à questão-problema: 
a. Pais de uma criança que discordam sobre educação do 
filho. 
b. Dúvida sobre a •repercussão subjetiva de interrupção 
abrupta da amamentação. 
c. Efeitos da privação da presença de uma das figuras paren-
tais para o desenvolvimento de uma criança. 
d. Interferência da depressão nas atividades laborais. 
e. Violência sexual na infância e trauma. 
f. Mal atendimento como gatilho de crise psicopatológica. 
g. Divórcio como fonte trauma. 
h. Atividade laborativa como causa de depressão. 
i. "Palmada educativa" e desenvolvimento infantil. 
j. Abusos maternos e estresse pós traumático. 
Perceba que nas dúvidas acima (ou tantas outras que pode-
riam ser descritas), ou questões-problema, não se discute a 
perspectiva individual de"João"ou de"Maria", mas de qualquer 
pessoa que esteja vivenciando a mesma dinâmica situacional. 
E, claro, qualquer resposta que concluirmos em nossos docu-
mentos deve ser sempre sobre o ponto de vista psicológico 
*Para que você tenha uma idéia, existem áreas que a expertise do parecerista influen-
cia diretamente o posicionamento no documento e ele acaba tendo maior credibili-
dade e sendo mais "verdadeiro", entende? Isso tem relação direta a aprofundamento 
técnico, teórico e prática profissional. 
** As situações descritas foram questões-problemas reais e resultaram em Pareceres 
Psicológicos feitos ou supervisionados por mim. 
93 
CAPÍTULO 5 
com ancoragem técnica, teórica e ética. Caso exista posicio-
namentos diferentes, dependendo da abordagem teórica por 
exemplo, cabe, na análise (logo mais veremos a estrutura do 
Parecer Psicológico), explanar os diferentes posicionamentos 
teóricos mas, na conclusão, espera-se que você, parecerista, 
se posicione a partir das leituras feitas e da sua prática profis-
sional. Lembre-se, quem assina o Parecer Técnico é você! Ao 
final do documento, que será uma conclusão sobre a questão 
que motivou a demanda do Parecer Psicológico, ou questão-
-problema, a gente precisa se posicionar de forma indicativa 
ou conclusiva, alinhada com a finalidade a que o documento 
se destina. 
Dica de ouro: se especialize para ter o parecer psicológi-
co como mais uma forma de construir seu leque de ser-
viços profissionais! A demanda pelo parecer irá existir na 
medida que as pessoas souberem que prestamos esse 
serviço, afinal nem tudo é psicoterapia! 
Antes de seguirmos à estrutura do Parecer Psicológico, que-
ro apresentar um esquema para te ajudar a decidir que tipo de 
documento elaborar: 
Questão-problema 
do Campo 
Psicológico 
r Precisa expor informações pessoais 
ou estados psicológicos, por exemplo, 
para alcançar a finalidade do 
documento? 
A revisão literária associada a prática 
profissional do parecerista são 
suficientes para atingir a finalidade do 
documento 
Não cabeParecer 
(avaliar laudo 
ou Relatório 
Psicológico) 
Parecer 
Psicológico 
94 
PARECER PSICOLÓGICO 
2. ESTRUTURA 
Depois de tantas informações, considerações, vamos à es-
trutura de nosso documento. As informações de cada compo-
nente do Parecer Psicológico devem ser apresentadas com de-
talhamento em forma de itens. Conforme nossa resolução de 
referência, o Parecer Psicológico é composto de, no mínimo, 5 
(cinco) itens: 
Identificação 
Conclusão 
2.1. IDENTIFICAÇÃO 
Demanda 
Referências 
Análise 
Nesta sessão, que é mais formalidade que técnica, devem 
ter todas as informações para identificar o tipo de documen-
to produzido, o demandante além de outros dados úteis que 
possam identificá-lo (dependendo do destino do documento), 
destinatário e qual o fim a que se destina o documento (sem 
isso fica bem difícil produzir qualquer documento, como já 
bem falamos). 
v Título: "Parecer Psicológico"; 
'7 Nome da pessoa ou instituição objeto do questiona-
mento (ou do parecer): identificação do nome ou nome 
social completo e, quando necessário, outras informações 
sócio-demográficas da pessoa ou instituição cuja dúvida 
ou questionamento se refere; 
'Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o 
documento, especificando se a solicitação foi realizada 
pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas 
ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho 
prestado ou outros interessados; 
95 
CAPÍTULO 5 
V Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido; 
-7 Nome da(o) autora(or): nome ou nome social completo 
da(o) psicóloga(o) responsável pela construção do docu-
mento, com a respectiva inscrição no Conselho Regional 
de Psicologia e titulação que comprove o conhecimento 
específico e competência no assunto. 
2.2. DESCRIÇÃO DA DEMANDA 
Transcrição do objetivo da consulta ou demanda. Deve-se 
apresentar as informações referentes à demanda (lembre-se 
que a finalidade do documento deve estar contida lá na iden-
tificação). - 
v A descrição da demanda deve justificara escolha das 
fontes científicas para análise que será realizada. 
2.3. ANÁLISE 
A discussão da questão específica do Parecer Psicológico 
se constitui na análise minuciosa da questão explanada e 
argumentada com base nos fundamentos éticos, técnicos 
e/ou conceituais da Psicologia, bem como nas normativas 
vigentes que regulam e orientam o exercício profissional. 
Apesar de não haver uma regra, seu posicionamento técnico 
estará muito melhor construído com mais de um autor - cos-
tumo dizer que, pelo menos, dois ou três, garantem a você um 
bom lastro de discussão. Para te ajudar, diria que três deles já 
estão previamente escolhidos: 
V Autor de maior autoridade sobre a questão-problema. 
V Autor mais recente. 
v Autor de referência em sua abordagem teórica. 
96 
PARECER PSICOLÓGICO 
Proporcione uma "conversa" entre os teóricos, destaque 
pontos de maior relevância que tenham ligação direta com 
o que está sendo trabalhado em seu parecer. Não economize 
mas não exagere. Com a prática, você encontrará a sua medida. 
2.4. CONCLUSÃO 
Neste item, a(o) psicóloga(o) apresenta o seu posiciona-
mento sobre a questão-problema ou documentos psicoló-
gicos questionados. E é muito importante deixar bem claro: 
não é a posição de Freud, de Aaron Beck, de Rogers... Não! Você 
poderá trazer "quem for" para discutir em sua análise mas, na 
conclusão, espera-se que você, a partir de todas essas (e 
outras) leituras associadas a sua prática profissional, con-
clua o documento a partir do que acredita, já que será você 
quem assinará ao final. Além de seu posicionamento técnico, 
nessa sessão ainda deve conter: 
v Indicação do local de produção. 
-/ Data de emissão. 
v Carimbo, em que conste nome completo ou nome social 
completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição 
profissional. 
V Todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a 
penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na últi-
ma página. 
Opcional: É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, ao final 
do parecer, que este não poderá ser utilizado para fins dife-
rentes do apontado no item de identificação, que possui ca-
ráter sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que 
não se responsabiliza pelo uso dado ao parecer por parte da 
pessoa, grupo ou instituição, após a sua entrega ao beneficiá-
rio, responsável legal e/ou solicitante do serviço prestado. 
97 
CAPÍTULO 5 
2.5. REFERÊNCIAS 
Na elaboração de pareceres psicológicos, é obrigatória a 
informação das fontes científicas ou referências bibliográfi-
cas utilizadas, em nota de rodapé, preferencialmente. Não há 
orientação específica sobre qual norma utilizar, então a escolha 
fica a seu critério. Em tendo escolhido, respeite as orientações 
referentes à citações, transcrição e referenciamento, certo? 
3. CHECK LIST 
v Título; 
• Nome completo ou nome social da pessoa ou institui-
ção atendida; 
✓ Outras informações (que nossa resolução chama de 
informações sócio-demográficas) para identificação 
do usuàrio, quando necessário (isso tem relação dire-
ta com a finalidade documental): número de matricu-
la, RG e/ou CPF; 
• Solicitante; 
-7 Finalidade do Documento; 
✓ Sua identificação profissional; 
✓ Descrição da Demanda do Documento; 
-7 Diversidade teórica. 
No Encerramento você: 
✓ Numerou e rubricou" as laudas? 
✓ Colocou a data e local de emissão? 
✓ Carimbou (constante seu CRP)? 
✓ Assinou a última página (com seu nome completo ou 
nome social)? 
V Fez as devidas referências teóricas utilizadas? 
*As rubricas são até a penúltima página, considerando que a ultima estará assinada 
por você. 
98 
PARECER PSICOLÓGICO 
4. DÚVIDAS COMUNS 
1. Pode existir em um Parecer Psicológico informações 
sobre o cliente? 
As informações pessoais de quem te contrata deverão 
constar em seu Parecer Psicológico apenas na identificação! 
Fora isso, nenhuma informação de seu cliente deve constar 
no documento, já que ele é um posicionamento técnico de 
uma questão-problema, a partir de uma revisão literária e de 
sua prática profissional. Costumo dizer que se, por exemplo, eu 
fizesse um parecer técnico analisando o nexo causal entre trau-
ma infantil e divórcio parental e aparecessem dez casos com 
essa mesma questão problema, eu poderia entregar o mesmo 
parecer aos dez clientes! Um parecer não fala sobre o trauma 
infantil de :"João" no divórcio com "Maria", entende? Mas, a 
análise e a conclusão são mais generalistas: casos de divórcio 
como causa de trauma infantil. Veja bem, se para atingir a fi-
nalidade do documento você precisar descrever, por exemplo, 
sua condição psicológica, provavelmente você está fazendo o 
documento errado (um relatório psicológico ou um laudo psi-
cológico pode atender). 
2. Atendo um cliente em psicoterapia há um tempo que 
é parte em um processo jurídico e ele pede para eu ser 
parecerista numa perícia psicológica por confiar em 
mim. Posso? 
Não pode. Segundo a Resolução CFP n° 008/2010 que dis-
põe sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente téc-
nico no Poder Judiciário, Capítulo IV, art. 10, inciso I, nos reco-
menda que a psicóloga que acompanha o cliente não poderá 
assumir o papel nem de perita nem de assistente técnica em 
um processo judicial:"Com intuito de preservar o direito à inti-
midade e equidade de condições, é vedado ao psicólogo que 
esteja atuando como psicoterapeuta das partes envolvidas em 
99 
CAPÍTULO 5 
um litígio: I - Atuar como perito ou assistente técnico de pes-
soas atendidas por ele e/ou de terceiros envolvidos na mesma 
situação litigiosa". 
3. Um Parecer Psicológico é feito, necessariamente, por 
um assistente técnico? 
Não! Quando se pensa dessa forma, parte-se da crença de 
que o Parecer Psicológico é produzido apenas nas práticas da 
psicologia jurídicas (e ainda assim, é possível existir um perito 
que produza um parecer técnico e não um laudo pericial, por 
demanda específica, mas esse papo não cabe aqui). O contrá-
rio sim, é verdadeiro - a assistentetécnica produz sempre um 
Parecer Psicológico por fazer uma análise documental (mesmo 
existindo brecha para coleta de dados, observações, entrevis-
tas, visitas domiciliares e institucionais, aplicação de testes psi-
cológicos, utilização de recursos lúdicos e outros instrumen-
tos, métodos e técnicas reconhecidas pelo Conselho Federal 
-de Psicologia - por parte do assistente técnico - art. 2° da Re-
solução CFP 008/2010). Como vimos ao longo desse capítulo, 
a elaboração de um Parecer Psicológico pode ter diferentes 
finalidades para posicionamento técnico de diversas questões. 
4. Posso construir um Parecer Psicológico sem escolher 
uma ancoragem teórica? 
Preste bem atenção à minha resposta: é possível você esco-
lher não ancorar a sua análise técnica em uma única aborda-
gem teórica, mas não há condição de produzir um documento 
técnico sem ancorá-lo teoricamente. Lembre-se que o emba-
sarnento teórico é um dos elementos que compõem o tripé 
para a sustentação do Parecer Psicológico e, sem ele não há 
um Parecer Técnico, é apenas uma opinião de senso comum. 
100 
PARECER PSICOLÓGICO 
5. Se considerar a possibilidade de oferecer o Parecer 
Psicológico como um tipo de serviço, como eu preci-
ficaria? 
Bom, para quem está começando a pensar sobre isso e que 
se fixar como expert para construir pareceres técnicos: a primei-
ra pergunta que te faria para responder essa questão é "qual o 
preço de sua hora de trabalho (há cálculo específico para isso, 
vale a pesquisa se não souber)?" Sabendo quanto custa a sua 
hora de trabalho, só calcular, em média, quanto tempo você le-
vará para construir seu Parecer Técnico e fazer a multiplicação! 
6. Posso dizer que um Parecer Psicológico se aproxima 
de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)? 
Essa é urna boa comparação, principalmente para quem 
usou a revisão bibliográfica como fonte para a construção de 
seu TCC. Gente, o Parecer Psicológico é isso: uma discussão 
sobre questões cotidianas, a partir de dúvidas ou perguntas 
sobre o campo psicológico, que possa ser aplicado à maioria 
das pessoas. Caso haja necessidade de trazer elementos par-
ticulares para cumprimento da finalidade do documento, pro-
vavelmente, o Parecer não seria a produção mais indicada para 
o caso. 
7. Na identificação do documento, quando, fala-se de 
"solicitante" e "pessoa ou instituição objeto do ques-
tionamento". Essa diferença não está clara. Poderia 
explicar melhor? 
Esse é mesmo um ponto que, as vezes, alguns colegas con-
fundem...Veja bem, o parecer não tem uma "pessoa atendida" 
mas pode ser sobre alguém, entende? Por exemplo: um juiz 
está atuando em um processo em que dona Maria é parte e 
101 
CAPÍTULO 5 
solicita um parecer. Você não atenderá Dona Maria mas ela é 
parte do processo que motiva a demanda do documento téc-
nico, percebe? É um caso que envolve dona Maria. Neste caso, 
ela entra na identificação, inclusive para qualificar seu docu-
mento, já que é no processo dela que nasce alguma dúvida 
que interfere na decisão e, por isso, há demanda para você res-
ponder. 
Bom, agora, mão na massa! 
REFERÊNCIAS 
1. Ferreira ABH. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Po-
sitivo; 2010. 
2. Silva DP e. Dicionário Jurídico Conciso. Rio de janeiro (RJ): Editora 
Forense; 2008. 
3. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.o 06/2019. Bra-
sília: CFP; 2019. 
4. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.o 008/2010. 
Brasília: CFP; 2010. 
102 
CAPÍTUL06 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
O que você irá ver nesse capítuld: 
1. 
o 
O 
Introdução 
Conceitos 
Planejamento 
Dúvidas comuns 
1. INTRODUÇÃO 
Nem de longe o objetivo desse capítulo é te "ensinar" a re-
alizar uma Avaliação Psicológica, uma área complexa vincu-
lada a diversas correntes epistemológicas: a aquisição dessa 
competência foi iniciada em sua formação acadêmica (muito 
provavelmente apoiada com o bom e velho livro da Jurema 
Cunha') e deve se estender ao longo de sua vida profissional. 
Nesse capítulo, o objetivo é revisar pontos fundamentais de 
um processo de Avaliação Psicológica objetivando a elabora-
ção de documentos técnicos, principalmente porque é só e a 
partir dele que você poderá emitir os dois documentos que 
vamos estudar nos próximos capítulos: Atestado e Laudo Psi-
cológicos. Então, vumbora! 
103 
CAPÍTULO 6 
Se pararmos para pensar, a Avaliação Psicológica está nos 
momentos iniciais da história da psicologia enquanto cam-
po de saber e ciência e as chamadas "testagens psicológicas" 
inauguram essa nossa atividade técnica. Inclusive, há registro 
antigo de testagens em escala com objetivo específico de se-
leção de pessoas para o império na China, há mais de 2200 
anos2. Desde então, buscamos construir e aperfeiçoar técnicas 
e instrumentos com diferentes finalidades para atender múlti-
plas demandas. Difícil pensar em práticas psicológicas, princi-
palmente na elaboração de documentos, sem intimidade com 
essa área disciplinar. 
Bom, inicio esse nosso papo sobre Avaliação Psicológica te 
trazendo a ancoragem legal desses processos como função da 
profissional da psicologia: vamos à Lei 4.119/62, que regula-
menta a profissão de psicólogo no Brasil, em seu artigo 10, § 1°: 
"Constitui função privativa do Psicólogo e utilização de méto-
dos e técnic.as psicológicas com os seguintes objetivos: 
a. - diagnóstico psicológico; 
b. orientação e seleção profissional; 
c. orientação psicopedagógica; 
d. solução de problemas de ajustamento3? 
Perceba que o nascedouro da psicologia brasileira já traz 
a Avaliação Psicológica como atividade privativa dos profis-
sionais de psicologia, inclusive com o objetivo diagnóstico (o 
que, ainda hoje, é motivo de angústia ou negativa de muitos 
colegas da "tribo psi" e de profissionais de saúde de maneira 
geral). Logo, para que a gente encerre dúvidas sobre a possibi-
lidade diagnóstica da psicologia: 
Siiiim, psicólogas e psicólogos têm respaldo 
legal para emitirem diagnóstico psicológico. 
104 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
Aqui vale a marca de que a nosologia (campo de saber mé-
dico que estuda e classifica doenças) é apenas uma das formas 
diagnósticas, mas não é a única. Sindrômico, Funcional, Topo-
gráfico e Ecológico são, por exemplo, outros tipos diagnósti-
cos — inclusive, na lei que falamos há pouco, a descrição é de 
"diagnóstico psicológico", sem critério classificatório. Fica à sua 
escolha (profissional que realiza a avaliação psicológica), por 
exemplo, indicar código classificatório da psicopatologia, caso 
haja, lembrando que existem classificações mais usuais, Classi-
ficação Internacional de Doenças — CID e o Manual Diagnósti-
co e Estatístico de Transtornos Mentais DSM (atenção à casos 
específicos onde esse uso é imprescindível: processos legais e 
justiça do trabalho), beleza.? 
2. CONCEITOS 
Para continuarmos nesse"esquente", vamos para o conceito 
apresentado pelo CFP, Resolução 009/2018 (inclusive, essa é a 
normativa de referência atual para Avaliação Psicológica), que 
estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica 
no exercício profissional da psicóloga e do psicólogo, dentre 
outas coisas: 
"Avaliação Psicológica é definida como um pro-
cesso estruturado de investigação de fenôme-
nos psicológicos, composto de métodos, técni-
cas e instrumentos, com o objetivo de prover 
informações à tomada de decisão, no âmbito 
individual, grupai ou institucional, com base em 
demandas, condições e finalidades específicas" 
(grifos meus). 
105 
CAPÍTULO 6 
A avaliação psicológica é um processo que permite a com-
pressão dos fenômenos psicológicos através de procedi-
mentos diagnósticos e prognósticos. Também se define 
como um conjunto de práticas investigativas com finalidade 
de responder alguma questão-problemas. Em outras palavras, 
se fôssemos adaptar esses conceitos para a nossa realidade de 
estudo aqui nesse livro de produção documental, é uma ques-
tão (demanda) dirigida ao profissional da psicologia sobre um 
fenômeno psicológico que, para responder,esse profissional 
precisará escolher e traçar um processo de metodologia in-
vestigativa - a metodologia é estruturada pelas escolhas de 
método, técnicas e procedimentos, objetivando responder a 
questão motivadora da prestação de serviço. Esquematizando: 
Análise ancorada 
Técnica 
Método 
Metodologia investigativa 
com Métodos, Técnicas e 
Instrumentos 
Fonte: Própria autora. 
Resposta à questão 
(indicativa ou 
conclusiva) 
Avaliação 
Psicológica 
Para realização de uma Avaliação Psicológica, há um 
caminho a se fazer que precisa, antes mesmo de iniciar a pres-
tação de serviço, estar muito claro para você: etapas, decisões 
a serem tomadas, desde o momento em que a Avaliação Psico-
106 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
lógica é demandada até o momento da elaboração do Laudo 
Psicológico, última etapa do processo de avaliação. 
Desenhar essa rota com clareza fará toda dife-
rença para cumprir a finalidade a que se desti-
na a prestação de serviço. 
Para diversificar ainda mais esse nosso passeio conceitual, 
trago outro que eu gosto muito e que vai nos ajudar a estru-
turar ainda melhor nosso trabalho aqui, assunto central dessa 
obra, a elaboração de documentos psicológicos: 
"A Avaliação Psicológica refere-se a um conjun-
to de procedimentos confiáveis que permitem 
ao psicólogo julgar vários aspectos do indivíduo 
através da observação de seu comportamento 
em situações padronizadas e pré-definidas"6 (gri-
fo meu). 
Fiz questão de trazer esse conceito de Pasquali e Tróccoli 
para chamar sua atenção para algo extremamente importante 
e muitas vezes negligenciado, não só nos documentos técni-
cos em psicologia, mas nas prestações de serviços psicológi-
cos de maneira geral: os procedimentos. Para que possamos 
planejar a metodologia trabalho que estamos prestes a desen-
volver, os procedimentos precisam ser escolhidos e siste-
matizados, tendo como norte a demanda e a finalidade do 
trabalho a ser desenvolvido. 
Pós demanda da prestação de serviço psicológico, a etapa 
inicial, antes mesmo de "ir pra campo", para um bom processo 
de avaliação psicológica é o planejamento: nessa etapa pre-
ciso fazer escolhas de método, técnicas e instrumentos que 
melhor atendem à demanda e finalidade do pedido, além de 
levar em consideração também o solicitante e/ou destinatá-
107 
CAPÍTULO 6 
rio, quem tem dúvida ou que um olhar técnico, sobre um pro-
cesso, condição ou fenômeno psicológicos. Super vale a pena 
uma revisão sobre esses conceitos, vamos lá: 
MÉTODO 
É o conjunto sistematizado de procedimentos escolhi-
dos pela profissional de psicologia, tendo como norte a 
finalidade e a demanda motivadoras da prestação de ser-
viços, utilizados na investigação, intervenção e compreen-
são de um fenômeno psicológico determinado a partir de 
uma ancoragem teórica específica. 
São diversos os métodos existentes para que nos aproxime-
mos, conheçamos e compreendamos sobre um fenômeno psi-
cológico. Cada um dos métodos tem um conjunto de técnicas 
pertinentes à coleta e interpretação de dados alinhados ao seu 
estilo de compreensão sobre o sujeito, grupos e/ou organiza-
ções. Te trarei alguns exemplos objetivando ilustrar à você o 
que estamos falando: 
-/ Introspecção 
• Observação controlada 
✓ Experimental 
V Clínico 
V Psicodinâmico 
✓ Comparativo 
✓ Etológico 
✓ Estatístico 
✓ Etc 
Veja a variedade de métodos! E a escolha por um deles pre-
cisa estar ancorada e clara para você, inclusive expressa em 
seu instrumento de comunicação por escrito, no item Pro-
cedimento (mas fique tranquila, quando estivermos falando 
de Laudo Psicológico, lá no capítulo 8, aprofundaremos nessa 
108 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
questão). Nosso objetivo em um livro de Como Fazer Documen-
tos Psicológicos não é estudarmos cada um dos métodos ou 
suas características, finalidade, para o planejamento de uma 
Avaliação Psicológica, mas sugiro fortemente sua atenção a 
isso já que é a partir dele que podemos iniciar a seleção das 
técnicas e Instrumentos de coleta e análise de dados. 
TÉCNICAS E INSTRUMENTOS 
E já que falamos de método, cabe agora conversarmos 
um pouco sobre técnicas e instrumentos psicológicos, que, 
como disse, devem estar em total sintonia com o método de 
trabalho escolhido pela profissional. Por isso, é muito impor-
tante que você tenha clareza de qual método escolherá para 
desenvolver uma atividade para, e só a partir de então, esco-
lher as técnicas e instrumentos compatíveis com a finalidade 
e a demanda da prestação de serviço. Por técnicas se entende 
que: 
São procedimentos selecionados, coerentes com •o mé-
todo de trabalho escolhido, que tem como objetivo um re-
sultado específico - finalidade da prestação de serviço. São 
os processos práticos usados em cada método alinhados 
pelo objetivo do trabalho. 
As técnicas precisam ser selecionadas de maneira conscien-
te, reflexiva, criativa e individualizada para cada prestação 
de serviço — Avaliação Psicológica, levando em consideração 
diferentes dimensões do fenômeno psicológico a ser estudado, 
condições de execução e/ou aplicação, tempo, recursos e etc. 
Assim como fizemos em relação aos métodos, trago aqui 
alguns exemplos de técnicas para ilustrar sobre o que estamos 
falando: 
v Observação: sistemática e assistemática); 
'7 Inquirição — questionários (inventários, escalas, levanta-
mento de opinião); 
109 
CAPÍTULO 6 
v Entrevistas - estruturada ou dirigida, semiestruturada, se-
midirigida ou mista e não dirigida ou aberta; 
v Testes - Psicométricos, Projetivos e Impressionistas. 
Aproveitemos esse tempo em que falamos de testes para 
lembrar os tipos: 
Testes 
Psicológicos 
Escalas 
Inventários 
Questionários 
Métodos Projetivos e/ou Expressivos 
Uffaa!! Passeio de um conteúdo longo, complexo e multi-
facetado em curtíssimo espaço, hum? Meu objetivo aqui foi 
meio que "drrumar" de forma sistemática os principais conte-
údos por, aprendi na- prática, que quando planejo minha ava-
liação, ancoro escolha, justifico procedimentos, fica muito mais 
fácil explicitar esse caminho percorrido através da prestação 
de serviços em um Laudo Psicológico (o Atestado Psicológico, 
que também é condicionado à Avaliação Psicológica só poderá 
ser emitido pós Laudo, última etapa da Avaliação). Então, ano-
ta aí minha sugestão: conheça a sua forma de planejar uma 
avaliação psicológica, crie os seus processos de maneira 
didática, precisa, ancorada na teoria psicológica. 
Primeiros passos para iniciar o desenho da metodologia da 
Avaliação Psicológica: 
1. Identificação do contexto do pedido da Avaliação Psico-
lógica; 
2. Clarificação da demanda e finalidade do pedido de Ava-
liação Psicológica ou do documento técnico condiciona-
do a esse processo; 
110 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
3. Determinação dos constructos, processos e/ou fenô-
menos psicológicos pertinentes à demanda; 
4. Alinhamento dos instrumentos, técnicas e métodos 
com o avaliando; 
5. Avaliação das condições técnicas, metodológicas e 
aplicabilidade do instrumento de avaliação. 
Vamos ver isso esses passos aproximando da prática? Me-
lhor caminho para arrumarmos sistematicamente isso é indo 
para o PLANEJAMENTO! 
3. PLANEJAMENTO 
Diante da demanda investigativa de algum fenômeno ou 
constructo psicológico é chegado o tempo de planejar o pro-
cesso de Avaliação Psicológica: a estratégia de investiga-
ção é uma escolha nossa - alinhada à demanda e a finalidade 
do que foi pedido. Vamos pensar, por exemplo, que estamos 
diante de um pedido de avaliação da capacidade de um sujei-
to assumir atividades laborativas com risco de morte. Alguns 
constructos psicológicos devem ser avaliados para que essa 
resposta técnica possa ocorrer e a metodologia de avaliação 
é a que você acredita ser a mais eficaz (de maneira fundamen-
tada) à responder demanda e finalidade do caso, levando em 
consideração o contexto em que o pedido foi realizado e as 
condições técnicas, metodológicas e operacionais dos ins-
trumentos de avaliação, percebe a tecelaria? Aproveitandoo 
exemplo, qual seria o documento mais adequado para respon-
der à demanda e finalidade do caso, hein? Anote sua resposta 
na linha abaixo que ao final desse capítulo te apresentarei a 
resposta com a justificativa. O documento é 
Sigamos! 
111 
CAPÍTULO 6 
Criei uma ferramenta para te apoiar nesse planejamento e 
se bem utilizada vai melhorar não só essa etapa inicial de esco-
lha de rota para construir o caminho de uma Avaliação Psicoló-
gica, mas também já antecipa alguns conteúdos importantes 
que devem constar do Laudo Psicológico — na elaboração, sua 
atenção estará mais voltada a estrutura textual que à técnica 
psicológica (olha que maravilha!). Mas, antes que eu te apre-
sente, vamos à alguns pontos importantes: 
OBJETIVOS 
Para que possamos identificar a necessidade de realizar (ou 
não!) uma avaliação psicológica, Cunha', apresenta para a gen-
te objetivos do processo de avaliação: 
a. Classificação simples; 
b. Descrição; 
c. Classificação nosológica; 
d. Diagnóstico diferencial; 
e. Avaliação compreensiva; 
f. Entendimento dinâmico; 
g. Prevenção; 
h. Prognóstico; 
i. Perícia forense. 
COLETA DE DADOS 
Outro ponto fundamental para revisarmos em relação à 
Avaliação Psicológica é sobre coleta de dados. É importan-
te falarmos sobre isso pois, para que tracemos a nossa meto-
dologia de trabalho, é necessário decidir métodos, técnicas e 
instrumentos de coleta de dados e as fontes para essa coleta 
para, posteriormente, analisá-los e chegar a uma resposta, a 
conclusão de nossa Avaliação. 
112 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
Sobre as fontes, há uma categorização entre elas. Vamos re-
lembrar (CFP 09/2018): 
"I - Fontes fundamentais: a) Testes psicológicos apro-
vados pelo CFP para uso profissional da psicóloga e do 
psicólogo e/ou; b) Entrevistas psicológicas, anamnese e/ 
ou; c) Protocolos ou registros de observação de compor-
tamentos obtidos individualmente ou por meio de pro-
cesso grupai e/ou técnicas de grupo. 
II - Fontes complementares: a) Técnicas e instrumentos 
não psicológicos que _possuam respaldo da literatura 
científica da área e que respeitem o Código de Ética e 
as garantias da legislação da profissão; b) Documentos 
técnicos, tais como protocolos ou relatórios de equipes 
multiprofissionais"8. 
Aqui cabe um destaque para o § 5.°, art. 5°, da nossa resolu-
ção de referência (CFP 06/2019): 
Na realização da Avaliação Psicológica, ao produzir do-
cumentos escritos, a(o) psicóloga(o) deve se basear no 
que dispõe o artigo 2.° da Resolução CFP n.° 09/2018, 
fundamentando sua decisão, obrigatoriamente, em mé-
todos, técnicas e instrumentos psicológicos reconhe-
cidos cientificamente para uso na prática profissional 
da(o) psicóloga(o) (fontes fundamentais de informação), 
podendo, a depender do contexto, recorrer a procedi-
mentos e recursos auxiliares (fontes complementares de 
informação). 
Quando estiver traçando sua metodologia de trabalho e es-
colhendo os testes que irá utilizar (se achar pertinente) para 
cumprir o objetivo da Avaliação Psicológica, alguns pontos 
precisam ser avaliados. Vamos à eles: 
113 
CAPÍTULO 6 
a. A fundamentação teórica em que o teste foi construído 
será a mesma que você ancorará a análise dos dados co-
letados? 
b. Os objetivos descritos no teste estão em harmonia aos de 
sua avaliação? São compatíveis para chegar à díade de-
manda-finalidade da solicitação? 
c. O público-alvo é compatível com o sujeito ou grupo que 
irá avaliar? 
d. O tempo disponível é compatível com o planejamento de 
coleta, análise de dados e elaboração documental? 
Bom, depois dessa revisão de conceitos já sabidos, vamos 
às etapas do processo de Avaliação Psicológica. Fiz questão de 
nomear de uma forma que fique mais fácil de você pensar essa 
jornada que, dentro do que estamos estudando, inicia com um 
pedido de documento técnico (Atestado ou Laudo psicológi-
co) e finaliza com a entrega: 
1. Clarificação 
a. Contexto 
b. Finalidade 
c. Demanda 
2. Construção de hipóteses para serem avaliadas; 
3. Estratégia de coleta de dados; 
a. Métodos; 
b. Técnicas; 
c. Instrumentos. 
4. Cruzamento e filtragem de dados e ancoragem teórica, 
respondendo à demanda original; 
5. Elaboração do Laudo Psicológico* e técnicas devolutivas. 
Agora é chegada a hora de te apresentar a ferramenta que 
citei no início dessa sessão de Planejamento. 
* É importante lembrar que o Laudo Psicológico, além de ser um documento técnico, 
é a última etapa do processo de Avaliação Psicológica - mesmo que não seja o docu-
mento pertinente à demanda. 
114 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
FERRAMENTA DE PLANEJAMENTO 1 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
Solicitante: 
Avaliando: 
Idade: 
Grau de Instrução: 
Data da Solicitação: 
Prazo: 
1. Sobre o pedido: 
Demanda Finalidade Destinatário 
Questão 
2. Objetivo(s) da Avaliação Psicológica: 
115 
CAPÍTULO 6 
Hipóteses: 
4. Método: 
a. Escolha: 
b. Justificativa: 
5. Coleta de Dados: 
a. Técnicas: 
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
b. Fontes Fundamentais: 
c. Justificativa: 
116 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
d. Fontes Complementares (se couber): 
Observações: 
Perceba como fica muito mais fácil ir para campo depois de 
todas essas informações e decisões estarem claras para você? 
Esse passo é o anterior à coleta, viu? Pensemos o Pós coleta: 
1. Análise dos dados coletados. Revise suas hipóteses - ava-
liar se, com os dados e a análise, elas foram ratificadas ou 
corrigidas; 
2. Resposta à questão central da avaliação; 
3. Recomendações e/ou orientações que couberem. 
Colega, se você criar o hábito de sempre estruturar seu 
pré e pós avaliação, mapeando e seguindo esse passo a pas-
so logo identificará o quão mais leve será elaborar qualquer 
documento (mesmo os que não são frutos de avaliação 
psicológica - seu olhar estará treinado à explicitar seu raciocí-
nio técnico), percebe? 
117 
CAPÍTULO 6 
Deixa eu te contar uma coisa: preparei um presente para 
você! O arquivo dessa ferramenta para que você possa impri-
mir e utilizá-la sempre que necessário. Olha que maravilha!! 
Outra coisa!!!! 
Lembra que te apresentei, no início desse capítulo, uma si-
tuação hipotética de avaliação da capacidade de um sujeito 
assumir atividades laborativas de risco de morte e te perguntei 
qual seria o documento técnico mais adequado para respon-
der essa questão? Bom, vamos à resposta e a justificativa: o do-
cumento que alcança a demanda e finalidade situacional é o 
Atestado Psicológico. E ai, você acertou? 
4. DÚVIDAS COMUNS 
1. Para realização de uma Avaliação Psicológica eu sou 
obrigada a utilizar testes psicológicos? 
Essa é uma pergunta muito comum, assim como a recor-
rência (equivocada) da Avaliação Psicológica com a Testagem 
Psicológica, mas calma, estamos aqui para eliminar de uma vez 
por todas essa dúvida. Pessoal, o processo de Avaliação Psicoló-
gica pode ou não ter, na etapa de coleta de dados, a aplicação 
de testes psicológicos. Como vimos ao longo desse capítulo, 
a profissional da psicológica tem autonomia para escolher as 
estratégias para conduzir a Avaliação, desde a etapa de plane-
jamento, coleta de dados, análise até a conclusão. Não é com-
118 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
pulsória o uso de testes - mas aqui vale uma dica: dependendo 
do que você for avaliar, se há um instrumento específico para 
o medir o que você estuda, o argumento de não usá-lo precisa 
estar claro para você. Exemplo: você está realizando uma Ava-
liação Psicológica sobre a aptidão de uma pessoa para uma de-
terminada atividade e uma das competências descritas para a 
função é atenção. Existem alguns instrumentos que mensuram 
esse processo psicológico - não usar nenhum deles pode fazer 
de seu documento um instrumento de comunicação questio-
nável, percebe? Ratifico sobre a sua autonomia técnica, mas os 
critérios de escolha estratégica para condução de um proces-
so de Avaliação Psicológica precisam ser para a otimização da 
prestação de serviços. 
2 Profissionais de psicologia podem emitir diagnóstico? 
Siiiiiiim!!!! Como falamos lá noinício desse capítulo, o res-
paldo produção diagnóstica por profissionais da psicologia é 
legal: Lei 4119/1962, corre lá! Lembre ainda que você pode ou 
não se pautar em classificações padronizadas para descrever o 
diagnóstico psicológico. Nada mais de se esquivar, hum? 
3. Posso usar um instrumento que está com parecer des-
favorável no SATEPSI? 
De forma nenhuma!! Para que eu possa aplicar um teste 
preciso sempre observar se ele está com parecer favorável no 
Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos - SATEPSI, indican-
do que o teste possui, pelo menos, um conjunto mínimo de 
estudos que atesta a sua qualidade (sugiro que faça sempre 
uma pesquisa pois o sistema é constantemente atualizado). 
Lembrando a aprovação do teste não te dá liberdade de uso 
indiscriminado - finalidade e demanda da avaliação são norte 
para escolha procedimental, beleza? 
119 
CAPÍTULO 6 
4. Em uma avaliação, posso ter como finalidade estudar 
mais de um fenômeno psicológico? 
É possível avaliar mais de um constructo principalmente 
se eles compõem a díade demanda-finalidade do pedido de 
avaliação. Mas cuidado, hum, quando temos finalidades dife-
rentes é difícil estrutura um processo único de avaliação. Cuide 
para prestar o melhor serviço que puder! 
5. Posso utilizar apenas testes psicológicos em um pro-
cesso de Avaliação Psicológica? 
Testes, isolados, não são válidos para produzir avaliação 
de condições e/ou fenômenos psicológicos. A conjugação de 
método e técnicas são fundamentais para alcançar a finalida-
de avaliativa. São múltiplas as técnicas psicológicas, faça uma 
combinação que mire na demanda-finalidade! 
6. A Avaliação Psicológica tem validade? 
Claro que sim!!! Esse é um ponto super importante e pouco 
discutido: Validade Documental. Em quanto tempo determi-
nado sujeito ou sistema deve ser avaliado novamente? Muitas 
coisas devem ser levadas em consideração: 
a) Normas Vigentes; b) Natureza dinâmica do trabalho; c) 
Objetivos da prestação de serviços e/ou documento; d) aspec-
tos subjetivos dinâmicos; e e) conclusões obtidas. Excetuan-
do-se os casos previstos em Lei, cade ao profissional indicar, 
sempre no ultimo paragrafo do documento, por quanto tempo 
vale aquela comunicação escrita. Importante lembrar que in-
dicação de validade documental é obrigatória nos relatórios, 
atestados e laudos psicológicos. 
7. Testagem Psicológica e Avaliação Psicológica é a mes-
ma coisa? 
Não! Os testes, ferramenta de coleta de dados, podem ser 
uma etapa dentro de um processo de Avaliação Psicológica. 
Inclusive, marquemos que uma Avaliação psicológica pode ser 
120 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
realizada nem o uso de testes psicológicos. Teste é ferramenta, 
avaliação é processo. 
8. Como posso saber se um teste é um bom instrumento 
para usar em minha Avaliação Psicológica? 
O primeiro passo é verificar se o instrumento que preten-
de usar está com parecer favorável no Sistema de Avaliação de 
Testes Psicológicos - SATEPSI. Existem alguns parâmetros de 
qualidade que são levados em consideração na avaliação da 
ferramenta: 
a. Validade: Verifica se teste mede o que pretende medir; 
b. Fidedignidade: Indica a confiabilidade e precisão do teste; 
c. Precisão: Considera resultados obtidos pelo mesmo indi-
víduo quando reaplicado mesmo teste; 
d. Padronização: Uniformidade de procedimentos utilizados 
na aplicação; 
e. Normatização: Uniformidade na interpretação dos resul-
tados a partir de parâmetros dos escores brutos. 
Segundo passo é identificar a ancoragem teórica em que o 
teste foi construído e avaliar se é compatível com a sua estra-
tégia ava I iativa. 
121 
CAPÍTULO 6 
REFERÊNCIAS 
1. Cunha, Jurema. Psicodiagnóstico V. Porto Alegre: Artmed, 2007. 
2. Hutz, C. S., Bandeira, D. R., &Trentini, C. M. (Eds.). (2015). Psicome-
tria. Porto Alegre: Artmed. 
3. Brasil. Presidência da República. (1962). Lei n°4119, de 27 de 
agosto de 1962. 
4. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 09/2018. Bra-
sília: CFP; 2019. 
5. Alchieri, João Carlos & Cruz, Roberto Moraes, Avaliação psicológi-
ca: conceito,_métodos e instrumentos. São Paulo: Casa do Psicó-
logo, (Coleção temas em avaliação psicológica) 2004. 
6. Pasquali, L &Tróccoli, B., LabPAM — UNB. 
7. Cunha, Jurema. Psicodiagnóstico V. Porto Alegre: Artmed, 2007. 
8. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 09/2018. Bra-
sília: CFP; 2019. 
122 
CAPÍTULO?'
ATESTADO PSICOLÓGICO 
O que você irá ver nesse capítulo: 
o 
o 
Atestado Psicológico 
Exercícios 
Estrutura 
Dúvidas comuns 
Respostas do exercícios 
Entraremos agora no campo do temido Atestado Psicoló-
gico, primeiro dos documentos descritos em nossa resolução 
de referência que é produto de Avaliação Psicológica. Como 
falamos lá no inicio do nosso livro, quero iniciar chamando sua 
atenção que aqui temos a adjetivação "psicológica" depois do 
nome do documento, já que a emissão é privativa do pro-
fissional da psicologia e exige, deste, métodos, técnicas e 
procedimentos específicos para a sua produção - precisare-
mos ter a fundamentação em um diagnóstico psicológico para 
a elaboração. 
Primeiramente, vamos à definição da palavra atestar: se-
gundo o dicionário, significa "afirmar ou provar oficialmente". 
Perceba que muito mais que só "anunciar" ou "dizer que", aqui 
estamos diante de algo de maior rigor técnico. A emissão de 
Atestado pela psicologia é um assunto delicado dentro da ca-
tegoria profissional e que, muitas vezes traz insegurança aos 
colegas, mas estamos aqui para acabar com isso! 
123 
CAPÍTULO 7 
Quero começar diluindo aquela ideia de que todo atesta-
do psicológico tem a finalidade de solicitar o afastamento do 
cliente de atividades laborais ou acadêmicas: não! A solicitação 
de afastamento é apenas um fim que o documento em ques-
tão pode ter, mas nem de longe, o único - posso emitir um 
atestado psicológico, por exemplo, de caráter justificativo, com 
objetivo específico, a partir de condição subjetiva e/ou estado 
emocional (que tenha nexo de causalidade com o que justifico 
no documento) de quem eu assisto em minha prestação de 
serviços, sem a necessidade de afastá-lo ou justificar ausência. 
Atestar, aqyi, terá sempre a função de afirmar condições efou 
estados psicológicos com objetivos específicos e eles estão 
descritos em nossa resolução2.Vamos lá no art. 10, §1°, reler as 
funções de um Parecer Psicológico: 
I. Justificar faltas e impedimentos. 
II. Justificar estar apto ou não para atividades especí-
ficas (manusear arma de fogo, dirigir veículo moto-
rizado no trânsito, assumir cargo público ou priva-
do, entre outros), após realização de um processo 
de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e 
ético que subscrevem a Resolução CFP n° 09/2018 
e a presente, ou outras que venham a alterá-las ou 
substituí-las. 
II!. Solicitar afastamento e/ou dispensa, subsidiada na 
afirmação atestada do fato. 
Um ponto que sempre gera dúvida é em relação ao "diag-
nóstico psicológico". Profissional de psicologia pode diag-
nosticar? Pode!!! E onde está isso? Está na lei, colega!!! A Lei 
4.119/19622, que dispõe sobre os cursos de formação em psi-
cologia e regulamenta a profissão de psicólogo, diz, no art. 
13, § 1°, onde tem descritos os objetivos para a utilização de 
métodos e técnicas privativas da psicologia: a) diagnóstico 
psicológico como um dos objetivos. Pronto, agora você está 
oficialmente, ou melhor, legalmente autorizado! rs 
124 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
Bom, brincadeiras à parte, é importante marcar que não es-
tamos falando aqui de uma norma emitida por conselhos de 
categoria profissional (que estão hierarquicamente abaixo de 
leis), estamos diante de uma lei! Logo, o profissional de psi-
cologia é competente para emitir diagnóstico psicológico. 
Continuemos: quando lemos, logo no inicio do art. 10, de nos-
sa resolução de referência, que o atestado psicológico deve 
ser fundamentado em diagnóstico psicológico, o caos se 
forma! Gente, diagnóstico psicológico não é análogo às psico-patolog ias descritas em classificações internacionais como CID 
ou DSM (são os de maior reconhecimento e relevância científi-
ca) e que são produzidos por um ramo da medicina que estu-
da e classifica as diferentes doenças (nosologia). Há um campo 
de intercessão entre esses diagnósticos, veja no esquema que 
montei com a "teoria dos conjuntos" 
Diagnóstico 
Médico 
Intersecção 
Fonte: Própria autora. 
Construir um diagnóstico psicológico é compreender 
a condição subjetiva e/ou estado psicológico do sujeito 
e avaliar possíveis prejuízos às funções do cotidiano em 
um processo de Avaliação Psicológica (que tem finalidade 
específica). A intersecção, como demonstra a figura acima, é 
um espaço possível de se ocupar, mas não o único, percebe? 
125 
CAPÍTULO 7 
Utilizar critérios nosológicos é uma alternativa para fundamen-
tar o diagnóstico psicológico após um processo de avaliação 
psicológica, mas não é a única e a escolha é sua! 
Outro ponto importante de levantarmos é a confusão que 
alguns profissionais e usuários dos serviços de psicologia fa-
zem por comparação ao atestado médico - nem de longe esta-
mos diante de uma produção análoga, mesmo que o resultado 
possa vir a ser o mesmo em alguns casos: a solicitação de afas-
tamento de atividades para tratamento de saúde. Como bem 
descrita em nossa Resolução 06/2019, art. 10, caput, o Atesta-
do Psicológico: 
"Consiste em um documento que certifica, com funda-
mento em um diagnóstico psicológico, uma determi-
nada situação, estado ou funcionamento psicológico, 
com a finalidade de afirmar as condições psicológicas 
de quem, por requerimento, o solicita"3. 
Para que o Atestado seja emitido, mesmo que o documen-
to em si seja simples (logo mais veremos a estrutura do do-
cumento), há um processo importante que fundamenta sua 
emissão: a avaliação psicoló_gica, que vimos mais profunda-
mente no capítulo passado (caso não tenha estudado ele,"vol-
te uma casa"). É importante seguir e documentar o processo 
de Avaliação Psicológica que embasa a emissão do Atestado 
Psicológico pois, como nos recomenda a resolução, art. 10, 5 
40, é possível que, em um intervalo de até 05 (cinco) anos, os 
Conselhos Regionais te solicitem apresentação da fundamen-
tação técnico-científica para a emissão do atestado emitido. 
Vale marcar que na Resolução CFP 01/2009, que dispõe sobre 
a obrigatoriedade do registro documentaF decorrente da pres-
tação de serviços psicológicos, somos orientados no art. 4°, § 
10, que cinco anos é o período mínimo e que casos previstos 
em lei, esse tempo pode, inclusive, ser ampliado. Então, vale a 
atenção sobre o tempo de guarda, viu? 
126 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
Bom, feitos esclarecimentos iniciais ao entendimento e a 
desmistificação do documento Atestado Psicológico, escolhi 
trazer algumas situações hipotéticas para potencializar seu en-
tendimento. Vamos lá! 
v Situação 1: Supondo que você acompanhe um cliente 
com autismo, por exemplo. O responsável pelo seu cliente 
solicita um documento para informar à escola a condição 
diagnóstica e dar inicio a um pedido de avaliações cur-
riculares personalizadas compatíveis com o desenvolvi-
mento da criança. Ele ie informa ainda que, em outra fase 
do processo, deverá levar um relatório multiprofissional. 
Perceba que, nessa fase do processo, o que ele quer é ape-
nas justificar à escola o pedido de acompanhamento persona-
lizado à criança a partir do diagnóstico, pelo fato de a criança 
não estar apta à inserção de atividades generalistas. Não posso 
fazer uma declaração, já que a finalidade, na situação hipotéti-
ca apresentada, é justificar o pedido com a condição diagnós-
tica da criança, mas também, nesse momento, não faz sentido 
a entrega de um laudo, já que ainda não é necessário expor 
métodos e técnicas que levaram à conclusão diagnóstica, 
entende? O Atestado Psicológico atende bem à solicitação do 
responsável de seu cliente* e serve para justificar, a partir de 
diagnóstico psicológico, à demanda. 
v Situação 2: Suponha que sua cliente está apresentando 
sinais e sintomas de transtorno de ansiedade e, no traba-
lho, está prestes a assumir um projeto novo, que deman-
dará dela muita atenção, cautela, além de envolver riscos. 
*Agora, atenção: caso tenha recebido a criança já com o diagnóstico e não feito a ava-
liação psicológica, você não deve emitir o atestado psicológico já que o documento 
é condicionado ao processo de avaliação. Lá no § 20, a gente é orientado, por motivos 
óbvios, a só atestar o que foi verificado no processo de avaliação e que esteja dentro 
do âmbito de nossa competência profissional. 
127 
CAPÍTULO 7 
Assumir esse trabalho, neste momento, poderá potencia-
lizar ainda mais o estado psicológico de sua cliente e você 
conclui que ela não está apta para a atividade. Ela pedirá 
ao seu superior imediato para não entrar nesse projeto 
novo. Para justificar o pedido, ela te pede um documento 
que ateste a condição dela. 
Veja bem, ela não quer ser afastada de todas as ativida-
des laborativas, apenas não quer assumir o novo projeto. A 
sua cliente fará o pedido diretamente à sua chefia e quer um 
documento que "prove" o que ela justificará como razão para 
não embarcar no projeto novo. Neste caso, não se faz necessá-
rio um documento completo, que demonstre procedimento, 
técnicas, instrumentos, e que analise tecnicamente a metodo-
logia utilizada e os referencie teoricamente, mas apenas que 
informe a condição subjetiva da cliente e a inaptidão para a 
atividade. Logo, um atestado psicológico atende à finalidade 
da sua cliente. 
v Situação 3: Você recebe um cliente de um colega, em tra-
tamento de depressão, para a continuidade do processo 
terapêutico; a psicóloga anterior mudou-se de cidade e 
encaminhou ele para você, passando todas as informações 
para continuidade do trabalho psicológico, incluindo o en-
caminhamento de um Laudo Psicológico. Seu cliente faltou 
ao trabalho e solicita a você um documento que justifique 
sua falta alegando os sintomas da depressão. 
Imagino que você esteja se perguntando o que fazer, mas 
repare, se não houve Avaliação Psicológica feita por você, não 
há o que você atestar. Essa condição é inegociável. Logo, o do-
cumento mais cabível para essa situação não é o atestado psi-
cológico! Você poderá emitir um outro documento, inclusive 
baseado no laudo anterior (fazendo a devida referência), mas 
128 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
atestar algo requererá conclusões a partir de análise de dados 
feita por você, já que assinará o documento, entende? 
Nas duas primeiras situações apresentadas, a finalidade era 
o de comunicar, com uma "prova", uma condição diagnóstica 
dos assistidos, mas não se fazia necessário apresentar informa-
ções técnicas e científicas dos fenômenos psicológicos, por-
tanto, o atestado psicológico atende bem nas duas situações 
(com a guarda de todo material que embase o Atestado Psi-
cológico). Mas veja bem: nosso documento aqui é produto de 
Avaliação Psicológica - não dá para fundamentar um diagnós-
tico psicológico sem o processo de avaliação - então, só posso 
emitir caso eu tenha realizado a Avaliação Psicológica. Na 
terceira, como não houve a Avaliação Psicológica, a emissão de 
um Atestado não é possível antes da sua avaliação. 
Um ponto importante à destacarmos: se quem te demanda 
um documento tem o objetivo de informar, de comunicar so-
bre a condição mental (diagnóstico) para alguém, com a finali-
dade (olha nossa palavra bússola aí, minha gente) de justificar 
faltas e impedimentos, atestar estar apto ou não para ativida-
des específicas ou ainda solicitar afastamento e/ou dispensa, 
subsidiada na afirmação atestada da condição mental, faremos 
isso através de um atestado psicológico, pós realização da ava-
liação psicológica, já que não podemos fazer nenhum registro 
de condição subjetiva do sujeito numa declaração, beleza? Fi-
cou claro para você? 
Como já falamos (mas não custa nadinha falar de novo! rs), 
o atestado psicológico só pode ser emitido apóso processo 
de avaliação psicológica e, obviamente, é nossa responsabi-
lidade "atestar somente o que foi verificado no processo de 
avaliação e que esteja dentro do âmbito de sua competência 
profissional" (CFP 06/2019, art. 10, 5 2°). Apesar de ser produto 
de avaliação psicológica, o atestado propriamente dito deve 
restringir-se à demanda (informação solicitada), contendo ex-
pressamente o fato constatado, delimitado pela finalidade da 
produção documental. 
129 
CAPÍTULO 7 
Outro ponto importante trazido pela nossa resolução é a 
lembrança de nossos deveres de registros diante de um pro-
cesso de avaliação psicológica (em verdade, de qualquer ser-
viço prestado em psicologia), normatizados na Resolução CFP 
n°01/2009 (ou aquelas que venham a alterá-la ou substituí-ia), 
que dispõe sobre a obrigatoriedade do registro documental 
decorrente da prestação de serviços psicológicos - falamos 
disso lá no capitulo de Avaliação Psicológica. É obrigatória a 
guarda dos registros provenientes da avaliação psicoló-
gica que resultaram na emissão do atestado psicológico 
pelo prazo mínimo de cinco anos, tempo em que o Conselho 
Federal de Psicologia poderá solicitar as fundamentações que 
embasaram a emissão do atestado. 
Como estamos diante de um documento técnico, inclusive 
com poderes de justificar ausências e atestar necessidade de 
afastamentos, precisamos ter bastante cuidado com a sua pro-
dução. As informações deverão estar registradas em texto cor-
rido, separadas apenas pela pontuação, sem parágrafos, 
eVitando, com isso, riscos de adulteração. Caso seja necessária 
a construção de mais de um parágrafo, preencha os espaços 
vazios com traços, garantindo que nenhuma informação seja 
adicionada em seu documento, assim: 
Tomando esses cuidados, a probabilidade de ter "proble-
mas" após a entrega do atestado psicológico produzido por 
você cai consideravelmente, já que não há espaços para adul-
terações. Ufaa! 
130 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
2. EXERCÍCIOS 
Bom, para não perdermos aquele hábito da repetição como 
estratégia de fixação, vem cá comigo 'relembrar, escrever e fixar 
pontos importantes sobre Atestado Psicológico. As respostas 
estão no final desse capítulo, mas só vai lá depois de respon-
der, por escrito, aqui, combinado? 
1. O que o Atestado Psicológico certifica (ou, atesta! rs)? 
Qual o caminho que o profissional deve percorrer para 
chegar a atestar algo sobre um usuário de seus serviços 
profissionais? 
2. Complete o esquema: 
A. Finalidade do Atestado Psicológico. 
I, II e III: Situações que justifiquem a finalidade. 
A 
li III 
131 
CAPÍTULO 7 
3 Qual o intervalo de tempo que os Conselhos Regionais 
de Psicologia podem solicitar a fundamentação técnico-
-cientifica que fundamentou a emissão de um Atestado 
Psicológico? 
4. No inicio do capítulo, construí algumas situações hipotéti-
cas, lembra? Na situação 3, já que não cabe o documento 
Atestado Psicológico, mas, sempre que solicitados, preci-
samos emitir documento proveniente da nossa prestação 
de serviços, qual documento emitiria? Justifique sua es-
colha. 
3. ESTRUTURA 
Bom, vamos agora à estrutura de um Atestado Psicológico. 
Lembrando que cada item deve estar detalhado em seu do-
cumento, para que não gerem dúvidas em relação às informa-
ções declaradas e/ou atestadas. Aqui, vou apresentar como 
está em nossa Resolução: 
1. Título: «Atestado Psicológico». 
II. Nome da pessoa ou instituição atendida: identificação 
do nome ou nome social completo e, quando necessá-
rio, outras informações sociodemográficas. 
132 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
III. Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o 
documento, especificando se a solicitação foi realizada 
pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públi-
cas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de 
trabalho prestado ou por outros interessados. 
IV. Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido. 
V. Descrição das condições psicológicas do beneficiário 
do serviço psicológico advindas do raciocínio psico-
lógico ou processo de avaliação psicológica realizado, 
respondendo a finalidade deste. Quando justificada-
mente necessário, fica facultado à(ao) psicóloga(o) o 
uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) ou 
outras Classificações de diagnóstico, científica e social-
mente reconhecidas, como fonte para enquadramen-
to de diagnóstico. 
VI. O documento deve ser encerrado com indicação do 
local, data de emissão, carimbo, em que conste nome 
completo ou nome social completo da(do) psicólo-
ga(o), acrescido de sua inscrição profissional, com to-
das as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a 
penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na 
última página. 
133 
CAPÍTULO 7 
3.1. MODELOS 
3.7.7. TIPO 01: 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
Por solicitação de , atesto, com a finalidade de 
(1) 
 ,que 
(2) (3) (4) 
cológico estando em condição de 
(5) 
(6) (7) 
é usuária do Serviço Psi-
(8) 
Itens: 
1. Nome do solicitante. 
2. Aqui deve constar qual o fim, o "para que" o atestado está 
-sendo emitido, inclusive, quando couber, constar a proi-
bição de o documento ser utilizado com a finalidade dife-
rente da informada no documento. 
3. Nome da pessoa ou instituição atendida. 
4. Informações sociodemográficas. 
5. Descrição das condições psicológicas do beneficiário do 
serviço psicológico advindas do raciocínio psicológico ou 
processo de avaliação psicológica realizado (com ou sem 
CID), tendo relação com o item (1) -finalidade, o"para que". 
6. Cidade. 
7. Data de emissão. 
8. Nome do profissional completo ou social com carimbo e 
inscrição profissional. 
* Mais uma vez, ratifico que esse modelo não é "a" verdade, apenas uma forma de pro-
dução com o objetivo te orientar na produção de um atestado psicológico, mas, que 
fique claro, não é a única forma de fazê-lo. Como já disse, é mais importante que você 
encontre a sua própria forma de produzir, dentro das especificações do CFP, combinado? 
134 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
3.1.2. TIPO 02: 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
Usuária: XXX 
Matricula: XXX 
Solicitante: XXX 
Finalidade: XXX 
Descrição das condições psicológicas (com ou sem CID): XXX 
(6) (7) 
(8) 
Itens: 
(6) Cidade. 
(7) Data de emissão. 
(8) Nome do profissional completo ou social com carimbo e 
inscrição profissional. 
3.2. CHECK LIST 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
V Nome completo ou nome social da pessoa ou institui-
ção atendida; 
v Outras informações (que nossa resolução chama de 
informações sociodemográficas) para identificação 
do usuário, quando necessário (isso tem relação dire-
ta com a finalidade documental): número de matricu-
la, RG e/ou CPF; 
135 
CAPÍTULO 7 
• Solicitante do atestado expresso; 
✓ Finalidade do Atestado Psicológico; 
v Descrição das condições psicológicas. 
Destaques facultativos*: 
✓ Avalie a possibilidade de informar que o documento 
não poderá ser utilizado com finalidade diferente da 
descrita na identificação; 
✓ Caráter sigiloso das informações; 
✓ Documento extrajudicial (já que um atestado, tecni-
camente, não será emitido para um processo judicial 
- não seria a finalidade da emissão). 
No Encerramento, você: 
✓ Fez em texto corrido, separadas apenas pela pontua-
ção, sem parágrafos? 
/ Caso tenha produzido mais de um parágrafo ou tenha 
ficado-espaço até a lateral da folha, preencheu os es-
paços vazios com tracinhos? 
-1 Numerou e rubricou" as laudas? 
/ Colocou a data e local de emissão? 
✓ Carimbou (constando seu CRP)? 
v Assinou a ultima página (com seu nome completo ou 
nome social)? 
* Aqui nessa sessão estão informações que você poderá escolher se quer ou não fazer 
constar no Atestado Psicológico produzido por você. 
**As rubricas são até a penúltima página, considerando que a ultima estará assinada 
por você. 
136 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
4. DÚVIDAS COMUNS 
1. Em que situações podemos emitir um Atestado Psico-
lógico? 
O Atestado Psicológico tem por objetivo comunicar uma con-
dição psicológica com objetivos específicos: a) justificarausên-
cias e impossibilidades (amplifique seu repertorio de impossi-
bilidades: não é só de presença, mas de assumir atividades ou 
cumprir prazos, por exemplo); b) justificar aptidões ou inapti-
dões para atividades específicas baseadas em diagnóstico psi-
cológico (precisa ter um nexo causal entre a condição psicoló-
gica do sujeito e sua aptidão ou não à determinada atividade); 
e c) solicitar afastamento ou dispensa (aqui também precisa 
existir nexo causal entre o diagnóstico psicológico e a solici-
tação). Se fugir disso, talvez o Atestado Psicológico não seja o 
documento mais adequado à situação. 
2. Em caso de afastamento, por quanto tempo devo soli-
citar no documento o abono das faltas? 
A resposta aqui, eu sei, vai trazer angústia. Pois, ao mesmo 
tempo em que entendo que não é possível mensurar o tempo 
necessário para o cuidado e assistência à pessoa em sofrimen-
to psíquico, não podemos perder de vista que, dependendo 
da finalidade do documento (principalmente para afastamen-
to completo de atividades laborativas), temos uma legislação 
trabalhista que prevê até 15 (quinze) dias de afastamento por 
motivo de tratamento de saúde pagos pela empregadora. 
Após esse tempo, o trabalhador será encaminhando para ava-
liação do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e passará 
por pericia para comprovação ou não da necessidade de auxi-
lio doença pela Previdência Social para tratamento de saúde. 
Aqui, vale marcar que a avaliação pericial pelo INSS pauta-se 
na verificação da incapacidade do periciado para as atividades 
laborativas. Em outras palavras, a pergunta que a pericia deve 
responder é: "esse sujeito está incapaz de realizar suas ativida-
137 
CAPÍTULO 7 
des no trabalho?". Quando entendemos pelo afastamento de 
um cliente, não é pela incapacidade, mas pela necessidade de 
cuidado à saúde mental - não necessariamente ele estará inca-
pacitado, percebe? São olhares diferentes e precisamos levar 
isso em consideração. 
3. Se a empresa não aceitar o Atestado Psicológico e des-
contar no salário do funcionário os dias não trabalha-
dos, o que devo fazer? 
Colega, veja bem, essa não é uma questão que compete ao pro-
fissional da psicologia. A função do Atestado Psicológico é jus-
tificar a ausência ou solicitar o afastamento a partir do Atestado 
Psicológico, embasado num processo de avaliação Psicológica. 
À empregadora cabe o abono (ou não!) dos dias não trabalha-
dos. É possível, inclusive que as empresas estipulem regras espe-
cíficas para abonos. O que cabe a nós, profissionais, é a emissão 
de um documento com fundamentação técnico-científica. É 
aquele ditado.: "cada um no seu quadrado". Rimou! rs 
4. Caso meu cliente peça um Atestado Psicológico para 
afastar-se do trabalho, mas eu não tenha encontrado 
o que justifique o afastamento, posso negar fornecer 
o documento? 
Veja bem: o seu cliente tem direito de pedir um documento 
proveniente da relação de prestação de serviços. Para quem 
não lembra, está em nosso Código de Ética, em Deveres Fun-
damentais, art. 1°, letra h:"... fornecer, sempre que solicitado, os 
documentos pertinentes ao bom termo do trabalho". Não po-
demos negar emitir um documento, mas o tipo de documento 
e o conteúdo são de nossa responsabilidade técnica. Entregar 
um documento não significa dizer o que o cliente pediu. 
138 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
5. Sou obrigada a colocar um CID no Atestado Psicoló-
gico? 
Antes de falarmos sobre a necessidade de conter um CID no 
documento, há um ponto anterior que causa bastante dis-
senso na categoria, que é a competência ou não da psicolo-
gia poder concluir sobre diagnóstico. E aqui, como já vimos 
no capítulo e para acabar com qualquer dúvida em relação 
a isso, trarei a parte da Lei 4.119/1962, que dispõe sobre os 
cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão 
de psicólogo, no art. 13, § 1°, onde têm descritos os objetivos 
para a utilização de métodos e técnicas privativas da psico-
logia: a) diagnóstico psicológico4. Não estamos falando de 
uma norma de categoria profissional, mas de uma lei, como 
qualquer outra! Logo, precisamos separar escolher não diag-
nosticar, que é uma possibilidade do profissional, seja por se 
sentir incompetente, por não abarcar sua abordagem teórica, 
por não querer... Enfim, são muitas as justificativas. Ok, é esco-
lha! Mas não nos confundamos: ao profissional da psicologia 
é dada a prerrogativa legal de emitir diagnóstico psicológico 
(você usa se quiser!). Pronto, esclarecida essa primeira parte, 
sigamos à questão sobre conter ou não um CID ou ainda um 
DSM no Atestado que eu emito - a escolha! Para quem quer 
prova, está lá no art. 10, § 6°, alínea V: "...fica facultado à(ao) 
psicóloga(o) o uso da Classificação Internacional de Doenças 
(CID) ou outras Classificações de diagnóstico, científica e so-
cialmente reconhecidas, como fonte para enquadramento de 
diagnóstico". Logo, usar códigos de classificação diagnósticas 
é escolha nossa. 
6. Já acompanho o cliente há um tempo em psicotera-
pia. Caso ele peça, posso emitir um Atestado Psicoló-
gico ou antes tenho que fazer a Avaliação Psicológica? 
Já recebi essa pergunta diversas vezes e a minha resposta é 
sempre a mesma: você avaliou o seu cliente? Gente, ter dados 
aleatórios é diferente de ter realizado um processo de avalia-
139 
CAPÍTULO 7 
ção psicológica que, como vimos no capitulo anterior, requer 
finalidade para a escolha de métodos e técnicas de coleta e 
análise de dados. Logo, se você tem fundamentação técnico-
-cientifica dos dados de seu cliente que justifique o afastamen-
to, não faz sentido fazer outra avaliação! Mas se não avaliou 
(ou fez uma avaliação com finalidade diferente da demanda 
de agora), precisará realizar a avaliação psicológica que funda-
mente o afastamento. 
5. RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS 
1 Um atestado Psicológico certifica uma determinada situ-
ação, estado ou funcionamento psicológico. Para emissão 
do documento, é necessário percorrer o caminho da ava-
liação psicológica para fundamentação em um diagnós-
tico psicológico as informações expressas no documento 
(art. 10, tEapute § 2°). 
2. A finalidade do Atestado Psicológico é a de afirmar as 
condições psicológicas de quem, por requerimento, o so-
licita (art. 10, caput). 
A) Documentar a comunicação do diagnóstico de condi-
ções mentais do cliente. 
I. Justificar faltas e impedimentos em atividades laborais 
e/ou acadêmicas para tratamento de saúde. 
II. Justificar estar apto ou não para exercício de atividades 
específicas. 
III. Solicitar afastamento e/ou dispensa, tendo nexo de 
causa e efeito com o diagnóstico ou estado psicológico. 
140 
ATESTADO PSICOLÓGICO 
3. Conforme o art. 10, § 4°, de nossa resolução, "os Conse-
lhos Regionais podem, no prazo de até cinco anos, solici-
tar à(ao) psicóloga(o) a apresentação da fundamentação 
técnico-científica do atestado". 
4. O único documento possível na situação exposta é o Re-
latório Psicológico — ele pode conter dados de estado psi-
cológico sem estar condicionado ao processo de Avalia-
ção Psicológica. 
141 
CAPÍTULO 7 
REFERÊNCIAS 
1. Ferreira ABH. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Po-
sitivo; 2010. 
2. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 06/2019. Bra-
sília: CFP; 2019. 
3. Brasil. Lei 4119 de 27 de agosto de 1962. Diário Oficial da União. 
Brasília: Poder Executivo; 05 de setembro de 1962. 
4. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 010/2005. 
Brasília: CFP; 2005. 
- 
142 
CAPÍTUL08 
LAUDO PSICOLÓGICO 
O que você irá ver nesse capítulo: 
o Procedimentos de Coleto de Dados 
A Avaliação Psicológica 
Meu Método de Elaboração 
Dúvidas comuns 
Ag0000ra sim, chegamos ao Laudo Psicológico!!! Além do 
Atestado Psicológico, documento estudado no capítulo passa-
do, aqui também estamos diante de um instrumento de co-
municação técnica que é produto de Avaliação Psicológica 
- aliás, para ser mais exata, última etapa desse processo! Para 
quem já era íntimo de documentos psicológicos,já produzia 
instrumentos técnicos de comunicação escrita na vigência do 
Manual de Elaboração de Documentos de 2003, pode "trazer 
pra cá" seus conhecimentos sobre produção de "Relatório e/ou 
Laudo Psicológico", vão ajudar muito!! Mas, veja bem, não é o 
relatório que estudamos aqui no Capítulo 4 deste livro e sim o 
de referência do nosso antigo manual, CFP 007/2003. Mas, se 
não é seu caso, sem problemas! Estamos aqui, de propósito, 
para aprender o como fazer. Vuumbora! 
• Parte de mim quer te dizer que este capítulo é uma conti-
nuação do 6, quando revisamos pontos fundamentais de um 
processo de Avaliação Psicológica. E tem uma explicação ób-
via, eu diria: se um Laudo Psicológico é a última etapa de um 
processo de Avaliação Psicológica logo, as etapas que antece-
dem a elaboração documental são fundamentais para a cons-
143 
CAPÍTULO 8 
trução da escrita. Mas, e porque só uma "parte" minha quer di-
zer isso, você pode se perguntar... E a resposta é o formato: se 
dividi esse nosso papo em capítulos, cada um deles precisa ter 
início, meio e fim, não é verdade? 
Muitas colegas, quando chegamos na parte de Laudo Psi-
cológico, estão ávidas por aprender algo extra-ordinário, o 
"pulo do gato" para construir esse documento e, desde logo, 
se for também seu caso, sinto te desapontar: a construção do-
cumental é simples e não exigirá habilidades diferenciadas em 
relação às que você já tem: 
O grande segredo de um bom Laudo Psicológi-
co está no planejamento prévio do processo de 
Avaliação Psicológica e sua boa execução. 
Lembra daquelas nossas perguntas "guia" para qualquer 
produção documental? Pois bem, a gente vai precisar produzir 
um Laudo Psicológico quando quem demanda o documento 
para a gente precisa tomar uma decisão, fazer uma escolha 
a partir de nosso posicionamento técnico, ou seja: 
A finalidade do laudo psicológico é ancorar uma 
decisão relacionada à demanda (uma de nossas 
perguntas guia), apresentando informações téc-
nicas e científicas do fenômeno psicológico consi-
derando os condicionantes históricos e sociais da 
pessoa, grupo ou instituição atendida'. 
Eu nem preciso lembrar que o Laudo Psicológico é um do-
cumento técnico-científico, acredito que isso já esteja "gri-
tante" quando a gente sabe que ele é produto da Avaliação 
Psicológica (mas, melhor pecar pelo excesso, não é mesmo? Na 
repetição, garanto a retenção da informação). O Laudo Psicoló-
gico deve ser construído com uma: 
144 
LAUDO PSICOLÓGICO 
Narrativa detalhada e didática, com precisão e 
harmonia, tornando-se acessível e compreensível 
ao destinatário, em conformidade com os precei-
tos do Código de Ética Profissional do Psicólogo, 
exatamente da mesma forma que vimos em rela-
ção à produção dos relatórios psicológicos2. 
Aqui, já antecipo que a qualidade narrativa não é dos dados 
colhidos no processo de Avaliação Psicológica a partir de mé-
todos e técnicas: espera-se que a construção do documento 
seja a narrativa do processo em si de Avaliação Psicológica; 
informações "não tratadas" a partir de uma ancoragem teórica 
não tem valor nenhum, ao não se quando apresentadas justi-
ficadamente, beleza? 
Bom, para que eu possa produzir a comunicação sobre a 
Avaliação Psidológica realizada em um documento - o Laudo 
Psicológico, algumas definições e decisões iá foram tomadas 
anteriormente, que nortearam o processo de investigação so-
bre condição, processo e/ou fenômeno psicológico. Vamos à 
eles: 
1. Questão: pergunta norteadora que será investigada no 
processo de Avaliação Psicológica (o que se quer saber); 
2. Finalidade: qual o objetivo de se investigar a questão 
(para que se quer saber)? 
3. Destinatário: quem receberá a resposta técnica da ques-
tão para tomar uma decisão (para quem é a resposta)? 
4. Objetivos: o que se pretende com o processo de avalia-
ção psicológica? Aqui cabe ainda dividir por objetivo ge-
ral e específicos; 
5. Hipóteses: quais hipóteses, levando em consideração 
demanda, finalidade e destinatário, você levantou e que 
o processo de avaliação psicológica, retificou ou ratificou 
(essa parte é na análise documental) 
145 
CAPÍTULO 8 
6. Escolha Procedimental: métodos e técnicas escolhidas 
justificadas pela díade demanda-finalidade e ancoradas 
no seu "filtro" teórico para análise dos dados coletados. A 
clareza do raciocínio técnico que fundamentou essa es-
colha é fundamental, já que ela precisa aparecer em seu 
documento. 
Veja bem, para que falemos da etapa de produção docu-
mental propriamente dita, esses pontos supracitados precisam 
estar claros e definidos, além de dados coletados. O Laudo Psi-
cológico concretizará o tratamento dos dados coletados a par-
tir da escolha procedimental, justificada pela questão central 
que motivou a solicitação de avaliação ou documento técnico. 
Vou compartilhar aqui o que Preto (2016) fala a esse respeito: 
"Desta forma, as escolhas das técnicas devem 
apresentar compatibilidade com a direção episte-
mológica adotada pelo profissional, visando ob-
viamente domínio dessas, mas também coerência 
entre técnica e interpretação de dados3". 
146 
LAUDO PSICOLÓGICO 
Façamos um esquema para ampliar sua percepção e enten-
dimento sobre o Laudo Psicológico: 
Demanda 
Definição 
Metodológica 
koleta de dados] 
Interpretação e 
análise de dados 
Conclusões e 
recomendações. 
Øir 
Construção 
documental 
• Considerar finalidade e destinatário; 
• Formular questão a ser respondida 
• Levantamento de Hipóteses; 
• Escolha procedimental: método e 
técnicas reconhecidos pela científica 
psicológica. 
Fundamentado em teoria e técnica 
compatível com procedimento 
• Resposta à pergunta; 
• Informações técnico científicas do 
fenômeno psicológico. 
ENTREVISTA DEVOLUTIVA 
(entrega do documento) 
A definição da metodologia do trabalho, alinhada à deman-
da e finalidade da Avaliação, é fundamental para o alcance do 
objetivo da prestação de serviços. Então, quero chamar a sua 
atenção para clareza na exposição procedimental. Vamos lá! 
147 
CAPÍTULO 8 
1. PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS 
a. Quantos encontros? Qual o tempo de cada encontro? 
b. Quais as técnicas, verbais e não verbais, utilizadas (en-
trevistas, observações, intervenções)? 
c. Utilizou Instrumentos (testes psicométricos, projetivos ou 
impressionistas, questionários, escalas e etc.)? 
d. Qual foi critério de escolha do(s) instrumento(s)? 
e. Qual o referencial teórico do(s) instrumento(s) escolhi-
do(s)? 
f. Existiu escuta de terceiros? 
g. Houve visita em espaços externos? 
h. Documentos emitidos por terceiros compuseram como 
base de dados? 
É importante que tenhamos clareza que quanto mais 
complexo é o fenômeno que iremos investigar, mais* recursos 
procedimentais devem ser escolhidos de maneira a acompa-
nhar a necessidade de coleta de dados. 
2. A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
Vamos dar um passinho para trás aqui: lembra que lá no 
Capítulo 6, quando revisamos pontos fundamentais sobre 
Avaliação Psicológica, te apresentei (e presenteei!) com uma 
ferramenta de planejamento para a elaboração do processo de 
Avaliação Psicológica (se não sabe do que eu estou falando, 
volta lá)? Pois bem, se você analisar, o seu planejamento estru-
tura o seu raciocínio psicológico, um dos pilares fundamen-
tais que sustentam um bom Laudo Psicológico. Vou te dizer 
com muita tranquilidade - você começa a elaborar o laudo no 
momento do planejamento do processo de Avaliação! Então, 
* É importante dizer que o"mais"aqui não faz referência a quantidade, mas a pertinên-
cia proporcional à demanda-finalidade documental. 
148 
LAUDO PSICOLÓGICO 
planeje de propósito e, no momento da escrita, vai ser muito, 
muito mais fácil. 
Para a produção do laudo psicológico temos um acréscimo 
de normalização norteadora, eu diria, já que além da constru-
ção dever ter como base os registros documentais" elaborados 
por nós, em conformidade com a Resolução CFP n° 01/2009 
(ou outras que venham a alterá-la ou substituí-la), a interpre-
tação e análise dosdados obtidos por meio de métodos, téc-
nicas e procedimentos reconhecidos cientificamente para uso 
na prática profissional, devem estar ancorados conforme Reso-
lução CFP n°09/2018 (ou outras que venham também alterá-la 
ou substituí-la). Para que não tenha trabalho, deixarei aqui em, 
ao final do nosso módulo, essas duas resoluções, combinado? 
Nosso documento deverá apresentar os procedimentos e 
as conclusões resultantes do raciocínio técnico-científico na 
avaliação psicológica, fundamentados teórico e tecnicamente, 
considerando a demanda da avaliação (a demanda vai nortear 
o que forneceremos de informação, nosso limite ético). Outro 
ponto importante são as recomendações (para o demandante 
ou o avaliando) do que você e eu entendemos importantes, 
caso existam. 
As informações necessárias e relacionadas à demanda são 
(grifei de propósito, se ligue! Seu documento não tem que ter 
todas essas informações, apenas de tiver relação com a de-
manda e couber, certo?): 
1. Encaminhamento; 
2. Intervenções; 
3. Diagnóstico; 
4. Prognóstico; 
5. HipóteSe diagnóstica; 
6. Evolução do caso; 
7. Orientação e/ou sugestão de projeto terapêutico. 
* Isso para qualquer documento e a gente já viu isso, não só para a produção de lau-
dos psicológicos. 
149 
CAPÍTULO 8 
Particularmente penso que não deveríamos, a cada docu-
mento precisar marcar sobre o sigilo, já que o entendo como 
Princípio Fundamental na elaboração de qualquer documen-
to. Seja produzindo documento sozinho ou compondo equipe 
multiprofissional, a gente precisa sempre ter clareza de quais 
são as informações realmente importantes para demanda e fi-
nalidade documental. Não é a toa que digo que o porquê e o 
para que são nossas perguntas"guia"(se quiser incluir aio para 
quem, fique a vontade, só ajuda!). 
Já que falei de equipe multiprofissional, caso você faça par-
te de uma, e havendo solicitação de um documento decorren-
te da avaliação, o laudo psicológico ou informações decorren-
tes da avaliação psicológica poderão compor um documento 
único. Nesse caso, cabe você registrar as informações necessá-
rias ao cumprimento dos objetivos da atuação multiprofissio-
nal, resguardando o caráter do documento como registro e a 
forma de avaliação em equipe. 
Bom, ditas todas essas coisas, vamos à estrutura de nosso 
dOcumento. As informações devem ser apresentadas de for-
ma detalhada e, no caso do laudo psicológico, nossa resolução 
orienta que seja em forma de itens, se ligue! O Laudo Psicoló-
gico então é composto de 6 (seis) itens: 
1. Identificação; 
a. Título:"Laudo Psicológico"; 
b. Nome da pessoa ou instituição atendida: identifica-
ção do nome completo ou nome social completo e, 
quando necessário, outras informações sócio-demo-
gráficas; 
c. Nome do solicitante: identificação de quem solicitou 
o documento, especificando se a solicitação foi rea-
lizada pelo Poder Judiciário, por empresas, institui-
ções públicas ou privadas, pelo próprio usuário do 
processo de trabalho prestado ou por outros interes-
sados; 
150 
LAUDO PSICOLÓGICO 
d. Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido; 
e. Nome da(o) autora(or): identificação do nome com-
pleto ou nome social completo da(do) psicóloga(o) 
responsável pela construção do documento, com a 
respectiva inscrição no Conselho Regional de Psico-
logia. 
2. Descrição da demanda - descrição das informações 
sobre o que motivou a busca pelo processo de trabalho 
prestado, indicando quem forneceu as informações e as 
demandas que levaram à solicitação do documento; 
a. A descrição da demanda constitui requisito indis-
pensável e deverá apresentar o raciocínio técnico-
-científico que justificará procedimentos utilizados. 
3. Procedimento - Apresentação do raciocínio técnico-
-científico que justifica o processo de trabalho realizado 
pela(o) psicóloga(o) e os recursos técnico-científicos utili-
zados no processo de avaliação psicológica, especifican-
do o referencial teórico metodológico que fundamentou 
suas análises, interpretações e conclusões. Citar: 
a. As pessoas ouvidas no processo; 
b. As informações objetivas, 
c. O número de encontros e 
d. O tempo de duração do processo realizado. 
4. Análise - exposição descritiva, metódica, objetiva e coe-
rente com os dados colhidos e situações relacionadas à 
demanda em sua complexidade considerando a natureza 
dinâmica, não definitiva e não cristalizada do seu objeto 
de estudo. 
* Os procedimentos adotados devem ser pertinentes à complexidade do que está 
sendo demandado e a(o) psicóloga(o) deve atender à Resolução CFP n°09/2018, ou 
outras que venham a alterá-la ou substituka. 
151 
CAPÍTULO 8 
a. Respeito à fundamentação teórica que sustenta o 
instrumental técnico utilizado, bem como os princí-
pios éticos e as questões relativas ao sigilo das infor-
mações. Somente deve ser relatado o que for neces-
sário para responder a demanda, tal qual disposto 
no Código de Ética Profissional do Psicólogo. 
b. As afirmações devem ter sustentação em fatos ou te-
orias, devendo ter linguagem objetiva e precisa, es-
pecialmente quando se referir a dados de natureza 
subjetiva. 
5. Conclusão - Descrição de conclusões a partir do que foi 
relatado na análise, considerando a natureza dinâmica e 
não cristalizada do seu objeto de estudo; 
a. Indicação dos encaminhamentos e intervenções, 
diagnóstico, prognóstico e hipótese diagnóstica, 
evolução do caso, orientação ou sugestão de projeto 
terapêutico (em harmonia com a demanda). 
Ia. Indicação do local de realização; 
c. Data de emissão; 
d. Carimbo, em que conste nome completo ou nome 
social completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua 
inscrição profissional; 
e. Todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira 
até a penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicólo-
ga(o) na última página. 
f. (Opcional) É facultado à(ao) psicóloga(o) destacar, 
ao final do laudo, que este não poderá ser utilizado 
para fins diferentes do apontado no item de identi-
ficação, que possui caráter sigiloso, que se trata de 
documento extrajudicial e que não se responsabiliza 
pelo uso dado ao laudo por parte da pessoa, grupo 
ou instituição, após a sua entrega em entrevista de-
volutiva. 
152 
LAUDO PSICOLÓGICO 
6. Referências - Na elaboração de laudos, é obrigatória a 
informação das fontes científicas ou referências bibliográ-
ficas utilizadas, em nota de rodapé, preferencialmente. 
3. MEU MÉTODO DE ELABORAÇÃO 
Bom, depois de passearmos pelos pontos fundamentais na 
elaboração de um Laudo Psicológico, vou compartilhar com 
você a minha forma de produzir que, como costumo dizer, é 
contraintuitiva: a melhor forma que encontrei, até aqui, foi 
construir o documento do fim para o início, na sequência in-
dicada pela nossa resolução: isso faz com que eu crie margens 
para os dados que deverei tratar em minha comunicação es-
crita, fazendo do meu trabalho mais objetivo e com limites do 
sigilo delineados. 
A gente não pode perder de vista que em um processo de 
Avaliação psicológica teremos muito mais informações sobre o 
sujeito e/ou grupos do que o demandado pelo documento ou 
posicionamento técnico. Saber o que e até onde dizer é fun-
damental para uma prática ética com a manutenção do sigilo 
profissional: 
"O conteúdo psicológico do laudo está associado 
aos resultados colhidos no decorrer do processo: 
resultados (dos testes, entrevista, observação e 
demais estratégias), histórico (histórico pessoal, 
familiar, do sofrimento mental etc.), análise, inter-
pretação, correlações etc., além de que, faz parte 
do conteúdo psicológico do laudo a teoria psico-
lógica que sustenta a avaliação4" 
153 
CAPÍTULO 8 
Perceba que a referência para a produção documental é 
sempre ao nosso trabalho técnico - um documento é apenas 
a comunicação de esse fazer e é isso que estamos aprendendo 
aqui: a aprimorar nossa comunicação. Bom, partimos para pla-
nejar a Avaliação a partir de uma demanda para um fim: que 
questão é essa que devo responder? (resgate a Ferramenta 
de Planejamento docapítulo 6). Depois de findadas as etapas 
de Coleta e Análise de dados (da Avaliação psicológica), você 
vai responder à questão (o que corresponde a um rascunho 
da conclusão de seu Laudo Psicológico). Posteriormente, você 
deve apresentar argumentos que sustentam a sua resposta, 
o seu posicionamento técnico (o que não tem relação com 
a resposta, não deve aparecer, combinado?). Após isso, apre-
sente a forma que colheu esses dados, essas informações que 
sustentam seus argumentos; os critérios que elegeu para es-
colher os procedimentos; o nexo de causalidade deles com a 
demanda (construção do raciocínio psicológico), percebe? Va-
mos à um es- quema explicativo para "arrumar" melhor o que 
acabei de dizer: 
1° Passo 
Item 
Documental 
Clareza da questão a ser respondida Demanda 
2° Passo 
Resposta da pergunta + 
1. Encaminhamento; 
2. Intervenções; 
3. Diagnóstico; 
4. Prognóstico; 
5. Hipótese diagnóstica; 
6. Evolução do caso; 
7. Orientação e/ou sugestão de projeto 
terapêutico. 
Conclusão 
3° Passo 
Quais argumentos sustentam sua 
resposta? 
Análise 
154 
LAUDO PSICOLÓGICO 
4° Passo 
Como você teve acesso a esses dados? 
Demonstração de nexo causal entre a 
forma de coleta de dados e a demanda 
(pergunta) 
Item 
Documental 
Procedimento 
5° Passo Identificação Identificação 
6° Passo Referências Referências 
4. DÚVIDAS COMUNS 
1 Eu já fiz uma Avaliação Psicológica antes da solicita-
ção do documento. Posso usá-la para produção do 
Laudo Psicológico solicitado? 
Veja bem,.a Avaliação Psicológica realizada anteriormente 
era com a mesma demanda e para a mesma finalidade do pe-
dido atual? Se sim, há ou- tro ponto importante para pensarmos: 
validade. Qual o intervalo de tempo você entende que deve 
haver uma reavaliação? Se demanda-finalidade é a mesma e 
está em um tempo que você entende válido, não há por que 
fazer outra avaliação. Mas se não for o caso, um novo processo 
de Avaliação Psicológica deverá ser realizado e executado. 
2. Sou obrigada a utilizar testes psicológicos para pro-
duzir um Laudo Psicológico? 
Gente, primeira coisa que precisamos ter em mente: um 
Laudo Psicológico é um instrumento de comunicação do tra-
balho profissional e não uma técnica psicológica. Não vamos 
usar nenhuma técnica ou instrumento para produzir um lau-
do e sim, para executar a Avaliação Psicológica, previamente 
planejada, se houver nexo causal com a demanda-finalidade 
que originou a avaliação. Testes Psicológicos são um tipo de 
155 
CAPÍTULO 8 
instrumento de coleta de dados, mas não são os únicos. Para 
que você realize uma Avaliação Psicológica você pode ou não 
fazer uso de testes psicológicos para coletar informações de 
pessoas, grupos e/ou organizações. 
3. Tenho sempre que apresentar diagnóstico no Laudo 
Psicológico? 
O que norteará a nossa comunicação é sempre o que foi 
perguntado para nós, profissionais de psicologia. Para a de-
manda-finalidade originaria da Avaliação Psicológica é (ou foi) 
preciso produção diagnóstica? Se sim, você deverá apresentar 
em seu documento, caso contrário, não. Outra dúvida bastante 
comum quando se fala em diagnóstico é se ele deve ser apre-
sentado em formato classificatório (CID ou DSM). Essa é uma 
opção. O diagnóstico (ou a hipótese diagnóstica) dever estar 
ancorado técnico-cientificamente, mas a nosologia não é a 
única forma de fazer'. Escolha seu caminho! 
4. Devo fazer constar que escutei outras pessoas no pro-
cesso de Avaliação Psicológica? 
Todos os procedimentos utilizados para coletar dados em 
um processo de Avaliação Psicológica devem ser relatados no 
documento técnico e devem ter um nexo de causalidade com 
a demanda-finalidade documental. Se como recurso de coleta 
de dados, você ouviu outras pessoas, fez visitações, colheu do-
cumentos diversos, tudo deve constar em seu documento, na 
parte de apresentação dos Procedimentos. 
* Lembre-se que quando diante de processos judiciais e/ou Justiça do Trabalho, é im-
prescindível apresentação de CID. 
156 
LAUDO PSICOLÓGICO 
5. Devo colocar o resultado de todos os testes aplicados 
no Laudo Psicológico? 
A escolha dos procedimentos de coleta de dados, feita na 
etapa de planejamento do processo de Avaliação Psicológica, 
deve ter relação direta com a demanda-finalidade documen-
tal, logo, todos os instrumentos utilizados devem se justificar 
como meio para fechar ao fim de posicionar-se tecnicamente. 
Não faz sentido a utilização de algum instrumento que não 
agregue diretamente informações sobre o fenômeno ou pro-
cesso psicológico investigado. 
6. Posso apresentar o documento em texto corrido? 
Não. Especificamente no caso do Laudo Psicológico, a orien-
tação é para que a apresentação documental ocorra por itens, 
se-pa-ra-da-men-te. Vale lembrar de cada um deles: 
1. Identificação; 
II. Descrição da Demanda; 
111. Procedimentos; 
IV. Análise; 
V. Conclusão; 
VI. Referências. 
7. Preciso, na conclusão do meu Laudo Psicológico, fa-
zer todas as indicações solicitadas na Resolução CFP 
06/2019? 
A conclusão precisa ser a resposta, o posicionamento téc-
nico a uma questão, ancorada por dados colhidos por proce-
dimento selecionado para esse fim. Normalmente essa respos-
ta apoiará uma decisão que tem relação direta com o que foi 
questionado à você. Quando, ao final do documento, além de 
respondermos o que nos foi questionamento, complementa-
mos a informação, dando movimento àquele tempo de avalia-
ção com a gente, fazemos em respeito ao sujeito avaliado. As 
possibilidades: 
157 
CAPÍTULO 8 
a. Encaminhamento; 
b. Intervenções; 
c. Diagnóstico; 
d. Prognóstico; 
e. Hipótese diagnostica; 
f. Evolução do caso; 
g. Orientação e/ou sugestão de projeto terapêutico. 
REFERÊNCIAS 
1. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 06/2019. Bra-
sília: CFP, 2019. 
2. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 06/2019. Bra-
sília: CFP, 2019. 
3. Preto, Ca'ssia. Laudo Psicológico. Curitiba: Juruá, 2016. 
4. Lourenço, Arlindo; Ortiz, Marta; Shine, Sidney. Produção de do-
cumentos em Psicologia: prática e reflexões teórico-criticas. São 
Paulo: Vetor Editora, 2018. 
158 
CAPÍTUL09 
EXTRAPOLANDO 
O que você irá ver nesse capítulo: 
o 
G 
Registros Documentais 
Objetivos da Prestação de Serviços 
Psicoterapias 
Ahhhh, que maravilha!! Se você chegou aqui, suponho que 
tenha aceitado os meus "Vuuuumbora" ao longo desse livro, 
passeado e aprofundado pelos diferentes tipos de documen-
tos escritos, como instrumentos de comunicação de nosso fa-
zer profissional. E fico muito feliz e honrada de ter te feito par 
nessa Jornada. Mas assim oh, esse caminho que fizemos são 
apenas dois dos três pilares básicos de uma boa escrita: Técni-
ca e Método; mas tem um terceiro pilar que por mais "sabidos" 
que sejamos, sem, nossa comunicação escrita não se susten-
ta: a Prática! E assim, por mais que tenha entendido tudo que 
compartilhei com você ao longo desse material, é a prática que 
vai te fazer"afiar o machado". Então: escreva, escreva e escreva, 
combinado? 
159 
CAPÍTULO 9 
Método 
K r\ 
Técnica 
Comunicação Escrita 
Segura e Funcional 
Fonte: Autoria própria. 
Prática 
Bom, feito esse combinado, escolhi, nesse capitulo (quase!) 
final, fazer algumas considerações que, para mim, são super 
importantes e. valiosas: são pontos que extrapolam (entendeu 
o título de nosso capítulo?) os "documentos técnicos" escritos 
por profissionais de psicologia descritos na Resolução CFP 
06/2019 mas que devem ser também documentados por 
nós em nossas práticas profissionais, independente de área 
de atuação ou vinculação institucional. Escolhi três pontos 
para conversarmos: 
1. Registros Documentais; 
2. Objetivos da Prestação de Serviços; 
3. Psicoterapias. 
Alguns desses pontos que trataremos aqui são de produção 
obrigatória em nossa prática, outro são deveres, mas não ne-
cessariamente precisam estar documentados. Há também os 
que são de estilo profissional, você faz ou não, você escolhe! 
Mas calma, conversaremos, já que cabeum mundo em extra-
160 
EXTRAPOLANDO 
polações e, em algum momento, a gente precisa encerrar esse 
nosso papo aqui neste livro, não é verdade? Então, vuumbora! 
1. REGISTROS DOCUMENTAIS 
Esse é ponto super importante e muitas vezes negligen-
ciado - Registros Documentais e Prontuários Psicológicos de-
correntes de nossas prestações de serviços. Aqui ainda entram 
dúvidas e confusões sobre transcrição de sessões e anotações 
pessoais da profissional de psicologia para hipóteses diagnós:
ticas e estruturação do raciocínio psicológico, por exemplo. 
Esse nosso dever de registrar e produzir esses documentos 
está expresso na Resolução CFP 01/2009, que dispões sobre a 
obrigatoriedade de registro em documentos da prestação 
de serviço prestado por profissionais de psicologia e tem 
por objetivo: 
"Contemplar de forma sucinta o trabalho presta-
do, a descrição e a evolução da atividade e os pro-
cedimentos técnico-científicos adotados". 
Veja bem, não é uma escolha profissional, mas um dever! E 
digo mais: se você aprende a "fazer direito" seus registros pro-
venientes_c ja_prestação de organizado 
e atualizado, fica muito, muito mais fácil de elaborar qualquer 
documento escrito para a comunicação de prestação de servi-
ço estudado ao longo desse livro, quando solicitado. 
Seu Prontuário e/ou Registro Documental da prestação de 
serviço devem, no mínimo, conter: 
I. identificação do usuário/instituição; 
II. avaliação de demanda e definição de objetivos do traba-
lho; 
161 
CAPÍTULO 9 
III. registro da evolução do trabalho, de modo a permitir o 
conhecimento do mesmo e seu acompanhamento, bem 
como os procedimentos técnico-científicos adotados; 
IV. registro de Encaminhamento ou Encerramento; 
V. documentos resultantes da aplicação de instrumentos de 
avaliação psicológica deverão ser arquivados em pasta de 
acesso exclusivo do psicólogo; 
VI. cópias de outros documentos produzidos pelo psicólogo 
para o usuário/instituição do serviço de psicologia pres-
tado, deverão ser arquivadas, além do registro da data de 
emissão, finalidade e destinatário2. 
Desenvolver seu próprio estilo de construção de registro 
documental, definindo forma, método e conteúdo podem ser 
boa base para produção de diferentes documentos discutidos 
aqui, lembrando que há . Então, vamos prosear um pouco so-
bre esse tema formato pergunta e resposta. 
a. Não entendi: temos a Resolução CFP 06/2019 falando 
dos documentos técnicos escritos, que são cinco (con-
siderando Relatório Psicológico e Multiprofissional 
um só) e temos outra resolução também falando de 
documentos obrigatórios? 
Veja bem: os documentos que estudamos ao longo desse 
livro (Declaração, Atestado, Relatórios, Laudo e Parecer Psi-
cológicos) são instrumentos de comunicação de nosso fazer 
- são destinados à outras pessoas interessadas por demanda 
e finalidade especificas e produzidos a partir de solicitação. O 
Registro Documental e Prontuário Psicológico são anotações 
provenientes de nossa prestação de serviço - uma evolução da 
atividade. A finalidade é o registro histórico da atividade psi-
cológica. 
162 
EXT RAPO LAN DO 
✓ Declaração; 
v Atestado Psicológico; 
✓ Relatórios; 
Y Laudo PsióDlógico; 
✓ Parecer Psicológico. 
✓ Registro Documental; 
✓ Prontuário Psicológico. 
✓ Anotações Pessoais; 
• Transcrição de Atendimento; 
✓ Objetivos da Prestação de 
Serviços (art.10 do Código de 
Ética Profissional, "f" - Infor-
mar é dever; fazer por escrito, 
escolha); 
Produzidos a partir 
de solicitação com 
demanda e finalidade 
especificas 
Obrigatória produção a 
partir da Prestação de 
Serviços Psicológicos 
Decisão da profissional 
b. Sou obrigada a fazer Registro Documental sempre? 
Sempre que você prestar serviços psicológicos, indepen-
dente da área de atuação ou vinculação institucional, é seu de-
ver produzir os registros de sua prestação de serviço! Vamos lá 
para o art. 1° da Resolução CFP 01/2009: 
Art. 1°. Tornar obrigatório o registro documental 
sobre a prestação de serviços psicológicos que 
não puder ser mantido prioritariamente sob a 
forma de prontuário psicológico, por razões que 
envolvam a restrição do compartilhamento de 
informações com o usuário e/ou beneficiário do 
serviço prestado'. 
Aqui está expressa nossa obrigatoriedade de documentar 
nossa prestação de serviços, independente de área de atua-
ção profissional (aqui não estamos falando dos documentos 
163 
CAPÍTULO 9 
previstos pela Resolução CFP 06/2019, que são produzidos a 
partir de solicitação e que estudamos aqui ao longo desse li-
vro). Veja, inclusive aqui nesse artigo que apresentei já há uma 
marca sobre a diferença de Registro Documental e Prontuário 
Psicológico e a margem dessa diferenciação é a possibilidade 
de compartilhamento de informações. O que muitos colegas 
não sabem ou esquecem é que, como profissionais de saúde, 
precisamos observar regulamentações para além de nossa ca-
tegoria profissional (apesar de que elas normalmente são leva-
das em consideração na edição de normativas profissionais) e 
aqui quero já te indicar fortemente estudar uma re_gulamenta-
ção do Ministério da Saúde - Portaria 1.820 de 13 de agosto de 
2009, que dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da 
saúde. Sim, também somos profissionais de saúde e precisa-
mos garantir aos usuários de nossos serviços os direitos previs-
tos na legislação. Como é uma regulamentação que abrange 
obrigação para todos os profissionais de saúde, existem pedi-
dos de registrto não compatíveis com a natureza da prestação 
de serviço psicológico e, claro, cabe a nós fazer essa "peneira". 
O que é mais importante: conhecer e garantir os direitos das 
pessoas atendidas por você. Então, caso ainda não aconteça: 
vamos garantir o registro documental sempre, combinado? 
c. Registro Documental e Prontuário Psicológico é a 
mesma coisa ou preciso fazer os dois? 
Não, estamos falando de documentos diferentes! E a dife-
rença básica está no direito de acesso de cada um dos produ-
tos da prestação de serviços. Enquanto os Registros Documen-
tais são sigilosos e estão disponíveis apenas para o Sistema 
Conselhos (Federal e Regionais) - para orientação e fiscaliza-
ção, o Prontuário Psicológico é direito do usuário do serviço e/ 
ou responsáveis. E aqui cabe te fazer uma pergunta: tudo que 
você registra a partir da prestação de serviço - hipóteses diag-
nósticas, processos psicológicos, raciocínio psicológico, técni-
164 
EXTRAPOLANDO 
cas, intervenções, escolha e justificativa procedimental, cabem 
compartilhamento com seu cliente em caso de solicitação ou 
mesmo com outros membros da equipe, caso existam? Marco 
dessa forma para que perceba que sim, esses dois documen-
tos, Registro e Prontuário, precisaram ser produzidos, organi-
zado e atualizado, independente de solicitação, sendo que o 
Prontuário pode ser acessado pelo usuário do Serviço Psico-
lógico e o Registro Documental não. Agora, se você entender 
que tudo que consta em seu Registro Documental poderá ser 
compartilhado com o seu cliente ou responsável (e para quem 
ele escolha compartilhar) e equipe multidisciplinar (caso faça , 
parte), que não há nenhum "ruído" com o sigilo profissional 
(que é sua responsabilidade), neste caso você pode fazer um 
apenas. 
d. Caso seja solicitada, devo entregar minhas anotações 
pessoais sobre a prestação de serviço? 
Para considerar responder sim ou não a essa pergunta, 
estaríamos diante de um terceiro tipo de registro decorrente 
da prestação de serviços psicológicos: "anotações pessoais". 
Alguns colegas ainda falam de "transcrição das sessões ou de 
atendimentos", o que poderia ser entendido como um quarto 
documento. Colega, veja bem: nenhum desses dois documen-
tos, anotações pessoais e/ou transcrições de atendimento, são 
previstos em legislação profissional. Significa que você não 
pode fazer? Não! Significa que ninguém poderá cobrá-la por 
eles, entende? Nossa obrigação profissional é produzir, organi-
zar e atualizar sempre os Registros da Prestação deServiços 
e o Prontuário Psicológico, beleza? 
165 
CAPÍTULO 9 
e. O que devo fazer constar no Prontuário Psicológico? 
Para responder essa, só recorrermos à nossa Resolução CFP 
01/2009, lá está descrito direitinho sobre o que é necessário 
constar em um Prontuário Psicológico - similar ao Registro Do-
cumental. A descrição sobre Prontuário está no artigo 5°, mas 
inicia referenciando o artigo 2°. Vamos a ele: 
Art. 2'. Os documentos agrupados nos registros 
do trabalho realizado devem contemplar: 
I - identificação do usuário/instituição; 
II - avaliação de demanda e definição de objetivos 
do trabalho; 
III - registro da evolução do trabalho, de modo a 
permitir o conhecimento do mesmo e seu acom-
panhamento, bem como os procedimentos técni-
co-científicos adotados; 
IV - registro de Encaminhamento ou Encerramento; 
V - documentos resultantes da aplicação de ins-
trumentos de avaliação psicológica deverão ser 
arquivados em pasta de acesso exclusivo do psi-
cólogo. 
VI - cópias de outros documentos produzidos pelo 
psicólogo para o usuário/instituição do serviço de 
psicologia prestado, deverão ser arquivadas, além 
do registro da data de emissão, finalidade e desti-
natário'. 
Ainda no artigo 5°, há considerações sobre Prontuário na 
prestação de serviços para grupos. Setor seu caso, recomendo 
que faça a leitura diretamente na Resolução. Lembre que o Pron-
tuário, de direito do usuário e/ou responsável de serviços de 
saúde (para além da Psicologia), é compartilhado pela equipe 
multidisciplinar - deve ser um registro objetivo e sucinto, con-
tendo informações essenciais para qualificação do trabalho. 
166 
EXTRAPOLANDO 
2. OBJETIVOS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 
Esse é um ponto que quero te convidar a pensar: os objeti-
vos da sua prestação de serviços. E sei que essa conversa gera 
preocupações, então vamos conversar! Bom, primeiro ponto 
em relação a isso é lembrar que comunicar nosso"alvo"a partir 
do desenvolvimento de nossas atividades é nosso dever. Re-
-lembremos aqui nosso Código de Ética Profissional, quando 
descritas as responsabilidades da profissional de Psicologia, 
art.1°, sobre nossos deveres: 
f) Fornecer, a quem de direito, na prestação de 
serviços psicológicos, informações concernentes 
ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo pro-
fissional2; 
Aqui é que vem a minha pergunta: como você faz isso?Veja 
bem, é nosso dever fornecer, independente de solicitação - ter-
mos de trabalho e objetivos (além, é claro, de fazer constar no 
Prontuário Psicológico). Não há obrigatoriedade de que essa 
cessão seja feita por escrito, mas eu defendo que sim - você 
documenta o que planeja enquanto "destino" da prestação de 
serviço, alinhando expectativa, percebe? Vou te fazer duas per-
guntas e torço que, para cada pessoa, grupo ou organização 
que te procure ou que você proponha um trabalho, você res-
ponda nas negociações da prestação de serviços: 
1) O que você entrega (ou pretende entregar) 
pelo preço que você cobra? 
2) E de que maneira será essa entrega? 
Deixa isso bem claro, bem amarradinho é nosso dever! E 
minha sugestão para você é que entregue essas informações 
por escrito. Primeiro, por que você garante que a pessoa tenha 
em mãos o que você escreveu não aquilo que ela entende (e 
167 
CAPÍTULO 9 
que pode chegar alterado ou distorcido pela circunstancia e 
contexto da procura); segundo, pela possibilidade de quem te 
procura ter clareza do que pode (e do que não pode!) esperar 
ao longo da prestação de serviços e; terceiro, para que você te-
nham possibilidade de re-avaliar periodicamente os objetivos 
e conquistas do processo de trabalho. E se quiser ainda, um 
argumento "plus": com uma proposta de trabalho por escrito, 
a pessoa que planeja contratar uma profissional de psicologia, 
terá mais que localização e preço para fazer a escolha do pro-
fissional na hora de decidir. Penso ser uma ótima apresentação 
- inclusive um diferencial. Vai dar trabalho? Certamente! Mas 
se fosse fácil, todo mundo faria... Bom, vamos bater um papo, 
perguntas que já chegaram à mim sobre esse ponto 2: 
a. Como eu vou prever o que meu cliente vai alcançar? 
Veja bem: não é sobre onde ele vai chegar, mas para onde 
você, prestadora de serviço, irá orientar o trabalho! E é bem 
importante falarmos sobre isso pois, quando estou trilando 
um caminho, não significa necessariamente que chegarei ao 
destino ou, em chegando, que vai ser o que eu esperava ou 
precisava, entende? Logo, faz parte de um bom trabalho a re-
-avaliação dos objetivos do trabalho desenvolvidos, inclusive 
para que, se entenderem necessário, alteração de rota no per-
curso do desenvolvimento do trabalho, beleza? 
Bom, ditas essas coisas, o que você pretende com sua pres-
tação de serviços? Penso que parte de nossa dificuldade em 
responder essa pergunta é que pensamos mais nas aborda-
gens e/ou escolas psicológicas que nas demandas cotidianas 
dos beneficiários de nosso trabalho - o estabelecimento do 
valor de nossa prestação de serviços é vinculado aos benefí-
cios que pessoas, grupos e/ou organizações podem alcançar a 
partir de nosso trabalho. 
168 
EXT RAPO LAN DO 
Valor 
Preço 
O que você entrega ou pretende entregar 
na Prestação de Serviço 
O quanto você cobra para fazer a entrega 
de Valor 
b. Eu sempre soube que fazer previsão de resultado da 
atividade psicológica é antiético. Estou confusa com 
essa sua indicação! 
Muitos colegas se angustiam na hora de traçar objetivos da 
prestação de serviços por acreditarem que a prática é antiética. 
E isso acontece, acredito, par falta de leitura. O que está escri-
to em nosso Código de Ética Profissional e que faz gerar esse 
"ruído": 
Art. 20.— O psicólogo, ao promover publicamente 
seus serviços, por quaisquer meios, individual ou 
coletiva mente: 
e) Não fará previsão taxativa de resultados2; 
Destaco duas expressões importantes aqui: 
1. "Promover publicamente": perceba que o "caput" o art. 
20 fala sobre divulgação da prestação de serviço. Ou seja, 
nem de longe é sobre a execução do trabalho, mas a pro-
moção publica. 
2. "Taxativa": Há uma diferença entre eu traçar um destino 
no GPS, antes de começar a viagem, e garantir "taxativa-
mente" que chegaremos lá: no caminho podem aconte-
cer novos olhares, mudança de rota. Mas, nada do que 
ocorra nega que começamos a caminhar a partir de uma 
escolha, entende? Faço essa metáfora para te mostrar 
que mesmo quando delineamos um objetivo com a nos-
sa prestação de serviço, nada impede que revisemos. Por 
169 
CAPÍTULO 9 
isso o "taxativa" cabe bem (apesar de que nem é sobre 
isso que o adjetivo se refere). 
Para colocar mais ainda temperinho nessa conversa, rati-
ficando a necessidade de fornecimento de informações para 
quem contrata seus serviços: Resolução CFP 01/2000, que es-
pecifica e qualifica a Psicoterapia como prática de profissionais 
de Psicologia, art.2°: 
Art. 2°- Para efeito da realização da psicoterapia, o 
psicólogo deverá observar os seguintes princípios 
e procedimentos que qualificam a sua prática: 
III - esclarecer à pessoa atendida o método e as 
técnicas utilizadas, mantendo-a informada sobre 
as condições do atendimento, assim como seus 
limites e suas possibilidades3; 
Mais uma.normativa, além do próprio Código de Ética Pro-
fissional, que marca a necessidade de fornecimento de infor-
mações sobre a prestação de serviços, incluindo os objetivos 
do trabalho. Minha defesa é para que faça isso documentando, 
isso certamente te diferenciará, fazendo com que preço ou lo-
calização não sejam, muitas vezes, únicos critérios de escolha, 
vai por mim! 
3. PSICOTERAPIAS 
Vamos falar de Psicoterapias, já que essa é a prática mais 
comum na prestação de serviços psicológicos! Fiz questão de 
colocar no plural (você percebeu?) justamente por que, dentro 
das ciências psicológicas há uma diversidade nas possibilida-
des, manejos e condutas. Mas, independente de ancoragem, 
Processos psicoterapêuticos devem ser estruturados numa 
perspectiva tridimensional:170 
E XT RA PO LAN DO 
Compreensão 
Análise Intervenção 
"Que se realiza através da 
aplicação sistematizada e con-
trolada de métodos e técnicas 
psicológicas reconhecidos pela 
ciência, pela prática e pela ética 
profissional, promovendo a 
saúde mental e propiciando con-
dições para o enfrentamento de 
conflitos e/ou transtornos psíqui-
cos de indivíduos ou grupos". 
Mesmo não sendo uma extrapolação direta de documentos 
técnicos, não poderia não trazer esse ponto aqui: a Resolução 
CFP 01/2000, que especifica e qualifica a Psicoterapia como 
prática de profissionais de Psicologia, art. 20: 
Para efeito da realização da psicoterapia, o psi-
cólogo deverá observar os seguintes princípios e 
procedimentos que qualificam a sua prática: 
II - pautar-se em avaliação diagnóstica fundamen-
tada, devendo, ainda, manter registro referente ao 
atendimento realizado: indicando o meio utiliza-
do para diagnóstico, ou motivo inicial, atualiza-
ção, registro de interrupção e alta3; 
Mas qual o motivo de escolher trazer esse ponto aqui: para 
iniciar um processo psicoterápico, precisamos realizar psico-
diagnóstico e, claro, fazer constar o processo em nossos Regis-
tros Profissionais. E aí, me conte: está correndo tudo bem por 
ai com isso? 
171 
CAPÍTULO 9 
Nessa resolução inclusive, há referências à documentos, ve-
jamos ainda o artigo 2°: 
III - esclarecer à pessoa atendida o método e as 
técnicas utilizadas, mantendo-a informada sobre 
as condições do atendimento, assim como seus 
limites e suas possibilidades; 
IV - fornecer, sempre que solicitado pela pessoa 
atendida ou seu responsável, informações sobre o 
desenvolvimento da psicoterapia, conforme o Có-
digo de Ética Profissional do Psicólogo3; _ 
Algumas considerações: o item III refere-se ao que tratamos 
no ponto 2 deste capítulo. Fiz questão de trazer aqui para re-
forçar o que falamos lá; o IV: é nosso dever informar, sempre 
que solicitado. Agora, a pergunta: como você faz isso? Nesta 
reta final, acredito que não há dúvida: esclarecendo a finalida-
de da solicitação, a melhor forma é via Relatório Psicológico. E 
aqui, uma marca: a fonte de dados desse documento técnico 
são os Registros Documentais, que vimos no ponto 1 deste ca-
pítulo. Percebe que se fizermos nosso trabalho direitinho, tudo 
se encaixa? 
Agora é mão na massa!! 
172 
EXTRAPOLANDO 
REFERÊNCIAS 
1. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 01/2009. Bra-
sília: CFP, 2009. 
2. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 010/2005. 
Brasília: CFP, 2005. 
3. Conselho Federal De Psicologia. Resolução CFP N.° 001/2000. 
Brasília: CFP, 2000. 
173 
CAPÍTUL01 O 
CONSULTA RÁPIDA 
"Digo: o real não está 
na saída nem na chegada: 
ele se dispõe para agente é no 
meio da travessia" 
Guimarães Rosa 
Percebeu que está difícil acabar, não é? Até porque meu 
objetivo com esses escritos, nem de longe, foi encerrar, mas 
abrir conversa, aprofundar, multiplicar possibilidades. Foi um 
processo difícil, eu diria, que até virou tema em minha psico-
terapia - a cada coisa escrita aqui, sempre abre espaço para 
dúvida se há algo por dizer... E sempre há - no conteúdo, na 
forma. E tudo bem. Quando falamos da prática profissional em 
psicologia, ainda mais sobre comunicação escrita de nossas 
atividades, acredito profundamente e por experiência: 
É um e-terno formar-se, crescer, voltar duas 
casas, corrigir, seguir. 
Bom, mas essas letras aqui tem que ter fim, pelo menos por 
hora. E escolhi terminar da melhor forma que acredito: fazendo 
com que você retorne sempre. 
175 
CAPÍTULO 10 
Fiz uns esquemas - algumas pessoas chamariam de Flu-
xograma, outras de Mapas Mentais, baseados na nossa Reso-
lução de referência CFP 06/2019. Chame como preferir! Faça 
deles fonte de consulta e retorne sempre que precisar ou de-
sejar lembretes rápidos, como gatilhos para comunicar-se por 
escrito. Deixa te antecipar os esquemas que você encontrará 
por aqui: 
1. Documentos Técnicos; 
2. Demanda Documental; 
3. Finalidade Documental; 
4. Fonte de Dados; 
5. Declaração; 
6. Atestado Psicológico; 
7. Relatórios - Psicológico e Multiprofissional; 
8. Laudo Psicológico; 
9. Parecer Psicológico; 
10. Considèrações Importantes; 
11. Registro Documental da Prestação de Serviços Psicológicos; 
12. Prontuários Psicológicos. 
No mais, te desejo força, coragem, disciplina e sonho. De 
propósito. Foi um prazer fazer esse caminho com você! 
176 
CONSULTA RÁPIDA 
1. DOCUMENTOS TÉCNICOS 
Instrumentos de Comunicação Escrita a 
partir da Prestação de Serviços Psicológicos 
(pessoa, grupos e/ou organizações) 
DOCUMENTOS 
TÉCNICOS 
Produzidos 
mediante 
solicitação 
Sistematização da conduta 
profissional a partir da 
prestação de serviço 
Princípios Fundamentais de Elaboração: 
A. Princípios de Linguagem Técnica; 
B. Princípios Técnico Científicos; 
C. Princípios Éticos. 
Quem pode solicitar: 
1. Usuário do serviço de Psicologia; 
2. Seus responsáveis legais; 
3. Um profissional específico; 
4. Equipes multidisciplinares; 
5. Autoridades; 
6. Resultado de um processo de 
avaliação psicológica. 
177 
CAPÍTULO 10 
2. DEMANDA DOCUMENTAL 
Há necessidade de fazer constar informações técnicas da pessoa, grupo 
ou organização atendida? 1 
Sim 
As informações necessárias 
para embasar a construção do 
documento já constam em seus 
registros documentais? 
 ' 
Não, precisarei 
realizar Avaliação 
Psicológica 
ri 
Sim 
Relatório 
Psicológico 
Levando em consideração 
a finalidade e demanda 
documental, faz-se necessário 
expor o raciocínio psicológico? 
Sim 
Laudo 
Psicológico 
Não 
Atestado 
Psicológico 
Não 
As informações necessárias 
versam sobre a rotina da 
prestação de serviços? 
Sim 
Declaração 
Apresentação de análise técnica 
sem informações de um sujeito, 
grupo ou organizações? 
Sim 
Parecer 
Psicológico 
Não 
Volte para o 
início, algo 
você deixou 
passar! 
178 
CONSULTA RÁPIDA 
3. FINALIDADE DOCUMENTAL 
1. Registro de informações sobre a rotina 
da prestação de serviço (em andamento ou 
finalizado); 
2. Informar sobre condições psicológicas; 
3. Justificar faltas e impedimentos; 
4. Justificar estar apto ou não para atividades 
específicas; 
5. Solicitar afastamento e/ou dispensa, 
subsidiada na afirmação atestada do fato; 
6. Posicionamento técnico sobre a prestação 
de serviços psicológicos (em andamento ou 
finalizado); 
a. Informar; 
b. orientar; 
c. recomendar; 
d. Encaminhar; 
e. Intervir. 
7. Apoiar decisões relacionadas ao contexto 
em que surgiu a demanda a partir de 
posicionamento técnico indicativo ou 
conclusivo; 
8. Apresentação de uma análise técnica; 
9. Análise de um documentos psicológico. 
Declaração 
Atestado 
Psicológico 
Relatórios 
(Psicológico ou 
Multiprofissional) 
Laudo 
Psicológico 
Parecer 
Psicológico 
179 
CAPÍTULO 10 
4. FONTES DE DADOS PARA ELABORAÇÃO DE 
DOCUMENTO TÉCNICO PSICOLÓGICO 
Declaração 
Atestado Psicológico 
Relatórios Psicológico e 
Multiprofissional 
Laudo Psicológico 
Parecer Psicológico 
"Agenda" 
Laudo Psicológico 
Registros Documentais 
(CFP 01/2009) 
Registros Documentais 
da Avaliação Psicológica 
(CFP 09/2018) 
Revisão Bibliográfica 
180 
CONSULTA RÁPIDA 
5. DECLARAÇÃO 
L. 
Declaração 
Informação sobre a rotina da 
prestação de serviço (finalizado 
ou em andamento) 
a. Comparecimento da pessoa 
atendida e seu acompanhante; 
b. Acompanhamento psicológico 
realizado ou em realização; 
c. Informações sobre tempo 
de acompanhamento, dias e 
horários. 
Proibido conter qualquer informa-
ção técnica (sintomas, situações 
ou estados psicológicos) 
Estrutura: 
1. Título: "declaração". 
II. Em texto corrido ou por item: 
a) Nome da pessoa atendida: 
identificação do nome comple-
to ou nome social completo; 
b) Finalidade: descrição da ra-
zão ou motivo do documento; 
c) Informações sobre local, 
dias, horários e duração do 
acompanhamento psicológico. 
III. Encerramento: indicação 
do local, data de emissão, 
carimbocom nome completo 
ou nome social completo da(o) 
psicóloga(o), acrescido de sua 
inscrição profissional além de 
assinatura. 
181 
CAPÍTULO 10 
6. ATESTADO PSICOLÓGICO 
A. Informa sobre condições 
psicológicas; 
B. Justifica faltas e impedimentos; 
C. Justifica estar apto ou não para 
atividades específicas; 
D. Solicita afastamento e/ou dis-
pensa, subsidiada na afirmação 
atestada do fato; 
Atestado 
Psicológico 
Estrutura: 
A. Título: "Atestado Psicoló-
gico"; 
B. Identificação da pessoa ou 
instituição atendida; 
C. Nome do solicitante; 
D. Finalidade: descrição da 
razão ou motivo do pedido; 
E. Descrição das condições 
psicológicas que justifiquem a 
finalidade documental; 
F. Encerramento: indicação do 
local, data de emissão, carimbo 
com nome e inscrição profis-
sional, com todas as laudas 
numeradas, rubricadas da pri-
meira até a penúltima lauda, e 
a assinatura da(o) psicóloga(o) 
na última página. 
Obs: ao final do(s) parágrafo(s) 
use traços para evitar adultera-
ções no documento. 
Fundamentado em Diagnóstico 
Psicológico 
A condição para emissão é a 
Avaliação Psicológica 
Os procedimentos utilizados no 
processo de Avaliação Psicológica 
devem ter um nexo causal com a 
demanda e finalidade do Atesta-
do Psicológico. 
Certifica somente o que foi verifi-
cado no processo de avaliação 
Documento construído em texto 
corrido contendo o estritamente 
necessário para cumprimento da 
finalidade documental. 
Quando justificadamente ne-
cessário, fica facultado à(ao) psi-
cóloga(o) o uso da Classificação 
Internacional de Doenças (CID) 
ou outras Classificações de diag-
nóstico, científica e socialmente 
reconhecidas, como fonte para 
enquadramento de diagnóstico. 
Indicar no último parágrafo 
validade documental. 
182 
CONSULTA RÁPIDA 
7. RELATÓRIOS PSICOLÓGICO E 
MULTIPROFISSIONAL 
Relatórios Psicológico e 
Multiprofissional 
Comunicação da atuação 
profissional com diferentes 
objetivos (Finalidade): 
• Informar. 
• Orientar. 
• Recomendar. 
• Encaminhar. 
• Intervir. 
Narrativa detalhada, didática, pre-
cisa e harmônica, com linguagem 
compatível ao destinatário. 
Fonte de informações: Registros 
documentais do profissional da 
Psicologia (CFP 01/2009) 
 r -
lor 
Não tem como fim produzir Diag-
nóstico Psicológico (condicionado 
à Avaliação Psicológica) 
Estrutura (iSode ser por item ou 
em texto corrido): 
• Identificação. 
• Descrição da Demanda. 
• Procedimento. 
• Análise (raciocínio técnico-
•científico). 
• Conclusão (recomendações?). 
Avaliar pertinência de fazer cons-
tar no documento: 
• Impossibilidade de seu 
uso diferente ao descrito na 
deman da. 
• Caráter Sigiloso. 
• Documento extrajudicial. 
• Isenção de responsabilidade 
em relação ao uso do docu-
mento após sua entrega. 
Indicar no último parágrafo 
validade documental. 
183 
CAPÍTULO 10 
8. LAUDO PSICOLÓGICO 
Apóia decisões relacionadas 
ao contexto em que surgiu a 
demanda 
Laudo 
Psicológico 
Estrutura: 
I Identifica0o; 
II. Descrição da demanda; 
III. Procedimento; 
IV. Análise; 
V. Conclusão; 
VI. Referências. 
Características do documento: 
Narrativa detalhada e didática, 
com precisão e harmonia com 
linguagem compatível com o 
destinatário 
Última etapa do processo de 
Avaliação Psicológica 
Procedimentos da Avaliação 
psicológica se justificam pela fi-
nalidade e demanda documental 
e/ou da prestação de serviço 
Nas conclusões, fazer recomenda-
ções pertinentes: 
a. Encaminhamentos; 
b. Intervenções; 
c. Diagnóstico; 
d. Prognóstico; 
e. Hipótese diagnostica; 
f. Evolução do caso; 
g. Orientação e/ou sugestão 
de projeto terapêutico. 
Indicar no último parágrafo 
validade documental. 
184 
CONSULTA RÁPIDA 
9. PARECER PSICOLÓGICO 
Indicativa ou conclusiva 
Resposta a uma consulta 
Parecer 
Psicológico 
Estrutura: 
I Identificação; 
II. Descrição da demanda; 
III. Análise; 
IV. Conclusão; 
V. Referências. 
• Documento deve ser constru-
ído por itens; 
• Referências como note de 
rodapé preferencialmente. 
Documento 
Técnico 
Campo 
Psicológico 
Análise técnica norteada por 
questão-problema 
Exposição aprofundada da 
questão central produto da díade 
demanda-finalidade. 
Obs: Não contem informações 
subjetivas pois não é fruto de 
Intervenção e/ou Avaliação 
Psicológica 
185 
CAPÍTULO 10 
10. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES 
Guarda Documental Formato Físico 
ou Digital 
Prazo mínimo de 
5 (cinco) anos 
l Responsabilidade sobre a guarda: 
profissional de psicologia com-
1 partilhada com instituição onde 
I ocorre a prestação de serviço 
Destino Documental 
Resolução 
CFP n°01/2009 
Prazo ampliado: 
• Previsão legal; 
• Determinação judicial; 
• Casos específicos circunstanciados. 
Interrupção das atividades: seguir 
recomendações do Art. 15 do Código 
de Ética Profissional do Psicólogo 
Entrega direta: beneficiário da pres-
tação do serviço psicológico, ao seu 
responsável legal e/ou ao solicitante, 
em entrevista devolutiva. 
Manter protocolo de entrega de 
documentos contendo assinatura do 
solicitante, comprovando recebi-
mento e responsabilidade pelo uso e 
sigilo das informações recebidas. 
186 
CONSULTA RÁPIDA 
Validade Documental 
Entrevista Devolutiva 
O tempo de validade é uma decisão do 
profissional que prestou serviço e deve ser 
indicada no último paragrafo do documento 
Levar em consideração para 
determinação temporal de validade docu-
mental: 
1. Normatizações específicas vigente; 
2. Natureza dinâmica do trabalho 
realizado; 
3. Necessidade de atualização contínua 
das informações. 
Critérios avaliativos para decisão sobre 
validade documental: 
a. Objetivos da prestação do serviço; 
b. Procedimentos utilizados; 
c. Aspectos subjetivos e dinâmicos 
analisados; 
d. Circunstâncias e contexto; 
e. Conclusões obtidas. 
Obrigatório para Laudos Psicológicos e 
Relatórios (Psicológico e Multiprofissional) 
Demais 
documentos, 
recomenda-se. 
Na impossibilidade, 
registrar 
explicações 
187 
CAPÍTULO 10 
VI. REGISTRO DOCUMENTAL 
Obrigatório em qualquer 
prestação de serviços 
psicológicos organizado e 
atualizado 
Formatos: 
a. Eletrônico (plataformas); 
b. Digitalizado; 
c. Físico. 
Obrigatório sigilo 
profissional 
Fazer constar: 
Guarda: 
1. Responsabilidade do profissional 
que presta o serviço em conjunto com 
a instituição onde acontece; 
2. Período mínimo de 05 (cinco) anos 
Registro Documental 
I - identificação do usuário/instituição; 
II - avaliação de demanda e definição de objeti-
vos do trabalho; 
III - registro da evolução do trabalho, de modo 
a permitir o conhecimento do mesmos seu 
acompanhamento, bem como os procedimen-
tos técnico-científicos adotados; 
IV - registro de Encaminhamento ou Encerra-
mento; 
V - documentos resultantes da aplicação de 
instrumentos de avaliação psicológica deverão 
ser arquivados em pasta de acesso exclusivo do 
psicólogo. 
VI - cópias de outros documentos produzidos 
pelo psicólogo para o usuário/instituição do 
serviço de psicologia prestado, deverão ser 
arquivadas, além do registro da data de emissão, 
finalidade e destinatário. 
À disposição dos 
Conselhos de 
Psicologia para 
orientação e 
fiscalização 
Contempla de forma su-
cinta o trabalho prestado, 
a descrição e a evolução 
da atividade e os proce-
dimentos técnico-científi-
cos adotados 
188 
CONSULTA RÁPIDA 
12. PRONTUÁRIO PSICOLÓGICO 
Em equipe multidisciplinar, pro-
duzir prontuário único - apenas 
com o registro de informações 
necessárias ao cumprimento dos 
objetivos do trabalho. 
Prontuário Psicológico 
Formatos: 
a. a. Eletrônico (plataformas); 
b. Digita lizado; 
c. Físico. 
Direito de acesso integral 
da pessoa atendida ou 
responsável legal 
Guarda: 
1. Responsabilidade do pro-
fissional que presta o serviço 
em conjunto com a instituição 
onde acontece; 
2. Período mínimo de 05 
(cinco) anos 
Fazer constar: 
I - identificação do usuário/instituição; 
II - avaliação de demanda e definição de objetivos do trabalho; 
III - registro da evoluçãodo trabalho, de modo a permitir o conhecimento do 
mesmo e seu acompanhamento, bem como os procedimentos técnico-científi-
cos adotados; 
IV - registro de Encaminhamento ou Encerramento; 
V - documentos resultantes da aplicação de instrumentos de avaliação psicológi-
ca deverão ser arquivados em pasta de acesso exclusivo do psicólogo. 
VI - cópias de outros documentos produzidos pelo psicólogo para o usuário/ 
instituição do serviço de psicologia prestado, deverão ser arquivadas, além do 
registro da data de emissão, finalidade e destinatário. 
189 
ANOTAÇÕES 
• 
ANOTAÇÕES 
ANOTAÇÕES 
COMO 
SE FAZ? 
DOCUMENTOS 
PSICOLÓGICOS 
Declaração, Atestados, Relatórios, Pareceres, Laudos. Diferentes docu-
mentos, com finalidades próprias, peculiaridades. Possibilidades. Mais que 
saber elaborar documentos psicológicos, estamos diante da possibilidade de 
dominar sobre a comunicação escrita de nossos fazeres "psi": e, vamos com-
binar, saber falar sobre o que fez, como fez, porque fez, os caminhos dEsse 
fazer e tão importante quanto o fazer em si. 
Este livro e um tanto diferente: ele não se propõe ser um livro! Sei que 
pode parecer confuso, mas explico: meu objetivo em uma proposta de Como 
Fazer documentos psicológicos foi pegar em sua mão. Construí cada capítulo 
como conversas numa caminhada e torço que assim chegue para você. Nem 
de longe tenho a intenção de encerrar assuntos, ao contrário: quero mesmo é 
abrir possibilidades! Mais que me ocupar sobre o que eu não disse, fiz ques-
tão de focar no que precisava dizer. Será uma caminhada, enquanto você e 
eu atuarmos profissionalmente. Minha intenção com esse livro e te fazer par 
num trecho de sua Jornada, por vezes tão solitária, inclusive para que se per-
ceba impar, enquanto também vou fazendo, de ca, a minha própria caminha-
da E estar junto e muito bom! Vuuumbora!!! 
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